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Tag: restaurantes

Bangkok: roteiro de 6 dias pela campeã mundial do turismo

Praias paradisíacas, templos suntuosos, muita história, temperos exóticos e excelente infraestrutura turística. Cada um desses itens já é um pretexto suficiente para você decidir o seu próximo destino de férias….

Praias paradisíacas, templos suntuosos, muita história, temperos exóticos e excelente infraestrutura turística. Cada um desses itens já é um pretexto suficiente para você decidir o seu próximo destino de férias. Mas que tal encontrar tudo isso num lugar só? Se a combinação é atraente para você, considere incluir Bangkok nos seus próximos roteiros.

A Tailândia é o país onde turistas mais gastam dinheiro em toda a Ásia (52 bilhões de dólares), segundo dados de 2016. É também o segundo país asiático em número de visitantes recebidos, com 32 milhões. Isso é cinco vezes mais do que o Brasil. Neste quesito, só fica atrás da China, que, territorialmente, é 18 vezes maior. Além disso, Bangkok é a cidade que mais recebeu turistas em todo o mundo, com mais de 19 milhões de visitantes.

Minha esposa e eu resolvemos fazer parte da estatística em 2014, quando passamos alguns dias em Bangkok, Chiang Mai e Phuket. Ainda conseguimos encaixar um “pulo” em Siem Reap (Camboja), para conhecer o fantástico sítio arqueológico de Angkor Wat.

Ao planejar os dias na Tailândia, buscamos ao máximo fazer os passeios por meio de empresas de turismo bem cotadas na internet. Isso porque tínhamos várias dúvidas. Como se locomover em Bangkok? Como nos comunicar com os tailandeses? Quais seriam lugares seguros e perigosos para andar? O que já posso adiantar a você é que não dá pra imaginar um passeio pelos arredores da cidade sem recorrer a agências que organizam esses tours. Por outro lado, dentro da cidade é muito mais fácil se virar por conta própria.

A viagem para Bangkok é muito longa. Para se ter uma ideia, partindo de Belém, levamos mais de 66 horas para chegar no nosso hotel. O que compensa todo o desgaste é a convicção de que, quanto mais nos afastamos dos nossos lares, mais nos deparamos com pessoas, culturas e lugares instigantes. Por toda essa distância, e para melhor aproveitar essa impressionante cidade, sugiro aqui um roteiro de seis dias, com base nas experiências que tivemos por lá.

 

Onde ficar

Para começar, apesar de não recomendar ficar no hotel no qual nos hospedamos, sugiro sim a região da avenida Sukhumvit. Além da localização central é nessa área que estão os principais shoppings da cidade: Siam Paragon, Central World, Central Embassy e Terminal 21. Eles servem de bons pontos de apoio e referência. Nesta região também há boas opções de restaurantes e vários hotéis, de diversas faixas de preços, como Sheraton, Marriott e Novotel. O metrô de superfície sobre a avenida Sukhumvit facilita muito a locomoção na área. Escolha um hotel próximo de uma de suas paradas.

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Uma dica que gosto de dar para pessoas que viajam para países que não usam nosso alfabeto é estocar alguns cartões contendo o endereço do seu seu hotel, no idioma local. Coloque-os na carteira, na mochila, bolsos, bolsas etc. Eles ajudam bastante na hora de explicar para o motorista do taxi, uber ou tuk-tuk onde fica o seu hotel.

Aquecendo as turbinas

Casa de Jim Thompson

Depois de uma viagem exaustiva acho sempre bom começar os trabalhos com um dia mais tranquilo. Com esse espírito, a primeira parada da viagem foi o museu da Casa de Jim Thompson. O cara foi um empresário americano que desempenhou um papel crucial no ressurgimento da indústria mundial da seda nas décadas de 50 e 60. O tour guiado pela casa (obrigatório) é excelente. Aproveitamos também o gift shop para comprar souvenirs feitos da seda local, com estamparias exclusivas, com a assinatura da marca Jim Thompson.

Jim Thompson's House, Bangkok

Jim Thompson’s House, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

Siam Paragon – O paraíso dos paladares

Saímos da casa/museu por volta das 13h e caminhamos até o ótimo shopping Siam Paragon. Apesar de ser conhecido pela sua exuberante coleção de lojas, a maior preciosidade desse lugar é a sua praça de alimentação. Trata-se um verdadeiro paraíso alimentar, com a vantagem de contar com sombra e ar-condicionado.

Uma vez lá, aproveitamos para passear pelo seu primeiro andar, conferindo os menus dos seus restaurantes antes de escolher onde almoçar. Logo na primeira refeição, aprendemos uma lição importante: a comida tailandesa é apimentada demais. Extremamente mesmo. Por isso, passamos a escolher somente as opções do menu “não apimentado” (ainda bem picantes) em todas as nossas refeições.

Comida tailandesa, Siam Paragon, Bangkok

Comida tailandesa, Siam Paragon, Bangkok. Foto: André Orengel.

Erawan Shrine

Após o almoço, e a sobremesa, saímos do shopping pelas passarelas do segundo andar. Caminhamos no sentido oeste, até encontrar um dos mais populares templos da cidade: o Erawan Shrine, na esquina da Ratchadamri com a Rama 1. Fica bem ao lado do prédio do hotel Hyatt. Está abrigado neste templo uma imagem de Phra Phrom, o representante tailandês do deus hindu da criação Brahma.

Erawan Shrine, Bangkok

Erawan Shrine, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

 

Reza a lenda que o pequeno templo foi construído ali, em 1956, para afastar uma maldição lançada sobre a construção do antigo hotel Erawan. Tudo porque as suas obras foram iniciadas em uma data não auspiciosa. O mau agouro, dizem, provocou uma série de infortúnios, como acidentes, atrasos, perda de carregamentos de materiais de construção, entre outros. Com a conclusão do templo, a influência negativa foi definitivamente afastada,  tornando-o famoso e adorado pelos tailandeses.

Além das centenas de incensos acesos pelos fieis, é interessante ver que eles também contratam dançarinas profissionais. A sua função é executar performances de danças tradicionais para aumentar as chances das preces serem atendidas.

Erawan Shrine, Bangkok

Erawan Shrine, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

 

Infelizmente, em agosto de 2015, o local foi alvo de um atentado terrorista que matou 20 pessoas e feriu outras dez. Poucos dias depois o templo foi restaurado e reaberto para a visitação pública.

 

Lumphini Park

Continuando o passeio andamos pela lateral do Hyatt, na Avenida Ratchadamri, até chegar no animado Lumphini Park. Nessa hora, por volta do pôr do sol, o parque está cheio de gente praticando exercícios e perambulando sem pressa por suas ruas.

Lumphini Park, Bangkok

Lumphini Park, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

 

O jantar foi no Sirocco, na cobertura do State Tower (1055, Silom Road). Você vai reconhecer esse lugar do filme Se Beber Não Case 2. A vista, o serviço e a comida são realmente de primeiríssima qualidade. Reserve com antecedência.

Ko Ratanakosin – o berço da cidade

O Grande Palácio de Bangkok

Iniciamos o segundo dia indo diretamente para a região de Ko Ratanakosin. Aqui fica o complexo do Grande Palácio de Bangkok, que, entre outros, abriga o templo do mítico Buda de Esmeralda. É a atração turística mais procurada da cidade, então é bom chegar logo cedo. Ele fica aberto todos os dias das 08h30 às 15h30, e a entrada custa 500 baht. Assim, não caia no comum golpe dos espertalhões que dizem estar o local fechado para lhe levar para outro lugar e, com isso, ganhar uma gorda comissão.

Grande Palácio, Bangkok

Grande Palácio, Bangkok. Foto: André Orengel.

 

Outra coisa importante para se ter em mente é que, como ali contém um dos lugares mais sagrados de toda a Tailândia, há um estrito código de vestuário a ser seguido. Em síntese, ombros, joelhos e pés devem estar sempre cobertos, em respeito à santidade do espaço. Por isso, nada de bermudas, sandálias ou camisetas sem manga, tanto para homens como para mulheres. Há a possibilidade de comprar calças na porta do complexo bem como pegar calças emprestadas ao lado da entrada. Eu preferi levar a minha mesmo.

Grande Palácio, Bangkok

Grande Palácio, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

 

Não deixe que a superlotação do lugar lhe impeça de conhecê-lo com calma, pois ele é repleto de detalhes e decorações muito bonitos. Vale a pena investir no áudio guia disponível na bilheteria para ter mais informações sobre o que há por lá.

O complexo foi construído no século XVIII às margens do rio Chao Phraya a mando de Rama I. Já serviu de residência para os reis da Tailândia, de lar para uma numerosa corte e de administração central do país, representando mais de 200 anos de história real e experimentação arquitetônica. O enorme lugar conta com mais de 100 prédios, na sua maioria construídos no estilo Bangkok antigo (Ratanankosin).

Grande Palácio, Bangkok

Grande Palácio, Bangkok. Foto: André Orengel.

Wat Phra Kaew

Abrigado em uma capela ricamente decorada e protegida por um par de gigantes míticos, a imagem do Buda de Esmeralda é a principal razão para se ir ao templo de Wat Phra Kaew. A notoriedade dessa estátua de 66 cm, feita provavelmente de jade verde escura (e não esmeralda), cresceu por volta do século XIV, quando a camada de gesso que a protegia foi danificada, exibindo a sua brilhante coloração.

No meio do século XVI, ela acabou sendo levada do Reino de Lana (ao norte da Tailândia) para Luang Prabang (então capital do reino de Lan Xang, hoje, Laos) por Setthathirath. A oportunidade para isso ocorreu quando, depois de ser rei de Lana (por um breve período), assumiu o trono de Lan Xang, levando a imagem com a sua mudança. Ela só foi recuperada dois séculos depois, pelo general tailandês Chao Phraya Chakri, que invadiu a cidade de Vietiane. Após a mudança da capital de Thonburi a Bangkok, foi erguido o magnífico Wat Phra Kaew, para assim proteger e honrar o Buda de Esmeralda.

Buda de Esmeralda, Wat Phra Kaew, Bangkok

Wat Phra Kaew, Bangkok. Foto: André Orengel.

 

Mal dá para ver a estatueta do pé do altar que a exibe, de tão pequena que ela é. A decoração ao seu redor, no entanto, é de deixar qualquer um de queixo caído. Um outro fato curioso sobre esta imagem é que a sua roupa é trocada pelo rei, três vezes ao ano, de acordo com a estação (quente, fria e chuvosa), em uma pomposa cerimônia.

Não deixe de apreciar os murais que adornam na parede interna deste complexo, que representam a versão tailandesa do épico indiano Ramáiana. Inicialmente pintados durante o reinado de Rama I, eles foram belamente restaurados recentemente.

Grande Palácio, Wat Phra Kaew, Bangkok

Murais do Wat Phra Kaew, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

Mercado de Amuletos

Finalizada a visita ao Complexo do Palácio Real, fomos ao Mercado de Amuletos, ao norte, junto ao rio Chao Phraya. Lá, ziguezagueamos os estreitos corredores apreciando as curiosidades vendidas e compramos uma pequena estatueta do Buda, na posição Varada Mudra, de recordação.

Mercado de Amuletos, Bangkok

Mercado de Amuletos, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

 

Saindo do mercado, acompanhamos o curso do rio no sentido sul, passando entre o muro do Palácio Real e a água. Seguimos pela rua Maha Rat e dobrando na viela que leva ao restaurante The Deck. As ruas não são bem sinalizadas, portanto acompanhe o percurso pelo mapa abaixo. A comida é bem gostosa, o preço é camarada e a vista do rio e do templo Wat Arun são maravilhosas.

Wat Pho

Depois do almoço, é hora de visitar o templo de Wat Pho, ali pertinho. É aqui que estão a maior estátua do Buda reclinado, a maior coleção de imagens do Buda e o primeiro centro de educação pública de toda a Tailândia. Tirando o prédio onde se encontra a maior imagem do templo, conseguimos encontrar alguns cantos pacíficos na ampla área do complexo. Foi ótimo, poder apreciar e se conectar com a história e religiosidade do lugar com maior serenidade.

Wat Pho, Bangkok

Wat Pho, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

 

A estátua do Buda reclinado, com 46 metros de comprimento e 15 metros de altura, quase não cabe em seu abrigo. A posição deitada ilustra a elevação de Buda ao nirvana. Observe a ornamentação das solas dos pés da estátua, exibindo as 108 características auspiciosas da personalidade do Buda.

