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São Petersburgo: muito além da Copa do Mundo de 2018

São Petersburgo, a cidade responsável por exportar o estrogonofe para o mundo, foi também a capital do Império Russo de 1732 a 1918. Em 2018, será a segunda cidade a…

São Petersburgo, a cidade responsável por exportar o estrogonofe para o mundo, foi também a capital do Império Russo de 1732 a 1918. Em 2018, será a segunda cidade a receber mais partidas da Copa do Mundo. São sete jogos no total, desde a primeira fase até a decisão do terceiro lugar. Por lá, seleções como o Brasil e a Argentina já têm passagem garantida.

Pode até não ser o centro administrativo e financeiro da Rússia. Mas quando o assunto é arte, nenhuma cidade russa brilha mais do que São Petersburgo. O local fica especialmente animado durante o Festival Noites Brancas. O evento foi criado em 1993 para celebrar a época do ano em que o sol mal se põe. De lá para cá, cresceu demais. Passou de duas para oito semanas de duração. E o número de visitantes ultrapassou um milhão na edição mais recente.

 

Neste outro post concentrado em Moscou, falei sobre a época do ano em que estive na Rússia. Compartilhei algumas impressões gerais sobre o país, as dificuldades de comunicação que enfrentei e, entre outras coisas, prometi uma sugestão de itinerário para três dias em São Petersburgo. Como promessa é dívida, então vamos lá.

 

Primeiro Dia – Palácios ao Sul

Por causa dos horários de funcionamento dos lugares que queríamos conhecer, escolhemos, em nosso primeiro dia, sair da cidade e visitar dois palácios que ficam ao sul. Eles ficam a pouco mais de 30km de São Petersburgo e distam 6km entre si: o Pavlovsk e o Palácio da Catarina I (em Tsarskoe Selo).

Fica aqui uma dica para os marinheiros de primeira viagem. Sempre verifique o endereço e o horário de funcionamento de todas as atrações que quer visitar, com antecedência e de preferência no site oficial do lugar. Isto para evitar dar de cara com uma porta fechada porque a atração mudou de endereço ou não funciona naquele dia/horário.

Pavlovsk

Há alguma discussão na internet sobre qual dos dois palácios visitar primeiro. Nós decidimos começar pelo mais distante. Para chegar lá, pegamos o trem que parte da estação Vitebsky (витебск). Depois de uns 35 minutos, descemos na parada que leva o mesmo nome do palácio (Павловск). Ao sair da estação, acompanhamos o fluxo dos turistas e entramos em um amplo parque em estilo inglês. Fomos seguindo a sinalização até chegar ao Pavlovsk. Incrivelmente, não havia qualquer informação em outro idioma que não fosse o russo. A solução foi colar em uma família que tinha contratado uma guia que falava em inglês. A convite da família, é claro.

Pavlovsk. São Petersburgo.

Pavlovsk, localizado há aproximados 30km ao sul de São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

Em estilo neoclássico, o palácio foi construído a mando de Catarina II entre 1781 e 1786, para o seu filho Paulo (Pavel em russo, por isso o nome: Pavlovsk) e sua segunda esposa Maria Fyodorovna. A tarefa foi inicialmente confiada ao arquiteto escocês Charles Cameron, que caiu nas graças da imperatriz pelo trabalho realizado em Tsarskoe Selo. O projeto modesto e a tendência à simplicidade, no entanto, não agradaram a Paulo e sua mulher. Por isso, deram a Vicenzo Brenna (assistente de Cameron) a missão de dar um ar de imponência e realeza ao prédio. O serviço de Brenna foi muito apreciado pelo futuro imperador e sua esposa. Tanto que o arquiteto voltou a trabalhar para o casal na remodelação do palácio em Gatchina e no Castelo Mikhailovsky, em São Petersburgo.

O design de interior ficou a cargo da própria Maria Fyodorovna, que encheu o Pavlovsk com obras de arte locais e importadas dos quatro cantos da Europa. A coleção de mobiliário em exposição no palácio é impressionante e, por si só, justifica a visita.

O palácio que visitamos é uma réplica do original. Este, após servir de residência real por mais de cem anos (1786-1917), foi reduzido a cinzas duas semanas após o fim da 2ª Guerra Mundial. Foi o resultado do vacilo de um soldado soviético que jogou um cigarro em uma mina alemã (quanta ironia!).

 

Palácio de Catarina I

Em seguida, pegamos o ônibus da linha 370, perto da entrada do Pavlovsk pela Rua Sadovaya Ulitsa, e descemos próximo ao Palácio de Catarina I. Esse palácio fica na cidade de Tsarskoe Selo (também conhecida por Pushkin), localizada uma parada antes da que descemos para ir ao Pavlovsk. Anotei também que poderíamos pegar os ônibus das linhas K286 e K513, dependendo da hora que terminássemos o passeio no primeiro palácio.

Ao chegar nessa grandiosa residência dos Czares russos, ficamos maravilhados com a sua grandiosidade, superando o Pavlovsk neste quesito. Mais de 100kg de ouro foram utilizados só para enfeitar a fachada. Outra coisa que nos chamou a atenção foi a imensa fila para comprar os ingressos. Ficamos umas três horas nela, e quase nem entramos, pois a bilheteria só estava aberta até as 17h. A fila era muito desorganizada, sendo constantemente furada por grupos de russos. Imagina na Copa!

 

Catherine's Palace. Tsarkoe Selo. São Petersburgo.

Fila em frente ao Palácio Cataria I, em Tsarskoe Selo. Foto: André Orengel.

 

Porém, tudo vale a pena quando se entra no museu.

O palácio foi construído inicialmente como uma casa de veraneio pela esposa do imperador Pedro o Grande, a Catarina I. Posteriormente, foi remodelado pela filha do, Elizabeth, com a ajuda do arquiteto Bartolomeo Rastrelli (que também assina o projeto do Palácio de Inverno, onde se encontra a principal coleção do museu Hermitage).

Infelizmente, um dos estragos impostos pelas tropas alemãs durante a Segunda Guerra Mundial foi o completo saqueamento do Museu. O que vemos hoje é uma belíssima reconstrução do original. Todas as salas são estonteantes, destacando-se a sala de âmbar (réplica), toda adornada com painéis sólidos desta preciosidade. Ao todo, eles pesam cerca de 450kg. A decoração original desta sala foi um presente de Frederico Guilherme I da Prússia, que a removeu de sua própria residência, o Palácio Charlottenburg em Berlim, para dar a Pedro o Grande.

Catherine's Palace. Tsarskoe Selo. São Petersburgo.

Palácio Catarina I, em Tsarskoe Selo. Foto: André Orengel.

Retornando para São Petersburgo

Para voltar, regressamos à parada em que descemos anteriormente e pegamos o mesmo ônibus de nº 370, que nos levou à estação de Tsarskoye Selo. De lá, pegamos o trem para São Petersburgo.

Pedro, Paulo, Maria, Elizabete, Catarina I e II; são muitos nomes e personagens em uma longa e instigante história de guerras, traições, ambições, poder e absurda riqueza. Para aprender mais sobre a vida dos Czares da Dinastia Romanov antes de pisar em solo russo, recomendo o excelente documentário da BBC Empire of the Tsars: Romanov Russia with Lucy Worsley, disponível na Netflix.

 

Segundo Dia – O Centro Histórico

Começamos o dia seguinte com o Free Walking Tour conduzido pela Anglo Tourismo. O esquema você já conhece: um guia lhe acompanha por um passeio pela cidade, contando a história e curiosidades de seus principais pontos turísticos. Ao final, você decide quanto quer pagar pelos serviços prestados, a título de gorjeta. A excursão dura cerca de três horas, começando as 10h30 em frente ao Diner (Столовая) na Nab. Reki Fontanki, nº 27.

Os destaques do passeio são: o Palácio Vorontsov, a Catedral de Nossa Senhora de Kazan, a Catedral de São Isaac, o Cavaleiro de Bronze, o Hermitage e a Igreja da Ressurreição do Salvador sobre o Sangue Derramado (ô nomezinho estranho!). Isso sem falar das várias histórias sobre a vida de Catarina II e de Pedro o Grande, a Revolução de Outubro, a Segunda Guerra Mundial e a vida moderna em São Petersburgo.

Church of the Savior on Spilled Blood. São Petersburgo.

Igreja da Ressurreição do Salvador sobre o Sangue Derramado, em São Petersburgo. Foto: André Orengel.

O Palácio de Inverno e o Museu Hermitage

Finalizado o tour, almoçamos e entramos no impressionante Palácio de Inverno, que hoje abriga a principal coleção do museu Hermitage. Antes disso, o prédio foi a residência oficial dos Czares, quase ininterruptamente, desde sua construção até a queda da monarquia russa.

Palácio de Inverno. Winter Palace. Hermitage. São Petersburgo.

Patio Interno do Palácio de Inverno (Museu Hermitage), São Petersburgo. Foto: André Orengel.

Construído com o objetivo de definitivamente inserir São Petersburgo no rol das mais magníficas capitais europeias de seu tempo, este pomposo palácio em tom pistache esbanja a extravagância e a ornamentação típicas da versão russa barroco europeu.

É difícil de acreditar, mas o acervo do Hermitage conta com mais de 3 milhões de obras de arte. Para se ter uma ideia, se você demorar um minuto para apreciar cada uma delas, somente após uns onze anos você estará liberado para voltar para a sua casa. Obviamente, nem todas as peças estão expostas. Os enormes salões do Palácio de Inverno exibem as principais obras desta que é uma mais importantes coleções de arte do mundo.

Throne Room. Palácio de Inverno. Winter Palace. Hermitage. São Petersburgo.

Sala do Trono, no interior do Palácio de Inverno (Museu Hermitage), São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

Dentre as obras em apresentação que vimos, algumas merecem atenção especial. O Gold Treasure Room, o Relógio do Pavão Dourado e os trabalhos de Leonardo da Vinci, Raphael, Michelangelo, Caravaggio, Peter Paul Rubens, Pierre-Auguste Renoir, Claude Monet e Henri Matisse.

Golden Peacock Clock. Hermitage. São Petersburgo.

O Relógio do Pavão Dourado, no museu Hermitage, São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

Encerramos o dia com um passeio e jantar às margens do rio Neva.

 

Terceiro Dia – Peterhof e Noites Brancas

No último dia em São Petersburgo visitamos o Peterhof (Petrodvorets). Aqui, constatamos que palácio suntuoso é o que mais há na cidade.

O que mais destaca o Peterhof dos demais é o conjunto de mais de 170 fontes e canais. É uma magnífica composição aquática, desenhada, em parte, por Pedro o Grande. Não há nada igual no planeta. As dezenas de estátuas douradas que cospem água em todas as direções são realmente extraordinárias. O estandarte da decoração é a apoteótica representação de Sansão batalhando com um leão. Ela foi feita para para celebrar a vitória russa contra os suecos em 1709.

 

Peterhof. Petrodvorets. São Petersburgo.

Destaque para a estátua no centro do lago artificial, que representa Sansão batalhando com um leão. Peterhof, em São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

Para chegar neste palácio, fomos de metrô até a estação Avtovo. De lá, pegamos o ônibus de número 210, que passa bem na frente do Palácio. Voltamos pelo mesmo caminho. O traslado levou quase 1h30, cada perna.

 

O Mariinsky

Para fechar com chave de ouro a visita à cidade, assistimos a um dos mais disputados espetáculos do festival Noites Brancas: o balé de “Romeo e Julieta”, apresentado no fabuloso Mariinsky.

Esse teatro é enorme e, sem dúvida, um dos mais bonitos que já estive. Com certeza vale a pena incluir o Mariinsky em qualquer visita a cidade. Mesmo que só para conhecer a sua estrutura.

Mariinsky. São Petersburgo.

Mariinsky, em São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

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Moscou: a hora de conhecer a capital da Copa do Mundo

Estivemos na Rússia há alguns anos, no auge do verão europeu, quando só fica escuro em Moscou por algumas horas e nem anoitece em São Petersburgo. É nessa época, inclusive,…

Estivemos na Rússia há alguns anos, no auge do verão europeu, quando só fica escuro em Moscou por algumas horas e nem anoitece em São Petersburgo. É nessa época, inclusive, que ocorre o festival das “Noites Brancas”, em São Petersburgo, com uma grande programação cultural que vira a madrugada. Além disso, os horários de funcionamento dos estabelecimentos ficam meio malucos. Imagine lojas abertas das 10 da manhã à meia-noite! A vantagem é que nos dá tempo de fazer de tudo: de programas cult a delírios de consumo. Só não sobra muito tempo para dormir.

