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7 lugares “secretos” para conhecer em Madrid

Quando coloquei o Mochileza no ar, pensei num grande propósito. A ideia era sempre buscar experiências pouco comuns para compartilhar com os leitores. Lugares que só os moradores conhecem, passeios…

Quando coloquei o Mochileza no ar, pensei num grande propósito. A ideia era sempre buscar experiências pouco comuns para compartilhar com os leitores. Lugares que só os moradores conhecem, passeios pouco divulgados e experiências de imersão nas cidades, por exemplo. Se fosse para escrever sobre o que todo mundo já fala ou já sabe, não havia a necessidade de mais um blog de viagem existir.

O problema é que, para o trabalhador que tem apenas 30 dias de férias por ano, fica bem difícil conhecer os destinos tão profundamente assim. Não com uma consistência suficiente para dizer: “rodei a cidade inteira e não encontrei um lugar tão pitoresco quanto este”.

Ainda bem que a internet aproxima as pessoas e conheci a Larissa Andrade, dos blogs Be My Beer e Esto es Madrid, Madrid. Ela é jornalista e beer sommelier e mora na capital espanhola desde 2011. Com a bagagem que tem, ela compartilha informações e experiências sobre viver em Madrid e sobre o mercado cervejeiro na Europa.

Pois bem: convidei a Larissa para colaborar com o Mochileza e revelar os seus lugares “secretos” preferidos em Madrid. Aqueles que não costumam estar nos guias, que o turista viciado em sightseeing não vê e que podem valer grandes momentos na sua viagem. É mais um guest post especial por aqui! Espero que vocês curtam!

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Larissa Andrade, nossa anfitriã em Madrid. Foto: Arquivo pessoal

Madrid é uma cidade de contrastes: apesar de ser a segunda maior capital europeia, atrás apenas de Londres, às vezes parece ser um pouco provinciana. Apesar de ter uma área moderna, é cheia de história. E apesar de acolher moradores de várias partes do mundo, está cheia de madrilenhos que não abrem mão de seus costumes e tradições. Neste post, vamos falar de 7 lugares “secretos” de Madrid onde está tudo junto e misturado. 

Na verdade, alguns deles são bem conhecidos pelos locais, mas os considero fundamentais para entender um pouco a alma madrilenha.

Mercado de Vallehermoso

Madrid, Mercado de Vallehermoso

Foto: Larissa Andrade

Há algum tempo, os mercados municipais de Madrid vêm ganhando uma cara nova. As bancas tradicionais de frutas, verduras e carne se misturam a restaurantes asiáticos e lojas de embutidos.

Fora do centro turístico, o Mercado de Vallehermoso é um desses mercados. Nele, você vai encontrar postos onde pode fazer a compra da semana. Na mesma viagem, dá para aproveitar e tomar uma boa cerveja artesanal no Prost Chamberí ou na cervejaria Drakkar, provar a comida tailandesa do Tuk Tuk ou tentar a sorte e conseguir uma mesa para almoçar no disputado Kitchen 154, especializado em comida picante.

Endereço: Calle Vallehermoso, 36 (metrô Quevedo)

Horário de funcionamento: de segunda à sábado, das 9h às 23h. Aos domingos, das 11h às 18h.

 

Restaurante Can Punyetes

Madrid, Can Punyetes

Foto: Facebook/Can Punyetes

Bem ali no centro de Madrid está escondido um restaurante catalão delicioso, onde você pode provar os calçots (uma espécie de cebola típica da região) com salsa romesco, butifarra (linguiça) e terminar com a clássica crema catalana. Eles não aceitam reservas. Por isso, o ideal é chegar cedo e colocar o nome na lista de espera. Não espere nada glamouroso, porque o restaurante é simples e antigo, mas o ambiente é bem original. 

Há dois endereços, mas o meu favorito é o da Calle de los Señores de Luzon, 5 – (metrô Sol ou Ópera)

Horário de funcionamento: segundas a quintas, das 13h às 17h e das 20h à 0h. Sextas e sábados, o horário do jantar se estende até 1h. Aos domingos, só abre para o almoço, das 13h às 17h.

 

Noches de Bolero na Bodegas Lo Máximo

Madrid, Bodegas Lo Máximo

Foto: Larissa Andrade

Um dos bares mais queridinhos do bairro de Lavapiés se torna ainda mais especial nas noites de quarta-feira. É quando a Piluka, que trabalha lá, deixa o balcão do bar e sobe no pequeno palco para cantar boleros. Não pode conversar (ou você corre o risco de levar bronca), mas eu garanto que vale a pena! Você só paga o que consumir e eu te garanto que vai ser impossível não se emocionar. A apresentação começa por volta das 20 horas. 

Endereço: Calle de San Carlos, 6 (metrô Lavapiés ou Antón Martín)

Horário de funcionamento: segundas a quintas, das 19h30 às 2h. Sextas a domingos, das 12h30 às 2h.

 

Bar Casa Zoilo

Madrid, Casa Zoilo

Foto: Facebook/Casa Zoilo

O madrilenho ama um bar. E se ele for desse bem simples, com cara de bairro, em que todo mundo já se conhece e a cerveja sempre vem acompanhada de uma tapa generosa, melhor ainda. O Casa Zoilo, também no bairro de Lavapiés, é assim. Tem um estilo classe trabalhadora, os garçons são ótimos, eles têm opções vegetarianas e você encontra tanto cervejas artesanais quanto industriais.

Endereço: Calle de la Huerta del Bayo, 4 (metrô Tirso de Molina)

Horário de funcionamento: terças a sábados, das 12h às 16h e das 20h à 0h30. Aos domingos, fecha um pouquinho mais cedo, à 0h. Fechado às segundas.

 

Matadero  + Madrid Río

Madrid, Matadero

Foto: Larissa Andrade

O Matadero, antigo matadouro de animais, é atualmente um dos principais centros culturais da cidade. Como está um pouco afastado do centro, muitos turistas não vão até lá, o que considero um erro. Além de ter uma sala de cinema linda e especializada em documentários, a cantina é uma delícia e sempre tem alguma atividade cultural rolando. Minha dica é: alugue uma das bicicletas públicas e vá até o Matadero de bicicleta pelo Madrid Río, um parque que está nas margens do rio Manzanares. Você vai ver Madrid de um jeito diferente e super bonito!

Endereço: Paseo de la Chopera, 14 – (metrô Legazpi)

Horário de funcionamento: todos os dias, das 9h às 22h

 

Museu Sorolla

Madrid, Museo Sorolla

Foto: Larissa Andrade

Madrid tem importantes museus, como o Prado e o Reina Sofía, onde você vai encontrar obras de grandes mestres, como Velázquez, Rubens, Picasso e Dalí. Mas a cidade oferece opções menores, mas muito interessantes, como a Casa Museu de Joaquín Sorolla, que foi a residência do pintor e abriga grande parte de sua obra. Vale a visita pelas duas coisas e é impossível não se impressionar com as obras do artista.

Endereço: Paseo del General Martínez Campos, 37 (metrô Gregorio Marañón ou Ruben Darío)

Horário de funcionamento: terças a sábados, das 9h30 às 20h. Domingos, das 10h às 15h. Fechado às segundas.

 

Cafeteria Santa Eulalia

Madrid, Santa Eulalia Boulangerie Patisserie

Foto: Facebook/Santa Eulalia Boulangerie Patisserie

A capital espanhola, como muitas outras cidades europeias, foi delimitada no passado por uma muralha. Na verdade, duas! Uma muçulmana, construída no século IX, e outra cristã, dos séculos XI e XII e que aproveitou partes da primeira. Infelizmente, apenas pequenas partes das muralhas são conservados e um dos lugares onde você pode vê-las é na Cafeteria Santa Eulalia, que também tem pães, croissants e doces deliciosos em um ambiente moderninho.

Foto: Larissa Andrade

Endereço: Calle Espejo, 12 (metrô Ópera)

Horário de funcionamento: terças a sábados, das 9h30 às 20h. Domingos, das 9h30 às 15h. Fechada às segundas.

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De Miami a New Orleans: uma road trip à americana

Mais importante que o destino é a jornada. Não sei exatamente em que o inventor deste ditado popular estava pensando no momento da criação. Mas a frase serve para uma…

Mais importante que o destino é a jornada. Não sei exatamente em que o inventor deste ditado popular estava pensando no momento da criação. Mas a frase serve para uma infinidade de coisas, entre elas as viagens de carro. Muito mais que uma viagem de avião, uma road trip tem espaço quase infinito para o imponderável, no bom e no mau sentido. Assim como uma pane mecânica pode melar suas férias inteiras, a descoberta de uma nova atração no meio do caminho pode redesenhar o seu roteiro.