Buda Reclinado, Wat Pho, Bangkok

Buda Reclinado, Wat Pho, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

Sola do Pé do Buda Reclinado, Wat Pho, Tailândia. Foto: Manuela Corral

As imagens do Buda reverenciadas nos quadro santuários dispostos no complexo segundo os pontos cardeais, também são muito bonitas e merecem ser visitadas. Admire, ainda, as 394 estátuas alinhadas nas galerias que conectam esses templos. Vale mencionar que, neste complexo, também fica localizada a matriz do ensino e preservação da medicina tradicional tailandesa, o que inclui a massagem tailandesa.

Wat Pho, Bangkok

Wat Pho, Bangkok. Foto: André Orengel.

Museu de Sião

Terminamos de visitar o Wat Pho por volta das 16h. Isso nos garantiu tempo suficiente para conhecer as galerias do muito bom Museu de Sião (como era chamada a Tailândia até 1939). Ele costuma funcionar até as 18h. A exibição permanente, com recursos bem interativos, enfatiza a história cultural do povo tailandês.

Para comer algo diferente da comida tailandesa, se você é fã da culinária alemã, recomendo o Bei Otto, localizado na Sukhumvit Soi 20. Fomos lá duas vezes e gostamos bastante de tudo que provamos.

 

Ayutthaya

No seguinte dia da viagem resolvemos contratar um tour que nos levasse ao sítio arqueológico de Ayutthaya. Considerado patrimônio cultural da humanidade pela Unesco, o local foi a capital do reino de Sião entre 1350 e 1767. Neste ano a cidade foi amplamente saqueada e destruída pela Birmânia, nação com a qual estavam em guerra desde o início do século XVI. As ruínas e a história do lugar são fascinantes.

Ayuthaya, Tailândia

Ayuthaya, Tailândia. Foto: André Orengel.

 

A excursão também passa pelo Bang Pa-In Royal Palace. É um complexo com um conjunto interessante de construções, às vezes utilizado pela família real tailandesa, especialmente no verão. Outras paradas foram alguns templos importantes da região e uma enorme estátua do Buda reclinado.

Buda Reclinado, Ayuthaya, Tailândia

Ayuthaya, Tailândia. Foto: Manuela Corral.

 

O almoço foi servido em um passeio de barco pelo rio Chao Phraya, no pitoresco caminho de volta para Bangkok. Para o jantar, escolhemos um dos restaurantes do shopping Central World, na avenida Sukhumvit.

 

Tuk-tuk para cá, tuk-tuk para lá

No quarto dia de viagem tratamos de dar um giro pela cidade de tuk-tuk, conhecendo dois de seus templos e finalizando com uma relaxante massagem no Mandarim Oriental.

Wat Arun

Começamos pelo Wat Arun. Após o declínio de Ayutthaya, o rei Thaksin transferiu a capital do reino de Sião para a cidade de Thonburi, na margem esquerda do rio Chao Phraya. Foi nessa época que se assumiu o controle do templo existente nesse local (Wat Jaeng) e se estabeleceu lá o palácio real e um santuário para abrigar o Buda de Esmeralda. Nesta ocasião, o templo foi renomeado para Wat Arun, em homenagem à deusa indiana da alvorada (Aruna).

Wat Arun, Bangkok

Wat Arun, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

 

Foi só depois da transferência da capital do reino de Sião para Bangkok que foi construída a torre central do templo de Wat Arun, no estilo khmer, com 82 metros de altura. O interessante é perceber que a ornamentação do templo é feita com porcelana chinesa quebrada, despejada nos portos da cidade. Ela servia de lastro aos navios que vinham da China para levar arroz produzido no interior do reino de Sião.

Chao Phraya, Wat Arun, Bangkok

Vista do Wat Arun, Bangkok. Foto: André Orengel.

Wat Suthat

Depois de explorar o primeiro templo do dia, subimos em um tuk-tuk e seguimos ao Old Town Cafe (130/11-12 Fueang Nakhon Road). É uma ótima opção para um rápido almoço e para se refrescar com um café gelado. De lá, andamos alguns quarteirões até o Wat Suthat. Na frente da entrada do templo, em uma pracinha, tem uma enorme e curiosa trave vermelha. Ela é chamada de Sao Ching-Cha (Balanço Gigante) e era usada em um festival brama em homenagem à deusa Shiva. Os participantes tinham que se embalar nela, na tentativa de pegar um saco de ouro colocado no alto de uma vara de bambu. A brincadeira era extremamente perigosa, levando várias pessoas à morte. Por isso, foi proibida durante o reinado de Rama VII.

O Wat Sutthat é a matriz dos sacerdotes bramas no país e um dos templos mais tranquilos que visitamos por lá. É nesse lugar também que estão enterradas as cinzas do rei Rama VIII. Aprecie a linda decoração deste templo, principalmente o enorme Buda de bronze originário de Sukhothai (o primeiro reino tailandês – sécs. XIII-XV), os murais que contam a história das vidas pregressas do Buda (dos mais bonitos do país).

Buda, Wat Suthat, Bangkok

Wat Suthat, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

Um fim de tarde revitalizante

Finalizada a visita, pegamos mais um tuk-tuk, agora com destino ao Mandarim Oriental. É um perfeito exemplar desta que é uma das cadeias de hotéis mais luxuosas do mundo. Desde o saguão você já começa a relaxar. Isso por conta da perfeita combinação de música ambiente, ar condicionado, linda decoração e chá. Para chegar a sua famosa casa de massagem, cruzamos o rio em uma embarcação do próprio hotel, que mais parece nos transportar para uma outra dimensão. Para não ter erro, fizemos a reserva pelo site e deixamos os tipos de sala e massagem disponíveis já selecionados. Chegando lá foi só relaxar, aproveitar e sair pessoas renovadas.

Para jantar com uma vista estonteante da cidade, recomendo o Vertigo (21/100 South Sathon Road Sathon | Banyan Tree). A apresentação e o sabor da comida servida são de tirar o chapéu. Para compensar, o preço é bem salgado.

Moon Bar, Vertigo, Bangkok

Vertigo, Bangkok. Foto: André Orengel.

Damnoen Saduk e o Museu Nacional

Um mercado flutuante

No quinto dia de viagem também decidimos sair da cidade. Dessa vez fizemos um tour de meio dia para o mercado flutuante de Damnoen Saduk. A experiência foi bem interessante e recomendamos para todos. Ainda compramos duas máscaras de madeira para guardar o nosso lar contra maus espíritos.

Mercado Flutuante de Damnoen Saduak, Tailândia

Mercado Flutuante de Damnoen Saduak, Tailândia. Foto: André Orengel.

 

O lado negativo do passeio foi a visita a um lugar onde se poderia montar em elefantes. Nos sentimos muito mal pelos animais, que carregam estruturas pesadas de ferro nas suas costas para levar o condutor e mais turistas ao redor de um circuito no interior da propriedade. A crueldade é evidente. Se lhe levarem a um lugar como esses, sugiro ficar dentro do veículo e protestar com o agente de viagens.

Na Tailândia existem alguns santuários para elefantes encontrados em situações desfavoráveis, como em fazendas e circos. Lá os bichos são recuperados e parecem melhor tratados. Além disso, a forma estabelecida para os turistas interagirem com os animais não parece maltratá-los. Fomos em um desses próximo à cidade de Chiang Mai, no norte do país, e gostamos muito do lugar. O nome de lá é Baan Chang Elephant Park.

O Museu Nacional de Bangkok

Depois do passeio pedimos para nos deixarem no Museu Nacional, que é considerado o maior museu do seu tipo no sudeste asiático. Almoçamos no restaurante do próprio museu. A comida é incrivelmente barata, mas não é tão saborosa. A vasta coleção de esculturas religiosas do museu é impressionante. Comece pela sua ala histórica, onde estão expostos, entre outros artefatos de inestimável valor, o mais antigo registro escrito em idioma tailandês e o trono do rei Taksin. A capela Buddhaisawan guarda uma das imagens do Buda mais reverenciadas da Tailândia, a Phra Phut Sihing.

Museu Nacional, Bangkok

Museu Nacional, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

Mais templos e tuk-tuks

Guardamos mais dois templos para o último dia em Bangkok: o Wat Traimit e o Wat Benchamabophit. Visitamos os dois num tour guiado. Mas, como disse lá em cima, achamos o tour absolutamente desnecessário. Preferia ter ido de táxi, Uber ou tuk-tuk, para economizar alguns dólares, fazer as coisas no nosso tempo e evitar as lojinhas comissionadas.

Wat Traimit

O Wat Traimit fica localizado no bairro chinês da cidade, ao final da rua Yaowarat. Este é o templo onde se venera a impressionante estátua de 3 metros de altura e 5,5 toneladas de puro ouro. Isso mesmo, puro ouro! Ela foi descoberta há uns 40 anos quando caiu de um guindaste e rompeu a sua proteção de gesso. “Ah, é por isso que essa imagem é incrivelmente pesada!”, deve ser o que todos pensaram.

Em estilo Sukhothai, a reluzente estátua data, provavelmente, do século XV. O santuário que abriga a famosa imagem do Buda de Ouro está no topo de uma nova estrutura de quatro andares. Os andares inferiores exibem a história da estátua dourada e da herança chinesa em Bangkok.

Buda de Ouro, Wat Traimit, Bangkok

Buda de Ouro, Wat Traimit, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

Wat Benchamabophit

O Wat Benchamabophit fica no interior de um belo parque. É um primoroso exemplo da arquitetura moderna dos templos budistas tailandeses. Ele foi construído no final do século XIX, no reinado do Rama V (suas cinzas estão enterradas no templo). A característica mais marcante deste santuário é o uso de mármore de Carrara branco em quase todo o seu revestimento. Isso lhe rendeu a alcunha de templo de mármore. No pátio atrás do prédio principal são exibidas 53 imagens do Buda, expondo os diferentes estilos utilizados para representá-lo na Tailândia e em outros países budistas.

Wat Benchamabophit, Bangkok

Wat Benchamabophit, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

Já ouviu falar em pet café?

A parte da tarde foi separada para conhecer o Parque de Dusit. Só que, na época em estivemos lá, o parque estava fechado por conta de uma série de protestos. Optamos então por passar a tarde nos shoppings da Sukhumvit.

Você já foi em algum café, onde, além de degustar das bebidas e comidas, você pode interagir com animais de estimação? Não estou falando do cachorro ou gato vira-latas que frequentam o bar da esquina. Mas de uma porção de bichinhos domésticos sedentos por carinho dos visitantes do café. Eu certamente gostaria de ir em um desses. A Monica Vieira, minha queridíssima cunhada, é praticamente uma especialista no assunto. Já foi em quatro desses só em Bangkok e recomenda todos! São o Little Zoo Café, o Dog in Town, o True Love @ Neverland e o Rabbito Café.

Para nos despedirmos da cidade, jantamos novamente no The Deck, e assim pudemos apreciar a sua vista do Wat Arun mais uma vez.

Wat Arun Bangkok

Vista do Wat Arun, a partir do The Deck, Bangkok. Foto: André Orengel.

 

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O que fazer em Pipa: praias, gastronomia e muito mais

Você já leu aqui no Mochileza como planejar a sua viagem a Pipa. Como chegar, quando ir e outras informações fundamentais antes de embarcar. Agora é hora de conhecer a…

Você já leu aqui no Mochileza como planejar a sua viagem a Pipa. Como chegar, quando ir e outras informações fundamentais antes de embarcar. Agora é hora de conhecer a região e saber quais as principais praias e atrações.

Quando chegar ao Rio Grande do Norte, tem uma coisa curiosa que você vai descobrir: não existe uma Praia de Pipa propriamente dita. O nome internacionalmente conhecido é o do vilarejo pertencente ao município de Tibau do Sul, a 85 quilômetros de Natal.

Este trecho do litoral potiguar tem cerca de 20 quilômetros de atrações. Além das praias, Pipa tem trilhas, falésias e santuários ecológicos. É muita coisa para ver e fazer! Dá para ir várias vezes sem enjoar. Confira os principais atrativos e programe os detalhes da sua viagem!

Praia do Centro

É a praia de mais fácil acesso em Pipa. Como o nome denuncia, ela fica no centro do vilarejo, bem junto da rua principal (a avenida Baía dos Golfinhos). Dá para chegar de carro também, já que há estacionamentos próximos.

Na Praia do Centro, o mar não tem ondas e a água forma piscinas naturais na maré baixa. Há muitos restaurantes à beira-mar, com mesas e cadeiras na areia. Por isso e pela facilidade do acesso, a praia costuma ficar lotada em feriados prolongados.

