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Roteiros e viagens de mochila sem sufoco

Tag: museus

Bangkok: roteiro de 6 dias pela campeã mundial do turismo

Praias paradisíacas, templos suntuosos, muita história, temperos exóticos e excelente infraestrutura turística. Cada um desses itens já é um pretexto suficiente para você decidir o seu próximo destino de férias….

Praias paradisíacas, templos suntuosos, muita história, temperos exóticos e excelente infraestrutura turística. Cada um desses itens já é um pretexto suficiente para você decidir o seu próximo destino de férias. Mas que tal encontrar tudo isso num lugar só? Se a combinação é atraente para você, considere incluir Bangkok nos seus próximos roteiros.

A Tailândia é o país onde turistas mais gastam dinheiro em toda a Ásia (52 bilhões de dólares), segundo dados de 2016. É também o segundo país asiático em número de visitantes recebidos, com 32 milhões. Isso é cinco vezes mais do que o Brasil. Neste quesito, só fica atrás da China, que, territorialmente, é 18 vezes maior. Além disso, Bangkok é a cidade que mais recebeu turistas em todo o mundo, com mais de 19 milhões de visitantes.

Minha esposa e eu resolvemos fazer parte da estatística em 2014, quando passamos alguns dias em Bangkok, Chiang Mai e Phuket. Ainda conseguimos encaixar um “pulo” em Siem Reap (Camboja), para conhecer o fantástico sítio arqueológico de Angkor Wat.

Ao planejar os dias na Tailândia, buscamos ao máximo fazer os passeios por meio de empresas de turismo bem cotadas na internet. Isso porque tínhamos várias dúvidas. Como se locomover em Bangkok? Como nos comunicar com os tailandeses? Quais seriam lugares seguros e perigosos para andar? O que já posso adiantar a você é que não dá pra imaginar um passeio pelos arredores da cidade sem recorrer a agências que organizam esses tours. Por outro lado, dentro da cidade é muito mais fácil se virar por conta própria.

A viagem para Bangkok é muito longa. Para se ter uma ideia, partindo de Belém, levamos mais de 66 horas para chegar no nosso hotel. O que compensa todo o desgaste é a convicção de que, quanto mais nos afastamos dos nossos lares, mais nos deparamos com pessoas, culturas e lugares instigantes. Por toda essa distância, e para melhor aproveitar essa impressionante cidade, sugiro aqui um roteiro de seis dias, com base nas experiências que tivemos por lá.

 

Onde ficar

Para começar, apesar de não recomendar ficar no hotel no qual nos hospedamos, sugiro sim a região da avenida Sukhumvit. Além da localização central é nessa área que estão os principais shoppings da cidade: Siam Paragon, Central World, Central Embassy e Terminal 21. Eles servem de bons pontos de apoio e referência. Nesta região também há boas opções de restaurantes e vários hotéis, de diversas faixas de preços, como Sheraton, Mariott e Novotel. O metrô de superfície sobre a avenida Sukhumvit facilita muito a locomoção na área. Escolha um hotel próximo de uma de suas paradas.

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Uma dica que gosto de dar para pessoas que viajam para países que não usam nosso alfabeto é estocar alguns cartões contendo o endereço do seu seu hotel, no idioma local. Coloque-os na carteira, na mochila, bolsos, bolsas etc. Eles ajudam bastante na hora de explicar para o motorista do taxi, uber ou tuk-tuk onde fica o seu hotel.

Aquecendo as turbinas

Casa de Jim Thompson

Depois de uma viagem exaustiva acho sempre bom começar os trabalhos com um dia mais tranquilo. Com esse espírito, a primeira parada da viagem foi o museu da Casa de Jim Thompson. O cara foi um empresário americano que desempenhou um papel crucial no ressurgimento da indústria mundial da seda nas décadas de 50 e 60. O tour guiado pela casa (obrigatório) é excelente. Aproveitamos também o gift shop para comprar souvenirs feitos da seda local, com estamparias exclusivas, com a assinatura da marca Jim Thompson.

Jim Thompson's House, Bangkok

Jim Thompson’s House, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

Siam Paragon – O paraíso dos paladares

Saímos da casa/museu por volta das 13h e caminhamos até o ótimo shopping Siam Paragon. Apesar de ser conhecido pela sua exuberante coleção de lojas, a maior preciosidade desse lugar é a sua praça de alimentação. Trata-se um verdadeiro paraíso alimentar, com a vantagem de contar com sombra e ar-condicionado.

Uma vez lá, aproveitamos para passear pelo seu primeiro andar, conferindo os menus dos seus restaurantes antes de escolher onde almoçar. Logo na primeira refeição, aprendemos uma lição importante: a comida tailandesa é apimentada demais. Extremamente mesmo. Por isso, passamos a escolher somente as opções do menu “não apimentado” (ainda bem picantes) em todas as nossas refeições.

Comida tailandesa, Siam Paragon, Bangkok

Comida tailandesa, Siam Paragon, Bangkok. Foto: André Orengel.

Erawan Shrine

Após o almoço, e a sobremesa, saímos do shopping pelas passarelas do segundo andar. Caminhamos no sentido oeste, até encontrar um dos mais populares templos da cidade: o Erawan Shrine, na esquina da Ratchadamri com a Rama 1. Fica bem ao lado do prédio do hotel Hyatt. Está abrigado neste templo uma imagem de Phra Phrom, o representante tailandês do deus hindu da criação Brahma.

Erawan Shrine, Bangkok

Erawan Shrine, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

 

Reza a lenda que o pequeno templo foi construído ali, em 1956, para afastar uma maldição lançada sobre a construção do antigo hotel Erawan. Tudo porque as suas obras foram iniciadas em uma data não auspiciosa. O mau agouro, dizem, provocou uma série de infortúnios, como acidentes, atrasos, perda de carregamentos de materiais de construção, entre outros. Com a conclusão do templo, a influência negativa foi definitivamente afastada,  tornando-o famoso e adorado pelos tailandeses.

Além das centenas de incensos acesos pelos fieis, é interessante ver que eles também contratam dançarinas profissionais. A sua função é executar performances de danças tradicionais para aumentar as chances das preces serem atendidas.

Erawan Shrine, Bangkok

Erawan Shrine, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

 

Infelizmente, em agosto de 2015, o local foi alvo de um atentado terrorista que matou 20 pessoas e feriu outras dez. Poucos dias depois o templo foi restaurado e reaberto para a visitação pública.

 

Lumphini Park

Continuando o passeio andamos pela lateral do Hyatt, na Avenida Ratchadamri, até chegar no animado Lumphini Park. Nessa hora, por volta do pôr do sol, o parque está cheio de gente praticando exercícios e perambulando sem pressa por suas ruas.

Lumphini Park, Bangkok

Lumphini Park, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

 

O jantar foi no Sirocco, na cobertura do State Tower (1055, Silom Road). Você vai reconhecer esse lugar do filme Se Beber Não Case 2. A vista, o serviço e a comida são realmente de primeiríssima qualidade. Reserve com antecedência.

Ko Ratanakosin – o berço da cidade

O Grande Palácio de Bangkok

Iniciamos o segundo dia indo diretamente para a região de Ko Ratanakosin. Aqui fica o complexo do Grande Palácio de Bangkok, que, entre outros, abriga o templo do mítico Buda de Esmeralda. É a atração turística mais procurada da cidade, então é bom chegar logo cedo. Ele fica aberto todos os dias das 08h30 às 15h30, e a entrada custa 500 baht. Assim, não caia no comum golpe dos espertalhões que dizem estar o local fechado para lhe levar para outro lugar e, com isso, ganhar uma gorda comissão.

Grande Palácio, Bangkok

Grande Palácio, Bangkok. Foto: André Orengel.

 

Outra coisa importante para se ter em mente é que, como ali contém um dos lugares mais sagrados de toda a Tailândia, há um estrito código de vestuário a ser seguido. Em síntese, ombros, joelhos e pés devem estar sempre cobertos, em respeito à santidade do espaço. Por isso, nada de bermudas, sandálias ou camisetas sem manga, tanto para homens como para mulheres. Há a possibilidade de comprar calças na porta do complexo bem como pegar calças emprestadas ao lado da entrada. Eu preferi levar a minha mesmo.

