Quem acompanha o Mochileza sabe que este blog é um grande fã de cinema. Já recomendamos uma lista de filmes para inspirar viagens e sempre procuramos referências cinematográficas nos nossos roteiros (como a de “Abraços Partidos”, de Almodóvar, em Lanzarote, na Espanha). Dessa vez, resolvemos fazer uma compilação de destinos para quem quer se aprofundar ainda mais: museus dedicados ao cinema.

A Europa foi berço de vários movimentos cinematográficos em diversas épocas. O expressionismo alemão nos anos 1920. A nouvelle vague francesa nos anos 1960. O Dogma 95 na Dinamarca no fim do século 20. Não à toa, grande parte das coleções representativas para a história do cinema estão no velho continente. E, para a sorte dos amantes da sétima arte, muitos desses acervos estão abertos ao público.

Na viagem que fizemos à Europa em fevereiro de 2017, tivemos a oportunidade de conhecer quatro destes museus. Três na França (um em Paris e dois em Lyon) e um na Itália (em Turim). Cada um tem atrativos e perfis diferentes. Mas quem vibra com um bom filme vai se sentir contemplado por todos. Esperamos que você se inspire com nossas dicas!

Cinémathèque Française (Paris)

Foto: Divulgação

Paris é uma cidade intimamente ligada ao cinema. Foi o berço de cineastas lendários, de movimentos cinematográficos e cenário de filmes ao longo de várias décadas. Não é à toa que uma das coleções mais importantes da sétima arte em todo o mundo esteja na cidade. A Cinemateca Francesa merece uma série de visitas, tanto para apreciar o acervo quanto para acompanhar a movimentada programação.

O carro-chefe da Cinemateca é a biblioteca. São 23.500 trabalhos, 12 mil filmes em DVD, blu-ray e VHS, 23 mil cartazes e 14.500 desenhos. Isso sem falar nas fotografias, artigos de jornais, resenhas e materiais publicitários. Todo o acervo pode ser consultado online (basta acessar a ferramenta Ciné Ressources).

Foto: Divulgação

A coleção do museu não é tão extensa, mas é apaixonante. São 600 objetos expostos, entre peças de figurino, cenografia, esboços e máquinas da pré-história do cinema. Lanternas mágicas e outros avôs do cinematógrafo originais dos anos 1700 dividem espaço com itens mais recentes. Lá estão réplicas do robô do filme “Metrópolis”, de Fritz Lang, e desenhos do mestre russo Sergei Eisenstein. Isso sem falar nas exposições temporárias. Quando visitamos o museu, em fevereiro de 2017, estava em cartaz uma exposição sobre o cinema japonês.

Foto: Leonardo Aquino

Além disso, as salas da Cinemateca sempre recebem mostras temáticas. Retrospectivas de atores e diretores, filmes de um determinado país ou de uma determinada época estão entre as atrações. A programação está sempre disponível online ou em livretos distribuídos gratuitamente na recepção (que servem como ótimos souvenirs).

Para terminar, a Cinemateca ainda tem uma lojinha incrível. São centenas de filmes (alguns bem raros), livros e itens colecionáveis. Apenas tome cuidado para não levar DVDs ou blu-rays que não rodem na região do seu aparelho.

Serviço

A Cinemateca abre a semana inteira, mas é fechada às terças-feiras. Os ingressos custam 3,50 euros (biblioteca), 5 euros (museu) e 6,50 euros (cinema). Para aqueles que vão passar um longo tempo em Paris e pretendem fazer várias visitas, há passes mensais. Informações completas no site: http://www.cinematheque.fr

 

Institute Lumière (Lyon)

Foto: Leonardo Aquino

O cinema como o conhecemos hoje surgiu em Lyon. Foi lá que nasceram os irmãos Auguste e Louis Lumière, inventores do cinematógrafo e responsáveis pela primeira exibição pública de filmes com ingressos pagos, em 1895. A casa onde eles passaram grande parte da vida recebe hoje o Institut Lumière, que fomenta a sétima arte e coloca em exibição objetos que ajudam a contar o início da história do cinema.

O local onde o instituto está situado se chama “Rua do Primeiro Filme”, em homenagem à invenção dos irmãos. A casa, muito bem conservada, tem na sua coleção permanente inúmeros objetos. Protótipos de cinematógrafos, lanternas mágicas e muitas outras máquinas que ajudaram a desenvolver o cinema enquanto arte.

Foto: Leonardo Aquino

O acervo também mostra que os Lumière, além de artistas, tinham um tino comercial. Durante muito tempo, eles patentearam e venderam equipamentos como câmeras e filmes. Além disso, os irmãos treinavam operadores de câmera para viajar pelo mundo e registrar imagens que hoje se tornaram históricas. África, Ásia e América eram alguns dos destinos dos cinegrafistas em épocas que viagens entre continentes só podiam ser feitas de navio.

O Institut Lumière também possui várias salas de cinema em Lyon. Elas exibem mostras temáticas, retrospectivas e filmes fora do circuito comercial. Na sede do instituto, há uma loja onde é possível comprar souvenirs dessas mostras (como cartazes e livros).

Um souvenir obrigatório

Quem quer estudar o cinema mais a fundo pode encontrar lá um item precioso. O filme “Lumière! L’Aventure Commence” reúne pela primeira vez em DVD e blu-ray os primeiros filmes realizados pelos irmãos. Antes do cinema se estabelecer como arte, os Lumière filmavam cenas do cotidiano como a saída de um trem da estação e pessoas andando pelo centro de uma cidade. Os filmes foram restaurados e têm a opção de áudio com comentários.

Além do museu e da loja, o Instituto também tem uma biblioteca com uma coleção de livros, periódicos, trabalhos e filmes.

