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Tag: museus

7 lugares “secretos” para conhecer em Madrid

Quando coloquei o Mochileza no ar, pensei num grande propósito. A ideia era sempre buscar experiências pouco comuns para compartilhar com os leitores. Lugares que só os moradores conhecem, passeios…

Quando coloquei o Mochileza no ar, pensei num grande propósito. A ideia era sempre buscar experiências pouco comuns para compartilhar com os leitores. Lugares que só os moradores conhecem, passeios pouco divulgados e experiências de imersão nas cidades, por exemplo. Se fosse para escrever sobre o que todo mundo já fala ou já sabe, não havia a necessidade de mais um blog de viagem existir.

O problema é que, para o trabalhador que tem apenas 30 dias de férias por ano, fica bem difícil conhecer os destinos tão profundamente assim. Não com uma consistência suficiente para dizer: “rodei a cidade inteira e não encontrei um lugar tão pitoresco quanto este”.

Ainda bem que a internet aproxima as pessoas e conheci a Larissa Andrade, dos blogs Be My Beer e Esto es Madrid, Madrid. Ela é jornalista e beer sommelier e mora na capital espanhola desde 2011. Com a bagagem que tem, ela compartilha informações e experiências sobre viver em Madrid e sobre o mercado cervejeiro na Europa.

Pois bem: convidei a Larissa para colaborar com o Mochileza e revelar os seus lugares “secretos” preferidos em Madrid. Aqueles que não costumam estar nos guias, que o turista viciado em sightseeing não vê e que podem valer grandes momentos na sua viagem. É mais um guest post especial por aqui! Espero que vocês curtam!

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Larissa Andrade, nossa anfitriã em Madrid. Foto: Arquivo pessoal

Madrid é uma cidade de contrastes: apesar de ser a segunda maior capital europeia, atrás apenas de Londres, às vezes parece ser um pouco provinciana. Apesar de ter uma área moderna, é cheia de história. E apesar de acolher moradores de várias partes do mundo, está cheia de madrilenhos que não abrem mão de seus costumes e tradições. Neste post, vamos falar de 7 lugares “secretos” de Madrid onde está tudo junto e misturado. 

Na verdade, alguns deles são bem conhecidos pelos locais, mas os considero fundamentais para entender um pouco a alma madrilenha.

Mercado de Vallehermoso

Madrid, Mercado de Vallehermoso

Foto: Larissa Andrade

Há algum tempo, os mercados municipais de Madrid vêm ganhando uma cara nova. As bancas tradicionais de frutas, verduras e carne se misturam a restaurantes asiáticos e lojas de embutidos.

Fora do centro turístico, o Mercado de Vallehermoso é um desses mercados. Nele, você vai encontrar postos onde pode fazer a compra da semana. Na mesma viagem, dá para aproveitar e tomar uma boa cerveja artesanal no Prost Chamberí ou na cervejaria Drakkar, provar a comida tailandesa do Tuk Tuk ou tentar a sorte e conseguir uma mesa para almoçar no disputado Kitchen 154, especializado em comida picante.

Endereço: Calle Vallehermoso, 36 (metrô Quevedo)

Horário de funcionamento: de segunda à sábado, das 9h às 23h. Aos domingos, das 11h às 18h.

 

Restaurante Can Punyetes

Madrid, Can Punyetes

Foto: Facebook/Can Punyetes

Bem ali no centro de Madrid está escondido um restaurante catalão delicioso, onde você pode provar os calçots (uma espécie de cebola típica da região) com salsa romesco, butifarra (linguiça) e terminar com a clássica crema catalana. Eles não aceitam reservas. Por isso, o ideal é chegar cedo e colocar o nome na lista de espera. Não espere nada glamouroso, porque o restaurante é simples e antigo, mas o ambiente é bem original. 

Há dois endereços, mas o meu favorito é o da Calle de los Señores de Luzon, 5 – (metrô Sol ou Ópera)

Horário de funcionamento: segundas a quintas, das 13h às 17h e das 20h à 0h. Sextas e sábados, o horário do jantar se estende até 1h. Aos domingos, só abre para o almoço, das 13h às 17h.

 

Noches de Bolero na Bodegas Lo Máximo

Madrid, Bodegas Lo Máximo

Foto: Larissa Andrade

Um dos bares mais queridinhos do bairro de Lavapiés se torna ainda mais especial nas noites de quarta-feira. É quando a Piluka, que trabalha lá, deixa o balcão do bar e sobe no pequeno palco para cantar boleros. Não pode conversar (ou você corre o risco de levar bronca), mas eu garanto que vale a pena! Você só paga o que consumir e eu te garanto que vai ser impossível não se emocionar. A apresentação começa por volta das 20 horas. 

Endereço: Calle de San Carlos, 6 (metrô Lavapiés ou Antón Martín)

Horário de funcionamento: segundas a quintas, das 19h30 às 2h. Sextas a domingos, das 12h30 às 2h.

 

Bar Casa Zoilo

Madrid, Casa Zoilo

Foto: Facebook/Casa Zoilo

O madrilenho ama um bar. E se ele for desse bem simples, com cara de bairro, em que todo mundo já se conhece e a cerveja sempre vem acompanhada de uma tapa generosa, melhor ainda. O Casa Zoilo, também no bairro de Lavapiés, é assim. Tem um estilo classe trabalhadora, os garçons são ótimos, eles têm opções vegetarianas e você encontra tanto cervejas artesanais quanto industriais.

Endereço: Calle de la Huerta del Bayo, 4 (metrô Tirso de Molina)

Horário de funcionamento: terças a sábados, das 12h às 16h e das 20h à 0h30. Aos domingos, fecha um pouquinho mais cedo, à 0h. Fechado às segundas.

 

Matadero  + Madrid Río

Madrid, Matadero

Foto: Larissa Andrade

O Matadero, antigo matadouro de animais, é atualmente um dos principais centros culturais da cidade. Como está um pouco afastado do centro, muitos turistas não vão até lá, o que considero um erro. Além de ter uma sala de cinema linda e especializada em documentários, a cantina é uma delícia e sempre tem alguma atividade cultural rolando. Minha dica é: alugue uma das bicicletas públicas e vá até o Matadero de bicicleta pelo Madrid Río, um parque que está nas margens do rio Manzanares. Você vai ver Madrid de um jeito diferente e super bonito!

Endereço: Paseo de la Chopera, 14 – (metrô Legazpi)

Horário de funcionamento: todos os dias, das 9h às 22h

 

Museu Sorolla

Madrid, Museo Sorolla

Foto: Larissa Andrade

Madrid tem importantes museus, como o Prado e o Reina Sofía, onde você vai encontrar obras de grandes mestres, como Velázquez, Rubens, Picasso e Dalí. Mas a cidade oferece opções menores, mas muito interessantes, como a Casa Museu de Joaquín Sorolla, que foi a residência do pintor e abriga grande parte de sua obra. Vale a visita pelas duas coisas e é impossível não se impressionar com as obras do artista.

