Mochileza

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Roteiros e viagens de mochila sem sufoco

5 perrengues para evitar numa viagem ao Marrocos

Antes que digam que este é um post para falar mal do Marrocos, já quero adiantar que não se trata disso. Em quatro dias que passei por lá com a…

Antes que digam que este é um post para falar mal do Marrocos, já quero adiantar que não se trata disso. Em quatro dias que passei por lá com a Janaína em abril de 2016, fiquei absolutamente encantado. Um país cujo território cabe dentro da Bahia consegue ter uma convivência harmoniosa de várias referências: árabes, judaicas, andaluzes, seja na religião, na arquitetura, na gastronomia… É tudo muito diferente do que estamos acostumados a ver no Brasil, com uma história bem mais antiga que a nossa e mais vasta do que qualquer guia de turismo pode contar.

Mas, como em qualquer destino turístico, o Marrocos está cheio de armadilhas para os viajantes. E essas diferenças de histórias e origens fazem com que os costumes locais sejam quase sempre um mistério para nós, brasileiros ou ocidentais em geral. Por isso, não acho que o país seja o melhor lugar para uma estreia em viagens para o exterior ou para quem mal sabe onde fica Marrocos. E mesmo os viajantes mais experientes podem cair em alguma pegadinha ou se aborrecer com algumas situações que podem ser inevitáveis, mas não imprevisíveis.

O que as medinas têm de fascinantes também têm de traiçoeiras para o turista desavisado

O que as medinas têm de fascinantes também têm de traiçoeiras para o turista desavisado

 

Baseado na experiência que tivemos na viagem a Fez, enumerei alguns perrengues para os quais é imprescindível se preparar psicologicamente antes de chegar ao Marrocos. E este preparo vai influenciar diretamente na percepção que você terá sobre o país ao final da viagem. Saber o que vai encontrar por lá vai fazer a diferença entre os motivos que vão fazer do passeio inesquecível. A viagem pode se tornar memorável por causa das boas lembranças, da boa comida e das lindas paisagens. Mas também pelo assédio ostensivo, por aborrecimentos e pelas dificuldades de comunicação.

Anote aí as dicas de viagem que posso te passar:

1. Tenha paciência com o excesso de segurança nos aeroportos

Nem nos Estados Unidos pós-11 de setembro os aeroportos têm uma segurança tão ostensiva. Já há máquinas de raio-X (daquelas que estamos acostumados a ver apenas na entrada da sala de embarque) logo no acesso aos terminais. E só passa por elas quem tiver bilhete de embarque em mãos. Ou seja: esperar no saguão por um parente que volta de viagem? Não pode. A espera é do portão para fora.

Outra coisa: policiais circulam o tempo inteiro com armas em punho. E não são pistolas ou cassetetes. São fuzis ou metralhadoras. Não vi nenhuma abordagem inadequada por parte dos policiais dentro do terminal em nenhum momento, mas a imagem assusta à primeira vista.

Também juro que nunca precisei mostrar meu passaporte a tanta gente num aeroporto. Esteja você chegando ao Marrocos ou indo embora, vão lhe pedir para apresentar o documento várias vezes. Não importa se você acabou de passar pelo procedimento de imigração. Não importa se você está apenas pedindo uma informação simples.

 

2. “La, shukran”, aprenda essa expressão em árabe

Comerciantes marroquinos poderão testar o limite da sua paciência

Comerciantes marroquinos poderão testar o limite da sua paciência

 

“Não, obrigado”. Você vai precisar falar isso um zilhão de vezes por dia. Quanto mais turístico for o lugar do seu passeio, mais ostensiva pode ser a abordagem. Vão lhe oferecer bugigangas das quais você não precisa, passeios que você pode fazer por conta própria, comidas que você não está a fim de experimentar. Sempre misturando inglês, francês e espanhol. Responder enfaticamente em árabe é uma forma gentil de pedir para não ser importunado.

 

3. Contrate um guia, mas defina bem a relação de trabalho

Alguns passeios no Marrocos são mais bem aproveitados se você tiver um guia local. As medinas, por exemplo, são emaranhados de ruelas estreitas sem nenhuma lógica. A não ser que você seja um prodígio do senso de navegação, o risco de se perder é enorme. E não vá confiando no Google Maps. A maior parte das ruas das medinas simplesmente não está no aplicativo.

Tendo tudo isso em vista, segui a dica de um blog brasileiro. Ele indicou um guia em Fez que falava português e dava até o e-mail do cara. Dois meses antes da viagem, entrei em contato com ele, que foi muito solícito e amável. Acertamos o preço de uma diária e, inclusive estava disposto a pagar uma gorjeta a mais pela ajuda que ele deu para reservar a nossa hospedagem. Quando o encontramos pessoalmente, eu realmente acreditei que estava contratando o serviço de um “amigo”.

