Costumamos aprender que aproveitar uma viagem é curtir o momento. É ajustar a sintonia fina dos sentidos para absorver cores, aromas e cheiros. É criar uma associação de lembranças relacionadas a um instante. Mas, se a duração da sua viagem parece curta demais para a sua vontade de viver a experiência, as lembrancinhas sempre estarão lá para ajudar. Peças de artesanato, objetos típicos, seja o que for. São coisinhas que podem estar carregadas de memória afetiva. E, dentro deste universo, não tem nada mais prático que os ímãs de geladeira.

Arrisco dizer que os ímãs de geladeira são o souvenir ideal de uma viagem. Os principais motivos:

1) Eles ocupam pouco espaço, seja na mala despachada ou na bagagem de mão.

2) Costumam custar pouco. Ainda que sejam os mais caros que você encontre (como os ímãs oficiais dos museus), são mais baratos que uma camiseta.

3) São duráveis. As camisetas desbotam, rasgam, passam a não servir mais em você. O artesanato, dependendo do material, pode quebrar. Enquanto isso, os ímãs estão lá, firmes e fortes.

Por essas e outras, já faz um tempo que larguei a implicância que tinha com os ímãs de geladeira. No começo eu costumava comprar camisas de futebol como lembrança de viagens. Até que percebi que elas consumiam um bom pedaço do meu orçamento e comecei a achar um pouco ridículo usá-las por aí. Depois, passei para as peças de artesanato. Mas elas se tornaram menos viáveis quando troquei a mala pelo mochilão.

Os ímãs acabaram ganhando importância nas minhas memórias viajantes quando vim morar sozinho no Recife. A geladeira passou a ser só minha, um quadro em branco para preencher com as minhas recordações, sem dividi-las com ninguém. Quando casei com a Janaína, ela aceitou meu currículo pregresso de viagens na geladeira que virou nossa. Além disso, passou a compartilhar comigo a curadoria dos ímãs das viagens que começamos a fazer juntos.

Assim, toda vez que vou à cozinha, mesmo que seja apenas para pegar um copo d’água, dou de cara com este painel de histórias. E são tantas! Aventuras solitárias, férias a dois, viagens para perto, para longe… Um dia vai faltar geladeira para a quantidade de lugares que a Janaína e eu ainda pretendemos conhecer!

Fiz esse preâmbulo para introduzir as histórias de alguns dos meus ímãs de geladeira favoritos. Uns deles são pequenas obras de arte. Outros não têm um acabamento tão delicado assim. Mas todos carregam um monte de lembranças.

O mais antigo – Argentina

ímãs de geladeira, argentina

Este é o único remanescente da minha primeira viagem ao exterior: Uruguai, Argentina e Chile em 2007. Tem o que parece ser uma pintura a mão de um dos cartões postais de Buenos Aires que mais me interessavam naquele ano: La Bombonera. Esse ímã ficava na geladeira da casa dos meus pais, em Belém. Foi um dos poucos que eu trouxe de lá na mudança para o Recife. Já está com as cores um pouco desbotadas, como se estivesse me dando um recado. Será que é hora de visitar a Argentina de novo?

O mais bonito – Madrid

ímãs de geladeira, madrid

Eu nunca conheci Madrid de fato. A capital espanhola era apenas o local da nossa conexão na viagem para as Ilhas Canárias, em 2016. Mas um atraso na saída de Gran Canária fez com que perdêssemos o voo de volta para o Brasil. Acabamos ficando um dia a mais em Madrid. Só que a Janaína tinha torcido o pé no Marrocos e ainda sentia muita dor. Juntando isso com o nosso cansaço, terminamos não saindo do hotel. O ímã foi comprado no aeroporto de Barajas e acho que ele tem uma riqueza de detalhes incomparável. Pelo menos na minha geladeira.

Os segundos colocados em beleza – Montevidéu

Estes aqui ficam um focinho atrás do ímã de Madrid. Eles têm traços típicos de um artesanato que, no Uruguai, é feito em cerâmica. Mas, neste caso, são feitos em um material mais leve e que não quebra. Um deles tem o desenho de um farol. O outro parece representar o cotidiano da área portuária da cidade. Comprei na Ciudad Vieja de Montevidéu quando fui por lá em setembro de 2014.

Os ímãs da viagem mais marcante – Lanzarote

Se fosse escolher o lugar mais bonito que já conheci, responderia Lanzarote sem pensar duas vezes. A ilha, que faz parte do arquipélago das Canárias, foi um dos destinos da viagem de lua de mel que a Janaína e eu fizemos em 2016. Os ímãs que temos de lá são bem simples. Um deles é impresso no próprio adesivo magnético e mostra a paisagem das vinícolas aos pés dos vulcões. O outro tem um acabamento um pouco melhor e foi comprado na casa onde José Saramago viveu. Olhar para eles é como viver novamente nossos dias por lá.

Os mais criativos – Londres

Estes aqui não mostram paisagens, fachadas ou traços típicos do artesanato local. E sim releituras divertidas da cultura pop. Foram comprados no Camden Market, a feirinha mais descolada de Londres. Referências a Pulp Fiction e Star Wars são meio caminho andado para me ganhar.

