Mochileza

Mochileza

Roteiros e viagens de mochila sem sufoco

Tag: futebol

São Petersburgo: muito além da Copa do Mundo de 2018

São Petersburgo, a cidade responsável por exportar o estrogonofe para o mundo, foi também a capital do Império Russo de 1732 a 1918. Em 2018, será a segunda cidade a…

São Petersburgo, a cidade responsável por exportar o estrogonofe para o mundo, foi também a capital do Império Russo de 1732 a 1918. Em 2018, será a segunda cidade a receber mais partidas da Copa do Mundo. São sete jogos no total, desde a primeira fase até a decisão do terceiro lugar. Por lá, seleções como o Brasil e a Argentina já têm passagem garantida.

Pode até não ser o centro administrativo e financeiro da Rússia. Mas quando o assunto é arte, nenhuma cidade russa brilha mais do que São Petersburgo. O local fica especialmente animado durante o Festival Noites Brancas. O evento foi criado em 1993 para celebrar a época do ano em que o sol mal se põe. De lá para cá, cresceu demais. Passou de duas para oito semanas de duração. E o número de visitantes ultrapassou um milhão na edição mais recente.

 

Neste outro post concentrado em Moscou, falei sobre a época do ano em que estive na Rússia. Compartilhei algumas impressões gerais sobre o país, as dificuldades de comunicação que enfrentei e, entre outras coisas, prometi uma sugestão de itinerário para três dias em São Petersburgo. Como promessa é dívida, então vamos lá.

 

Primeiro Dia – Palácios ao Sul

Por causa dos horários de funcionamento dos lugares que queríamos conhecer, escolhemos, em nosso primeiro dia, sair da cidade e visitar dois palácios que ficam ao sul. Eles ficam a pouco mais de 30km de São Petersburgo e distam 6km entre si: o Pavlovsk e o Palácio da Catarina I (em Tsarskoe Selo).

Fica aqui uma dica para os marinheiros de primeira viagem. Sempre verifique o endereço e o horário de funcionamento de todas as atrações que quer visitar, com antecedência e de preferência no site oficial do lugar. Isto para evitar dar de cara com uma porta fechada porque a atração mudou de endereço ou não funciona naquele dia/horário.

Pavlovsk

Há alguma discussão na internet sobre qual dos dois palácios visitar primeiro. Nós decidimos começar pelo mais distante. Para chegar lá, pegamos o trem que parte da estação Vitebsky (витебск). Depois de uns 35 minutos, descemos na parada que leva o mesmo nome do palácio (Павловск). Ao sair da estação, acompanhamos o fluxo dos turistas e entramos em um amplo parque em estilo inglês. Fomos seguindo a sinalização até chegar ao Pavlovsk. Incrivelmente, não havia qualquer informação em outro idioma que não fosse o russo. A solução foi colar em uma família que tinha contratado uma guia que falava em inglês. A convite da família, é claro.

Pavlovsk. São Petersburgo.

Pavlovsk, localizado há aproximados 30km ao sul de São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

Em estilo neoclássico, o palácio foi construído a mando de Catarina II entre 1781 e 1786, para o seu filho Paulo (Pavel em russo, por isso o nome: Pavlovsk) e sua segunda esposa Maria Fyodorovna. A tarefa foi inicialmente confiada ao arquiteto escocês Charles Cameron, que caiu nas graças da imperatriz pelo trabalho realizado em Tsarskoe Selo. O projeto modesto e a tendência à simplicidade, no entanto, não agradaram a Paulo e sua mulher. Por isso, deram a Vicenzo Brenna (assistente de Cameron) a missão de dar um ar de imponência e realeza ao prédio. O serviço de Brenna foi muito apreciado pelo futuro imperador e sua esposa. Tanto que o arquiteto voltou a trabalhar para o casal na remodelação do palácio em Gatchina e no Castelo Mikhailovsky, em São Petersburgo.

O design de interior ficou a cargo da própria Maria Fyodorovna, que encheu o Pavlovsk com obras de arte locais e importadas dos quatro cantos da Europa. A coleção de mobiliário em exposição no palácio é impressionante e, por si só, justifica a visita.

O palácio que visitamos é uma réplica do original. Este, após servir de residência real por mais de cem anos (1786-1917), foi reduzido a cinzas duas semanas após o fim da 2ª Guerra Mundial. Foi o resultado do vacilo de um soldado soviético que jogou um cigarro em uma mina alemã (quanta ironia!).

 

Palácio de Catarina I

Em seguida, pegamos o ônibus da linha 370, perto da entrada do Pavlovsk pela Rua Sadovaya Ulitsa, e descemos próximo ao Palácio de Catarina I. Esse palácio fica na cidade de Tsarskoe Selo (também conhecida por Pushkin), localizada uma parada antes da que descemos para ir ao Pavlovsk. Anotei também que poderíamos pegar os ônibus das linhas K286 e K513, dependendo da hora que terminássemos o passeio no primeiro palácio.

Ao chegar nessa grandiosa residência dos Czares russos, ficamos maravilhados com a sua grandiosidade, superando o Pavlovsk neste quesito. Mais de 100kg de ouro foram utilizados só para enfeitar a fachada. Outra coisa que nos chamou a atenção foi a imensa fila para comprar os ingressos. Ficamos umas três horas nela, e quase nem entramos, pois a bilheteria só estava aberta até as 17h. A fila era muito desorganizada, sendo constantemente furada por grupos de russos. Imagina na Copa!

 

Catherine's Palace. Tsarkoe Selo. São Petersburgo.

Fila em frente ao Palácio Cataria I, em Tsarskoe Selo. Foto: André Orengel.

 

Porém, tudo vale a pena quando se entra no museu.

O palácio foi construído inicialmente como uma casa de veraneio pela esposa do imperador Pedro o Grande, a Catarina I. Posteriormente, foi remodelado pela filha do, Elizabeth, com a ajuda do arquiteto Bartolomeo Rastrelli (que também assina o projeto do Palácio de Inverno, onde se encontra a principal coleção do museu Hermitage).

Infelizmente, um dos estragos impostos pelas tropas alemãs durante a Segunda Guerra Mundial foi o completo saqueamento do Museu. O que vemos hoje é uma belíssima reconstrução do original. Todas as salas são estonteantes, destacando-se a sala de âmbar (réplica), toda adornada com painéis sólidos desta preciosidade. Ao todo, eles pesam cerca de 450kg. A decoração original desta sala foi um presente de Frederico Guilherme I da Prússia, que a removeu de sua própria residência, o Palácio Charlottenburg em Berlim, para dar a Pedro o Grande.

Catherine's Palace. Tsarskoe Selo. São Petersburgo.

Palácio Catarina I, em Tsarskoe Selo. Foto: André Orengel.

Retornando para São Petersburgo

Para voltar, regressamos à parada em que descemos anteriormente e pegamos o mesmo ônibus de nº 370, que nos levou à estação de Tsarskoye Selo. De lá, pegamos o trem para São Petersburgo.

Pedro, Paulo, Maria, Elizabete, Catarina I e II; são muitos nomes e personagens em uma longa e instigante história de guerras, traições, ambições, poder e absurda riqueza. Para aprender mais sobre a vida dos Czares da Dinastia Romanov antes de pisar em solo russo, recomendo o excelente documentário da BBC Empire of the Tsars: Romanov Russia with Lucy Worsley, disponível na Netflix.

 

Segundo Dia – O Centro Histórico

Começamos o dia seguinte com o Free Walking Tour conduzido pela Anglo Tourismo. O esquema você já conhece: um guia lhe acompanha por um passeio pela cidade, contando a história e curiosidades de seus principais pontos turísticos. Ao final, você decide quanto quer pagar pelos serviços prestados, a título de gorjeta. A excursão dura cerca de três horas, começando as 10h30 em frente ao Diner (Столовая) na Nab. Reki Fontanki, nº 27.