Seven Sisters, Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa, em Moscou

Vista a partir do Rio Moscou do prédio do Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa, em Moscou. Foto: André Orengel.

 

O esplendor dos prédios públicos, palácios e museus impressionam o turista desavisado, de forma a rivalizar com a opulência das principais capitais da Europa Ocidental. Somando isso à riqueza da cultura russa, a viagem seria perfeita se não fosse pelos camaradas russos. É claro que existem exceções, conhecemos pessoas maravilhosas e simpáticas durante a viagem. Mas, via de regra, a Rússia é, talvez, o pior país em termos de receptividade de turistas estrangeiros dos quais já visitamos. O idioma não ajuda. São poucas as pessoas que conseguem se comunicar em inglês, até mesmo nos hotéis e museus. Pedir informações na rua? Nem pensar. As informações escritas, como placas indicativas, são escassas também, até mesmo em pontos turísticos. Algumas coisas não são nem escritas no nosso alfabeto.

É por isso, imagino, que se você quer conhecer esse lugar incrível, meu amigo, a hora é agora. Isso porque com a Copa do Mundo de 2018 no país, é bem seguro presumir que a língua inglesa será mais falada nos hotéis e pontos turísticos. Também é de se esperar que haverá mais informações em inglês espalhadas pela cidade. Assim, se você já tinha alguma vontade de conhecer a terra da vodca, aproveite essa oportunidade de ouro.

Passamos, ao todo, nove dias no país, contando o dia da chegada e partida, dividindo igualmente o tempo entre cada cidade. Com base em nossas experiências, sugiro aqui um itinerário para Moscou e outro para São Petersburgo (que será tema de um post à parte). Vamos ao passo a passo.

PRIMEIRO DIA

Voamos de São Paulo para Moscou pela Turkish Air Lines, com conexão em Istambul, chegando ao nosso destino às 3 da manhã. Fomos ao hotel, fizemos o check-in e dormimos até por volta das 11, para recarregar ao menos metade das baterias. Com muitas horas ainda no dia, fomos de metrô até a estação Polyanka e andamos ao restaurante Kvartira 44 (ul Malaya Yakimanka 24/8). O lugar é meio escondido, mas a comida é bem gostosa e a ambientação é aconchegante, inspirada em um apartamento da era soviética (o nome do lugar significa, literalmente, Apartamento 44).

Kvartira 44, em Moscou

Kvartira 44, em Moscou. Foto: André Orengel.

Galeria Tretyakov

De lá, caminhamos até a Galeria Tretyakov, fundada a partir da coleção particular dos irmãos industrialistas Pavel e Sergei Tretyakov. O primeiro, inclusive, foi um importante patrono dos tais Peredvizhniki (Itinerantes): pintores do século XIX dissidentes da Academia de Artes conservadora que tinham uma pegada mais nacionalista e de crítica social, atualmente muito celebrados na Rússia. A coleção é bem extensa e alberga, provavelmente, o principal acervo de pinturas russas do mundo.

Ficamos no museu até por volta das 5 da tarde. Ao sair, andamos na direção do rio e viramos à esquerda, no sentido do Art Muzeon Sculpture Park, onde é exibida uma inusitada coletânea de estátuas soviéticas ao lado de esculturas contemporâneas. Seguindo no mesmo sentido, adentramos no Parque Gorky, para um agradável passeio.

Navegando pelo Rio Moscou

Catedral do Cristo Salvador, em Moscou

Vista a partir do Rio Moscou da Catedral do Cristo Salvador, em Moscou. Foto: André Orengel.

 

Fizemos hora por lá até irmos a um cais da onde sai o passeio de barco da empresa Moscow River Boat Tours. Existem várias opções de passeios saindo de diferentes lugares do rio. O que fizemos durou cerca de uma hora e passava por boa parte dos principais monumentos e prédios moscovitas. Foi bem legal ver a cidade a partir do rio, garantindo alguns ângulos diferentes para as fotos.

Finalizamos o dia jantando em um dos restaurantes localizados no Red October Chocolate Factory, uma antiga fábrica convertida em centro artístico e gastronômico localizado em umas das extremidades da “Ilha Dourada” do Rio Moscou (dá para ver esse enorme complexo do passeio de barco).

Red October Chocolate Factory, em Moscou

Vista do Rio Moscou do Red October Chocolate Factory, em Moscou. Foto: André Orengel.

SEGUNDO DIA

Caminhando

Começamos o próximo dia da viagem com o passeio organizado pelo Free Walking Tour. O esquema você já conhece: um guia lhe conduz juntamente com um grupo pela cidade, contando a história e curiosidades de seus principais pontos turísticos e, ao final, você decide quanto quer pagar pelo tour. A excursão dura em torno de duas horas e meia, começando as 10h45 em frente ao monumento dedicado ao a Cyril e Methodius, no centro da praça Slavyanskaya.

Catedral de São Basílio, em Moscou

Catedral de São Basílio, em Moscou. Foto: André Orengel.

 

Quando estivemos lá o tour passava por Kitay-Gorod, a Rua Varvarka, a Catedral de São Basílio, a Praça Vermelha, o GUM, o Mausoléu do Lenin, a Catedral de Kazan, a Praça Manezhnaya e o Hotel Moscou (eternizado pelo rótulo da vodca Stolichnaya), a Tumba do Soldado Desconhecido, o Jardim de Alexander e terminava na Catedral do Cristo Salvador (o maior templo da igreja ortodoxa do mundo).

Uma hora dessas a fome já está matando. No nosso caso, almoçamos uns sanduíches pela rua mesmo, se a sua fome for maior, aproveite que a celebrada Pinzeria by Bontempi fica por perto e deguste de sua famosa comida italiana.

Catedral do Cristo Salvador, em Moscou

Catedral do Cristo Salvador, em Moscou. Foto: André Orengel.

Museu Histórico do Estado e/ou Museu Estatal Pushkin de Belas Artes

Pela parte da tarde, dependendo do seu ritmo, dá para conhecer dois dos melhores museus da cidade: o Museu Estatal Pushkin de Belas Artes e/ou o Museu Histórico do Estado (sexta e sábado fecha as 21:00). No nosso caso, acabamos optando por entrar só no Museu Histórico do Estado, que gostamos bastante, para também dedicar algumas horas para umas comprinhas na Rua Tverskaya.

Torre Spasskaya do Kremlin, em Moscou

Torre Spasskaya do Kremlin, em Moscou. Foto: André Orengel.

Café Pushkin

No jantar, comemos uma deliciosa refeição tipicamente russa no excelente Café Pushkin. Esse é imperdível! A decoração é uma atração à parte, com ambientes muito bem decorados, que imitam uma farmácia antiga, uma sala de estar com lareira, uma biblioteca ou um terraço de verão de uma mansão aristocrata.

 

TERCEIRO DIA

Kremlin

Dedicamos o nosso terceiro dia quase que exclusivamente para o Kremlin de Moscou, o mais famoso dos complexos fortificados que levam este nome, incluindo as catedrais da Assunção, do Arcanjo Gabriel e da Anunciação, a Igreja da Deposição das Vestes, O Campanário do Ivan III, uma muralha com as suas famosas torres, além da residência oficial do Presidente da Federação Russa. A coleção do Palácio do Arsenal, foi, sem dúvida, o auge do passeio. Ela está entre as mais impressionantes do mundo, exibindo, entre outras coisas, armas históricas, peças de joalharia, insígnias reais (incluindo o famoso Gorro dos Monarcas), peças exclusivas de artesanato em ouro e prata datadas dos séculos XIII/XIX, além de vários dos famosos Ovos de Páscoa da Casa Fabergé.

Catedral da Assunção, em Moscou

Catedral da Assunção, em Moscou. Foto: André Orengel.

 

No intervalo para o almoço, saímos do Kremlin e comemos, ali próximo, no restaurante Stolovaya 57, que fica no 3º andar do GUM, e garantimos mais uma oportunidade de bater fotos da Praça Vermelha e dos prédios que a rodeiam, especialmente da superfotogênica Catedral de São Basílio.

GUM em Moscou

GUM, em Moscou. Foto: André Orengel.

 

O Kremlin fecha as suas portas às 5 da tarde, o que nos deu tempo de voltar ao hotel para trocar de roupa e chegar no Bolshoi às 18h30 e assistir a uma apresentação de seu belíssimo balé. Fique de olho na programação e estruture o seu itinerário para não perder a chance de testemunhar esse espetáculo.

 

QUARTO DIA

O Metrô de Moscou

Como o nosso voo para São Petersburgo só partia às 8 da noite, aproveitamos ainda a manhã para um último passeio pela cidade. Primeiro, fizemos um tour por algumas das estações de metrô de Moscou. São uma mistura de sistema de transporte, com museu de arte e aula de história, por onde passam milhões de pessoas diariamente. Faça esse passeio preferencialmente no domingo, para não enfrentar o corre-corre da semana.

Mapa criado por CityDex International, NY, EUA. Editado por André Orengel.

 

Começamos pela (1) Komsomolskaya, que se destaca pelos mosaicos no teto exibindo heróis militares russos.

Seguimos no sentido anti-horário pela linha Koltsevaya e descemos na estação (2) Prospekt Mira, para apreciar a decoração em porcelana com cenas campestres que capitaneiam as colunas.

Continuando no mesmo sentido e paramos na estação (3) Novoslobodskaya, adornada com 32 vitrais no estilo art nouveau.

A próxima parada na linha circular foi a estação (4) Belorusskaya, cujos mosaicos do teto e padrões do piso celebram o país vizinho a oeste.

Depois, trocamos de linha e seguimos pela Zamoskvoretskaya até a estação (5) Mayakovskaya, com bela decoração no estilo art deco.

Pulamos uma estação e descemos na (6) Teatralnaya, que guarda uma temática teatral e expõe afrescos representando sete das republicas soviéticas, por meio de roupas e instrumentos musicais típicos.

Andamos até a estação (7) Ploshchad Revolyutsii, uma das mais impressionantes, por ser, praticamente, um museu de esculturas subterrâneo.

Após, fomos para a estação (8) Arbatskaya, que chama a atenção por sua atmosfera barroca.

A estação (9) Kievskaya, por sua vez, com seus vegetais gigantes e outros ícones da existência idílica ucraniana, comemora os 300 anos de cooperação entre os dois países.

Terminamos o passeio na novíssima estação (10) Park Pobedy, a mais profunda das estações e, por isso, tem a mais comprida escada rolante do mundo (levamos mais de 2m40s de um ponto ao outro; parecia que nunca íamos chegar).

metro de Moscou

Todas as fotos: André Orengel.

Para finalizar: três opções

Para depois do tour, separamos as seguinte opções:

1) Museu Cosmonauta: tem uma coleção supostamente bacana de parafernália espacial, incluindo o motor do primeiro foguete soviético, e um acervo de cartazes de propaganda que evoca a era da corrida espacial.

2) Convento Novodevichy: considerado patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO, é, provavelmente, o convento mais conhecido da Rússia. Construído em estilo Barroco, fazia parte de uma cadeia de monastérios que integravam o sistema de defesa de Moscou, sendo hoje um importante marco histórico e um dos grandes feitos russos, exibidos em sua arquitetura e coleção de obras de arte.

3) Feirinha de Artesanato de Izmailovo: Nossa escolha. Queríamos muito trazer uma matrioska para integrar a nossa coleção de relíquias de viagem. Para isso, não valem compras em aeroporto, tem que ir à feira. Nessa, encontramos dezenas de tipos diferentes da boneca, o que deu um trabalhão para escolher a que íamos trazer. Além disso, a feira tem todo o tipo de bugiganga russa, incluindo vários apetrechos soviéticos.

Matrioska comprada na Feirinha de Artesanato de Izmailovo, em Moscou. Foto: André Orengel

 

Por fim, fomos ao aeroporto usando o metrô mesmo. Deu tudo certo. No caminho, enquanto lembrava dos dias em Moscou, percebemos que poderíamos facilmente ficar mais uns 2 ou 3 dias. Sobrou muita coisa interessante ainda para conhecer.

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Islândia: dicas para planejar a sua viagem ao país do fogo e do gelo

Durante grande parte da minha vida, a Islândia estava presente em alguns fragmentos do imaginário. É a terra da cultuada cantora Björk e de outros artistas musicais “tipo exportação” como…

Durante grande parte da minha vida, a Islândia estava presente em alguns fragmentos do imaginário. É a terra da cultuada cantora Björk e de outros artistas musicais “tipo exportação” como Sigur Rós e Of Monsters And Men. O cinema islandês também ficou famoso recentemente com o sensacional “Ovelha Negra”. Filme que, inclusive, me ensinou que na Islândia a população de ovelhas é maior que a de seres humanos.

