Mochileza

Mochileza

Roteiros e viagens de mochila sem sufoco

Tag: guia

Bangkok: roteiro de 6 dias pela campeã mundial do turismo

Praias paradisíacas, templos suntuosos, muita história, temperos exóticos e excelente infraestrutura turística. Cada um desses itens já é um pretexto suficiente para você decidir o seu próximo destino de férias….

Praias paradisíacas, templos suntuosos, muita história, temperos exóticos e excelente infraestrutura turística. Cada um desses itens já é um pretexto suficiente para você decidir o seu próximo destino de férias. Mas que tal encontrar tudo isso num lugar só? Se a combinação é atraente para você, considere incluir Bangkok nos seus próximos roteiros.

A Tailândia é o país onde turistas mais gastam dinheiro em toda a Ásia (52 bilhões de dólares), segundo dados de 2016. É também o segundo país asiático em número de visitantes recebidos, com 32 milhões. Isso é cinco vezes mais do que o Brasil. Neste quesito, só fica atrás da China, que, territorialmente, é 18 vezes maior. Além disso, Bangkok é a cidade que mais recebeu turistas em todo o mundo, com mais de 19 milhões de visitantes.

Minha esposa e eu resolvemos fazer parte da estatística em 2014, quando passamos alguns dias em Bangkok, Chiang Mai e Phuket. Ainda conseguimos encaixar um “pulo” em Siem Reap (Camboja), para conhecer o fantástico sítio arqueológico de Angkor Wat.

Ao planejar os dias na Tailândia, buscamos ao máximo fazer os passeios por meio de empresas de turismo bem cotadas na internet. Isso porque tínhamos várias dúvidas. Como se locomover em Bangkok? Como nos comunicar com os tailandeses? Quais seriam lugares seguros e perigosos para andar? O que já posso adiantar a você é que não dá pra imaginar um passeio pelos arredores da cidade sem recorrer a agências que organizam esses tours. Por outro lado, dentro da cidade é muito mais fácil se virar por conta própria.

A viagem para Bangkok é muito longa. Para se ter uma ideia, partindo de Belém, levamos mais de 66 horas para chegar no nosso hotel. O que compensa todo o desgaste é a convicção de que, quanto mais nos afastamos dos nossos lares, mais nos deparamos com pessoas, culturas e lugares instigantes. Por toda essa distância, e para melhor aproveitar essa impressionante cidade, sugiro aqui um roteiro de seis dias, com base nas experiências que tivemos por lá.

 

Onde ficar

Para começar, apesar de não recomendar ficar no hotel no qual nos hospedamos, sugiro sim a região da avenida Sukhumvit. Além da localização central é nessa área que estão os principais shoppings da cidade: Siam Paragon, Central World, Central Embassy e Terminal 21. Eles servem de bons pontos de apoio e referência. Nesta região também há boas opções de restaurantes e vários hotéis, de diversas faixas de preços, como Sheraton, Marriott e Novotel. O metrô de superfície sobre a avenida Sukhumvit facilita muito a locomoção na área. Escolha um hotel próximo de uma de suas paradas.

*** Reserve aqui seu hotel em Bangkok pelo Booking.com ***

Uma dica que gosto de dar para pessoas que viajam para países que não usam nosso alfabeto é estocar alguns cartões contendo o endereço do seu seu hotel, no idioma local. Coloque-os na carteira, na mochila, bolsos, bolsas etc. Eles ajudam bastante na hora de explicar para o motorista do taxi, uber ou tuk-tuk onde fica o seu hotel.

Aquecendo as turbinas

Casa de Jim Thompson

Depois de uma viagem exaustiva acho sempre bom começar os trabalhos com um dia mais tranquilo. Com esse espírito, a primeira parada da viagem foi o museu da Casa de Jim Thompson. O cara foi um empresário americano que desempenhou um papel crucial no ressurgimento da indústria mundial da seda nas décadas de 50 e 60. O tour guiado pela casa (obrigatório) é excelente. Aproveitamos também o gift shop para comprar souvenirs feitos da seda local, com estamparias exclusivas, com a assinatura da marca Jim Thompson.

Jim Thompson's House, Bangkok

Jim Thompson’s House, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

Siam Paragon – O paraíso dos paladares

Saímos da casa/museu por volta das 13h e caminhamos até o ótimo shopping Siam Paragon. Apesar de ser conhecido pela sua exuberante coleção de lojas, a maior preciosidade desse lugar é a sua praça de alimentação. Trata-se um verdadeiro paraíso alimentar, com a vantagem de contar com sombra e ar-condicionado.

Uma vez lá, aproveitamos para passear pelo seu primeiro andar, conferindo os menus dos seus restaurantes antes de escolher onde almoçar. Logo na primeira refeição, aprendemos uma lição importante: a comida tailandesa é apimentada demais. Extremamente mesmo. Por isso, passamos a escolher somente as opções do menu “não apimentado” (ainda bem picantes) em todas as nossas refeições.

Comida tailandesa, Siam Paragon, Bangkok

Comida tailandesa, Siam Paragon, Bangkok. Foto: André Orengel.

Erawan Shrine

Após o almoço, e a sobremesa, saímos do shopping pelas passarelas do segundo andar. Caminhamos no sentido oeste, até encontrar um dos mais populares templos da cidade: o Erawan Shrine, na esquina da Ratchadamri com a Rama 1. Fica bem ao lado do prédio do hotel Hyatt. Está abrigado neste templo uma imagem de Phra Phrom, o representante tailandês do deus hindu da criação Brahma.

Erawan Shrine, Bangkok

Erawan Shrine, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

 

Reza a lenda que o pequeno templo foi construído ali, em 1956, para afastar uma maldição lançada sobre a construção do antigo hotel Erawan. Tudo porque as suas obras foram iniciadas em uma data não auspiciosa. O mau agouro, dizem, provocou uma série de infortúnios, como acidentes, atrasos, perda de carregamentos de materiais de construção, entre outros. Com a conclusão do templo, a influência negativa foi definitivamente afastada,  tornando-o famoso e adorado pelos tailandeses.

Além das centenas de incensos acesos pelos fieis, é interessante ver que eles também contratam dançarinas profissionais. A sua função é executar performances de danças tradicionais para aumentar as chances das preces serem atendidas.

Erawan Shrine, Bangkok

Erawan Shrine, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

 

Infelizmente, em agosto de 2015, o local foi alvo de um atentado terrorista que matou 20 pessoas e feriu outras dez. Poucos dias depois o templo foi restaurado e reaberto para a visitação pública.

 

Lumphini Park

Continuando o passeio andamos pela lateral do Hyatt, na Avenida Ratchadamri, até chegar no animado Lumphini Park. Nessa hora, por volta do pôr do sol, o parque está cheio de gente praticando exercícios e perambulando sem pressa por suas ruas.

Lumphini Park, Bangkok

Lumphini Park, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

 

O jantar foi no Sirocco, na cobertura do State Tower (1055, Silom Road). Você vai reconhecer esse lugar do filme Se Beber Não Case 2. A vista, o serviço e a comida são realmente de primeiríssima qualidade. Reserve com antecedência.

Ko Ratanakosin – o berço da cidade

O Grande Palácio de Bangkok

Iniciamos o segundo dia indo diretamente para a região de Ko Ratanakosin. Aqui fica o complexo do Grande Palácio de Bangkok, que, entre outros, abriga o templo do mítico Buda de Esmeralda. É a atração turística mais procurada da cidade, então é bom chegar logo cedo. Ele fica aberto todos os dias das 08h30 às 15h30, e a entrada custa 500 baht. Assim, não caia no comum golpe dos espertalhões que dizem estar o local fechado para lhe levar para outro lugar e, com isso, ganhar uma gorda comissão.

Grande Palácio, Bangkok

Grande Palácio, Bangkok. Foto: André Orengel.

 

Outra coisa importante para se ter em mente é que, como ali contém um dos lugares mais sagrados de toda a Tailândia, há um estrito código de vestuário a ser seguido. Em síntese, ombros, joelhos e pés devem estar sempre cobertos, em respeito à santidade do espaço. Por isso, nada de bermudas, sandálias ou camisetas sem manga, tanto para homens como para mulheres. Há a possibilidade de comprar calças na porta do complexo bem como pegar calças emprestadas ao lado da entrada. Eu preferi levar a minha mesmo.

