Todo mundo já deve ter algum perrengue por viajar com mais bagagem do que o necessário. Pode ter sido a mala que rasgou porque estava cheia demais. Ou aquela dor nas costas por carregar uma mochila pesada além da conta. Ou a dificuldade de locomoção na saída ou chegada a um aeroporto por causa dos muitos volumes. Só com esses três exemplos já é bem fácil de convencer qualquer um: viajar leve é viajar melhor.

Aí você pode perguntar: o que eu posso fazer para reduzir minha bagagem? Sempre tem os fatores que jogam contra. A vontade de não repetir os looks na viagem, as baixas temperaturas de um destino de inverno ou uma grande coleção de acessórios são alguns deles.

Mas a gente responde: sempre dá para levar menos coisas do que parece ser o mínimo. O que você precisa é experimentar algumas atitudes na prática ou repensar o seu conceito de “itens fundamentais”.

Tenha certeza disso: você não vai querer ser o dono desta mala

Tenha certeza disso: você não vai querer ser o dono desta mala

Eu mesmo já passei por altos problemas por levar bagagem demais. Na minha primeira ida aos Estados Unidos, por exemplo, foram 19 dias de viagem. As malas que eu tinha eram pequenas demais ou grandes demais. Como sobrar sempre é melhor do que faltar, fui com a grande. E à medida que fui comprando presentes e souvenirs, a mala foi ficando pesada. Ela teve um pé e um zíper quebrados numa esteira de aeroporto. E, para piorar, me deu o maior trabalho quando resolvi economizar o shuttle e ir de transporte público para o aeroporto em uma das cidades.

De lá para cá, resolvi apostar no mochilão. Ele é mais prático e ergonômico para viajar leve. Para não se tornar um inconveniente tão grande quanto uma malona, o ideal é você comprar uma que seja adequada ao seu tamanho e que não seja nem pequena nem grande demais para a sua viagem. Desde então, venho me perguntando porque demorei a aderir ao clube dos mochileiros!

Também acho que viajar leve tem a ver com outro exercício legal que as viagens te proporcionam: analisar o que é realmente essencial para você. Você vai de fato precisar de tudo aquilo que está levando? Sempre é possível diminuir um pouco mais o volume da bagagem e, creia, você só vai sair ganhando com isso. Vai tirar lições para a viagem e para o dia a dia também.

Resolvi escrever este artigo para tentar inspirá-los a aceitar a leveza como melhor companheira de viagem. Enumerei algumas dicas baseadas na minha vivência e convidei três blogueiros de viagem para passar as experiências deles. Agora é todo mundo trabalhando para viajar leve!

 

1. Estude o clima e o perfil dos seus passeios

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Parece óbvio, né? Mas falhar neste ponto é um erro que muita gente comete. Quem não conhece aquele amigo que levou para uma viagem de muitas caminhadas aquele sapato bonito porém desconfortável? Quem não tem uma amiga que levou uma mala extra só com casacos e acessórios de frio para aquelas férias de inverno?

Se a viagem é de verão, preste atenção não só à leveza das roupas, mas também aos materiais. Roupas fáceis de dobrar e que formam pouco volume são primordiais. Se a viagem é de inverno, não caia na tentação de entulhar a mala. Um casaco mais pesado é o suficiente. E nem se melindre por repeti-lo em todas as fotos dos dias mais frios. Calçados? Dependendo do destino, nem precisa de mais de um par. Mas pelo menos um par tem que ser comprovadamente confortável, principalmente se seus pés costumarem fazer bolhas!

 

Dica importante

A Luiza Antunes, do blog 360 Meridianos, é adepta do hábito de viajar leve. Já morou na Índia, já fez uma volta ao mundo e sempre foi cortando os excessos de bagagem a cada nova viagem. Olha só a dica dela sobre a quantidade de roupas:

Nunca levo nada extra para o caso de precisar. Ou seja, por exemplo, nunca levo mais de duas calças, mesmo no inverno. Casaco é um só mais quente. Não limito o número de peças, penso mais nas combinações entre as roupas e no clima mesmo.  Costumo limitar sempre só os sapatos mesmo. No máximo três. Então costuma ser: um tênis para caminhada no dia a dia, uma bota ou sapatilha e um chinelo (Luiza Antunes, blog 360 Meridianos)

2. A lavanderia é a melhor amiga do viajante

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Taí outra dica que eu fui demorar a perceber o quanto era importante para viajar leve. Antes eu costumava basear os números de algumas peças de roupa na quantidade de dias. Camisetas, por exemplo. Era uma por dia + algum arredondamento para cima para atingir algum número mais ~mágico~. Exemplo: 12 dias de viagem, 15 camisetas. Isso resultava em um ser que ganhava vida própria do meio para o fim da jornada: o saco de roupas sujas!

Até que veio uma voz divina que me soprou no ouvido: você está fazendo isso errado!

Como fazer?

A gente costuma achar que lavar roupa em viagem é caro por causa dos preços que as lavanderias de hotéis costumam cobrar. Paga-se por peça e paga-se muito! Por sorte, muitas cidades têm lavanderias de bairro que lavam por quilo ou fazem uma cobrança subjetiva “por tanque de roupa”. Tipo: se a roupa que você levar couber em uma lavagem, eles cobram uma unidade desta medida. Geralmente sai bem em conta!

