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Círio de Nazaré: um guia para quem vai acompanhar pela primeira vez

Para quem nasce em Belém do Pará, é impossível desenvolver uma relação de indiferença com o Círio de Nazaré. A cidade é tão invadida por Nossa Senhora em outubro quanto…

Para quem nasce em Belém do Pará, é impossível desenvolver uma relação de indiferença com o Círio de Nazaré. A cidade é tão invadida por Nossa Senhora em outubro quanto por Papai Noel em dezembro. A publicidade local ganha peças especiais para a época. Os parentes que moram longe desembarcam quase todos na mesma semana. Quem é de rezar tem uma quinzena inteira para dedicar à devoção. Quem não é de rezar tem uma grande dose de confraternização, comida e algumas festas. Ou então se limita a reclamar do trânsito, que realmente fica insuportável.

É o maior evento de Belém, que leva mais de um milhão de pessoas às ruas da cidade, entre moradores e visitantes. E no meio dessa multidão, tem gente de vários perfis. De turistas que gastam uma nota para ver o Círio da varanda de um hotel cinco estrelas até peregrinos de cidades vizinhas que vêm a pé. Tem gente que vem de longe para expressar sua fé. E tem gente que vai contemplar a fé alheia. Os promesseiros do Círio de Nazaré atraem tantos olhares e suspiros quando a própria padroeira dos paraenses.

Minha relação com o Círio de Nazaré começou como a de quase qualquer belenense. Quando eu era muito pequeno, meus pais não costumavam me levar para a procissão por causa do sufoco e da aglomeração. Quando eu tinha 10, 11 anos, comecei a acompanha-los. Aos 19, já na faculdade de jornalismo, o Círio virou sinônimo de trabalho para mim. E muito! Jornalista que folga no Círio é tão raro quanto a neve em Belém.

Trabalhar no Círio de Nazaré distanciou um pouco a minha visão do lado espiritual da coisa. Mas ajudou a compreender questões mais práticas e objetivas do evento. Talvez tenha mesclado a minha vivência de nativo com um olhar de visitante. E acho que é uma mistura interessante para falar do Círio num blog de viagens.

Decidi escrever este post não com o objetivo de ser a principal fonte de informações históricas sobre o Círio. E sim pensando no viajante que pretende acompanhar a festividade pela primeira vez. Sei que chegar a Belém na segunda semana de outubro sem referência nenhuma deve deixar os romeiros estreantes meio baratinados. Espero que este artigo possa ajudar a facilitar a vida (e o planejamento da viagem) dessas pessoas!

 

Um pouco de história

Círio de Nazaré, Basílica Santuário

A Basílica Santuário de Nazaré. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

A devoção a Nossa Senhora de Nazaré no Pará tem origem numa lenda do início do século 18. Um pescador chamado Plácido encontrou uma imagem da santa às margens de um igarapé, palavra amazônica para riacho. Ele levou a imagem para casa. Mas, no dia seguinte, ela sumiu e reapareceu no mesmo local onde havia sido encontrada. A história se repetiu outras duas vezes até Plácido entender a mensagem: a santa queria permanecer naquele lugar.

O igarapé Murutucu, onde a imagem foi encontrada, acabou recebendo uma pequena capela para sediar a adoração a Nossa Senhora. A primeira procissão foi realizada em 1793. De lá para cá, o número de fiéis se multiplicou exponencialmente. A romaria se transformou em uma das maiores do mundo e a capelinha à beira do riacho virou a hoje imponente Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré.

Para conhecer um pouco mais sobre a história do Círio de Nazaré, acesse o site oficial do evento.

Quando acontece o Círio de Nazaré?

Círio de Nazaré, promesseira

Sempre há promesseiros que fazem o percurso do Círio de joelhos. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

Os primeiros Círios foram realizados em dezembro. Mas, desde 1901, a procissão ganhou a data fixa que tem até hoje: o segundo domingo de outubro. Essa não foi a única mudança em mais de 200 anos de história. Nas primeiras edições, a romaria saía à tarde. Hoje, a saída é às 6 da manhã. As alterações provavelmente foram para fugir do clima chuvoso de Belém, já que dezembro é um mês mais úmido e as chuvas são tradicionalmente vespertinas.

Há muito tempo o Círio de Nazaré não é apenas a procissão do domingo. Ao longo do século 20, foram criadas várias outras romarias para engordar a programação. A santinha viaja por terra e água para alcançar mais fiéis e percorre 140 quilômetros em doze procissões somadas. No total, entre eventos e romarias, a festa da padroeira dos paraenses dura vinte dias.

Para facilitar o seu planejamento, vamos organizar os eventos pelas datas em que são realizados. Usamos o calendário de 2017 como base, mas o post será editado nos anos seguintes com as datas atualizadas.

Antes do fim de semana do Círio

Círio de Nazaré, abertura oficial

Abertura do Círio de Nazaré. Foto: Mácio Ferreira (Agência Pará)

Na terça-feira que antecede a grande procissão, é realizada a abertura oficial do Círio. Em 2017, ela cai no dia 3 de outubro. É uma missa solene na Basílica Santuário, com a presença da diretoria da festa, da arquidiocese de Belém e de autoridades da cidade. Começa às 18h.

Mas o primeiro evento cercado de expectativa dos fiéis acontece na quinta-feira (em 2017, 5 de outubro): a missa de apresentação do manto, também na Basílica Santuário. A cada ano, o manto que cobre a imagem de Nossa Senhora em todas as romarias é diferente. A confecção é mantida sob sigilo absoluto pela diretoria da festa até o dia do evento, que começa às 18h. Não são eventos para pautar a data da sua chegada. Só se você já estiver na cidade e for muito devoto.

Apresentação do manto de Nossa Senhora. Foto: Divulgação / Fundação Nazaré

 

Sexta-feira, 06/10/2017

Círio de Nazaré, Traslado

As ruas movimentadas no dia do Traslado. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

Traslado

A antevéspera do Círio de Nazaré é o dia da primeira das doze romarias, o Traslado. Ela sai às 7 da manhã e é a mais longa de todas. O percurso tem 52 quilômetros e vai da Basílica Santuário, em Belém, até a Igreja de Matriz de Ananindeua, município vizinho à capital paraense. A imagem de Nossa Senhora é colocada sobre um carro da Polícia Rodoviária Federal. O roteiro passa por vários bairros de Belém, Ananindeua e Marituba (outra cidade da região metropolitana). No caminho, o comboio faz algumas paradas para homenagens em frente a prédios de órgãos públicos e hospitais.

