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Tag: dicas

O que fazer em Pipa: praias, gastronomia e muito mais

Você já leu aqui no Mochileza como planejar a sua viagem a Pipa. Como chegar, quando ir e outras informações fundamentais antes de embarcar. Agora é hora de conhecer a…

Você já leu aqui no Mochileza como planejar a sua viagem a Pipa. Como chegar, quando ir e outras informações fundamentais antes de embarcar. Agora é hora de conhecer a região e saber quais as principais praias e atrações.

Quando chegar ao Rio Grande do Norte, tem uma coisa curiosa que você vai descobrir: não existe uma Praia de Pipa propriamente dita. O nome internacionalmente conhecido é o do vilarejo pertencente ao município de Tibau do Sul, a 85 quilômetros de Natal.

Este trecho do litoral potiguar tem cerca de 20 quilômetros de atrações. Além das praias, Pipa tem trilhas, falésias e santuários ecológicos. É muita coisa para ver e fazer! Dá para ir várias vezes sem enjoar. Confira os principais atrativos e programe os detalhes da sua viagem!

Praia do Centro

É a praia de mais fácil acesso em Pipa. Como o nome denuncia, ela fica no centro do vilarejo, bem junto da rua principal (a avenida Baía dos Golfinhos). Dá para chegar de carro também, já que há estacionamentos próximos.

Na Praia do Centro, o mar não tem ondas e a água forma piscinas naturais na maré baixa. Há muitos restaurantes à beira-mar, com mesas e cadeiras na areia. Por isso e pela facilidade do acesso, a praia costuma ficar lotada em feriados prolongados.

 

Praia do Amor

Foto: Leonardo Aquino

 

Se você gosta de um pouco mais de privacidade, a Praia do Amor é onde Pipa começa a falar a sua língua. O acesso é mais complicado. É preciso descer pelas escadarias em alguns trechos das falésias. Outra opção é uma caminhada de cerca de 10 minutos a partir da Praia do Centro. Por isso, não é muito indicada para pessoas com dificuldade de locomoção ou que viajam com crianças de colo.

O mar é um pouco mais agitado e forma ondas que fazem da Praia do Amor um bom point para os surfistas. Há algumas barracas que servem petiscos e bebidas. Mas a areia não está tão tomada pelos barraqueiros quanto na Praia do Centro.

 

Baía dos Golfinhos

É onde Pipa encontra Cancún, guardadas as devidas proporções. Não é que seja possível tirar fotos dando um beijo nos golfinhos como no balneário mexicano, mas eles nadam bem perto da orla. Como a água é calminha, é um ótimo lugar para um banho de mar.

O acesso é a pé, a partir da Praia do Centro. A caminhada é de cerca de 15 minutos. Mas atenção: fique de olho na tabela das marés. Só dá para chegar à Baía dos Golfinhos quando a maré estiver seca ou secando.

 

Praia do Madeiro

Foto: Leonardo Aquino

 

É uma das praias mais badaladas da região, ainda que o acesso não seja tão fácil. Fica a 4 quilômetros do centro de Pipa e ainda tem uma recepção nada convidativa. É preciso descer uma escadaria de 170 degraus a partir do Bar do Jegue. Ou seja: bem complicada para quem tem dificuldades de locomoção ou é portador de deficiência.

Praia de Pipa, Praia do Madeiro

Acesso à Praia do Madeiro, em Pipa. Vai encarar? Foto: Leonardo Aquino

 

A infraestrutura é uma das melhores de Pipa, com várias barracas e restaurantes. Há até um hotel com um acesso particular à praia (o Village Natureza). O mar é calmo, mas tem ondas num tamanho suficiente para surfar. Há inclusive instrutores que dão aulas de surfe na Praia do Madeiro para quem quiser ser Gabriel Medina por um dia.

 

Praia da Cacimbinha

Mirante da Cacimbinha. Foto: Leonardo Aquino

 

É o ponto onde você vai tirar uma das fotos mais bonitas da sua viagem à Praia da Pipa. Na estrada, à beira da falésia, o Mirante da Cacimbinha tem uma vista apaixonante. Do outro lado da estrada, há dunas de pequeno porte. Chegar até a praia propriamente dita é que são elas. É preciso descer pela falésia. O hotel Pipa Privilege tem uma escadaria que também dá acesso.

A Praia da Cacimbinha não é muito amigável para o banho de mar. Mas para quem pratica esportes de aventura, é altamente convidativa. Por causa dos ventos e das ondas, é muito procurada por adeptos do kitesurf. No topo da falésia, perto da estrada, também é possível fazer voos de parapente.

 

Tibau do Sul (Praia do Giz e Lagoa Guaraíras)

Barracas na Praia do Giz. Foto: Leonardo Aquino

 

O município-sede de Pipa também tem seus atrativos, seja de água doce ou de água salgada. Na Lagoa Guaraíras, são feitos passeios de barco em que os golfinhos são vistos de perto e onde se contempla o pôr-do-sol mais bonito da região (pelo menos é o que se costuma dizer). Também é de lá que sai uma balsa até Natal. O ponto de embarque e desembarque do outro lado é a praia de Barra do Tabatinga, em Nísia Floresta.

Praia do Giz. Foto: Leonardo Aquino

 

A água da lagoa encontra com a do mar na Praia do Giz. É uma ótima praia para ir com crianças, já que vários laguinhos são formados quando a maré seca. Além disso, de todas as praias da região, é a que tem a melhor acessibilidade. A partir do momento em que você desce do carro ou da van, é tudo plano. O local também é bem servido de barracas de praia e restaurantes.

 

Outras praias

A região também tem a Praia das Minas (deserta e de acesso difícil), a de Sibaúma (acesso fácil e preços mais em conta), Barra do Cunhaú e Baía Formosa.

 

Gastronomia

A avenida Baía dos Golfinhos e suas transversais concentram muitos restaurantes. É um ótimo passeio noturno em Pipa. Foto: Leonardo Aquino

 

Pipa concentra em suas ruas estreitas e ladeiras íngremes uma variedade gastronômica que deixaria muitas cidades com inveja. Num raio de menos de um quilômetro, estão concentrados restaurantes de culinária italiana, espanhola, japonesa, argentina, tailandesa e muito mais. Isso sem contar, claro, na comida de praia: peixe e frutos do mar. Juro a você: em Pipa, gosto mais da gastronomia do que das praias. Pode me julgar!

Em geral os preços são de médios para caros. Você vai encontrar os maiores ágios em restaurantes com um perfil mais genérico ou praiano. Na nossa última viagem a Pipa, em março de 2018, chegamos a ver um que cobrava mais de 100 reais por um strogonoff para duas pessoas. Um absurdo!

O curioso é que alguns dos restaurantes mais sofisticados cobram preços mais justos. Não que sejam pratos exatamente baratos. Mas são estabelecimentos que passam tranquilamente no teste da pergunta: essa refeição custaria o mesmo preço numa cidade não-turística?

Sendo assim, aqui vão as nossas principais dicas de onde comer em Pipa.

Dall’Italiano

Foto: Leonardo Aquino

 

Uma cantina italiana puro sangue em pleno litoral do Nordeste brasileiro. Os ingredientes são rigorosamente escolhidos e vindos diretamente da Itália. As pizzas (são cerca de 70 sabores) são no padrão original, tanto no tamanho quanto na espessura da massa. E a variedade das massas também é bem ampla, com a presença de algumas massas difíceis de encontrar por aí, como o bigoli negro.

O Dall’Italiano fica na rua principal de Pipa, a avenida Baía dos Golfinhos. Quase sempre está lotado. Portanto, não vai ser surpreendente se você precisar encarar uma fila de espera. Abre apenas para o jantar.

 

Aprecíe

Foto: Leonardo Aquino

 

Cozinha contemporânea e cardápio de bistrô. É a forma mais resumida de definir o Aprecíe. Ele tem referências de nouvelle cuisine e das gastronomias oriental e mediterrânea. O restaurante é um dos mais jovens de Pipa. Foi criado em 2015 pelo chef potiguar Ricardo Rudney, que já tinha experiência de montar o cardápio de outros restaurantes e pousadas em Pipa.

Os preços são justos para um restaurante dessa categoria. A maioria dos pratos principais fica entre 40 e 50 reais (valores de março de 2018). O espaço é pequeno, com capacidade para cerca de 30 pessoas. Em dias mais concorridos, é melhor chegar cedo ou reservar.

 

Nativos Bar

Foto: Leonardo Aquino

 

Um lugar classudo e sofisticado especializado em drinks. Não só os clássicos como caipirinhas, mojitos e daiquiris. Mas também coquetéis autorais e outros com combinações tão improváveis quanto deliciosas. Foi lá que aprendi que dá pra fazer caipirosca de melancia ou de banana – e o resultado é incrível! O ambiente também é muito bonito e agradável. Há algumas mesas que têm almofadas no lugar das cadeiras, para quem quiser se esparramar confortavelmente.

Foto: Leonardo Aquino

 

Mas é preciso dar alguns alertas. O Nativos não aceita cartões, nem de crédito nem de débito. E o bar também não tem cozinha. No cardápio, há alguns petiscos estilo finger food. Ou seja, é melhor ir até lá no aquecimento da sua noite ou no “after”. O Nativos não tem site nem página no Facebook. Fica na avenida Baía dos Golfinhos, 748.

 

Real de 14

Depois que for à Praia da Pipa pela primeira vez, vai perceber que uma caminhada na vila não é a mesma sem um sorvete da Real de 14. A sorveteria foi criada por argentinos e hoje é administrada por portugueses. A mudança na gestão não mexeu na qualidade dos sorvetes: cremosos, deliciosos e de sabores muito variados.

São mais de 50 opções, das tradicionais às criações próprias. As frutas regionais têm lugar cativo nos freezers. Há também sorvetes inspirados em bebidas alcoólicas (whisky e caipirinha), misturas tropicais (coco com gengibre, por exemplo) e os funcionais (feitos com biomassa de banana). Todos produzidos ali mesmo, em Pipa. A Real de 14 também tem uma loja em Natal, em Ponta Negra.

 

Terra Nostra / Padaria Central

Gastronomia, Praia da Pipa

Carpaccio de polvo no Terra Nostra, um dos bons restaurantes de Pipa. Foto: Leonardo Aquino

 

Os italianos estão em peso em Pipa e o Terra Nostra é outra boa opção. Não apenas pelas massas e pizzas, mas também pelos pães e doces da Padaria Central, que funciona no mesmo ponto. No restaurante, um prato que sempre comemos é o carpaccio de polvo. Na padaria, as especialidades são os croissants e strudels.

Outros lugares bem recomendados

É preciso ir à Praia da Pipa dezenas de vezes para experimentar tudo o que a gastronomia de lá tem a oferecer. Portanto, sempre tem algum lugar que falta conhecer. No nosso caso, a principal ausência da lista é o Tapas. Um dos restaurantes mais famosos da vila, o Tapas estava fechado nos últimos dias em que tentamos ir lá. Sua cozinha de inspiração espanhola e contemporânea é sempre muito elogiada. Outros lugares que estão na nossa mira para as próximas viagens são as churrascarias Tchê André e El Farolito e o tailandês Wattana.

Passeios

A variedade é gigantesca! Buggys, quadriciclos, kitesurf, parapente, circuito de arvorismo, catamarãs, mergulhos… A agência Pipa Aventura, que fica na avenida Baía dos Golfinhos, organiza muitos desses passeios e é a empresa mais bem recomendada. Outras indicações podem ser encontradas no Guia Pipa, que é distribuído em todos os hotéis e tem sua versão online no site www.pipa.tur.br.

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Cais do Sertão: um museu high tech sobre a alma nordestina

Não é de hoje que o Recife tem talento para surpreender quando o assunto é museu. O Instituto Ricardo Brennand, inaugurado em 2002, tem um acervo de artes plásticas e…

Não é de hoje que o Recife tem talento para surpreender quando o assunto é museu. O Instituto Ricardo Brennand, inaugurado em 2002, tem um acervo de artes plásticas e armas brancas em dois castelos medievais em pleno Nordeste brasileiro. Mas, em abril de 2014, ele ganhou um companheiro à altura: o Cais do Sertão. Com uma grande dose de interatividade e tecnologia, o novo museu mergulha fundo na alma regional e já é uma das principais atrações da capital pernambucana.

Cais do Sertão, Recife

Foto: Leonardo Aquino

 

A importância do Cais do Sertão no turismo do Recife começa na localização. Ele fica num antigo armazém da área portuária da cidade, que passa por um processo de revitalização semelhante ao vivido por Belém. O museu está a uma breve caminhada de locais como o Marco Zero, a Rua do Bom Jesus e o Cais da Alfândega. Portanto, é muito fácil inclui-lo num roteiro a pé pela região do Recife Antigo.

Foto: Leonardo Aquino

 

Inaugurado em abril de 2014, o Cais do Sertão pode ser definido como um museu social, cultural e antropológico. O acervo monta um mosaico sobre a identidade regional nordestina em diversos aspectos: religiosidade, música, costumes e rotina, entre outros. É um portal para um Nordeste que às vezes é desconhecido até mesmo pelos moradores da região, especialmente os de zonas urbanas.

Logo na entrada, somos convidados a assistir à exibição do curta-metragem “Um Dia no Sertão”, mostrando a rotina de moradores de comunidades na zona rural de Serra Talhada (município a 414 quilômetros do Recife), desde o raiar do sol até as festas que vão madrugada adentro. O filme é projetado numa tela gigante e curva, o que permite uma imersão com uma riqueza gigante de imagens e sons.

