Lugares para viajar escolhidos + datas definidas + passagens de ida e volta compradas = viagem para as Ilhas Canárias já na mão? Não mesmo. Uma das partes mais gostosas das férias é o prazer de como planejar a viagem. Cada uma delas tem suas particularidades naturais e históricas, atrações grandiosas e pequenas surpresas reservadas para os viajantes mais outsiders.

Como falei no post anterior, teríamos 14 dias para a viagem inteira. Separamos quatro para a passagem pelo Marrocos, que foi o tempo recomendado por amigos para conhecer Fez. Sobrariam então 10 dias para o arquipélago espanhol. Como dividir o tempo para conhecer os melhores lugares para viajar pelas Canárias?

Praia de Maspalomas, Ilhas Canárias, Espanha

A praia de Maspalomas, sempre presente nas dicas das Ilhas Canárias. Foto: Leonardo Aquino

Buscando dicas sobre as Ilhas Canárias

A primeira dificuldade foi encontrar dicas de viagem consistentes em português. No mercado editorial brasileiro, não há nada muito específico sobre as Canárias, ao contrário de outras regiões como a Catalunha e a Andaluzia. Mesmo nos guias dedicados à Espanha, as Ilhas Canárias são abordadas muito superficialmente. Reportagens de cadernos de turismo também são escassas. Assim como postagens em blogs de viagem.

Nosso ponto de referência primordial em português foi o blog de viagem Turomaquia, escrito pela Patrícia, uma brasileira que mora em Las Palmas (na ilha de Gran Canária) há bastante tempo e conhece como poucos o arquipélago. Reviramos as postagens dela de ponta a cabeça para planejar nosso roteiro e, em cada dica dela que seguimos, fomos bem felizes.

Em inglês, fomos no guia do Lonely Planet, que tem uma edição dedicada às Ilhas Canárias. A que compramos é de janeiro de 2012, mas não tivemos problema grave nenhum relacionado a desatualização com os locais que pinçamos do guia. No máximo algum preço que subiu ou algum horário de funcionamento que ampliou ou diminuiu. Mas nada de lugar que estava no guia e agora nem existe mais. Em janeiro de 2016, foi lançada uma edição atualizada.

Dulcería Nublo, Tejeda, Ilhas Canárias, Espanha

Dulceria Nublo, em Tejeda, é especializada em amêndoas: uma dica que catamos no Lonely Planet. Foto: Leonardo Aquino

O perfil de cada ilha

Baseado nessas duas principais fontes, a gente consegue traçar um breve perfil de cada uma das sete Ilhas Canárias:

1) Gran Canária: é a mais populosa das ilhas, principalmente graças à capital Las Palmas, que tem quase 400 mil habitantes. É conhecida como continente em miniatura por causa da grande variedade de paisagens, vegetações e climas. No mesmo dia, por exemplo, pegamos 14 graus numa região montanhosa com cerca de mil metros de altitude e 30 graus numa praia a cerca de 30 quilômetros dali. Além do litoral e das montanhas, Gran Canária tem arqueologia (com museus e cavernas preservadas) e a vibração urbana de Las Palmas.

2) Tenerife: também tem uma das grandes cidades do arquipélago, Santa Cruz de Tenerife. Mas as principais atrações desta ilha são outras. É lá que está o Teide, o terceiro maior vulcão do mundo e o ponto mais alto do território espanhol. É possível chegar ao topo dele sem ser um alpinista ou trekker profissional. O que também leva muita gente a Tenerife é o carnaval, um dos mais animados da Europa.

3) Lanzarote: é a ilha mais fascinante de todas. Para começo de conversa, Lanzarote tem mais de 300 cones vulcânicos. Houve algumas erupções históricas que despovoaram a ilha em alguns momentos. Mas ela se reergueu e tem a paisagem vulcânica como principal cartão postal. Além disso, Lanzarote foi onde nasceu César Manrique, artista plástico que mudou a cara da ilha com ideias para a sustentabilidade e lindíssimos projetos arquitetônicos. Como se não bastasse, foi lá que José Saramago viveu os últimos 17 anos de sua vida. A casa e a biblioteca do escritor português são abertas à visitação.