Grande Palácio, Bangkok

Grande Palácio, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

 

Não deixe que a superlotação do lugar lhe impeça de conhecê-lo com calma, pois ele é repleto de detalhes e decorações muito bonitos. Vale a pena investir no áudio guia disponível na bilheteria para ter mais informações sobre o que há por lá.

O complexo foi construído no século XVIII às margens do rio Chao Phraya a mando de Rama I. Já serviu de residência para os reis da Tailândia, de lar para uma numerosa corte e de administração central do país, representando mais de 200 anos de história real e experimentação arquitetônica. O enorme lugar conta com mais de 100 prédios, na sua maioria construídos no estilo Bangkok antigo (Ratanankosin).

Grande Palácio, Bangkok

Grande Palácio, Bangkok. Foto: André Orengel.

Wat Phra Kaew

Abrigado em uma capela ricamente decorada e protegida por um par de gigantes míticos, a imagem do Buda de Esmeralda é a principal razão para se ir ao templo de Wat Phra Kaew. A notoriedade dessa estátua de 66 cm, feita provavelmente de jade verde escura (e não esmeralda), cresceu por volta do século XIV, quando a camada de gesso que a protegia foi danificada, exibindo a sua brilhante coloração.

No meio do século XVI, ela acabou sendo levada do Reino de Lana (ao norte da Tailândia) para Luang Prabang (então capital do reino de Lan Xang, hoje, Laos) por Setthathirath. A oportunidade para isso ocorreu quando, depois de ser rei de Lana (por um breve período), assumiu o trono de Lan Xang, levando a imagem com a sua mudança. Ela só foi recuperada dois séculos depois, pelo general tailandês Chao Phraya Chakri, que invadiu a cidade de Vietiane. Após a mudança da capital de Thonburi a Bangkok, foi erguido o magnífico Wat Phra Kaew, para assim proteger e honrar o Buda de Esmeralda.

Buda de Esmeralda, Wat Phra Kaew, Bangkok

Wat Phra Kaew, Bangkok. Foto: André Orengel.

 

Mal dá para ver a estatueta do pé do altar que a exibe, de tão pequena que ela é. A decoração ao seu redor, no entanto, é de deixar qualquer um de queixo caído. Um outro fato curioso sobre esta imagem é que a sua roupa é trocada pelo rei, três vezes ao ano, de acordo com a estação (quente, fria e chuvosa), em uma pomposa cerimônia.

Não deixe de apreciar os murais que adornam na parede interna deste complexo, que representam a versão tailandesa do épico indiano Ramáiana. Inicialmente pintados durante o reinado de Rama I, eles foram belamente restaurados recentemente.

Grande Palácio, Wat Phra Kaew, Bangkok

Murais do Wat Phra Kaew, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

Mercado de Amuletos

Finalizada a visita ao Complexo do Palácio Real, fomos ao Mercado de Amuletos, ao norte, junto ao rio Chao Phraya. Lá, ziguezagueamos os estreitos corredores apreciando as curiosidades vendidas e compramos uma pequena estatueta do Buda, na posição Varada Mudra, de recordação.

Mercado de Amuletos, Bangkok

Mercado de Amuletos, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

 

Saindo do mercado, acompanhamos o curso do rio no sentido sul, passando entre o muro do Palácio Real e a água. Seguimos pela rua Maha Rat e dobrando na viela que leva ao restaurante The Deck. As ruas não são bem sinalizadas, portanto acompanhe o percurso pelo mapa abaixo. A comida é bem gostosa, o preço é camarada e a vista do rio e do templo Wat Arun são maravilhosas.

Wat Pho

Depois do almoço, é hora de visitar o templo de Wat Pho, ali pertinho. É aqui que estão a maior estátua do Buda reclinado, a maior coleção de imagens do Buda e o primeiro centro de educação pública de toda a Tailândia. Tirando o prédio onde se encontra a maior imagem do templo, conseguimos encontrar alguns cantos pacíficos na ampla área do complexo. Foi ótimo, poder apreciar e se conectar com a história e religiosidade do lugar com maior serenidade.

Wat Pho, Bangkok

Wat Pho, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

 

A estátua do Buda reclinado, com 46 metros de comprimento e 15 metros de altura, quase não cabe em seu abrigo. A posição deitada ilustra a elevação de Buda ao nirvana. Observe a ornamentação das solas dos pés da estátua, exibindo as 108 características auspiciosas da personalidade do Buda.

Buda Reclinado, Wat Pho, Bangkok

Buda Reclinado, Wat Pho, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

Sola do Pé do Buda Reclinado, Wat Pho, Tailândia. Foto: Manuela Corral

As imagens do Buda reverenciadas nos quadro santuários dispostos no complexo segundo os pontos cardeais, também são muito bonitas e merecem ser visitadas. Admire, ainda, as 394 estátuas alinhadas nas galerias que conectam esses templos. Vale mencionar que, neste complexo, também fica localizada a matriz do ensino e preservação da medicina tradicional tailandesa, o que inclui a massagem tailandesa.

Wat Pho, Bangkok

Wat Pho, Bangkok. Foto: André Orengel.

Museu de Sião

Terminamos de visitar o Wat Pho por volta das 16h. Isso nos garantiu tempo suficiente para conhecer as galerias do muito bom Museu de Sião (como era chamada a Tailândia até 1939). Ele costuma funcionar até as 18h. A exibição permanente, com recursos bem interativos, enfatiza a história cultural do povo tailandês.

Para comer algo diferente da comida tailandesa, se você é fã da culinária alemã, recomendo o Bei Otto, localizado na Sukhumvit Soi 20. Fomos lá duas vezes e gostamos bastante de tudo que provamos.

 

Ayutthaya

No seguinte dia da viagem resolvemos contratar um tour que nos levasse ao sítio arqueológico de Ayutthaya. Considerado patrimônio cultural da humanidade pela Unesco, o local foi a capital do reino de Sião entre 1350 e 1767. Neste ano a cidade foi amplamente saqueada e destruída pela Birmânia, nação com a qual estavam em guerra desde o início do século XVI. As ruínas e a história do lugar são fascinantes.

Ayuthaya, Tailândia

Ayuthaya, Tailândia. Foto: André Orengel.

 

A excursão também passa pelo Bang Pa-In Royal Palace. É um complexo com um conjunto interessante de construções, às vezes utilizado pela família real tailandesa, especialmente no verão. Outras paradas foram alguns templos importantes da região e uma enorme estátua do Buda reclinado.

Buda Reclinado, Ayuthaya, Tailândia

Ayuthaya, Tailândia. Foto: Manuela Corral.

 

O almoço foi servido em um passeio de barco pelo rio Chao Phraya, no pitoresco caminho de volta para Bangkok. Para o jantar, escolhemos um dos restaurantes do shopping Central World, na avenida Sukhumvit.

 

Tuk-tuk para cá, tuk-tuk para lá

No quarto dia de viagem tratamos de dar um giro pela cidade de tuk-tuk, conhecendo dois de seus templos e finalizando com uma relaxante massagem no Mandarim Oriental.

Wat Arun

Começamos pelo Wat Arun. Após o declínio de Ayutthaya, o rei Thaksin transferiu a capital do reino de Sião para a cidade de Thonburi, na margem esquerda do rio Chao Phraya. Foi nessa época que se assumiu o controle do templo existente nesse local (Wat Jaeng) e se estabeleceu lá o palácio real e um santuário para abrigar o Buda de Esmeralda. Nesta ocasião, o templo foi renomeado para Wat Arun, em homenagem à deusa indiana da alvorada (Aruna).

Wat Arun, Bangkok

Wat Arun, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

 

Foi só depois da transferência da capital do reino de Sião para Bangkok que foi construída a torre central do templo de Wat Arun, no estilo khmer, com 82 metros de altura. O interessante é perceber que a ornamentação do templo é feita com porcelana chinesa quebrada, despejada nos portos da cidade. Ela servia de lastro aos navios que vinham da China para levar arroz produzido no interior do reino de Sião.

Chao Phraya, Wat Arun, Bangkok

Vista do Wat Arun, Bangkok. Foto: André Orengel.

