Mochileza

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Roteiros e viagens de mochila sem sufoco

Tag: gastronomia

O que fazer em Pipa: praias, gastronomia e muito mais

Você já leu aqui no Mochileza como planejar a sua viagem a Pipa. Como chegar, quando ir e outras informações fundamentais antes de embarcar. Agora é hora de conhecer a…

Você já leu aqui no Mochileza como planejar a sua viagem a Pipa. Como chegar, quando ir e outras informações fundamentais antes de embarcar. Agora é hora de conhecer a região e saber quais as principais praias e atrações.

Quando chegar ao Rio Grande do Norte, tem uma coisa curiosa que você vai descobrir: não existe uma Praia de Pipa propriamente dita. O nome internacionalmente conhecido é o do vilarejo pertencente ao município de Tibau do Sul, a 85 quilômetros de Natal.

Este trecho do litoral potiguar tem cerca de 20 quilômetros de atrações. Além das praias, Pipa tem trilhas, falésias e santuários ecológicos. É muita coisa para ver e fazer! Dá para ir várias vezes sem enjoar. Confira os principais atrativos e programe os detalhes da sua viagem!

Praia do Centro

É a praia de mais fácil acesso em Pipa. Como o nome denuncia, ela fica no centro do vilarejo, bem junto da rua principal (a avenida Baía dos Golfinhos). Dá para chegar de carro também, já que há estacionamentos próximos.

Na Praia do Centro, o mar não tem ondas e a água forma piscinas naturais na maré baixa. Há muitos restaurantes à beira-mar, com mesas e cadeiras na areia. Por isso e pela facilidade do acesso, a praia costuma ficar lotada em feriados prolongados.

 

Praia do Amor

Foto: Leonardo Aquino

 

Se você gosta de um pouco mais de privacidade, a Praia do Amor é onde Pipa começa a falar a sua língua. O acesso é mais complicado. É preciso descer pelas escadarias em alguns trechos das falésias. Outra opção é uma caminhada de cerca de 10 minutos a partir da Praia do Centro. Por isso, não é muito indicada para pessoas com dificuldade de locomoção ou que viajam com crianças de colo.

O mar é um pouco mais agitado e forma ondas que fazem da Praia do Amor um bom point para os surfistas. Há algumas barracas que servem petiscos e bebidas. Mas a areia não está tão tomada pelos barraqueiros quanto na Praia do Centro.

 

Baía dos Golfinhos

É onde Pipa encontra Cancún, guardadas as devidas proporções. Não é que seja possível tirar fotos dando um beijo nos golfinhos como no balneário mexicano, mas eles nadam bem perto da orla. Como a água é calminha, é um ótimo lugar para um banho de mar.

O acesso é a pé, a partir da Praia do Centro. A caminhada é de cerca de 15 minutos. Mas atenção: fique de olho na tabela das marés. Só dá para chegar à Baía dos Golfinhos quando a maré estiver seca ou secando.

 

Praia do Madeiro

Foto: Leonardo Aquino

 

É uma das praias mais badaladas da região, ainda que o acesso não seja tão fácil. Fica a 4 quilômetros do centro de Pipa e ainda tem uma recepção nada convidativa. É preciso descer uma escadaria de 170 degraus a partir do Bar do Jegue. Ou seja: bem complicada para quem tem dificuldades de locomoção ou é portador de deficiência.

Praia de Pipa, Praia do Madeiro

Acesso à Praia do Madeiro, em Pipa. Vai encarar? Foto: Leonardo Aquino

 

A infraestrutura é uma das melhores de Pipa, com várias barracas e restaurantes. Há até um hotel com um acesso particular à praia (o Village Natureza). O mar é calmo, mas tem ondas num tamanho suficiente para surfar. Há inclusive instrutores que dão aulas de surfe na Praia do Madeiro para quem quiser ser Gabriel Medina por um dia.

 

Praia da Cacimbinha

Mirante da Cacimbinha. Foto: Leonardo Aquino

 

É o ponto onde você vai tirar uma das fotos mais bonitas da sua viagem à Praia da Pipa. Na estrada, à beira da falésia, o Mirante da Cacimbinha tem uma vista apaixonante. Do outro lado da estrada, há dunas de pequeno porte. Chegar até a praia propriamente dita é que são elas. É preciso descer pela falésia. O hotel Pipa Privilege tem uma escadaria que também dá acesso.

A Praia da Cacimbinha não é muito amigável para o banho de mar. Mas para quem pratica esportes de aventura, é altamente convidativa. Por causa dos ventos e das ondas, é muito procurada por adeptos do kitesurf. No topo da falésia, perto da estrada, também é possível fazer voos de parapente.

 

Tibau do Sul (Praia do Giz e Lagoa Guaraíras)

Barracas na Praia do Giz. Foto: Leonardo Aquino

 

O município-sede de Pipa também tem seus atrativos, seja de água doce ou de água salgada. Na Lagoa Guaraíras, são feitos passeios de barco em que os golfinhos são vistos de perto e onde se contempla o pôr-do-sol mais bonito da região (pelo menos é o que se costuma dizer). Também é de lá que sai uma balsa até Natal. O ponto de embarque e desembarque do outro lado é a praia de Barra do Tabatinga, em Nísia Floresta.

Praia do Giz. Foto: Leonardo Aquino

 

A água da lagoa encontra com a do mar na Praia do Giz. É uma ótima praia para ir com crianças, já que vários laguinhos são formados quando a maré seca. Além disso, de todas as praias da região, é a que tem a melhor acessibilidade. A partir do momento em que você desce do carro ou da van, é tudo plano. O local também é bem servido de barracas de praia e restaurantes.

 

Outras praias

A região também tem a Praia das Minas (deserta e de acesso difícil), a de Sibaúma (acesso fácil e preços mais em conta), Barra do Cunhaú e Baía Formosa.

 

Gastronomia

A avenida Baía dos Golfinhos e suas transversais concentram muitos restaurantes. É um ótimo passeio noturno em Pipa. Foto: Leonardo Aquino

 

Pipa concentra em suas ruas estreitas e ladeiras íngremes uma variedade gastronômica que deixaria muitas cidades com inveja. Num raio de menos de um quilômetro, estão concentrados restaurantes de culinária italiana, espanhola, japonesa, argentina, tailandesa e muito mais. Isso sem contar, claro, na comida de praia: peixe e frutos do mar. Juro a você: em Pipa, gosto mais da gastronomia do que das praias. Pode me julgar!

Em geral os preços são de médios para caros. Você vai encontrar os maiores ágios em restaurantes com um perfil mais genérico ou praiano. Na nossa última viagem a Pipa, em março de 2018, chegamos a ver um que cobrava mais de 100 reais por um strogonoff para duas pessoas. Um absurdo!

O curioso é que alguns dos restaurantes mais sofisticados cobram preços mais justos. Não que sejam pratos exatamente baratos. Mas são estabelecimentos que passam tranquilamente no teste da pergunta: essa refeição custaria o mesmo preço numa cidade não-turística?

Sendo assim, aqui vão as nossas principais dicas de onde comer em Pipa.

Dall’Italiano

Foto: Leonardo Aquino

 

Uma cantina italiana puro sangue em pleno litoral do Nordeste brasileiro. Os ingredientes são rigorosamente escolhidos e vindos diretamente da Itália. As pizzas (são cerca de 70 sabores) são no padrão original, tanto no tamanho quanto na espessura da massa. E a variedade das massas também é bem ampla, com a presença de algumas massas difíceis de encontrar por aí, como o bigoli negro.

O Dall’Italiano fica na rua principal de Pipa, a avenida Baía dos Golfinhos. Quase sempre está lotado. Portanto, não vai ser surpreendente se você precisar encarar uma fila de espera. Abre apenas para o jantar.

 

Aprecíe

Foto: Leonardo Aquino

 

Cozinha contemporânea e cardápio de bistrô. É a forma mais resumida de definir o Aprecíe. Ele tem referências de nouvelle cuisine e das gastronomias oriental e mediterrânea. O restaurante é um dos mais jovens de Pipa. Foi criado em 2015 pelo chef potiguar Ricardo Rudney, que já tinha experiência de montar o cardápio de outros restaurantes e pousadas em Pipa.

Os preços são justos para um restaurante dessa categoria. A maioria dos pratos principais fica entre 40 e 50 reais (valores de março de 2018). O espaço é pequeno, com capacidade para cerca de 30 pessoas. Em dias mais concorridos, é melhor chegar cedo ou reservar.