Os destaques do passeio são: o Palácio Vorontsov, a Catedral de Nossa Senhora de Kazan, a Catedral de São Isaac, o Cavaleiro de Bronze, o Hermitage e a Igreja da Ressurreição do Salvador sobre o Sangue Derramado (ô nomezinho estranho!). Isso sem falar das várias histórias sobre a vida de Catarina II e de Pedro o Grande, a Revolução de Outubro, a Segunda Guerra Mundial e a vida moderna em São Petersburgo.

Church of the Savior on Spilled Blood. São Petersburgo.

Igreja da Ressurreição do Salvador sobre o Sangue Derramado, em São Petersburgo. Foto: André Orengel.

O Palácio de Inverno e o Museu Hermitage

Finalizado o tour, almoçamos e entramos no impressionante Palácio de Inverno, que hoje abriga a principal coleção do museu Hermitage. Antes disso, o prédio foi a residência oficial dos Czares, quase ininterruptamente, desde sua construção até a queda da monarquia russa.

Palácio de Inverno. Winter Palace. Hermitage. São Petersburgo.

Patio Interno do Palácio de Inverno (Museu Hermitage), São Petersburgo. Foto: André Orengel.

Construído com o objetivo de definitivamente inserir São Petersburgo no rol das mais magníficas capitais europeias de seu tempo, este pomposo palácio em tom pistache esbanja a extravagância e a ornamentação típicas da versão russa barroco europeu.

É difícil de acreditar, mas o acervo do Hermitage conta com mais de 3 milhões de obras de arte. Para se ter uma ideia, se você demorar um minuto para apreciar cada uma delas, somente após uns onze anos você estará liberado para voltar para a sua casa. Obviamente, nem todas as peças estão expostas. Os enormes salões do Palácio de Inverno exibem as principais obras desta que é uma mais importantes coleções de arte do mundo.

Throne Room. Palácio de Inverno. Winter Palace. Hermitage. São Petersburgo.

Sala do Trono, no interior do Palácio de Inverno (Museu Hermitage), São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

Dentre as obras em apresentação que vimos, algumas merecem atenção especial. O Gold Treasure Room, o Relógio do Pavão Dourado e os trabalhos de Leonardo da Vinci, Raphael, Michelangelo, Caravaggio, Peter Paul Rubens, Pierre-Auguste Renoir, Claude Monet e Henri Matisse.

Golden Peacock Clock. Hermitage. São Petersburgo.

O Relógio do Pavão Dourado, no museu Hermitage, São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

Encerramos o dia com um passeio e jantar às margens do rio Neva.

 

Terceiro Dia – Peterhof e Noites Brancas

No último dia em São Petersburgo visitamos o Peterhof (Petrodvorets). Aqui, constatamos que palácio suntuoso é o que mais há na cidade.

O que mais destaca o Peterhof dos demais é o conjunto de mais de 170 fontes e canais. É uma magnífica composição aquática, desenhada, em parte, por Pedro o Grande. Não há nada igual no planeta. As dezenas de estátuas douradas que cospem água em todas as direções são realmente extraordinárias. O estandarte da decoração é a apoteótica representação de Sansão batalhando com um leão. Ela foi feita para para celebrar a vitória russa contra os suecos em 1709.

 

Peterhof. Petrodvorets. São Petersburgo.

Destaque para a estátua no centro do lago artificial, que representa Sansão batalhando com um leão. Peterhof, em São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

Para chegar neste palácio, fomos de metrô até a estação Avtovo. De lá, pegamos o ônibus de número 210, que passa bem na frente do Palácio. Voltamos pelo mesmo caminho. O traslado levou quase 1h30, cada perna.

 

O Mariinsky

Para fechar com chave de ouro a visita à cidade, assistimos a um dos mais disputados espetáculos do festival Noites Brancas: o balé de “Romeo e Julieta”, apresentado no fabuloso Mariinsky.

Esse teatro é enorme e, sem dúvida, um dos mais bonitos que já estive. Com certeza vale a pena incluir o Mariinsky em qualquer visita a cidade. Mesmo que só para conhecer a sua estrutura.

Mariinsky. São Petersburgo.

Mariinsky, em São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

Vai para São Petersburgo? Faça sua reserva de hotel pelo Booking.com!!!

 

Nenhum comentário em São Petersburgo: muito além da Copa do Mundo de 2018

O voo direto Fortaleza-Amsterdam + 6 dicas da capital holandesa

Amsterdam está mais perto de quem mora no Nordeste do Brasil! O que já parece óbvio no mapa múndi vai ganhar sentido também na malha aérea. A partir de 3…

Amsterdam está mais perto de quem mora no Nordeste do Brasil! O que já parece óbvio no mapa múndi vai ganhar sentido também na malha aérea. A partir de 3 de maio de 2018, a KLM inaugura um voo direto para a capital holandesa, partindo de Fortaleza. É mais uma opção para chegar à terra das tulipas e de Van Gogh. E com uma rota que pode incrementar ainda mais os seus planos de férias.

amsterdam museumplein

A foto no famoso letreiro agora está a pouco mais de 9h de voo de Fortaleza. Foto: Leonardo Aquino

O voo direto Fortaleza-Amsterdam foi anunciado em setembro de 2017 pela Air France (que controla a KLM desde 2011). A novidade chegou junto com a implantação de um hub da companhia na capital cearense (que também receberá voos para Paris a partir de maio de 2018). A notícia agrada em cheio a quem mora no Norte e no Nordeste. Com a nova rota, os passageiros têm mais uma opção para voar rumo à Europa sem descer até Guarulhos ou Galeão.

(Temos um post completinho com todos os voos diretos para o exterior partindo do Norte e do Nordeste. Já conferiu?)

Serão três saídas semanais. Sempre às segundas, quintas e sábados. O voo sai de Fortaleza sempre às 19h50 e chega às 10h locais do dia seguinte. Na volta, a saída é às 12h50 e a chegada no Ceará, às 17h20. A duração é de pouco mais de 9 horas (três a menos que os voos saindo de Rio ou São Paulo). A aeronave utilizada nesta rota será a Airbus A330, com capacidade para 268 passageiros.

As passagens já estão à venda e é possível encontrar preços bem competitivos. Tirando julho, o ápice da alta temporada, dá para encontrar bilhetes por cerca de R$ 2300, ida e volta. Isso porque ainda não pintou nenhuma grande promoção.

amsterdam klm

Outro atrativo é a parceria do grupo Air France/KLM com o programa de fidelidade Smiles. Se você voar na KLM, pode pontuar no Smiles. Ou ainda pode resgatar passagens da companhia holandesa com pontos Smiles. Eu mesmo já me beneficiei dessas parcerias entre as companhias. Na minha viagem à Europa em junho de 2015, resgatei um voo de Berlim a Amsterdam pela KLM por 7500 pontos Smiles. Uma pechincha!

Confira aqui as regras de pontuação da KLM no programa Smiles.

Para instigar você ainda mais a conhecer Amsterdam, separei algumas dicas da cidade. Tem lugares para beber, visitar e se emocionar. Anote aí!

Casa de Anne Frank

A entrada doo Anexo Secreto da Casa de Anne Frank. Foto: Photo Collection Anne Frank House

Quem acompanha o Mochileza sabe que sempre procuro fugir da mesmice na hora de dar dicas. Mas desta aqui não dá pra escapar. A visita à Casa de Anne Frank não é qualquer passeio. É uma experiência fundamental para compreender os horrores da guerra e da intolerância.

Muito provavelmente você já ouviu falar em “O Diário de Anne Frank”. É um best-seller mundial, traduzido para 70 idiomas. Conta a história de uma adolescente alemã de origem judia cuja família se escondeu da perseguição dos nazistas em Amsterdam. Os refúgios dos Frank eram cômodos secretos de uma loja. E o esconderijo virou um dos museus mais concorridos da Europa.

amsterdam anne frank house

Você sempre vai ver filas deste tamanho na Casa de Anne Frank. Foto: Photo Collection Anne Frank House

As multidões intermitentes em frente à Casa de Anne Frank se devem à preservação da casa como ela era durante a Segunda Guerra. Corredores apertados, escadas estreitas e cômodos modestos. O imóvel não suportaria receber ao mesmo tempo todos os visitantes interessados em sua história. Mas encare essa fila se for preciso. Trechos do diário estão reproduzidos em cada cômodo. O destaque é o Anexo Secreto, cujo acesso se dá através de uma prateleira móvel. Imaginar como era a vida dos Frank durante a perseguição é arrepiante.