Wat Suthat

Depois de explorar o primeiro templo do dia, subimos em um tuk-tuk e seguimos ao Old Town Cafe (130/11-12 Fueang Nakhon Road). É uma ótima opção para um rápido almoço e para se refrescar com um café gelado. De lá, andamos alguns quarteirões até o Wat Suthat. Na frente da entrada do templo, em uma pracinha, tem uma enorme e curiosa trave vermelha. Ela é chamada de Sao Ching-Cha (Balanço Gigante) e era usada em um festival brama em homenagem à deusa Shiva. Os participantes tinham que se embalar nela, na tentativa de pegar um saco de ouro colocado no alto de uma vara de bambu. A brincadeira era extremamente perigosa, levando várias pessoas à morte. Por isso, foi proibida durante o reinado de Rama VII.

O Wat Sutthat é a matriz dos sacerdotes bramas no país e um dos templos mais tranquilos que visitamos por lá. É nesse lugar também que estão enterradas as cinzas do rei Rama VIII. Aprecie a linda decoração deste templo, principalmente o enorme Buda de bronze originário de Sukhothai (o primeiro reino tailandês – sécs. XIII-XV), os murais que contam a história das vidas pregressas do Buda (dos mais bonitos do país).

Buda, Wat Suthat, Bangkok

Wat Suthat, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

Um fim de tarde revitalizante

Finalizada a visita, pegamos mais um tuk-tuk, agora com destino ao Mandarim Oriental. É um perfeito exemplar desta que é uma das cadeias de hotéis mais luxuosas do mundo. Desde o saguão você já começa a relaxar. Isso por conta da perfeita combinação de música ambiente, ar condicionado, linda decoração e chá. Para chegar a sua famosa casa de massagem, cruzamos o rio em uma embarcação do próprio hotel, que mais parece nos transportar para uma outra dimensão. Para não ter erro, fizemos a reserva pelo site e deixamos os tipos de sala e massagem disponíveis já selecionados. Chegando lá foi só relaxar, aproveitar e sair pessoas renovadas.

Para jantar com uma vista estonteante da cidade, recomendo o Vertigo (21/100 South Sathon Road Sathon | Banyan Tree). A apresentação e o sabor da comida servida são de tirar o chapéu. Para compensar, o preço é bem salgado.

Moon Bar, Vertigo, Bangkok

Vertigo, Bangkok. Foto: André Orengel.

Damnoen Saduk e o Museu Nacional

Um mercado flutuante

No quinto dia de viagem também decidimos sair da cidade. Dessa vez fizemos um tour de meio dia para o mercado flutuante de Damnoen Saduk. A experiência foi bem interessante e recomendamos para todos. Ainda compramos duas máscaras de madeira para guardar o nosso lar contra maus espíritos.

Mercado Flutuante de Damnoen Saduak, Tailândia

Mercado Flutuante de Damnoen Saduak, Tailândia. Foto: André Orengel.

 

O lado negativo do passeio foi a visita a um lugar onde se poderia montar em elefantes. Nos sentimos muito mal pelos animais, que carregam estruturas pesadas de ferro nas suas costas para levar o condutor e mais turistas ao redor de um circuito no interior da propriedade. A crueldade é evidente. Se lhe levarem a um lugar como esses, sugiro ficar dentro do veículo e protestar com o agente de viagens.

Na Tailândia existem alguns santuários para elefantes encontrados em situações desfavoráveis, como em fazendas e circos. Lá os bichos são recuperados e parecem melhor tratados. Além disso, a forma estabelecida para os turistas interagirem com os animais não parece maltratá-los. Fomos em um desses próximo à cidade de Chiang Mai, no norte do país, e gostamos muito do lugar. O nome de lá é Baan Chang Elephant Park.

O Museu Nacional de Bangkok

Depois do passeio pedimos para nos deixarem no Museu Nacional, que é considerado o maior museu do seu tipo no sudeste asiático. Almoçamos no restaurante do próprio museu. A comida é incrivelmente barata, mas não é tão saborosa. A vasta coleção de esculturas religiosas do museu é impressionante. Comece pela sua ala histórica, onde estão expostos, entre outros artefatos de inestimável valor, o mais antigo registro escrito em idioma tailandês e o trono do rei Taksin. A capela Buddhaisawan guarda uma das imagens do Buda mais reverenciadas da Tailândia, a Phra Phut Sihing.

Museu Nacional, Bangkok

Museu Nacional, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

Mais templos e tuk-tuks

Guardamos mais dois templos para o último dia em Bangkok: o Wat Traimit e o Wat Benchamabophit. Visitamos os dois num tour guiado. Mas, como disse lá em cima, achamos o tour absolutamente desnecessário. Preferia ter ido de táxi, Uber ou tuk-tuk, para economizar alguns dólares, fazer as coisas no nosso tempo e evitar as lojinhas comissionadas.

Wat Traimit

O Wat Traimit fica localizado no bairro chinês da cidade, ao final da rua Yaowarat. Este é o templo onde se venera a impressionante estátua de 3 metros de altura e 5,5 toneladas de puro ouro. Isso mesmo, puro ouro! Ela foi descoberta há uns 40 anos quando caiu de um guindaste e rompeu a sua proteção de gesso. “Ah, é por isso que essa imagem é incrivelmente pesada!”, deve ser o que todos pensaram.

Em estilo Sukhothai, a reluzente estátua data, provavelmente, do século XV. O santuário que abriga a famosa imagem do Buda de Ouro está no topo de uma nova estrutura de quatro andares. Os andares inferiores exibem a história da estátua dourada e da herança chinesa em Bangkok.

Buda de Ouro, Wat Traimit, Bangkok

Buda de Ouro, Wat Traimit, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

Wat Benchamabophit

O Wat Benchamabophit fica no interior de um belo parque. É um primoroso exemplo da arquitetura moderna dos templos budistas tailandeses. Ele foi construído no final do século XIX, no reinado do Rama V (suas cinzas estão enterradas no templo). A característica mais marcante deste santuário é o uso de mármore de Carrara branco em quase todo o seu revestimento. Isso lhe rendeu a alcunha de templo de mármore. No pátio atrás do prédio principal são exibidas 53 imagens do Buda, expondo os diferentes estilos utilizados para representá-lo na Tailândia e em outros países budistas.

Wat Benchamabophit, Bangkok

Wat Benchamabophit, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

Já ouviu falar em pet café?

A parte da tarde foi separada para conhecer o Parque de Dusit. Só que, na época em estivemos lá, o parque estava fechado por conta de uma série de protestos. Optamos então por passar a tarde nos shoppings da Sukhumvit.

Você já foi em algum café, onde, além de degustar das bebidas e comidas, você pode interagir com animais de estimação? Não estou falando do cachorro ou gato vira-latas que frequentam o bar da esquina. Mas de uma porção de bichinhos domésticos sedentos por carinho dos visitantes do café. Eu certamente gostaria de ir em um desses. A Monica Vieira, minha queridíssima cunhada, é praticamente uma especialista no assunto. Já foi em quatro desses só em Bangkok e recomenda todos! São o Little Zoo Café, o Dog in Town, o True Love @ Neverland e o Rabbito Café.

Para nos despedirmos da cidade, jantamos novamente no The Deck, e assim pudemos apreciar a sua vista do Wat Arun mais uma vez.

Wat Arun Bangkok

Vista do Wat Arun, a partir do The Deck, Bangkok. Foto: André Orengel.

 

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São Petersburgo: muito além da Copa do Mundo de 2018

São Petersburgo, a cidade responsável por exportar o estrogonofe para o mundo, foi também a capital do Império Russo de 1732 a 1918. Em 2018, será a segunda cidade a…

São Petersburgo, a cidade responsável por exportar o estrogonofe para o mundo, foi também a capital do Império Russo de 1732 a 1918. Em 2018, será a segunda cidade a receber mais partidas da Copa do Mundo. São sete jogos no total, desde a primeira fase até a decisão do terceiro lugar. Por lá, seleções como o Brasil e a Argentina já têm passagem garantida.

Pode até não ser o centro administrativo e financeiro da Rússia. Mas quando o assunto é arte, nenhuma cidade russa brilha mais do que São Petersburgo. O local fica especialmente animado durante o Festival Noites Brancas. O evento foi criado em 1993 para celebrar a época do ano em que o sol mal se põe. De lá para cá, cresceu demais. Passou de duas para oito semanas de duração. E o número de visitantes ultrapassou um milhão na edição mais recente.