 

Nativos Bar

Foto: Leonardo Aquino

 

Um lugar classudo e sofisticado especializado em drinks. Não só os clássicos como caipirinhas, mojitos e daiquiris. Mas também coquetéis autorais e outros com combinações tão improváveis quanto deliciosas. Foi lá que aprendi que dá pra fazer caipirosca de melancia ou de banana – e o resultado é incrível! O ambiente também é muito bonito e agradável. Há algumas mesas que têm almofadas no lugar das cadeiras, para quem quiser se esparramar confortavelmente.

Foto: Leonardo Aquino

 

Mas é preciso dar alguns alertas. O Nativos não aceita cartões, nem de crédito nem de débito. E o bar também não tem cozinha. No cardápio, há alguns petiscos estilo finger food. Ou seja, é melhor ir até lá no aquecimento da sua noite ou no “after”. O Nativos não tem site nem página no Facebook. Fica na avenida Baía dos Golfinhos, 748.

 

Real de 14

Depois que for à Praia da Pipa pela primeira vez, vai perceber que uma caminhada na vila não é a mesma sem um sorvete da Real de 14. A sorveteria foi criada por argentinos e hoje é administrada por portugueses. A mudança na gestão não mexeu na qualidade dos sorvetes: cremosos, deliciosos e de sabores muito variados.

São mais de 50 opções, das tradicionais às criações próprias. As frutas regionais têm lugar cativo nos freezers. Há também sorvetes inspirados em bebidas alcoólicas (whisky e caipirinha), misturas tropicais (coco com gengibre, por exemplo) e os funcionais (feitos com biomassa de banana). Todos produzidos ali mesmo, em Pipa. A Real de 14 também tem uma loja em Natal, em Ponta Negra.

 

Terra Nostra / Padaria Central

Gastronomia, Praia da Pipa

Carpaccio de polvo no Terra Nostra, um dos bons restaurantes de Pipa. Foto: Leonardo Aquino

 

Os italianos estão em peso em Pipa e o Terra Nostra é outra boa opção. Não apenas pelas massas e pizzas, mas também pelos pães e doces da Padaria Central, que funciona no mesmo ponto. No restaurante, um prato que sempre comemos é o carpaccio de polvo. Na padaria, as especialidades são os croissants e strudels.

Outros lugares bem recomendados

É preciso ir à Praia da Pipa dezenas de vezes para experimentar tudo o que a gastronomia de lá tem a oferecer. Portanto, sempre tem algum lugar que falta conhecer. No nosso caso, a principal ausência da lista é o Tapas. Um dos restaurantes mais famosos da vila, o Tapas estava fechado nos últimos dias em que tentamos ir lá. Sua cozinha de inspiração espanhola e contemporânea é sempre muito elogiada. Outros lugares que estão na nossa mira para as próximas viagens são as churrascarias Tchê André e El Farolito e o tailandês Wattana.

Passeios

A variedade é gigantesca! Buggys, quadriciclos, kitesurf, parapente, circuito de arvorismo, catamarãs, mergulhos… A agência Pipa Aventura, que fica na avenida Baía dos Golfinhos, organiza muitos desses passeios e é a empresa mais bem recomendada. Outras indicações podem ser encontradas no Guia Pipa, que é distribuído em todos os hotéis e tem sua versão online no site www.pipa.tur.br.

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O voo direto Fortaleza-Amsterdam + 6 dicas da capital holandesa

Amsterdam está mais perto de quem mora no Nordeste do Brasil! O que já parece óbvio no mapa múndi vai ganhar sentido também na malha aérea. A partir de 3…

Amsterdam está mais perto de quem mora no Nordeste do Brasil! O que já parece óbvio no mapa múndi vai ganhar sentido também na malha aérea. A partir de 3 de maio de 2018, a KLM inaugura um voo direto para a capital holandesa, partindo de Fortaleza. É mais uma opção para chegar à terra das tulipas e de Van Gogh. E com uma rota que pode incrementar ainda mais os seus planos de férias.

amsterdam museumplein

A foto no famoso letreiro agora está a pouco mais de 9h de voo de Fortaleza. Foto: Leonardo Aquino

O voo direto Fortaleza-Amsterdam foi anunciado em setembro de 2017 pela Air France (que controla a KLM desde 2011). A novidade chegou junto com a implantação de um hub da companhia na capital cearense (que também receberá voos para Paris a partir de maio de 2018). A notícia agrada em cheio a quem mora no Norte e no Nordeste. Com a nova rota, os passageiros têm mais uma opção para voar rumo à Europa sem descer até Guarulhos ou Galeão.

(Temos um post completinho com todos os voos diretos para o exterior partindo do Norte e do Nordeste. Já conferiu?)

Serão três saídas semanais. Sempre às segundas, quintas e sábados. O voo sai de Fortaleza sempre às 19h50 e chega às 10h locais do dia seguinte. Na volta, a saída é às 12h50 e a chegada no Ceará, às 17h20. A duração é de pouco mais de 9 horas (três a menos que os voos saindo de Rio ou São Paulo). A aeronave utilizada nesta rota será a Airbus A330, com capacidade para 268 passageiros.

As passagens já estão à venda e é possível encontrar preços bem competitivos. Tirando julho, o ápice da alta temporada, dá para encontrar bilhetes por cerca de R$ 2300, ida e volta. Isso porque ainda não pintou nenhuma grande promoção.

amsterdam klm

Outro atrativo é a parceria do grupo Air France/KLM com o programa de fidelidade Smiles. Se você voar na KLM, pode pontuar no Smiles. Ou ainda pode resgatar passagens da companhia holandesa com pontos Smiles. Eu mesmo já me beneficiei dessas parcerias entre as companhias. Na minha viagem à Europa em junho de 2015, resgatei um voo de Berlim a Amsterdam pela KLM por 7500 pontos Smiles. Uma pechincha!

Confira aqui as regras de pontuação da KLM no programa Smiles.

Para instigar você ainda mais a conhecer Amsterdam, separei algumas dicas da cidade. Tem lugares para beber, visitar e se emocionar. Anote aí!

Casa de Anne Frank

A entrada doo Anexo Secreto da Casa de Anne Frank. Foto: Photo Collection Anne Frank House

Quem acompanha o Mochileza sabe que sempre procuro fugir da mesmice na hora de dar dicas. Mas desta aqui não dá pra escapar. A visita à Casa de Anne Frank não é qualquer passeio. É uma experiência fundamental para compreender os horrores da guerra e da intolerância.

Muito provavelmente você já ouviu falar em “O Diário de Anne Frank”. É um best-seller mundial, traduzido para 70 idiomas. Conta a história de uma adolescente alemã de origem judia cuja família se escondeu da perseguição dos nazistas em Amsterdam. Os refúgios dos Frank eram cômodos secretos de uma loja. E o esconderijo virou um dos museus mais concorridos da Europa.

amsterdam anne frank house

Você sempre vai ver filas deste tamanho na Casa de Anne Frank. Foto: Photo Collection Anne Frank House

As multidões intermitentes em frente à Casa de Anne Frank se devem à preservação da casa como ela era durante a Segunda Guerra. Corredores apertados, escadas estreitas e cômodos modestos. O imóvel não suportaria receber ao mesmo tempo todos os visitantes interessados em sua história. Mas encare essa fila se for preciso. Trechos do diário estão reproduzidos em cada cômodo. O destaque é o Anexo Secreto, cujo acesso se dá através de uma prateleira móvel. Imaginar como era a vida dos Frank durante a perseguição é arrepiante.

Para poupar tempo, convém comprar o ingresso antecipadamente pela internet. Durante o período de reforma do museu (até janeiro de 2018), a venda será exclusivamente online, com hora de visita marcada. O site da Casa de Anne Frank tem uma versão em português. Ah, um detalhe importante: é proibido tirar fotos no interior da casa.

Brouwerij ‘t IJ

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Foto: Leonardo Aquino

Ainda não aprendi a pronunciar o nome aparentemente impronunciável desta cervejaria. Decidi chamá-la, portanto, de “cervejaria do avestruz”, graças ao simpático mascote de sua logomarca. Esta é uma opção para quem gosta de cerveja e quer fugir do hypado passeio da Heineken Experience (sobre o qual escrevi neste post).