Para poupar tempo, convém comprar o ingresso antecipadamente pela internet. Durante o período de reforma do museu (até janeiro de 2018), a venda será exclusivamente online, com hora de visita marcada. O site da Casa de Anne Frank tem uma versão em português. Ah, um detalhe importante: é proibido tirar fotos no interior da casa.

Brouwerij ‘t IJ

amsterdam brouwerij 't IJ

Foto: Leonardo Aquino

Ainda não aprendi a pronunciar o nome aparentemente impronunciável desta cervejaria. Decidi chamá-la, portanto, de “cervejaria do avestruz”, graças ao simpático mascote de sua logomarca. Esta é uma opção para quem gosta de cerveja e quer fugir do hypado passeio da Heineken Experience (sobre o qual escrevi neste post).

Em seu site, a Brouwerij ‘t IJ tem 33 rótulos autorais. Alguns são sazonais e estão esgotados. Mas a maioria pode ser encontrada no bar da cervejaria, seja em garrafas ou nas torneiras. No brew pub, você pode harmonizar as cervejas com queijos curados ou salsichas cruas. É um lugar ótimo para beber no fim da tarde. O problema é que os muitos nativos e turistas também sabem disso. Nos horários de pico, conseguir um lugarzinho pra escorar a caneca é difícil.

amsterdam brouwerie 't IJ

Foto: Leonardo Aquino

Dependendo do dia em que você estiver na cidade, dá para fazer um tour pela fábrica. Eles são realizados às sextas, sábados e domingos e custam 5,50 euros por pessoa. O ingresso dá direito a uma cerveja no bar. Outras informações no site da cervejaria.

 

Biblioteca Pública de Amsterdam

A vista do terraço da biblioteca. Foto: Leonardo Aquino

Se você imagina um ambiente empoeirado e antiquado quando se fala em biblioteca pública, Amsterdam vai fazer você mudar de ideia. A sede principal da OBA (sigla para Openbare Bibliotheek Amsterdam) parece mais uma megastore, tipo Fnac. O lugar tem uma arquitetura moderna e funcional, além de um acervo maravilhoso. Não apenas de livros, mas também de filmes e discos. Tudo está disponível para quem é sócio e paga uma taxa de 42 euros por ano.

Mas, como costumamos estar apenas de passagem por Amsterdam, a biblioteca pública tem outra recompensa para seus visitantes: o terraço, onde fica um café-restaurante. De lá, você tem uma das melhores vistas possíveis da capital holandesa. Se você estiver com o dinheiro contado, pode ficar tranquilo que ninguém vai te cobrar nada para ficar lá contemplando.

A Biblioteca Pública de Amsterdam fica no centro da cidade. É bem próxima da estação Centraal e do museu de ciências Nemo.

 

Amsterdam Arena

Foto: Leonardo Aquino

A Holanda já teve o melhor time de futebol do mundo em algumas ocasiões. O Ajax, principal equipe do país, foi campeão europeu e mundial nas décadas de 70 e 90. Além disso, o clube foi vanguardista na modernização dos estádios. Inaugurada em 1996, a Amsterdam Arena antecedeu um padrão de arquitetura, conforto e tecnologia nas arenas de nível mundial. E mesmo com mais de 20 anos de idade, segue entre as melhores do planeta.

A visita à Amsterdam Arena é daqueles tours clássicos em estádios de futebol. Passa pelos vestiários, sala de imprensa, hall da fama, galeria de troféus e a beira do campo. O final, claro, é na lojinha oficial, onde você pode comprar de uniformes oficiais a baralhos do Ajax.

amsterdam arena

Foto: Leonardo Aquino

Ainda que tenha uma estação de trem bem em frente, a Amsterdam Arena fica um pouco afastada do centro da cidade. Ou seja, é fora de mão para combinar com algum outro passeio. Portanto, se você não é tão fanático por futebol assim, é bom pensar duas vezes antes de incluir esta programação no seu roteiro.

Outras informações no site da Arena.

 

Comprar queijo para trazer para casa

amsterdam cheese

Foto: Leonardo Aquino

Na Holanda, você estará cercado de queijo por todos os lados. Maturados, envelhecidos, orgânicos, curados, de vaca ou de cabra: os caras conhecem do riscado. Em Amsterdam, você encontrará uma oferta gigantesca de queijo em supermercados e feiras de rua. Mas se quiser trazer para o Brasil, é indispensável que você compre pedaços embalados a vácuo. As principais lojas do centro de Amsterdam estão bem servidas de queijo “ready to fly”. Experimente a De Kaaskamer, a Cheese Museum ou a Reypenaer (que também oferece oficinas de degustação)

 

 

Zaanse Schans

zaanse schans

Foto: Leonardo Aquino

É uma espécie de híbrido entre parque temático e museu a céu aberto. Este bairro da cidade de Zaandam, 15 quilômetros ao norte de Amsterdam, tem um “menu degustação” da Holanda clássica. Moinhos de vento? Check. Tamancos? Check. Queijos? Check. Tudo isso num espaço bem concentrado. Os moinhos são abertos a visitação, assim como grande parte das casinhas coloridas. Algumas delas funcionam como pequenos museus que contam a história de algum desses elementos do estereótipo holandês.

Se você não tiver implicância com passeios “cenográficos”, esta é uma ótima pedida. Especialmente em dias de sol e tempo bom. Vai ser difícil tirar uma foto feia por lá.

Para chegar a Zaanse Schans, é só pegar um ônibus na estação Amsterdam Centraal. Eles saem a cada meia hora e chegam em cerca de 40 minutos.

 

Veja também:

1 comentário em O voo direto Fortaleza-Amsterdam + 6 dicas da capital holandesa

Estádio de Wembley: visita guiada ao templo do futebol inglês

Em uma cidade onde você tromba com estádios por onde anda, é difícil que apenas um se destaque sobre os demais. Sempre vai haver o maior, o mais moderno, o…

Em uma cidade onde você tromba com estádios por onde anda, é difícil que apenas um se destaque sobre os demais. Sempre vai haver o maior, o mais moderno, o mais histórico ou o do time mais popular. Dependendo do que você procura numa visita, um deles pode atendê-lo. Mas, em se tratando de Londres, não é fácil igualar a mística e a relevância do Estádio de Wembley.

O nome Wembley é tão forte no imaginário do futebol quanto Maracanã. O estádio já sediou final de Copa do Mundo, é palco fixo das decisões da Copa da Inglaterra e ainda recebeu eventos de outros esportes. Até jogo de futebol americano já passou por esta famosa grama!

Isso sem falar no fator Wembley na história da música pop. Pense nos grandes nomes do showbiz de diversas épocas. Pense nos seus artistas favoritos, nos discos que você tem na prateleira (caso ainda colecione discos). Muitos deles já fizeram shows em Wembley. De Rolling Stones a Muse. De Queen a Adele. De Elton John a Foo Fighters.

Por esses motivos, escolhi o Wembley como um dos estádios para visitar na minha viagem a Londres em junho de 2015. Falei sobre outro estádio londrino, o Craven Cottage, neste outro post.

Um pouco de história

Wembley Stadium, twin towers

A fachada do velho Wembley, com as duas torres. A foto está nos corredores do novo estádio como recordação.

Se você não acompanha futebol, precisa de um preâmbulo para conhecer alguns fatos sobre Wembley. O estádio que está de pé hoje não é o Wembley original, e sim uma versão remodelada que foi inaugurada em 2007. A primeira encarnação do estádio existiu entre 1923 e 2003 e tinha como principal marca as duas torres na fachada. Logo no jogo inaugural, a final da Copa da Inglaterra entre Bolton e West Ham, recebeu 127 mil pessoas. Durante 27 anos, este foi o maior público do futebol mundial. Acabou superado apenas pela final da Copa de 1950.

