Mochileza

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Cinco coisas para fazer na Estação das Docas em Belém

Quem vai a Belém costuma receber duas dicas de passeios. Os moradores da cidade sempre sugerem um fim de tarde na “Estação”, com beira de rio e pôr do sol….

Quem vai a Belém costuma receber duas dicas de passeios. Os moradores da cidade sempre sugerem um fim de tarde na “Estação”, com beira de rio e pôr do sol. Os turistas que já andaram por lá indicam um happy hour nas “Docas”, com chopinho de qualidade e petiscos regionais. O melhor de tudo é que as duas dicas apontam para o mesmo destino: a Estação das Docas.

Costumo desconfiar de dicas “obrigatórias”, mas esta compensa. Na Estação das Docas, é possível ter uma espécie de “menu degustação do Pará” ao longo de 32 mil metros quadrados. Gastronomia, natureza, cultura… tem tudo lá. E o local está acessível a todos os bolsos. Há desde shows gratuitos até restaurantes refinados.

Inaugurada em 2000, a Estação das Docas teve o projeto inspirado no Puerto Madero de Buenos Aires. Ela fica numa região portuária de Belém que estava desativada no final do século passado. Três galpões foram revitalizados e transformados em uma janela para a Baía do Guajará. Além disso, foram instalados restaurantes, bares, lojas, palcos para as mais diversas manifestações artísticas e um auditório que também funciona como cinema e teatro.

Foto: OS Pará 2000

A ideia foi tão bem sucedida que se transformou na principal atração turística de Belém. A circulação de pessoas ultrapassa a marca de 1 milhão por ano, entre turistas e moradores da cidade. O projeto também ajudou a inspirar iniciativas semelhantes em outras cidades brasileiras, como os Armazéns do Porto, no Recife.

Mas, afinal, o que é tão imperdível assim na Estação das Docas? Resolvi criar essa lista com cinco coisas que sempre faço quando vou a Belém. Espero que as dicas sejam inspiradoras!

 

1) Tomar cerveja na Amazon Beer

Foto: Divulgação

Bem antes das cervejas artesanais virarem uma moda hypada, a Amazon Beer foi uma visionária. É um dos poucos estabelecimentos que está na Estação das Docas desde a inauguração. E trouxe para Belém a cultura de tomar um chope diferente daqueles que você encontra em todo canto.

A Amazon Beer produz oito tipos de cerveja, sendo seis delas com algum ingrediente regional na sua composição. A stout, por exemplo, é feita com açaí. A witbier, com taperebá (fruta que você talvez conheça como cajá na sua região). A red ale, com priprioca, uma raiz amazônica costumeiramente usada na indústria de cosméticos. Todas elas estão disponíveis em torneira e em garrafa (para tomar no bar ou levar para casa).

Unha de caranguejo for the win. Foto: Leonardo Aquino

Para acompanhar seu chopinho regional, a Amazon Beer tem um vasto cardápio de petiscos. Os campeões são a linguiça de metro e os pastéis de tacacá. Mas anote aí a dica esperta do Mochileza: unha de caranguejo. É um misto de bolinho e coxinha, recheado com carne desfiada e temperada de caranguejo. A da Amazon Beer é uma das melhores de Belém. Pode ir sem erro.

 

2) Fechar o cardápio de sorvetes da Cairu

Foto: Facebook/Cairu

A Cairu é outro top of mind entre as dicas de quem já conheceu Belém. É a sorveteria mais tradicional da cidade e tem como carro-chefe os sorvetes de frutas regionais. Algumas delas você já deve ter experimentado por aí, como açaí e cupuaçu. De outras você dificilmente ouviu falar, como uxi, sapotilha e muruci.

Há alguns sabores autorais com os ingredientes regionais que valem muito a pena. O carimbó, por exemplo, é um sorvete de castanha do pará com doce de cupuaçi. O paraense é açaí com farinha de tapioca.

Para quem quer fazer apostas seguras, a Cairu tem os clássicos. Chocolate, creme, frutas vermelhas e muitos outros. Mas vá por mim. Faça uma roleta russa do sorvete, escolha algum sabor pelo nome e faça uma experiência inédita para o seu paladar.

 

3) Fazer compras descoladas na Ná Figueredo

Foto: Facebook/Ná Figueredo

Ná Figueredo não é apenas um estabelecimento comercial. É uma marca que se confunde com a cena musical de Belém, com a realização de eventos e o lançamento de discos há quase 30 anos. O carro-chefe são as roupas e calçados, seja as criações próprias da loja ou peças de marcas como AMP, Blunt, Converse e Vans. Também há acessórios como brincos, anéis e pulseiras.

A música é outro ponto forte das prateleiras da Ná Figueredo. São centenas de discos e DVDs de artistas nacionais e internacionais, mas com destaque para músicos paraenses. Alguns deles foram lançados pelo selo da loja, o Ná Music.

Para conferir um pouco sobre o estilo da loja, confira a página da Ná Figueredo no Facebook.

 

4) Conhecer a orla de Belém num passeio de barco

Foto: Divulgação/Valeverde Turismo

Uma famosa canção de Paulo André Barata, compositor paraense, diz: “esse rio é minha rua”. A gente só se dá conta do sentido que ela faz quando conhece Belém e seus rios tão largos a ponto de não se ver a outra margem. Passear por esses caminhos fluviais é um grande programa para se fazer na cidade. E a Estação das Docas é um ponto de partida para vários roteiros desse tipo.

Na Estação, está localizado o trapiche da empresa Valeverde Turismo, que opera os passeios fluviais mais conhecidos de Belém. Numa embarcação tipicamente amazônica, os passageiros contemplam a natureza, a orla da cidade e ainda se entretêm com apresentações de música e danças regionais a bordo.

A Valeverde oferece sete tipos de passeios fluviais. Eles duram de 1h30 a 7h e alguns deles incluem refeições a bordo. Dá para ver as luzes da cidade no entardecer ou conhecer algumas das ilhas próximas a Belém. Nos passeios mais longos, é possível ter um contato bem próximo com a vida da população ribeirinha.

Confira no site da Valeverde os perfis de cada um dos passeios realizados pela empresa.

 

5) Pegar um cinema

Um dos espaços internos da Estação das Docas é o teatro Maria Sylvia Nunes. Nele, são realizados eventos públicos e privados. Mas a sala também recebe o projeto Cine Estação. A programação de cinema foge do circuito comercial e traz títulos alternativos ou clássicos de várias épocas. É comum ver na programação mostras temáticas e filmes que emplacaram em festivais internacionais.

Para acompanhar a programação do Cine Estação, confira a página da Estação das Docas no Facebook.

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Lyon: uma cidade que vai te ganhar pelo estômago

Direto ao ponto: come-se MUITO bem em Lyon. A cidade é uma referência internacional na gastronomia, graças aos seus chefs renomados e restaurantes repletos de estrelas Michelin. Não é preciso…

Direto ao ponto: come-se MUITO bem em Lyon. A cidade é uma referência internacional na gastronomia, graças aos seus chefs renomados e restaurantes repletos de estrelas Michelin. Não é preciso muito esforço para encontrar uma boa refeição na cidade. Em Vieux Lyon e na região da Presqu’Île, dá para você escolher o lugar onde vai almoçar/jantar na base do uni-duni-tê. E com pouquíssimas chances de errar.