Caso você se hospede em apartamentos do Airbnb, é possível que muitos deles tenham a infraestrutura completa para lavagem de roupas. Máquina de lavar, sabão, amaciante, área para estender as roupas, tábua e ferro de passar.

 

Dicas dos blogueiros

A gente sabe que nem toda roupa facilita nessa hora. Tem roupa mais grossa, mais pesada que pode atrapalhar nos planos de lavanderia. Portanto é legal se ligar na dica da Celina Martins, que tem um blog com um nome que tem tudo a ver com o nosso post – Mala de Rodinha e Nécessaire:

Levo roupas fáceis de lavar e rápidas de secar. Mesmo que fique um mês viajando, dou preferência à praticidade e principalmente à independência (Celina Martins, blog Mala de Rodinha e Nécessaire)

O Jonathan Pádua, do blog Eu Vou de Mochila, endossa essa dica com poucas palavras:

Em viagens longas, lavar roupa é fundamental! (Jonathan Pádua, blog Eu Vou de Mochila)

3. Sacos a vácuo: não é feitiçaria, é tecnologia!

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Essa dica serve tanto para quem leva muita roupa e quer fazer caber na mala quanto para quem leva pouca e quer levar ainda menos. Os sacos para embalar roupa a vácuo servem para viajantes e também na arrumação do dia a dia da casa. Com eles, edredons, cobertores e roupas de inverno ocupam bem menos espaço nos armários. Imagina a mágica que eles podem fazer na sua bagagem!

Esses sacos têm uma válvula onde você encaixa o bico de um aspirador de pó. Quando você ligar o aspirador, ele vai sugar todo o ar do saco e fazer com que o volume das roupas diminua monstruosamente. Há vários tamanhos de saco e várias marcas. Eles são fáceis de achar e custam de 9 a 20 reais a unidade.  Alguns modelos acompanham uma bomba de sucção portátil, perfeita para levar nas viagens. Alguns modelos de saco não são compatíveis com aspiradores, como o da ilustração ali de cima. Mas os que funcionam com aspirador parecem mágicos, como o deste vídeo.

Em alguns vídeos no You Tube, já achei tutoriais de como fazer embalagem a vácuo com sacos comuns e sem aspirador. Prefiro não endossar esses métodos, mas vai que você consegue… hehehehe

 

4. Na hora de se enxugar, faça como o Michael Phelps

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Talvez a forma mais fácil de se igualar ao maior campeão olímpico de todos os tempos seja utilizar um item que ele leva para todo lugar. A toalha de alta absorção, também conhecida como “toalha de nadador”. Ela é feita de materiais sintéticos e sempre tem alguma novidade no mercado que promete absorver mais ou ser mais macia que as concorrentes.

As toalhas esportivas realmente absorvem a água MUITO mais do que toalhas comuns. Cerca de 10 vezes mais. Por causa disso, elas não precisam ter o tamanho das toalhas que você tem em casa. Em geral, elas têm 40 x 80 centímetros. Ou seja, um pouco maiores que uma flanela de limpeza doméstica. Perfeitas para viajar leve. A variedade de preços e marcas também é bem grande. Dando uma busca rápida no Google, dá para encontrar toalhas de 17 e outras de 84 reais. E elas são facilmente encontradas em lojas de material esportivo. Para quem sempre anda com toalha, essa é uma ótima forma de economizar espaço e viajar leve.

 

5. Potinhos pra que te quero

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Essa dica vai te ajudar a economizar espaço na nécessaire ou na bolsa em que você leva produtos de higiene pessoal. Você deve saber que, em voos internacionais, não são permitidos líquidos em frascos de mais de 100 ml. Portanto, já leve alguns itens fracionados em potinhos para facilitar a vida. Shampoo, sabonete líquido, hidratante, etc. Em lojas de utilidades domésticas ou de utensílios de plástico, é moleza encontrar esses potinhos de 100 ml. Outra opção pode ser aproveitar os frascos de cortesia dos hotéis.

 

6. Não tenha pudor de descartar roupa no meio da viagem

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Este é um momento decisivo do teste do desapego. Você não precisa ser um viajante de compras para voltar com mais roupa do que tinha quando embarcou. É normal a gente se seduzir por uma camiseta descolada, um vestido com uma estampa única, um jeans de alta qualidade que estava em promoção… Mas e quando essas roupas novas começam a entulhar na bagagem?

A solução para viajar leve neste caso é simples: desapega!

Essa é uma prática muito comum entre quem gosta de viajar leve. Comprou roupa? Descarte algumas peças. Procure entidades que ajudam moradores de rua, crianças carentes, centros comunitários ou algo do tipo. Você tira peso da bagagem e ainda faz uma boa ação.

