Se tem um brasileiro que é reverenciado em Lyon, é Juninho Pernambucano. Quando era jogador de futebol, passou oito temporadas na cidade francesa. Ajudou a levar um clube que nunca havia sido campeão (o Olympique Lyonnais) a ganhar sete títulos nacionais consecutivos. Virou bandeira no estádio, ganhou música da torcida e conheço até gente que ganhou cortesia num restaurante de lá porque era nascido na mesma cidade de Juninho.

Isso não é pouca coisa. Primeiro pelo fato de que não são muitos os jogadores com uma carreira tão longeva e tão vitoriosa num único clube. Segundo porque Lyon não é qualquer cidade. É a terceira mais populosa da França e uma referência internacional em gastronomia. Tudo isso faz com que Juninho seja um baita personagem para conversar sobre turismo.

Juninho nasceu em Pernambuco, começou a carreira no Sport em 1993 e em 1995 se transferiu para o Vasco. No time carioca, passou cinco anos e meio. Conquistou dois títulos brasileiros e uma Libertadores antes de ser contratado pelo Lyon (como abreviamos o nome do Olympique Lyonnais no Brasil) em 2001. Recife e Rio de Janeiro. Duas cidades litorâneas, muito populosas e onde é praticamente verão o ano inteiro. Com esse histórico, morar numa cidade menor, com temperaturas bem mais rigorosas, poderia ser um desafio para qualquer um. Mas não foi para Juninho.

 

Juninho em sua despedida do Lyon em 2009. Foto: Site Oficial Olympique Lyonnais

A obrigação de se adaptar à cidade é daquele que está chegando. E eu cheguei a Lyon muito concentrado em jogar futebol. Meu único problema na chegada era que eu já tinha uma filha e a minha esposa estava grávida da segunda. Ela chegou lá com quase sete meses de gravidez. Dois meses depois, a minha segunda filha já nasceu em Lyon. Então foi mais uma questão de adaptação da família, de arrumar médico, casa, decidir o hospital em que ela ia nascer, tudo isso foi um pouco mais complicado”, conta o hoje comentarista da TV Globo.

A rotina de jogador de futebol no meio da temporada não oferece muitas folgas. Além dos treinos, são muitas viagens (mas daquelas em que não se consegue aproveitar nada). Mesmo com pouco tempo livre, Juninho conseguia curtir Lyon. “Eu gostava muito de ir para o centro de Lyon, que tem uma rua só de restaurantes. Também tem a Place Bellecour, que é um passeio super agradável. Como eu sempre recebia muita gente, sempre levava as visitas para conhecer os pontos turísticos”, relembra.

A roda gigante e a estátua de Luís XIV na Place Bellecour. Foto: prochasson frederic/Shutterstock

Segundo Juninho, Lyon também tem outro ponto positivo para os viajantes levarem em consideração. A geografia permite combinar a visita à cidade com outros destinos incríveis. “Lyon está muito próxima da Suíça, da Itália, da Espanha, da montanha, da praia. Lyon tem essa facilidade. Em duas horas você está numa bela estação de esqui. Foi lá que conheci a neve pela primeira vez, um momento muito marcante”, conta Juninho, se referindo à estação de Chamonix. Além disso, há trens rápidos para cidades como Paris, Marseille e Milão.

Se você está planejando uma ida à França em breve e considera colocar Lyon no roteiro, anote aí as dicas de Juninho! Ele é um dos melhores cicerones que você pode ter em Lyon.


Parc de la Tête D’Or


Fica ao norte da cidade e é o maior parque urbano da França, com 117 hectares. Abriga jardim botânico, zoológico e diversas atrações como pedalinhos e um carrossel do século 19. Para Juninho Pernambucano, o Parc de la Tête D’Or era o passeio preferido para se fazer com crianças em Lyon. “Ele é muito lindo, tem animais, espaço para piqueniques e muito verde. Principalmente no verão é muito bacana correr e andar de bicicleta”, conta.

Para informações e horários de cada espaço do parque, confira o site: http://www.loisirs-parcdelatetedor.com/

 

Gastronomia – as brasseries de Paul Bocuse

Foto: Twitter Brasseries Bocuse

Se Lyon é uma das cidades mais bem cotadas no mapa múndi da boa mesa, muito se deve a Paul Bocuse. Aos 90 anos de idade, ele é um dos chefs mais renomados do planeta. Foi um dos criadores da nouvelle cuisine e dá nome a um instituto que é uma das melhores escolas da gastronomia mundial. Além disso, um de seus restaurantes, o L’Auberge, que fica nos arredores de Lyon, tem um recorde imbatível. Possui três estrelas Michelin desde 1965!

Quando morou em Lyon, Juninho Pernambucano aproveitou bastante a gastronomia da cidade. “Em Lyon você pode ir para praticamente todos os lugares que você vai comer muito bem. Mas eu indicaria um restaurante do Bocuse chamado L’Ouest. É bem bacana, você vê a cozinha aberta. Não é um restaurante dos mais caros, tem outros mais chiques”, conta.

Paul Bocuse cercado por Juninho e a esposa Renata

O L’Ouest faz parte de um grupo de restaurantes de Bocuse chamados brasseries. Eles são mais descontraídos e que servem pratos mais simples e acessíveis que os da alta gastronomia. Algumas das brasseries tem o nome de um ponto cardeal relativo à zona da cidade onde se localiza. E cada uma delas é especializada na cozinha de uma região diferente da França. A do oeste, indicada por Juninho, traz no menu a culinária das ilhas francesas.