 

Praia do Amor

Foto: Leonardo Aquino

 

Se você gosta de um pouco mais de privacidade, a Praia do Amor é onde Pipa começa a falar a sua língua. O acesso é mais complicado. É preciso descer pelas escadarias em alguns trechos das falésias. Outra opção é uma caminhada de cerca de 10 minutos a partir da Praia do Centro. Por isso, não é muito indicada para pessoas com dificuldade de locomoção ou que viajam com crianças de colo.

O mar é um pouco mais agitado e forma ondas que fazem da Praia do Amor um bom point para os surfistas. Há algumas barracas que servem petiscos e bebidas. Mas a areia não está tão tomada pelos barraqueiros quanto na Praia do Centro.

 

Baía dos Golfinhos

É onde Pipa encontra Cancún, guardadas as devidas proporções. Não é que seja possível tirar fotos dando um beijo nos golfinhos como no balneário mexicano, mas eles nadam bem perto da orla. Como a água é calminha, é um ótimo lugar para um banho de mar.

O acesso é a pé, a partir da Praia do Centro. A caminhada é de cerca de 15 minutos. Mas atenção: fique de olho na tabela das marés. Só dá para chegar à Baía dos Golfinhos quando a maré estiver seca ou secando.

 

Praia do Madeiro

Foto: Leonardo Aquino

 

É uma das praias mais badaladas da região, ainda que o acesso não seja tão fácil. Fica a 4 quilômetros do centro de Pipa e ainda tem uma recepção nada convidativa. É preciso descer uma escadaria de 170 degraus a partir do Bar do Jegue. Ou seja: bem complicada para quem tem dificuldades de locomoção ou é portador de deficiência.

Praia de Pipa, Praia do Madeiro

Acesso à Praia do Madeiro, em Pipa. Vai encarar? Foto: Leonardo Aquino

 

A infraestrutura é uma das melhores de Pipa, com várias barracas e restaurantes. Há até um hotel com um acesso particular à praia (o Village Natureza). O mar é calmo, mas tem ondas num tamanho suficiente para surfar. Há inclusive instrutores que dão aulas de surfe na Praia do Madeiro para quem quiser ser Gabriel Medina por um dia.

 

Praia da Cacimbinha

Mirante da Cacimbinha. Foto: Leonardo Aquino

 

É o ponto onde você vai tirar uma das fotos mais bonitas da sua viagem à Praia da Pipa. Na estrada, à beira da falésia, o Mirante da Cacimbinha tem uma vista apaixonante. Do outro lado da estrada, há dunas de pequeno porte. Chegar até a praia propriamente dita é que são elas. É preciso descer pela falésia. O hotel Pipa Privilege tem uma escadaria que também dá acesso.

A Praia da Cacimbinha não é muito amigável para o banho de mar. Mas para quem pratica esportes de aventura, é altamente convidativa. Por causa dos ventos e das ondas, é muito procurada por adeptos do kitesurf. No topo da falésia, perto da estrada, também é possível fazer voos de parapente.

 

Tibau do Sul (Praia do Giz e Lagoa Guaraíras)

Barracas na Praia do Giz. Foto: Leonardo Aquino

 

O município-sede de Pipa também tem seus atrativos, seja de água doce ou de água salgada. Na Lagoa Guaraíras, são feitos passeios de barco em que os golfinhos são vistos de perto e onde se contempla o pôr-do-sol mais bonito da região (pelo menos é o que se costuma dizer). Também é de lá que sai uma balsa até Natal. O ponto de embarque e desembarque do outro lado é a praia de Barra do Tabatinga, em Nísia Floresta.

Praia do Giz. Foto: Leonardo Aquino

 

A água da lagoa encontra com a do mar na Praia do Giz. É uma ótima praia para ir com crianças, já que vários laguinhos são formados quando a maré seca. Além disso, de todas as praias da região, é a que tem a melhor acessibilidade. A partir do momento em que você desce do carro ou da van, é tudo plano. O local também é bem servido de barracas de praia e restaurantes.

 

Outras praias

A região também tem a Praia das Minas (deserta e de acesso difícil), a de Sibaúma (acesso fácil e preços mais em conta), Barra do Cunhaú e Baía Formosa.

 

Gastronomia

A avenida Baía dos Golfinhos e suas transversais concentram muitos restaurantes. É um ótimo passeio noturno em Pipa. Foto: Leonardo Aquino

 

Pipa concentra em suas ruas estreitas e ladeiras íngremes uma variedade gastronômica que deixaria muitas cidades com inveja. Num raio de menos de um quilômetro, estão concentrados restaurantes de culinária italiana, espanhola, japonesa, argentina, tailandesa e muito mais. Isso sem contar, claro, na comida de praia: peixe e frutos do mar. Juro a você: em Pipa, gosto mais da gastronomia do que das praias. Pode me julgar!

Em geral os preços são de médios para caros. Você vai encontrar os maiores ágios em restaurantes com um perfil mais genérico ou praiano. Na nossa última viagem a Pipa, em março de 2018, chegamos a ver um que cobrava mais de 100 reais por um strogonoff para duas pessoas. Um absurdo!

O curioso é que alguns dos restaurantes mais sofisticados cobram preços mais justos. Não que sejam pratos exatamente baratos. Mas são estabelecimentos que passam tranquilamente no teste da pergunta: essa refeição custaria o mesmo preço numa cidade não-turística?

Sendo assim, aqui vão as nossas principais dicas de onde comer em Pipa.

Dall’Italiano

Foto: Leonardo Aquino

 

Uma cantina italiana puro sangue em pleno litoral do Nordeste brasileiro. Os ingredientes são rigorosamente escolhidos e vindos diretamente da Itália. As pizzas (são cerca de 70 sabores) são no padrão original, tanto no tamanho quanto na espessura da massa. E a variedade das massas também é bem ampla, com a presença de algumas massas difíceis de encontrar por aí, como o bigoli negro.

O Dall’Italiano fica na rua principal de Pipa, a avenida Baía dos Golfinhos. Quase sempre está lotado. Portanto, não vai ser surpreendente se você precisar encarar uma fila de espera. Abre apenas para o jantar.

 

Aprecíe

Foto: Leonardo Aquino

 

Cozinha contemporânea e cardápio de bistrô. É a forma mais resumida de definir o Aprecíe. Ele tem referências de nouvelle cuisine e das gastronomias oriental e mediterrânea. O restaurante é um dos mais jovens de Pipa. Foi criado em 2015 pelo chef potiguar Ricardo Rudney, que já tinha experiência de montar o cardápio de outros restaurantes e pousadas em Pipa.

Os preços são justos para um restaurante dessa categoria. A maioria dos pratos principais fica entre 40 e 50 reais (valores de março de 2018). O espaço é pequeno, com capacidade para cerca de 30 pessoas. Em dias mais concorridos, é melhor chegar cedo ou reservar.

 

Nativos Bar

Foto: Leonardo Aquino

 

Um lugar classudo e sofisticado especializado em drinks. Não só os clássicos como caipirinhas, mojitos e daiquiris. Mas também coquetéis autorais e outros com combinações tão improváveis quanto deliciosas. Foi lá que aprendi que dá pra fazer caipirosca de melancia ou de banana – e o resultado é incrível! O ambiente também é muito bonito e agradável. Há algumas mesas que têm almofadas no lugar das cadeiras, para quem quiser se esparramar confortavelmente.

Foto: Leonardo Aquino

 

Mas é preciso dar alguns alertas. O Nativos não aceita cartões, nem de crédito nem de débito. E o bar também não tem cozinha. No cardápio, há alguns petiscos estilo finger food. Ou seja, é melhor ir até lá no aquecimento da sua noite ou no “after”. O Nativos não tem site nem página no Facebook. Fica na avenida Baía dos Golfinhos, 748.

 

Real de 14

Depois que for à Praia da Pipa pela primeira vez, vai perceber que uma caminhada na vila não é a mesma sem um sorvete da Real de 14. A sorveteria foi criada por argentinos e hoje é administrada por portugueses. A mudança na gestão não mexeu na qualidade dos sorvetes: cremosos, deliciosos e de sabores muito variados.

São mais de 50 opções, das tradicionais às criações próprias. As frutas regionais têm lugar cativo nos freezers. Há também sorvetes inspirados em bebidas alcoólicas (whisky e caipirinha), misturas tropicais (coco com gengibre, por exemplo) e os funcionais (feitos com biomassa de banana). Todos produzidos ali mesmo, em Pipa. A Real de 14 também tem uma loja em Natal, em Ponta Negra.

 

Terra Nostra / Padaria Central

Gastronomia, Praia da Pipa

Carpaccio de polvo no Terra Nostra, um dos bons restaurantes de Pipa. Foto: Leonardo Aquino

 

Os italianos estão em peso em Pipa e o Terra Nostra é outra boa opção. Não apenas pelas massas e pizzas, mas também pelos pães e doces da Padaria Central, que funciona no mesmo ponto. No restaurante, um prato que sempre comemos é o carpaccio de polvo. Na padaria, as especialidades são os croissants e strudels.

Outros lugares bem recomendados

É preciso ir à Praia da Pipa dezenas de vezes para experimentar tudo o que a gastronomia de lá tem a oferecer. Portanto, sempre tem algum lugar que falta conhecer. No nosso caso, a principal ausência da lista é o Tapas. Um dos restaurantes mais famosos da vila, o Tapas estava fechado nos últimos dias em que tentamos ir lá. Sua cozinha de inspiração espanhola e contemporânea é sempre muito elogiada. Outros lugares que estão na nossa mira para as próximas viagens são as churrascarias Tchê André e El Farolito e o tailandês Wattana.

Passeios

A variedade é gigantesca! Buggys, quadriciclos, kitesurf, parapente, circuito de arvorismo, catamarãs, mergulhos… A agência Pipa Aventura, que fica na avenida Baía dos Golfinhos, organiza muitos desses passeios e é a empresa mais bem recomendada. Outras indicações podem ser encontradas no Guia Pipa, que é distribuído em todos os hotéis e tem sua versão online no site www.pipa.tur.br.

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7 lugares “secretos” para conhecer em Madrid

Quando coloquei o Mochileza no ar, pensei num grande propósito. A ideia era sempre buscar experiências pouco comuns para compartilhar com os leitores. Lugares que só os moradores conhecem, passeios…

Quando coloquei o Mochileza no ar, pensei num grande propósito. A ideia era sempre buscar experiências pouco comuns para compartilhar com os leitores. Lugares que só os moradores conhecem, passeios pouco divulgados e experiências de imersão nas cidades, por exemplo. Se fosse para escrever sobre o que todo mundo já fala ou já sabe, não havia a necessidade de mais um blog de viagem existir.

O problema é que, para o trabalhador que tem apenas 30 dias de férias por ano, fica bem difícil conhecer os destinos tão profundamente assim. Não com uma consistência suficiente para dizer: “rodei a cidade inteira e não encontrei um lugar tão pitoresco quanto este”.

Ainda bem que a internet aproxima as pessoas e conheci a Larissa Andrade, dos blogs Be My Beer e Esto es Madrid, Madrid. Ela é jornalista e beer sommelier e mora na capital espanhola desde 2011. Com a bagagem que tem, ela compartilha informações e experiências sobre viver em Madrid e sobre o mercado cervejeiro na Europa.

Pois bem: convidei a Larissa para colaborar com o Mochileza e revelar os seus lugares “secretos” preferidos em Madrid. Aqueles que não costumam estar nos guias, que o turista viciado em sightseeing não vê e que podem valer grandes momentos na sua viagem. É mais um guest post especial por aqui! Espero que vocês curtam!

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Larissa Andrade, nossa anfitriã em Madrid. Foto: Arquivo pessoal

Madrid é uma cidade de contrastes: apesar de ser a segunda maior capital europeia, atrás apenas de Londres, às vezes parece ser um pouco provinciana. Apesar de ter uma área moderna, é cheia de história. E apesar de acolher moradores de várias partes do mundo, está cheia de madrilenhos que não abrem mão de seus costumes e tradições. Neste post, vamos falar de 7 lugares “secretos” de Madrid onde está tudo junto e misturado. 

Na verdade, alguns deles são bem conhecidos pelos locais, mas os considero fundamentais para entender um pouco a alma madrilenha.

Mercado de Vallehermoso

Madrid, Mercado de Vallehermoso

Foto: Larissa Andrade

Há algum tempo, os mercados municipais de Madrid vêm ganhando uma cara nova. As bancas tradicionais de frutas, verduras e carne se misturam a restaurantes asiáticos e lojas de embutidos.