Cais do Sertão, Recife

A projeção do filme “Um Dia no Sertão”. Foto: Leonardo Aquino

 

Passado o filme, o museu propriamente dito se escancara aos visitantes. O detalhe mais fascinante é revelado para quem olha em direção ao chão. Um riacho corta o piso térreo do Cais do Sertão emulando o rio São Francisco, com água corrente e peixes. Às margens dessa representação do Velho Chico, estão os sete territórios temáticos do museu: Ocupar, Viver, Trabalhar, Cantar, Criar, Crer e Migrar.

A representação do Rio San Francisco. Foto: Leonardo Aquino

 

À primeira vista, se destacam outras réplicas: roupas de cangaceiros, um painel com ferramentas de vaqueiros e uma casinha sertaneja. Nos cômodos representados ali, estão as paredes de barro e os objetos típicos como imagens de santos, máquinas de costura e quadros religiosos.

Detalhe da casa sertaneja. Foto: Leonardo Aquino

 

Um dos locais mais fotografados do Cais do Serão é o Túnel do Capeta. É um caminho cercado de câmeras e telas exibindo as imagens capturadas por essas câmeras, dando um efeito de túnel espelhado. Nas caixas de som, uma voz sussurra as inúmeras formas que o nordestino tem para chamar o diabo, representando a crença do povo sertanejo numa entidade maligna que se opõe a Deus.

Cais do Sertão, Recife

Túnel do Capeta. Foto: Leonardo Aquino

 

A música tem uma importância tremenda no museu. No piso térreo, totens interativos contam a história dos ritmos musicais, com destaque para a vida e obra de Luiz Gonzaga. O Rei do Baião cantou como poucos a quintessência da alma nordestina. A alegria, a religiosidade, as agruras da seca, a malícia, a migração em busca de uma vida melhor. No museu, dá para ouvir as músicas em gravações originais e também ver vários depoimentos e entrevistas do Gonzagão.

Cais do Sertão, Recife

Foto: Leonardo Aquino

 

O andar superior tem ainda mais interatividade. O principal destaque é o Karaokê Sertanejo. Mas não se trata de um espaço para cantar Luan Santana ou Maiara e Maraísa. E sim, cabines privadas para soltar a voz em clássicos do cancioneiro nordestino como “Asa Branca” e “Xote das Meninas”. Também há as cabines do Baião de Todos, em que você pode ouvir as músicas e isolar instrumentos e vocais para ouvi-los em detalhes.

Cais do Sertão, Recife

Karaokê Sertanejo. Foto: Leonardo Aquino

Baião de Todos. Foto: Leonardo Aquino

 

Todo este acervo faz parte da exposição permanente “O Mundo do Sertão”, abrigada no Módulo 1 do museu. O Módulo 2 ainda está em construção e vai abrigar espaços de exposições temporárias, auditório e outros espaços.

Cais do Sertão, Recife

Foto: Leonardo Aquino

 

O Cais do Sertão é um programaço para fazer no Recife, seja qual for a idade do turista. Só tivemos uma dificuldade na nossa visita, em outubro de 2017. Como fomos com nossa filha Olívia (então com dois meses de idade) e estávamos com carrinho, precisávamos de um elevador para subir ao andar superior e não havia nenhum. Apesar disso, o site do museu afirma que o espaço oferece programas e serviços de acessibilidade.

 

Cais do Sertão – Serviço

Horários de funcionamento

De terça a sexta, das 9h às 17h. Sábado e domingo, das 13h às 17h. Última entrada às 16h30. Fechado às segundas-feiras.

Dias em que o museu está fechado

24, 25 e 31 de dezembro, 1º de janeiro, de sexta a terça-feira no Carnaval, dias de eleições.

Ingressos

R$ 10 (inteira), R$ 5 (meia) e entrada gratuita às terças-feiras.

Endereço

Rua Alfredo Lisboa, s/n, Recife-PE.

Telefone

(81) 4042.0484

E-mail

[email protected]

Site

www.caisdosertao.org.br

Facebook

www.facebook.com/CaisdoSertao

Instagram

@caisdosertao

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7 dicas para aproveitar melhor as suas milhas aéreas

Para quem viaja com frequência, as milhas aéreas funcionam como uma espécie de moeda paralela. A cada trecho voado, a cada fatura paga do cartão de crédito ou a cada…

Para quem viaja com frequência, as milhas aéreas funcionam como uma espécie de moeda paralela. A cada trecho voado, a cada fatura paga do cartão de crédito ou a cada mensalidade do clube de fidelidade, a poupança aumenta. Mas, hoje em dia, há tantas formas de acumular e gastar as milhas que é natural que a gente se sinta baratinado.

Assim, a pergunta que sempre surge é: como usar melhor as milhas aéreas?

Não há uma resposta-padrão que sirva para todos os viajantes. É preciso identificar perfis e objetivos e, a partir daí, encontrar um caminho ideal para não deixar as milhas expirarem nem gastá-las mal. Se você tiver uma viagem dos sonhos para fazer com milhas, não vai seguir a mesma receita de quem pretende aproveitá-las em promoções de voos curtos.

Este post não tem o objetivo de ser um manual imperativo de regras. A ideia é clarear algumas informações que às vezes parecem soterradas por ofertas irrecusáveis, promoções imperdíveis e letras miúdas.

Dica # 1 – tenha um objetivo muito bem definido

Você já viu o filme “Amor Sem Escalas”? Um dos protagonistas desta comédia romântica é Ryan Bingham, personagem de George Clooney. Ryan viajava muito a trabalho e tinha um sonho secreto: acumular 10 milhões de milhas aéreas. Foi a sétima pessoa no mundo a conseguir a marca, segundo a história do filme.

Não é preciso ter uma meta tão grandiosa quanto a do personagem do cinema, mas o ideal é que você tenha um objetivo. Aqui vão algumas sugestões:

– fazer uma grande viagem internacional;

– proporcionar uma viagem em família;

– fazer uma poupança de milhas para aproveitar promoções e feriados prolongados;

– comprar algum sonho de consumo (sim, milhas aéreas não servem só para voar)

Em alguns casos, você talvez possa precisar de um prazo para conseguir as milhas. Um ano? Dois? Três? Seu sonho e sua capacidade de acumular pontos vão ditar o ritmo. Mas saber o que fazer com as milhas é o primeiro grande passo.

 

Dica # 2 – conheça os programas de fidelidade para escolher o mais conveniente para você

Os principais programas de fidelidade das companhias aéreas do Brasil são:

Multiplus, da Latam

Smiles, da Gol

Amigo, da Avianca

Tudo Azul, da Azul

O primeiro ponto para ajudar na decisão é estudar a malha aérea das companhias. Por qual empresa você voa mais? Isso pode lhe ajudar a acumular mais pontos com voos. Qual empresa tem mais voos a partir da sua cidade? Isso pode aumentar a quantidade de opções na hora de escolher o seu destino.

Em termos de regras para pontos de voos, os programas são muito parecidos. Trabalham com fatores multiplicadores proporcionais ao perfil da tarifa e à categoria do cliente no programa de fidelidade. Esse fator é multiplicado pelo valor da passagem para calcular os pontos de um trecho. Ou seja, quanto mais cara é a passagem e mais alta é a sua categoria, mais milhas você acumula. A Avianca é a única que não leva o preço do bilhete em consideração.

Outro fator importante: as parcerias. Todo programa de fidelidade oferece a possibilidade de acumular ou usar milhas aéreas em companhias parceiras. A Avianca é a que tem a maior quantidade de parcerias: 27, por ser membra da aliança Star Alliance. A Gol tem 14 parcerias com companhias como KLM, Air France e Emirates. A Latam faz parte da aliança One World, que reúne 13 empresas (British Airways, Iberia e JAL estão entre elas). A Azul tem apenas duas parceiras: TAP e United.

Pesquise também o preço médio de uma passagem emitida por milhas, tanto em períodos promocionais quanto fora deles. Mas não deixe de levar em consideração os fatores anteriores. Afinal de contas, não adianta nada uma companhia oferecer bilhetes por 3 mil milhas em rotas em que você não vai voar.

 

Dica # 3 – o cartão de crédito pode ser seu melhor amigo – ou inimigo

 

Os cartões de crédito costumam ser as principais fontes de acúmulos de milhas aéreas. Por isso, muita gente acaba concentrando gastos do cotidiano no cartão para acelerar a poupança de milhas. No entanto, é preciso ter uma série de cuidados. Desde a escolha do cartão até o uso dele no dia-a-dia.

Os principais bancos e operadoras financeiras oferecem programas de fidelidade para acúmulo de pontos no cartão de crédito que podem virar milhas aéreas. O formato padrão é de um número X de milhas acumuladas para cada dólar gasto no cartão. Esse X vai de 1 a 2,2 milhas, dependendo do tipo de cartão. Quanto mais pontos ele acumula, maior é o preço que ele cobra: anuidade mais cara e renda mínima maior. Portanto, procure um cartão que ofereça um meio termo entre vantagens e adequação à sua renda.

Outro ponto que merece sua atenção: nem todos os cartões acumulam pontos direto no programa da companhia aérea, e sim num programa próprio. Exemplos: Livelo (para cartões Bradesco e BB) e Sempre Presente (Itaú). Esses pontos podem ser transferidos para as companhias aéreas, mas também para outros benefícios parceiros.

Os cartões cujos pontos se transformam diretamente em milhas aéreas oferecem alguns benefícios. Em geral, são descontos em passagens e pontuação diferenciada na compra de bilhetes. Eles costumam ter o nome do programa de milhagem estampado.

Para ajudá-lo a escolher, uma boa fonte é o ranking dos cartões de crédito feito pelo site Melhores Destinos. A lista é atualizada anualmente com as novidades do mercado.

Mas a dica mais importante relacionada a cartão e milhas é: não dê o passo maior que a perna nos gastos. Não comprometa o seu orçamento mensal na ânsia de juntar milhas nem escolha um cartão com uma anuidade que não caiba na sua renda.

 

Dica # 4 – olho nas promoções de transferência de pontos

Essa dica vale para quem não escolheu um cartão de companhia aérea. Os programas de milhagem costumam fazer promoções para transferência de pontos do cartão de crédito. Num dia normal, a transferência de pontos é no sistema 1 ponto = 1 milha. Nas promoções, são oferecidos bônus de 40 até 120%. Ou seja, 1000 pontos acumulados no cartão de crédito podem virar 2200 milhas aéreas!

Às vezes essas promoções têm letras miúdas. Por exemplo, pode ser que o maior bônus seja para quem está numa categoria superior do programa de milhagem ou é assinante dos clubes de milhas (falaremos deles logo mais). Pode ser também que as promoções exijam um número mínimo de pontos para transferências. Seja como for, é sempre muito mais vantagem transferir numa promoção do que fora dela. Portanto, se você não precisa tirar uma passagem para agora, espere as promoções para transferir os seus pontos.

Para saber de uma promoção, a melhor dica é assinar o mailing do seu programa de milhagem ou da sua companhia aérea preferida.

 

Dica # 5 – conheça as formas alternativas de acumular milhas aéreas

milhas aéreas compras

Não é só de voos ou de gastos no cartão de crédito que vive um acumulador de milhas. Todos os programas oferecem parcerias para ganhar pontos com outros serviços. Gastos relacionados a viagens (como hospedagens em hotéis e aluguel de carros) podem virar milhas. Compras em grandes lojas de varejo também, assim como assinaturas de revistas, estacionamentos, postos de combustível e muito mais. Neste caso, vale um conselho semelhante ao do cartão de crédito: não faça gastos que você não faria só para acumular milhas.

Confira as listas de empresas parceiras:

– Gol/Smiles – https://www.smiles.com.br/empresas-parceiras

– Azul/Tudo Azul – https://tudoazul.voeazul.com.br/web/azul/parcerias

– Avianca/Amigo – https://www.pontosamigo.com.br/parceiros-nao-aereos

– Latam/Multiplus – https://www.pontosmultiplus.com.br/junte/

 

Dica # 6 – entrar para um clube de milhas pode ser uma boa ideia

Se você está disposto a pagar um pouco a mais para acelerar a realização do seu plano, cogite a inscrição num clube de milhas. Os clubes funcionam da seguinte forma: você paga uma mensalidade e ganha a cada 30 dias uma certa quantidade de milhas, proporcional ao valor pago. Os planos disponíveis no mercado vão de 500 a 10 mil milhas por mês e custam de R$ 26,90 a R$ 299 por mês.

Uma coisa é fato: as milhas adquiridas nos clubes custam menos que as compradas de forma avulsa. O preço médio de uma milha aérea é R$ 0,07. Nos clubes, elas podem sair por menos de R$ 0,03.

Outro detalhe importante é a diferença no valor que se gasta para acumular um determinado número de pontos. Para juntar 1000 milhas por mês, por exemplo, os clubes cobram entre R$ 35 e R$ 42,90. Se você fosse juntar essas mesmas 1000 milhas com gastos no cartão de crédito, seria necessária uma fatura de cerca de R$ 3500. Isso se for um cartão em que 1 dólar = 1 milha.

Além das milhas todo mês, os clubes oferecem outras vantagens. Entre elas, estão descontos na emissão de passagens com pontos, maior bônus em transferências e acesso antecipado a promoções.

