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Tag: viagens de três dias

São Petersburgo: muito além da Copa do Mundo de 2018

São Petersburgo, a cidade responsável por exportar o estrogonofe para o mundo, foi também a capital do Império Russo de 1732 a 1918. Em 2018, será a segunda cidade a…

São Petersburgo, a cidade responsável por exportar o estrogonofe para o mundo, foi também a capital do Império Russo de 1732 a 1918. Em 2018, será a segunda cidade a receber mais partidas da Copa do Mundo. São sete jogos no total, desde a primeira fase até a decisão do terceiro lugar. Por lá, seleções como o Brasil e a Argentina já têm passagem garantida.

Pode até não ser o centro administrativo e financeiro da Rússia. Mas quando o assunto é arte, nenhuma cidade russa brilha mais do que São Petersburgo. O local fica especialmente animado durante o Festival Noites Brancas. O evento foi criado em 1993 para celebrar a época do ano em que o sol mal se põe. De lá para cá, cresceu demais. Passou de duas para oito semanas de duração. E o número de visitantes ultrapassou um milhão na edição mais recente.

 

Neste outro post concentrado em Moscou, falei sobre a época do ano em que estive na Rússia. Compartilhei algumas impressões gerais sobre o país, as dificuldades de comunicação que enfrentei e, entre outras coisas, prometi uma sugestão de itinerário para três dias em São Petersburgo. Como promessa é dívida, então vamos lá.

 

Primeiro Dia – Palácios ao Sul

Por causa dos horários de funcionamento dos lugares que queríamos conhecer, escolhemos, em nosso primeiro dia, sair da cidade e visitar dois palácios que ficam ao sul. Eles ficam a pouco mais de 30km de São Petersburgo e distam 6km entre si: o Pavlovsk e o Palácio da Catarina I (em Tsarskoe Selo).

Fica aqui uma dica para os marinheiros de primeira viagem. Sempre verifique o endereço e o horário de funcionamento de todas as atrações que quer visitar, com antecedência e de preferência no site oficial do lugar. Isto para evitar dar de cara com uma porta fechada porque a atração mudou de endereço ou não funciona naquele dia/horário.

Pavlovsk

Há alguma discussão na internet sobre qual dos dois palácios visitar primeiro. Nós decidimos começar pelo mais distante. Para chegar lá, pegamos o trem que parte da estação Vitebsky (витебск). Depois de uns 35 minutos, descemos na parada que leva o mesmo nome do palácio (Павловск). Ao sair da estação, acompanhamos o fluxo dos turistas e entramos em um amplo parque em estilo inglês. Fomos seguindo a sinalização até chegar ao Pavlovsk. Incrivelmente, não havia qualquer informação em outro idioma que não fosse o russo. A solução foi colar em uma família que tinha contratado uma guia que falava em inglês. A convite da família, é claro.

Pavlovsk. São Petersburgo.

Pavlovsk, localizado há aproximados 30km ao sul de São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

Em estilo neoclássico, o palácio foi construído a mando de Catarina II entre 1781 e 1786, para o seu filho Paulo (Pavel em russo, por isso o nome: Pavlovsk) e sua segunda esposa Maria Fyodorovna. A tarefa foi inicialmente confiada ao arquiteto escocês Charles Cameron, que caiu nas graças da imperatriz pelo trabalho realizado em Tsarskoe Selo. O projeto modesto e a tendência à simplicidade, no entanto, não agradaram a Paulo e sua mulher. Por isso, deram a Vicenzo Brenna (assistente de Cameron) a missão de dar um ar de imponência e realeza ao prédio. O serviço de Brenna foi muito apreciado pelo futuro imperador e sua esposa. Tanto que o arquiteto voltou a trabalhar para o casal na remodelação do palácio em Gatchina e no Castelo Mikhailovsky, em São Petersburgo.

O design de interior ficou a cargo da própria Maria Fyodorovna, que encheu o Pavlovsk com obras de arte locais e importadas dos quatro cantos da Europa. A coleção de mobiliário em exposição no palácio é impressionante e, por si só, justifica a visita.

O palácio que visitamos é uma réplica do original. Este, após servir de residência real por mais de cem anos (1786-1917), foi reduzido a cinzas duas semanas após o fim da 2ª Guerra Mundial. Foi o resultado do vacilo de um soldado soviético que jogou um cigarro em uma mina alemã (quanta ironia!).

 

Palácio de Catarina I

Em seguida, pegamos o ônibus da linha 370, perto da entrada do Pavlovsk pela Rua Sadovaya Ulitsa, e descemos próximo ao Palácio de Catarina I. Esse palácio fica na cidade de Tsarskoe Selo (também conhecida por Pushkin), localizada uma parada antes da que descemos para ir ao Pavlovsk. Anotei também que poderíamos pegar os ônibus das linhas K286 e K513, dependendo da hora que terminássemos o passeio no primeiro palácio.

Ao chegar nessa grandiosa residência dos Czares russos, ficamos maravilhados com a sua grandiosidade, superando o Pavlovsk neste quesito. Mais de 100kg de ouro foram utilizados só para enfeitar a fachada. Outra coisa que nos chamou a atenção foi a imensa fila para comprar os ingressos. Ficamos umas três horas nela, e quase nem entramos, pois a bilheteria só estava aberta até as 17h. A fila era muito desorganizada, sendo constantemente furada por grupos de russos. Imagina na Copa!

 

Catherine's Palace. Tsarkoe Selo. São Petersburgo.

Fila em frente ao Palácio Cataria I, em Tsarskoe Selo. Foto: André Orengel.

 

Porém, tudo vale a pena quando se entra no museu.

O palácio foi construído inicialmente como uma casa de veraneio pela esposa do imperador Pedro o Grande, a Catarina I. Posteriormente, foi remodelado pela filha do, Elizabeth, com a ajuda do arquiteto Bartolomeo Rastrelli (que também assina o projeto do Palácio de Inverno, onde se encontra a principal coleção do museu Hermitage).

Infelizmente, um dos estragos impostos pelas tropas alemãs durante a Segunda Guerra Mundial foi o completo saqueamento do Museu. O que vemos hoje é uma belíssima reconstrução do original. Todas as salas são estonteantes, destacando-se a sala de âmbar (réplica), toda adornada com painéis sólidos desta preciosidade. Ao todo, eles pesam cerca de 450kg. A decoração original desta sala foi um presente de Frederico Guilherme I da Prússia, que a removeu de sua própria residência, o Palácio Charlottenburg em Berlim, para dar a Pedro o Grande.

Catherine's Palace. Tsarskoe Selo. São Petersburgo.

Palácio Catarina I, em Tsarskoe Selo. Foto: André Orengel.

Retornando para São Petersburgo

Para voltar, regressamos à parada em que descemos anteriormente e pegamos o mesmo ônibus de nº 370, que nos levou à estação de Tsarskoye Selo. De lá, pegamos o trem para São Petersburgo.

Pedro, Paulo, Maria, Elizabete, Catarina I e II; são muitos nomes e personagens em uma longa e instigante história de guerras, traições, ambições, poder e absurda riqueza. Para aprender mais sobre a vida dos Czares da Dinastia Romanov antes de pisar em solo russo, recomendo o excelente documentário da BBC Empire of the Tsars: Romanov Russia with Lucy Worsley, disponível na Netflix.