Grande Palácio, Bangkok

Grande Palácio, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

 

Não deixe que a superlotação do lugar lhe impeça de conhecê-lo com calma, pois ele é repleto de detalhes e decorações muito bonitos. Vale a pena investir no áudio guia disponível na bilheteria para ter mais informações sobre o que há por lá.

O complexo foi construído no século XVIII às margens do rio Chao Phraya a mando de Rama I. Já serviu de residência para os reis da Tailândia, de lar para uma numerosa corte e de administração central do país, representando mais de 200 anos de história real e experimentação arquitetônica. O enorme lugar conta com mais de 100 prédios, na sua maioria construídos no estilo Bangkok antigo (Ratanankosin).

Grande Palácio, Bangkok

Grande Palácio, Bangkok. Foto: André Orengel.

Wat Phra Kaew

Abrigado em uma capela ricamente decorada e protegida por um par de gigantes míticos, a imagem do Buda de Esmeralda é a principal razão para se ir ao templo de Wat Phra Kaew. A notoriedade dessa estátua de 66 cm, feita provavelmente de jade verde escura (e não esmeralda), cresceu por volta do século XIV, quando a camada de gesso que a protegia foi danificada, exibindo a sua brilhante coloração.

No meio do século XVI, ela acabou sendo levada do Reino de Lana (ao norte da Tailândia) para Luang Prabang (então capital do reino de Lan Xang, hoje, Laos) por Setthathirath. A oportunidade para isso ocorreu quando, depois de ser rei de Lana (por um breve período), assumiu o trono de Lan Xang, levando a imagem com a sua mudança. Ela só foi recuperada dois séculos depois, pelo general tailandês Chao Phraya Chakri, que invadiu a cidade de Vietiane. Após a mudança da capital de Thonburi a Bangkok, foi erguido o magnífico Wat Phra Kaew, para assim proteger e honrar o Buda de Esmeralda.

Buda de Esmeralda, Wat Phra Kaew, Bangkok

Wat Phra Kaew, Bangkok. Foto: André Orengel.

 

Mal dá para ver a estatueta do pé do altar que a exibe, de tão pequena que ela é. A decoração ao seu redor, no entanto, é de deixar qualquer um de queixo caído. Um outro fato curioso sobre esta imagem é que a sua roupa é trocada pelo rei, três vezes ao ano, de acordo com a estação (quente, fria e chuvosa), em uma pomposa cerimônia.

Não deixe de apreciar os murais que adornam na parede interna deste complexo, que representam a versão tailandesa do épico indiano Ramáiana. Inicialmente pintados durante o reinado de Rama I, eles foram belamente restaurados recentemente.

Grande Palácio, Wat Phra Kaew, Bangkok

Murais do Wat Phra Kaew, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

Mercado de Amuletos

Finalizada a visita ao Complexo do Palácio Real, fomos ao Mercado de Amuletos, ao norte, junto ao rio Chao Phraya. Lá, ziguezagueamos os estreitos corredores apreciando as curiosidades vendidas e compramos uma pequena estatueta do Buda, na posição Varada Mudra, de recordação.

Mercado de Amuletos, Bangkok

Mercado de Amuletos, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

 

Saindo do mercado, acompanhamos o curso do rio no sentido sul, passando entre o muro do Palácio Real e a água. Seguimos pela rua Maha Rat e dobrando na viela que leva ao restaurante The Deck. As ruas não são bem sinalizadas, portanto acompanhe o percurso pelo mapa abaixo. A comida é bem gostosa, o preço é camarada e a vista do rio e do templo Wat Arun são maravilhosas.

Wat Pho

Depois do almoço, é hora de visitar o templo de Wat Pho, ali pertinho. É aqui que estão a maior estátua do Buda reclinado, a maior coleção de imagens do Buda e o primeiro centro de educação pública de toda a Tailândia. Tirando o prédio onde se encontra a maior imagem do templo, conseguimos encontrar alguns cantos pacíficos na ampla área do complexo. Foi ótimo, poder apreciar e se conectar com a história e religiosidade do lugar com maior serenidade.

Wat Pho, Bangkok

Wat Pho, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

 

A estátua do Buda reclinado, com 46 metros de comprimento e 15 metros de altura, quase não cabe em seu abrigo. A posição deitada ilustra a elevação de Buda ao nirvana. Observe a ornamentação das solas dos pés da estátua, exibindo as 108 características auspiciosas da personalidade do Buda.

Buda Reclinado, Wat Pho, Bangkok

Buda Reclinado, Wat Pho, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

Sola do Pé do Buda Reclinado, Wat Pho, Tailândia. Foto: Manuela Corral

As imagens do Buda reverenciadas nos quadro santuários dispostos no complexo segundo os pontos cardeais, também são muito bonitas e merecem ser visitadas. Admire, ainda, as 394 estátuas alinhadas nas galerias que conectam esses templos. Vale mencionar que, neste complexo, também fica localizada a matriz do ensino e preservação da medicina tradicional tailandesa, o que inclui a massagem tailandesa.

Wat Pho, Bangkok

Wat Pho, Bangkok. Foto: André Orengel.

Museu de Sião

Terminamos de visitar o Wat Pho por volta das 16h. Isso nos garantiu tempo suficiente para conhecer as galerias do muito bom Museu de Sião (como era chamada a Tailândia até 1939). Ele costuma funcionar até as 18h. A exibição permanente, com recursos bem interativos, enfatiza a história cultural do povo tailandês.

Para comer algo diferente da comida tailandesa, se você é fã da culinária alemã, recomendo o Bei Otto, localizado na Sukhumvit Soi 20. Fomos lá duas vezes e gostamos bastante de tudo que provamos.

 

Ayutthaya

No seguinte dia da viagem resolvemos contratar um tour que nos levasse ao sítio arqueológico de Ayutthaya. Considerado patrimônio cultural da humanidade pela Unesco, o local foi a capital do reino de Sião entre 1350 e 1767. Neste ano a cidade foi amplamente saqueada e destruída pela Birmânia, nação com a qual estavam em guerra desde o início do século XVI. As ruínas e a história do lugar são fascinantes.

Ayuthaya, Tailândia

Ayuthaya, Tailândia. Foto: André Orengel.

 

A excursão também passa pelo Bang Pa-In Royal Palace. É um complexo com um conjunto interessante de construções, às vezes utilizado pela família real tailandesa, especialmente no verão. Outras paradas foram alguns templos importantes da região e uma enorme estátua do Buda reclinado.

Buda Reclinado, Ayuthaya, Tailândia

Ayuthaya, Tailândia. Foto: Manuela Corral.

 

O almoço foi servido em um passeio de barco pelo rio Chao Phraya, no pitoresco caminho de volta para Bangkok. Para o jantar, escolhemos um dos restaurantes do shopping Central World, na avenida Sukhumvit.

 

Tuk-tuk para cá, tuk-tuk para lá

No quarto dia de viagem tratamos de dar um giro pela cidade de tuk-tuk, conhecendo dois de seus templos e finalizando com uma relaxante massagem no Mandarim Oriental.

Wat Arun

Começamos pelo Wat Arun. Após o declínio de Ayutthaya, o rei Thaksin transferiu a capital do reino de Sião para a cidade de Thonburi, na margem esquerda do rio Chao Phraya. Foi nessa época que se assumiu o controle do templo existente nesse local (Wat Jaeng) e se estabeleceu lá o palácio real e um santuário para abrigar o Buda de Esmeralda. Nesta ocasião, o templo foi renomeado para Wat Arun, em homenagem à deusa indiana da alvorada (Aruna).

Wat Arun, Bangkok

Wat Arun, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

 

Foi só depois da transferência da capital do reino de Sião para Bangkok que foi construída a torre central do templo de Wat Arun, no estilo khmer, com 82 metros de altura. O interessante é perceber que a ornamentação do templo é feita com porcelana chinesa quebrada, despejada nos portos da cidade. Ela servia de lastro aos navios que vinham da China para levar arroz produzido no interior do reino de Sião.

Chao Phraya, Wat Arun, Bangkok

Vista do Wat Arun, Bangkok. Foto: André Orengel.