 

Neste outro post concentrado em Moscou, falei sobre a época do ano em que estive na Rússia. Compartilhei algumas impressões gerais sobre o país, as dificuldades de comunicação que enfrentei e, entre outras coisas, prometi uma sugestão de itinerário para três dias em São Petersburgo. Como promessa é dívida, então vamos lá.

 

Primeiro Dia – Palácios ao Sul

Por causa dos horários de funcionamento dos lugares que queríamos conhecer, escolhemos, em nosso primeiro dia, sair da cidade e visitar dois palácios que ficam ao sul. Eles ficam a pouco mais de 30km de São Petersburgo e distam 6km entre si: o Pavlovsk e o Palácio da Catarina I (em Tsarskoe Selo).

Fica aqui uma dica para os marinheiros de primeira viagem. Sempre verifique o endereço e o horário de funcionamento de todas as atrações que quer visitar, com antecedência e de preferência no site oficial do lugar. Isto para evitar dar de cara com uma porta fechada porque a atração mudou de endereço ou não funciona naquele dia/horário.

Pavlovsk

Há alguma discussão na internet sobre qual dos dois palácios visitar primeiro. Nós decidimos começar pelo mais distante. Para chegar lá, pegamos o trem que parte da estação Vitebsky (витебск). Depois de uns 35 minutos, descemos na parada que leva o mesmo nome do palácio (Павловск). Ao sair da estação, acompanhamos o fluxo dos turistas e entramos em um amplo parque em estilo inglês. Fomos seguindo a sinalização até chegar ao Pavlovsk. Incrivelmente, não havia qualquer informação em outro idioma que não fosse o russo. A solução foi colar em uma família que tinha contratado uma guia que falava em inglês. A convite da família, é claro.

Pavlovsk. São Petersburgo.

Pavlovsk, localizado há aproximados 30km ao sul de São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

Em estilo neoclássico, o palácio foi construído a mando de Catarina II entre 1781 e 1786, para o seu filho Paulo (Pavel em russo, por isso o nome: Pavlovsk) e sua segunda esposa Maria Fyodorovna. A tarefa foi inicialmente confiada ao arquiteto escocês Charles Cameron, que caiu nas graças da imperatriz pelo trabalho realizado em Tsarskoe Selo. O projeto modesto e a tendência à simplicidade, no entanto, não agradaram a Paulo e sua mulher. Por isso, deram a Vicenzo Brenna (assistente de Cameron) a missão de dar um ar de imponência e realeza ao prédio. O serviço de Brenna foi muito apreciado pelo futuro imperador e sua esposa. Tanto que o arquiteto voltou a trabalhar para o casal na remodelação do palácio em Gatchina e no Castelo Mikhailovsky, em São Petersburgo.

O design de interior ficou a cargo da própria Maria Fyodorovna, que encheu o Pavlovsk com obras de arte locais e importadas dos quatro cantos da Europa. A coleção de mobiliário em exposição no palácio é impressionante e, por si só, justifica a visita.

O palácio que visitamos é uma réplica do original. Este, após servir de residência real por mais de cem anos (1786-1917), foi reduzido a cinzas duas semanas após o fim da 2ª Guerra Mundial. Foi o resultado do vacilo de um soldado soviético que jogou um cigarro em uma mina alemã (quanta ironia!).

 

Palácio de Catarina I

Em seguida, pegamos o ônibus da linha 370, perto da entrada do Pavlovsk pela Rua Sadovaya Ulitsa, e descemos próximo ao Palácio de Catarina I. Esse palácio fica na cidade de Tsarskoe Selo (também conhecida por Pushkin), localizada uma parada antes da que descemos para ir ao Pavlovsk. Anotei também que poderíamos pegar os ônibus das linhas K286 e K513, dependendo da hora que terminássemos o passeio no primeiro palácio.

Ao chegar nessa grandiosa residência dos Czares russos, ficamos maravilhados com a sua grandiosidade, superando o Pavlovsk neste quesito. Mais de 100kg de ouro foram utilizados só para enfeitar a fachada. Outra coisa que nos chamou a atenção foi a imensa fila para comprar os ingressos. Ficamos umas três horas nela, e quase nem entramos, pois a bilheteria só estava aberta até as 17h. A fila era muito desorganizada, sendo constantemente furada por grupos de russos. Imagina na Copa!

 

Catherine's Palace. Tsarkoe Selo. São Petersburgo.

Fila em frente ao Palácio Cataria I, em Tsarskoe Selo. Foto: André Orengel.

 

Porém, tudo vale a pena quando se entra no museu.

O palácio foi construído inicialmente como uma casa de veraneio pela esposa do imperador Pedro o Grande, a Catarina I. Posteriormente, foi remodelado pela filha do, Elizabeth, com a ajuda do arquiteto Bartolomeo Rastrelli (que também assina o projeto do Palácio de Inverno, onde se encontra a principal coleção do museu Hermitage).

Infelizmente, um dos estragos impostos pelas tropas alemãs durante a Segunda Guerra Mundial foi o completo saqueamento do Museu. O que vemos hoje é uma belíssima reconstrução do original. Todas as salas são estonteantes, destacando-se a sala de âmbar (réplica), toda adornada com painéis sólidos desta preciosidade. Ao todo, eles pesam cerca de 450kg. A decoração original desta sala foi um presente de Frederico Guilherme I da Prússia, que a removeu de sua própria residência, o Palácio Charlottenburg em Berlim, para dar a Pedro o Grande.

Catherine's Palace. Tsarskoe Selo. São Petersburgo.

Palácio Catarina I, em Tsarskoe Selo. Foto: André Orengel.

Retornando para São Petersburgo

Para voltar, regressamos à parada em que descemos anteriormente e pegamos o mesmo ônibus de nº 370, que nos levou à estação de Tsarskoye Selo. De lá, pegamos o trem para São Petersburgo.

Pedro, Paulo, Maria, Elizabete, Catarina I e II; são muitos nomes e personagens em uma longa e instigante história de guerras, traições, ambições, poder e absurda riqueza. Para aprender mais sobre a vida dos Czares da Dinastia Romanov antes de pisar em solo russo, recomendo o excelente documentário da BBC Empire of the Tsars: Romanov Russia with Lucy Worsley, disponível na Netflix.

 

Segundo Dia – O Centro Histórico

Começamos o dia seguinte com o Free Walking Tour conduzido pela Anglo Tourismo. O esquema você já conhece: um guia lhe acompanha por um passeio pela cidade, contando a história e curiosidades de seus principais pontos turísticos. Ao final, você decide quanto quer pagar pelos serviços prestados, a título de gorjeta. A excursão dura cerca de três horas, começando as 10h30 em frente ao Diner (Столовая) na Nab. Reki Fontanki, nº 27.

Os destaques do passeio são: o Palácio Vorontsov, a Catedral de Nossa Senhora de Kazan, a Catedral de São Isaac, o Cavaleiro de Bronze, o Hermitage e a Igreja da Ressurreição do Salvador sobre o Sangue Derramado (ô nomezinho estranho!). Isso sem falar das várias histórias sobre a vida de Catarina II e de Pedro o Grande, a Revolução de Outubro, a Segunda Guerra Mundial e a vida moderna em São Petersburgo.

Church of the Savior on Spilled Blood. São Petersburgo.

Igreja da Ressurreição do Salvador sobre o Sangue Derramado, em São Petersburgo. Foto: André Orengel.

O Palácio de Inverno e o Museu Hermitage

Finalizado o tour, almoçamos e entramos no impressionante Palácio de Inverno, que hoje abriga a principal coleção do museu Hermitage. Antes disso, o prédio foi a residência oficial dos Czares, quase ininterruptamente, desde sua construção até a queda da monarquia russa.

Palácio de Inverno. Winter Palace. Hermitage. São Petersburgo.

Patio Interno do Palácio de Inverno (Museu Hermitage), São Petersburgo. Foto: André Orengel.

Construído com o objetivo de definitivamente inserir São Petersburgo no rol das mais magníficas capitais europeias de seu tempo, este pomposo palácio em tom pistache esbanja a extravagância e a ornamentação típicas da versão russa barroco europeu.