Brasserie D’Ouest
Endereço: 1 Quai du Commerce, 69009 Lyon
Horário: de 12h15 às 14h e de 19h30 às 23h (23h30 às sextas e sábados)
Site: http://www.nordsudbrasseries.com/

 

A arquitetura de Vieux Lyon

Foto: Dennis Jarvis – Wikimedia Commons

O distrito mais antigo da cidade tem referências renascentistas e medievais em seus prédios e fachadas. O charme também está nas ruas estreitas, becos e “traboules”, as passagens entre uma rua e outra por dentro das edificações. Além disso, o bairro está numa subida. No ponto mais alto, está a colina onde fica a Basílica Notre Dame de Fourvière. Para Juninho Pernambucano, fazer este percurso tem um sabor especial.

“Quando eu voltava dos jogos com minha família, a gente subia a colina da Fourvière. Vale muito a pena subir, você vê a cidade inteira”, relembra.

 

A vista do alto da colina da Fourvière. Foto: prochasson frederic/Shutterstock

Além da vista da cidade, em Vieux Lyon há muito o que visitar. Fora a Basílica de Fourvière, há as catedrais de Saint-Jean Baptiste e Saint-Jean Tresor. Se conhecer igrejas não é a sua liga, você pode ir ao Museu da Miniatura e do Cinema. A coleção tem reproduções hiper-realistas de cenas do cotidiano em miniatura, além de objetos que revelam a magia dos efeitos especiais da sétima arte. Outra opção é perambular sem mapa e descobrir aleatoriamente os bouchons (restaurantes típicos de Lyon) do bairro.

Musée Miniature et Cinema
Endereço: 60 Rue Saint-Jean, 69005 Lyon
Site: museeminiatureetcinema.fr
Horário: 10h às 18h30 (de segunda a sexta) e 10h às 19h (sábado e domingo)

Basílica Notre Dame de Fourvière
Endereço: 8 Place de Fourvière, 69005 Lyon
Site: fourviere.org
Horários: 7h às 19h (acesso ao interior da Basílica), 7h às 21h30 (acesso aos portões da esplanada)

Cathédrale Saint-Jean Baptiste
Endereço: Place Saint-Jean, 69005 Lyon
Site: cathedrale-lyon.cef.fr

 

Gerland, o estádio que virou história

Foto: Site Oficial/Olympique Lyonnais

Perguntei a Juninho qual era o principal cartão postal de Lyon para ele. O craque não titubeou em responder: o Estádio Gerland. “É onde tive maior crescimento profissional, onde vivi grandes momentos. Fui o primeiro jogador da história do clube que teve uma música especial”, relembra orgulhoso. O Lyon se mudou em 2016 para o novíssimo Stade des Lumières, numa área mais distante do centro da cidade. Mas o legado de Gerland é quase centenário.

O estádio foi idealizado em 1910, mas só foi inaugurado em 1926 porque a Primeira Guerra Mundial atrasou a obra. Em mais de 90 anos de história, Gerland abrigou jogos da Eurocopa de 1984, da Copa do Mundo de 1998, a Copa das Confederações de 2003 e o Mundial de Rugby de 2007. De 1950 a 2016, foi a casa do Olympique Lyonnais, tendo, portanto, sido palco do momento mais vitorioso da história do clube.

Quem quiser ver os jogos do Lyon hoje, tem que se dirigir ao novo estádio, que fica dentro do Parc Olympique Lyonnais. Ele foi construído na cidade vizinha de Décines-Charpieu e foi um dos estádios mais caros da Euro 2016: 415 milhões de euros. O estádio também está aberto a visitas, que custam a partir de 9 euros.

O novo estádio de Lyon. Foto: UEFA

Stade Gerland
Endereço: 353 Avenue Jean Jaurès, 69007 Lyon

Parc Olympique Lyonnais
Endereço: 10 Avenue Simone Veil, 69150 Décines-Charpieu
Site: http://www.parc-ol.com/

O espetáculo da Fête Des Lumières

Foto: Only Lyon

Um ritual tradicional que virou um grande evento urbano. Assim pode ser definida a Fête des Lumières, ou o Festival das Luzes de Lyon. Ela é realizada anualmente no início de dezembro e fez parte da vida de Juninho Pernambucano nos anos em que viveu na França. “Todo 8 de dezembro a cidade fica toda iluminada. É inverno, está frio, mas todo mundo vai para a rua e todos iluminam suas casas”, relembra.

A tradição começou em 1852, quando uma estátua da Virgem Maria seria inaugurada na colina da Fourvière. O evento acabou cancelado por causa da cheia do rio Saône, que banha Lyon. A festa foi transferida para o dia 8 de dezembro daquele ano, mas quase foi suspensa por causa de uma tempestade. Mas, à noite, quando o tempo melhorou, os moradores foram saindo de suas casas com velas e lanternas nas mãos.

O que tinha uma origem puramente religiosa ganhou um status de evento artístico nos últimos anos. Além das luzes nas portas das casas, Lyon recebe intervenções urbanas durante a Fête Des Lumières. Os pontos turísticos da cidade viram telas para projeções digitais videográficas, videomappings e outras técnicas.

 

Site: http://www.fetedeslumieres.lyon.fr