Mochileza

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Roteiros e viagens de mochila sem sufoco

Tag: música

Seis festivais de verão para curtir na Bélgica

Assim como gastronomia e cinema, o Mochileza é um site entusiasta de música. Sempre procuramos referências musicais em nossas viagens (como o roteiro de David Bowie em Berlim) ou shows…

Assim como gastronomia e cinema, o Mochileza é um site entusiasta de música. Sempre procuramos referências musicais em nossas viagens (como o roteiro de David Bowie em Berlim) ou shows para assistir no caminho. E quem gosta de música sabe que o verão europeu é fértil em grandes eventos. São festivais de leste a oeste no continente, para todos os estilos e orçamentos.

Os frequentadores assíduos de festivais têm destinos tradicionais, como Inglaterra e Alemanha. Também há os destinos que viraram os novos queridinhos dos viajantes, como Espanha e Portugal. Mas tem um país que consegue reunir eventos em grande quantidade e também em variedade de atrações: a Bélgica.

Apesar do território minúsculo, a concentração de festivais na Bélgica é gigantesca. Se você já pensou em passar um verão por lá comendo chocolate e tomando cerveja, pode pensar em agregar um festival de música ao seu roteiro. E, para ajudar você no planejamento, recorremos a um grande amigo do Mochileza. O Edvan Coutinho é um jornalista com quem trabalhei em Belém e mora em Bruges, na Bélgica, desde 2007. É um dos caras mais bem informados que conheço e dono de uma vasta cultura musical. Ele preparou um guest post com uma curadoria dos principais festivais do verão belga. Espero que vocês curtam!

Ah, o Edvan também trabalha como guia oficial de turismo em Bruges. É o único guia brasileiro na cidade. Para uma experiência mais rica de informação, recomendo DEMAIS um city tour com ele! Se você se interessar, escreva com alguma antecedência para o Edvan: [email protected]

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Edvan Coutinho e as típicas batatas belgas. Foto: Arquivo Pessoal

 

A onda de frio neste inverno – talvez a mais severa dos últimos dez anos – faz os europeus sonharem com os sons não apenas dos pássaros em dias quentes. Mas também das guitarras, teclados e soundsystems nas centenas de festivais de verão em todo o continente. Sim, a Europa é o melhor destino se você adora um show, seja ele um megaevento ou uma performance mais intimista. E quando se fala em festival de verão, a Bélgica é a meca dos amantes de todos os estilos musicais.

A localização estratégica deste pequeno país (menor que o arquipélago do Marajó), entre o Reino Unido, a França, a Alemanha e a Holanda, facilita o deslocamento de bandas e artistas em turnê pelo continente. Entre os mais de 300 festivais que acontecem anualmente em solo belga, escolhemos seis, que podem ser chamados o crème de la crème. Eles abarcam desde a world music até os beats eletrônicos mais modernos. Um deles, o Moods Festival, é parcialmente gratuito. São festivais em Bruxelas, Wechter, Boom, Hasselt e Bruges – tudo para combinar música e viagem.

Couleur Café: o mundo no palco

Foto: Vanessa Rasschaert / Divulgação

 

Este festival é o coup de coeur (favorito do coração) para os que estão abertos aos sons do mundo. A world music ganha aqui um sentido literal.  No line-up deste ano tem a incrível dupla malinesa Amadou & Mariam, os brasileiros do Metà Metà, com a mistura afro-jazz-bossa-swing brasileiro, as irmãs cubanas Ibeyi, o veterano norte-americano George Clinton (papa do funk legítimo), ao lado das senhoras do Clypso Rose, de Trinidad e Tobago, e do vizinho caribenho delas, Ziggy Marley (precisa descrever o que ele toca?). Ainda há novidades como os rappers suíços Makala, Di-Meh e Slimka, além do funky vodu dos togoleses do Togo All Star.

O Couleur Café existe desde 1990 e já rodou por várias locações em Bruxelas. Porém, há uns dois anos, conseguiu acertar na escolha do cenário. Ele é realizado na área do Atomium, um dos símbolos da capital belga e da Europa, a escultura gigante em formato de um átomo. A vantagem desse festival é que você está dentro da cidade e há transporte público a todo momento para voltar para o seu hotel ou albergue.

O Atomium é o cenário do Couleur Café. Foto: Luc Cheffert / Divulgação

 

Para quem não quer perder um minuto do clima de festival, ou quiser tirar uma soneca entre uma e outra atração, há um acampamento bem estruturado, como em todos grandes festivais.

Couleur Café Festival

Quando: de 29 de junho a 1° de julho de 2018
Onde: na praça do Atomium, em Bruxelas
Preços: desde 85 euros para os 3 dias ou entre 37 e 42 euros para um dia apenas (ver condições e taxas extras no website do festival)
Mais informações: https://www.couleurcafe.be (em inglês, francês e neerlandês/flamengo)

 

Rock Werchter: grandes nomes, mas também indie

Foto: Divulgação

 

Este festival está sempre na lista dos melhores do mundo. Ele faz parceria com os festivais ingleses, como o Glastonbury, e holandeses, como Lowlands. E assim o line-up é mais do que estrelado, porém bem diversificado também. Eles sempre apostam em promessas, como fizeram com o London Grammar, o trio inglês que desde que passou por lá há uns cinco anos.