Quando foi demolido em 2003, o velho Wembley já tinha passado por remodelagens que diminuíram sua capacidade para 80 mil pessoas. Com a reconstrução, o estádio ficou maior: 90 mil lugares. Além disso, ganhou outro elemento arquitetônico de destaque. No lugar das duas torres, um imenso arco que se destaca de longe.

Wembley Stadium, Twin Towers

Substituição: saem as duas antigas torres…

Wembley Stadium

… e entra o modernoso arco. Foto: Leonardo Aquino

Outro fato interessante: Wembley pertence à Federação Inglesa de Futebol, e não a algum clube. Portanto, é a sede oficial do English Team. Dificilmente você vai ver na programação jogos que não sejam de seleções. A temporada 2017/18 é uma exceção. O Tottenham Hotspurs joga como mandante em Wembley enquanto seu novo estádio não fica pronto.

Começando a visita

Wembley Stadium

É assim que você Wembley assim que sai do metrô. Foto: Leonardo Aquino

Pois bem, vamos à visita em si. Basta sair da estação Wembley Park do metrô para avistar o gigantesco arco e os painéis de led na fachada, que informam sobre a programação de jogos e eventos. Na esplanada do estádio, uma estátua homenageia um dos maiores nomes do futebol inglês:  Bobby Moore, capitão da seleção campeã mundial em 1966.

Bobby Moore, lenda nacional na Inglaterra. Foto: Leonardo Aquino

Os ingressos podem ser comprados antecipadamente no site do estádio ou numa bilheteria dedicada às visitas guiadas. Junto com os ingressos, os visitantes recebem livretos com informações úteis para a visita. Há uma edição em português disponível.

Wembley Stadium, visitors guide

O guia em português para a visita a Wembley. Foto: Leonardo Aquino

Na recepção, as boas vindas ficam por conta de um elemento protagonista da história das Copas do Mundo. O travessão onde bateu a bola do polêmico gol de Geoff Hurst na final de 1966 entre Inglaterra x Alemanha. Depois de bater no poste, a bola quicou à frente da linha. Numa era sem tira-teima ou tecnologia da linha do gol, o árbitro validou o lance, determinante para a vitória inglesa. Qualquer vídeo hoje em dia mostra que o erro foi grotesco. Mas os ingleses, pelo jeito, celebram o travessão como um dos heróis do título.

Wembley Stadium, Crossbar Reception

O histórico travessão de 1966 é o recepcionista da visita a Wembley. Foto: Leonardo Aquino

A visita começa em uma área dedicada à memória dos Jogos Olímpicos disputados em Londres. Antes da edição mais recente, a de 2012, houve outras duas: 1908 e 1948. A segunda edição, inclusive, teve Wembley como palco principal. A principal atração desta área é a bandeira olímpica original dos Jogos de 1948.

Wembley Stadium, London Olympic Flag

Foto: Leonardo Aquino

 

Tribunas e bastidores

Wembley Stadium Tribunes

A vista das tribunas de Wembley. Foto: Leonardo Aquino

O primeiro contato com o campo em si acontece à distância, de uma das tribunas. É o momento em que os visitantes são apresentados a algumas informações e curiosidades sobre Wembley. Uma delas diz respeito à acústica impecável do estádio. Para testá-la, o guia nos desafia a gritar qualquer coisa e ouvir a beleza da reverberação do som. Aí você fica imaginando como deve ser aquele ambiente com 90 mil vozes…

Das tribunas já dá pra ter noção da imponência de Wembley, o segundo maior estádio da Europa em capacidade (menor apenas que o Camp Nou, de Barcelona). Aproveite a posição para tirar uma bela foto panorâmica do estádio.

Panorâmica tirada a partir das tribunas. Foto: Leonardo Aquino

Depois disso, os visitantes começam a mergulhar pra valer nos bastidores de Wembley. A caravana passa pela sala de imprensa, onde técnicos e jogadores dão entrevistas coletivas. Estão liberadas fotos para que você se sinta o Wayne Rooney ou o David Beckham por alguns segundos.

Wembley Stadium, Press Room

Meu time perdeu nesse dia…

Nos corredores internos, as paredes são decoradas com imagens que contam a história de Wembley (o velho e o novo). Fotos dos grandes jogos, títulos comemorados, shows marcantes e personalidades que estiveram no estádio. Cuidado para não passar muito tempo olhando para as molduras e perdendo de vista seus companheiros de passeio.

Vestiários e campo

Wembley Stadium, Dressing Room

Foto: Leonardo Aquino

A parada seguinte é nos vestiários, modernos e confortáveis como os de qualquer arena construída no século 21. Em horários de visita guiada, eles ganham uma arrumação diferente de um dia de jogo. Na minha visita, por exemplo, havia algumas camisas importantes de craques que haviam passado recentemente por lá. Messi e Cristiano Ronaldo eram os destaques. Mas também havia vários uniformes do English Team e do Team GB, a seleção da Grã-Bretanha, formada apenas para a disputa dos Jogos Olímpicos.

Wembley Stadium, Dressing Room

A rara camisa do Team GB no vestiário de Wembley. Foto: Leonardo Aquino

Em seguida, a visita reproduz o caminho dos craques. Dos vestiários para o túnel, do túnel para o campo. Aí é pura emoção, ainda que a área permitida para circulação de visitantes seja bem limitada. Fica difícil não sentir um friozinho na barriga ao imaginar todos os craques e grandes eventos que já passaram por lá. É a hora de entupir a memória da sua câmera ou celular com fotos de todo tipo.

Wembley Stadium, Pitch

Vista panorâmica a partir do gramado. Foto: Leonardo Aquino

Wembley Stadium, Pitch

No pequeno espaço permitido para a gente circular

Wembley Stadium

Curiosidade: uma parte das cadeiras atrás de um dos gols é removível. Facilita a vida em dias de grandes eventos e shows. Foto: Leonardo Aquino

Fim da visita

A brincadeira termina como em qualquer visita guiada que se preze: na lojinha. E na de Wembley, você encontra todo tipo de souvenirs da seleção da Inglaterra. Camisas de jogo atuais e retrô, cachecóis, pelúcias, ímãs de geladeira, bolas e muito mais. Apenas fique ligado que o gasto ali é em libra, amigo.

Na saída da visita, ainda há algumas últimas coisas legais para ver. Como a escultura dos três leões, símbolo da Federação Inglesa e, consequentemente, da seleção do país. Além disso, há outra homenagem aos Jogos Olímpicos. Uma espécie de pequeno memorial, com placas que enumeram os medalhistas de ouro dos Jogos de 1948.

Wembley Stadium, Three Lions

Os Três Leões icônicos do futebol inglês. Foto: Leonardo Aquino

Wembley Stadium, 1948 Olympic Champions

Homenagem aos campeões olímpicos de 1948. Foto: Leonardo Aquino

 

Planeje sua visita a Wembley

Uma ida a Wembley para uma visita guiada não é algo tão simples para fazer sem planejamento nenhum. Existem questões logísticas e financeiras envolvidas. Uma viagem perdida pode custar caro (e não é tão difícil de ocorrer).

Agenda

Antes de tudo, é preciso saber que Wembley não está aberto para visita guiadas todos os dias. Quando há jogos ou eventos, não há visitas. Portanto, o primeiro passo é checar o seu calendário de viagem com a programação de eventos de Wembley. Os dias em que os tours não serão feitos sempre estão em destaque no site do estádio: http://www.wembleystadium.com/Wembley-Tours.aspx

Nos dias sem eventos, as visitas são realizadas de hora em hora a partir das 10h. A última é às 16h.

Transporte

Também tem o fator distância/transporte. Wembley fica distante do centro de Londres, na zona 4 do transporte público. Quem já foi à cidade e andou de metrô provavelmente já se familiarizou com essas zonas numeradas. E esse mesmo turista que não é mais de primeira viagem também deve saber que, num roteiro básico por Londres, anda-se principalmente nas zonas 1 e 2. Nem todos os bilhetes de transporte dão acesso a todas as zonas. E, quanto maior o número da zona por onde você vai andar, mais caro é o bilhete.