Guias vão te mostrar vários detalhes escondidos nas medinas, como esta mesquita, mas também podem te colocar em roubadas

Guias vão te mostrar vários detalhes escondidos nas medinas, como esta mesquita, mas também podem te colocar em roubadas

 

Quando fomos para a medina com ele, no entanto, as coisas foram mudando aos poucos. Ele começou a dar a entender que já tinha uma programação para quatro dias conosco, sem que tivéssemos sequer cogitado isso. Quando nos levou ao curtume da cidade, não nos deu tempo de olhar a loja, dizendo que nos levaria a um lugar “menos turístico, mais barato e de boa qualidade” para que comprássemos couro. E mais: sempre falava em árabe com meio mundo de gente que encontrava pela medina. Inclusive com os donos das lojas em que nos levava. Pode parecer paranoia, mas isso nos deixou um pouco inseguros.

A desconfiança acabou se confirmando no segundo dia de passeio guiado (que marcamos meio que para nos livrar de uma possível encheção de saco). O guia nos perguntou se queríamos conhecer como se faziam os belos tapetes marroquinos. Achando que iríamos ter uma espécie de experiência “making of”, topamos. Mas acabou se tornando um dos momentos mais tensos da viagem. O dono da loja nos recebeu amigavelmente a princípio, mas poucos minutos depois estava nos coagindo a comprar pelo menos um tapete. Falava alto, nos pedia para que déssemos um preço que podíamos pagar, pediu para ver nossos cartões de crédito… A Janaína quase deixou 700 reais lá só para se livrar, mas acabei conseguindo demovê-la da ideia e sair com a fatura do cartão ilesa. Quando deixamos a loja sem nada, o guia falou algo como “é, não se pode comprar tudo”, meio ironicamente.

Com essa experiência, a dica que dou a vocês é: deixem tudo bem claro com o guia antes de o trabalho dele começar. Pesquisem bastante e tenham um roteiro o mais definido possível em mente. Se não quiserem comprar nada, sejam diretos e não deem margem para um mal entendido. É possível que eles cobrem uma diária diferente para um passeio sem compras, já que costumam receber comissão dos comerciantes. Mas fique de olho nas tabelas de preços dos guias credenciados. No hotel em que nos hospedamos, havia uma dessas tabelas afixada na recepção. Imagino que seja de praxe que essa informação seja bem acessível. É imprescindível para que você saiba o melhor preço a pagar pelo serviço.


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4. Não confie plenamente em ninguém

Não tivemos a melhor das acolhidas em Fez. Pousamos à 1h30 da manhã, pegamos um transfer pré-agendado em direção a um estacionamento próximo ao nosso hotel, que ficava dentro da medina, onde carros não entram. O recepcionista estava nos esperando, mas não demorou para que reclamasse do horário, dizendo que eu havia dito que chegaríamos à 1h30 da tarde. Chequei toda a nossa troca de mensagens e confirmei que não tinha deixado a menor dúvida sobre o horário da chegada. Mas preferi não comprar briga.

Além disso, ele disse que faria o nosso procedimento de check-in pela manhã. Mesmo assim pediu nossos passaportes antes de subirmos para o quarto, dizendo que nos devolveria no dia seguinte. Na hora, não me dei conta do quanto isso foi arriscado, mas a Janaína chegou a dormir muito mal durante a noite por causa da preocupação. Os passaportes foram devolvidos pela manhã, mas o episódio nos deixou ressabiados pelo restante da estadia.

Mas o pensamento de “trust no one” ficou ainda mais claro quando percebi uma certa cadeia: hotéis falam mal dos guias, guias falam mal dos hotéis, comerciantes falam mal dos guias, e por aí vai. O guia que contratamos, por exemplo, não pôde entrar no nosso hotel e nos esperar na recepção. O recepcionista disse que ele era clandestino (e ele realmente não nos mostrou credencial alguma), mas chegamos a achar que ele dizia isso para nos convencer a contratar passeios oferecidos pelo próprio hotel. Apesar de nos ter indicado este hotel entre alguns outros, o guia disse que o estabelecimento “era uma máfia”. Quando saímos pela medina sem o guia, nos sentimos muito mais à vontade para comprar. E alguns comerciantes nos disseram que precisam fazer “preços turismo” para clientes acompanhados por guias, pois eles cobram comissões generosas.

Sem guias por perto, dá pra pechinchar ainda mais por belezuras como estas

Sem guias por perto, dá pra pechinchar ainda mais por belezuras como estas

 

Felizmente o Marrocos também tem muita gente amável e correta nesses serviços relacionados ao turismo. Mas vá com o espírito preparado para a lei do cão.

 

5. Mulheres atraem olhares (e muito mais)

Uma coisa que fica muito clara numa visita ao Marrocos é que o povo de lá tem uma sexualidade bastante reprimida. A maioria das mulheres locais sai de casa com pelo menos uma parte do corpo bastante coberta. Seja um lenço na cabeça, seja uma blusa de mangas longas, seja a burka que deixa apenas os olhos descobertos. Por isso, os homens marroquinos costumam olhar para uma mulher não-islâmica como o Coiote olha para o Papa Léguas.