É difícil de acreditar, mas o acervo do Hermitage conta com mais de 3 milhões de obras de arte. Para se ter uma ideia, se você demorar um minuto para apreciar cada uma delas, somente após uns onze anos você estará liberado para voltar para a sua casa. Obviamente, nem todas as peças estão expostas. Os enormes salões do Palácio de Inverno exibem as principais obras desta que é uma mais importantes coleções de arte do mundo.

Throne Room. Palácio de Inverno. Winter Palace. Hermitage. São Petersburgo.

Sala do Trono, no interior do Palácio de Inverno (Museu Hermitage), São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

Dentre as obras em apresentação que vimos, algumas merecem atenção especial. O Gold Treasure Room, o Relógio do Pavão Dourado e os trabalhos de Leonardo da Vinci, Raphael, Michelangelo, Caravaggio, Peter Paul Rubens, Pierre-Auguste Renoir, Claude Monet e Henri Matisse.

Golden Peacock Clock. Hermitage. São Petersburgo.

O Relógio do Pavão Dourado, no museu Hermitage, São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

Encerramos o dia com um passeio e jantar às margens do rio Neva.

 

Terceiro Dia – Peterhof e Noites Brancas

No último dia em São Petersburgo visitamos o Peterhof (Petrodvorets). Aqui, constatamos que palácio suntuoso é o que mais há na cidade.

O que mais destaca o Peterhof dos demais é o conjunto de mais de 170 fontes e canais. É uma magnífica composição aquática, desenhada, em parte, por Pedro o Grande. Não há nada igual no planeta. As dezenas de estátuas douradas que cospem água em todas as direções são realmente extraordinárias. O estandarte da decoração é a apoteótica representação de Sansão batalhando com um leão. Ela foi feita para para celebrar a vitória russa contra os suecos em 1709.

 

Peterhof. Petrodvorets. São Petersburgo.

Destaque para a estátua no centro do lago artificial, que representa Sansão batalhando com um leão. Peterhof, em São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

Para chegar neste palácio, fomos de metrô até a estação Avtovo. De lá, pegamos o ônibus de número 210, que passa bem na frente do Palácio. Voltamos pelo mesmo caminho. O traslado levou quase 1h30, cada perna.

 

O Mariinsky

Para fechar com chave de ouro a visita à cidade, assistimos a um dos mais disputados espetáculos do festival Noites Brancas: o balé de “Romeo e Julieta”, apresentado no fabuloso Mariinsky.

Esse teatro é enorme e, sem dúvida, um dos mais bonitos que já estive. Com certeza vale a pena incluir o Mariinsky em qualquer visita a cidade. Mesmo que só para conhecer a sua estrutura.

Mariinsky. São Petersburgo.

Mariinsky, em São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

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Cais do Sertão: um museu high tech sobre a alma nordestina

Não é de hoje que o Recife tem talento para surpreender quando o assunto é museu. O Instituto Ricardo Brennand, inaugurado em 2002, tem um acervo de artes plásticas e…

Não é de hoje que o Recife tem talento para surpreender quando o assunto é museu. O Instituto Ricardo Brennand, inaugurado em 2002, tem um acervo de artes plásticas e armas brancas em dois castelos medievais em pleno Nordeste brasileiro. Mas, em abril de 2014, ele ganhou um companheiro à altura: o Cais do Sertão. Com uma grande dose de interatividade e tecnologia, o novo museu mergulha fundo na alma regional e já é uma das principais atrações da capital pernambucana.

Cais do Sertão, Recife

Foto: Leonardo Aquino

 

A importância do Cais do Sertão no turismo do Recife começa na localização. Ele fica num antigo armazém da área portuária da cidade, que passa por um processo de revitalização semelhante ao vivido por Belém. O museu está a uma breve caminhada de locais como o Marco Zero, a Rua do Bom Jesus e o Cais da Alfândega. Portanto, é muito fácil inclui-lo num roteiro a pé pela região do Recife Antigo.

Foto: Leonardo Aquino

 

Inaugurado em abril de 2014, o Cais do Sertão pode ser definido como um museu social, cultural e antropológico. O acervo monta um mosaico sobre a identidade regional nordestina em diversos aspectos: religiosidade, música, costumes e rotina, entre outros. É um portal para um Nordeste que às vezes é desconhecido até mesmo pelos moradores da região, especialmente os de zonas urbanas.

Logo na entrada, somos convidados a assistir à exibição do curta-metragem “Um Dia no Sertão”, mostrando a rotina de moradores de comunidades na zona rural de Serra Talhada (município a 414 quilômetros do Recife), desde o raiar do sol até as festas que vão madrugada adentro. O filme é projetado numa tela gigante e curva, o que permite uma imersão com uma riqueza gigante de imagens e sons.

Cais do Sertão, Recife

A projeção do filme “Um Dia no Sertão”. Foto: Leonardo Aquino

 

Passado o filme, o museu propriamente dito se escancara aos visitantes. O detalhe mais fascinante é revelado para quem olha em direção ao chão. Um riacho corta o piso térreo do Cais do Sertão emulando o rio São Francisco, com água corrente e peixes. Às margens dessa representação do Velho Chico, estão os sete territórios temáticos do museu: Ocupar, Viver, Trabalhar, Cantar, Criar, Crer e Migrar.

A representação do Rio San Francisco. Foto: Leonardo Aquino

 

À primeira vista, se destacam outras réplicas: roupas de cangaceiros, um painel com ferramentas de vaqueiros e uma casinha sertaneja. Nos cômodos representados ali, estão as paredes de barro e os objetos típicos como imagens de santos, máquinas de costura e quadros religiosos.

Detalhe da casa sertaneja. Foto: Leonardo Aquino

 

Um dos locais mais fotografados do Cais do Serão é o Túnel do Capeta. É um caminho cercado de câmeras e telas exibindo as imagens capturadas por essas câmeras, dando um efeito de túnel espelhado. Nas caixas de som, uma voz sussurra as inúmeras formas que o nordestino tem para chamar o diabo, representando a crença do povo sertanejo numa entidade maligna que se opõe a Deus.

Cais do Sertão, Recife

Túnel do Capeta. Foto: Leonardo Aquino

 

A música tem uma importância tremenda no museu. No piso térreo, totens interativos contam a história dos ritmos musicais, com destaque para a vida e obra de Luiz Gonzaga. O Rei do Baião cantou como poucos a quintessência da alma nordestina. A alegria, a religiosidade, as agruras da seca, a malícia, a migração em busca de uma vida melhor. No museu, dá para ouvir as músicas em gravações originais e também ver vários depoimentos e entrevistas do Gonzagão.

Cais do Sertão, Recife

Foto: Leonardo Aquino

 

O andar superior tem ainda mais interatividade. O principal destaque é o Karaokê Sertanejo. Mas não se trata de um espaço para cantar Luan Santana ou Maiara e Maraísa. E sim, cabines privadas para soltar a voz em clássicos do cancioneiro nordestino como “Asa Branca” e “Xote das Meninas”. Também há as cabines do Baião de Todos, em que você pode ouvir as músicas e isolar instrumentos e vocais para ouvi-los em detalhes.

Cais do Sertão, Recife

Karaokê Sertanejo. Foto: Leonardo Aquino

Baião de Todos. Foto: Leonardo Aquino

 

Todo este acervo faz parte da exposição permanente “O Mundo do Sertão”, abrigada no Módulo 1 do museu. O Módulo 2 ainda está em construção e vai abrigar espaços de exposições temporárias, auditório e outros espaços.

Cais do Sertão, Recife

Foto: Leonardo Aquino

 

O Cais do Sertão é um programaço para fazer no Recife, seja qual for a idade do turista. Só tivemos uma dificuldade na nossa visita, em outubro de 2017. Como fomos com nossa filha Olívia (então com dois meses de idade) e estávamos com carrinho, precisávamos de um elevador para subir ao andar superior e não havia nenhum. Apesar disso, o site do museu afirma que o espaço oferece programas e serviços de acessibilidade.

 

Cais do Sertão – Serviço

Horários de funcionamento

De terça a sexta, das 9h às 17h. Sábado e domingo, das 13h às 17h. Última entrada às 16h30. Fechado às segundas-feiras.

Dias em que o museu está fechado

24, 25 e 31 de dezembro, 1º de janeiro, de sexta a terça-feira no Carnaval, dias de eleições.

Ingressos

R$ 10 (inteira), R$ 5 (meia) e entrada gratuita às terças-feiras.