Endereço: Paseo del General Martínez Campos, 37 (metrô Gregorio Marañón ou Ruben Darío)

Horário de funcionamento: terças a sábados, das 9h30 às 20h. Domingos, das 10h às 15h. Fechado às segundas.

 

Cafeteria Santa Eulalia

Madrid, Santa Eulalia Boulangerie Patisserie

Foto: Facebook/Santa Eulalia Boulangerie Patisserie

A capital espanhola, como muitas outras cidades europeias, foi delimitada no passado por uma muralha. Na verdade, duas! Uma muçulmana, construída no século IX, e outra cristã, dos séculos XI e XII e que aproveitou partes da primeira. Infelizmente, apenas pequenas partes das muralhas são conservados e um dos lugares onde você pode vê-las é na Cafeteria Santa Eulalia, que também tem pães, croissants e doces deliciosos em um ambiente moderninho.

Foto: Larissa Andrade

Endereço: Calle Espejo, 12 (metrô Ópera)

Horário de funcionamento: terças a sábados, das 9h30 às 20h. Domingos, das 9h30 às 15h. Fechada às segundas.

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Museu do Automóvel de Turim: a história sobre quatro rodas

A semana de 19 a 25 de junho de 2017 é dedicada a festejar os museus pelo mundo afora. É a Museum Week, um evento que tem o objetivo de…

A semana de 19 a 25 de junho de 2017 é dedicada a festejar os museus pelo mundo afora. É a Museum Week, um evento que tem o objetivo de celebrar os acervos das instituições culturais e promover diálogos com a sociedade. A iniciativa é construída nas redes sociais por meio de hashtags específicas que, em 2016, estiveram em 664 mil tweets com 294 milhões de visualizações.

No Brasil, a Museum Week tem a participação massiva dos blogueiros de turismo. Os membros da RBBV (Rede Brasileira de Blogs de Viagem) estão promovendo uma blogagem coletiva sobre museus: os favoritos de cada um, os mais legais visitados recentemente, etc. São dicas que podem ajudar você a incluir mais um item ao seu roteiro de viagem ou, quem sabe, descobrir uma atração na sua cidade.

O carro como obra de arte

Escolhi escrever sobre um museu fascinante que conheci na viagem de férias de fevereiro de 2017: o Museu do Automóvel de Turim, na Itália. Nem todo mundo vê semelhanças entre automóveis e obras de arte, mas uma coisa é fato: um carro pode ser o espelho de uma sociedade. Ele é um indicativo do grau de tecnologia da indústria, de demandas de consumo, da importância dada a preocupações ambientais e muito mais. Portanto, nada mais natural que exista um museu dedicado a ele.

Turim não costuma estar na rota turística da Europa, mas tem uma razão especial para abrigar este museu. A cidade é o berço da Fiat, tanto que o T da sigla da montadora significa Turim (Fabbrica Italiana Automobili Torino). Um dos fundadores da Fiat, Roberto Biscaretti di Ruffia, também é um dos idealizadores do museu. A criação data de 1932 e, nesses mais de 80 anos de história, o acervo foi crescendo e se tornando único no mundo. Hoje, a coleção tem mais de 200 modelos do mais alto valor histórico e de diversas origens: França, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos e muito mais.

Foto: Leonardo Aquino

A atual sede do Museu do Automóvel de Turim é moderníssima e foi inaugurada em 2011. Projetada pelo arquiteto Cino Zucchi, ela tem três níveis principais. O térreo, também chamado de Piazza, é uma espécie de salão charmoso e futurista. Ele costuma receber eventos como premiações, exposições temporárias, concertos e desfiles de moda, entre outros. Os outros dois andares recebem o acervo permanente do museu.

Segundo andar

A visita começa no segundo andar, onde está a coleção “O Carro e o Século 20”. São 21 salas em uma área de 3600 metros quadrados. Elas contam as origens do automóvel desde seus precursores, como as carruagens puxadas por cavalos. A partir daí, é possível acompanhar a linha evolutiva dos carros. As mudanças no desenvolvimento dos motores, na aerodinâmica e os toques dados pelas grandes potências da indústria (Itália, França e Estados Unidos).

Foto: Leonardo Aquino

Foto: Leonardo Aquino

Entre as relíquias da coleção está o 4HP, o primeiro modelo desenvolvido pela Fiat em 1899. Com um motor de 657 cilindradas, ele tinha velocidade máxima de 35 km/h. O modelo exposto no Museu do Automóvel de Turim é um dos dois únicos sobreviventes depois de mais de 100 anos.

O 4HP, relíquia da Fiat no Museu do Automóvel. Foto: Leonardo Aquino

Há também salas repletas de curiosidades, como a dedicada à produção automobilística da extinta Alemanha Oriental. Do lado oeste do Muro de Berlim, as inovações do mundo capitalista não rodavam. Carros com design antiquado, como os utilitários Trabant e Syrena, eram os mais populares.

Primeiro andar

Descendo para o primeiro andar do museu, o visitante chega à área “O Homem e o Carro”. Ela possui oito salas em 3800 metros quadrados e começa contando a relação íntima entre Turim e a indústria automobilística. Uma obra chamada “Autorino” consiste em um mapa da cidade impresso no chão com a localização das mais de 70 montadoras que surgiram ali no início do século 20. O número é impressionante! Até hoje, Turim é considerada uma das capitais do automóvel, com a presença de centros de excelência em projetos e design.

A sala/obra “Autorino”. Foto: Leonardo Aquino

Há outras salas que mostram o que há por dentro do automóvel: motores, sistemas e tudo o que forma uma espécie de orquestra mecânica. Ainda neste andar, há uma ala dedicada à publicidade (imperdível!!!) e outra dedicada à magia do automobilismo. Modelos originais de carros de corrida de diversas categorias estão lá. A italianíssima Ferrari obviamente é o destaque, com vários modelos que contam diante de seus olhos a história da equipe de Fórmula 1.

Foto: Leonardo Aquino

Térreo do museu

De volta ao andar térreo, na última parte do percurso, o visitante conhece a área dedicada ao design. Uma única sala de 1200 metros quadrado mostra o trabalho dos projetistas em busca da excelência em vários aspectos: segurança, conforto, mobilidade, velocidade e estilo.

Foto: Leonardo Aquino

Para quem quer uma experiência ainda mais profunda, o Museu do Automóvel de Turim guarda um tesouro ainda mais valioso. A Garagem, que abriga os carros que não fazem parte da coleção permanente e também uma escola de formação de restauradores. As visitas à Garagem precisam ser pré-agendadas, mas valem cada minuto para colecionadores e curiosos.