Quando passeamos pela medina de Fez nos três dias em que estivemos lá, a Janaína estava sempre ao meu lado. Mesmo assim, não deixou de receber olhares “incomuns” (para usarmos um eufemismo bem suave) nem de ouvir algumas cantadas incompreensíveis em árabe. Várias vezes ela se queixou, dizendo que se sentia devorada com os olhos. Talvez não seja muito diferente do que acontece numa balada em alguma grande cidade brasileira. Mas é um país com costumes e códigos diferentes dos nossos, portanto é mais prudente não reagir do jeito que se reagiria a um assédio no Brasil. O melhor a se fazer é tentar abstrair. Por mais que você não esteja usando uma roupa ~~~provocante~~~, você será significada como “novidade” para eles.

E você? Já foi ao Marrocos? Tem alguma história de perrengue para contar? Tem alguma dica para acrescentar a estas? Manda ver nos comentários!

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Gran Canária: dicas de restaurantes, passeios e atrações

Depois de explicar por que escolhemos as Ilhas Canárias como destino de férias e como é a chegada à ilha de Gran Canária, tá na hora de enumerar as dicas…

Depois de explicar por que escolhemos as Ilhas Canárias como destino de férias e como é a chegada à ilha de Gran Canária, tá na hora de enumerar as dicas do que fazer por lá.

Comer

Allende (restaurante): especializado em tapas espanholas, foi o melhor jantar da nossa passagem por Gran Canária. Experimentamos as berinjelas fritas com mel de palma e a cazuela de polvo, ambos incríveis! O ambiente é ótimo para qualquer ocasião e a carta de vinhos é bem servida. O preço é acima da categoria “lanche do mochileiro” e abaixo da “impossível de pagar”. Contando com o vinho, nossa conta deu cerca de 20 euros por pessoa. O Allende está em três endereços e, no site do restaurante, você pode ver fotos bem legais e os cardápios atualizados.

As berinjelas fritas ao mel do Allende

 

Rockabilly (hamburgueria): decoração que faz jus ao nome e detalhes divertidos como a conta sendo trazida numa capa de filme VHS. A nossa veio na de “Psicopata Americano”. Os sanduíches são suculentos e saborosos. Experimentei o Horny, que tem queijo de cabra e cebola caramelizada. Os sanduíches custam de 6 a 9 euros. A Rockabilly não tem site, mas tem uma página no Facebook cheia de informações.

Sanduba + cerveja na Rockabilly

Sanduba + cerveja na Rockabilly

 

Dulcería Nublo (doceria): fica na cidade de Tejeda e tem o cardápio focado em amêndoas, uma especialidade da região. Tem de tudo com amêndoas: tortas, biscoitos, folhados… A unidade custa 1 euro. Se você almoçar em algum restaurante próximo, deixe a sobremesa para cá. Também não tem site, mas só a página no Facebook.

Dulceria Nublo, em Tejeda, é especializada em amêndoas: uma dica que catamos no Lonely Planet

Vitrine da Dulceria Nublo, em Tejeda

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Visitar

Vegueta: é o bairro histórico de Las Palmas. Tem ruas estreitas e as mansões canárias, além de abrigar o centro comercial (cujo epicentro é a rua Triana, exclusiva para pedestres) e uma grande parte da vida noturna e gastronômica. O destaque é a Casa de Colón. Diz-se que Cristóvão Colombo parou por ali antes da expedição de descoberta da América em 1492. Verdade ou mito, a casa é um dos principais exemplares da arquitetura canária e tem um acervo que remete às viagens do navegador italiano.

Fachada da Casa de Colón

Fachada da Casa de Colón

 

Museo Elder de la Ciencia y la Tecnología – somos alucinados por museus de ciência e este é pura diversão. Há muito conteúdo sobre astronomia, física, robótica e muitas outras coisas que parecem saídas do Mundo de Beakman. Logo na entrada, tem uma máquina de movimento infinito, daquelas com bolinhas que rolam sem parar depois de bater em geringonças. É um programaço para quem viaja com crianças. Além de toda a interatividade, há um cinema 3D cujos filmes estão incluídos no preço do ingresso. A entrada custa 6 euros, mas professores, pesquisadores, meios de comunicação e guias turísticos não pagam. Confira o serviço completo no site do Museu.

O Museu Eider é praticamente uma versão canária do Mundo de Beakman

O Museu Eider é praticamente uma versão canária do Mundo de Beakman

Pegando a estrada em Gran Canária

Vega de San Mateo: é uma cidade de menos de 10 mil habitantes que fica a 24km de Las Palmas de Gran Canária. Tem duas coisas bem legais para ver lá. Uma é o centro histórico, com casarões de fachadas de vários estilos. Do neoclássico ao canário típico. Outra atração é o mercado agrícola, um dos mais famosos da região, que funciona apenas aos sábados e domingos.

Não era dia de mercado quando fomos :(

Não era dia de mercado quando fomos 🙁

 

Tejeda: cidade que fica a 33km de Las Palmas de Gran Canária e diz ostentar o título de “el pueblo más lindo de España”. Um dia a gente volta para conhecer várias outras e tirar a prova, mas Tejeda vale a visita. Primeiro porque a chegada é uma aventura: estrada sinuosa que vai subindo do nível do mar a pouco mais de 1000 metros de altitude. Segundo porque a parte turística é realmente bonita: ruas de paralelepípedos e casarões com as varandas típicas da arquitetura canária. O ponto turístico mais visitado é a Cruz de Tejeda, de onde se pode ver praticamente toda a ilha: o litoral, o pico do Roque Nublo e outras cidades vizinhas.