A tradição da cozinha vem do século 19, com a origem das Mères Lyonnaises. Eram mulheres que trabalhavam como cozinheiras nas casas de famílias burguesas. Elas se propunham a preparar pratos com ingredientes baratos e típicos da região. No período entre guerras, que coincidiu com a Grande Depressão de 1929, as Mères Lyonnaises viraram empreendedoras. Abriram seus restaurantes e começaram a construir a reputação da gastronomia da cidade.

Com a simplicidades das Mères, nasceu outra tradição: a dos bouchons. Este nome é dado aos restaurantes típicos de Lyon, que precisam atender a algumas características. Toalhas de mesa xadrez, decoração pitoresca, ambiente quase residencial, bom atendimento e pratos típicos. Apenas 22 restaurantes são reconhecidos como autênticos bouchons lyonnais por uma associação ligada ao ente turístico da cidade. A lista completa está aqui: http://lesbouchonslyonnais.org/

A logomarca que você vai encontrar nos bouchons legítimos


Mas há muitos bons restaurantes em Lyon, ainda que não tenham o selo oficial dos bouchons. Vou listar alguns onde comemos na nossa viagem em fevereiro de 2016.

Bouchon des Cordeliers

Obedece às tradições dos bouchons, mas não tem o selo oficial. Sofisticado e acolhedor, tem um cardápio repleto de especialidades lyonnaises. O restaurante oferece dois menus com entrada + prato principal + queijo ou sobremesa. O menu des canuts custa € 26,50 e dá direito a escolher qualquer item do cardápio. O menu des gones custa € 19,50 e tem opções mais limitadas.

Foto: Divulgação

De entrada, a Janaína escolheu o Saumon Gravelax, que é uma espécie de carpaccio de salmão curado com creme de cebolinha e presunto de parma. Eu fui na Salade Lyonnaise, que além das folhas, tinha cubos de carne de porco frita! Se você procura uma salada fitness, pule esse prato!

A salada lyonnaise do Bouchon des Cordeliers

Saumon Gravelax do Bouchon des Cordeliers. Foto: Leonardo Aquino

Pratos principais: a Janaína foi de salmão outra vez. Um salmão assado com risoto de lula feito de arroz negro. Espetacular! Foi a melhor refeição da viagem. Minha escolha foi mais sem graça: uma carne grelhada com molho de vinho do Porto. Muito boa, mas não tão deliciosa quanto o salmão.

O salmão com risoto de arroz negro, o prato campeão! Foto: Leonardo Aquino

Foto: Leonardo Aquino

De sobremesa, a Janaína foi de uma torta de pralinê com sorvete de creme. E eu, de crème brûlée. Nenhum dos dois foi inesquecível. Mas já estávamos bem satisfeitos com boa comida.

É bom fazer reserva para ir ao Bouchon des Cordeliers. Além de todos os contatos, o site do restaurante também tem o cardápio completo: http://www.bouchondescordeliers.com/

 

Les Halles de Lyon Paul Bocuse

É o mercado gastronômico da cidade. É batizado em homenagem a Paul Bocuse, o chef mais renomado de Lyon, que também é dono de várias brasseries na cidade. Pelos corredores de Les Halles, você vai encontrar um pouco de tudo. Queijos, vinhos, chocolates, carnes, peixes, frutos do mar… Tudo fresquinho e arrumado como se fossem vitrines de boutiques de shopping. Dá vontade de ter dois estômagos e recursos ilimitados para experimentar o máximo de coisas.

Foto: Leonardo Aquino

Há também vários restaurantes típicos. Para almoçar ou jantar, sempre há boas opções. Mas é bom consultar antes porque nem todos os locais têm o mesmo horário de funcionamento. O site do mercado é http://www.halles-de-lyon-paulbocuse.com/

Paul Bocuse homenageado num dos “murs paintés” de Lyon. Foto: Leonardo Aquino

Chez Les Gones

É um dos bouchons localizados em Les Halles de Lyon. Ele tem um balcão no piso térreo e um salão bem mais espaçoso no terraço. Também não possui o selo oficial dos bouchons, mas tem ótimos pratos típicos. Possui três tipos de menu. O Menu Bistrot (€ 19) tem entrada + prato principal ou queijo ou sobremesa. O Menu Des Gones (€ 23) tem entrada + prato principal + queijo ou sobremesa. O mais completo é o Menu Des Halles (€ 26,50), com entrada + prato principal + queijo + sobremesa.

Foto: Divulgação – Les Halles de Lyon

Só fiz o registro dos nossos pratos principais. A Janaína escolheu um tartare de carne. Muito bem servido e bem temperado! Eu fui numa das especialidades lyonnaises: a quenelle, uma espécie de bolinho de carne ou peixe. A carne ou peixe é processada e ligada com clara de ovo, nata, ovos ou manteiga e farinha. O sabor é o de uma massa recheada, como um ravióli. Mas com temperos bem típicos da França.

À direita, a famosa quennelle. Foto: Leonardo Aquino

O tartare de carne do Chez Les Gones. Foto: Leonardo Aquino

L’Un de Sens

Esse está mais para bistrô do que para bouchon. Ambiente sofisticado e atenção simples. Apenas dois funcionários (um na cozinha e outro no salão) e um menu bem enxuto. A opção de menu do dia é trazida num quadro escrito a giz pelo funcionário do salão. E há um ambiente bem interessante: a adega subterrânea, com jeito de caverna, onde você também pode sentar.

A cave do L’Un de Sens. Foto: Divulgação

Escolhi um prato que talvez seja mais nacional que regional: o magret de canard (peito de pato) assado, com uma redução de framboesa. Estava delicioso! A Janaína escolheu o prato do dia: um atum com molho de mariscos e legumes ao vapor. Disse que não estava tão bom assim. Não teve a mesma sorte…

O magret de canard do L’Un de Sens. Foto: Leonardo Aquino

Foto: Leonardo Aquino

Para ver o cardápio e outras informações sobre o L’Un De Sens, veja a página do restaurante no Facebook: https://www.facebook.com/Lundessens69/

 

Nord Sud Brasseries

Não chegamos a ir em nenhuma deles, mas vale o registro da dica. São os restaurantes mais “populares” do chef Paul Bocuse em Lyon. “Brasserie” é o nome dado a restaurantes com ambiente mais descontraídos (para os padrões franceses, claro). Os principais de Bocuse levam os nomes dos pontos cardeais, dependendo de onde ficam no mapa da cidade: Nord, Sud, Est e Ouest. Além disso, há outras quatro unidades, uma delas dentro do estádio do Olympique Lyonnais!

Brasserie des Lumières, dentro do estádio do Olympique Lyonnais! Foto: Divulgação


Cada uma das Brasseries Nord Sud tem seu cardápio específico dedicado a uma região da França. E todos têm cardápios de inverno e de verão. Então ir em épocas diferentes pode significar experiências completamente distintas. Todos os restaurantes oferecem menus fechados: € 23,10 para dois pratos e € 26,50 para três. O Juninho Pernambucano, quando deu suas dicas sobre Lyon, indicou a Brasserie L’Ouest, onde costumava ir quando morava na cidade.