Dicas para economizar

Há algumas situações em que o visitante tem direito a tarifa reduzida na entrada do museu. São as seguintes:

– idosos a partir de 65 anos
– crianças e adolescentes de 6 a 14 anos
– grupos acima de 15 pessoas
– estudantes universitários identificados com carteirinha
– passageiros de voos da Alitalia com cartão de embarque de até 10 dias antes da entrada no museu

 

Museo Dell’Automobile di Torino

Endereço: Corso Unità d’Italia 40
Para chegar de transporte público: estação Lingotto do metrô ou paradas 2256, 2258 e 2259 de ônibus.
Horários de abertura: segunda-feira das 10h às 14h. Terça das 14h às 19h. Quartas, quintas e domingos das 10h às 19h. Sextas e sábados das 10h às 21h. Última entrada uma hora antes do fechamento.
Ingressos: € 12 (adultos), € 8 (tarifa reduzida) e € 2,50 (escolas). Crianças de até 6 anos e jornalistas com carteira profissional têm direito a gratuidade.
Sitehttp://www.museoauto.it

 

 Sobre a Museum Week

A Museum Week é um evento que tem a chancela da Unesco e movimenta as redes sociais para promover os acervos e as instituições. De 19 a 25 de junho, museus de todo o planeta vão compartilhar conteúdo e histórias com a hashtag #MuseumWeek.

Além disso, a edição 2017 está propondo o engajamento de outras 7 hashtags específicas, uma para cada dia da semana:

– 19/06: #FoodMW, para conteúdo que relacione museus e gastronomia
– 20/06: #SportsMW, museus e esportes
– 21/06: #MusicMW, museus e música
– 22/06: #StoriesMW, museus e estórias
– 23/06: #BooksMW, museus e livros
– 24/06: #TravelsMW, museus e viagens
– 25/06: #HeritageMW, museus e patrimônio

Além disso, a Museum Week 2017 está comprometida com o tema da igualdade de gênero e é dedicada às mulheres ao redor do mundo. Os museus estão sendo estimulados a compartilhar conteúdo com a tag #WomenMW.

Outros museus

Tá a fim de conhecer outros museus pelos relatos dos blogueiros da RBBV? Veja aí todos os links da nossa blogagem coletiva!

Brasil

Destino Compartilhado: Museu Lasar Segall;
Sonhando em Viajar: Catetinho, em Brasília, Brasil;

América Latina

Gastando Sola Mundo Afora: Museo de Arte Precolombino de Cuzco;

Estados Unidos

Itinerário de Viagem: MET Museum em Nova Iorque;

Europa

Ásia

Vários

Vamos Por Aí: Meus Museus Favoritos;
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O que fazer em Lyon: atrações e passeios

Lyon é daquelas cidades que fazem você se sentir em casa com poucos dias de estadia. E mesmo não sendo tão grande quanto as capitais europeias, oferece um monte de…

Lyon é daquelas cidades que fazem você se sentir em casa com poucos dias de estadia. E mesmo não sendo tão grande quanto as capitais europeias, oferece um monte de atrações de todos os tipos. Passeios gratuitos, museus impressionantes e uma vida ao ar livre. Além, é claro, de uma gastronomia de primeira que vai merecer um post à parte.

Janaína e eu ficamos apenas três dias em Lyon na nossa viagem de fevereiro de 2017. Não conseguimos ir a algumas das grandes atrações (como o Musée des Confluences ou a Fête des Lumières, realizada sempre em dezembro). Mas tivemos dias intensos, em que deu tempo de vivenciar boas amostras da cidade. Enumero aqui alguns dos melhores lugares que visitamos.

 

Place Bellecour

Foto: Leonardo Aquino

É o principal ponto de encontro da cidade. Dentro da área dela, ficam alguns ícones da cidade: as estátuas do rei Luís XIV e do escritor lyonnais Antoine de Saint-Éxupery ao lado do seu Pequeno Príncipe, além de uma roda gigante. Ao redor da praça, estão cafés, restaurantes e várias ruas de comércio, além do escritório de turismo de Lyon.

Saindo da Bellecour para as direções leste e oeste, você encontra os dois rios que cortam a cidade: o Rhône e o Saône. Perto da praça, há vários pontos com belas vistas da cidade às margens desses rios.

Vista do rio Saône a poucos metros da Place Bellecour. Foto: Leonardo Aquino

Vieux Lyon

Foto: Leonardo Aquino

É o bairro mais antigo da cidade, situado no 5º arrondissement. Ele tem um traçado medieval, com ruas estreitas e construções muito bem preservadas. Não à toa, a região é considerada Patrimônio Mundial pela Unesco. O epicentro de Vieux Lyon é a catedral de Saint-Jean Baptiste. Ao redor dela, as ruelas são labirintos. Mas se perder por lá não é tão mau negócio assim: há vários bares, restaurantes, museus e belas vistas da cidade.

Em Vieux Lyon, uma particularidade arquitetônica é a presença dos traboules. Esse nome é dado a passagens que levam de uma rua a outra cruzando imóveis por dentro. Por mais que os traboules façam parte de casas particulares, eles são abertos ao público.

Foto: Leonardo Aquino

Um dos lugares mais legais de se visitar é o Musée de Miniatures et du Cinéma. Já falamos sobre ele no post sobre os museus dedicados ao cinema na Europa. Ele tem no acervo peças que levam a uma viagem pelos efeitos especiais: maquetes, figurinos, armas e muito mais. Além disso, tem dois andares dedicados às miniaturas de cenas do cotidiano.

Musée de Miniatures et du Cinéma. Foto: Leonardo Aquino

Colina da Fourvière

Foto: Leonardo Aquino

Com 120 metros de altura, é um dos lugares mais representativos da história de Lyon, principalmente no que se refere a fé. A primeira capela no alto da colina foi construída na Idade Média e destruída durante as Guerras Religiosas da França no século 16. Ao longo dos séculos seguintes, a colina foi destino de procissões por diversos motivos. Os lyonnaises subiam a Fourvière para pedir proteção contra pestes, epidemias e guerras.

Se antes a subida era feita a pé, hoje em dia não é preciso fazer tanto esforço. Um funicular leva passageiros até o topo numa viagem de menos de 2 minutos. A estação do bondinho fica junto à estação Vieux Lyon do metrô, na parte de baixo da colina. É preciso ter um bilhete do transporte público.

O bondinho que sobe a colina. Foto: Divulgação TCL

Hoje a colina tem como principal cartão postal a Basilique de Notre Dame de Fourvière. A igreja, que tem o status de basílica desde 1897, é mais do que um espaço de peregrinação. Também recebe concertos e conferências e tem uma torre com uma vista incrível de Lyon. A entrada na igreja é grátis. Mas para uma visita completa e guiada (incluindo a subida à torre), a tarifa é € 10. Para outras informações, acesse o site: http://www.fourviere.org/basilique/visites-guidees/visites-insolites-individuels/

Foto: Leonardo Aquino

Foto: Leonardo Aquino

Mesmo sem pagar pela visita guiada, é possível ter uma vista panorâmica da cidade. Ao lado da Basílica, há um mirante com o rio Saône e Lyon inteira aos pés.

A vista incomparável de Lyon do alto da colina da Fourvière. Foto: Leonardo Aquino

Musée Gallo-Romain

Outro lugar que você deve conhecer na Fourvière é o Musée Gallo-Romain. O museu possui uma coleção arqueológica do século 16 em diante: estátuas, moedas, cerâmicas e muito mais. Mas é na área externa que fica a atração mais estonteante: o Theâtre Antique de Fourvière. É um anfiteatro romano datado dos primeiros séculos depois de Cristo. Absurdamente bem preservado, ele tem capacidade para 10 mil pessoas. No verão, recebe a temporada de shows Les Nuits de Fourvière. Entre os artistas que se apresentaram nos últimos anos, estão nomes que vão de Elton John a The XX, de Radiohead a Patti Smith, de Sigur Rós a Burt Bacharach.