Wat Suthat

Depois de explorar o primeiro templo do dia, subimos em um tuk-tuk e seguimos ao Old Town Cafe (130/11-12 Fueang Nakhon Road). É uma ótima opção para um rápido almoço e para se refrescar com um café gelado. De lá, andamos alguns quarteirões até o Wat Suthat. Na frente da entrada do templo, em uma pracinha, tem uma enorme e curiosa trave vermelha. Ela é chamada de Sao Ching-Cha (Balanço Gigante) e era usada em um festival brama em homenagem à deusa Shiva. Os participantes tinham que se embalar nela, na tentativa de pegar um saco de ouro colocado no alto de uma vara de bambu. A brincadeira era extremamente perigosa, levando várias pessoas à morte. Por isso, foi proibida durante o reinado de Rama VII.

O Wat Sutthat é a matriz dos sacerdotes bramas no país e um dos templos mais tranquilos que visitamos por lá. É nesse lugar também que estão enterradas as cinzas do rei Rama VIII. Aprecie a linda decoração deste templo, principalmente o enorme Buda de bronze originário de Sukhothai (o primeiro reino tailandês – sécs. XIII-XV), os murais que contam a história das vidas pregressas do Buda (dos mais bonitos do país).

Buda, Wat Suthat, Bangkok

Wat Suthat, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

Um fim de tarde revitalizante

Finalizada a visita, pegamos mais um tuk-tuk, agora com destino ao Mandarim Oriental. É um perfeito exemplar desta que é uma das cadeias de hotéis mais luxuosas do mundo. Desde o saguão você já começa a relaxar. Isso por conta da perfeita combinação de música ambiente, ar condicionado, linda decoração e chá. Para chegar a sua famosa casa de massagem, cruzamos o rio em uma embarcação do próprio hotel, que mais parece nos transportar para uma outra dimensão. Para não ter erro, fizemos a reserva pelo site e deixamos os tipos de sala e massagem disponíveis já selecionados. Chegando lá foi só relaxar, aproveitar e sair pessoas renovadas.

Para jantar com uma vista estonteante da cidade, recomendo o Vertigo (21/100 South Sathon Road Sathon | Banyan Tree). A apresentação e o sabor da comida servida são de tirar o chapéu. Para compensar, o preço é bem salgado.

Moon Bar, Vertigo, Bangkok

Vertigo, Bangkok. Foto: André Orengel.

Damnoen Saduk e o Museu Nacional

Um mercado flutuante

No quinto dia de viagem também decidimos sair da cidade. Dessa vez fizemos um tour de meio dia para o mercado flutuante de Damnoen Saduk. A experiência foi bem interessante e recomendamos para todos. Ainda compramos duas máscaras de madeira para guardar o nosso lar contra maus espíritos.

Mercado Flutuante de Damnoen Saduak, Tailândia

Mercado Flutuante de Damnoen Saduak, Tailândia. Foto: André Orengel.

 

O lado negativo do passeio foi a visita a um lugar onde se poderia montar em elefantes. Nos sentimos muito mal pelos animais, que carregam estruturas pesadas de ferro nas suas costas para levar o condutor e mais turistas ao redor de um circuito no interior da propriedade. A crueldade é evidente. Se lhe levarem a um lugar como esses, sugiro ficar dentro do veículo e protestar com o agente de viagens.

Na Tailândia existem alguns santuários para elefantes encontrados em situações desfavoráveis, como em fazendas e circos. Lá os bichos são recuperados e parecem melhor tratados. Além disso, a forma estabelecida para os turistas interagirem com os animais não parece maltratá-los. Fomos em um desses próximo à cidade de Chiang Mai, no norte do país, e gostamos muito do lugar. O nome de lá é Baan Chang Elephant Park.

O Museu Nacional de Bangkok

Depois do passeio pedimos para nos deixarem no Museu Nacional, que é considerado o maior museu do seu tipo no sudeste asiático. Almoçamos no restaurante do próprio museu. A comida é incrivelmente barata, mas não é tão saborosa. A vasta coleção de esculturas religiosas do museu é impressionante. Comece pela sua ala histórica, onde estão expostos, entre outros artefatos de inestimável valor, o mais antigo registro escrito em idioma tailandês e o trono do rei Taksin. A capela Buddhaisawan guarda uma das imagens do Buda mais reverenciadas da Tailândia, a Phra Phut Sihing.

Museu Nacional, Bangkok

Museu Nacional, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

Mais templos e tuk-tuks

Guardamos mais dois templos para o último dia em Bangkok: o Wat Traimit e o Wat Benchamabophit. Visitamos os dois num tour guiado. Mas, como disse lá em cima, achamos o tour absolutamente desnecessário. Preferia ter ido de táxi, Uber ou tuk-tuk, para economizar alguns dólares, fazer as coisas no nosso tempo e evitar as lojinhas comissionadas.

Wat Traimit

O Wat Traimit fica localizado no bairro chinês da cidade, ao final da rua Yaowarat. Este é o templo onde se venera a impressionante estátua de 3 metros de altura e 5,5 toneladas de puro ouro. Isso mesmo, puro ouro! Ela foi descoberta há uns 40 anos quando caiu de um guindaste e rompeu a sua proteção de gesso. “Ah, é por isso que essa imagem é incrivelmente pesada!”, deve ser o que todos pensaram.

Em estilo Sukhothai, a reluzente estátua data, provavelmente, do século XV. O santuário que abriga a famosa imagem do Buda de Ouro está no topo de uma nova estrutura de quatro andares. Os andares inferiores exibem a história da estátua dourada e da herança chinesa em Bangkok.

Buda de Ouro, Wat Traimit, Bangkok

Buda de Ouro, Wat Traimit, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

Wat Benchamabophit

O Wat Benchamabophit fica no interior de um belo parque. É um primoroso exemplo da arquitetura moderna dos templos budistas tailandeses. Ele foi construído no final do século XIX, no reinado do Rama V (suas cinzas estão enterradas no templo). A característica mais marcante deste santuário é o uso de mármore de Carrara branco em quase todo o seu revestimento. Isso lhe rendeu a alcunha de templo de mármore. No pátio atrás do prédio principal são exibidas 53 imagens do Buda, expondo os diferentes estilos utilizados para representá-lo na Tailândia e em outros países budistas.

Wat Benchamabophit, Bangkok

Wat Benchamabophit, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

Já ouviu falar em pet café?

A parte da tarde foi separada para conhecer o Parque de Dusit. Só que, na época em estivemos lá, o parque estava fechado por conta de uma série de protestos. Optamos então por passar a tarde nos shoppings da Sukhumvit.

Você já foi em algum café, onde, além de degustar das bebidas e comidas, você pode interagir com animais de estimação? Não estou falando do cachorro ou gato vira-latas que frequentam o bar da esquina. Mas de uma porção de bichinhos domésticos sedentos por carinho dos visitantes do café. Eu certamente gostaria de ir em um desses. A Monica Vieira, minha queridíssima cunhada, é praticamente uma especialista no assunto. Já foi em quatro desses só em Bangkok e recomenda todos! São o Little Zoo Café, o Dog in Town, o True Love @ Neverland e o Rabbito Café.

Para nos despedirmos da cidade, jantamos novamente no The Deck, e assim pudemos apreciar a sua vista do Wat Arun mais uma vez.

Wat Arun Bangkok

Vista do Wat Arun, a partir do The Deck, Bangkok. Foto: André Orengel.

 

3 comentários em Bangkok: roteiro de 6 dias pela campeã mundial do turismo

Conheça a política de cobrança de bagagem de 10 grandes companhias

Post atualizado em 03/09/2017 A liberação da cobrança de bagagem despachada em voos no Brasil entrou em prática provocando rebuliço entre os passageiros. A principal queixa diz respeito ao preço…

Post atualizado em 03/09/2017

A liberação da cobrança de bagagem despachada em voos no Brasil entrou em prática provocando rebuliço entre os passageiros. A principal queixa diz respeito ao preço das passagens, que não teve grandes quedas após a mudança feita pela ANAC (clique aqui para ler nosso post a respeito).

Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), a novidade faz com que os passageiros paguem apenas pelo que usam, e não por vários serviços que estão embutidos no preço. E a extinção da franquia de bagagem deve flexibilizar as opções de tarifas, seguindo o que já acontece em companhias pelo mundo afora.