Em seu site, a Brouwerij ‘t IJ tem 33 rótulos autorais. Alguns são sazonais e estão esgotados. Mas a maioria pode ser encontrada no bar da cervejaria, seja em garrafas ou nas torneiras. No brew pub, você pode harmonizar as cervejas com queijos curados ou salsichas cruas. É um lugar ótimo para beber no fim da tarde. O problema é que os muitos nativos e turistas também sabem disso. Nos horários de pico, conseguir um lugarzinho pra escorar a caneca é difícil.

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Foto: Leonardo Aquino

Dependendo do dia em que você estiver na cidade, dá para fazer um tour pela fábrica. Eles são realizados às sextas, sábados e domingos e custam 5,50 euros por pessoa. O ingresso dá direito a uma cerveja no bar. Outras informações no site da cervejaria.

 

Biblioteca Pública de Amsterdam

A vista do terraço da biblioteca. Foto: Leonardo Aquino

Se você imagina um ambiente empoeirado e antiquado quando se fala em biblioteca pública, Amsterdam vai fazer você mudar de ideia. A sede principal da OBA (sigla para Openbare Bibliotheek Amsterdam) parece mais uma megastore, tipo Fnac. O lugar tem uma arquitetura moderna e funcional, além de um acervo maravilhoso. Não apenas de livros, mas também de filmes e discos. Tudo está disponível para quem é sócio e paga uma taxa de 42 euros por ano.

Mas, como costumamos estar apenas de passagem por Amsterdam, a biblioteca pública tem outra recompensa para seus visitantes: o terraço, onde fica um café-restaurante. De lá, você tem uma das melhores vistas possíveis da capital holandesa. Se você estiver com o dinheiro contado, pode ficar tranquilo que ninguém vai te cobrar nada para ficar lá contemplando.

A Biblioteca Pública de Amsterdam fica no centro da cidade. É bem próxima da estação Centraal e do museu de ciências Nemo.

 

Amsterdam Arena

Foto: Leonardo Aquino

A Holanda já teve o melhor time de futebol do mundo em algumas ocasiões. O Ajax, principal equipe do país, foi campeão europeu e mundial nas décadas de 70 e 90. Além disso, o clube foi vanguardista na modernização dos estádios. Inaugurada em 1996, a Amsterdam Arena antecedeu um padrão de arquitetura, conforto e tecnologia nas arenas de nível mundial. E mesmo com mais de 20 anos de idade, segue entre as melhores do planeta.

A visita à Amsterdam Arena é daqueles tours clássicos em estádios de futebol. Passa pelos vestiários, sala de imprensa, hall da fama, galeria de troféus e a beira do campo. O final, claro, é na lojinha oficial, onde você pode comprar de uniformes oficiais a baralhos do Ajax.

amsterdam arena

Foto: Leonardo Aquino

Ainda que tenha uma estação de trem bem em frente, a Amsterdam Arena fica um pouco afastada do centro da cidade. Ou seja, é fora de mão para combinar com algum outro passeio. Portanto, se você não é tão fanático por futebol assim, é bom pensar duas vezes antes de incluir esta programação no seu roteiro.

Outras informações no site da Arena.

 

Comprar queijo para trazer para casa

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Foto: Leonardo Aquino

Na Holanda, você estará cercado de queijo por todos os lados. Maturados, envelhecidos, orgânicos, curados, de vaca ou de cabra: os caras conhecem do riscado. Em Amsterdam, você encontrará uma oferta gigantesca de queijo em supermercados e feiras de rua. Mas se quiser trazer para o Brasil, é indispensável que você compre pedaços embalados a vácuo. As principais lojas do centro de Amsterdam estão bem servidas de queijo “ready to fly”. Experimente a De Kaaskamer, a Cheese Museum ou a Reypenaer (que também oferece oficinas de degustação)

 

 

Zaanse Schans

zaanse schans

Foto: Leonardo Aquino

É uma espécie de híbrido entre parque temático e museu a céu aberto. Este bairro da cidade de Zaandam, 15 quilômetros ao norte de Amsterdam, tem um “menu degustação” da Holanda clássica. Moinhos de vento? Check. Tamancos? Check. Queijos? Check. Tudo isso num espaço bem concentrado. Os moinhos são abertos a visitação, assim como grande parte das casinhas coloridas. Algumas delas funcionam como pequenos museus que contam a história de algum desses elementos do estereótipo holandês.

Se você não tiver implicância com passeios “cenográficos”, esta é uma ótima pedida. Especialmente em dias de sol e tempo bom. Vai ser difícil tirar uma foto feia por lá.

Para chegar a Zaanse Schans, é só pegar um ônibus na estação Amsterdam Centraal. Eles saem a cada meia hora e chegam em cerca de 40 minutos.

 

Veja também:

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Cinco coisas para fazer na Estação das Docas em Belém

Quem vai a Belém costuma receber duas dicas de passeios. Os moradores da cidade sempre sugerem um fim de tarde na “Estação”, com beira de rio e pôr do sol….

Quem vai a Belém costuma receber duas dicas de passeios. Os moradores da cidade sempre sugerem um fim de tarde na “Estação”, com beira de rio e pôr do sol. Os turistas que já andaram por lá indicam um happy hour nas “Docas”, com chopinho de qualidade e petiscos regionais. O melhor de tudo é que as duas dicas apontam para o mesmo destino: a Estação das Docas.

Costumo desconfiar de dicas “obrigatórias”, mas esta compensa. Na Estação das Docas, é possível ter uma espécie de “menu degustação do Pará” ao longo de 32 mil metros quadrados. Gastronomia, natureza, cultura… tem tudo lá. E o local está acessível a todos os bolsos. Há desde shows gratuitos até restaurantes refinados.

Inaugurada em 2000, a Estação das Docas teve o projeto inspirado no Puerto Madero de Buenos Aires. Ela fica numa região portuária de Belém que estava desativada no final do século passado. Três galpões foram revitalizados e transformados em uma janela para a Baía do Guajará. Além disso, foram instalados restaurantes, bares, lojas, palcos para as mais diversas manifestações artísticas e um auditório que também funciona como cinema e teatro.

Foto: OS Pará 2000

A ideia foi tão bem sucedida que se transformou na principal atração turística de Belém. A circulação de pessoas ultrapassa a marca de 1 milhão por ano, entre turistas e moradores da cidade. O projeto também ajudou a inspirar iniciativas semelhantes em outras cidades brasileiras, como os Armazéns do Porto, no Recife.

Mas, afinal, o que é tão imperdível assim na Estação das Docas? Resolvi criar essa lista com cinco coisas que sempre faço quando vou a Belém. Espero que as dicas sejam inspiradoras!

 

1) Tomar cerveja na Amazon Beer

Foto: Divulgação

Bem antes das cervejas artesanais virarem uma moda hypada, a Amazon Beer foi uma visionária. É um dos poucos estabelecimentos que está na Estação das Docas desde a inauguração. E trouxe para Belém a cultura de tomar um chope diferente daqueles que você encontra em todo canto.

A Amazon Beer produz oito tipos de cerveja, sendo seis delas com algum ingrediente regional na sua composição. A stout, por exemplo, é feita com açaí. A witbier, com taperebá (fruta que você talvez conheça como cajá na sua região). A red ale, com priprioca, uma raiz amazônica costumeiramente usada na indústria de cosméticos. Todas elas estão disponíveis em torneira e em garrafa (para tomar no bar ou levar para casa).

Unha de caranguejo for the win. Foto: Leonardo Aquino

Para acompanhar seu chopinho regional, a Amazon Beer tem um vasto cardápio de petiscos. Os campeões são a linguiça de metro e os pastéis de tacacá. Mas anote aí a dica esperta do Mochileza: unha de caranguejo. É um misto de bolinho e coxinha, recheado com carne desfiada e temperada de caranguejo. A da Amazon Beer é uma das melhores de Belém. Pode ir sem erro.

 

2) Fechar o cardápio de sorvetes da Cairu

Foto: Facebook/Cairu

A Cairu é outro top of mind entre as dicas de quem já conheceu Belém. É a sorveteria mais tradicional da cidade e tem como carro-chefe os sorvetes de frutas regionais. Algumas delas você já deve ter experimentado por aí, como açaí e cupuaçu. De outras você dificilmente ouviu falar, como uxi, sapotilha e muruci.

Há alguns sabores autorais com os ingredientes regionais que valem muito a pena. O carimbó, por exemplo, é um sorvete de castanha do pará com doce de cupuaçi. O paraense é açaí com farinha de tapioca.