Este ano vão pisar nos palcos do Rock Werchter: Arctic Monkeys, Franz Ferdinand, Gorillaz, Snow Patrol, Jack White, Alice in Chains, Nick Cave & The Bad Seeds, Queens of Stone Ages, David Byrne, Pearl Jam, e o já citado London Grammar, só para nomear alguns. O festival sempre prestigia a prata da casa e assim os belgas sempre estão em destaque. Este ano vão estar, entre as atrações locais, o grupo Arsenal – que tem um queda por música brasileira –  e power trio Triggerfinger (já ouviram a versão deles para “I Follow Rivers”?).

O preço do ingresso pode parecer salgado, mas o line-up justifica, além do que o transporte público de qualquer cidade na Bélgica até a porta do festival está incluído no preço.

Rock Werchter

Quando: de  6 a 8 de julho de 2018
Onde: Werchter (a 30 km de Bruxelas e a 15 km de Leuven, outra grande cidade belgo-flamenga)
Preços: desde 102 euros, para um dia,  até 238 euros para os três dias (ver condições e taxas extras no website do festival)
Mais informações: www.rockwerchter.be (em inglês, francês e neerlandês/flamengo)

 

Cactus Festival: familiar e hype

Foto: Edvan Coutinho

 

O mais charmoso festival belga. O mais familiar dos festivais. O melhor pequeno festival da Europa. O Cactus tem muitos títulos e todos eles se justificam. A começar por ser o festival da cidade que é uma marca de beleza: Bruges, que atrai 6 milhões de turistas por ano, com seus canais que valem o apelido de Veneza do Norte e o traçado medieval das ruas que valeu o título de Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco.

O Cactus Festival acontece há mais de 35 anos praticamente no centro da cidade. O público é limitado em menos de 10 mil pessoas num espaço amplo e verde do parque Minnewater, com infraestrutura e conforto nota 10. O festival tem um clima tão relaxante que atrai famílias inteiras, dos avôs aos netos. Tem espaço para deixar as crianças brincarem, há até redes para descansar e os stands de comida são uma atração à parte pela alta qualidade.

Foto: Edvan Coutinho

 

No que se refere ao palco único, as atrações são sempre de altíssimo nível e fora do mainstream. O que não quer dizer falta de qualidade.  Nos anos 90, passaram por lá Marisa Monte e Chico Science & Nação Zumbi. Mais recentemente, tocaram Massive Attack, Macy Gray, Benjamin Clementine, Kaiser Chiefs, Marianne Faithfull e Patti Smith. Este ano estão em cartaz Buffalo Tom, com seu indie rock made in USA, a britânica Emeli Sandé, a camaleônica anglo-francesa Charlotte Gainsbourg e os cultuados escoceses do Mogwai. O festival de Bruges é conhecido por lançar tendências. Assim, muitos artistas novos acabam voltando à Bélgica em festivais maiores depois de serem “descobertos” no Cactus.

Cactus Festival

Quando: de  13 a 15 de julho de 2018
Onde: Bruges (a 90 km de Bruxelas)
Preços: desde 49 euros, para um dia,  até 110 euros para os três dias (ver condições e taxas extras no website do festival)
Mais informações:  www.cactusfestival.be (em inglês, francês e neerlandês/flamengo)

 

Tomorrowland: o povo do amanhã

Foto: Divulgação

 

Com toda a justiça, o Tomorrowland é o mais prestigiado festival de música eletrônica do mundo.  O evento virou uma marca de valor incalculável e chegou ao Brasil em duas edições em 2015 e 2016, depois de ter também feito uma edição nos Estados Unidos. Se você pensa em vir, prepare-se para vir somente em 2019, pois os ingressos deste ano, assim como sempre acontece, foram vendidos em menos de três horas.

O Tomorrowland, desde 2005, botou a Bélgica no centro do mundo da música dançante do século XXI e é um evento que chega a ser uma experiência mística – dizem amigos habitués do festival. Para os conhecedores dos loops e beats, as atrações deste ano são de peso: Tiësto, Vini Vici, Axwel, Bonzai All Stars, Carl Cox, Alesso, Dimitri Vega & Like Mike, Fatboy Slim, Lost Frequences e Steve Angello.

Foto: Divulgação

 

O acampamento do Tomorrowland é uma atração à parte. O festival tem até mesmo uma vila de luxuosos apartamentos com jacuzzi e todo o luxo que seu bolso puder pagar.

Ano passado, o festival teve cerca de 400 mil espectadores, um número recorde porque passou a ser realizado em dois finais de semana, o que se repete este ano.

Detalhe: se não puder esperar o verão de 2019, o Tomorrowland anunciou um festival de inverno em março de 2019, na cidade de Ales-Huez, na França.

Tomorrowland

Quando: de 20 a 22 e de 27 a 29 de julho de 2018
Onde: Boom (entre Bruxelas e Antuérpia)
Preços: desde 94 euros um dia apenas até 281 euros para ficar no alojamento de luxo (o website do festival informa que todos estão sold out)
Mais informações: (em inglês, francês e neerlandês/flamengo)

 

Pukkelpop: oito palcos com mega-atrações

Foto: Divulgação

 

Um dos grandes festivais da Europa faz 33 anos em 2018. O Pukkelpop sabe combinar grandes nomes com artistas ainda em ascensão, pois tem espaços adequados para megaespetáculos, tendas para pocket shows e dance hall. De Björk ao Iron Maiden, de The Prodigy ao Portishead, a lista de artistas das edições anteriores não deixa dúvidas do peso desse festival, o único que conseguiu comprar toda a área onde anualmente se instala na província flamenga do Limburg.

