Para quem viaja com frequência, as milhas aéreas funcionam como uma espécie de moeda paralela. A cada trecho voado, a cada fatura paga do cartão de crédito ou a cada mensalidade do clube de fidelidade, a poupança aumenta. Mas, hoje em dia, há tantas formas de acumular e gastar as milhas que é natural que a gente se sinta baratinado.

Assim, a pergunta que sempre surge é: como usar melhor as milhas aéreas?

Não há uma resposta-padrão que sirva para todos os viajantes. É preciso identificar perfis e objetivos e, a partir daí, encontrar um caminho ideal para não deixar as milhas expirarem nem gastá-las mal. Se você tiver uma viagem dos sonhos para fazer com milhas, não vai seguir a mesma receita de quem pretende aproveitá-las em promoções de voos curtos.

Este post não tem o objetivo de ser um manual imperativo de regras. A ideia é clarear algumas informações que às vezes parecem soterradas por ofertas irrecusáveis, promoções imperdíveis e letras miúdas.

Dica # 1 – tenha um objetivo muito bem definido

Você já viu o filme “Amor Sem Escalas”? Um dos protagonistas desta comédia romântica é Ryan Bingham, personagem de George Clooney. Ryan viajava muito a trabalho e tinha um sonho secreto: acumular 10 milhões de milhas aéreas. Foi a sétima pessoa no mundo a conseguir a marca, segundo a história do filme.

Não é preciso ter uma meta tão grandiosa quanto a do personagem do cinema, mas o ideal é que você tenha um objetivo. Aqui vão algumas sugestões:

– fazer uma grande viagem internacional;

– proporcionar uma viagem em família;

– fazer uma poupança de milhas para aproveitar promoções e feriados prolongados;

– comprar algum sonho de consumo (sim, milhas aéreas não servem só para voar)

Em alguns casos, você talvez possa precisar de um prazo para conseguir as milhas. Um ano? Dois? Três? Seu sonho e sua capacidade de acumular pontos vão ditar o ritmo. Mas saber o que fazer com as milhas é o primeiro grande passo.

 

Dica # 2 – conheça os programas de fidelidade para escolher o mais conveniente para você

Os principais programas de fidelidade das companhias aéreas do Brasil são:

Multiplus, da Latam

Smiles, da Gol

Amigo, da Avianca

Tudo Azul, da Azul

O primeiro ponto para ajudar na decisão é estudar a malha aérea das companhias. Por qual empresa você voa mais? Isso pode lhe ajudar a acumular mais pontos com voos. Qual empresa tem mais voos a partir da sua cidade? Isso pode aumentar a quantidade de opções na hora de escolher o seu destino.

Em termos de regras para pontos de voos, os programas são muito parecidos. Trabalham com fatores multiplicadores proporcionais ao perfil da tarifa e à categoria do cliente no programa de fidelidade. Esse fator é multiplicado pelo valor da passagem para calcular os pontos de um trecho. Ou seja, quanto mais cara é a passagem e mais alta é a sua categoria, mais milhas você acumula. A Avianca é a única que não leva o preço do bilhete em consideração.

Outro fator importante: as parcerias. Todo programa de fidelidade oferece a possibilidade de acumular ou usar milhas aéreas em companhias parceiras. A Avianca é a que tem a maior quantidade de parcerias: 27, por ser membra da aliança Star Alliance. A Gol tem 14 parcerias com companhias como KLM, Air France e Emirates. A Latam faz parte da aliança One World, que reúne 13 empresas (British Airways, Iberia e JAL estão entre elas). A Azul tem apenas duas parceiras: TAP e United.

Pesquise também o preço médio de uma passagem emitida por milhas, tanto em períodos promocionais quanto fora deles. Mas não deixe de levar em consideração os fatores anteriores. Afinal de contas, não adianta nada uma companhia oferecer bilhetes por 3 mil milhas em rotas em que você não vai voar.

 

Dica # 3 – o cartão de crédito pode ser seu melhor amigo – ou inimigo

 

Os cartões de crédito costumam ser as principais fontes de acúmulos de milhas aéreas. Por isso, muita gente acaba concentrando gastos do cotidiano no cartão para acelerar a poupança de milhas. No entanto, é preciso ter uma série de cuidados. Desde a escolha do cartão até o uso dele no dia-a-dia.

Os principais bancos e operadoras financeiras oferecem programas de fidelidade para acúmulo de pontos no cartão de crédito que podem virar milhas aéreas. O formato padrão é de um número X de milhas acumuladas para cada dólar gasto no cartão. Esse X vai de 1 a 2,2 milhas, dependendo do tipo de cartão. Quanto mais pontos ele acumula, maior é o preço que ele cobra: anuidade mais cara e renda mínima maior. Portanto, procure um cartão que ofereça um meio termo entre vantagens e adequação à sua renda.

Outro ponto que merece sua atenção: nem todos os cartões acumulam pontos direto no programa da companhia aérea, e sim num programa próprio. Exemplos: Livelo (para cartões Bradesco e BB) e Sempre Presente (Itaú). Esses pontos podem ser transferidos para as companhias aéreas, mas também para outros benefícios parceiros.

Os cartões cujos pontos se transformam diretamente em milhas aéreas oferecem alguns benefícios. Em geral, são descontos em passagens e pontuação diferenciada na compra de bilhetes. Eles costumam ter o nome do programa de milhagem estampado.