Para quem quer fazer apostas seguras, a Cairu tem os clássicos. Chocolate, creme, frutas vermelhas e muitos outros. Mas vá por mim. Faça uma roleta russa do sorvete, escolha algum sabor pelo nome e faça uma experiência inédita para o seu paladar.

 

3) Fazer compras descoladas na Ná Figueredo

Foto: Facebook/Ná Figueredo

Ná Figueredo não é apenas um estabelecimento comercial. É uma marca que se confunde com a cena musical de Belém, com a realização de eventos e o lançamento de discos há quase 30 anos. O carro-chefe são as roupas e calçados, seja as criações próprias da loja ou peças de marcas como AMP, Blunt, Converse e Vans. Também há acessórios como brincos, anéis e pulseiras.

A música é outro ponto forte das prateleiras da Ná Figueredo. São centenas de discos e DVDs de artistas nacionais e internacionais, mas com destaque para músicos paraenses. Alguns deles foram lançados pelo selo da loja, o Ná Music.

Para conferir um pouco sobre o estilo da loja, confira a página da Ná Figueredo no Facebook.

 

4) Conhecer a orla de Belém num passeio de barco

Foto: Divulgação/Valeverde Turismo

Uma famosa canção de Paulo André Barata, compositor paraense, diz: “esse rio é minha rua”. A gente só se dá conta do sentido que ela faz quando conhece Belém e seus rios tão largos a ponto de não se ver a outra margem. Passear por esses caminhos fluviais é um grande programa para se fazer na cidade. E a Estação das Docas é um ponto de partida para vários roteiros desse tipo.

Na Estação, está localizado o trapiche da empresa Valeverde Turismo, que opera os passeios fluviais mais conhecidos de Belém. Numa embarcação tipicamente amazônica, os passageiros contemplam a natureza, a orla da cidade e ainda se entretêm com apresentações de música e danças regionais a bordo.

A Valeverde oferece sete tipos de passeios fluviais. Eles duram de 1h30 a 7h e alguns deles incluem refeições a bordo. Dá para ver as luzes da cidade no entardecer ou conhecer algumas das ilhas próximas a Belém. Nos passeios mais longos, é possível ter um contato bem próximo com a vida da população ribeirinha.

Confira no site da Valeverde os perfis de cada um dos passeios realizados pela empresa.

 

5) Pegar um cinema

Um dos espaços internos da Estação das Docas é o teatro Maria Sylvia Nunes. Nele, são realizados eventos públicos e privados. Mas a sala também recebe o projeto Cine Estação. A programação de cinema foge do circuito comercial e traz títulos alternativos ou clássicos de várias épocas. É comum ver na programação mostras temáticas e filmes que emplacaram em festivais internacionais.

Para acompanhar a programação do Cine Estação, confira a página da Estação das Docas no Facebook.

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Lyon: uma cidade que vai te ganhar pelo estômago

Direto ao ponto: come-se MUITO bem em Lyon. A cidade é uma referência internacional na gastronomia, graças aos seus chefs renomados e restaurantes repletos de estrelas Michelin. Não é preciso…

Direto ao ponto: come-se MUITO bem em Lyon. A cidade é uma referência internacional na gastronomia, graças aos seus chefs renomados e restaurantes repletos de estrelas Michelin. Não é preciso muito esforço para encontrar uma boa refeição na cidade. Em Vieux Lyon e na região da Presqu’Île, dá para você escolher o lugar onde vai almoçar/jantar na base do uni-duni-tê. E com pouquíssimas chances de errar.

A tradição da cozinha vem do século 19, com a origem das Mères Lyonnaises. Eram mulheres que trabalhavam como cozinheiras nas casas de famílias burguesas. Elas se propunham a preparar pratos com ingredientes baratos e típicos da região. No período entre guerras, que coincidiu com a Grande Depressão de 1929, as Mères Lyonnaises viraram empreendedoras. Abriram seus restaurantes e começaram a construir a reputação da gastronomia da cidade.

Com a simplicidades das Mères, nasceu outra tradição: a dos bouchons. Este nome é dado aos restaurantes típicos de Lyon, que precisam atender a algumas características. Toalhas de mesa xadrez, decoração pitoresca, ambiente quase residencial, bom atendimento e pratos típicos. Apenas 22 restaurantes são reconhecidos como autênticos bouchons lyonnais por uma associação ligada ao ente turístico da cidade. A lista completa está aqui: http://lesbouchonslyonnais.org/

A logomarca que você vai encontrar nos bouchons legítimos


Mas há muitos bons restaurantes em Lyon, ainda que não tenham o selo oficial dos bouchons. Vou listar alguns onde comemos na nossa viagem em fevereiro de 2016.

Bouchon des Cordeliers

Obedece às tradições dos bouchons, mas não tem o selo oficial. Sofisticado e acolhedor, tem um cardápio repleto de especialidades lyonnaises. O restaurante oferece dois menus com entrada + prato principal + queijo ou sobremesa. O menu des canuts custa € 26,50 e dá direito a escolher qualquer item do cardápio. O menu des gones custa € 19,50 e tem opções mais limitadas.

Foto: Divulgação

De entrada, a Janaína escolheu o Saumon Gravelax, que é uma espécie de carpaccio de salmão curado com creme de cebolinha e presunto de parma. Eu fui na Salade Lyonnaise, que além das folhas, tinha cubos de carne de porco frita! Se você procura uma salada fitness, pule esse prato!

A salada lyonnaise do Bouchon des Cordeliers

Saumon Gravelax do Bouchon des Cordeliers. Foto: Leonardo Aquino

Pratos principais: a Janaína foi de salmão outra vez. Um salmão assado com risoto de lula feito de arroz negro. Espetacular! Foi a melhor refeição da viagem. Minha escolha foi mais sem graça: uma carne grelhada com molho de vinho do Porto. Muito boa, mas não tão deliciosa quanto o salmão.

O salmão com risoto de arroz negro, o prato campeão! Foto: Leonardo Aquino

Foto: Leonardo Aquino

De sobremesa, a Janaína foi de uma torta de pralinê com sorvete de creme. E eu, de crème brûlée. Nenhum dos dois foi inesquecível. Mas já estávamos bem satisfeitos com boa comida.

É bom fazer reserva para ir ao Bouchon des Cordeliers. Além de todos os contatos, o site do restaurante também tem o cardápio completo: http://www.bouchondescordeliers.com/

 

Les Halles de Lyon Paul Bocuse

É o mercado gastronômico da cidade. É batizado em homenagem a Paul Bocuse, o chef mais renomado de Lyon, que também é dono de várias brasseries na cidade. Pelos corredores de Les Halles, você vai encontrar um pouco de tudo. Queijos, vinhos, chocolates, carnes, peixes, frutos do mar… Tudo fresquinho e arrumado como se fossem vitrines de boutiques de shopping. Dá vontade de ter dois estômagos e recursos ilimitados para experimentar o máximo de coisas.

Foto: Leonardo Aquino

Há também vários restaurantes típicos. Para almoçar ou jantar, sempre há boas opções. Mas é bom consultar antes porque nem todos os locais têm o mesmo horário de funcionamento. O site do mercado é http://www.halles-de-lyon-paulbocuse.com/

Paul Bocuse homenageado num dos “murs paintés” de Lyon. Foto: Leonardo Aquino

Chez Les Gones

É um dos bouchons localizados em Les Halles de Lyon. Ele tem um balcão no piso térreo e um salão bem mais espaçoso no terraço. Também não possui o selo oficial dos bouchons, mas tem ótimos pratos típicos. Possui três tipos de menu. O Menu Bistrot (€ 19) tem entrada + prato principal ou queijo ou sobremesa. O Menu Des Gones (€ 23) tem entrada + prato principal + queijo ou sobremesa. O mais completo é o Menu Des Halles (€ 26,50), com entrada + prato principal + queijo + sobremesa.

Foto: Divulgação – Les Halles de Lyon

Só fiz o registro dos nossos pratos principais. A Janaína escolheu um tartare de carne. Muito bem servido e bem temperado! Eu fui numa das especialidades lyonnaises: a quenelle, uma espécie de bolinho de carne ou peixe. A carne ou peixe é processada e ligada com clara de ovo, nata, ovos ou manteiga e farinha. O sabor é o de uma massa recheada, como um ravióli. Mas com temperos bem típicos da França.

