Mochileza

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Roteiros e viagens de mochila sem sufoco

Ilhas gregas: seis dias em Creta, Santorini e Mykonos

A Grécia ainda está rendendo por aqui! O André Orengel, que já tinha feito o post com o roteiro de três dias por Atenas, tá de volta com outras dicas…

A Grécia ainda está rendendo por aqui! O André Orengel, que já tinha feito o post com o roteiro de três dias por Atenas, tá de volta com outras dicas sensacionais. Ele passou seis dias com a esposa em algumas das ilhas gregas mais desejadas pelos turistas: Creta, Santorini e Mykonos. Assim como na Grécia continental, tem História (com H maiúsculo) por todos os lados. Mas as ilhas também foram brindadas com a generosidade da natureza e suas paisagens inigualáveis.

Seis dias em três ilhas não é o ideal se você gosta de curtir a viagem sem pressa. Mas muitas vezes é o que cabe no cronograma dos turistas que só têm 30 dias de férias por ano. Seja para cumprir à risca ou para servir como referência para um roteiro mais longo, as dicas do André estão imperdíveis! Acompanhe!

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Ilhas gregas, Santorini, Oia, sunset

O pôr do sol cinematográfico de Santorini. Foto: André Orengel

Você já viu o tamanho da Grécia no mapa múndi? Ela tem pouco menos de 132 mil quilômetros quadrados, o que faz o território grego ser menor que o do Amapá (que tem 142 mil). No entanto, se o assunto for a extensão costeira, o jogo vira, meus amigos. Aquele pedacinho da Europa mediterrânea tem 13.676 quilômetros de costa. É quase o dobro do Brasil (que tem 7.491)!

O segredo da Grécia para ter um litoral tão extenso num território tão pequeno está nas ilhas gregas. São cerca de 6 mil!!! Delas, pelo menos 200 são habitadas e 60 têm algum interesse turístico. Haja férias para conseguir conhecer todas!

Ilhas gregas, Mykonos island, Greece

Mar é o que não falta na Grécia! Essa é a ilha de Mykonos. Foto: André Orengel

Com tantas possibilidades, fazer um roteiro pelas ilhas gregas é uma missão. Existem atrações para todos os gostos: praias paradisíacas, baladas, atividades ao ar livre, cidades bucólicas, história, entre outros.

Minha esposa e eu gostamos muito de história e escolhemos a Grécia como destino de férias para conhecer as ruínas das civilizações antigas. Por isso, nosso roteiro foi montado em cima de três ilhas gregas:

Creta: pelas ruínas minoicas de Cnossos (você encontrará também a grafia Knossos);

Santorini: pelas ruinas cicládicas/minoicas de Acrotíri;

Mykonos, pelas ruinas gregas de Delos.

Essas ilhas, no entanto, não se resumem às ruínas. Elas também nos contam a história de sua ocupação por romanos, venezianos, bizantinos e otomanos. Além disso, oferecem belas paisagens, cantos pitorescos e excelente cozinha.

Neste post, vou contar então como conheci Creta, Santorini e Mykonos em seis dias. Com isso, espero poder ajudar com as suas explorações das ilhas gregas. Vamos ao passo a passo!

Como ir e vir entre as ilhas gregas

Começamos nossa viagem pela ilha de Creta, chegando por meio do aeroporto de Heraclião (você também pode encontrar as grafias Heraklion ou Iraklio). Depois, fomos de barco para Santorini. Em seguida, também de barco para Mykonos e para Atenas no retorno à Grécia continental.

A Aegean Airlines tem vários voos diretos conectando Atenas a Heraclião, que é a capital de Creta e a quarta maior cidade da Grécia. O transporte entre as ilhas gregas é igualmente fácil, feito em balsas catamarãs modernas, bem confortáveis e rápidas. Utilizamos os ótimos serviços da Sea Jets. Compramos as passagens online e imprimimos todas elas na Paleologos Travel, localizada na 25th August St., nº 5, em Heraclião.

O embarque e desembarque são razoavelmente organizados e tudo acontece em cerca de 15 minutos. Por isso, você deve estar no porto com uns 30 minutos de antecedência. A antecipação é fundamental para se situar, não perder seu barco ou evitar de entrar no barco errado (isso aconteceu com uma família em uma das balsas que pegamos).

Primeiro Dia – Creta

Museu Arqueológico de Heraclião

Compre o ingresso combinado, que inclui a entrada no museu e no sítio arqueológico de Cnossos. Lá você verá uma ótima coleção de arte minoica, encontrados principalmente em Cnossos. Além disso, há uma enorme maquete da cidade-palácio de Cnossos e vários textos explicando a história da região e os costumes do povo minoico.

Batendo perna pelo centro histórico

Ilhas gregas, Morosini fountain

Fonte Morosini, no centro histórico de Heraclião. Foto: André Orengel

Com fome? A sugestão para o almoço é o disputado Central Park. Depois, siga até a Fonte Morosini. Ornada com leões e motivos clássicos, ela foi inaugurada no dia de São Marcos (patrono de Veneza) em 1628 para fornecer água potável aos habitantes da cidade. Observe o seu formato octogonal e imagine cerca de 40 pessoas enchendo os seus baldes com água ao mesmo tempo.

Ilhas gregas, Agios Titos

Igreja de Agios Titos, em Heraclião. Foto: André Orengel

Retorne pela mesma rua para apreciar a arquitetura, também veneziana, da Loggia, construída em 1620. Hoje, ela abriga a Prefeitura de Heraclião. Atrás deste prédio, encontra-se a igreja de Agios Titos. O templo original foi construída provavelmente em 961 D. C. pelo imperador bizantino Nicephorus Phokas, após reconquistar a ilha de Creta dos árabes.

Mais museu

Depois desse curto passeio pelo centro da cidade, aprenda muito mais sobre o passado dessa ilha no Museu Histórico de Creta. Tente chegar até as 15h, pois o espaço fecha às 17h (no verão, que vai de abril a outubro).

Ilhas gregas, Koules fortress, Castello a Mare

A Fortaleza de Koules, ou Castello a Mare. Foto: André Orengel

Para finalizar, visite o Forte Veneziano Castello a Mare (também conhecido como Fortaleza de Koules) localizado no belo porto velho da cidade. Ao sair, aprecie o pôr-do-sol do restaurante Paralia Seaside.

Segundo Dia – Creta

Ilhas gregas, Crete island

Pegando a estrada em Creta. Foto: André Orengel

No segundo dia, decidimos fazer uma road trip. Alugamos um carro e o serviço foi muito prático. O veículo nos foi entregue no próprio hotel às 08 da manhã. A devolução foi no dia seguinte, no porto de partida para a próxima ilha, às 08 da manhã também.

A controversa Cnossos

Ilhas gregas, Knossos archeological site

Sítio arqueológico de Cnossos. Foto: André Orengel

O primeiro lugar a ir é o parcialmente reconstruído sítio arqueológico de Cnossos, localizado 5 quilômetros ao sul de Heraclião. Cnossos é considerada por muitos historiadores como a primeira cidade-palácio do mundo ocidental e o centro administrativo da civilização minoica. Este foi o lugar mais lotado que visitamos na Grécia. Portanto, chegue bem cedo para se antecipar à multidão e achar um lugar no estacionamento gratuito.

Impressiona observar como a cidade era construída em vários níveis. Conta a lenda que, em sua fundação, o arquiteto Dédalo, a mando do notório rei Minos, construiu um grande labirinto para aprisionar a criatura mítica do Minotauro. Se na superfície já é difícil não se perder, devia ser impossível mesmo achar a saída desse labirinto. O sítio arqueológico é bem sinalizado e também dispõe de várias placas informativas. Há explicações sobre os traços arquitetônicos, a história, a utilidade, a redescoberta e a muito controversa reconstrução dos vários ambientes desta cidade.

O Mosteiro de Arcadi

Ilhas gregas, Arcadi Monastery

Mosteiro de Arcadi. Foto: André Orengel

A parada seguinte é o Mosteiro de Arcadi, situado 23 quilômetros a sudeste da cidade de Retimno e a 81 quilômetros de Cnossos. Aproveite a estrada que leva ao mosteiro para desfrutar da vista litorânea e da paisagem do interior desta que é maior das ilhas gregas. Diversas são as razões para conhecer este mosteiro ainda em atividade: a arquitetura da fachada e interior, a sua história medieval e moderna e a ótima coleção de arte sacra.

O Arcadi, infelizmente, tornou-se famoso internacionalmente por uma terrível tragédia, ocorrida no local durante a revolta cretense contra a ocupação turca (1866-1869). Tropas otomanas entraram em combate com 943 gregos refugiados no mosteiro. Os gregos acabaram preferindo o sacrifício à rendição e fizeram explodir o estoque de pólvora. Esta triste história é contada em detalhes no mosteiro, que indica o local da explosão.

No embalo veneziano em Retimno

Ilhas gregas, Retimno

Porto velho de Retimno. Foto: André Orengel

Em seguida, uma boa pedida é visitar a cidade de Retimno. Estacione o carro nas proximidades do porto antigo e procure um local do seu agrado para almoçar. São inúmeras as opções, mas os preços são altos. Depois do almoço, passeie por esta charmosa cidade, com tanta herança da ocupação veneziana.

Alguns dos lugares pelos quais você deve passar são:

– a Loggia que servia como principal ponto de encontro para a discussão de questões políticas e econômicas dos nobres que habitavam a cidade no século 16. Hoje ela abriga uma loja de réplicas de achados arqueológicos;

Ilhas gregas, Rimondi fountain

Fonte Rimondi. Foto: André Orengel

– a fonte Rimondi que abastecia esta parte da cidade veneziana com água potável;

Ilhas gregas, mesquita de Neratzes

Mesquita de Neratzes. Foto: André Orengel

– a mesquita de Neratzes, com seu enorme e lindo minarete construído em 1890, que já foi uma igreja e hoje é um conservatório;

– a Fortezza, o forte que servia de proteção à cidade. O curioso é que este forte jamais fora considerado um esplendor da segurança. Muito pelo contrário. Existem tantas falhas no projeto que alguns historiadores acham que ele sequer fora construído para defender a cidade de uma invasão turca. E sim para abrigar as tropas e administração veneziana. Contemple o pôr do sol do alto dos muros desta fortaleza e, ao anoitecer, retorne à Heraclião.

Terceiro Dia – Santorini

Ilhas gregas, Santorini, Thera

Vila de Fira, na ilha de Santorini. Foto: André Orengel

A balsa da Sea Jets sai do porto de Heraclião às 08h40 da manhã e chega em seu destino às 10h35. Anteriormente chamada de Strongili (a redonda) em razão de seu formato, Santorini teve a sua forma alterada para sempre por uma colossal erupção.  Foi por volta de 1613 a. C., quando o miolo da ilha foi afundado na caldeira de um gigantesco vulcão. Como resultado, foram formados enormes e lindos penhascos em sua face leste. As vistas da caldeira são realmente deslumbrantes. Principalmente, a partir das cidades de Fira e Oia.

Alugar um carro é importante para conhecer bem a ilha de Santorini. Você pode procurar uma locadora logo quando desembarcar. Dá para negociar bons preços para retirar e devolver o veículo no próprio porto. Para você ter um parâmetro de preços, alugamos um Nissan Versa por 65€ por dois dias.

Para o restante do dia, tenho duas opções de itinerários: um mais puxado e outro mais tranquilo.

Quero relaxar

Se você quiser curtir sem pressa, deixe as malas no hotel e almoce tranquilo. Minha sugestão é hospedar-se na vila de Fira e almoçar no Pelican Kipos, que tem um ambiente relaxado e uma comida ótima. Depois do almoço, uma boa opção é conhecer a cidade de Oia (falaremos dela mais adiante).

Não vim para brincar

Ilhas gregas, Santorini, ancient Thira

Ruínas da antiga Fira. Foto: André Orengel

Na opção para os fortes, dirija diretamente do porto para as ruínas da Fira antiga (a grafia Thera também será encontrada). Já na subida, você vai agradecer por estar de carro. Mas você não entra com ele no sítio arqueológico. O estacionamento é próximo à bilheteria. Compre, aqui também, um ticket combo. Passada a bilheteria, é preciso subir muitos degraus para chegar às ruinas. O trajeto é cansativo, mas a vista e o sítio arqueológico compensam o esforço.

Oia

Ilhas gregas, Santorini, Oia

Cenário de cartão postal em Oia. Foto: André Orengel

Terminado o tour, dirija até a cidade de Oia, na pontinha da ilha. Almoce e, em seguida, passeie pela vila enquanto ainda não chegaram as hordas de turistas para assistir à famosa vista do pôr do sol. Aproveite para visitar a igreja de Panagia Platsani e apreciar as lindas vistas da caldeira.

Reserve uma mesa com alguma antecedência no disputado Kastro para desfrutar da melhor vista do pôr do sol de Oia com tranquilidade e acompanhado de boa comida e bebida.

Quarto Dia – Santorini

Museu Pré-histórico de Fira

Ilhas gregas, Thira prehistorical museum

Museu Pré-Histórico de Fira. Foto: André Orengel

Você pode começar o dia conhecendo a belíssima coleção de achados arqueológicos do Museu Pré-histórico de Fira. Ele expõe as magníficas obras originárias das escavações do sítio arqueológico de Akrotiri. Apesar de pequeno, o museu é cheio de interessantes informações sobre os usos dos artefatos exibidos, bem como sobre a constituição geológica da ilha e os costumes da civilização Cíclade que ali habitava.