 

Segundo Dia – O Centro Histórico

Começamos o dia seguinte com o Free Walking Tour conduzido pela Anglo Tourismo. O esquema você já conhece: um guia lhe acompanha por um passeio pela cidade, contando a história e curiosidades de seus principais pontos turísticos. Ao final, você decide quanto quer pagar pelos serviços prestados, a título de gorjeta. A excursão dura cerca de três horas, começando as 10h30 em frente ao Diner (Столовая) na Nab. Reki Fontanki, nº 27.

Os destaques do passeio são: o Palácio Vorontsov, a Catedral de Nossa Senhora de Kazan, a Catedral de São Isaac, o Cavaleiro de Bronze, o Hermitage e a Igreja da Ressurreição do Salvador sobre o Sangue Derramado (ô nomezinho estranho!). Isso sem falar das várias histórias sobre a vida de Catarina II e de Pedro o Grande, a Revolução de Outubro, a Segunda Guerra Mundial e a vida moderna em São Petersburgo.

Church of the Savior on Spilled Blood. São Petersburgo.

Igreja da Ressurreição do Salvador sobre o Sangue Derramado, em São Petersburgo. Foto: André Orengel.

O Palácio de Inverno e o Museu Hermitage

Finalizado o tour, almoçamos e entramos no impressionante Palácio de Inverno, que hoje abriga a principal coleção do museu Hermitage. Antes disso, o prédio foi a residência oficial dos Czares, quase ininterruptamente, desde sua construção até a queda da monarquia russa.

Palácio de Inverno. Winter Palace. Hermitage. São Petersburgo.

Patio Interno do Palácio de Inverno (Museu Hermitage), São Petersburgo. Foto: André Orengel.

Construído com o objetivo de definitivamente inserir São Petersburgo no rol das mais magníficas capitais europeias de seu tempo, este pomposo palácio em tom pistache esbanja a extravagância e a ornamentação típicas da versão russa barroco europeu.

É difícil de acreditar, mas o acervo do Hermitage conta com mais de 3 milhões de obras de arte. Para se ter uma ideia, se você demorar um minuto para apreciar cada uma delas, somente após uns onze anos você estará liberado para voltar para a sua casa. Obviamente, nem todas as peças estão expostas. Os enormes salões do Palácio de Inverno exibem as principais obras desta que é uma mais importantes coleções de arte do mundo.

Throne Room. Palácio de Inverno. Winter Palace. Hermitage. São Petersburgo.

Sala do Trono, no interior do Palácio de Inverno (Museu Hermitage), São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

Dentre as obras em apresentação que vimos, algumas merecem atenção especial. O Gold Treasure Room, o Relógio do Pavão Dourado e os trabalhos de Leonardo da Vinci, Raphael, Michelangelo, Caravaggio, Peter Paul Rubens, Pierre-Auguste Renoir, Claude Monet e Henri Matisse.

Golden Peacock Clock. Hermitage. São Petersburgo.

O Relógio do Pavão Dourado, no museu Hermitage, São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

Encerramos o dia com um passeio e jantar às margens do rio Neva.

 

Terceiro Dia – Peterhof e Noites Brancas

No último dia em São Petersburgo visitamos o Peterhof (Petrodvorets). Aqui, constatamos que palácio suntuoso é o que mais há na cidade.

O que mais destaca o Peterhof dos demais é o conjunto de mais de 170 fontes e canais. É uma magnífica composição aquática, desenhada, em parte, por Pedro o Grande. Não há nada igual no planeta. As dezenas de estátuas douradas que cospem água em todas as direções são realmente extraordinárias. O estandarte da decoração é a apoteótica representação de Sansão batalhando com um leão. Ela foi feita para para celebrar a vitória russa contra os suecos em 1709.

 

Peterhof. Petrodvorets. São Petersburgo.

Destaque para a estátua no centro do lago artificial, que representa Sansão batalhando com um leão. Peterhof, em São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

Para chegar neste palácio, fomos de metrô até a estação Avtovo. De lá, pegamos o ônibus de número 210, que passa bem na frente do Palácio. Voltamos pelo mesmo caminho. O traslado levou quase 1h30, cada perna.

 

O Mariinsky

Para fechar com chave de ouro a visita à cidade, assistimos a um dos mais disputados espetáculos do festival Noites Brancas: o balé de “Romeo e Julieta”, apresentado no fabuloso Mariinsky.

Esse teatro é enorme e, sem dúvida, um dos mais bonitos que já estive. Com certeza vale a pena incluir o Mariinsky em qualquer visita a cidade. Mesmo que só para conhecer a sua estrutura.

Mariinsky. São Petersburgo.

Mariinsky, em São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

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Cuba: dicas e roteiro de três dias em Havana

Se você já ouviu a frase “vai para Cuba!” numa discussão sobre política, não a leve mais como um insulto. Melhor tomá-la como uma recomendação – e das boas. A…

Se você já ouviu a frase “vai para Cuba!” numa discussão sobre política, não a leve mais como um insulto. Melhor tomá-la como uma recomendação – e das boas. A ilha caribenha é uma das vedetes dos viajantes nos últimos anos. Em 2016, o país recebeu turistas como nunca: foram 4 milhões de visitantes, 13% a mais que no ano anterior. E o que mais há em Cuba é motivo para visitar o país: história, cultura, música e praias são só alguns deles.

Conhecer Cuba não precisa ser uma decisão ligada a uma orientação/opinião política. Mas, antes de decidir embarcar, é preciso estar ciente de alguns fatos:

1) apesar de crescente, a indústria do turismo (ainda) não é tão consolidada quanto em países historicamente mais visitados;

2) as consequências do isolamento político e econômico de Cuba estarão visíveis por toda parte. A versão turística do país não é a mesma que os nativos vivem;

3) Cuba é um país pobre, porém caro. Não pense nesta viagem como uma viagem para gastar pouco.

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Ruas de Habana Vieja. Foto: André Orengel

 

Essas são algumas reflexões que tirei dos relatos da viagem que o André Orengel, colaborador habitual do Mochileza, fez por lá. Ele e a esposa estiveram em Cuba em dezembro de 2016. Por aqui, ele deixa algumas dicas para planejar a viagem (visto, dinheiro, hospedagem, etc) e uma sugestão de roteiro de três dias pela capital Havana. Partiu Cuba?

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Plaza de la Revolución, em Havana. Foto: André Orengel

 

Cuba, muito mais do que os seus vizinhos caribenhos, tem uma presença marcante em nosso imaginário. Pode ser pela rivalidade esportiva com o Brasil, pela revolução comunista liderada por Fidel Castro e Che Guevara ou ainda pela influência cultural de seus ritmos e sabores. A verdade é que sempre tivemos uma curiosidade imensa de conhecer este país e seu povo. Assim, minha esposa e eu aproveitamos um recesso de final de ano para explorar um pedacinho dessa ilha. Passamos alguns dias em Havana e mais dois dias em Varadero. Conto aqui como foi que fiz essa viagem e sugiro um itinerário com base em nossas experiências:

Entrando em Cuba

Os brasileiros precisam de um Visto de Turista (tarjeta turística) para entrar em Cuba. Ele serve para uma única entrada e tem validade de 30 dias. Não deixe que isso lhe desmotive, pois é bem fácil de o conseguir.

No nosso caso, pegamos um voo da Copa Airlines, via Manaus, e no próprio check-in fizemos a tarjeta. É preciso pagar uma taxa de US$ 20 e apresentar passaporte com validade mínima de seis meses. Quem viajar de Avianca ou Latam, pode solicitar o visto no portão de embarque do segundo voo, em Bogotá ou Lima.