Brasserie L’Ouest, a favorita de Juninho Pernambucano. Foto: Divulgação

Os endereços, cardápios e contatos para reservas de todas as brasseries do grupo estão no site: http://www.nordsudbrasseries.com/

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Bruges: muito além de um bate-volta na Bélgica

São grandes as chances de você ter ouvido falar de Bruges por dois motivos. Um deles é o filme “Na Mira do Chefe” (tradução dada no Brasil para “In Bruges”),…

São grandes as chances de você ter ouvido falar de Bruges por dois motivos. Um deles é o filme “Na Mira do Chefe” (tradução dada no Brasil para “In Bruges”), com Colin Farrell e Brendan Gleeson, uma comédia de humor negro ambientada lá. O outro é que a cidade costuma estar na rota de viagens bate-volta a partir de Bruxelas ou de passeios de um dia para quem está se deslocando entre Paris e Amsterdam. A real é que Bruges oferece muito mais do que você imagina a partir dessas duas referências. E quanto mais tempo você dedicar a essa pérola medieval, mais rica será a sua viagem.

Bruges tem uma série de credenciais. É considerada Patrimônio Mundial pela Unesco. Além disso, ostenta desde 2002 o título de Capital Cultural da Europa. Há vários motivos para tanto reconhecimento. Entre eles, um centro histórico medieval preservado de forma única. Ou as obras de mestres das artes plásticas espalhadas pelos museus e igrejas. Ou ainda os canais que cortam a cidade e oferecem visuais românticos para onde quer que se olhe. E ainda há muitas outras razões para Bruges merecer esse status…

Foto: Toerisme Brugge – Jan D’Hondt

Para começo de conversa, é bom saber que a cidade tem duas grafias. Isso se deve ao fato de a Bélgica ser um país bilíngue. Brugge é a grafia em holandês, o idioma falado na região do Flandres (onde a cidade fica situada). Bruges é a versão em francês, a outra língua oficial da Bélgica. Como a maior parte dos outros idiomas adota a grafia francesa ao se referir à cidade, este post também vai segui-la.

Aliás, falando em línguas, é o holandês que você vai ler e ouvir mais facilmente em Bruges. Os moradores até que se comunicam em francês com os turistas. Mas se percebem que a pessoa está há bastante tempo na cidade, passam a implicar. Se você tiver dificuldade para aprender algumas frases básicas em holandês, é melhor se comunicar em inglês.

Bruges fica a 100 quilômetros de Bruxelas. Há viagens regulares de trem entre uma cidade e outra ao longo de todo o dia. Os trens saem a cada 15 minutos, em média, e o trajeto dura ao redor de uma hora. Por isso, muita gente trabalha na capital e mora em Bruges ou vice-versa. A cidade abriga 20 mil habitantes em seu centro histórico e outros 100 mil nos arredores da área medieval.

Foto: Leonardo Aquino

A avenida que fica logo em frente à estação de trem é a única via em que você verá carros andando em média ou alta velocidade por um bom tempo. Ao atravessá-la, você entra num portal rumo à Idade Média, com ruas estreitas de paralelepípedos, construções de quase 800 anos e algumas pequenas amostras do pensamento “old is cool”. É possível, por exemplo, passear de charrete pela cidade. Os cavalos são muito peludos e grandes perto dos que eu já havia visto em outros lugares. E estão por toda parte no centro histórico de Bruges. Olhe para os dois lados antes de atravessar a rua para não correr o risco de ser atropelado por um alazão.

Charrete no centro de Bruges. Foto: Toerisme Brugge – Jan D’Hondt

Mas é a pé que se entra profundamente na alma de Bruges. A cidade é uma daquelas que recompensam o viajante que se perde pelas suas ruas. É fácil se perder e ainda mais fácil se reencontrar em Bruges. E todo erro de caminho será recompensado por algum visual inesquecível. Se você não estiver fazendo um bate-volta nem viajando com horas contadas, faça longas caminhadas sem roteiro. Você não se arrependerá.

Outra forma de conhecer Bruges é nos passeios de barco pelos canais. A comparação com Veneza ou Amsterdam é inevitável, mas a cidade belga tem um charme especial pela sua longa e interessantíssima história. A Bootex é uma das empresas que fazem esses passeios (8 euros por pessoa). Confira no site: http://www.boottochten-brugge.be/en

Bruges e seus canais. Foto: Toerisme Brugge – Jan Darthet

Uma história de cristianismo e capitalismo

Bruges foi fundamental na época prévia às grandes navegações. No século 13, o porto da cidade foi um grande entreposto comercial. Muitos mercadores, armadores e agentes de câmbio circulavam por lá. Eles se reuniam para fazer transações financeiras num casarão no centro da cidade. O imóvel pertencia a uma família chamada Van Der Buerse. A grande movimentação de dinheiro criou a fama da “Bruges Burse”, ou seja, da “Bolsa de Bruges”. Foi uma das primeiras menções à expressão “bolsa de valores”. E assim, Bruges teve sua parte na invenção do capitalismo.

Além da história do comércio, Bruges também tem uma grande importância no catolicismo. A cidade recebeu uma relíquia sagrada: o Santo Sangue. Diz a lenda que uma gota do sangue de Jesus foi trazida da Terra Santa no século 12 e ficou abrigada em Bruges desde então. Hoje ela está num frasco de cristal dentro da Heilig-Bloedbasiliek (a Basílica do Santo Sangue) e de lá só sai na Procissão do Santo Sangue, no dia da Ascensão do Senhor. A festa é católica, mas é também um feriado celebrado à mesa, com muita comida e bebida.

Basílica do Santo Sangue. Foto: Toerisme Brugge – Jan D’Hondt

Gastronomia

Falou em comida e bebida? Bruges não vai te decepcionar neste sentido. A cidade está repleta de restaurantes que servem as especialidades belgas. A principal é o “moules frites”, um prato de mexilhões cozidos ao vinho, acompanhados de batatas fritas.

Foto: Leonardo Aquino

Já falamos do altíssimo nível das batatas fritas na Bélgica, né? Pois, além de tudo, Bruges tem um museu dedicado a elas, o Frietmuseum (conheça no site http://www.frietmuseum.be). Outra especialidade belga também tem um museu especial em Bruges: o chocolate é o astro do Choco Story (site – http://choco-story-brugge.be)

Em relação à bebida, os bares de Bruges estão muito bem servidos das deliciosas cervejas belgas. Um deles virou ponto turístico. O 2Be possui uma parede com mais de mil garrafas de cervejas locais. Quem aprecia a bebida, pode entrar e escolher entre 16 torneiras de chope e uma infindável variedade de rótulos engarrafados. Quem não curte, pode pelo menos tirar a foto no paredão. Confira outras informações no site – http://www.2-be.biz/en/2BeBar.php

Foto: Divulgação 2Be Bruges

Quando estivemos em Bruges, em fevereiro de 2017, tivemos o privilégio da ótima companhia de um baita guia local. O Edvan Coutinho é um jornalista com quem trabalhei em duas emissoras de TV em Belém. Ele mora em Bruges desde 2007 e, além de ser um dos caras mais cultos que conheço, está concluindo um curso de formação para guia oficial da cidade. Portanto, as dicas que ele nos passou não são quaisquer dicas.