Mas ultimamente a Islândia entrou com os dois pés na minha lista de desejos de viagens. É uma ilha que fica a mil quilômetros da Europa continental e, pelo menos geograficamente, não tem nada a ver com seus parceiros europeus. Tão isolada quanto pouco povoada, a Islândia é conhecida como “país do fogo e do gelo” por conta de seus vulcões e geleiras. Além disso, foi privilegiada pela natureza com suas cachoeiras e paisagens de cair o queixo.

Ainda não fui à Islândia, mas ainda bem que tenho amigos que foram. Um deles é o Maurício Penedo, jornalista pernambucano que já foi meu colega de trabalho. Em outubro de 2017, ele e a também jornalista Lorena Aquino (que tem um Instagram de viagem chamado Criando Asas) passaram quase duas semanas por lá. E, como diz aquela nova gíria das redes sociais, cada foto que eles publicaram era um tiro.

Convidei o Maurício para escrever um relato desta viagem à Islândia antes mesmo de ele embarcar. Que bom que ele aceitou! E tenho o maior prazer de apresentar este guest post. Espero que ele seja tão inspirador para você quanto foi para mim!

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Islândia - Monte Kirkjufell

Monte Kirkjufell. Foto: Maurício Penedo

A Islândia possui 103 mil quilômetros quadrados de extensão e uma população de aproximadamente 320 mil pessoas. Para se ter uma ideia do quanto isso é pouco, a área do país é pouco menor que a do estado do Amapá. E se fosse uma cidade brasileira, estaria no 79º lugar no ranking de número de habitantes, entre a catarinense Blumenau e a pernambucana Petrolina.

O país parece ter saído de um conto medieval. Fiordes, escarpas, temperaturas congelantes, neve, vulcões, chuva, sol, lagoas e cachoeiras. O local recebeu grande atenção recentemente por ter conseguido classificar-se para sua primeira Copa do Mundo, em 2018, na Rússia. Mas a Islândia não precisa disso. Após 11 dias e 2673 km percorridos de carro, circundando toda a Ilha, os islandeses mostraram que a verdadeira atenção que merecem deve recair justamente pelo fantástico local onde vivem.

Reykjavik – o ponto fora da curva

Foto: Maurício Penedo

Com aproximadamente 120 mil habitantes, Reykjavik, capital do país, aglutina quase 50% dos islandeses. Com todas as comodidades das grandes capitais europeias, a cidade investe pesado no turismo, consciente do exotismo que a Islândia exala para o resto do mundo. Diversas lojas divulgam que vendem produtos “originais islandeses”. É quase regra você ler “produzido na Islândia” na frente das várias lojas de souvenires existente no centro.  

A capital do país lembra um conto de fadas: casas pintadas em diversas cores – para contrastar com o branco dominante nos tempos de inverno – nenhum resquício de lixo nas ruas, e tudo funcionando perfeitamente. Na orla, a magnífica Harpa, casa de espetáculos musicais e conferências, comanda a paisagem. Sua construção objetivou refletir o meio ambiente circundante. O objetivo principal da Harpa era criar uma nova identidade para o porto e transformar a área em um espaço urbano atrativo para os cidadãos.

Ao mesmo tempo em que os diversos cafés, museus que contam a história do país e demais pontos turísticos remetem à grandes cidades do continente, Reykjavik vive com ares de cidade do interior. Afinal, é a capital europeia com menor número de habitantes, e localizada mais ao norte entre todas. Saindo de Reykjavik em um carro alugado numa das milhares locadoras situadas ao lado do aeroporto de Keflavik, a história é outra.

Leste, norte e oeste da Islândia – um outro país

A Islândia, fora do inverno, possui um tipo de turismo muito “faça você mesmo”. O carro alugado tinha internet WiFi, o que permitiu que fossem utilizados serviços de localização por GPS que foram nossos guias da viagem. O país possui uma grande rodovia, chamada N1, que circunda toda a extensão da ilha, quase sempre perto do mar. A estrada, em 90% do tempo, é boa. Mas, quanto mais você se afasta da capital, mais a Islândia mergulha em outro ritmo, com outras paisagens.

Golden Circle – Gulfoss, Geysir e Thingvellir

No sul do país, existe uma rota turística chamada Golden Circle, excursão mais famosa e mais procurada da Islândia. Um percurso de aproximadamente 300km feito em um dia, que cobre algumas das atrações mais interessantes do país: as cataratas de Gullfoss, o famoso gêiser Geysir e o Þingvellir National Park (Thingvellir).

Islândia Gulfoss

Cachoeira de Gulfoss. Foto: Maurício Penedo

Conhecida como “Golden Fall” ou Queda de Ouro, Gullfoss é a maior cachoeira da Europa, e sua imponência nos faz lembrar como somos pequenos nesse mundo. Assim como todos os pontos turísticos naturais, possui entrada gratuita. Há grandes estacionamentos que acomodam bem carros e ônibus de excursões.

Islândia Geysir

O Geysir em erupção. Foto: Maurício Penedo

A segunda atração do Golden Circle é o Geysir, nome da maior nascente eruptiva do país. Foi esse gêiser que deu o nome para todos os outros no mundo. Hoje em dia o Geysir está em repouso e raramente entra em erupção. A sorte é que ele tem um parente ativo, o Strokkur, menor, mas que lança jatos de água de 20 a 40 metros a cada 8 a 10 minutos, com temperaturas entre 80 e 100º C.

Islândia - Parque Thingllevir

Parque Thingllevir. Foto: Maurício Penedo

Por sua vez, o Thingvellir é famoso por ter sido o local onde foi fundado o primeiro parlamento da Islândia. A independência do país foi proclamada neste lugar em 17 de junho de 1944, e hoje o parque funciona como casa de verão do primeiro-ministro do país, além de ser proclamado como Patrimônio da Humanidade em 2004. A maioria das excursões retorna à capital no final do Golden Circle. Mas a Islândia tem muito mais a oferecer.

Cachoeiras – pérolas islandesas

Islândia - Seljalandsfoss

Cachoeira de Seljalandsfoss. Foto: Maurício Penedo

A Islândia não tem só Gullfoss. O país tem um sem número de cachoeiras dos mais variados tipos, tamanhos e visuais. Logo após o Golden Circle, você se depara com Seljalandsfoss, que possui um interior “oco”, onde os turistas podem circundar a queda d’água, claro, levando um banho; e Skógafoss, situada na antiga linha costeira da parte sul da ilha, com altura de 60m e uma largura de 25m. Belíssimas e imponentes.

Islândia - Dettifoss

Cachoeira de Dettifoss. Foto: Maurício Penedo

Dettifoss é uma cachoeira no Parque Nacional de Vatnajokull, no nordeste da Islândia, e tem a fama de ser a cachoeira mais poderosa na Europa. As quedas têm 100 metros de largura e 45 metros de altura. O problema é que nenhuma fotografia lhe faz justiça.

Subindo pela N1, temos Godafoss e Dynjandi. A primeira recebeu esse nome porque, no ano 1000, o parlamento da Islândia adotar o cristianismo. Um dos representantes do país passou pela catarata e atirou as estatuetas pagãs que tinha reverenciado até à sua recente conversão à nova religião cristã. Por isso, a queda de água recebeu o nome de Godafoss (Catarata dos Deuses).

Islândia - Bruarfoss

Bruarfoss. Foto: Maurício Penedo

Dynjandi, na verdade, é uma série de cachoeiras localizadas no Oeste. Foi o local mais difícil de chegar, com estradas de terra e desfiladeiros. Não importa o quanto você veja as cachoeiras do país. Sempre fica impressionado com a beleza singular de cada uma delas. Bruarfoss, ainda no sul, é um tesouro ainda escondido de muitos turistas. O difícil acesso reside na inexistência de rota turística para ela, como é comum da Islândia. Para chegar? Internet e perguntando aos moradores. Vale cada esforço. Como todas, aliás.

Gelo e vastidão – cadê todo mundo?

Islândia - Vik

Praia de areia negra em Vik. Foto: Maurício Penedo

O resto da Islândia é muito diferente de sua capital. É normal passar 2, 3, 4 horas no carro sem ver ninguém, nem nenhuma construção. A única presença de vida constante são as ovelhas e carneiros selvagens, que permeiam toda a ilha. O sentimento de pequenez se dá também nas cidades do interior. Cidades como Vik (que possui a famosa praia de areia negra, proveniente do basalto vulcânico), Egillstadir e Akureyri possuem possuem populações minúsculas para nossos padrões. Vik não chega a 500 pessoas. Egillstadir, beira os 3 mil. No norte, há uma cidade chamada Holmavik, incrustrada nos fiordes islandeses, que foi chamada por uma moradora de “fim do mundo”.

Islândia - Jökulsárlón

O lago glacial Jökulsárlón. Foto: Maurício Penedo

Além das ovelhas, o gelo é presente, mesmo no outono. Uma das grandes atrações do país reside no parque nacional Vatnajökull, uma gigantesca massa de gelo que cobre quase 10% do país. Ele é responsável por formar lagos e glaciares estupendos, como Fjallsárlón e, principalmente, Jökulsárlón: o maior lago glacial da Europa, onde foi filmado 007 – O Amanhã Nunca Morre. Imenso, ele vem derretendo ano após ano por conta do aquecimento global. Os icebergs se soltam do glaciar e vão, literalmente, para a praia e, depois, para o fundo do mar, promovendo uma imagem absurda a 50m de distância: a “Praia dos Diamantes”.

Aurora boreal – indescritível

Islândia - Aurora Boreal

O baile de cores da aurora boreal. Foto: Maurício Penedo

Diversas empresas de excursão realizam passeios com objetivo de presenciar a Aurora Boreal. A viagem leva aproximadamente três horas. Ela consiste no guia afirmando que, mesmo com todos os instrumentos tecnológicos, a aurora só aparece quando quer, e eles não têm efetivamente como saber. Após uma hora no meio do nada, na madrugada gélida islandesa, o bailar no céu começa. O guia, também fotógrafo, ensinou aos mais inexperientes as configurações certas para que cada câmera registrasse o momento. A melhor imagem, entretanto, fica na mente.

Dirigir na Islândia – prós e contras

Islândia - Rodovia N1

A famosa rodovia N1. Foto: Maurício Penedo

Se você quer, realmente, conhecer a Islândia, precisa alugar um carro. Contudo, algumas dicas são valiosas. Esqueça frentistas. Praticamente em todos os postos de gasolina, você abastece seu próprio carro. Para nós, é meio complicado se acostumar a usar a bomba de combustível e a pagar. No cartão de crédito, claro. Não há ninguém para receber seu dinheiro. Caso o montante que você escolheu para abastecer o carro não tenha sido utilizado totalmente, a empresa devolve o dinheiro estornado no cartão dias depois.

Na estrada, existe um mundo diferente saindo da N1. As estradas são ruins, de terra ou barro, e sempre sem acostamento. Por isso, é essencial a escolha de um carro com tração 4×4. Diversos pontos turísticos do país só são acessíveis através de estradas que passam por abismos e desfiladeiros sobre os fiordes. Por isso, dirigir na Islândia também traz momentos de muita tensão e máxima perícia sobre onde você está colocando o carro.

Mas, sem dúvida alguma, o pior inimigo é o vento. Por várias vezes, principalmente no oeste do país, o vento, literalmente, empurrou o carro para fora da estrada. Ao menos tentou. É preciso muita atenção, pois as rajadas vêm do nada, em sentidos diferentes, e o carro balança como se fosse de brinquedo. As locadoras recomendam aluguel de veículos baixos, mais presos ao chão. Dirigir na Islândia lhe permite dirigir em qualquer local do planeta que tenha estradas.

Fim da aventura

Islândia - Skógafoss

Cachoeira Skógafoss. Foto: Maurício Penedo

Após quase três mil quilômetros, a Islândia se mostra um país de absurdos contrastes. Um povo simpático, educado, e que parece feliz em receber turistas – e foram muitos ao longo de 11 dias. Quase nenhum local famoso estava vazio. A imagem de um país isolado do mundo, cada vez mais, cai por terra. O país de gelo e fogo, como se autoproclama, atrai cada vez mais pessoas. A sensação é a de que ainda havia muito mais para ser visto. Mas, após essa viagem de tantas descobertas, fica a certeza que a Islândia, que foi formada por erupções vulcânicas violentas, estará disponível para o planeta por muitos e muitos anos. Sorte a nossa.