 

Auto do Círio

À noite, o centro histórico de Belém é ocupado por um dos eventos mais tradicionais da programação extraoficial da festividade. O Auto do Círio é um cortejo organizado há mais de duas décadas pela UFPA, por meio da Escola de Teatro e Dança. Pelas ruas da Cidade Velha, artistas profissionais e amadores encenam um espetáculo que celebra a cultura e a história de Belém e do Círio.

Círio de Nazaré, Auto do Círio

Auto do Círio. Foto: Cristino Martins – Agência Pará

 

Festival Lambateria

Você pode aproveitar a ida à Cidade Velha para curtir uma noite de música paraense no Festival Lambateria. A Lambateria é uma festa (da qual já falamos no post sobre dicas de Belém) em que toca guitarrada, carimbó, tecnobrega e outros ritmos tradicionais e modernos da Amazônia. A escalação do festival está imperdível e tem como principais atrações Dona Onete, Pinduca, Combo Cordeiro e Félix Robatto. Outras informações você pode encontrar na página do evento no Facebook.

 

 

O que vale a pena?

O Traslado não vale a pena. Como a romaria é conduzida por um carro e há várias interdições no trânsito no caminho, é praticamente impossível seguir o comboio. Mas, se você quer colocar esta romaria no currículo, o melhor é ver a saída nos arredores da Basílica ou escolher um ponto de passagem. Minha sugestão: o Hospital Ophir Loyola, na avenida Magalhães Barata. Não é longe do centro de Belém e é uma parada tradicional da procissão.

Já o Auto do Círio vale demais. Tanto pela manifestação artística quanto para conhecer o bairro mais antigo de Belém. O Auto do Círio geralmente tem “estações” em frente a alguns dos lugares mais bonitos da Cidade Velha, como a Catedral e a Igreja de Santo Alexandre.

Sábado, 07/10/2017

Círio de Nazaré, Romaria Rodoviária

Fiéis à espera da Romaria Rodoviária. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

O dia mais importante da programação do Círio de Nazaré é o domingo. Mas o mais movimentado é o sábado. São quatro romarias, começando nas primeiras horas da manhã e terminando já no início da madrugada de domingo.

Romaria Rodoviária

O dia começa com a Romaria Rodoviária, que sai às 5h30 da Igreja Matriz de Ananindeua, onde a imagem de Nossa Senhora pernoitou na véspera. Esta romaria é realizada desde 1989 no sábado anterior e foi criada para atender a um pedido do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga. São 24 quilômetros de percurso pelas rodovias BR-316 e Augusto Montenegro até o trapiche de Icoaraci, onde começa o segundo evento do dia.

Romaria Fluvial

A Romaria Rodoviária termina onde a Romaria Fluvial começa. Depois de uma missa no trapiche, a imagem embarca numa corveta da Marinha. A saída costuma ser por volta de 9 da manhã. É um dos eventos mais bonitos de toda a festividade. A padroeira é seguida por embarcações de diversos tamanhos e padrões, desde lanchas turísticas até barcos simples de madeira. A romaria tem um percurso de 10 milhas náuticas (o equivalente a 18,5 quilômetros) e costuma durar 2h30. A chegada é na escadinha do Cais do Porto, no centro de Belém.

Círio de Nazaré, Romaria Fluvial

Romaria Fluvial. Foto: Carlos Sodré – Agência Pará

Moto Romaria

No final da Romaria Fluvial, a festa se divide em duas. A imagem de Nossa Senhora segue para a terceira procissão do dia: a Moto Romaria. Milhares de motociclistas acompanham a santa num trajeto de 2,5 quilômetros até o Colégio Gentil Bittencourt, na avenida Magalhães Barata. Geralmente, esta romaria dura em torno de uma hora.

Moto Romaria. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

Arrastão do Círio

Quem não está de moto pode participar de outra programação que começa bem perto, em frente à Praça dos Estivadores: o Arrastão do Círio. É um evento organizado pelo Instituto Arraial do Pavulagem, um dos principais difusores da cultura popular no Pará. É um cortejo embalado por tambores, danças e cantos em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré.

Círio de Nazaré, Arrastão do Pavulagem

Arrastão do Círio. Foto: Dah Passos – Instituto Arraial do Pavulagem

Trasladação

No final da tarde, começa a segunda procissão mais importante da programação do Círio de Nazaré: a Trasladação. Ela tem um trajeto quase igual à da grande romaria do domingo, mas no sentido contrário. Sai do Colégio Gentil Bittencourt em direção à Catedral Metropolitana. Como é uma caminhada noturna, geralmente é embelezada pelas velas que muitos fiéis levam. A iluminação da berlinda que leva a santa também é um dos pontos altos. O percurso tem 3,7 quilômetros, mas a duração é menos previsível. Costuma terminar por volta da meia-noite.

Círio de Nazaré, Trasladação

Trasladação. Foto: Thiago Gomes – Agência Pará

Festa da Chiquita

Pensa que acabou? A noite do sábado para o domingo tem um evento que costuma fazer os católicos mais tradicionalistas torcerem o nariz. A Festa da Chiquita é um evento organizado pela comunidade LGBT de Belém e é realizada no Bar do Parque, em frente ao Theatro da Paz. Assim que a Trasladação passa em frente ao bar, a festa começa e costuma entrar pela madrugada. Nos últimos anos, a Festa da Chiquita sempre foi uma incógnita até a última hora. Sem o apoio da diretoria do Círio e das últimas gestões da prefeitura, ela foi marginalizada. Até o fechamento deste texto, não havia uma confirmação sobre a realização em 2017.

A Festa da Chiquita foi tema de um documentário lançado há alguns anos. O nome do filme é “As Filhas da Chiquita” e está disponível na íntegra no Vimeo. Aqui, um trechinho para você ter uma noção do que rola no Bar do Parque depois que a santa passa.

O que vale a pena num dia tão movimentado?

Eu recomendo fortemente a Romaria Fluvial. Ela é muito simbólica dentro da programação, dado o significado dos rios para a região amazônica. Algumas agências de turismo preparam embarcações para acompanhar a romaria. O barco da Valeverde Turismo é um dos mais tradicionais. Oferece bebidas quentes e água, tem venda de lanche a bordo, música ao vivo e show folclórico.

Se o passeio de barco não tiver tirado toda a sua energia, passe algumas horas no Arrastão do Pavulagem. É uma lindíssima manifestação artística, além de ser um ponto de encontro de gente descolada.