A tarjeta turística também pode ser emitida pela Embaixada em Brasília e nos consulados de São Paulo, Salvador e Manaus. O site da Embaixada explica como se pode solicitar o visto pelos correios, mas esta me parece a menos prática das opções disponíveis.

Além da tarjeta, é obrigatório que você leve um seguro-viagem e tenha se vacinado contra febre amarela com até 10 dias antes da viagem.

Dinheiro

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Cédulas de CUCs, os pesos convertíveis. Foto: Pixabay

 

A viagem para Cuba saiu mais cara do que inicialmente imaginávamos, então sugiro que viaje com uma folguinha. A moeda utilizada pelos turistas é o CUC (Peso Conversível Cubano), diferente da moeda utilizada pelos cubanos, que é o CUP (Peso Cubano). Não leve dólares e nem conte com o seu cartão de crédito. Isso porque há uma “taxa” (multa) de 10% que você tem que pagar sempre que trocar dólares por CUC. Essa cobrança também é feita no uso do cartão de crédito, além dos 6,38% de IOF. Por isso, leve preferencialmente euros.

Ao sair do aeroporto de Havana você provavelmente verá uma enorme fila na frente da casa de câmbio. Respire fundo e a encare, pois na cidade a cotação e fila não serão muito diferentes.

Hospedagem

Pelo que pudemos apurar, existem, basicamente, duas opções de hospedagem: hotel e casa de família. Na nossa estadia, ficamos em três hotéis. Em Havana: NH Capri La Habana e Meliá Habana. Em Varadero: Meliá Las Américas. Todos  tinham dois pontos em comum: um bom e outro ruim. Pelo lado positivo, os buffets de café da manhã eram imensos, os mais variados que já vi. Pelo lado negativo, o fedor de mofo era insuportável. Os que sofrem com alergia devem reforçar o estoque de remédios para a viagem.

Em Havana, o Capri fica mais próximo do centro histórico, em uma região onde também estão localizados outros hotéis históricos, como o Tryp Habana Libre e o Hotel Nacional. Para ir ao centro histórico, usávamos os táxis que ficavam na porta do hotel e negociávamos o preço antes de entrar no carro. A corrida custava algo em torno de 8 CUCs.

Já o Meliá Habana fica um pouco mais afastado, próximo à praia e em uma área arborizada onde estão localizadas as embaixadas de vários países. É um ótimo lugar para uma corridinha matinal. O hotel disponibiliza transporte gratuito em horários pré-fixados para o centro da cidade, o que representa uma ótima economia com deslocamento.

Por falar em transporte, você não precisa se preocupar com o traslado de Havana para Varadero e vice-versa se você ficar em hotel. O próprio concierge pode resolver isso com uns dias de antecedência.

Reserve seu hotel em Havana pelo Booking.com!

 

Clima

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Ruas de Havana. Foto: André Orengel

 

Logo no táxi do aeroporto ao hotel, fomos surpreendidos por um outdoor que dizia: “Embargo: o maior genocídio da história”. Ao longo da viagem, encontramos diversas outras propagandas antiamericanas e que enalteciam a revolução comunista. Apesar disso, o clima da cidade estava muito longe de ser tenebroso. Pelo contrário, nos deparamos com um lugar festivo, fotogênico, cheio de música, com ótimas opções para comer, beber e se divertir. Para completar, o povo é alegre e muito receptivo, e vê no turismo um dos principais mecanismos para a superação das dificuldades impostas pela falência do bloco soviético.

Por falar em embargo, ele impôs uma situação bem peculiar e marcante à cidade, dando-nos a impressão que a mesma parou no tempo em algum lugar na década de 60. Muitos dos veículos que trafegam pelas ruas parecem ser dessa época e boa parte dos prédios se encontra em completa ruína. Salvam-se os hotéis, museus, edifícios públicos e uma zona da Cidade Velha reformada. Esta que, por sinal, é considerada patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO por tão bem refletir o apogeu da colonização espanhola na ilha.

 

Primeiro dia em Havana

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Castillo de los Tres Reyes del Morro. Foto: André Orengel

Começamos a viagem visitando o Castillo de los Tres Reyes del Morro, uma bela fortificação espanhola que nos remonta ao período das grandes navegações e pirataria no mar do Caribe. Para incrementar as defesas deste que era um dos portos mais movimentados das Américas entre os séculos 16 e 18, os espanhóis construíram também a enorme Fortaleza San Carlos de la Cabaña. Andamos até lá após visitar o primeiro, para aprender ainda mais sobre a história militar da cidade. Vale muito a pena.

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Fortaleza de San Carlos de la Cabaña. Foto: André Orengel

La Bodeguita – Curtindo Cuba como Hemingway

Depois, fomos de taxi à Praça da Catedral. Como a hora do almoço se aproximava, comemos no concorrido La Bodeguita del Medio, ali próximo. O bar/restaurante tornou-se famoso por sua ilustre clientela, que inclui Salvador Allende, Pablo Neruda, Errol Flynn e Ernest Hemingway. As paredes são todas riscadas, e nós aproveitamos para deixar a nossa marca, como Hemingway, que escreveu: “My mojito in La Bodeguita, My daiquiri in El Floridita“. Com uma recomendação dessas, como não tomar um mojito?

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La Bodeguita del Medio, um dos bares favoritos de Hemingway em Havana. Foto: André Orengel

 

De estômago forrado, entramos na imponente Catedral de la Virgen María de la Concepción Inmaculada de la Habana, principal templo religioso da cidade. A praça a sua frente é rodeada por prédios interessantes, como: o Palacio de las Marquesas de Aguas Claras; a Casa Lombillo; o Palacio del Marques de Arcos; o Palacio de los Condes de Casa Bayona; e o Taller Experimental de Gráfica.

Museus e mais fortificações

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Plaza de Armas em Havana. Foto: André Orengel

 

Seguimos caminho pela rua San Ignacio, até chegarmos à movimentada rua Obispo, onde dobramos à esquerda e andamos até chegar à aprazível Plaza de Armas, que tem uma feirinha de antiguidades e vários artistas de rua. Dois museus se destacam nesta praça. O Castillo de la Real Fuerza, considerado a fortificação em pedras mais antiga das Américas, hoje é um museu marítimo, que exibe uma impressionante maquete do Santisima Trindad (a maior embarcação do século 18 e construído em Havana) e tem uma bela vista de seu terraço. O outro museu é o Palacio de los Capitanes Generales Casa de Gobierno, com um ótimo e extenso acervo sobre a história cubana e um lindo pátio interno.

Como as visitas a ambos os museus terminaram ao entardecer, aproveitamos para caminhar pela orla do Canal até o Castillo de San Salvador de la Punta, situado em um dos extremos do Malecón, de onde apreciamos o final da tarde e pegamos um taxi de volta ao hotel antes que ficasse completamente escuro.

Segundo dia em Havana

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O famoso Malecón, em Havana. Foto: André Orengel

 

Continuamos o passeio mais ou menos de onde paramos no dia anterior. Fomos de taxi à Plaza de Armas, de lá andamos até a rua Mercaderes e viramos à esquerda. Caminhamos por esta agradável via passando pela frente do Hotel Ambos Mundo, da Casa de la Obra Pía, de uma loja de perfumes chamada Habana 1791, da Plaza de Simon Bolivar, entre outros, até chegar na esquina da rua Amargura, onde, ironicamente, está localizado o Museo del Chocolate (mais lanchonete que museu). Quando vimos o tamanho da fila e sentimos o aroma no ar, sabíamos que tínhamos que entrar. E valeu a pena, pois tudo que nós comemos e bebemos nesse lugar estava delicioso, com destaque para a xícara de chocolate quente.