Fora do centro turístico, o Mercado de Vallehermoso é um desses mercados. Nele, você vai encontrar postos onde pode fazer a compra da semana. Na mesma viagem, dá para aproveitar e tomar uma boa cerveja artesanal no Prost Chamberí ou na cervejaria Drakkar, provar a comida tailandesa do Tuk Tuk ou tentar a sorte e conseguir uma mesa para almoçar no disputado Kitchen 154, especializado em comida picante.

Endereço: Calle Vallehermoso, 36 (metrô Quevedo)

Horário de funcionamento: de segunda à sábado, das 9h às 23h. Aos domingos, das 11h às 18h.

 

Restaurante Can Punyetes

Madrid, Can Punyetes

Foto: Facebook/Can Punyetes

Bem ali no centro de Madrid está escondido um restaurante catalão delicioso, onde você pode provar os calçots (uma espécie de cebola típica da região) com salsa romesco, butifarra (linguiça) e terminar com a clássica crema catalana. Eles não aceitam reservas. Por isso, o ideal é chegar cedo e colocar o nome na lista de espera. Não espere nada glamouroso, porque o restaurante é simples e antigo, mas o ambiente é bem original. 

Há dois endereços, mas o meu favorito é o da Calle de los Señores de Luzon, 5 – (metrô Sol ou Ópera)

Horário de funcionamento: segundas a quintas, das 13h às 17h e das 20h à 0h. Sextas e sábados, o horário do jantar se estende até 1h. Aos domingos, só abre para o almoço, das 13h às 17h.

 

Noches de Bolero na Bodegas Lo Máximo

Madrid, Bodegas Lo Máximo

Foto: Larissa Andrade

Um dos bares mais queridinhos do bairro de Lavapiés se torna ainda mais especial nas noites de quarta-feira. É quando a Piluka, que trabalha lá, deixa o balcão do bar e sobe no pequeno palco para cantar boleros. Não pode conversar (ou você corre o risco de levar bronca), mas eu garanto que vale a pena! Você só paga o que consumir e eu te garanto que vai ser impossível não se emocionar. A apresentação começa por volta das 20 horas. 

Endereço: Calle de San Carlos, 6 (metrô Lavapiés ou Antón Martín)

Horário de funcionamento: segundas a quintas, das 19h30 às 2h. Sextas a domingos, das 12h30 às 2h.

 

Bar Casa Zoilo

Madrid, Casa Zoilo

Foto: Facebook/Casa Zoilo

O madrilenho ama um bar. E se ele for desse bem simples, com cara de bairro, em que todo mundo já se conhece e a cerveja sempre vem acompanhada de uma tapa generosa, melhor ainda. O Casa Zoilo, também no bairro de Lavapiés, é assim. Tem um estilo classe trabalhadora, os garçons são ótimos, eles têm opções vegetarianas e você encontra tanto cervejas artesanais quanto industriais.

Endereço: Calle de la Huerta del Bayo, 4 (metrô Tirso de Molina)

Horário de funcionamento: terças a sábados, das 12h às 16h e das 20h à 0h30. Aos domingos, fecha um pouquinho mais cedo, à 0h. Fechado às segundas.

 

Matadero  + Madrid Río

Madrid, Matadero

Foto: Larissa Andrade

O Matadero, antigo matadouro de animais, é atualmente um dos principais centros culturais da cidade. Como está um pouco afastado do centro, muitos turistas não vão até lá, o que considero um erro. Além de ter uma sala de cinema linda e especializada em documentários, a cantina é uma delícia e sempre tem alguma atividade cultural rolando. Minha dica é: alugue uma das bicicletas públicas e vá até o Matadero de bicicleta pelo Madrid Río, um parque que está nas margens do rio Manzanares. Você vai ver Madrid de um jeito diferente e super bonito!

Endereço: Paseo de la Chopera, 14 – (metrô Legazpi)

Horário de funcionamento: todos os dias, das 9h às 22h

 

Museu Sorolla

Madrid, Museo Sorolla

Foto: Larissa Andrade

Madrid tem importantes museus, como o Prado e o Reina Sofía, onde você vai encontrar obras de grandes mestres, como Velázquez, Rubens, Picasso e Dalí. Mas a cidade oferece opções menores, mas muito interessantes, como a Casa Museu de Joaquín Sorolla, que foi a residência do pintor e abriga grande parte de sua obra. Vale a visita pelas duas coisas e é impossível não se impressionar com as obras do artista.

Endereço: Paseo del General Martínez Campos, 37 (metrô Gregorio Marañón ou Ruben Darío)

Horário de funcionamento: terças a sábados, das 9h30 às 20h. Domingos, das 10h às 15h. Fechado às segundas.

 

Cafeteria Santa Eulalia

Madrid, Santa Eulalia Boulangerie Patisserie

Foto: Facebook/Santa Eulalia Boulangerie Patisserie

A capital espanhola, como muitas outras cidades europeias, foi delimitada no passado por uma muralha. Na verdade, duas! Uma muçulmana, construída no século IX, e outra cristã, dos séculos XI e XII e que aproveitou partes da primeira. Infelizmente, apenas pequenas partes das muralhas são conservados e um dos lugares onde você pode vê-las é na Cafeteria Santa Eulalia, que também tem pães, croissants e doces deliciosos em um ambiente moderninho.

Foto: Larissa Andrade

Endereço: Calle Espejo, 12 (metrô Ópera)

Horário de funcionamento: terças a sábados, das 9h30 às 20h. Domingos, das 9h30 às 15h. Fechada às segundas.

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Lyon: uma cidade que vai te ganhar pelo estômago

Direto ao ponto: come-se MUITO bem em Lyon. A cidade é uma referência internacional na gastronomia, graças aos seus chefs renomados e restaurantes repletos de estrelas Michelin. Não é preciso…

Direto ao ponto: come-se MUITO bem em Lyon. A cidade é uma referência internacional na gastronomia, graças aos seus chefs renomados e restaurantes repletos de estrelas Michelin. Não é preciso muito esforço para encontrar uma boa refeição na cidade. Em Vieux Lyon e na região da Presqu’Île, dá para você escolher o lugar onde vai almoçar/jantar na base do uni-duni-tê. E com pouquíssimas chances de errar.

A tradição da cozinha vem do século 19, com a origem das Mères Lyonnaises. Eram mulheres que trabalhavam como cozinheiras nas casas de famílias burguesas. Elas se propunham a preparar pratos com ingredientes baratos e típicos da região. No período entre guerras, que coincidiu com a Grande Depressão de 1929, as Mères Lyonnaises viraram empreendedoras. Abriram seus restaurantes e começaram a construir a reputação da gastronomia da cidade.

Com a simplicidades das Mères, nasceu outra tradição: a dos bouchons. Este nome é dado aos restaurantes típicos de Lyon, que precisam atender a algumas características. Toalhas de mesa xadrez, decoração pitoresca, ambiente quase residencial, bom atendimento e pratos típicos. Apenas 22 restaurantes são reconhecidos como autênticos bouchons lyonnais por uma associação ligada ao ente turístico da cidade. A lista completa está aqui: http://lesbouchonslyonnais.org/

A logomarca que você vai encontrar nos bouchons legítimos


Mas há muitos bons restaurantes em Lyon, ainda que não tenham o selo oficial dos bouchons. Vou listar alguns onde comemos na nossa viagem em fevereiro de 2016.

Bouchon des Cordeliers

Obedece às tradições dos bouchons, mas não tem o selo oficial. Sofisticado e acolhedor, tem um cardápio repleto de especialidades lyonnaises. O restaurante oferece dois menus com entrada + prato principal + queijo ou sobremesa. O menu des canuts custa € 26,50 e dá direito a escolher qualquer item do cardápio. O menu des gones custa € 19,50 e tem opções mais limitadas.

Foto: Divulgação

De entrada, a Janaína escolheu o Saumon Gravelax, que é uma espécie de carpaccio de salmão curado com creme de cebolinha e presunto de parma. Eu fui na Salade Lyonnaise, que além das folhas, tinha cubos de carne de porco frita! Se você procura uma salada fitness, pule esse prato!

A salada lyonnaise do Bouchon des Cordeliers

Saumon Gravelax do Bouchon des Cordeliers. Foto: Leonardo Aquino

Pratos principais: a Janaína foi de salmão outra vez. Um salmão assado com risoto de lula feito de arroz negro. Espetacular! Foi a melhor refeição da viagem. Minha escolha foi mais sem graça: uma carne grelhada com molho de vinho do Porto. Muito boa, mas não tão deliciosa quanto o salmão.

O salmão com risoto de arroz negro, o prato campeão! Foto: Leonardo Aquino

Foto: Leonardo Aquino

De sobremesa, a Janaína foi de uma torta de pralinê com sorvete de creme. E eu, de crème brûlée. Nenhum dos dois foi inesquecível. Mas já estávamos bem satisfeitos com boa comida.

É bom fazer reserva para ir ao Bouchon des Cordeliers. Além de todos os contatos, o site do restaurante também tem o cardápio completo: http://www.bouchondescordeliers.com/

 

Les Halles de Lyon Paul Bocuse

É o mercado gastronômico da cidade. É batizado em homenagem a Paul Bocuse, o chef mais renomado de Lyon, que também é dono de várias brasseries na cidade. Pelos corredores de Les Halles, você vai encontrar um pouco de tudo. Queijos, vinhos, chocolates, carnes, peixes, frutos do mar… Tudo fresquinho e arrumado como se fossem vitrines de boutiques de shopping. Dá vontade de ter dois estômagos e recursos ilimitados para experimentar o máximo de coisas.

Foto: Leonardo Aquino

Há também vários restaurantes típicos. Para almoçar ou jantar, sempre há boas opções. Mas é bom consultar antes porque nem todos os locais têm o mesmo horário de funcionamento. O site do mercado é http://www.halles-de-lyon-paulbocuse.com/

Paul Bocuse homenageado num dos “murs paintés” de Lyon. Foto: Leonardo Aquino

Chez Les Gones

É um dos bouchons localizados em Les Halles de Lyon. Ele tem um balcão no piso térreo e um salão bem mais espaçoso no terraço. Também não possui o selo oficial dos bouchons, mas tem ótimos pratos típicos. Possui três tipos de menu. O Menu Bistrot (€ 19) tem entrada + prato principal ou queijo ou sobremesa. O Menu Des Gones (€ 23) tem entrada + prato principal + queijo ou sobremesa. O mais completo é o Menu Des Halles (€ 26,50), com entrada + prato principal + queijo + sobremesa.

Foto: Divulgação – Les Halles de Lyon

Só fiz o registro dos nossos pratos principais. A Janaína escolheu um tartare de carne. Muito bem servido e bem temperado! Eu fui numa das especialidades lyonnaises: a quenelle, uma espécie de bolinho de carne ou peixe. A carne ou peixe é processada e ligada com clara de ovo, nata, ovos ou manteiga e farinha. O sabor é o de uma massa recheada, como um ravióli. Mas com temperos bem típicos da França.

À direita, a famosa quennelle. Foto: Leonardo Aquino

O tartare de carne do Chez Les Gones. Foto: Leonardo Aquino

L’Un de Sens

Esse está mais para bistrô do que para bouchon. Ambiente sofisticado e atenção simples. Apenas dois funcionários (um na cozinha e outro no salão) e um menu bem enxuto. A opção de menu do dia é trazida num quadro escrito a giz pelo funcionário do salão. E há um ambiente bem interessante: a adega subterrânea, com jeito de caverna, onde você também pode sentar.

A cave do L’Un de Sens. Foto: Divulgação

Escolhi um prato que talvez seja mais nacional que regional: o magret de canard (peito de pato) assado, com uma redução de framboesa. Estava delicioso! A Janaína escolheu o prato do dia: um atum com molho de mariscos e legumes ao vapor. Disse que não estava tão bom assim. Não teve a mesma sorte…

O magret de canard do L’Un de Sens. Foto: Leonardo Aquino

Foto: Leonardo Aquino

Para ver o cardápio e outras informações sobre o L’Un De Sens, veja a página do restaurante no Facebook: https://www.facebook.com/Lundessens69/

 

Nord Sud Brasseries

Não chegamos a ir em nenhuma deles, mas vale o registro da dica. São os restaurantes mais “populares” do chef Paul Bocuse em Lyon. “Brasserie” é o nome dado a restaurantes com ambiente mais descontraídos (para os padrões franceses, claro). Os principais de Bocuse levam os nomes dos pontos cardeais, dependendo de onde ficam no mapa da cidade: Nord, Sud, Est e Ouest. Além disso, há outras quatro unidades, uma delas dentro do estádio do Olympique Lyonnais!

