Quem vai a Belém costuma receber duas dicas de passeios. Os moradores da cidade sempre sugerem um fim de tarde na “Estação”, com beira de rio e pôr do sol. Os turistas que já andaram por lá indicam um happy hour nas “Docas”, com chopinho de qualidade e petiscos regionais. O melhor de tudo é que as duas dicas apontam para o mesmo destino: a Estação das Docas.

Costumo desconfiar de dicas “obrigatórias”, mas esta compensa. Na Estação das Docas, é possível ter uma espécie de “menu degustação do Pará” ao longo de 32 mil metros quadrados. Gastronomia, natureza, cultura… tem tudo lá. E o local está acessível a todos os bolsos. Há desde shows gratuitos até restaurantes refinados.

Inaugurada em 2000, a Estação das Docas teve o projeto inspirado no Puerto Madero de Buenos Aires. Ela fica numa região portuária de Belém que estava desativada no final do século passado. Três galpões foram revitalizados e transformados em uma janela para a Baía do Guajará. Além disso, foram instalados restaurantes, bares, lojas, palcos para as mais diversas manifestações artísticas e um auditório que também funciona como cinema e teatro.

Foto: OS Pará 2000

A ideia foi tão bem sucedida que se transformou na principal atração turística de Belém. A circulação de pessoas ultrapassa a marca de 1 milhão por ano, entre turistas e moradores da cidade. O projeto também ajudou a inspirar iniciativas semelhantes em outras cidades brasileiras, como os Armazéns do Porto, no Recife.

Mas, afinal, o que é tão imperdível assim na Estação das Docas? Resolvi criar essa lista com cinco coisas que sempre faço quando vou a Belém. Espero que as dicas sejam inspiradoras!

 

1) Tomar cerveja na Amazon Beer

Foto: Divulgação

Bem antes das cervejas artesanais virarem uma moda hypada, a Amazon Beer foi uma visionária. É um dos poucos estabelecimentos que está na Estação das Docas desde a inauguração. E trouxe para Belém a cultura de tomar um chope diferente daqueles que você encontra em todo canto.

A Amazon Beer produz oito tipos de cerveja, sendo seis delas com algum ingrediente regional na sua composição. A stout, por exemplo, é feita com açaí. A witbier, com taperebá (fruta que você talvez conheça como cajá na sua região). A red ale, com priprioca, uma raiz amazônica costumeiramente usada na indústria de cosméticos. Todas elas estão disponíveis em torneira e em garrafa (para tomar no bar ou levar para casa).

Unha de caranguejo for the win. Foto: Leonardo Aquino

Para acompanhar seu chopinho regional, a Amazon Beer tem um vasto cardápio de petiscos. Os campeões são a linguiça de metro e os pastéis de tacacá. Mas anote aí a dica esperta do Mochileza: unha de caranguejo. É um misto de bolinho e coxinha, recheado com carne desfiada e temperada de caranguejo. A da Amazon Beer é uma das melhores de Belém. Pode ir sem erro.

 

2) Fechar o cardápio de sorvetes da Cairu

Foto: Facebook/Cairu

A Cairu é outro top of mind entre as dicas de quem já conheceu Belém. É a sorveteria mais tradicional da cidade e tem como carro-chefe os sorvetes de frutas regionais. Algumas delas você já deve ter experimentado por aí, como açaí e cupuaçu. De outras você dificilmente ouviu falar, como uxi, sapotilha e muruci.

Há alguns sabores autorais com os ingredientes regionais que valem muito a pena. O carimbó, por exemplo, é um sorvete de castanha do pará com doce de cupuaçi. O paraense é açaí com farinha de tapioca.

Para quem quer fazer apostas seguras, a Cairu tem os clássicos. Chocolate, creme, frutas vermelhas e muitos outros. Mas vá por mim. Faça uma roleta russa do sorvete, escolha algum sabor pelo nome e faça uma experiência inédita para o seu paladar.

 

3) Fazer compras descoladas na Ná Figueredo

Foto: Facebook/Ná Figueredo

Ná Figueredo não é apenas um estabelecimento comercial. É uma marca que se confunde com a cena musical de Belém, com a realização de eventos e o lançamento de discos há quase 30 anos. O carro-chefe são as roupas e calçados, seja as criações próprias da loja ou peças de marcas como AMP, Blunt, Converse e Vans. Também há acessórios como brincos, anéis e pulseiras.

A música é outro ponto forte das prateleiras da Ná Figueredo. São centenas de discos e DVDs de artistas nacionais e internacionais, mas com destaque para músicos paraenses. Alguns deles foram lançados pelo selo da loja, o Ná Music.

Para conferir um pouco sobre o estilo da loja, confira a página da Ná Figueredo no Facebook.

 

4) Conhecer a orla de Belém num passeio de barco

Foto: Divulgação/Valeverde Turismo

Uma famosa canção de Paulo André Barata, compositor paraense, diz: “esse rio é minha rua”. A gente só se dá conta do sentido que ela faz quando conhece Belém e seus rios tão largos a ponto de não se ver a outra margem. Passear por esses caminhos fluviais é um grande programa para se fazer na cidade. E a Estação das Docas é um ponto de partida para vários roteiros desse tipo.

Na Estação, está localizado o trapiche da empresa Valeverde Turismo, que opera os passeios fluviais mais conhecidos de Belém. Numa embarcação tipicamente amazônica, os passageiros contemplam a natureza, a orla da cidade e ainda se entretêm com apresentações de música e danças regionais a bordo.

A Valeverde oferece sete tipos de passeios fluviais. Eles duram de 1h30 a 7h e alguns deles incluem refeições a bordo. Dá para ver as luzes da cidade no entardecer ou conhecer algumas das ilhas próximas a Belém. Nos passeios mais longos, é possível ter um contato bem próximo com a vida da população ribeirinha.

Confira no site da Valeverde os perfis de cada um dos passeios realizados pela empresa.

 

5) Pegar um cinema

Um dos espaços internos da Estação das Docas é o teatro Maria Sylvia Nunes. Nele, são realizados eventos públicos e privados. Mas a sala também recebe o projeto Cine Estação. A programação de cinema foge do circuito comercial e traz títulos alternativos ou clássicos de várias épocas. É comum ver na programação mostras temáticas e filmes que emplacaram em festivais internacionais.

Para acompanhar a programação do Cine Estação, confira a página da Estação das Docas no Facebook.