Visão geral do centro histórico de Tejeda

Visão geral do centro histórico de Tejeda

 

Mirador Degollada de Las Yeguas: saindo de Tejeda em direção ao litoral sul, você vai passar por esse mirante. Reserve alguns minutos, pois a vista é de tirar o fôlego. É possível ver os planaltos, as montanhas e o oceano atlântico, ainda que um pouco longe. Garantimos que está no top 5 de paisagens que vimos nas Canárias.

A impressionante vista do Degollada de las Yeguas

A impressionante vista do Degollada de las Yeguas

 

Maspalomas: é o balneário mais visitado da ilha de Gran Canária. O movimento é grande principalmente ao redor da Playa del Ingles. A orla é ótima para caminhar e pegar o ventinho do final da tarde. Mas, se você procura algo distante da vibe ultraturística, melhor guardar o seu tempo para outras partes da ilha.

Um dia de sol em Maspalomas combina com sangría gelada

Um dia de sol em Maspalomas combina com sangría gelada

Comprar

Centro Comercial Las Terrazas: se você não conseguir tirar o dia de compras do seu roteiro de viagem, reserve algumas horas para este shopping que fica a cerca de 13km saindo de Las Palmas. Ele tem uma zona outlet, mas não é outlet enganação. São descontos realmente vantajosos em lojas como Levi´s, El Corte Inglés, Lacoste, Calvin Klein, Nike e Asics. Há ainda uma grande loja da Media Markt, especializada em eletroeletrônicos que também tem CDs, discos de vinil e filmes. Veja a lista completa de lojas no site do Las Terrazas.

33 Revoluciones: para quem curte garimpar discos de vinil, este é um bom lugar. O acervo é bem generoso, especialmente para quem curte psicodelia e rock progressivo. Mas se você procura relançamentos ou álbuns recentes, melhor passar adiante. A loja só trabalha com discos usados. Confira o site da loja.

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Gran Canária: como chegar e se deslocar pela ilha

Depois de todo o processo de planejamento da nossa viagem de férias pelas belas Ilhas Canárias (começando por Gran Canária), tivemos outra novidade para encarar. O voo de Salvador a Madrid pela…

Depois de todo o processo de planejamento da nossa viagem de férias pelas belas Ilhas Canárias (começando por Gran Canária), tivemos outra novidade para encarar. O voo de Salvador a Madrid pela Air Europa. Era uma dupla novidade. Primeiro porque nunca tínhamos feito um voo internacional saindo da capital baiana. E segundo porque era a primeira vez em que voávamos por esta companhia aérea.

A primeira coisa que aprendemos foi que o embarque no aeroporto de Salvador pode ser tumultuado. Chegamos três horas antes do voo e tentamos antecipar a entrada na sala de embarque, mas ela estava fechada. Só abriria mesmo duas horas antes. O problema é que havia um voo da American Airlines para Miami saindo com cinco minutos de diferença. Imagine o tamanho da fila do raio-x com dois voos internacionais praticamente na mesma hora…

Rumo a Gran Canária

Estreando as mochilas 🙂

Os voos

Passado este primeiro senão, tudo correu bem. Não houve grandes atropelos para a entrada na aeronave e o voo saiu na hora exata. O avião é um Airbus 330/200, confortável o suficiente para as 8h43 de viagem. Este voo direto entre Salvador e Madrid sai duas vezes por semana, às terças e sábados. E o serviço da Air Europa é razoável para um voo econômico. Serviço de bordo OK, manta, travesseiro… Mas não havia sistema de entretenimento a bordo neste trecho que pegamos. Como saímos do Brasil por volta de dez da noite, acabou não fazendo muita diferença.

Voo Air Europa para Gran Canária

Lanchinho a bordo do voo da Air Europa

 

Descemos em Madrid e lá ficamos por cerca de três horas à espera da nossa conexão para Gran Canária, a primeira ilha que visitaríamos. O voo dura 2h50 e, apesar de ser considerado doméstico, também é num Airbus 330/220, um daqueles aviões enormes de voos internacionais.

O aeroporto de Gran Canária

O aeroporto de Gran Canária fica em Telde, cidade a cerca de 20 quilômetros de Las Palmas, considerada a capital da ilha. Maspalomas, que é o balneário mais popular e outro provável local de hospedagem na ilha, fica a 31 quilômetros. Há linhas de ônibus que passam pelo aeroporto e vão até lá. Para quem quiser mais conforto e exclusividade, táxis são muito fáceis de pegar o tempo todo. Este site da autarquia oficial de turismo de Gran Canária tem informações detalhadas sobre horários e itinerários dos ônibus que saem do aeroporto.

Como queríamos rodar bastante pela ilha, decidimos alugar um carro desde o desembarque. As grandes locadoras internacionais (Avis, Hertz, Localiza) têm guichês no aeroporto de Gran Canária. Mas, com as dicas que apuramos antes de viajar, escolhemos uma companhia local, a Cicar. Ela tem preços muito competitivos e com descontos progressivos: quanto mais dias você ficar com o carro, menor fica a diária.

