Assim como gastronomia e cinema, o Mochileza é um site entusiasta de música. Sempre procuramos referências musicais em nossas viagens (como o roteiro de David Bowie em Berlim) ou shows para assistir no caminho. E quem gosta de música sabe que o verão europeu é fértil em grandes eventos. São festivais de leste a oeste no continente, para todos os estilos e orçamentos.

Os frequentadores assíduos de festivais têm destinos tradicionais, como Inglaterra e Alemanha. Também há os destinos que viraram os novos queridinhos dos viajantes, como Espanha e Portugal. Mas tem um país que consegue reunir eventos em grande quantidade e também em variedade de atrações: a Bélgica.

Apesar do território minúsculo, a concentração de festivais na Bélgica é gigantesca. Se você já pensou em passar um verão por lá comendo chocolate e tomando cerveja, pode pensar em agregar um festival de música ao seu roteiro. E, para ajudar você no planejamento, recorremos a um grande amigo do Mochileza. O Edvan Coutinho é um jornalista com quem trabalhei em Belém e mora em Bruges, na Bélgica, desde 2007. É um dos caras mais bem informados que conheço e dono de uma vasta cultura musical. Ele preparou um guest post com uma curadoria dos principais festivais do verão belga. Espero que vocês curtam!

Ah, o Edvan também trabalha como guia oficial de turismo em Bruges. É o único guia brasileiro na cidade. Para uma experiência mais rica de informação, recomendo DEMAIS um city tour com ele! Se você se interessar, escreva com alguma antecedência para o Edvan: [email protected]

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Edvan Coutinho e as típicas batatas belgas. Foto: Arquivo Pessoal

 

A onda de frio neste inverno – talvez a mais severa dos últimos dez anos – faz os europeus sonharem com os sons não apenas dos pássaros em dias quentes. Mas também das guitarras, teclados e soundsystems nas centenas de festivais de verão em todo o continente. Sim, a Europa é o melhor destino se você adora um show, seja ele um megaevento ou uma performance mais intimista. E quando se fala em festival de verão, a Bélgica é a meca dos amantes de todos os estilos musicais.

A localização estratégica deste pequeno país (menor que o arquipélago do Marajó), entre o Reino Unido, a França, a Alemanha e a Holanda, facilita o deslocamento de bandas e artistas em turnê pelo continente. Entre os mais de 300 festivais que acontecem anualmente em solo belga, escolhemos seis, que podem ser chamados o crème de la crème. Eles abarcam desde a world music até os beats eletrônicos mais modernos. Um deles, o Moods Festival, é parcialmente gratuito. São festivais em Bruxelas, Wechter, Boom, Hasselt e Bruges – tudo para combinar música e viagem.

Couleur Café: o mundo no palco

Foto: Vanessa Rasschaert / Divulgação

 

Este festival é o coup de coeur (favorito do coração) para os que estão abertos aos sons do mundo. A world music ganha aqui um sentido literal.  No line-up deste ano tem a incrível dupla malinesa Amadou & Mariam, os brasileiros do Metà Metà, com a mistura afro-jazz-bossa-swing brasileiro, as irmãs cubanas Ibeyi, o veterano norte-americano George Clinton (papa do funk legítimo), ao lado das senhoras do Clypso Rose, de Trinidad e Tobago, e do vizinho caribenho delas, Ziggy Marley (precisa descrever o que ele toca?). Ainda há novidades como os rappers suíços Makala, Di-Meh e Slimka, além do funky vodu dos togoleses do Togo All Star.

O Couleur Café existe desde 1990 e já rodou por várias locações em Bruxelas. Porém, há uns dois anos, conseguiu acertar na escolha do cenário. Ele é realizado na área do Atomium, um dos símbolos da capital belga e da Europa, a escultura gigante em formato de um átomo. A vantagem desse festival é que você está dentro da cidade e há transporte público a todo momento para voltar para o seu hotel ou albergue.

O Atomium é o cenário do Couleur Café. Foto: Luc Cheffert / Divulgação

 

Para quem não quer perder um minuto do clima de festival, ou quiser tirar uma soneca entre uma e outra atração, há um acampamento bem estruturado, como em todos grandes festivais.