Brasserie des Lumières, dentro do estádio do Olympique Lyonnais! Foto: Divulgação


Cada uma das Brasseries Nord Sud tem seu cardápio específico dedicado a uma região da França. E todos têm cardápios de inverno e de verão. Então ir em épocas diferentes pode significar experiências completamente distintas. Todos os restaurantes oferecem menus fechados: € 23,10 para dois pratos e € 26,50 para três. O Juninho Pernambucano, quando deu suas dicas sobre Lyon, indicou a Brasserie L’Ouest, onde costumava ir quando morava na cidade.

Brasserie L’Ouest, a favorita de Juninho Pernambucano. Foto: Divulgação

Os endereços, cardápios e contatos para reservas de todas as brasseries do grupo estão no site: http://www.nordsudbrasseries.com/

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Bruxelas: roteiro de dois dias na cidade – parte 2

O nosso primeiro dia em Bruxelas foi contado neste post. Andamos bastante pelo centro, ao redor da Grand Place e já experimentamos algumas cervejas e o famoso moules frites (mexilhão…

O nosso primeiro dia em Bruxelas foi contado neste post. Andamos bastante pelo centro, ao redor da Grand Place e já experimentamos algumas cervejas e o famoso moules frites (mexilhão com batatas fritas), típico da cozinha belga. O segundo dia foi muito mais movimentado, com ainda mais andanças e cervejas!

OBS: Os preços relatados neste texto são referentes a fevereiro de 2017. Em relação a ingressos de museus, eles correspondem à tarifa individual para adultos. Para saber sobre outros tipos de tarifas, acesse os sites dos museus listados ao longo do post.

 

Parc de Bruxelles e Palais Royal de Bruxelles

Começamos o segundo dia pegando o metrô até a estação Parc para conhecer o Parc de Bruxelles. Como era inverno, o parque não estava nos seus melhores dias. Árvores sem folhas, paisagem sem cor, trilhas com pouquíssima gente. Serviu apenas para dar o check em um lugar da cidade.

Em frente ao parque, está uma das pérolas arquitetônicas da cidade: o Palais Royal de Bruxelles. Apesar de ser uma construção dos anos 1700, o palácio só ganhou a cara de hoje no século 20, quando foi construída a fachada em estilo neoclássico. Os jardins foram ampliados, assim como a rua em frente ao palácio. Ele não funciona como residência oficial da monarquia belga, e sim como gabinete do rei e local de audiências. Anexo ao palácio, está o museu Belvue (http://belvue.be, 7 euros), cuja coleção conta a história e a essência da Bélgica. Os objetos vão desde uma litografia do artista surrealista René Magritte até uma bola de futebol autografada pelos jogadores da seleção belga.

O Palácio Real de Bruxelas e seu belo jardim

Museus e mais museus

Por falar em museus, a Place Royale (que você alcança se dobrar a primeira esquina à esquerda do Palais Royal), está cheia deles. O Coudenberg (https://coudenberg.brussels, 7 euros o ingresso para adulto) tem temática medieval. Os Museus Reais de Belas Artes (https://www.fine-arts-museum.be/en/museums) compreendem um conjunto de seis museus segmentados: Fin-de-Siècle, Old Masters, Modern, Magritte, Meunier e Wiertz.  Os dois últimos têm entrada gratuita. O ingresso para cada uma das outras salas custa 8 euros, mas é possível comprar um combo com direito aos quatro museus por 13 euros.

Mas tem um museu na região da Place Royale que se destaca desde a fachada: o Museu de Instrumentos Musicais (http://www.mim.be, 8 euros). Ele fica num edifício do final do século 19, que a princípio abrigava uma grande loja chamada Old England. A fachada é em ferro e tem estilo neoclássico. A coleção do museu (que começou a ser reunida em 1877) só foi parar no edifício no ano 2000. São 7 mil instrumentos de várias partes do mundo, de várias épocas e estilos. Um dos andares, por exemplo, é dedicado a coleções mecânicas, elétricas e eletrônicas.

Fachada do Museu de Instrumentos Musicais

Centre Belge de la Bande Dessinée

Saindo de lá pelo Jardim do Mont des Arts (um dos pontos de encontros de Bruxelas), seguimos caminhando na direção norte. Passamos novamente pela estação Bruxelles Central, pela Catedral da cidade e chegamos ao Centre Belge de la Bande Dessinée (https://www.cbbd.be, 10 euros). É um museu dedicado às histórias em quadrinhos produzidas no país. Entre as principais criações dos cartunistas e desenhistas belgas, estão o Tintim e os Smurfs, que merecem alas especiais no museu. Há também uma sala de leitura e uma lojinha muito bem servida.

Centre Belge de la Bande Dessinée

Pegamos um ônibus até a avenida à beira do canal na parte noroeste da cidade para almoçar no Café Walvis. É um bar tradicional de Bruxelas, com pé direito alto e que funciona durante quase o dia inteiro. De dia, dá para tomar algumas cervejas locais ou comer um dos plats du jour por 10 euros. À noite, sempre há música ao vivo, com apresentações de folk, rock e (quase sempre) eletrônica.

Atomium

Depois do almoço, decidimos encarar nosso percurso mais longo na passagem por Bruxelas. Uma combinação de tram + metrô (descendo na estação Heysel) para conhecer o Atomium (http://atomium.be, 12 euros). É um dos cartões postais da cidade, daqueles que viram ímã e chaveirinho. A versão gigante de um cristal elementar de ferro tem 102 metros de altura e nove esferas com 18 metros de diâmetro.

Você já deve ter visto esse gigante por aí

O Atomium foi desenhado para a Feira Mundial de Bruxelas de 1958 e simboliza, supostamente, o desejo de paz entre as nações e a fé no progresso técnico e científico. Três das nove esferas funcionam como espaço para exposições. Mas tem quem nem se interesse pela subida. A todo momento tem gente nas redondezas tentando tirar fotos com aquele efeito de ~perspectiva divertida~ com o Atomium no fundo.

Nos arredores do Atomium

Além do gigante metálico, as redondezas da estação Heysel têm outras atrações de Bruxelas. Uma delas é o ADAM, sigla em inglês para Museu de Arte e Design do Atomium (http://www.adamuseum.be, 10 euros ou 17 euros num combo de ingressos com o Atomium). Também dá para conhecer o parque temático Mini Europe (http://www.minieurope.com, 15,30 euros), que tem versões diminutas de vários pontos turísticos do continente. Da Torre Eiffel à Abadia de Westminster. Quem gosta de futebol também pode visitar o estádio Rei Balduíno (http://www.prosportevent.be/, 6 euros), que tem uma tragédia em sua história. Em 1985, durante a final da Liga dos Campeões da Europa, torcedores do Liverpool e do Juventus entraram em confronto. A briga resultou na morte de 39 pessoas. O estádio foi reformado, rebatizado e passou muito tempo recebendo apenas competições de atletismo.

Brasserie Cantillon

Da região norte da cidade, fizemos o caminho de volta (metrô + tram) para fazer um passeio que me deixava um pouco ansioso. Iríamos visitar uma fábrica artesanal de cerveja. Escolhemos a Cantillon (https://www.cantillon.be, 7 euros) porque era a mais interessante que ficava dentro da cidade. Ela é especializada em cervejas de fermentação natural, do tipo lambic, gueuze e kriek.

A visita é de fato à fábrica, e não a parques temáticos montados pelas grandes cervejarias globais como a Heineken e a Guinness. Você conhece o processo passo a passo, com os funcionários em suas jornadas normais de trabalho. Ao fim da visita, o ingresso dá direito à degustação de dois tipos de cerveja. Se você está acostumado a tomar apenas as nossas “cervejas de supermercado”, nem vai reconhecer a lambic como cerveja. Ela tem uma acidez semelhante à do vinho. Particularmente, não gostei. Mas achei a visita bem interessante.

Assim como o vinho, as cervejas da Cantillon são envelhecidas em barris

Não tem cor, nem cheiro nem gosto de cerveja. Mas é cerveja

Já falei em cerveja?

Para terminar a jornada, guardamos a noite para dar uma volta na região da Bourse, onde estão concentrados muitos bares. Você pode escolher quase que aleatoriamente: dificilmente vai errar. Fomos no queridinho dos turistas, o Delirium Café (http://www.deliriumcafe.be/). Na porta, a quantidade de gente fumando já dava o aviso: o lugar lota sempre. E assim estava. Nossa sorte é que tem um ambiente menos badalado no andar de cima (o Hoppy Loft), onde pudemos sentar numa boa.

O Delirium é o bar oficial de uma das cervejas belgas mais conhecidas mundialmente. Você já deve tê-la visto por aí, com o seu elefantinho rosa no rótulo. Mas o bar não vende apenas as cervejas da marca. São cerca de 2 mil rótulos, entre garrafas e barris. Você vive duas vezes e não consegue experimentar tudo. Se um bar lotado não for problema para você, não deixe de ir. Mas se você preferir algo mais tranquilo, a região da Bourse vai ter outras opções não só de cerveja, como de batatas fritas e waffles ao longo de todo o dia.

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Berlim: 6 segredinhos para descobrir na capital alemã

Uma metrópole pode oferecer a seus visitantes infinitos tipos de experiência. Quanto maior a cidade, mais facetas ela tem. Vida noturna ou passeios ao ar livre. Museus de renome internacional…

Uma metrópole pode oferecer a seus visitantes infinitos tipos de experiência. Quanto maior a cidade, mais facetas ela tem. Vida noturna ou passeios ao ar livre. Museus de renome internacional ou galerias conhecidas apenas pelos artistas locais. Restaurantes de franquia ou bistrôs familiares. Berlim é uma dessas cidades e cada ida até lá pode ter roteiros completamente distintos uns dos outros.

Estive na capital alemã em junho de 2015 e fiz um roteiro mesclado. Primeiro, listei locais nos quais já tinha interesse, como a Siegessaule, o Museu da Alemanha Oriental e a rota temática de David Bowie (sobre a qual escrevi neste post). Segundo, deixei um espaço para indicações de amigos e para descobertas aleatórias (que quase sempre são as melhores de uma viagem).

Resolvi compartilhar com vocês alguns desses achados que fiz. Assim, você que está planejando uma viagem a Berlim pode incluir essas dicas no seu roteiro. Pode confiar como se fosse um velho amigo!

 

Shiso Burger

Foto: awesomeberlin.net

Foto: awesomeberlin.net

É um lugar que mistura gloriosamente a culinária asiática e a cultura do hambúrguer. As receitas são todas autorais e contém algum detalhe oriental. Seja pelas folhas de shiso (uma planta parente da hortelã muito popular no Japão), pelo molho teriyaki ou pelo chili coreano.

Foi o lugar onde fiz minha primeira refeição em Berlim e garanto a vocês que a viagem não poderia ter um começo melhor. Escolhi o Chili Lemon Burger. Além dos ingredientes padrão de um sanduba (queijo cheddar, alface, tomate, picles, cebolas) e da maionese de limão e do chili que o batizam, ele tinha COENTRO. Sim, folhas de coentro no hambúrguer! Nunca imaginei que sairia do Recife para comer um sanduíche com coentro na Alemanha. Mas o resultado foi delicioso.

A emoção de ver um sanduba com COENTRO em Berlim foi tão grande que até tremi a foto

A emoção de ver um sanduba com COENTRO em Berlim foi tão grande que até tremi a foto

O menu completo do Shiso Burger pode ser conferido no site do restaurante. Todos os sandubas de carne são feitos com bife Angus, podendo-se fazer um upgrade para Wagyu (raça que produz o Kobe Beef) por 2,90 euros. Há opções vegetarianas como o Toad Burger (com cogumelos Portobello) e o Veggie Burger (com tofu e berinjela grelhada).

Um detalhe muito importante: leve dinheiro em espécie porque o Shiso não aceita cartões!

 

Endereço: Auguststr. 29c. 10119 Berlin Mitte
Site: http://en.shisoburger.de/
Facebook: https://www.facebook.com/ShisoBurger/

 

MacLaren’s Pub

It´s gonna be legen... wait for it... DARY!

It´s gonna be legen… wait for it… DARY!

Quem assistiu (ou ainda assiste) à série How I Met Your Mother, sabe que o epicentro de quase todos os episódios é o pub favorito dos protagonistas, o MacLaren´s. Quando fui a Nova York, em setembro de 2013, conheci o McGee´s, pub que inspirou a série e que tem várias fotos alusivas a ela nas paredes. Mas foi em Berlim que descobri uma réplica absolutamente fiel e com cinco estrelas na categoria “local temático”.