Vinícola Santo Wines

Ilhas gregas, Santorini, Santo Wines

A vista da vinícola Santo Wines. Foto: André Orengel

Depois, sugiro o tour guiado pela vinícola Santo Wines para aprender sobre o cultivo de uvas e a produção de vinho de Santorini. Fizemos o pacote mais barato disponível (o Simple Tour nº 1). Por 15€, ele também incluía a degustação de três taças de vinho. Almoce no local para deleitar-se com a linda vista e ótima comida do restaurante. Na lojinha, a especialidade é o vinho branco de uvas Assyrtiko.

Akrotíri

Ilhas gregas, Santorini, Akrotiri archeological site

Sítio arqueológico de Akrotíri. Foto: André Orengel

O sítio arqueológico de Akrotíri tem duas peculiaridades: ainda está em escavação e é completamente coberto. Ah, se todas as ruinas tivessem esta sombra… Descoberto em 1867, o sítio só começou a ser escavado para valer cem anos depois, sob a coordenação de Spyridon Marinatos. Afrescos, cerâmica, móveis, avançados sistemas de drenagem e edifícios de três andares foram descobertos no sítio em ótimo estado de conservação. Isto porque, similarmente às ruínas de Pompéia, na Itália, a cidade se encontrava enterrada (e protegida) em baixo de muitas toneladas de cinza vulcânica, derivadas daquela monstruosa erupção ocorrida nos idos de 1600 a. C. que eu falei lá em cima.

Mais penhascos e vistas

Ilhas gregas, Santorini, Thira

Outra vista que você pode ter em Fira. Foto: André Orengel

Finalizada a exploração da área, retorne a Fira para passear por suas ruas, especialmente aquelas que dão vista à cratera, para lindas fotos. Na hora do pôr do sol, jante no ótimo Character (a reserva garante os melhores assentos da casa). O carpaccio e a pizza estavam deliciosos.

Quinto Dia – Mykonos

Ilhas gregas, Mykonos

Mykonos. Foto: André Orengel

A balsa que leva a Mykonos provavelmente sairá do mesmo local que você desembarcou quando chegou a Santorini, às 10h45, chegando às 13h05. Ao desembarcar, vire à esquerda e siga reto até encontrar a parada do ônibus que lhe levará à Fabrika, na vila de Hora (se você, como eu, estiver hospedado aqui). Da parada, caminhe até o seu hotel. Ficamos no ótimo Poseidon, que fica bem perto dali. Após fazer o check-in, almoce no delicioso D’Angelo. De lá, caminhe até alguns dos exemplares mais famosos dos moinhos de Mykonos.

Depois disso, perca-se pelas ruelas de Hora. Você se sentirá em um labirinto, pois é quase impossível se guiar sem um mapa. Tudo isso era proposital. Os venezianos construíram as ruas desta vila assim por dois motivos:

1) para não criar corredores de vento, e, assim, manter as casas aquecidas nos meses de inverno;

2) Para confundir eventuais piratas que buscassem saquear a cidade.

Para jantar, escolha o Katerina’s Restaurant, com linda vista do pôr do sol e dos moinhos.

Sexto Dia – Mykonos

Delos

Ilhas gregas, Delos archeological site

Sítio arqueológico de Delos. Foto: André Orengel

Para o último dia de roteiro, você pode desfrutar de uma das ótimas e mundialmente conhecidas praias da ilha. Outra opção é fazer o que fiz: um passeio guiado ao sítio arqueológico de Delos. Ele fica em uma ilha hoje inabitada (os únicos moradores são os trabalhadores das escavações e manutenção do sítio). A ilha é perto de Mykonos e acessível de barco. A saída do porto antigo de Mykonos é as 9h da manhã com duas opções de retorno: as 13h30 e as 15h.

Como o lugar é imenso, você provavelmente preferirá retornar na segunda opção de horário. Leve um lanche/almoço, pois a comida vendida na lanchonete do local é caríssima. Não deixe de visitar o museu, com artefatos e estátuas encontradas no local, dentre os quais, destacam-se os originais leões de Delos. Muito protetor solar, chapéu e óculos escuros são praticamente obrigatórios para o passeio, já que a área é totalmente descampada.

Ilhas gregas, Delos lions, Mykonos

Os leões de Delos. Foto: André Orengel

Reza a lenda que foi aqui que nasceram os deuses gêmeos Apolo e Artêmis. Isto fez do lugar um dos três principais destinos de peregrinação da Grécia antiga. Não só de religião vivia a ilha. No período helenístico e nos primeiros séculos da ocupação romana, ela era um importante entreposto comercial. Muitos de seus habitantes eram ricos transportadores, banqueiros e comerciantes, originários da Europa, Ásia e África. O mercado de escravos chegou a vender até 10 mil pessoas por dia.

Ao retornar a Mykonos, aproveitamos para passear mais pelas ruas de Hora, tomar um sorvetinho e se despedir das maravilhosas ilhas gregas.

 

2 comentários em Ilhas gregas: seis dias em Creta, Santorini e Mykonos

Maceió: dicas da cidade em um roteiro de quatro dias

Vou confessar um pecado: foram necessários seis anos morando no Recife para ir a Maceió pela primeira vez. É pecado sim porque não há uma desculpa que não soe esfarrapada….

Vou confessar um pecado: foram necessários seis anos morando no Recife para ir a Maceió pela primeira vez. É pecado sim porque não há uma desculpa que não soe esfarrapada. As duas cidades são próximas: em 3h30 de estrada você sai de uma e chega à outra. Amigos pernambucanos sempre elogiaram a beleza da orla da cidade e das praias do litoral alagoano. Meus pais, quando vieram me visitar, já deram pelo menos duas escapadas até Alagoas e voltaram maravilhados. Falta de aviso é que não foi…

Maceió sozinha tem 40 quilômetros de litoral. Seis deles urbanizados, com calçadão, ciclovia, barracas e bares de praia. Nenhuma capital nordestina tem piscinas naturais tão próximas: a apenas dois quilômetros da costa. Além disso, a cidade oferece esportes de aventura (caiaque e stand up paddle, por exemplo), artesanato e uma ótima gastronomia. A capital alagoana é bem servida de restaurantes de cozinha regional e internacional, sempre com frutos do mar fresquinhos.

A orla da Pajuçara é fechada aos domingos e feriados. Foto: Leonardo Aquino

Para quem quer dar uma variada na paisagem, é só pegar uma estrada para viagens curtas. Num raio de algumas dezenas de quilômetros a partir de Maceió, há um farto cardápio de praias. Umas mais desertas, outras mais movimentadas, algumas com infraestrutura de resort, outras mais rústicas. Todas com o mar naquela paleta de cores dos sonhos: entre o azul e o verde, para ninguém sentir inveja do Caribe.

A ida a Maceió acabou sendo emblemática para mim por uma razão pessoal. Foi a primeira vez que minha esposa Janaína e eu viajamos com nossa filha Olívia. Ela tinha apenas dois meses quando fomos e isso acabou sendo determinante na elaboração do roteiro. Por exemplo, deixamos de fazer os passeios nas piscinas naturais por receio de andar com uma bebê num barco. E nas praias, procuramos pontos de apoio que fossem mais amigáveis para crianças.

Fim de tarde na Pajuçara. Foto: Leonardo Aquino

Passamos quatro dias lá no feriadão de 12 de outubro de 2017 e resolvi compartilhar com vocês nosso itinerário. Não é um guia definitivo de Maceió, mas o relato da nossa experiência na cidade. As dicas podem ser aproveitadas por famílias com filhos pequenos ou turistas em busca de uma viagem mais low profile. Espero que vocês curtam!

Como chegar a Maceió

De avião

Há voos diretos para Maceió saindo de Recife, Salvador, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas e Belo Horizonte. Se você vier de avião, desembarcará no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares. Ele fica a 25 quilômetros da orla da Pajuçara, o epicentro turístico da cidade. Se é nessa região que você vai ficar hospedado, a corrida de táxi vai sair entre R$ 75 e R$ 88. Dá para fazer uma simulação da viagem no site http://www.citytaxi.com.br.

Para economizar, dá para chamar um Uber, que custa entre R$ 40 e R$ 55. Há ainda os ônibus da empresa Veleiro (http://www.viacaoveleiro.com.br), que saem da frente do aeroporto. Mas os moradores dizem que a linha Aeroporto/Ponta Verde costuma ser visada por assaltantes. Melhor evitar.

De carro

Saindo do Recife, como foi o nosso caso, há dois caminhos. Um é pela BR-101, num percurso de aproximadamente 260 quilômetros. A estrada é toda duplicada no trecho pernambucano. Quando se entra em Alagoas, há alguns trechos de uma pista só. Mas as obras de duplicação estão em andamento, o que congestiona o trânsito em alguns momentos.

O segundo caminho é a chamada rota litorânea: PE-060 no trecho pernambucano e AL-101 no trecho alagoano. A distância é mais ou menos a mesma da rota pela BR-101. Mas o trajeto quase todo é feito em estrada de pista única. Além disso, há muitos trechos em áreas urbanas. Porém, para quem quer fazer um pinga-pinga em várias praias, é a melhor opção. No caminho, estão Porto de Galinhas, Carneiros, Tamandaré, Maragogi, Japaratinga e muitas outras.

Para quem vem do outro lado do Nordeste, como Aracaju e Salvador, o caminho principal é a BR-101. Mas não sei como está a estrada neste trecho.

Onde ficar

A maioria dos hotéis de Maceió está na Pajuçara. É o principal bairro da orla urbana, com muitos restaurantes, a feirinha de artesanato e equipamentos na praia (como quadras esportivas). Mas a oferta de hospedagem é proporcional à quantidade de gente e de carros circulando. Aos domingos e feriados, a avenida litorânea é fechada num trecho que vai até Ponta Verde (o bairro imediatamente ao norte de Pajuçara). A orla acaba virando uma grande rua de lazer, o que pode ser uma delícia e um tormento, dependendo do ponto de vista.

Quanto mais para cima você anda no mapa, menos muvuca. Escolhemos nos hospedar num dos últimos bairros da orla urbana da cidade, a Jatiúca. Alugamos um Airbnb num condomínio à beira-mar, num trecho ainda movimentado do bairro. Você pode usar como referência a avenida Antônio Gomes de Barros, que é perpendicular à orla. Ela é em estilo boulevard, com um canteiro central largo (mas não muito bem cuidado). Nela, há uma quantidade enorme de restaurantes, bares e lojas de rua. É uma ótima pedida para passeios pós-praia.

 

Primeiro dia

Almoço na Bodega do Sertão

Chegamos a Maceió por volta do meio-dia e, depois de deixar a bagagem no apartamento, fomos atrás do almoço. Escolhemos um local bem próximo ao condomínio: a Bodega do Sertão. É um restaurante típico nordestino que costuma ser visitado por celebridades. Há um painel com fotos de várias delas, principalmente atores globais. O serviço é em buffet por quilo e o atendimento é muito bom. Dá para experimentar baião de dois, carne de sol, carneiro, e outras delícias regionais.

Se você estiver na cidade em um domingo, pode tomar café na Bodega do Sertão. É o único dia em que o restaurante abre de manhã. Sem pressa, dá para se empanturrar com as guloseimas nordestinas. Bolo, tapioca, cuscuz, macaxeira e muito mais!

Pontal da Barra e Feirinha de Artesanato da Pajuçara

Maceió, bordado filé

O famoso filé alagoano. Foto: Leonardo Aquino

Em seguida, fomos até um local onde se compra o artesanato alagoano mais tradicional. O Pontal da Barra, também conhecido como “bairro das rendeiras”, é o melhor lugar para comprar o filé. Não, não é o corte de carne. E sim um estilo de bordado bem característico.

Segundo o Instituto de Bordado Filé, o estilo é construído a partir de uma rede que serve de suporte para a execução do bordado. O trabalho propriamente dito tem duas etapas: a construção da rede e o preenchimento de pontos sobre a rede.

É um estilo bem colorido, que está principalmente em peças de mesa e de vestuário. No Pontal da Barra, você vai poder encontrar uma variedade tremenda de exemplares. As lojas e ateliês das rendeiras estão concentradas na rua Alípio Barbosa da Silva. Além do filé, dá para encontrar tecelagem, cerâmica e muitos outros tipos de artesanato. Muitas lojas aceitam cartões de crédito e débito, mas levar dinheiro em espécie é bom para pechinchar. Há um caixa eletrônico da rede Banco 24 Horas numa das galerias.

Maceió, Pontal da Barra

A rua das rendeiras no Pontal da Barra. Foto: Leonardo Aquino

Depois de sair do Pontal da Barra, tentamos ir à Feirinha de Artesanato da Pajuçara. Mas o movimento estava muito grande na região (era feriado) e não conseguimos nem lugar para estacionar o carro. Pelo que deu para ver de fora, não há nada muito diferente do que se encontra em outras feiras de capitais nordestinas. Cachaça, castanha, renda, tecelagem, referências a forró e cangaço, etc. Se você é do Nordeste, certamente não vai ver nenhuma grande novidade.