Endereço

Rua Alfredo Lisboa, s/n, Recife-PE.

Telefone

(81) 4042.0484

E-mail

[email protected]

Site

www.caisdosertao.org.br

Facebook

www.facebook.com/CaisdoSertao

Instagram

@caisdosertao

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7 lugares “secretos” para conhecer em Madrid

Quando coloquei o Mochileza no ar, pensei num grande propósito. A ideia era sempre buscar experiências pouco comuns para compartilhar com os leitores. Lugares que só os moradores conhecem, passeios…

Quando coloquei o Mochileza no ar, pensei num grande propósito. A ideia era sempre buscar experiências pouco comuns para compartilhar com os leitores. Lugares que só os moradores conhecem, passeios pouco divulgados e experiências de imersão nas cidades, por exemplo. Se fosse para escrever sobre o que todo mundo já fala ou já sabe, não havia a necessidade de mais um blog de viagem existir.

O problema é que, para o trabalhador que tem apenas 30 dias de férias por ano, fica bem difícil conhecer os destinos tão profundamente assim. Não com uma consistência suficiente para dizer: “rodei a cidade inteira e não encontrei um lugar tão pitoresco quanto este”.

Ainda bem que a internet aproxima as pessoas e conheci a Larissa Andrade, dos blogs Be My Beer e Esto es Madrid, Madrid. Ela é jornalista e beer sommelier e mora na capital espanhola desde 2011. Com a bagagem que tem, ela compartilha informações e experiências sobre viver em Madrid e sobre o mercado cervejeiro na Europa.

Pois bem: convidei a Larissa para colaborar com o Mochileza e revelar os seus lugares “secretos” preferidos em Madrid. Aqueles que não costumam estar nos guias, que o turista viciado em sightseeing não vê e que podem valer grandes momentos na sua viagem. É mais um guest post especial por aqui! Espero que vocês curtam!

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Larissa Andrade, nossa anfitriã em Madrid. Foto: Arquivo pessoal

Madrid é uma cidade de contrastes: apesar de ser a segunda maior capital europeia, atrás apenas de Londres, às vezes parece ser um pouco provinciana. Apesar de ter uma área moderna, é cheia de história. E apesar de acolher moradores de várias partes do mundo, está cheia de madrilenhos que não abrem mão de seus costumes e tradições. Neste post, vamos falar de 7 lugares “secretos” de Madrid onde está tudo junto e misturado. 

Na verdade, alguns deles são bem conhecidos pelos locais, mas os considero fundamentais para entender um pouco a alma madrilenha.

Mercado de Vallehermoso

Madrid, Mercado de Vallehermoso

Foto: Larissa Andrade

Há algum tempo, os mercados municipais de Madrid vêm ganhando uma cara nova. As bancas tradicionais de frutas, verduras e carne se misturam a restaurantes asiáticos e lojas de embutidos.

Fora do centro turístico, o Mercado de Vallehermoso é um desses mercados. Nele, você vai encontrar postos onde pode fazer a compra da semana. Na mesma viagem, dá para aproveitar e tomar uma boa cerveja artesanal no Prost Chamberí ou na cervejaria Drakkar, provar a comida tailandesa do Tuk Tuk ou tentar a sorte e conseguir uma mesa para almoçar no disputado Kitchen 154, especializado em comida picante.

Endereço: Calle Vallehermoso, 36 (metrô Quevedo)

Horário de funcionamento: de segunda à sábado, das 9h às 23h. Aos domingos, das 11h às 18h.

 

Restaurante Can Punyetes

Madrid, Can Punyetes

Foto: Facebook/Can Punyetes

Bem ali no centro de Madrid está escondido um restaurante catalão delicioso, onde você pode provar os calçots (uma espécie de cebola típica da região) com salsa romesco, butifarra (linguiça) e terminar com a clássica crema catalana. Eles não aceitam reservas. Por isso, o ideal é chegar cedo e colocar o nome na lista de espera. Não espere nada glamouroso, porque o restaurante é simples e antigo, mas o ambiente é bem original. 

Há dois endereços, mas o meu favorito é o da Calle de los Señores de Luzon, 5 – (metrô Sol ou Ópera)

Horário de funcionamento: segundas a quintas, das 13h às 17h e das 20h à 0h. Sextas e sábados, o horário do jantar se estende até 1h. Aos domingos, só abre para o almoço, das 13h às 17h.

 

Noches de Bolero na Bodegas Lo Máximo

Madrid, Bodegas Lo Máximo

Foto: Larissa Andrade

Um dos bares mais queridinhos do bairro de Lavapiés se torna ainda mais especial nas noites de quarta-feira. É quando a Piluka, que trabalha lá, deixa o balcão do bar e sobe no pequeno palco para cantar boleros. Não pode conversar (ou você corre o risco de levar bronca), mas eu garanto que vale a pena! Você só paga o que consumir e eu te garanto que vai ser impossível não se emocionar. A apresentação começa por volta das 20 horas. 

Endereço: Calle de San Carlos, 6 (metrô Lavapiés ou Antón Martín)

Horário de funcionamento: segundas a quintas, das 19h30 às 2h. Sextas a domingos, das 12h30 às 2h.

 

Bar Casa Zoilo

Madrid, Casa Zoilo

Foto: Facebook/Casa Zoilo

O madrilenho ama um bar. E se ele for desse bem simples, com cara de bairro, em que todo mundo já se conhece e a cerveja sempre vem acompanhada de uma tapa generosa, melhor ainda. O Casa Zoilo, também no bairro de Lavapiés, é assim. Tem um estilo classe trabalhadora, os garçons são ótimos, eles têm opções vegetarianas e você encontra tanto cervejas artesanais quanto industriais.

Endereço: Calle de la Huerta del Bayo, 4 (metrô Tirso de Molina)

Horário de funcionamento: terças a sábados, das 12h às 16h e das 20h à 0h30. Aos domingos, fecha um pouquinho mais cedo, à 0h. Fechado às segundas.

 

Matadero  + Madrid Río

Madrid, Matadero

Foto: Larissa Andrade

O Matadero, antigo matadouro de animais, é atualmente um dos principais centros culturais da cidade. Como está um pouco afastado do centro, muitos turistas não vão até lá, o que considero um erro. Além de ter uma sala de cinema linda e especializada em documentários, a cantina é uma delícia e sempre tem alguma atividade cultural rolando. Minha dica é: alugue uma das bicicletas públicas e vá até o Matadero de bicicleta pelo Madrid Río, um parque que está nas margens do rio Manzanares. Você vai ver Madrid de um jeito diferente e super bonito!

Endereço: Paseo de la Chopera, 14 – (metrô Legazpi)

Horário de funcionamento: todos os dias, das 9h às 22h

 

Museu Sorolla

Madrid, Museo Sorolla

Foto: Larissa Andrade

Madrid tem importantes museus, como o Prado e o Reina Sofía, onde você vai encontrar obras de grandes mestres, como Velázquez, Rubens, Picasso e Dalí. Mas a cidade oferece opções menores, mas muito interessantes, como a Casa Museu de Joaquín Sorolla, que foi a residência do pintor e abriga grande parte de sua obra. Vale a visita pelas duas coisas e é impossível não se impressionar com as obras do artista.

Endereço: Paseo del General Martínez Campos, 37 (metrô Gregorio Marañón ou Ruben Darío)

Horário de funcionamento: terças a sábados, das 9h30 às 20h. Domingos, das 10h às 15h. Fechado às segundas.

 

Cafeteria Santa Eulalia

Madrid, Santa Eulalia Boulangerie Patisserie

Foto: Facebook/Santa Eulalia Boulangerie Patisserie

A capital espanhola, como muitas outras cidades europeias, foi delimitada no passado por uma muralha. Na verdade, duas! Uma muçulmana, construída no século IX, e outra cristã, dos séculos XI e XII e que aproveitou partes da primeira. Infelizmente, apenas pequenas partes das muralhas são conservados e um dos lugares onde você pode vê-las é na Cafeteria Santa Eulalia, que também tem pães, croissants e doces deliciosos em um ambiente moderninho.

Foto: Larissa Andrade

Endereço: Calle Espejo, 12 (metrô Ópera)

Horário de funcionamento: terças a sábados, das 9h30 às 20h. Domingos, das 9h30 às 15h. Fechada às segundas.

