Mochileza

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Roteiros e viagens de mochila sem sufoco

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Seis festivais de verão para curtir na Bélgica

Assim como gastronomia e cinema, o Mochileza é um site entusiasta de música. Sempre procuramos referências musicais em nossas viagens (como o roteiro de David Bowie em Berlim) ou shows…

Assim como gastronomia e cinema, o Mochileza é um site entusiasta de música. Sempre procuramos referências musicais em nossas viagens (como o roteiro de David Bowie em Berlim) ou shows para assistir no caminho. E quem gosta de música sabe que o verão europeu é fértil em grandes eventos. São festivais de leste a oeste no continente, para todos os estilos e orçamentos.

Os frequentadores assíduos de festivais têm destinos tradicionais, como Inglaterra e Alemanha. Também há os destinos que viraram os novos queridinhos dos viajantes, como Espanha e Portugal. Mas tem um país que consegue reunir eventos em grande quantidade e também em variedade de atrações: a Bélgica.

Apesar do território minúsculo, a concentração de festivais na Bélgica é gigantesca. Se você já pensou em passar um verão por lá comendo chocolate e tomando cerveja, pode pensar em agregar um festival de música ao seu roteiro. E, para ajudar você no planejamento, recorremos a um grande amigo do Mochileza. O Edvan Coutinho é um jornalista com quem trabalhei em Belém e mora em Bruges, na Bélgica, desde 2007. É um dos caras mais bem informados que conheço e dono de uma vasta cultura musical. Ele preparou um guest post com uma curadoria dos principais festivais do verão belga. Espero que vocês curtam!

Ah, o Edvan também trabalha como guia oficial de turismo em Bruges. É o único guia brasileiro na cidade. Para uma experiência mais rica de informação, recomendo DEMAIS um city tour com ele! Se você se interessar, escreva com alguma antecedência para o Edvan: [email protected]

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Edvan Coutinho e as típicas batatas belgas. Foto: Arquivo Pessoal

 

A onda de frio neste inverno – talvez a mais severa dos últimos dez anos – faz os europeus sonharem com os sons não apenas dos pássaros em dias quentes. Mas também das guitarras, teclados e soundsystems nas centenas de festivais de verão em todo o continente. Sim, a Europa é o melhor destino se você adora um show, seja ele um megaevento ou uma performance mais intimista. E quando se fala em festival de verão, a Bélgica é a meca dos amantes de todos os estilos musicais.

A localização estratégica deste pequeno país (menor que o arquipélago do Marajó), entre o Reino Unido, a França, a Alemanha e a Holanda, facilita o deslocamento de bandas e artistas em turnê pelo continente. Entre os mais de 300 festivais que acontecem anualmente em solo belga, escolhemos seis, que podem ser chamados o crème de la crème. Eles abarcam desde a world music até os beats eletrônicos mais modernos. Um deles, o Moods Festival, é parcialmente gratuito. São festivais em Bruxelas, Wechter, Boom, Hasselt e Bruges – tudo para combinar música e viagem.

Couleur Café: o mundo no palco

Foto: Vanessa Rasschaert / Divulgação

 

Este festival é o coup de coeur (favorito do coração) para os que estão abertos aos sons do mundo. A world music ganha aqui um sentido literal.  No line-up deste ano tem a incrível dupla malinesa Amadou & Mariam, os brasileiros do Metà Metà, com a mistura afro-jazz-bossa-swing brasileiro, as irmãs cubanas Ibeyi, o veterano norte-americano George Clinton (papa do funk legítimo), ao lado das senhoras do Clypso Rose, de Trinidad e Tobago, e do vizinho caribenho delas, Ziggy Marley (precisa descrever o que ele toca?). Ainda há novidades como os rappers suíços Makala, Di-Meh e Slimka, além do funky vodu dos togoleses do Togo All Star.

O Couleur Café existe desde 1990 e já rodou por várias locações em Bruxelas. Porém, há uns dois anos, conseguiu acertar na escolha do cenário. Ele é realizado na área do Atomium, um dos símbolos da capital belga e da Europa, a escultura gigante em formato de um átomo. A vantagem desse festival é que você está dentro da cidade e há transporte público a todo momento para voltar para o seu hotel ou albergue.

O Atomium é o cenário do Couleur Café. Foto: Luc Cheffert / Divulgação

 

Para quem não quer perder um minuto do clima de festival, ou quiser tirar uma soneca entre uma e outra atração, há um acampamento bem estruturado, como em todos grandes festivais.

Couleur Café Festival

Quando: de 29 de junho a 1° de julho de 2018
Onde: na praça do Atomium, em Bruxelas
Preços: desde 85 euros para os 3 dias ou entre 37 e 42 euros para um dia apenas (ver condições e taxas extras no website do festival)
Mais informações: https://www.couleurcafe.be (em inglês, francês e neerlandês/flamengo)

 

Rock Werchter: grandes nomes, mas também indie

Foto: Divulgação

 

Este festival está sempre na lista dos melhores do mundo. Ele faz parceria com os festivais ingleses, como o Glastonbury, e holandeses, como Lowlands. E assim o line-up é mais do que estrelado, porém bem diversificado também. Eles sempre apostam em promessas, como fizeram com o London Grammar, o trio inglês que desde que passou por lá há uns cinco anos.

Este ano vão pisar nos palcos do Rock Werchter: Arctic Monkeys, Franz Ferdinand, Gorillaz, Snow Patrol, Jack White, Alice in Chains, Nick Cave & The Bad Seeds, Queens of Stone Ages, David Byrne, Pearl Jam, e o já citado London Grammar, só para nomear alguns. O festival sempre prestigia a prata da casa e assim os belgas sempre estão em destaque. Este ano vão estar, entre as atrações locais, o grupo Arsenal – que tem um queda por música brasileira –  e power trio Triggerfinger (já ouviram a versão deles para “I Follow Rivers”?).

O preço do ingresso pode parecer salgado, mas o line-up justifica, além do que o transporte público de qualquer cidade na Bélgica até a porta do festival está incluído no preço.

Rock Werchter

Quando: de  6 a 8 de julho de 2018
Onde: Werchter (a 30 km de Bruxelas e a 15 km de Leuven, outra grande cidade belgo-flamenga)
Preços: desde 102 euros, para um dia,  até 238 euros para os três dias (ver condições e taxas extras no website do festival)
Mais informações: www.rockwerchter.be (em inglês, francês e neerlandês/flamengo)

 

Cactus Festival: familiar e hype

Foto: Edvan Coutinho

 

O mais charmoso festival belga. O mais familiar dos festivais. O melhor pequeno festival da Europa. O Cactus tem muitos títulos e todos eles se justificam. A começar por ser o festival da cidade que é uma marca de beleza: Bruges, que atrai 6 milhões de turistas por ano, com seus canais que valem o apelido de Veneza do Norte e o traçado medieval das ruas que valeu o título de Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco.

O Cactus Festival acontece há mais de 35 anos praticamente no centro da cidade. O público é limitado em menos de 10 mil pessoas num espaço amplo e verde do parque Minnewater, com infraestrutura e conforto nota 10. O festival tem um clima tão relaxante que atrai famílias inteiras, dos avôs aos netos. Tem espaço para deixar as crianças brincarem, há até redes para descansar e os stands de comida são uma atração à parte pela alta qualidade.

Foto: Edvan Coutinho

 

No que se refere ao palco único, as atrações são sempre de altíssimo nível e fora do mainstream. O que não quer dizer falta de qualidade.  Nos anos 90, passaram por lá Marisa Monte e Chico Science & Nação Zumbi. Mais recentemente, tocaram Massive Attack, Macy Gray, Benjamin Clementine, Kaiser Chiefs, Marianne Faithfull e Patti Smith. Este ano estão em cartaz Buffalo Tom, com seu indie rock made in USA, a britânica Emeli Sandé, a camaleônica anglo-francesa Charlotte Gainsbourg e os cultuados escoceses do Mogwai. O festival de Bruges é conhecido por lançar tendências. Assim, muitos artistas novos acabam voltando à Bélgica em festivais maiores depois de serem “descobertos” no Cactus.

Cactus Festival

Quando: de  13 a 15 de julho de 2018
Onde: Bruges (a 90 km de Bruxelas)
Preços: desde 49 euros, para um dia,  até 110 euros para os três dias (ver condições e taxas extras no website do festival)
Mais informações:  www.cactusfestival.be (em inglês, francês e neerlandês/flamengo)

 

Tomorrowland: o povo do amanhã

Foto: Divulgação

 

Com toda a justiça, o Tomorrowland é o mais prestigiado festival de música eletrônica do mundo.  O evento virou uma marca de valor incalculável e chegou ao Brasil em duas edições em 2015 e 2016, depois de ter também feito uma edição nos Estados Unidos. Se você pensa em vir, prepare-se para vir somente em 2019, pois os ingressos deste ano, assim como sempre acontece, foram vendidos em menos de três horas.

O Tomorrowland, desde 2005, botou a Bélgica no centro do mundo da música dançante do século XXI e é um evento que chega a ser uma experiência mística – dizem amigos habitués do festival. Para os conhecedores dos loops e beats, as atrações deste ano são de peso: Tiësto, Vini Vici, Axwel, Bonzai All Stars, Carl Cox, Alesso, Dimitri Vega & Like Mike, Fatboy Slim, Lost Frequences e Steve Angello.

Foto: Divulgação

 

O acampamento do Tomorrowland é uma atração à parte. O festival tem até mesmo uma vila de luxuosos apartamentos com jacuzzi e todo o luxo que seu bolso puder pagar.

Ano passado, o festival teve cerca de 400 mil espectadores, um número recorde porque passou a ser realizado em dois finais de semana, o que se repete este ano.

Detalhe: se não puder esperar o verão de 2019, o Tomorrowland anunciou um festival de inverno em março de 2019, na cidade de Ales-Huez, na França.

Tomorrowland

Quando: de 20 a 22 e de 27 a 29 de julho de 2018
Onde: Boom (entre Bruxelas e Antuérpia)
Preços: desde 94 euros um dia apenas até 281 euros para ficar no alojamento de luxo (o website do festival informa que todos estão sold out)
Mais informações: (em inglês, francês e neerlandês/flamengo)

 

Pukkelpop: oito palcos com mega-atrações

Foto: Divulgação

 

Um dos grandes festivais da Europa faz 33 anos em 2018. O Pukkelpop sabe combinar grandes nomes com artistas ainda em ascensão, pois tem espaços adequados para megaespetáculos, tendas para pocket shows e dance hall. De Björk ao Iron Maiden, de The Prodigy ao Portishead, a lista de artistas das edições anteriores não deixa dúvidas do peso desse festival, o único que conseguiu comprar toda a área onde anualmente se instala na província flamenga do Limburg.

Foto: Divulgação

 

Este ano, a única atração anunciada e confirmada é ninguém menos que Kendrick Lamar, o papa do rap/hip hop/jazz norte-americano contemporâneo. Fala-se que o Arcade Fire e The War on Drugs estão acertando a agenda para poderem vir.