Daslagoas Brew Pub

A casa da cerveja alagoana. Foto: Leonardo Aquino

À noite, decidimos dar uma explorada na avenida Antônio Gomes de Barros, próxima ao apartamento. Encontramos uma cervejaria que chamou a atenção pelo nome: Daslagoas Brew Pub. É um bar que produz a própria cerveja, com cinco rótulos. Todos têm alguma referência à cultura nordestina: Quilombos, Aluá, Jangadeiros, Virgulino e Guerreiros. Às terças, quartas e quintas, no happy hour, você toma dois chopps iguais e ganha o terceiro. Experimentamos a Guerreiros, que é uma Blonde Ale bem gostosa. A Daslagoas também vende outras cervejas locais, com preços muito bons. Vale demais a visita!

Maceió, Das Lagoas Brew Pub

Foto: Leonardo Aquino

Segundo dia

Praia de Garça Torta e Milk Beach Pub

Praia de Garça Torta. Foto: Leonardo Aquino

Era nosso primeiro dia de praia, então resolvemos acordar cedo para aproveitar algum tempo de sol mais brando. Principalmente por causa da Olívia, nossa bebê de dois meses. A ideia inicial era ir ao Hibiscus, um day use que fica na praia de Ipioca, 24 quilômetros ao norte de Maceió. O local é muito bem recomendado pela infra-estrutura, com gazebos, redes, espaço infantil, piscinas e até spa.

Quando chegamos à entrada do Hibiscus, fomos informados que o day use (R$ 35 por pessoa, sem consumação incluída) só poderia ser pago em espécie. Estávamos apenas com os cartões e tivemos que voltar à estrada para tirar dinheiro. Na volta, já havia uma placa na guarita: LOTADO. E não eram nem 10 da manhã. Acabamos desistindo do Hibiscus. Além do preço alto e da grande concorrência para entrar, achamos que era diferente do perfil que procurávamos.

Maceió, Milk Beach Pub, Praia de Garça Torta

Milk Beach Pub. Foto: Leonardo Aquino

Fomos então para uma praia um pouco mais próxima de Maceió, a de Garça Torta. Ficamos em outro bar de praia bem recomendado, o Milk Beach Pub. Quando chegamos, não havia quase ninguém e nos sentimos muito mais à vontade. Guarda-sol, rede e uma trilha sonora ótima, que foi de Secos e Molhados a Rolling Stones. O nome é uma homenagem a Harvey Milk, ativista LGBT americano que foi interpretado no cinema por Sean Penn.

Maceió, Milk Beach Pub, Praia de Garça Torta

Sombra, rede, barulho do mar… Precisa de algo mais? Foto: Leonardo Aquino

O cardápio tem petiscos de praia e frutos do mar a preços bem OK. A praia de Garça Torta, que fica nos fundos do Milk, tem o mar agitado. Além das ondas que quebram em cima da beira, há algumas pedras logo em frente ao acesso do bar. Mas dá para tomar banho andando um pouco para a esquerda.

Caminhada pela Jatiúca

No fim da tarde, resolvemos dar uma caminhada pela orla da Jatiúca. Há uma ciclovia e as calçadas são bem pavimentadas. Tanto que conseguimos andar confortavelmente com a Olívia no carrinho de bebê. A região tem muitos bares de praia como a Barraca Buenos Aires e o Lagosta do Chef. Saindo da orla e indo em direção à cidade, estão alguns dos restaurantes mais badalados de Maceió, como o italiano Maria Antonieta e o peruano Wanchako.

Acabamos indo em uma opção mais econômica para jantar, a creperia Operant. A especialidade da casa são os crepes com massa crocante. Mas a casa também tem boas saladas e ótimos sucos.

 

Terceiro dia

Praia de Guaxuma

Maceió, Praia de Guaxuma

Praia de Guaxuma. Foto: Leonardo Aquino

Fomos à primeira praia ao norte de Maceió. Guaxuma fica cerca de 10 quilômetros distante da Pajuçara, mas já dá para sentir muita diferença da orla urbana. Menos gente, menos carros e mais espaço na areia. O mar é agitado como o de Garça Torta, mas sem pedras.

Maceió, Praia de Guaxuma

Barraca Bar Brasil, em Guaxuma. Foto: Leonardo Aquino

Ficamos na Barraca Bar Brasil, uma das mais conhecidas de Guaxuma. Ela tem uma infraestrutura bem simples, mas suficiente para não passar perrengue. O diferencial é uma área de lazer para crianças, com alguns brinquedos no estilo parquinho. Os preços, em geral, são mais baixos que os de Garça Torta. Experimentamos o filé de siri, servido com farofa. Custou 35 reais e foi um bom petisco pré-almoço. O ponto negativo é que, diferente do Milk Beach Pub, o Bar Brasil é todo aberto e oferece menos privacidade.

Almoço no Akuaba

Depois da praia, fomos para uma das experiências que mais esperávamos em Maceió: o almoço no Akuaba. É um dos restaurantes mais badalados da capital alagoana, com suas receitas de inspiração africanas e baianas.

O acarajé do Akuaba. Foto: Leonardo Aquino

De saída, lhes digo: lá, experimentei o melhor acarajé da minha vida. Massa sequinha e fofinha, recheios deliciosos e um tamanho generoso. Se você não estiver sozinho na mesa, melhor dividir. Comer um inteiro pode tirar um precioso espaço do seu estômago.

Maceió, restaurante Akuaba

A Moqueca Meu Príncipe do Akuaba. Foto: Leonardo Aquino

No prato principal, pedimos a Moqueca Meu Príncipe. Ela leva camarão, mexilhão e polvo e é temperada com gengibre e biri-biri, uma fruta que também é conhecida como limão de caiena. Serve duas pessoas, assim como quase todo o cardápio. Além de moquecas, o Akuaba tem muitas opções de frutos do mar, inclusive ostras frescas.

O almoço saiu a R$ 87 por pessoa, incluindo entrada, prato principal, drink e sobremesa. O preço é bem justo para o tamanho das porções e para a qualidade da comida.

 

Último dia

Japaratinga

Foto: Leonardo Aquino

Para chegar ao Recife com o dia claro, saímos de Maceió ainda de manhã. A ideia era parar em alguma praia na rota ecológica para almoçar. Ficamos na dúvida entre Maragogi e Japaratinga. Maragogi é o principal destino da região, graças às piscinas naturais e à boa gastronomia. Só que a cidade foi invadida por resorts e costuma ficar entupida de turistas. Japaratinga está ali coladinha e tem as mesmas atrações naturais. A oferta de restaurantes não é igual à da vizinha badalada, mas a quantidade é suficiente para lhe deixar na dúvida na hora do almoço.

Como queríamos tranquilidade por causa da bebê, fomos a Japaratinga. A entrada da vila tem aquela imagem típica das cidades de interior: a pracinha, a igreja e os pequenos comércios. Andando algumas centenas de metros, você chega à orla e dá de cara com o mar azul esverdeado.

Praia de Japaratinga

Foto: Leonardo Aquino

Indo para a direita na orla (ou na direção sul no mapa), você vai encontrar uma grande oferta de restaurantes pé na areia. Escolhemos o Camboa pela área externa amigável: grama bem cuidadinha, espaço para estacionar, mesas e sombrinhas na beira da praia, proximidade do mar. O banho por lá é ótimo: ondas fracas e água com temperatura bem fresquinha.

O único porém foi o custo-benefício do almoço. Pagamos 84 reais num peixe grelhado bem simplório, com arroz e purê. Mas, em se tratando de valores, não espere encontrar algo muito diferente na região. Os preços são bem inflacionados.

No quesito economia, Japaratinga leva vantagem sobre Maragogi no valor do passeio das piscinas naturais. Pela pesquisa que fiz, o preço em Maragogi é em média 50% mais caro. Outra dica importante: se você gosta de sol e sossego, vale curtir a rota ecológica sem pressa. O ideal é programar de três a quatro dias.

 

1 comentário em Maceió: dicas da cidade em um roteiro de quatro dias

Atenas: o que fazer em três dias na cidade

Mais um texto convidado no Mochileza! O André Orengel, que já havia assinado o post sobre a road trip de Miami a New Orleans, está de volta por aqui. Ele…

Mais um texto convidado no Mochileza! O André Orengel, que já havia assinado o post sobre a road trip de Miami a New Orleans, está de volta por aqui. Ele e a esposa estiveram na Grécia em setembro de 2017 e me deixaram babando com as fotos. Não precisou nem pedir: o André já chegou com o artigo pronto! Um roteiro de três dias por Atenas, para ver o que há de mais importante na capital grega. Se liga nas dicas!

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Para quem curte história e arte, a Grécia é o lugar a ser visitado. Não é à toa que o país é conhecido como o berço da civilização ocidental. Muito da nossa cultura, da nossa forma de pensar e da nossa organização enquanto sociedade teve origem na Grécia pré-histórica e antiga. Por isso, uma visita à capital Atenas revela muito do nosso próprio passado e da origem do que somos atualmente.

Os gregos mantêm com muito orgulho suas tradições, costumes e o idioma. Não deve ser trabalho fácil, afinal foram quase 2 mil anos de dominação estrangeira, seja ela romana, bizantina ou otomana. O mais fascinante é conferir como se reaproveitam espaços e construções que resistem por tantos séculos nessa cidade habitada continuamente por pelo menos 5 mil anos.

Foto: André Orengel

Estar em Atenas, para mim, foi respirar história o tempo todo. O aeroporto, por exemplo, tem um museu que expõe os achados arqueológicos do local, assim como as estações de metrô. Já a Acrópole, erguida 200 metros acima da cidade, é tão sedutora que a buscamos sempre que dobramos uma esquina para vê-la por outro ângulo.

André Orengel. Foto: Arquivo Pessoal

Por tudo isso e mais, Atenas oferece assunto para muitas viagens ou para um mês inteiro de exploração. Mas, sabe como é, o trabalhador assalariado só tem 30 dias de férias por ano. Assim, a gente acaba passando bem menos tempo que o desejado (e o necessário) para conhecer a fundo nossos destinos de viagem.

Para ajudar o viajante a incluir Atenas numa viagem por outros lugares, montei um roteiro hiperapertertado (o prefixo hiper, aliás, tem origem grega). A ideia é explorar a cidade em três dias inteiros, focando nos principais sítios arqueológicos e museus. Creio que ele pode servir de base para você planejar a sua própria viagem. Vamos ao passo-a-passo:

Chegando a Atenas

Você, como eu, provavelmente desembarcará no aeroporto Eleftherios Venizelos (ATH) pela área destinada às chegadas e partidas dos países da zona Schengen. Se este for o seu caso, sugiro que compre logo um SIM Card para o seu celular na Public Conect. Quando estive lá, paguei 18€ por 15Gb de internet e mais 200 minutos de ligação para telefones na União Europeia.

Para ir do aeroporto ao centro de Atenas, que fica a cerca de 20km, você pode pegar um táxi (38€, das 5h às 23h59, ou 54€, das 0h às 4h59).

Há ainda duas boas opções de transporte público:

– o ônibus (linha X-95), leva cerca de 80 minutos do aeroporto à praça Syntagma, no centro da cidade. Ele custa 6€, funciona 24 horas todos os dias. A frequência varia conforme a época do ano.

– o metrô, com o mesmo trajeto, demora cerca de 40 minutos. Ele funciona das 06h30 às 23h30 e sai de meia em meia hora.

Preferi o metrô e aproveitei para comprar o ticket de turista que inclui ida e volta para o aeroporto e mais três dias de transporte público em metrô e ônibus. O preço é 22€.

Primeiro Dia

Atenas - Acrópole

Detalhe da Acrópole de Atenas. Foto: André Orengel

Começamos o dia com o descontraído e informativo tour da Athens Free Tours. Ele começa às 10h, dura cerca de 2h30, tem opções em inglês e espanhol e é gratuito. Ao final é de bom grado deixar uma gorjeta. O percurso a pé passa pelos principais pontos turísticos e bairros da cidade com explicações gerais sobre eles, mas sem entrar nos sítios arqueológicos.

O passeio que fiz (acho que o trajeto varia de guia para guia) encerrou próximo à entrada da Ágora Antiga. Aproveitamos então para comprar nesta bilheteria o ticket combo, que, por 30€, inclui várias atrações da cidade.

Com o ticket em mãos, subimos a encosta norte em direção à Acrópole. Essa é a parte do trajeto que realmente testa a vontade do sujeito de estar ali, principalmente se o fizer ao meio-dia durante o verão. Vencida a subida e antes de adentrar no sítio arqueológico, escalamos a Colina de Areópago para uma vista panorâmica da cidade e da própria Acrópole.

Atenas - Acrópole

Vista da Acrópole a partir do Monte de Areópago. Foto: André Orengel

Trata-se de um enorme monólito de mármore onde, conta a lenda, Ares foi julgado e absolvido pelo conselho dos deuses pelo homicídio de Halirrothios, filho de Poseidon. Por isso (ou não), o lugar fora utilizado na Antiguidade como corte para o julgamento dos crimes de homicídio, corrupção e traição pelo Conselho de Areópago. Os cristãos se lembrarão deste nome porque, segundo a Bíblia (Atos dos Apóstolos 17.16-34), Paulo proferiu neste lugar o famoso discurso sobre o deus desconhecido.

A Acrópole

Os primeiros templos da Acrópole (acro = alto + polis = cidade) foram construídos na era Micênica, em reverência à deusa Atena. Eles foram completamente destruídos pelos persas na véspera da batalha de Salamina (480 A.C.). Com a vitória grega, o gestor Péricles deu início a um ambicioso programa de reconstrução da cidade que transformou a Acrópole em um fabuloso complexo de adoração, principalmente da deusa Atena, coroada pelo Parthenon, que marcou o apogeu das realizações da Grécia clássica. Em nossos tempos, a Acrópole se tornou um dos principais sítios arqueológicos da Antiguidade ocidental.