Aí vão algumas sugestões para você montar o seu roteiro em Bruges, baseadas nas informações que o Edvan nos passou e também no que vimos pela cidade:

Beginjhof

No século 13, este convento abrigava mulheres emancipadas que, apesar de não serem freiras, dedicavam a vida à religião e eram celibatárias. Hoje, o local é a residência de freiras da Ordem de São Benedito. Os turistas podem percorrer o pátio e o jardim e entrar em uma das casas que é aberta para visitação. O ingresso para adultos custa 2 euros.

Begijnhof. Foto: Toerisme Brugge – Jan D’Hondt

Sint-Janshospital

No século 13, ele funcionava como hospital. Hoje é um dos principais museus da cidade. O destaque é o acervo de obras de Hans Memling, um dos grandes nomes da pintura na região de Flandres nos séculos 14 e 15. Os pintores dessa geração são chamados de flamengos primitivos, mas o termo causa polêmica. “Prefiro o termo ‘flamengo renascentista, pois o primitivo é pejorativo. Foi empregado pelos italianos que morriam de inveja dos mestres de Flandres”, explica Edvan Coutinho.

O museu funciona de terça a domingo, das 9h30 às 17h. Os ingressos para adultos custam 8 euros. Outras informações no site – www.museabrugge.be – ou na página do Facebook – https://www.facebook.com/MuseaBrugge

Interior do Sint-Janshospital. Foto: Toerisme Brugge – Jan D’Hondt

Onze-Lieve Vrouwekerk

É a Igreja de Nossa Senhora, que fica em frente ao Sint-Janhospital. Ela possui a maior torre de tijolos da Europa, com 115,5 metros. A famosa escultura Madonna de Bruges, de Michelangelo, está lá, assim como inúmeras pinturas e sepulcros do século 13. A entrada na igreja é grátis. A do museu custa 6 euros. De segunda a sábado, o horário de funcionamento é das 9h30 às 17h. Aos domingos, das 13h30 às 17h.

A torre da Onze-Lieve Vrouwekerk. Foto: Toerisme Brugge – Jan D’Hondt

Rozenhoedkaai

É o ponto de onde se tem uma das vistas mais bonitas da cidade. À beira de um canal, dá para ver a torre da Prefeitura e a Belfort (sobre a qual falaremos adiante). Sua foto perfeita de Bruges tem grandes chances de ser tirada aqui.

A vista do Rozenhoedkaai. Foto: Toerisme Brugge – Jan D’Hondt

Markt

É a praça principal de Bruges, rodeada por prédios de épocas diferentes, do século 13 ao 19. É o principal ponto de referência da cidade, onde estão também muitos bares e restaurantes.

Markt. Foto: Leonardo Aquino

Belfort

É a construção de maior destaque na região do Markt. Possui uma torre de 83 metros de altura cuja construção começou no século 13 e só terminou no século 15. O topo da torre está aberto à visitação. Mas esteja disposto: são 366 degraus para subir. Nada de elevador! Quem tiver pulmão para essa subida vai ser recompensado por uma linda vista panorâmica da cidade. A torre está aberta diariamente, das 9h30 às 18h. Os ingressos custam 10 euros.

A imponência da Belfort. Foto: Toerisme Brugge – Jan D’Hondt

Concertgebouw Brugge

É a principal sala de concertos da cidade. Foi inaugurada em 2002 e tem o projeto assinado por dois arquitetos belgas, Paul Robbrecht e Hilde Daem. Foi uma construção polêmica, já que uma parte dos moradores achava que o design do prédio destoava do padrão medieval da cidade. Apesar disso, o Concertgebouw se consolidou como uma das melhores salas de espetáculos da Europa, com uma acústica impecável e uma movimentada temporada de concertos. Para conferir a agenda e comprar ingressos, acesse o site: https://www.concertgebouw.be

Foto: Divulgação

 

Bar Des Amis

Ambiente despojado, atendentes descolados, cervejas locais, drinks clássicos e autorais. Não duvido ser o único lugar onde você pode tomar uma caipirinha em Bruges. É um ótimo local para um happy hour a qualquer momento do dia. Informações na página do Facebook – https://www.facebook.com/bardesamisbrugge/

Bar Des Amis. Foto: Leonardo Aquino

Café Vlissinghe

Você não encontrará nenhum lugar mais histórico para tomar uma cerveja. O Vlissinghe está orgulhosamente aberto desde 1515. Ou seja, é um bar mais antigo que muitas cidades brasileiras. Não se acanhe com a longa mesa no salão principal. Ela pode ser compartilhada por turmas diferentes. E experimente a cerveja da casa! O bar fecha às segundas e terças. De quarta a sábado, ele abre das 11h às 22h. Aos domingos, das 11 às 19h.

Café Vlissinghe. Foto: Leonardo Aquino

 

Por último, mas não menos importante…

P.S. 1: Caso você queira fazer um tour em português, o Edvan Coutinho é o único guia oficial brasileiro em Bruges. O e-mail dele é [email protected]. Se quiser agendar um passeio pela cidade, escreva para ele com pelo menos uma semana de antecedência.

P.S. 2: Para outras dicas ainda mais “insider”, acesse a página de Bruges no sensacional guia Use It: http://www.bruges.use-it.travel/

P.S. 3: O filme “Na Mira do Chefe”, sobre o qual falamos no começo do post, está disponível no Netflix (ou pelo menos estava quando este artigo foi publicado). É a história de dois matadores de aluguel que receberam um “castigo” do principal contratante deles: passar duas semanas em Bruges enquanto esperam ordens. Raymond (Colin Farrell) detesta a cidade. Já Ken (Brendan Gleeson) se integra ao dia-a-dia e descobre aos poucos a beleza de Bruges.

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Berlim: 6 segredinhos para descobrir na capital alemã

Uma metrópole pode oferecer a seus visitantes infinitos tipos de experiência. Quanto maior a cidade, mais facetas ela tem. Vida noturna ou passeios ao ar livre. Museus de renome internacional…

Uma metrópole pode oferecer a seus visitantes infinitos tipos de experiência. Quanto maior a cidade, mais facetas ela tem. Vida noturna ou passeios ao ar livre. Museus de renome internacional ou galerias conhecidas apenas pelos artistas locais. Restaurantes de franquia ou bistrôs familiares. Berlim é uma dessas cidades e cada ida até lá pode ter roteiros completamente distintos uns dos outros.

Estive na capital alemã em junho de 2015 e fiz um roteiro mesclado. Primeiro, listei locais nos quais já tinha interesse, como a Siegessaule, o Museu da Alemanha Oriental e a rota temática de David Bowie (sobre a qual escrevi neste post). Segundo, deixei um espaço para indicações de amigos e para descobertas aleatórias (que quase sempre são as melhores de uma viagem).

Resolvi compartilhar com vocês alguns desses achados que fiz. Assim, você que está planejando uma viagem a Berlim pode incluir essas dicas no seu roteiro. Pode confiar como se fosse um velho amigo!

 

Shiso Burger

Foto: awesomeberlin.net

Foto: awesomeberlin.net

É um lugar que mistura gloriosamente a culinária asiática e a cultura do hambúrguer. As receitas são todas autorais e contém algum detalhe oriental. Seja pelas folhas de shiso (uma planta parente da hortelã muito popular no Japão), pelo molho teriyaki ou pelo chili coreano.

