Quando conversava com amigos, parentes e colegas de trabalho sobre o destino das minhas férias de 2016, ouvi pelo menos umas 471 vezes a mesma indagação: “Mas por que Ilhas Canárias e Marrocos? Que diferente…”

Realmente essa combinação não é a mais comum em se tratando de destino de férias de brasileiros. Quando se imagina destinos de lua de mel então… Sempre se pergunta: por que não Paris? Roma? Caribe? Por isso, achei pertinente começar este blog explicando os motivos que nos levaram a escolher nosso roteiro.

Praia de El Golfo, nas Ilhas Canárias

Essa foto ajuda a responder sua pergunta? Foto: Leonardo Aquino

Passo 1: a logística dos voos

Janaína e eu moramos no Recife, que tem algumas boas ofertas de voos internacionais diretos. Companhias como American Airlines, Copa, Condor, TAP e TAM ligam a capital pernambucana a destinos no exterior sem escalas. Alguns deles eram ótimos hubs para outros cantos. Quanto menos a gente trocasse de avião, melhor.

No começo do planejamento, fomos seduzidos por uma ideia de destino ainda mais incomum: Cabo Verde. A TACV começou em junho de 2015 uma rota semanal entre Recife e Praia, a capital do arquipélago que fica na costa ocidental da África. Apenas seis horas de voo, preços bem em conta (voos que custavam, na época, cerca de 300 dólares ida e volta) e um novo continente no currículo.

Pronto! Agora era só combinar Cabo Verde com outro país para uma “casadinha” na viagem e um carimbo extra no passaporte.

 

Passo 2: o dilema da casadinha

Fomos então para o mapa-múndi estudar quais poderiam ser destinos interessantes para combinar com a terra de Cesária Évora. E aí encontramos outro conjunto de ilhas: as Canárias, que pertencem à Espanha, mas estão mais próximas do continente africano que da Península Ibérica.

Las Palmas, nas Ilhas Canárias

Tem foto também para quem gosta de cidade. Foto: Leonardo Aquino

Nosso roteiro deveria ter quinze dias. Mas à medida que íamos pesquisando sobre as Canárias, desejávamos que fossem vinte, trinta, quarenta… Nos apaixonamos pelas fotos dos lugares, pela variedade de paisagens (praias, montanhas, vulcões, vinícolas, museus, centros históricos…) e pelos relatos que lemos (especialmente os do blog Turomaquia, de uma brasileira que vive nas Canárias).

O que também contou muitos pontos: as Ilhas Canárias se gabam de ter o melhor clima do mundo. A média de temperatura fica o ano todo entre 20 e 22 graus. Céu azul, sol brilhando e clima de ar condicionado ligado. Acabamos comprovando que era tudo verdade! Além disso, havia voos diretos ligando os principais aeroportos de Cabo Verde aos das Canárias.

 

Passo 3: olho na reputação da companhia aérea

Aí resolvemos pesquisar melhor a TACV. Afinal de contas, havia alguns grandes riscos embutidos. Além de ser uma rota nova saindo aqui do Recife e de não conhecermos ninguém que havia voado por esta companhia, o voo era semanal. Ou seja, perder o avião tinha grandes riscos de implicar num grande perrengue, principalmente na volta para o Brasil.

Outras duas coisas que contaram negativamente: alguns relatos sobre atrasos rotineiros, como o que lemos no Melhores Destinos. Além disso, vimos poucos comentários sobre a TACV no Reclame Aqui. Pode significar que não há problemas, mas também que pouca gente voa por esta companhia, não? As poucas reclamações sobre a empresa por lá sequer foram respondidas.

Mas o fato decisivo para termos desistido de voar pela TACV foi uma ida ao aeroporto do Recife na hora do embarque do voo para Praia, que é o único momento da semana em que a loja da companhia aérea na cidade está aberta. Qual não foi nossa surpresa ao ver que o voo havia sido cancelado?

Bab Boujloud, em Fez (Marrocos)

Sobrou pra ti, Marrocos. Foto: Leonardo Aquino

Passo 4: um passo atrás para dar dois à frente

Voltamos para o mapa-múndi para pesquisar a nova metade da casadinha da viagem. Acabamos escolhendo o Marrocos por ser um país muito rico em história, cultura e, principalmente, gastronomia. Mas, para manter a combinação com outro país, teríamos que escolher apenas uma cidade marroquina para visitar. Consultamos alguns amigos que já haviam estado por lá e acabamos optando por Fez, a chamada capital cultural do país.

O negócio foi fechado de vez na Black Friday de 2015, quando fuçamos as promoções das companhias aéreas e encontramos um preço imbatível: de Salvador até Las Palmas de Gran Canária (com uma conexão em Madri) por pouco menos de 1600 reais. A Air Europa, que tem três voos semanais entre as capitais da Bahia e da Espanha, estava dando descontos de 20% em todas as passagens.

Entre Recife e Salvador, conseguimos outro valor sensacional: 222 reais por pessoa, ida e volta, pela Avianca. Passaríamos um dia descansando na Bahia antes e depois da grande viagem.

Farol da Barra, em Salvador

Antes da viagem principal, ainda deu para conferir o novo som de Salvador (paquerê, paquerô). Foto: Leonardo Aquino

Essas foram as primeiras compras de passagens que fizemos. Ainda faltaria posteriormente pesquisar os bilhetes para o Marrocos e entre as Ilhas Canárias, que detalharemos em outros posts.

Passo final: o checklist definitivo

Portanto, nossa dica de passo a passo para a escolha de um destino de férias:

1) Conheça a malha aérea a partir da sua cidade ou do aeroporto internacional mais próximo. Quanto menos voos você fizer até chegar ao seu destino (ou voltar dele), melhor!

2) Caso queira conhecer outro(s) país(es) combinado(s) na mesma viagem, pense na melhor logística. Há voos diretos? São voos curtos ou demorados? Há alternativas como trens? Viajar de carro é viável?

3) Pesquise MUITO as companhias aéreas pelas quais você vai voar. Índice de atrasos e cancelamentos, qualidade do serviço e a dinâmica de preços e promoções. Às vezes uma passagem muito barata tem alguma pegadinha “nas letras miúdas”, como cobrança extra para bagagem despachada.

O passo seguinte foi decidir quais ilhas visitaríamos e quantos dias ficaríamos em cada uma. Os detalhes você encontra no próximo post. Valeu!

Veja também:
Ilhas Canárias: um roteiro completo de viagem