Aqui na região nordeste do Brasil, a road trip é um hábito muito comum. Isso porque há destinos pulverizados pelo mapa. Num raio de 400 quilômetros saindo do Recife, é possível alcançar a Paraíba inteira, o litoral sul do Rio Grande do Norte, o litoral norte de Alagoas e muito mais. Isso sem falar nas cidades do interior desses estados: Caruaru, Gravatá, Campina Grande, entre outras. Quem tiver disposição, pode escolher um destino diferente para cada feriado prolongado no ano.

No exterior, esse tipo de viagem ganha outras nuances. As paisagens podem ter relevo ou vegetação inexistentes no Brasil. As estradas, dependendo do país, são bem melhores que as nossas. Além disso, ler mapas e sinalizações é um exercício tremendo para o cérebro.

Todo este preâmbulo é para apresentar mais um post convidado aqui no blog. Desta vez quem chega por aqui é o André Orengel, advogado de Belém e um amigo com quem troco ideias sobre viagem há muitos anos. Ele já fez várias viagens de carro pelos Estados Unidos e topou escrever sobre a road trip mais recente que fez: de Miami a New Orleans. Convido vocês a embarcar pela viagem do André!

André Orengel numa das paradas de sua road trip

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Os americanos adoram longas viagens de carro. Os motivos para isso passam a ser evidentes uma vez que você desbrava as estradas por lá. Primeiramente, é um tipo de viagem mais econômico para as famílias, substituindo as passagens de avião por gasolina (que é barata nos EUA). O segundo ponto é algo que o brasileiro entenderá de imediato: as estradas são ótimas, sem buracos, bem sinalizadas e com pistas amplas. E, em terceiro lugar, vários trajetos apresentam uma infinidade de atrações, que atendem a todos os gostos.

Neste artigo sugiro uma road trip de Miami a New Orleans, em sete dias. O roteiro é baseado em viagens feitas por mim nos últimos dois anos. Entre as atrações, estão paisagens paradisíacas, praias, pântanos, cidades históricas, museus dos mais variados e muito mais. Mas a rota não é totalmente fechada. Você pode adicionar pelo menos três dias para conhecer as vibrantes cidades de New Orleans e Miami (ao final). Além disso, há ainda a possibilidade de esticar um pouco para aproveitar os sempre divertidos parques temáticos de Orlando.

O mapa da sua road trip

A Chegada

Se você chegar aos Estados Unidos pelo Aeroporto Internacional de Miami, você pode alugar seu carro lá mesmo. Veja aqui uma lista com as locadoras disponíveis. Mas não comece sua road trip logo de cara. Aproveite o dia de chegada para descansar, hospedando-se em algum hotel localizado na cidade de Homestead, ao sul de Miami. Isso porque o seu primeiro destino é o arquipélago mais ao sul ligado aos Estados Unidos continental: as Florida Keys. Se você curte hambúrguer, pare no caminho no Shake Shack de Coral Gables (1450 South Dixie Highway, 33146) e delicie o famoso Shack Stack.

 

1o Dia – Florida Keys

Inicie sua road trip com uma parada no Robert Is Here (19200 SW 344th St, Homestead, FL 33034), uma enorme fazenda com venda de frutas, para comprar smoothies e lanches para a viagem. Depois, siga em direção à Key West, a última ilha habitada das Florida Keys, localizada a cerca de 145km de Cuba. O caminho é por uma estrada que tem 42 pontes (a maior com mais de 11km de extensão). Para encher os olhos, há belas paisagens do Oceano Atlântico de um lado e do Golfo do México do outro.

Sua segunda parada será na ilha de Key Largo, no John Pennekamp Coral Reef State Park (102601 Overseas Hwy, 33037). É o primeiro parque marinho dos Estados Unidos e o melhor lugar para mergulhar ou fazer snorkel na região. Se você curte esportes aquáticos, aproveite a oportunidade e marque um tour com antecedência. Caso não embarque em um passeio aquático, entre no centro de visitantes para aprender sobre o ecossistema dos corais da região.

A seguir, pare no Robbie’s Marina (77522 Overseas Hwy, Islamorada, FL 33036). Mais do que apenas um píer, este local conta com uma feirinha de artesanato típico das Keys. Além disso, você pode comprar um balde de comida para alimentar tarpons. São enormes peixes que se aglomeram no trapiche e até saltam da água para abocanhar os lanchinhos oferecidos pelos turistas.

Robbie's Marina, Florida, USA

As lembrancinhas que você pode comprar na Robbie’s Marina. Foto: André Orengel

Uma sugestão para almoçar é o Sparky’s Landing (400 Sadowski Causeway Key Colony Beach, FL 33051). O restaurante tem uma linda vista, ambiente descontraído e ótima comida. Funciona direto das 11h às 22h.

Hora da praia

Depois do almoço, relaxe em uma das praias mais bonitas da Florida Keys. Com uma pequena faixa de areia, a Bahia Honda Beach conta com uma vista da história ponte ferroviária Henry Flagler, instalações para piquenique e uma loja de conveniência com lanchonete.

Road trip, Bahia Honda Beach, Florida, USA

A Bahia Honda Beach. Foto: André Orengel

Despeça-se da praia antes das 16h, pois ainda há cerca de 1h30 de viagem até você alcançar Key West. Chegando na ilha, sugiro que vá diretamente ao hotel para fazer o seu check-in e descansar da road trip. Saia do hotel por volta das 19h e vá à mais famosa rua da cidade: a movimentada Duval Street, com diversos bares, restaurantes, sorveterias, lojas de souvenir, galerias entre outros. Para jantar, uma boa opção é o Nine One Five (915 Duval St), que serve excelente e criativa comida contemporânea (o “absurdly addictive aspargus” e o “Wild Salmon” são deliciosos).

Para encerrar o dia, aprenda um pouco sobre os mistérios que envolvem esta ilha no Key West’s Ghosts and Mysteries Tour (das 21h às 21h30). O passeio conta várias histórias macabras sobre mortes e assombrações ocorridas na cidade. Faça a sua reserva com antecedência pelo site da empresa.

 

2o Dia – Museus em Key West

 Comece o dia com o tradicional brunch no disputado Blue Heaven (729 Thomas St, Key West, FL 33040). Saboreie panquecas, omeletes, banana bread, torradas e outras delícias constantes de seu extenso cardápio. A alimentação tem que ser reforçada, porque não almoçar faz parte do plano.

Após, vá para a Ernest Hemingway’s Home (907 Whitehead St, Key West, FL 33040), uma das mais populares atrações turísticas da ilha. Lá, você vai conhecer várias histórias pessoais deste importante personagem da cultura americana em um instrutivo tour por uma de suas residências. Entre elas, a do “último penny”, entregue pelo escritor para a sua segunda esposa (Pauline Pfeiffer) em uma discussão sobre a construção de uma caríssima piscina.

Road trip, Ernest Hemingway Home, Key West, USA

Um dos cômodos da casa de Ernest Hemingway. Foto: André Orengel

Ao sair, continue pela  Whitehead St. (no sentido decrescente da numeração), o nome dado à rodovia US1 neste trecho. Esta estrada é datada da década de 1920 e, com 3.846 km de extensão, cruza a costa leste dos EUA de sul a norte, ligando a cidade de Key West (Flórida) a Fort Kent (Maine), na fronteira com o Canadá. É o suficiente para fazer dela a estrada mais extensa dos EUA nesta direção. Você então passará pelo marco zero desta icônica rota, marcando o seu início (de um lado da rua) e o seu fim (do outro).

Marco zero da rodovia US1. Foto: André Orengel

Um pouco mais de história

Passando duas ruas do marco zero, dobre na Caroline St. e se dirija à Truman Little White House, assim chamada em razão das frequentes visitas do ex-presidente Harry S. Truman (1945-1953) ao local. Atualmente, a casa se trata de um museu que conta, por meio de um tour guiado, a interessante história do imóvel enquanto foi utilizado por Truman e outros presidentes americanos.

Truman Little White House. Foto: André Orengel

Depois de conhecer a casa, retorne à Whitehead St. e continue andando no mesmo sentido, até chegar à Audubon House & Tropical Gardens. Entre nesta casa construída pelo Capitão John Huling Geiger nos anos 1840 no intuito de servir de residência de sua família (que viveu no local por mais de um século). A visita revela como a vida em Key West já foi um dia, expondo em seu interior a história da casa em si e de seus moradores. Este museu também conta com um aposento dedicado ao naturalista John James Audubon, que supostamente haveria visitado a casa quando em Key West realizando os desenhos e estudos exibidos em seu célebre As Aves da América.