“O histórico do setor aéreo mostra que, quando há o aumento de competição, o valor dos bilhetes recua, como aconteceu com a desregulamentação das tarifas aéreas, que reduziram o preço das passagens em cerca de 50% desde 2002”, disse o presidente da ABEAR, Eduardo Sanovicz, em uma nota publicada no site da Associação.

Porém, a realidade não correspondeu ao discurso dos empresários. À exceção da Avianca, todas as companhias brasileiras já estão com novas regras que incluem a cobrança da bagagem. As empresas criaram novos perfis de tarifa sem franquia de bagagem, mas a diferença de preço proporciona uma economia insignificante. Leia nosso post com o resumo do cenário nacional.

Para comparar o cenário brasileiro com o internacional, pesquisei a política de cobrança de bagagem em 10 grandes companhias aéreas estrangeiras. Sete delas são tradicionais (inclusive operam no Brasil) e três fazem parte das chamadas low cost, que possuem tarifas mais baixas e cobram não só pela bagagem, mas também por serviços como reserva de assento.

Além disso, fiz uma comparação de preços de passagens. Como as companhias têm rotas diferentes, escolhi voos diretos, entre 2 e 3 horas de duração, domésticos ou continentais (no caso das companhias europeias). Usei como referência o mês de março de 2017, cerca de 90 dias após a data da pesquisa (15/12/2016).

Para calcular os preços em reais, usamos as cotações do site xe.com apuradas no dia 15/12/2016:

1 US$ = R$ 3,36

1 € = R$ 3,50

1 £ = R$ 4,18

A variação é muito grande, tanto nas franquias quanto nos preços das passagens. Confira:

TAP

Com informações adicionadas em 03/09/2017

A companhia portuguesa foi a primeira empresa estrangeira a mudar as regras nos voos saindo no Brasil. No dia 1 de agosto de 2017, a TAP começou a vender passagens com a chamada tarifa discount para os voos intercontinentais. Antes, o perfil só era aplicado nos voos dentro do continente europeu e com destino ao norte da África.

A tarifa discount funciona assim: ela dá direito a levar apenas a bagagem de mão (limite de até 8 quilos). Para despachar uma peça de até 23 quilos, o passageiro paga 45 euros por volume, se solicitar o serviço no momento da compra. Se deixar para fazê-lo no check-in no aeroporto, o preço sobe para 80 euros. Se o despacho for feito no portão de embarque (costuma ser difícil acontecer, mas acontece), o valor dispara para 175 euros.

O novo perfil (pelo menos para os brasileiros) também deixa de fora várias outras comodidades. Reservar o assento? Pague 25 euros. Alterações ou reembolso no caso de cancelamento? Esqueça. E você ainda pontua apenas 10% das milhas do voo.

Na ponta do lápis

Fui fazer uma pesquisa para ver compreender com os números. Pesquisei um voo de Recife a Lisboa em março de 2018, com ida no dia 8 e volta no dia 22. As tarifas foram as seguintes:

Discount: R$ 3.395,23 (sem bagagem despachada, sem direito a alteração ou reembolso, sem reserva de assento e 10% das milhas)
Basic: R$ 3.551,90 (uma peça de 23 quilos despachada, alteração e reembolso permitidos, sem reserva de assento, 50% das milhas)
Classic: R$ 3.771,23 (duas peças de 23 quilos despachadas, alteração e reembolso permitidos, reserva de assento grátis, 100% das milhas)

Ou seja, entre a tarifa que não lhe dá direito a quase nada e a que dá direito ao pacote completo de antes, a diferença é de R$ 376. É o equivalente a 100 euros no câmbio de 03/09/2017. E, no caso desta passagem pesquisada, representa um desconto de apenas 10% em cima da tarifa cheia.

Minha avaliação: a tarifa discount não vale a pena. O desconto é muito pequeno frente à quantidade de comodidades não coberta pelo novo perfil. Já comentei aqui no blog sobre o perigo que é viajar sem ter direito a remarcação ou cancelamento (no post sobre os 7 erros que cometi em viagens). Suas tão sonhadas férias não merecem correr esse risco.

 

American Airlines

Em voos domésticos e com origem ou destino no Canadá, México, Caribe e América Central, o preço da primeira bagagem despachada é o mesmo: US$ 25 (R$ 84,24). A cada volume extra, o preço aumenta. A segunda mala custa US$ 40 (R$ 134,78) e a terceira, US$ 150 (R$ 505,44).

Para voos intercontinentais, a American oferece a primeira bagagem gratuita em alguns destinos. Cuba (apenas origem), Haiti (origem e destino), América do Sul, Europa, China, Japão, Coreia do Sul e Austrália são algumas das regiões contempladas com este benefício.

Dependendo da categoria no programa de fidelidade Aadvantage, o passageiro pode ter direito a até três volumes gratuitos.

Na pesquisa das tarifas, busquei um voo entre Nova York (La Guardia) e Chicago (O´Hare), com ida no dia 15/03/17 e volta no dia 22/03/17. O site da American já mostra o valor em reais. Este voo saiu por R$ 683 sem bagagem. Ou seja, bastante caro.

Página com todas as tarifas extras da Americanhttps://www.aa.com.br/i18n/customer-service/support/optional-service-fees.jsp

Página com a política de bagagem da Americanhttps://www.aa.com.br/i18n/travel-info/baggage/checked-baggage-policy.jsp#cost

 

Delta

A política de cobrança de bagagem da Delta é bem parecida com a da American. O primeiro volume dentro dos Estados Unidos custa US$ 25 (R$ 84,24). O valor é o mesmo para América Central, Caribe, Bermuda, México, República Dominicana, Guiana e Haiti.

Voos intercontinentais possuem franquia gratuita. Os passageiros têm direito a uma mala de 23kg voando para Europa, Norte da África, Israel, Taiti, Oriente Médio, Índia. A franquia é de duas malas de 23kg em caso de viagens com origem ou destino na América do Sul, China, Japão, Hong Kong, Cingapura, Taiwan, Tailândia, Austrália, Nova Zelândia, Filipinas ou Sul da África.

Assim como na American, clientes com “patente” maior no programa de fidelidade têm direito a mais bagagem sem ônus: dois volumes de 32kg, como podemos ver na tabela abaixo.

Um voo da Delta entre Nova York (La Guardia) e Chicago (O’ Hare) com ida em 15/03/17 e volta no dia 22/03/17 custa US$ 126,20 (R$ 425,24), sem bagagem. Um pouco mais barato que a American, mas não exatamente barato.

Página com a política completa da Delta para cobrança de bagagem: http://pt.delta.com/content/www/en_US/traveling-with-us/baggage/before-your-trip/checked.html?icid=Policy_Ck_Baggage_Ongoing

 

 Jet Blue

Diferente das duas gigantes, a Jet Blue é uma low cost. A companhia possui três tipos de tarifa. Em voos domésticos, a Blue é para quem viaja apenas com bagagem de mão. A Blue Plus inclui uma mala despachada e a Blue Flex, duas.

Para quem quer despachar mala, o primeiro volume custa US$ 20 (R$ 67,38). O segundo, US$ 35 (R$ 117,91). O terceiro, US$ 100 (R$ 336,89).

A companhia oferece uma franquia diferenciada para 14 destinos no México, Caribe, América Central e do Sul. Nestes casos, a tarifa mais barata (a Blue) inclui um volume despachado.

O site da Jet Blue possui um buscador de ofertas. O preço mais baixo para o trecho dos Estados Unidos que procurei (de Nova York a Chicago) foi em janeiro: ida e volta por US$ 108 (R$ 363,90), sem bagagem. Em março, mês que tinha tomado como base a princípio, a tarifa é mais que o dobro: US$ 226 (R$ 761,51). Ou seja: é melhor se programar e pesquisar.

Página com a política de bagagem da Jet Blue (em inglês): http://www.jetblue.com/travel/baggage/

 

Air France

A principal companhia aérea francesa oferece quatro tipos de tarifa para viagens dentro do continente europeu e para o norte da África. A mais barata é a Basic, que inclui apenas a bagagem de mão. Para quem compra a passagem neste perfil, a primeira mala despachada custa € 35 (R$ 121,73) e a segunda, € 70 (R$ 245,93). A Air France informa que, caso o passageiro compre a bagagem despachada online, pode ter até 20% de desconto.