1 comentário em Islândia: dicas para planejar a sua viagem ao país do fogo e do gelo

O voo direto Fortaleza-Amsterdam + 6 dicas da capital holandesa

Amsterdam está mais perto de quem mora no Nordeste do Brasil! O que já parece óbvio no mapa múndi vai ganhar sentido também na malha aérea. A partir de 3…

Amsterdam está mais perto de quem mora no Nordeste do Brasil! O que já parece óbvio no mapa múndi vai ganhar sentido também na malha aérea. A partir de 3 de maio de 2018, a KLM inaugura um voo direto para a capital holandesa, partindo de Fortaleza. É mais uma opção para chegar à terra das tulipas e de Van Gogh. E com uma rota que pode incrementar ainda mais os seus planos de férias.

amsterdam museumplein

A foto no famoso letreiro agora está a pouco mais de 9h de voo de Fortaleza. Foto: Leonardo Aquino

O voo direto Fortaleza-Amsterdam foi anunciado em setembro de 2017 pela Air France (que controla a KLM desde 2011). A novidade chegou junto com a implantação de um hub da companhia na capital cearense (que também receberá voos para Paris a partir de maio de 2018). A notícia agrada em cheio a quem mora no Norte e no Nordeste. Com a nova rota, os passageiros têm mais uma opção para voar rumo à Europa sem descer até Guarulhos ou Galeão.

(Temos um post completinho com todos os voos diretos para o exterior partindo do Norte e do Nordeste. Já conferiu?)

Serão três saídas semanais. Sempre às segundas, quintas e sábados. O voo sai de Fortaleza sempre às 19h50 e chega às 10h locais do dia seguinte. Na volta, a saída é às 12h50 e a chegada no Ceará, às 17h20. A duração é de pouco mais de 9 horas (três a menos que os voos saindo de Rio ou São Paulo). A aeronave utilizada nesta rota será a Airbus A330, com capacidade para 268 passageiros.

As passagens já estão à venda e é possível encontrar preços bem competitivos. Tirando julho, o ápice da alta temporada, dá para encontrar bilhetes por cerca de R$ 2300, ida e volta. Isso porque ainda não pintou nenhuma grande promoção.

amsterdam klm

Outro atrativo é a parceria do grupo Air France/KLM com o programa de fidelidade Smiles. Se você voar na KLM, pode pontuar no Smiles. Ou ainda pode resgatar passagens da companhia holandesa com pontos Smiles. Eu mesmo já me beneficiei dessas parcerias entre as companhias. Na minha viagem à Europa em junho de 2015, resgatei um voo de Berlim a Amsterdam pela KLM por 7500 pontos Smiles. Uma pechincha!

Confira aqui as regras de pontuação da KLM no programa Smiles.

Para instigar você ainda mais a conhecer Amsterdam, separei algumas dicas da cidade. Tem lugares para beber, visitar e se emocionar. Anote aí!

Casa de Anne Frank

A entrada doo Anexo Secreto da Casa de Anne Frank. Foto: Photo Collection Anne Frank House

Quem acompanha o Mochileza sabe que sempre procuro fugir da mesmice na hora de dar dicas. Mas desta aqui não dá pra escapar. A visita à Casa de Anne Frank não é qualquer passeio. É uma experiência fundamental para compreender os horrores da guerra e da intolerância.

Muito provavelmente você já ouviu falar em “O Diário de Anne Frank”. É um best-seller mundial, traduzido para 70 idiomas. Conta a história de uma adolescente alemã de origem judia cuja família se escondeu da perseguição dos nazistas em Amsterdam. Os refúgios dos Frank eram cômodos secretos de uma loja. E o esconderijo virou um dos museus mais concorridos da Europa.

amsterdam anne frank house

Você sempre vai ver filas deste tamanho na Casa de Anne Frank. Foto: Photo Collection Anne Frank House

As multidões intermitentes em frente à Casa de Anne Frank se devem à preservação da casa como ela era durante a Segunda Guerra. Corredores apertados, escadas estreitas e cômodos modestos. O imóvel não suportaria receber ao mesmo tempo todos os visitantes interessados em sua história. Mas encare essa fila se for preciso. Trechos do diário estão reproduzidos em cada cômodo. O destaque é o Anexo Secreto, cujo acesso se dá através de uma prateleira móvel. Imaginar como era a vida dos Frank durante a perseguição é arrepiante.

Para poupar tempo, convém comprar o ingresso antecipadamente pela internet. Durante o período de reforma do museu (até janeiro de 2018), a venda será exclusivamente online, com hora de visita marcada. O site da Casa de Anne Frank tem uma versão em português. Ah, um detalhe importante: é proibido tirar fotos no interior da casa.

Brouwerij ‘t IJ

amsterdam brouwerij 't IJ

Foto: Leonardo Aquino

Ainda não aprendi a pronunciar o nome aparentemente impronunciável desta cervejaria. Decidi chamá-la, portanto, de “cervejaria do avestruz”, graças ao simpático mascote de sua logomarca. Esta é uma opção para quem gosta de cerveja e quer fugir do hypado passeio da Heineken Experience (sobre o qual escrevi neste post).

Em seu site, a Brouwerij ‘t IJ tem 33 rótulos autorais. Alguns são sazonais e estão esgotados. Mas a maioria pode ser encontrada no bar da cervejaria, seja em garrafas ou nas torneiras. No brew pub, você pode harmonizar as cervejas com queijos curados ou salsichas cruas. É um lugar ótimo para beber no fim da tarde. O problema é que os muitos nativos e turistas também sabem disso. Nos horários de pico, conseguir um lugarzinho pra escorar a caneca é difícil.

amsterdam brouwerie 't IJ

Foto: Leonardo Aquino

Dependendo do dia em que você estiver na cidade, dá para fazer um tour pela fábrica. Eles são realizados às sextas, sábados e domingos e custam 5,50 euros por pessoa. O ingresso dá direito a uma cerveja no bar. Outras informações no site da cervejaria.

 

Biblioteca Pública de Amsterdam

A vista do terraço da biblioteca. Foto: Leonardo Aquino

Se você imagina um ambiente empoeirado e antiquado quando se fala em biblioteca pública, Amsterdam vai fazer você mudar de ideia. A sede principal da OBA (sigla para Openbare Bibliotheek Amsterdam) parece mais uma megastore, tipo Fnac. O lugar tem uma arquitetura moderna e funcional, além de um acervo maravilhoso. Não apenas de livros, mas também de filmes e discos. Tudo está disponível para quem é sócio e paga uma taxa de 42 euros por ano.

Mas, como costumamos estar apenas de passagem por Amsterdam, a biblioteca pública tem outra recompensa para seus visitantes: o terraço, onde fica um café-restaurante. De lá, você tem uma das melhores vistas possíveis da capital holandesa. Se você estiver com o dinheiro contado, pode ficar tranquilo que ninguém vai te cobrar nada para ficar lá contemplando.

A Biblioteca Pública de Amsterdam fica no centro da cidade. É bem próxima da estação Centraal e do museu de ciências Nemo.

 

Amsterdam Arena

Foto: Leonardo Aquino

A Holanda já teve o melhor time de futebol do mundo em algumas ocasiões. O Ajax, principal equipe do país, foi campeão europeu e mundial nas décadas de 70 e 90. Além disso, o clube foi vanguardista na modernização dos estádios. Inaugurada em 1996, a Amsterdam Arena antecedeu um padrão de arquitetura, conforto e tecnologia nas arenas de nível mundial. E mesmo com mais de 20 anos de idade, segue entre as melhores do planeta.

A visita à Amsterdam Arena é daqueles tours clássicos em estádios de futebol. Passa pelos vestiários, sala de imprensa, hall da fama, galeria de troféus e a beira do campo. O final, claro, é na lojinha oficial, onde você pode comprar de uniformes oficiais a baralhos do Ajax.

amsterdam arena

Foto: Leonardo Aquino

Ainda que tenha uma estação de trem bem em frente, a Amsterdam Arena fica um pouco afastada do centro da cidade. Ou seja, é fora de mão para combinar com algum outro passeio. Portanto, se você não é tão fanático por futebol assim, é bom pensar duas vezes antes de incluir esta programação no seu roteiro.

Outras informações no site da Arena.

 

Comprar queijo para trazer para casa

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Foto: Leonardo Aquino

Na Holanda, você estará cercado de queijo por todos os lados. Maturados, envelhecidos, orgânicos, curados, de vaca ou de cabra: os caras conhecem do riscado. Em Amsterdam, você encontrará uma oferta gigantesca de queijo em supermercados e feiras de rua. Mas se quiser trazer para o Brasil, é indispensável que você compre pedaços embalados a vácuo. As principais lojas do centro de Amsterdam estão bem servidas de queijo “ready to fly”. Experimente a De Kaaskamer, a Cheese Museum ou a Reypenaer (que também oferece oficinas de degustação)

 

 

Zaanse Schans

zaanse schans

Foto: Leonardo Aquino

É uma espécie de híbrido entre parque temático e museu a céu aberto. Este bairro da cidade de Zaandam, 15 quilômetros ao norte de Amsterdam, tem um “menu degustação” da Holanda clássica. Moinhos de vento? Check. Tamancos? Check. Queijos? Check. Tudo isso num espaço bem concentrado. Os moinhos são abertos a visitação, assim como grande parte das casinhas coloridas. Algumas delas funcionam como pequenos museus que contam a história de algum desses elementos do estereótipo holandês.

Se você não tiver implicância com passeios “cenográficos”, esta é uma ótima pedida. Especialmente em dias de sol e tempo bom. Vai ser difícil tirar uma foto feia por lá.

Para chegar a Zaanse Schans, é só pegar um ônibus na estação Amsterdam Centraal. Eles saem a cada meia hora e chegam em cerca de 40 minutos.

 

Veja também:

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Ilhas gregas: seis dias em Creta, Santorini e Mykonos

A Grécia ainda está rendendo por aqui! O André Orengel, que já tinha feito o post com o roteiro de três dias por Atenas, tá de volta com outras dicas…

A Grécia ainda está rendendo por aqui! O André Orengel, que já tinha feito o post com o roteiro de três dias por Atenas, tá de volta com outras dicas sensacionais. Ele passou seis dias com a esposa em algumas das ilhas gregas mais desejadas pelos turistas: Creta, Santorini e Mykonos. Assim como na Grécia continental, tem História (com H maiúsculo) por todos os lados. Mas as ilhas também foram brindadas com a generosidade da natureza e suas paisagens inigualáveis.

Seis dias em três ilhas não é o ideal se você gosta de curtir a viagem sem pressa. Mas muitas vezes é o que cabe no cronograma dos turistas que só têm 30 dias de férias por ano. Seja para cumprir à risca ou para servir como referência para um roteiro mais longo, as dicas do André estão imperdíveis! Acompanhe!

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Ilhas gregas, Santorini, Oia, sunset

O pôr do sol cinematográfico de Santorini. Foto: André Orengel

Você já viu o tamanho da Grécia no mapa múndi? Ela tem pouco menos de 132 mil quilômetros quadrados, o que faz o território grego ser menor que o do Amapá (que tem 142 mil). No entanto, se o assunto for a extensão costeira, o jogo vira, meus amigos. Aquele pedacinho da Europa mediterrânea tem 13.676 quilômetros de costa. É quase o dobro do Brasil (que tem 7.491)!

O segredo da Grécia para ter um litoral tão extenso num território tão pequeno está nas ilhas gregas. São cerca de 6 mil!!! Delas, pelo menos 200 são habitadas e 60 têm algum interesse turístico. Haja férias para conseguir conhecer todas!

Ilhas gregas, Mykonos island, Greece

Mar é o que não falta na Grécia! Essa é a ilha de Mykonos. Foto: André Orengel

Com tantas possibilidades, fazer um roteiro pelas ilhas gregas é uma missão. Existem atrações para todos os gostos: praias paradisíacas, baladas, atividades ao ar livre, cidades bucólicas, história, entre outros.

Minha esposa e eu gostamos muito de história e escolhemos a Grécia como destino de férias para conhecer as ruínas das civilizações antigas. Por isso, nosso roteiro foi montado em cima de três ilhas gregas:

Creta: pelas ruínas minoicas de Cnossos (você encontrará também a grafia Knossos);

Santorini: pelas ruinas cicládicas/minoicas de Acrotíri;

Mykonos, pelas ruinas gregas de Delos.

Essas ilhas, no entanto, não se resumem às ruínas. Elas também nos contam a história de sua ocupação por romanos, venezianos, bizantinos e otomanos. Além disso, oferecem belas paisagens, cantos pitorescos e excelente cozinha.

Neste post, vou contar então como conheci Creta, Santorini e Mykonos em seis dias. Com isso, espero poder ajudar com as suas explorações das ilhas gregas. Vamos ao passo a passo!

Como ir e vir entre as ilhas gregas

Começamos nossa viagem pela ilha de Creta, chegando por meio do aeroporto de Heraclião (você também pode encontrar as grafias Heraklion ou Iraklio). Depois, fomos de barco para Santorini. Em seguida, também de barco para Mykonos e para Atenas no retorno à Grécia continental.