Plaza de San Francisco, em Havana. Foto: André Orengel

 

Após a parada, seguimos pela rua Amargura até a Plaza de San Francisco, em frente à homônima Basílica. A praça é bem movimentada e rodeada por edifícios muito bem restaurados. Procure e aprecie a Fonte com os Leões, entalhada por Giuseppe Gaggini em 1836, a escultura La Conversación, doada à Havana pela Embaixada Francesa no país e a estátua do Caballero de París, que retrata um famoso andarilho que vagava as ruas da cidade abordando as pessoas para falar sobre filosofia, religião, política entre outros assuntos polêmicos.

Um bom lugar para almoçar na região é o Cafe del Oriente, que fica bem na esquina das ruas Amargura e Ofícios.

Museu do Rum

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Foto: André Orengel

 

Depois de comer, continuamos pela rua Ofícios, passando ao lado da Basílica e por um intrigante vagão de trem mantido em excelentes condições, dobramos nesta ruela até chegar à uma ampla avenida, onde viramos à direita para chegar ao Museo del Ron – Havana Club. Compramos os ingressos no lugar e esperamos um pouco até a vez do nosso tour. O museu é ótimo e muito informativo, focado na história e o modo de preparação da bebida, com uma pequena degustação ao final. Não deixe de aproveitar a oportunidade para comprar algumas garrafas dos excelentes runs envelhecidos em barris de carvalho branco por 7 a 15 anos. Leve mais de uma garrafa para não se arrepender depois, como eu, ao saborear a última gota da que trouxe para casa.

Finalizada a visita, dobramos na rua Sol e depois à direita na Mercaderes, em direção à Plaza Vieja. Não ousamos andar pela Mercaderes no sentido oposto, pois nos pareceu sair do circuito turístico para uma zona empobrecida e, talvez, perigosa.

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Taberna de la Muralla. Foto: André Orengel

 

Demos então uma volta pela praça, que existe no local desde 1559, apreciando os seus prédios restaurados. Eu sinceramente torço para que quando você passeie por ela encontre o mesmo carrinho de sorvete de coco que eu vi lá. Em caso positivo, não deixe de provar. Fogem-me as palavras para descrever o quão bom ele é, principalmente no calor que estava fazendo. Terminado o tour pela praça, pare no Taberna de la Muralla para uma cerveja artesanal com alguns petiscos.

Música cubana

Depois de relaxar e apreciar o movimento tomando uma cervejinha, voltamos para o hotel para trocar de roupa e, pela noite, apreciar a música do Buena Vista Social Club. Compramos os ingressos com o concierge do hotel, sem a opção de alimentação, o que nos pareceu uma boa ideia, considerando que já havíamos comido no Taberna e que havíamos lido algumas críticas ruins sobre a comida do lugar.

Terceiro Dia em Havana

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Plaza de la Revolución, em Havana. Foto: André Orengel

 

Aproveitamos enquanto o sol ainda não estava torrando a pele e fomos à Plaza de la Revolución, onde fica o Memorial José Martí. Ele é composto, principalmente, por uma monumental escultura, um pequeno museu e uma torre com mais de 100 metros de altura, o ponto mais alto de Havana. Há um elevador e um mirante no topo, mas não chegamos a subir. Do lado oposto da praça, dois grandes murais chamam a atenção. Um com o rosto de Che Guevara (na fachada no Ministério do Interior) e outro com o de Camilo Cienfuegos (na fachada no Ministério da Informática e das Comunicações). É ainda nessa enorme praça que ocorrem os maiores eventos públicos da cidade, como a missa realizada pelo Papa  Francisco, em 2015, assistida por quase um milhão de pessoas.

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Hotel Tryp Habana Libre. Foto: André Orengel

 

Em seguida, fomos ao Hotel Tryp Habana Libre conhecer o seu saguão e um pouco de sua história, contada em várias placas espalhadas pelo lugar. Foi neste hotel que Fidel Castro e suas tropas se alojaram durante a Revolução Cubana, transformando-o em seu quartel general, e nele foi realizada a primeira coletiva de imprensa de Fidel.

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Hotel Nacional de Cuba. Foto: André Orengel

 

Depois caminhamos até o Hotel Nacional, chegando bem em cima da hora para o tour das 10 da manhã. O passeio guiado pelo hotel, que dura aproximadamente duas horas, é excelente. Uma das melhores histórias contadas é sobre a Conferência da Havana de 1946, quando Lucky Luciano, Meyer Lansky, Santo Trafficante, Jr., Frank Costello, entre outros dos mais notórios mafiosos americanos se reuniram para um histórico acerto de contas. A parte do tour que nos conduz por uma série de túneis e um bunker bem no jardim do hotel, construído durante a Crise dos Mísseis de Cuba de 1963, é outro ponto alto. Os restaurantes do hotel são boas opções para o almoço.

A memória da Revolução Cubana

Em seguida, pegamos um taxi até a Plaza 13 de Marzo. Atravessamos a praça e entramos no Museu da Revolução, que conta detalhes sobre a mesma, logicamente, do ponto de vista dos próprios revolucionários. Depois, seguimos no mesmo sentido e passamos pelo Memorial Granma (o barco utilizado por 82 revolucionários para ir do México à Cuba, dando início à revolução que derrubou o regime de Fulgencio Batista). A caminhada terminou no Museu Nacional de Belas Artes, que exibe um interessantíssimo acervo abrangendo obras da Baixa Idade Média ao século XX. O foco é, claro, na arte cubana.

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Vista do hotel Iberostar, em Havana. Foto: André Orengel

 

Ao sair do museu, caminhamos no sentido da rua Agramonte, ao encontro do Paseo del Prado, um agradável e bonito calçadão entre duas avenidas. Dobramos à esquerda no sentido do Centro, passando pela frente do Hotel Sevilla, do Hotel Inglaterra, do Gran Teatro de la Habana e do Capitólio. Viramos à direita ao final deste prédio para contorná-lo, porque, por trás dele, fica a Fábrica de Tabaco Partagás, onde entramos para comprar alguns souvenirs. Compras feitas, retornamos pelo outro lado do Capitólio para ir até o Iberostar Parque Central, onde degustamos uns daiquiris e aproveitamos a vista de seu terraço enquanto o sol se punha.

El Floridita – outro favorito de Hemingway

Para jantar, fomos no famoso El Floridita na avenida Bélgica, um dos favoritos de Hemingway. E aqui, para encerrar, constatei a superioridade do daquiri sobre o mojito. E você? O que prefere? O mojito do La Bodeguita del Medio ou o daiquiri do El Floridita? Vá a Havana, confira ambos in loco e conta pra gente aí nos comentários.

2 comentários em Cuba: dicas e roteiro de três dias em Havana

Atenas: o que fazer em três dias na cidade

Mais um texto convidado no Mochileza! O André Orengel, que já havia assinado o post sobre a road trip de Miami a New Orleans, está de volta por aqui. Ele…

Mais um texto convidado no Mochileza! O André Orengel, que já havia assinado o post sobre a road trip de Miami a New Orleans, está de volta por aqui. Ele e a esposa estiveram na Grécia em setembro de 2017 e me deixaram babando com as fotos. Não precisou nem pedir: o André já chegou com o artigo pronto! Um roteiro de três dias por Atenas, para ver o que há de mais importante na capital grega. Se liga nas dicas!