A Trasladação também vale muito a pena. Se você quiser acompanhar caminhando, chegue ao Colégio Gentil Bittencourt pelo menos uma hora antes da procissão. Veja a saída da santa e siga andando na frente da romaria até onde seu fôlego permitir. Se quiser ver tudo sentadinho, o melhor custo/benefício é comprar um ingresso para as arquibancadas montadas na avenida Presidente Vargas. Para a Trasladação, o preço é R$ 35. A venda é pela internet.

A Festa da Chiquita é divertida, mas tem uma aglomeração que permite pequenos furtos. Se você for conservador a ponto de se incomodar com a celebração da diversidade num evento católico, melhor não ir. Mas se você estiver no espírito, não perca. Só tenha as mesmas preocupações que você teria num evento de carnaval de rua. Ah, e não perca a hora para o dia seguinte!

 

Domingo, 08/10/2017

Círio de Nazaré, berlinda

Foto: Thiago Gomes – Agência Pará

É o grande dia da festividade. O Círio de Nazaré propriamente dito. A movimentação começa ainda de madrugada, antes mesmo do sol nascer. Os promesseiros que querem acompanhar a procissão na corda (vamos falar dela mais adiante) passam a madrugada no Boulevard Castilhos França. Mas o início do dia para valer é às 5h, com a missa na Catedral Metropolitana. A missa termina e o Círio começa. A berlinda que leva a imagem da padroeira sai da Praça Frei Caetano Brandão, em frente à Catedral, e começa um percurso de 3,6 quilômetros.

Em frente à Praça do Pescador, no Boulevard Castilhos França, acontece um dos momentos mais emocionantes do Círio de Nazaré. É quando a corda, um dos símbolos mais especiais da festa, é atrelada à berlinda. A corda tem 800 metros de comprimento, dividido em dois pedaços de 400. Cada centímetro é disputado à exaustão pelos promesseiros, que se espremem para pedir ou agradecer alguma realização atribuída à fé na padroeira.

Círio de Nazaré, corda

No meio dos promesseiros da corda, nem se vê a corda. Foto: Alessandra Serrão – Agência Pará

Na frente da corda e da berlinda, vão outros elementos importantes na simbologia do Círio de Nazaré. Treze carros de promessas começam o percurso um pouco mais adiante, na avenida Presidente Vargas. Alguns deles recebem os ex-votos, que são objetos representando os pedidos ou as graças alcançadas. Os mais comuns: velas, partes do corpo esculpidas em cera (para pedidos relacionados a saúde), tijolos e miniaturas de barcos e casas. Outros carros levam crianças vestidas de anjos, geralmente pagando promessas feitas pelos pais.

Foto: Thiago Gomes – Agência Pará

Tem gente que acompanha o Círio caminhando. Tem gente que fica à espera da passagem da procissão em algum ponto do percurso. Edifícios, hotéis, arquibancadas são locais em que se tem conforto e segurança. Quem prefere não pagar (ou não pode), fica na rua mesmo. Não é a melhor escolha para quem tem mais idade ou alguma dificuldade de locomoção.

Quanto tempo dura?

A duração da romaria é uma controvérsia entre os fiéis. Já houve um Círio de Nazaré que durou dez horas. Foi o de 2004, que chegou ao ponto final (a Praça Santuário) às 16h. E já houve outros que chegaram antes do meio-dia. Tem quem prefira que o Círio seja mais rápido, para que as famílias possam aproveitar o tradicional almoço e o restante do domingo. Tem quem ache que uma procissão mais longa é um sacrifício que vale a pena, para não se ver a santinha passando “a jato” diante dos olhos.

Dicas para acompanhar

Círio de Nazaré

A Praça do Relógio, em frente à chamada “pedra do peixe” no Ver-o-Peso. Foto: Mácio Ferreira – Agência Pará

O esquema que aprendi com meus pais para acompanhar o Círio a pé é o seguinte. Chegar por volta de 5h30 da manhã à Praça do Relógio, que fica nos primeiros metros do percurso. De lá, ver a passagem da berlinda e então cortar caminho por dentro do bairro do Comércio. Assim, chega-se à avenida Presidente Vargas bem à frente da procissão, sem muito sufoco. Meus pais costumam fazer o atalho pela rua João Alfredo ou Treze de Maio. Mas qualquer rua da região estará muito movimentada no domingo do Círio.

Corda

Se você quiser encarar a corda, vá com a preparação de uma corrida de longa distância. O aperto é grande e o calor, insuportável. Chegue cedo, no máximo às 3 da manhã, ao Boulevard Castilhos França. Vá de chinelos, sabendo que vai precisar descartá-los. É proibido acompanhar a corda calçado. Deixe em casa também acessórios que possam machucar, como anéis, relógios e brincos. Alguns promesseiros da corda levam acompanhantes para dar alguma assistência em caso de necessidade. Muita gente desmaia no percurso. Mas há uma grande quantidade de voluntários da Cruz Vermelha trabalhando no atendimento médico ao longo da procissão.

Segurança

É uma festa religiosa, mas os descuidistas não tiram folga. Portanto, cuidado com objetos de valor. Deixe a carteira em casa. Leve dinheiro trocado e um documento apenas.

Arquibancadas

Para quem preferir comodidade, as arquibancadas oficiais na avenida Presidente Vargas custam R$ 70 e estão à venda neste site.

Hotéis

Se seu orçamento estiver bem mais folgado, hospede-se em um hotel no percurso do Círio de Nazaré. Dois dos mais tradicionais de Belém estão no caminho. O Princesa Louçã (antigo Hilton) na avenida Presidente Vargas e o Grand Mercure (antigo Crowne Plaza) na avenida Nazaré. Eles geralmente fecham pacotes com muita antecedência para o Círio, mesmo cobrando os olhos da cara.

Transporte público

Funciona normalmente e ganha reforço durante o fim de semana do Círio, inclusive de madrugada. Os ônibus que passam perto do percurso geralmente circulam com uma placa “Círio de Nazaré” no vidro dianteiro.

 

Almoço do Círio

Círio de Nazaré, maniçoba

A famosa maniçoba. Foto: Cristino Martins – Agência Pará

Muitos restaurantes fecham no domingo do Círio de Nazaré. É o caso de alguns dos mais tradicionais e conceituados da cidade. O Remanso do Bosque, do badalado chef Thiago Castanho, fecha no domingo, mas abre normalmente para almoço e jantar na segunda-feira. O Lá Em Casa, com mais de 40 anos de tradição, também fecha, assim como todos os outros restaurantes da Estação das Docas. Mas abre no sábado desde cedo, aproveitando a chegada da Romaria Fluvial, inclusive servindo café da manhã.