A Aegean Airlines tem vários voos diretos conectando Atenas a Heraclião, que é a capital de Creta e a quarta maior cidade da Grécia. O transporte entre as ilhas gregas é igualmente fácil, feito em balsas catamarãs modernas, bem confortáveis e rápidas. Utilizamos os ótimos serviços da Sea Jets. Compramos as passagens online e imprimimos todas elas na Paleologos Travel, localizada na 25th August St., nº 5, em Heraclião.

O embarque e desembarque são razoavelmente organizados e tudo acontece em cerca de 15 minutos. Por isso, você deve estar no porto com uns 30 minutos de antecedência. A antecipação é fundamental para se situar, não perder seu barco ou evitar de entrar no barco errado (isso aconteceu com uma família em uma das balsas que pegamos).

Primeiro Dia – Creta

Museu Arqueológico de Heraclião

Compre o ingresso combinado, que inclui a entrada no museu e no sítio arqueológico de Cnossos. Lá você verá uma ótima coleção de arte minoica, encontrados principalmente em Cnossos. Além disso, há uma enorme maquete da cidade-palácio de Cnossos e vários textos explicando a história da região e os costumes do povo minoico.

Batendo perna pelo centro histórico

Ilhas gregas, Morosini fountain

Fonte Morosini, no centro histórico de Heraclião. Foto: André Orengel

Com fome? A sugestão para o almoço é o disputado Central Park. Depois, siga até a Fonte Morosini. Ornada com leões e motivos clássicos, ela foi inaugurada no dia de São Marcos (patrono de Veneza) em 1628 para fornecer água potável aos habitantes da cidade. Observe o seu formato octogonal e imagine cerca de 40 pessoas enchendo os seus baldes com água ao mesmo tempo.

Ilhas gregas, Agios Titos

Igreja de Agios Titos, em Heraclião. Foto: André Orengel

Retorne pela mesma rua para apreciar a arquitetura, também veneziana, da Loggia, construída em 1620. Hoje, ela abriga a Prefeitura de Heraclião. Atrás deste prédio, encontra-se a igreja de Agios Titos. O templo original foi construída provavelmente em 961 D. C. pelo imperador bizantino Nicephorus Phokas, após reconquistar a ilha de Creta dos árabes.

Mais museu

Depois desse curto passeio pelo centro da cidade, aprenda muito mais sobre o passado dessa ilha no Museu Histórico de Creta. Tente chegar até as 15h, pois o espaço fecha às 17h (no verão, que vai de abril a outubro).

Ilhas gregas, Koules fortress, Castello a Mare

A Fortaleza de Koules, ou Castello a Mare. Foto: André Orengel

Para finalizar, visite o Forte Veneziano Castello a Mare (também conhecido como Fortaleza de Koules) localizado no belo porto velho da cidade. Ao sair, aprecie o pôr-do-sol do restaurante Paralia Seaside.

Segundo Dia – Creta

Ilhas gregas, Crete island

Pegando a estrada em Creta. Foto: André Orengel

No segundo dia, decidimos fazer uma road trip. Alugamos um carro e o serviço foi muito prático. O veículo nos foi entregue no próprio hotel às 08 da manhã. A devolução foi no dia seguinte, no porto de partida para a próxima ilha, às 08 da manhã também.

A controversa Cnossos

Ilhas gregas, Knossos archeological site

Sítio arqueológico de Cnossos. Foto: André Orengel

O primeiro lugar a ir é o parcialmente reconstruído sítio arqueológico de Cnossos, localizado 5 quilômetros ao sul de Heraclião. Cnossos é considerada por muitos historiadores como a primeira cidade-palácio do mundo ocidental e o centro administrativo da civilização minoica. Este foi o lugar mais lotado que visitamos na Grécia. Portanto, chegue bem cedo para se antecipar à multidão e achar um lugar no estacionamento gratuito.

Impressiona observar como a cidade era construída em vários níveis. Conta a lenda que, em sua fundação, o arquiteto Dédalo, a mando do notório rei Minos, construiu um grande labirinto para aprisionar a criatura mítica do Minotauro. Se na superfície já é difícil não se perder, devia ser impossível mesmo achar a saída desse labirinto. O sítio arqueológico é bem sinalizado e também dispõe de várias placas informativas. Há explicações sobre os traços arquitetônicos, a história, a utilidade, a redescoberta e a muito controversa reconstrução dos vários ambientes desta cidade.

O Mosteiro de Arcadi

Ilhas gregas, Arcadi Monastery

Mosteiro de Arcadi. Foto: André Orengel

A parada seguinte é o Mosteiro de Arcadi, situado 23 quilômetros a sudeste da cidade de Retimno e a 81 quilômetros de Cnossos. Aproveite a estrada que leva ao mosteiro para desfrutar da vista litorânea e da paisagem do interior desta que é maior das ilhas gregas. Diversas são as razões para conhecer este mosteiro ainda em atividade: a arquitetura da fachada e interior, a sua história medieval e moderna e a ótima coleção de arte sacra.

O Arcadi, infelizmente, tornou-se famoso internacionalmente por uma terrível tragédia, ocorrida no local durante a revolta cretense contra a ocupação turca (1866-1869). Tropas otomanas entraram em combate com 943 gregos refugiados no mosteiro. Os gregos acabaram preferindo o sacrifício à rendição e fizeram explodir o estoque de pólvora. Esta triste história é contada em detalhes no mosteiro, que indica o local da explosão.

No embalo veneziano em Retimno

Ilhas gregas, Retimno

Porto velho de Retimno. Foto: André Orengel

Em seguida, uma boa pedida é visitar a cidade de Retimno. Estacione o carro nas proximidades do porto antigo e procure um local do seu agrado para almoçar. São inúmeras as opções, mas os preços são altos. Depois do almoço, passeie por esta charmosa cidade, com tanta herança da ocupação veneziana.

Alguns dos lugares pelos quais você deve passar são:

– a Loggia que servia como principal ponto de encontro para a discussão de questões políticas e econômicas dos nobres que habitavam a cidade no século 16. Hoje ela abriga uma loja de réplicas de achados arqueológicos;

Ilhas gregas, Rimondi fountain

Fonte Rimondi. Foto: André Orengel

– a fonte Rimondi que abastecia esta parte da cidade veneziana com água potável;

Ilhas gregas, mesquita de Neratzes

Mesquita de Neratzes. Foto: André Orengel

– a mesquita de Neratzes, com seu enorme e lindo minarete construído em 1890, que já foi uma igreja e hoje é um conservatório;

– a Fortezza, o forte que servia de proteção à cidade. O curioso é que este forte jamais fora considerado um esplendor da segurança. Muito pelo contrário. Existem tantas falhas no projeto que alguns historiadores acham que ele sequer fora construído para defender a cidade de uma invasão turca. E sim para abrigar as tropas e administração veneziana. Contemple o pôr do sol do alto dos muros desta fortaleza e, ao anoitecer, retorne à Heraclião.

Terceiro Dia – Santorini

Ilhas gregas, Santorini, Thera

Vila de Fira, na ilha de Santorini. Foto: André Orengel

A balsa da Sea Jets sai do porto de Heraclião às 08h40 da manhã e chega em seu destino às 10h35. Anteriormente chamada de Strongili (a redonda) em razão de seu formato, Santorini teve a sua forma alterada para sempre por uma colossal erupção.  Foi por volta de 1613 a. C., quando o miolo da ilha foi afundado na caldeira de um gigantesco vulcão. Como resultado, foram formados enormes e lindos penhascos em sua face leste. As vistas da caldeira são realmente deslumbrantes. Principalmente, a partir das cidades de Fira e Oia.

Alugar um carro é importante para conhecer bem a ilha de Santorini. Você pode procurar uma locadora logo quando desembarcar. Dá para negociar bons preços para retirar e devolver o veículo no próprio porto. Para você ter um parâmetro de preços, alugamos um Nissan Versa por 65€ por dois dias.

Para o restante do dia, tenho duas opções de itinerários: um mais puxado e outro mais tranquilo.

Quero relaxar

Se você quiser curtir sem pressa, deixe as malas no hotel e almoce tranquilo. Minha sugestão é hospedar-se na vila de Fira e almoçar no Pelican Kipos, que tem um ambiente relaxado e uma comida ótima. Depois do almoço, uma boa opção é conhecer a cidade de Oia (falaremos dela mais adiante).

Não vim para brincar

Ilhas gregas, Santorini, ancient Thira

Ruínas da antiga Fira. Foto: André Orengel

Na opção para os fortes, dirija diretamente do porto para as ruínas da Fira antiga (a grafia Thera também será encontrada). Já na subida, você vai agradecer por estar de carro. Mas você não entra com ele no sítio arqueológico. O estacionamento é próximo à bilheteria. Compre, aqui também, um ticket combo. Passada a bilheteria, é preciso subir muitos degraus para chegar às ruinas. O trajeto é cansativo, mas a vista e o sítio arqueológico compensam o esforço.

Oia

Ilhas gregas, Santorini, Oia

Cenário de cartão postal em Oia. Foto: André Orengel

Terminado o tour, dirija até a cidade de Oia, na pontinha da ilha. Almoce e, em seguida, passeie pela vila enquanto ainda não chegaram as hordas de turistas para assistir à famosa vista do pôr do sol. Aproveite para visitar a igreja de Panagia Platsani e apreciar as lindas vistas da caldeira.

Reserve uma mesa com alguma antecedência no disputado Kastro para desfrutar da melhor vista do pôr do sol de Oia com tranquilidade e acompanhado de boa comida e bebida.

Quarto Dia – Santorini

Museu Pré-histórico de Fira

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Museu Pré-Histórico de Fira. Foto: André Orengel

Você pode começar o dia conhecendo a belíssima coleção de achados arqueológicos do Museu Pré-histórico de Fira. Ele expõe as magníficas obras originárias das escavações do sítio arqueológico de Akrotiri. Apesar de pequeno, o museu é cheio de interessantes informações sobre os usos dos artefatos exibidos, bem como sobre a constituição geológica da ilha e os costumes da civilização Cíclade que ali habitava.

Vinícola Santo Wines

Ilhas gregas, Santorini, Santo Wines

A vista da vinícola Santo Wines. Foto: André Orengel

Depois, sugiro o tour guiado pela vinícola Santo Wines para aprender sobre o cultivo de uvas e a produção de vinho de Santorini. Fizemos o pacote mais barato disponível (o Simple Tour nº 1). Por 15€, ele também incluía a degustação de três taças de vinho. Almoce no local para deleitar-se com a linda vista e ótima comida do restaurante. Na lojinha, a especialidade é o vinho branco de uvas Assyrtiko.

Akrotíri

Ilhas gregas, Santorini, Akrotiri archeological site

Sítio arqueológico de Akrotíri. Foto: André Orengel

O sítio arqueológico de Akrotíri tem duas peculiaridades: ainda está em escavação e é completamente coberto. Ah, se todas as ruinas tivessem esta sombra… Descoberto em 1867, o sítio só começou a ser escavado para valer cem anos depois, sob a coordenação de Spyridon Marinatos. Afrescos, cerâmica, móveis, avançados sistemas de drenagem e edifícios de três andares foram descobertos no sítio em ótimo estado de conservação. Isto porque, similarmente às ruínas de Pompéia, na Itália, a cidade se encontrava enterrada (e protegida) em baixo de muitas toneladas de cinza vulcânica, derivadas daquela monstruosa erupção ocorrida nos idos de 1600 a. C. que eu falei lá em cima.

Mais penhascos e vistas

Ilhas gregas, Santorini, Thira

Outra vista que você pode ter em Fira. Foto: André Orengel

Finalizada a exploração da área, retorne a Fira para passear por suas ruas, especialmente aquelas que dão vista à cratera, para lindas fotos. Na hora do pôr do sol, jante no ótimo Character (a reserva garante os melhores assentos da casa). O carpaccio e a pizza estavam deliciosos.

Quinto Dia – Mykonos

Ilhas gregas, Mykonos

Mykonos. Foto: André Orengel

A balsa que leva a Mykonos provavelmente sairá do mesmo local que você desembarcou quando chegou a Santorini, às 10h45, chegando às 13h05. Ao desembarcar, vire à esquerda e siga reto até encontrar a parada do ônibus que lhe levará à Fabrika, na vila de Hora (se você, como eu, estiver hospedado aqui). Da parada, caminhe até o seu hotel. Ficamos no ótimo Poseidon, que fica bem perto dali. Após fazer o check-in, almoce no delicioso D’Angelo. De lá, caminhe até alguns dos exemplares mais famosos dos moinhos de Mykonos.