Theâtre Antique de Fourvière. Foto: Leonardo Aquino

Parc de la Tête D’Or

Foto: Leonardo Aquino

É onde o povo de Lyon espairece. Pistas bem calçadas recebem corredores e ciclistas. Áreas verdes viram locais de piqueniques. Entre as outras atrações, estão o jardim botânico, orquidários, zoológico e um velódromo. Além disso, o parque recebe eventos como espetáculos culturais e exposições.

 

Institut Lumière

Foto: Leonardo Aquino

Lyon tem uma parcela fundamental de responsabilidade na gênese do cinema. É a cidade onde nasceram os irmãos Louis e Auguste Lumière, os inventores do cinematógrafo. A casa onde a família Lumière viveu hoje abriga o Instituto que conta um pouco do início dessa história: os primeiros equipamentos, os primeiros filmes e os investimentos que os irmãos fizeram para popularizar a criação deles. Falamos do Institut Lumière no post sobre os museus de cinema.

 

 

Parc Olympique Lyonnais

Foto: Leonardo Aquino

O futebol também é um motivo de orgulho da cidade graças ao Olympique Lyonnais. O clube, que até bem pouco tempo atrás era uma equipe de meio de tabela na liga francesa, ganhou sete campeonatos nacionais seguidos entre 2002 e 2008. O heptacampeonato tem uma grande participação de brasileiros: Cris, Cláudio Caçapa, Fred e Michel Bastos, por exemplo. Mas nenhum é tão ídolo quanto Juninho Pernambucano, considerado o melhor jogador da história do clube.

Juninho é um dos ex-jogadores homenageados na esplanada do estádio. Foto: Leonardo Aquino

A época de grandes conquistas do Lyon foi vivida no estádio Gerland. Mas hoje o clube tem casa nova: o Stade des Lumières, parte integrante do Parc Olympique Lyonnais. A arena foi inaugurada em 2016, coincidindo com a Eurocopa realizada na França. Com capacidade para 59.286 pessoas, ela fica situada fora da cidade, no município de Décines-Charpieu. Em dias de jogos, há um esquema de transporte público que deixa o visitante numa estação de tram a poucos metros da esplanada do estádio.

Foto: Leonardo Aquino

Para acompanhar a agenda de eventos (jogos e shows), acesse o site do clube: http://www.olweb.fr/fr/club/agenda-316.html. Há visitas guiadas ao estádio, que vão de € 9 a € 100. Outras informações aqui: http://www.parc-ol.com/visite-stade/

 

Rue de la République

Foto: Leonardo Aquino

Para quem tiver um espaço na agenda em Lyon para compras, este é o lugar. É uma rua que tem uma parte de sua extensão fechada para carros. Ela reúne algumas das principais lojas que você encontraria em vários shoppings pelo mundo afora, como Levi’s, H&M, Fnac, Sephora…

Procurando bem, você acha alguns tesouros. A Janaína recomenda a Yves Rocher, que em Lyon tem preços muito mais baixos que os praticados no Brasil. Já eu curti muito uma loja chamada Nature et Découvertes, que tem artigos para viagem e de design. Outra dica: as ruas transversais à République também têm lojas bem legais.

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Quatro museus para os fãs de cinema na Europa

Quem acompanha o Mochileza sabe que este blog é um grande fã de cinema. Já recomendamos uma lista de filmes para inspirar viagens e sempre procuramos referências cinematográficas nos nossos…

Quem acompanha o Mochileza sabe que este blog é um grande fã de cinema. Já recomendamos uma lista de filmes para inspirar viagens e sempre procuramos referências cinematográficas nos nossos roteiros (como a de “Abraços Partidos”, de Almodóvar, em Lanzarote, na Espanha). Dessa vez, resolvemos fazer uma compilação de destinos para quem quer se aprofundar ainda mais: museus dedicados ao cinema.

A Europa foi berço de vários movimentos cinematográficos em diversas épocas. O expressionismo alemão nos anos 1920. A nouvelle vague francesa nos anos 1960. O Dogma 95 na Dinamarca no fim do século 20. Não à toa, grande parte das coleções representativas para a história do cinema estão no velho continente. E, para a sorte dos amantes da sétima arte, muitos desses acervos estão abertos ao público.

Na viagem que fizemos à Europa em fevereiro de 2017, tivemos a oportunidade de conhecer quatro destes museus. Três na França (um em Paris e dois em Lyon) e um na Itália (em Turim). Cada um tem atrativos e perfis diferentes. Mas quem vibra com um bom filme vai se sentir contemplado por todos. Esperamos que você se inspire com nossas dicas!

Cinémathèque Française (Paris)

Foto: Divulgação

Paris é uma cidade intimamente ligada ao cinema. Foi o berço de cineastas lendários, de movimentos cinematográficos e cenário de filmes ao longo de várias décadas. Não é à toa que uma das coleções mais importantes da sétima arte em todo o mundo esteja na cidade. A Cinemateca Francesa merece uma série de visitas, tanto para apreciar o acervo quanto para acompanhar a movimentada programação.

O carro-chefe da Cinemateca é a biblioteca. São 23.500 trabalhos, 12 mil filmes em DVD, blu-ray e VHS, 23 mil cartazes e 14.500 desenhos. Isso sem falar nas fotografias, artigos de jornais, resenhas e materiais publicitários. Todo o acervo pode ser consultado online (basta acessar a ferramenta Ciné Ressources).

Foto: Divulgação

A coleção do museu não é tão extensa, mas é apaixonante. São 600 objetos expostos, entre peças de figurino, cenografia, esboços e máquinas da pré-história do cinema. Lanternas mágicas e outros avôs do cinematógrafo originais dos anos 1700 dividem espaço com itens mais recentes. Lá estão réplicas do robô do filme “Metrópolis”, de Fritz Lang, e desenhos do mestre russo Sergei Eisenstein. Isso sem falar nas exposições temporárias. Quando visitamos o museu, em fevereiro de 2017, estava em cartaz uma exposição sobre o cinema japonês.

Foto: Leonardo Aquino

Além disso, as salas da Cinemateca sempre recebem mostras temáticas. Retrospectivas de atores e diretores, filmes de um determinado país ou de uma determinada época estão entre as atrações. A programação está sempre disponível online ou em livretos distribuídos gratuitamente na recepção (que servem como ótimos souvenirs).

Para terminar, a Cinemateca ainda tem uma lojinha incrível. São centenas de filmes (alguns bem raros), livros e itens colecionáveis. Apenas tome cuidado para não levar DVDs ou blu-rays que não rodem na região do seu aparelho.