 

Dicas para desapegar

Costumo fazer doações internacionais, principalmente na primavera ou verão. Na última viagem de 28 dias pelo leste europeu comprei muitas camisetas baratinhas e fui descartando pelo caminho (Celina Martins, do blog Mala de Rodinha e Nécessaire)

Quando eu estava morando na Índia, fiz uma sacola cheia de coisas que eu percebi que eram extras que eu não precisava e mandei pelo correio para o Brasil. Depois, durante a viagem ainda descartei mais algumas coisas, como livro, camiseta e sapato que não precisava mais (Luiza Antunes, do blog 360 Meridianos)

7 – Saiba o tamanho ideal da sua mala ou mochila

As coisas mais necessárias para a sua vida podem, de repente, caber numa malinha como esta

As coisas mais necessárias para a sua vida podem, de repente, caber numa malinha como esta

Este é um ponto chave para qualquer planejamento de viagem. Escolher o tamanho da sua mala ou mochila vai influenciar diretamente no exercício do desapego, ideal para viajar leve. As consequências vão ser grandes em todos os dias da sua viagem. Desde os deslocamentos até a possibilidade de não precisar despachar bagagem.

O que eu daria como dica primordial: seja mala ou mochila, escolha uma que possa ser usada como bagagem de mão, sem despachar. Em voos domésticos no Brasil, a regra diz que um volume de mão não pode ter mais que 115 centímetros considerando a soma de três medidas (altura, comprimento e largura). O peso máximo é de 5 quilos. Nem sempre as companhias aéreas (ou os fiscais nas áreas de embarque) medem ou pesam as bagagens. Mas é bom não passar muito disso mesmo.

Em voos internacionais, os limites são estipulados por cada companhia. A Ryanair, uma das principais companhias low cost do mundo, permite dois volumes de mão: um com 115 cm de medidas somadas e até 10 kg + outro de 75 cm de medidas. Estar dentro desses parâmetros pode te ajudar a economizar um bocado, já que a Ryan Air cobra até 50 euros por volume despachado (20 kg ou mais em voos maiores que 3 horas).

 

Dica importante

A bagagem de mão com uma troca de roupa e alguns outros itens importantes é importante pra ter uma segurança caso o mochilão seja extraviado, por exemplo (Jonathan Pádua, do blog Eu Vou de Mochila)

Como já falei, sou adepto das mochilas. Aqui em casa, temos uma de 80 litros (que sempre precisa ser despachada) e uma de 60 litros bem compacta, que já levei como bagagem de mão e que comporta bastante coisa. O ideal é você ir a uma loja especializada para provar a mochila como se prova uma roupa. Ela também precisa ficar confortável para você.

Alguns modelos de mochilas de 60 litros

Alguns modelos de mochilas de 60 litros

 

Fala, blogueiro!

Os blogueiros convidados para este post relatam a vivência que eles têm com o assunto viajar leve:

 

Luiza Antunes – 360 Meridianos:

No meu primeiro intercâmbio para os Estados Unidos, eu levei duas malas de 32 kg para passar 4 meses. Eu lembro do sofrimento que era carregar aquilo e da noção que eu tive de não precisar de tanta coisa assim. Na volta ao mundo, que durou 10 meses, eu levei uma mala média e uma mochila pequena. Ainda assim, percebi que dava para diminuir e desapegar. Acho que foi um processo de aprendizado. Quando me mudei para Portugal, trouxe só uma mala média. As pessoas ficam um pouco chocadas como consegui, mas no final das contas, tenho a impressão que todo mundo carrega muito mais do que precisa, à toa.

 

Eu acho que uma mala funcional é aquela que a pessoa se conhece muito bem e sabe o que precisa para viver confortável e de maneira prática.  Eu normalmente acho que as pessoas exageram nas quantidades de coisas, levam sapatos demais, alguns inapropriados.

Jonathan Pádua – Eu Vou de Mochila

Ainda não consegui fazer uma viagem internacional sem despachar bagagem, mas essa é a próxima meta. Nunca tive dificuldade com bagagem pesada, mas sempre dá aquela sensação de ter carregado peso sem necessidade, saca? Quando você volta de viagem e ao desfazer a bagagem percebe que levou itens que nem usou.

Minha dica é: compre uma mochila que dê para ir de bagagem de mão e leve apenas o que couber dentro dela. Não coube um tênis? Vá só com o que estiver no pé. Não coube uma camiseta? Leve uma a menos. E por aí vai.

Celina Martins – Mala de Rodinha e Nécessaire

Tive dificuldade com bagagem pesada logo na primeira viagem internacional. Eu estava com uma mala média que, embora não estivesse muito pesada, dificultou muito o deslocamento. Principalmente no metrô de Londres e Paris. Daí em diante, adotei a mala pequena. Minha regra para todas as viagens é levar a mala que eu posso carregar sozinha.

Tenho um ‘kit básico de viagem’. Roupa térmica (no verão funciona como pijama e no inverno como roupa de baixo), 2 calças tipo legging e 4 ou 5 blusas/camisetas. Conforme a temperatura do destino, incluo acessórios para o frio (gorro, cachecóis e luvas) ou calor (sapatilha, chapéu). O mínimo mesmo.

Também deixei de levar guias físicos (livros) de viagem. Passei a trocá-los por um arquivo digital que preparo durante a fase de planejamento da viagem.