Depois disso, perca-se pelas ruelas de Hora. Você se sentirá em um labirinto, pois é quase impossível se guiar sem um mapa. Tudo isso era proposital. Os venezianos construíram as ruas desta vila assim por dois motivos:

1) para não criar corredores de vento, e, assim, manter as casas aquecidas nos meses de inverno;

2) Para confundir eventuais piratas que buscassem saquear a cidade.

Para jantar, escolha o Katerina’s Restaurant, com linda vista do pôr do sol e dos moinhos.

Sexto Dia – Mykonos

Delos

Ilhas gregas, Delos archeological site

Sítio arqueológico de Delos. Foto: André Orengel

Para o último dia de roteiro, você pode desfrutar de uma das ótimas e mundialmente conhecidas praias da ilha. Outra opção é fazer o que fiz: um passeio guiado ao sítio arqueológico de Delos. Ele fica em uma ilha hoje inabitada (os únicos moradores são os trabalhadores das escavações e manutenção do sítio). A ilha é perto de Mykonos e acessível de barco. A saída do porto antigo de Mykonos é as 9h da manhã com duas opções de retorno: as 13h30 e as 15h.

Como o lugar é imenso, você provavelmente preferirá retornar na segunda opção de horário. Leve um lanche/almoço, pois a comida vendida na lanchonete do local é caríssima. Não deixe de visitar o museu, com artefatos e estátuas encontradas no local, dentre os quais, destacam-se os originais leões de Delos. Muito protetor solar, chapéu e óculos escuros são praticamente obrigatórios para o passeio, já que a área é totalmente descampada.

Ilhas gregas, Delos lions, Mykonos

Os leões de Delos. Foto: André Orengel

Reza a lenda que foi aqui que nasceram os deuses gêmeos Apolo e Artêmis. Isto fez do lugar um dos três principais destinos de peregrinação da Grécia antiga. Não só de religião vivia a ilha. No período helenístico e nos primeiros séculos da ocupação romana, ela era um importante entreposto comercial. Muitos de seus habitantes eram ricos transportadores, banqueiros e comerciantes, originários da Europa, Ásia e África. O mercado de escravos chegou a vender até 10 mil pessoas por dia.

Ao retornar a Mykonos, aproveitamos para passear mais pelas ruas de Hora, tomar um sorvetinho e se despedir das maravilhosas ilhas gregas.

 

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Atenas: o que fazer em três dias na cidade

Mais um texto convidado no Mochileza! O André Orengel, que já havia assinado o post sobre a road trip de Miami a New Orleans, está de volta por aqui. Ele…

Mais um texto convidado no Mochileza! O André Orengel, que já havia assinado o post sobre a road trip de Miami a New Orleans, está de volta por aqui. Ele e a esposa estiveram na Grécia em setembro de 2017 e me deixaram babando com as fotos. Não precisou nem pedir: o André já chegou com o artigo pronto! Um roteiro de três dias por Atenas, para ver o que há de mais importante na capital grega. Se liga nas dicas!

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Para quem curte história e arte, a Grécia é o lugar a ser visitado. Não é à toa que o país é conhecido como o berço da civilização ocidental. Muito da nossa cultura, da nossa forma de pensar e da nossa organização enquanto sociedade teve origem na Grécia pré-histórica e antiga. Por isso, uma visita à capital Atenas revela muito do nosso próprio passado e da origem do que somos atualmente.

Os gregos mantêm com muito orgulho suas tradições, costumes e o idioma. Não deve ser trabalho fácil, afinal foram quase 2 mil anos de dominação estrangeira, seja ela romana, bizantina ou otomana. O mais fascinante é conferir como se reaproveitam espaços e construções que resistem por tantos séculos nessa cidade habitada continuamente por pelo menos 5 mil anos.

Foto: André Orengel

Estar em Atenas, para mim, foi respirar história o tempo todo. O aeroporto, por exemplo, tem um museu que expõe os achados arqueológicos do local, assim como as estações de metrô. Já a Acrópole, erguida 200 metros acima da cidade, é tão sedutora que a buscamos sempre que dobramos uma esquina para vê-la por outro ângulo.

André Orengel. Foto: Arquivo Pessoal

Por tudo isso e mais, Atenas oferece assunto para muitas viagens ou para um mês inteiro de exploração. Mas, sabe como é, o trabalhador assalariado só tem 30 dias de férias por ano. Assim, a gente acaba passando bem menos tempo que o desejado (e o necessário) para conhecer a fundo nossos destinos de viagem.

Para ajudar o viajante a incluir Atenas numa viagem por outros lugares, montei um roteiro hiperapertertado (o prefixo hiper, aliás, tem origem grega). A ideia é explorar a cidade em três dias inteiros, focando nos principais sítios arqueológicos e museus. Creio que ele pode servir de base para você planejar a sua própria viagem. Vamos ao passo-a-passo:

Chegando a Atenas

Você, como eu, provavelmente desembarcará no aeroporto Eleftherios Venizelos (ATH) pela área destinada às chegadas e partidas dos países da zona Schengen. Se este for o seu caso, sugiro que compre logo um SIM Card para o seu celular na Public Conect. Quando estive lá, paguei 18€ por 15Gb de internet e mais 200 minutos de ligação para telefones na União Europeia.

Para ir do aeroporto ao centro de Atenas, que fica a cerca de 20km, você pode pegar um táxi (38€, das 5h às 23h59, ou 54€, das 0h às 4h59).

Há ainda duas boas opções de transporte público:

– o ônibus (linha X-95), leva cerca de 80 minutos do aeroporto à praça Syntagma, no centro da cidade. Ele custa 6€, funciona 24 horas todos os dias. A frequência varia conforme a época do ano.

– o metrô, com o mesmo trajeto, demora cerca de 40 minutos. Ele funciona das 06h30 às 23h30 e sai de meia em meia hora.

Preferi o metrô e aproveitei para comprar o ticket de turista que inclui ida e volta para o aeroporto e mais três dias de transporte público em metrô e ônibus. O preço é 22€.

Primeiro Dia

Atenas - Acrópole

Detalhe da Acrópole de Atenas. Foto: André Orengel

Começamos o dia com o descontraído e informativo tour da Athens Free Tours. Ele começa às 10h, dura cerca de 2h30, tem opções em inglês e espanhol e é gratuito. Ao final é de bom grado deixar uma gorjeta. O percurso a pé passa pelos principais pontos turísticos e bairros da cidade com explicações gerais sobre eles, mas sem entrar nos sítios arqueológicos.

O passeio que fiz (acho que o trajeto varia de guia para guia) encerrou próximo à entrada da Ágora Antiga. Aproveitamos então para comprar nesta bilheteria o ticket combo, que, por 30€, inclui várias atrações da cidade.

Com o ticket em mãos, subimos a encosta norte em direção à Acrópole. Essa é a parte do trajeto que realmente testa a vontade do sujeito de estar ali, principalmente se o fizer ao meio-dia durante o verão. Vencida a subida e antes de adentrar no sítio arqueológico, escalamos a Colina de Areópago para uma vista panorâmica da cidade e da própria Acrópole.

Atenas - Acrópole

Vista da Acrópole a partir do Monte de Areópago. Foto: André Orengel

Trata-se de um enorme monólito de mármore onde, conta a lenda, Ares foi julgado e absolvido pelo conselho dos deuses pelo homicídio de Halirrothios, filho de Poseidon. Por isso (ou não), o lugar fora utilizado na Antiguidade como corte para o julgamento dos crimes de homicídio, corrupção e traição pelo Conselho de Areópago. Os cristãos se lembrarão deste nome porque, segundo a Bíblia (Atos dos Apóstolos 17.16-34), Paulo proferiu neste lugar o famoso discurso sobre o deus desconhecido.

A Acrópole

Os primeiros templos da Acrópole (acro = alto + polis = cidade) foram construídos na era Micênica, em reverência à deusa Atena. Eles foram completamente destruídos pelos persas na véspera da batalha de Salamina (480 A.C.). Com a vitória grega, o gestor Péricles deu início a um ambicioso programa de reconstrução da cidade que transformou a Acrópole em um fabuloso complexo de adoração, principalmente da deusa Atena, coroada pelo Parthenon, que marcou o apogeu das realizações da Grécia clássica. Em nossos tempos, a Acrópole se tornou um dos principais sítios arqueológicos da Antiguidade ocidental.

Atenas - Parthenon

O famoso Parthenon, na Acrópole de Atenas. Foto: André Orengel

De lá para cá, a Acrópole sofreu com desastres naturais, guerras e pilhagens. Assim, o que vemos atualmente são apenas ruínas que nos concedem uma vaga noção do que o lugar já foi um dia. O maior golpe ao local fora desferido em 1687 pelos Venezianos, durante um bombardeio contra os Otomanos. O principal prédio do complexo (utilizado à época como depósito de pólvora) foi explodido e causou grandes danos aos demais.

Ao passar pelas catracas, vire à direita para apreciar o Odeão de Herodes Áticos, construído em 161 d.C. pelo aristocrático romano que o nomeia. Completamente reconstruído entre 1950 e 1961, ele é utilizado durante os festivais teatrais de verão para encenações de tragédias e comédias clássicas.

Atenas - Odeão de Herodes Áticos

Odeão de Herodes Áticos. Foto: André Orengel

Do lado oposto ao tetro, acima das folhas das oliveiras que adornam o caminho, você terá uma boa visão do templo de Atena Nike. Sim, o nome é o mesmo da famosa marca de material esportivo. Nike é a deusa da vitória que coroou Atena após esta haver derrotado Poseidon na batalha pela adoração dos habitantes da cidade a partir de então chamada de Atenas.

Templo de Atena Nike. Foto: André Orengel

Siga o caminho indicado e suba até a Propylaia, a monumental entrada da Acrópole, construída por Mnésicles entre os anos de 437 e 432 a.C. Passeie pelo sitio arqueológico parando nas placas distribuídas à frente das principais ruínas para ler as explicações sobre a história do lugar e seus traços arquitetônicos mais marcantes.

Depois da visita à Acrópole

Após a exploração, que provavelmente durará em torno de duas horas, desça pela encosta sul do monte, passando pelo Teatro de Dionísio, o templo de Asclépio e a Stoa de Eumenes, e siga em direção à rua Makrigianni, para almoçar em um de seus restaurantes. Comemos no Arcádia (Makrigianni, 27) e adoramos a comida e o atendimento. Recarregadas as baterias, aproveite o restante da tarde para apreciar a excelente coleção de esculturas do Museu da Acrópole, localizado ali próximo.

Terminada a visita, aproveite o cair da noite para percorrer o bairro de Plaka, em direção à praça Monastiraki. O bairro, apesar de muito turístico, é uma das partes mais charmosas da cidade. Tem ruas estreitas, cantinhos, lojinhas, bares, restaurantes e a vista do Parthenon ao alto. Escolha um dos restaurantes da região para o jantar, que pode ser o excelente Lithos, na rua Aisopou, 17.

Segundo Dia

Atenas - Templo de Zeus

Templo de Zeus. Foto: André Orengel

Nosso primeiro destino no segundo dia de viagem foram as ruínas do templo do Zeus Olímpico. É o maior templo da Grécia e fica do “lado de fora” do arco de Adriano, que marcava a divisão entre a cidade antiga grega (de Teseu) e a nova cidade romana (de Adriano). Sua construção iniciou no século 6º a.C., na gestão de Peisistratos. A obra só foi concluída pelo imperador romano Adriano em 131 d. C. após várias interrupções.

Em seguida, atravesse os Jardins Nacionais e chegue à frente do Parlamento Grego. Sincronize seu tempo para chegar às 10h ou 11h, para ver a cerimônia da troca da guarda que protege a tumba do soldado desconhecido. Estivemos lá no domingo às 11h e assistimos a uma cerimônia mais pomposa (que ocorre semanalmente nesse horário), com direto à banda marcial e um pequeno desfile. Tinha uma multidão no local. Portanto, se a sua intenção é a testemunhar essa ritual estendido, chegue com ao menos 30 minutos de antecedência para conseguir um bom lugar.

Atenas - Parlamento

A cerimônia da troca da guarda em frente ao Parlamento. Foto: André Orengel

Museus de Atenas

Depois disso, abrigue-se do sol em dois dos melhores museus de Atenas, localizados ali pertinho na Avenida Leoforos Vasilissis Sofias. O Museu Benaki e o Museu de Arte Cristã e Bizantina. O primeiro exibe a coleção privada de Antonis Benakis, incluindo achados desde era Micênica até a atualidade. Já o segundo apresenta uma enorme coleção de arte cristã, desde a antiguidade até os dias atuais. Ela abrange imagens, pinturas, bíblias, entre outros. Aproveitamos para almoçar no restaurante situado no terraço do Museu Benaki, e assim otimizamos o nosso tempo.