O MacLaren´s alemão não tem apenas o nome idêntico ao do pub da série. A fachada e o letreiro principal são iguais. No interior do bar, há vários itens que os fãs de HIMYM reconhecerão num piscar de olhos. A trombeta azul, a faixa com a palavra “Intervention” e o guarda-chuva amarelo estão lá (e alguns deles estão à venda).

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O cardápio também tem itens inspirados nas histórias da série. Os drinks e shots têm nomes como “Sex In Ted´s Room”, “Robin Sparkles” e “The Naked Man”. E os cinco tipos de hambúrgueres levam os nomes dos personagens principais. Awesome!

 

Endereço: Boxhagener Strasse 16. 10245 Berlin
Site: http://www.maclarens.de/
Facebook: https://www.facebook.com/maclarenspubberlin/

 

Tarantino’s Bar

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Foto: Divulgação

Já que falamos em bar temático, este aqui é uma parada obrigatória para os fãs de cinema. O legado de Quentin Tarantino está em toda parte. Pôsteres nas paredes, filmes sendo exibidos num telão (não tão “ão” assim, afinal não é um cinema) e uma iluminação avermelhada à la Pulp Fiction. Apesar de ter happy hours com drinks a 5 euros de terça a quinta-feira (das 19h à meia-noite), é uma ótima pedida para um fim de noite. Sexta-feira é dia de DJs na casa, tornando o Tarantino´s uma das grandes indicações para a noite de Berlim. Dizem que o Tarantino em pessoa já esteve no bar que o homenageia, assim como atores habitués dos filmes dele, como Brad Pitt.

 

Endereço: Brunnenstr, 163. 10119 Berlin
Site: http://tarantinos-bar.de/

 

Museu de Instrumentos Musicais (Musikinstrumenten-Museum)

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Esta foi uma descoberta completamente aleatória. Andando por perto do Sony Center, na Potsdamer Platz, o letreiro deste museu me chamou a atenção, ainda que fosse discreto. Paguei os 6 euros da entrada e não me arrependi. O acervo de instrumentos musicais é impressionante. Há peças originárias do século 16 em diante. Muitos deles são restaurados pelo próprio museu. O acervo tem 3300 itens, mas apenas 800 estão em exibição. Imagine as relíquias que ainda estão sem condições de expor!

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Há instrumentos barrocos, precursores dos sintetizadores e um gigantesco órgão Wurlitzer. Ele foi construído em 1929 para fazer a trilha sonora ao vivo de filmes mudos no cinema. Tem mais de 1200 canos e ainda funciona perfeitamente. Uma performance ao vivo no órgão é feita ao final dos passeios guiados, realizados às quintas-feiras (18h) e sábados (11h).

O órgão Wurlitzer gigantesco

O órgão Wurlitzer gigantesco

Se você quiser explorar um pouco mais, há também uma biblioteca especializada em música. O museu faz parte do Fórum Cultural de Berlim, que fica localizado atrás do prédio da famosa Orquestra Filarmônica da cidade.

Endereço: Tiergartenstr, 1. 10785 Berlin
Site: http://www.mim-berlin.de/

 

Mustafa’s Gemüse Kebab

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Outra descoberta quase aleatória que fiz em Berlim. Estava andando com um casal de amigos em Kreuzberg, um bairro que é conhecido por abrigar a enorme colônia turca na cidade. Fizemos a associação imediata e tivemos a ideia de comer kebab. Procurando pelo Foursquare, encontrei a dica deste aqui e fomos andando atrás. Chegando perto, já vimos uma fila deste tamanho em frente a um quiosque na calçada.

A fila do kebab. Imagina se fosse de graça...

A fila do kebab. Imagina se fosse de graça…

Era um meio de tarde de uma sexta-feira. Ou seja: não deveria ser horário de pico. Então a fila deveria ser sinal de comida boa, e não de atendimento ruim. Banquei a escolha, apesar da enorme fome que sentíamos. Foram cerca de 45 minutos na fila e digo a vocês: a espera valeu cada volta dos ponteiros do relógio.

Quase uma hora depois, um kebab que nunca esqueci

Quase uma hora depois, um kebab que nunca esqueci

Pense num kebab delicioso! O pão tostadinho na medida e o recheio absurdamente bem temperado. E o melhor de tudo: super barato. De 2,90 a 3,90 euros, dependendo do tipo (döner ou durum). E, apesar da fila gigantesca, os kebabs saem bem rápido. Coisa de você esperar menos de 2 minutos quando chega a sua vez. Para nós, ficou a lição: tente saber muito bem a fila que você vai enfrentar.

 

Endereço: Mehringdamm 32, 10961 Berlin
Site: www.mustafas.de
Facebook: https://www.facebook.com/mustafasgemuesekebab/

 

Ständige Vertretung

Lá onde a coruja bebe

Lá onde a coruja bebe

Outro bar que descobrimos por acaso nesta viagem em junho de 2015. Éramos eu e mais quatro amigos que estávamos frustrados por não ter conseguido ingressos para a final da Champions League. Procuramos um bom lugar para assistir ao jogo e rodamos várias partes da cidade. Todos lotados. Até que encontramos este aqui que tinha uma mesinha disponível e suficiente para nós.

Por causa do nome difícil de pronunciar (para quem não fala alemão como eu) e da logomarca, informalmente batizei o local de “Bar da Coruja”. Aos poucos fui entendendo do que se tratava. É um bar regional, dedicado às tradições da Renânia, a região ocidental da Alemanha que fica junto ao rio Reno. Além das cervejas e das comidas típicas de lá (da cidade de Colônia, por exemplo), o bar oferece um bom mergulho na história política recente da Alemanha.

Antes de ser a premiê da Alemanha, Angela Merkel tomou umas por aqui. Foto: Divulgação

Antes de ser a premiê da Alemanha, Angela Merkel tomou umas por aqui. Foto: Divulgação

A tradução do nome do bar para o português é algo como “representação temporária”. Na época da Alemanha dividida, as repúblicas Oriental e Ocidental não tinham embaixadas do outro lado do muro. E sim as representações temporárias. A capital do lado comunista era Bonn, que fica na Renânia e fez com que essa região tivesse uma importância histórica muito grande no país. Fotos de políticos em visita ao bar decoram algumas paredes. E os donos sempre estão por lá. Um deles, Friedel Drautzburg, assistiu à final da Champions quase ao nosso lado.

Seu Fulano, impressionado com o Neymar

Seu Friedel, impressionado com o Neymar

Endereço: Schiffbauerdamm 8, 10117 Berlin
Site: http://www.staev.de/
Facebook: https://www.facebook.com/staevberlin

Nenhum comentário em Berlim: 6 segredinhos para descobrir na capital alemã

Recife: dicas para curtir a cidade como um morador

Se tem uma coisa que cai por terra assim que você conhece bem o Recife é o mau e velho estereótipo. Basta um pouco de esforço e bons contatos ao…

Se tem uma coisa que cai por terra assim que você conhece bem o Recife é o mau e velho estereótipo. Basta um pouco de esforço e bons contatos ao viajante. Bem rapidinho, todas aquelas ideias pré-concebidas sobre uma cidade desaparecem.

Assim como quase todas as capitais do Nordeste, a de Pernambuco tem praia. Mas possui uma vida intensa e interessantíssima fora dela. O carnaval é um dos mais animados do Brasil. Mas quem quiser curtir a cidade fora de fevereiro vai gamar do mesmo jeito que um folião no Marco Zero. Talvez a única coisa que não vá lhe surpreender no Recife é o bairrismo de sua gente. Ai de você se não concordar que o Sport é o maior clube do Nordeste ou que a Caxangá é a maior avenida do mundo em linha reta…

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Ou seja, o Recife tem pratos cheios para os visitantes que não se limitam às indicações dos guias tradicionais. A água de coco na beira da praia está lá, mas os inferninhos alternativos também. A foto com a sombrinha de frevo no Recife Antigo sempre é uma possibilidade, mas por que não conhecer museus que muitos moradores nunca visitaram? E, em vez de comer naquele restaurante de franquia que tem em toda capital, por que não ir atrás de algum mais autêntico?

 

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Moro no Recife desde 2011, tempo suficiente para abandonar as dicas campeãs da mesmice e mapear a cidade do jeito que eu curto: um lado B que mistura lugares pouco badalados, tradições que valem a pena e boas novidades. Separei aqui algumas indicações que vão servir tanto para quem visita a cidade pela primeira vez quanto para os moradores. Espero que curtam!

Para comer caranguejo – CANECA FINA 

Caranguejo pernambucano é caranguejo COM VERDURA

Caranguejo pernambucano é caranguejo COM VERDURA

O movimento manguebeat trouxe o caranguejo para o imaginário de quem não conhece o Recife. Então é inevitável que os apreciadores do crustáceo sintam suspiros na cidade. Esses aí precisam conhecer o Caneca Fina, um restaurante que fica no bairro da Madalena, na Zona Norte da cidade, e funciona de domingo a domingo.

O ambiente é bem simples e não tem ar condicionado. Mas quem precisa de climatização quando se tem caranguejo? No Caneca, a unidade sai a partir de R$ 4,90, sem acompanhamentos. O restante do cardápio é dominado pela comida regional: tem desde arrumadinho de charque até tripinha frita, de dobradinha a sarapatel. Para acompanhar, a cerveja de lá está sempre geladíssima e com alguma promoção, tipo Devassa Puro Malte a R$ 6 ou Original a R$ 8.

Endereço: Av Visconde de Albuquerque, 807, Madalena
Telefone: (81) 3877.9001
Facebook: facebook.com/canecafina
Horário de funcionamento: segunda a quinta, das 11h30 às 23h45; sexta das 11h30 às 2h; sábado das 11h à 1h; domingo das 11h às 22h.

 

Para tomar cerveja sem medo de olhar a conta – BEERDOCK 

Foto: Facebook/Beerdock

Foto: Facebook/Beerdock

As cervejas artesanais estão na moda e toda grande cidade tem pelo menos um lugar dedicado a elas. Alguns são metidos a besta. Outros, mais simples. A maioria não entrega o que promete. E o Beerdock não se enquadra em nenhuma dessas descrições.

O bar foi inaugurado em 2015 e, mesmo com as portas recém-abertas, já se tornou o melhor lugar para tomar cervejas ~diferenciadas~ no Recife. O principal chamariz é a quantidade de torneiras: 15, um recorde na região Nordeste. Elas estão sempre abastecidas de chopes importados, nacionais e até locais (como Ekaut, Debron e Duvália). O ótimo atendimento também conta muito. O staff é extremamente atencioso e bem treinado para ajudar você a escolher entre as centenas de opções.

Os pontos negativos são dois. O primeiro é o preço. Tomar cerveja boa não é barato e, no Beerdock, se você se empolgar, gasta 100 reais estalando os dedos. O segundo é a lotação. Faz um bocado de tempo que não consigo ir lá à noite sem que o bar esteja cheio. À tarde ou no happy hour é mais fácil de conseguir um lugar sossegado.

Endereço: Rua Desembargador Luiz Salazar, 98, Madalena (fica a poucos metros do Caneca Fina)
Telefone: (81) 3236.2423
Facebook: facebook.com/beerdockrecife
Site: http://www.beerdockrecife.com.br (a lista de cervejas nas torneiras está sempre atualizada lá)
Horário de funcionamento: terça a quinta, das 17h à 0h; sexta das 17h à 1h; sábado das 12h à 1h; domingo das 12h às 19h; fechado segunda.

 

Para curtir o clima de albergue sem se hospedar em um – RAMÓN HOSTEL BAR 

Foto: Divulgação / Ramón Hostel Bar

Foto: Divulgação / Ramón Hostel Bar

Quem já se hospedou num albergue sabe que, muitas vezes, nem é preciso sair dele para se divertir. Sempre tem gente de várias partes do mundo circulando pelo mesmo lobby, com a mente e sociabilidade abertas. Se houver um bar no meio, melhor ainda.

Mas e que tal você sentir essa atmosfera sem ser necessariamente um hóspede? Essa é a proposta do Ramón, que tem os dormitórios para os turistas e o bar aberto ao público. A decoração dá a dica: trata-se de um lugar internacional, criado por argentinos e visitado por outras tantas nacionalidades. Não é difícil ouvir um sotaque estrangeiro na mesa ao lado.