Foi o lugar onde fiz minha primeira refeição em Berlim e garanto a vocês que a viagem não poderia ter um começo melhor. Escolhi o Chili Lemon Burger. Além dos ingredientes padrão de um sanduba (queijo cheddar, alface, tomate, picles, cebolas) e da maionese de limão e do chili que o batizam, ele tinha COENTRO. Sim, folhas de coentro no hambúrguer! Nunca imaginei que sairia do Recife para comer um sanduíche com coentro na Alemanha. Mas o resultado foi delicioso.

A emoção de ver um sanduba com COENTRO em Berlim foi tão grande que até tremi a foto

A emoção de ver um sanduba com COENTRO em Berlim foi tão grande que até tremi a foto

O menu completo do Shiso Burger pode ser conferido no site do restaurante. Todos os sandubas de carne são feitos com bife Angus, podendo-se fazer um upgrade para Wagyu (raça que produz o Kobe Beef) por 2,90 euros. Há opções vegetarianas como o Toad Burger (com cogumelos Portobello) e o Veggie Burger (com tofu e berinjela grelhada).

Um detalhe muito importante: leve dinheiro em espécie porque o Shiso não aceita cartões!

 

Endereço: Auguststr. 29c. 10119 Berlin Mitte
Site: http://en.shisoburger.de/
Facebook: https://www.facebook.com/ShisoBurger/

 

MacLaren’s Pub

It´s gonna be legen... wait for it... DARY!

It´s gonna be legen… wait for it… DARY!

Quem assistiu (ou ainda assiste) à série How I Met Your Mother, sabe que o epicentro de quase todos os episódios é o pub favorito dos protagonistas, o MacLaren´s. Quando fui a Nova York, em setembro de 2013, conheci o McGee´s, pub que inspirou a série e que tem várias fotos alusivas a ela nas paredes. Mas foi em Berlim que descobri uma réplica absolutamente fiel e com cinco estrelas na categoria “local temático”.

O MacLaren´s alemão não tem apenas o nome idêntico ao do pub da série. A fachada e o letreiro principal são iguais. No interior do bar, há vários itens que os fãs de HIMYM reconhecerão num piscar de olhos. A trombeta azul, a faixa com a palavra “Intervention” e o guarda-chuva amarelo estão lá (e alguns deles estão à venda).

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O cardápio também tem itens inspirados nas histórias da série. Os drinks e shots têm nomes como “Sex In Ted´s Room”, “Robin Sparkles” e “The Naked Man”. E os cinco tipos de hambúrgueres levam os nomes dos personagens principais. Awesome!

 

Endereço: Boxhagener Strasse 16. 10245 Berlin
Site: http://www.maclarens.de/
Facebook: https://www.facebook.com/maclarenspubberlin/

 

Tarantino’s Bar

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Foto: Divulgação

Já que falamos em bar temático, este aqui é uma parada obrigatória para os fãs de cinema. O legado de Quentin Tarantino está em toda parte. Pôsteres nas paredes, filmes sendo exibidos num telão (não tão “ão” assim, afinal não é um cinema) e uma iluminação avermelhada à la Pulp Fiction. Apesar de ter happy hours com drinks a 5 euros de terça a quinta-feira (das 19h à meia-noite), é uma ótima pedida para um fim de noite. Sexta-feira é dia de DJs na casa, tornando o Tarantino´s uma das grandes indicações para a noite de Berlim. Dizem que o Tarantino em pessoa já esteve no bar que o homenageia, assim como atores habitués dos filmes dele, como Brad Pitt.

 

Endereço: Brunnenstr, 163. 10119 Berlin
Site: http://tarantinos-bar.de/

 

Museu de Instrumentos Musicais (Musikinstrumenten-Museum)

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Esta foi uma descoberta completamente aleatória. Andando por perto do Sony Center, na Potsdamer Platz, o letreiro deste museu me chamou a atenção, ainda que fosse discreto. Paguei os 6 euros da entrada e não me arrependi. O acervo de instrumentos musicais é impressionante. Há peças originárias do século 16 em diante. Muitos deles são restaurados pelo próprio museu. O acervo tem 3300 itens, mas apenas 800 estão em exibição. Imagine as relíquias que ainda estão sem condições de expor!

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Há instrumentos barrocos, precursores dos sintetizadores e um gigantesco órgão Wurlitzer. Ele foi construído em 1929 para fazer a trilha sonora ao vivo de filmes mudos no cinema. Tem mais de 1200 canos e ainda funciona perfeitamente. Uma performance ao vivo no órgão é feita ao final dos passeios guiados, realizados às quintas-feiras (18h) e sábados (11h).

O órgão Wurlitzer gigantesco

O órgão Wurlitzer gigantesco

Se você quiser explorar um pouco mais, há também uma biblioteca especializada em música. O museu faz parte do Fórum Cultural de Berlim, que fica localizado atrás do prédio da famosa Orquestra Filarmônica da cidade.

Endereço: Tiergartenstr, 1. 10785 Berlin
Site: http://www.mim-berlin.de/

 

Mustafa’s Gemüse Kebab

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Outra descoberta quase aleatória que fiz em Berlim. Estava andando com um casal de amigos em Kreuzberg, um bairro que é conhecido por abrigar a enorme colônia turca na cidade. Fizemos a associação imediata e tivemos a ideia de comer kebab. Procurando pelo Foursquare, encontrei a dica deste aqui e fomos andando atrás. Chegando perto, já vimos uma fila deste tamanho em frente a um quiosque na calçada.

A fila do kebab. Imagina se fosse de graça...

A fila do kebab. Imagina se fosse de graça…

Era um meio de tarde de uma sexta-feira. Ou seja: não deveria ser horário de pico. Então a fila deveria ser sinal de comida boa, e não de atendimento ruim. Banquei a escolha, apesar da enorme fome que sentíamos. Foram cerca de 45 minutos na fila e digo a vocês: a espera valeu cada volta dos ponteiros do relógio.

Quase uma hora depois, um kebab que nunca esqueci

Quase uma hora depois, um kebab que nunca esqueci

Pense num kebab delicioso! O pão tostadinho na medida e o recheio absurdamente bem temperado. E o melhor de tudo: super barato. De 2,90 a 3,90 euros, dependendo do tipo (döner ou durum). E, apesar da fila gigantesca, os kebabs saem bem rápido. Coisa de você esperar menos de 2 minutos quando chega a sua vez. Para nós, ficou a lição: tente saber muito bem a fila que você vai enfrentar.

 

Endereço: Mehringdamm 32, 10961 Berlin
Site: www.mustafas.de
Facebook: https://www.facebook.com/mustafasgemuesekebab/

 

Ständige Vertretung

Lá onde a coruja bebe

Lá onde a coruja bebe

Outro bar que descobrimos por acaso nesta viagem em junho de 2015. Éramos eu e mais quatro amigos que estávamos frustrados por não ter conseguido ingressos para a final da Champions League. Procuramos um bom lugar para assistir ao jogo e rodamos várias partes da cidade. Todos lotados. Até que encontramos este aqui que tinha uma mesinha disponível e suficiente para nós.