Neste ponto, quando estive em Key West, interrompi o passeio para retornar ao hotel e trocar de roupa para jantar no celebrado Latitudes, localizado na Sunset Key. Mas não recomendo este restaurante. Apesar de localizado em uma ilha lindíssima e do serviço impecável, não achei que a comida valesse a pena o preço que cobram. Assim, aproveite o resto do “horário útil” dos museus e visite uma das atrações localizadas nas proximidades. Estão lá o Museum of Art & History at the Custom House (diariamente, das 9h30 às 16h30), Nancy Forrester’s Secret Garden (diariamente, das 10h às 15h) ou a Casa Antigua (diariamente, das 10h às 18h).

Arte de rua e gastronomia

Se os museus estiverem fechados (ou se você não se interessar por eles), aproveite para caminhar pelas redondezas da Mallory Square. A praça costuma estar cheia de músicos, mágicos, malabaristas entre outros artistas de rua, turistas e locais, aguardando para assistir ao pôr do sol, um ritual obrigatório para todos os que visitam a cidade.

road trip, Mallory Square, Key West, USA

Fim de tarde na Mallory Square. Foto: André Orengel

Por fim, retorne à Duval Street e escolha um dos seus restaurantes ou bares para um merecido jantar. Não deixe de provar a key lime pie, servida pela maioria dos estabelecimentos da cidade, que, como o nome diz, é uma torta de limão feita com um tipo desta fruta originária do arquipélago.

 

3º Dia – Everglades

Acorde cedo e tome um bom café da manhã ao sair do hotel. Você vai sair das ilhas e voltar ao continente. Sua primeira parada do dia será no Everglades National Park, após cerca de 3 horas de viagem, para conectar-se mais com a natureza do sul da Flórida.

O parque nacional foi criado para proteger o frágil ecossistema formado por uma ampla rede de florestas e pântanos que abriga diversas espécies de fauna. Entre elas, estão a pantera da Flórida, o peixe-boi e o crocodilo americano, todos ameaçados de extinção. Entre no parque pelo acesso localizado em Homestead (State Road 9336) e pare no centro de visitantes para aprender mais sobre a fauna e a flora do parque. Pegue também um mapa da área e escolha as trilhas que irá percorrer. O site do parque é bem informativo e o ajudará a planejar a sua visita nos mínimos detalhes.

Everglades National Park, Florida, USA, Road trip

Foto: André Orengel

Ao sair do parque, se a fome permitir, tome o rumo de Naples pela US41. Nesta estrada, existem vários estabelecimentos que oferecem passeios de airboat pela Everglades Wildlife Management Area. Fizemos este passeio na Coopertown Airboats (22700 Southwest 8th Street, Miami, FL 33194. Funciona das 9h às 17h50). No dia em que fomos, estava chovendo bastante, o que acrescentou emoção às manobras e diminuiu as chances de encontrar jacarés. Conseguimos encontrar um atravessando o canal, o que foi bem legal. Leve uma capa de chuva caso a previsão do tempo indique a menor chance de chover. Aproveite a parada para almoçar um delicioso hambúrguer na lanchonete do local. A parte triste é que eles mantém alguns animais enjaulados. Por isso não acho o passeio excelente.

Naples

Após o passeio, continue viagem para Naples. Chegando na cidade, vá para a Fifth Avenue South, estacione o carro e caminhe por esta agradável avenida, que tem palmeiras, lojas, sorveterias, galerias, bares e restaurantes. Escolha um para jantar e, depois de comer, vá para o seu hotel.

 

4o Dia – Ringling e Museu Dali

Algo que, para mim, marca uma road trip é a necessidade de acordar cedo por alguns motivos. Primeiro, porque eu considero bem melhor dirigir durante o dia. Em segundo lugar, porque as atrações costumam abrir cedo e fechar cedo, então, para estar onde se quer chegar, há de se começar a dirigir com o sol raiando.

Assim, pegue o carro cedo e rume norte pela I75. Sua primeira parada do dia será no John and Mable Ringling Museum of Art, em Sarasota (5401 Bay Shore Rd, 34243, aberto de 10h às 17h), a cerca de 2hrs de Naples. Quando estivemos lá, chegamos por volta das 11h e acabamos tendo que enfrentar algo em torno de uma hora de fila para comprar os nossos ingressos. Além disso, não conseguimos mais vagas para o tour pela Ca’ d’Zan (residência de inverno de John e Mable, fundadores do museu). Ou seja: reafirmo a necessidade de acordar cedo.

Ca d'Zan, Ringling Museum, Florida, USA

Fachada da Ca d’Zan no Ringling Museum. Foto: André Orengel

Este museu, localizado em um terreno com uma bela vista para o Golfo do México (vimos vários golfinhos saltando da água), é formado por diferentes pavilhões interligados por lindos jardins. Não deixe de conferir os pavilhões dedicados ao circo e à coleção de arte, com destaque à ala japonesa.

A maior coleção de Dalí fora da Europa

Você pode almoçar no local ou comer algo mais barato pela estrada. De todas as formas, sugiro que já esteja dirigindo e devidamente alimentado no máximo às 14h (caso o dia não seja uma quinta-feira). Você estará a mais ou menos uma hora de distância de seu próximo destino: o Museu Dali (One Dali Blvd, St. Petersburg, FL 33701, aberto diariamente das 10h às 17h e às quintas-feiras até às 20h).

Curiosamente, a maior compilação de obras de arte de Salvador Dalí fora do continente europeu está localizada neste museu, em São Petersburgo, Flórida. São mais de 2.100 peças. A fachada do prédio, com uma bolha de vidro que abraça uma caixa de concreto cinza, é uma atração em si. No entanto, entre primeiro no museu e reserve as fotos para a saída (caso o dia não seja uma quinta-feira).

Fachada do Museu Dalí na Flórida. Foto: André Orengel

Ao começar a sua visita, não deixe de solicitar um audioguia na base das escadas. Ele contém informações interessantes sobre as obras em exposição e sobre a  história do museu. Quando estivemos lá, havia uma exposição temporária muito legal que mostrava a relação entre o Walt Disney e o Dali, o que realmente mudou a nossa visão sobre toda a obra cinematográfica da Disney.

Caso não esteja muito cansado, você pode aproveitar as últimas horas do dia para realizar algumas compras no Ellenton Premium Outlets (5461 Factory Shops Blvd Ellenton, FL 34222-4100), localizado a 30 minutos do Museu Dali. Outra opção é encerrar o dia jantando no 400 Beach Seafood and Tap House (400 Beach Dr NE, São Petersburgo, FL).

 

5º Dia – Busch Gardens

Dedique o seu quinto dia inteiramente ao Busch Gardens, em Tampa. Ele é um excelente parque de diversões que conta com algumas das melhores montanhas russas da Flórida, além de diversas outras atrações. O destaque é a grande variedade de animais (mais de 300 espécies) constantes de seu zoológico.

Neste ponto da viagem, duas opções se descortinam a sua frente. 1) você pode seguir viagem para mais dois dias de estrada até chegar a New Orleans. Ou 2) estender a viagem a Orlando, para curtir os parques temáticos da Disney, Universal e Sea World, para depois seguir até New Orleans.

Caso escolha a primeira opção, aproveite que o parque costuma fechar cedo e ganhe alguns quilômetros passando a noite, por exemplo, no Hampton Inn Brooksville Dade, a 65km do Busch Gardens. Se você for na segunda opção, dirija para o seu hotel em Orlando. Se couber no seu orçamento, fique em um dos resorts dentro da Disney World. Faz toda a diferença, especialmente se você estiver com crianças.

 

6o Dia – Tallahassee e Panama City Beach

Dirija do seu hotel até Tallahassee, a capital do Estado da Flórida. Você deverá chegar pela hora do almoço, então vá direto para o Kool Beanz Cafe (921 Thomasville Road, Tallahassee, Florida 32303).

Em seguida, visite o novo Capitol Building (400 S Monroe St, Tallahassee, FL 32399, aberto de segunda a sexta das 8h às 17h). Ele fica em um arranha-céu construído em 1977 para substituir o antigo Capitol de 1845, situado bem em frente. O antigo Capitol (aberto das 9h às 16h30) conta com oito ambientes dedicados a contar a história política da Flórida, com mobiliários da virada do século 20, valendo a pena visitá-lo.

Capitol Building, Tallahassee, Florida, USA

Fachada do Capitol Building em Tallahassee. Foto: André Orengel

Do outro lado da Apalachee Parkway, fica o Union Bank Museum. Ele está instalado no prédio de banco mais antigo da Flórida, que já sediou o Freedman’s Savings and Trust Company, especializado no atendimento de escravos emancipados. O museu hoje expõe uma pequena mas interessante coleção de artefatos e documentos que refletem a história e cultura negra do sul dos EUA.