Há algumas especialidades argentinas no menu, como empanadas e choripán. Mas se tem uma coisa imperdível para comer lá são as pizzas, crocantes e deliciosas. A carta de drinks também é bem variada, com coquetéis clássicos e alguns autorais.

Endereço: Rua Olavo Bilac, 20, Boa Viagem
Telefone: (81) 3036.6930
Facebook: facebook.com/ramonhostelbar
Site: http://www.ramonhostelbar.com.br/
Horário de funcionamento: segundo a página no FB, o Ramón está “sempre aberto”. Mas, pelo que sei, o bar abre às 17h

 

Para a boemia de mercado – O BRAGANTINO 

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Beber no mercado é um hábito bastante apreciado pelos recifenses. Entre os mercados mais visitados pelos boêmios da cidade, estão o da Madalena, o da Boa Vista e o da Encruzilhada, onde fica o Bragantino. É um boteco português, como as bandeiras no salão denunciam. Lá você pode encontrar de tudo, inclusive comida portuguesa.

O Bragantino abre diariamente às 7h para o café da manhã. A essa hora do dia, o bar serve o desjejum dos nordestinos campeões: tem inhame, macaxeira, cuscuz (acompanhados de guisado, galinha ou bife), carne de sol, cabrito e rabada. No almoço, além dos pratos regionais (como galinha cabidela e chambaril), há opções especiais a cada dia. Terças e sábados tem bacalhau frito, afinal estamos falando de um boteco português.

E para não deixar as raízes lusitanas pouco cobertas, experimente o bolinho de bacalhau (que é pequeno porém muito bem recheado), a salada de bacalhau ou o pastel de nata, ora pois!

Endereço: Mercado da Encruzilhada
Telefone: (81) 99421.0926
Facebook: https://www.facebook.com/O-Bragantino-235756603131264/
Horário de funcionamento: diariamente a partir das 7h. Domingo até 13h, segunda a quinta até 16h, sexta e sábado até 17h.

 

Para conhecer um lugar que muitos moradores nem conhecem – MUSEU DO TREM 

Fachada da Estação Central Capiba. Foto: Costa Neto / Cultura PE

Fachada da Estação Central Capiba. Foto: Costa Neto / Cultura PE

Quem anda pelo centro do Recife muitas vezes passa batido por alguns lugares de rara beleza escondidos no meio da pressa. Encravado entre a Casa de Cultura e a Estação Central do Metrô, está um deles: o Museu do Trem de Pernambuco.

O equipamento está localizado onde antes havia a estação da Estrada Ferroviária Central de Pernambuco. Funcionou como museu entre 1972 e 1983 e passou mais de trinta anos fechado até ser reaberto em 2014 com o nome de Estação Central Capiba (em homenagem ao lendário compositor de frevos) e Museu do Trem de Pernambuco. A estação passou por uma grande reforma, que valorizou a belíssima arquitetura e o riquíssimo acervo.

As peças expostas reconstroem a memória das ferrovias no Estado. O visitante encontra desde apitos, bilheterias e relógios até locomotivas e vagões. Além disso, há recursos multimídia para complementar o mergulho na história. E o melhor de tudo: a entrada é gratuita.

Endereço: Rua Floriano Peixoto, s/n, São José
Telefone: (81) 3184.3197
Horário de funcionamento: terça a sexta, das 9h às 17h; sábado das 10h às 17h; domingo das 10h às 14h; fechado segunda.
Site: http://www.cultura.pe.gov.br/pagina/espacosculturais/museudotrem/

 

Para uma noite num inferninho – IRAQ

Foto: Bernardo Dantas

Foto: Bernardo Dantas

O lugar se chama Iraq e fica na Rua do Sossego. Só essa gostosa ironia já valeria a visita, mas tem muito mais história envolvendo esta casa no bairro da Boa Vista. O Iraq é um reduto clássico do underground recifense. Sempre foi um ponto de convergência de artistas e gente alternativa em geral. Já funcionou muitos anos como bar durante toda a semana. Hoje abre as portas apenas para festinhas nos fins de semana.

O clima é de inferninho. Luz baixa, intervenções artísticas nas paredes, espaço que lota fácil. Não espere a infraestrutura ou a alma asséptica de um bar da moda. Mas pode contar com bons sons (se você gosta de indie rock e música alternativa), seja com DJs ou bandas autorais. Às vezes as festas precisam de uma senha para entrar (algo como “cidade roubada”, por exemplo). Nada que uma boa rede de contatos ou uma pesquisa no Facebook não resolva.

Endereço: Rua do Sossego, 179, Boa Vista
Telefone: (81) 98536.5235
Facebook: não tem página oficial
Horário de funcionamento: impossível prever…

 

Para experimentar um sushi verdadeiro – ROBATA SUSHI WADAMON

O tirashi de salmão do Wadamon

O tirashi de salmão do Wadamon

Se você é daqueles que acha que sushi frito e cream cheese na culinária japonesa são heresias, saiba que no Recife tem um lugar que vai lhe acolher com carinho. O Robatta Sushi Wadamon (ou simplesmente Wadamon) é quase um templo da tradição da cozinha oriental.

O dono e sushiman é Miyuki Wada (conhecido pelos frequentadores como “Seu Wada”), um japonês que tem restaurantes na cidade há mais de 30 anos. Ele gosta de conversar com os clientes e, se você gostar do papo, vai ser doutrinado com os protocolos da degustação de sushi. Uma das principais lições se resume na frase: “peixe no shoyu, shoyu na língua”. E ah, segundo Seu Wada, sushi se come com as mãos. Nada de pauzinhos.

Só no Wadamon, encontra-se pratos como o tirashi, que é uma tigela com arroz oriental coberta com cebolinha e peixe levemente selado. Além disso, o restaurante tem o sunomono mais gostoso que já experimentei na vida. Mas se você não quiser experimentar algo tão roots, Seu Wada também prepara os sushis fritos para os “queijudinhos” (algo como “meninos leite com pêra” em pernambuquês). Ah, e um detalhe legal: o cardápio é bilíngue, português-japonês.

O cardápio bilíngue

O cardápio bilíngue

Endereço: Rua Oliveira Góes, 250 – Poço da Panela
Telefone: (81) 3033-3301
Facebook: não tem
Horário de funcionamento: de quinta a terça, das 12h às 15h e das 18h às 23h; fechado quarta.

 

Para conhecer um bairro especial – POÇO DA PANELA

Foto: turismonorecife.com.br / Prefeitura do Recife

Foto: turismonorecife.com.br / Prefeitura do Recife

Quando me mudei para o Recife e ouvi o nome Poço da Panela pela primeira vez, pensei que fosse o nome de um bloco de carnaval ou algo do gênero. Passa longe de ser, ainda que exista uma relação entre a vizinhança e a folia. Pelas ruas do Poço, costumam passar alguns blocos nas prévias e durante o carnaval em si. O mais conhecido se chama Os Barba.

O Poço é um bairro que fica na zona norte do Recife. Ele tem um clima meio de condomínio, meio de cidade do interior. Ele tem ruas de paralelepípedos, praças e é repleto de lindas casas. Talvez seja o único bairro residencial em áreas nobres da cidade que não foi dominado pela verticalização. É o resquício da cidade do século 19. Nessa época, o bairro era o point das casas de veraneio de muitas famílias abastadas, já que fica perto das margens do rio Capibaribe.

Mas o Poço não é legal só para quem mora nele. Há muitos lugares interessantes para conhecer, comer e se divertir. Um deles é o Fuê, um gastrobar com loja de vinhos e cervejas especiais que recebe shows de jazz e música instrumental ao ar livre (mais informações na página do Fuê no Facebook). Outro é a Chá com Chita, uma loja de produtos de design que também tem um café. Não deixe de experimentar o bolo de laranja, que é sensacional (conheça mais da Chá com Chita na página do Facebook). Tem também a tradicional Bodega do Seu Vital, point da boemia do Poço e palco de festinhas de forró.

6 comentários em Recife: dicas para curtir a cidade como um morador

Belém: um guia da cidade que os guias não mostram

Belém está na moda e não é de hoje. Há pelo menos dez anos, a cidade anda pedindo passagem para o restante do Brasil, puxada pela música e pela gastronomia….

Belém está na moda e não é de hoje. Há pelo menos dez anos, a cidade anda pedindo passagem para o restante do Brasil, puxada pela música e pela gastronomia. Artistas nascidos na capital paraense emplacam temas de novela da Globo, fazem turnês nacionais e são tietados por ídolos mundiais em shows no exterior. Na cozinha, além do fato de a região amazônica ter ingredientes sem igual, Belém ainda tem visto surgir uma geração de jovens chefs. Eles releem as tradições e fazem com que os antigos segredos equatoriais da mesa virem tendências contemporâneas.

Por mais que você tenha visto um show de um músico de Belém por aí ou experimentado alguma comida paraense na sua cidade, eu lhe digo. Nada se compara a mergulhar na cidade. O mais curioso é que andar por Belém é quase mergulhar mesmo, graças à umidade do ar que frequentemente ultrapassa os 90%.

Foi em Belém que nasci em 1983, me formei jornalista em 2003 e de onde saí em 2011 para viver no Recife. Desde então, costumo ir pelo menos uma vez por ano à cidade. Graças a isso e à minha bem informada rede de amigos, estou sempre por dentro do que há de interessante surgindo na cidade. Novidades que nem sempre se tornam tão badaladas quanto Gaby Amarantos ou os irmãos Castanho. Ou segredos de bairro bem guardados pelos moradores. Seja qual for a origem, essas indicações merecem ser conhecidas e compartilhadas.

Pensando nisso, resolvi fazer esta compilação de dicas de Belém que estão fora do circuito tradicional. Quem vai à cidade já tem alguns lugares certos de visitar: Estação das Docas, Ver-o-Peso, Mangal das Garças, entre outros. Mas a riqueza da cidade se mostra justamente quando a gente decide ir além. Esse guia pode servir tanto para visitantes de primeira viagem quanto para belenenses que, por um ou outro motivo, não mergulharam tanto assim na cidade onde moram.

E caso tenha alguma atualização faltando sobre os lugares, gritem! Mandem bronca aí nos comentários!

 

Para aquela farra no meio de semana como se não houvesse trabalho amanhã: LAMBATERIA

Félix Robatto, a mente (ou a barba) por trás da Lambateria. Foto: Divulgação

Félix Robatto, a mente (ou a barba) por trás da Lambateria. Foto: Igor Chá

Félix Robatto é um cara que sabe como fazer as pessoas mexerem os quadris. Guitarrista talentoso, é como se tivesse um pouco de Carlos Santana, outra parte de David Gilmour e outra de Mestre Vieira. Tudo isso com uma barba comprida à la ZZ Top. Ele se tornou conhecido com a banda La Pupuña em 2005, dando uma roupagem mais pop à guitarrada amazônica. Agora está em carreira solo não só na música, mas também na produção de eventos.

Lambateria é a festa que Félix organiza todas as quintas-feiras e sempre tem shows de música paraense para remexer. Os convidados vão de grupos tradicionais de carimbó a expoentes da geração século 21 de Belém, como Lia Sophia e Felipe Cordeiro. Ah, e o próprio Félix também toca em todas as festas, com seu repertório que faz um crossover de referências amazônicas, latinas e de surf music. Vá dançar e se divertir sem culpa, como se o dia seguinte fosse feriado.

Uma quinta-feira qualquer na Lambateria. Foto: Divulgação

Uma quinta-feira qualquer na Lambateria. Foto: Igor Chá

Endereço: bar Fiteiro, na Av. Visconde de Souza Franco, 555. Os ingressos antecipados custam a partir de 15 reais. Na hora, custam 25.

Facebookhttp://www.facebook.com/lambateria

 

Para petiscos criativos com a cara de Belém: QUITANDA BOLONHA 

Foto: Facebook/Quitanda Bolonha

Foto: Facebook/Quitanda Bolonha

Antes de falar da Quitanda, é preciso explicar o local onde ela fica. O Mercado de Carne Francisco Bolonha, em frente ao Ver-o-Peso, é uma joia escondida. A fachada está encoberta por poluição visual e não há nada que remeta ao que tem dentro: um belo exemplar da “era do ferro” da arquitetura na Amazônia. Os pavilhões onde ficam os boxes, uma escada caracol no centro e as coberturas: tudo de ferro. As linhas são inspiradas no art nouveau e certamente há gente nascida em Belém que nunca as conferiu de perto. Eu mesmo só fui conhecer o mercado em 2015.