Atenas - Parthenon

O famoso Parthenon, na Acrópole de Atenas. Foto: André Orengel

De lá para cá, a Acrópole sofreu com desastres naturais, guerras e pilhagens. Assim, o que vemos atualmente são apenas ruínas que nos concedem uma vaga noção do que o lugar já foi um dia. O maior golpe ao local fora desferido em 1687 pelos Venezianos, durante um bombardeio contra os Otomanos. O principal prédio do complexo (utilizado à época como depósito de pólvora) foi explodido e causou grandes danos aos demais.

Ao passar pelas catracas, vire à direita para apreciar o Odeão de Herodes Áticos, construído em 161 d.C. pelo aristocrático romano que o nomeia. Completamente reconstruído entre 1950 e 1961, ele é utilizado durante os festivais teatrais de verão para encenações de tragédias e comédias clássicas.

Atenas - Odeão de Herodes Áticos

Odeão de Herodes Áticos. Foto: André Orengel

Do lado oposto ao tetro, acima das folhas das oliveiras que adornam o caminho, você terá uma boa visão do templo de Atena Nike. Sim, o nome é o mesmo da famosa marca de material esportivo. Nike é a deusa da vitória que coroou Atena após esta haver derrotado Poseidon na batalha pela adoração dos habitantes da cidade a partir de então chamada de Atenas.

Templo de Atena Nike. Foto: André Orengel

Siga o caminho indicado e suba até a Propylaia, a monumental entrada da Acrópole, construída por Mnésicles entre os anos de 437 e 432 a.C. Passeie pelo sitio arqueológico parando nas placas distribuídas à frente das principais ruínas para ler as explicações sobre a história do lugar e seus traços arquitetônicos mais marcantes.

Depois da visita à Acrópole

Após a exploração, que provavelmente durará em torno de duas horas, desça pela encosta sul do monte, passando pelo Teatro de Dionísio, o templo de Asclépio e a Stoa de Eumenes, e siga em direção à rua Makrigianni, para almoçar em um de seus restaurantes. Comemos no Arcádia (Makrigianni, 27) e adoramos a comida e o atendimento. Recarregadas as baterias, aproveite o restante da tarde para apreciar a excelente coleção de esculturas do Museu da Acrópole, localizado ali próximo.

Terminada a visita, aproveite o cair da noite para percorrer o bairro de Plaka, em direção à praça Monastiraki. O bairro, apesar de muito turístico, é uma das partes mais charmosas da cidade. Tem ruas estreitas, cantinhos, lojinhas, bares, restaurantes e a vista do Parthenon ao alto. Escolha um dos restaurantes da região para o jantar, que pode ser o excelente Lithos, na rua Aisopou, 17.

Segundo Dia

Atenas - Templo de Zeus

Templo de Zeus. Foto: André Orengel

Nosso primeiro destino no segundo dia de viagem foram as ruínas do templo do Zeus Olímpico. É o maior templo da Grécia e fica do “lado de fora” do arco de Adriano, que marcava a divisão entre a cidade antiga grega (de Teseu) e a nova cidade romana (de Adriano). Sua construção iniciou no século 6º a.C., na gestão de Peisistratos. A obra só foi concluída pelo imperador romano Adriano em 131 d. C. após várias interrupções.

Em seguida, atravesse os Jardins Nacionais e chegue à frente do Parlamento Grego. Sincronize seu tempo para chegar às 10h ou 11h, para ver a cerimônia da troca da guarda que protege a tumba do soldado desconhecido. Estivemos lá no domingo às 11h e assistimos a uma cerimônia mais pomposa (que ocorre semanalmente nesse horário), com direto à banda marcial e um pequeno desfile. Tinha uma multidão no local. Portanto, se a sua intenção é a testemunhar essa ritual estendido, chegue com ao menos 30 minutos de antecedência para conseguir um bom lugar.

Atenas - Parlamento

A cerimônia da troca da guarda em frente ao Parlamento. Foto: André Orengel

Museus de Atenas

Depois disso, abrigue-se do sol em dois dos melhores museus de Atenas, localizados ali pertinho na Avenida Leoforos Vasilissis Sofias. O Museu Benaki e o Museu de Arte Cristã e Bizantina. O primeiro exibe a coleção privada de Antonis Benakis, incluindo achados desde era Micênica até a atualidade. Já o segundo apresenta uma enorme coleção de arte cristã, desde a antiguidade até os dias atuais. Ela abrange imagens, pinturas, bíblias, entre outros. Aproveitamos para almoçar no restaurante situado no terraço do Museu Benaki, e assim otimizamos o nosso tempo.

Estádio Panatenaico

Ao terminar a visita ao Museu de Arte Cristã e Bizantina siga para o Estádio Panatenaico (fecha as 19h entre março e outubro, e às 17h entre novembro e fevereiro). No caminho, passe pela frente do Palácio Presidencial, que também conta com uma cerimônia de troca da guarda, menos concorrida que a do Parlamento.

Atenas - Estádio Panatenaico

Estádio Panatenaico. Foto: André Orengel

O Panatenaico é o único estádio do mundo construído completamente em mármore. Ele recebeu a abertura e o encerramento dos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna (1896) e também a chegada da maratona dos Jogos de 2004. Este estádio chegou a abrigar 80 mil espectadores em uma partida de final da Euroliga de Basquete entre o AEK Atenas e o Slavia Praga, em 1968. Não deixe de ouvir ao ótimo e bem completo audioguia em português, que narra esses e muitos outros fatos interessantes referentes ao estádio.

Se você ainda tiver fôlego, cronometre a visita para encerrar cerca de uma hora antes do pôr do sol. Assim, você pode assisti-lo do alto do Monte das Musas (também conhecido como Monte Philopappos), com uma ótima vista do mar Egeu, da Acrópole e da cidade. Demoramos em torno de 30 minutos para caminhar do estádio até o topo do morro, em uma subida que não exige muito do seu preparo físico.

Atenas - Monte das Musas

A Acrópole vista do Monte das Musas. Foto: André Orengel

Para encerrar o dia, jante no excelente Mani Mani (Falirou 10): comida refinada, deliciosa e com uma linda apresentação.

Terceiro Dia

Inicie o seu terceiro dia conhecendo a Ágora Antiga (grega). O coração da Atenas antiga era a Ágora. Nela, desenrolavam-se as principais atividades administrativas, comerciais, políticas e sociais. Hoje, grande parte do local está completamente em ruínas. É preciso ter muita imaginação para entender o que se passava em cada local marcado pelo mapa, mesmo lendo as placas informativas.

Atenas - Stoa de Átalos

Stoa de Átalos. Foto: André Orengel

Isto exceto pela Stoa de Átalos. Com dois pavimentos totalmente reconstruídos, ela nos transporta dois mil anos ao passado para termos um gostinho de como seria um shopping center da época. Este edifício também abriga o museu da Ágora, onde podemos ver uma maquete completa do sítio arqueológico e esculturas encontradas no local. Outra notável exceção é o Templo de Hefesto, considerado o templo grego mais bem preservado do mundo.

Atenas - Templo de Hefesto

Templo de Hefesto. Foto: André Orengel

Ágora Romana

Colada à Ágora Antiga (grega), encontra-se a chamada Ágora Romana. Lá você pode apreciar suas ruínas, notadamente a bem-preservada Torre dos Ventos. É um monumento octogonal, construído pelo astrônomo sírio Andronicus. Ele servia como relógio de água, compasso, biruta e relógio de sol. Ao entrar na Ágora, dedique um momento ao mapa que fica logo após ao pórtico de Athena Archegetis. É fundamental para entender as ruínas remanescentes.

Atenas - Ágora Romana

A Ágora Romana e a Torre dos Ventos. Foto: André Orengel

Também bem próximo daí, está localizada a Biblioteca de Adriano, a última das ruínas a ser visitada neste passeio. Datada do século 2º a. C., esta foi a maior das estrutura erguidas por Adriano na cidade.  Ela continha um pátio interno com uma piscina no centro e bordeado por 100 colunas. Assim como livros, o prédio abrigava instrumentos musicais, salas de estudo e auditórios.

Quando terminar estas visitas, almoce em um dos restaurantes da região para em seguida ir ao Museu Arqueológico Nacional. Para chegar lá, pegue o metrô na estação da praça Monastiraki, siga rumo a Kifissia e desça na estação Victória. Ande algumas quadras na direção sul e você encontrará um enorme prédio neoclássico ao final de uma pracinha gradeada.

Atenas - Museu Arqueológico Nacional

Museu Nacional Arqueológico de Atenas. Foto: André Orengel

Um “best of” do Museu Arqueológico Nacional

O Museu Arqueológico Nacional de Atenas possui a melhor coleção de arte grega pré-histórica e clássica do planeta. Dedique algumas horas para  apreciar as suas obras, sem deixar de ver os seus highlights:

– a Máscara Fúnebre de Agamemnon e as Taças Douradas de Vaphio, localizadas nas salas centrais do térreo. Estas salas são dedicadas, entre outros, às civilizações Micênicas e Cyclades;

– a estátua de bronze de Poseidon ou Zeus, encontrada no fundo do mar Egeu, na Galeria 15;

– a estátua de bronze de um cavalo montado por um jovem cavaleiro e a estátua em mármore de Afrodite, na Galeria 21;

– os afrescos de Akrotini das Crianças Lutando Boxe, da Primavera e dos Antílopes, no andar superior;

– e os seis vasos que eram presenteados aos vencedores dos jogos Panatenaicos repletos de azeite de oliva. Eles remontam à origem dos troféus, atualmente entregues aos ganhadores de competições esportivas, na Galeria 56.

Um pouco de teatro

Após a visita ao museu, voltamos ao Odeão de Herodes Áticos. Lá, vimos a apresentação da tragédia As Bacantes (The Bacchae) de Eurípedes. Ela integra o Festival de Verão de Teatro de Atenas e Epidauro. A peça é em grego, com legenda em inglês, e vale muito a pena. Se você não conseguir garantir seu ingresso, uma opção que não chegamos a conhecer é subir no monte Lykavittos de táxi ou funicular. No local, dá para apreciar a vista da cidade e do pôr do sol por uma outra perspectiva.

Para terminar o passeio por esta espetacular cidade, jante no Balcony Restaurant & Bar (Veikou, 1) e se despeça com ótima comida e uma bela vista da Acrópole iluminada.

Tem um dia a mais?

Bem, se tivéssemos mais um dia, o aproveitaríamos para conhecer os arredores da cidade. Especialmente a área do Cabo Sounion, a 70km ao sul de Atenas. Lá ficam o Templo de Poseidon e várias praias. Você pode ir para lá de ônibus, pela linha “Markopoulo, Lavrion e Sounion”, em um tour ou alugando um carro.

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Sul da Argentina: um roteiro por El Calafate e Ushuaia

Sempre que ponho lado a lado os destinos turísticos do Brasil e da Argentina, vejo como os dois países são perfeitamente complementares. Eles não têm praias como as nossas e nós…

Sempre que ponho lado a lado os destinos turísticos do Brasil e da Argentina, vejo como os dois países são perfeitamente complementares. Eles não têm praias como as nossas e nós não temos montanhas como as deles. A Argentina tem a Patagônia, mas o Brasil tem a Amazônia. Os argentinos têm a paisagem desértica de Salta e Jujuy, enquanto temos o cerrado e as chapadas. O único ponto de convergência talvez seja a área binacional das Cataratas do Iguaçu. Mesmo assim, sempre tem quem diga que um lado é mais bonito que o outro.

E é por essas e outras que os argentinos invadem o Brasil no verão. Antes restritos ao litoral de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, agora eles aproveitam voos diretos para o Nordeste. Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte viraram destinos comuns para eles. Por outro lado, há quase uma diáspora brasileira no inverno, principalmente rumo a Bariloche. Cidade que, aliás, recebe o apelido de “Brasiloche” nas férias de julho.

Mas Bariloche, com a neve e a gastronomia, não deve ser encarada como o único destino possível de inverno em terras argentinas. O sul da Argentina tem um punhado de lugares para se conhecer. A aprazível San Martín de Los Andes e seu clima de cidade suíça no meio da América Latina. Puerto Madryn, base para avistar baleias. E a Ruta 40, que cruza a Patagônia quase inteira, pode fazer parte de uma bela road trip.

Porém, tem duas cidades que dominam minha lista de desejos na categoria “viagens pela Argentina”: El Calafate e Ushuaia. El Calafate fica na província de Santa Cruz e é a terra das geleiras (ou glaciares, como se diz em espanhol) como o famoso Perito Moreno. Ushuaia fica na província da Terra do Fogo e é a principal cidade no extremo sul do país. A brincadeira com o “fim do mundo” está em todos os lugares.

Ainda não estive em nenhuma das duas. Mas conhecer quem já esteve ajuda a mergulhar no destino e a instigar. Por isso, recorri ao Márcio Cabral de Moura. Ele é servidor público, mora no Recife e é um dos viajantes mais assíduos que conheço. Nos últimos 15 anos, ele fez 25 viagens internacionais. A maioria para o Canadá, por motivos familiares. Mas ele e a esposa Renata já andaram muito por aí: Islândia, Alemanha, Inglaterra, Ilha de Páscoa e por aí vai.