O Avenida é uma das melhores pedidas. Não só pela tradição, mas pela localização. Ele fica a poucos metros da Praça Santuário. A procissão do Círio passa bem em frente. Para 2017, as reservas abriram em 1º de setembro. E, dependendo do dia em que você ler este post, é possível que não haja mais vagas.

O restaurante do Hotel Mercure (sobre o qual já falamos alguns parágrafos acima) tem um pacote para não-hóspedes. Tem almoço com água, refrigerante e sobremesa inclusos. A programação também tem uma missa no hotel. O valor é um pouco salgado: R$ 350 por pessoa. Mas, se você tiver esse dinheiro sobrando, a comodidade e a localização compensam. As reservas podem ser feitas pelo telefone (91) 3202.2100.

Fora do circuito da procissão, existem boas opções. O Manjar das Garças fica dentro do parque Mangal das Garças. O Spazzio Verdi fica a um quarteirão da Praça Santuário e pode ser uma solução próxima. E o Avuado, que já indicamos no post com as dicas de Belém, também abrirá normalmente. É um bom lugar para comer peixes de rio e frutos do mar.

O prato mais típico nesta celebração é a maniçoba, que, numa tentativa simplória de explicar, é uma espécie de feijoada amazônica. É um cozido de partes menos nobres do porco. Mas, no lugar do feijão, entra a maniva, que é a folha da mandioca brava. Ela precisa passar uma semana fervendo para perder uma toxina natural que possui. Visualmente, o prato não é bonito, mas é muito saboroso.

 

Depois da grande procissão

Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

Quando a romaria do domingo termina, a programação do Círio de Nazaré arrefece um pouco. Todas as manhãs, às 5h30, fiéis celebram o Terço da Alvorada no entorno da Basílica Santuário. Eles se revezam em orações e conduzem uma réplica da imagem da padroeira. À noite, também na área próxima à Basílica, há duas pedidas. O Círio Musical, programação de shows católicos gratuitos na Praça Santuário; e o Arraial de Nazaré, no parque de diversões ao lado da Praça.

Últimas romarias

Mas lembra que eu falei que eram doze romarias? Até agora, falei apenas de seis. No sábado seguinte ao Círio (em 2017, 14 de outubro), são realizadas duas. A primeira é a Cicloromaria, dedicada aos ciclistas. A segunda é a Romaria da Juventude, organizada pelos jovens das paróquias e comunidades da Arquidiocese de Belém.

O dia seguinte (em 2017, 15 de outubro), tem a Romaria das Crianças, com um percurso na medida para que as famílias com filhos pequenos possam celebrar sem sufoco.

No último sábado da festividade (em 2017, 21 de outubro), tem a Romaria dos Corredores. São 7 quilômetros em que a imagem de Nossa Senhora é conduzida numa velocidade para ser acompanhada numa corrida leve.

No domingo seguinte (em 2017, 22 de outubro), tem a Procissão da Festa. É uma romaria dedicada aos membros da diretoria da festa e às comunidades da paróquia de Nazaré. Pra fechar o calendário, tem ainda a missa de encerramento às 19h30 na Basílica Santuário e o Espetáculo Pirotécnico. Este é um momento bastante aguardado e pode ser visto de longe, de vários bairros de Belém. Ele começa às 21h na Praça Santuário.

O que vale a pena acompanhar?

Se sua estadia em Belém para o Círio for mais longa, vale você arrumar uma bicicleta e seguir a Cicloromaria. Ela sai às 8h da Praça Santuário. Tem um percurso de 14 quilômetros por alguns bairros do centro de Belém, até voltar ao local de partida Se você viaja com filhos pequenos, a Romaria das Crianças também é uma boa pedida. A saída e a chegada são na Praça Santuário. O Espetáculo Pirotécnico é bonito, mas a movimentação na Praça Santuário é muito grande. Além disso, é muito comum o relato de pequenos furtos na multidão. Pense duas vezes antes de decidir acompanhar tão de perto.

O que mais fazer em Belém?

Foto: Facebook/Estação das Docas

Estação das Docas. Foto: OS Pará 2000

Além dos passeios clássicos que você já deve ter visto por aí, a gente tem algumas indicações mais “outsiders”. Falamos sobre elas neste post com o guia de Belém que os guias não contam. Mas para não dizer que ignoramos as tradições, sugerimos também a Estação das Docas, sua vista e seus sabores imperdíveis!

O Círio de Nazaré é uma boa época para comprar artesanato em Belém. Duas feiras são tradicionais nesta época. A Feira do Artesanato do Círio, organizada pelo Sebrae na Praça Waldemar Henrique; e a Feira do Miriti, realizada pela cooperativa dos artesãos de Abaetetuba (cidade a 121 quilômetros de Belém), na Praça Dom Pedro II. A primeira é mais completa, com mais tipos e estilos de artesanato. A segunda é focada no miriti, uma palmeira cujo tronco é conhecido como “isopor amazônico”. Abaetetuba é o principal pólo de produção de arte em miriti. São feitas esculturas de todo tipo. Mas o carro-chefe são os brinquedos de miriti, que fazem parte das tradições do Círio.

Mapa do Círio de Nazaré

Aqui você vai encontrar todos os locais citados no texto para que você tenha em conta as distâncias de Belém.

 

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Cinco coisas para fazer na Estação das Docas em Belém

Quem vai a Belém costuma receber duas dicas de passeios. Os moradores da cidade sempre sugerem um fim de tarde na “Estação”, com beira de rio e pôr do sol….

Quem vai a Belém costuma receber duas dicas de passeios. Os moradores da cidade sempre sugerem um fim de tarde na “Estação”, com beira de rio e pôr do sol. Os turistas que já andaram por lá indicam um happy hour nas “Docas”, com chopinho de qualidade e petiscos regionais. O melhor de tudo é que as duas dicas apontam para o mesmo destino: a Estação das Docas.

Costumo desconfiar de dicas “obrigatórias”, mas esta compensa. Na Estação das Docas, é possível ter uma espécie de “menu degustação do Pará” ao longo de 32 mil metros quadrados. Gastronomia, natureza, cultura… tem tudo lá. E o local está acessível a todos os bolsos. Há desde shows gratuitos até restaurantes refinados.

Inaugurada em 2000, a Estação das Docas teve o projeto inspirado no Puerto Madero de Buenos Aires. Ela fica numa região portuária de Belém que estava desativada no final do século passado. Três galpões foram revitalizados e transformados em uma janela para a Baía do Guajará. Além disso, foram instalados restaurantes, bares, lojas, palcos para as mais diversas manifestações artísticas e um auditório que também funciona como cinema e teatro.