À direita, a famosa quennelle. Foto: Leonardo Aquino

O tartare de carne do Chez Les Gones. Foto: Leonardo Aquino

L’Un de Sens

Esse está mais para bistrô do que para bouchon. Ambiente sofisticado e atenção simples. Apenas dois funcionários (um na cozinha e outro no salão) e um menu bem enxuto. A opção de menu do dia é trazida num quadro escrito a giz pelo funcionário do salão. E há um ambiente bem interessante: a adega subterrânea, com jeito de caverna, onde você também pode sentar.

A cave do L’Un de Sens. Foto: Divulgação

Escolhi um prato que talvez seja mais nacional que regional: o magret de canard (peito de pato) assado, com uma redução de framboesa. Estava delicioso! A Janaína escolheu o prato do dia: um atum com molho de mariscos e legumes ao vapor. Disse que não estava tão bom assim. Não teve a mesma sorte…

O magret de canard do L’Un de Sens. Foto: Leonardo Aquino

Foto: Leonardo Aquino

Para ver o cardápio e outras informações sobre o L’Un De Sens, veja a página do restaurante no Facebook: https://www.facebook.com/Lundessens69/

 

Nord Sud Brasseries

Não chegamos a ir em nenhuma deles, mas vale o registro da dica. São os restaurantes mais “populares” do chef Paul Bocuse em Lyon. “Brasserie” é o nome dado a restaurantes com ambiente mais descontraídos (para os padrões franceses, claro). Os principais de Bocuse levam os nomes dos pontos cardeais, dependendo de onde ficam no mapa da cidade: Nord, Sud, Est e Ouest. Além disso, há outras quatro unidades, uma delas dentro do estádio do Olympique Lyonnais!

Brasserie des Lumières, dentro do estádio do Olympique Lyonnais! Foto: Divulgação


Cada uma das Brasseries Nord Sud tem seu cardápio específico dedicado a uma região da França. E todos têm cardápios de inverno e de verão. Então ir em épocas diferentes pode significar experiências completamente distintas. Todos os restaurantes oferecem menus fechados: € 23,10 para dois pratos e € 26,50 para três. O Juninho Pernambucano, quando deu suas dicas sobre Lyon, indicou a Brasserie L’Ouest, onde costumava ir quando morava na cidade.

Brasserie L’Ouest, a favorita de Juninho Pernambucano. Foto: Divulgação

Os endereços, cardápios e contatos para reservas de todas as brasseries do grupo estão no site: http://www.nordsudbrasseries.com/

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Bruxelas: roteiro de dois dias na cidade – parte 1

Bruxelas é um destino que costuma gerar opiniões bem opostas em seus visitantes. É difícil achar alguém que seja indiferente: a gente sempre ouve falar de gente que amou ou…

Bruxelas é um destino que costuma gerar opiniões bem opostas em seus visitantes. É difícil achar alguém que seja indiferente: a gente sempre ouve falar de gente que amou ou odiou. Tenho amigos que chamam a capital belga de “melhor cidade do mundo” e outros que só faltam protocolar em cartório a promessa de nunca voltar lá. Essas divergências sempre me deixaram curioso para tirar minhas próprias conclusões. E também foram um dos motivos que nos levaram a incluir a capital belga no nosso roteiro de viagem, além do chocolate, da cerveja e de outras razões explicadas neste post.

Na maioria dos blogs que consultei antes de viajar, Bruxelas aparece como um destino de transição. Sempre há sugestões de roteiros curtos vindas de pessoas que visitaram a cidade no meio de períodos mais longos entre Paris e Amsterdam. Um dos motivos para isso é o fato de Bruxelas ser pequena perto de outras capitais europeias. Também há de se convir que há menos atrações “must go” que em suas vizinhas mais requisitadas. Por outro lado, esse perfil é um prato cheio para quem gosta de descobrir a cidade (e seus segredos) por conta própria.

Uma coisa que me chamou a atenção em Bruxelas foi a boemia. Os bares estão sempre movimentados mesmo em noites frias, especialmente na região da Bourse. Como a Bélgica tem mais de mil variedades de cerveja, Bruxelas está sempre convidando seus visitantes a fazer um pub crawl: beber uma aqui e outra acolá é uma das formas de mergulhar no espírito da cidade.

Aliás, falando em cerveja, os belgas têm um costume que gostam de propagar aos forasteiros: primeiro comer, depois beber. É o que eles chamam de “tapisser l’estomac” (“forrar o estômago” em francês) ou “ne fond leggen” (“colocar a base”, em holandês). Entre as opções favoritas dos locais para esses trabalhos prévios, estão os caracóis (karakol), purê de batata com linguiça (stoemp-saucisse) e as espetaculares batatas fritas belgas.

Por sinal, as batatas merecem um parágrafo só para elas. Sério: dificilmente você vai encontrar fritas mais saborosas que as belgas. Depois de comê-las, você vai achar injusta a tradução “french fries” na língua inglesa. O segredo das fritas belgas é a metodologia do preparo. Antes de irem para a fritura, elas são assadas duas vezes em temperaturas diferentes em gordura animal. Na rua, elas são servidas em cones. Nos restaurantes, elas acompanham diversas refeições, entre elas o clássico belga moules frites (mexilhões com fritas).

Eu sei que você deve estar pensando que não combina. Mas vá por mim: experimente

A Janaína e eu passamos dois dias em Bruxelas, o que foi pouco tempo. Compartilho com vocês o nosso roteiro para ajuda-los, caso você também seja um visitante de passagem pela cidade.

OBS: todos os preços indicados neste post foram pesquisados em fevereiro de 2017. Em relação aos museus, eles correspondem ao valor do ingresso individual para adulto. Para preços detalhados, acesse os sites listados ao longo do post.

 

Dia 1

 

 

Depois de desembarcar no aeroporto, pegamos o trem no próprio terminal (como foi ensinado neste post) e descemos na estação Bruxelles Central. Como o próprio nome faz deduzir, ela fica bem perto do centro da cidade. Vimos no mapa que a distância até o apartamento onde nos hospedamos não era grande. Então encaramos uma caminhada de cerca de 20 minutos até lá.

Grand Place

No meio do caminho, fica o epicentro de Bruxelas: a Grand Place. O Lonely Planet diz que é a praça é um dos maiores conjuntos urbanos da Europa. Isso me deixou com muita expectativa, imaginando que eu teria o queixo caído à primeira vista. Talvez por esperar demais, eu tenha ficado com a sensação de que deve haver praças ainda mais bonitas nesse mundão.

De qualquer forma, em algum momento de sua visita a Bruxelas você deve passar pela Grand Place. Seja para usá-la como ponto de encontro ou para ir a alguma das atrações ao redor, que não são poucas! Primeiramente, as belíssimas fachadas dos prédios que circundam a praça. O que chama mais atenção é o da prefeitura (que em francês se chama Hôtel de Ville), datado do século 15. É possível fazer visitas guiadas em francês, holandês e inglês. O ingresso para adultos custa 5 euros e você confere mais informações aqui: http://www.bruxelles.be/artdet.cfm/5871

Interior da Hôtel de Ville de Bruxelas

Museus e comida

Ainda na Grand Place, dá para visitar o Museu da Cidade de Bruxelas (http://www.brusselscitymuseum.brussels, 8 euros), o Museu da Cerveja (http://www.belgianbrewers.be, 5 euros) e o Museu do Chocolate (http://choco-story-brussels.be, 6 euros). Além disso, há alguns bares, restaurantes e lojas de souvenir. Ah, e a praça também está cheia de descuidistas, sempre de olho em bolsos e bolsas abertos.

Depois da caminhada de reconhecimento, nosso almoço foi um pouco tardio. Praticamente um “almojanta”. Na dúvida entre vários locais ao redor da Grand Place, acabamos parando no The Purple Rose. Ele é um bar de tapas/pub que tem festinhas à noite e comida e drinks ao longo do dia. O que nos atraiu foi uma espécie de menu degustação de comida belga. Porções petisco de almôndegas, carbonade (um guisado de carne no molho de cerveja) e moules frites. Esse trio custou 15 euros, fora as cervejinhas belgas que tomamos para acompanhar.

Na Bélgica, faça como os belgas…

Mais tarde, veio a necessidade de tomar outra cervejinha. Estando na Bélgica, é bom fazer como os belgas… Segui uma dica que encontrei em algum blog durante a pesquisa para a viagem e paramos num bar de nome quase impronunciável para nós: Poechenellekelder. O lugar se define como o paraíso da cerveja belga. São 150 rótulos, entre cervejas em garrafa e em barril. É um casarão antigo, com uma decoração cheia de elementos aleatórios: bonecos, armas, placas, poemas pintados e instrumentos musicais. Fomos um pouco mal atendidos, mas vai que você tem mais sorte por lá. O site do bar (http://www.poechenellekelder.be/) tem uma página que permite fazer uma visita virtual a quatro ambientes.