Serviço

A Cinemateca abre a semana inteira, mas é fechada às terças-feiras. Os ingressos custam 3,50 euros (biblioteca), 5 euros (museu) e 6,50 euros (cinema). Para aqueles que vão passar um longo tempo em Paris e pretendem fazer várias visitas, há passes mensais. Informações completas no site: http://www.cinematheque.fr

 

Institute Lumière (Lyon)

Foto: Leonardo Aquino

O cinema como o conhecemos hoje surgiu em Lyon. Foi lá que nasceram os irmãos Auguste e Louis Lumière, inventores do cinematógrafo e responsáveis pela primeira exibição pública de filmes com ingressos pagos, em 1895. A casa onde eles passaram grande parte da vida recebe hoje o Institut Lumière, que fomenta a sétima arte e coloca em exibição objetos que ajudam a contar o início da história do cinema.

O local onde o instituto está situado se chama “Rua do Primeiro Filme”, em homenagem à invenção dos irmãos. A casa, muito bem conservada, tem na sua coleção permanente inúmeros objetos. Protótipos de cinematógrafos, lanternas mágicas e muitas outras máquinas que ajudaram a desenvolver o cinema enquanto arte.

Foto: Leonardo Aquino

O acervo também mostra que os Lumière, além de artistas, tinham um tino comercial. Durante muito tempo, eles patentearam e venderam equipamentos como câmeras e filmes. Além disso, os irmãos treinavam operadores de câmera para viajar pelo mundo e registrar imagens que hoje se tornaram históricas. África, Ásia e América eram alguns dos destinos dos cinegrafistas em épocas que viagens entre continentes só podiam ser feitas de navio.

O Institut Lumière também possui várias salas de cinema em Lyon. Elas exibem mostras temáticas, retrospectivas e filmes fora do circuito comercial. Na sede do instituto, há uma loja onde é possível comprar souvenirs dessas mostras (como cartazes e livros).

Um souvenir obrigatório

Quem quer estudar o cinema mais a fundo pode encontrar lá um item precioso. O filme “Lumière! L’Aventure Commence” reúne pela primeira vez em DVD e blu-ray os primeiros filmes realizados pelos irmãos. Antes do cinema se estabelecer como arte, os Lumière filmavam cenas do cotidiano como a saída de um trem da estação e pessoas andando pelo centro de uma cidade. Os filmes foram restaurados e têm a opção de áudio com comentários.

Além do museu e da loja, o Instituto também tem uma biblioteca com uma coleção de livros, periódicos, trabalhos e filmes.

Fora do Instituto, o Muro dos Cineastas relembra os homenageados pela instituição ao longo dos anos. Foto: Leonardo Aquino

Serviço

O museu do Institut Lumière funciona de terça a domingo, das 10h às 18h30. Os ingressos para adultos custam 7 euros. A biblioteca abre de terça a sexta, das 14h às 18h30 e tem ingressos a 3 euros. Para informações sobre a programação dos cinemas e de outras realizações do Instituto, acesse o site: http://www.institut-lumiere.org

 

Musée des Miniatures et du Cinéma (Lyon)

Foto: Leonardo Aquino

Este museu é uma programação imperdível para quem viaja com crianças. Ele fica num casarão antigo em pleno Vieux Lyon, bairro histórico da cidade que é considerado Patrimônio Mundial pela Unesco. Um dos atrativos é a coleção dedicada aos efeitos especiais do cinema. Outro é o acervo de cenas recriadas em miniatura, muitas delas criadas pelo próprio idealizador do museu, o artista Dan Ohlmann.

A primeira parte da visita começa com a reprodução de um set de filmagem. O casarão que hoje abriga o museu já recebeu a locação do filme “Perfume: A História de um Assassino” (2006). Alguns dos cenários e figurinos originais estão impecavelmente preservados.

Em seguida, o museu mostra uma coleção única na Europa de 400 itens como maquetes, fantasias, máscaras e objetos de cena. Todos eles ilustram a magia dos efeitos especiais. O domo do Capitólio dos Estados Unidos, que explode em “Independence Day”, está lá. Assim como a máscara usada por Robin Williams em “Uma Babá Quase Perfeita”, fantasias de filmes como “X-Men” e “O Quarteto Fantástico” e armas futuristas e realistas.

Mrs. Doubtfire, quem esquece? Foto: Leonardo Aquino

A visita termina com a coleção de miniaturas. São 100 peças hiperrealistas que reproduzem cenas do cotidiano numa escala de 1/12. Restaurantes finos, um pavilhão de penitenciária, museus, teatros, bibliotecas e salas de aula estão entre os ambientes reproduzidos. A maioria é obra de Ohlmann, o criador do museu (que eventualmente está por lá batendo papo com os visitantes). Mas há algumas miniaturas elaboradas por artistas convidados.

Foto: Leonardo Aquino

Um aviso: esteja preparado para subir várias escadas, já que o museu tem cinco andares e fica num casarão antigo. O elevador está disponível apenas para portadores de necessidades especiais.

Serviço

O museu está aberto o ano inteiro, exceto 25 de dezembro e 1º de janeiro. De segunda a sexta, das 10h às 18h30. Sábados e domingos, das 10h às 19h. O ingresso inteiro para adultos custa 9 euros. Outras informações no site – http://www.museeminiatureetcinema.fr

 

Museo Nazionale del Cinema (Turim)

Foto: Giulio Lapone

Turim não é apenas a cidade-sede da Juventus, um dos clubes gigantes do futebol italiano. É também uma espécie de capital do cinema no país. E tem no Museu Nacional do Cinema uma atração imperdível. Primeiro, obviamente, pela coleção e pela raridade de alguns itens expostos. Por último, mas não menos importante, pela localização. O Museu fica dentro da Mole Antonelliana, uma torre que fica no centro de Turim e é o principal cartão-postal da cidade.

Mole Antonelliana: você vai vê-la muito se for a Turim. Foto: Leonardo Aquino

A coleção começou a ser formada nos anos 1940 e já esteve exposta em vários endereços. A Mole virou a casa do museu em 2000, depois de uma grande revitalização arquitetônica. São quatro andares de exposições. Entre os objetos mais raros, estão um roteiro de “Psicose” doado pelo próprio Alfred Hitchcock, um dos figurinos usados por Peter O’Toole em “Lawrence da Arábia” e storyboards de “O Império Contra-Ataca”, da saga “Star Wars”.

Passo a passo no museu

Como a Itália tem um papel fundamental na história da sétima arte, o cinema local também está bem representado. No segundo andar, várias salas são dedicadas a gêneros como animação, musicais e ficção científica, entre outros. Mas duas delas prestigiam o orgulho nacional. Uma é dedicada a “Cabíria”, uma obra-prima dos filmes mudos italianos e outra à importância da cidade de Turim no cinema do país.

Foto: Divulgação

Nos andares seguintes, os visitantes podem conferir alas sobre diversos pontos da cadeia produtiva do cinema: roteiro, figurino, direção e produção, entre outros. Há também um tributo a uma famosa produtora italiana de cinema, a Titanus. O último andar é dedicado a uma galeria de pôsteres. É possível subir ainda mais, já que a Mole Antonelliana tem um elevador até a cúpula, de onde se tem uma vista panorâmica de grande parte de Turim. É possível comprar ingressos só para o museu ou só para o elevador. Mas comprando os dois juntos, tem desconto.