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Para quem curte história e arte, a Grécia é o lugar a ser visitado. Não é à toa que o país é conhecido como o berço da civilização ocidental. Muito da nossa cultura, da nossa forma de pensar e da nossa organização enquanto sociedade teve origem na Grécia pré-histórica e antiga. Por isso, uma visita à capital Atenas revela muito do nosso próprio passado e da origem do que somos atualmente.

Os gregos mantêm com muito orgulho suas tradições, costumes e o idioma. Não deve ser trabalho fácil, afinal foram quase 2 mil anos de dominação estrangeira, seja ela romana, bizantina ou otomana. O mais fascinante é conferir como se reaproveitam espaços e construções que resistem por tantos séculos nessa cidade habitada continuamente por pelo menos 5 mil anos.

Foto: André Orengel

Estar em Atenas, para mim, foi respirar história o tempo todo. O aeroporto, por exemplo, tem um museu que expõe os achados arqueológicos do local, assim como as estações de metrô. Já a Acrópole, erguida 200 metros acima da cidade, é tão sedutora que a buscamos sempre que dobramos uma esquina para vê-la por outro ângulo.

André Orengel. Foto: Arquivo Pessoal

Por tudo isso e mais, Atenas oferece assunto para muitas viagens ou para um mês inteiro de exploração. Mas, sabe como é, o trabalhador assalariado só tem 30 dias de férias por ano. Assim, a gente acaba passando bem menos tempo que o desejado (e o necessário) para conhecer a fundo nossos destinos de viagem.

Para ajudar o viajante a incluir Atenas numa viagem por outros lugares, montei um roteiro hiperapertertado (o prefixo hiper, aliás, tem origem grega). A ideia é explorar a cidade em três dias inteiros, focando nos principais sítios arqueológicos e museus. Creio que ele pode servir de base para você planejar a sua própria viagem. Vamos ao passo-a-passo:

Chegando a Atenas

Você, como eu, provavelmente desembarcará no aeroporto Eleftherios Venizelos (ATH) pela área destinada às chegadas e partidas dos países da zona Schengen. Se este for o seu caso, sugiro que compre logo um SIM Card para o seu celular na Public Conect. Quando estive lá, paguei 18€ por 15Gb de internet e mais 200 minutos de ligação para telefones na União Europeia.

Para ir do aeroporto ao centro de Atenas, que fica a cerca de 20km, você pode pegar um táxi (38€, das 5h às 23h59, ou 54€, das 0h às 4h59).

Há ainda duas boas opções de transporte público:

– o ônibus (linha X-95), leva cerca de 80 minutos do aeroporto à praça Syntagma, no centro da cidade. Ele custa 6€, funciona 24 horas todos os dias. A frequência varia conforme a época do ano.

– o metrô, com o mesmo trajeto, demora cerca de 40 minutos. Ele funciona das 06h30 às 23h30 e sai de meia em meia hora.

Preferi o metrô e aproveitei para comprar o ticket de turista que inclui ida e volta para o aeroporto e mais três dias de transporte público em metrô e ônibus. O preço é 22€.

Primeiro Dia

Atenas - Acrópole

Detalhe da Acrópole de Atenas. Foto: André Orengel

Começamos o dia com o descontraído e informativo tour da Athens Free Tours. Ele começa às 10h, dura cerca de 2h30, tem opções em inglês e espanhol e é gratuito. Ao final é de bom grado deixar uma gorjeta. O percurso a pé passa pelos principais pontos turísticos e bairros da cidade com explicações gerais sobre eles, mas sem entrar nos sítios arqueológicos.

O passeio que fiz (acho que o trajeto varia de guia para guia) encerrou próximo à entrada da Ágora Antiga. Aproveitamos então para comprar nesta bilheteria o ticket combo, que, por 30€, inclui várias atrações da cidade.

Com o ticket em mãos, subimos a encosta norte em direção à Acrópole. Essa é a parte do trajeto que realmente testa a vontade do sujeito de estar ali, principalmente se o fizer ao meio-dia durante o verão. Vencida a subida e antes de adentrar no sítio arqueológico, escalamos a Colina de Areópago para uma vista panorâmica da cidade e da própria Acrópole.

Atenas - Acrópole

Vista da Acrópole a partir do Monte de Areópago. Foto: André Orengel

Trata-se de um enorme monólito de mármore onde, conta a lenda, Ares foi julgado e absolvido pelo conselho dos deuses pelo homicídio de Halirrothios, filho de Poseidon. Por isso (ou não), o lugar fora utilizado na Antiguidade como corte para o julgamento dos crimes de homicídio, corrupção e traição pelo Conselho de Areópago. Os cristãos se lembrarão deste nome porque, segundo a Bíblia (Atos dos Apóstolos 17.16-34), Paulo proferiu neste lugar o famoso discurso sobre o deus desconhecido.

A Acrópole

Os primeiros templos da Acrópole (acro = alto + polis = cidade) foram construídos na era Micênica, em reverência à deusa Atena. Eles foram completamente destruídos pelos persas na véspera da batalha de Salamina (480 A.C.). Com a vitória grega, o gestor Péricles deu início a um ambicioso programa de reconstrução da cidade que transformou a Acrópole em um fabuloso complexo de adoração, principalmente da deusa Atena, coroada pelo Parthenon, que marcou o apogeu das realizações da Grécia clássica. Em nossos tempos, a Acrópole se tornou um dos principais sítios arqueológicos da Antiguidade ocidental.

Atenas - Parthenon

O famoso Parthenon, na Acrópole de Atenas. Foto: André Orengel

De lá para cá, a Acrópole sofreu com desastres naturais, guerras e pilhagens. Assim, o que vemos atualmente são apenas ruínas que nos concedem uma vaga noção do que o lugar já foi um dia. O maior golpe ao local fora desferido em 1687 pelos Venezianos, durante um bombardeio contra os Otomanos. O principal prédio do complexo (utilizado à época como depósito de pólvora) foi explodido e causou grandes danos aos demais.

Ao passar pelas catracas, vire à direita para apreciar o Odeão de Herodes Áticos, construído em 161 d.C. pelo aristocrático romano que o nomeia. Completamente reconstruído entre 1950 e 1961, ele é utilizado durante os festivais teatrais de verão para encenações de tragédias e comédias clássicas.

Atenas - Odeão de Herodes Áticos

Odeão de Herodes Áticos. Foto: André Orengel

Do lado oposto ao tetro, acima das folhas das oliveiras que adornam o caminho, você terá uma boa visão do templo de Atena Nike. Sim, o nome é o mesmo da famosa marca de material esportivo. Nike é a deusa da vitória que coroou Atena após esta haver derrotado Poseidon na batalha pela adoração dos habitantes da cidade a partir de então chamada de Atenas.

Templo de Atena Nike. Foto: André Orengel

Siga o caminho indicado e suba até a Propylaia, a monumental entrada da Acrópole, construída por Mnésicles entre os anos de 437 e 432 a.C. Passeie pelo sitio arqueológico parando nas placas distribuídas à frente das principais ruínas para ler as explicações sobre a história do lugar e seus traços arquitetônicos mais marcantes.

Depois da visita à Acrópole

Após a exploração, que provavelmente durará em torno de duas horas, desça pela encosta sul do monte, passando pelo Teatro de Dionísio, o templo de Asclépio e a Stoa de Eumenes, e siga em direção à rua Makrigianni, para almoçar em um de seus restaurantes. Comemos no Arcádia (Makrigianni, 27) e adoramos a comida e o atendimento. Recarregadas as baterias, aproveite o restante da tarde para apreciar a excelente coleção de esculturas do Museu da Acrópole, localizado ali próximo.