Mas há ônus e bônus. Pagamos mais barato no aluguel do carro, mas tivemos que rodar num veículo ~customizado~, talvez para avisar que havia um motorista domingueiro a bordo.

Estrada em Gran Canária, Espanha

Nosso bólido ~discreto~ em Gran Canária

 

Dirigir nas Ilhas Canárias é incrível. As estradas são tapetes de asfalto novinho e bem cuidado. Além disso, a sinalização é impecável. No segundo dia, você já pega a manha das saídas e rotatórias.

Hospedagem e deslocamento

Escolhemos nos hospedar em Las Palmas de Gran Canária porque queríamos ter a estrutura da cidade e fugir da vibe turística de um balneário como Maspalomas. Percebemos logo uma grande obstáculo nesta opção: é muito difícil estacionar. Quanto mais perto do centro da cidade, menos vagas. E quase todas têm parquímetro. No entanto, alguns poucos quarteirões têm vagas gratuitas. Se o seu hotel ou apartamento do Airbnb não tiver garagem, provavelmente você terá alguns momentos de dor de cabeça.


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Las Palmas de Gran Canária

Quiosque charmosinho no centro de Las Palmas. Foto: Leonardo Aquino

Nos três dias que passamos lá, Las Palmas se revelou pra nós como uma cidade aconchegante e encantadora. Tem um centro histórico charmoso, ótimos bares e restaurantes, uma bela orla e urbanidade na medida certa (pelo menos pra nós dois). A impressão que tivemos é que lá você não fica entediado por não ter o que fazer. E nem sufocado por males como o trânsito e o crescimento desordenado.

No próximo post, vamos listar algumas dicas do que fazer na ilha de Gran Canária. Onde comer, o que ver e visitar. Continue com a gente!

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Planejando a viagem pelas Canárias: escolhendo as ilhas

Lugares para viajar escolhidos + datas definidas + passagens de ida e volta compradas = viagem para as Ilhas Canárias já na mão? Não mesmo. Uma das partes mais gostosas…

Lugares para viajar escolhidos + datas definidas + passagens de ida e volta compradas = viagem para as Ilhas Canárias já na mão? Não mesmo. Uma das partes mais gostosas das férias é o prazer de como planejar a viagem. Cada uma delas tem suas particularidades naturais e históricas, atrações grandiosas e pequenas surpresas reservadas para os viajantes mais outsiders.

Como falei no post anterior, teríamos 14 dias para a viagem inteira. Separamos quatro para a passagem pelo Marrocos, que foi o tempo recomendado por amigos para conhecer Fez. Sobrariam então 10 dias para o arquipélago espanhol. Como dividir o tempo para conhecer os melhores lugares para viajar pelas Canárias?

Praia de Maspalomas, Ilhas Canárias, Espanha

A praia de Maspalomas, sempre presente nas dicas das Ilhas Canárias. Foto: Leonardo Aquino

Buscando dicas sobre as Ilhas Canárias

A primeira dificuldade foi encontrar dicas de viagem consistentes em português. No mercado editorial brasileiro, não há nada muito específico sobre as Canárias, ao contrário de outras regiões como a Catalunha e a Andaluzia. Mesmo nos guias dedicados à Espanha, as Ilhas Canárias são abordadas muito superficialmente. Reportagens de cadernos de turismo também são escassas. Assim como postagens em blogs de viagem.

Nosso ponto de referência primordial em português foi o blog de viagem Turomaquia, escrito pela Patrícia, uma brasileira que mora em Las Palmas (na ilha de Gran Canária) há bastante tempo e conhece como poucos o arquipélago. Reviramos as postagens dela de ponta a cabeça para planejar nosso roteiro e, em cada dica dela que seguimos, fomos bem felizes.

Em inglês, fomos no guia do Lonely Planet, que tem uma edição dedicada às Ilhas Canárias. A que compramos é de janeiro de 2012, mas não tivemos problema grave nenhum relacionado a desatualização com os locais que pinçamos do guia. No máximo algum preço que subiu ou algum horário de funcionamento que ampliou ou diminuiu. Mas nada de lugar que estava no guia e agora nem existe mais. Em janeiro de 2016, foi lançada uma edição atualizada.

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Dulcería Nublo, Tejeda, Ilhas Canárias, Espanha

Dulceria Nublo, em Tejeda, é especializada em amêndoas: uma dica que catamos no Lonely Planet. Foto: Leonardo Aquino

O perfil de cada ilha

Baseado nessas duas principais fontes, a gente consegue traçar um breve perfil de cada uma das sete Ilhas Canárias:

1) Gran Canária: é a mais populosa das ilhas, principalmente graças à capital Las Palmas, que tem quase 400 mil habitantes. É conhecida como continente em miniatura por causa da grande variedade de paisagens, vegetações e climas. No mesmo dia, por exemplo, pegamos 14 graus numa região montanhosa com cerca de mil metros de altitude e 30 graus numa praia a cerca de 30 quilômetros dali. Além do litoral e das montanhas, Gran Canária tem arqueologia (com museus e cavernas preservadas) e a vibração urbana de Las Palmas.