Foto: Divulgação

 

Este ano, a única atração anunciada e confirmada é ninguém menos que Kendrick Lamar, o papa do rap/hip hop/jazz norte-americano contemporâneo. Fala-se que o Arcade Fire e The War on Drugs estão acertando a agenda para poderem vir.

Pukkelpop

Quando: de 15 a 18 de agosto de 2018
Onde:  Kiewit-Hasselt (a 70 km de Bruxelas)
Preços: ainda não anunciados (ver condições e taxas extras no website do festival)
Mais informações:  https://www.pukkelpop.be  (em inglês, francês e neerlandês/flamengo)

 

Moods Festival: o festival intimista de Bruges que cabe no seu orçamento de mochileiro

 

Foto: Divulgação

 

Este festival é no meio do verão e se passa em dois dos mais impressionantes cenários da cidade de Bruges: a praça da prefeitura (de Burg) e o hall interior do Belfort. O Moods é um festival organizado pela prefeitura da cidade e opta pela diversidade de atrações em dois momentos. O primeiro é numa quinta-feira à noite, um show intimista, com ingresso pago a menos de 20 euros, no pátio interno do Halletoren (a torre do Belfort, momunento gótico construído entre os séculos XII e XV).  E às sextas e sábados à noite, um show maior, gratuito, tendo como fundo de palco a Stadshuis, a prefeitura construída no começo do século XV.

O Moods tem uma atmosfera pequena e tão agradável que, mesmo em caso de chuva, o público não arreda pé. Em cartaz este ano, o nome mais conhecido é o Nouvelle Vague, a banda francesa de new bossa. E ainda: a mistura cubano-jamaicana do show Havana Meets Kingston,  a banda norte-americana Joan As Police Woman (com a cantora Joan Wasser que trabalhou com Rufus Wainwright, Nick Cave e Antony & The Johnsons), a banda pop-rock flamenga Het Zesde Metaal e o acordeonista bósnio-suíço Mario Batkovic, um virtuoso que é uma espécie de Philip Glass do acordeon.

Moods festival

Quando: de 27 de julho a 9 de agosto de 2018
Onde:  Bruges, centro da cidade
Preços:  16 euros + taxas (ver condições) para os shows no pátio do Belfort e gratuito nos show da paraça da prefeitura, o Burg
Mais informações:  http://www.moodsbrugge.be  (em inglês e neerlandês/flamengo)

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Belém: um guia da cidade que os guias não mostram

Belém está na moda e não é de hoje. Há pelo menos dez anos, a cidade anda pedindo passagem para o restante do Brasil, puxada pela música e pela gastronomia….

Belém está na moda e não é de hoje. Há pelo menos dez anos, a cidade anda pedindo passagem para o restante do Brasil, puxada pela música e pela gastronomia. Artistas nascidos na capital paraense emplacam temas de novela da Globo, fazem turnês nacionais e são tietados por ídolos mundiais em shows no exterior. Na cozinha, além do fato de a região amazônica ter ingredientes sem igual, Belém ainda tem visto surgir uma geração de jovens chefs. Eles releem as tradições e fazem com que os antigos segredos equatoriais da mesa virem tendências contemporâneas.

Por mais que você tenha visto um show de um músico de Belém por aí ou experimentado alguma comida paraense na sua cidade, eu lhe digo. Nada se compara a mergulhar na cidade. O mais curioso é que andar por Belém é quase mergulhar mesmo, graças à umidade do ar que frequentemente ultrapassa os 90%.

Foi em Belém que nasci em 1983, me formei jornalista em 2003 e de onde saí em 2011 para viver no Recife. Desde então, costumo ir pelo menos uma vez por ano à cidade. Graças a isso e à minha bem informada rede de amigos, estou sempre por dentro do que há de interessante surgindo na cidade. Novidades que nem sempre se tornam tão badaladas quanto Gaby Amarantos ou os irmãos Castanho. Ou segredos de bairro bem guardados pelos moradores. Seja qual for a origem, essas indicações merecem ser conhecidas e compartilhadas.

Pensando nisso, resolvi fazer esta compilação de dicas de Belém que estão fora do circuito tradicional. Quem vai à cidade já tem alguns lugares certos de visitar: Estação das Docas, Ver-o-Peso, Mangal das Garças, entre outros. Mas a riqueza da cidade se mostra justamente quando a gente decide ir além. Esse guia pode servir tanto para visitantes de primeira viagem quanto para belenenses que, por um ou outro motivo, não mergulharam tanto assim na cidade onde moram.

E caso tenha alguma atualização faltando sobre os lugares, gritem! Mandem bronca aí nos comentários!

 

Para aquela farra no meio de semana como se não houvesse trabalho amanhã: LAMBATERIA

Félix Robatto, a mente (ou a barba) por trás da Lambateria. Foto: Divulgação

Félix Robatto, a mente (ou a barba) por trás da Lambateria. Foto: Igor Chá

Félix Robatto é um cara que sabe como fazer as pessoas mexerem os quadris. Guitarrista talentoso, é como se tivesse um pouco de Carlos Santana, outra parte de David Gilmour e outra de Mestre Vieira. Tudo isso com uma barba comprida à la ZZ Top. Ele se tornou conhecido com a banda La Pupuña em 2005, dando uma roupagem mais pop à guitarrada amazônica. Agora está em carreira solo não só na música, mas também na produção de eventos.