Por causa do nome difícil de pronunciar (para quem não fala alemão como eu) e da logomarca, informalmente batizei o local de “Bar da Coruja”. Aos poucos fui entendendo do que se tratava. É um bar regional, dedicado às tradições da Renânia, a região ocidental da Alemanha que fica junto ao rio Reno. Além das cervejas e das comidas típicas de lá (da cidade de Colônia, por exemplo), o bar oferece um bom mergulho na história política recente da Alemanha.

Antes de ser a premiê da Alemanha, Angela Merkel tomou umas por aqui. Foto: Divulgação

Antes de ser a premiê da Alemanha, Angela Merkel tomou umas por aqui. Foto: Divulgação

A tradução do nome do bar para o português é algo como “representação temporária”. Na época da Alemanha dividida, as repúblicas Oriental e Ocidental não tinham embaixadas do outro lado do muro. E sim as representações temporárias. A capital do lado comunista era Bonn, que fica na Renânia e fez com que essa região tivesse uma importância histórica muito grande no país. Fotos de políticos em visita ao bar decoram algumas paredes. E os donos sempre estão por lá. Um deles, Friedel Drautzburg, assistiu à final da Champions quase ao nosso lado.

Seu Fulano, impressionado com o Neymar

Seu Friedel, impressionado com o Neymar

Endereço: Schiffbauerdamm 8, 10117 Berlin
Site: http://www.staev.de/
Facebook: https://www.facebook.com/staevberlin

Nenhum comentário em Berlim: 6 segredinhos para descobrir na capital alemã

Recife: dicas para curtir a cidade como um morador

Se tem uma coisa que cai por terra assim que você conhece bem o Recife é o mau e velho estereótipo. Basta um pouco de esforço e bons contatos ao…

Se tem uma coisa que cai por terra assim que você conhece bem o Recife é o mau e velho estereótipo. Basta um pouco de esforço e bons contatos ao viajante. Bem rapidinho, todas aquelas ideias pré-concebidas sobre uma cidade desaparecem.

Assim como quase todas as capitais do Nordeste, a de Pernambuco tem praia. Mas possui uma vida intensa e interessantíssima fora dela. O carnaval é um dos mais animados do Brasil. Mas quem quiser curtir a cidade fora de fevereiro vai gamar do mesmo jeito que um folião no Marco Zero. Talvez a única coisa que não vá lhe surpreender no Recife é o bairrismo de sua gente. Ai de você se não concordar que o Sport é o maior clube do Nordeste ou que a Caxangá é a maior avenida do mundo em linha reta…

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Ou seja, o Recife tem pratos cheios para os visitantes que não se limitam às indicações dos guias tradicionais. A água de coco na beira da praia está lá, mas os inferninhos alternativos também. A foto com a sombrinha de frevo no Recife Antigo sempre é uma possibilidade, mas por que não conhecer museus que muitos moradores nunca visitaram? E, em vez de comer naquele restaurante de franquia que tem em toda capital, por que não ir atrás de algum mais autêntico?

 

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Moro no Recife desde 2011, tempo suficiente para abandonar as dicas campeãs da mesmice e mapear a cidade do jeito que eu curto: um lado B que mistura lugares pouco badalados, tradições que valem a pena e boas novidades. Separei aqui algumas indicações que vão servir tanto para quem visita a cidade pela primeira vez quanto para os moradores. Espero que curtam!

Para comer caranguejo – CANECA FINA 

Caranguejo pernambucano é caranguejo COM VERDURA

Caranguejo pernambucano é caranguejo COM VERDURA

O movimento manguebeat trouxe o caranguejo para o imaginário de quem não conhece o Recife. Então é inevitável que os apreciadores do crustáceo sintam suspiros na cidade. Esses aí precisam conhecer o Caneca Fina, um restaurante que fica no bairro da Madalena, na Zona Norte da cidade, e funciona de domingo a domingo.

O ambiente é bem simples e não tem ar condicionado. Mas quem precisa de climatização quando se tem caranguejo? No Caneca, a unidade sai a partir de R$ 4,90, sem acompanhamentos. O restante do cardápio é dominado pela comida regional: tem desde arrumadinho de charque até tripinha frita, de dobradinha a sarapatel. Para acompanhar, a cerveja de lá está sempre geladíssima e com alguma promoção, tipo Devassa Puro Malte a R$ 6 ou Original a R$ 8.

Endereço: Av Visconde de Albuquerque, 807, Madalena
Telefone: (81) 3877.9001
Facebook: facebook.com/canecafina
Horário de funcionamento: segunda a quinta, das 11h30 às 23h45; sexta das 11h30 às 2h; sábado das 11h à 1h; domingo das 11h às 22h.

 

Para tomar cerveja sem medo de olhar a conta – BEERDOCK 

Foto: Facebook/Beerdock

Foto: Facebook/Beerdock

As cervejas artesanais estão na moda e toda grande cidade tem pelo menos um lugar dedicado a elas. Alguns são metidos a besta. Outros, mais simples. A maioria não entrega o que promete. E o Beerdock não se enquadra em nenhuma dessas descrições.

O bar foi inaugurado em 2015 e, mesmo com as portas recém-abertas, já se tornou o melhor lugar para tomar cervejas ~diferenciadas~ no Recife. O principal chamariz é a quantidade de torneiras: 15, um recorde na região Nordeste. Elas estão sempre abastecidas de chopes importados, nacionais e até locais (como Ekaut, Debron e Duvália). O ótimo atendimento também conta muito. O staff é extremamente atencioso e bem treinado para ajudar você a escolher entre as centenas de opções.

Os pontos negativos são dois. O primeiro é o preço. Tomar cerveja boa não é barato e, no Beerdock, se você se empolgar, gasta 100 reais estalando os dedos. O segundo é a lotação. Faz um bocado de tempo que não consigo ir lá à noite sem que o bar esteja cheio. À tarde ou no happy hour é mais fácil de conseguir um lugar sossegado.

Endereço: Rua Desembargador Luiz Salazar, 98, Madalena (fica a poucos metros do Caneca Fina)
Telefone: (81) 3236.2423
Facebook: facebook.com/beerdockrecife
Site: http://www.beerdockrecife.com.br (a lista de cervejas nas torneiras está sempre atualizada lá)
Horário de funcionamento: terça a quinta, das 17h à 0h; sexta das 17h à 1h; sábado das 12h à 1h; domingo das 12h às 19h; fechado segunda.

 

Para curtir o clima de albergue sem se hospedar em um – RAMÓN HOSTEL BAR 

Foto: Divulgação / Ramón Hostel Bar

Foto: Divulgação / Ramón Hostel Bar

Quem já se hospedou num albergue sabe que, muitas vezes, nem é preciso sair dele para se divertir. Sempre tem gente de várias partes do mundo circulando pelo mesmo lobby, com a mente e sociabilidade abertas. Se houver um bar no meio, melhor ainda.

Mas e que tal você sentir essa atmosfera sem ser necessariamente um hóspede? Essa é a proposta do Ramón, que tem os dormitórios para os turistas e o bar aberto ao público. A decoração dá a dica: trata-se de um lugar internacional, criado por argentinos e visitado por outras tantas nacionalidades. Não é difícil ouvir um sotaque estrangeiro na mesa ao lado.

Há algumas especialidades argentinas no menu, como empanadas e choripán. Mas se tem uma coisa imperdível para comer lá são as pizzas, crocantes e deliciosas. A carta de drinks também é bem variada, com coquetéis clássicos e alguns autorais.