Entre as companhias que operam no Brasil, apenas a Avianca não tem clube de milhas. Conheça aqui os clubes do Multiplus, do Smiles e do Tudo Azul. Outro clube que você pode levar em consideração é o do Livelo, programa vinculado a cartões do Bradesco e do Banco do Brasil. Você pode acumular milhas nele e depois ganhar ainda mais nas transferências com bônus para os programas das companhias aéreas.

 

Dica # 7 – comprar milhas? Só em caso extraordinário

Além de todas as formas de acúmulos (voos, compras, gastos no cartão), você ainda tem a possibilidade de comprar as milhas diretamente. Geralmente, elas são vendidas em lotes de mil e com um limite anual para a compra.

Os programas de fidelidade que vendem milhas têm um valor “tabelado” para as milhas: R$ 0,07 a unidade. Ou seja: R$ 70 para cada lote de mil. Parece barato. Mas se você fizer as contas, vai ver que está longe de ser uma opção econômica.

Para fazer o exemplo, pesquisei uma passagem pela Gol: do Recife a Congonhas, com ida no dia 11 de abril e volta no dia 18. Para tirar o bilhete pelo Smiles, ele custa 24 mil milhas ida e volta + taxas (o que está dentro da média para esta rota). Comprar 24 mil milhas a R$ 0,07 cada dá um total de R$ 1680. No entanto, a passagem pela Gol sem pontos custa R$ 577, cerca de um terço.

Ou seja, em circunstâncias normais, comprar milhas não é bem um bom negócio. Mas há algumas situações em que ela pode ser útil e vantajosa:

– para completar as milhas que faltam para a emissão de uma passagem. Exemplo: sua viagem dos sonhos custa 100 mil milhas e você conseguiu juntar 97 mil.

– quando você tem um voucher promocional. As companhias frequentemente dão esses vouchers para os clientes de seus programas de fidelidade. Eles podem ser de bônus (você paga o valor cheio das milhas, mas ganha até 120% a mais) ou de descontos (que costumam ser de até 50%).

Na hora em que pensar na possibilidade de comprar milhas, não deixe de levar em conta o seu objetivo (do qual falamos no item 1). Também não dê um passo maior que a perna, financeiramente falando.

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E você? Tem alguma dica para acrescentar? Conte a sua experiência com as milhas aí nos comentários!

2 comentários em 7 dicas para aproveitar melhor as suas milhas aéreas

O voo direto Fortaleza-Amsterdam + 6 dicas da capital holandesa

Amsterdam está mais perto de quem mora no Nordeste do Brasil! O que já parece óbvio no mapa múndi vai ganhar sentido também na malha aérea. A partir de 3…

Amsterdam está mais perto de quem mora no Nordeste do Brasil! O que já parece óbvio no mapa múndi vai ganhar sentido também na malha aérea. A partir de 3 de maio de 2018, a KLM inaugura um voo direto para a capital holandesa, partindo de Fortaleza. É mais uma opção para chegar à terra das tulipas e de Van Gogh. E com uma rota que pode incrementar ainda mais os seus planos de férias.

amsterdam museumplein

A foto no famoso letreiro agora está a pouco mais de 9h de voo de Fortaleza. Foto: Leonardo Aquino

O voo direto Fortaleza-Amsterdam foi anunciado em setembro de 2017 pela Air France (que controla a KLM desde 2011). A novidade chegou junto com a implantação de um hub da companhia na capital cearense (que também receberá voos para Paris a partir de maio de 2018). A notícia agrada em cheio a quem mora no Norte e no Nordeste. Com a nova rota, os passageiros têm mais uma opção para voar rumo à Europa sem descer até Guarulhos ou Galeão.

(Temos um post completinho com todos os voos diretos para o exterior partindo do Norte e do Nordeste. Já conferiu?)

Serão três saídas semanais. Sempre às segundas, quintas e sábados. O voo sai de Fortaleza sempre às 19h50 e chega às 10h locais do dia seguinte. Na volta, a saída é às 12h50 e a chegada no Ceará, às 17h20. A duração é de pouco mais de 9 horas (três a menos que os voos saindo de Rio ou São Paulo). A aeronave utilizada nesta rota será a Airbus A330, com capacidade para 268 passageiros.

As passagens já estão à venda e é possível encontrar preços bem competitivos. Tirando julho, o ápice da alta temporada, dá para encontrar bilhetes por cerca de R$ 2300, ida e volta. Isso porque ainda não pintou nenhuma grande promoção.

amsterdam klm

Outro atrativo é a parceria do grupo Air France/KLM com o programa de fidelidade Smiles. Se você voar na KLM, pode pontuar no Smiles. Ou ainda pode resgatar passagens da companhia holandesa com pontos Smiles. Eu mesmo já me beneficiei dessas parcerias entre as companhias. Na minha viagem à Europa em junho de 2015, resgatei um voo de Berlim a Amsterdam pela KLM por 7500 pontos Smiles. Uma pechincha!

Confira aqui as regras de pontuação da KLM no programa Smiles.

Para instigar você ainda mais a conhecer Amsterdam, separei algumas dicas da cidade. Tem lugares para beber, visitar e se emocionar. Anote aí!

Casa de Anne Frank

A entrada doo Anexo Secreto da Casa de Anne Frank. Foto: Photo Collection Anne Frank House

Quem acompanha o Mochileza sabe que sempre procuro fugir da mesmice na hora de dar dicas. Mas desta aqui não dá pra escapar. A visita à Casa de Anne Frank não é qualquer passeio. É uma experiência fundamental para compreender os horrores da guerra e da intolerância.

Muito provavelmente você já ouviu falar em “O Diário de Anne Frank”. É um best-seller mundial, traduzido para 70 idiomas. Conta a história de uma adolescente alemã de origem judia cuja família se escondeu da perseguição dos nazistas em Amsterdam. Os refúgios dos Frank eram cômodos secretos de uma loja. E o esconderijo virou um dos museus mais concorridos da Europa.

amsterdam anne frank house

Você sempre vai ver filas deste tamanho na Casa de Anne Frank. Foto: Photo Collection Anne Frank House

As multidões intermitentes em frente à Casa de Anne Frank se devem à preservação da casa como ela era durante a Segunda Guerra. Corredores apertados, escadas estreitas e cômodos modestos. O imóvel não suportaria receber ao mesmo tempo todos os visitantes interessados em sua história. Mas encare essa fila se for preciso. Trechos do diário estão reproduzidos em cada cômodo. O destaque é o Anexo Secreto, cujo acesso se dá através de uma prateleira móvel. Imaginar como era a vida dos Frank durante a perseguição é arrepiante.

Para poupar tempo, convém comprar o ingresso antecipadamente pela internet. Durante o período de reforma do museu (até janeiro de 2018), a venda será exclusivamente online, com hora de visita marcada. O site da Casa de Anne Frank tem uma versão em português. Ah, um detalhe importante: é proibido tirar fotos no interior da casa.

Brouwerij ‘t IJ

amsterdam brouwerij 't IJ

Foto: Leonardo Aquino

Ainda não aprendi a pronunciar o nome aparentemente impronunciável desta cervejaria. Decidi chamá-la, portanto, de “cervejaria do avestruz”, graças ao simpático mascote de sua logomarca. Esta é uma opção para quem gosta de cerveja e quer fugir do hypado passeio da Heineken Experience (sobre o qual escrevi neste post).

Em seu site, a Brouwerij ‘t IJ tem 33 rótulos autorais. Alguns são sazonais e estão esgotados. Mas a maioria pode ser encontrada no bar da cervejaria, seja em garrafas ou nas torneiras. No brew pub, você pode harmonizar as cervejas com queijos curados ou salsichas cruas. É um lugar ótimo para beber no fim da tarde. O problema é que os muitos nativos e turistas também sabem disso. Nos horários de pico, conseguir um lugarzinho pra escorar a caneca é difícil.

amsterdam brouwerie 't IJ

Foto: Leonardo Aquino

Dependendo do dia em que você estiver na cidade, dá para fazer um tour pela fábrica. Eles são realizados às sextas, sábados e domingos e custam 5,50 euros por pessoa. O ingresso dá direito a uma cerveja no bar. Outras informações no site da cervejaria.

 

Biblioteca Pública de Amsterdam

A vista do terraço da biblioteca. Foto: Leonardo Aquino

Se você imagina um ambiente empoeirado e antiquado quando se fala em biblioteca pública, Amsterdam vai fazer você mudar de ideia. A sede principal da OBA (sigla para Openbare Bibliotheek Amsterdam) parece mais uma megastore, tipo Fnac. O lugar tem uma arquitetura moderna e funcional, além de um acervo maravilhoso. Não apenas de livros, mas também de filmes e discos. Tudo está disponível para quem é sócio e paga uma taxa de 42 euros por ano.

Mas, como costumamos estar apenas de passagem por Amsterdam, a biblioteca pública tem outra recompensa para seus visitantes: o terraço, onde fica um café-restaurante. De lá, você tem uma das melhores vistas possíveis da capital holandesa. Se você estiver com o dinheiro contado, pode ficar tranquilo que ninguém vai te cobrar nada para ficar lá contemplando.

A Biblioteca Pública de Amsterdam fica no centro da cidade. É bem próxima da estação Centraal e do museu de ciências Nemo.

 

Amsterdam Arena

Foto: Leonardo Aquino

A Holanda já teve o melhor time de futebol do mundo em algumas ocasiões. O Ajax, principal equipe do país, foi campeão europeu e mundial nas décadas de 70 e 90. Além disso, o clube foi vanguardista na modernização dos estádios. Inaugurada em 1996, a Amsterdam Arena antecedeu um padrão de arquitetura, conforto e tecnologia nas arenas de nível mundial. E mesmo com mais de 20 anos de idade, segue entre as melhores do planeta.

A visita à Amsterdam Arena é daqueles tours clássicos em estádios de futebol. Passa pelos vestiários, sala de imprensa, hall da fama, galeria de troféus e a beira do campo. O final, claro, é na lojinha oficial, onde você pode comprar de uniformes oficiais a baralhos do Ajax.

amsterdam arena

Foto: Leonardo Aquino

Ainda que tenha uma estação de trem bem em frente, a Amsterdam Arena fica um pouco afastada do centro da cidade. Ou seja, é fora de mão para combinar com algum outro passeio. Portanto, se você não é tão fanático por futebol assim, é bom pensar duas vezes antes de incluir esta programação no seu roteiro.

Outras informações no site da Arena.

 

Comprar queijo para trazer para casa

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Foto: Leonardo Aquino

Na Holanda, você estará cercado de queijo por todos os lados. Maturados, envelhecidos, orgânicos, curados, de vaca ou de cabra: os caras conhecem do riscado. Em Amsterdam, você encontrará uma oferta gigantesca de queijo em supermercados e feiras de rua. Mas se quiser trazer para o Brasil, é indispensável que você compre pedaços embalados a vácuo. As principais lojas do centro de Amsterdam estão bem servidas de queijo “ready to fly”. Experimente a De Kaaskamer, a Cheese Museum ou a Reypenaer (que também oferece oficinas de degustação)

 

 

Zaanse Schans

zaanse schans

Foto: Leonardo Aquino

É uma espécie de híbrido entre parque temático e museu a céu aberto. Este bairro da cidade de Zaandam, 15 quilômetros ao norte de Amsterdam, tem um “menu degustação” da Holanda clássica. Moinhos de vento? Check. Tamancos? Check. Queijos? Check. Tudo isso num espaço bem concentrado. Os moinhos são abertos a visitação, assim como grande parte das casinhas coloridas. Algumas delas funcionam como pequenos museus que contam a história de algum desses elementos do estereótipo holandês.

Se você não tiver implicância com passeios “cenográficos”, esta é uma ótima pedida. Especialmente em dias de sol e tempo bom. Vai ser difícil tirar uma foto feia por lá.

Para chegar a Zaanse Schans, é só pegar um ônibus na estação Amsterdam Centraal. Eles saem a cada meia hora e chegam em cerca de 40 minutos.

 

Veja também:

1 comentário em O voo direto Fortaleza-Amsterdam + 6 dicas da capital holandesa

Maceió: dicas da cidade em um roteiro de quatro dias

Vou confessar um pecado: foram necessários seis anos morando no Recife para ir a Maceió pela primeira vez. É pecado sim porque não há uma desculpa que não soe esfarrapada….

Vou confessar um pecado: foram necessários seis anos morando no Recife para ir a Maceió pela primeira vez. É pecado sim porque não há uma desculpa que não soe esfarrapada. As duas cidades são próximas: em 3h30 de estrada você sai de uma e chega à outra. Amigos pernambucanos sempre elogiaram a beleza da orla da cidade e das praias do litoral alagoano. Meus pais, quando vieram me visitar, já deram pelo menos duas escapadas até Alagoas e voltaram maravilhados. Falta de aviso é que não foi…

Maceió sozinha tem 40 quilômetros de litoral. Seis deles urbanizados, com calçadão, ciclovia, barracas e bares de praia. Nenhuma capital nordestina tem piscinas naturais tão próximas: a apenas dois quilômetros da costa. Além disso, a cidade oferece esportes de aventura (caiaque e stand up paddle, por exemplo), artesanato e uma ótima gastronomia. A capital alagoana é bem servida de restaurantes de cozinha regional e internacional, sempre com frutos do mar fresquinhos.