Em fevereiro de 2017 (em pleno Carnaval, veja você!), Márcio e Renata embarcaram rumo à Argentina, tendo como principais destinos justamente El Calafate e Ushuaia. Eles deram tantos bons relatos e postaram tantas fotos lindas que decidi convidar o Márcio a contribuir com o blog. Eis então mais um guest post especial do Mochileza. Espero que vocês curtam a viagem e aproveitem as dicas do Márcio!

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Márcio e sua esposa Renata. Foto: Arquivo pessoal

El Calafate

Nossa viagem para El Calafate saiu do Aeroparque, em Buenos Aires. Pegamos um voo da Aerolineas Argentinas, que, em trechos domésticos, só permite até 15 quilos de bagagem despachada e 5 quilos de bagagem de mão. O que me impressionou na viagem é que pouco tempo depois de sairmos de Buenos Aires, a paisagem virou desértica. Eu juro que não sabia que a Patagônia Argentina era o quarto maior deserto do mundo. Ah, minhas aulas de geografia…

O aeroporto de El Calafate é bem pequeno e fica a cerca de 25 km da cidade. Lembrando que estamos num deserto, e mesmo nas margens do lago (que vai de antes do aeroporto para além da cidade) não há nenhum árvore. Na realidade, praticamente não há nenhuma vegetação. A cidadezinha é bem simpática e sua avenida principal tem um trânsito intenso, o que faz com que seja demorado atravessar a Av. del Libertador.

Dicas para planejar sua viagem a El Calafate

Antes de falarmos dos passeios em El Calafate, é importante destacar algumas coisas que podem ajudar no seu planejamento:

  • Geralmente, cada excursão é oferecida por uma única empresa. Mas todas as agências revendem esses passeios com algum ágio. No primeiro passeio da nossa viagem, ele saía por 1470 pesos por pessoa na agência “oficial” e por 1520 pesos na que revende. A diferença pode parecer pequena (em fevereiro de 2017, 50 pesos correspondiam a aproximadamente 10 reais), mas é bom ficar de olho.
  • Muitos pagamentos saem mais caros no cartão de crédito. Passeios, hospedagem e traslados. Sempre prefira pagamento em dinheiro (ou “en efectivo”, como dizem os argentinos).
  • Algumas agências e lojas aceitam dólares e reais para pagamentos. Mas a cotação é desvantajosa. Na nossa viagem, no aeroporto de Ezeiza, um real valia 5,10 pesos. Em El Calafate, a média era 4,50 pesos. E encontramos uma loja que fazia câmbio a 3,50.

Trekking no Perito Moreno

El Calafate, Glaciar Perito Moreno

A caminhada na imensidão de gelo. Foto: Márcio Cabral de Moura

O glaciar Perito Moreno é o principal destino dos turistas em El Calafate. Ele fica a 75 quilômetros da cidade e, na excursão que fizemos até lá (com a agência Hielo y Aventura), fizemos uma parada no meio do caminho para fotos no lago Argentino. A parada seguinte já foi na entrada do Parque Nacional Los Glaciares. O ingresso é pago (apenas em dinheiro) e nos informaram que o preço para brasileiros é menor: 250 pesos.

No site do Parque Nacional Los Glaciares, não há uma informação sobre descontos para nacionalidades. Há, sim, tarifas especiais para argentinos, moradores da província de Santa Cruz, crianças e estudantes. No mais, a tarifa cheia (em setembro de 2017) era de 500 pesos. O que pode ter acontecido é que a agência que promoveu o passeio conseguiu barganhar um desconto com a administração do parque.

Em seguida, tiramos fotos num mirante do glaciar e entramos no barco que nos levou aos pés do Perito Moreno. A travessia dura cerca de 15 minutos e é muito bonita. Além do paredão de gelo que lembrava a muralha de Game of Thrones, também tem alguns pequenos icebergs no lago.

El Calafate, Glaciar Perito Moreno

Winter is coming. Foto: Márcio Cabral de Moura

Antes de iniciar o trekking, fomos para o ponto de apoio para podermos irmos ao banheiro e, se quiséssemos, deixar algo que estivéssemos carregando, como o almoço. Depois fomos caminhando até uma praia junto do glaciar, para tirarmos fotos e em seguida fomos botar os grampões nos pés, para podermos andar sobre o gelo.

A caminhada sobre o gelo durou cerca de 1h30 e terminou com uma degustação de chocolate e whisky (com pedras de gelo do glaciar).

Em seguida, voltamos para o ponto de apoio, onde almoçamos o que havíamos levado – no nosso caso, sanduíche de queijo e presunto. Ficamos por lá um tempinho e às 15h50, fomos para o barco, voltando para onde estava o ônibus. De lá, fomos para as passarelas, ver o Perito Moreno. Eu tinha lido que não acrescentava muito ao mini-trekking, mas acrescenta, sim. Do mini-trekking vemos a parede sul. Do mirante vemos a leste e a norte. Pena que só ficamos uma hora nas passarelas. Na realidade, menos, pois tinha o tempo de voltar pro ônibus e ir ao banheiro dentro dessa hora.

 

Ríos de Hielo

El Calafate, Lago Argentino

Lago Argentino. Foto: Márcio Cabral de Moura

Este passeio é uma navegação de 5 horas pelo braço norte do lago Argentino. Dá pra ver cinco grandes geleiras da região (Upsala, Spegazzini, Seco, Heim e Pineta) e também o fenômeno do desprendimento de gelo em uma delas.

Chegando ao porto, é preciso pagar a entrada do Parque Nacional Los Glaciares (o mesmo do Perito Moreno). São 4 ou 5 guichês que só aceitam pesos argentinos e no porto não há caixa eletrônico ou casa de câmbio. Portanto, leve dinheiro em espécie.

O barco que faz o passeio lembra a balsa que faz a travessia Rio-Niterói. Antes de zarpar, dois fotógrafos deram dicas de como tirar as fotos e depois foi anunciado pelo sistema de som a possibilidade de upgrade pro “Clube do Almirante”, por 1.650 pesos, o mesmo preço que já havíamos pago pelo passeio (fora os 350 pesos do traslado). Eu olhei pra nossos lugares separados e a multidão que teríamos que enfrentar para conseguir tirar boas fotos e decidimos fazer o upgrade, não sem antes dar uma olhada no espaço do “Clube do Almirante”.

O espaço do “Clube do Almirante” tem 16 lugares bem mais confortáveis, com duas varandas privativas, junto do comandante do barco. Além disso, tem guia exclusivo, serviço de bordo incluído, com direito a open bar, café da manhã, lanche e almoço, além de um garçom que falava português.

El Calafate, Lago Argentino

Icebergs no lago Argentino. Foto: Márcio Cabral de Moura

No passeio vimos muitos icebergs e três geleiras. Uma, bem de longe, por questões de segurança e as outras bem mais de perto. A última geleira, segundo o guia, era um paredão de gelo, com altura variando entre 80 e 130 metros, saindo do lago. Espetacular à vista, mas exceto nos momentos em que o barco estava parado, fazia muito frio na varanda, por conta do vento gelado. A empresa que faz este passeio é a Solo Patagonia.

 

El Chaltén

El Calafate

Foto: Márcio Cabral de Moura

Ficamos em dúvidas se faríamos ou não este passeio. Pelo que havíamos lido na internet, o ideal era pernoitar em El Chaltén, já que a distância a El Calafate era muito grande (mais de 200 quilômetros) e o tempo disponível para fazer alguma trilha terminava sendo muito curto. Mas como estávamos com a um dia livre e sem nenhuma programação, resolvemos arriscar um bate-volta com a agência South Road.

No caminho, depois de vermos alguns guanacos na beira da estrada, paramos em La Leona (a 95 km de El Calafate). Ainda paramos mais uma vez para tirarmos fotos da paisagem e finalmente, depois de 220 km, chegamos a El Chaltén. Mas passamos direto da mais nova cidade argentina (fundada em 1985) e fomos para o Chorrillo del Salto, uma cachoeira a 1,5 km do centro da cidade.

Depois de visitarmos essa bela cascata, fomos para um ponto de apoio da excursão onde pudemos usar o banheiro e onde nos entregaram uma sacola com o almoço (incluso nessa excursão). A sugestão é que fizéssemos a trilha para o lago Capri (4 a 5 km de ida, numa trilha de nível fácil com duração estimada de 2 horas). Cinco horas mais tarde o ônibus retornaria para El Calafate.

A trilha começa com muita subida e depois de muito tempo, chegamos no quilômetro 1. Com 1h30 de andada/subida, que não era exatamente fácil, chegamos no quilômetro 2, onde encontramos um casal de alemães retornando, que nos disse que a trilha ficava mais fácil a partir dali, mas ainda faltava uns dois quilômetros. Resolvemos comer alguma coisa e voltar, pois ou não daria tempo, ou ficaria muito corrido.Saindo da trilha 2h30 depois de iniciada e tendo feito apenas metade do trajeto (ou um pouco menos).

 

Calafate Mountain Park

El Calafate, Calafate Mountain Park

Foto: Márcio Cabral de Moura

No nosso último dia inteiro em El Calafate, tivemos uma programação light. Apenas um passeio de meio dia rumo ao Calafate Mountain Park, à tarde, feito com a agência Viva Patagonia.

A excursão é feita num ônibus/caminhão 4×4 e com vista panorâmica. A cidade de El Calafate fica entre o Lago Argentino e duas montanhas e foi justamente numa dessas montanhas que começamos a subir. Entramos por uma estância pequena (para padrões patagônicos) de “apenas” 14.000 hectares, onde subimos até 1.000 acima do nível do mar (uns 800 metros acima de El Calafate).

Lá em cima tivemos muita sorte de o céu estar limpo e de não estar ventando. Conseguimos avistar o monte Fitz Roy, a 150 km de distância e a geleira Perito Moreno a 65 km.

Depois descemos um pouco, passando por outra estância, esta sim, grande (90 mil hectares, uma das dez maiores da Argentina), até o Mountain Park, que é administrado por um grupo de Andorra. O espaço funciona como parque de Mountain Bike no verão e estação de esqui no inverno.

El Calafate, Calafate Mountain Park

Calafate Mountain Park. Foto: Márcio Cabral de Moura

Fizemos uma pequena caminhada por lá e depois fizemos um lanche, que estava incluso no passeio, mas não sabíamos. Na volta, ainda vimos uma formação geológica única da região, o sombreiro mexicano.

 

Ushuaia

 

Lagos Escondido e Fagnano

Ushuaia, Lago Fagnano

Lago Fagnano. Foto: Márcio Cabral de Moura

O voo de El Calafate até Ushuaia (pronuncia-se USSuaia) dura 1h20. Na chegada, estava ventando muito e não descemos num finger. O funcionário do aeroporto que estava ao pé da escada estava dançando, para se aquecer.

A primeira excursão que fizemos por lá foi um passeio de 4×4 para os lagos Escondido e Fagnano, com a empresa Baqueanos.

A primeira parada foi num criadouro de Huskies, onde aproveitamos para poder ir ao banheiro e andar na tundra que forma o solo dos vales em Ushuaia. Voltamos à estrada e começamos a subir os Andes, no único trecho em que é Argentina dos dois lados. No passo Garibaldi, saímos da estrada asfaltada e pegamos a antiga estrada, hoje uma trilha. Paramos para ver os lagos do alto e depois seguimos a pé por uns 150 metros, até uma pequena cachoeira.

Essa é a famosa tundra. Foto: Márcio Cabral de Moura

De volta ao carro, descemos a trilha e, em seguida, pegamos uma estrada regional de barro, para logo depois entrarmos numa trilha dentro de uma propriedade privada, Lá, paramos para ver a devastação nos bosques que os castores provocam.

Voltando ao carro, fomos até a beira do lago Fagnano, onde a guia entrou com o carro dentro d’água depois de uma descida, fingindo ser sem querer. Uma das nossas companheiras de passeio chegou a ficar preocupada, pois não sabia nadar.

Estava ventando muito e o lago é impressionante. Apesar de não ser muito largo, ele tem cerca de 100 quilômetros de comprimento. E como forma um corredor de vento, tem ondas de tamanho até razoável. Chegando no refúgio, havia uma fogueira do lado de fora, junto da churrasqueira e dentro do refúgio um fogão de lenha aceso para esquentar o ambiente (e a água do chá/café pós-refeição).

 

Passeio de helicóptero por Ushuaia

Ushuaia, vista aérea

A Terra do Fogo vista do alto. Foto: Márcio Cabral de Moura

Essa excursão estava marcada para o meio-dia. Portanto, deu para dormir até um pouco mais tarde. Um carro de aluguel nos leva até o antigo aeroporto de Ushuaia, dentro de uma base militar. Fomos muito bem recebidos na agência Heliushuaia. Depois vimos um filminho com instruções de segurança em português e em seguida fomos conduzidos para a pista, para entrarmos no helicóptero.

Era um helicóptero pequeno, com capacidade para três passageiros. O passeio durou 15 minutos e foi fantástico. Depois de sobrevoarmos o canal de Beagle e a cidade de Ushuaia (com informações turísticas repassadas pelo piloto), sobrevoamos os Andes e passamos em cima de uma glaciar e uma lagoa lá em cima. Depois passamos por cima da lagoa esmeralda e voltamos pra cidade.

No aeroporto, recebemos um certificado de voo no fim do mundo e depois um carro de aluguel nos deixou no hotel. O custo total foi de US$ 180 por pessoa.