Foto: OS Pará 2000

A ideia foi tão bem sucedida que se transformou na principal atração turística de Belém. A circulação de pessoas ultrapassa a marca de 1 milhão por ano, entre turistas e moradores da cidade. O projeto também ajudou a inspirar iniciativas semelhantes em outras cidades brasileiras, como os Armazéns do Porto, no Recife.

Mas, afinal, o que é tão imperdível assim na Estação das Docas? Resolvi criar essa lista com cinco coisas que sempre faço quando vou a Belém. Espero que as dicas sejam inspiradoras!

 

1) Tomar cerveja na Amazon Beer

Foto: Divulgação

Bem antes das cervejas artesanais virarem uma moda hypada, a Amazon Beer foi uma visionária. É um dos poucos estabelecimentos que está na Estação das Docas desde a inauguração. E trouxe para Belém a cultura de tomar um chope diferente daqueles que você encontra em todo canto.

A Amazon Beer produz oito tipos de cerveja, sendo seis delas com algum ingrediente regional na sua composição. A stout, por exemplo, é feita com açaí. A witbier, com taperebá (fruta que você talvez conheça como cajá na sua região). A red ale, com priprioca, uma raiz amazônica costumeiramente usada na indústria de cosméticos. Todas elas estão disponíveis em torneira e em garrafa (para tomar no bar ou levar para casa).

Unha de caranguejo for the win. Foto: Leonardo Aquino

Para acompanhar seu chopinho regional, a Amazon Beer tem um vasto cardápio de petiscos. Os campeões são a linguiça de metro e os pastéis de tacacá. Mas anote aí a dica esperta do Mochileza: unha de caranguejo. É um misto de bolinho e coxinha, recheado com carne desfiada e temperada de caranguejo. A da Amazon Beer é uma das melhores de Belém. Pode ir sem erro.

 

2) Fechar o cardápio de sorvetes da Cairu

Foto: Facebook/Cairu

A Cairu é outro top of mind entre as dicas de quem já conheceu Belém. É a sorveteria mais tradicional da cidade e tem como carro-chefe os sorvetes de frutas regionais. Algumas delas você já deve ter experimentado por aí, como açaí e cupuaçu. De outras você dificilmente ouviu falar, como uxi, sapotilha e muruci.

Há alguns sabores autorais com os ingredientes regionais que valem muito a pena. O carimbó, por exemplo, é um sorvete de castanha do pará com doce de cupuaçi. O paraense é açaí com farinha de tapioca.

Para quem quer fazer apostas seguras, a Cairu tem os clássicos. Chocolate, creme, frutas vermelhas e muitos outros. Mas vá por mim. Faça uma roleta russa do sorvete, escolha algum sabor pelo nome e faça uma experiência inédita para o seu paladar.

 

3) Fazer compras descoladas na Ná Figueredo

Foto: Facebook/Ná Figueredo

Ná Figueredo não é apenas um estabelecimento comercial. É uma marca que se confunde com a cena musical de Belém, com a realização de eventos e o lançamento de discos há quase 30 anos. O carro-chefe são as roupas e calçados, seja as criações próprias da loja ou peças de marcas como AMP, Blunt, Converse e Vans. Também há acessórios como brincos, anéis e pulseiras.

A música é outro ponto forte das prateleiras da Ná Figueredo. São centenas de discos e DVDs de artistas nacionais e internacionais, mas com destaque para músicos paraenses. Alguns deles foram lançados pelo selo da loja, o Ná Music.

Para conferir um pouco sobre o estilo da loja, confira a página da Ná Figueredo no Facebook.

 

4) Conhecer a orla de Belém num passeio de barco

Foto: Divulgação/Valeverde Turismo

Uma famosa canção de Paulo André Barata, compositor paraense, diz: “esse rio é minha rua”. A gente só se dá conta do sentido que ela faz quando conhece Belém e seus rios tão largos a ponto de não se ver a outra margem. Passear por esses caminhos fluviais é um grande programa para se fazer na cidade. E a Estação das Docas é um ponto de partida para vários roteiros desse tipo.

Na Estação, está localizado o trapiche da empresa Valeverde Turismo, que opera os passeios fluviais mais conhecidos de Belém. Numa embarcação tipicamente amazônica, os passageiros contemplam a natureza, a orla da cidade e ainda se entretêm com apresentações de música e danças regionais a bordo.

A Valeverde oferece sete tipos de passeios fluviais. Eles duram de 1h30 a 7h e alguns deles incluem refeições a bordo. Dá para ver as luzes da cidade no entardecer ou conhecer algumas das ilhas próximas a Belém. Nos passeios mais longos, é possível ter um contato bem próximo com a vida da população ribeirinha.

Confira no site da Valeverde os perfis de cada um dos passeios realizados pela empresa.

 

5) Pegar um cinema

Um dos espaços internos da Estação das Docas é o teatro Maria Sylvia Nunes. Nele, são realizados eventos públicos e privados. Mas a sala também recebe o projeto Cine Estação. A programação de cinema foge do circuito comercial e traz títulos alternativos ou clássicos de várias épocas. É comum ver na programação mostras temáticas e filmes que emplacaram em festivais internacionais.

Para acompanhar a programação do Cine Estação, confira a página da Estação das Docas no Facebook.

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Dica de passagem barata: Recife-Belém por R$ 600 ida e volta

Já expliquei em alguns posts que nasci em Belém e moro no Recife há cinco anos. Por isso, procurar passagens nesta rota é uma das coisas que mais faço desde…

Já expliquei em alguns posts que nasci em Belém e moro no Recife há cinco anos. Por isso, procurar passagens nesta rota é uma das coisas que mais faço desde então. Numa dessas buscas, encontrei uma oferta que pode ser a grande dica de passagem barata para as suas festas de fim de ano ou férias de janeiro. Ela custa R$ 600 reais ida e volta entre Recife e Belém + as taxas!

Pelo que pude entender, a Gol criou um voo direto entre as duas capitais para os meses de dezembro e janeiro. É algo comum entre as companhias aéreas. Fazer trechos específicos durante um determinado período do ano para atender alguma grande demanda. É por isso, por exemplo, que praticamente só há voos diretos do Brasil a Bariloche em julho.

Pois bem… O voo direto entre Recife e Belém dura duas horas e meia. Ele sai do Recife às 22h e chega em Belém à 0h30. Na volta, ele sai de Belém à 1h e chega no Recife às 3h30. Um voo razoavelmente curto entre duas cidades bem legais!