A orla da Pajuçara é fechada aos domingos e feriados. Foto: Leonardo Aquino

Para quem quer dar uma variada na paisagem, é só pegar uma estrada para viagens curtas. Num raio de algumas dezenas de quilômetros a partir de Maceió, há um farto cardápio de praias. Umas mais desertas, outras mais movimentadas, algumas com infraestrutura de resort, outras mais rústicas. Todas com o mar naquela paleta de cores dos sonhos: entre o azul e o verde, para ninguém sentir inveja do Caribe.

A ida a Maceió acabou sendo emblemática para mim por uma razão pessoal. Foi a primeira vez que minha esposa Janaína e eu viajamos com nossa filha Olívia. Ela tinha apenas dois meses quando fomos e isso acabou sendo determinante na elaboração do roteiro. Por exemplo, deixamos de fazer os passeios nas piscinas naturais por receio de andar com uma bebê num barco. E nas praias, procuramos pontos de apoio que fossem mais amigáveis para crianças.

Fim de tarde na Pajuçara. Foto: Leonardo Aquino

Passamos quatro dias lá no feriadão de 12 de outubro de 2017 e resolvi compartilhar com vocês nosso itinerário. Não é um guia definitivo de Maceió, mas o relato da nossa experiência na cidade. As dicas podem ser aproveitadas por famílias com filhos pequenos ou turistas em busca de uma viagem mais low profile. Espero que vocês curtam!

Como chegar a Maceió

De avião

Há voos diretos para Maceió saindo de Recife, Salvador, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas e Belo Horizonte. Se você vier de avião, desembarcará no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares. Ele fica a 25 quilômetros da orla da Pajuçara, o epicentro turístico da cidade. Se é nessa região que você vai ficar hospedado, a corrida de táxi vai sair entre R$ 75 e R$ 88. Dá para fazer uma simulação da viagem no site http://www.citytaxi.com.br.

Para economizar, dá para chamar um Uber, que custa entre R$ 40 e R$ 55. Há ainda os ônibus da empresa Veleiro (http://www.viacaoveleiro.com.br), que saem da frente do aeroporto. Mas os moradores dizem que a linha Aeroporto/Ponta Verde costuma ser visada por assaltantes. Melhor evitar.

De carro

Saindo do Recife, como foi o nosso caso, há dois caminhos. Um é pela BR-101, num percurso de aproximadamente 260 quilômetros. A estrada é toda duplicada no trecho pernambucano. Quando se entra em Alagoas, há alguns trechos de uma pista só. Mas as obras de duplicação estão em andamento, o que congestiona o trânsito em alguns momentos.

O segundo caminho é a chamada rota litorânea: PE-060 no trecho pernambucano e AL-101 no trecho alagoano. A distância é mais ou menos a mesma da rota pela BR-101. Mas o trajeto quase todo é feito em estrada de pista única. Além disso, há muitos trechos em áreas urbanas. Porém, para quem quer fazer um pinga-pinga em várias praias, é a melhor opção. No caminho, estão Porto de Galinhas, Carneiros, Tamandaré, Maragogi, Japaratinga e muitas outras.

Para quem vem do outro lado do Nordeste, como Aracaju e Salvador, o caminho principal é a BR-101. Mas não sei como está a estrada neste trecho.

Onde ficar

A maioria dos hotéis de Maceió está na Pajuçara. É o principal bairro da orla urbana, com muitos restaurantes, a feirinha de artesanato e equipamentos na praia (como quadras esportivas). Mas a oferta de hospedagem é proporcional à quantidade de gente e de carros circulando. Aos domingos e feriados, a avenida litorânea é fechada num trecho que vai até Ponta Verde (o bairro imediatamente ao norte de Pajuçara). A orla acaba virando uma grande rua de lazer, o que pode ser uma delícia e um tormento, dependendo do ponto de vista.

Quanto mais para cima você anda no mapa, menos muvuca. Escolhemos nos hospedar num dos últimos bairros da orla urbana da cidade, a Jatiúca. Alugamos um Airbnb num condomínio à beira-mar, num trecho ainda movimentado do bairro. Você pode usar como referência a avenida Antônio Gomes de Barros, que é perpendicular à orla. Ela é em estilo boulevard, com um canteiro central largo (mas não muito bem cuidado). Nela, há uma quantidade enorme de restaurantes, bares e lojas de rua. É uma ótima pedida para passeios pós-praia.

 

Primeiro dia

Almoço na Bodega do Sertão

Chegamos a Maceió por volta do meio-dia e, depois de deixar a bagagem no apartamento, fomos atrás do almoço. Escolhemos um local bem próximo ao condomínio: a Bodega do Sertão. É um restaurante típico nordestino que costuma ser visitado por celebridades. Há um painel com fotos de várias delas, principalmente atores globais. O serviço é em buffet por quilo e o atendimento é muito bom. Dá para experimentar baião de dois, carne de sol, carneiro, e outras delícias regionais.

Se você estiver na cidade em um domingo, pode tomar café na Bodega do Sertão. É o único dia em que o restaurante abre de manhã. Sem pressa, dá para se empanturrar com as guloseimas nordestinas. Bolo, tapioca, cuscuz, macaxeira e muito mais!

Pontal da Barra e Feirinha de Artesanato da Pajuçara

Maceió, bordado filé

O famoso filé alagoano. Foto: Leonardo Aquino

Em seguida, fomos até um local onde se compra o artesanato alagoano mais tradicional. O Pontal da Barra, também conhecido como “bairro das rendeiras”, é o melhor lugar para comprar o filé. Não, não é o corte de carne. E sim um estilo de bordado bem característico.

Segundo o Instituto de Bordado Filé, o estilo é construído a partir de uma rede que serve de suporte para a execução do bordado. O trabalho propriamente dito tem duas etapas: a construção da rede e o preenchimento de pontos sobre a rede.

É um estilo bem colorido, que está principalmente em peças de mesa e de vestuário. No Pontal da Barra, você vai poder encontrar uma variedade tremenda de exemplares. As lojas e ateliês das rendeiras estão concentradas na rua Alípio Barbosa da Silva. Além do filé, dá para encontrar tecelagem, cerâmica e muitos outros tipos de artesanato. Muitas lojas aceitam cartões de crédito e débito, mas levar dinheiro em espécie é bom para pechinchar. Há um caixa eletrônico da rede Banco 24 Horas numa das galerias.

Maceió, Pontal da Barra

A rua das rendeiras no Pontal da Barra. Foto: Leonardo Aquino

Depois de sair do Pontal da Barra, tentamos ir à Feirinha de Artesanato da Pajuçara. Mas o movimento estava muito grande na região (era feriado) e não conseguimos nem lugar para estacionar o carro. Pelo que deu para ver de fora, não há nada muito diferente do que se encontra em outras feiras de capitais nordestinas. Cachaça, castanha, renda, tecelagem, referências a forró e cangaço, etc. Se você é do Nordeste, certamente não vai ver nenhuma grande novidade.

Daslagoas Brew Pub

A casa da cerveja alagoana. Foto: Leonardo Aquino

À noite, decidimos dar uma explorada na avenida Antônio Gomes de Barros, próxima ao apartamento. Encontramos uma cervejaria que chamou a atenção pelo nome: Daslagoas Brew Pub. É um bar que produz a própria cerveja, com cinco rótulos. Todos têm alguma referência à cultura nordestina: Quilombos, Aluá, Jangadeiros, Virgulino e Guerreiros. Às terças, quartas e quintas, no happy hour, você toma dois chopps iguais e ganha o terceiro. Experimentamos a Guerreiros, que é uma Blonde Ale bem gostosa. A Daslagoas também vende outras cervejas locais, com preços muito bons. Vale demais a visita!

Maceió, Das Lagoas Brew Pub

Foto: Leonardo Aquino

Segundo dia

Praia de Garça Torta e Milk Beach Pub

Praia de Garça Torta. Foto: Leonardo Aquino

Era nosso primeiro dia de praia, então resolvemos acordar cedo para aproveitar algum tempo de sol mais brando. Principalmente por causa da Olívia, nossa bebê de dois meses. A ideia inicial era ir ao Hibiscus, um day use que fica na praia de Ipioca, 24 quilômetros ao norte de Maceió. O local é muito bem recomendado pela infra-estrutura, com gazebos, redes, espaço infantil, piscinas e até spa.

Quando chegamos à entrada do Hibiscus, fomos informados que o day use (R$ 35 por pessoa, sem consumação incluída) só poderia ser pago em espécie. Estávamos apenas com os cartões e tivemos que voltar à estrada para tirar dinheiro. Na volta, já havia uma placa na guarita: LOTADO. E não eram nem 10 da manhã. Acabamos desistindo do Hibiscus. Além do preço alto e da grande concorrência para entrar, achamos que era diferente do perfil que procurávamos.

Maceió, Milk Beach Pub, Praia de Garça Torta

Milk Beach Pub. Foto: Leonardo Aquino

Fomos então para uma praia um pouco mais próxima de Maceió, a de Garça Torta. Ficamos em outro bar de praia bem recomendado, o Milk Beach Pub. Quando chegamos, não havia quase ninguém e nos sentimos muito mais à vontade. Guarda-sol, rede e uma trilha sonora ótima, que foi de Secos e Molhados a Rolling Stones. O nome é uma homenagem a Harvey Milk, ativista LGBT americano que foi interpretado no cinema por Sean Penn.

Maceió, Milk Beach Pub, Praia de Garça Torta

Sombra, rede, barulho do mar… Precisa de algo mais? Foto: Leonardo Aquino

O cardápio tem petiscos de praia e frutos do mar a preços bem OK. A praia de Garça Torta, que fica nos fundos do Milk, tem o mar agitado. Além das ondas que quebram em cima da beira, há algumas pedras logo em frente ao acesso do bar. Mas dá para tomar banho andando um pouco para a esquerda.

Caminhada pela Jatiúca

No fim da tarde, resolvemos dar uma caminhada pela orla da Jatiúca. Há uma ciclovia e as calçadas são bem pavimentadas. Tanto que conseguimos andar confortavelmente com a Olívia no carrinho de bebê. A região tem muitos bares de praia como a Barraca Buenos Aires e o Lagosta do Chef. Saindo da orla e indo em direção à cidade, estão alguns dos restaurantes mais badalados de Maceió, como o italiano Maria Antonieta e o peruano Wanchako.

Acabamos indo em uma opção mais econômica para jantar, a creperia Operant. A especialidade da casa são os crepes com massa crocante. Mas a casa também tem boas saladas e ótimos sucos.

 

Terceiro dia

Praia de Guaxuma

Maceió, Praia de Guaxuma

Praia de Guaxuma. Foto: Leonardo Aquino

Fomos à primeira praia ao norte de Maceió. Guaxuma fica cerca de 10 quilômetros distante da Pajuçara, mas já dá para sentir muita diferença da orla urbana. Menos gente, menos carros e mais espaço na areia. O mar é agitado como o de Garça Torta, mas sem pedras.

Maceió, Praia de Guaxuma

Barraca Bar Brasil, em Guaxuma. Foto: Leonardo Aquino

Ficamos na Barraca Bar Brasil, uma das mais conhecidas de Guaxuma. Ela tem uma infraestrutura bem simples, mas suficiente para não passar perrengue. O diferencial é uma área de lazer para crianças, com alguns brinquedos no estilo parquinho. Os preços, em geral, são mais baixos que os de Garça Torta. Experimentamos o filé de siri, servido com farofa. Custou 35 reais e foi um bom petisco pré-almoço. O ponto negativo é que, diferente do Milk Beach Pub, o Bar Brasil é todo aberto e oferece menos privacidade.

Almoço no Akuaba

Depois da praia, fomos para uma das experiências que mais esperávamos em Maceió: o almoço no Akuaba. É um dos restaurantes mais badalados da capital alagoana, com suas receitas de inspiração africanas e baianas.

O acarajé do Akuaba. Foto: Leonardo Aquino

De saída, lhes digo: lá, experimentei o melhor acarajé da minha vida. Massa sequinha e fofinha, recheios deliciosos e um tamanho generoso. Se você não estiver sozinho na mesa, melhor dividir. Comer um inteiro pode tirar um precioso espaço do seu estômago.

Maceió, restaurante Akuaba

A Moqueca Meu Príncipe do Akuaba. Foto: Leonardo Aquino

No prato principal, pedimos a Moqueca Meu Príncipe. Ela leva camarão, mexilhão e polvo e é temperada com gengibre e biri-biri, uma fruta que também é conhecida como limão de caiena. Serve duas pessoas, assim como quase todo o cardápio. Além de moquecas, o Akuaba tem muitas opções de frutos do mar, inclusive ostras frescas.

O almoço saiu a R$ 87 por pessoa, incluindo entrada, prato principal, drink e sobremesa. O preço é bem justo para o tamanho das porções e para a qualidade da comida.

 

Último dia

Japaratinga

Foto: Leonardo Aquino

Para chegar ao Recife com o dia claro, saímos de Maceió ainda de manhã. A ideia era parar em alguma praia na rota ecológica para almoçar. Ficamos na dúvida entre Maragogi e Japaratinga. Maragogi é o principal destino da região, graças às piscinas naturais e à boa gastronomia. Só que a cidade foi invadida por resorts e costuma ficar entupida de turistas. Japaratinga está ali coladinha e tem as mesmas atrações naturais. A oferta de restaurantes não é igual à da vizinha badalada, mas a quantidade é suficiente para lhe deixar na dúvida na hora do almoço.

