Chegamos a Lanzarote no meio de uma terça-feira e depois de um voo curto, num horário em que não precisamos madrugar. Ou seja: havia energia para ser gasta e muitos lugares para conhecer já no primeiro dia.

Decidimos começar com uma vinícola. Os vinhos de Lanzarote são famosos por serem feitos a partir de algumas cepas de uvas que só existem lá. A principal delas é a malvasia, que é cultivada em terras que receberam um “adubo” especial: cinzas vulcânicas, principalmente depois das erupções que ocorreram no século 18 e que mudaram a paisagem da ilha.

No nosso briefing, tínhamos duas vinícolas em mente. Uma era a El Grifo, que tem, além dos vinhedos, um museu dedicado ao vinho que é uma das grandes atrações da ilha. A outra era a La Gería, que tinha a vantagem de ser mais próxima e também a mais conhecida. Foi a que acabamos escolhendo, não apenas pela menor distância de onde estávamos, mas também porque o horário da visita guiada casava mais com a nossa agenda.

Entrada da bodega La Gería, antes de ser invadidas pelos americanos dos cruzeiros

Entrada da bodega La Gería, antes de ser invadidas pelos americanos dos cruzeiros

(Inclusive recomendo verificar os horários dessas visitas guiadas para quem quiser entender melhor a cultura do vinho em Lanzarote. Na El Grifo, elas saem às 11h e 15h de segunda a sexta e às 11h30 aos fins de semana. Na La Gería, às 13h. Ambas as vinícolas recomendam reserva antecipada)

Chegamos à La Gería e nos sentimos como visitantes soterrados por alunos que visitam um museu numa excursão escolar. Eram dezenas de ônibus de turismo repletos de passageiros de cruzeiros que haviam acabado de atracar na ilha. Ficamos preocupados com a qualidade da visita com tanta gente por lá. Mas acabamos descobrindo que cada grupão tinha seu guia e visitantes “avulsos” como nós tínhamos o nosso. E não éramos muitos: apenas 10, contando com a Janaína e eu.

A principal peculiaridade dos vinhos de Lanzarote é a forma de cultivo. A terra tem uma cor negra por causa das cinzas vulcânicas, que ajudam a fertilizar. Cada vinhedo fica plantado dentro de um buraco que fica a até 3 metros de profundidade. E muros com pequenas pedras empilhadas ficam ao redor. Nas maiores vinícolas, dá para enxergar esses buracos até quase o horizonte. Segundo nosso guia, a função dessa pequena engenharia é proteger as plantas do vento forte da região.

As centenas de "casinhas" para os vinhedos à moda de Lanzarote

As centenas de “casinhas” para os vinhedos à moda de Lanzarote

As muretas de pedras protegem não só parreiras, mas também outras árvores frutíferas

As muretas de pedras protegem não só parreiras, mas também outras árvores frutíferas

Por esse ângulo dá pra ver que há bastante cinzas vulcânicas sobre a primeira camada de terra

Por esse ângulo dá pra ver que há bastante cinzas vulcânicas sobre a primeira camada de terra

No fim da visita guiada (que custa 8 euros por pessoa), dá para fazer uma pequena farra na lojinha da La Gería. Há vários preços de vinhos, a partir de 7 euros. Não deixe de experimentar os do tipo malvasia vulcânica. Se você for um aficionado, traga algumas garrafas na mala, já que são vinhos dificílimos de encontrar no Brasil.

Orla de Puerto del Carmen

Depois da vinícola, o destino do nosso primeiro dia em Lanzarote foi a orla de Puerto del Carmen. Ficamos bestificados com a beleza do lugar. O que deveria ser apenas um muro de arrimo para conter a erosão virou cartão postal. As grandes pedras colocadas à beira mar receberam paisagismo e equipamentos como calçadas e bancos.

Felizes e ofuscados na orla de Puerto del Carmen

Felizes e ofuscados na orla de Puerto del Carmen

A poucos metros dali, há uma marina onde param lanchas e barcos particular de vários tamanhos. Não só iates de ricaços, como também pequenas embarcações de pescadores. E, para compor a paisagem, um paredão de casas brancas numa disposição que acompanha o relevo da região. Nunca fomos a Santorini (Grécia), mas, pelo que já vimos em fotos, foi a referência imediata.

Se você já foi a Santorini, diga aí: parece ou não parece?

Se você já foi a Santorini, diga aí: parece ou não parece?

Onde comer

A noite chegou no relógio, sem o sol se despedir. Acabamos procurando um lugar para jantar ainda com o dia claro. E encontramos ali próximo da orla, numa praça chamada Varadero, o melhor restaurante que conhecemos em Lanzarote: a Taberna de Nino. Especializado em tapas (que são aquelas pequenas porções que geralmente se comem com a mão), o Nino tem um cardápio enorme: tem combinações com frutos do mar, carne de porco, presunto ibérico, molhos agridoces… Era impossível ter certeza imediata sobre o que escolher. Precisamos voltar outra vez lá para não ficar frustrados por ter deixado algo passar. O preço médio de cada tapa fica entre 8 e 10 euros. (Ah, não deixe escapar o couvert que também é delicioso!!!)

Uma caçarola de polvo by Taberna de Nino

Uma caçarola de polvo by Taberna de Nino

Também experimentamos esta tapa com camarões empanados

Também experimentamos esta tapa com camarões empanados

No próximo post, vamos contar sobre nosso segundo dia em Lanzarote, que teve o Parque Nacional de Timanfaya e a praia de El Golfo. Paisagens únicas e inesquecíveis! Continue a viagem com a gente! 🙂