Na pesquisa que fiz para preparar o roteiro da viagem às Ilhas Canárias e Marrocos, li várias descrições de Lanzarote que comparavam a paisagem da ilha à da lua. Tudo por causa das centenas de cones vulcânicos que ocupam o pequeno território (cerca de 850 quilômetros quadrados) e do clima seco e do visual desértico. Não demorou muito tempo para que Janaína e eu comprovássemos tudo isso. Bastou apenas uma visita à principal atração turística de Lanzarote: o Parque Nacional de Timanfaya.

Timanfaya tem 51 quilômetros quadrados de um cenário talhado pela natureza na forma de rochas, fogo e cinzas. Há uma impressionante amplitude de cores e formas, obras das grandes erupções vulcânicas que aconteceram na ilha: uma entre 1730 e 1736 e a outra em 1824. Os vulcões continuam lá. Ativos, porém adormecidos. Atraindo a curiosidade de mais de 1 milhão de turistas por ano.

Depois de dedicarmos o dia da chegada a Lanzarote para conhecer as vinícolas e a orla, reservamos um dia inteiro para conhecer o Timanfaya, sem saber exatamente se seria necessário todo esse tempo. O parque abre para visitação às 9 da manhã. Fomos alertados por Joán, nosso host do Airbnb, a tentar chegar próximo do horário de abertura do parque. E assim fizemos: poucos minutos antes das 9, já estávamos lá e já havia uma pequena fila de carros para entrar.

Placa de entrada das Montanhas de Fogo

Placa de entrada das Montanhas de Fogo

Nosso ponto de partida foi o Centro Cultural e Turístico das Montanhas de Fogo, que é a atração mais visitada dentro do parque de Timanfaya. Ele fica a 27km de Puerto del Carmen e a 23km de Playa Blanca, que são os balneários que costumam hospedar mais turistas. As Montanhas de Fogo são o ponto de partida para a Rota dos Vulcões, o passeio pelo meio dessas formações geológicas tão fascinantes.

A chegada ao centro de visitantes, mesmo na hora da abertura do parque, já é lotada assim

A chegada ao centro de visitantes, mesmo na hora da abertura do parque, já é lotada assim

É importante alertar que esta rota não é autoguiada. Ela é feita em ônibus do próprio parque, que saem a todo momento. No dia em que fizemos a visita, o intervalo não foi maior que 15 minutos entre uma saída e outra. O embarque é por ordem de chegada na fila que é formada em frente ao centro de visitantes.

Os ônibus são confortáveis, climatizados e não possuem um guia. As informações são passadas pelo sistema de som do veículo em quatro idiomas: espanhol, inglês, francês e alemão. A Rota dos Vulcões do Parque de Timanfaya tem 14 quilômetros, mas é feita bem lentamente e com várias paradas para fotos e contemplação. Um detalhe: ninguém desce do ônibus. Portanto, a dica óbvia é: tente pegar um lugarzinho na janela. Há bastante coisa para ver tanto do lado esquerdo quanto do direito.

Mesmo de dentro do ônibus, dá pra tirar belas fotos como esta...

Mesmo de dentro do ônibus, dá pra tirar belas fotos como esta…

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… ou esta…

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… ou ainda esta.

A viagem dura cerca de 45 minutos e volta para o mesmo centro de visitantes do início. Ao descer, é hora de conhecer algumas coisas curiosas do parque como as anomalias geotérmicas. Alguns funcionários demonstram como a água dispara em ebulição, como em um gêiser. Outra “mágica” faz a vegetação arder à medida que é introduzida a uma certa profundidade.

O centro de visitantes também abriga um restaurante que vai lhe deixar instigado para comer algo. É que alguns dos pratos do cardápio são preparados com o calor dessas anomalias geotérmicas. É como se fizessem churrascos no vulcão.