Terminada a visita, aproveite o cair da noite para percorrer o bairro de Plaka, em direção à praça Monastiraki. O bairro, apesar de muito turístico, é uma das partes mais charmosas da cidade. Tem ruas estreitas, cantinhos, lojinhas, bares, restaurantes e a vista do Parthenon ao alto. Escolha um dos restaurantes da região para o jantar, que pode ser o excelente Lithos, na rua Aisopou, 17.

Segundo Dia

Atenas - Templo de Zeus

Templo de Zeus. Foto: André Orengel

Nosso primeiro destino no segundo dia de viagem foram as ruínas do templo do Zeus Olímpico. É o maior templo da Grécia e fica do “lado de fora” do arco de Adriano, que marcava a divisão entre a cidade antiga grega (de Teseu) e a nova cidade romana (de Adriano). Sua construção iniciou no século 6º a.C., na gestão de Peisistratos. A obra só foi concluída pelo imperador romano Adriano em 131 d. C. após várias interrupções.

Em seguida, atravesse os Jardins Nacionais e chegue à frente do Parlamento Grego. Sincronize seu tempo para chegar às 10h ou 11h, para ver a cerimônia da troca da guarda que protege a tumba do soldado desconhecido. Estivemos lá no domingo às 11h e assistimos a uma cerimônia mais pomposa (que ocorre semanalmente nesse horário), com direto à banda marcial e um pequeno desfile. Tinha uma multidão no local. Portanto, se a sua intenção é a testemunhar essa ritual estendido, chegue com ao menos 30 minutos de antecedência para conseguir um bom lugar.

Atenas - Parlamento

A cerimônia da troca da guarda em frente ao Parlamento. Foto: André Orengel

Museus de Atenas

Depois disso, abrigue-se do sol em dois dos melhores museus de Atenas, localizados ali pertinho na Avenida Leoforos Vasilissis Sofias. O Museu Benaki e o Museu de Arte Cristã e Bizantina. O primeiro exibe a coleção privada de Antonis Benakis, incluindo achados desde era Micênica até a atualidade. Já o segundo apresenta uma enorme coleção de arte cristã, desde a antiguidade até os dias atuais. Ela abrange imagens, pinturas, bíblias, entre outros. Aproveitamos para almoçar no restaurante situado no terraço do Museu Benaki, e assim otimizamos o nosso tempo.

Estádio Panatenaico

Ao terminar a visita ao Museu de Arte Cristã e Bizantina siga para o Estádio Panatenaico (fecha as 19h entre março e outubro, e às 17h entre novembro e fevereiro). No caminho, passe pela frente do Palácio Presidencial, que também conta com uma cerimônia de troca da guarda, menos concorrida que a do Parlamento.

Atenas - Estádio Panatenaico

Estádio Panatenaico. Foto: André Orengel

O Panatenaico é o único estádio do mundo construído completamente em mármore. Ele recebeu a abertura e o encerramento dos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna (1896) e também a chegada da maratona dos Jogos de 2004. Este estádio chegou a abrigar 80 mil espectadores em uma partida de final da Euroliga de Basquete entre o AEK Atenas e o Slavia Praga, em 1968. Não deixe de ouvir ao ótimo e bem completo audioguia em português, que narra esses e muitos outros fatos interessantes referentes ao estádio.

Se você ainda tiver fôlego, cronometre a visita para encerrar cerca de uma hora antes do pôr do sol. Assim, você pode assisti-lo do alto do Monte das Musas (também conhecido como Monte Philopappos), com uma ótima vista do mar Egeu, da Acrópole e da cidade. Demoramos em torno de 30 minutos para caminhar do estádio até o topo do morro, em uma subida que não exige muito do seu preparo físico.

Atenas - Monte das Musas

A Acrópole vista do Monte das Musas. Foto: André Orengel

Para encerrar o dia, jante no excelente Mani Mani (Falirou 10): comida refinada, deliciosa e com uma linda apresentação.

Terceiro Dia

Inicie o seu terceiro dia conhecendo a Ágora Antiga (grega). O coração da Atenas antiga era a Ágora. Nela, desenrolavam-se as principais atividades administrativas, comerciais, políticas e sociais. Hoje, grande parte do local está completamente em ruínas. É preciso ter muita imaginação para entender o que se passava em cada local marcado pelo mapa, mesmo lendo as placas informativas.

Atenas - Stoa de Átalos

Stoa de Átalos. Foto: André Orengel

Isto exceto pela Stoa de Átalos. Com dois pavimentos totalmente reconstruídos, ela nos transporta dois mil anos ao passado para termos um gostinho de como seria um shopping center da época. Este edifício também abriga o museu da Ágora, onde podemos ver uma maquete completa do sítio arqueológico e esculturas encontradas no local. Outra notável exceção é o Templo de Hefesto, considerado o templo grego mais bem preservado do mundo.

Atenas - Templo de Hefesto

Templo de Hefesto. Foto: André Orengel

Ágora Romana

Colada à Ágora Antiga (grega), encontra-se a chamada Ágora Romana. Lá você pode apreciar suas ruínas, notadamente a bem-preservada Torre dos Ventos. É um monumento octogonal, construído pelo astrônomo sírio Andronicus. Ele servia como relógio de água, compasso, biruta e relógio de sol. Ao entrar na Ágora, dedique um momento ao mapa que fica logo após ao pórtico de Athena Archegetis. É fundamental para entender as ruínas remanescentes.

Atenas - Ágora Romana

A Ágora Romana e a Torre dos Ventos. Foto: André Orengel

Também bem próximo daí, está localizada a Biblioteca de Adriano, a última das ruínas a ser visitada neste passeio. Datada do século 2º a. C., esta foi a maior das estrutura erguidas por Adriano na cidade.  Ela continha um pátio interno com uma piscina no centro e bordeado por 100 colunas. Assim como livros, o prédio abrigava instrumentos musicais, salas de estudo e auditórios.

Quando terminar estas visitas, almoce em um dos restaurantes da região para em seguida ir ao Museu Arqueológico Nacional. Para chegar lá, pegue o metrô na estação da praça Monastiraki, siga rumo a Kifissia e desça na estação Victória. Ande algumas quadras na direção sul e você encontrará um enorme prédio neoclássico ao final de uma pracinha gradeada.

Atenas - Museu Arqueológico Nacional

Museu Nacional Arqueológico de Atenas. Foto: André Orengel

Um “best of” do Museu Arqueológico Nacional

O Museu Arqueológico Nacional de Atenas possui a melhor coleção de arte grega pré-histórica e clássica do planeta. Dedique algumas horas para  apreciar as suas obras, sem deixar de ver os seus highlights:

– a Máscara Fúnebre de Agamemnon e as Taças Douradas de Vaphio, localizadas nas salas centrais do térreo. Estas salas são dedicadas, entre outros, às civilizações Micênicas e Cyclades;

– a estátua de bronze de Poseidon ou Zeus, encontrada no fundo do mar Egeu, na Galeria 15;

– a estátua de bronze de um cavalo montado por um jovem cavaleiro e a estátua em mármore de Afrodite, na Galeria 21;

– os afrescos de Akrotini das Crianças Lutando Boxe, da Primavera e dos Antílopes, no andar superior;

– e os seis vasos que eram presenteados aos vencedores dos jogos Panatenaicos repletos de azeite de oliva. Eles remontam à origem dos troféus, atualmente entregues aos ganhadores de competições esportivas, na Galeria 56.