Recomendo que você se informe bem sobre o transporte público de Londres antes de ir. O site Londres Para Principiantes tem um guia bem completo sobre tarifas e o uso do Oyster Card, que vale para ônibus, metrô e trens: https://www.londresparaprincipiantes.com/guia-dos-transportes-para-2017/

Se você for de metrô, as estações mais próximas para descer são Wembley Park (linhas Jubilee e Metropolitan) ou Wembley Central (linhas Bakerloo e London Overground). As linhas de ônibus que servem o estádio são as de número 18, 83, 92 e 224.

Utilize o planejador de viagens do site do transporte público de Londres para saber a melhor forma de chegar. O Google Maps também funciona bem para esta finalidade.

Ingresso

Assim como a maior parte das atrações pagas de Londres, Wembley tem um ingresso caro: 20 libras (valor apurado em setembro de 2017). Mas este é o preço de balcão para tarifa cheia. Comprando online, os preços são menores. Para adulto, por exemplo, o ingresso comprado na internet custa 18 libras. Existem descontos para menores de 16 anos, idosos com mais de 65 anos e estudantes. A tabela completa de preços está aqui: http://www.wembleystadium.com/Wembley-Tours.aspx

Mas, para comprar online, é preciso marcar data e hora para a visita. Ou seja, leve em conta você vai ter que programar uma parte de um dia em função de Wembley.

2 comentários em Estádio de Wembley: visita guiada ao templo do futebol inglês

Dortmund: um passeio pela capital alemã do futebol

Sou fã de futebol e nem minhas viagens me deixam mentir. Aqui no blog, já falei sobre a visita ao estádio mais antigo em atividade em Londres. Também já entrevistei…

Sou fã de futebol e nem minhas viagens me deixam mentir. Aqui no blog, já falei sobre a visita ao estádio mais antigo em atividade em Londres. Também já entrevistei o craque Juninho Pernambucano para falar sobre Lyon. Como se não fosse suficiente, tenho amigos que compartilham essa paixão e também colocam o esporte como balizador eventual dos roteiros de viagem. Um deles aceitou o convite de escrever um post convidado para o Mochileza sobre Dortmund, na Alemanha.

Primeiro vou apresentar o “santo” e depois, o “milagre”. O João Lazera é pernambucano, advogado e torcedor do Sport. Apesar de trabalhar no dia-a-dia com o idioma juridiquês, ele tem uma prosa muito fácil na escrita. Poderia ter o blog dele, seja sobre futebol ou sobre viagens. Apaixonado pela Alemanha, o cara já rodou por uma grande parte do país nas viagens que fez para lá.

Dortmund era o sonho de Disneylândia do João Lazera

E por que Dortmund? Por mais que não esteja na rota turística comum, a cidade com pouco menos de 600 mil habitantes tem alguns atrativos para os fanáticos por futebol. O primeiro é o clube com a maior média de público do planeta. O segundo, um completíssimo e recém-inaugurado museu sobre o futebol alemão.

A partir de agora é com o João. Espero que vocês curtam os relatos dele como eu curti!

========================================

 

Não falta quem se dobre de paixões pelas mais variadas coisas. A minha é o futebol. Eu reverencio o esporte e o Sport. A atmosfera, a festa, a tensão e a linha tênue entre a agonia e alegria são elementos que tornam o jogo apaixonante. Tanto para quem vai ao estádio quanto para quem divide a TV e umas cervejas com os amigos às quartas, quintas, sábados, domingos ou segundas (com o perdão dos que são habitués da Série B).

O João e a Gabi, esposa dele, no Signal Iduna Park, em Dortmund. Foto: João Lazera

Ir à Alemanha é ter a oportunidade de ver de perto a maior média de público em campeonatos nacionais de futebol no mundo inteiro. São mais de 40 mil torcedores por jogo. Além disso, também é a chance de desmistificar parte desses chavões que o brasileiro curte repetir: “país do futebol”, “povo caloroso”, “jogo bonito” e mais um monte desses que você escuta da boca do Galvão Bueno. Esse era o roteiro da minha viagem de 2017.

A ideia era passar por Essen, Colônia, Düsseldorf, Leverkusen, Hamburgo, Hanover e Munique. Quase todas as cidades citadas têm inúmeros atrativos históricos e culturais. Nelas, o futebol é apenas um bônus. Mas que bônus! Nesses lugares, pode se conhecer clubes que vão desde o cultuado underdog St. Pauli até o supercampeão Bayern.

Mas, se você perseverou até aqui, sabe que isso não é o principal objetivo. A exceção – e a razão de existir desse post, é o orgulho da Vestfália: Dortmund.

A maior cidade do Vale do Ruhr teve sua importância histórica calcada na exploração do aço. A atividade foi determinante tanto no período de Otto von Bismarck, quanto no de Adolf Hitler. Não por acaso, Dortmund sofreu com as intervenções pós-guerra. Ressuscitou com a retomada desenvolvimentista chamada de “Wirtschaftswunder”, milagre econômico supervisionado pelo ministro das finanças Ludwig Erhard nos anos 50. Hoje a cidade vive um período de pós-industrialização, fomentado pela Universidade local e seu imponente parque de tecnologia.

Não vai faltar quem tente te convencer a fazer apenas um bate-volta nessa cidade de vocação industrial e com cara de interior. Afinal, são apenas pouco mais de cem quilômetros de Colônia ou de Düsseldorf, por exemplo. E ninguém normal trocaria uma vista da Catedral de Colônia ou da Rheinuferpromenade, o calçadão à beira do rio.

Borussia, o maior patrimônio de Dortmund

Mas, como não estamos falando de pessoas normais, Dortmund merece mais que isso. Merece um fim de semana de jogo, vestido de amarelo e negro, sendo parte da Muralha Amarela, cantando “You’ll never walk alone” a plenos pulmões, cheio de cerveja Kronen na cabeça. Esse é o espírito da cidade do Borussia Dortmund, o BVB 09 (Bê-fál-bê, para os locais).

Foto: João Lazera

Mas, antes dos “finalmentes”, tem os “entretantos”. Para você que está acostumado a ir a estádio comprando ingresso no dia ou é daqueles que não acompanha muito o futebol internacional, tenho uma novidade para você. Os ingressos para os jogos do Dortmund estão esgotados. Cem por cento dos ingressos são vendidos no início da temporada entre os sócios do clube, na forma de tíquete de temporada (season ticket). Como se não fosse suficiente, há uma fila de espera – também formada por sócios, brutal.

 

Como conseguir ingressos para os jogos do Borussia Dortmund?

Como tudo na vida tem um jeito, existem três maneiras de você consegui-los:

1) O site oficial do clube costuma vender os últimos assentos disponíveis para cada jogo duas ou três semanas antes. Ainda assim, é quase impossível.

2) Pelo site de venda de ingressos Viagogo. O site e o app para celular são em português, oferecem a entrega do ingresso em domicílio e pagamento no cartão de crédito. Ao menos pelas avaliações na internet, o sistema é confiável. O lado ruim é que a cobrança é feita em dólares e o preço é sempre salgado, muito salgado. Outro ponto negativo (esse experimentado por mim) é que caso você venha a comprar perto da data do evento, a chance de eles cancelarem por ser inviável o envio/entrega é grande. Ou seja: programe-se com antecedência.

3) A última opção talvez seja a mais conhecida dos brasileiros e, não por coincidência, a menos segura: cambistas. No entanto, é o meio mais fácil de se atingir o objetivo. Se seu inglês for bom, se você não tiver medo de cara feia e souber barganhar, pode comprar bons lugares pagando menos que no Viagogo. O segredo é chegar umas duas horas antes do jogo e ficar perto da loja oficial do clube (Strobelallee 50, 44139 Dortmund). Vai ser fácil identificar quem está ali para esse fim. Deu certo comigo.