2) Tenerife: também tem uma das grandes cidades do arquipélago, Santa Cruz de Tenerife. Mas as principais atrações desta ilha são outras. É lá que está o Teide, o terceiro maior vulcão do mundo e o ponto mais alto do território espanhol. É possível chegar ao topo dele sem ser um alpinista ou trekker profissional. O que também leva muita gente a Tenerife é o carnaval, um dos mais animados da Europa.

3) Lanzarote: é a ilha mais fascinante de todas. Para começo de conversa, Lanzarote tem mais de 300 cones vulcânicos. Houve algumas erupções históricas que despovoaram a ilha em alguns momentos. Mas ela se reergueu e tem a paisagem vulcânica como principal cartão postal. Além disso, Lanzarote foi onde nasceu César Manrique, artista plástico que mudou a cara da ilha com ideias para a sustentabilidade e lindíssimos projetos arquitetônicos. Como se não bastasse, foi lá que José Saramago viveu os últimos 17 anos de sua vida. A casa e a biblioteca do escritor português são abertas à visitação.

Jardín de Cactus de Lanzarote, Ilhas Canárias, Espanha

Cactus e vulcões juntos: um enquadramento típico de Lanzarote. Foto: Leonardo Aquino

Tem também essas aqui…

4) Fuerteventura: as praias mais bonitas do arquipélago estão aqui. E elas têm ótimas condições para a prática de esportes como o surf, windsurf, kitesurf e todas as outras variações da combinação prancha + vento. Além disso, a gastronomia é bem peculiar. A cabra é a base de muitos pratos típicos, tanto a carne quanto o queijo derivado do leite caprino.

5) La Gomera: outra ilha com natureza esplendorosa. Mas no lugar das paisagens vulcânicas, entram as florestas e as formações rochosas. É muito procurada para caminhadas. A culinária também oferece grandes atrativos. Além das carnes e queijos de cabra, a região é conhecida pelo mel de palma feito das árvores que são bastante comuns por lá.

6) La Palma: outra ilha que é bastante procurada para trekking por causa das paisagens naturais. Há desde densas florestas até paisagens lunares derivadas dos vulcões.

7) El Hierro: a mais inóspita de todas as ilhas. Tem uma população de apenas 11 mil pessoas. Há muitas trilhas e caminhos históricos para quem quiser gastar o solado do tênis. Os amantes do mergulho também são contemplados por lá, com cursos, aluguel de equipamento e uma reserva marinha.

 

O roteiro: e agora?

Com 10 dias para tudo, percebemos que conhecer mais de três ilhas seria improvável (ou impossível). Portanto, fomos atrás do que contemplava melhor o nosso perfil. A divisão ficou assim:

Gran Canária – 3 dias: queríamos conhecer a cidade de Las Palmas (gastronomia, centro histórico e museus), a região montanhosa (a cidade de Tejeda e o Roque Nublo) e as praias de Maspalomas.

Lanzarote – 4 dias: deixamos mais dias para esta ilha, apesar de ela ser menor. Aqui queríamos ver os vulcões do Parque Nacional de Timanfaya, as principais obras de César Manrique (Jameo del Agua, Jardín de Cactus, Cueva de los Verdes, o museu dedicado ao artista, entre outras), a praia de areia negra em El Golfo, a casa de José Saramago e pelo menos uma vinícola que cultiva uvas em terras vulcânicas.

Jameos de Agua, Lanzarote, Ilhas Canárias, Espanha

Uma das possibilidades de ~clique artístico~ oferecida pelo Jameos del Agua, em Lanzarote. Foto: Leonardo Aquino

 

Tenerife – 2 dias: dedicaríamos um dia inteiro para o Parque Nacional do Teide. No outro, conheceríamos Santa Cruz de Tenerife e La Laguna, uma cidade histórica que é declarada patrimônio da humanidade pela Unesco.

San Cristóbal de La Laguna, Ilhas Canárias, Espanha

Centro histórico de San Cristóbal de La Laguna, em Tenerife. Foto: Leonardo Aquino

 

O décimo dia seria a soma dos deslocamentos entre as ilhas. Os voos são rápidos e a malha aérea é bem suficiente para cobrir o arquipélago. Há também a possibilidade de algumas viagens via ferry boat. Mas o preço não é muito competitivo e os deslocamentos são bem mais longos. Como o tempo estava apertado, não valia a pena.

 

Dicas para logística

Seguem alguns links que vão te ajudar a planejar tanto a logística quanto o custo da tua viagem pelas Ilhas Canárias:

Binter: a principal companhia aérea do arquipélago, com presença nas sete ilhas. Faz também voos para Madrid, Lisboa e alguns países da África: Marrocos, Cabo Verde, Senegal e Gâmbia.
Canary Fly: outra companhia aérea regional, mas com menos presença que a Binter. Está em cinco ilhas. Fica fora apenas de La Gomera e El Hierro. Voa também para dois aeroportos no Saara Ocidental: Dahkla e El Aiun.
Para voos a partir do continente europeu, há muitas outras opções: Ryan Air, Iberia, Condor e Air Berlin são algumas delas.