Lambateria é a festa que Félix organiza todas as quintas-feiras e sempre tem shows de música paraense para remexer. Os convidados vão de grupos tradicionais de carimbó a expoentes da geração século 21 de Belém, como Lia Sophia e Felipe Cordeiro. Ah, e o próprio Félix também toca em todas as festas, com seu repertório que faz um crossover de referências amazônicas, latinas e de surf music. Vá dançar e se divertir sem culpa, como se o dia seguinte fosse feriado.

Uma quinta-feira qualquer na Lambateria. Foto: Divulgação

Uma quinta-feira qualquer na Lambateria. Foto: Igor Chá

Endereço: bar Fiteiro, na Av. Visconde de Souza Franco, 555. Os ingressos antecipados custam a partir de 15 reais. Na hora, custam 25.

Facebookhttp://www.facebook.com/lambateria

 

Para petiscos criativos com a cara de Belém: QUITANDA BOLONHA 

Foto: Facebook/Quitanda Bolonha

Foto: Facebook/Quitanda Bolonha

Antes de falar da Quitanda, é preciso explicar o local onde ela fica. O Mercado de Carne Francisco Bolonha, em frente ao Ver-o-Peso, é uma joia escondida. A fachada está encoberta por poluição visual e não há nada que remeta ao que tem dentro: um belo exemplar da “era do ferro” da arquitetura na Amazônia. Os pavilhões onde ficam os boxes, uma escada caracol no centro e as coberturas: tudo de ferro. As linhas são inspiradas no art nouveau e certamente há gente nascida em Belém que nunca as conferiu de perto. Eu mesmo só fui conhecer o mercado em 2015.

Pois bem: a Quitanda Bolonha é um gastrobar que ocupa dois boxes do mercado. O cardápio é de petiscos de boteco inventivos, criados com ingredientes regionais. Todos eles são batizados em homenagem a algumas expressões do vocabulário de Belém. Os camarões empanados na tapioca com redução de tucupi e jambu ganharam o nome “Di Rocha!”. A costelinha de leitão da Ilha de Marajó com dip de taperebá e pirão de tapioca se chama “Eu Choro!”.

Para completar, tem chopp da Amazon Beer (cervejaria local) e shows de carimbó, chorinho e música paraense em geral.

Endereço: Boulevard Castilhos França, s/n. Mercado de Carne Francisco Bolonha, em frente ao Ver-o-Peso.

Horário de funcionamento: terça, das 10 às 17h. De quarta a sábado, das 10 às 22h30. Domingo, das 10 às 17h. Fechado segunda.

Facebookhttps://www.facebook.com/quitanda.bolonha/

 

 

Para garimpar LPs importados e ver pocket shows: DISCOSAOLEO 

Foto: Facebook/Discosaoleo

Foto: Facebook/Discosaoleo

Belém também tem loja de discos – e das boas! Leo Bitar é um colecionador de LPs que em 2014 resolveu transformar o hobby em negócio. No porão da casa dele, no bairro da Campina, montou a Discosaoleo, um ambiente aconchegante, confortável e com um acervo incrível.

Foto: Facebook/Discosaoleo

Foto: Facebook/Discosaoleo

Sério mesmo: a loja pode não ter uma quantidade numerosa de discos, mas a qualidade deles é impressionante. Fruto da curadoria do próprio Leo, um cara apaixonado por música como poucos que conheci na vida. A especialidade é MPB e rock internacional. Tem edições raras, importadas, box sets, compactos e muito mais. A Discosaoleo também é um selo que já lançou em vinil artistas paraenses como Molho Negro e Ana Clara, assim como o recente EP “Música e Maresia” da cantora carioca Dulce Quental.

Além de vender discos, a loja eventualmente recebe pocket shows, aquelas apresentações intimistas em que bandas e músicos ficam bem juntinhos do público. A programação muitas vezes está atrelada a um projeto bem interessante chamado Circular (confira o site). É bom ficar de olho na agenda.

Em alguns pocket shows, a Discosaoleo vira inferninho. Foto: Facebook/Discosaoleo

Em alguns pocket shows, a Discosaoleo vira inferninho. Foto: Facebook/Discosaoleo

Endereço: Rua Campos Sales, 628. Telefone: (91) 3083-1758

Horário de funcionamento: de quarta a domingo, das 10 às 17h. Fechado segunda e terça.

Facebookhttps://www.facebook.com/discosaoleo/

 

Para os dependentes de glicose se esbaldarem – BRIGADERIE

Creme de cupuaçu com crumble de castanha do pará. Foto: Instagram/Brigaderie

Creme de cupuaçu com crumble de castanha do pará. Foto: Instagram/Brigaderie

Belém não tem Starbucks – ainda bem. Mas tem docerias como a Brigaderie, que podem te servir um ótimo café com um arsenal de doces incríveis para acompanhar. Grande parte do cardápio tem ingredientes regionais na base. Os churros, por exemplo, são de tapioca. Os macarons, de castanha-do-pará. E os recheios dos bombons, de bacuri, cupuaçu e outras frutas regionais.

Churros de tapioca com doce de leite

Churros de tapioca com doce de leite

A Brigaderie abre para café da manhã aos fins de semana. Aí, além dos doces, entram em campo os pães de produção própria. Tudo isso num ambiente bonito e acolhedor, inclusive para você arejar um pouco do home office ou fazer uma reunião de negócios de um jeito bem engordativo – mas com cada caloria valendo demais a pena. Além da loja, a Brigaderie também faz doces e bolos sob encomendas para eventos.