Em voos internacionais, a franquia padrão é de um volume de 23 kg na tarifa econômica. Há outros três tipos de tarifa que permitem no máximo três volumes de 32kg. Os associados do programa Flying Blue têm direito de um volume extra de 23kg. Nestes casos, a bagagem extra custa a partir de € 85 (R$ 298,12).


No site da Air France, é possível pesquisar os voos com preços em reais. Uma passagem entre Paris (Charles de Gaulle) e Roma, com ida em 14/03/2017 e volta em 22/03/2017, custa R$ 352,15 sem bagagem e R$ 493,91 com bagagem. Um preço OK para uma companhia grande, mas que ainda não faz frente às low cost.

Página com a política de cobrança de bagagem da Air Francehttp://www.airfrance.com.br/BR/pt/local/guidevoyageur/pratique/bagages-soute-airfrance.htm

 

Lufthansa

A companhia alemã tem franquias diferenciadas para voos no continente europeu e voos intercontinentais. Nos europeus, há a tarifa Economy Light, só com direito a bagagem de mão (de até 8kg). Nos intercontinentais, a franquia começa na Economy Class com um volume de até 23kg e vai até três volumes de 32kg na classe executiva.

Para a tarifa light, os preços de bagagem despachada são: € 15 (R$ 52,63) para pagamento online, € 30 (R$ 105,25) para o balcão de check-in e € 45 (R$ 157,88) para a porta de embarque.

Pesquisei um voo da Lufthansa entre Frankfurt (principal hub da companhia alemã) e Roma. A ida é no dia 15/03/2017 e a volta no dia 22/03/2017. O preço é de € 128 (R$ 449,09) sem bagagem e € 168 (R$ 589,43) com bagagem.

Informações sobre a política de cobrança de bagagem da Lufthansa: http://www.lufthansa.com/br/pt/Regras-franquia-de-bagagem

 

Iberia

Na companhia espanhola, a primeira categoria de voos (domésticos exceto ilhas + a maior parte dos aeroportos europeus) tem a tarifa econômica sem bagagem. Neste perfil, o primeiro volume custa € 15 (R$ 52,63) e o segundo, € 35 (R$ 122,83). Isso para o caso de compra online antecipada da bagagem despachada.

Voos intercontinentais para América Central, do Sul, Ásia, África do Sul e América do Norte têm uma classe econômica com direito a um volume de 23kg na Iberia. Volumes extras custam a partir de € 60 (R$ 210,56) para compra online antecipada.


Pesquisei um voo entre Madrid e Frankfurt, com ida no dia 15/03/2017 e volta no dia 22/03/2017. O site da companhia permite visualizar o preço em reais. O preço é de R$ 276,58 sem bagagem e R$ 382,90 com bagagem. Preços competitivos.

A política de cobrança de bagagem da Iberia está aqui: http://www.iberia.com/br/bagagem/bagagem-adicional/

 

British Airways

Entre as grandes companhias, a British é a que tem mais condicionantes para a cobrança de bagagem. As tarifas são diferentes até mesmo entre os aeroportos de Londres (Gatwick e Stansted são mais baratos que Heatrow). Para efeito de comparação, vamos usar o perfil tarifa econômica UK Domestic e Euro Traveller. Neste caso, a bagagem extra custa £ 36 (R$ 150,52) saindo de Gatwick ou Stansted e £ 60 (R$ 250,87) para as outras rotas. Isso se você comprar online. Para pagar no aeroporto, o preço sobe para £ 40 (R$ 167,25) e £ 65 (R$ 271,78), respectivamente.

Pesquisei um voo entre Londres (Heatrow) e Frankfurt. A tarifa para ida e volta é de £ 100 (R$ 418,12) sem bagagem e £ 128 (R$ 535,26) com bagagem. Neste caso, vale a pena reservar a tarifa “plus”.

Informações sobre cobrança de bagagem na British Airways: http://www.britishairways.com/pt-br/information/baggage-essentials/extra-overweight-baggage

 

Ryanair

A empresa irlandesa já nasceu low cost e é um modelo a ser sonhado pelos passageiros brasileiros. A flexibilidade nos preços e serviços é enorme e possibilita tarifas mais baratas que as de ônibus no Brasil.

As tarifas regulares da Ryanair permitem que o passageiro leve dois volumes como bagagem de mão: uma mala de cabine de 10kg e uma bolsa pequena. As aeronaves têm capacidade para até 90 malas de cabine. Se o limite for excedido, as malas são transportadas gratuitamente no porão (desde que estejam dentro dos limites de peso e medidas).

Para pagar pela bagagem despachada, você pode escolher duas tarifas: mala até 15kg (que custam de € 10 a € 40 – R$ 35,12 a R$ 140,48, dependendo da rota) e mala até 20kg (de € 15 a € 50, R$ 52,69 a R$ 175,63). Estes preços são para compra online antecipada. Para pagamento no aeroporto, o preço é mais de duas vezes maior.

Um voo da Ryanair entre Dublin e Lisboa (com ida no dia 15/03/17 e volta no dia 22/03/17) custa € 58 (R$ 203,74) sem bagagem e € 142 (R$ 498,82) na tarifa flex. Mas é preciso ficar de olho nas letras miúdas e ver o que está incluído em cada tarifa. Isso porque vários serviços são cobrados, como a reserva de assento por exemplo.

Todo o serviço de bagagem da Ryanair está nesta página: https://www.ryanair.com/pt/pt/planear-viagem/Servicos-extra-em-viagem/bagagem

 

Easyjet

A Easyjet é a outra grande companhia low cost da Europa e tem uma tabela muito clara sobre tudo que é cobrado à parte, como reservas de assento, alterações e até o uso do SAC caso você não consiga gerenciar sozinho a sua reserva online.

Assim como na Ryanair, a taxa de bagagem depende da duração do voo. Para malas de até 20 kg, ela sai entre € 16,90 e € 39 (R$ 59,38 e R$ 137,04) para reserva online, € 44 (R$ 144,61) no balcão de check-in e € 60 (R$ 210,85) no portão de embarque.

Um voo da Easyjet entre Lisboa e Paris (com ida no dia 11/03/17 e volta em 18/03/17) custa € 58,22 (R$ 204,58) sem bagagem e € 210 (R$ 737,85) na tarifa flex. Como em qualquer outra low cost, leia bem o que está embutido em cada tarifa antes de comprar.

A tabela com todos os serviços cobrados à parte pela Easyjet:  http://www.easyjet.com/pt/termos-e-condicoes/taxas

FAQ sobre bagagem, inclusive com vídeos bem didáticos: http://www.easyjet.com/pt/ajuda/preparar-para-voar/bagagem

 

O que podemos entender, resumidamente, sobre tudo isso?

– para pagar tarifas realmente baratas em voos domésticos, vai ser preciso esperar uma nova companhia low cost aportar por aqui ou torcer por mudanças gigantescas nas empresas já no mercado.

– as bagagens despachadas não terão descontos progressivos a cada novo volume. Ou seja, uma viagem de compras vai sair muito mais cara.

– as companhias certamente vão estimular ainda mais a adesão a programas de fidelidade. Quando as empresas brasileiras divulgarem suas regras de cobrança de bagagem, estude-as bem e leve em consideração suas rotas mais frequentes para tentar concentrar suas milhas num programa só.

– quem viaja leve, com pouca bagagem, vai economizar muito mais do que os “bagulheiros”.

– é melhor não arriscar a malandragem do “se colar, colou” com a bagagem. Uma mala acima do peso que precisar ser despachada na hora pode sair bem mais cara que a tarifa. Tente planejar com antecedência o peso da sua bagagem tanto na ida quanto na volta. Afinal, a compra antecipada pelo despacho da mala é mais em conta.

 

E você, o que espera das mudanças nas regras de cobrança de bagagem no Brasil? Manda ver aí nos comentários!

Nenhum comentário em Conheça a política de cobrança de bagagem de 10 grandes companhias

Viajar sozinho: 7 dicas para entender vantagens e desvantagens

Viajar sozinho era uma prática tão comum para mim que quase virou um traço de personalidade. Alguns amigos me chamavam de corajoso e de “lobo solitário”. Outros diziam que eu…

Viajar sozinho era uma prática tão comum para mim que quase virou um traço de personalidade. Alguns amigos me chamavam de corajoso e de “lobo solitário”. Outros diziam que eu era egoísta e que apenas não havia encontrado a companhia ideal. Pois bem, a companhia eu realmente encontrei agora, como contei no post de lançamento do site. Mas não vou negar: andar por aí all by myself foi uma prática tão libertadora e construtiva que recomendo até hoje.