Fora do Instituto, o Muro dos Cineastas relembra os homenageados pela instituição ao longo dos anos. Foto: Leonardo Aquino

Serviço

O museu do Institut Lumière funciona de terça a domingo, das 10h às 18h30. Os ingressos para adultos custam 7 euros. A biblioteca abre de terça a sexta, das 14h às 18h30 e tem ingressos a 3 euros. Para informações sobre a programação dos cinemas e de outras realizações do Instituto, acesse o site: http://www.institut-lumiere.org

 

Musée des Miniatures et du Cinéma (Lyon)

Foto: Leonardo Aquino

Este museu é uma programação imperdível para quem viaja com crianças. Ele fica num casarão antigo em pleno Vieux Lyon, bairro histórico da cidade que é considerado Patrimônio Mundial pela Unesco. Um dos atrativos é a coleção dedicada aos efeitos especiais do cinema. Outro é o acervo de cenas recriadas em miniatura, muitas delas criadas pelo próprio idealizador do museu, o artista Dan Ohlmann.

A primeira parte da visita começa com a reprodução de um set de filmagem. O casarão que hoje abriga o museu já recebeu a locação do filme “Perfume: A História de um Assassino” (2006). Alguns dos cenários e figurinos originais estão impecavelmente preservados.

Em seguida, o museu mostra uma coleção única na Europa de 400 itens como maquetes, fantasias, máscaras e objetos de cena. Todos eles ilustram a magia dos efeitos especiais. O domo do Capitólio dos Estados Unidos, que explode em “Independence Day”, está lá. Assim como a máscara usada por Robin Williams em “Uma Babá Quase Perfeita”, fantasias de filmes como “X-Men” e “O Quarteto Fantástico” e armas futuristas e realistas.

Mrs. Doubtfire, quem esquece? Foto: Leonardo Aquino

A visita termina com a coleção de miniaturas. São 100 peças hiperrealistas que reproduzem cenas do cotidiano numa escala de 1/12. Restaurantes finos, um pavilhão de penitenciária, museus, teatros, bibliotecas e salas de aula estão entre os ambientes reproduzidos. A maioria é obra de Ohlmann, o criador do museu (que eventualmente está por lá batendo papo com os visitantes). Mas há algumas miniaturas elaboradas por artistas convidados.

Foto: Leonardo Aquino

Um aviso: esteja preparado para subir várias escadas, já que o museu tem cinco andares e fica num casarão antigo. O elevador está disponível apenas para portadores de necessidades especiais.

Serviço

O museu está aberto o ano inteiro, exceto 25 de dezembro e 1º de janeiro. De segunda a sexta, das 10h às 18h30. Sábados e domingos, das 10h às 19h. O ingresso inteiro para adultos custa 9 euros. Outras informações no site – http://www.museeminiatureetcinema.fr

 

Museo Nazionale del Cinema (Turim)

Foto: Giulio Lapone

Turim não é apenas a cidade-sede da Juventus, um dos clubes gigantes do futebol italiano. É também uma espécie de capital do cinema no país. E tem no Museu Nacional do Cinema uma atração imperdível. Primeiro, obviamente, pela coleção e pela raridade de alguns itens expostos. Por último, mas não menos importante, pela localização. O Museu fica dentro da Mole Antonelliana, uma torre que fica no centro de Turim e é o principal cartão-postal da cidade.

Mole Antonelliana: você vai vê-la muito se for a Turim. Foto: Leonardo Aquino

A coleção começou a ser formada nos anos 1940 e já esteve exposta em vários endereços. A Mole virou a casa do museu em 2000, depois de uma grande revitalização arquitetônica. São quatro andares de exposições. Entre os objetos mais raros, estão um roteiro de “Psicose” doado pelo próprio Alfred Hitchcock, um dos figurinos usados por Peter O’Toole em “Lawrence da Arábia” e storyboards de “O Império Contra-Ataca”, da saga “Star Wars”.

Passo a passo no museu

Como a Itália tem um papel fundamental na história da sétima arte, o cinema local também está bem representado. No segundo andar, várias salas são dedicadas a gêneros como animação, musicais e ficção científica, entre outros. Mas duas delas prestigiam o orgulho nacional. Uma é dedicada a “Cabíria”, uma obra-prima dos filmes mudos italianos e outra à importância da cidade de Turim no cinema do país.

Foto: Divulgação

Nos andares seguintes, os visitantes podem conferir alas sobre diversos pontos da cadeia produtiva do cinema: roteiro, figurino, direção e produção, entre outros. Há também um tributo a uma famosa produtora italiana de cinema, a Titanus. O último andar é dedicado a uma galeria de pôsteres. É possível subir ainda mais, já que a Mole Antonelliana tem um elevador até a cúpula, de onde se tem uma vista panorâmica de grande parte de Turim. É possível comprar ingressos só para o museu ou só para o elevador. Mas comprando os dois juntos, tem desconto.

Foto: Divulgação

Além das exibições permanentes e temporárias, o Museo Nazionale del Cinema de Turim realiza festivais. O mais famoso deles é o Torino Film Festival, que em 2017 terá a 35ª edição. Em épocas regulares, o museu exibe filmes num multiplex de rua bem próximo da Mole Antonelliana: o Cine Massimo.

O site do museu tem uma espécie de visita virtual que pode servir como aperitivo: http://www.museocinema.it/vertical_dreams_en/index.php

Serviço:

O museu fecha apenas às terças-feiras. De domingo a sexta, ele funciona das 9h às 20h. Aos sábados, das 9h às 23h. O horário é o mesmo para o elevador panorâmico. O ingresso para o museu custa 10 euros (adultos). Para o elevador, o preço é 7 euros (adultos). Comprando os dois juntos, a casadinha sai por 14 euros (adultos). Outras informações no site: http://www.museocinema.it