Pukkelpop

Quando: de 15 a 18 de agosto de 2018
Onde:  Kiewit-Hasselt (a 70 km de Bruxelas)
Preços: ainda não anunciados (ver condições e taxas extras no website do festival)
Mais informações:  https://www.pukkelpop.be  (em inglês, francês e neerlandês/flamengo)

 

Moods Festival: o festival intimista de Bruges que cabe no seu orçamento de mochileiro

 

Foto: Divulgação

 

Este festival é no meio do verão e se passa em dois dos mais impressionantes cenários da cidade de Bruges: a praça da prefeitura (de Burg) e o hall interior do Belfort. O Moods é um festival organizado pela prefeitura da cidade e opta pela diversidade de atrações em dois momentos. O primeiro é numa quinta-feira à noite, um show intimista, com ingresso pago a menos de 20 euros, no pátio interno do Halletoren (a torre do Belfort, momunento gótico construído entre os séculos XII e XV).  E às sextas e sábados à noite, um show maior, gratuito, tendo como fundo de palco a Stadshuis, a prefeitura construída no começo do século XV.

O Moods tem uma atmosfera pequena e tão agradável que, mesmo em caso de chuva, o público não arreda pé. Em cartaz este ano, o nome mais conhecido é o Nouvelle Vague, a banda francesa de new bossa. E ainda: a mistura cubano-jamaicana do show Havana Meets Kingston,  a banda norte-americana Joan As Police Woman (com a cantora Joan Wasser que trabalhou com Rufus Wainwright, Nick Cave e Antony & The Johnsons), a banda pop-rock flamenga Het Zesde Metaal e o acordeonista bósnio-suíço Mario Batkovic, um virtuoso que é uma espécie de Philip Glass do acordeon.

Moods festival

Quando: de 27 de julho a 9 de agosto de 2018
Onde:  Bruges, centro da cidade
Preços:  16 euros + taxas (ver condições) para os shows no pátio do Belfort e gratuito nos show da paraça da prefeitura, o Burg
Mais informações:  http://www.moodsbrugge.be  (em inglês e neerlandês/flamengo)

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Cuba: dicas e roteiro de três dias em Havana

Se você já ouviu a frase “vai para Cuba!” numa discussão sobre política, não a leve mais como um insulto. Melhor tomá-la como uma recomendação – e das boas. A…

Se você já ouviu a frase “vai para Cuba!” numa discussão sobre política, não a leve mais como um insulto. Melhor tomá-la como uma recomendação – e das boas. A ilha caribenha é uma das vedetes dos viajantes nos últimos anos. Em 2016, o país recebeu turistas como nunca: foram 4 milhões de visitantes, 13% a mais que no ano anterior. E o que mais há em Cuba é motivo para visitar o país: história, cultura, música e praias são só alguns deles.

Conhecer Cuba não precisa ser uma decisão ligada a uma orientação/opinião política. Mas, antes de decidir embarcar, é preciso estar ciente de alguns fatos:

1) apesar de crescente, a indústria do turismo (ainda) não é tão consolidada quanto em países historicamente mais visitados;

2) as consequências do isolamento político e econômico de Cuba estarão visíveis por toda parte. A versão turística do país não é a mesma que os nativos vivem;

3) Cuba é um país pobre, porém caro. Não pense nesta viagem como uma viagem para gastar pouco.

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Ruas de Habana Vieja. Foto: André Orengel

 

Essas são algumas reflexões que tirei dos relatos da viagem que o André Orengel, colaborador habitual do Mochileza, fez por lá. Ele e a esposa estiveram em Cuba em dezembro de 2016. Por aqui, ele deixa algumas dicas para planejar a viagem (visto, dinheiro, hospedagem, etc) e uma sugestão de roteiro de três dias pela capital Havana. Partiu Cuba?

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Plaza de la Revolución, em Havana. Foto: André Orengel

 

Cuba, muito mais do que os seus vizinhos caribenhos, tem uma presença marcante em nosso imaginário. Pode ser pela rivalidade esportiva com o Brasil, pela revolução comunista liderada por Fidel Castro e Che Guevara ou ainda pela influência cultural de seus ritmos e sabores. A verdade é que sempre tivemos uma curiosidade imensa de conhecer este país e seu povo. Assim, minha esposa e eu aproveitamos um recesso de final de ano para explorar um pedacinho dessa ilha. Passamos alguns dias em Havana e mais dois dias em Varadero. Conto aqui como foi que fiz essa viagem e sugiro um itinerário com base em nossas experiências:

Entrando em Cuba

Os brasileiros precisam de um Visto de Turista (tarjeta turística) para entrar em Cuba. Ele serve para uma única entrada e tem validade de 30 dias. Não deixe que isso lhe desmotive, pois é bem fácil de o conseguir.

No nosso caso, pegamos um voo da Copa Airlines, via Manaus, e no próprio check-in fizemos a tarjeta. É preciso pagar uma taxa de US$ 20 e apresentar passaporte com validade mínima de seis meses. Quem viajar de Avianca ou Latam, pode solicitar o visto no portão de embarque do segundo voo, em Bogotá ou Lima.

A tarjeta turística também pode ser emitida pela Embaixada em Brasília e nos consulados de São Paulo, Salvador e Manaus. O site da Embaixada explica como se pode solicitar o visto pelos correios, mas esta me parece a menos prática das opções disponíveis.

Além da tarjeta, é obrigatório que você leve um seguro-viagem e tenha se vacinado contra febre amarela com até 10 dias antes da viagem.

Dinheiro

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Cédulas de CUCs, os pesos convertíveis. Foto: Pixabay

 

A viagem para Cuba saiu mais cara do que inicialmente imaginávamos, então sugiro que viaje com uma folguinha. A moeda utilizada pelos turistas é o CUC (Peso Conversível Cubano), diferente da moeda utilizada pelos cubanos, que é o CUP (Peso Cubano). Não leve dólares e nem conte com o seu cartão de crédito. Isso porque há uma “taxa” (multa) de 10% que você tem que pagar sempre que trocar dólares por CUC. Essa cobrança também é feita no uso do cartão de crédito, além dos 6,38% de IOF. Por isso, leve preferencialmente euros.

Ao sair do aeroporto de Havana você provavelmente verá uma enorme fila na frente da casa de câmbio. Respire fundo e a encare, pois na cidade a cotação e fila não serão muito diferentes.

Hospedagem

Pelo que pudemos apurar, existem, basicamente, duas opções de hospedagem: hotel e casa de família. Na nossa estadia, ficamos em três hotéis. Em Havana: NH Capri La Habana e Meliá Habana. Em Varadero: Meliá Las Américas. Todos  tinham dois pontos em comum: um bom e outro ruim. Pelo lado positivo, os buffets de café da manhã eram imensos, os mais variados que já vi. Pelo lado negativo, o fedor de mofo era insuportável. Os que sofrem com alergia devem reforçar o estoque de remédios para a viagem.

Em Havana, o Capri fica mais próximo do centro histórico, em uma região onde também estão localizados outros hotéis históricos, como o Tryp Habana Libre e o Hotel Nacional. Para ir ao centro histórico, usávamos os táxis que ficavam na porta do hotel e negociávamos o preço antes de entrar no carro. A corrida custava algo em torno de 8 CUCs.

Já o Meliá Habana fica um pouco mais afastado, próximo à praia e em uma área arborizada onde estão localizadas as embaixadas de vários países. É um ótimo lugar para uma corridinha matinal. O hotel disponibiliza transporte gratuito em horários pré-fixados para o centro da cidade, o que representa uma ótima economia com deslocamento.

Por falar em transporte, você não precisa se preocupar com o traslado de Havana para Varadero e vice-versa se você ficar em hotel. O próprio concierge pode resolver isso com uns dias de antecedência.

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Clima

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Ruas de Havana. Foto: André Orengel

 

Logo no táxi do aeroporto ao hotel, fomos surpreendidos por um outdoor que dizia: “Embargo: o maior genocídio da história”. Ao longo da viagem, encontramos diversas outras propagandas antiamericanas e que enalteciam a revolução comunista. Apesar disso, o clima da cidade estava muito longe de ser tenebroso. Pelo contrário, nos deparamos com um lugar festivo, fotogênico, cheio de música, com ótimas opções para comer, beber e se divertir. Para completar, o povo é alegre e muito receptivo, e vê no turismo um dos principais mecanismos para a superação das dificuldades impostas pela falência do bloco soviético.

Por falar em embargo, ele impôs uma situação bem peculiar e marcante à cidade, dando-nos a impressão que a mesma parou no tempo em algum lugar na década de 60. Muitos dos veículos que trafegam pelas ruas parecem ser dessa época e boa parte dos prédios se encontra em completa ruína. Salvam-se os hotéis, museus, edifícios públicos e uma zona da Cidade Velha reformada. Esta que, por sinal, é considerada patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO por tão bem refletir o apogeu da colonização espanhola na ilha.

 

Primeiro dia em Havana

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Castillo de los Tres Reyes del Morro. Foto: André Orengel

Começamos a viagem visitando o Castillo de los Tres Reyes del Morro, uma bela fortificação espanhola que nos remonta ao período das grandes navegações e pirataria no mar do Caribe. Para incrementar as defesas deste que era um dos portos mais movimentados das Américas entre os séculos 16 e 18, os espanhóis construíram também a enorme Fortaleza San Carlos de la Cabaña. Andamos até lá após visitar o primeiro, para aprender ainda mais sobre a história militar da cidade. Vale muito a pena.

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Fortaleza de San Carlos de la Cabaña. Foto: André Orengel

La Bodeguita – Curtindo Cuba como Hemingway

Depois, fomos de taxi à Praça da Catedral. Como a hora do almoço se aproximava, comemos no concorrido La Bodeguita del Medio, ali próximo. O bar/restaurante tornou-se famoso por sua ilustre clientela, que inclui Salvador Allende, Pablo Neruda, Errol Flynn e Ernest Hemingway. As paredes são todas riscadas, e nós aproveitamos para deixar a nossa marca, como Hemingway, que escreveu: “My mojito in La Bodeguita, My daiquiri in El Floridita“. Com uma recomendação dessas, como não tomar um mojito?

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La Bodeguita del Medio, um dos bares favoritos de Hemingway em Havana. Foto: André Orengel

 

De estômago forrado, entramos na imponente Catedral de la Virgen María de la Concepción Inmaculada de la Habana, principal templo religioso da cidade. A praça a sua frente é rodeada por prédios interessantes, como: o Palacio de las Marquesas de Aguas Claras; a Casa Lombillo; o Palacio del Marques de Arcos; o Palacio de los Condes de Casa Bayona; e o Taller Experimental de Gráfica.

Museus e mais fortificações

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Plaza de Armas em Havana. Foto: André Orengel

 

Seguimos caminho pela rua San Ignacio, até chegarmos à movimentada rua Obispo, onde dobramos à esquerda e andamos até chegar à aprazível Plaza de Armas, que tem uma feirinha de antiguidades e vários artistas de rua. Dois museus se destacam nesta praça. O Castillo de la Real Fuerza, considerado a fortificação em pedras mais antiga das Américas, hoje é um museu marítimo, que exibe uma impressionante maquete do Santisima Trindad (a maior embarcação do século 18 e construído em Havana) e tem uma bela vista de seu terraço. O outro museu é o Palacio de los Capitanes Generales Casa de Gobierno, com um ótimo e extenso acervo sobre a história cubana e um lindo pátio interno.