Seja qual for o caminho adotado, dificilmente o tíquete sairá mais barato do que setenta euros.

Signal Iduna Park em seu estado natural: lotado. Foto: João Lazera

O Signal Iduna Park

A experiência no Signal Iduna Park, no entanto, vale cada centavo. O estádio contempla todos os tipos de torcedores, desde os amantes das gerais aos chamados “torcedores cappuccinos”. É moderno, confortável e seguro como as novas arenas padrão FIFA, mas sem ser asséptico como tal.

Apesar da elitização que assola o futebol europeu, a Bundesliga e o Borussia Dortmund conservam um tíquete médio com um preço acessível. Assim, garantem espaço para torcedores menos abastados. É a consciência de que, sem a südtribune, onde fica a Muralha Amarela, estaria extinta a maior riqueza cultural do clube e da cidade. Basta o primeiro acorde de “You’ll never walk alone” para se ter certeza disso. A reverência contida na saudação dos jogadores ao fim do jogo é outro exemplo.

Aliado ao jogo e à atmosfera do estádio, está o bratwurst (linguiça com pão) ou currywurst mit pommes (linguiça fatiada, com molho curry apimentado e batatas) e, para acompanhar, dê uma chance à cerveja Kronen. Vai te deixar pensando melhor, eu garanto.

Foto: João Lazera

Estádio à parte, o Borussia Dortmund não para aí. A loja oficial é incrível e te deixa convencido de que o mote Echte Liebe (amor verdadeiro) não é à toa. A quantidade de produtos é suficiente para te deixar vestido de preto e amarelo durante todo o ano, sem parecer membro de uma seita ou mais um integrante da Turma da Mônica. Qualidade, amigos. Apenas qualidade.

Museu do Futebol Alemão

Foto: João Lazera

Se sobrar fôlego para mais um dia dedicado ao futebol, uma visita ao Deutsches Fussballmuseum, o Museu do Futebol Alemão, é imperdível. Apesar do preço relativamente salgado (cerca de 30 euros), o museu entrega uma imersão na história dos tetracampeões mundiais repleta de interatividade e de relíquias valiosas.

Dois capítulos são especialmente destacados. O primeiro é o Milagre de Berna, como ficou conhecida a vitória em 1954 sobre a seleção da Hungria, o então melhor time do mundo. A imersão tem direito a imagens em tamanho real dos jogadores e a história de cada um deles, bem como as anotações pessoais do técnico Sepp Herberger.

Flâmula da final da Copa de 1954, Alemanha 3×2 Hungria. Foto: João Lazera

O segundo capítulo é a máquina que humilhou o Brasil em 2014, com atuação holográfica dos protagonistas da conquista. Além disso, há vários depoimentos e mais um pouco daquela alegria demonstrada nas praias da Bahia e do Rio de Janeiro.

Essas anotações trazem memórias pra você? Foto: João Lazera

A final da Copa de 2014 contada lance a lance em imagens. Foto: João Lazera

O lado negativo é que boa parte do material e os filmes com os jogadores não tem tradução sequer para o inglês. Isso pode deixá-lo com cara de paisagem em grande parte das piadas se o seu alemão for tão ruim quanto o meu, claro. Nada que deixe o programa menos divertido.

Camisa usada por Franz Beckenbauer, o Kaiser. Foto: João Lazera

Outra jóia do acervo é a parte dedicada ao campeonato alemão no período da separação do país, com matérias de jornal, flâmulas e revistas sobre o tema. O contraste entre as Alemanhas Ocidental e Oriental impressiona, sobretudo o contexto político e social.

A extinta Alemanha Oriental jogava com esta camisa azul. Foto: João Lazera

 

Porque nem só de futebol vive o homem…

Se sobrar tempo, duas indicações. A primeira é o café completo na Bäckermeister GROBE (Baroper Kirchweg 32-34, 44227 Dortmund), para poder aproveitar frios, queijos e a arte alemã de fazer pães e doces maravilhosos. A outra é o jantar no La Gazzeta (An der Palmweide 56, 44227 Dortmund), para comer aquela massa que você respeita. Para acompanhar, um Spätburgunder (como é conhecido o vinho pinot noir) da Renânia. É sem erro.

Dortmund é contagiante pelo espírito, pelas pessoas e pelo modo como abraçou o esporte que amo. Vale demais sua visita.

Nenhum comentário em Dortmund: um passeio pela capital alemã do futebol

As dicas de Juninho Pernambucano para conhecer Lyon

Se tem um brasileiro que é reverenciado em Lyon, é Juninho Pernambucano. Quando era jogador de futebol, passou oito temporadas na cidade francesa. Ajudou a levar um clube que nunca…

Se tem um brasileiro que é reverenciado em Lyon, é Juninho Pernambucano. Quando era jogador de futebol, passou oito temporadas na cidade francesa. Ajudou a levar um clube que nunca havia sido campeão (o Olympique Lyonnais) a ganhar sete títulos nacionais consecutivos. Virou bandeira no estádio, ganhou música da torcida e conheço até gente que ganhou cortesia num restaurante de lá porque era nascido na mesma cidade de Juninho.

Isso não é pouca coisa. Primeiro pelo fato de que não são muitos os jogadores com uma carreira tão longeva e tão vitoriosa num único clube. Segundo porque Lyon não é qualquer cidade. É a terceira mais populosa da França e uma referência internacional em gastronomia. Tudo isso faz com que Juninho seja um baita personagem para conversar sobre turismo.

Juninho nasceu em Pernambuco, começou a carreira no Sport em 1993 e em 1995 se transferiu para o Vasco. No time carioca, passou cinco anos e meio. Conquistou dois títulos brasileiros e uma Libertadores antes de ser contratado pelo Lyon (como abreviamos o nome do Olympique Lyonnais no Brasil) em 2001. Recife e Rio de Janeiro. Duas cidades litorâneas, muito populosas e onde é praticamente verão o ano inteiro. Com esse histórico, morar numa cidade menor, com temperaturas bem mais rigorosas, poderia ser um desafio para qualquer um. Mas não foi para Juninho.

 

Juninho em sua despedida do Lyon em 2009. Foto: Site Oficial Olympique Lyonnais

A obrigação de se adaptar à cidade é daquele que está chegando. E eu cheguei a Lyon muito concentrado em jogar futebol. Meu único problema na chegada era que eu já tinha uma filha e a minha esposa estava grávida da segunda. Ela chegou lá com quase sete meses de gravidez. Dois meses depois, a minha segunda filha já nasceu em Lyon. Então foi mais uma questão de adaptação da família, de arrumar médico, casa, decidir o hospital em que ela ia nascer, tudo isso foi um pouco mais complicado”, conta o hoje comentarista da TV Globo.

A rotina de jogador de futebol no meio da temporada não oferece muitas folgas. Além dos treinos, são muitas viagens (mas daquelas em que não se consegue aproveitar nada). Mesmo com pouco tempo livre, Juninho conseguia curtir Lyon. “Eu gostava muito de ir para o centro de Lyon, que tem uma rua só de restaurantes. Também tem a Place Bellecour, que é um passeio super agradável. Como eu sempre recebia muita gente, sempre levava as visitas para conhecer os pontos turísticos”, relembra.

A roda gigante e a estátua de Luís XIV na Place Bellecour. Foto: prochasson frederic/Shutterstock

Segundo Juninho, Lyon também tem outro ponto positivo para os viajantes levarem em consideração. A geografia permite combinar a visita à cidade com outros destinos incríveis. “Lyon está muito próxima da Suíça, da Itália, da Espanha, da montanha, da praia. Lyon tem essa facilidade. Em duas horas você está numa bela estação de esqui. Foi lá que conheci a neve pela primeira vez, um momento muito marcante”, conta Juninho, se referindo à estação de Chamonix. Além disso, há trens rápidos para cidades como Paris, Marseille e Milão.

Se você está planejando uma ida à França em breve e considera colocar Lyon no roteiro, anote aí as dicas de Juninho! Ele é um dos melhores cicerones que você pode ter em Lyon.