Estádio Panatenaico

Ao terminar a visita ao Museu de Arte Cristã e Bizantina siga para o Estádio Panatenaico (fecha as 19h entre março e outubro, e às 17h entre novembro e fevereiro). No caminho, passe pela frente do Palácio Presidencial, que também conta com uma cerimônia de troca da guarda, menos concorrida que a do Parlamento.

Atenas - Estádio Panatenaico

Estádio Panatenaico. Foto: André Orengel

O Panatenaico é o único estádio do mundo construído completamente em mármore. Ele recebeu a abertura e o encerramento dos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna (1896) e também a chegada da maratona dos Jogos de 2004. Este estádio chegou a abrigar 80 mil espectadores em uma partida de final da Euroliga de Basquete entre o AEK Atenas e o Slavia Praga, em 1968. Não deixe de ouvir ao ótimo e bem completo audioguia em português, que narra esses e muitos outros fatos interessantes referentes ao estádio.

Se você ainda tiver fôlego, cronometre a visita para encerrar cerca de uma hora antes do pôr do sol. Assim, você pode assisti-lo do alto do Monte das Musas (também conhecido como Monte Philopappos), com uma ótima vista do mar Egeu, da Acrópole e da cidade. Demoramos em torno de 30 minutos para caminhar do estádio até o topo do morro, em uma subida que não exige muito do seu preparo físico.

Atenas - Monte das Musas

A Acrópole vista do Monte das Musas. Foto: André Orengel

Para encerrar o dia, jante no excelente Mani Mani (Falirou 10): comida refinada, deliciosa e com uma linda apresentação.

Terceiro Dia

Inicie o seu terceiro dia conhecendo a Ágora Antiga (grega). O coração da Atenas antiga era a Ágora. Nela, desenrolavam-se as principais atividades administrativas, comerciais, políticas e sociais. Hoje, grande parte do local está completamente em ruínas. É preciso ter muita imaginação para entender o que se passava em cada local marcado pelo mapa, mesmo lendo as placas informativas.

Atenas - Stoa de Átalos

Stoa de Átalos. Foto: André Orengel

Isto exceto pela Stoa de Átalos. Com dois pavimentos totalmente reconstruídos, ela nos transporta dois mil anos ao passado para termos um gostinho de como seria um shopping center da época. Este edifício também abriga o museu da Ágora, onde podemos ver uma maquete completa do sítio arqueológico e esculturas encontradas no local. Outra notável exceção é o Templo de Hefesto, considerado o templo grego mais bem preservado do mundo.

Atenas - Templo de Hefesto

Templo de Hefesto. Foto: André Orengel

Ágora Romana

Colada à Ágora Antiga (grega), encontra-se a chamada Ágora Romana. Lá você pode apreciar suas ruínas, notadamente a bem-preservada Torre dos Ventos. É um monumento octogonal, construído pelo astrônomo sírio Andronicus. Ele servia como relógio de água, compasso, biruta e relógio de sol. Ao entrar na Ágora, dedique um momento ao mapa que fica logo após ao pórtico de Athena Archegetis. É fundamental para entender as ruínas remanescentes.

Atenas - Ágora Romana

A Ágora Romana e a Torre dos Ventos. Foto: André Orengel

Também bem próximo daí, está localizada a Biblioteca de Adriano, a última das ruínas a ser visitada neste passeio. Datada do século 2º a. C., esta foi a maior das estrutura erguidas por Adriano na cidade.  Ela continha um pátio interno com uma piscina no centro e bordeado por 100 colunas. Assim como livros, o prédio abrigava instrumentos musicais, salas de estudo e auditórios.

Quando terminar estas visitas, almoce em um dos restaurantes da região para em seguida ir ao Museu Arqueológico Nacional. Para chegar lá, pegue o metrô na estação da praça Monastiraki, siga rumo a Kifissia e desça na estação Victória. Ande algumas quadras na direção sul e você encontrará um enorme prédio neoclássico ao final de uma pracinha gradeada.

Atenas - Museu Arqueológico Nacional

Museu Nacional Arqueológico de Atenas. Foto: André Orengel

Um “best of” do Museu Arqueológico Nacional

O Museu Arqueológico Nacional de Atenas possui a melhor coleção de arte grega pré-histórica e clássica do planeta. Dedique algumas horas para  apreciar as suas obras, sem deixar de ver os seus highlights:

– a Máscara Fúnebre de Agamemnon e as Taças Douradas de Vaphio, localizadas nas salas centrais do térreo. Estas salas são dedicadas, entre outros, às civilizações Micênicas e Cyclades;

– a estátua de bronze de Poseidon ou Zeus, encontrada no fundo do mar Egeu, na Galeria 15;

– a estátua de bronze de um cavalo montado por um jovem cavaleiro e a estátua em mármore de Afrodite, na Galeria 21;

– os afrescos de Akrotini das Crianças Lutando Boxe, da Primavera e dos Antílopes, no andar superior;

– e os seis vasos que eram presenteados aos vencedores dos jogos Panatenaicos repletos de azeite de oliva. Eles remontam à origem dos troféus, atualmente entregues aos ganhadores de competições esportivas, na Galeria 56.

Um pouco de teatro

Após a visita ao museu, voltamos ao Odeão de Herodes Áticos. Lá, vimos a apresentação da tragédia As Bacantes (The Bacchae) de Eurípedes. Ela integra o Festival de Verão de Teatro de Atenas e Epidauro. A peça é em grego, com legenda em inglês, e vale muito a pena. Se você não conseguir garantir seu ingresso, uma opção que não chegamos a conhecer é subir no monte Lykavittos de táxi ou funicular. No local, dá para apreciar a vista da cidade e do pôr do sol por uma outra perspectiva.

Para terminar o passeio por esta espetacular cidade, jante no Balcony Restaurant & Bar (Veikou, 1) e se despeça com ótima comida e uma bela vista da Acrópole iluminada.

Tem um dia a mais?

Bem, se tivéssemos mais um dia, o aproveitaríamos para conhecer os arredores da cidade. Especialmente a área do Cabo Sounion, a 70km ao sul de Atenas. Lá ficam o Templo de Poseidon e várias praias. Você pode ir para lá de ônibus, pela linha “Markopoulo, Lavrion e Sounion”, em um tour ou alugando um carro.

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Munique: novo voo direto aproxima Alemanha e Brasil

A Oktoberfest original está mais perto dos brasileiros! Assim como a Allianz Arena, os jogos do multicampeão Bayern, o Castelo de Neuschwanstein e outros passeios na região da Baviera, na…

A Oktoberfest original está mais perto dos brasileiros! Assim como a Allianz Arena, os jogos do multicampeão Bayern, o Castelo de Neuschwanstein e outros passeios na região da Baviera, na Alemanha. Isso porque a cidade de Munique é o destino de uma rota sem escalas saindo do Brasil. A partir de 7 de novembro de 2017, a Condor opera um voo direto entre Recife e Munique. É apenas um voo semanal, sempre às terças-feiras. Mas já é o suficiente para facilitar a chegada a um dos principais destinos turísticos alemães.

O voo partindo do Recife passa a ser o único voo direto para Munique saindo do Brasil. Até outubro de 2016, havia um voo a partir de São Paulo, feito pela Lufthansa. Mas a companhia suspendeu a rota, alegando a crise econômica brasileira como motivo. As ligações entre Brasil e Alemanha acabaram se restringindo a Frankfurt, que tem um dos principais aeroportos da Europa. Latam e Lufthansa faziam essa rota saindo de São Paulo e Rio de Janeiro. A Condor chegou depois e incluiu o Nordeste na parada, com voos a partir do Recife, Salvador e Fortaleza.

A rota Recife-Munique é feita em aeronaves Boeing 767/300, com três classes: business, comfort e econômica. O voo tem um horário bom para quem consegue dormir na viagem. Sai às 18h50 do Recife e chega às 8h50 locais em Munique no dia seguinte, totalizando 10 horas de voo.

Voei de Condor em duas oportunidades, sempre na rota Recife-Frankfurt. Em 2015, os aviões eram iguais a estes que fazem o novo voo para Munique. Confortáveis, com bom serviço de bordo, mas muita coisa paga por fora. Desde a reserva do assento até uma versão premium do sistema de entretenimento, tudo tem seu preço. Já em 2017, o avião era menor. O espaço entre as poltronas era mais apertado, não havia nem classe comfort nem sistema de entretenimento.

Uma vantagem da Condor é que a franquia de bagagem ainda não sofreu influência da mudança das regras no Brasil. Mesmo na classe econômica, os passageiros têm direito a despachar dois volumes de até 32 kg sem custo adicional. A bagagem de mão permitida é de 6 kg na classe econômica, 10 kg na comfort e 12 kg na business.

Outra questão importante: a Condor tem um escritório no Brasil, mas os problemas mais cascudos precisam ser encaminhados para a matriz na Alemanha. No post sobre os 7 erros que cometi em viagens, descrevi uma situação que vivi na viagem de 2017. O prazo dado pela companhia para responder a casos encaminhados à matriz era de 72 horas úteis. Portanto, ao escolher voar pela Condor, tente minimizar os riscos de mudança em cima da hora da viagem.

Mas o que fazer em Munique?

Munique - parque olímpico

Parque Olímpico de Munique. Foto: designerpoint / Pixabay

Para responder a esta pergunta, entrei em contato com a Márcia Oliveira. Ela é carioca e mora em Munique desde 2015 e promove passeios guiados para brasileiros na cidade e na região da Baviera (da qual Munique é capital). Ela também publica dicas sensacionais no blog Vou Pra Alemanha, que divide com outras duas brasileiras. Para a Márcia, tudo o que você encontra em Munique e na Baviera é muito parecido com a imagem que se costuma ter da Alemanha.

Márcia Oliveira, do blog Vou Pra Alemanha

“Quando você pensa na Alemanha, é muito provável que venham à sua mente os Alpes, as vaquinhas, os pastos verdinhos, lagos cor de esmeralda. Ou ainda casinhas com flores nas varandas, lindos castelos, pessoas bebendo cerveja e se divertindo. Tudo isso pode ser encontrado na Baviera. Em comparação com o resto da Alemanha, a Baviera é a região que mais preserva as tradições, onde você pode experimentá-las e vivenciá-las de forma mais genuína”, conta Márcia.

 

Quando ir a Munique?

Segundo Márcia Oliveira, a cidade tem atrativos o ano inteiro. Mas a melhor época para ir vai depender muito do que você quer ver e fazer. “Se quiser fugir do período mais frio, evite janeiro. Por outro lado, se quiser ver bastante neve, venha em janeiro. O inverno aqui é rigoroso, mas nada que impeça passeios pela cidade e arredores. Basta que você esteja bem agasalhado”, explica.

A época mais fria vai de janeiro a abril. Na virada de abril para maio, a temperatura começa a subir e as tulipas coloridas florescem. É a primavera chegando. De junho a setembro, é o verão: dias quentes, noites frescas. Em setembro é dada a largada da Oktoberfest (da qual falaremos um pouco mais adiante) e as temperaturas começam a cair até dezembro. Em novembro, as feiras de Natal chegam para deixar a cidade com outra atmosfera.

Também pedi à Márcia que enumerasse os cinco lugares preferidos dela em Munique. Confira as dicas dela!

 

Olympiaberg

Munique, Olympiaberg

Olympiaberg. Foto: Vou Pra Alemanha

O que diz a Márcia: “É um pequeno monte no Parque Olímpico de Munique, onde é possível ter uma visão geral da cidade. Também é meu lugar preferido para ver o pôr-do-sol”.

Esta é apenas uma das inúmeras atrações do Parque Olímpico, que segue em plena atividade desde os Jogos de 1972. De lá para cá, vários eventos esportivos foram realizados aqui, assim como shows e exposições. Além disso, é um dos principais espaços de lazer para os moradores. A Olympiaberg, por exemplo, tem entrada gratuita.

Site: http://www.olympiapark.de

 

Jardim Inglês (Englischer Garten)

Munique, Englischer Garten

Englischer Garten no Verão. Foto: Munchen.de

O que diz a Márcia: “Um dos maiores parques urbanos do mundo. Ele está sempre lindo, em qualquer estação”.

Além das paisagens naturais (beira de rio, beira de lago, áreas verdes, etc), o Englischer Garten tem uma porção de restaurantes típicos, a tradicional Torre Chinesa e um biergarten para tomar cervejas locais. Além disso, há um trecho de rio com correnteza onde se pratica surfe! Dá uma olhada no vídeo feito pelo blog Vou Pra Alemanha!