Como as visitas a ambos os museus terminaram ao entardecer, aproveitamos para caminhar pela orla do Canal até o Castillo de San Salvador de la Punta, situado em um dos extremos do Malecón, de onde apreciamos o final da tarde e pegamos um taxi de volta ao hotel antes que ficasse completamente escuro.

Segundo dia em Havana

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O famoso Malecón, em Havana. Foto: André Orengel

 

Continuamos o passeio mais ou menos de onde paramos no dia anterior. Fomos de taxi à Plaza de Armas, de lá andamos até a rua Mercaderes e viramos à esquerda. Caminhamos por esta agradável via passando pela frente do Hotel Ambos Mundo, da Casa de la Obra Pía, de uma loja de perfumes chamada Habana 1791, da Plaza de Simon Bolivar, entre outros, até chegar na esquina da rua Amargura, onde, ironicamente, está localizado o Museo del Chocolate (mais lanchonete que museu). Quando vimos o tamanho da fila e sentimos o aroma no ar, sabíamos que tínhamos que entrar. E valeu a pena, pois tudo que nós comemos e bebemos nesse lugar estava delicioso, com destaque para a xícara de chocolate quente.

Plaza de San Francisco, em Havana. Foto: André Orengel

 

Após a parada, seguimos pela rua Amargura até a Plaza de San Francisco, em frente à homônima Basílica. A praça é bem movimentada e rodeada por edifícios muito bem restaurados. Procure e aprecie a Fonte com os Leões, entalhada por Giuseppe Gaggini em 1836, a escultura La Conversación, doada à Havana pela Embaixada Francesa no país e a estátua do Caballero de París, que retrata um famoso andarilho que vagava as ruas da cidade abordando as pessoas para falar sobre filosofia, religião, política entre outros assuntos polêmicos.

Um bom lugar para almoçar na região é o Cafe del Oriente, que fica bem na esquina das ruas Amargura e Ofícios.

Museu do Rum

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Foto: André Orengel

 

Depois de comer, continuamos pela rua Ofícios, passando ao lado da Basílica e por um intrigante vagão de trem mantido em excelentes condições, dobramos nesta ruela até chegar à uma ampla avenida, onde viramos à direita para chegar ao Museo del Ron – Havana Club. Compramos os ingressos no lugar e esperamos um pouco até a vez do nosso tour. O museu é ótimo e muito informativo, focado na história e o modo de preparação da bebida, com uma pequena degustação ao final. Não deixe de aproveitar a oportunidade para comprar algumas garrafas dos excelentes runs envelhecidos em barris de carvalho branco por 7 a 15 anos. Leve mais de uma garrafa para não se arrepender depois, como eu, ao saborear a última gota da que trouxe para casa.

Finalizada a visita, dobramos na rua Sol e depois à direita na Mercaderes, em direção à Plaza Vieja. Não ousamos andar pela Mercaderes no sentido oposto, pois nos pareceu sair do circuito turístico para uma zona empobrecida e, talvez, perigosa.

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Taberna de la Muralla. Foto: André Orengel

 

Demos então uma volta pela praça, que existe no local desde 1559, apreciando os seus prédios restaurados. Eu sinceramente torço para que quando você passeie por ela encontre o mesmo carrinho de sorvete de coco que eu vi lá. Em caso positivo, não deixe de provar. Fogem-me as palavras para descrever o quão bom ele é, principalmente no calor que estava fazendo. Terminado o tour pela praça, pare no Taberna de la Muralla para uma cerveja artesanal com alguns petiscos.

Música cubana

Depois de relaxar e apreciar o movimento tomando uma cervejinha, voltamos para o hotel para trocar de roupa e, pela noite, apreciar a música do Buena Vista Social Club. Compramos os ingressos com o concierge do hotel, sem a opção de alimentação, o que nos pareceu uma boa ideia, considerando que já havíamos comido no Taberna e que havíamos lido algumas críticas ruins sobre a comida do lugar.

Terceiro Dia em Havana

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Plaza de la Revolución, em Havana. Foto: André Orengel

 

Aproveitamos enquanto o sol ainda não estava torrando a pele e fomos à Plaza de la Revolución, onde fica o Memorial José Martí. Ele é composto, principalmente, por uma monumental escultura, um pequeno museu e uma torre com mais de 100 metros de altura, o ponto mais alto de Havana. Há um elevador e um mirante no topo, mas não chegamos a subir. Do lado oposto da praça, dois grandes murais chamam a atenção. Um com o rosto de Che Guevara (na fachada no Ministério do Interior) e outro com o de Camilo Cienfuegos (na fachada no Ministério da Informática e das Comunicações). É ainda nessa enorme praça que ocorrem os maiores eventos públicos da cidade, como a missa realizada pelo Papa  Francisco, em 2015, assistida por quase um milhão de pessoas.

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Hotel Tryp Habana Libre. Foto: André Orengel

 

Em seguida, fomos ao Hotel Tryp Habana Libre conhecer o seu saguão e um pouco de sua história, contada em várias placas espalhadas pelo lugar. Foi neste hotel que Fidel Castro e suas tropas se alojaram durante a Revolução Cubana, transformando-o em seu quartel general, e nele foi realizada a primeira coletiva de imprensa de Fidel.

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Hotel Nacional de Cuba. Foto: André Orengel

 

Depois caminhamos até o Hotel Nacional, chegando bem em cima da hora para o tour das 10 da manhã. O passeio guiado pelo hotel, que dura aproximadamente duas horas, é excelente. Uma das melhores histórias contadas é sobre a Conferência da Havana de 1946, quando Lucky Luciano, Meyer Lansky, Santo Trafficante, Jr., Frank Costello, entre outros dos mais notórios mafiosos americanos se reuniram para um histórico acerto de contas. A parte do tour que nos conduz por uma série de túneis e um bunker bem no jardim do hotel, construído durante a Crise dos Mísseis de Cuba de 1963, é outro ponto alto. Os restaurantes do hotel são boas opções para o almoço.

A memória da Revolução Cubana

Em seguida, pegamos um taxi até a Plaza 13 de Marzo. Atravessamos a praça e entramos no Museu da Revolução, que conta detalhes sobre a mesma, logicamente, do ponto de vista dos próprios revolucionários. Depois, seguimos no mesmo sentido e passamos pelo Memorial Granma (o barco utilizado por 82 revolucionários para ir do México à Cuba, dando início à revolução que derrubou o regime de Fulgencio Batista). A caminhada terminou no Museu Nacional de Belas Artes, que exibe um interessantíssimo acervo abrangendo obras da Baixa Idade Média ao século XX. O foco é, claro, na arte cubana.

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Vista do hotel Iberostar, em Havana. Foto: André Orengel

 

Ao sair do museu, caminhamos no sentido da rua Agramonte, ao encontro do Paseo del Prado, um agradável e bonito calçadão entre duas avenidas. Dobramos à esquerda no sentido do Centro, passando pela frente do Hotel Sevilla, do Hotel Inglaterra, do Gran Teatro de la Habana e do Capitólio. Viramos à direita ao final deste prédio para contorná-lo, porque, por trás dele, fica a Fábrica de Tabaco Partagás, onde entramos para comprar alguns souvenirs. Compras feitas, retornamos pelo outro lado do Capitólio para ir até o Iberostar Parque Central, onde degustamos uns daiquiris e aproveitamos a vista de seu terraço enquanto o sol se punha.

El Floridita – outro favorito de Hemingway

Para jantar, fomos no famoso El Floridita na avenida Bélgica, um dos favoritos de Hemingway. E aqui, para encerrar, constatei a superioridade do daquiri sobre o mojito. E você? O que prefere? O mojito do La Bodeguita del Medio ou o daiquiri do El Floridita? Vá a Havana, confira ambos in loco e conta pra gente aí nos comentários.

2 comentários em Cuba: dicas e roteiro de três dias em Havana

Ilhas gregas: seis dias em Creta, Santorini e Mykonos

A Grécia ainda está rendendo por aqui! O André Orengel, que já tinha feito o post com o roteiro de três dias por Atenas, tá de volta com outras dicas…

A Grécia ainda está rendendo por aqui! O André Orengel, que já tinha feito o post com o roteiro de três dias por Atenas, tá de volta com outras dicas sensacionais. Ele passou seis dias com a esposa em algumas das ilhas gregas mais desejadas pelos turistas: Creta, Santorini e Mykonos. Assim como na Grécia continental, tem História (com H maiúsculo) por todos os lados. Mas as ilhas também foram brindadas com a generosidade da natureza e suas paisagens inigualáveis.

Seis dias em três ilhas não é o ideal se você gosta de curtir a viagem sem pressa. Mas muitas vezes é o que cabe no cronograma dos turistas que só têm 30 dias de férias por ano. Seja para cumprir à risca ou para servir como referência para um roteiro mais longo, as dicas do André estão imperdíveis! Acompanhe!

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Ilhas gregas, Santorini, Oia, sunset

O pôr do sol cinematográfico de Santorini. Foto: André Orengel

Você já viu o tamanho da Grécia no mapa múndi? Ela tem pouco menos de 132 mil quilômetros quadrados, o que faz o território grego ser menor que o do Amapá (que tem 142 mil). No entanto, se o assunto for a extensão costeira, o jogo vira, meus amigos. Aquele pedacinho da Europa mediterrânea tem 13.676 quilômetros de costa. É quase o dobro do Brasil (que tem 7.491)!

O segredo da Grécia para ter um litoral tão extenso num território tão pequeno está nas ilhas gregas. São cerca de 6 mil!!! Delas, pelo menos 200 são habitadas e 60 têm algum interesse turístico. Haja férias para conseguir conhecer todas!

Ilhas gregas, Mykonos island, Greece

Mar é o que não falta na Grécia! Essa é a ilha de Mykonos. Foto: André Orengel

Com tantas possibilidades, fazer um roteiro pelas ilhas gregas é uma missão. Existem atrações para todos os gostos: praias paradisíacas, baladas, atividades ao ar livre, cidades bucólicas, história, entre outros.

Minha esposa e eu gostamos muito de história e escolhemos a Grécia como destino de férias para conhecer as ruínas das civilizações antigas. Por isso, nosso roteiro foi montado em cima de três ilhas gregas:

Creta: pelas ruínas minoicas de Cnossos (você encontrará também a grafia Knossos);

Santorini: pelas ruinas cicládicas/minoicas de Acrotíri;

Mykonos, pelas ruinas gregas de Delos.

Essas ilhas, no entanto, não se resumem às ruínas. Elas também nos contam a história de sua ocupação por romanos, venezianos, bizantinos e otomanos. Além disso, oferecem belas paisagens, cantos pitorescos e excelente cozinha.

Neste post, vou contar então como conheci Creta, Santorini e Mykonos em seis dias. Com isso, espero poder ajudar com as suas explorações das ilhas gregas. Vamos ao passo a passo!

Como ir e vir entre as ilhas gregas

Começamos nossa viagem pela ilha de Creta, chegando por meio do aeroporto de Heraclião (você também pode encontrar as grafias Heraklion ou Iraklio). Depois, fomos de barco para Santorini. Em seguida, também de barco para Mykonos e para Atenas no retorno à Grécia continental.