Como queríamos tranquilidade por causa da bebê, fomos a Japaratinga. A entrada da vila tem aquela imagem típica das cidades de interior: a pracinha, a igreja e os pequenos comércios. Andando algumas centenas de metros, você chega à orla e dá de cara com o mar azul esverdeado.

Praia de Japaratinga

Foto: Leonardo Aquino

Indo para a direita na orla (ou na direção sul no mapa), você vai encontrar uma grande oferta de restaurantes pé na areia. Escolhemos o Camboa pela área externa amigável: grama bem cuidadinha, espaço para estacionar, mesas e sombrinhas na beira da praia, proximidade do mar. O banho por lá é ótimo: ondas fracas e água com temperatura bem fresquinha.

O único porém foi o custo-benefício do almoço. Pagamos 84 reais num peixe grelhado bem simplório, com arroz e purê. Mas, em se tratando de valores, não espere encontrar algo muito diferente na região. Os preços são bem inflacionados.

No quesito economia, Japaratinga leva vantagem sobre Maragogi no valor do passeio das piscinas naturais. Pela pesquisa que fiz, o preço em Maragogi é em média 50% mais caro. Outra dica importante: se você gosta de sol e sossego, vale curtir a rota ecológica sem pressa. O ideal é programar de três a quatro dias.

 

1 comentário em Maceió: dicas da cidade em um roteiro de quatro dias

Atenas: o que fazer em três dias na cidade

Mais um texto convidado no Mochileza! O André Orengel, que já havia assinado o post sobre a road trip de Miami a New Orleans, está de volta por aqui. Ele…

Mais um texto convidado no Mochileza! O André Orengel, que já havia assinado o post sobre a road trip de Miami a New Orleans, está de volta por aqui. Ele e a esposa estiveram na Grécia em setembro de 2017 e me deixaram babando com as fotos. Não precisou nem pedir: o André já chegou com o artigo pronto! Um roteiro de três dias por Atenas, para ver o que há de mais importante na capital grega. Se liga nas dicas!

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Para quem curte história e arte, a Grécia é o lugar a ser visitado. Não é à toa que o país é conhecido como o berço da civilização ocidental. Muito da nossa cultura, da nossa forma de pensar e da nossa organização enquanto sociedade teve origem na Grécia pré-histórica e antiga. Por isso, uma visita à capital Atenas revela muito do nosso próprio passado e da origem do que somos atualmente.

Os gregos mantêm com muito orgulho suas tradições, costumes e o idioma. Não deve ser trabalho fácil, afinal foram quase 2 mil anos de dominação estrangeira, seja ela romana, bizantina ou otomana. O mais fascinante é conferir como se reaproveitam espaços e construções que resistem por tantos séculos nessa cidade habitada continuamente por pelo menos 5 mil anos.

Foto: André Orengel

Estar em Atenas, para mim, foi respirar história o tempo todo. O aeroporto, por exemplo, tem um museu que expõe os achados arqueológicos do local, assim como as estações de metrô. Já a Acrópole, erguida 200 metros acima da cidade, é tão sedutora que a buscamos sempre que dobramos uma esquina para vê-la por outro ângulo.

André Orengel. Foto: Arquivo Pessoal

Por tudo isso e mais, Atenas oferece assunto para muitas viagens ou para um mês inteiro de exploração. Mas, sabe como é, o trabalhador assalariado só tem 30 dias de férias por ano. Assim, a gente acaba passando bem menos tempo que o desejado (e o necessário) para conhecer a fundo nossos destinos de viagem.

Para ajudar o viajante a incluir Atenas numa viagem por outros lugares, montei um roteiro hiperapertertado (o prefixo hiper, aliás, tem origem grega). A ideia é explorar a cidade em três dias inteiros, focando nos principais sítios arqueológicos e museus. Creio que ele pode servir de base para você planejar a sua própria viagem. Vamos ao passo-a-passo:

Chegando a Atenas

Você, como eu, provavelmente desembarcará no aeroporto Eleftherios Venizelos (ATH) pela área destinada às chegadas e partidas dos países da zona Schengen. Se este for o seu caso, sugiro que compre logo um SIM Card para o seu celular na Public Conect. Quando estive lá, paguei 18€ por 15Gb de internet e mais 200 minutos de ligação para telefones na União Europeia.

Para ir do aeroporto ao centro de Atenas, que fica a cerca de 20km, você pode pegar um táxi (38€, das 5h às 23h59, ou 54€, das 0h às 4h59).

Há ainda duas boas opções de transporte público:

– o ônibus (linha X-95), leva cerca de 80 minutos do aeroporto à praça Syntagma, no centro da cidade. Ele custa 6€, funciona 24 horas todos os dias. A frequência varia conforme a época do ano.

– o metrô, com o mesmo trajeto, demora cerca de 40 minutos. Ele funciona das 06h30 às 23h30 e sai de meia em meia hora.

Preferi o metrô e aproveitei para comprar o ticket de turista que inclui ida e volta para o aeroporto e mais três dias de transporte público em metrô e ônibus. O preço é 22€.

Primeiro Dia

Atenas - Acrópole

Detalhe da Acrópole de Atenas. Foto: André Orengel

Começamos o dia com o descontraído e informativo tour da Athens Free Tours. Ele começa às 10h, dura cerca de 2h30, tem opções em inglês e espanhol e é gratuito. Ao final é de bom grado deixar uma gorjeta. O percurso a pé passa pelos principais pontos turísticos e bairros da cidade com explicações gerais sobre eles, mas sem entrar nos sítios arqueológicos.

O passeio que fiz (acho que o trajeto varia de guia para guia) encerrou próximo à entrada da Ágora Antiga. Aproveitamos então para comprar nesta bilheteria o ticket combo, que, por 30€, inclui várias atrações da cidade.

Com o ticket em mãos, subimos a encosta norte em direção à Acrópole. Essa é a parte do trajeto que realmente testa a vontade do sujeito de estar ali, principalmente se o fizer ao meio-dia durante o verão. Vencida a subida e antes de adentrar no sítio arqueológico, escalamos a Colina de Areópago para uma vista panorâmica da cidade e da própria Acrópole.

Atenas - Acrópole

Vista da Acrópole a partir do Monte de Areópago. Foto: André Orengel

Trata-se de um enorme monólito de mármore onde, conta a lenda, Ares foi julgado e absolvido pelo conselho dos deuses pelo homicídio de Halirrothios, filho de Poseidon. Por isso (ou não), o lugar fora utilizado na Antiguidade como corte para o julgamento dos crimes de homicídio, corrupção e traição pelo Conselho de Areópago. Os cristãos se lembrarão deste nome porque, segundo a Bíblia (Atos dos Apóstolos 17.16-34), Paulo proferiu neste lugar o famoso discurso sobre o deus desconhecido.

A Acrópole

Os primeiros templos da Acrópole (acro = alto + polis = cidade) foram construídos na era Micênica, em reverência à deusa Atena. Eles foram completamente destruídos pelos persas na véspera da batalha de Salamina (480 A.C.). Com a vitória grega, o gestor Péricles deu início a um ambicioso programa de reconstrução da cidade que transformou a Acrópole em um fabuloso complexo de adoração, principalmente da deusa Atena, coroada pelo Parthenon, que marcou o apogeu das realizações da Grécia clássica. Em nossos tempos, a Acrópole se tornou um dos principais sítios arqueológicos da Antiguidade ocidental.

Atenas - Parthenon

O famoso Parthenon, na Acrópole de Atenas. Foto: André Orengel

De lá para cá, a Acrópole sofreu com desastres naturais, guerras e pilhagens. Assim, o que vemos atualmente são apenas ruínas que nos concedem uma vaga noção do que o lugar já foi um dia. O maior golpe ao local fora desferido em 1687 pelos Venezianos, durante um bombardeio contra os Otomanos. O principal prédio do complexo (utilizado à época como depósito de pólvora) foi explodido e causou grandes danos aos demais.

Ao passar pelas catracas, vire à direita para apreciar o Odeão de Herodes Áticos, construído em 161 d.C. pelo aristocrático romano que o nomeia. Completamente reconstruído entre 1950 e 1961, ele é utilizado durante os festivais teatrais de verão para encenações de tragédias e comédias clássicas.

Atenas - Odeão de Herodes Áticos

Odeão de Herodes Áticos. Foto: André Orengel

Do lado oposto ao tetro, acima das folhas das oliveiras que adornam o caminho, você terá uma boa visão do templo de Atena Nike. Sim, o nome é o mesmo da famosa marca de material esportivo. Nike é a deusa da vitória que coroou Atena após esta haver derrotado Poseidon na batalha pela adoração dos habitantes da cidade a partir de então chamada de Atenas.

Templo de Atena Nike. Foto: André Orengel

Siga o caminho indicado e suba até a Propylaia, a monumental entrada da Acrópole, construída por Mnésicles entre os anos de 437 e 432 a.C. Passeie pelo sitio arqueológico parando nas placas distribuídas à frente das principais ruínas para ler as explicações sobre a história do lugar e seus traços arquitetônicos mais marcantes.

Depois da visita à Acrópole

Após a exploração, que provavelmente durará em torno de duas horas, desça pela encosta sul do monte, passando pelo Teatro de Dionísio, o templo de Asclépio e a Stoa de Eumenes, e siga em direção à rua Makrigianni, para almoçar em um de seus restaurantes. Comemos no Arcádia (Makrigianni, 27) e adoramos a comida e o atendimento. Recarregadas as baterias, aproveite o restante da tarde para apreciar a excelente coleção de esculturas do Museu da Acrópole, localizado ali próximo.

Terminada a visita, aproveite o cair da noite para percorrer o bairro de Plaka, em direção à praça Monastiraki. O bairro, apesar de muito turístico, é uma das partes mais charmosas da cidade. Tem ruas estreitas, cantinhos, lojinhas, bares, restaurantes e a vista do Parthenon ao alto. Escolha um dos restaurantes da região para o jantar, que pode ser o excelente Lithos, na rua Aisopou, 17.

Segundo Dia

Atenas - Templo de Zeus

Templo de Zeus. Foto: André Orengel

Nosso primeiro destino no segundo dia de viagem foram as ruínas do templo do Zeus Olímpico. É o maior templo da Grécia e fica do “lado de fora” do arco de Adriano, que marcava a divisão entre a cidade antiga grega (de Teseu) e a nova cidade romana (de Adriano). Sua construção iniciou no século 6º a.C., na gestão de Peisistratos. A obra só foi concluída pelo imperador romano Adriano em 131 d. C. após várias interrupções.

Em seguida, atravesse os Jardins Nacionais e chegue à frente do Parlamento Grego. Sincronize seu tempo para chegar às 10h ou 11h, para ver a cerimônia da troca da guarda que protege a tumba do soldado desconhecido. Estivemos lá no domingo às 11h e assistimos a uma cerimônia mais pomposa (que ocorre semanalmente nesse horário), com direto à banda marcial e um pequeno desfile. Tinha uma multidão no local. Portanto, se a sua intenção é a testemunhar essa ritual estendido, chegue com ao menos 30 minutos de antecedência para conseguir um bom lugar.

Atenas - Parlamento

A cerimônia da troca da guarda em frente ao Parlamento. Foto: André Orengel

Museus de Atenas

Depois disso, abrigue-se do sol em dois dos melhores museus de Atenas, localizados ali pertinho na Avenida Leoforos Vasilissis Sofias. O Museu Benaki e o Museu de Arte Cristã e Bizantina. O primeiro exibe a coleção privada de Antonis Benakis, incluindo achados desde era Micênica até a atualidade. Já o segundo apresenta uma enorme coleção de arte cristã, desde a antiguidade até os dias atuais. Ela abrange imagens, pinturas, bíblias, entre outros. Aproveitamos para almoçar no restaurante situado no terraço do Museu Benaki, e assim otimizamos o nosso tempo.

Estádio Panatenaico

Ao terminar a visita ao Museu de Arte Cristã e Bizantina siga para o Estádio Panatenaico (fecha as 19h entre março e outubro, e às 17h entre novembro e fevereiro). No caminho, passe pela frente do Palácio Presidencial, que também conta com uma cerimônia de troca da guarda, menos concorrida que a do Parlamento.

Atenas - Estádio Panatenaico

Estádio Panatenaico. Foto: André Orengel

O Panatenaico é o único estádio do mundo construído completamente em mármore. Ele recebeu a abertura e o encerramento dos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna (1896) e também a chegada da maratona dos Jogos de 2004. Este estádio chegou a abrigar 80 mil espectadores em uma partida de final da Euroliga de Basquete entre o AEK Atenas e o Slavia Praga, em 1968. Não deixe de ouvir ao ótimo e bem completo audioguia em português, que narra esses e muitos outros fatos interessantes referentes ao estádio.

Se você ainda tiver fôlego, cronometre a visita para encerrar cerca de uma hora antes do pôr do sol. Assim, você pode assisti-lo do alto do Monte das Musas (também conhecido como Monte Philopappos), com uma ótima vista do mar Egeu, da Acrópole e da cidade. Demoramos em torno de 30 minutos para caminhar do estádio até o topo do morro, em uma subida que não exige muito do seu preparo físico.

Atenas - Monte das Musas

A Acrópole vista do Monte das Musas. Foto: André Orengel

Para encerrar o dia, jante no excelente Mani Mani (Falirou 10): comida refinada, deliciosa e com uma linda apresentação.