Jardín de Cactus de Lanzarote, Ilhas Canárias, Espanha

Cactus e vulcões juntos: um enquadramento típico de Lanzarote. Foto: Leonardo Aquino

Tem também essas aqui…

4) Fuerteventura: as praias mais bonitas do arquipélago estão aqui. E elas têm ótimas condições para a prática de esportes como o surf, windsurf, kitesurf e todas as outras variações da combinação prancha + vento. Além disso, a gastronomia é bem peculiar. A cabra é a base de muitos pratos típicos, tanto a carne quanto o queijo derivado do leite caprino.

5) La Gomera: outra ilha com natureza esplendorosa. Mas no lugar das paisagens vulcânicas, entram as florestas e as formações rochosas. É muito procurada para caminhadas. A culinária também oferece grandes atrativos. Além das carnes e queijos de cabra, a região é conhecida pelo mel de palma feito das árvores que são bastante comuns por lá.

6) La Palma: outra ilha que é bastante procurada para trekking por causa das paisagens naturais. Há desde densas florestas até paisagens lunares derivadas dos vulcões.

7) El Hierro: a mais inóspita de todas as ilhas. Tem uma população de apenas 11 mil pessoas. Há muitas trilhas e caminhos históricos para quem quiser gastar o solado do tênis. Os amantes do mergulho também são contemplados por lá, com cursos, aluguel de equipamento e uma reserva marinha.

 

O roteiro: e agora?

Com 10 dias para tudo, percebemos que conhecer mais de três ilhas seria improvável (ou impossível). Portanto, fomos atrás do que contemplava melhor o nosso perfil. A divisão ficou assim:

Gran Canária – 3 dias: queríamos conhecer a cidade de Las Palmas (gastronomia, centro histórico e museus), a região montanhosa (a cidade de Tejeda e o Roque Nublo) e as praias de Maspalomas.

Lanzarote – 4 dias: deixamos mais dias para esta ilha, apesar de ela ser menor. Aqui queríamos ver os vulcões do Parque Nacional de Timanfaya, as principais obras de César Manrique (Jameo del Agua, Jardín de Cactus, Cueva de los Verdes, o museu dedicado ao artista, entre outras), a praia de areia negra em El Golfo, a casa de José Saramago e pelo menos uma vinícola que cultiva uvas em terras vulcânicas.

Jameos de Agua, Lanzarote, Ilhas Canárias, Espanha

Uma das possibilidades de ~clique artístico~ oferecida pelo Jameos del Agua, em Lanzarote. Foto: Leonardo Aquino

Tenerife – 2 dias: dedicaríamos um dia inteiro para o Parque Nacional do Teide. No outro, conheceríamos Santa Cruz de Tenerife e La Laguna, uma cidade histórica que é declarada patrimônio da humanidade pela Unesco.

San Cristóbal de La Laguna, Ilhas Canárias, Espanha

Centro histórico de San Cristóbal de La Laguna, em Tenerife. Foto: Leonardo Aquino

O décimo dia seria a soma dos deslocamentos entre as ilhas. Os voos são rápidos e a malha aérea é bem suficiente para cobrir o arquipélago. Há também a possibilidade de algumas viagens via ferry boat. Mas o preço não é muito competitivo e os deslocamentos são bem mais longos. Como o tempo estava apertado, não valia a pena.

 

Dicas para logística

Seguem alguns links que vão te ajudar a planejar tanto a logística quanto o custo da tua viagem pelas Ilhas Canárias:

Binter: a principal companhia aérea do arquipélago, com presença nas sete ilhas. Faz também voos para Madrid, Lisboa e alguns países da África: Marrocos, Cabo Verde, Senegal e Gâmbia.
Canary Fly: outra companhia aérea regional, mas com menos presença que a Binter. Está em cinco ilhas. Fica fora apenas de La Gomera e El Hierro. Voa também para dois aeroportos no Saara Ocidental: Dahkla e El Aiun.
Para voos a partir do continente europeu, há muitas outras opções: Ryan Air, Iberia, Condor e Air Berlin são algumas delas.

Se você está a fim de ir de ferry boat, as duas companhias que prestam este serviço nas Ilhas Canárias são a Naviera Armas e a Fred Olsen.

Nos próximos posts, vamos mostrar que alugar um carro é fundamental para conhecer as Ilhas Canárias otimizando tempo. Para isso, recomendamos a Cicar, que é uma empresa local que está presente em todas as ilhas. Os preços são bem em conta e os carros são ótimos. As grandes locadoras (Avis, Localiza e Hertz) também estão nos principais aeroportos do arquipélago. Continue com a gente!