A Aegean Airlines tem vários voos diretos conectando Atenas a Heraclião, que é a capital de Creta e a quarta maior cidade da Grécia. O transporte entre as ilhas gregas é igualmente fácil, feito em balsas catamarãs modernas, bem confortáveis e rápidas. Utilizamos os ótimos serviços da Sea Jets. Compramos as passagens online e imprimimos todas elas na Paleologos Travel, localizada na 25th August St., nº 5, em Heraclião.

O embarque e desembarque são razoavelmente organizados e tudo acontece em cerca de 15 minutos. Por isso, você deve estar no porto com uns 30 minutos de antecedência. A antecipação é fundamental para se situar, não perder seu barco ou evitar de entrar no barco errado (isso aconteceu com uma família em uma das balsas que pegamos).

Primeiro Dia – Creta

Museu Arqueológico de Heraclião

Compre o ingresso combinado, que inclui a entrada no museu e no sítio arqueológico de Cnossos. Lá você verá uma ótima coleção de arte minoica, encontrados principalmente em Cnossos. Além disso, há uma enorme maquete da cidade-palácio de Cnossos e vários textos explicando a história da região e os costumes do povo minoico.

Batendo perna pelo centro histórico

Ilhas gregas, Morosini fountain

Fonte Morosini, no centro histórico de Heraclião. Foto: André Orengel

Com fome? A sugestão para o almoço é o disputado Central Park. Depois, siga até a Fonte Morosini. Ornada com leões e motivos clássicos, ela foi inaugurada no dia de São Marcos (patrono de Veneza) em 1628 para fornecer água potável aos habitantes da cidade. Observe o seu formato octogonal e imagine cerca de 40 pessoas enchendo os seus baldes com água ao mesmo tempo.

Ilhas gregas, Agios Titos

Igreja de Agios Titos, em Heraclião. Foto: André Orengel

Retorne pela mesma rua para apreciar a arquitetura, também veneziana, da Loggia, construída em 1620. Hoje, ela abriga a Prefeitura de Heraclião. Atrás deste prédio, encontra-se a igreja de Agios Titos. O templo original foi construída provavelmente em 961 D. C. pelo imperador bizantino Nicephorus Phokas, após reconquistar a ilha de Creta dos árabes.

Mais museu

Depois desse curto passeio pelo centro da cidade, aprenda muito mais sobre o passado dessa ilha no Museu Histórico de Creta. Tente chegar até as 15h, pois o espaço fecha às 17h (no verão, que vai de abril a outubro).

Ilhas gregas, Koules fortress, Castello a Mare

A Fortaleza de Koules, ou Castello a Mare. Foto: André Orengel

Para finalizar, visite o Forte Veneziano Castello a Mare (também conhecido como Fortaleza de Koules) localizado no belo porto velho da cidade. Ao sair, aprecie o pôr-do-sol do restaurante Paralia Seaside.

Segundo Dia – Creta

Ilhas gregas, Crete island

Pegando a estrada em Creta. Foto: André Orengel

No segundo dia, decidimos fazer uma road trip. Alugamos um carro e o serviço foi muito prático. O veículo nos foi entregue no próprio hotel às 08 da manhã. A devolução foi no dia seguinte, no porto de partida para a próxima ilha, às 08 da manhã também.

A controversa Cnossos

Ilhas gregas, Knossos archeological site

Sítio arqueológico de Cnossos. Foto: André Orengel

O primeiro lugar a ir é o parcialmente reconstruído sítio arqueológico de Cnossos, localizado 5 quilômetros ao sul de Heraclião. Cnossos é considerada por muitos historiadores como a primeira cidade-palácio do mundo ocidental e o centro administrativo da civilização minoica. Este foi o lugar mais lotado que visitamos na Grécia. Portanto, chegue bem cedo para se antecipar à multidão e achar um lugar no estacionamento gratuito.

Impressiona observar como a cidade era construída em vários níveis. Conta a lenda que, em sua fundação, o arquiteto Dédalo, a mando do notório rei Minos, construiu um grande labirinto para aprisionar a criatura mítica do Minotauro. Se na superfície já é difícil não se perder, devia ser impossível mesmo achar a saída desse labirinto. O sítio arqueológico é bem sinalizado e também dispõe de várias placas informativas. Há explicações sobre os traços arquitetônicos, a história, a utilidade, a redescoberta e a muito controversa reconstrução dos vários ambientes desta cidade.

O Mosteiro de Arcadi

Ilhas gregas, Arcadi Monastery

Mosteiro de Arcadi. Foto: André Orengel

A parada seguinte é o Mosteiro de Arcadi, situado 23 quilômetros a sudeste da cidade de Retimno e a 81 quilômetros de Cnossos. Aproveite a estrada que leva ao mosteiro para desfrutar da vista litorânea e da paisagem do interior desta que é maior das ilhas gregas. Diversas são as razões para conhecer este mosteiro ainda em atividade: a arquitetura da fachada e interior, a sua história medieval e moderna e a ótima coleção de arte sacra.

O Arcadi, infelizmente, tornou-se famoso internacionalmente por uma terrível tragédia, ocorrida no local durante a revolta cretense contra a ocupação turca (1866-1869). Tropas otomanas entraram em combate com 943 gregos refugiados no mosteiro. Os gregos acabaram preferindo o sacrifício à rendição e fizeram explodir o estoque de pólvora. Esta triste história é contada em detalhes no mosteiro, que indica o local da explosão.

No embalo veneziano em Retimno

Ilhas gregas, Retimno

Porto velho de Retimno. Foto: André Orengel

Em seguida, uma boa pedida é visitar a cidade de Retimno. Estacione o carro nas proximidades do porto antigo e procure um local do seu agrado para almoçar. São inúmeras as opções, mas os preços são altos. Depois do almoço, passeie por esta charmosa cidade, com tanta herança da ocupação veneziana.

Alguns dos lugares pelos quais você deve passar são:

– a Loggia que servia como principal ponto de encontro para a discussão de questões políticas e econômicas dos nobres que habitavam a cidade no século 16. Hoje ela abriga uma loja de réplicas de achados arqueológicos;

Ilhas gregas, Rimondi fountain

Fonte Rimondi. Foto: André Orengel

– a fonte Rimondi que abastecia esta parte da cidade veneziana com água potável;

Ilhas gregas, mesquita de Neratzes

Mesquita de Neratzes. Foto: André Orengel

– a mesquita de Neratzes, com seu enorme e lindo minarete construído em 1890, que já foi uma igreja e hoje é um conservatório;

– a Fortezza, o forte que servia de proteção à cidade. O curioso é que este forte jamais fora considerado um esplendor da segurança. Muito pelo contrário. Existem tantas falhas no projeto que alguns historiadores acham que ele sequer fora construído para defender a cidade de uma invasão turca. E sim para abrigar as tropas e administração veneziana. Contemple o pôr do sol do alto dos muros desta fortaleza e, ao anoitecer, retorne à Heraclião.

Terceiro Dia – Santorini

Ilhas gregas, Santorini, Thera

Vila de Fira, na ilha de Santorini. Foto: André Orengel

A balsa da Sea Jets sai do porto de Heraclião às 08h40 da manhã e chega em seu destino às 10h35. Anteriormente chamada de Strongili (a redonda) em razão de seu formato, Santorini teve a sua forma alterada para sempre por uma colossal erupção.  Foi por volta de 1613 a. C., quando o miolo da ilha foi afundado na caldeira de um gigantesco vulcão. Como resultado, foram formados enormes e lindos penhascos em sua face leste. As vistas da caldeira são realmente deslumbrantes. Principalmente, a partir das cidades de Fira e Oia.

Alugar um carro é importante para conhecer bem a ilha de Santorini. Você pode procurar uma locadora logo quando desembarcar. Dá para negociar bons preços para retirar e devolver o veículo no próprio porto. Para você ter um parâmetro de preços, alugamos um Nissan Versa por 65€ por dois dias.

Para o restante do dia, tenho duas opções de itinerários: um mais puxado e outro mais tranquilo.

Quero relaxar

Se você quiser curtir sem pressa, deixe as malas no hotel e almoce tranquilo. Minha sugestão é hospedar-se na vila de Fira e almoçar no Pelican Kipos, que tem um ambiente relaxado e uma comida ótima. Depois do almoço, uma boa opção é conhecer a cidade de Oia (falaremos dela mais adiante).

Não vim para brincar

Ilhas gregas, Santorini, ancient Thira

Ruínas da antiga Fira. Foto: André Orengel

Na opção para os fortes, dirija diretamente do porto para as ruínas da Fira antiga (a grafia Thera também será encontrada). Já na subida, você vai agradecer por estar de carro. Mas você não entra com ele no sítio arqueológico. O estacionamento é próximo à bilheteria. Compre, aqui também, um ticket combo. Passada a bilheteria, é preciso subir muitos degraus para chegar às ruinas. O trajeto é cansativo, mas a vista e o sítio arqueológico compensam o esforço.

Oia

Ilhas gregas, Santorini, Oia

Cenário de cartão postal em Oia. Foto: André Orengel

Terminado o tour, dirija até a cidade de Oia, na pontinha da ilha. Almoce e, em seguida, passeie pela vila enquanto ainda não chegaram as hordas de turistas para assistir à famosa vista do pôr do sol. Aproveite para visitar a igreja de Panagia Platsani e apreciar as lindas vistas da caldeira.

Reserve uma mesa com alguma antecedência no disputado Kastro para desfrutar da melhor vista do pôr do sol de Oia com tranquilidade e acompanhado de boa comida e bebida.

Quarto Dia – Santorini

Museu Pré-histórico de Fira

Ilhas gregas, Thira prehistorical museum

Museu Pré-Histórico de Fira. Foto: André Orengel

Você pode começar o dia conhecendo a belíssima coleção de achados arqueológicos do Museu Pré-histórico de Fira. Ele expõe as magníficas obras originárias das escavações do sítio arqueológico de Akrotiri. Apesar de pequeno, o museu é cheio de interessantes informações sobre os usos dos artefatos exibidos, bem como sobre a constituição geológica da ilha e os costumes da civilização Cíclade que ali habitava.

Vinícola Santo Wines

Ilhas gregas, Santorini, Santo Wines

A vista da vinícola Santo Wines. Foto: André Orengel

Depois, sugiro o tour guiado pela vinícola Santo Wines para aprender sobre o cultivo de uvas e a produção de vinho de Santorini. Fizemos o pacote mais barato disponível (o Simple Tour nº 1). Por 15€, ele também incluía a degustação de três taças de vinho. Almoce no local para deleitar-se com a linda vista e ótima comida do restaurante. Na lojinha, a especialidade é o vinho branco de uvas Assyrtiko.

Akrotíri

Ilhas gregas, Santorini, Akrotiri archeological site

Sítio arqueológico de Akrotíri. Foto: André Orengel

O sítio arqueológico de Akrotíri tem duas peculiaridades: ainda está em escavação e é completamente coberto. Ah, se todas as ruinas tivessem esta sombra… Descoberto em 1867, o sítio só começou a ser escavado para valer cem anos depois, sob a coordenação de Spyridon Marinatos. Afrescos, cerâmica, móveis, avançados sistemas de drenagem e edifícios de três andares foram descobertos no sítio em ótimo estado de conservação. Isto porque, similarmente às ruínas de Pompéia, na Itália, a cidade se encontrava enterrada (e protegida) em baixo de muitas toneladas de cinza vulcânica, derivadas daquela monstruosa erupção ocorrida nos idos de 1600 a. C. que eu falei lá em cima.