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Museu do Automóvel de Turim: a história sobre quatro rodas

A semana de 19 a 25 de junho de 2017 é dedicada a festejar os museus pelo mundo afora. É a Museum Week, um evento que tem o objetivo de…

A semana de 19 a 25 de junho de 2017 é dedicada a festejar os museus pelo mundo afora. É a Museum Week, um evento que tem o objetivo de celebrar os acervos das instituições culturais e promover diálogos com a sociedade. A iniciativa é construída nas redes sociais por meio de hashtags específicas que, em 2016, estiveram em 664 mil tweets com 294 milhões de visualizações.

No Brasil, a Museum Week tem a participação massiva dos blogueiros de turismo. Os membros da RBBV (Rede Brasileira de Blogs de Viagem) estão promovendo uma blogagem coletiva sobre museus: os favoritos de cada um, os mais legais visitados recentemente, etc. São dicas que podem ajudar você a incluir mais um item ao seu roteiro de viagem ou, quem sabe, descobrir uma atração na sua cidade.

O carro como obra de arte

Escolhi escrever sobre um museu fascinante que conheci na viagem de férias de fevereiro de 2017: o Museu do Automóvel de Turim, na Itália. Nem todo mundo vê semelhanças entre automóveis e obras de arte, mas uma coisa é fato: um carro pode ser o espelho de uma sociedade. Ele é um indicativo do grau de tecnologia da indústria, de demandas de consumo, da importância dada a preocupações ambientais e muito mais. Portanto, nada mais natural que exista um museu dedicado a ele.

Turim não costuma estar na rota turística da Europa, mas tem uma razão especial para abrigar este museu. A cidade é o berço da Fiat, tanto que o T da sigla da montadora significa Turim (Fabbrica Italiana Automobili Torino). Um dos fundadores da Fiat, Roberto Biscaretti di Ruffia, também é um dos idealizadores do museu. A criação data de 1932 e, nesses mais de 80 anos de história, o acervo foi crescendo e se tornando único no mundo. Hoje, a coleção tem mais de 200 modelos do mais alto valor histórico e de diversas origens: França, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos e muito mais.

Foto: Leonardo Aquino

A atual sede do Museu do Automóvel de Turim é moderníssima e foi inaugurada em 2011. Projetada pelo arquiteto Cino Zucchi, ela tem três níveis principais. O térreo, também chamado de Piazza, é uma espécie de salão charmoso e futurista. Ele costuma receber eventos como premiações, exposições temporárias, concertos e desfiles de moda, entre outros. Os outros dois andares recebem o acervo permanente do museu.

Segundo andar

A visita começa no segundo andar, onde está a coleção “O Carro e o Século 20”. São 21 salas em uma área de 3600 metros quadrados. Elas contam as origens do automóvel desde seus precursores, como as carruagens puxadas por cavalos. A partir daí, é possível acompanhar a linha evolutiva dos carros. As mudanças no desenvolvimento dos motores, na aerodinâmica e os toques dados pelas grandes potências da indústria (Itália, França e Estados Unidos).

Foto: Leonardo Aquino

Foto: Leonardo Aquino

Entre as relíquias da coleção está o 4HP, o primeiro modelo desenvolvido pela Fiat em 1899. Com um motor de 657 cilindradas, ele tinha velocidade máxima de 35 km/h. O modelo exposto no Museu do Automóvel de Turim é um dos dois únicos sobreviventes depois de mais de 100 anos.

O 4HP, relíquia da Fiat no Museu do Automóvel. Foto: Leonardo Aquino

Há também salas repletas de curiosidades, como a dedicada à produção automobilística da extinta Alemanha Oriental. Do lado oeste do Muro de Berlim, as inovações do mundo capitalista não rodavam. Carros com design antiquado, como os utilitários Trabant e Syrena, eram os mais populares.

Primeiro andar

Descendo para o primeiro andar do museu, o visitante chega à área “O Homem e o Carro”. Ela possui oito salas em 3800 metros quadrados e começa contando a relação íntima entre Turim e a indústria automobilística. Uma obra chamada “Autorino” consiste em um mapa da cidade impresso no chão com a localização das mais de 70 montadoras que surgiram ali no início do século 20. O número é impressionante! Até hoje, Turim é considerada uma das capitais do automóvel, com a presença de centros de excelência em projetos e design.

A sala/obra “Autorino”. Foto: Leonardo Aquino

Há outras salas que mostram o que há por dentro do automóvel: motores, sistemas e tudo o que forma uma espécie de orquestra mecânica. Ainda neste andar, há uma ala dedicada à publicidade (imperdível!!!) e outra dedicada à magia do automobilismo. Modelos originais de carros de corrida de diversas categorias estão lá. A italianíssima Ferrari obviamente é o destaque, com vários modelos que contam diante de seus olhos a história da equipe de Fórmula 1.

Foto: Leonardo Aquino

Térreo do museu

De volta ao andar térreo, na última parte do percurso, o visitante conhece a área dedicada ao design. Uma única sala de 1200 metros quadrado mostra o trabalho dos projetistas em busca da excelência em vários aspectos: segurança, conforto, mobilidade, velocidade e estilo.

Foto: Leonardo Aquino

Para quem quer uma experiência ainda mais profunda, o Museu do Automóvel de Turim guarda um tesouro ainda mais valioso. A Garagem, que abriga os carros que não fazem parte da coleção permanente e também uma escola de formação de restauradores. As visitas à Garagem precisam ser pré-agendadas, mas valem cada minuto para colecionadores e curiosos.

Dicas para economizar

Há algumas situações em que o visitante tem direito a tarifa reduzida na entrada do museu. São as seguintes:

– idosos a partir de 65 anos
– crianças e adolescentes de 6 a 14 anos
– grupos acima de 15 pessoas
– estudantes universitários identificados com carteirinha
– passageiros de voos da Alitalia com cartão de embarque de até 10 dias antes da entrada no museu

 

Museo Dell’Automobile di Torino

Endereço: Corso Unità d’Italia 40
Para chegar de transporte público: estação Lingotto do metrô ou paradas 2256, 2258 e 2259 de ônibus.
Horários de abertura: segunda-feira das 10h às 14h. Terça das 14h às 19h. Quartas, quintas e domingos das 10h às 19h. Sextas e sábados das 10h às 21h. Última entrada uma hora antes do fechamento.
Ingressos: € 12 (adultos), € 8 (tarifa reduzida) e € 2,50 (escolas). Crianças de até 6 anos e jornalistas com carteira profissional têm direito a gratuidade.
Sitehttp://www.museoauto.it

 

 Sobre a Museum Week

A Museum Week é um evento que tem a chancela da Unesco e movimenta as redes sociais para promover os acervos e as instituições. De 19 a 25 de junho, museus de todo o planeta vão compartilhar conteúdo e histórias com a hashtag #MuseumWeek.

Além disso, a edição 2017 está propondo o engajamento de outras 7 hashtags específicas, uma para cada dia da semana:

– 19/06: #FoodMW, para conteúdo que relacione museus e gastronomia
– 20/06: #SportsMW, museus e esportes
– 21/06: #MusicMW, museus e música
– 22/06: #StoriesMW, museus e estórias
– 23/06: #BooksMW, museus e livros
– 24/06: #TravelsMW, museus e viagens
– 25/06: #HeritageMW, museus e patrimônio

Além disso, a Museum Week 2017 está comprometida com o tema da igualdade de gênero e é dedicada às mulheres ao redor do mundo. Os museus estão sendo estimulados a compartilhar conteúdo com a tag #WomenMW.

Outros museus

Tá a fim de conhecer outros museus pelos relatos dos blogueiros da RBBV? Veja aí todos os links da nossa blogagem coletiva!

Brasil

Destino Compartilhado: Museu Lasar Segall;
Sonhando em Viajar: Catetinho, em Brasília, Brasil;

América Latina

Gastando Sola Mundo Afora: Museo de Arte Precolombino de Cuzco;

Estados Unidos

Itinerário de Viagem: MET Museum em Nova Iorque;

Europa

Ásia

Vários

Vamos Por Aí: Meus Museus Favoritos;
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O que fazer em Lyon: atrações e passeios

Lyon é daquelas cidades que fazem você se sentir em casa com poucos dias de estadia. E mesmo não sendo tão grande quanto as capitais europeias, oferece um monte de…

Lyon é daquelas cidades que fazem você se sentir em casa com poucos dias de estadia. E mesmo não sendo tão grande quanto as capitais europeias, oferece um monte de atrações de todos os tipos. Passeios gratuitos, museus impressionantes e uma vida ao ar livre. Além, é claro, de uma gastronomia de primeira que vai merecer um post à parte.