Se você gosta de antiguidades, brechós e arte moderna, dê uma passeada pelo Railroad Square Art Park (602 Mc Donnell Dr, Tallahassee, FL 32310), que tem tudo isso e mais.

Não perca a noção do tempo, pois você ainda precisa dirigir mais 171km até o próximo destino, e o objetivo é chegar lá antes do pôr do sol. Assim, retorne à estrada e dirija até o Schooners (5121 Gulf Drive, Panama City Beach, FL 32408), um bar/restaurante/beach club que fica na beira da praia de Panama City. O lugar é muito disputado, e entendemos o porquê. Ele tem uma localização privilegiada, com um vento que não cessa, um ar bem animado e uma comida deliciosa (experimente o shrimp and grits).

 

7º Dia – Praias e história militar

No último dia desta road trip você sairá da Flórida e passará pelos estados do Alabama e Mississipi até chegar em New Orleans, na Louisiana. Para celebrar, você poderá escolher duas entre as três opções a seguir.

Primeiramente, se você gosta de praia, esta é a oportunidade de conhecer uma das regiões praianas mais movimentadas do sul dos Estados Unidos. Caso curta um ambiente mais agitado, escolha um dos pontos ao longo da Front Beach Road, que começa em Panama City Beach e se estende ao oeste. Se você prefere praias mais tranquilas e isoladas, vá para Grayton Beach ou à Gulf Island National Seashore.

Another Broken Egg, Road Trip, USA

O seu café da manhã no último dia da road trip: Another Broken Egg. Foto: André Orengel

De uma forma ou de outra, comece o dia com um saboroso brunch no Another Broken Egg, que conta com vários pontos espalhados pelo sul dos EUA. Fomos no localizado próximo de Grayton Beach (51 Uptown Grayton Cir, Santa Rosa Beach, FL 32459). Depois de dar uma olhada na praia de Grayton, prossiga até Pensacola. Procure dirigir o mais perto possível do litoral, para desfrutar da vista do mar e do clima descontraído.

National Naval Aviation Museum

National Naval Aviation Museum

Foto: André Orengel

Em Pensacola, cidade historicamente ligada às Forças Armadas Americanas, está localizado o National Naval Aviation Museum (1750 Radford Blvd., NAS Pensacola, FL 32508, aberto das 9h às 17h). Trata-se da maior coleção de aviões em exposição em todos os EUA (mais de 150 exemplares). São todos originais, ou seja, já voaram algum dia (com exceção de uma réplica que fica do lado de fora da entrada do museu). É realmente imperdível para quem está na região. Facilmente se passa o dia inteiro nesse museu lendo a história de cada uma dessas aeronaves. Mas fique de olho no relógio, porque a próxima atração é igualmente impressionante: o USS Alabama.

USS Alabama

Foto: André Orengel

Continue viagem rumo a oeste, cruzando a divisa entre os estados da Flórida e do Alabama até alcançar o USS Alabama Battleship Memorial Park. Aqui está ancorado o enorme navio de 45 mil toneladas que chegou a abrigar uma tripulação de 2500 corajosos americanos durante a Segunda Guerra Mundial. Esta embarcação conduziu a esquadra à baia de Tóquio, na data de 05/09/1945, encerrando com isso a campanha norte-americana no Pacífico. O tour leva a quase todos os cômodos do navio, explicando os propósitos e a rotina dos marinheiros durante a guerra.

road trip - mississippi

Foto: André Orengel

Terminada a visita, cruze a divisa entre os estados do Alabama e do Mississipi e jante no Slap Ya Mommas (1830 Beach Blvd. Biloxi, MS 39531) para uma autêntica comida sulista. Por fim, siga para o seu hotel em New Orleans, cruzando mais uma divisa e finalizando a sua road trip.

Em New Orleans, com Uber, taxi e ótimo transporte público, você não precisará do carro. Entretanto, antes de devolvê-lo à locadora, sugiro que faça outro passeio. Um bate-e-volta às plantations localizadas à beira do rio Mississipi entre New Orleans e Baton Rouge. Visitei a Houmas House Plantation and Gardens (que tem um ótimo restaurante) e a Oak Alley Plantation. Gostei muito de ambas as visitas e recomendo fortemente as duas. Acesse o site de cada uma para coordenar os seus horários.

O mapa completo

Para acessar o mapa da viagem no Google Maps no seu navegador, é só clicar no link: https://www.google.com/maps/d/viewer?mid=1NPAffAaKi37_ub-Y-HVWYojru4k&hl=pt-BR&ll=27.69473878694306%2C-85.608482&z=6

Para quem quiser seguir viagem

Já falamos de New Orleans aqui no blog, com uma sugestão de roteiro de três dias na cidade. Se você quiser esticar sua viagem pela capital do jazz, é só colar nas nossas dicas!

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Dortmund: um passeio pela capital alemã do futebol

Sou fã de futebol e nem minhas viagens me deixam mentir. Aqui no blog, já falei sobre a visita ao estádio mais antigo em atividade em Londres. Também já entrevistei…

Sou fã de futebol e nem minhas viagens me deixam mentir. Aqui no blog, já falei sobre a visita ao estádio mais antigo em atividade em Londres. Também já entrevistei o craque Juninho Pernambucano para falar sobre Lyon. Como se não fosse suficiente, tenho amigos que compartilham essa paixão e também colocam o esporte como balizador eventual dos roteiros de viagem. Um deles aceitou o convite de escrever um post convidado para o Mochileza sobre Dortmund, na Alemanha.

Primeiro vou apresentar o “santo” e depois, o “milagre”. O João Lazera é pernambucano, advogado e torcedor do Sport. Apesar de trabalhar no dia-a-dia com o idioma juridiquês, ele tem uma prosa muito fácil na escrita. Poderia ter o blog dele, seja sobre futebol ou sobre viagens. Apaixonado pela Alemanha, o cara já rodou por uma grande parte do país nas viagens que fez para lá.

Dortmund era o sonho de Disneylândia do João Lazera

E por que Dortmund? Por mais que não esteja na rota turística comum, a cidade com pouco menos de 600 mil habitantes tem alguns atrativos para os fanáticos por futebol. O primeiro é o clube com a maior média de público do planeta. O segundo, um completíssimo e recém-inaugurado museu sobre o futebol alemão.

A partir de agora é com o João. Espero que vocês curtam os relatos dele como eu curti!

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Não falta quem se dobre de paixões pelas mais variadas coisas. A minha é o futebol. Eu reverencio o esporte e o Sport. A atmosfera, a festa, a tensão e a linha tênue entre a agonia e alegria são elementos que tornam o jogo apaixonante. Tanto para quem vai ao estádio quanto para quem divide a TV e umas cervejas com os amigos às quartas, quintas, sábados, domingos ou segundas (com o perdão dos que são habitués da Série B).

O João e a Gabi, esposa dele, no Signal Iduna Park, em Dortmund. Foto: João Lazera

Ir à Alemanha é ter a oportunidade de ver de perto a maior média de público em campeonatos nacionais de futebol no mundo inteiro. São mais de 40 mil torcedores por jogo. Além disso, também é a chance de desmistificar parte desses chavões que o brasileiro curte repetir: “país do futebol”, “povo caloroso”, “jogo bonito” e mais um monte desses que você escuta da boca do Galvão Bueno. Esse era o roteiro da minha viagem de 2017.

A ideia era passar por Essen, Colônia, Düsseldorf, Leverkusen, Hamburgo, Hanover e Munique. Quase todas as cidades citadas têm inúmeros atrativos históricos e culturais. Nelas, o futebol é apenas um bônus. Mas que bônus! Nesses lugares, pode se conhecer clubes que vão desde o cultuado underdog St. Pauli até o supercampeão Bayern.

Mas, se você perseverou até aqui, sabe que isso não é o principal objetivo. A exceção – e a razão de existir desse post, é o orgulho da Vestfália: Dortmund.

A maior cidade do Vale do Ruhr teve sua importância histórica calcada na exploração do aço. A atividade foi determinante tanto no período de Otto von Bismarck, quanto no de Adolf Hitler. Não por acaso, Dortmund sofreu com as intervenções pós-guerra. Ressuscitou com a retomada desenvolvimentista chamada de “Wirtschaftswunder”, milagre econômico supervisionado pelo ministro das finanças Ludwig Erhard nos anos 50. Hoje a cidade vive um período de pós-industrialização, fomentado pela Universidade local e seu imponente parque de tecnologia.

Não vai faltar quem tente te convencer a fazer apenas um bate-volta nessa cidade de vocação industrial e com cara de interior. Afinal, são apenas pouco mais de cem quilômetros de Colônia ou de Düsseldorf, por exemplo. E ninguém normal trocaria uma vista da Catedral de Colônia ou da Rheinuferpromenade, o calçadão à beira do rio.

