Estivemos na Rússia há alguns anos, no auge do verão europeu, quando só fica escuro em Moscou por algumas horas e nem anoitece em São Petersburgo. É nessa época, inclusive, que ocorre o festival das “Noites Brancas”, em São Petersburgo, com uma grande programação cultural que vira a madrugada. Além disso, os horários de funcionamento dos estabelecimentos ficam meio malucos. Imagine lojas abertas das 10 da manhã à meia-noite! A vantagem é que nos dá tempo de fazer de tudo: de programas cult a delírios de consumo. Só não sobra muito tempo para dormir.

Seven Sisters, Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa, em Moscou

Vista a partir do Rio Moscou do prédio do Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa, em Moscou. Foto: André Orengel.

 

O esplendor dos prédios públicos, palácios e museus impressionam o turista desavisado, de forma a rivalizar com a opulência das principais capitais da Europa Ocidental. Somando isso à riqueza da cultura russa, a viagem seria perfeita se não fosse pelos camaradas russos. É claro que existem exceções, conhecemos pessoas maravilhosas e simpáticas durante a viagem. Mas, via de regra, a Rússia é, talvez, o pior país em termos de receptividade de turistas estrangeiros dos quais já visitamos. O idioma não ajuda. São poucas as pessoas que conseguem se comunicar em inglês, até mesmo nos hotéis e museus. Pedir informações na rua? Nem pensar. As informações escritas, como placas indicativas, são escassas também, até mesmo em pontos turísticos. Algumas coisas não são nem escritas no nosso alfabeto.

É por isso, imagino, que se você quer conhecer esse lugar incrível, meu amigo, a hora é agora. Isso porque com a Copa do Mundo de 2018 no país, é bem seguro presumir que a língua inglesa será mais falada nos hotéis e pontos turísticos. Também é de se esperar que haverá mais informações em inglês espalhadas pela cidade. Assim, se você já tinha alguma vontade de conhecer a terra da vodca, aproveite essa oportunidade de ouro.

Passamos, ao todo, nove dias no país, contando o dia da chegada e partida, dividindo igualmente o tempo entre cada cidade. Com base em nossas experiências, sugiro aqui um itinerário para Moscou e outro para São Petersburgo (que será tema de um post à parte). Vamos ao passo a passo.

PRIMEIRO DIA

Voamos de São Paulo para Moscou pela Turkish Air Lines, com conexão em Istambul, chegando ao nosso destino às 3 da manhã. Fomos ao hotel, fizemos o check-in e dormimos até por volta das 11, para recarregar ao menos metade das baterias. Com muitas horas ainda no dia, fomos de metrô até a estação Polyanka e andamos ao restaurante Kvartira 44 (ul Malaya Yakimanka 24/8). O lugar é meio escondido, mas a comida é bem gostosa e a ambientação é aconchegante, inspirada em um apartamento da era soviética (o nome do lugar significa, literalmente, Apartamento 44).

Kvartira 44, em Moscou

Kvartira 44, em Moscou. Foto: André Orengel.

Galeria Tretyakov

De lá, caminhamos até a Galeria Tretyakov, fundada a partir da coleção particular dos irmãos industrialistas Pavel e Sergei Tretyakov. O primeiro, inclusive, foi um importante patrono dos tais Peredvizhniki (Itinerantes): pintores do século XIX dissidentes da Academia de Artes conservadora que tinham uma pegada mais nacionalista e de crítica social, atualmente muito celebrados na Rússia. A coleção é bem extensa e alberga, provavelmente, o principal acervo de pinturas russas do mundo.

Ficamos no museu até por volta das 5 da tarde. Ao sair, andamos na direção do rio e viramos à esquerda, no sentido do Art Muzeon Sculpture Park, onde é exibida uma inusitada coletânea de estátuas soviéticas ao lado de esculturas contemporâneas. Seguindo no mesmo sentido, adentramos no Parque Gorky, para um agradável passeio.

Navegando pelo Rio Moscou

Catedral do Cristo Salvador, em Moscou

Vista a partir do Rio Moscou da Catedral do Cristo Salvador, em Moscou. Foto: André Orengel.