Endereço: Rua Olavo Bilac, 20, Boa Viagem
Telefone: (81) 3036.6930
Facebook: facebook.com/ramonhostelbar
Site: http://www.ramonhostelbar.com.br/
Horário de funcionamento: segundo a página no FB, o Ramón está “sempre aberto”. Mas, pelo que sei, o bar abre às 17h

 

Para a boemia de mercado – O BRAGANTINO 

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Beber no mercado é um hábito bastante apreciado pelos recifenses. Entre os mercados mais visitados pelos boêmios da cidade, estão o da Madalena, o da Boa Vista e o da Encruzilhada, onde fica o Bragantino. É um boteco português, como as bandeiras no salão denunciam. Lá você pode encontrar de tudo, inclusive comida portuguesa.

O Bragantino abre diariamente às 7h para o café da manhã. A essa hora do dia, o bar serve o desjejum dos nordestinos campeões: tem inhame, macaxeira, cuscuz (acompanhados de guisado, galinha ou bife), carne de sol, cabrito e rabada. No almoço, além dos pratos regionais (como galinha cabidela e chambaril), há opções especiais a cada dia. Terças e sábados tem bacalhau frito, afinal estamos falando de um boteco português.

E para não deixar as raízes lusitanas pouco cobertas, experimente o bolinho de bacalhau (que é pequeno porém muito bem recheado), a salada de bacalhau ou o pastel de nata, ora pois!

Endereço: Mercado da Encruzilhada
Telefone: (81) 99421.0926
Facebook: https://www.facebook.com/O-Bragantino-235756603131264/
Horário de funcionamento: diariamente a partir das 7h. Domingo até 13h, segunda a quinta até 16h, sexta e sábado até 17h.

 

Para conhecer um lugar que muitos moradores nem conhecem – MUSEU DO TREM 

Fachada da Estação Central Capiba. Foto: Costa Neto / Cultura PE

Fachada da Estação Central Capiba. Foto: Costa Neto / Cultura PE

Quem anda pelo centro do Recife muitas vezes passa batido por alguns lugares de rara beleza escondidos no meio da pressa. Encravado entre a Casa de Cultura e a Estação Central do Metrô, está um deles: o Museu do Trem de Pernambuco.

O equipamento está localizado onde antes havia a estação da Estrada Ferroviária Central de Pernambuco. Funcionou como museu entre 1972 e 1983 e passou mais de trinta anos fechado até ser reaberto em 2014 com o nome de Estação Central Capiba (em homenagem ao lendário compositor de frevos) e Museu do Trem de Pernambuco. A estação passou por uma grande reforma, que valorizou a belíssima arquitetura e o riquíssimo acervo.

As peças expostas reconstroem a memória das ferrovias no Estado. O visitante encontra desde apitos, bilheterias e relógios até locomotivas e vagões. Além disso, há recursos multimídia para complementar o mergulho na história. E o melhor de tudo: a entrada é gratuita.

Endereço: Rua Floriano Peixoto, s/n, São José
Telefone: (81) 3184.3197
Horário de funcionamento: terça a sexta, das 9h às 17h; sábado das 10h às 17h; domingo das 10h às 14h; fechado segunda.
Site: http://www.cultura.pe.gov.br/pagina/espacosculturais/museudotrem/

 

Para uma noite num inferninho – IRAQ

Foto: Bernardo Dantas

Foto: Bernardo Dantas

O lugar se chama Iraq e fica na Rua do Sossego. Só essa gostosa ironia já valeria a visita, mas tem muito mais história envolvendo esta casa no bairro da Boa Vista. O Iraq é um reduto clássico do underground recifense. Sempre foi um ponto de convergência de artistas e gente alternativa em geral. Já funcionou muitos anos como bar durante toda a semana. Hoje abre as portas apenas para festinhas nos fins de semana.

O clima é de inferninho. Luz baixa, intervenções artísticas nas paredes, espaço que lota fácil. Não espere a infraestrutura ou a alma asséptica de um bar da moda. Mas pode contar com bons sons (se você gosta de indie rock e música alternativa), seja com DJs ou bandas autorais. Às vezes as festas precisam de uma senha para entrar (algo como “cidade roubada”, por exemplo). Nada que uma boa rede de contatos ou uma pesquisa no Facebook não resolva.

Endereço: Rua do Sossego, 179, Boa Vista
Telefone: (81) 98536.5235
Facebook: não tem página oficial
Horário de funcionamento: impossível prever…

 

Para experimentar um sushi verdadeiro – ROBATA SUSHI WADAMON

O tirashi de salmão do Wadamon

O tirashi de salmão do Wadamon

Se você é daqueles que acha que sushi frito e cream cheese na culinária japonesa são heresias, saiba que no Recife tem um lugar que vai lhe acolher com carinho. O Robatta Sushi Wadamon (ou simplesmente Wadamon) é quase um templo da tradição da cozinha oriental.

O dono e sushiman é Miyuki Wada (conhecido pelos frequentadores como “Seu Wada”), um japonês que tem restaurantes na cidade há mais de 30 anos. Ele gosta de conversar com os clientes e, se você gostar do papo, vai ser doutrinado com os protocolos da degustação de sushi. Uma das principais lições se resume na frase: “peixe no shoyu, shoyu na língua”. E ah, segundo Seu Wada, sushi se come com as mãos. Nada de pauzinhos.

Só no Wadamon, encontra-se pratos como o tirashi, que é uma tigela com arroz oriental coberta com cebolinha e peixe levemente selado. Além disso, o restaurante tem o sunomono mais gostoso que já experimentei na vida. Mas se você não quiser experimentar algo tão roots, Seu Wada também prepara os sushis fritos para os “queijudinhos” (algo como “meninos leite com pêra” em pernambuquês). Ah, e um detalhe legal: o cardápio é bilíngue, português-japonês.

O cardápio bilíngue

O cardápio bilíngue

Endereço: Rua Oliveira Góes, 250 – Poço da Panela
Telefone: (81) 3033-3301
Facebook: não tem
Horário de funcionamento: de quinta a terça, das 12h às 15h e das 18h às 23h; fechado quarta.

 

Para conhecer um bairro especial – POÇO DA PANELA

Foto: turismonorecife.com.br / Prefeitura do Recife

Foto: turismonorecife.com.br / Prefeitura do Recife

Quando me mudei para o Recife e ouvi o nome Poço da Panela pela primeira vez, pensei que fosse o nome de um bloco de carnaval ou algo do gênero. Passa longe de ser, ainda que exista uma relação entre a vizinhança e a folia. Pelas ruas do Poço, costumam passar alguns blocos nas prévias e durante o carnaval em si. O mais conhecido se chama Os Barba.

O Poço é um bairro que fica na zona norte do Recife. Ele tem um clima meio de condomínio, meio de cidade do interior. Ele tem ruas de paralelepípedos, praças e é repleto de lindas casas. Talvez seja o único bairro residencial em áreas nobres da cidade que não foi dominado pela verticalização. É o resquício da cidade do século 19. Nessa época, o bairro era o point das casas de veraneio de muitas famílias abastadas, já que fica perto das margens do rio Capibaribe.