 

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A rota Recife-Belém é atendida por apenas um voo direto ao longo do ano inteiro: o da Azul. Ele foi inaugurado quando a companhia decidiu criar um hub na capital pernambucana. Quando esse voo foi lançado, a Azul tinha preços bem competitivos: R$ 500, ida e volta. Mas, hoje em dia, é praticamente impossível encontrar passagem barata. Cada trecho sai por pelo menos R$ 500 na promoção. Ainda mais em meses de alta temporada.

Por isso, a oferta “quietinha” da Gol é bem interessante para quem mora numa dessas cidades e quer conhecer a outra. É possível encontrar este valor de R$ 600 ida e volta até mesmo para o Natal e o Ano Novo. Quem for a Belém, pode aproveitar as dicas do Mochileza e também conhecer a Ilha de Marajó. Quem for ao Recife, além das sugestões que já demos aqui, pode curtir as belas praias do litoral sul pernambucano, como Porto de Galinhas, Tamandaré, Carneiros e Serrambi.

Anote aí as datas em que encontrei a passagem barata de R$ 300 o trecho:

Recife-Belém

Dezembro – 14, 17, 18, 19, 20, 21, 25, 26, 27, 28 e 29

Janeiro – 01, 04, 05, 09, 10, 11, 12, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 21, 22, 23, 25, 26, 28, 29, 30

Belém-Recife

Dezembro – 15, 16, 18, 22, 26, 28, 29 e 30

Janeiro – 02, 03, 04, 05, 06, 08, 09, 10, 11, 12, 13, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 22, 23, 24, 26, 27, 29, 30 e 31

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Com as taxas de embarque, o preço final da passagem fica R$ 655,36

Veja a diferença de preços entre Gol e Azul no Natal: quase 100%

Veja a diferença de preços entre Gol e Azul no Natal: quase 100%

No Ano Novo, é a mesma coisa: a Gol tá cobrando quase a metade da Azul

No Ano Novo, é a mesma coisa: a Gol tá cobrando quase a metade da Azul

Para quem nunca foi a nenhuma das duas cidades, uma estadia de quatro a cinco dias é suficiente para ver bastante coisa. Caso você pense em emendar o passeio ao Marajó ou ao litoral sul pernambucano, coloque pelo menos mais três dias.

Boa sorte na compra da passagem e boa viagem! 😀

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Belém: um guia da cidade que os guias não mostram

Belém está na moda e não é de hoje. Há pelo menos dez anos, a cidade anda pedindo passagem para o restante do Brasil, puxada pela música e pela gastronomia….

Belém está na moda e não é de hoje. Há pelo menos dez anos, a cidade anda pedindo passagem para o restante do Brasil, puxada pela música e pela gastronomia. Artistas nascidos na capital paraense emplacam temas de novela da Globo, fazem turnês nacionais e são tietados por ídolos mundiais em shows no exterior. Na cozinha, além do fato de a região amazônica ter ingredientes sem igual, Belém ainda tem visto surgir uma geração de jovens chefs. Eles releem as tradições e fazem com que os antigos segredos equatoriais da mesa virem tendências contemporâneas.

Por mais que você tenha visto um show de um músico de Belém por aí ou experimentado alguma comida paraense na sua cidade, eu lhe digo. Nada se compara a mergulhar na cidade. O mais curioso é que andar por Belém é quase mergulhar mesmo, graças à umidade do ar que frequentemente ultrapassa os 90%.

Foi em Belém que nasci em 1983, me formei jornalista em 2003 e de onde saí em 2011 para viver no Recife. Desde então, costumo ir pelo menos uma vez por ano à cidade. Graças a isso e à minha bem informada rede de amigos, estou sempre por dentro do que há de interessante surgindo na cidade. Novidades que nem sempre se tornam tão badaladas quanto Gaby Amarantos ou os irmãos Castanho. Ou segredos de bairro bem guardados pelos moradores. Seja qual for a origem, essas indicações merecem ser conhecidas e compartilhadas.

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Pensando nisso, resolvi fazer esta compilação de dicas de Belém que estão fora do circuito tradicional. Quem vai à cidade já tem alguns lugares certos de visitar: Estação das Docas, Ver-o-Peso, Mangal das Garças, entre outros. Mas a riqueza da cidade se mostra justamente quando a gente decide ir além. Esse guia pode servir tanto para visitantes de primeira viagem quanto para belenenses que, por um ou outro motivo, não mergulharam tanto assim na cidade onde moram.

E caso tenha alguma atualização faltando sobre os lugares, gritem! Mandem bronca aí nos comentários! J

 

Para aquela farra no meio de semana como se não houvesse trabalho amanhã: LAMBATERIA

Félix Robatto, a mente (ou a barba) por trás da Lambateria. Foto: Divulgação

Félix Robatto, a mente (ou a barba) por trás da Lambateria. Foto: Igor Chá

Félix Robatto é um cara que sabe como fazer as pessoas mexerem os quadris. Guitarrista talentoso, é como se tivesse um pouco de Carlos Santana, outra parte de David Gilmour e outra de Mestre Vieira. Tudo isso com uma barba comprida à la ZZ Top. Ele se tornou conhecido com a banda La Pupuña em 2005, dando uma roupagem mais pop à guitarrada amazônica. Agora está em carreira solo não só na música, mas também na produção de eventos.

Lambateria é a festa que Félix organiza todas as quintas-feiras e sempre tem shows de música paraense para remexer. Os convidados vão de grupos tradicionais de carimbó a expoentes da geração século 21 de Belém, como Lia Sophia e Felipe Cordeiro. Ah, e o próprio Félix também toca em todas as festas, com seu repertório que faz um crossover de referências amazônicas, latinas e de surf music. Vá dançar e se divertir sem culpa, como se o dia seguinte fosse feriado.

Uma quinta-feira qualquer na Lambateria. Foto: Divulgação

Uma quinta-feira qualquer na Lambateria. Foto: Igor Chá

Endereço: bar Fiteiro, na Av. Visconde de Souza Franco, 555. Os ingressos antecipados custam a partir de 15 reais. Na hora, custam 25.

Facebookhttp://www.facebook.com/lambateria

 

Para petiscos criativos com a cara de Belém: QUITANDA BOLONHA 

Foto: Facebook/Quitanda Bolonha

Foto: Facebook/Quitanda Bolonha

Antes de falar da Quitanda, é preciso explicar o local onde ela fica. O Mercado de Carne Francisco Bolonha, em frente ao Ver-o-Peso, é uma joia escondida. A fachada está encoberta por poluição visual e não há nada que remeta ao que tem dentro: um belo exemplar da “era do ferro” da arquitetura na Amazônia. Os pavilhões onde ficam os boxes, uma escada caracol no centro e as coberturas: tudo de ferro. As linhas são inspiradas no art nouveau e certamente há gente nascida em Belém que nunca as conferiu de perto. Eu mesmo só fui conhecer o mercado em 2015.