Endereço: Av. Serzedelo Corrêa, 715. Telefone: (91) 3223.5729

Horário de funcionamento: segunda de 14 às 20h30. Terça a sexta de 12 às 21h30. Sábado e domingo de 8 às 21h30.

Instagramhttps://www.instagram.com/brigaderie

 

Para uma experiência autêntica de pub em plena Amazônia: BLACK DOG ENGLISH PUB 

Foto: Facebook/Black Dog

Foto: Facebook/Black Dog

Pensei muito sobre colocar ou não o Black Dog nesta lista. Não por não merecer, e sim por já não ser mais um ~segredo~ da cidade. Mas dane-se: por mais que seja uma das primeiras indicações de muita gente em Belém, o Cachorro Preto (como o chamamos informalmente) vale muito a visita.

São dezenas de cervejas artesanais, nacionais e importadas, numa carta que sempre está se renovando. As torneiras de chopp sempre têm pelo menos um rótulo “top class high level”, como Guinness, Fuller´s ou Brew Dog. Para não deixar você falir, sempre há opções mais econômicas, como os chopps da Amazon Beer.

As torneiras do Cachorro Preto. Foto: Facebook/Black Dog

As torneiras do Cachorro Preto. Foto: Facebook/Black Dog

A cozinha também tem uma rotatividade interessante no cardápio. Seja pelos pratos e petiscos que se renovam, seja pela eventual presença de chefs convidados que fazem menus especiais para um dia. É ótimo para petiscar e também para conferir shows de rock, jazz e blues que rolam quase todos os dias. O pub fica no porão de um casarão antigo no bairro do Umarizal. Portanto, o pé direito é baixo. Se você tiver perto de 2 metros de altura, ficar em pé pode ser desconfortável.

Endereço: Rua Bernal do Couto, 791. Telefone: (91) 3199.2335

Horário de funcionamento: segunda a sábado, a partir das 18h.

Sitehttp://blackdogpub.com.br/

Facebookhttps://www.facebook.com/blackdogenglishpub/

 

Para ir a um brechó e a um bistrô num lugar só: CASA DO FAUNO

Foto: HC Fotografia

Foto: HC Fotografia

A Casa do Fauno reúne vários motivos para uma visita esperta a qualquer hora do dia. Aberta desde as 9 da manhã, a casa oferece uma carta de cafés para os dependentes da cafeína ou os apreciadores gourmet. Ao meio-dia tem cardápio de almoço, com saladas, risotos e pratos de cozinha de bistrô. À noite, a música toma conta. Às quintas, o palco é da música instrumental. Às sextas, cantores e cantoras ocupam o espaço. E durante todo o horário de funcionamento, há um sebo com um acervo de 3 mil livros e um brechó de roupas e acessórios com uma cuidadosa curadoria.

O imóvel onde fica a Casa do Fauno é uma atração à parte. Um prédio do século 19, com piso de madeira e pé direito alto, totalmente repaginado para o empreendimento. E o local dos shows é tão inusitado quanto instigante: o quintal da casa. A decoração utiliza elementos da própria edificação do imóvel, como madeira de demolição e vitrais.

Foto: HC Fotografia

Foto: HC Fotografia

Endereço: Travessa Aristides Lobo, 1061. Telefones: (91) 9 9808-2322 / 9 8705-0609

Horário de funcionamento: segunda a quarta, das 09h às 19h. Quinta a sábado, das 09h à meia-noite.

Facebookhttps://www.facebook.com/casadofaunobelem/

Sitehttp://casadofauno.com/

 

Para ir com crianças – PRAÇA DO HORTO 

Foto: João Gomes/Agência Belém

Foto: João Gomes/Agência Belém

A Praça do Horto ser um segredo de Belém parece até mentira. Afinal de contas, ela é muito bem localizada, cêntrica e perto de outros lugares bem visitáveis (Praça Batista Campos, Fox Vídeo ou o excêntrico Bar do Horto). Mas talvez o abandono sofrido por muitos anos tenha deixado a praça em segundo plano. Recém-reformada e reinaugurada em janeiro de 2015, o Horto se tornou um destino perfeito para famílias que desejam tirar as crianças de casa.

A praça tem um chalé, brinquedos e quiosques de alimentação. É um bom lugar para um café da manhã num fim de semana ou um lanche da tarde com a meninada. Há atividades regulares com oficinas de educação ambiental para as crianças. Para os adultos, sempre há algum evento como grupos de meditação e até encontro de food trucks.

Foto: Nailana Thiely/Ascom UEPA

Foto: Nailana Thiely/Ascom UEPA

Endereço: Rua dos Mundurucus, s/n, na esquina da Travessa Doutor Moraes.

Horário de funcionamento: todos os dias, das 8 às 18h

 

Para experimentar sopa de caranguejo – RESTAURANTE FLOR DE LIS

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Essa dica é do Vladimir Cunha, documentarista paraense: “É um restaurante muito tradicional no bairro da Marambaia que abriu recentemente uma filial no Reduto, em frente da sede do Quem São Eles (escola de samba). O forte deles é a sopa de caranguejo e o caldo verde”, conta.

Além das sopas, o Flor de Lis também tem pratos bem fartos e bem cotados entre a clientela, como a chapa mista, as patas de caranguejo e a carne de sol. Em algumas noites também há shows de MPB.