Se você está a fim de ir de ferry boat, as duas companhias que prestam este serviço nas Ilhas Canárias são a Naviera Armas e a Fred Olsen.

Nos próximos posts, vamos mostrar que alugar um carro é fundamental para conhecer as Ilhas Canárias otimizando tempo. Para isso, recomendamos a Cicar, que é uma empresa local que está presente em todas as ilhas. Os preços são bem em conta e os carros são ótimos. As grandes locadoras (Avis, Localiza e Hertz) também estão nos principais aeroportos do arquipélago. Continue com a gente!

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Escolhendo o destino: por que Ilhas Canárias e Marrocos?

Quando conversava com amigos, parentes e colegas de trabalho sobre o destino das minhas férias de 2016, ouvi pelo menos umas 471 vezes a mesma indagação: “Mas por que Ilhas…

Quando conversava com amigos, parentes e colegas de trabalho sobre o destino das minhas férias de 2016, ouvi pelo menos umas 471 vezes a mesma indagação: “Mas por que Ilhas Canárias e Marrocos? Que diferente…”

Realmente essa combinação não é a mais comum em se tratando de destino de férias de brasileiros. Quando se imagina destinos de lua de mel então… Sempre se pergunta: por que não Paris? Roma? Caribe? Por isso, achei pertinente começar este blog explicando os motivos que nos levaram a escolher nosso roteiro.

Praia de El Golfo, nas Ilhas Canárias

Essa foto ajuda a responder sua pergunta? Foto: Leonardo Aquino

Passo 1: a logística dos voos

Janaína e eu moramos no Recife, que tem algumas boas ofertas de voos internacionais diretos. Companhias como American Airlines, Copa, Condor, TAP e TAM ligam a capital pernambucana a destinos no exterior sem escalas. Alguns deles eram ótimos hubs para outros cantos. Quanto menos a gente trocasse de avião, melhor.

No começo do planejamento, fomos seduzidos por uma ideia de destino ainda mais incomum: Cabo Verde. A TACV começou em junho de 2015 uma rota semanal entre Recife e Praia, a capital do arquipélago que fica na costa ocidental da África. Apenas seis horas de voo, preços bem em conta (voos que custavam, na época, cerca de 300 dólares ida e volta) e um novo continente no currículo.

Pronto! Agora era só combinar Cabo Verde com outro país para uma “casadinha” na viagem e um carimbo extra no passaporte.

 

Passo 2: o dilema da casadinha

Fomos então para o mapa-múndi estudar quais poderiam ser destinos interessantes para combinar com a terra de Cesária Évora. E aí encontramos outro conjunto de ilhas: as Canárias, que pertencem à Espanha, mas estão mais próximas do continente africano que da Península Ibérica.

Las Palmas, nas Ilhas Canárias

Tem foto também para quem gosta de cidade. Foto: Leonardo Aquino

 

Nosso roteiro deveria ter quinze dias. Mas à medida que íamos pesquisando sobre as Canárias, desejávamos que fossem vinte, trinta, quarenta… Nos apaixonamos pelas fotos dos lugares, pela variedade de paisagens (praias, montanhas, vulcões, vinícolas, museus, centros históricos…) e pelos relatos que lemos (especialmente os do blog Turomaquia, de uma brasileira que vive nas Canárias).

O que também contou muitos pontos: as Ilhas Canárias se gabam de ter o melhor clima do mundo. A média de temperatura fica o ano todo entre 20 e 22 graus. Céu azul, sol brilhando e clima de ar condicionado ligado. Acabamos comprovando que era tudo verdade! Além disso, havia voos diretos ligando os principais aeroportos de Cabo Verde aos das Canárias.

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Passo 3: olho na reputação da companhia aérea

Aí resolvemos pesquisar melhor a TACV. Afinal de contas, havia alguns grandes riscos embutidos. Além de ser uma rota nova saindo aqui do Recife e de não conhecermos ninguém que havia voado por esta companhia, o voo era semanal. Ou seja, perder o avião tinha grandes riscos de implicar num grande perrengue, principalmente na volta para o Brasil.

Outras duas coisas que contaram negativamente: alguns relatos sobre atrasos rotineiros, como o que lemos no Melhores Destinos. Além disso, vimos poucos comentários sobre a TACV no Reclame Aqui. Pode significar que não há problemas, mas também que pouca gente voa por esta companhia, não? As poucas reclamações sobre a empresa por lá sequer foram respondidas.

Mas o fato decisivo para termos desistido de voar pela TACV foi uma ida ao aeroporto do Recife na hora do embarque do voo para Praia, que é o único momento da semana em que a loja da companhia aérea na cidade está aberta. Qual não foi nossa surpresa ao ver que o voo havia sido cancelado?