Pois bem: a Quitanda Bolonha é um gastrobar que ocupa dois boxes do mercado. O cardápio é de petiscos de boteco inventivos, criados com ingredientes regionais. Todos eles são batizados em homenagem a algumas expressões do vocabulário de Belém. Os camarões empanados na tapioca com redução de tucupi e jambu ganharam o nome “Di Rocha!”. A costelinha de leitão da Ilha de Marajó com dip de taperebá e pirão de tapioca se chama “Eu Choro!”.

Para completar, tem chopp da Amazon Beer (cervejaria local) e shows de carimbó, chorinho e música paraense em geral.

Endereço: Boulevard Castilhos França, s/n. Mercado de Carne Francisco Bolonha, em frente ao Ver-o-Peso.

Horário de funcionamento: terça, das 10 às 17h. De quarta a sábado, das 10 às 22h30. Domingo, das 10 às 17h. Fechado segunda.

Facebookhttps://www.facebook.com/quitanda.bolonha/

 

 

Para garimpar LPs importados e ver pocket shows: DISCOSAOLEO 

Foto: Facebook/Discosaoleo

Foto: Facebook/Discosaoleo

Belém também tem loja de discos – e das boas! Leo Bitar é um colecionador de LPs que em 2014 resolveu transformar o hobby em negócio. No porão da casa dele, no bairro da Campina, montou a Discosaoleo, um ambiente aconchegante, confortável e com um acervo incrível.

Foto: Facebook/Discosaoleo

Foto: Facebook/Discosaoleo

Sério mesmo: a loja pode não ter uma quantidade numerosa de discos, mas a qualidade deles é impressionante. Fruto da curadoria do próprio Leo, um cara apaixonado por música como poucos que conheci na vida. A especialidade é MPB e rock internacional. Tem edições raras, importadas, box sets, compactos e muito mais. A Discosaoleo também é um selo que já lançou em vinil artistas paraenses como Molho Negro e Ana Clara, assim como o recente EP “Música e Maresia” da cantora carioca Dulce Quental.

Além de vender discos, a loja eventualmente recebe pocket shows, aquelas apresentações intimistas em que bandas e músicos ficam bem juntinhos do público. A programação muitas vezes está atrelada a um projeto bem interessante chamado Circular (confira o site). É bom ficar de olho na agenda.

Em alguns pocket shows, a Discosaoleo vira inferninho. Foto: Facebook/Discosaoleo

Em alguns pocket shows, a Discosaoleo vira inferninho. Foto: Facebook/Discosaoleo

Endereço: Rua Campos Sales, 628. Telefone: (91) 3083-1758

Horário de funcionamento: de quarta a domingo, das 10 às 17h. Fechado segunda e terça.

Facebookhttps://www.facebook.com/discosaoleo/

 

Para os dependentes de glicose se esbaldarem – BRIGADERIE

Creme de cupuaçu com crumble de castanha do pará. Foto: Instagram/Brigaderie

Creme de cupuaçu com crumble de castanha do pará. Foto: Instagram/Brigaderie

Belém não tem Starbucks – ainda bem. Mas tem docerias como a Brigaderie, que podem te servir um ótimo café com um arsenal de doces incríveis para acompanhar. Grande parte do cardápio tem ingredientes regionais na base. Os churros, por exemplo, são de tapioca. Os macarons, de castanha-do-pará. E os recheios dos bombons, de bacuri, cupuaçu e outras frutas regionais.

Churros de tapioca com doce de leite

Churros de tapioca com doce de leite

A Brigaderie abre para café da manhã aos fins de semana. Aí, além dos doces, entram em campo os pães de produção própria. Tudo isso num ambiente bonito e acolhedor, inclusive para você arejar um pouco do home office ou fazer uma reunião de negócios de um jeito bem engordativo – mas com cada caloria valendo demais a pena. Além da loja, a Brigaderie também faz doces e bolos sob encomendas para eventos.

Endereço: Av. Serzedelo Corrêa, 715. Telefone: (91) 3223.5729

Horário de funcionamento: segunda de 14 às 20h30. Terça a sexta de 12 às 21h30. Sábado e domingo de 8 às 21h30.

Instagramhttps://www.instagram.com/brigaderie

 

Para uma experiência autêntica de pub em plena Amazônia: BLACK DOG ENGLISH PUB 

Foto: Facebook/Black Dog

Foto: Facebook/Black Dog

Pensei muito sobre colocar ou não o Black Dog nesta lista. Não por não merecer, e sim por já não ser mais um ~segredo~ da cidade. Mas dane-se: por mais que seja uma das primeiras indicações de muita gente em Belém, o Cachorro Preto (como o chamamos informalmente) vale muito a visita.

São dezenas de cervejas artesanais, nacionais e importadas, numa carta que sempre está se renovando. As torneiras de chopp sempre têm pelo menos um rótulo “top class high level”, como Guinness, Fuller´s ou Brew Dog. Para não deixar você falir, sempre há opções mais econômicas, como os chopps da Amazon Beer.

As torneiras do Cachorro Preto. Foto: Facebook/Black Dog

As torneiras do Cachorro Preto. Foto: Facebook/Black Dog

A cozinha também tem uma rotatividade interessante no cardápio. Seja pelos pratos e petiscos que se renovam, seja pela eventual presença de chefs convidados que fazem menus especiais para um dia. É ótimo para petiscar e também para conferir shows de rock, jazz e blues que rolam quase todos os dias. O pub fica no porão de um casarão antigo no bairro do Umarizal. Portanto, o pé direito é baixo. Se você tiver perto de 2 metros de altura, ficar em pé pode ser desconfortável.

Endereço: Rua Bernal do Couto, 791. Telefone: (91) 3199.2335

Horário de funcionamento: segunda a sábado, a partir das 18h.

Sitehttp://blackdogpub.com.br/

Facebookhttps://www.facebook.com/blackdogenglishpub/

 

Para ir a um brechó e a um bistrô num lugar só: CASA DO FAUNO

Foto: HC Fotografia

Foto: HC Fotografia

A Casa do Fauno reúne vários motivos para uma visita esperta a qualquer hora do dia. Aberta desde as 9 da manhã, a casa oferece uma carta de cafés para os dependentes da cafeína ou os apreciadores gourmet. Ao meio-dia tem cardápio de almoço, com saladas, risotos e pratos de cozinha de bistrô. À noite, a música toma conta. Às quintas, o palco é da música instrumental. Às sextas, cantores e cantoras ocupam o espaço. E durante todo o horário de funcionamento, há um sebo com um acervo de 3 mil livros e um brechó de roupas e acessórios com uma cuidadosa curadoria.