Mais penhascos e vistas

Ilhas gregas, Santorini, Thira

Outra vista que você pode ter em Fira. Foto: André Orengel

Finalizada a exploração da área, retorne a Fira para passear por suas ruas, especialmente aquelas que dão vista à cratera, para lindas fotos. Na hora do pôr do sol, jante no ótimo Character (a reserva garante os melhores assentos da casa). O carpaccio e a pizza estavam deliciosos.

Quinto Dia – Mykonos

Ilhas gregas, Mykonos

Mykonos. Foto: André Orengel

A balsa que leva a Mykonos provavelmente sairá do mesmo local que você desembarcou quando chegou a Santorini, às 10h45, chegando às 13h05. Ao desembarcar, vire à esquerda e siga reto até encontrar a parada do ônibus que lhe levará à Fabrika, na vila de Hora (se você, como eu, estiver hospedado aqui). Da parada, caminhe até o seu hotel. Ficamos no ótimo Poseidon, que fica bem perto dali. Após fazer o check-in, almoce no delicioso D’Angelo. De lá, caminhe até alguns dos exemplares mais famosos dos moinhos de Mykonos.

Depois disso, perca-se pelas ruelas de Hora. Você se sentirá em um labirinto, pois é quase impossível se guiar sem um mapa. Tudo isso era proposital. Os venezianos construíram as ruas desta vila assim por dois motivos:

1) para não criar corredores de vento, e, assim, manter as casas aquecidas nos meses de inverno;

2) Para confundir eventuais piratas que buscassem saquear a cidade.

Para jantar, escolha o Katerina’s Restaurant, com linda vista do pôr do sol e dos moinhos.

Sexto Dia – Mykonos

Delos

Ilhas gregas, Delos archeological site

Sítio arqueológico de Delos. Foto: André Orengel

Para o último dia de roteiro, você pode desfrutar de uma das ótimas e mundialmente conhecidas praias da ilha. Outra opção é fazer o que fiz: um passeio guiado ao sítio arqueológico de Delos. Ele fica em uma ilha hoje inabitada (os únicos moradores são os trabalhadores das escavações e manutenção do sítio). A ilha é perto de Mykonos e acessível de barco. A saída do porto antigo de Mykonos é as 9h da manhã com duas opções de retorno: as 13h30 e as 15h.

Como o lugar é imenso, você provavelmente preferirá retornar na segunda opção de horário. Leve um lanche/almoço, pois a comida vendida na lanchonete do local é caríssima. Não deixe de visitar o museu, com artefatos e estátuas encontradas no local, dentre os quais, destacam-se os originais leões de Delos. Muito protetor solar, chapéu e óculos escuros são praticamente obrigatórios para o passeio, já que a área é totalmente descampada.

Ilhas gregas, Delos lions, Mykonos

Os leões de Delos. Foto: André Orengel

Reza a lenda que foi aqui que nasceram os deuses gêmeos Apolo e Artêmis. Isto fez do lugar um dos três principais destinos de peregrinação da Grécia antiga. Não só de religião vivia a ilha. No período helenístico e nos primeiros séculos da ocupação romana, ela era um importante entreposto comercial. Muitos de seus habitantes eram ricos transportadores, banqueiros e comerciantes, originários da Europa, Ásia e África. O mercado de escravos chegou a vender até 10 mil pessoas por dia.

Ao retornar a Mykonos, aproveitamos para passear mais pelas ruas de Hora, tomar um sorvetinho e se despedir das maravilhosas ilhas gregas.

 

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7 lugares “secretos” para conhecer em Madrid

Quando coloquei o Mochileza no ar, pensei num grande propósito. A ideia era sempre buscar experiências pouco comuns para compartilhar com os leitores. Lugares que só os moradores conhecem, passeios…

Quando coloquei o Mochileza no ar, pensei num grande propósito. A ideia era sempre buscar experiências pouco comuns para compartilhar com os leitores. Lugares que só os moradores conhecem, passeios pouco divulgados e experiências de imersão nas cidades, por exemplo. Se fosse para escrever sobre o que todo mundo já fala ou já sabe, não havia a necessidade de mais um blog de viagem existir.

O problema é que, para o trabalhador que tem apenas 30 dias de férias por ano, fica bem difícil conhecer os destinos tão profundamente assim. Não com uma consistência suficiente para dizer: “rodei a cidade inteira e não encontrei um lugar tão pitoresco quanto este”.

Ainda bem que a internet aproxima as pessoas e conheci a Larissa Andrade, dos blogs Be My Beer e Esto es Madrid, Madrid. Ela é jornalista e beer sommelier e mora na capital espanhola desde 2011. Com a bagagem que tem, ela compartilha informações e experiências sobre viver em Madrid e sobre o mercado cervejeiro na Europa.

Pois bem: convidei a Larissa para colaborar com o Mochileza e revelar os seus lugares “secretos” preferidos em Madrid. Aqueles que não costumam estar nos guias, que o turista viciado em sightseeing não vê e que podem valer grandes momentos na sua viagem. É mais um guest post especial por aqui! Espero que vocês curtam!

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Larissa Andrade, nossa anfitriã em Madrid. Foto: Arquivo pessoal

Madrid é uma cidade de contrastes: apesar de ser a segunda maior capital europeia, atrás apenas de Londres, às vezes parece ser um pouco provinciana. Apesar de ter uma área moderna, é cheia de história. E apesar de acolher moradores de várias partes do mundo, está cheia de madrilenhos que não abrem mão de seus costumes e tradições. Neste post, vamos falar de 7 lugares “secretos” de Madrid onde está tudo junto e misturado. 

Na verdade, alguns deles são bem conhecidos pelos locais, mas os considero fundamentais para entender um pouco a alma madrilenha.

Mercado de Vallehermoso

Madrid, Mercado de Vallehermoso

Foto: Larissa Andrade

Há algum tempo, os mercados municipais de Madrid vêm ganhando uma cara nova. As bancas tradicionais de frutas, verduras e carne se misturam a restaurantes asiáticos e lojas de embutidos.

Fora do centro turístico, o Mercado de Vallehermoso é um desses mercados. Nele, você vai encontrar postos onde pode fazer a compra da semana. Na mesma viagem, dá para aproveitar e tomar uma boa cerveja artesanal no Prost Chamberí ou na cervejaria Drakkar, provar a comida tailandesa do Tuk Tuk ou tentar a sorte e conseguir uma mesa para almoçar no disputado Kitchen 154, especializado em comida picante.

Endereço: Calle Vallehermoso, 36 (metrô Quevedo)

Horário de funcionamento: de segunda à sábado, das 9h às 23h. Aos domingos, das 11h às 18h.

 

Restaurante Can Punyetes

Madrid, Can Punyetes

Foto: Facebook/Can Punyetes

Bem ali no centro de Madrid está escondido um restaurante catalão delicioso, onde você pode provar os calçots (uma espécie de cebola típica da região) com salsa romesco, butifarra (linguiça) e terminar com a clássica crema catalana. Eles não aceitam reservas. Por isso, o ideal é chegar cedo e colocar o nome na lista de espera. Não espere nada glamouroso, porque o restaurante é simples e antigo, mas o ambiente é bem original. 

Há dois endereços, mas o meu favorito é o da Calle de los Señores de Luzon, 5 – (metrô Sol ou Ópera)

Horário de funcionamento: segundas a quintas, das 13h às 17h e das 20h à 0h. Sextas e sábados, o horário do jantar se estende até 1h. Aos domingos, só abre para o almoço, das 13h às 17h.

 

Noches de Bolero na Bodegas Lo Máximo

Madrid, Bodegas Lo Máximo

Foto: Larissa Andrade

Um dos bares mais queridinhos do bairro de Lavapiés se torna ainda mais especial nas noites de quarta-feira. É quando a Piluka, que trabalha lá, deixa o balcão do bar e sobe no pequeno palco para cantar boleros. Não pode conversar (ou você corre o risco de levar bronca), mas eu garanto que vale a pena! Você só paga o que consumir e eu te garanto que vai ser impossível não se emocionar. A apresentação começa por volta das 20 horas. 

Endereço: Calle de San Carlos, 6 (metrô Lavapiés ou Antón Martín)

Horário de funcionamento: segundas a quintas, das 19h30 às 2h. Sextas a domingos, das 12h30 às 2h.

 

Bar Casa Zoilo

Madrid, Casa Zoilo

Foto: Facebook/Casa Zoilo

O madrilenho ama um bar. E se ele for desse bem simples, com cara de bairro, em que todo mundo já se conhece e a cerveja sempre vem acompanhada de uma tapa generosa, melhor ainda. O Casa Zoilo, também no bairro de Lavapiés, é assim. Tem um estilo classe trabalhadora, os garçons são ótimos, eles têm opções vegetarianas e você encontra tanto cervejas artesanais quanto industriais.

Endereço: Calle de la Huerta del Bayo, 4 (metrô Tirso de Molina)

Horário de funcionamento: terças a sábados, das 12h às 16h e das 20h à 0h30. Aos domingos, fecha um pouquinho mais cedo, à 0h. Fechado às segundas.

 

Matadero  + Madrid Río

Madrid, Matadero

Foto: Larissa Andrade

O Matadero, antigo matadouro de animais, é atualmente um dos principais centros culturais da cidade. Como está um pouco afastado do centro, muitos turistas não vão até lá, o que considero um erro. Além de ter uma sala de cinema linda e especializada em documentários, a cantina é uma delícia e sempre tem alguma atividade cultural rolando. Minha dica é: alugue uma das bicicletas públicas e vá até o Matadero de bicicleta pelo Madrid Río, um parque que está nas margens do rio Manzanares. Você vai ver Madrid de um jeito diferente e super bonito!

Endereço: Paseo de la Chopera, 14 – (metrô Legazpi)

Horário de funcionamento: todos os dias, das 9h às 22h

 

Museu Sorolla

Madrid, Museo Sorolla

Foto: Larissa Andrade

Madrid tem importantes museus, como o Prado e o Reina Sofía, onde você vai encontrar obras de grandes mestres, como Velázquez, Rubens, Picasso e Dalí. Mas a cidade oferece opções menores, mas muito interessantes, como a Casa Museu de Joaquín Sorolla, que foi a residência do pintor e abriga grande parte de sua obra. Vale a visita pelas duas coisas e é impossível não se impressionar com as obras do artista.

Endereço: Paseo del General Martínez Campos, 37 (metrô Gregorio Marañón ou Ruben Darío)

Horário de funcionamento: terças a sábados, das 9h30 às 20h. Domingos, das 10h às 15h. Fechado às segundas.

 

Cafeteria Santa Eulalia

Madrid, Santa Eulalia Boulangerie Patisserie

Foto: Facebook/Santa Eulalia Boulangerie Patisserie

A capital espanhola, como muitas outras cidades europeias, foi delimitada no passado por uma muralha. Na verdade, duas! Uma muçulmana, construída no século IX, e outra cristã, dos séculos XI e XII e que aproveitou partes da primeira. Infelizmente, apenas pequenas partes das muralhas são conservados e um dos lugares onde você pode vê-las é na Cafeteria Santa Eulalia, que também tem pães, croissants e doces deliciosos em um ambiente moderninho.