Comecei a viajar sozinho aos 19 anos, inicialmente pelo Brasil mesmo. Pautava meus roteiros pelas cidades onde tinha amigos feitos pela internet – blogs, fóruns e listas de discussão, por exemplo. Assim, conheci um bocado de capitais brasileiras. Aos 24, tive a experiência divisora de águas: ir sem companhia ao exterior, a lugares onde não tinha nenhum conhecido. Que dirá amigo. Não vou dizer que esta primeira viagem internacional foi perfeita, mas foi apenas o primeiro capítulo de um aprendizado constante.

Em 2007 não era fácil tirar selfies sem celulares com câmeras frontais...

Em 2007 não era fácil tirar selfies sem celulares com câmeras frontais…

De lá para cá, já passei perrengues, já tive momentos de absurda solidão e já fiquei doente. Mas não me arrependo de ter feito nenhuma dessas viagens. Tanto que sempre tento convencer amigos que morrem de medo de fazer aventuras desse tipo. É uma experiência que traz lições que você agrega não apenas às suas viagens, mas à vida inteira.

Posto isso, decidi escrever este artigo para fazer um panorama sobre viajar sozinho. Assim, quero ajudar você que está na dúvida sobre encarar uma viagem solo. Não sabe se este é o momento? Não tem certeza se você está pronto? Então se ligue nas dicas para se planejar ou mudar de ideia.

1. É fundamental estar bem consigo mesmo para viajar sozinho

people-371230_1280

Uma das frases prontas mais comuns em se tratando de viajar é: “as viagens curam”. Ou então alguma variante como “não pague terapia, pague uma viagem” ou “quem quer esquecer um pé na bunda deve viajar por aí”.

A real é que nenhuma dessas frases é totalmente verdade.

Nesse caso, as viagens se parecem um pouco com um porre. Se você estiver triste, um porre pode potencializar esta tristeza. A viagem também. Veja bem: pode. Não é uma certeza. Mas o risco existe e é bom saber dele desde o primeiro momento em que a ideia de viajar sozinho passar pela sua cabeça.

Tente fazer um exercício de autoconhecimento e antecipação de situações para poder saber se você está pronto. Você é capaz de passar um dia inteiro sem conversar com ninguém? Você saberia manter a calma sozinho numa situação de emergência? Além disso, é preciso entender quais são as suas expectativas. Se você espera curar um coração partido com a esperança de encontrar um novo amor aleatoriamente num passeio, pode voltar para casa tão frustrado quanto estava quanto viajou.

 

2. Hospede-se num albergue

beds-182965_1280

Já se foi o tempo em que albergues eram apenas hospedagens baratas sem nenhum conforto. Não que os pulgueiros com quartos coletivos tenham deixado de existir. Mas é que, nos grandes destinos turísticos, muitos hostels são construídos em belas casas, bem conservadas, com reformas e decorações assinadas por arquitetos. E a maioria deles tem quartos privativos. É como se, nesses casos, os conceitos do bed and breakfast e do hotel boutique se encontrassem. Mas com os dormitórios coletivos sempre ali, para ajudar na economia dos viajantes.

Os albergues são os melhores amigos dos viajantes solitários. Tanto para os que se aventuram pela primeira vez quanto para os mais experientes. Pelo perfil de acomodação, os hostels sempre aglutinam gente mais disposta a conhecer gente. Então certamente você vai encontrar pessoas que estão na mesma condição que você, dispostos a compartilhar um táxi, um passeio, uma cerveja ou apenas algumas horas de prosa.

Outra vantagem dos albergues é que eles costumam promover esse intercâmbio entre os hóspedes, seja organizando festas, noites temáticas, eventos, passeios ou excursões. Alguns hostels são tão festeiros que você nem precisa sair deles para cair na night. Então, para se entrosar, não é preciso grande esforço. Basta apenas estar disposto. Ou estar pronto para estar disposto.

Vamos às desvantagens

O quarto coletivo é a principal delas. É muito alto o risco de você ter um companheiro de dormitório com um relógio biológico bem diferente do seu: que dorme durante todo o dia e chega bêbado e barulhento à noite, por exemplo. Fora do Brasil também é muito comum o quarto misto, ou seja, com homens e mulheres. E isso pode ser desconfortável em algum momento, especialmente para elas.

Compartilhar o banheiro com estranhos também não é uma experiência que você vai querer ter para o resto da sua vida de viajante. Mas lembre-se: são os ônus do bônus que é economizar na hospedagem e ainda poder conhecer gente.

Segurança não será um problema se você tomar certos cuidados. Cadeados para malas e mochilas sempre. Antes de reservar, verifique se o albergue tem armários nos quartos também. Deixe para contar dinheiro quando estiver sozinho no dormitório. E não durma com objetos de valor à mostra. Mas também não exagere na paranoia. Lembre-se que todo mundo ali está tão preocupado com a própria segurança quanto você.

Em último caso, pague um pouco mais caro pelo quarto privativo e aproveite a parte boa do albergue: as festas, farras e resenhas no lobby.

 

3. Grudar no celular não é necessariamente ruim

guy-933318_1280

Suponhamos que você está a viajar sozinho e tem uma sociabilidade restrita, digamos assim. Está feliz com os amigos da sua cidade natal e não está muito a fim de arrumar novos. Para você, compartilhar aquele momento bacana da viagem só faz sentido se for para os seus bróders. Sendo assim, o Whatsapp será um companheiro tão habitual quando é nos dias normais, fora das férias.

Repita depois de mim: está tudo bem.

A internet móvel faz com que seus amigos estejam tão acessíveis a você numa viagem de férias quanto num dia qualquer. E, por mais que haja sempre alguém dizendo que celular é prisão, tire por menos. Mande fotos para quem você quiser. Conte algum causo do dia para o grupo de Whatsapp. Envie um áudio com uma música legal que você está ouvindo num bar.

Mas o mais importante é: não neure. Afinal de contas, o celular é muito útil para qualquer viajante. Localização no Google Maps. Dicas de atrações no Foursquare e Trip Advisor. Uber para pedir carona. Etc, etc, etc. Na minha primeira viagem solo, não havia internet móvel. Eu parava pelo menos duas vezes por dia num cyber café. E nem conseguia postar as fotos no finado Orkut. Isso sim era baixo astral…

 

4. Leve pouca bagagem

hiker-1607078_1280

Viajar sozinho significa que você não terá companhia nem ajuda nas horas difíceis. Ou seja, não tem quem divida o peso da mala (ou o custo de um táxi) com você. Portanto, mantenha sua bagagem leve. Vai facilitar sua vida em vários momentos: desde lhe poupar de despachar malas até permitir que você saia dos aeroportos em transporte público.

Uma dica para diminuir a quantidade de roupa: consulte seu anfitrião (seja albergue, hotel ou o que quer que seja) sobre a disponibilidade de lavanderias próximas. Se houver alguma que cobrar por quilo, é vantagem lavar roupa no meio da viagem. Alguns apartamentos anunciados no Airbnb possuem lavadoras e área para secar roupas. Caso esta seja sua opção de hospedagem, se ligue nisso.

Mas acho que o mais importante de levar pouca bagagem é o exercício de analisar o que realmente é essencial, não só na viagem, como também na vida. Se você consegue passar um mês de viagem alternando duas calças jeans, por que precisa de muito mais do que isso no armário?

 

5. Planeje muito bem o seu kit de sobrevivência

wanderer-455338_1280

Esse aí é um tema muito pessoal. Tem quem ache necessário levar uma toalha para cima e para baixo (eu sempre conto com as dos locais de hospedagem). A Luna (que entrevistei para este post) deu a dica da canga, que pode servir para várias situações. E já ouvi até dizer que limão é um bom item para se levar e tomar puro ou com água: é antibacteriano, antiviral e reestabelece o PH do corpo.

Eu, particularmente, acho indispensável levar alguns remédios. Um para dor de cabeça, um para cólicas e outro para reestabelecer a flora intestinal são os de primeira necessidade. O resto vai depender da sua condição de saúde (antialérgicos, medicamentos de uso contínuo, etc).