Foto: Divulgação

Além das exibições permanentes e temporárias, o Museo Nazionale del Cinema de Turim realiza festivais. O mais famoso deles é o Torino Film Festival, que em 2017 terá a 35ª edição. Em épocas regulares, o museu exibe filmes num multiplex de rua bem próximo da Mole Antonelliana: o Cine Massimo.

O site do museu tem uma espécie de visita virtual que pode servir como aperitivo: http://www.museocinema.it/vertical_dreams_en/index.php

Serviço:

O museu fecha apenas às terças-feiras. De domingo a sexta, ele funciona das 9h às 20h. Aos sábados, das 9h às 23h. O horário é o mesmo para o elevador panorâmico. O ingresso para o museu custa 10 euros (adultos). Para o elevador, o preço é 7 euros (adultos). Comprando os dois juntos, a casadinha sai por 14 euros (adultos). Outras informações no site: http://www.museocinema.it

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Berlim: 6 segredinhos para descobrir na capital alemã

Uma metrópole pode oferecer a seus visitantes infinitos tipos de experiência. Quanto maior a cidade, mais facetas ela tem. Vida noturna ou passeios ao ar livre. Museus de renome internacional…

Uma metrópole pode oferecer a seus visitantes infinitos tipos de experiência. Quanto maior a cidade, mais facetas ela tem. Vida noturna ou passeios ao ar livre. Museus de renome internacional ou galerias conhecidas apenas pelos artistas locais. Restaurantes de franquia ou bistrôs familiares. Berlim é uma dessas cidades e cada ida até lá pode ter roteiros completamente distintos uns dos outros.

Estive na capital alemã em junho de 2015 e fiz um roteiro mesclado. Primeiro, listei locais nos quais já tinha interesse, como a Siegessaule, o Museu da Alemanha Oriental e a rota temática de David Bowie (sobre a qual escrevi neste post). Segundo, deixei um espaço para indicações de amigos e para descobertas aleatórias (que quase sempre são as melhores de uma viagem).

Resolvi compartilhar com vocês alguns desses achados que fiz. Assim, você que está planejando uma viagem a Berlim pode incluir essas dicas no seu roteiro. Pode confiar como se fosse um velho amigo!

 

Shiso Burger

Foto: awesomeberlin.net

Foto: awesomeberlin.net

É um lugar que mistura gloriosamente a culinária asiática e a cultura do hambúrguer. As receitas são todas autorais e contém algum detalhe oriental. Seja pelas folhas de shiso (uma planta parente da hortelã muito popular no Japão), pelo molho teriyaki ou pelo chili coreano.

Foi o lugar onde fiz minha primeira refeição em Berlim e garanto a vocês que a viagem não poderia ter um começo melhor. Escolhi o Chili Lemon Burger. Além dos ingredientes padrão de um sanduba (queijo cheddar, alface, tomate, picles, cebolas) e da maionese de limão e do chili que o batizam, ele tinha COENTRO. Sim, folhas de coentro no hambúrguer! Nunca imaginei que sairia do Recife para comer um sanduíche com coentro na Alemanha. Mas o resultado foi delicioso.

A emoção de ver um sanduba com COENTRO em Berlim foi tão grande que até tremi a foto

A emoção de ver um sanduba com COENTRO em Berlim foi tão grande que até tremi a foto

O menu completo do Shiso Burger pode ser conferido no site do restaurante. Todos os sandubas de carne são feitos com bife Angus, podendo-se fazer um upgrade para Wagyu (raça que produz o Kobe Beef) por 2,90 euros. Há opções vegetarianas como o Toad Burger (com cogumelos Portobello) e o Veggie Burger (com tofu e berinjela grelhada).

Um detalhe muito importante: leve dinheiro em espécie porque o Shiso não aceita cartões!

 

Endereço: Auguststr. 29c. 10119 Berlin Mitte
Site: http://en.shisoburger.de/
Facebook: https://www.facebook.com/ShisoBurger/

 

MacLaren’s Pub

It´s gonna be legen... wait for it... DARY!

It´s gonna be legen… wait for it… DARY!

Quem assistiu (ou ainda assiste) à série How I Met Your Mother, sabe que o epicentro de quase todos os episódios é o pub favorito dos protagonistas, o MacLaren´s. Quando fui a Nova York, em setembro de 2013, conheci o McGee´s, pub que inspirou a série e que tem várias fotos alusivas a ela nas paredes. Mas foi em Berlim que descobri uma réplica absolutamente fiel e com cinco estrelas na categoria “local temático”.

O MacLaren´s alemão não tem apenas o nome idêntico ao do pub da série. A fachada e o letreiro principal são iguais. No interior do bar, há vários itens que os fãs de HIMYM reconhecerão num piscar de olhos. A trombeta azul, a faixa com a palavra “Intervention” e o guarda-chuva amarelo estão lá (e alguns deles estão à venda).

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O cardápio também tem itens inspirados nas histórias da série. Os drinks e shots têm nomes como “Sex In Ted´s Room”, “Robin Sparkles” e “The Naked Man”. E os cinco tipos de hambúrgueres levam os nomes dos personagens principais. Awesome!

 

Endereço: Boxhagener Strasse 16. 10245 Berlin
Site: http://www.maclarens.de/
Facebook: https://www.facebook.com/maclarenspubberlin/

 

Tarantino’s Bar

tarantinos

Foto: Divulgação

Já que falamos em bar temático, este aqui é uma parada obrigatória para os fãs de cinema. O legado de Quentin Tarantino está em toda parte. Pôsteres nas paredes, filmes sendo exibidos num telão (não tão “ão” assim, afinal não é um cinema) e uma iluminação avermelhada à la Pulp Fiction. Apesar de ter happy hours com drinks a 5 euros de terça a quinta-feira (das 19h à meia-noite), é uma ótima pedida para um fim de noite. Sexta-feira é dia de DJs na casa, tornando o Tarantino´s uma das grandes indicações para a noite de Berlim. Dizem que o Tarantino em pessoa já esteve no bar que o homenageia, assim como atores habitués dos filmes dele, como Brad Pitt.

 

Endereço: Brunnenstr, 163. 10119 Berlin
Site: http://tarantinos-bar.de/

 

Museu de Instrumentos Musicais (Musikinstrumenten-Museum)

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Esta foi uma descoberta completamente aleatória. Andando por perto do Sony Center, na Potsdamer Platz, o letreiro deste museu me chamou a atenção, ainda que fosse discreto. Paguei os 6 euros da entrada e não me arrependi. O acervo de instrumentos musicais é impressionante. Há peças originárias do século 16 em diante. Muitos deles são restaurados pelo próprio museu. O acervo tem 3300 itens, mas apenas 800 estão em exibição. Imagine as relíquias que ainda estão sem condições de expor!

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Há instrumentos barrocos, precursores dos sintetizadores e um gigantesco órgão Wurlitzer. Ele foi construído em 1929 para fazer a trilha sonora ao vivo de filmes mudos no cinema. Tem mais de 1200 canos e ainda funciona perfeitamente. Uma performance ao vivo no órgão é feita ao final dos passeios guiados, realizados às quintas-feiras (18h) e sábados (11h).