 

Fizemos hora por lá até irmos a um cais da onde sai o passeio de barco da empresa Moscow River Boat Tours. Existem várias opções de passeios saindo de diferentes lugares do rio. O que fizemos durou cerca de uma hora e passava por boa parte dos principais monumentos e prédios moscovitas. Foi bem legal ver a cidade a partir do rio, garantindo alguns ângulos diferentes para as fotos.

Finalizamos o dia jantando em um dos restaurantes localizados no Red October Chocolate Factory, uma antiga fábrica convertida em centro artístico e gastronômico localizado em umas das extremidades da “Ilha Dourada” do Rio Moscou (dá para ver esse enorme complexo do passeio de barco).

Red October Chocolate Factory, em Moscou

Vista do Rio Moscou do Red October Chocolate Factory, em Moscou. Foto: André Orengel.

SEGUNDO DIA

Caminhando

Começamos o próximo dia da viagem com o passeio organizado pelo Free Walking Tour. O esquema você já conhece: um guia lhe conduz juntamente com um grupo pela cidade, contando a história e curiosidades de seus principais pontos turísticos e, ao final, você decide quanto quer pagar pelo tour. A excursão dura em torno de duas horas e meia, começando as 10h45 em frente ao monumento dedicado ao a Cyril e Methodius, no centro da praça Slavyanskaya.

Catedral de São Basílio, em Moscou

Catedral de São Basílio, em Moscou. Foto: André Orengel.

 

Quando estivemos lá o tour passava por Kitay-Gorod, a Rua Varvarka, a Catedral de São Basílio, a Praça Vermelha, o GUM, o Mausoléu do Lenin, a Catedral de Kazan, a Praça Manezhnaya e o Hotel Moscou (eternizado pelo rótulo da vodca Stolichnaya), a Tumba do Soldado Desconhecido, o Jardim de Alexander e terminava na Catedral do Cristo Salvador (o maior templo da igreja ortodoxa do mundo).

Uma hora dessas a fome já está matando. No nosso caso, almoçamos uns sanduíches pela rua mesmo, se a sua fome for maior, aproveite que a celebrada Pinzeria by Bontempi fica por perto e deguste de sua famosa comida italiana.

Catedral do Cristo Salvador, em Moscou

Catedral do Cristo Salvador, em Moscou. Foto: André Orengel.

Museu Histórico do Estado e/ou Museu Estatal Pushkin de Belas Artes

Pela parte da tarde, dependendo do seu ritmo, dá para conhecer dois dos melhores museus da cidade: o Museu Estatal Pushkin de Belas Artes e/ou o Museu Histórico do Estado (sexta e sábado fecha as 21:00). No nosso caso, acabamos optando por entrar só no Museu Histórico do Estado, que gostamos bastante, para também dedicar algumas horas para umas comprinhas na Rua Tverskaya.

Torre Spasskaya do Kremlin, em Moscou

Torre Spasskaya do Kremlin, em Moscou. Foto: André Orengel.

Café Pushkin

No jantar, comemos uma deliciosa refeição tipicamente russa no excelente Café Pushkin. Esse é imperdível! A decoração é uma atração à parte, com ambientes muito bem decorados, que imitam uma farmácia antiga, uma sala de estar com lareira, uma biblioteca ou um terraço de verão de uma mansão aristocrata.

 

TERCEIRO DIA

Kremlin

Dedicamos o nosso terceiro dia quase que exclusivamente para o Kremlin de Moscou, o mais famoso dos complexos fortificados que levam este nome, incluindo as catedrais da Assunção, do Arcanjo Gabriel e da Anunciação, a Igreja da Deposição das Vestes, O Campanário do Ivan III, uma muralha com as suas famosas torres, além da residência oficial do Presidente da Federação Russa. A coleção do Palácio do Arsenal, foi, sem dúvida, o auge do passeio. Ela está entre as mais impressionantes do mundo, exibindo, entre outras coisas, armas históricas, peças de joalharia, insígnias reais (incluindo o famoso Gorro dos Monarcas), peças exclusivas de artesanato em ouro e prata datadas dos séculos XIII/XIX, além de vários dos famosos Ovos de Páscoa da Casa Fabergé.

Catedral da Assunção, em Moscou

Catedral da Assunção, em Moscou. Foto: André Orengel.

 

No intervalo para o almoço, saímos do Kremlin e comemos, ali próximo, no restaurante Stolovaya 57, que fica no 3º andar do GUM, e garantimos mais uma oportunidade de bater fotos da Praça Vermelha e dos prédios que a rodeiam, especialmente da superfotogênica Catedral de São Basílio.