 

6. Seja dono do seu tempo

mountain-3387_1280

Esta é a vantagem máster de se viajar sozinho. Quanto mais gente viaja com você, mais difícil é conciliar interesses, relógios biológicos e durações de atividades cotidianas. Quem nunca ficou impaciente ao ter uma companhia de viagem que demorava demais no banho? Pois bem, numa viagem solo, a única pessoa que pode atropelar o seu tempo é você mesmo.

Quer dormir até mais tarde para descansar das longas andanças do dia? Tudo bem. Quer dormir mais cedo para chegar àquela atração na hora da abertura dos portões? Ótimo. Não precisa negociar com ninguém nem ceder demais. Aproveite também para curtir os passeios do seu jeito. Demore mais tempo no museu sem remorso, caso você curta apreciar a arte sem pressa.

 

7. Viajar sozinho é libertar-se das selfies e viver a  contemplação

hiking-3714_640

Uma pergunta sempre feita por quem nunca experimentou viajar sozinho é: “quem vai tirar as suas fotos?”. Agora que os principais telefones celulares têm câmeras frontais, a necessidade de uma segunda pessoa para fotografar você por aí caiu bastante. Mas você pode aproveitar o momento da viagem solo para quebrar as regras. Por que precisamos de uma foto nossa em determinado lugar do passeio? Esta foto não poderia ser tirada em qualquer outro lugar do mundo?

Se essas duas perguntas lhe instigaram, temos muito o que conversar. A facilidade da fotografia hoje em dia tirou das pessoas uma grande parte da virtude de contemplar. Em vez da admiração, estamos priorizando o registro. E nem sempre aquelas fotos que tiramos em poucos segundos serão impressas ou sequer revistas. Aí bate aquele arrependimento depois: será que não aproveitei mal o tempo?

Viajar sozinho te força a depender dos outros para ter aquelas fotos tradicionais. Se você não tiver cara de pau o suficiente, vai acabar cansando de pedir. Uma vez cansado de pedir, você pode colocar a contemplação de volta à prioridade. Esqueça a câmera por alguns minutos. Dê uma olhada geral, fixe num detalhe, observe algum movimento. Tire fotos sim. Mas tire aquelas que registrem o seu olhar, que vão te remeter àquele momento em particular.

Que fique bem claro: não há nada de errado em tirar selfies ou pedir para que tirem uma foto sua. Mas sempre há o risco de que o seu fotógrafo particular da hora não consiga reproduzir a forma como você concebeu o registro daquele instante. Não tem ninguém no mundo que possa reconstruí-lo a não ser você.

Nenhum comentário em Viajar sozinho: 7 dicas para entender vantagens e desvantagens

3 dias em New Orleans – let the good times roll…

A cidade de New Orleans é o epicentro da pluralidade cultural do sul dos Estados Unidos. Negros, espanhóis, franceses, caribenhos… Todos passaram por lá ao longo da história da cidade…

A cidade de New Orleans é o epicentro da pluralidade cultural do sul dos Estados Unidos. Negros, espanhóis, franceses, caribenhos… Todos passaram por lá ao longo da história da cidade e deixaram suas marcas. É possível ver esta miscelânea na arquitetura, na música e principalmente na gastronomia. Os pratos da cozinha cajun creole misturam referências de todos esses imigrantes que passaram pelo estado da Louisiana. Ainda há o bônus de temperos e pimentas para paladares iniciados e um bocado de diversão em qualquer esquina da Bourbon Street.

Se for para definir em poucas palavras, New Orleans é uma ótima cidade para se divertir. A vida noturna é tão movimentada que se antecipa e invade a luz do dia. No fim da tarde, o movimento no French Quarter (região da cidade que concentra uma grande quantidade de bares, casas noturnas e clubes de jazz) já está movimentado de gente de todo tipo. Jovens, idosos, grupos, casais com carrinhos de bebê… Há farras convidativas para qualquer perfil.

Além de boa comida e de diversão, a cidade oferece muita história.  Seja nas lendas de assombrações, na arquitetura de pelo menos dois bairros da cidade (French Quarter e Garden District) e em museus. Um deles é dedicado à Segunda Guerra Mundial, uma atração imponente e até surpreendente para quem espera apenas solos de trompete e bons drinks.

Os bondes da Canal Street: uma das caras da cidade

Os bondes da Canal Street: uma das caras da cidade

 

Estive em New Orleans em setembro de 2013 por três dias. E juro para vocês: estenderia minha estadia por pelo menos mais quatro, tamanho o astral da cidade e o conteúdo que ela oferece.

Baseado nessa breve passagem, montei um pequeno roteiro que pode servir de base para você planejar sua própria viagem. Há muito mais que ficou de fora das minhas andanças. Mas o seu ponto de partida pode ser por aqui. Vamos ao passo a passo!


**** Confira ofertas de hotéis em New Orleans ****

 

1º dia

O nome do aeroporto internacional de New Orleans já dá uma amostra do quanto a cidade presta tributo a seus heróis musicais: Louis Armstrong, cantor e trompetista lembrado universalmente pelo clássico “What A Wonderful World”. Ao desembarcar, uma boa notícia: tem wi-fi livre por lá. O nome da conexão é LANOIA, sigla para Louis Armstrong New Orleans International Airport.

Com essas boas-vindas, não tem como essa viagem dar errado

Com essas boas-vindas, não tem como a viagem dar errado

 

O jeito mais econômico de sair do aeroporto, caso você esteja viajando sozinho, é um shuttle, uma van compartilhada. É possível reservar online, mas não se preocupe com isso: existe um balcão de venda de passagens logo no desembarque. O valor é 24 dólares cada viagem e 44 dólares se você comprar a volta antecipada. As empresas já têm os nomes dos principais hotéis. Então nem é preciso se preocupar em passar o endereço certinho caso você vá se hospedar num deles.

French Quarter

Para uma primeira vez na cidade, aconselho: hospede-se no French Quarter. É fácil de sair e chegar, muito simples se localizar e ainda há muita coisa boa para se ver. O bairro foi o ponto inicial da ocupação da cidade, fundada pelos franceses em 1718.

Apesar do nome, grande parte das casas e prédios que se veem na vizinhança tem estilo espanhol. É que dois grandes incêndios no final do século XVIII destruíram muitos exemplares da arquitetura colonial que havia antes. A reconstrução ficou por conta dos espanhóis, que administraram o estado da Louisiana na época. As casas são exuberantes, com paredes espessas, varandas em ferro forjado e fachadas de tijolo.

Passear pelo Quarteirão Francês pode ser um bom começo de roteiro. Entre os belos prédios que você certamente vai fotografar, estão a St Louis Cathedral, o Cabildo e o Presbytère. Além disso, a orla do rio Mississippi está ali, pronta para uma caminhada ou para a prática do “nadismo”.

As fachadas típicas do French Quarter

As fachadas típicas do French Quarter

Onde comer

Um bom lugar para almoçar é a Crescent City Brewhouse. Experimente as cervejas da casa (há um menu de degustação) e a cozinha local. Pratos cajun creole como o gumbo (uma sopa com crustáceos e tomate) e o jambalaya (uma espécie de mistura entre paella e baião de dois). Há também os famosos sanduíches de New Orleans: os po´boys, que existem em diversas versões, com recheios que vão de almôndegas a camarão empanado. Mas na Crescent você vai experimentar uma forma realmente inusitada: po´boy de linguiça de crocodilo, que é muito consumida na região.

Loius Armstrong Park

À tarde, vá andando pela Orleans Avenue até sair do French Quarter e chegar a outro lugar que homenageia Louis Armstrong. Um dos principais parques da cidade leva o nome do músico. Há esculturas dele e de outros jazzistas da cidade. Fotos das estátuas e do icônico pórtico de entrada são imperdíveis. Além da beleza, o Louis Armstrong Park também é especial na história da cidade. Ele fica junto da Congo Square, uma praça que era a porta de entrada para negros escravizados e que foi o berço da música afroamericana na cidade.

O Louis Armstrong Park também é cheio de cor e alegria

O Louis Armstrong Park também é cheio de cor e alegria

Noite na Bourbon Street

Sua primeira noite em NOLA (sigla para New Orleans-Louisiana, que você vai ver por todo canto) não poderia ter outro destino. Certamente você passará pela Bourbon Street, a mais famosa do French Quarter. Mas a fama não se deve exatamente à música. A rua está repleta de clubes de strip tease e bares que servem drinks “para viagem”. Isso é um atrativo, já que New Orleans é um dos poucos lugares dos Estados Unidos em que não é proibido consumir bebida alcoólica na rua. Por isso, turistas desinibidos de todas as idades circulam ali.