Um pouco de teatro

Após a visita ao museu, voltamos ao Odeão de Herodes Áticos. Lá, vimos a apresentação da tragédia As Bacantes (The Bacchae) de Eurípedes. Ela integra o Festival de Verão de Teatro de Atenas e Epidauro. A peça é em grego, com legenda em inglês, e vale muito a pena. Se você não conseguir garantir seu ingresso, uma opção que não chegamos a conhecer é subir no monte Lykavittos de táxi ou funicular. No local, dá para apreciar a vista da cidade e do pôr do sol por uma outra perspectiva.

Para terminar o passeio por esta espetacular cidade, jante no Balcony Restaurant & Bar (Veikou, 1) e se despeça com ótima comida e uma bela vista da Acrópole iluminada.

Tem um dia a mais?

Bem, se tivéssemos mais um dia, o aproveitaríamos para conhecer os arredores da cidade. Especialmente a área do Cabo Sounion, a 70km ao sul de Atenas. Lá ficam o Templo de Poseidon e várias praias. Você pode ir para lá de ônibus, pela linha “Markopoulo, Lavrion e Sounion”, em um tour ou alugando um carro.

Nenhum comentário em Atenas: o que fazer em três dias na cidade

3 dias em New Orleans – let the good times roll…

A cidade de New Orleans é o epicentro da pluralidade cultural do sul dos Estados Unidos. Negros, espanhóis, franceses, caribenhos… Todos passaram por lá ao longo da história da cidade…

A cidade de New Orleans é o epicentro da pluralidade cultural do sul dos Estados Unidos. Negros, espanhóis, franceses, caribenhos… Todos passaram por lá ao longo da história da cidade e deixaram suas marcas. É possível ver esta miscelânea na arquitetura, na música e principalmente na gastronomia. Os pratos da cozinha cajun creole misturam referências de todos esses imigrantes que passaram pelo estado da Louisiana. Ainda há o bônus de temperos e pimentas para paladares iniciados e um bocado de diversão em qualquer esquina da Bourbon Street.

Se for para definir em poucas palavras, New Orleans é uma ótima cidade para se divertir. A vida noturna é tão movimentada que se antecipa e invade a luz do dia. No fim da tarde, o movimento no French Quarter (região da cidade que concentra uma grande quantidade de bares, casas noturnas e clubes de jazz) já está movimentado de gente de todo tipo. Jovens, idosos, grupos, casais com carrinhos de bebê… Há farras convidativas para qualquer perfil.

Além de boa comida e de diversão, a cidade oferece muita história.  Seja nas lendas de assombrações, na arquitetura de pelo menos dois bairros da cidade (French Quarter e Garden District) e em museus. Um deles é dedicado à Segunda Guerra Mundial, uma atração imponente e até surpreendente para quem espera apenas solos de trompete e bons drinks.

Os bondes da Canal Street: uma das caras da cidade

Os bondes da Canal Street: uma das caras da cidade

 

Estive em New Orleans em setembro de 2013 por três dias. E juro para vocês: estenderia minha estadia por pelo menos mais quatro, tamanho o astral da cidade e o conteúdo que ela oferece.

Baseado nessa breve passagem, montei um pequeno roteiro que pode servir de base para você planejar sua própria viagem. Há muito mais que ficou de fora das minhas andanças. Mas o seu ponto de partida pode ser por aqui. Vamos ao passo a passo!


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1º dia

O nome do aeroporto internacional de New Orleans já dá uma amostra do quanto a cidade presta tributo a seus heróis musicais: Louis Armstrong, cantor e trompetista lembrado universalmente pelo clássico “What A Wonderful World”. Ao desembarcar, uma boa notícia: tem wi-fi livre por lá. O nome da conexão é LANOIA, sigla para Louis Armstrong New Orleans International Airport.

Com essas boas-vindas, não tem como essa viagem dar errado

Com essas boas-vindas, não tem como a viagem dar errado

 

O jeito mais econômico de sair do aeroporto, caso você esteja viajando sozinho, é um shuttle, uma van compartilhada. É possível reservar online, mas não se preocupe com isso: existe um balcão de venda de passagens logo no desembarque. O valor é 24 dólares cada viagem e 44 dólares se você comprar a volta antecipada. As empresas já têm os nomes dos principais hotéis. Então nem é preciso se preocupar em passar o endereço certinho caso você vá se hospedar num deles.

French Quarter

Para uma primeira vez na cidade, aconselho: hospede-se no French Quarter. É fácil de sair e chegar, muito simples se localizar e ainda há muita coisa boa para se ver. O bairro foi o ponto inicial da ocupação da cidade, fundada pelos franceses em 1718.

Apesar do nome, grande parte das casas e prédios que se veem na vizinhança tem estilo espanhol. É que dois grandes incêndios no final do século XVIII destruíram muitos exemplares da arquitetura colonial que havia antes. A reconstrução ficou por conta dos espanhóis, que administraram o estado da Louisiana na época. As casas são exuberantes, com paredes espessas, varandas em ferro forjado e fachadas de tijolo.

Passear pelo Quarteirão Francês pode ser um bom começo de roteiro. Entre os belos prédios que você certamente vai fotografar, estão a St Louis Cathedral, o Cabildo e o Presbytère. Além disso, a orla do rio Mississippi está ali, pronta para uma caminhada ou para a prática do “nadismo”.

As fachadas típicas do French Quarter

As fachadas típicas do French Quarter

Onde comer

Um bom lugar para almoçar é a Crescent City Brewhouse. Experimente as cervejas da casa (há um menu de degustação) e a cozinha local. Pratos cajun creole como o gumbo (uma sopa com crustáceos e tomate) e o jambalaya (uma espécie de mistura entre paella e baião de dois). Há também os famosos sanduíches de New Orleans: os po´boys, que existem em diversas versões, com recheios que vão de almôndegas a camarão empanado. Mas na Crescent você vai experimentar uma forma realmente inusitada: po´boy de linguiça de crocodilo, que é muito consumida na região.

Loius Armstrong Park

À tarde, vá andando pela Orleans Avenue até sair do French Quarter e chegar a outro lugar que homenageia Louis Armstrong. Um dos principais parques da cidade leva o nome do músico. Há esculturas dele e de outros jazzistas da cidade. Fotos das estátuas e do icônico pórtico de entrada são imperdíveis. Além da beleza, o Louis Armstrong Park também é especial na história da cidade. Ele fica junto da Congo Square, uma praça que era a porta de entrada para negros escravizados e que foi o berço da música afroamericana na cidade.

O Louis Armstrong Park também é cheio de cor e alegria

O Louis Armstrong Park também é cheio de cor e alegria

Noite na Bourbon Street

Sua primeira noite em NOLA (sigla para New Orleans-Louisiana, que você vai ver por todo canto) não poderia ter outro destino. Certamente você passará pela Bourbon Street, a mais famosa do French Quarter. Mas a fama não se deve exatamente à música. A rua está repleta de clubes de strip tease e bares que servem drinks “para viagem”. Isso é um atrativo, já que New Orleans é um dos poucos lugares dos Estados Unidos em que não é proibido consumir bebida alcoólica na rua. Por isso, turistas desinibidos de todas as idades circulam ali.

A maioria é de jovens, e muitos vão para fazer despedidas de solteiro. Mas também se veem casais idosos, mães com crianças de colo e pessoas em cadeira de rodas. Em meio a elas, mulheres fazendo pole dance, hosts de bares oferecendo cerveja em jarras enormes e um homem fantasiado de Homer Simpson bêbado. Há música, claro. Mas a maioria dos clubes com música ao vivo tem como atrações bandas que tocam covers de pop e rock.