Borussia, o maior patrimônio de Dortmund

Mas, como não estamos falando de pessoas normais, Dortmund merece mais que isso. Merece um fim de semana de jogo, vestido de amarelo e negro, sendo parte da Muralha Amarela, cantando “You’ll never walk alone” a plenos pulmões, cheio de cerveja Kronen na cabeça. Esse é o espírito da cidade do Borussia Dortmund, o BVB 09 (Bê-fál-bê, para os locais).

Foto: João Lazera

Mas, antes dos “finalmentes”, tem os “entretantos”. Para você que está acostumado a ir a estádio comprando ingresso no dia ou é daqueles que não acompanha muito o futebol internacional, tenho uma novidade para você. Os ingressos para os jogos do Dortmund estão esgotados. Cem por cento dos ingressos são vendidos no início da temporada entre os sócios do clube, na forma de tíquete de temporada (season ticket). Como se não fosse suficiente, há uma fila de espera – também formada por sócios, brutal.

 

Como conseguir ingressos para os jogos do Borussia Dortmund?

Como tudo na vida tem um jeito, existem três maneiras de você consegui-los:

1) O site oficial do clube costuma vender os últimos assentos disponíveis para cada jogo duas ou três semanas antes. Ainda assim, é quase impossível.

2) Pelo site de venda de ingressos Viagogo. O site e o app para celular são em português, oferecem a entrega do ingresso em domicílio e pagamento no cartão de crédito. Ao menos pelas avaliações na internet, o sistema é confiável. O lado ruim é que a cobrança é feita em dólares e o preço é sempre salgado, muito salgado. Outro ponto negativo (esse experimentado por mim) é que caso você venha a comprar perto da data do evento, a chance de eles cancelarem por ser inviável o envio/entrega é grande. Ou seja: programe-se com antecedência.

3) A última opção talvez seja a mais conhecida dos brasileiros e, não por coincidência, a menos segura: cambistas. No entanto, é o meio mais fácil de se atingir o objetivo. Se seu inglês for bom, se você não tiver medo de cara feia e souber barganhar, pode comprar bons lugares pagando menos que no Viagogo. O segredo é chegar umas duas horas antes do jogo e ficar perto da loja oficial do clube (Strobelallee 50, 44139 Dortmund). Vai ser fácil identificar quem está ali para esse fim. Deu certo comigo.

Seja qual for o caminho adotado, dificilmente o tíquete sairá mais barato do que setenta euros.

Signal Iduna Park em seu estado natural: lotado. Foto: João Lazera

O Signal Iduna Park

A experiência no Signal Iduna Park, no entanto, vale cada centavo. O estádio contempla todos os tipos de torcedores, desde os amantes das gerais aos chamados “torcedores cappuccinos”. É moderno, confortável e seguro como as novas arenas padrão FIFA, mas sem ser asséptico como tal.

Apesar da elitização que assola o futebol europeu, a Bundesliga e o Borussia Dortmund conservam um tíquete médio com um preço acessível. Assim, garantem espaço para torcedores menos abastados. É a consciência de que, sem a südtribune, onde fica a Muralha Amarela, estaria extinta a maior riqueza cultural do clube e da cidade. Basta o primeiro acorde de “You’ll never walk alone” para se ter certeza disso. A reverência contida na saudação dos jogadores ao fim do jogo é outro exemplo.

Aliado ao jogo e à atmosfera do estádio, está o bratwurst (linguiça com pão) ou currywurst mit pommes (linguiça fatiada, com molho curry apimentado e batatas) e, para acompanhar, dê uma chance à cerveja Kronen. Vai te deixar pensando melhor, eu garanto.

Foto: João Lazera

Estádio à parte, o Borussia Dortmund não para aí. A loja oficial é incrível e te deixa convencido de que o mote Echte Liebe (amor verdadeiro) não é à toa. A quantidade de produtos é suficiente para te deixar vestido de preto e amarelo durante todo o ano, sem parecer membro de uma seita ou mais um integrante da Turma da Mônica. Qualidade, amigos. Apenas qualidade.

Museu do Futebol Alemão

Foto: João Lazera

Se sobrar fôlego para mais um dia dedicado ao futebol, uma visita ao Deutsches Fussballmuseum, o Museu do Futebol Alemão, é imperdível. Apesar do preço relativamente salgado (cerca de 30 euros), o museu entrega uma imersão na história dos tetracampeões mundiais repleta de interatividade e de relíquias valiosas.

Dois capítulos são especialmente destacados. O primeiro é o Milagre de Berna, como ficou conhecida a vitória em 1954 sobre a seleção da Hungria, o então melhor time do mundo. A imersão tem direito a imagens em tamanho real dos jogadores e a história de cada um deles, bem como as anotações pessoais do técnico Sepp Herberger.

Flâmula da final da Copa de 1954, Alemanha 3×2 Hungria. Foto: João Lazera

O segundo capítulo é a máquina que humilhou o Brasil em 2014, com atuação holográfica dos protagonistas da conquista. Além disso, há vários depoimentos e mais um pouco daquela alegria demonstrada nas praias da Bahia e do Rio de Janeiro.

Essas anotações trazem memórias pra você? Foto: João Lazera

A final da Copa de 2014 contada lance a lance em imagens. Foto: João Lazera

O lado negativo é que boa parte do material e os filmes com os jogadores não tem tradução sequer para o inglês. Isso pode deixá-lo com cara de paisagem em grande parte das piadas se o seu alemão for tão ruim quanto o meu, claro. Nada que deixe o programa menos divertido.

Camisa usada por Franz Beckenbauer, o Kaiser. Foto: João Lazera

Outra jóia do acervo é a parte dedicada ao campeonato alemão no período da separação do país, com matérias de jornal, flâmulas e revistas sobre o tema. O contraste entre as Alemanhas Ocidental e Oriental impressiona, sobretudo o contexto político e social.

A extinta Alemanha Oriental jogava com esta camisa azul. Foto: João Lazera

 

Porque nem só de futebol vive o homem…

Se sobrar tempo, duas indicações. A primeira é o café completo na Bäckermeister GROBE (Baroper Kirchweg 32-34, 44227 Dortmund), para poder aproveitar frios, queijos e a arte alemã de fazer pães e doces maravilhosos. A outra é o jantar no La Gazzeta (An der Palmweide 56, 44227 Dortmund), para comer aquela massa que você respeita. Para acompanhar, um Spätburgunder (como é conhecido o vinho pinot noir) da Renânia. É sem erro.

Dortmund é contagiante pelo espírito, pelas pessoas e pelo modo como abraçou o esporte que amo. Vale demais sua visita.

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Istambul: Dicas para curtir uma metrópole única

Já falei aqui em outras oportunidades que o Mochileza também é feito por seus leitores e amigos. E sou sortudo por conhecer gente que curte viajar tanto quanto eu. Foi…

Já falei aqui em outras oportunidades que o Mochileza também é feito por seus leitores e amigos. E sou sortudo por conhecer gente que curte viajar tanto quanto eu. Foi o caso da Gabi (que escreveu sobre Malta) e do Marcus (que fez um post sobre o arquipélago de San Blas), que publicaram textos convidados aqui no site. Agora chega mais uma colaboração: a da Estela Takahachi, do Itinerário de Viagem.  Assim como o Mochileza, o blog dela também faz parte da Rede Brasileira de Blogs de Viagem. Ela escreveu um post muito bom e informativo sobre Istambul, uma cidade que tá na minha lista de desejos há alguns anos. É uma metrópole que tem um pé na Europa e outro na Ásia (literalmente), com referências islâmicas e ocidentais, além de muita história!

Feitas as apresentações, fique com os relatos da Estela e viaje junto com a gente! 😀

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Tive a oportunidade de visitar Istambul duas vezes na minha vida e em dois anos consecutivos. A primeira vez que fui, tudo me pareceu meio caótico e confuso. A segunda vez que fui já estava mais relaxada e habituada.

Adoro ter a possibilidade de voltar a um lugar que gostei muito e com certeza, voltar a Istambul foi uma maravilhosa experiência. Algumas pessoas não fazem isso jamais. Mas eu tinha tantas pendências da primeira viagem para conhecer, que tudo justificou voltar à cidade no ano seguinte.

Para quem tem dúvidas em relação a hospedagem, sugiro o bairro de Sultanahmet como o melhor. É um bairro com boa estrutura turística e perto de muitas atrações imperdíveis. Dá pra fazer boa parte dos passeios a pé! Vale saber que é o bairro do lado “europeu” da cidade, já que o Estreiro de Bósforo divide a cidade em lado “europeu” e lado “asiático”.