 

Valle Hermoso

Ushuaia, Valle Hermoso

Castores pegos no flagra. Foto: Márcio Cabral de Moura

No mesmo dia do passeio de helicópteros, tivemos outra programação: o avistamento de castores no Valle Hermoso. Já era final de tarde quando chegamos numa casa de madeira, onde fomos recebidos pelos dono e por Kiwi (um cachorro). Entramos na casa e fomos instruídos a deixar nossas coisas e trocar nossos sapatos por botas de borracha. Recebemos uma capa de chuva e saímos da casa seguindo o guia.

Caminhamos por encharcados e turva (a tundra do sul) até a primeira castoreira, onde pudemos observar três castores. Depois do um tempo, continuamos a caminhada até uma segunda castoreira, onde avistamos dois castores. Só que depois de uns cinco minutos, um dos castores nos viu, bateu com a cauda na água e foi se refugiar em sua casa. O outro, que estava comendo, meio que se escondeu, mas não voltou pra casa.

Ushuaia, Valle Hermoso

Parece imagem de desenho animado. Foto: Márcio Cabral de Moura

Em seguida fomos andando até a terceira castoreira, onde tinham feito a maior represa. Havia duas casas, mas não avistamos nenhum castor. Ficamos um tempo, tomando vinho quente com especiarias e falando de política e depois retornamos pra casa-sede. Chegamos no hotel quase meia-noite, tendo que acordar cedo no dia seguinte.

 

Caminhada com pinguins

Ushuaia, pinguins

Foto: Márcio Cabral de Moura

Este passeio sai cedo. Tínhamos que chegar ao porto às 8h30 para partida às 9h. Antes de embarcar, era preciso fazer check-in e pagar a taxa portuária de 20 pesos por pessoa. Nosso passeio era pela Piratour, a única agência que faz a caminhada com os pinguins. Todas as outras fazem a observação de dentro de seus barcos. Isso porque a Piratour é a dona da ilha onde os pinguins fazem seus ninhos.

O barco da Piratour é pequeno (capacidade para umas 40 pessoas), com lugares sentados no “térreo” e um deck aberto (sem teto) de observação.

Primeiro passamos na ilha dos pássaros, depois na ilha dos leões-marinhos e depois na ilha do farol (onde tinha leões-marinhos e pássaros). Em seguida, passamos por Puerto Williams, vilarejo chileno de 2.000 habitantes que fica mais ao sul que Ushuaia e finalmente paramos na Estância Herberton. Lá o grupo foi dividido em dois, de acordo com o cartão de embarque (que era um crachá de embarque). O grupo verde (o nosso) ia para a ilha ver os pinguins enquanto o grupo laranja ia almoçar (no restaurante deles, mas não incluso no passeio). Depois invertia.

Ushuaia, pinguins

Os pinguins de Papua, de pés amarelos. Foto: Márcio Cabral de Moura

Pegamos uma lancha (com cobertura) e fomos para a ilha dos pinguins. Dá pra ir de tênis, pois não chegamos a pisar na água. Na ilha, vários pinguins na praia, onde temos que manter uma distância de pelo menos 2 metros. Depois subimos uma escada para o interior da ilha e tivemos que ficar na região demarcada (onde eventualmente os pinguins entram). Nessa parte, temos que respeitar o pinguim como se ele fosse um ciclista: 1,5 m de distância. São centenas de pinguins (todos da espécie pinguim de Magalhães), além de gansos sul-americanos e alguns outros pássaros.

Saindo dessa região, caminhamos pela praia, onde vimos mais pinguins de Magalhães. Seguindo pela praia, finalmente avistamos os pinguins de Papua, que são maiores e têm pés amarelos.

Ushuaia, pinguins

Mais pinguins de Papua. Foto: Márcio Cabral de Moura

Depois de uns 40 a 50 minutos na ilha, voltamos pra lancha (ela veio até nós, para ser mais preciso) e fomos almoçar. Em seguida, fomos para um museu de fósseis marinhos que fica a uns 300 metros do restaurante. Fizemos uma visita guiada e em seguida fomos pro ônibus (a volta é de ônibus).

 

Museo Maritimo y del Presidio

No nosso último dia em Ushuaia, fomos ao museu que fica na antiga penitenciária da cidade (a entrada custa 250 pesos pra residentes em países do Mercosul).

Na realidade é um complexo de museus. Não há nada muito diferente do que poderíamos encontrar numa página de Internet, mas valeu a visita num dia chuvoso.

Os nativos da região morreram quando passaram a ser obrigados a usar roupas. E até mil oitocentos e pouco não se conhecia o canal de Beagle, que tem esse nome por conta do navio que em sua segunda viagem pra essas bandas teve a bordo Charles Darwin. E os pinguins mais ao norte que existem são encontrados nas Ilhas Galápagos.

*** Como escrevemos lá em cima no post, esta viagem foi feita em fevereiro de 2017. Portanto, os preços relatados no texto estão sujeitos a atualização.

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Munique: novo voo direto aproxima Alemanha e Brasil

A Oktoberfest original está mais perto dos brasileiros! Assim como a Allianz Arena, os jogos do multicampeão Bayern, o Castelo de Neuschwanstein e outros passeios na região da Baviera, na…

A Oktoberfest original está mais perto dos brasileiros! Assim como a Allianz Arena, os jogos do multicampeão Bayern, o Castelo de Neuschwanstein e outros passeios na região da Baviera, na Alemanha. Isso porque a cidade de Munique é o destino de uma rota sem escalas saindo do Brasil. A partir de 7 de novembro de 2017, a Condor opera um voo direto entre Recife e Munique. É apenas um voo semanal, sempre às terças-feiras. Mas já é o suficiente para facilitar a chegada a um dos principais destinos turísticos alemães.

O voo partindo do Recife passa a ser o único voo direto para Munique saindo do Brasil. Até outubro de 2016, havia um voo a partir de São Paulo, feito pela Lufthansa. Mas a companhia suspendeu a rota, alegando a crise econômica brasileira como motivo. As ligações entre Brasil e Alemanha acabaram se restringindo a Frankfurt, que tem um dos principais aeroportos da Europa. Latam e Lufthansa faziam essa rota saindo de São Paulo e Rio de Janeiro. A Condor chegou depois e incluiu o Nordeste na parada, com voos a partir do Recife, Salvador e Fortaleza.

A rota Recife-Munique é feita em aeronaves Boeing 767/300, com três classes: business, comfort e econômica. O voo tem um horário bom para quem consegue dormir na viagem. Sai às 18h50 do Recife e chega às 8h50 locais em Munique no dia seguinte, totalizando 10 horas de voo.

Voei de Condor em duas oportunidades, sempre na rota Recife-Frankfurt. Em 2015, os aviões eram iguais a estes que fazem o novo voo para Munique. Confortáveis, com bom serviço de bordo, mas muita coisa paga por fora. Desde a reserva do assento até uma versão premium do sistema de entretenimento, tudo tem seu preço. Já em 2017, o avião era menor. O espaço entre as poltronas era mais apertado, não havia nem classe comfort nem sistema de entretenimento.

Uma vantagem da Condor é que a franquia de bagagem ainda não sofreu influência da mudança das regras no Brasil. Mesmo na classe econômica, os passageiros têm direito a despachar dois volumes de até 32 kg sem custo adicional. A bagagem de mão permitida é de 6 kg na classe econômica, 10 kg na comfort e 12 kg na business.

Outra questão importante: a Condor tem um escritório no Brasil, mas os problemas mais cascudos precisam ser encaminhados para a matriz na Alemanha. No post sobre os 7 erros que cometi em viagens, descrevi uma situação que vivi na viagem de 2017. O prazo dado pela companhia para responder a casos encaminhados à matriz era de 72 horas úteis. Portanto, ao escolher voar pela Condor, tente minimizar os riscos de mudança em cima da hora da viagem.

Mas o que fazer em Munique?

Munique - parque olímpico

Parque Olímpico de Munique. Foto: designerpoint / Pixabay

Para responder a esta pergunta, entrei em contato com a Márcia Oliveira. Ela é carioca e mora em Munique desde 2015 e promove passeios guiados para brasileiros na cidade e na região da Baviera (da qual Munique é capital). Ela também publica dicas sensacionais no blog Vou Pra Alemanha, que divide com outras duas brasileiras. Para a Márcia, tudo o que você encontra em Munique e na Baviera é muito parecido com a imagem que se costuma ter da Alemanha.

Márcia Oliveira, do blog Vou Pra Alemanha

“Quando você pensa na Alemanha, é muito provável que venham à sua mente os Alpes, as vaquinhas, os pastos verdinhos, lagos cor de esmeralda. Ou ainda casinhas com flores nas varandas, lindos castelos, pessoas bebendo cerveja e se divertindo. Tudo isso pode ser encontrado na Baviera. Em comparação com o resto da Alemanha, a Baviera é a região que mais preserva as tradições, onde você pode experimentá-las e vivenciá-las de forma mais genuína”, conta Márcia.

 

Quando ir a Munique?

Segundo Márcia Oliveira, a cidade tem atrativos o ano inteiro. Mas a melhor época para ir vai depender muito do que você quer ver e fazer. “Se quiser fugir do período mais frio, evite janeiro. Por outro lado, se quiser ver bastante neve, venha em janeiro. O inverno aqui é rigoroso, mas nada que impeça passeios pela cidade e arredores. Basta que você esteja bem agasalhado”, explica.

A época mais fria vai de janeiro a abril. Na virada de abril para maio, a temperatura começa a subir e as tulipas coloridas florescem. É a primavera chegando. De junho a setembro, é o verão: dias quentes, noites frescas. Em setembro é dada a largada da Oktoberfest (da qual falaremos um pouco mais adiante) e as temperaturas começam a cair até dezembro. Em novembro, as feiras de Natal chegam para deixar a cidade com outra atmosfera.

Também pedi à Márcia que enumerasse os cinco lugares preferidos dela em Munique. Confira as dicas dela!

 

Olympiaberg

Munique, Olympiaberg

Olympiaberg. Foto: Vou Pra Alemanha

O que diz a Márcia: “É um pequeno monte no Parque Olímpico de Munique, onde é possível ter uma visão geral da cidade. Também é meu lugar preferido para ver o pôr-do-sol”.

Esta é apenas uma das inúmeras atrações do Parque Olímpico, que segue em plena atividade desde os Jogos de 1972. De lá para cá, vários eventos esportivos foram realizados aqui, assim como shows e exposições. Além disso, é um dos principais espaços de lazer para os moradores. A Olympiaberg, por exemplo, tem entrada gratuita.

Site: http://www.olympiapark.de

 

Jardim Inglês (Englischer Garten)

Munique, Englischer Garten

Englischer Garten no Verão. Foto: Munchen.de

O que diz a Márcia: “Um dos maiores parques urbanos do mundo. Ele está sempre lindo, em qualquer estação”.

Além das paisagens naturais (beira de rio, beira de lago, áreas verdes, etc), o Englischer Garten tem uma porção de restaurantes típicos, a tradicional Torre Chinesa e um biergarten para tomar cervejas locais. Além disso, há um trecho de rio com correnteza onde se pratica surfe! Dá uma olhada no vídeo feito pelo blog Vou Pra Alemanha!

Site: http://www.muenchen.de/sehenswuerdigkeiten/orte/120242.html

 

Deutsches Museum

Munique, Deutsches Museum

Foto: Deutsches Museum / Divulgação

O que diz a Márcia: “maior museu de tecnologia do mundo”.

O Museu Alemão é enorme. Tem uma área de 45 mil metros quadrados e um acervo de 17 mil peças. Entre as áreas do conhecimento exploradas no museu, estão a mineração, a aeronáutica, a química, a engenharia e muito mais.

Site: www.deutsches-museum.de

 

Palácio Residenz

Munique, Palácio Residenz

A ala Antiquarium no Palácio Residenz. Foto: blizniak / Pixabay

O que diz a Márcia: “é um museu que serviu de residência aos governantes da Baviera por mais de 600 anos”.

É o maior palácio urbano da Alemanha, composto por dez pátios e 130 salas. Abriga também um museu de decoração de interiores, uma sala de concertos, a Casa do Tesouro Real e um teatro. O Jardim da Corte, outra atração do complexo, tem entrada gratuita. Confira informações sobre ingressos nos espaços pagos e sobre os horários de funcionamento.

 

Viktualienmarkt

Munique

Foto: Munchen.de

O que diz a Márcia: “é um mercado gourmet que fica bem no centro histórico de Munique, onde há inclusive um biergarten”

É um mercado com mais de 200 anos de história e é marcante pelo tamanho e diversidade. São 22 mil metros quadrados e 140 lojas com itens que vão de flores a temperos, de plantas a carne, passando por peixe, charcutaria e muito mais.

Horário de funcionamento: segundas a sextas, das 10h às 18h. Sábados, das 10h às 15h. Fechado aos domingos. A fonte é o site da prefeitura de Munique.

 

 

Faixas bônus

Outros programas imperdíveis em Munique e arredores.

 

Oktoberfest

Munique, Oktoberfest

Foto: Divulgação Oktoberfest

O maior evento turístico de Munique e, quiçá, de toda a Alemanha. É uma tradição de quase 200 anos, que inclui roupas folclóricas, músicas típicas e canecas de litro abastecidas de cerveja de forma intermitente. A festa começa em setembro e dura 16 dias.

O site da Oktoberfest é completíssimo com informações sobre o evento.

E o site Um Só Lugar preparou um guia prático da festa, cheio de curiosidades para quem pretende curtir in loco.