Janaína e eu ficamos apenas três dias em Lyon na nossa viagem de fevereiro de 2017. Não conseguimos ir a algumas das grandes atrações (como o Musée des Confluences ou a Fête des Lumières, realizada sempre em dezembro). Mas tivemos dias intensos, em que deu tempo de vivenciar boas amostras da cidade. Enumero aqui alguns dos melhores lugares que visitamos.

 

Place Bellecour

Foto: Leonardo Aquino

É o principal ponto de encontro da cidade. Dentro da área dela, ficam alguns ícones da cidade: as estátuas do rei Luís XIV e do escritor lyonnais Antoine de Saint-Éxupery ao lado do seu Pequeno Príncipe, além de uma roda gigante. Ao redor da praça, estão cafés, restaurantes e várias ruas de comércio, além do escritório de turismo de Lyon.

Saindo da Bellecour para as direções leste e oeste, você encontra os dois rios que cortam a cidade: o Rhône e o Saône. Perto da praça, há vários pontos com belas vistas da cidade às margens desses rios.

Vista do rio Saône a poucos metros da Place Bellecour. Foto: Leonardo Aquino

Vieux Lyon

Foto: Leonardo Aquino

É o bairro mais antigo da cidade, situado no 5º arrondissement. Ele tem um traçado medieval, com ruas estreitas e construções muito bem preservadas. Não à toa, a região é considerada Patrimônio Mundial pela Unesco. O epicentro de Vieux Lyon é a catedral de Saint-Jean Baptiste. Ao redor dela, as ruelas são labirintos. Mas se perder por lá não é tão mau negócio assim: há vários bares, restaurantes, museus e belas vistas da cidade.

Em Vieux Lyon, uma particularidade arquitetônica é a presença dos traboules. Esse nome é dado a passagens que levam de uma rua a outra cruzando imóveis por dentro. Por mais que os traboules façam parte de casas particulares, eles são abertos ao público.

Foto: Leonardo Aquino

Um dos lugares mais legais de se visitar é o Musée de Miniatures et du Cinéma. Já falamos sobre ele no post sobre os museus dedicados ao cinema na Europa. Ele tem no acervo peças que levam a uma viagem pelos efeitos especiais: maquetes, figurinos, armas e muito mais. Além disso, tem dois andares dedicados às miniaturas de cenas do cotidiano.

Musée de Miniatures et du Cinéma. Foto: Leonardo Aquino

Colina da Fourvière

Foto: Leonardo Aquino

Com 120 metros de altura, é um dos lugares mais representativos da história de Lyon, principalmente no que se refere a fé. A primeira capela no alto da colina foi construída na Idade Média e destruída durante as Guerras Religiosas da França no século 16. Ao longo dos séculos seguintes, a colina foi destino de procissões por diversos motivos. Os lyonnaises subiam a Fourvière para pedir proteção contra pestes, epidemias e guerras.

Se antes a subida era feita a pé, hoje em dia não é preciso fazer tanto esforço. Um funicular leva passageiros até o topo numa viagem de menos de 2 minutos. A estação do bondinho fica junto à estação Vieux Lyon do metrô, na parte de baixo da colina. É preciso ter um bilhete do transporte público.

O bondinho que sobe a colina. Foto: Divulgação TCL

Hoje a colina tem como principal cartão postal a Basilique de Notre Dame de Fourvière. A igreja, que tem o status de basílica desde 1897, é mais do que um espaço de peregrinação. Também recebe concertos e conferências e tem uma torre com uma vista incrível de Lyon. A entrada na igreja é grátis. Mas para uma visita completa e guiada (incluindo a subida à torre), a tarifa é € 10. Para outras informações, acesse o site: http://www.fourviere.org/basilique/visites-guidees/visites-insolites-individuels/

Foto: Leonardo Aquino

Foto: Leonardo Aquino

Mesmo sem pagar pela visita guiada, é possível ter uma vista panorâmica da cidade. Ao lado da Basílica, há um mirante com o rio Saône e Lyon inteira aos pés.

A vista incomparável de Lyon do alto da colina da Fourvière. Foto: Leonardo Aquino

Musée Gallo-Romain

Outro lugar que você deve conhecer na Fourvière é o Musée Gallo-Romain. O museu possui uma coleção arqueológica do século 16 em diante: estátuas, moedas, cerâmicas e muito mais. Mas é na área externa que fica a atração mais estonteante: o Theâtre Antique de Fourvière. É um anfiteatro romano datado dos primeiros séculos depois de Cristo. Absurdamente bem preservado, ele tem capacidade para 10 mil pessoas. No verão, recebe a temporada de shows Les Nuits de Fourvière. Entre os artistas que se apresentaram nos últimos anos, estão nomes que vão de Elton John a The XX, de Radiohead a Patti Smith, de Sigur Rós a Burt Bacharach.

Theâtre Antique de Fourvière. Foto: Leonardo Aquino

Parc de la Tête D’Or

Foto: Leonardo Aquino

É onde o povo de Lyon espairece. Pistas bem calçadas recebem corredores e ciclistas. Áreas verdes viram locais de piqueniques. Entre as outras atrações, estão o jardim botânico, orquidários, zoológico e um velódromo. Além disso, o parque recebe eventos como espetáculos culturais e exposições.

 

Institut Lumière

Foto: Leonardo Aquino

Lyon tem uma parcela fundamental de responsabilidade na gênese do cinema. É a cidade onde nasceram os irmãos Louis e Auguste Lumière, os inventores do cinematógrafo. A casa onde a família Lumière viveu hoje abriga o Instituto que conta um pouco do início dessa história: os primeiros equipamentos, os primeiros filmes e os investimentos que os irmãos fizeram para popularizar a criação deles. Falamos do Institut Lumière no post sobre os museus de cinema.

 

 

Parc Olympique Lyonnais

Foto: Leonardo Aquino

O futebol também é um motivo de orgulho da cidade graças ao Olympique Lyonnais. O clube, que até bem pouco tempo atrás era uma equipe de meio de tabela na liga francesa, ganhou sete campeonatos nacionais seguidos entre 2002 e 2008. O heptacampeonato tem uma grande participação de brasileiros: Cris, Cláudio Caçapa, Fred e Michel Bastos, por exemplo. Mas nenhum é tão ídolo quanto Juninho Pernambucano, considerado o melhor jogador da história do clube.

Juninho é um dos ex-jogadores homenageados na esplanada do estádio. Foto: Leonardo Aquino

A época de grandes conquistas do Lyon foi vivida no estádio Gerland. Mas hoje o clube tem casa nova: o Stade des Lumières, parte integrante do Parc Olympique Lyonnais. A arena foi inaugurada em 2016, coincidindo com a Eurocopa realizada na França. Com capacidade para 59.286 pessoas, ela fica situada fora da cidade, no município de Décines-Charpieu. Em dias de jogos, há um esquema de transporte público que deixa o visitante numa estação de tram a poucos metros da esplanada do estádio.

Foto: Leonardo Aquino

Para acompanhar a agenda de eventos (jogos e shows), acesse o site do clube: http://www.olweb.fr/fr/club/agenda-316.html. Há visitas guiadas ao estádio, que vão de € 9 a € 100. Outras informações aqui: http://www.parc-ol.com/visite-stade/

 

Rue de la République

Foto: Leonardo Aquino

Para quem tiver um espaço na agenda em Lyon para compras, este é o lugar. É uma rua que tem uma parte de sua extensão fechada para carros. Ela reúne algumas das principais lojas que você encontraria em vários shoppings pelo mundo afora, como Levi’s, H&M, Fnac, Sephora…

Procurando bem, você acha alguns tesouros. A Janaína recomenda a Yves Rocher, que em Lyon tem preços muito mais baixos que os praticados no Brasil. Já eu curti muito uma loja chamada Nature et Découvertes, que tem artigos para viagem e de design. Outra dica: as ruas transversais à République também têm lojas bem legais.

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