Couleur Café Festival

Quando: de 29 de junho a 1° de julho de 2018
Onde: na praça do Atomium, em Bruxelas
Preços: desde 85 euros para os 3 dias ou entre 37 e 42 euros para um dia apenas (ver condições e taxas extras no website do festival)
Mais informações: https://www.couleurcafe.be (em inglês, francês e neerlandês/flamengo)

 

Rock Werchter: grandes nomes, mas também indie

Foto: Divulgação

 

Este festival está sempre na lista dos melhores do mundo. Ele faz parceria com os festivais ingleses, como o Glastonbury, e holandeses, como Lowlands. E assim o line-up é mais do que estrelado, porém bem diversificado também. Eles sempre apostam em promessas, como fizeram com o London Grammar, o trio inglês que desde que passou por lá há uns cinco anos.

Este ano vão pisar nos palcos do Rock Werchter: Arctic Monkeys, Franz Ferdinand, Gorillaz, Snow Patrol, Jack White, Alice in Chains, Nick Cave & The Bad Seeds, Queens of Stone Ages, David Byrne, Pearl Jam, e o já citado London Grammar, só para nomear alguns. O festival sempre prestigia a prata da casa e assim os belgas sempre estão em destaque. Este ano vão estar, entre as atrações locais, o grupo Arsenal – que tem um queda por música brasileira –  e power trio Triggerfinger (já ouviram a versão deles para “I Follow Rivers”?).

O preço do ingresso pode parecer salgado, mas o line-up justifica, além do que o transporte público de qualquer cidade na Bélgica até a porta do festival está incluído no preço.

Rock Werchter

Quando: de  6 a 8 de julho de 2018
Onde: Werchter (a 30 km de Bruxelas e a 15 km de Leuven, outra grande cidade belgo-flamenga)
Preços: desde 102 euros, para um dia,  até 238 euros para os três dias (ver condições e taxas extras no website do festival)
Mais informações: www.rockwerchter.be (em inglês, francês e neerlandês/flamengo)

 

Cactus Festival: familiar e hype

Foto: Edvan Coutinho

 

O mais charmoso festival belga. O mais familiar dos festivais. O melhor pequeno festival da Europa. O Cactus tem muitos títulos e todos eles se justificam. A começar por ser o festival da cidade que é uma marca de beleza: Bruges, que atrai 6 milhões de turistas por ano, com seus canais que valem o apelido de Veneza do Norte e o traçado medieval das ruas que valeu o título de Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco.

O Cactus Festival acontece há mais de 35 anos praticamente no centro da cidade. O público é limitado em menos de 10 mil pessoas num espaço amplo e verde do parque Minnewater, com infraestrutura e conforto nota 10. O festival tem um clima tão relaxante que atrai famílias inteiras, dos avôs aos netos. Tem espaço para deixar as crianças brincarem, há até redes para descansar e os stands de comida são uma atração à parte pela alta qualidade.

Foto: Edvan Coutinho

 

No que se refere ao palco único, as atrações são sempre de altíssimo nível e fora do mainstream. O que não quer dizer falta de qualidade.  Nos anos 90, passaram por lá Marisa Monte e Chico Science & Nação Zumbi. Mais recentemente, tocaram Massive Attack, Macy Gray, Benjamin Clementine, Kaiser Chiefs, Marianne Faithfull e Patti Smith. Este ano estão em cartaz Buffalo Tom, com seu indie rock made in USA, a britânica Emeli Sandé, a camaleônica anglo-francesa Charlotte Gainsbourg e os cultuados escoceses do Mogwai. O festival de Bruges é conhecido por lançar tendências. Assim, muitos artistas novos acabam voltando à Bélgica em festivais maiores depois de serem “descobertos” no Cactus.

Cactus Festival

Quando: de  13 a 15 de julho de 2018
Onde: Bruges (a 90 km de Bruxelas)
Preços: desde 49 euros, para um dia,  até 110 euros para os três dias (ver condições e taxas extras no website do festival)
Mais informações:  www.cactusfestival.be (em inglês, francês e neerlandês/flamengo)

 

Tomorrowland: o povo do amanhã

Foto: Divulgação

 

Com toda a justiça, o Tomorrowland é o mais prestigiado festival de música eletrônica do mundo.  O evento virou uma marca de valor incalculável e chegou ao Brasil em duas edições em 2015 e 2016, depois de ter também feito uma edição nos Estados Unidos. Se você pensa em vir, prepare-se para vir somente em 2019, pois os ingressos deste ano, assim como sempre acontece, foram vendidos em menos de três horas.