Endereço: Rua Esperanto, 4. Bairro da Marambaia. Telefone: (91) 3352-8470

Horário de atendimento: de terça a domingo, das 18h à meia-noite.

Facebookhttps://www.facebook.com/Restaurante-Flor-de-Lis-482903021732553/

 

Para comer peixe: AVUADO

Foto: Facebook/Avuado

Foto: Facebook/Avuado

Peixe em Belém é coisa séria. Só na região amazônica, você vai encontrar o filhote, que eu acho (e muitos amigos que nem paraense são também acham) o peixe mais saboroso do mundo. Uma carne macia e textura leve que, se bem cozida, quase derrete na boca.  Você certamente já deve ter ouvido falar no Remanso, o restaurante de peixe mais famoso de Belém. Mas, se quiser dar uma fugida das indicações de sempre, corra para o Avuado.

A dica deste novo restaurante é de outro amigo, o Marcel Arêde, que é produtor cultural e diretor da Amplicriativa. “O prato principal é o peixe avuado, feito na brasa com banana da terra, macaxeira cozida, arroz, farofa e vinagrete. Você pode escolher entre filhote ou pescada amarela e os peixes sempre são frescos, pescados no dia. O prato custa 75 reais e duas pessoas comem bem. Ainda tem caldeirada, caldeirada no tucupi, moqueca de peixe e camarão e moqueca de pirarucu”, conta.

Foto: Facebook/Avuado

Foto: Facebook/Avuado

E digo uma coisa a vocês: a curadoria do Marcel para dicas de Belém é espetacular. Ele mesmo fez um guia, de tanto que as pessoas pediam sugestões a ele. Colem no cara!

Endereço: Rua Dom Romualdo de Seixas, 823.

Horário de atendimento: das 11h30 às 15h e das 18h30 às 23h

Facebookhttps://www.facebook.com/avuadorestaurante

 

Para conhecer a fotografia de Belém: KAMARA KÓ

Foto: Facebook/Kamara Kó

Foto: Facebook/Kamara Kó

Há pelo menos três décadas, o Pará forma lotes e lotes de fotógrafos talentosos. Miguel Chikaoka, Octávio Cardoso, Walda Marques e Luiz Braga são alguns que lembro de cabeça. Isso sem contar com os das gerações mais recentes, que surgem a todo tempo. Se você é de Belém e não conhecia essa turma ou se você curte fotografia e está de passagem pela cidade, um lugar para ir é a Kamara Kó.

A dica é da amiga Adelaide Oliveira, jornalista e presidente da Fundação Paraense de Radiodifusão, a Funtelpa. “A Kamara Kó é uma galeria de fotografia que reúne obras de vários artistas e fotógrafos da cidade. Fica num casarão antigo no bairro da Campina e sempre tem exposições legais. De quebra, ainda tem a Makiko Akao como curadora e proprietária, uma figura simpaticíssima. No casarão, tem um quintalzinho delícia para tomarmos um chá ou café e ouvir um pouco sobre fotografia paraense”, conta.

Foto: Facebook/Kamara Kó

Foto: Facebook/Kamara Kó

Makiko também é idealizadora do projeto Circular, do qual falamos na dica da Discosaoleo. Vale muito conhecer o projeto, além da galeria.

Endereço: Trav. Frutuoso Guimarães, 611 – Campina.  Telefones: (91) 3261-4809 / (91) 3261-4240

Horário de funcionamento: terça a sábado, das 15 às 19h. Sábado das 10 às 13h. Fechado domingo e segunda.

Facebookhttps://www.facebook.com/kamarakogaleria/?fref=ts

Sitehttp://kamarakogaleria.com.br/

 

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Um passeio pela Berlim de David Bowie

Por mais que David Bowie tenha nascido no bairro de Brixton e ter sido conhecido no começo da carreira como o “London Boy”, o legado dele não teria o mesmo…

Por mais que David Bowie tenha nascido no bairro de Brixton e ter sido conhecido no começo da carreira como o “London Boy”, o legado dele não teria o mesmo tamanho se não fosse Berlim. Foi na capital alemã, ainda dividida pelo famigerado Muro, que Bowie se refugiou dos próprios demônios, fugiu da fama e do abuso de drogas, mergulhou em novas subculturas e concebeu três de seus mais importantes discos.

Mesmo antes da morte de Bowie, em janeiro de 2016, fãs que visitam Berlim já faziam peregrinações por locais icônicos na biografia do cantor. O prédio onde morou, o estúdio que funcionou como epicentro criativo e locais citados em letras de músicas são alguns dos pontos de parada desses passeios-tributo. É uma forma de imergir numa relação rara entre uma cidade e um artista. Bowie renasceu em Berlim e Berlim adotou David Bowie como cidadão e principal voz de uma transição histórica: a reunificação entre Ocidente e Oriente.

Como fã de Bowie que sou, não poderia deixar de fazer o mesmo na minha primeira ida a Berlim, em junho de 2015. Na época, ninguém imaginava que o ídolo de várias gerações estivesse lutando contra o câncer. Pensávamos que era uma reclusão compreensível para alguém que havia passado por uma cirurgia cardíaca em 2004 e parecia simplesmente querer viver longe dos holofotes.