Foto: Divulgação

Manekken Pis

A poucos metros do Poechenellekelder, um dos cartões postais de Bruxelas: o Manekken Pis. Você já deve ter pelo menos ouvido falar da estátua do garotinho fazendo xixi. E talvez alguém tenha dito a você que ela não tem nada de mais. Se você ouviu isso, este alguém está certo. A estátua é pequena e passaria despercebida se não fossem as dezenas de turistas tirando fotos o tempo inteiro. Nem os próprios belgas sabem ao certo explicar a história do mijãozinho. Só se sabe que a imagem original foi criada no século 17, mas foi levada ao museu da Prefeitura de Bruxelas nos anos 1960 depois de ser vandalizada.

Nosso roteiro continua no próximo post: Bruxelas – parte 2!

P.S.: Se você quiser mergulhar fundo em dicas de locais, tem um site que eu recomendo bastante: o Use It. Ele tem guias bem descolados de 30 cidades europeias (e de outras 7 em desenvolvimento). São indicações de passeios fora do lugar comum, sugestões de roteiros e até dicas de como compreender melhor o comportamento dos nativos da cidade. O guia Use It de Bruxelas está disponível neste link: https://www.use-it.travel/cities/detail/brussels/

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As dicas de Juninho Pernambucano para conhecer Lyon

Se tem um brasileiro que é reverenciado em Lyon, é Juninho Pernambucano. Quando era jogador de futebol, passou oito temporadas na cidade francesa. Ajudou a levar um clube que nunca…

Se tem um brasileiro que é reverenciado em Lyon, é Juninho Pernambucano. Quando era jogador de futebol, passou oito temporadas na cidade francesa. Ajudou a levar um clube que nunca havia sido campeão (o Olympique Lyonnais) a ganhar sete títulos nacionais consecutivos. Virou bandeira no estádio, ganhou música da torcida e conheço até gente que ganhou cortesia num restaurante de lá porque era nascido na mesma cidade de Juninho.

Isso não é pouca coisa. Primeiro pelo fato de que não são muitos os jogadores com uma carreira tão longeva e tão vitoriosa num único clube. Segundo porque Lyon não é qualquer cidade. É a terceira mais populosa da França e uma referência internacional em gastronomia. Tudo isso faz com que Juninho seja um baita personagem para conversar sobre turismo.

Juninho nasceu em Pernambuco, começou a carreira no Sport em 1993 e em 1995 se transferiu para o Vasco. No time carioca, passou cinco anos e meio. Conquistou dois títulos brasileiros e uma Libertadores antes de ser contratado pelo Lyon (como abreviamos o nome do Olympique Lyonnais no Brasil) em 2001. Recife e Rio de Janeiro. Duas cidades litorâneas, muito populosas e onde é praticamente verão o ano inteiro. Com esse histórico, morar numa cidade menor, com temperaturas bem mais rigorosas, poderia ser um desafio para qualquer um. Mas não foi para Juninho.

 

Juninho em sua despedida do Lyon em 2009. Foto: Site Oficial Olympique Lyonnais

A obrigação de se adaptar à cidade é daquele que está chegando. E eu cheguei a Lyon muito concentrado em jogar futebol. Meu único problema na chegada era que eu já tinha uma filha e a minha esposa estava grávida da segunda. Ela chegou lá com quase sete meses de gravidez. Dois meses depois, a minha segunda filha já nasceu em Lyon. Então foi mais uma questão de adaptação da família, de arrumar médico, casa, decidir o hospital em que ela ia nascer, tudo isso foi um pouco mais complicado”, conta o hoje comentarista da TV Globo.

A rotina de jogador de futebol no meio da temporada não oferece muitas folgas. Além dos treinos, são muitas viagens (mas daquelas em que não se consegue aproveitar nada). Mesmo com pouco tempo livre, Juninho conseguia curtir Lyon. “Eu gostava muito de ir para o centro de Lyon, que tem uma rua só de restaurantes. Também tem a Place Bellecour, que é um passeio super agradável. Como eu sempre recebia muita gente, sempre levava as visitas para conhecer os pontos turísticos”, relembra.

A roda gigante e a estátua de Luís XIV na Place Bellecour. Foto: prochasson frederic/Shutterstock

Segundo Juninho, Lyon também tem outro ponto positivo para os viajantes levarem em consideração. A geografia permite combinar a visita à cidade com outros destinos incríveis. “Lyon está muito próxima da Suíça, da Itália, da Espanha, da montanha, da praia. Lyon tem essa facilidade. Em duas horas você está numa bela estação de esqui. Foi lá que conheci a neve pela primeira vez, um momento muito marcante”, conta Juninho, se referindo à estação de Chamonix. Além disso, há trens rápidos para cidades como Paris, Marseille e Milão.

Se você está planejando uma ida à França em breve e considera colocar Lyon no roteiro, anote aí as dicas de Juninho! Ele é um dos melhores cicerones que você pode ter em Lyon.


Parc de la Tête D’Or


Fica ao norte da cidade e é o maior parque urbano da França, com 117 hectares. Abriga jardim botânico, zoológico e diversas atrações como pedalinhos e um carrossel do século 19. Para Juninho Pernambucano, o Parc de la Tête D’Or era o passeio preferido para se fazer com crianças em Lyon. “Ele é muito lindo, tem animais, espaço para piqueniques e muito verde. Principalmente no verão é muito bacana correr e andar de bicicleta”, conta.

Para informações e horários de cada espaço do parque, confira o site: http://www.loisirs-parcdelatetedor.com/

 

Gastronomia – as brasseries de Paul Bocuse

Foto: Twitter Brasseries Bocuse

Se Lyon é uma das cidades mais bem cotadas no mapa múndi da boa mesa, muito se deve a Paul Bocuse. Aos 90 anos de idade, ele é um dos chefs mais renomados do planeta. Foi um dos criadores da nouvelle cuisine e dá nome a um instituto que é uma das melhores escolas da gastronomia mundial. Além disso, um de seus restaurantes, o L’Auberge, que fica nos arredores de Lyon, tem um recorde imbatível. Possui três estrelas Michelin desde 1965!

Quando morou em Lyon, Juninho Pernambucano aproveitou bastante a gastronomia da cidade. “Em Lyon você pode ir para praticamente todos os lugares que você vai comer muito bem. Mas eu indicaria um restaurante do Bocuse chamado L’Ouest. É bem bacana, você vê a cozinha aberta. Não é um restaurante dos mais caros, tem outros mais chiques”, conta.

Paul Bocuse cercado por Juninho e a esposa Renata

O L’Ouest faz parte de um grupo de restaurantes de Bocuse chamados brasseries. Eles são mais descontraídos e que servem pratos mais simples e acessíveis que os da alta gastronomia. Algumas das brasseries tem o nome de um ponto cardeal relativo à zona da cidade onde se localiza. E cada uma delas é especializada na cozinha de uma região diferente da França. A do oeste, indicada por Juninho, traz no menu a culinária das ilhas francesas.


Brasserie D’Ouest
Endereço: 1 Quai du Commerce, 69009 Lyon
Horário: de 12h15 às 14h e de 19h30 às 23h (23h30 às sextas e sábados)
Site: http://www.nordsudbrasseries.com/

 

A arquitetura de Vieux Lyon

Foto: Dennis Jarvis – Wikimedia Commons

O distrito mais antigo da cidade tem referências renascentistas e medievais em seus prédios e fachadas. O charme também está nas ruas estreitas, becos e “traboules”, as passagens entre uma rua e outra por dentro das edificações. Além disso, o bairro está numa subida. No ponto mais alto, está a colina onde fica a Basílica Notre Dame de Fourvière. Para Juninho Pernambucano, fazer este percurso tem um sabor especial.

“Quando eu voltava dos jogos com minha família, a gente subia a colina da Fourvière. Vale muito a pena subir, você vê a cidade inteira”, relembra.