O Tomorrowland, desde 2005, botou a Bélgica no centro do mundo da música dançante do século XXI e é um evento que chega a ser uma experiência mística – dizem amigos habitués do festival. Para os conhecedores dos loops e beats, as atrações deste ano são de peso: Tiësto, Vini Vici, Axwel, Bonzai All Stars, Carl Cox, Alesso, Dimitri Vega & Like Mike, Fatboy Slim, Lost Frequences e Steve Angello.

Foto: Divulgação

 

O acampamento do Tomorrowland é uma atração à parte. O festival tem até mesmo uma vila de luxuosos apartamentos com jacuzzi e todo o luxo que seu bolso puder pagar.

Ano passado, o festival teve cerca de 400 mil espectadores, um número recorde porque passou a ser realizado em dois finais de semana, o que se repete este ano.

Detalhe: se não puder esperar o verão de 2019, o Tomorrowland anunciou um festival de inverno em março de 2019, na cidade de Ales-Huez, na França.

Tomorrowland

Quando: de 20 a 22 e de 27 a 29 de julho de 2018
Onde: Boom (entre Bruxelas e Antuérpia)
Preços: desde 94 euros um dia apenas até 281 euros para ficar no alojamento de luxo (o website do festival informa que todos estão sold out)
Mais informações: (em inglês, francês e neerlandês/flamengo)

 

Pukkelpop: oito palcos com mega-atrações

Foto: Divulgação

 

Um dos grandes festivais da Europa faz 33 anos em 2018. O Pukkelpop sabe combinar grandes nomes com artistas ainda em ascensão, pois tem espaços adequados para megaespetáculos, tendas para pocket shows e dance hall. De Björk ao Iron Maiden, de The Prodigy ao Portishead, a lista de artistas das edições anteriores não deixa dúvidas do peso desse festival, o único que conseguiu comprar toda a área onde anualmente se instala na província flamenga do Limburg.

Foto: Divulgação

 

Este ano, a única atração anunciada e confirmada é ninguém menos que Kendrick Lamar, o papa do rap/hip hop/jazz norte-americano contemporâneo. Fala-se que o Arcade Fire e The War on Drugs estão acertando a agenda para poderem vir.

Pukkelpop

Quando: de 15 a 18 de agosto de 2018
Onde:  Kiewit-Hasselt (a 70 km de Bruxelas)
Preços: ainda não anunciados (ver condições e taxas extras no website do festival)
Mais informações:  https://www.pukkelpop.be  (em inglês, francês e neerlandês/flamengo)

 

Moods Festival: o festival intimista de Bruges que cabe no seu orçamento de mochileiro

 

Foto: Divulgação

 

Este festival é no meio do verão e se passa em dois dos mais impressionantes cenários da cidade de Bruges: a praça da prefeitura (de Burg) e o hall interior do Belfort. O Moods é um festival organizado pela prefeitura da cidade e opta pela diversidade de atrações em dois momentos. O primeiro é numa quinta-feira à noite, um show intimista, com ingresso pago a menos de 20 euros, no pátio interno do Halletoren (a torre do Belfort, momunento gótico construído entre os séculos XII e XV).  E às sextas e sábados à noite, um show maior, gratuito, tendo como fundo de palco a Stadshuis, a prefeitura construída no começo do século XV.

O Moods tem uma atmosfera pequena e tão agradável que, mesmo em caso de chuva, o público não arreda pé. Em cartaz este ano, o nome mais conhecido é o Nouvelle Vague, a banda francesa de new bossa. E ainda: a mistura cubano-jamaicana do show Havana Meets Kingston,  a banda norte-americana Joan As Police Woman (com a cantora Joan Wasser que trabalhou com Rufus Wainwright, Nick Cave e Antony & The Johnsons), a banda pop-rock flamenga Het Zesde Metaal e o acordeonista bósnio-suíço Mario Batkovic, um virtuoso que é uma espécie de Philip Glass do acordeon.

Moods festival

Quando: de 27 de julho a 9 de agosto de 2018
Onde:  Bruges, centro da cidade
Preços:  16 euros + taxas (ver condições) para os shows no pátio do Belfort e gratuito nos show da paraça da prefeitura, o Burg
Mais informações:  http://www.moodsbrugge.be  (em inglês e neerlandês/flamengo)