Pois bem: a Quitanda Bolonha é um gastrobar que ocupa dois boxes do mercado. O cardápio é de petiscos de boteco inventivos, criados com ingredientes regionais. Todos eles são batizados em homenagem a algumas expressões do vocabulário de Belém. Os camarões empanados na tapioca com redução de tucupi e jambu ganharam o nome “Di Rocha!”. A costelinha de leitão da Ilha de Marajó com dip de taperebá e pirão de tapioca se chama “Eu Choro!”.

Para completar, tem chopp da Amazon Beer (cervejaria local) e shows de carimbó, chorinho e música paraense em geral.

Endereço: Boulevard Castilhos França, s/n. Mercado de Carne Francisco Bolonha, em frente ao Ver-o-Peso.

Horário de funcionamento: terça, das 10 às 17h. De quarta a sábado, das 10 às 22h30. Domingo, das 10 às 17h. Fechado segunda.

Facebookhttps://www.facebook.com/quitanda.bolonha/

 

 

Para garimpar LPs importados e ver pocket shows: DISCOSAOLEO 

Foto: Facebook/Discosaoleo

Foto: Facebook/Discosaoleo

Belém também tem loja de discos – e das boas! Leo Bitar é um colecionador de LPs que em 2014 resolveu transformar o hobby em negócio. No porão da casa dele, no bairro da Campina, montou a Discosaoleo, um ambiente aconchegante, confortável e com um acervo incrível.

Foto: Facebook/Discosaoleo

Foto: Facebook/Discosaoleo

Sério mesmo: a loja pode não ter uma quantidade numerosa de discos, mas a qualidade deles é impressionante. Fruto da curadoria do próprio Leo, um cara apaixonado por música como poucos que conheci na vida. A especialidade é MPB e rock internacional. Tem edições raras, importadas, box sets, compactos e muito mais. A Discosaoleo também é um selo que já lançou em vinil artistas paraenses como Molho Negro e Ana Clara, assim como o recente EP “Música e Maresia” da cantora carioca Dulce Quental.

Além de vender discos, a loja eventualmente recebe pocket shows, aquelas apresentações intimistas em que bandas e músicos ficam bem juntinhos do público. A programação muitas vezes está atrelada a um projeto bem interessante chamado Circular (confira o site). É bom ficar de olho na agenda.

Em alguns pocket shows, a Discosaoleo vira inferninho. Foto: Facebook/Discosaoleo

Em alguns pocket shows, a Discosaoleo vira inferninho. Foto: Facebook/Discosaoleo

Endereço: Rua Campos Sales, 628. Telefone: (91) 3083-1758

Horário de funcionamento: de quarta a domingo, das 10 às 17h. Fechado segunda e terça.

Facebookhttps://www.facebook.com/discosaoleo/

 

Para os dependentes de glicose se esbaldarem – BRIGADERIE

Creme de cupuaçu com crumble de castanha do pará. Foto: Instagram/Brigaderie

Creme de cupuaçu com crumble de castanha do pará. Foto: Instagram/Brigaderie

Belém não tem Starbucks – ainda bem. Mas tem docerias como a Brigaderie, que podem te servir um ótimo café com um arsenal de doces incríveis para acompanhar. Grande parte do cardápio tem ingredientes regionais na base. Os churros, por exemplo, são de tapioca. Os macarons, de castanha-do-pará. E os recheios dos bombons, de bacuri, cupuaçu e outras frutas regionais.

Churros de tapioca com doce de leite

Churros de tapioca com doce de leite

A Brigaderie abre para café da manhã aos fins de semana. Aí, além dos doces, entram em campo os pães de produção própria. Tudo isso num ambiente bonito e acolhedor, inclusive para você arejar um pouco do home office ou fazer uma reunião de negócios de um jeito bem engordativo – mas com cada caloria valendo demais a pena. Além da loja, a Brigaderie também faz doces e bolos sob encomendas para eventos.

Endereço: Av. Serzedelo Corrêa, 715. Telefone: (91) 3223.5729

Horário de funcionamento: segunda de 14 às 20h30. Terça a sexta de 12 às 21h30. Sábado e domingo de 8 às 21h30.

Instagramhttps://www.instagram.com/brigaderie

 

Para uma experiência autêntica de pub em plena Amazônia: BLACK DOG ENGLISH PUB 

Foto: Facebook/Black Dog

Foto: Facebook/Black Dog

Pensei muito sobre colocar ou não o Black Dog nesta lista. Não por não merecer, e sim por já não ser mais um ~segredo~ da cidade. Mas dane-se: por mais que seja uma das primeiras indicações de muita gente em Belém, o Cachorro Preto (como o chamamos informalmente) vale muito a visita.

São dezenas de cervejas artesanais, nacionais e importadas, numa carta que sempre está se renovando. As torneiras de chopp sempre têm pelo menos um rótulo “top class high level”, como Guinness, Fuller´s ou Brew Dog. Para não deixar você falir, sempre há opções mais econômicas, como os chopps da Amazon Beer.

As torneiras do Cachorro Preto. Foto: Facebook/Black Dog

As torneiras do Cachorro Preto. Foto: Facebook/Black Dog

A cozinha também tem uma rotatividade interessante no cardápio. Seja pelos pratos e petiscos que se renovam, seja pela eventual presença de chefs convidados que fazem menus especiais para um dia. É ótimo para petiscar e também para conferir shows de rock, jazz e blues que rolam quase todos os dias. O pub fica no porão de um casarão antigo no bairro do Umarizal. Portanto, o pé direito é baixo. Se você tiver perto de 2 metros de altura, ficar em pé pode ser desconfortável.

Endereço: Rua Bernal do Couto, 791. Telefone: (91) 3199.2335

Horário de funcionamento: segunda a sábado, a partir das 18h.

Sitehttp://blackdogpub.com.br/

Facebookhttps://www.facebook.com/blackdogenglishpub/

 

Para ir a um brechó e a um bistrô num lugar só: CASA DO FAUNO

Foto: HC Fotografia

Foto: HC Fotografia

A Casa do Fauno reúne vários motivos para uma visita esperta a qualquer hora do dia. Aberta desde as 9 da manhã, a casa oferece uma carta de cafés para os dependentes da cafeína ou os apreciadores gourmet. Ao meio-dia tem cardápio de almoço, com saladas, risotos e pratos de cozinha de bistrô. À noite, a música toma conta. Às quintas, o palco é da música instrumental. Às sextas, cantores e cantoras ocupam o espaço. E durante todo o horário de funcionamento, há um sebo com um acervo de 3 mil livros e um brechó de roupas e acessórios com uma cuidadosa curadoria.

O imóvel onde fica a Casa do Fauno é uma atração à parte. Um prédio do século 19, com piso de madeira e pé direito alto, totalmente repaginado para o empreendimento. E o local dos shows é tão inusitado quanto instigante: o quintal da casa. A decoração utiliza elementos da própria edificação do imóvel, como madeira de demolição e vitrais.

Foto: HC Fotografia

Foto: HC Fotografia

Endereço: Travessa Aristides Lobo, 1061. Telefones: (91) 9 9808-2322 / 9 8705-0609

Horário de funcionamento: segunda a quarta, das 09h às 19h. Quinta a sábado, das 09h à meia-noite.

Facebookhttps://www.facebook.com/casadofaunobelem/

Sitehttp://casadofauno.com/

 

Para ir com crianças – PRAÇA DO HORTO 

Foto: João Gomes/Agência Belém

Foto: João Gomes/Agência Belém

A Praça do Horto ser um segredo de Belém parece até mentira. Afinal de contas, ela é muito bem localizada, cêntrica e perto de outros lugares bem visitáveis (Praça Batista Campos, Fox Vídeo ou o excêntrico Bar do Horto). Mas talvez o abandono sofrido por muitos anos tenha deixado a praça em segundo plano. Recém-reformada e reinaugurada em janeiro de 2015, o Horto se tornou um destino perfeito para famílias que desejam tirar as crianças de casa.

A praça tem um chalé, brinquedos e quiosques de alimentação. É um bom lugar para um café da manhã num fim de semana ou um lanche da tarde com a meninada. Há atividades regulares com oficinas de educação ambiental para as crianças. Para os adultos, sempre há algum evento como grupos de meditação e até encontro de food trucks.

Foto: Nailana Thiely/Ascom UEPA

Foto: Nailana Thiely/Ascom UEPA

Endereço: Rua dos Mundurucus, s/n, na esquina da Travessa Doutor Moraes.

Horário de funcionamento: todos os dias, das 8 às 18h

 

Para experimentar sopa de caranguejo – RESTAURANTE FLOR DE LIS

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Essa dica é do Vladimir Cunha, documentarista paraense: “É um restaurante muito tradicional no bairro da Marambaia que abriu recentemente uma filial no Reduto, em frente da sede do Quem São Eles (escola de samba). O forte deles é a sopa de caranguejo e o caldo verde”, conta.

Além das sopas, o Flor de Lis também tem pratos bem fartos e bem cotados entre a clientela, como a chapa mista, as patas de caranguejo e a carne de sol. Em algumas noites também há shows de MPB.

Endereço: Rua Esperanto, 4. Bairro da Marambaia. Telefone: (91) 3352-8470

Horário de atendimento: de terça a domingo, das 18h à meia-noite.

Facebookhttps://www.facebook.com/Restaurante-Flor-de-Lis-482903021732553/

 

Para comer peixe: AVUADO

Foto: Facebook/Avuado

Foto: Facebook/Avuado

Peixe em Belém é coisa séria. Só na região amazônica, você vai encontrar o filhote, que eu acho (e muitos amigos que nem paraense são também acham) o peixe mais saboroso do mundo. Uma carne macia e textura leve que, se bem cozida, quase derrete na boca.  Você certamente já deve ter ouvido falar no Remanso, o restaurante de peixe mais famoso de Belém. Mas, se quiser dar uma fugida das indicações de sempre, corra para o Avuado.

A dica deste novo restaurante é de outro amigo, o Marcel Arêde, que é produtor cultural e diretor da Amplicriativa. “O prato principal é o peixe avuado, feito na brasa com banana da terra, macaxeira cozida, arroz, farofa e vinagrete. Você pode escolher entre filhote ou pescada amarela e os peixes sempre são frescos, pescados no dia. O prato custa 75 reais e duas pessoas comem bem. Ainda tem caldeirada, caldeirada no tucupi, moqueca de peixe e camarão e moqueca de pirarucu”, conta.

Foto: Facebook/Avuado

Foto: Facebook/Avuado

E digo uma coisa a vocês: a curadoria do Marcel para dicas de Belém é espetacular. Ele mesmo fez um guia, de tanto que as pessoas pediam sugestões a ele. Colem no cara!

Endereço: Rua Dom Romualdo de Seixas, 823.

Horário de atendimento: das 11h30 às 15h e das 18h30 às 23h

Facebookhttps://www.facebook.com/avuadorestaurante

 

Para conhecer a fotografia de Belém: KAMARA KÓ

Foto: Facebook/Kamara Kó

Foto: Facebook/Kamara Kó

Há pelo menos três décadas, o Pará forma lotes e lotes de fotógrafos talentosos. Miguel Chikaoka, Octávio Cardoso, Walda Marques e Luiz Braga são alguns que lembro de cabeça. Isso sem contar com os das gerações mais recentes, que surgem a todo tempo. Se você é de Belém e não conhecia essa turma ou se você curte fotografia e está de passagem pela cidade, um lugar para ir é a Kamara Kó.

A dica é da amiga Adelaide Oliveira, jornalista e presidente da Fundação Paraense de Radiodifusão, a Funtelpa. “A Kamara Kó é uma galeria de fotografia que reúne obras de vários artistas e fotógrafos da cidade. Fica num casarão antigo no bairro da Campina e sempre tem exposições legais. De quebra, ainda tem a Makiko Akao como curadora e proprietária, uma figura simpaticíssima. No casarão, tem um quintalzinho delícia para tomarmos um chá ou café e ouvir um pouco sobre fotografia paraense”, conta.

Foto: Facebook/Kamara Kó

Foto: Facebook/Kamara Kó

Makiko também é idealizadora do projeto Circular, do qual falamos na dica da Discosaoleo. Vale muito conhecer o projeto, além da galeria.

Endereço: Trav. Frutuoso Guimarães, 611 – Campina.  Telefones: (91) 3261-4809 / (91) 3261-4240

Horário de funcionamento: terça a sábado, das 15 às 19h. Sábado das 10 às 13h. Fechado domingo e segunda.

Facebookhttps://www.facebook.com/kamarakogaleria/?fref=ts

Sitehttp://kamarakogaleria.com.br/

 

31 comentários em Belém: um guia da cidade que os guias não mostram

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