 

Allianz Arena

Foto: Lee Min Jon / Pixabay

Nem parece que o moderníssimo estádio do Bayern de Munique já tem mais de 10 anos de existência. Inaugurado em 2005, foi palco de seis jogos da Copa do Mundo em 2006 e da final da Champions League em 2012. As visitas à arena contemplam não apenas as principais dependências do estádio, como também o FC Bayern Erlebniswelt: o maior museu de um clube de futebol alemão.

Para informações sobre agenda de eventos, horário de funcionamento e preços das visitas, entre no site da Allianz Arena.

 

BMW Welt

Munique, BMW Welt

Foto: Divulgação / BMW Welt

É um complexo que reúne a fábrica, edifícios administrativos e o museu da montadora alemã. O lugar impressiona não só aos fãs de carros, mas a quem admira a arquitetura moderna. O design do complexo é de cair o queixo. Além de carros e motos em exposição, o BMW Welt tem loja oficial da marca, além de restaurante, lanchonete e muito mais.

Para informações sobre horários de funcionamento e preços de ingressos, acesse o site do BMW Welt.

 

Legoland

Foto: Legoland / Divulgação

Essa dica é para quem curte parques temáticos e está disposto a pegar uma estrada. A Lego (sim, a fábrica dos brinquedinhos de montar) tem nove parques em todo o mundo. Um deles está em Günzburg, a 130 quilômetros de Munique. A filial alemã é feita com 56 milhões de peças de Lego. E uma das partes mais legais é a Mini Land, com réplicas de pontos turísticos da Alemanha montadas com os famosos bloquinhos.

Para informações bem completinhas, acesse o site da Legoland Deutschland.

 

Outros passeios

Munique, Castelo de Neuchwastein

Castelo de Neuchwanstein. Foto: Vou Pra Alemanha

Há muitos outros lugares legais para ver em Munique e nos arredores. Como o Castelo de Neuchwanstein, o campo de concentração de Dachau e as cidades de Innsbruck e Salzburgo, na Áustria. A Márcia Oliveira, do blog Vou Pra Alemanha, organiza passeios para todos esses destinos e para vários roteiros dentro de Munique. Os depoimentos das pessoas que já fizeram excursões com ela são muito legais! Não deixe de conferir a lista completa dos tours organizados por ela antes de organizar sua viagem para a Alemanha!

 

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Círio de Nazaré: um guia para quem vai acompanhar pela primeira vez

Para quem nasce em Belém do Pará, é impossível desenvolver uma relação de indiferença com o Círio de Nazaré. A cidade é tão invadida por Nossa Senhora em outubro quanto…

Para quem nasce em Belém do Pará, é impossível desenvolver uma relação de indiferença com o Círio de Nazaré. A cidade é tão invadida por Nossa Senhora em outubro quanto por Papai Noel em dezembro. A publicidade local ganha peças especiais para a época. Os parentes que moram longe desembarcam quase todos na mesma semana. Quem é de rezar tem uma quinzena inteira para dedicar à devoção. Quem não é de rezar tem uma grande dose de confraternização, comida e algumas festas. Ou então se limita a reclamar do trânsito, que realmente fica insuportável.

É o maior evento de Belém, que leva mais de um milhão de pessoas às ruas da cidade, entre moradores e visitantes. E no meio dessa multidão, tem gente de vários perfis. De turistas que gastam uma nota para ver o Círio da varanda de um hotel cinco estrelas até peregrinos de cidades vizinhas que vêm a pé. Tem gente que vem de longe para expressar sua fé. E tem gente que vai contemplar a fé alheia. Os promesseiros do Círio de Nazaré atraem tantos olhares e suspiros quando a própria padroeira dos paraenses.

Minha relação com o Círio de Nazaré começou como a de quase qualquer belenense. Quando eu era muito pequeno, meus pais não costumavam me levar para a procissão por causa do sufoco e da aglomeração. Quando eu tinha 10, 11 anos, comecei a acompanha-los. Aos 19, já na faculdade de jornalismo, o Círio virou sinônimo de trabalho para mim. E muito! Jornalista que folga no Círio é tão raro quanto a neve em Belém.

Trabalhar no Círio de Nazaré distanciou um pouco a minha visão do lado espiritual da coisa. Mas ajudou a compreender questões mais práticas e objetivas do evento. Talvez tenha mesclado a minha vivência de nativo com um olhar de visitante. E acho que é uma mistura interessante para falar do Círio num blog de viagens.

Decidi escrever este post não com o objetivo de ser a principal fonte de informações históricas sobre o Círio. E sim pensando no viajante que pretende acompanhar a festividade pela primeira vez. Sei que chegar a Belém na segunda semana de outubro sem referência nenhuma deve deixar os romeiros estreantes meio baratinados. Espero que este artigo possa ajudar a facilitar a vida (e o planejamento da viagem) dessas pessoas!

 

Um pouco de história

Círio de Nazaré, Basílica Santuário

A Basílica Santuário de Nazaré. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

A devoção a Nossa Senhora de Nazaré no Pará tem origem numa lenda do início do século 18. Um pescador chamado Plácido encontrou uma imagem da santa às margens de um igarapé, palavra amazônica para riacho. Ele levou a imagem para casa. Mas, no dia seguinte, ela sumiu e reapareceu no mesmo local onde havia sido encontrada. A história se repetiu outras duas vezes até Plácido entender a mensagem: a santa queria permanecer naquele lugar.

O igarapé Murutucu, onde a imagem foi encontrada, acabou recebendo uma pequena capela para sediar a adoração a Nossa Senhora. A primeira procissão foi realizada em 1793. De lá para cá, o número de fiéis se multiplicou exponencialmente. A romaria se transformou em uma das maiores do mundo e a capelinha à beira do riacho virou a hoje imponente Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré.

Para conhecer um pouco mais sobre a história do Círio de Nazaré, acesse o site oficial do evento.

Quando acontece o Círio de Nazaré?

Círio de Nazaré, promesseira

Sempre há promesseiros que fazem o percurso do Círio de joelhos. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

Os primeiros Círios foram realizados em dezembro. Mas, desde 1901, a procissão ganhou a data fixa que tem até hoje: o segundo domingo de outubro. Essa não foi a única mudança em mais de 200 anos de história. Nas primeiras edições, a romaria saía à tarde. Hoje, a saída é às 6 da manhã. As alterações provavelmente foram para fugir do clima chuvoso de Belém, já que dezembro é um mês mais úmido e as chuvas são tradicionalmente vespertinas.

Há muito tempo o Círio de Nazaré não é apenas a procissão do domingo. Ao longo do século 20, foram criadas várias outras romarias para engordar a programação. A santinha viaja por terra e água para alcançar mais fiéis e percorre 140 quilômetros em doze procissões somadas. No total, entre eventos e romarias, a festa da padroeira dos paraenses dura vinte dias.

Para facilitar o seu planejamento, vamos organizar os eventos pelas datas em que são realizados. Usamos o calendário de 2017 como base, mas o post será editado nos anos seguintes com as datas atualizadas.

Antes do fim de semana do Círio

Círio de Nazaré, abertura oficial

Abertura do Círio de Nazaré. Foto: Mácio Ferreira (Agência Pará)

Na terça-feira que antecede a grande procissão, é realizada a abertura oficial do Círio. Em 2017, ela cai no dia 3 de outubro. É uma missa solene na Basílica Santuário, com a presença da diretoria da festa, da arquidiocese de Belém e de autoridades da cidade. Começa às 18h.

Mas o primeiro evento cercado de expectativa dos fiéis acontece na quinta-feira (em 2017, 5 de outubro): a missa de apresentação do manto, também na Basílica Santuário. A cada ano, o manto que cobre a imagem de Nossa Senhora em todas as romarias é diferente. A confecção é mantida sob sigilo absoluto pela diretoria da festa até o dia do evento, que começa às 18h. Não são eventos para pautar a data da sua chegada. Só se você já estiver na cidade e for muito devoto.

Apresentação do manto de Nossa Senhora. Foto: Divulgação / Fundação Nazaré

 

Sexta-feira, 06/10/2017

Círio de Nazaré, Traslado

As ruas movimentadas no dia do Traslado. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

Traslado

A antevéspera do Círio de Nazaré é o dia da primeira das doze romarias, o Traslado. Ela sai às 7 da manhã e é a mais longa de todas. O percurso tem 52 quilômetros e vai da Basílica Santuário, em Belém, até a Igreja de Matriz de Ananindeua, município vizinho à capital paraense. A imagem de Nossa Senhora é colocada sobre um carro da Polícia Rodoviária Federal. O roteiro passa por vários bairros de Belém, Ananindeua e Marituba (outra cidade da região metropolitana). No caminho, o comboio faz algumas paradas para homenagens em frente a prédios de órgãos públicos e hospitais.

 

Auto do Círio

À noite, o centro histórico de Belém é ocupado por um dos eventos mais tradicionais da programação extraoficial da festividade. O Auto do Círio é um cortejo organizado há mais de duas décadas pela UFPA, por meio da Escola de Teatro e Dança. Pelas ruas da Cidade Velha, artistas profissionais e amadores encenam um espetáculo que celebra a cultura e a história de Belém e do Círio.

Círio de Nazaré, Auto do Círio

Auto do Círio. Foto: Cristino Martins – Agência Pará

 

Festival Lambateria

Você pode aproveitar a ida à Cidade Velha para curtir uma noite de música paraense no Festival Lambateria. A Lambateria é uma festa (da qual já falamos no post sobre dicas de Belém) em que toca guitarrada, carimbó, tecnobrega e outros ritmos tradicionais e modernos da Amazônia. A escalação do festival está imperdível e tem como principais atrações Dona Onete, Pinduca, Combo Cordeiro e Félix Robatto. Outras informações você pode encontrar na página do evento no Facebook.

 

 

O que vale a pena?

O Traslado não vale a pena. Como a romaria é conduzida por um carro e há várias interdições no trânsito no caminho, é praticamente impossível seguir o comboio. Mas, se você quer colocar esta romaria no currículo, o melhor é ver a saída nos arredores da Basílica ou escolher um ponto de passagem. Minha sugestão: o Hospital Ophir Loyola, na avenida Magalhães Barata. Não é longe do centro de Belém e é uma parada tradicional da procissão.

Já o Auto do Círio vale demais. Tanto pela manifestação artística quanto para conhecer o bairro mais antigo de Belém. O Auto do Círio geralmente tem “estações” em frente a alguns dos lugares mais bonitos da Cidade Velha, como a Catedral e a Igreja de Santo Alexandre.

Sábado, 07/10/2017

Círio de Nazaré, Romaria Rodoviária

Fiéis à espera da Romaria Rodoviária. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

O dia mais importante da programação do Círio de Nazaré é o domingo. Mas o mais movimentado é o sábado. São quatro romarias, começando nas primeiras horas da manhã e terminando já no início da madrugada de domingo.

Romaria Rodoviária

O dia começa com a Romaria Rodoviária, que sai às 5h30 da Igreja Matriz de Ananindeua, onde a imagem de Nossa Senhora pernoitou na véspera. Esta romaria é realizada desde 1989 no sábado anterior e foi criada para atender a um pedido do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga. São 24 quilômetros de percurso pelas rodovias BR-316 e Augusto Montenegro até o trapiche de Icoaraci, onde começa o segundo evento do dia.

Romaria Fluvial

A Romaria Rodoviária termina onde a Romaria Fluvial começa. Depois de uma missa no trapiche, a imagem embarca numa corveta da Marinha. A saída costuma ser por volta de 9 da manhã. É um dos eventos mais bonitos de toda a festividade. A padroeira é seguida por embarcações de diversos tamanhos e padrões, desde lanchas turísticas até barcos simples de madeira. A romaria tem um percurso de 10 milhas náuticas (o equivalente a 18,5 quilômetros) e costuma durar 2h30. A chegada é na escadinha do Cais do Porto, no centro de Belém.

Círio de Nazaré, Romaria Fluvial

Romaria Fluvial. Foto: Carlos Sodré – Agência Pará

Moto Romaria

No final da Romaria Fluvial, a festa se divide em duas. A imagem de Nossa Senhora segue para a terceira procissão do dia: a Moto Romaria. Milhares de motociclistas acompanham a santa num trajeto de 2,5 quilômetros até o Colégio Gentil Bittencourt, na avenida Magalhães Barata. Geralmente, esta romaria dura em torno de uma hora.

Moto Romaria. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

Arrastão do Círio

Quem não está de moto pode participar de outra programação que começa bem perto, em frente à Praça dos Estivadores: o Arrastão do Círio. É um evento organizado pelo Instituto Arraial do Pavulagem, um dos principais difusores da cultura popular no Pará. É um cortejo embalado por tambores, danças e cantos em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré.

Círio de Nazaré, Arrastão do Pavulagem

Arrastão do Círio. Foto: Dah Passos – Instituto Arraial do Pavulagem

Trasladação

No final da tarde, começa a segunda procissão mais importante da programação do Círio de Nazaré: a Trasladação. Ela tem um trajeto quase igual à da grande romaria do domingo, mas no sentido contrário. Sai do Colégio Gentil Bittencourt em direção à Catedral Metropolitana. Como é uma caminhada noturna, geralmente é embelezada pelas velas que muitos fiéis levam. A iluminação da berlinda que leva a santa também é um dos pontos altos. O percurso tem 3,7 quilômetros, mas a duração é menos previsível. Costuma terminar por volta da meia-noite.