Foto: Larissa Andrade

Endereço: Calle Espejo, 12 (metrô Ópera)

Horário de funcionamento: terças a sábados, das 9h30 às 20h. Domingos, das 9h30 às 15h. Fechada às segundas.

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De Miami a New Orleans: uma road trip à americana

Mais importante que o destino é a jornada. Não sei exatamente em que o inventor deste ditado popular estava pensando no momento da criação. Mas a frase serve para uma…

Mais importante que o destino é a jornada. Não sei exatamente em que o inventor deste ditado popular estava pensando no momento da criação. Mas a frase serve para uma infinidade de coisas, entre elas as viagens de carro. Muito mais que uma viagem de avião, uma road trip tem espaço quase infinito para o imponderável, no bom e no mau sentido. Assim como uma pane mecânica pode melar suas férias inteiras, a descoberta de uma nova atração no meio do caminho pode redesenhar o seu roteiro.

Aqui na região nordeste do Brasil, a road trip é um hábito muito comum. Isso porque há destinos pulverizados pelo mapa. Num raio de 400 quilômetros saindo do Recife, é possível alcançar a Paraíba inteira, o litoral sul do Rio Grande do Norte, o litoral norte de Alagoas e muito mais. Isso sem falar nas cidades do interior desses estados: Caruaru, Gravatá, Campina Grande, entre outras. Quem tiver disposição, pode escolher um destino diferente para cada feriado prolongado no ano.

No exterior, esse tipo de viagem ganha outras nuances. As paisagens podem ter relevo ou vegetação inexistentes no Brasil. As estradas, dependendo do país, são bem melhores que as nossas. Além disso, ler mapas e sinalizações é um exercício tremendo para o cérebro.

Todo este preâmbulo é para apresentar mais um post convidado aqui no blog. Desta vez quem chega por aqui é o André Orengel, advogado de Belém e um amigo com quem troco ideias sobre viagem há muitos anos. Ele já fez várias viagens de carro pelos Estados Unidos e topou escrever sobre a road trip mais recente que fez: de Miami a New Orleans. Convido vocês a embarcar pela viagem do André!

André Orengel numa das paradas de sua road trip

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Os americanos adoram longas viagens de carro. Os motivos para isso passam a ser evidentes uma vez que você desbrava as estradas por lá. Primeiramente, é um tipo de viagem mais econômico para as famílias, substituindo as passagens de avião por gasolina (que é barata nos EUA). O segundo ponto é algo que o brasileiro entenderá de imediato: as estradas são ótimas, sem buracos, bem sinalizadas e com pistas amplas. E, em terceiro lugar, vários trajetos apresentam uma infinidade de atrações, que atendem a todos os gostos.

Neste artigo sugiro uma road trip de Miami a New Orleans, em sete dias. O roteiro é baseado em viagens feitas por mim nos últimos dois anos. Entre as atrações, estão paisagens paradisíacas, praias, pântanos, cidades históricas, museus dos mais variados e muito mais. Mas a rota não é totalmente fechada. Você pode adicionar pelo menos três dias para conhecer as vibrantes cidades de New Orleans e Miami (ao final). Além disso, há ainda a possibilidade de esticar um pouco para aproveitar os sempre divertidos parques temáticos de Orlando.

O mapa da sua road trip

A Chegada

Se você chegar aos Estados Unidos pelo Aeroporto Internacional de Miami, você pode alugar seu carro lá mesmo. Veja aqui uma lista com as locadoras disponíveis. Mas não comece sua road trip logo de cara. Aproveite o dia de chegada para descansar, hospedando-se em algum hotel localizado na cidade de Homestead, ao sul de Miami. Isso porque o seu primeiro destino é o arquipélago mais ao sul ligado aos Estados Unidos continental: as Florida Keys. Se você curte hambúrguer, pare no caminho no Shake Shack de Coral Gables (1450 South Dixie Highway, 33146) e delicie o famoso Shack Stack.

 

1o Dia – Florida Keys

Inicie sua road trip com uma parada no Robert Is Here (19200 SW 344th St, Homestead, FL 33034), uma enorme fazenda com venda de frutas, para comprar smoothies e lanches para a viagem. Depois, siga em direção à Key West, a última ilha habitada das Florida Keys, localizada a cerca de 145km de Cuba. O caminho é por uma estrada que tem 42 pontes (a maior com mais de 11km de extensão). Para encher os olhos, há belas paisagens do Oceano Atlântico de um lado e do Golfo do México do outro.

Sua segunda parada será na ilha de Key Largo, no John Pennekamp Coral Reef State Park (102601 Overseas Hwy, 33037). É o primeiro parque marinho dos Estados Unidos e o melhor lugar para mergulhar ou fazer snorkel na região. Se você curte esportes aquáticos, aproveite a oportunidade e marque um tour com antecedência. Caso não embarque em um passeio aquático, entre no centro de visitantes para aprender sobre o ecossistema dos corais da região.

A seguir, pare no Robbie’s Marina (77522 Overseas Hwy, Islamorada, FL 33036). Mais do que apenas um píer, este local conta com uma feirinha de artesanato típico das Keys. Além disso, você pode comprar um balde de comida para alimentar tarpons. São enormes peixes que se aglomeram no trapiche e até saltam da água para abocanhar os lanchinhos oferecidos pelos turistas.

Robbie's Marina, Florida, USA

As lembrancinhas que você pode comprar na Robbie’s Marina. Foto: André Orengel

Uma sugestão para almoçar é o Sparky’s Landing (400 Sadowski Causeway Key Colony Beach, FL 33051). O restaurante tem uma linda vista, ambiente descontraído e ótima comida. Funciona direto das 11h às 22h.

Hora da praia

Depois do almoço, relaxe em uma das praias mais bonitas da Florida Keys. Com uma pequena faixa de areia, a Bahia Honda Beach conta com uma vista da história ponte ferroviária Henry Flagler, instalações para piquenique e uma loja de conveniência com lanchonete.

Road trip, Bahia Honda Beach, Florida, USA

A Bahia Honda Beach. Foto: André Orengel

Despeça-se da praia antes das 16h, pois ainda há cerca de 1h30 de viagem até você alcançar Key West. Chegando na ilha, sugiro que vá diretamente ao hotel para fazer o seu check-in e descansar da road trip. Saia do hotel por volta das 19h e vá à mais famosa rua da cidade: a movimentada Duval Street, com diversos bares, restaurantes, sorveterias, lojas de souvenir, galerias entre outros. Para jantar, uma boa opção é o Nine One Five (915 Duval St), que serve excelente e criativa comida contemporânea (o “absurdly addictive aspargus” e o “Wild Salmon” são deliciosos).

Para encerrar o dia, aprenda um pouco sobre os mistérios que envolvem esta ilha no Key West’s Ghosts and Mysteries Tour (das 21h às 21h30). O passeio conta várias histórias macabras sobre mortes e assombrações ocorridas na cidade. Faça a sua reserva com antecedência pelo site da empresa.

 

2o Dia – Museus em Key West

 Comece o dia com o tradicional brunch no disputado Blue Heaven (729 Thomas St, Key West, FL 33040). Saboreie panquecas, omeletes, banana bread, torradas e outras delícias constantes de seu extenso cardápio. A alimentação tem que ser reforçada, porque não almoçar faz parte do plano.

Após, vá para a Ernest Hemingway’s Home (907 Whitehead St, Key West, FL 33040), uma das mais populares atrações turísticas da ilha. Lá, você vai conhecer várias histórias pessoais deste importante personagem da cultura americana em um instrutivo tour por uma de suas residências. Entre elas, a do “último penny”, entregue pelo escritor para a sua segunda esposa (Pauline Pfeiffer) em uma discussão sobre a construção de uma caríssima piscina.

Road trip, Ernest Hemingway Home, Key West, USA

Um dos cômodos da casa de Ernest Hemingway. Foto: André Orengel

Ao sair, continue pela  Whitehead St. (no sentido decrescente da numeração), o nome dado à rodovia US1 neste trecho. Esta estrada é datada da década de 1920 e, com 3.846 km de extensão, cruza a costa leste dos EUA de sul a norte, ligando a cidade de Key West (Flórida) a Fort Kent (Maine), na fronteira com o Canadá. É o suficiente para fazer dela a estrada mais extensa dos EUA nesta direção. Você então passará pelo marco zero desta icônica rota, marcando o seu início (de um lado da rua) e o seu fim (do outro).

Marco zero da rodovia US1. Foto: André Orengel

Um pouco mais de história

Passando duas ruas do marco zero, dobre na Caroline St. e se dirija à Truman Little White House, assim chamada em razão das frequentes visitas do ex-presidente Harry S. Truman (1945-1953) ao local. Atualmente, a casa se trata de um museu que conta, por meio de um tour guiado, a interessante história do imóvel enquanto foi utilizado por Truman e outros presidentes americanos.

Truman Little White House. Foto: André Orengel

Depois de conhecer a casa, retorne à Whitehead St. e continue andando no mesmo sentido, até chegar à Audubon House & Tropical Gardens. Entre nesta casa construída pelo Capitão John Huling Geiger nos anos 1840 no intuito de servir de residência de sua família (que viveu no local por mais de um século). A visita revela como a vida em Key West já foi um dia, expondo em seu interior a história da casa em si e de seus moradores. Este museu também conta com um aposento dedicado ao naturalista John James Audubon, que supostamente haveria visitado a casa quando em Key West realizando os desenhos e estudos exibidos em seu célebre As Aves da América.

Neste ponto, quando estive em Key West, interrompi o passeio para retornar ao hotel e trocar de roupa para jantar no celebrado Latitudes, localizado na Sunset Key. Mas não recomendo este restaurante. Apesar de localizado em uma ilha lindíssima e do serviço impecável, não achei que a comida valesse a pena o preço que cobram. Assim, aproveite o resto do “horário útil” dos museus e visite uma das atrações localizadas nas proximidades. Estão lá o Museum of Art & History at the Custom House (diariamente, das 9h30 às 16h30), Nancy Forrester’s Secret Garden (diariamente, das 10h às 15h) ou a Casa Antigua (diariamente, das 10h às 18h).

Arte de rua e gastronomia

Se os museus estiverem fechados (ou se você não se interessar por eles), aproveite para caminhar pelas redondezas da Mallory Square. A praça costuma estar cheia de músicos, mágicos, malabaristas entre outros artistas de rua, turistas e locais, aguardando para assistir ao pôr do sol, um ritual obrigatório para todos os que visitam a cidade.

road trip, Mallory Square, Key West, USA

Fim de tarde na Mallory Square. Foto: André Orengel

Por fim, retorne à Duval Street e escolha um dos seus restaurantes ou bares para um merecido jantar. Não deixe de provar a key lime pie, servida pela maioria dos estabelecimentos da cidade, que, como o nome diz, é uma torta de limão feita com um tipo desta fruta originária do arquipélago.

 

3º Dia – Everglades

Acorde cedo e tome um bom café da manhã ao sair do hotel. Você vai sair das ilhas e voltar ao continente. Sua primeira parada do dia será no Everglades National Park, após cerca de 3 horas de viagem, para conectar-se mais com a natureza do sul da Flórida.