Para relembrar a “Cortina de Ferro” – Berlim

Sou fascinado por histórias do tempo da Guerra Fria, em que o mundo tinha um bloco de países influenciado pelas ideias socialistas/comunistas. Por isso, um dos lugares que fiz questão de visitar em Berlim foi o DDR Museum. Numa tradução livre, é o museu da Alemanha Oriental. Tem um acervo riquíssimo de objetos do cotidiano, propaganda e peças audiovisuais. Um dos ímãs que comprei lá representa o Sputnik, o satélite soviético. O outro é a famosa placa do Checkpoint Charlie, um dos pontos de passagem entre a Berlim Ocidental e a Oriental nos tempos do Muro.

 

Faixa bônus – ímãs convidados

Resolvi compartilhar essa pensata com outros blogueiros de viagem. Cinco deles toparam o convite para participar e contaram as histórias dos ímãs de geladeira favoritos deles!

Grand Palace, Bangkok – Renata Andreoti – Wanderlust Memorabilia

Colecionar imãs dos lugares visitados é algo que o Bruno já fazia antes de estarmos juntos, e adotamos como hábito em nossas viagens também. Escolher um só é muito difícil, já que todos eles nos trazem boas memórias. Mas este imã da foto me traz alguns sentimentos a mais: a Tailândia sempre foi um país que queria muito conhecer. Poder ir pra lá foi a realização de um sonho e o Grand Palace é um lugar mágico! Todas as cores, a energia do lugar, os mantras sendo entoados… A gente fica hipnotizado com tanto detalhe, tanta cor e tanto brilho. Além de tudo isso, essa também foi nossa viagem de lua-de-mel.

Penitenciária de Alcatraz, São Francisco – Diana Guerra, Contramapa

Quando comecei a detalhar a minha road trip aos Estados Unidos, a prisão de Alcatraz em São Francisco entrou logo no roteiro. E, apesar das expectativas elevadas, a visita não desiludiu. Localizada numa ilha ao largo da costa, a prisão de segurança máxima tornou-se famosa por ter recebido os infames Al Capone e Robert Stroud. Hoje, Alcatraz é uma das atrações mais visitadas de São Francisco e com razão. Podemos percorrer a antiga prisão e conhecer a história daquele local que manteve alguns dos criminosos mais perigosos do mundo. Eu não podia deixar de trazer uma lembrança deste espaço, trazendo uma das regras de Alcatraz e que é, de certo modo, um dos lemas da minha vida. “Tens direito a alimentação, roupa, um local onde dormir e cuidados médicos. Tudo o que demais consigas, é um privilégio.”

Uma coleção inteira – Michela Borges Nunes, Mapa na Mão

Por que fico animada para falar sobre este assunto? Simplesmente porque eu coleciono ímãs de geladeira! Tenho quase 200 e sou apaixonada por eles. Os ímãs eternizam uma das coisas que mais amo fazer – viajar. Eles contam histórias bem ali, na parede da minha sala. Alguns ficam na geladeira, mas a maioria em quadros que eu mesma projetei e fiz para protegê-los e expô-los.

De qual mais gosto? Pergunta muito difícil. Gosto de todos. Todos me lembram momentos, lugares, viagens, experiências. Alguns me emocionam mais, outros menos, mas não deixo de sentir um grande apreço por todos os objetos da minha coleção. De cada lugar que conheci, de cada viagem que fiz até hoje, restou um pedacinho em minha casa em forma de ímã de geladeira. Queres conhecer toda esta história, leia sobre a minha coleção de ímãs!

Chiang Mai, Tailândia – Flávio Borges, Viajando na Janela

 

Sempre que a Geisi e eu viajamos, fazemos questão de trazer um ímã para nossa geladeira! Se não trazemos um, parece que ficou faltando alguma coisa. Dos ímãs que já temos o que eu mais curto é o que trouxemos de Chiang Mai, uma cidade da Tailândia! Este imã é muito especial porque ele traz uma família de elefantes na natureza. E de todas as experiências em viagens que já fizemos, a que mais nos marcou foi exatamente visitar uma ONG que cuida e resgata de elefantes e outros animais que são abandonados ou que são explorados pelo turismo inconsequente. O trabalho que esta ONG realiza é muito bonito e de extrema importância para a preservação de uma espécie que infelizmente se encontra na lista de animais ameaçados de extinção. Ver este imã com a família de elefantinhos livres me faz recordar de tudo o que vivenciamos naquele dia!

São Petersburgo, Rússia – Paula Medina, Achados pelo Mundo

Adoro comprar lembrancinhas dos lugares que visito. Já colecionei mini estátuas, quadrinhos para parede, copinhos de shot.. mas hoje a minha coleção é de ímãs de geladeira! E falando nisso, o ímã que eu mais gosto é o de São Petersburgo! Além de muito lindo, foi nessa viagem que peguei o maior frio da minha vida e a primeira vez que fui para a Rússia! E não preciso nem dizer que me apaixonei por lá?! Sempre que olho esse ímã, lembro do frio intenso, da dificuldade de entender as placas, as pessoas… Mas a melhor lembrança é da minha guerra de neve e do bonequinho de neve que fiz em plena primavera russa!!