O órgão Wurlitzer gigantesco

O órgão Wurlitzer gigantesco

Se você quiser explorar um pouco mais, há também uma biblioteca especializada em música. O museu faz parte do Fórum Cultural de Berlim, que fica localizado atrás do prédio da famosa Orquestra Filarmônica da cidade.

Endereço: Tiergartenstr, 1. 10785 Berlin
Site: http://www.mim-berlin.de/

 

Mustafa’s Gemüse Kebab

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Outra descoberta quase aleatória que fiz em Berlim. Estava andando com um casal de amigos em Kreuzberg, um bairro que é conhecido por abrigar a enorme colônia turca na cidade. Fizemos a associação imediata e tivemos a ideia de comer kebab. Procurando pelo Foursquare, encontrei a dica deste aqui e fomos andando atrás. Chegando perto, já vimos uma fila deste tamanho em frente a um quiosque na calçada.

A fila do kebab. Imagina se fosse de graça...

A fila do kebab. Imagina se fosse de graça…

Era um meio de tarde de uma sexta-feira. Ou seja: não deveria ser horário de pico. Então a fila deveria ser sinal de comida boa, e não de atendimento ruim. Banquei a escolha, apesar da enorme fome que sentíamos. Foram cerca de 45 minutos na fila e digo a vocês: a espera valeu cada volta dos ponteiros do relógio.

Quase uma hora depois, um kebab que nunca esqueci

Quase uma hora depois, um kebab que nunca esqueci

Pense num kebab delicioso! O pão tostadinho na medida e o recheio absurdamente bem temperado. E o melhor de tudo: super barato. De 2,90 a 3,90 euros, dependendo do tipo (döner ou durum). E, apesar da fila gigantesca, os kebabs saem bem rápido. Coisa de você esperar menos de 2 minutos quando chega a sua vez. Para nós, ficou a lição: tente saber muito bem a fila que você vai enfrentar.

 

Endereço: Mehringdamm 32, 10961 Berlin
Site: www.mustafas.de
Facebook: https://www.facebook.com/mustafasgemuesekebab/

 

Ständige Vertretung

Lá onde a coruja bebe

Lá onde a coruja bebe

Outro bar que descobrimos por acaso nesta viagem em junho de 2015. Éramos eu e mais quatro amigos que estávamos frustrados por não ter conseguido ingressos para a final da Champions League. Procuramos um bom lugar para assistir ao jogo e rodamos várias partes da cidade. Todos lotados. Até que encontramos este aqui que tinha uma mesinha disponível e suficiente para nós.

Por causa do nome difícil de pronunciar (para quem não fala alemão como eu) e da logomarca, informalmente batizei o local de “Bar da Coruja”. Aos poucos fui entendendo do que se tratava. É um bar regional, dedicado às tradições da Renânia, a região ocidental da Alemanha que fica junto ao rio Reno. Além das cervejas e das comidas típicas de lá (da cidade de Colônia, por exemplo), o bar oferece um bom mergulho na história política recente da Alemanha.

Antes de ser a premiê da Alemanha, Angela Merkel tomou umas por aqui. Foto: Divulgação

Antes de ser a premiê da Alemanha, Angela Merkel tomou umas por aqui. Foto: Divulgação

A tradução do nome do bar para o português é algo como “representação temporária”. Na época da Alemanha dividida, as repúblicas Oriental e Ocidental não tinham embaixadas do outro lado do muro. E sim as representações temporárias. A capital do lado comunista era Bonn, que fica na Renânia e fez com que essa região tivesse uma importância histórica muito grande no país. Fotos de políticos em visita ao bar decoram algumas paredes. E os donos sempre estão por lá. Um deles, Friedel Drautzburg, assistiu à final da Champions quase ao nosso lado.

Seu Fulano, impressionado com o Neymar

Seu Friedel, impressionado com o Neymar

Endereço: Schiffbauerdamm 8, 10117 Berlin
Site: http://www.staev.de/
Facebook: https://www.facebook.com/staevberlin

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6 motivos para conhecer (e curtir!) a Medellín pós-Pablo Escobar

A cidade de Medellín, na Colômbia, sempre teve uma associação imediata à violência na memória dos brasileiros. Quem tem pelo menos 30 anos de idade deve lembrar do auge da…

A cidade de Medellín, na Colômbia, sempre teve uma associação imediata à violência na memória dos brasileiros. Quem tem pelo menos 30 anos de idade deve lembrar do auge da guerra ao narcotráfico marcando presença nos telejornais. Pablo Escobar e o Cartel de Medellín eram figurinhas fáceis. Aqueles que eram mais jovens nessa época tomaram conhecimento da história com o boom da série Narcos.

O fato é que, mais de duas décadas depois da morte de Escobar, Medellín surpreende a quem insiste em associá-la a seus dias de plata o plomo. A cidade se tornou uma vitrine da vanguarda arquitetônica, com edifícios modernos e um planejamento urbano exemplar para grandes metrópoles. Além disso, oferece museus interessantíssimos, áreas urbanas de lazer, muito verde e o legado cultural de um nome mundialmente famoso: o artista plástico Fernando Botero. Ou seja: esqueça tiroteios, atentados e sicários. O maior perigo é você não querer voltar para casa.

Criançada se diverte e se refresca no Parque de los Pies Descalzos

Criançada se diverte e se refresca no Parque de los Pies Descalzos

Estive na Colômbia para uma viagem de férias de dez dias em julho de 2011. Três deles passei em Bogotá (e contei um pouco sobre a capital colombiana neste outro post). Outros quatro, em Cartagena de Indias. Para Medellín, reservei três dias. Foi o suficiente para ter um bom panorama sobre a cidade, entender como ela funciona e o estilo de vida de quem mora lá.

A capital da província de Antioquia não é um destino turístico muito popular da Colômbia. Além de Bogotá e Cartagena, fica atrás de cidades como Barranquilla, Santa Marta e de paraísos como a ilha de San Andrés. Para os viajantes de sightseeing (os que fazem apenas o circuito de pontos turísticos), isso talvez não seja bom. Para quem gosta de descobrir cidades, Medellín tem muito o que mostrar. Seguem aqui seis bons motivos para você querer conhecê-la.

1. O legado de Fernando Botero

Uma das 23 esculturas da Plaza Botero

Uma das 23 esculturas da Plaza Botero

Muito provavelmente você já viu uma obra de Fernando Botero sem saber que era dele. Sabe a versão rechonchuda da Mona Lisa? Foi Botero quem fez. E aquelas outras pinturas e esculturas de mulheres gordinhas, com traços e proporções bem peculiares? São a marca registrada deste artista plástico nascido em 1932.

Grande parte do acervo de Botero foi doada ao governo da Colômbia e está exposto no museu que leva o nome do artista em Bogotá (falamos sobre ele neste outro post). Mas como Botero nasceu em Medellín, a terra natal do artista não poderia ficar de mãos abanando. Por isso, uma das passagens obrigatórias de um passeio pela cidade é a Plaza Botero.