O parque nacional foi criado para proteger o frágil ecossistema formado por uma ampla rede de florestas e pântanos que abriga diversas espécies de fauna. Entre elas, estão a pantera da Flórida, o peixe-boi e o crocodilo americano, todos ameaçados de extinção. Entre no parque pelo acesso localizado em Homestead (State Road 9336) e pare no centro de visitantes para aprender mais sobre a fauna e a flora do parque. Pegue também um mapa da área e escolha as trilhas que irá percorrer. O site do parque é bem informativo e o ajudará a planejar a sua visita nos mínimos detalhes.

Everglades National Park, Florida, USA, Road trip

Foto: André Orengel

Ao sair do parque, se a fome permitir, tome o rumo de Naples pela US41. Nesta estrada, existem vários estabelecimentos que oferecem passeios de airboat pela Everglades Wildlife Management Area. Fizemos este passeio na Coopertown Airboats (22700 Southwest 8th Street, Miami, FL 33194. Funciona das 9h às 17h50). No dia em que fomos, estava chovendo bastante, o que acrescentou emoção às manobras e diminuiu as chances de encontrar jacarés. Conseguimos encontrar um atravessando o canal, o que foi bem legal. Leve uma capa de chuva caso a previsão do tempo indique a menor chance de chover. Aproveite a parada para almoçar um delicioso hambúrguer na lanchonete do local. A parte triste é que eles mantém alguns animais enjaulados. Por isso não acho o passeio excelente.

Naples

Após o passeio, continue viagem para Naples. Chegando na cidade, vá para a Fifth Avenue South, estacione o carro e caminhe por esta agradável avenida, que tem palmeiras, lojas, sorveterias, galerias, bares e restaurantes. Escolha um para jantar e, depois de comer, vá para o seu hotel.

 

4o Dia – Ringling e Museu Dali

Algo que, para mim, marca uma road trip é a necessidade de acordar cedo por alguns motivos. Primeiro, porque eu considero bem melhor dirigir durante o dia. Em segundo lugar, porque as atrações costumam abrir cedo e fechar cedo, então, para estar onde se quer chegar, há de se começar a dirigir com o sol raiando.

Assim, pegue o carro cedo e rume norte pela I75. Sua primeira parada do dia será no John and Mable Ringling Museum of Art, em Sarasota (5401 Bay Shore Rd, 34243, aberto de 10h às 17h), a cerca de 2hrs de Naples. Quando estivemos lá, chegamos por volta das 11h e acabamos tendo que enfrentar algo em torno de uma hora de fila para comprar os nossos ingressos. Além disso, não conseguimos mais vagas para o tour pela Ca’ d’Zan (residência de inverno de John e Mable, fundadores do museu). Ou seja: reafirmo a necessidade de acordar cedo.

Ca d'Zan, Ringling Museum, Florida, USA

Fachada da Ca d’Zan no Ringling Museum. Foto: André Orengel

Este museu, localizado em um terreno com uma bela vista para o Golfo do México (vimos vários golfinhos saltando da água), é formado por diferentes pavilhões interligados por lindos jardins. Não deixe de conferir os pavilhões dedicados ao circo e à coleção de arte, com destaque à ala japonesa.

A maior coleção de Dalí fora da Europa

Você pode almoçar no local ou comer algo mais barato pela estrada. De todas as formas, sugiro que já esteja dirigindo e devidamente alimentado no máximo às 14h (caso o dia não seja uma quinta-feira). Você estará a mais ou menos uma hora de distância de seu próximo destino: o Museu Dali (One Dali Blvd, St. Petersburg, FL 33701, aberto diariamente das 10h às 17h e às quintas-feiras até às 20h).

Curiosamente, a maior compilação de obras de arte de Salvador Dalí fora do continente europeu está localizada neste museu, em São Petersburgo, Flórida. São mais de 2.100 peças. A fachada do prédio, com uma bolha de vidro que abraça uma caixa de concreto cinza, é uma atração em si. No entanto, entre primeiro no museu e reserve as fotos para a saída (caso o dia não seja uma quinta-feira).

Fachada do Museu Dalí na Flórida. Foto: André Orengel

Ao começar a sua visita, não deixe de solicitar um audioguia na base das escadas. Ele contém informações interessantes sobre as obras em exposição e sobre a  história do museu. Quando estivemos lá, havia uma exposição temporária muito legal que mostrava a relação entre o Walt Disney e o Dali, o que realmente mudou a nossa visão sobre toda a obra cinematográfica da Disney.

Caso não esteja muito cansado, você pode aproveitar as últimas horas do dia para realizar algumas compras no Ellenton Premium Outlets (5461 Factory Shops Blvd Ellenton, FL 34222-4100), localizado a 30 minutos do Museu Dali. Outra opção é encerrar o dia jantando no 400 Beach Seafood and Tap House (400 Beach Dr NE, São Petersburgo, FL).

 

5º Dia – Busch Gardens

Dedique o seu quinto dia inteiramente ao Busch Gardens, em Tampa. Ele é um excelente parque de diversões que conta com algumas das melhores montanhas russas da Flórida, além de diversas outras atrações. O destaque é a grande variedade de animais (mais de 300 espécies) constantes de seu zoológico.

Neste ponto da viagem, duas opções se descortinam a sua frente. 1) você pode seguir viagem para mais dois dias de estrada até chegar a New Orleans. Ou 2) estender a viagem a Orlando, para curtir os parques temáticos da Disney, Universal e Sea World, para depois seguir até New Orleans.

Caso escolha a primeira opção, aproveite que o parque costuma fechar cedo e ganhe alguns quilômetros passando a noite, por exemplo, no Hampton Inn Brooksville Dade, a 65km do Busch Gardens. Se você for na segunda opção, dirija para o seu hotel em Orlando. Se couber no seu orçamento, fique em um dos resorts dentro da Disney World. Faz toda a diferença, especialmente se você estiver com crianças.

 

6o Dia – Tallahassee e Panama City Beach

Dirija do seu hotel até Tallahassee, a capital do Estado da Flórida. Você deverá chegar pela hora do almoço, então vá direto para o Kool Beanz Cafe (921 Thomasville Road, Tallahassee, Florida 32303).

Em seguida, visite o novo Capitol Building (400 S Monroe St, Tallahassee, FL 32399, aberto de segunda a sexta das 8h às 17h). Ele fica em um arranha-céu construído em 1977 para substituir o antigo Capitol de 1845, situado bem em frente. O antigo Capitol (aberto das 9h às 16h30) conta com oito ambientes dedicados a contar a história política da Flórida, com mobiliários da virada do século 20, valendo a pena visitá-lo.

Capitol Building, Tallahassee, Florida, USA

Fachada do Capitol Building em Tallahassee. Foto: André Orengel

Do outro lado da Apalachee Parkway, fica o Union Bank Museum. Ele está instalado no prédio de banco mais antigo da Flórida, que já sediou o Freedman’s Savings and Trust Company, especializado no atendimento de escravos emancipados. O museu hoje expõe uma pequena mas interessante coleção de artefatos e documentos que refletem a história e cultura negra do sul dos EUA.

Se você gosta de antiguidades, brechós e arte moderna, dê uma passeada pelo Railroad Square Art Park (602 Mc Donnell Dr, Tallahassee, FL 32310), que tem tudo isso e mais.

Não perca a noção do tempo, pois você ainda precisa dirigir mais 171km até o próximo destino, e o objetivo é chegar lá antes do pôr do sol. Assim, retorne à estrada e dirija até o Schooners (5121 Gulf Drive, Panama City Beach, FL 32408), um bar/restaurante/beach club que fica na beira da praia de Panama City. O lugar é muito disputado, e entendemos o porquê. Ele tem uma localização privilegiada, com um vento que não cessa, um ar bem animado e uma comida deliciosa (experimente o shrimp and grits).

 

7º Dia – Praias e história militar

No último dia desta road trip você sairá da Flórida e passará pelos estados do Alabama e Mississipi até chegar em New Orleans, na Louisiana. Para celebrar, você poderá escolher duas entre as três opções a seguir.

Primeiramente, se você gosta de praia, esta é a oportunidade de conhecer uma das regiões praianas mais movimentadas do sul dos Estados Unidos. Caso curta um ambiente mais agitado, escolha um dos pontos ao longo da Front Beach Road, que começa em Panama City Beach e se estende ao oeste. Se você prefere praias mais tranquilas e isoladas, vá para Grayton Beach ou à Gulf Island National Seashore.

Another Broken Egg, Road Trip, USA

O seu café da manhã no último dia da road trip: Another Broken Egg. Foto: André Orengel

De uma forma ou de outra, comece o dia com um saboroso brunch no Another Broken Egg, que conta com vários pontos espalhados pelo sul dos EUA. Fomos no localizado próximo de Grayton Beach (51 Uptown Grayton Cir, Santa Rosa Beach, FL 32459). Depois de dar uma olhada na praia de Grayton, prossiga até Pensacola. Procure dirigir o mais perto possível do litoral, para desfrutar da vista do mar e do clima descontraído.

National Naval Aviation Museum

National Naval Aviation Museum

Foto: André Orengel

Em Pensacola, cidade historicamente ligada às Forças Armadas Americanas, está localizado o National Naval Aviation Museum (1750 Radford Blvd., NAS Pensacola, FL 32508, aberto das 9h às 17h). Trata-se da maior coleção de aviões em exposição em todos os EUA (mais de 150 exemplares). São todos originais, ou seja, já voaram algum dia (com exceção de uma réplica que fica do lado de fora da entrada do museu). É realmente imperdível para quem está na região. Facilmente se passa o dia inteiro nesse museu lendo a história de cada uma dessas aeronaves. Mas fique de olho no relógio, porque a próxima atração é igualmente impressionante: o USS Alabama.

USS Alabama

Foto: André Orengel

Continue viagem rumo a oeste, cruzando a divisa entre os estados da Flórida e do Alabama até alcançar o USS Alabama Battleship Memorial Park. Aqui está ancorado o enorme navio de 45 mil toneladas que chegou a abrigar uma tripulação de 2500 corajosos americanos durante a Segunda Guerra Mundial. Esta embarcação conduziu a esquadra à baia de Tóquio, na data de 05/09/1945, encerrando com isso a campanha norte-americana no Pacífico. O tour leva a quase todos os cômodos do navio, explicando os propósitos e a rotina dos marinheiros durante a guerra.

road trip - mississippi

Foto: André Orengel

Terminada a visita, cruze a divisa entre os estados do Alabama e do Mississipi e jante no Slap Ya Mommas (1830 Beach Blvd. Biloxi, MS 39531) para uma autêntica comida sulista. Por fim, siga para o seu hotel em New Orleans, cruzando mais uma divisa e finalizando a sua road trip.

Em New Orleans, com Uber, taxi e ótimo transporte público, você não precisará do carro. Entretanto, antes de devolvê-lo à locadora, sugiro que faça outro passeio. Um bate-e-volta às plantations localizadas à beira do rio Mississipi entre New Orleans e Baton Rouge. Visitei a Houmas House Plantation and Gardens (que tem um ótimo restaurante) e a Oak Alley Plantation. Gostei muito de ambas as visitas e recomendo fortemente as duas. Acesse o site de cada uma para coordenar os seus horários.