Mas o Poço não é legal só para quem mora nele. Há muitos lugares interessantes para conhecer, comer e se divertir. Um deles é o Fuê, um gastrobar com loja de vinhos e cervejas especiais que recebe shows de jazz e música instrumental ao ar livre (mais informações na página do Fuê no Facebook). Outro é a Chá com Chita, uma loja de produtos de design que também tem um café. Não deixe de experimentar o bolo de laranja, que é sensacional (conheça mais da Chá com Chita na página do Facebook). Tem também a tradicional Bodega do Seu Vital, point da boemia do Poço e palco de festinhas de forró.

6 comentários em Recife: dicas para curtir a cidade como um morador

Gran Canária: dicas de restaurantes, passeios e atrações

Depois de explicar por que escolhemos as Ilhas Canárias como destino de férias e como é a chegada à ilha de Gran Canária, tá na hora de enumerar as dicas…

Depois de explicar por que escolhemos as Ilhas Canárias como destino de férias e como é a chegada à ilha de Gran Canária, tá na hora de enumerar as dicas do que fazer por lá.

Comer

Allende (restaurante): especializado em tapas espanholas, foi o melhor jantar da nossa passagem por Gran Canária. Experimentamos as berinjelas fritas com mel de palma e a cazuela de polvo, ambos incríveis! O ambiente é ótimo para qualquer ocasião e a carta de vinhos é bem servida. O preço é acima da categoria “lanche do mochileiro” e abaixo da “impossível de pagar”. Contando com o vinho, nossa conta deu cerca de 20 euros por pessoa. O Allende está em três endereços e, no site do restaurante, você pode ver fotos bem legais e os cardápios atualizados.

As berinjelas fritas ao mel do Allende

 

Rockabilly (hamburgueria): decoração que faz jus ao nome e detalhes divertidos como a conta sendo trazida numa capa de filme VHS. A nossa veio na de “Psicopata Americano”. Os sanduíches são suculentos e saborosos. Experimentei o Horny, que tem queijo de cabra e cebola caramelizada. Os sanduíches custam de 6 a 9 euros. A Rockabilly não tem site, mas tem uma página no Facebook cheia de informações.

Sanduba + cerveja na Rockabilly

Sanduba + cerveja na Rockabilly

 

Dulcería Nublo (doceria): fica na cidade de Tejeda e tem o cardápio focado em amêndoas, uma especialidade da região. Tem de tudo com amêndoas: tortas, biscoitos, folhados… A unidade custa 1 euro. Se você almoçar em algum restaurante próximo, deixe a sobremesa para cá. Também não tem site, mas só a página no Facebook.

Dulceria Nublo, em Tejeda, é especializada em amêndoas: uma dica que catamos no Lonely Planet

Vitrine da Dulceria Nublo, em Tejeda

**** Confira ofertas de hotéis em Gran Canária **** 

 

Visitar

Vegueta: é o bairro histórico de Las Palmas. Tem ruas estreitas e as mansões canárias, além de abrigar o centro comercial (cujo epicentro é a rua Triana, exclusiva para pedestres) e uma grande parte da vida noturna e gastronômica. O destaque é a Casa de Colón. Diz-se que Cristóvão Colombo parou por ali antes da expedição de descoberta da América em 1492. Verdade ou mito, a casa é um dos principais exemplares da arquitetura canária e tem um acervo que remete às viagens do navegador italiano.

Fachada da Casa de Colón

Fachada da Casa de Colón

 

Museo Elder de la Ciencia y la Tecnología – somos alucinados por museus de ciência e este é pura diversão. Há muito conteúdo sobre astronomia, física, robótica e muitas outras coisas que parecem saídas do Mundo de Beakman. Logo na entrada, tem uma máquina de movimento infinito, daquelas com bolinhas que rolam sem parar depois de bater em geringonças. É um programaço para quem viaja com crianças. Além de toda a interatividade, há um cinema 3D cujos filmes estão incluídos no preço do ingresso. A entrada custa 6 euros, mas professores, pesquisadores, meios de comunicação e guias turísticos não pagam. Confira o serviço completo no site do Museu.

O Museu Eider é praticamente uma versão canária do Mundo de Beakman

O Museu Eider é praticamente uma versão canária do Mundo de Beakman

Pegando a estrada em Gran Canária

Vega de San Mateo: é uma cidade de menos de 10 mil habitantes que fica a 24km de Las Palmas de Gran Canária. Tem duas coisas bem legais para ver lá. Uma é o centro histórico, com casarões de fachadas de vários estilos. Do neoclássico ao canário típico. Outra atração é o mercado agrícola, um dos mais famosos da região, que funciona apenas aos sábados e domingos.

Não era dia de mercado quando fomos :(

Não era dia de mercado quando fomos 🙁

 

Tejeda: cidade que fica a 33km de Las Palmas de Gran Canária e diz ostentar o título de “el pueblo más lindo de España”. Um dia a gente volta para conhecer várias outras e tirar a prova, mas Tejeda vale a visita. Primeiro porque a chegada é uma aventura: estrada sinuosa que vai subindo do nível do mar a pouco mais de 1000 metros de altitude. Segundo porque a parte turística é realmente bonita: ruas de paralelepípedos e casarões com as varandas típicas da arquitetura canária. O ponto turístico mais visitado é a Cruz de Tejeda, de onde se pode ver praticamente toda a ilha: o litoral, o pico do Roque Nublo e outras cidades vizinhas.

Visão geral do centro histórico de Tejeda

Visão geral do centro histórico de Tejeda

 

Mirador Degollada de Las Yeguas: saindo de Tejeda em direção ao litoral sul, você vai passar por esse mirante. Reserve alguns minutos, pois a vista é de tirar o fôlego. É possível ver os planaltos, as montanhas e o oceano atlântico, ainda que um pouco longe. Garantimos que está no top 5 de paisagens que vimos nas Canárias.

A impressionante vista do Degollada de las Yeguas

A impressionante vista do Degollada de las Yeguas

 

Maspalomas: é o balneário mais visitado da ilha de Gran Canária. O movimento é grande principalmente ao redor da Playa del Ingles. A orla é ótima para caminhar e pegar o ventinho do final da tarde. Mas, se você procura algo distante da vibe ultraturística, melhor guardar o seu tempo para outras partes da ilha.

Um dia de sol em Maspalomas combina com sangría gelada

Um dia de sol em Maspalomas combina com sangría gelada

Comprar

Centro Comercial Las Terrazas: se você não conseguir tirar o dia de compras do seu roteiro de viagem, reserve algumas horas para este shopping que fica a cerca de 13km saindo de Las Palmas. Ele tem uma zona outlet, mas não é outlet enganação. São descontos realmente vantajosos em lojas como Levi´s, El Corte Inglés, Lacoste, Calvin Klein, Nike e Asics. Há ainda uma grande loja da Media Markt, especializada em eletroeletrônicos que também tem CDs, discos de vinil e filmes. Veja a lista completa de lojas no site do Las Terrazas.

33 Revoluciones: para quem curte garimpar discos de vinil, este é um bom lugar. O acervo é bem generoso, especialmente para quem curte psicodelia e rock progressivo. Mas se você procura relançamentos ou álbuns recentes, melhor passar adiante. A loja só trabalha com discos usados. Confira o site da loja.

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