O imóvel onde fica a Casa do Fauno é uma atração à parte. Um prédio do século 19, com piso de madeira e pé direito alto, totalmente repaginado para o empreendimento. E o local dos shows é tão inusitado quanto instigante: o quintal da casa. A decoração utiliza elementos da própria edificação do imóvel, como madeira de demolição e vitrais.

Foto: HC Fotografia

Foto: HC Fotografia

Endereço: Travessa Aristides Lobo, 1061. Telefones: (91) 9 9808-2322 / 9 8705-0609

Horário de funcionamento: segunda a quarta, das 09h às 19h. Quinta a sábado, das 09h à meia-noite.

Facebookhttps://www.facebook.com/casadofaunobelem/

Sitehttp://casadofauno.com/

 

Para ir com crianças – PRAÇA DO HORTO 

Foto: João Gomes/Agência Belém

Foto: João Gomes/Agência Belém

A Praça do Horto ser um segredo de Belém parece até mentira. Afinal de contas, ela é muito bem localizada, cêntrica e perto de outros lugares bem visitáveis (Praça Batista Campos, Fox Vídeo ou o excêntrico Bar do Horto). Mas talvez o abandono sofrido por muitos anos tenha deixado a praça em segundo plano. Recém-reformada e reinaugurada em janeiro de 2015, o Horto se tornou um destino perfeito para famílias que desejam tirar as crianças de casa.

A praça tem um chalé, brinquedos e quiosques de alimentação. É um bom lugar para um café da manhã num fim de semana ou um lanche da tarde com a meninada. Há atividades regulares com oficinas de educação ambiental para as crianças. Para os adultos, sempre há algum evento como grupos de meditação e até encontro de food trucks.

Foto: Nailana Thiely/Ascom UEPA

Foto: Nailana Thiely/Ascom UEPA

Endereço: Rua dos Mundurucus, s/n, na esquina da Travessa Doutor Moraes.

Horário de funcionamento: todos os dias, das 8 às 18h

 

Para experimentar sopa de caranguejo – RESTAURANTE FLOR DE LIS

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Essa dica é do Vladimir Cunha, documentarista paraense: “É um restaurante muito tradicional no bairro da Marambaia que abriu recentemente uma filial no Reduto, em frente da sede do Quem São Eles (escola de samba). O forte deles é a sopa de caranguejo e o caldo verde”, conta.

Além das sopas, o Flor de Lis também tem pratos bem fartos e bem cotados entre a clientela, como a chapa mista, as patas de caranguejo e a carne de sol. Em algumas noites também há shows de MPB.

Endereço: Rua Esperanto, 4. Bairro da Marambaia. Telefone: (91) 3352-8470

Horário de atendimento: de terça a domingo, das 18h à meia-noite.

Facebookhttps://www.facebook.com/Restaurante-Flor-de-Lis-482903021732553/

 

Para comer peixe: AVUADO

Foto: Facebook/Avuado

Foto: Facebook/Avuado

Peixe em Belém é coisa séria. Só na região amazônica, você vai encontrar o filhote, que eu acho (e muitos amigos que nem paraense são também acham) o peixe mais saboroso do mundo. Uma carne macia e textura leve que, se bem cozida, quase derrete na boca.  Você certamente já deve ter ouvido falar no Remanso, o restaurante de peixe mais famoso de Belém. Mas, se quiser dar uma fugida das indicações de sempre, corra para o Avuado.

A dica deste novo restaurante é de outro amigo, o Marcel Arêde, que é produtor cultural e diretor da Amplicriativa. “O prato principal é o peixe avuado, feito na brasa com banana da terra, macaxeira cozida, arroz, farofa e vinagrete. Você pode escolher entre filhote ou pescada amarela e os peixes sempre são frescos, pescados no dia. O prato custa 75 reais e duas pessoas comem bem. Ainda tem caldeirada, caldeirada no tucupi, moqueca de peixe e camarão e moqueca de pirarucu”, conta.

Foto: Facebook/Avuado

Foto: Facebook/Avuado

E digo uma coisa a vocês: a curadoria do Marcel para dicas de Belém é espetacular. Ele mesmo fez um guia, de tanto que as pessoas pediam sugestões a ele. Colem no cara!

Endereço: Rua Dom Romualdo de Seixas, 823.

Horário de atendimento: das 11h30 às 15h e das 18h30 às 23h

Facebookhttps://www.facebook.com/avuadorestaurante

 

Para conhecer a fotografia de Belém: KAMARA KÓ

Foto: Facebook/Kamara Kó

Foto: Facebook/Kamara Kó

Há pelo menos três décadas, o Pará forma lotes e lotes de fotógrafos talentosos. Miguel Chikaoka, Octávio Cardoso, Walda Marques e Luiz Braga são alguns que lembro de cabeça. Isso sem contar com os das gerações mais recentes, que surgem a todo tempo. Se você é de Belém e não conhecia essa turma ou se você curte fotografia e está de passagem pela cidade, um lugar para ir é a Kamara Kó.

A dica é da amiga Adelaide Oliveira, jornalista e presidente da Fundação Paraense de Radiodifusão, a Funtelpa. “A Kamara Kó é uma galeria de fotografia que reúne obras de vários artistas e fotógrafos da cidade. Fica num casarão antigo no bairro da Campina e sempre tem exposições legais. De quebra, ainda tem a Makiko Akao como curadora e proprietária, uma figura simpaticíssima. No casarão, tem um quintalzinho delícia para tomarmos um chá ou café e ouvir um pouco sobre fotografia paraense”, conta.

Foto: Facebook/Kamara Kó

Foto: Facebook/Kamara Kó

Makiko também é idealizadora do projeto Circular, do qual falamos na dica da Discosaoleo. Vale muito conhecer o projeto, além da galeria.

Endereço: Trav. Frutuoso Guimarães, 611 – Campina.  Telefones: (91) 3261-4809 / (91) 3261-4240

Horário de funcionamento: terça a sábado, das 15 às 19h. Sábado das 10 às 13h. Fechado domingo e segunda.

Facebookhttps://www.facebook.com/kamarakogaleria/?fref=ts

Sitehttp://kamarakogaleria.com.br/

 

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