Site: http://www.muenchen.de/sehenswuerdigkeiten/orte/120242.html

 

Deutsches Museum

Munique, Deutsches Museum

Foto: Deutsches Museum / Divulgação

O que diz a Márcia: “maior museu de tecnologia do mundo”.

O Museu Alemão é enorme. Tem uma área de 45 mil metros quadrados e um acervo de 17 mil peças. Entre as áreas do conhecimento exploradas no museu, estão a mineração, a aeronáutica, a química, a engenharia e muito mais.

Site: www.deutsches-museum.de

 

Palácio Residenz

Munique, Palácio Residenz

A ala Antiquarium no Palácio Residenz. Foto: blizniak / Pixabay

O que diz a Márcia: “é um museu que serviu de residência aos governantes da Baviera por mais de 600 anos”.

É o maior palácio urbano da Alemanha, composto por dez pátios e 130 salas. Abriga também um museu de decoração de interiores, uma sala de concertos, a Casa do Tesouro Real e um teatro. O Jardim da Corte, outra atração do complexo, tem entrada gratuita. Confira informações sobre ingressos nos espaços pagos e sobre os horários de funcionamento.

 

Viktualienmarkt

Munique

Foto: Munchen.de

O que diz a Márcia: “é um mercado gourmet que fica bem no centro histórico de Munique, onde há inclusive um biergarten”

É um mercado com mais de 200 anos de história e é marcante pelo tamanho e diversidade. São 22 mil metros quadrados e 140 lojas com itens que vão de flores a temperos, de plantas a carne, passando por peixe, charcutaria e muito mais.

Horário de funcionamento: segundas a sextas, das 10h às 18h. Sábados, das 10h às 15h. Fechado aos domingos. A fonte é o site da prefeitura de Munique.

 

 

Faixas bônus

Outros programas imperdíveis em Munique e arredores.

 

Oktoberfest

Munique, Oktoberfest

Foto: Divulgação Oktoberfest

O maior evento turístico de Munique e, quiçá, de toda a Alemanha. É uma tradição de quase 200 anos, que inclui roupas folclóricas, músicas típicas e canecas de litro abastecidas de cerveja de forma intermitente. A festa começa em setembro e dura 16 dias.

O site da Oktoberfest é completíssimo com informações sobre o evento.

E o site Um Só Lugar preparou um guia prático da festa, cheio de curiosidades para quem pretende curtir in loco.

 

Allianz Arena

Foto: Lee Min Jon / Pixabay

Nem parece que o moderníssimo estádio do Bayern de Munique já tem mais de 10 anos de existência. Inaugurado em 2005, foi palco de seis jogos da Copa do Mundo em 2006 e da final da Champions League em 2012. As visitas à arena contemplam não apenas as principais dependências do estádio, como também o FC Bayern Erlebniswelt: o maior museu de um clube de futebol alemão.

Para informações sobre agenda de eventos, horário de funcionamento e preços das visitas, entre no site da Allianz Arena.

 

BMW Welt

Munique, BMW Welt

Foto: Divulgação / BMW Welt

É um complexo que reúne a fábrica, edifícios administrativos e o museu da montadora alemã. O lugar impressiona não só aos fãs de carros, mas a quem admira a arquitetura moderna. O design do complexo é de cair o queixo. Além de carros e motos em exposição, o BMW Welt tem loja oficial da marca, além de restaurante, lanchonete e muito mais.

Para informações sobre horários de funcionamento e preços de ingressos, acesse o site do BMW Welt.

 

Legoland

Foto: Legoland / Divulgação

Essa dica é para quem curte parques temáticos e está disposto a pegar uma estrada. A Lego (sim, a fábrica dos brinquedinhos de montar) tem nove parques em todo o mundo. Um deles está em Günzburg, a 130 quilômetros de Munique. A filial alemã é feita com 56 milhões de peças de Lego. E uma das partes mais legais é a Mini Land, com réplicas de pontos turísticos da Alemanha montadas com os famosos bloquinhos.

Para informações bem completinhas, acesse o site da Legoland Deutschland.

 

Outros passeios

Munique, Castelo de Neuchwastein

Castelo de Neuchwanstein. Foto: Vou Pra Alemanha

Há muitos outros lugares legais para ver em Munique e nos arredores. Como o Castelo de Neuchwanstein, o campo de concentração de Dachau e as cidades de Innsbruck e Salzburgo, na Áustria. A Márcia Oliveira, do blog Vou Pra Alemanha, organiza passeios para todos esses destinos e para vários roteiros dentro de Munique. Os depoimentos das pessoas que já fizeram excursões com ela são muito legais! Não deixe de conferir a lista completa dos tours organizados por ela antes de organizar sua viagem para a Alemanha!

 

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7 lugares “secretos” para conhecer em Madrid

Quando coloquei o Mochileza no ar, pensei num grande propósito. A ideia era sempre buscar experiências pouco comuns para compartilhar com os leitores. Lugares que só os moradores conhecem, passeios…

Quando coloquei o Mochileza no ar, pensei num grande propósito. A ideia era sempre buscar experiências pouco comuns para compartilhar com os leitores. Lugares que só os moradores conhecem, passeios pouco divulgados e experiências de imersão nas cidades, por exemplo. Se fosse para escrever sobre o que todo mundo já fala ou já sabe, não havia a necessidade de mais um blog de viagem existir.

O problema é que, para o trabalhador que tem apenas 30 dias de férias por ano, fica bem difícil conhecer os destinos tão profundamente assim. Não com uma consistência suficiente para dizer: “rodei a cidade inteira e não encontrei um lugar tão pitoresco quanto este”.

Ainda bem que a internet aproxima as pessoas e conheci a Larissa Andrade, dos blogs Be My Beer e Esto es Madrid, Madrid. Ela é jornalista e beer sommelier e mora na capital espanhola desde 2011. Com a bagagem que tem, ela compartilha informações e experiências sobre viver em Madrid e sobre o mercado cervejeiro na Europa.

Pois bem: convidei a Larissa para colaborar com o Mochileza e revelar os seus lugares “secretos” preferidos em Madrid. Aqueles que não costumam estar nos guias, que o turista viciado em sightseeing não vê e que podem valer grandes momentos na sua viagem. É mais um guest post especial por aqui! Espero que vocês curtam!

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Larissa Andrade, nossa anfitriã em Madrid. Foto: Arquivo pessoal

Madrid é uma cidade de contrastes: apesar de ser a segunda maior capital europeia, atrás apenas de Londres, às vezes parece ser um pouco provinciana. Apesar de ter uma área moderna, é cheia de história. E apesar de acolher moradores de várias partes do mundo, está cheia de madrilenhos que não abrem mão de seus costumes e tradições. Neste post, vamos falar de 7 lugares “secretos” de Madrid onde está tudo junto e misturado. 

Na verdade, alguns deles são bem conhecidos pelos locais, mas os considero fundamentais para entender um pouco a alma madrilenha.

Mercado de Vallehermoso

Madrid, Mercado de Vallehermoso

Foto: Larissa Andrade

Há algum tempo, os mercados municipais de Madrid vêm ganhando uma cara nova. As bancas tradicionais de frutas, verduras e carne se misturam a restaurantes asiáticos e lojas de embutidos.

Fora do centro turístico, o Mercado de Vallehermoso é um desses mercados. Nele, você vai encontrar postos onde pode fazer a compra da semana. Na mesma viagem, dá para aproveitar e tomar uma boa cerveja artesanal no Prost Chamberí ou na cervejaria Drakkar, provar a comida tailandesa do Tuk Tuk ou tentar a sorte e conseguir uma mesa para almoçar no disputado Kitchen 154, especializado em comida picante.

Endereço: Calle Vallehermoso, 36 (metrô Quevedo)

Horário de funcionamento: de segunda à sábado, das 9h às 23h. Aos domingos, das 11h às 18h.

 

Restaurante Can Punyetes

Madrid, Can Punyetes

Foto: Facebook/Can Punyetes

Bem ali no centro de Madrid está escondido um restaurante catalão delicioso, onde você pode provar os calçots (uma espécie de cebola típica da região) com salsa romesco, butifarra (linguiça) e terminar com a clássica crema catalana. Eles não aceitam reservas. Por isso, o ideal é chegar cedo e colocar o nome na lista de espera. Não espere nada glamouroso, porque o restaurante é simples e antigo, mas o ambiente é bem original. 

Há dois endereços, mas o meu favorito é o da Calle de los Señores de Luzon, 5 – (metrô Sol ou Ópera)

Horário de funcionamento: segundas a quintas, das 13h às 17h e das 20h à 0h. Sextas e sábados, o horário do jantar se estende até 1h. Aos domingos, só abre para o almoço, das 13h às 17h.

 

Noches de Bolero na Bodegas Lo Máximo

Madrid, Bodegas Lo Máximo

Foto: Larissa Andrade

Um dos bares mais queridinhos do bairro de Lavapiés se torna ainda mais especial nas noites de quarta-feira. É quando a Piluka, que trabalha lá, deixa o balcão do bar e sobe no pequeno palco para cantar boleros. Não pode conversar (ou você corre o risco de levar bronca), mas eu garanto que vale a pena! Você só paga o que consumir e eu te garanto que vai ser impossível não se emocionar. A apresentação começa por volta das 20 horas. 

Endereço: Calle de San Carlos, 6 (metrô Lavapiés ou Antón Martín)

Horário de funcionamento: segundas a quintas, das 19h30 às 2h. Sextas a domingos, das 12h30 às 2h.

 

Bar Casa Zoilo

Madrid, Casa Zoilo

Foto: Facebook/Casa Zoilo

O madrilenho ama um bar. E se ele for desse bem simples, com cara de bairro, em que todo mundo já se conhece e a cerveja sempre vem acompanhada de uma tapa generosa, melhor ainda. O Casa Zoilo, também no bairro de Lavapiés, é assim. Tem um estilo classe trabalhadora, os garçons são ótimos, eles têm opções vegetarianas e você encontra tanto cervejas artesanais quanto industriais.

Endereço: Calle de la Huerta del Bayo, 4 (metrô Tirso de Molina)

Horário de funcionamento: terças a sábados, das 12h às 16h e das 20h à 0h30. Aos domingos, fecha um pouquinho mais cedo, à 0h. Fechado às segundas.

 

Matadero  + Madrid Río

Madrid, Matadero

Foto: Larissa Andrade

O Matadero, antigo matadouro de animais, é atualmente um dos principais centros culturais da cidade. Como está um pouco afastado do centro, muitos turistas não vão até lá, o que considero um erro. Além de ter uma sala de cinema linda e especializada em documentários, a cantina é uma delícia e sempre tem alguma atividade cultural rolando. Minha dica é: alugue uma das bicicletas públicas e vá até o Matadero de bicicleta pelo Madrid Río, um parque que está nas margens do rio Manzanares. Você vai ver Madrid de um jeito diferente e super bonito!

Endereço: Paseo de la Chopera, 14 – (metrô Legazpi)

Horário de funcionamento: todos os dias, das 9h às 22h

 

Museu Sorolla

Madrid, Museo Sorolla

Foto: Larissa Andrade

Madrid tem importantes museus, como o Prado e o Reina Sofía, onde você vai encontrar obras de grandes mestres, como Velázquez, Rubens, Picasso e Dalí. Mas a cidade oferece opções menores, mas muito interessantes, como a Casa Museu de Joaquín Sorolla, que foi a residência do pintor e abriga grande parte de sua obra. Vale a visita pelas duas coisas e é impossível não se impressionar com as obras do artista.

Endereço: Paseo del General Martínez Campos, 37 (metrô Gregorio Marañón ou Ruben Darío)

Horário de funcionamento: terças a sábados, das 9h30 às 20h. Domingos, das 10h às 15h. Fechado às segundas.

 

Cafeteria Santa Eulalia

Madrid, Santa Eulalia Boulangerie Patisserie

Foto: Facebook/Santa Eulalia Boulangerie Patisserie

A capital espanhola, como muitas outras cidades europeias, foi delimitada no passado por uma muralha. Na verdade, duas! Uma muçulmana, construída no século IX, e outra cristã, dos séculos XI e XII e que aproveitou partes da primeira. Infelizmente, apenas pequenas partes das muralhas são conservados e um dos lugares onde você pode vê-las é na Cafeteria Santa Eulalia, que também tem pães, croissants e doces deliciosos em um ambiente moderninho.

Foto: Larissa Andrade

Endereço: Calle Espejo, 12 (metrô Ópera)

Horário de funcionamento: terças a sábados, das 9h30 às 20h. Domingos, das 9h30 às 15h. Fechada às segundas.

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