Não costumo aderir facilmente a passeios guiados. Mas, para este caso, encontrei um que fiz e recomendo muitíssimo. Existe uma empresa chamada Berlin Music Tours que promove, entre outras excursões, a Bowie Berlin Walk Tour. É um passeio a pé com duração de três horas pelos locais mais marcantes da vida de Bowie na cidade. Os guias Thilo e Phillip são extremamente bem informados e tão fãs de Bowie quanto os clientes que os procuram. É claro que você pode ir a alguns desses locais por conta própria. Mas só com os guias você pode entrar em alguns deles (como o Hansa Studios, por exemplo) e ouvir as deliciosas anedotas do Bowie berlinense.

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Eis as principais paradas para mergulhar na Berlim vivida por David Bowie:

Potsdamer Platz

Uma das entradas da estação de trem da Potsdamer Platz

Uma das entradas da estação de trem da Potsdamer Platz

 

Hoje é um dos pontos mais movimentados do centro de Berlim. Nos anos 70, quando David Bowie morou na cidade, era cortada pelo Muro que dividia os lados ocidental e oriental da capital alemã. Muro que foi citado em sua canção “berlinense” mais famosa: “Heroes”. “I can remember / standing by the Wall / the guns shot above our heads / and we kissed as though nothing could fall”. Volto a “Heroes” mais adiante…

Na Potsdamer Platz, ainda há pedaços do Muro de Berlim para lembrar de tempos bem diferentes da cidade

Na Potsdamer Platz, ainda há pedaços do Muro de Berlim para lembrar de tempos bem diferentes da cidade

 

Já na fase pós-Muro de Berlim, a Potsdamer Platz foi citada em “Where Are We Now?”, faixa que marcou a quebra de um silêncio de dez anos sem nenhum trabalho inédito de Bowie em 2013. “Had to get the train / from Potsdamer Platz / you never knew that / that I could do that”. Segundo o guia Phillip, ouvir o nome de um lugar de Berlim logo no segundo verso desta canção teve uma emoção especial para os berlinenses.

Como chegar:

Os trens U-Bahn e S-Bahn têm estações na Potsdamer Platz, de onde se pode fazer combinação para várias outras regiões da cidade.

Hansa Studios

No meio das placas de outros estabelecimentos que funcionam no mesmo prédio, a do Hansa se destaca

No meio das placas de outros estabelecimentos no mesmo prédio, a do Hansa se destaca

 

Descendo na Potsdamer Platz, uma caminhada de apenas 450 metros leva ao lendário Hansa, o estúdio onde Bowie trabalhou nos anos em que viveu em Berlim. Do lado de fora, não dá para reconhecer. Na fachada, está escrito “Meistersaal”, que é um tradicional salão de concertos e eventos encravado entre os distritos de Mitte e Kreuzberg. Mas o Hansa ainda funciona ali.

Robert Fripp, Brian Eno e David Bowie trabalhando no Hansa Studios na década de 70

Robert Fripp, Brian Eno e David Bowie trabalhando no Hansa Studios na década de 70

 

Nesse estúdio, Bowie gravou dois dos discos da chamada Trilogia de Berlim: “Low” e “Heroes”, ambos lançados em 1977. O álbum que fecha a trilogia, “Lodger”, apesar de ter sido concebido em Berlim e durante a turnê mundial de 1978, foi gravado na Suíça e nos Estados Unidos.

Dois locais dentro do estúdio chamam muito a atenção. A tal Meistersaal (cuja tradução em português é “sala mestra”), que tinha uma acústica que Bowie amava. Os guias inclusive nos instigam a fazer o teste: cantar ou gritar na sala para termos noção da clareza da ressonância da voz. Além disso, há uns detalhes lindíssimos, como um luxuoso lustre no teto.

Perdão pela foto tremida que tirei na Meistersaal. Deve ter sido a emoção

Perdão pela foto tremida que tirei na Meistersaal. Deve ter sido a emoção

 

A patota da foto anterior na Meistersaal

A patota da foto anterior na Meistersaal

O nascimento de “Heroes”

O outro local que particularmente me deixou emocionado foi uma sala menor onde ficava o console de gravação. Já sem equipamento nenhum, a sala hoje funciona como uma pequena cafeteria. Foi lá que nasceu “Heroes”, dizem os guias. Num momento de bloqueio criativo, Bowie pediu a toda a equipe que fosse embora do estúdio e o deixasse sozinho. Da janela desta sala, Bowie viu um casal namorando junto ao Muro de Berlim. Era o produtor Tony Visconti e uma das backing vocals que cantava nas gravações, Antonia Maass. Eles eram o casal que “se beijava como se nada pudesse derrubá-los”, como diz a letra.

Foi desta janela que Bowie viu a cena que inspirou uma estrofe de "Heroes"

Foi desta janela que Bowie viu a cena que inspirou uma estrofe de “Heroes”

 

A lista de artistas que também gravaram no Hansa é interminável: Iggy Pop, Nick Cave, Brian Eno, U2, Depeche Mode, Manic Street Preachers, Killing Joke, Marillion… Alguma das suas bandas favoritas certamente passou por aqui.

Essa clássica foto de divulgação do Depeche Mode foi feita numa escadaria no Hansa

Essa clássica foto de divulgação do Depeche Mode foi feita numa escadaria no Hansa

Como chegar

Köthener Str. 38, 10963. Pegar o trem S-Bahn ou U-Bahn até a Potsdamer Platz e caminhar por 450 metros.