Bab Boujloud, em Fez (Marrocos)

Sobrou pra ti, Marrocos. Foto: Leonardo Aquino

Passo 4: um passo atrás para dar dois à frente

Voltamos para o mapa-múndi para pesquisar a nova metade da casadinha da viagem. Acabamos escolhendo o Marrocos por ser um país muito rico em história, cultura e, principalmente, gastronomia. Mas, para manter a combinação com outro país, teríamos que escolher apenas uma cidade marroquina para visitar. Consultamos alguns amigos que já haviam estado por lá e acabamos optando por Fez, a chamada capital cultural do país.

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O negócio foi fechado de vez na Black Friday de 2015, quando fuçamos as promoções das companhias aéreas e encontramos um preço imbatível: de Salvador até Las Palmas de Gran Canária (com uma conexão em Madri) por pouco menos de 1600 reais. A Air Europa, que tem três voos semanais entre as capitais da Bahia e da Espanha, estava dando descontos de 20% em todas as passagens.

Entre Recife e Salvador, conseguimos outro valor sensacional: 222 reais por pessoa, ida e volta, pela Avianca. Passaríamos um dia descansando na Bahia antes e depois da grande viagem.

Farol da Barra, em Salvador

Antes da viagem principal, ainda deu para conferir o novo som de Salvador (paquerê, paquerô). Foto: Leonardo Aquino

 

Essas foram as primeiras compras de passagens que fizemos. Ainda faltaria posteriormente pesquisar os bilhetes para o Marrocos e entre as Ilhas Canárias, que detalharemos em outros posts.

Passo final: o checklist definitivo

Portanto, nossa dica de passo a passo para a escolha de um destino de férias:

1) Conheça a malha aérea a partir da sua cidade ou do aeroporto internacional mais próximo. Quanto menos voos você fizer até chegar ao seu destino (ou voltar dele), melhor!

2) Caso queira conhecer outro(s) país(es) combinado(s) na mesma viagem, pense na melhor logística. Há voos diretos? São voos curtos ou demorados? Há alternativas como trens? Viajar de carro é viável?

3) Pesquise MUITO as companhias aéreas pelas quais você vai voar. Índice de atrasos e cancelamentos, qualidade do serviço e a dinâmica de preços e promoções. Às vezes uma passagem muito barata tem alguma pegadinha “nas letras miúdas”, como cobrança extra para bagagem despachada.

O passo seguinte foi decidir quais ilhas visitaríamos e quantos dias ficaríamos em cada uma. Os detalhes você encontra no próximo post. Valeu!

Veja também:
Ilhas Canárias: um roteiro completo de viagem

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Portas em automático

A paixão por viagens é um item de fábrica do ser humano. Mas o jeito como a paixão se manifesta em você não é igual ao de mais ninguém. Além…

A paixão por viagens é um item de fábrica do ser humano. Mas o jeito como a paixão se manifesta em você não é igual ao de mais ninguém. Além disso, ele não continua o mesmo ao longo de toda a sua vida. Ele se molda ao seu momento, suas necessidades e curiosidades.

Vejam o meu caso por exemplo: sempre gostei de viajar sozinho. Em quase nove anos de andanças solitárias, desfrutei da liberdade de planejar e desplanejar o roteiro do dia ao meu bel prazer. Troquei museus e dias de compras por estádios de futebol. E passei alguns perrengues, claro. Ser sua própria companhia numa viagem está longe de ser uma experiência solitária. É uma das coisas mais enriquecedoras que você pode fazer por si mesmo.

Mas aí você conhece alguém. Alguém que dia após dia vai te mostrando o quanto uma vida compartilhada pode ser incrível. Que te faz ver que viver uma experiência com alguém é como se você a vivesse duas vezes. E que te leva a sair do casulo e a carrega-la com você por essa vida afora.

Janaína e eu: na rua, na chuva, na fazenda, numa medina no Marrocos ou num arquipélago no meio do Atlântico

No meu caso, conheci a Janaína. Minha namorada, esposa, companheira de vida. Ela ainda não tinha sido mordida pelo bichinho viajante. Havia saído do Brasil apenas quando cursou o doutorado na França, em 2006. Férias no exterior, de lá pra cá, nenhuma.

E eis que resolvemos planejar nossa primeira grande viagem juntos. Uma experiência nova para ambos. Eu, que não estava acostumado a viajar com alguém, ao lado da Janaína, que não tinha o costume de viajar.

Em abril de 2016, passamos duas semanas viajando pelas Ilhas Canárias e Marrocos. Antes de embarcar, brincamos que essa seria nossa lua de mel antes do casamento. E assim foi: lindas paisagens, comidas incríveis, novos amigos, aquela mistura de idiomas na hora de falar e, claro, alguns perrengues. Porque viagem sem perrengue não existe.

Resolvi criar este blog para contar como foi a nossa viagem, do planejamento à volta para casa, com dois objetivos principais. O primeiro é compartilhar com amigos mais próximos (e os leitores que espero que se tornem amigos) os detalhes dessas andanças. O segundo é inspirar você a pesquisar, planejar e arrumar as malas. Da mesma forma que a Janaína e eu fomos inspirados por relatos que encontramos por aqui e que nos fizeram viver alguns dos momentos mais especiais das nossas vida.

Seja bem vindo! Embarque com a gente! 🙂

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