Um início de noite na Bourbon Street

Um início de noite na Bourbon Street

 

Um lugar aonde fui na Bourbon e curti bastante é o Laffite´s Blacksmith Shop. Fica um pouco afastado do epicentro festivo da rua, mas a caminhada não é tão longa. O bar, que tem uma atmosfera de taverna, chama para si o título de mais antigo dos Estados Unidos. Está em atividade desde 1772. Há um espaço com um piano de cauda que vira mesa quando tem alguém tocando. Além disso, tem uma jukebox bem eclética, com discos que vão do jazz local até Daft Punk.

2º dia

Museu Nacional da Segunda Guerra Mundial

Depois de tomar um café da manhã creole em algum restaurante perto do Mississippi (experimentei o do Jackson Brewery), pegue um bonde na Canal Street. Vá até o surpreendente Museu Nacional da Segunda Guerra Mundial. É a principal atração turística de todo o país quando se quer saber sobre a guerra. E você sabe como os americanos são apegados a este conflito… Por isso, grupos de turistas de toda a parte do país vão lá para conhecer a história ou prestar tributo aos militares mortos.

Há sempre um veterano da guerra de plantão no hall de entrada do museu para receber os visitantes. E o acervo é riquíssimo: veículos, aeronaves, armas, uniformes e painéis contando a história da guerra (na versão dos americanos, óbvio). Outra atração imperdível é o filme 4D “Beyond All Boundaries”, sobre a participação americana desde o ataque a Pearl Harbor até a vitória final.

Museu da Segunda Guerra Mundial

Museu Nacional da Segunda Guerra Mundial

Garden District

O almoço pode ser em algum restaurante ou café na Magazine Street, que também tem loja descoladas de design e roupas. Andando um pouco mais por ela, você chega até outro bairro emblemático de New Orleans. separado do French Quarter por cerca de três quilômetros e um século. O Garden District foi criado para abrigar famílias americanas ricas que administravam as plantations (sistemas de cultivo de produtos como cana de açúcar e algodão, típicos dos anos 1800). Elas não queriam morar junto com os negros no Quarteirão Francês. Eles acabaram construindo mansões de diversos estilos: francês, grego, gótico e vitoriano, entre outros. Algumas das casas são históricas.

Uma delas, no número 2301 da Saint Charles Avenue, foi a residência da escritora Anne Rice durante a infância. Outras celebridades que ainda moram no Garden District são o ator John Goodman e o jogador de futebol americano Archie Manning. Ele é um dos astros do New Orleans Saints, o time local que disputa a NFL. Há agências que organizam tours guiados que contam a história de cada uma das principais mansões. Mas é muito fácil encontrar na internet informações para passeios autoguiados.

Uma típica mansão do Garden District

Uma típica mansão do Garden District

Noite na Frenchmen Street

À noite, saia um pouco do oba-oba da Bourbon Street e vá aonde os moradores de NOLA saem para ouvir música: a Frenchmen Street. Ela fica no final do French Quarter e abriga várias casas de shows. Lá se ouvem novos talentos e bandas conhecidas da cidade. A programação não costuma se restringir ao jazz. Blues, R&B, soul e até música latina pode ser conferida por lá. Bares como o The Maison e o d.b.a não cobram ingresso, mas é de bom tom que o público contribua com uma gorjeta. Em alguns shows, os próprios artistas vão de mesa em mesa pedir o dinheirinho pra garantir a noite.

Palco da Maison, na Frenchmen Street

Palco da Maison, na Frenchmen Street

3º dia

City tour sobre o Katrina

Não costumo gostar de city tours, mas New Orleans tem uma variedade tão grande de passeios temáticos que é difícil não se render a um deles. Quando estive por lá, fiz um sobre o furacão Katrina, que devastou a cidade em 2005. Muitas cicatrizes continuam abertas, especialmente em bairros que foram quase totalmente arrasados como o Ninth Ward. Há muitas casas danificadas, lotes inteiros desocupados e poucos serviços como transporte público e escolas.

Por outro lado, os músicos Harry Connick Jr e Branford Marsalis se juntaram para bancar a construção de um bairro planejado para abrigar os músicos da cidade que perderam suas casas com o furacão. Marcado por habitações multicoloridas, o Musician´s Village virou uma atração à parte em Nova Orleans. Além disso, simbolizou o esforço para que a cidade não perdesse a tradição da música. O Musician´s Village também abriga o Ellis Marsalis Center for Music, uma espécie de híbrido entre escola e centro cultural.

O Musicians Village é um símbolo da resistência da cidade pós-Katrina

O Musicians Village é um símbolo da resistência da cidade pós-Katrina

Mais dicas gastronômicas

Para a tarde, duas sugestões. Uma delas foi opção minha no ano em que conheci NOLA: me afastar um pouco do French Quarter para comer em dois lugares indicados por um amigo que havia visitado a cidade. Um deles é o o Parkway Bakery and Tavern, especializado em po´boys, os sanduíches de que falei algumas linhas acima. Experimente o de camarão empanado!

Perto dali, há uma sorveteria italiana chamada Angelo Brocato. É um daqueles negócios familiares, que passam de geração para geração. E, como em toda gelateria, o sorvete de pistache é espetacular! Na volta ao Quarteirão Francês, é legal tirar uma horinha para conhecer o French Market, que abriga um mercado agrícola e outro de pulgas. Para quem gosta de cozinhar, é o melhor lugar para comprar temperos e condimentos e tentar emular receitas creole quando voltar para casa. Caso você esteja cansado de caminhar, há muitas casas de imigrantes orientais que oferecem massagens nos pés.

Eis um po'boy de camarão empanado

Eis um po’boy de camarão empanado

Última noite tem que ser musical

Para a despedida noturna, minha sugestão é se ligar na agenda de dois dos principais palcos musicais da cidade. Um é o da Preservation Hall, que tem uma banda residente de jazz bastante conhecida. Outro é o da House Of Blues, que não se limita a shows de música. Os sites das duas casas são repletos de informações úteis para que você programe sua visita.

A agenda semanal da House Of Blues tá sempre na fachada. É passar por lá e se programar

A agenda semanal da House Of Blues tá sempre na fachada. É passar por lá e se programar

Bônus: os lugares que não conheci em New Orleans

Como falei, fiquei apenas três dias em NOLA e não tive oportunidade de conhecer tudo o que a cidade oferece. Mas, na conversa com moradores, gente que trabalha no turismo e visitantes de outros locais, peguei algumas dicas que podem ser bem pesquisadas na internet.

Passeios guiados: são literalmente DEZENAS. Cemitérios, música, drinks, pântanos, cruzeiros no Mississippi e até tours de histórias mal assombradas e que contam a história do vudu na cidade. Uma das agências que faz todos esses principais passeios é a Grey Line e o site dela pode ser um ótimo ponto de partida. Mas em qualquer hotel você encontra folhetos de outras agências que podem trazer opções mais interessantes para o que você procura.

Mardi Gras World: é um museu dedicado ao Mardi Gras, o carnaval de New Orleans. É possível conhecer um pouco da história da festa e também ver artistas e escultores preparando as alegorias e fantasias. Veja o site!

Movie Tour: de todos os tour guiados, o que mais me deu arrependimento de não fazer foi este. New Orleans foi locação para filmes e séries de TV, de JFK a True Blood, de Easy Rider a Django Livre, passando por Ray, Entrevista com o Vampiro e O Curioso Caso de Benjamin Button. Dá pra ter uma noção do passeio neste site.

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