Parc de la Tête D’Or


Fica ao norte da cidade e é o maior parque urbano da França, com 117 hectares. Abriga jardim botânico, zoológico e diversas atrações como pedalinhos e um carrossel do século 19. Para Juninho Pernambucano, o Parc de la Tête D’Or era o passeio preferido para se fazer com crianças em Lyon. “Ele é muito lindo, tem animais, espaço para piqueniques e muito verde. Principalmente no verão é muito bacana correr e andar de bicicleta”, conta.

Para informações e horários de cada espaço do parque, confira o site: http://www.loisirs-parcdelatetedor.com/

 

Gastronomia – as brasseries de Paul Bocuse

Foto: Twitter Brasseries Bocuse

Se Lyon é uma das cidades mais bem cotadas no mapa múndi da boa mesa, muito se deve a Paul Bocuse. Aos 90 anos de idade, ele é um dos chefs mais renomados do planeta. Foi um dos criadores da nouvelle cuisine e dá nome a um instituto que é uma das melhores escolas da gastronomia mundial. Além disso, um de seus restaurantes, o L’Auberge, que fica nos arredores de Lyon, tem um recorde imbatível. Possui três estrelas Michelin desde 1965!

Quando morou em Lyon, Juninho Pernambucano aproveitou bastante a gastronomia da cidade. “Em Lyon você pode ir para praticamente todos os lugares que você vai comer muito bem. Mas eu indicaria um restaurante do Bocuse chamado L’Ouest. É bem bacana, você vê a cozinha aberta. Não é um restaurante dos mais caros, tem outros mais chiques”, conta.

Paul Bocuse cercado por Juninho e a esposa Renata

O L’Ouest faz parte de um grupo de restaurantes de Bocuse chamados brasseries. Eles são mais descontraídos e que servem pratos mais simples e acessíveis que os da alta gastronomia. Algumas das brasseries tem o nome de um ponto cardeal relativo à zona da cidade onde se localiza. E cada uma delas é especializada na cozinha de uma região diferente da França. A do oeste, indicada por Juninho, traz no menu a culinária das ilhas francesas.


Brasserie D’Ouest
Endereço: 1 Quai du Commerce, 69009 Lyon
Horário: de 12h15 às 14h e de 19h30 às 23h (23h30 às sextas e sábados)
Site: http://www.nordsudbrasseries.com/

 

A arquitetura de Vieux Lyon

Foto: Dennis Jarvis – Wikimedia Commons

O distrito mais antigo da cidade tem referências renascentistas e medievais em seus prédios e fachadas. O charme também está nas ruas estreitas, becos e “traboules”, as passagens entre uma rua e outra por dentro das edificações. Além disso, o bairro está numa subida. No ponto mais alto, está a colina onde fica a Basílica Notre Dame de Fourvière. Para Juninho Pernambucano, fazer este percurso tem um sabor especial.

“Quando eu voltava dos jogos com minha família, a gente subia a colina da Fourvière. Vale muito a pena subir, você vê a cidade inteira”, relembra.

 

A vista do alto da colina da Fourvière. Foto: prochasson frederic/Shutterstock

Além da vista da cidade, em Vieux Lyon há muito o que visitar. Fora a Basílica de Fourvière, há as catedrais de Saint-Jean Baptiste e Saint-Jean Tresor. Se conhecer igrejas não é a sua liga, você pode ir ao Museu da Miniatura e do Cinema. A coleção tem reproduções hiper-realistas de cenas do cotidiano em miniatura, além de objetos que revelam a magia dos efeitos especiais da sétima arte. Outra opção é perambular sem mapa e descobrir aleatoriamente os bouchons (restaurantes típicos de Lyon) do bairro.

Musée Miniature et Cinema
Endereço: 60 Rue Saint-Jean, 69005 Lyon
Site: museeminiatureetcinema.fr
Horário: 10h às 18h30 (de segunda a sexta) e 10h às 19h (sábado e domingo)

Basílica Notre Dame de Fourvière
Endereço: 8 Place de Fourvière, 69005 Lyon
Site: fourviere.org
Horários: 7h às 19h (acesso ao interior da Basílica), 7h às 21h30 (acesso aos portões da esplanada)

Cathédrale Saint-Jean Baptiste
Endereço: Place Saint-Jean, 69005 Lyon
Site: cathedrale-lyon.cef.fr

 

Gerland, o estádio que virou história

Foto: Site Oficial/Olympique Lyonnais

Perguntei a Juninho qual era o principal cartão postal de Lyon para ele. O craque não titubeou em responder: o Estádio Gerland. “É onde tive maior crescimento profissional, onde vivi grandes momentos. Fui o primeiro jogador da história do clube que teve uma música especial”, relembra orgulhoso. O Lyon se mudou em 2016 para o novíssimo Stade des Lumières, numa área mais distante do centro da cidade. Mas o legado de Gerland é quase centenário.

O estádio foi idealizado em 1910, mas só foi inaugurado em 1926 porque a Primeira Guerra Mundial atrasou a obra. Em mais de 90 anos de história, Gerland abrigou jogos da Eurocopa de 1984, da Copa do Mundo de 1998, a Copa das Confederações de 2003 e o Mundial de Rugby de 2007. De 1950 a 2016, foi a casa do Olympique Lyonnais, tendo, portanto, sido palco do momento mais vitorioso da história do clube.

Quem quiser ver os jogos do Lyon hoje, tem que se dirigir ao novo estádio, que fica dentro do Parc Olympique Lyonnais. Ele foi construído na cidade vizinha de Décines-Charpieu e foi um dos estádios mais caros da Euro 2016: 415 milhões de euros. O estádio também está aberto a visitas, que custam a partir de 9 euros.

O novo estádio de Lyon. Foto: UEFA

Stade Gerland
Endereço: 353 Avenue Jean Jaurès, 69007 Lyon

Parc Olympique Lyonnais
Endereço: 10 Avenue Simone Veil, 69150 Décines-Charpieu
Site: http://www.parc-ol.com/

O espetáculo da Fête Des Lumières

Foto: Only Lyon

Um ritual tradicional que virou um grande evento urbano. Assim pode ser definida a Fête des Lumières, ou o Festival das Luzes de Lyon. Ela é realizada anualmente no início de dezembro e fez parte da vida de Juninho Pernambucano nos anos em que viveu na França. “Todo 8 de dezembro a cidade fica toda iluminada. É inverno, está frio, mas todo mundo vai para a rua e todos iluminam suas casas”, relembra.

A tradição começou em 1852, quando uma estátua da Virgem Maria seria inaugurada na colina da Fourvière. O evento acabou cancelado por causa da cheia do rio Saône, que banha Lyon. A festa foi transferida para o dia 8 de dezembro daquele ano, mas quase foi suspensa por causa de uma tempestade. Mas, à noite, quando o tempo melhorou, os moradores foram saindo de suas casas com velas e lanternas nas mãos.

O que tinha uma origem puramente religiosa ganhou um status de evento artístico nos últimos anos. Além das luzes nas portas das casas, Lyon recebe intervenções urbanas durante a Fête Des Lumières. Os pontos turísticos da cidade viram telas para projeções digitais videográficas, videomappings e outras técnicas.

 

Site: http://www.fetedeslumieres.lyon.fr

6 comentários em As dicas de Juninho Pernambucano para conhecer Lyon

Craven Cottage: o lado B do turismo de futebol em Londres

A Inglaterra inventou o futebol como o conhecemos e hoje tem uma das ligas nacionais mais ricas do mundo. São clubes milionários e multicampeões repletos de astros de várias partes…

A Inglaterra inventou o futebol como o conhecemos e hoje tem uma das ligas nacionais mais ricas do mundo. São clubes milionários e multicampeões repletos de astros de várias partes do mundo. Mas, à parte dos cifrões da Premier League, a capital inglesa oferece oportunidades bem interessantes para aqueles viajantes que, como eu, adoram conhecer um estádio novo a cada cidade visitada. Na minha visita a Londres, uma das minhas escolhas foi o Craven Cottage.