Além das mulheres, os animais de Botero também são gordinhos

Além das mulheres, os animais de Botero também são gordinhos

A praça fica num lugar bem cêntrico de Medellín e tem 23 esculturas de bronze assinadas por Fernando Botero. Estão livres para tirar todas as fotos que você quiser e sua criatividade permitir.

Para chegar à Plaza Botero, tome o metrô e desça na estação Parque Berrío. De lá, são só 250 metros de caminhada. Aproveite a viagem e visite outros dois lugares bem interessantes ao redor da praça: o Museu de Antioquia e o Palácio de Cultura Rafael Uribe.

Palácio de Cultura Rafael Uribe

Palácio de Cultura Rafael Uribe

2. Um incrível museu de ciências

os nerd pira!

os nerd pira!

Essa foi uma das grandes surpresas que tive em Medellín. A cidade abriga um museu de ciências que impressiona pelo tamanho, pela modernidade e pela interatividade: o Parque Explora.

O tamanhão do Parque Explora

O tamanhão do Parque Explora

O Explora é novíssimo, foi aberto ao público em 2007. Tem 22 mil metros quadrados de área e atrações como: aquário, planetário e salas interativas que promovem experiências incríveis sobre temas que vão de física a neurociência. Para quem pirava no Mundo de Beakman ou algum outro programa de TV do gênero, é um programa imperdível.

Science is cool

Science is cool

Para chegar ao Parque Explora, é preciso tomar o metrô até a estação Universidad. Outro passeio que você pode fazer logo em seguida é o Jardim Botânico de Medellín. Basta atravessar uma avenida. O destaque por lá é o orquidário gigantesco e lindíssimo.

O orquidário do Jardim Botânico de Medellín

O orquidário do Jardim Botânico de Medellín

3. Arquitetura e planejamento urbano

O fascinante edifício da Teleantioquia, o canal público de TV da província

O fascinante edifício da Teleantioquia, o canal público de TV da província

Depois que a era dos cartéis ficou para trás, Medellín passou por um intenso processo de transformação urbana que se consolidou na virada do século. Foram realizados vários planos diretores, que levaram em consideração variáveis como o desenvolvimento social, o ordenamento territorial, a gestão de recursos naturais e a sustentabilidade. Como resultado, a cidade virou referência internacional em urbanismo, melhorou a vida dos moradores e se tornou mais atrativa para turistas.

Entre os destaques desta nova Medellín, está o Metrocable, uma espécie de extensão do transporte público por meio de teleféricos, que ligam estações de metrô a bairros mais pobres. A mudança promoveu acessibilidade e também provocou uma demanda de projetos de espaços culturais para esses bairros.

O Centro Cívico também é digno de nota. Ele reúne vários prédios de autarquias municipais e estaduais, biblioteca, edifícios empresariais e comerciais. Ao redor deles, 15 mil metros quadrados de espaço público, projetados tanto para absorver o fluxo de pessoas quanto servir de ponto de encontro e até mesmo lazer. Outras informações sobre o Centro Cívico neste artigo.

O Edifício Inteligente da EPM

O Edifício Inteligente da EPM

A algumas centenas de metros do Centro Cívico, fica a sede da EPM (Empresas Públicas de Medellín), cujo prédio é conhecido como Edifício Inteligente. Ele foi inaugurado em 1997 e foi projetado de forma a ficar pronto para qualquer nova demanda tecnológica. Ele é aberto para visitas guiadas com hora marcada. Informações por este site.

A estação de metrô mais próxima do Centro Cívico de Medellín é a Alpujarra. São apenas 10 minutos de caminhada. Para chegar ao Edifício Inteligente, a estação é a mesma. Depois do Centro Cívico, é preciso atravessar as carreteras 55 e 57.

4. Parques e áreas de lazer

Parque de los Deseos

Parque de los Deseos

Como parte do plano de ordenação urbana, Medellín ganhou espaços públicos que te deixam aquela pergunta: “por que não tem nada parecido na minha cidade?”. Dois deles estão quase juntinhos, próximos ao Edifício Inteligente: o Parque de Los Deseos e o Parque de los Pies Descalzos. Este último foi o que mais curti: ele tem uma espécie de jacuzzi pública! Mas é só pra colocar os pés… Você tira os sapatos e curte aquela hidromassagem de boa debaixo do sol. Também tem um espaço que te estimula a andar descalço para “se conectar com a energia do planeta”. Além disso, alguns bares, cafés e lanchonetes.

Dê férias para os seus pés

Dê férias para os seus pés

5. A tradição que sobrevive

Estes são os seus hosts no Pueblito Paisa

Estes são os seus hosts no Pueblito Paisa

Se você assistiu Narcos, deve lembrar que Pablo Escobar era chamado de “Robin Hood Paisa”. Paisa é a denominação de quem nasce na província de Antioquia, da qual Medellín é capital. E num morro de Medellín, há um cartão postal que remete a essas raízes. O Pueblito Paisa é uma réplica de uma vila antioqueña do início do século 20: as casinhas, as pracinhas, a igreja e tudo o mais que você pode encontrar numa cidade pequena do interior. Há algumas lanchonetes, bares e lojas de artesanato para quem coleciona souvenirs.

Take a walk on the Paisa side

Take a walk on the Paisa side

A estação de metrô mais próxima do Pueblito Paisa é a Exposiciones. Mas você não vai desembarcar em frente. É preciso uma caminhada e ainda mais uma subida até o alto do Cerro Nutibara. O melhor é pegar um táxi até o local na saída do metrô.

6. Vida noturna em Medellín

Assim como Bogotá, Medellín também tem a Zona Rosa, como é conhecida a área que concentra o epicentro da vida noturna. Ela fica ao redor do Parque Lleras, no bairro de El Poblado. Além dos bares e boates, há vários vendedores ambulantes ao redor da maior praça do parque. Eles vendem bebidas mais baratas e ajudam os jovens a economizar um pouco antes de entrar na balada. Muitos até ficam só pela praça mesmo, conversando, ouvindo a música dos bares abertos e bebendo sem gastar muito dinheiro.

******* Dicas bônus ********

1) As ruas de Medellín não tem nomes, e sim números. Existem as calles e as carreteras, que são perpendiculares entre si. Ou seja: calles não cruzam com calles e carreteras não cruzam com carreteras. E os números são subsequentes. Pode ser uma complicação danada no começo, mas também pode ajudar bastante se você conseguir pegar o espírito da coisa.

2) Nos últimos anos, depois que a figura de Pablo Escobar virou cult, surgiram passeios temáticos relacionados à vida do antigo rei do tráfico. A maioria (como este aqui) fica apenas dentro de Medellín e vai a lugares como a casa onde Escobar morreu e o túmulo onde ele está enterrado. Há este outro que é mais completo e dura até cinco dias e inclui uma visita à Fazenda Nápoles, onde Don Pablo viva em seus anos de ouro e criava sua coleção de animais exóticos. Detalhe: não fui a nenhum dos dois tours. Sugiro que você pesquise o que melhor contempla sua curiosidade.

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