Dividindo as atrações turísticas imperdíveis da cidade em europeu e asiático, começo falando do lado europeu:

Grand Bazar de Istambul. Foto: Estela Takahachi (Itinerário de Viagem)

Lado europeu de Istambul

Ninguém jamais poderá ir a Istambul e não andar no Grand Bazar, ou Kapalι Çarșι. Ele foi construído em 1453 e lá você pode encontrar quase tudo: mercadorias “made in China“, produtos tradicionais turcos, ouro e prata, lamparinas, pashiminas, tapetes, souvernirs, instrumentos musicais, etc… Ele é um mercado coberto, com muitas ruelas formando quase um labirinto. Quando você entra no Grand Bazar, tem um momento que você acha que será impossível sair de dentro dele, mas fique tranquilo porque o local possui umas nove portas de saída e, além disso, há placas indicando onde as saídas ficam. Por isso que é importante você se atentar ao nome da porta por qual entrou! Cheguei a ir umas quatro vezes no total e chega uma hora que você vai caminhando pelas ruelas e até decora a localização de tudo!

A Mesquita Azul. Foto: Estela Takahachi (Itinerário de Viagem)

A Mesquita Azul

Passagem obrigatória é ir até a Mesquita Azul, conhecida por lá como Sultan Ahmet Camii. Erguida entre 1609 e 1616, recebeu este apelido de Mesquita Azul dos estrangeiros que a visitavam, porque ela é quase que inteiramente revestida com azulejos iznik azuis e possui ricos vitrais também do mesmo tom. Bom… isso foi há muito tempo. Hoje, se você entrar em outras mesquitas, perceberá que quase todas seguem este modelo. Dica: se você for à cidade no verão, aproveite o show de luzes e música no exterior desta mesquita quando o sol se põe.

Detalhe do interior da Mesquita Azul. Foto: Estela Takahachi (Itinerário de Viagem)

Basílica de Santa Sofia

A Basílica de Santa Sofia é um marco da arquitetura e foi, por mil anos a maior igreja do mundo e hoje figura como a quarta maior. Porém, ela perde o ranking de toda forma porque hoje ela não é mais uma igreja, mas sim um museu. Chamada desde 1935 como Hagia Sophia Museum, foi construída entre 532 e 537 para ser a catedral cristã de Constantinopla, porém entre 1204 e 1261, foi “convertida” para uma catedral catótlica romana e a partir do século 15 os otomanos a transformaram em mesquita, incluindo minaretes na arquitetura, além de túmulos e fontes.

Basílica de Santa Sofia. Foto: Estela Takahachi (Itinerário de Viagem)

Como museu muito antigo, está há anos em reforma e é possível que esteja eternamente em reforma, já que sua construção e decoração são muito antigas e complexas, dito isso, não fique chateado se encontrar andaimes de reforma dentro do salão principal.

Interior da Basílica de Santa Sofia. Foto: Estela Takahachi (Itinerário de Viagem)

Hoje podemos ver muitos dos mosaicos originais que foram resgatados da época em que o local era uma igreja bizantina (porque haviam sido cobertos com cimento pelos muçulmanos).

Entrada do Castelo de Topikaki. Foto: Estela Takahachi (Itinerário de Viagem)

Castelo de Topkaki

Outra atração importante é o Castelo de Topkapı ou Topkapı Sarayı. Construído em1453, residiu por lá sultões durante três séculos e hoje podemos ver os aposentos além de móveis, tesouros e objetos de valor nas diversas salas disponíveis para visitação. Para realizar a visita no castelo, tenha em mente duas coisas: primeiro você levará praticamente o dia inteiro em filas imensas e, segundo, não poderá tirar fotos no interior do palácio. Porém, dentro do antigo harém as fotos são permitidas e a fila é curta.

 

Foto: Estela Takahachi (Itinerário de Viagem)

Foto: Estela Takahachi (Itinerário de Viagem)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dizem que o harém era habitado por até mil concubinas, mas estando lá, não consigo imaginar como elas fisicamente conseguiam! Só se ficavam todas amontoadas. Além das concubinas e até eunucos (sim…. para cuidar das moças), as mulheres e a mãe do sultão também ficavam lá…. imaginem só as confusões que rolavam por lá! Não só confusões, lógico, algumas histórias bonitas também aconteciam, como eunucos e concubinas que eventualmente acabavam se apaixonando e fugiam de lá. As últimas mulheres deixaram o harém em 1909, quando o sultanato terminou no país.

O jardim do Topkapı é lindo e dizem que no começo da primavera ele é repleto de tulipas (a flor originaria da Turquia), mas, mesmo estando no começo da primavera por lá, não vi tulipa alguma rsrsrs

Lado asiático de Istambul

Do lado de lá do Bósforo, a parte asiática. Antes mesmo de passar pro lado asiático observei algo bem interessante! Na extremidade europeia da ponte que liga o lado asiático, há vários restaurantes que provavelmente servem muitos peixes, e em cima dos restaurantes há vários turcos que pescam os tais peixes. Bom, não sei se são exatamente peixes para os restaurantes, mas a imagem é um mínimo curiosa!

Os pescadores à beira do Bósforo. Foto: Estela Takahachi (Itinerário de Viagem)

Do lado de lá, eu destaco como obrigatório subir na Torre Galata, ou Galata Saray. Ela já foi um ponto muito importante de defesa da cidade, na época em que Istambul era Constantinopla. Modificada fisicamente pelos otomanos, hoje oferece uma linda vista de 360 graus da cidade. É muito devagar chegar lá no topo porque sempre há grandes filas, mas com paciência você consegue e a vista compensa!

A Torre Galata vista do lado europeu…

… e a cidade vista do alto da torre. Fotos: Estela Takahachi (Itinerário de Viagem)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma pequena Paris em Istambul

Pontos interessantes de comércio como a famosa Istklal Cadesi que é um calçadão por onde o icônico bonde passa, as vielas recheadas de restaurantes como na Nevizade Sokak e a tentadora Cezayir Sokağı que eu não deixei de fazer uma boa refeição por lá. Esta última em especial é um cantinho “parisiense” em Istambul. Pelo menos é a inspiração usada na concepção do local, com decorações mais descontraídas e um ar mais boêmio.

O bonde na Istkal Cadesi. Foto: Estela Takahachi (Itinerário de Viagem)

E o charme da Nevizade Sokak. Foto: Estela Takahachi (Itinerário de Viagem)

Luxo e riqueza no palácio

E por fim, ainda no lado asiático, destaco o Dolmabahçe Sarayı que é um palácio em estilo eclético europeu construído a mando dos sultões otomanos. Ele funcionou como centro administrativo do governo entre 1853 e 1922. O palácio é ricamente ornado e infelizmente não são permitidas fotos no interior do prédio. Uma parte que visitamos lá dentro e que enche os olhos é a famosa escadaria de cristal com a forma de uma dupla ferradura, construída de cristal Baccarat, bronze e mogno. Vira e mexe eu revejo algumas fotos oficiais do interior do prédio para relembrar este passeio lindo!

A fachada do Dolmabahçe Sarayi. Foto: Estela Takahachi (Itinerário de Viagem)

Eu super recomendo uma visita a Istambul. Mesmo com os últimos ataques terroristas que ocorreram em 2016, o turismo não foi afetado. Lógico que todo cuidado é pouco. Então procure evitar aglomerações de turistas, não andar sozinho em locais não turísticos (sim…. há cantos obscuros em Istambul) e não aceite convites para festas ou bares de desconhecidos. Tirando isso, não tem como não se apaixonar pela cidade. É por isso que já fui duas vezes e voltaria todas as vezes que pudesse!

Sobre Estela

A Estela no Grand Bazar de Istambul

Meu nome é Estela, sou sócia fundadora do blog Itinerário de Viagem que existe desde 2012, mas ele só virou um “.com” em abril de 2014. Quando escolho um destino de viagem, geralmente sou atraída por aqueles que inclui muita história, arte e arquitetura. Sempre que eu posso, tento adicionar locais que que fogem do turismo comum. Para isso, converso com os habitantes dos destinos que visito em busca de experiências inusitadas! Gosto de tentar viver minhas viagens do ponto de vista do habitante local. Então sempre procuro ir a mercados, restaurantes locais e, enfim… vou me enfiando em qualquer lugar!

Estamos em várias redes sociais, mas destaco estas:

Blog: www.itinerariodeviagem.com
Facebook: https://www.facebook.com/itinerariodeviagem/
Instagram: @itinerariodeviagem

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San Blas: uma viagem de veleiro da Colômbia ao Panamá

Quando a gente planeja uma viagem, costuma lembrar de um conselho bem comum: quanto menos tempo de deslocamento, melhor. Isso faz com que procuremos o voo com menos escalas, o…

Quando a gente planeja uma viagem, costuma lembrar de um conselho bem comum: quanto menos tempo de deslocamento, melhor. Isso faz com que procuremos o voo com menos escalas, o trem com menos conexões, a estrada mais curta, etc. Mas guarde pra você um asterisco nesta regra de ouro: há ocasiões em que ignorar este conselho vale a pena. E a viagem ao arquipélago de San Blas, no Panamá, é uma delas.