Terceiro Dia

Inicie o seu terceiro dia conhecendo a Ágora Antiga (grega). O coração da Atenas antiga era a Ágora. Nela, desenrolavam-se as principais atividades administrativas, comerciais, políticas e sociais. Hoje, grande parte do local está completamente em ruínas. É preciso ter muita imaginação para entender o que se passava em cada local marcado pelo mapa, mesmo lendo as placas informativas.

Atenas - Stoa de Átalos

Stoa de Átalos. Foto: André Orengel

Isto exceto pela Stoa de Átalos. Com dois pavimentos totalmente reconstruídos, ela nos transporta dois mil anos ao passado para termos um gostinho de como seria um shopping center da época. Este edifício também abriga o museu da Ágora, onde podemos ver uma maquete completa do sítio arqueológico e esculturas encontradas no local. Outra notável exceção é o Templo de Hefesto, considerado o templo grego mais bem preservado do mundo.

Atenas - Templo de Hefesto

Templo de Hefesto. Foto: André Orengel

Ágora Romana

Colada à Ágora Antiga (grega), encontra-se a chamada Ágora Romana. Lá você pode apreciar suas ruínas, notadamente a bem-preservada Torre dos Ventos. É um monumento octogonal, construído pelo astrônomo sírio Andronicus. Ele servia como relógio de água, compasso, biruta e relógio de sol. Ao entrar na Ágora, dedique um momento ao mapa que fica logo após ao pórtico de Athena Archegetis. É fundamental para entender as ruínas remanescentes.

Atenas - Ágora Romana

A Ágora Romana e a Torre dos Ventos. Foto: André Orengel

Também bem próximo daí, está localizada a Biblioteca de Adriano, a última das ruínas a ser visitada neste passeio. Datada do século 2º a. C., esta foi a maior das estrutura erguidas por Adriano na cidade.  Ela continha um pátio interno com uma piscina no centro e bordeado por 100 colunas. Assim como livros, o prédio abrigava instrumentos musicais, salas de estudo e auditórios.

Quando terminar estas visitas, almoce em um dos restaurantes da região para em seguida ir ao Museu Arqueológico Nacional. Para chegar lá, pegue o metrô na estação da praça Monastiraki, siga rumo a Kifissia e desça na estação Victória. Ande algumas quadras na direção sul e você encontrará um enorme prédio neoclássico ao final de uma pracinha gradeada.

Atenas - Museu Arqueológico Nacional

Museu Nacional Arqueológico de Atenas. Foto: André Orengel

Um “best of” do Museu Arqueológico Nacional

O Museu Arqueológico Nacional de Atenas possui a melhor coleção de arte grega pré-histórica e clássica do planeta. Dedique algumas horas para  apreciar as suas obras, sem deixar de ver os seus highlights:

– a Máscara Fúnebre de Agamemnon e as Taças Douradas de Vaphio, localizadas nas salas centrais do térreo. Estas salas são dedicadas, entre outros, às civilizações Micênicas e Cyclades;

– a estátua de bronze de Poseidon ou Zeus, encontrada no fundo do mar Egeu, na Galeria 15;

– a estátua de bronze de um cavalo montado por um jovem cavaleiro e a estátua em mármore de Afrodite, na Galeria 21;

– os afrescos de Akrotini das Crianças Lutando Boxe, da Primavera e dos Antílopes, no andar superior;

– e os seis vasos que eram presenteados aos vencedores dos jogos Panatenaicos repletos de azeite de oliva. Eles remontam à origem dos troféus, atualmente entregues aos ganhadores de competições esportivas, na Galeria 56.

Um pouco de teatro

Após a visita ao museu, voltamos ao Odeão de Herodes Áticos. Lá, vimos a apresentação da tragédia As Bacantes (The Bacchae) de Eurípedes. Ela integra o Festival de Verão de Teatro de Atenas e Epidauro. A peça é em grego, com legenda em inglês, e vale muito a pena. Se você não conseguir garantir seu ingresso, uma opção que não chegamos a conhecer é subir no monte Lykavittos de táxi ou funicular. No local, dá para apreciar a vista da cidade e do pôr do sol por uma outra perspectiva.

Para terminar o passeio por esta espetacular cidade, jante no Balcony Restaurant & Bar (Veikou, 1) e se despeça com ótima comida e uma bela vista da Acrópole iluminada.

Tem um dia a mais?

Bem, se tivéssemos mais um dia, o aproveitaríamos para conhecer os arredores da cidade. Especialmente a área do Cabo Sounion, a 70km ao sul de Atenas. Lá ficam o Templo de Poseidon e várias praias. Você pode ir para lá de ônibus, pela linha “Markopoulo, Lavrion e Sounion”, em um tour ou alugando um carro.

Nenhum comentário em Atenas: o que fazer em três dias na cidade

Munique: novo voo direto aproxima Alemanha e Brasil

A Oktoberfest original está mais perto dos brasileiros! Assim como a Allianz Arena, os jogos do multicampeão Bayern, o Castelo de Neuschwanstein e outros passeios na região da Baviera, na…

A Oktoberfest original está mais perto dos brasileiros! Assim como a Allianz Arena, os jogos do multicampeão Bayern, o Castelo de Neuschwanstein e outros passeios na região da Baviera, na Alemanha. Isso porque a cidade de Munique é o destino de uma rota sem escalas saindo do Brasil. A partir de 7 de novembro de 2017, a Condor opera um voo direto entre Recife e Munique. É apenas um voo semanal, sempre às terças-feiras. Mas já é o suficiente para facilitar a chegada a um dos principais destinos turísticos alemães.

O voo partindo do Recife passa a ser o único voo direto para Munique saindo do Brasil. Até outubro de 2016, havia um voo a partir de São Paulo, feito pela Lufthansa. Mas a companhia suspendeu a rota, alegando a crise econômica brasileira como motivo. As ligações entre Brasil e Alemanha acabaram se restringindo a Frankfurt, que tem um dos principais aeroportos da Europa. Latam e Lufthansa faziam essa rota saindo de São Paulo e Rio de Janeiro. A Condor chegou depois e incluiu o Nordeste na parada, com voos a partir do Recife, Salvador e Fortaleza.

A rota Recife-Munique é feita em aeronaves Boeing 767/300, com três classes: business, comfort e econômica. O voo tem um horário bom para quem consegue dormir na viagem. Sai às 18h50 do Recife e chega às 8h50 locais em Munique no dia seguinte, totalizando 10 horas de voo.

Voei de Condor em duas oportunidades, sempre na rota Recife-Frankfurt. Em 2015, os aviões eram iguais a estes que fazem o novo voo para Munique. Confortáveis, com bom serviço de bordo, mas muita coisa paga por fora. Desde a reserva do assento até uma versão premium do sistema de entretenimento, tudo tem seu preço. Já em 2017, o avião era menor. O espaço entre as poltronas era mais apertado, não havia nem classe comfort nem sistema de entretenimento.

Uma vantagem da Condor é que a franquia de bagagem ainda não sofreu influência da mudança das regras no Brasil. Mesmo na classe econômica, os passageiros têm direito a despachar dois volumes de até 32 kg sem custo adicional. A bagagem de mão permitida é de 6 kg na classe econômica, 10 kg na comfort e 12 kg na business.

Outra questão importante: a Condor tem um escritório no Brasil, mas os problemas mais cascudos precisam ser encaminhados para a matriz na Alemanha. No post sobre os 7 erros que cometi em viagens, descrevi uma situação que vivi na viagem de 2017. O prazo dado pela companhia para responder a casos encaminhados à matriz era de 72 horas úteis. Portanto, ao escolher voar pela Condor, tente minimizar os riscos de mudança em cima da hora da viagem.

Mas o que fazer em Munique?

Munique - parque olímpico

Parque Olímpico de Munique. Foto: designerpoint / Pixabay

Para responder a esta pergunta, entrei em contato com a Márcia Oliveira. Ela é carioca e mora em Munique desde 2015 e promove passeios guiados para brasileiros na cidade e na região da Baviera (da qual Munique é capital). Ela também publica dicas sensacionais no blog Vou Pra Alemanha, que divide com outras duas brasileiras. Para a Márcia, tudo o que você encontra em Munique e na Baviera é muito parecido com a imagem que se costuma ter da Alemanha.

Márcia Oliveira, do blog Vou Pra Alemanha

“Quando você pensa na Alemanha, é muito provável que venham à sua mente os Alpes, as vaquinhas, os pastos verdinhos, lagos cor de esmeralda. Ou ainda casinhas com flores nas varandas, lindos castelos, pessoas bebendo cerveja e se divertindo. Tudo isso pode ser encontrado na Baviera. Em comparação com o resto da Alemanha, a Baviera é a região que mais preserva as tradições, onde você pode experimentá-las e vivenciá-las de forma mais genuína”, conta Márcia.

 

Quando ir a Munique?

Segundo Márcia Oliveira, a cidade tem atrativos o ano inteiro. Mas a melhor época para ir vai depender muito do que você quer ver e fazer. “Se quiser fugir do período mais frio, evite janeiro. Por outro lado, se quiser ver bastante neve, venha em janeiro. O inverno aqui é rigoroso, mas nada que impeça passeios pela cidade e arredores. Basta que você esteja bem agasalhado”, explica.

A época mais fria vai de janeiro a abril. Na virada de abril para maio, a temperatura começa a subir e as tulipas coloridas florescem. É a primavera chegando. De junho a setembro, é o verão: dias quentes, noites frescas. Em setembro é dada a largada da Oktoberfest (da qual falaremos um pouco mais adiante) e as temperaturas começam a cair até dezembro. Em novembro, as feiras de Natal chegam para deixar a cidade com outra atmosfera.

Também pedi à Márcia que enumerasse os cinco lugares preferidos dela em Munique. Confira as dicas dela!

 

Olympiaberg

Munique, Olympiaberg

Olympiaberg. Foto: Vou Pra Alemanha

O que diz a Márcia: “É um pequeno monte no Parque Olímpico de Munique, onde é possível ter uma visão geral da cidade. Também é meu lugar preferido para ver o pôr-do-sol”.

Esta é apenas uma das inúmeras atrações do Parque Olímpico, que segue em plena atividade desde os Jogos de 1972. De lá para cá, vários eventos esportivos foram realizados aqui, assim como shows e exposições. Além disso, é um dos principais espaços de lazer para os moradores. A Olympiaberg, por exemplo, tem entrada gratuita.

Site: http://www.olympiapark.de

 

Jardim Inglês (Englischer Garten)

Munique, Englischer Garten

Englischer Garten no Verão. Foto: Munchen.de

O que diz a Márcia: “Um dos maiores parques urbanos do mundo. Ele está sempre lindo, em qualquer estação”.

Além das paisagens naturais (beira de rio, beira de lago, áreas verdes, etc), o Englischer Garten tem uma porção de restaurantes típicos, a tradicional Torre Chinesa e um biergarten para tomar cervejas locais. Além disso, há um trecho de rio com correnteza onde se pratica surfe! Dá uma olhada no vídeo feito pelo blog Vou Pra Alemanha!

Site: http://www.muenchen.de/sehenswuerdigkeiten/orte/120242.html

 

Deutsches Museum

Munique, Deutsches Museum

Foto: Deutsches Museum / Divulgação

O que diz a Márcia: “maior museu de tecnologia do mundo”.

O Museu Alemão é enorme. Tem uma área de 45 mil metros quadrados e um acervo de 17 mil peças. Entre as áreas do conhecimento exploradas no museu, estão a mineração, a aeronáutica, a química, a engenharia e muito mais.

Site: www.deutsches-museum.de

 

Palácio Residenz

Munique, Palácio Residenz

A ala Antiquarium no Palácio Residenz. Foto: blizniak / Pixabay

O que diz a Márcia: “é um museu que serviu de residência aos governantes da Baviera por mais de 600 anos”.

É o maior palácio urbano da Alemanha, composto por dez pátios e 130 salas. Abriga também um museu de decoração de interiores, uma sala de concertos, a Casa do Tesouro Real e um teatro. O Jardim da Corte, outra atração do complexo, tem entrada gratuita. Confira informações sobre ingressos nos espaços pagos e sobre os horários de funcionamento.

 

Viktualienmarkt

Munique

Foto: Munchen.de

O que diz a Márcia: “é um mercado gourmet que fica bem no centro histórico de Munique, onde há inclusive um biergarten”

É um mercado com mais de 200 anos de história e é marcante pelo tamanho e diversidade. São 22 mil metros quadrados e 140 lojas com itens que vão de flores a temperos, de plantas a carne, passando por peixe, charcutaria e muito mais.

Horário de funcionamento: segundas a sextas, das 10h às 18h. Sábados, das 10h às 15h. Fechado aos domingos. A fonte é o site da prefeitura de Munique.

 

 

Faixas bônus

Outros programas imperdíveis em Munique e arredores.

 

Oktoberfest

Munique, Oktoberfest

Foto: Divulgação Oktoberfest

O maior evento turístico de Munique e, quiçá, de toda a Alemanha. É uma tradição de quase 200 anos, que inclui roupas folclóricas, músicas típicas e canecas de litro abastecidas de cerveja de forma intermitente. A festa começa em setembro e dura 16 dias.

O site da Oktoberfest é completíssimo com informações sobre o evento.

E o site Um Só Lugar preparou um guia prático da festa, cheio de curiosidades para quem pretende curtir in loco.