Tua batata tá assando

Tua batata tá assando

Ao final das contas, passamos cerca de três horas no parque. Quando saímos, já um pouco depois do meio dia, a fila de carros para entrar estava infinitamente maior e o estacionamento, muito mais cheio do que na hora em que chegamos. Portanto, o conselho do Joán virou o nosso conselho: tente chegar na hora da abertura do parque!

Para você se programar

O Centro de Visitantes das Montanhas de Fogo abre diariamente às 9 da manhã. O horário da última saída para a Rota dos Vulcões e do fechamento do parque varia de acordo com a estação do ano. No verão, vai até mais tarde (18h e 19h, respectivamente). Nas outras épocas, a última saída para a Rota é às 17h e o parque fecha às 17h45. O ingresso custa 9 euros, com meia entrada para crianças de até 12 anos. O serviço completo está neste site do Governo das Canárias.

Outros lugares para visitar

E a parada seguinte foi esta aqui. Que beleza, hein?

E a parada seguinte foi esta aqui. Que beleza, hein?

Aproveitamos o restante do dia para conhecer outra paisagem única de Lanzarote. El Golfo, uma praia com areia negra e mar azulzinho. O cenário lindo e inóspito virou locação de cinema. O cineasta espanhol Pedro Almodóvar gravou algumas cenas de “Abraços Partidos”, seu filme de 2009, nesta praia.

Cena de "Abraços Partidos"

Cena de “Abraços Partidos”

Janaína e eu na mesma locação

Janaína e eu na mesma locação

Muito perto da praia, está a Lagoa Verde, ou Charco de los Clicos, que também apareceu no filme de Almodóvar. Ela tem uma água verde densa, cor resultante de um tipo de alga que habita em seu interior. Entranhada entre crateras que surgiram após as erupções vulcânicas dos séculos 18 e 19, a Lagoa é mais um lugar sem igual entre tantos lugares sem igual que estão em Lanzarote.

Uma baita paleta de cores: Charco de los Clicos

Uma baita paleta de cores: Charco de los Clicos

Na hora da fome do almoço, estávamos em El Golfo. Logo ao lado da entrada do mirante da praia, há um restaurante chamado El Siroco. Meu desconfiômetro costuma me mandar fugir dos restaurantes e comércios mais próximos das atrações turísticas. Mas, depois de uma caminhada pela vila e por consultas aos cardápios, vimos que não havia nenhuma opção tão econômica quanto El Siroco. Acabamos ficando por lá mesmo.

Uma senhora paella por 20 euros!

Uma senhora paella por 20 euros!

E assim, quase por acaso, fizemos a melhor refeição de toda a viagem. Fomos na sugestão da placa do lado de fora: paella para duas pessoas por 20 euros. E era uma senhora paella! Super bem temperada, bem servida e mais do que suficiente para nós dois. Ainda ganhamos de brinde a super vista panorâmica da praia de El Golfo e o atendimento espetacular.

E de cortesia, ainda ganhamos shots de ronmiel, um licor típico das Canárias

E de cortesia, ainda ganhamos shots de ronmiel, um licor típico das Canárias

Duas sugestões para completar o dia

Echadero de Camellos

Faz parte da área do Parque Nacional de Timanfaya, mas uma foto daqui poderia passar como a de algum país desértico, especialmente na região do Saara. Alguns camelos estão ali, disponíveis para passeios de 45 minutos por trás da montanha que dá nome ao parque. Como passamos por lá muito em cima da hora da abertura do centro turístico das Montanhas de Fogo, acabamos não fazendo o passeio. Mas paramos para tirar algumas fotos.

Uma nova versão de "camelódromo"

Uma nova versão de “camelódromo”

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“A Mônica de moto, o Eduardo de camelo”

Arrecife

Capital de Lanzarote, maior cidade da ilha, mas sem um grande chamariz turístico. Tem uma bela orla, bons restaurantes e centros comerciais. Vale para adicionar uma cidade à sua lista ou pra tomar uma cervejinha com frutos do mar na beira da praia.

Orla de Arrecife

Orla de Arrecife

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