Com o mapa nessa escala, nem dá pra enxergar as ilhas

Confesso a vocês que nunca tinha ouvido falar neste conjunto de ilhas no Mar do Caribe antes de escutar o relato do meu amigo Marcus Alves. O Marcus é jornalista, repórter do site da ESPN e um viajante inveterado. Onde tiver praia e alto astral, o cara está lá. Se for um lugar fora dos destinos comuns, aí é que ele vai mesmo. E se houver uma forma de desfrutar essa viagem de um jeito especial, ainda que tome muito mais tempo, é a instigação máxima.

Aproximando um pouco, dá pra ver algumas (poucas) das quase 400 ilhas

Pois bem: só de ouvir as histórias, fiquei tão encantado que pedi ao Marcus que escrevesse um relato sobre essa viagem para o Mochileza. É mais um guest post amigo que vai fazer você ter vontade de se teletransportar.

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Foto: Marcus Alves

Navegar é preciso

Fim da cobertura da Copa do Mundo de 2014, mais de 50 mil milhas acumuladas. Resolvi, então, gastar 30 mil delas em uma passagem de ida e volta para Cartagena, com conexão em Bogotá. Em cada uma de suas esquinas recheadas de história, um hostel. Um deles, em especial, o Media Luna, recebe a festa mais tradicional das quartas-feiras.

Em minha breve passagem naquela oportunidade, fui conferir e, entre uma cerveja Club Colombia e outra, fiz amizades. Entre elas, a de um israelense, que me contou que, no dia seguinte, estaria indo fazer uma viagem de veleiro até o arquipélago de San Blas, no Panamá. Demorei a processar o que seria aquilo e, a cada detalhe, fiquei mais curioso ainda. Ao retornar ao Brasil e ver mais a fundo do que se tratava, pus na cabeça que um dia faria o mesmo trecho.

A princípio, seria em 2015. Não deu.

Ficou para 2016. Queria cruzar toda a América Central. Por que não, então, começar em grande estilo arrancando ainda em Cartagena, passando por San Blas e, enfim, desembarcando em terra no Panamá?

A sugestão foi de minha namorada Bia (que tem um Instagram de viagens muito legal, o Bia Viaja). Confesso que, naquela altura, estava um pouco desconfiado se funcionaria. Eu tinha uma logística complicada de dias pela frente: apenas 35 ou um pouco para chegar até ao México. E, como se sabe, o mar é imprevisível.

Foi, assim, que, na noite de 27 de outubro de 2016, cheguei em Cartagena.

A viagem toda é feita num veleiro como este. Foto: Marcus Alves

O caro que sai barato

No outro dia pela manhã, estava logo cedo na porta do escritório da Blue Sailing. Esta é uma das poucas empresas que faz a viagem de veleiro entre Cartagena, San Blas e chegando a Puerto Lindo, no Panamá. Não é uma viagem barata. Paguei US$ 550 (R$ 1831 em 21/12/16), mas existem barcos mais baratos (US$ 450) e até mais caros (US$ 600). Um detalhe que você precisa ter em mente, e desde o início eu tinha claro comigo mesmo: não estava pagando pela travessia e, sim, pela experiência de vida.

E, acredite, vale a pena.

Clima de hostel em alto mar. Foto: Marcus Alves

Ainda assim, se você resolver se apegar à matemática, as contas são razoavelmente simples. Nos US$ 550, estão incluídos naturalmente o transporte – você não terá nenhum gasto durante o período –, a hospedagem – você dorme todos os dias no barco – e também a alimentação – café da manhã, almoço e jantar. No meu caso, tive como capitão Mike, que foi chef na Itália por dez anos. Ou seja, cada refeição era espetacular, passando por spaghetti com polvo, lagosta e peixe pescado na hora. Em solo, você estaria tendo esses custos.

E ainda tem comida de primeira a bordo! Foto: Marcus Alves

Ainda não se convenceu? Se o visual de San Blas não o fizer, nada mais o fará.

Não, não é uma piscina. Foto: Marcus Alves

Já viajei um pouco por esse mundo e posso dizer. Em poucos lugares, a água é tão cristalina quanto nas ilhas comandadas pelos índios Kuna. Os Kuna são uma sociedade matriarcal formada por pessoas que fugiram da Colômbia, se refugiaram nelas e, por acordo com o Governo do Panamá, se tornaram donas. Basicamente, cada ilha pertence a uma família.

A viagem começa

Deixei Cartagena pelo porto de Manga numa sexta-feira à noite. Estávamos em 11 turistas e tivemos ali mesmo, antes de içar a vela, a nossa primeira refeição.

A recomendação é para que você compre antes snacks que queria levar a bordo e também bebidas alcoólicas. Essas últimas não poderão ser consumidas durante o período de travessia em águas internacionais até a chegada a San Blas.

Depois de embarcamos por volta das 21h de sexta, passamos todo o sábado em alto mar, acompanhados apenas por golfinhos e um ou outro peixe voador. Tivemos o primeiro sinal de terra no caminho somente às 5h da manhã de domingo. Além do capitão Mike e de seu assistente Edwin, eu era o único no veleiro que se encontrava acordado naquele momento. Aos poucos, cada um foi acordando e, enfim, após pouco mais de 30 horas de viagem, a âncora foi lançada ao mar. Era chegada a hora de curtir o paraíso.

É assim que se acorda no Mar do Caribe. Foto: Marcus Alves

Praticando o nadismo em alto mar

Passamos o domingo, a segunda e a terça-feira velejando entre as ilhas.

O mar, claro, é calmo, perfeito para snorkelling – existem equipamentos no veleiro, se precisar – ou mesmo nadar de um lado para o outro. Ainda tive a chance de disputar uma espécie de desafio internacional. Meus adversários eram membros do exército panamenho que fazem a segurança noturna nas ilhas para evitar a entrada de drogas através do mar. Foi possível também acompanhar o confronto entre Besiktas e Lazio pela Liga dos Campeões em uma das ilhas. E, por fim, relaxar com cerveja em mão na água quente.

Os dias passam devagar e não existe praticamente nenhuma agitação.

Nada melhor do que não fazer nada. Foto: Marcus Alves

Quem quiser passar alguns dias a mais na ilha, pode se hospedar em bangalôs como estes. Foto: Marcus Alves

Esta imagem é uma amostra do ~agito~ que rola em San Blas. Foto: Marcus Alves

A sua experiência passará, também, por quem o acompanhará no barco. No Sailing Koala, eram 11 pessoas: quatro casais, um inglês, uma colombiana e eu. Sem férias, a Bia não pôde me acompanhar. Pode soar chato? Pode. Mas não foi.

Foto: Marcus Alves

Na ponta do lápis

Ao longo dos dias, o seu gasto será nulo, a não ser que você queira consumir nas ilhas e comprar artesanato, por exemplo. Não foi o meu caso. Eles ficarão restritos apenas à taxa de US$ 20 a ser paga aos kunas. Ainda é preciso pagar US$ 25 para a van que nos levaria para a imigração e depois para a Cidade do Panamá no lugar que escolhêssemos.

Além da cervejinha e dos snacks para quem gosta, é imprescindível levar em sua mochila de ataque três coisas. Lenço umedecido – não existe água potável para banho –, protetor solar e uma garrafinha para repor a água para beber.

Essa é uma viagem sem qualquer luxo e recomendada, sobretudo, para quem sonha em ter uma dessas experiências inesquecíveis que acumulamos ao longo da vida.

Foto: Marcus Alves

 

Foto: Arquivo pessoal/Marcus Alves

Uma viagem mais curta

Se você se encantou com San Blas, mas não encara os quase dois dias num veleiro, fique tranquilo. Há alternativas. O jeito mais rápido de chegar a San Blas é por voos de 20 minutos saindo da Cidade do Panamá (aeroporto de Albrook, PAC) até o aeroporto de El Porvenir (PVE). A única companhia comercial que oferece esta rota é a Air Panamá, mas os voos não estão disponíveis todos os dias.

A forma mais comum é uma viagem de 2h30 de carro saindo da capital até os portos de Barsukun ou Cartí + uma travessia de barco que pode durar de 10 a 30 minutos.