 

Allianz Arena

Foto: Lee Min Jon / Pixabay

Nem parece que o moderníssimo estádio do Bayern de Munique já tem mais de 10 anos de existência. Inaugurado em 2005, foi palco de seis jogos da Copa do Mundo em 2006 e da final da Champions League em 2012. As visitas à arena contemplam não apenas as principais dependências do estádio, como também o FC Bayern Erlebniswelt: o maior museu de um clube de futebol alemão.

Para informações sobre agenda de eventos, horário de funcionamento e preços das visitas, entre no site da Allianz Arena.

 

BMW Welt

Munique, BMW Welt

Foto: Divulgação / BMW Welt

É um complexo que reúne a fábrica, edifícios administrativos e o museu da montadora alemã. O lugar impressiona não só aos fãs de carros, mas a quem admira a arquitetura moderna. O design do complexo é de cair o queixo. Além de carros e motos em exposição, o BMW Welt tem loja oficial da marca, além de restaurante, lanchonete e muito mais.

Para informações sobre horários de funcionamento e preços de ingressos, acesse o site do BMW Welt.

 

Legoland

Foto: Legoland / Divulgação

Essa dica é para quem curte parques temáticos e está disposto a pegar uma estrada. A Lego (sim, a fábrica dos brinquedinhos de montar) tem nove parques em todo o mundo. Um deles está em Günzburg, a 130 quilômetros de Munique. A filial alemã é feita com 56 milhões de peças de Lego. E uma das partes mais legais é a Mini Land, com réplicas de pontos turísticos da Alemanha montadas com os famosos bloquinhos.

Para informações bem completinhas, acesse o site da Legoland Deutschland.

 

Outros passeios

Munique, Castelo de Neuchwastein

Castelo de Neuchwanstein. Foto: Vou Pra Alemanha

Há muitos outros lugares legais para ver em Munique e nos arredores. Como o Castelo de Neuchwanstein, o campo de concentração de Dachau e as cidades de Innsbruck e Salzburgo, na Áustria. A Márcia Oliveira, do blog Vou Pra Alemanha, organiza passeios para todos esses destinos e para vários roteiros dentro de Munique. Os depoimentos das pessoas que já fizeram excursões com ela são muito legais! Não deixe de conferir a lista completa dos tours organizados por ela antes de organizar sua viagem para a Alemanha!

 

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Círio de Nazaré: um guia para quem vai acompanhar pela primeira vez

Para quem nasce em Belém do Pará, é impossível desenvolver uma relação de indiferença com o Círio de Nazaré. A cidade é tão invadida por Nossa Senhora em outubro quanto…

Para quem nasce em Belém do Pará, é impossível desenvolver uma relação de indiferença com o Círio de Nazaré. A cidade é tão invadida por Nossa Senhora em outubro quanto por Papai Noel em dezembro. A publicidade local ganha peças especiais para a época. Os parentes que moram longe desembarcam quase todos na mesma semana. Quem é de rezar tem uma quinzena inteira para dedicar à devoção. Quem não é de rezar tem uma grande dose de confraternização, comida e algumas festas. Ou então se limita a reclamar do trânsito, que realmente fica insuportável.

É o maior evento de Belém, que leva mais de um milhão de pessoas às ruas da cidade, entre moradores e visitantes. E no meio dessa multidão, tem gente de vários perfis. De turistas que gastam uma nota para ver o Círio da varanda de um hotel cinco estrelas até peregrinos de cidades vizinhas que vêm a pé. Tem gente que vem de longe para expressar sua fé. E tem gente que vai contemplar a fé alheia. Os promesseiros do Círio de Nazaré atraem tantos olhares e suspiros quando a própria padroeira dos paraenses.

Minha relação com o Círio de Nazaré começou como a de quase qualquer belenense. Quando eu era muito pequeno, meus pais não costumavam me levar para a procissão por causa do sufoco e da aglomeração. Quando eu tinha 10, 11 anos, comecei a acompanha-los. Aos 19, já na faculdade de jornalismo, o Círio virou sinônimo de trabalho para mim. E muito! Jornalista que folga no Círio é tão raro quanto a neve em Belém.

Trabalhar no Círio de Nazaré distanciou um pouco a minha visão do lado espiritual da coisa. Mas ajudou a compreender questões mais práticas e objetivas do evento. Talvez tenha mesclado a minha vivência de nativo com um olhar de visitante. E acho que é uma mistura interessante para falar do Círio num blog de viagens.

Decidi escrever este post não com o objetivo de ser a principal fonte de informações históricas sobre o Círio. E sim pensando no viajante que pretende acompanhar a festividade pela primeira vez. Sei que chegar a Belém na segunda semana de outubro sem referência nenhuma deve deixar os romeiros estreantes meio baratinados. Espero que este artigo possa ajudar a facilitar a vida (e o planejamento da viagem) dessas pessoas!

 

Um pouco de história

Círio de Nazaré, Basílica Santuário

A Basílica Santuário de Nazaré. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

A devoção a Nossa Senhora de Nazaré no Pará tem origem numa lenda do início do século 18. Um pescador chamado Plácido encontrou uma imagem da santa às margens de um igarapé, palavra amazônica para riacho. Ele levou a imagem para casa. Mas, no dia seguinte, ela sumiu e reapareceu no mesmo local onde havia sido encontrada. A história se repetiu outras duas vezes até Plácido entender a mensagem: a santa queria permanecer naquele lugar.

O igarapé Murutucu, onde a imagem foi encontrada, acabou recebendo uma pequena capela para sediar a adoração a Nossa Senhora. A primeira procissão foi realizada em 1793. De lá para cá, o número de fiéis se multiplicou exponencialmente. A romaria se transformou em uma das maiores do mundo e a capelinha à beira do riacho virou a hoje imponente Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré.

Para conhecer um pouco mais sobre a história do Círio de Nazaré, acesse o site oficial do evento.

Quando acontece o Círio de Nazaré?

Círio de Nazaré, promesseira

Sempre há promesseiros que fazem o percurso do Círio de joelhos. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

Os primeiros Círios foram realizados em dezembro. Mas, desde 1901, a procissão ganhou a data fixa que tem até hoje: o segundo domingo de outubro. Essa não foi a única mudança em mais de 200 anos de história. Nas primeiras edições, a romaria saía à tarde. Hoje, a saída é às 6 da manhã. As alterações provavelmente foram para fugir do clima chuvoso de Belém, já que dezembro é um mês mais úmido e as chuvas são tradicionalmente vespertinas.

Há muito tempo o Círio de Nazaré não é apenas a procissão do domingo. Ao longo do século 20, foram criadas várias outras romarias para engordar a programação. A santinha viaja por terra e água para alcançar mais fiéis e percorre 140 quilômetros em doze procissões somadas. No total, entre eventos e romarias, a festa da padroeira dos paraenses dura vinte dias.

Para facilitar o seu planejamento, vamos organizar os eventos pelas datas em que são realizados. Usamos o calendário de 2017 como base, mas o post será editado nos anos seguintes com as datas atualizadas.

Antes do fim de semana do Círio

Círio de Nazaré, abertura oficial

Abertura do Círio de Nazaré. Foto: Mácio Ferreira (Agência Pará)

Na terça-feira que antecede a grande procissão, é realizada a abertura oficial do Círio. Em 2017, ela cai no dia 3 de outubro. É uma missa solene na Basílica Santuário, com a presença da diretoria da festa, da arquidiocese de Belém e de autoridades da cidade. Começa às 18h.

Mas o primeiro evento cercado de expectativa dos fiéis acontece na quinta-feira (em 2017, 5 de outubro): a missa de apresentação do manto, também na Basílica Santuário. A cada ano, o manto que cobre a imagem de Nossa Senhora em todas as romarias é diferente. A confecção é mantida sob sigilo absoluto pela diretoria da festa até o dia do evento, que começa às 18h. Não são eventos para pautar a data da sua chegada. Só se você já estiver na cidade e for muito devoto.

Apresentação do manto de Nossa Senhora. Foto: Divulgação / Fundação Nazaré

 

Sexta-feira, 06/10/2017

Círio de Nazaré, Traslado

As ruas movimentadas no dia do Traslado. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

Traslado

A antevéspera do Círio de Nazaré é o dia da primeira das doze romarias, o Traslado. Ela sai às 7 da manhã e é a mais longa de todas. O percurso tem 52 quilômetros e vai da Basílica Santuário, em Belém, até a Igreja de Matriz de Ananindeua, município vizinho à capital paraense. A imagem de Nossa Senhora é colocada sobre um carro da Polícia Rodoviária Federal. O roteiro passa por vários bairros de Belém, Ananindeua e Marituba (outra cidade da região metropolitana). No caminho, o comboio faz algumas paradas para homenagens em frente a prédios de órgãos públicos e hospitais.

 

Auto do Círio

À noite, o centro histórico de Belém é ocupado por um dos eventos mais tradicionais da programação extraoficial da festividade. O Auto do Círio é um cortejo organizado há mais de duas décadas pela UFPA, por meio da Escola de Teatro e Dança. Pelas ruas da Cidade Velha, artistas profissionais e amadores encenam um espetáculo que celebra a cultura e a história de Belém e do Círio.

Círio de Nazaré, Auto do Círio

Auto do Círio. Foto: Cristino Martins – Agência Pará

 

Festival Lambateria

Você pode aproveitar a ida à Cidade Velha para curtir uma noite de música paraense no Festival Lambateria. A Lambateria é uma festa (da qual já falamos no post sobre dicas de Belém) em que toca guitarrada, carimbó, tecnobrega e outros ritmos tradicionais e modernos da Amazônia. A escalação do festival está imperdível e tem como principais atrações Dona Onete, Pinduca, Combo Cordeiro e Félix Robatto. Outras informações você pode encontrar na página do evento no Facebook.

 

 

O que vale a pena?

O Traslado não vale a pena. Como a romaria é conduzida por um carro e há várias interdições no trânsito no caminho, é praticamente impossível seguir o comboio. Mas, se você quer colocar esta romaria no currículo, o melhor é ver a saída nos arredores da Basílica ou escolher um ponto de passagem. Minha sugestão: o Hospital Ophir Loyola, na avenida Magalhães Barata. Não é longe do centro de Belém e é uma parada tradicional da procissão.

Já o Auto do Círio vale demais. Tanto pela manifestação artística quanto para conhecer o bairro mais antigo de Belém. O Auto do Círio geralmente tem “estações” em frente a alguns dos lugares mais bonitos da Cidade Velha, como a Catedral e a Igreja de Santo Alexandre.

Sábado, 07/10/2017

Círio de Nazaré, Romaria Rodoviária

Fiéis à espera da Romaria Rodoviária. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

O dia mais importante da programação do Círio de Nazaré é o domingo. Mas o mais movimentado é o sábado. São quatro romarias, começando nas primeiras horas da manhã e terminando já no início da madrugada de domingo.

Romaria Rodoviária

O dia começa com a Romaria Rodoviária, que sai às 5h30 da Igreja Matriz de Ananindeua, onde a imagem de Nossa Senhora pernoitou na véspera. Esta romaria é realizada desde 1989 no sábado anterior e foi criada para atender a um pedido do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga. São 24 quilômetros de percurso pelas rodovias BR-316 e Augusto Montenegro até o trapiche de Icoaraci, onde começa o segundo evento do dia.

Romaria Fluvial

A Romaria Rodoviária termina onde a Romaria Fluvial começa. Depois de uma missa no trapiche, a imagem embarca numa corveta da Marinha. A saída costuma ser por volta de 9 da manhã. É um dos eventos mais bonitos de toda a festividade. A padroeira é seguida por embarcações de diversos tamanhos e padrões, desde lanchas turísticas até barcos simples de madeira. A romaria tem um percurso de 10 milhas náuticas (o equivalente a 18,5 quilômetros) e costuma durar 2h30. A chegada é na escadinha do Cais do Porto, no centro de Belém.

Círio de Nazaré, Romaria Fluvial

Romaria Fluvial. Foto: Carlos Sodré – Agência Pará

Moto Romaria

No final da Romaria Fluvial, a festa se divide em duas. A imagem de Nossa Senhora segue para a terceira procissão do dia: a Moto Romaria. Milhares de motociclistas acompanham a santa num trajeto de 2,5 quilômetros até o Colégio Gentil Bittencourt, na avenida Magalhães Barata. Geralmente, esta romaria dura em torno de uma hora.

Moto Romaria. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

Arrastão do Círio

Quem não está de moto pode participar de outra programação que começa bem perto, em frente à Praça dos Estivadores: o Arrastão do Círio. É um evento organizado pelo Instituto Arraial do Pavulagem, um dos principais difusores da cultura popular no Pará. É um cortejo embalado por tambores, danças e cantos em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré.

Círio de Nazaré, Arrastão do Pavulagem

Arrastão do Círio. Foto: Dah Passos – Instituto Arraial do Pavulagem

Trasladação

No final da tarde, começa a segunda procissão mais importante da programação do Círio de Nazaré: a Trasladação. Ela tem um trajeto quase igual à da grande romaria do domingo, mas no sentido contrário. Sai do Colégio Gentil Bittencourt em direção à Catedral Metropolitana. Como é uma caminhada noturna, geralmente é embelezada pelas velas que muitos fiéis levam. A iluminação da berlinda que leva a santa também é um dos pontos altos. O percurso tem 3,7 quilômetros, mas a duração é menos previsível. Costuma terminar por volta da meia-noite.