 

A vista do alto da colina da Fourvière. Foto: prochasson frederic/Shutterstock

Além da vista da cidade, em Vieux Lyon há muito o que visitar. Fora a Basílica de Fourvière, há as catedrais de Saint-Jean Baptiste e Saint-Jean Tresor. Se conhecer igrejas não é a sua liga, você pode ir ao Museu da Miniatura e do Cinema. A coleção tem reproduções hiper-realistas de cenas do cotidiano em miniatura, além de objetos que revelam a magia dos efeitos especiais da sétima arte. Outra opção é perambular sem mapa e descobrir aleatoriamente os bouchons (restaurantes típicos de Lyon) do bairro.

Musée Miniature et Cinema
Endereço: 60 Rue Saint-Jean, 69005 Lyon
Site: museeminiatureetcinema.fr
Horário: 10h às 18h30 (de segunda a sexta) e 10h às 19h (sábado e domingo)

Basílica Notre Dame de Fourvière
Endereço: 8 Place de Fourvière, 69005 Lyon
Site: fourviere.org
Horários: 7h às 19h (acesso ao interior da Basílica), 7h às 21h30 (acesso aos portões da esplanada)

Cathédrale Saint-Jean Baptiste
Endereço: Place Saint-Jean, 69005 Lyon
Site: cathedrale-lyon.cef.fr

 

Gerland, o estádio que virou história

Foto: Site Oficial/Olympique Lyonnais

Perguntei a Juninho qual era o principal cartão postal de Lyon para ele. O craque não titubeou em responder: o Estádio Gerland. “É onde tive maior crescimento profissional, onde vivi grandes momentos. Fui o primeiro jogador da história do clube que teve uma música especial”, relembra orgulhoso. O Lyon se mudou em 2016 para o novíssimo Stade des Lumières, numa área mais distante do centro da cidade. Mas o legado de Gerland é quase centenário.

O estádio foi idealizado em 1910, mas só foi inaugurado em 1926 porque a Primeira Guerra Mundial atrasou a obra. Em mais de 90 anos de história, Gerland abrigou jogos da Eurocopa de 1984, da Copa do Mundo de 1998, a Copa das Confederações de 2003 e o Mundial de Rugby de 2007. De 1950 a 2016, foi a casa do Olympique Lyonnais, tendo, portanto, sido palco do momento mais vitorioso da história do clube.

Quem quiser ver os jogos do Lyon hoje, tem que se dirigir ao novo estádio, que fica dentro do Parc Olympique Lyonnais. Ele foi construído na cidade vizinha de Décines-Charpieu e foi um dos estádios mais caros da Euro 2016: 415 milhões de euros. O estádio também está aberto a visitas, que custam a partir de 9 euros.

O novo estádio de Lyon. Foto: UEFA

Stade Gerland
Endereço: 353 Avenue Jean Jaurès, 69007 Lyon

Parc Olympique Lyonnais
Endereço: 10 Avenue Simone Veil, 69150 Décines-Charpieu
Site: http://www.parc-ol.com/

O espetáculo da Fête Des Lumières

Foto: Only Lyon

Um ritual tradicional que virou um grande evento urbano. Assim pode ser definida a Fête des Lumières, ou o Festival das Luzes de Lyon. Ela é realizada anualmente no início de dezembro e fez parte da vida de Juninho Pernambucano nos anos em que viveu na França. “Todo 8 de dezembro a cidade fica toda iluminada. É inverno, está frio, mas todo mundo vai para a rua e todos iluminam suas casas”, relembra.

A tradição começou em 1852, quando uma estátua da Virgem Maria seria inaugurada na colina da Fourvière. O evento acabou cancelado por causa da cheia do rio Saône, que banha Lyon. A festa foi transferida para o dia 8 de dezembro daquele ano, mas quase foi suspensa por causa de uma tempestade. Mas, à noite, quando o tempo melhorou, os moradores foram saindo de suas casas com velas e lanternas nas mãos.

O que tinha uma origem puramente religiosa ganhou um status de evento artístico nos últimos anos. Além das luzes nas portas das casas, Lyon recebe intervenções urbanas durante a Fête Des Lumières. Os pontos turísticos da cidade viram telas para projeções digitais videográficas, videomappings e outras técnicas.

 

Site: http://www.fetedeslumieres.lyon.fr

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Aula de culinária no Marrocos: conhecendo o país pela cozinha

Você pode discordar de mim, mas acho que o melhor jeito de conhecer um país é a gastronomia. Saber como um povo come tem mil coisas embutidas. A história, a…

Você pode discordar de mim, mas acho que o melhor jeito de conhecer um país é a gastronomia. Saber como um povo come tem mil coisas embutidas. A história, a colonização, os fluxos migratórios, a miscigenação, a natureza, os costumes e muito mais. Portanto, quando Janaína e eu fizemos nossa viagem de férias em abril de 2016, não tivemos dúvida. Uma aula de culinária no Marrocos deveria estar no roteiro.

Como já expliquei neste post anterior, tivemos apenas quatro dias no Marrocos. Portanto, o tempo era bem apertado para visitar mais de uma cidade. Escolhemos Fez, que é apontada por muitos guias (inclusive o Lonely Planet) como a capital cultural do país. Além disso, seguimos a recomendação de amigos que já estiveram por lá.

Antes de você planejar uma ida a Fez, é fundamental dizer: a malha aérea da cidade é muito restrita. Pelo que contei no aeroporto, são cerca de 15 voos por dia. Muito menos do que Casablanca, o principal hub do país. Portanto, chegar até lá pode demorar um bocado. Nós, por exemplo, saímos de Tenerife e ficamos cerca de 5 horas aguardando conexão em Casablanca até embarcar para Fez. Portanto, minha dica é: tenha paciência porque vale a pena.

Pois bem, somos apaixonados por comer, a Janaína adora cozinhar e sempre fomos instigados com a comida marroquina. Portanto, procurar uma aula de culinária no Marrocos fez parte do princípio do planejamento da viagem para lá.

Em Fez, as aulas mais bem recomendadas são as do Café Clock. Pelo site você já consegue ver que é um lugar apaixonante. Além de Fez, ele tem uma filial em Marrakech. Ambas são uma boa mistura das tradições marroquinas com uma roupagem contemporânea. O Clock oferece três tipos de aula de um dia: culinária marroquina tradicional, panificação e doceria. Mas o que nos afastou de lá foi o preço: 600 dirham por pessoa. O equivalente a 55 euros.

O simpático terraço do Café Clock de Fez

O simpático terraço do Café Clock de Fez

Fuçando um pouco mais (obrigado por existirem, Google e Trip Advisor!), chegamos a uma agência chamada Fez Guide. É uma agência local que faz city tours, organiza excursões para o deserto e também passeios temáticos: cidades históricas, fotografia e artesanato por exemplo. O curso de um dia por esta agência custou 36 euros por pessoa. Ou seja, uma economia de 38 euros para nós dois, praticamente pela mesma aula de culinária no Marrocos.

Não sei se a aula do Café Clock é melhor, mas a que tivemos pelo Fez Guide foi excelente. E o programa é basicamente o mesmo. O Abdul, instrutor do curso, foi nos buscar no riad onde estávamos hospedados. Como a pousada ficava dentro da medina (o bairro antigo de Fez), a aula já começou praticamente no instante em que colocamos o pé fora da porta. Caminhamos pelos souks (como os mercados são chamados por lá) e fomos escolher os ingredientes.

Os souks marroquinos

Os souks marroquinos

Paramos em várias barraquinhas que o Abdul já conhecia e então compramos: berinjelas, tomates, cebolas, carne e temperos. Os temperos no Marrocos são coisa de maluco: você anda pelas vielas da medina e já sente aquele aroma delicioso de especiarias. Já a carne tem um detalhe meio bizarro. A carne de camelo é bastante consumida no país e muitas barracas a vendem com um atrativo um pouco asqueroso: a cabeça do camelo pendurada.

Isso aqui realmente não foi legal

Isso aqui realmente não foi legal

Mas a carne que compramos foi bovina mesmo (até onde sabemos, hehehe).

Quando terminamos as compras, fomos para um riad diferente do nosso. Lá, fomos recebidos muito gentilmente pela dona, uma tailandesa que virou uma espécie de co-anfitriã da nossa aula de culinária no Marrocos. Ela cedeu a cozinha ao Abdul para que nos mostrasse o passo a passo de duas receitas bem tradicionais: a salada marroquina e o tajine de carne.

Janaína e Abdul na cozinha do riad

Janaína e Abdul na cozinha do riad

A salada marroquina é um troço fora de série. Ela tem o aspecto semelhante ao de um molho de tomate e é comida com pão. Ela tem dois segredos. O primeiro é que o tomate é ralado, e não picado. Assim, a pele fica toda do lado de fora e apenas a polpa é cozida. O segundo é a forma de pré-cozimento da berinjela. Ela é levada inteira diretamente à boca do fogão. Assim fica mais fácil de descascá-la depois e ela ainda fica com um gostinho meio queimado, meio defumado.