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Malta: cenário de cinema no meio do Mediterrâneo

O Mochileza não é um blog apenas meu. É também dos leitores e amigos que prestigiam com a leitura e também com colaborações. Este post é a primeiro post convidado…

O Mochileza não é um blog apenas meu. É também dos leitores e amigos que prestigiam com a leitura e também com colaborações. Este post é a primeiro post convidado que a gente recebe. E é uma colaboração muito especial. A Gabriela Lisbôa é uma grande amiga, jornalista gaúcha que conheci no Recife e hoje mora em São Paulo. Em 2016, logo depois de se mudar de Pernambuco, ela fez um intercâmbio em Malta. A única coisa que eu conhecia sobre essa ilha era que a seleção de futebol sempre foi saco de pancadas nas eliminatórias da Copa do Mundo ou da Euro. Graças à Gabi, pude ver que naquele pedacinho de terra no meio do Mar Mediterrâneo, há um lugar daqueles que precisamos conhecer antes de morrer.

Espero que curtam os relatos da Gabi tanto quanto eu curti!

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Em Malta, a Gabi foi à Azure Window, uma locação emblemática de Game of Thrones. Foto: Arquivo pessoal

Em Malta, a Gabi foi à Azure Window, uma locação emblemática de Game of Thrones. Foto: Arquivo pessoal

Eu adoro cinema! E quem não gosta? Imagine, então, a minha surpresa quando a escola onde eu faria intercâmbio de um mês me enviou o perfil da senhora que iria me hospedar em Malta: dona Yvonne estava na casa dos 70, aposentada, passou muitos anos trabalhando como figurinista de grandes estrelas de cinema! Como assim??? Foi aí que eu descobri que a ilha já foi cenário para mais de 100 filmes e séries!

Gabi entre dona Yvonne (esq) e uma colega de intercâmbio

Gabi entre dona Yvonne (esq) e uma colega de intercâmbio

Por que Malta?

Muita gente com quem eu converso nunca ouviu falar sobre Malta, então me deixa falar um pouco sobre esse pequeno paraíso antes de falar de cinema… Malta é uma ilha (na verdade um arquipélago) bem pequena. Tem pouco mais de 300km² e com 400 mil habitantes. Hoje é um país independente, parte da União Europeia, mas foi colônia britânica até 1964. Por isso o inglês é a língua oficial, junto com o maltês.

O que me fez escolher Malta para estudar foi a proximidade com a Itália e os possíveis finais de semana mangiando pasta e pizza! O que eu não sabia era que a localização de Malta não era estratégica só para mim. Em mais de 7 mil anos de história, a ilha foi dominada por diferentes povos: fenícios, árabes, romanos, franceses, espanhóis e, claro, britânicos, entre outros.  Por todos os lados existem construções e ruínas de todas essas culturas, prato cheio para quem procura cenários de época, isso sem contar nas praias… Acho que dizer que são cinematográficas é uma pieguice permitida!

As principais praias já foram bem exploradas pelo cinema. Quem não se lembra do filme A Lagoa Azul, clássico dos anos 80? Algumas cenas foram gravadas na Blue Lagoon, em Comino, uma ilha que faz parte do arquipélago. Acredite: a água é exatamente como aparece no filme, transparente, com areia branca, um sonho!

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Brooke Shields esteve aqui e a Sessão da Tarde sabe bem. Foto: Gabriela Lisbôa

Para chegar lá você só precisa pegar o ferry boat no porto de Cirkewwa. Dá uns 30 minutos de viagem e o meu conselho é chegar cedo. A praia fica lotada depois das 11 da manhã. Eu peguei o primeiro ferry, às 9 da manhã no verão, e fiquei praticamente sozinha lá a manhã toda. O ticket custa dez euros ida e volta. E é bom se certificar dos horários antes de embarcar, eles mudam durante o ano. Comino também foi cenário de outro filme: O Conde de Monte Cristo, de 2002. A bastilha onde o conde ficou preso continua lá.

Brad Pitt, Angelina Jolie e Russell Crowe

Voltando a falar em dona Yvonne, eu fiquei quatro semanas na casa dela e quase morri de inveja do álbum de fotografias que ela tem na sala. Uma das figuras recorrentes é o Brad Pitt, que esteve por lá em 2004 para gravar Tróia. O cenário foi o Fort Ricasoli, um complexo militar do século 17. Muitas construções na região são até mais antigas que Tróia, mas a produção achou melhor construir uma cidade cenográfica em uma área de 40.500m² dentro do forte.  Esse forte é quase um vilarejo e quem também apareceu por lá foi Russell Crowe, no ano 2000, para gravar cenas do Gladiador.

O Fort Ricasolli. Foto: Gabriela Lisbôa

O Fort Ricasolli. Foto: Gabriela Lisbôa

Brad Pitt ainda voltou à Malta para gravar À Beira Mar, filme dirigido pela então esposa Angelina Jolie, em que os dois fazem o papel de um casal em crise. Durante as filmagens, a família toda ficou na ilha de Gozo, em uma casa de pedra alugada perto das 3 locações: um restaurante, um hotel e uma praia chamada Mgarr ix-Xinin Bay. Inclusive, essa praia foi fechada para as gravações.

Gozo é uma ilha menor do que Malta, mas maior do que a vizinha Comino – as duas são bem próximas e você chega em Gozo do mesmo jeito que chega em Comino. Só não cometa o erro de reservar um dia para as duas. É possível, mas é pouco.

Alan Parker e Robin Williams

Se você perguntar pra Yvonne qual é o filme em que ela mais gostou de trabalhar, ela nem pisca antes de responder. É O Expresso da Meia-noite, de 1978. E ainda conta, toda orgulhosa, que ficou amiga do diretor, Alan Parker. E isso é verdade, ele esteve na ilha durante minha viagem para um festival de cinema e ficou feliz em reencontrá-la.

Provavelmente você não lembre, mas em 1979 uma jovem promessa chamada Robin Williams gravou seu primeiro longa metragem, Popeye. E adivinha onde foi construída a pequena cidade em que os personagens viviam? Exatamente, em Malta. A Popeye Village  ainda existe. Os próprios moradores assumiram a conservação das casinhas coloridas feitas em madeira, uma vila de pescadores que virou um parque aquático com entrada gratuita. E você ainda pode encontrar os personagens da turma do Popeye e assistir filmes e desenhos animados. Tem até um documentário que conta como o lugar foi construído.  O interessante é que a ilha não tem madeira. O material foi importado e tudo foi feito em seis meses. A vila só não abre no inverno, no mês de dezembro. O filme não foi um sucesso, mas a vila merece uma visita.

Confira aqui o site da Popeye Village.

Popeye´s Village. Foto: Alexander Vershinin/Shutterstock

Popeye´s Village. Foto: Alexander Vershinin/Shutterstock

Winter is coming

Malta foi cenário para muitas outras produções, como o Código Da Vinci, Fúria de Titãs e The Crown – série que estreou em novembro de 2016 no Netflix. Mas os lugares que eu mais gostei de ver foram os que serviram de cenário para Game of Thrones. Sou fã da série e quase me senti uma Stark andando pelas ruas estreitas da cidade medieval Mdina, a antiga capital da ilha. A emoção já começa no portão da cidade, que é o porto de Porto Real. Do ladr de dentro você ainda vai encontrar uma casa bem familiar… É o bordel do Lord Baelish, que fica na Piazza Mesquita.

A cidade de Mdina. Foto: Gabriela Lisbôa

A cidade de Mdina. Foto: Gabriela Lisbôa

Mdina parou no tempo. A cidade, que tem o melhor bolo de chocolate da ilha, é chamada de cidade silenciosa, e é silenciosa mesmo! Tive a impressão que todo mundo sussurra por lá. Eu fui à tarde e fiquei até a noite, quando a iluminação dá um charme especial às casas de pedra. Se você pretende jantar por lá, prepare-se! Os restaurantes são ótimos, mas caros.

A produção de GOT também usou o Fort Ricasolli e o Convento Dominicano. Mas a locação mais bonita, sem dúvidas, é a Azure Window, que fica em Gozo. Lá foi gravado o casamento de Daenerys Targaryen e Khal Drogo. O lugar tem uma rocha de 50 metros em forma de arco, como se realmente fosse uma janela para o mar. É lindo e apresar da água ser gelada, aposto que você vai querer dar um mergulho. Quando você chega em Gozo, pode pegar um ônibus para a Azurre, o ticket é o mesmo usado em Malta.

A Azure Window, em Gozo. Foto: Gabriela Lisbôa

A Azure Window, em Gozo. Foto: Gabriela Lisbôa

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A cena de Game Of Thrones por lá

E se você ainda tiver tempo, pode tentar descobrir onde foram gravados tantos outros filmes nessa pequena ilha. Ou simplesmente escolher uma praia e relaxar antes do jantar típico maltês: coelho e vinho branco produzido na região.

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1 comentário em Malta: cenário de cinema no meio do Mediterrâneo

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