Círio de Nazaré, Trasladação

Trasladação. Foto: Thiago Gomes – Agência Pará

Festa da Chiquita

Pensa que acabou? A noite do sábado para o domingo tem um evento que costuma fazer os católicos mais tradicionalistas torcerem o nariz. A Festa da Chiquita é um evento organizado pela comunidade LGBT de Belém e é realizada no Bar do Parque, em frente ao Theatro da Paz. Assim que a Trasladação passa em frente ao bar, a festa começa e costuma entrar pela madrugada. Nos últimos anos, a Festa da Chiquita sempre foi uma incógnita até a última hora. Sem o apoio da diretoria do Círio e das últimas gestões da prefeitura, ela foi marginalizada. Até o fechamento deste texto, não havia uma confirmação sobre a realização em 2017.

A Festa da Chiquita foi tema de um documentário lançado há alguns anos. O nome do filme é “As Filhas da Chiquita” e está disponível na íntegra no Vimeo. Aqui, um trechinho para você ter uma noção do que rola no Bar do Parque depois que a santa passa.

O que vale a pena num dia tão movimentado?

Eu recomendo fortemente a Romaria Fluvial. Ela é muito simbólica dentro da programação, dado o significado dos rios para a região amazônica. Algumas agências de turismo preparam embarcações para acompanhar a romaria. O barco da Valeverde Turismo é um dos mais tradicionais. Oferece bebidas quentes e água, tem venda de lanche a bordo, música ao vivo e show folclórico.

Se o passeio de barco não tiver tirado toda a sua energia, passe algumas horas no Arrastão do Pavulagem. É uma lindíssima manifestação artística, além de ser um ponto de encontro de gente descolada.

A Trasladação também vale muito a pena. Se você quiser acompanhar caminhando, chegue ao Colégio Gentil Bittencourt pelo menos uma hora antes da procissão. Veja a saída da santa e siga andando na frente da romaria até onde seu fôlego permitir. Se quiser ver tudo sentadinho, o melhor custo/benefício é comprar um ingresso para as arquibancadas montadas na avenida Presidente Vargas. Para a Trasladação, o preço é R$ 35. A venda é pela internet.

A Festa da Chiquita é divertida, mas tem uma aglomeração que permite pequenos furtos. Se você for conservador a ponto de se incomodar com a celebração da diversidade num evento católico, melhor não ir. Mas se você estiver no espírito, não perca. Só tenha as mesmas preocupações que você teria num evento de carnaval de rua. Ah, e não perca a hora para o dia seguinte!

 

Domingo, 08/10/2017

Círio de Nazaré, berlinda

Foto: Thiago Gomes – Agência Pará

É o grande dia da festividade. O Círio de Nazaré propriamente dito. A movimentação começa ainda de madrugada, antes mesmo do sol nascer. Os promesseiros que querem acompanhar a procissão na corda (vamos falar dela mais adiante) passam a madrugada no Boulevard Castilhos França. Mas o início do dia para valer é às 5h, com a missa na Catedral Metropolitana. A missa termina e o Círio começa. A berlinda que leva a imagem da padroeira sai da Praça Frei Caetano Brandão, em frente à Catedral, e começa um percurso de 3,6 quilômetros.

Em frente à Praça do Pescador, no Boulevard Castilhos França, acontece um dos momentos mais emocionantes do Círio de Nazaré. É quando a corda, um dos símbolos mais especiais da festa, é atrelada à berlinda. A corda tem 800 metros de comprimento, dividido em dois pedaços de 400. Cada centímetro é disputado à exaustão pelos promesseiros, que se espremem para pedir ou agradecer alguma realização atribuída à fé na padroeira.

Círio de Nazaré, corda

No meio dos promesseiros da corda, nem se vê a corda. Foto: Alessandra Serrão – Agência Pará

Na frente da corda e da berlinda, vão outros elementos importantes na simbologia do Círio de Nazaré. Treze carros de promessas começam o percurso um pouco mais adiante, na avenida Presidente Vargas. Alguns deles recebem os ex-votos, que são objetos representando os pedidos ou as graças alcançadas. Os mais comuns: velas, partes do corpo esculpidas em cera (para pedidos relacionados a saúde), tijolos e miniaturas de barcos e casas. Outros carros levam crianças vestidas de anjos, geralmente pagando promessas feitas pelos pais.

Foto: Thiago Gomes – Agência Pará

Tem gente que acompanha o Círio caminhando. Tem gente que fica à espera da passagem da procissão em algum ponto do percurso. Edifícios, hotéis, arquibancadas são locais em que se tem conforto e segurança. Quem prefere não pagar (ou não pode), fica na rua mesmo. Não é a melhor escolha para quem tem mais idade ou alguma dificuldade de locomoção.

Quanto tempo dura?

A duração da romaria é uma controvérsia entre os fiéis. Já houve um Círio de Nazaré que durou dez horas. Foi o de 2004, que chegou ao ponto final (a Praça Santuário) às 16h. E já houve outros que chegaram antes do meio-dia. Tem quem prefira que o Círio seja mais rápido, para que as famílias possam aproveitar o tradicional almoço e o restante do domingo. Tem quem ache que uma procissão mais longa é um sacrifício que vale a pena, para não se ver a santinha passando “a jato” diante dos olhos.

Dicas para acompanhar

Círio de Nazaré

A Praça do Relógio, em frente à chamada “pedra do peixe” no Ver-o-Peso. Foto: Mácio Ferreira – Agência Pará

O esquema que aprendi com meus pais para acompanhar o Círio a pé é o seguinte. Chegar por volta de 5h30 da manhã à Praça do Relógio, que fica nos primeiros metros do percurso. De lá, ver a passagem da berlinda e então cortar caminho por dentro do bairro do Comércio. Assim, chega-se à avenida Presidente Vargas bem à frente da procissão, sem muito sufoco. Meus pais costumam fazer o atalho pela rua João Alfredo ou Treze de Maio. Mas qualquer rua da região estará muito movimentada no domingo do Círio.

Corda

Se você quiser encarar a corda, vá com a preparação de uma corrida de longa distância. O aperto é grande e o calor, insuportável. Chegue cedo, no máximo às 3 da manhã, ao Boulevard Castilhos França. Vá de chinelos, sabendo que vai precisar descartá-los. É proibido acompanhar a corda calçado. Deixe em casa também acessórios que possam machucar, como anéis, relógios e brincos. Alguns promesseiros da corda levam acompanhantes para dar alguma assistência em caso de necessidade. Muita gente desmaia no percurso. Mas há uma grande quantidade de voluntários da Cruz Vermelha trabalhando no atendimento médico ao longo da procissão.

Segurança

É uma festa religiosa, mas os descuidistas não tiram folga. Portanto, cuidado com objetos de valor. Deixe a carteira em casa. Leve dinheiro trocado e um documento apenas.

Arquibancadas

Para quem preferir comodidade, as arquibancadas oficiais na avenida Presidente Vargas custam R$ 70 e estão à venda neste site.

Hotéis

Se seu orçamento estiver bem mais folgado, hospede-se em um hotel no percurso do Círio de Nazaré. Dois dos mais tradicionais de Belém estão no caminho. O Princesa Louçã (antigo Hilton) na avenida Presidente Vargas e o Grand Mercure (antigo Crowne Plaza) na avenida Nazaré. Eles geralmente fecham pacotes com muita antecedência para o Círio, mesmo cobrando os olhos da cara.

Transporte público

Funciona normalmente e ganha reforço durante o fim de semana do Círio, inclusive de madrugada. Os ônibus que passam perto do percurso geralmente circulam com uma placa “Círio de Nazaré” no vidro dianteiro.

 

Almoço do Círio

Círio de Nazaré, maniçoba

A famosa maniçoba. Foto: Cristino Martins – Agência Pará

Muitos restaurantes fecham no domingo do Círio de Nazaré. É o caso de alguns dos mais tradicionais e conceituados da cidade. O Remanso do Bosque, do badalado chef Thiago Castanho, fecha no domingo, mas abre normalmente para almoço e jantar na segunda-feira. O Lá Em Casa, com mais de 40 anos de tradição, também fecha, assim como todos os outros restaurantes da Estação das Docas. Mas abre no sábado desde cedo, aproveitando a chegada da Romaria Fluvial, inclusive servindo café da manhã.

O Avenida é uma das melhores pedidas. Não só pela tradição, mas pela localização. Ele fica a poucos metros da Praça Santuário. A procissão do Círio passa bem em frente. Para 2017, as reservas abriram em 1º de setembro. E, dependendo do dia em que você ler este post, é possível que não haja mais vagas.

O restaurante do Hotel Mercure (sobre o qual já falamos alguns parágrafos acima) tem um pacote para não-hóspedes. Tem almoço com água, refrigerante e sobremesa inclusos. A programação também tem uma missa no hotel. O valor é um pouco salgado: R$ 350 por pessoa. Mas, se você tiver esse dinheiro sobrando, a comodidade e a localização compensam. As reservas podem ser feitas pelo telefone (91) 3202.2100.

Fora do circuito da procissão, existem boas opções. O Manjar das Garças fica dentro do parque Mangal das Garças. O Spazzio Verdi fica a um quarteirão da Praça Santuário e pode ser uma solução próxima. E o Avuado, que já indicamos no post com as dicas de Belém, também abrirá normalmente. É um bom lugar para comer peixes de rio e frutos do mar.

O prato mais típico nesta celebração é a maniçoba, que, numa tentativa simplória de explicar, é uma espécie de feijoada amazônica. É um cozido de partes menos nobres do porco. Mas, no lugar do feijão, entra a maniva, que é a folha da mandioca brava. Ela precisa passar uma semana fervendo para perder uma toxina natural que possui. Visualmente, o prato não é bonito, mas é muito saboroso.

 

Depois da grande procissão

Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

Quando a romaria do domingo termina, a programação do Círio de Nazaré arrefece um pouco. Todas as manhãs, às 5h30, fiéis celebram o Terço da Alvorada no entorno da Basílica Santuário. Eles se revezam em orações e conduzem uma réplica da imagem da padroeira. À noite, também na área próxima à Basílica, há duas pedidas. O Círio Musical, programação de shows católicos gratuitos na Praça Santuário; e o Arraial de Nazaré, no parque de diversões ao lado da Praça.

Últimas romarias

Mas lembra que eu falei que eram doze romarias? Até agora, falei apenas de seis. No sábado seguinte ao Círio (em 2017, 14 de outubro), são realizadas duas. A primeira é a Cicloromaria, dedicada aos ciclistas. A segunda é a Romaria da Juventude, organizada pelos jovens das paróquias e comunidades da Arquidiocese de Belém.

O dia seguinte (em 2017, 15 de outubro), tem a Romaria das Crianças, com um percurso na medida para que as famílias com filhos pequenos possam celebrar sem sufoco.

No último sábado da festividade (em 2017, 21 de outubro), tem a Romaria dos Corredores. São 7 quilômetros em que a imagem de Nossa Senhora é conduzida numa velocidade para ser acompanhada numa corrida leve.

No domingo seguinte (em 2017, 22 de outubro), tem a Procissão da Festa. É uma romaria dedicada aos membros da diretoria da festa e às comunidades da paróquia de Nazaré. Pra fechar o calendário, tem ainda a missa de encerramento às 19h30 na Basílica Santuário e o Espetáculo Pirotécnico. Este é um momento bastante aguardado e pode ser visto de longe, de vários bairros de Belém. Ele começa às 21h na Praça Santuário.

O que vale a pena acompanhar?

Se sua estadia em Belém para o Círio for mais longa, vale você arrumar uma bicicleta e seguir a Cicloromaria. Ela sai às 8h da Praça Santuário. Tem um percurso de 14 quilômetros por alguns bairros do centro de Belém, até voltar ao local de partida Se você viaja com filhos pequenos, a Romaria das Crianças também é uma boa pedida. A saída e a chegada são na Praça Santuário. O Espetáculo Pirotécnico é bonito, mas a movimentação na Praça Santuário é muito grande. Além disso, é muito comum o relato de pequenos furtos na multidão. Pense duas vezes antes de decidir acompanhar tão de perto.

O que mais fazer em Belém?

Foto: Facebook/Estação das Docas

Estação das Docas. Foto: OS Pará 2000

Além dos passeios clássicos que você já deve ter visto por aí, a gente tem algumas indicações mais “outsiders”. Falamos sobre elas neste post com o guia de Belém que os guias não contam. Mas para não dizer que ignoramos as tradições, sugerimos também a Estação das Docas, sua vista e seus sabores imperdíveis!

O Círio de Nazaré é uma boa época para comprar artesanato em Belém. Duas feiras são tradicionais nesta época. A Feira do Artesanato do Círio, organizada pelo Sebrae na Praça Waldemar Henrique; e a Feira do Miriti, realizada pela cooperativa dos artesãos de Abaetetuba (cidade a 121 quilômetros de Belém), na Praça Dom Pedro II. A primeira é mais completa, com mais tipos e estilos de artesanato. A segunda é focada no miriti, uma palmeira cujo tronco é conhecido como “isopor amazônico”. Abaetetuba é o principal pólo de produção de arte em miriti. São feitas esculturas de todo tipo. Mas o carro-chefe são os brinquedos de miriti, que fazem parte das tradições do Círio.

Mapa do Círio de Nazaré

Aqui você vai encontrar todos os locais citados no texto para que você tenha em conta as distâncias de Belém.

 

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