O mapa completo

Para acessar o mapa da viagem no Google Maps no seu navegador, é só clicar no link: https://www.google.com/maps/d/viewer?mid=1NPAffAaKi37_ub-Y-HVWYojru4k&hl=pt-BR&ll=27.69473878694306%2C-85.608482&z=6

Para quem quiser seguir viagem

Já falamos de New Orleans aqui no blog, com uma sugestão de roteiro de três dias na cidade. Se você quiser esticar sua viagem pela capital do jazz, é só colar nas nossas dicas!

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Dortmund: um passeio pela capital alemã do futebol

Sou fã de futebol e nem minhas viagens me deixam mentir. Aqui no blog, já falei sobre a visita ao estádio mais antigo em atividade em Londres. Também já entrevistei…

Sou fã de futebol e nem minhas viagens me deixam mentir. Aqui no blog, já falei sobre a visita ao estádio mais antigo em atividade em Londres. Também já entrevistei o craque Juninho Pernambucano para falar sobre Lyon. Como se não fosse suficiente, tenho amigos que compartilham essa paixão e também colocam o esporte como balizador eventual dos roteiros de viagem. Um deles aceitou o convite de escrever um post convidado para o Mochileza sobre Dortmund, na Alemanha.

Primeiro vou apresentar o “santo” e depois, o “milagre”. O João Lazera é pernambucano, advogado e torcedor do Sport. Apesar de trabalhar no dia-a-dia com o idioma juridiquês, ele tem uma prosa muito fácil na escrita. Poderia ter o blog dele, seja sobre futebol ou sobre viagens. Apaixonado pela Alemanha, o cara já rodou por uma grande parte do país nas viagens que fez para lá.

Dortmund era o sonho de Disneylândia do João Lazera

E por que Dortmund? Por mais que não esteja na rota turística comum, a cidade com pouco menos de 600 mil habitantes tem alguns atrativos para os fanáticos por futebol. O primeiro é o clube com a maior média de público do planeta. O segundo, um completíssimo e recém-inaugurado museu sobre o futebol alemão.

A partir de agora é com o João. Espero que vocês curtam os relatos dele como eu curti!

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Não falta quem se dobre de paixões pelas mais variadas coisas. A minha é o futebol. Eu reverencio o esporte e o Sport. A atmosfera, a festa, a tensão e a linha tênue entre a agonia e alegria são elementos que tornam o jogo apaixonante. Tanto para quem vai ao estádio quanto para quem divide a TV e umas cervejas com os amigos às quartas, quintas, sábados, domingos ou segundas (com o perdão dos que são habitués da Série B).

O João e a Gabi, esposa dele, no Signal Iduna Park, em Dortmund. Foto: João Lazera

Ir à Alemanha é ter a oportunidade de ver de perto a maior média de público em campeonatos nacionais de futebol no mundo inteiro. São mais de 40 mil torcedores por jogo. Além disso, também é a chance de desmistificar parte desses chavões que o brasileiro curte repetir: “país do futebol”, “povo caloroso”, “jogo bonito” e mais um monte desses que você escuta da boca do Galvão Bueno. Esse era o roteiro da minha viagem de 2017.

A ideia era passar por Essen, Colônia, Düsseldorf, Leverkusen, Hamburgo, Hanover e Munique. Quase todas as cidades citadas têm inúmeros atrativos históricos e culturais. Nelas, o futebol é apenas um bônus. Mas que bônus! Nesses lugares, pode se conhecer clubes que vão desde o cultuado underdog St. Pauli até o supercampeão Bayern.

Mas, se você perseverou até aqui, sabe que isso não é o principal objetivo. A exceção – e a razão de existir desse post, é o orgulho da Vestfália: Dortmund.

A maior cidade do Vale do Ruhr teve sua importância histórica calcada na exploração do aço. A atividade foi determinante tanto no período de Otto von Bismarck, quanto no de Adolf Hitler. Não por acaso, Dortmund sofreu com as intervenções pós-guerra. Ressuscitou com a retomada desenvolvimentista chamada de “Wirtschaftswunder”, milagre econômico supervisionado pelo ministro das finanças Ludwig Erhard nos anos 50. Hoje a cidade vive um período de pós-industrialização, fomentado pela Universidade local e seu imponente parque de tecnologia.

Não vai faltar quem tente te convencer a fazer apenas um bate-volta nessa cidade de vocação industrial e com cara de interior. Afinal, são apenas pouco mais de cem quilômetros de Colônia ou de Düsseldorf, por exemplo. E ninguém normal trocaria uma vista da Catedral de Colônia ou da Rheinuferpromenade, o calçadão à beira do rio.

Borussia, o maior patrimônio de Dortmund

Mas, como não estamos falando de pessoas normais, Dortmund merece mais que isso. Merece um fim de semana de jogo, vestido de amarelo e negro, sendo parte da Muralha Amarela, cantando “You’ll never walk alone” a plenos pulmões, cheio de cerveja Kronen na cabeça. Esse é o espírito da cidade do Borussia Dortmund, o BVB 09 (Bê-fál-bê, para os locais).

Foto: João Lazera

Mas, antes dos “finalmentes”, tem os “entretantos”. Para você que está acostumado a ir a estádio comprando ingresso no dia ou é daqueles que não acompanha muito o futebol internacional, tenho uma novidade para você. Os ingressos para os jogos do Dortmund estão esgotados. Cem por cento dos ingressos são vendidos no início da temporada entre os sócios do clube, na forma de tíquete de temporada (season ticket). Como se não fosse suficiente, há uma fila de espera – também formada por sócios, brutal.

 

Como conseguir ingressos para os jogos do Borussia Dortmund?

Como tudo na vida tem um jeito, existem três maneiras de você consegui-los:

1) O site oficial do clube costuma vender os últimos assentos disponíveis para cada jogo duas ou três semanas antes. Ainda assim, é quase impossível.

2) Pelo site de venda de ingressos Viagogo. O site e o app para celular são em português, oferecem a entrega do ingresso em domicílio e pagamento no cartão de crédito. Ao menos pelas avaliações na internet, o sistema é confiável. O lado ruim é que a cobrança é feita em dólares e o preço é sempre salgado, muito salgado. Outro ponto negativo (esse experimentado por mim) é que caso você venha a comprar perto da data do evento, a chance de eles cancelarem por ser inviável o envio/entrega é grande. Ou seja: programe-se com antecedência.

3) A última opção talvez seja a mais conhecida dos brasileiros e, não por coincidência, a menos segura: cambistas. No entanto, é o meio mais fácil de se atingir o objetivo. Se seu inglês for bom, se você não tiver medo de cara feia e souber barganhar, pode comprar bons lugares pagando menos que no Viagogo. O segredo é chegar umas duas horas antes do jogo e ficar perto da loja oficial do clube (Strobelallee 50, 44139 Dortmund). Vai ser fácil identificar quem está ali para esse fim. Deu certo comigo.

Seja qual for o caminho adotado, dificilmente o tíquete sairá mais barato do que setenta euros.

Signal Iduna Park em seu estado natural: lotado. Foto: João Lazera

O Signal Iduna Park

A experiência no Signal Iduna Park, no entanto, vale cada centavo. O estádio contempla todos os tipos de torcedores, desde os amantes das gerais aos chamados “torcedores cappuccinos”. É moderno, confortável e seguro como as novas arenas padrão FIFA, mas sem ser asséptico como tal.

Apesar da elitização que assola o futebol europeu, a Bundesliga e o Borussia Dortmund conservam um tíquete médio com um preço acessível. Assim, garantem espaço para torcedores menos abastados. É a consciência de que, sem a südtribune, onde fica a Muralha Amarela, estaria extinta a maior riqueza cultural do clube e da cidade. Basta o primeiro acorde de “You’ll never walk alone” para se ter certeza disso. A reverência contida na saudação dos jogadores ao fim do jogo é outro exemplo.

Aliado ao jogo e à atmosfera do estádio, está o bratwurst (linguiça com pão) ou currywurst mit pommes (linguiça fatiada, com molho curry apimentado e batatas) e, para acompanhar, dê uma chance à cerveja Kronen. Vai te deixar pensando melhor, eu garanto.

Foto: João Lazera

Estádio à parte, o Borussia Dortmund não para aí. A loja oficial é incrível e te deixa convencido de que o mote Echte Liebe (amor verdadeiro) não é à toa. A quantidade de produtos é suficiente para te deixar vestido de preto e amarelo durante todo o ano, sem parecer membro de uma seita ou mais um integrante da Turma da Mônica. Qualidade, amigos. Apenas qualidade.

Museu do Futebol Alemão

Foto: João Lazera

Se sobrar fôlego para mais um dia dedicado ao futebol, uma visita ao Deutsches Fussballmuseum, o Museu do Futebol Alemão, é imperdível. Apesar do preço relativamente salgado (cerca de 30 euros), o museu entrega uma imersão na história dos tetracampeões mundiais repleta de interatividade e de relíquias valiosas.

Dois capítulos são especialmente destacados. O primeiro é o Milagre de Berna, como ficou conhecida a vitória em 1954 sobre a seleção da Hungria, o então melhor time do mundo. A imersão tem direito a imagens em tamanho real dos jogadores e a história de cada um deles, bem como as anotações pessoais do técnico Sepp Herberger.

Flâmula da final da Copa de 1954, Alemanha 3×2 Hungria. Foto: João Lazera

O segundo capítulo é a máquina que humilhou o Brasil em 2014, com atuação holográfica dos protagonistas da conquista. Além disso, há vários depoimentos e mais um pouco daquela alegria demonstrada nas praias da Bahia e do Rio de Janeiro.

Essas anotações trazem memórias pra você? Foto: João Lazera

A final da Copa de 2014 contada lance a lance em imagens. Foto: João Lazera

O lado negativo é que boa parte do material e os filmes com os jogadores não tem tradução sequer para o inglês. Isso pode deixá-lo com cara de paisagem em grande parte das piadas se o seu alemão for tão ruim quanto o meu, claro. Nada que deixe o programa menos divertido.

Camisa usada por Franz Beckenbauer, o Kaiser. Foto: João Lazera

Outra jóia do acervo é a parte dedicada ao campeonato alemão no período da separação do país, com matérias de jornal, flâmulas e revistas sobre o tema. O contraste entre as Alemanhas Ocidental e Oriental impressiona, sobretudo o contexto político e social.

A extinta Alemanha Oriental jogava com esta camisa azul. Foto: João Lazera

 

Porque nem só de futebol vive o homem…

Se sobrar tempo, duas indicações. A primeira é o café completo na Bäckermeister GROBE (Baroper Kirchweg 32-34, 44227 Dortmund), para poder aproveitar frios, queijos e a arte alemã de fazer pães e doces maravilhosos. A outra é o jantar no La Gazzeta (An der Palmweide 56, 44227 Dortmund), para comer aquela massa que você respeita. Para acompanhar, um Spätburgunder (como é conhecido o vinho pinot noir) da Renânia. É sem erro.

Dortmund é contagiante pelo espírito, pelas pessoas e pelo modo como abraçou o esporte que amo. Vale demais sua visita.

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