Estive na capital em junho de 2015 para uma viagem de cinco dias. Antes mesmo de embarcar, escolhi três estádios para visitar. O primeiro da lista foi um clássico: Wembley, casa da seleção inglesa de futebol. O segundo foi o de um clube da Premier League: Stamford Bridge, casa do Chelsea, que virou gigante depois de ser comprado pelo bilionário russo Roman Abramovich no início do século 21. E o terceiro foi o estádio do Fulham FC, que inspira este post e estas lembranças que compartilho com vocês.

A panorâmica no estádio do Fulham é uma das mais fáceis de enquadrar sem perder nada

A panorâmica no estádio do Fulham é uma das mais fáceis de enquadrar sem perder nada

O Fulham é um clube que já andou vários anos pela Premier League. Chegou a ser vice-campeão da Liga Europa em 2010, mas hoje está na Championship, a segunda divisão inglesa. Em 2016, aliás, quase caiu para a terceira. Mas seu estádio, Craven Cottage, é o símbolo de um país cuja ligação com o futebol é muito mais intensa do que os cifrões de seu rico campeonato.

Fatos sobre Craven Cottage

1) É o estádio mais antigo de Londres em funcionamento. Sua construção data de 1896.

2) O estádio fica à margem do Tâmisa. Existe até uma tribuna chamada Riverside Stand. Nela, os torcedores podem contemplar o rio enquanto tomam uma cerveja no intervalo do jogo.

behindriversidestand

Atrás da Riverside Stand, o Tâmisa

3) A fachada é tombada pelo patrimônio histórico inglês. Não pode ser modificada e assim nunca foi, apesar das várias reformas que foram feitas ao longo de 120 anos de existência.

A fachada de Craven Cottage, marcada pelos tijolinhos aparentes

A fachada de Craven Cottage, marcada pelos tijolinhos aparentes

4) O clube mantém a tribuna original, a única que existia na época em que o estádio foi colocado de pé. Ela é conhecida como Rabbit Hutch (algo como “Toca do Coelho”). Lembra vagamente a tribuna de um jóquei clube ou hipódromo.

A famosa Rabbit Hutch, tribuna que existe desde a construção do estádio

A famosa Rabbit Hutch, tribuna que existe desde a construção do estádio

Passeios guiados

O clube oferece passeios guiados, que levam a locais de Craven Cottage que ficam inacessíveis ao torcedor comum, mesmo em dias de jogos. Durante uma hora e meia, a guia leva os visitantes aos vestiários, sala do manager, locais de coletivas de imprensa e muito mais. Depois de conhecer grandes arenas europeias e até mesmo os estádios brasileiros da Copa do Mundo, é impressionante perceber a diferença. É tudo menor, mais simples. Futebol em estado puro e bruto.

O vestiário do Fulham é simples, porém honrado

O vestiário do Fulham é simples, porém honrado

Imagina o Peter Crouch (2m01) dando entrevista aqui

Imagina o Peter Crouch (2,01m de altura) dando entrevista aqui

História e segurança

Craven Cottage tem um recorde de público de 49.335 pessoas, registrado em 1938. Mas tragédias como a de Hillsborough, em 1989, fizeram com que os principais estádios ingleses precisassem mudar. Os assentos passaram a ser obrigatórios e o estádio do Fulham chegou ao número atual de 25.700 como capacidade máxima.

Entretanto, o cuidado com o passado está presente até mesmo nessa adaptação aos padrões de segurança para os torcedores. Em algumas tribunas (inclusive a da imprensa, onde jornalistas cobrem os jogos), há cadeiras de madeira. Elas são usadas desde o início do século 20.

Dica para quem vier cobrir um jogo em Craven Cottage: traga uma almofada

Dica para quem vier cobrir um jogo em Craven Cottage: traga uma almofada

Curti o detalhe do THE antes do nome do clube

Curti o detalhe do THE antes do nome do clube

Homenagem

Do lado de fora de Craven Cottage, uma estátua homenageia o jogador mais importante da história do Fulham. O atacante Johnny Haynes jogou 18 temporadas no clube entre 1952 e 1970. Vestiu a camisa da seleção inglesa 56 vezes, 22 como capitão. A estátua foi construída depois da morte de Haynes, num acidente de carro em 2005, aos 71 anos.

A estátua de Johnny Haynes na fachada de Craven Cottage

A estátua de Johnny Haynes na fachada de Craven Cottage

O que Michael Jackson tem a ver com o estádio?

Falando em estátua, um outro exemplar é o tema de uma anedota histórica do Fulham e que é contada sem nenhum constrangimento pela guia do passeio. Uma estátua de Michael Jackson (sim, ele mesmo, o rei do pop) chegou a fazer parte da fachada de Craven Cottage. A história também envolve o bilionário egípcio Mohamed Al Fayed, pai de Dodi, namorado da princesa Diana que morreu no mesmo acidente de carro que ela em 1997. Al Fayed chegou a ser o dono do Fulham na virada do século 20 para o 21. Amigo de Michael Jackson, o magnata chegou a levar o cantor para assistir a um jogo no estádio em 1999.

Em 2009, Michael morreu e Al Fayed resolveu homenageá-lo de um jeito que irritou toda a torcida do Fulham: com uma estátua em frente ao estádio. Apesar da resistência, o elemento estranho ao futebol inglês continuou em Craven Cottage até ser retirada em 2014.

Tão natural quanto um elefante no topo de um edifício

Tão natural quanto um elefante no topo de um edifício

Como chegar

Chegar ao estádio de Craven Cottage é muito fácil. É só pegar a District Line do metrô londrino e descer na estação Putney Bridge. Atenção que existe uma pegadinha. Há uma estação chamada Fulham (na verdade, Fulham Broadway) na mesma District Line. Mas, por mais que o nome leve você a pensar diferente, esta é a estação mais próxima de Stamford Bridge, o estádio do Chelsea.

Depois de descer da estação, são uns 20 minutos de caminhada. Mas o passeio tem um astral bem leve: o caminho até o estádio cruza o Bishop´s Park, um belo parque que fica à margem do Rio Tâmisa e termina exatamente onde a área do Fulham começa. Além disso, a vizinhança é muito simpática, com várias fachadas clássicas e coloridas na área residencial.

O simpático e aprazível Bishop´s Park

O simpático e aprazível Bishop´s Park

Não vá se perder por aí

Não vá se perder por aí

Quem curte esse estilo de casinhas vai ter muito o que fotografar nas ruas residenciais perto de Craven Cottage

Quem curte esse estilo de casinhas vai ter muito o que fotografar nas ruas residenciais perto de Craven Cottage

A All Saints Church, que fica no caminho entre o metrô e o estádio

A All Saints Church, que fica no caminho entre o metrô e o estádio

Dias e horários

Craven Cottage está aberto todos os dias da semana. Mas, como o Fulham não é exatamente a primeira preferência dos turistas que vêm a Londres, os passeios guiados não são realizados todos os dias. Os dias dependem muito da tabela do campeonato, mas os grupos costumam ser formados às sextas, sábados ou domingos. O horário de início é sempre o mesmo: 11:15 da manhã. E o preço é mais em conta que os dos outros estádios: 15 libras. O link para ver o calendário de visitas é este.

Faixa bônus

Ao sair da visita, caso você seja entusiasta de uma boa cerveja tirada na pressão, há um pub bem próximo ao estádio que costuma ser frequentado pelos torcedores do Fulham. Ele se chama The Eight Bells e tem um ótimo atendimento e ambiente.

O recado do The Eight Bells é dado logo na chegada: seja legal

O recado do The Eight Bells é dado logo na chegada: seja legal

Que tal uma Guinness Extra Cold?

Que tal uma Guinness Extra Cold?

img_0777

Faixa bônus 2: a Seleção Brasileira jogou uma vez em Craven Cottage. Foi em 5 de setembro de 2011, um amistoso contra Gana. Deu Brasil: 1×0, gol de Leandro Damião.

1 comentário em Craven Cottage: o lado B do turismo de futebol em Londres

Type on the field below and hit Enter/Return to search