A maioria é de jovens, e muitos vão para fazer despedidas de solteiro. Mas também se veem casais idosos, mães com crianças de colo e pessoas em cadeira de rodas. Em meio a elas, mulheres fazendo pole dance, hosts de bares oferecendo cerveja em jarras enormes e um homem fantasiado de Homer Simpson bêbado. Há música, claro. Mas a maioria dos clubes com música ao vivo tem como atrações bandas que tocam covers de pop e rock.

Um início de noite na Bourbon Street

Um início de noite na Bourbon Street

 

Um lugar aonde fui na Bourbon e curti bastante é o Laffite´s Blacksmith Shop. Fica um pouco afastado do epicentro festivo da rua, mas a caminhada não é tão longa. O bar, que tem uma atmosfera de taverna, chama para si o título de mais antigo dos Estados Unidos. Está em atividade desde 1772. Há um espaço com um piano de cauda que vira mesa quando tem alguém tocando. Além disso, tem uma jukebox bem eclética, com discos que vão do jazz local até Daft Punk.

2º dia

Museu Nacional da Segunda Guerra Mundial

Depois de tomar um café da manhã creole em algum restaurante perto do Mississippi (experimentei o do Jackson Brewery), pegue um bonde na Canal Street. Vá até o surpreendente Museu Nacional da Segunda Guerra Mundial. É a principal atração turística de todo o país quando se quer saber sobre a guerra. E você sabe como os americanos são apegados a este conflito… Por isso, grupos de turistas de toda a parte do país vão lá para conhecer a história ou prestar tributo aos militares mortos.

Há sempre um veterano da guerra de plantão no hall de entrada do museu para receber os visitantes. E o acervo é riquíssimo: veículos, aeronaves, armas, uniformes e painéis contando a história da guerra (na versão dos americanos, óbvio). Outra atração imperdível é o filme 4D “Beyond All Boundaries”, sobre a participação americana desde o ataque a Pearl Harbor até a vitória final.

Museu da Segunda Guerra Mundial

Museu Nacional da Segunda Guerra Mundial

Garden District

O almoço pode ser em algum restaurante ou café na Magazine Street, que também tem loja descoladas de design e roupas. Andando um pouco mais por ela, você chega até outro bairro emblemático de New Orleans. separado do French Quarter por cerca de três quilômetros e um século. O Garden District foi criado para abrigar famílias americanas ricas que administravam as plantations (sistemas de cultivo de produtos como cana de açúcar e algodão, típicos dos anos 1800). Elas não queriam morar junto com os negros no Quarteirão Francês. Eles acabaram construindo mansões de diversos estilos: francês, grego, gótico e vitoriano, entre outros. Algumas das casas são históricas.

Uma delas, no número 2301 da Saint Charles Avenue, foi a residência da escritora Anne Rice durante a infância. Outras celebridades que ainda moram no Garden District são o ator John Goodman e o jogador de futebol americano Archie Manning. Ele é um dos astros do New Orleans Saints, o time local que disputa a NFL. Há agências que organizam tours guiados que contam a história de cada uma das principais mansões. Mas é muito fácil encontrar na internet informações para passeios autoguiados.

Uma típica mansão do Garden District

Uma típica mansão do Garden District

Noite na Frenchmen Street

À noite, saia um pouco do oba-oba da Bourbon Street e vá aonde os moradores de NOLA saem para ouvir música: a Frenchmen Street. Ela fica no final do French Quarter e abriga várias casas de shows. Lá se ouvem novos talentos e bandas conhecidas da cidade. A programação não costuma se restringir ao jazz. Blues, R&B, soul e até música latina pode ser conferida por lá. Bares como o The Maison e o d.b.a não cobram ingresso, mas é de bom tom que o público contribua com uma gorjeta. Em alguns shows, os próprios artistas vão de mesa em mesa pedir o dinheirinho pra garantir a noite.

Palco da Maison, na Frenchmen Street

Palco da Maison, na Frenchmen Street

3º dia

City tour sobre o Katrina

Não costumo gostar de city tours, mas New Orleans tem uma variedade tão grande de passeios temáticos que é difícil não se render a um deles. Quando estive por lá, fiz um sobre o furacão Katrina, que devastou a cidade em 2005. Muitas cicatrizes continuam abertas, especialmente em bairros que foram quase totalmente arrasados como o Ninth Ward. Há muitas casas danificadas, lotes inteiros desocupados e poucos serviços como transporte público e escolas.

Por outro lado, os músicos Harry Connick Jr e Branford Marsalis se juntaram para bancar a construção de um bairro planejado para abrigar os músicos da cidade que perderam suas casas com o furacão. Marcado por habitações multicoloridas, o Musician´s Village virou uma atração à parte em Nova Orleans. Além disso, simbolizou o esforço para que a cidade não perdesse a tradição da música. O Musician´s Village também abriga o Ellis Marsalis Center for Music, uma espécie de híbrido entre escola e centro cultural.

O Musicians Village é um símbolo da resistência da cidade pós-Katrina

O Musicians Village é um símbolo da resistência da cidade pós-Katrina

Mais dicas gastronômicas

Para a tarde, duas sugestões. Uma delas foi opção minha no ano em que conheci NOLA: me afastar um pouco do French Quarter para comer em dois lugares indicados por um amigo que havia visitado a cidade. Um deles é o o Parkway Bakery and Tavern, especializado em po´boys, os sanduíches de que falei algumas linhas acima. Experimente o de camarão empanado!

Perto dali, há uma sorveteria italiana chamada Angelo Brocato. É um daqueles negócios familiares, que passam de geração para geração. E, como em toda gelateria, o sorvete de pistache é espetacular! Na volta ao Quarteirão Francês, é legal tirar uma horinha para conhecer o French Market, que abriga um mercado agrícola e outro de pulgas. Para quem gosta de cozinhar, é o melhor lugar para comprar temperos e condimentos e tentar emular receitas creole quando voltar para casa. Caso você esteja cansado de caminhar, há muitas casas de imigrantes orientais que oferecem massagens nos pés.

Eis um po'boy de camarão empanado

Eis um po’boy de camarão empanado

Última noite tem que ser musical

Para a despedida noturna, minha sugestão é se ligar na agenda de dois dos principais palcos musicais da cidade. Um é o da Preservation Hall, que tem uma banda residente de jazz bastante conhecida. Outro é o da House Of Blues, que não se limita a shows de música. Os sites das duas casas são repletos de informações úteis para que você programe sua visita.

A agenda semanal da House Of Blues tá sempre na fachada. É passar por lá e se programar

A agenda semanal da House Of Blues tá sempre na fachada. É passar por lá e se programar

Bônus: os lugares que não conheci em New Orleans

Como falei, fiquei apenas três dias em NOLA e não tive oportunidade de conhecer tudo o que a cidade oferece. Mas, na conversa com moradores, gente que trabalha no turismo e visitantes de outros locais, peguei algumas dicas que podem ser bem pesquisadas na internet.

Passeios guiados: são literalmente DEZENAS. Cemitérios, música, drinks, pântanos, cruzeiros no Mississippi e até tours de histórias mal assombradas e que contam a história do vudu na cidade. Uma das agências que faz todos esses principais passeios é a Grey Line e o site dela pode ser um ótimo ponto de partida. Mas em qualquer hotel você encontra folhetos de outras agências que podem trazer opções mais interessantes para o que você procura.

Mardi Gras World: é um museu dedicado ao Mardi Gras, o carnaval de New Orleans. É possível conhecer um pouco da história da festa e também ver artistas e escultores preparando as alegorias e fantasias. Veja o site!

Movie Tour: de todos os tour guiados, o que mais me deu arrependimento de não fazer foi este. New Orleans foi locação para filmes e séries de TV, de JFK a True Blood, de Easy Rider a Django Livre, passando por Ray, Entrevista com o Vampiro e O Curioso Caso de Benjamin Button. Dá pra ter uma noção do passeio neste site.

3 comentários em 3 dias em New Orleans – let the good times roll…

Type on the field below and hit Enter/Return to search