GUM em Moscou

GUM, em Moscou. Foto: André Orengel.

 

O Kremlin fecha as suas portas às 5 da tarde, o que nos deu tempo de voltar ao hotel para trocar de roupa e chegar no Bolshoi às 18h30 e assistir a uma apresentação de seu belíssimo balé. Fique de olho na programação e estruture o seu itinerário para não perder a chance de testemunhar esse espetáculo.

 

QUARTO DIA

O Metrô de Moscou

Como o nosso voo para São Petersburgo só partia às 8 da noite, aproveitamos ainda a manhã para um último passeio pela cidade. Primeiro, fizemos um tour por algumas das estações de metrô de Moscou. São uma mistura de sistema de transporte, com museu de arte e aula de história, por onde passam milhões de pessoas diariamente. Faça esse passeio preferencialmente no domingo, para não enfrentar o corre-corre da semana.

Mapa criado por CityDex International, NY, EUA. Editado por André Orengel.

 

Começamos pela (1) Komsomolskaya, que se destaca pelos mosaicos no teto exibindo heróis militares russos.

Seguimos no sentido anti-horário pela linha Koltsevaya e descemos na estação (2) Prospekt Mira, para apreciar a decoração em porcelana com cenas campestres que capitaneiam as colunas.

Continuando no mesmo sentido e paramos na estação (3) Novoslobodskaya, adornada com 32 vitrais no estilo art nouveau.

A próxima parada na linha circular foi a estação (4) Belorusskaya, cujos mosaicos do teto e padrões do piso celebram o país vizinho a oeste.

Depois, trocamos de linha e seguimos pela Zamoskvoretskaya até a estação (5) Mayakovskaya, com bela decoração no estilo art deco.

Pulamos uma estação e descemos na (6) Teatralnaya, que guarda uma temática teatral e expõe afrescos representando sete das republicas soviéticas, por meio de roupas e instrumentos musicais típicos.

Andamos até a estação (7) Ploshchad Revolyutsii, uma das mais impressionantes, por ser, praticamente, um museu de esculturas subterrâneo.

Após, fomos para a estação (8) Arbatskaya, que chama a atenção por sua atmosfera barroca.

A estação (9) Kievskaya, por sua vez, com seus vegetais gigantes e outros ícones da existência idílica ucraniana, comemora os 300 anos de cooperação entre os dois países.

Terminamos o passeio na novíssima estação (10) Park Pobedy, a mais profunda das estações e, por isso, tem a mais comprida escada rolante do mundo (levamos mais de 2m40s de um ponto ao outro; parecia que nunca íamos chegar).

metro de Moscou

Todas as fotos: André Orengel.

Para finalizar: três opções

Para depois do tour, separamos as seguinte opções:

1) Museu Cosmonauta: tem uma coleção supostamente bacana de parafernália espacial, incluindo o motor do primeiro foguete soviético, e um acervo de cartazes de propaganda que evoca a era da corrida espacial.

2) Convento Novodevichy: considerado patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO, é, provavelmente, o convento mais conhecido da Rússia. Construído em estilo Barroco, fazia parte de uma cadeia de monastérios que integravam o sistema de defesa de Moscou, sendo hoje um importante marco histórico e um dos grandes feitos russos, exibidos em sua arquitetura e coleção de obras de arte.

3) Feirinha de Artesanato de Izmailovo: Nossa escolha. Queríamos muito trazer uma matrioska para integrar a nossa coleção de relíquias de viagem. Para isso, não valem compras em aeroporto, tem que ir à feira. Nessa, encontramos dezenas de tipos diferentes da boneca, o que deu um trabalhão para escolher a que íamos trazer. Além disso, a feira tem todo o tipo de bugiganga russa, incluindo vários apetrechos soviéticos.

Matrioska comprada na Feirinha de Artesanato de Izmailovo, em Moscou. Foto: André Orengel

 

Por fim, fomos ao aeroporto usando o metrô mesmo. Deu tudo certo. No caminho, enquanto lembrava dos dias em Moscou, percebemos que poderíamos facilmente ficar mais uns 2 ou 3 dias. Sobrou muita coisa interessante ainda para conhecer.

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