Círio de Nazaré, Trasladação

Trasladação. Foto: Thiago Gomes – Agência Pará

Festa da Chiquita

Pensa que acabou? A noite do sábado para o domingo tem um evento que costuma fazer os católicos mais tradicionalistas torcerem o nariz. A Festa da Chiquita é um evento organizado pela comunidade LGBT de Belém e é realizada no Bar do Parque, em frente ao Theatro da Paz. Assim que a Trasladação passa em frente ao bar, a festa começa e costuma entrar pela madrugada. Nos últimos anos, a Festa da Chiquita sempre foi uma incógnita até a última hora. Sem o apoio da diretoria do Círio e das últimas gestões da prefeitura, ela foi marginalizada. Até o fechamento deste texto, não havia uma confirmação sobre a realização em 2017.

A Festa da Chiquita foi tema de um documentário lançado há alguns anos. O nome do filme é “As Filhas da Chiquita” e está disponível na íntegra no Vimeo. Aqui, um trechinho para você ter uma noção do que rola no Bar do Parque depois que a santa passa.

O que vale a pena num dia tão movimentado?

Eu recomendo fortemente a Romaria Fluvial. Ela é muito simbólica dentro da programação, dado o significado dos rios para a região amazônica. Algumas agências de turismo preparam embarcações para acompanhar a romaria. O barco da Valeverde Turismo é um dos mais tradicionais. Oferece bebidas quentes e água, tem venda de lanche a bordo, música ao vivo e show folclórico.

Se o passeio de barco não tiver tirado toda a sua energia, passe algumas horas no Arrastão do Pavulagem. É uma lindíssima manifestação artística, além de ser um ponto de encontro de gente descolada.

A Trasladação também vale muito a pena. Se você quiser acompanhar caminhando, chegue ao Colégio Gentil Bittencourt pelo menos uma hora antes da procissão. Veja a saída da santa e siga andando na frente da romaria até onde seu fôlego permitir. Se quiser ver tudo sentadinho, o melhor custo/benefício é comprar um ingresso para as arquibancadas montadas na avenida Presidente Vargas. Para a Trasladação, o preço é R$ 35. A venda é pela internet.

A Festa da Chiquita é divertida, mas tem uma aglomeração que permite pequenos furtos. Se você for conservador a ponto de se incomodar com a celebração da diversidade num evento católico, melhor não ir. Mas se você estiver no espírito, não perca. Só tenha as mesmas preocupações que você teria num evento de carnaval de rua. Ah, e não perca a hora para o dia seguinte!

 

Domingo, 08/10/2017

Círio de Nazaré, berlinda

Foto: Thiago Gomes – Agência Pará

É o grande dia da festividade. O Círio de Nazaré propriamente dito. A movimentação começa ainda de madrugada, antes mesmo do sol nascer. Os promesseiros que querem acompanhar a procissão na corda (vamos falar dela mais adiante) passam a madrugada no Boulevard Castilhos França. Mas o início do dia para valer é às 5h, com a missa na Catedral Metropolitana. A missa termina e o Círio começa. A berlinda que leva a imagem da padroeira sai da Praça Frei Caetano Brandão, em frente à Catedral, e começa um percurso de 3,6 quilômetros.

Em frente à Praça do Pescador, no Boulevard Castilhos França, acontece um dos momentos mais emocionantes do Círio de Nazaré. É quando a corda, um dos símbolos mais especiais da festa, é atrelada à berlinda. A corda tem 800 metros de comprimento, dividido em dois pedaços de 400. Cada centímetro é disputado à exaustão pelos promesseiros, que se espremem para pedir ou agradecer alguma realização atribuída à fé na padroeira.

Círio de Nazaré, corda

No meio dos promesseiros da corda, nem se vê a corda. Foto: Alessandra Serrão – Agência Pará

Na frente da corda e da berlinda, vão outros elementos importantes na simbologia do Círio de Nazaré. Treze carros de promessas começam o percurso um pouco mais adiante, na avenida Presidente Vargas. Alguns deles recebem os ex-votos, que são objetos representando os pedidos ou as graças alcançadas. Os mais comuns: velas, partes do corpo esculpidas em cera (para pedidos relacionados a saúde), tijolos e miniaturas de barcos e casas. Outros carros levam crianças vestidas de anjos, geralmente pagando promessas feitas pelos pais.

Foto: Thiago Gomes – Agência Pará

Tem gente que acompanha o Círio caminhando. Tem gente que fica à espera da passagem da procissão em algum ponto do percurso. Edifícios, hotéis, arquibancadas são locais em que se tem conforto e segurança. Quem prefere não pagar (ou não pode), fica na rua mesmo. Não é a melhor escolha para quem tem mais idade ou alguma dificuldade de locomoção.

Quanto tempo dura?

A duração da romaria é uma controvérsia entre os fiéis. Já houve um Círio de Nazaré que durou dez horas. Foi o de 2004, que chegou ao ponto final (a Praça Santuário) às 16h. E já houve outros que chegaram antes do meio-dia. Tem quem prefira que o Círio seja mais rápido, para que as famílias possam aproveitar o tradicional almoço e o restante do domingo. Tem quem ache que uma procissão mais longa é um sacrifício que vale a pena, para não se ver a santinha passando “a jato” diante dos olhos.

Dicas para acompanhar

Círio de Nazaré

A Praça do Relógio, em frente à chamada “pedra do peixe” no Ver-o-Peso. Foto: Mácio Ferreira – Agência Pará

O esquema que aprendi com meus pais para acompanhar o Círio a pé é o seguinte. Chegar por volta de 5h30 da manhã à Praça do Relógio, que fica nos primeiros metros do percurso. De lá, ver a passagem da berlinda e então cortar caminho por dentro do bairro do Comércio. Assim, chega-se à avenida Presidente Vargas bem à frente da procissão, sem muito sufoco. Meus pais costumam fazer o atalho pela rua João Alfredo ou Treze de Maio. Mas qualquer rua da região estará muito movimentada no domingo do Círio.

Corda

Se você quiser encarar a corda, vá com a preparação de uma corrida de longa distância. O aperto é grande e o calor, insuportável. Chegue cedo, no máximo às 3 da manhã, ao Boulevard Castilhos França. Vá de chinelos, sabendo que vai precisar descartá-los. É proibido acompanhar a corda calçado. Deixe em casa também acessórios que possam machucar, como anéis, relógios e brincos. Alguns promesseiros da corda levam acompanhantes para dar alguma assistência em caso de necessidade. Muita gente desmaia no percurso. Mas há uma grande quantidade de voluntários da Cruz Vermelha trabalhando no atendimento médico ao longo da procissão.

Segurança

É uma festa religiosa, mas os descuidistas não tiram folga. Portanto, cuidado com objetos de valor. Deixe a carteira em casa. Leve dinheiro trocado e um documento apenas.

Arquibancadas

Para quem preferir comodidade, as arquibancadas oficiais na avenida Presidente Vargas custam R$ 70 e estão à venda neste site.

Hotéis

Se seu orçamento estiver bem mais folgado, hospede-se em um hotel no percurso do Círio de Nazaré. Dois dos mais tradicionais de Belém estão no caminho. O Princesa Louçã (antigo Hilton) na avenida Presidente Vargas e o Grand Mercure (antigo Crowne Plaza) na avenida Nazaré. Eles geralmente fecham pacotes com muita antecedência para o Círio, mesmo cobrando os olhos da cara.

Transporte público

Funciona normalmente e ganha reforço durante o fim de semana do Círio, inclusive de madrugada. Os ônibus que passam perto do percurso geralmente circulam com uma placa “Círio de Nazaré” no vidro dianteiro.

 

Almoço do Círio

Círio de Nazaré, maniçoba

A famosa maniçoba. Foto: Cristino Martins – Agência Pará

Muitos restaurantes fecham no domingo do Círio de Nazaré. É o caso de alguns dos mais tradicionais e conceituados da cidade. O Remanso do Bosque, do badalado chef Thiago Castanho, fecha no domingo, mas abre normalmente para almoço e jantar na segunda-feira. O Lá Em Casa, com mais de 40 anos de tradição, também fecha, assim como todos os outros restaurantes da Estação das Docas. Mas abre no sábado desde cedo, aproveitando a chegada da Romaria Fluvial, inclusive servindo café da manhã.

O Avenida é uma das melhores pedidas. Não só pela tradição, mas pela localização. Ele fica a poucos metros da Praça Santuário. A procissão do Círio passa bem em frente. Para 2017, as reservas abriram em 1º de setembro. E, dependendo do dia em que você ler este post, é possível que não haja mais vagas.

O restaurante do Hotel Mercure (sobre o qual já falamos alguns parágrafos acima) tem um pacote para não-hóspedes. Tem almoço com água, refrigerante e sobremesa inclusos. A programação também tem uma missa no hotel. O valor é um pouco salgado: R$ 350 por pessoa. Mas, se você tiver esse dinheiro sobrando, a comodidade e a localização compensam. As reservas podem ser feitas pelo telefone (91) 3202.2100.

Fora do circuito da procissão, existem boas opções. O Manjar das Garças fica dentro do parque Mangal das Garças. O Spazzio Verdi fica a um quarteirão da Praça Santuário e pode ser uma solução próxima. E o Avuado, que já indicamos no post com as dicas de Belém, também abrirá normalmente. É um bom lugar para comer peixes de rio e frutos do mar.

O prato mais típico nesta celebração é a maniçoba, que, numa tentativa simplória de explicar, é uma espécie de feijoada amazônica. É um cozido de partes menos nobres do porco. Mas, no lugar do feijão, entra a maniva, que é a folha da mandioca brava. Ela precisa passar uma semana fervendo para perder uma toxina natural que possui. Visualmente, o prato não é bonito, mas é muito saboroso.

 

Depois da grande procissão

Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

Quando a romaria do domingo termina, a programação do Círio de Nazaré arrefece um pouco. Todas as manhãs, às 5h30, fiéis celebram o Terço da Alvorada no entorno da Basílica Santuário. Eles se revezam em orações e conduzem uma réplica da imagem da padroeira. À noite, também na área próxima à Basílica, há duas pedidas. O Círio Musical, programação de shows católicos gratuitos na Praça Santuário; e o Arraial de Nazaré, no parque de diversões ao lado da Praça.

Últimas romarias

Mas lembra que eu falei que eram doze romarias? Até agora, falei apenas de seis. No sábado seguinte ao Círio (em 2017, 14 de outubro), são realizadas duas. A primeira é a Cicloromaria, dedicada aos ciclistas. A segunda é a Romaria da Juventude, organizada pelos jovens das paróquias e comunidades da Arquidiocese de Belém.

O dia seguinte (em 2017, 15 de outubro), tem a Romaria das Crianças, com um percurso na medida para que as famílias com filhos pequenos possam celebrar sem sufoco.

No último sábado da festividade (em 2017, 21 de outubro), tem a Romaria dos Corredores. São 7 quilômetros em que a imagem de Nossa Senhora é conduzida numa velocidade para ser acompanhada numa corrida leve.

No domingo seguinte (em 2017, 22 de outubro), tem a Procissão da Festa. É uma romaria dedicada aos membros da diretoria da festa e às comunidades da paróquia de Nazaré. Pra fechar o calendário, tem ainda a missa de encerramento às 19h30 na Basílica Santuário e o Espetáculo Pirotécnico. Este é um momento bastante aguardado e pode ser visto de longe, de vários bairros de Belém. Ele começa às 21h na Praça Santuário.

O que vale a pena acompanhar?

Se sua estadia em Belém para o Círio for mais longa, vale você arrumar uma bicicleta e seguir a Cicloromaria. Ela sai às 8h da Praça Santuário. Tem um percurso de 14 quilômetros por alguns bairros do centro de Belém, até voltar ao local de partida Se você viaja com filhos pequenos, a Romaria das Crianças também é uma boa pedida. A saída e a chegada são na Praça Santuário. O Espetáculo Pirotécnico é bonito, mas a movimentação na Praça Santuário é muito grande. Além disso, é muito comum o relato de pequenos furtos na multidão. Pense duas vezes antes de decidir acompanhar tão de perto.

O que mais fazer em Belém?

Foto: Facebook/Estação das Docas

Estação das Docas. Foto: OS Pará 2000

Além dos passeios clássicos que você já deve ter visto por aí, a gente tem algumas indicações mais “outsiders”. Falamos sobre elas neste post com o guia de Belém que os guias não contam. Mas para não dizer que ignoramos as tradições, sugerimos também a Estação das Docas, sua vista e seus sabores imperdíveis!

O Círio de Nazaré é uma boa época para comprar artesanato em Belém. Duas feiras são tradicionais nesta época. A Feira do Artesanato do Círio, organizada pelo Sebrae na Praça Waldemar Henrique; e a Feira do Miriti, realizada pela cooperativa dos artesãos de Abaetetuba (cidade a 121 quilômetros de Belém), na Praça Dom Pedro II. A primeira é mais completa, com mais tipos e estilos de artesanato. A segunda é focada no miriti, uma palmeira cujo tronco é conhecido como “isopor amazônico”. Abaetetuba é o principal pólo de produção de arte em miriti. São feitas esculturas de todo tipo. Mas o carro-chefe são os brinquedos de miriti, que fazem parte das tradições do Círio.

Mapa do Círio de Nazaré

Aqui você vai encontrar todos os locais citados no texto para que você tenha em conta as distâncias de Belém.

 

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