Schöneberg

Uma linda fachada residencial saúda quem chega ao distrito de Schöneberg

Uma linda fachada residencial saúda quem chega ao distrito de Schöneberg

 

Desde os anos 1920, o distrito de Schöneberg é conhecido por ser um dos redutos gay-friendly de Berlim. Inclusive é lá que fica um memorial às vítimas homossexuais do holocausto. Nos anos 70, a efervescência de bares e clubes LGBT fez com que Bowie escolhesse este bairro para viver. O endereço é bastante conhecido pelos berlinenses: Hauptstraße 155. Os atuais moradores do prédio certamente devem estar habituados aos curiosos que sempre param lá para tirar fotos e deixar alguma homenagem ao antigo condômino ilustre. E o apartamento onde Bowie viveu é hoje o consultório de um dentista.

A porta do prédio onde Bowie morou, em Schöneberg

A porta do prédio onde Bowie morou, em Schöneberg

 

Algum fã ~vandalizou~ e os atuais moradores não se incomodaram

Algum fã ~vandalizou~ e os atuais moradores não se incomodaram

 

A poucos metros do edifício, está o bar Neues Ufer. Mas na época do exílio alemão de David Bowie, o lugar se chamava Anderes Ufer. Foi o primeiro bar gay com janelas visíveis da rua na Berlim pós-Guerra. Foi muito representativo para a revolução da liberdade sexual na cidade. Bowie e Iggy Pop (que também viveu em Berlim na mesma época) eram assíduos frequentadores. O bar é o ponto final do passeio guiado. Hoje, há várias fotos de Bowie em pôsteres nas paredes.

Como era antes...

Como era antes…

 

... e como é hoje

… e como é hoje

 

Forçando a amizade no Neues Ufer

Forçando a amizade no Neues Ufer

 

Em Schöneberg também fica a KaDeWe, a maior loja de departamentos da Europa continental. São 60 mil metros quadrados. Ela também é citada na música “Where Are We Now?”: “a man lost in time in KaDeWe / just walking the dead”. A KaDeWe foi quase destruída por bombardeios na Segunda Guerra. Reconstruída nos anos 1950, ela foi um dos ícones do renascimento econômico alemão.

Ó o tamanho da KaDeWe...

Ó o tamanho da KaDeWe…

Como chegar

Hauptstraße 155 (prédio onde David Bowie morava) e 157 (Neues Ufer). Pegue o trem U-Bahn até a estação Kleistpark. Os dois locais ficam a 100 metros de lá. O endereço da KaDeWe é Tauentzienstraße 21-24. O melhor jeito de chegar também é o metrô U-Bahn. A estação Wittenbergplatz fica quase em frente à loja.

 

Reichstag

A fachada do Reichstag, o parlamento alemão

A fachada do Reichstag, o parlamento alemão

 

A área externa do prédio onde funciona o parlamento alemão recebeu um dos shows mais importantes da carreira de David Bowie, em 6 de junho de 1987. Era a época da Glass Spider Tour, uma das mais grandiosas da década, e também do acirramento do sentimento da reunificação de Berlim e da Alemanha.

O Muro de Berlim passava a poucas centenas de metros do Reichstag. E, obviamente, os cidadãos do lado oriental não poderiam passar livremente para o lado ocidental, onde o show acontecia. Milhares de pessoas se aglomeraram junto ao Muro. A princípio, para ouvir o que fosse possível do concerto e celebrar a música. Acabou se tornando um protesto contra a separação da cidade e foi duramente reprimido pela polícia.

 

 

A multidão que acompanhava a apresentação (inclusive o próprio Bowie) podia ouvir que havia algo de errado acontecendo do lado oriental do Muro. Tiros, explosões, gritos. Antes de cantar “Heroes”, Bowie fez uma dedicatória. “Essa próxima canção é dedicada a vocês do outro lado do Muro”. Talvez tenha sido um dos momentos mais emocionantes de toda a trajetória de Bowie nos palcos. E há quem diga que o Muro começou a ser derrubado ali. Afinal de contas, o verso “and the shame was on the other side” nunca tinha feito tanto sentido.

A visita interna ao Reichstag, independente da história relacionada a Bowie, também é um dos programas imperdíveis em Berlim. Não apenas pela arquitetura (e sua bela cúpula), mas também pela história e pelas preciosas informações sobre o funcionamento do parlamento alemão. Qualquer diferença entre o Reichstag e o Congresso Brasileiro não é mera coincidência.

A cúpula do Reichstag vista de dentro. Vale demais a visita

A cúpula do Reichstag vista de dentro. Vale demais a visita

Como chegar

Pelo trem U-Bahn, a estação mais próxima é a Bundestag. Pelo S-Bahn, é a Brandenburger Tor (aí você aproveita e conhece o Portão de Brandenburgo, que fica bem pertinho). As visitas guiadas ao Reichstag são gratuitas e feitas em alemão em inglês. Mas é preciso reservar pelo site, com data e hora marcada. O link é este aqui.

 

Berlin Music Tours

Thilo em uma foto de divulgação da Berlin Musictours

Thilo em uma foto de divulgação da Berlin Musictours

 

É a empresa à qual me referi no começo do post. Fazer o passeio com Phillip e Thilo como guias foi uma experiência riquíssima. Além da Bowie Berlin Walk Tour, eles promovem outras excursões temáticas de outros artistas que têm relação com a capital alemã, como U2 e Depeche Mode. O passeio de Bowie custou 14 euros (em junho de 2015). Eles também vendem merchandising do Hansa Studios, como camisetas, bolsas e canecas. É preciso reservar antecipadamente pelo site.

1 comentário em Um passeio pela Berlim de David Bowie

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