Salada marroquina on the way

Salada marroquina on the way

O tajine é uma espécie de cozido à marroquina. A diferença principal está na panela, que informalmente batizamos de tajineira. Ela é feita de cerâmica e tem uma tampa alta e pontuda. Se for para escolher uma equivalente brasileira, eu apontaria a panela em que se faz moquecas de peixe. Pois bem: levamos à panela a carne, cebolas cortadas e os temperos, especialmente o açafrão. Por isso, a comida fica com um aspecto levemente amarelado.

Tajine de carne fervendo na tajineira

Tajine de carne fervendo na tajineira e a salada marroquina do lado de cá

Já parecia bom o suficiente, mas ainda havia o toque final: o molho agridoce do tajine. À parte da tajineira, aprendemos a fazer uma calda de ameixa. Leva-se ao fogo ameixas secas, um pouco de água, manteiga e açúcar. Essa calda é misturada na carne depois do cozimento. Não sei vocês, mas eu sou alucinado por esses molhos doces. E confiem em mim: o sabor da ameixa com o açafrão é um troço espetacular.

O banquete completo

O banquete completo

Nossa aula de culinária no Marrocos terminou com o resultado prático sendo saboreado por nós. No restaurante do riad, pudemos dizer que preparamos nossa própria comida. A experiência foi diferente de tudo o que já tínhamos vivido em termos de gastronomia. Não só por se tratar de uma cozinha exótica, mas por ter participado passo a passo desde o começo.

Já repetimos a receita uma vez na volta ao Brasil e garanto a vocês: a Janaína lembra de tudo direitinho. Eu, por outro lado, acho que escrevo melhor do que cozinho…

Abdul, nosso professor marroquino de culinária

Abdul, nosso professor marroquino de culinária

Nossa co-anfitriã tailandesa, cujo nome cometi o vacilo de não perguntar

Nossa co-anfitriã tailandesa, cujo nome cometi o vacilo de não perguntar

Serviço

O site da Fez Guide é bem completinho. Mostra todos os passeios disponíveis e todos os contatos. Não sei como são os city tours deles, mas recomendamos fortemente a aula de culinária. Talvez tenha sido o momento em que nos sentimos totalmente livres dos perrengues (que já relatei neste outro post). Também contratamos deles o serviço de transfer do aeroporto, que custou 11 euros (mais barato que um táxi).

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Lanzarote dia 1: vinhos vulcânicos e orla

Chegamos a Lanzarote no meio de uma terça-feira e depois de um voo curto, num horário em que não precisamos madrugar. Ou seja: havia energia para ser gasta e muitos…

Chegamos a Lanzarote no meio de uma terça-feira e depois de um voo curto, num horário em que não precisamos madrugar. Ou seja: havia energia para ser gasta e muitos lugares para conhecer já no primeiro dia.

Decidimos começar com uma vinícola. Os vinhos de Lanzarote são famosos por serem feitos a partir de algumas cepas de uvas que só existem lá. A principal delas é a malvasia, que é cultivada em terras que receberam um “adubo” especial: cinzas vulcânicas, principalmente depois das erupções que ocorreram no século 18 e que mudaram a paisagem da ilha.

No nosso briefing, tínhamos duas vinícolas em mente. Uma era a El Grifo, que tem, além dos vinhedos, um museu dedicado ao vinho que é uma das grandes atrações da ilha. A outra era a La Gería, que tinha a vantagem de ser mais próxima e também a mais conhecida. Foi a que acabamos escolhendo, não apenas pela menor distância de onde estávamos, mas também porque o horário da visita guiada casava mais com a nossa agenda.

Entrada da bodega La Gería, antes de ser invadidas pelos americanos dos cruzeiros

Entrada da bodega La Gería, antes de ser invadidas pelos americanos dos cruzeiros

(Inclusive recomendo verificar os horários dessas visitas guiadas para quem quiser entender melhor a cultura do vinho em Lanzarote. Na El Grifo, elas saem às 11h e 15h de segunda a sexta e às 11h30 aos fins de semana. Na La Gería, às 13h. Ambas as vinícolas recomendam reserva antecipada)

Chegamos à La Gería e nos sentimos como visitantes soterrados por alunos que visitam um museu numa excursão escolar. Eram dezenas de ônibus de turismo repletos de passageiros de cruzeiros que haviam acabado de atracar na ilha. Ficamos preocupados com a qualidade da visita com tanta gente por lá. Mas acabamos descobrindo que cada grupão tinha seu guia e visitantes “avulsos” como nós tínhamos o nosso. E não éramos muitos: apenas 10, contando com a Janaína e eu.

A principal peculiaridade dos vinhos de Lanzarote é a forma de cultivo. A terra tem uma cor negra por causa das cinzas vulcânicas, que ajudam a fertilizar. Cada vinhedo fica plantado dentro de um buraco que fica a até 3 metros de profundidade. E muros com pequenas pedras empilhadas ficam ao redor. Nas maiores vinícolas, dá para enxergar esses buracos até quase o horizonte. Segundo nosso guia, a função dessa pequena engenharia é proteger as plantas do vento forte da região.

As centenas de "casinhas" para os vinhedos à moda de Lanzarote

As centenas de “casinhas” para os vinhedos à moda de Lanzarote

As muretas de pedras protegem não só parreiras, mas também outras árvores frutíferas

As muretas de pedras protegem não só parreiras, mas também outras árvores frutíferas

Por esse ângulo dá pra ver que há bastante cinzas vulcânicas sobre a primeira camada de terra

Por esse ângulo dá pra ver que há bastante cinzas vulcânicas sobre a primeira camada de terra

No fim da visita guiada (que custa 8 euros por pessoa), dá para fazer uma pequena farra na lojinha da La Gería. Há vários preços de vinhos, a partir de 7 euros. Não deixe de experimentar os do tipo malvasia vulcânica. Se você for um aficionado, traga algumas garrafas na mala, já que são vinhos dificílimos de encontrar no Brasil.

Orla de Puerto del Carmen

Depois da vinícola, o destino do nosso primeiro dia em Lanzarote foi a orla de Puerto del Carmen. Ficamos bestificados com a beleza do lugar. O que deveria ser apenas um muro de arrimo para conter a erosão virou cartão postal. As grandes pedras colocadas à beira mar receberam paisagismo e equipamentos como calçadas e bancos.

Felizes e ofuscados na orla de Puerto del Carmen

Felizes e ofuscados na orla de Puerto del Carmen

A poucos metros dali, há uma marina onde param lanchas e barcos particular de vários tamanhos. Não só iates de ricaços, como também pequenas embarcações de pescadores. E, para compor a paisagem, um paredão de casas brancas numa disposição que acompanha o relevo da região. Nunca fomos a Santorini (Grécia), mas, pelo que já vimos em fotos, foi a referência imediata.

Se você já foi a Santorini, diga aí: parece ou não parece?

Se você já foi a Santorini, diga aí: parece ou não parece?

Onde comer

A noite chegou no relógio, sem o sol se despedir. Acabamos procurando um lugar para jantar ainda com o dia claro. E encontramos ali próximo da orla, numa praça chamada Varadero, o melhor restaurante que conhecemos em Lanzarote: a Taberna de Nino. Especializado em tapas (que são aquelas pequenas porções que geralmente se comem com a mão), o Nino tem um cardápio enorme: tem combinações com frutos do mar, carne de porco, presunto ibérico, molhos agridoces… Era impossível ter certeza imediata sobre o que escolher. Precisamos voltar outra vez lá para não ficar frustrados por ter deixado algo passar. O preço médio de cada tapa fica entre 8 e 10 euros. (Ah, não deixe escapar o couvert que também é delicioso!!!)

Uma caçarola de polvo by Taberna de Nino

Uma caçarola de polvo by Taberna de Nino

Também experimentamos esta tapa com camarões empanados

Também experimentamos esta tapa com camarões empanados

No próximo post, vamos contar sobre nosso segundo dia em Lanzarote, que teve o Parque Nacional de Timanfaya e a praia de El Golfo. Paisagens únicas e inesquecíveis! Continue a viagem com a gente! 🙂

2 comentários em Lanzarote dia 1: vinhos vulcânicos e orla

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