Para ajudá-lo a escolher, uma boa fonte é o ranking dos cartões de crédito feito pelo site Melhores Destinos. A lista é atualizada anualmente com as novidades do mercado.

Mas a dica mais importante relacionada a cartão e milhas é: não dê o passo maior que a perna nos gastos. Não comprometa o seu orçamento mensal na ânsia de juntar milhas nem escolha um cartão com uma anuidade que não caiba na sua renda.

 

Dica # 4 – olho nas promoções de transferência de pontos

Essa dica vale para quem não escolheu um cartão de companhia aérea. Os programas de milhagem costumam fazer promoções para transferência de pontos do cartão de crédito. Num dia normal, a transferência de pontos é no sistema 1 ponto = 1 milha. Nas promoções, são oferecidos bônus de 40 até 120%. Ou seja, 1000 pontos acumulados no cartão de crédito podem virar 2200 milhas aéreas!

Às vezes essas promoções têm letras miúdas. Por exemplo, pode ser que o maior bônus seja para quem está numa categoria superior do programa de milhagem ou é assinante dos clubes de milhas (falaremos deles logo mais). Pode ser também que as promoções exijam um número mínimo de pontos para transferências. Seja como for, é sempre muito mais vantagem transferir numa promoção do que fora dela. Portanto, se você não precisa tirar uma passagem para agora, espere as promoções para transferir os seus pontos.

Para saber de uma promoção, a melhor dica é assinar o mailing do seu programa de milhagem ou da sua companhia aérea preferida.

 

Dica # 5 – conheça as formas alternativas de acumular milhas aéreas

milhas aéreas compras

Não é só de voos ou de gastos no cartão de crédito que vive um acumulador de milhas. Todos os programas oferecem parcerias para ganhar pontos com outros serviços. Gastos relacionados a viagens (como hospedagens em hotéis e aluguel de carros) podem virar milhas. Compras em grandes lojas de varejo também, assim como assinaturas de revistas, estacionamentos, postos de combustível e muito mais. Neste caso, vale um conselho semelhante ao do cartão de crédito: não faça gastos que você não faria só para acumular milhas.

Confira as listas de empresas parceiras:

– Gol/Smiles – https://www.smiles.com.br/empresas-parceiras

– Azul/Tudo Azul – https://tudoazul.voeazul.com.br/web/azul/parcerias

– Avianca/Amigo – https://www.pontosamigo.com.br/parceiros-nao-aereos

– Latam/Multiplus – https://www.pontosmultiplus.com.br/junte/

 

Dica # 6 – entrar para um clube de milhas pode ser uma boa ideia

Se você está disposto a pagar um pouco a mais para acelerar a realização do seu plano, cogite a inscrição num clube de milhas. Os clubes funcionam da seguinte forma: você paga uma mensalidade e ganha a cada 30 dias uma certa quantidade de milhas, proporcional ao valor pago. Os planos disponíveis no mercado vão de 500 a 10 mil milhas por mês e custam de R$ 26,90 a R$ 299 por mês.

Uma coisa é fato: as milhas adquiridas nos clubes custam menos que as compradas de forma avulsa. O preço médio de uma milha aérea é R$ 0,07. Nos clubes, elas podem sair por menos de R$ 0,03.

Outro detalhe importante é a diferença no valor que se gasta para acumular um determinado número de pontos. Para juntar 1000 milhas por mês, por exemplo, os clubes cobram entre R$ 35 e R$ 42,90. Se você fosse juntar essas mesmas 1000 milhas com gastos no cartão de crédito, seria necessária uma fatura de cerca de R$ 3500. Isso se for um cartão em que 1 dólar = 1 milha.

Além das milhas todo mês, os clubes oferecem outras vantagens. Entre elas, estão descontos na emissão de passagens com pontos, maior bônus em transferências e acesso antecipado a promoções.

Entre as companhias que operam no Brasil, apenas a Avianca não tem clube de milhas. Conheça aqui os clubes do Multiplus, do Smiles e do Tudo Azul. Outro clube que você pode levar em consideração é o do Livelo, programa vinculado a cartões do Bradesco e do Banco do Brasil. Você pode acumular milhas nele e depois ganhar ainda mais nas transferências com bônus para os programas das companhias aéreas.

 

Dica # 7 – comprar milhas? Só em caso extraordinário

Além de todas as formas de acúmulos (voos, compras, gastos no cartão), você ainda tem a possibilidade de comprar as milhas diretamente. Geralmente, elas são vendidas em lotes de mil e com um limite anual para a compra.

Os programas de fidelidade que vendem milhas têm um valor “tabelado” para as milhas: R$ 0,07 a unidade. Ou seja: R$ 70 para cada lote de mil. Parece barato. Mas se você fizer as contas, vai ver que está longe de ser uma opção econômica.

Para fazer o exemplo, pesquisei uma passagem pela Gol: do Recife a Congonhas, com ida no dia 11 de abril e volta no dia 18. Para tirar o bilhete pelo Smiles, ele custa 24 mil milhas ida e volta + taxas (o que está dentro da média para esta rota). Comprar 24 mil milhas a R$ 0,07 cada dá um total de R$ 1680. No entanto, a passagem pela Gol sem pontos custa R$ 577, cerca de um terço.

Ou seja, em circunstâncias normais, comprar milhas não é bem um bom negócio. Mas há algumas situações em que ela pode ser útil e vantajosa:

– para completar as milhas que faltam para a emissão de uma passagem. Exemplo: sua viagem dos sonhos custa 100 mil milhas e você conseguiu juntar 97 mil.

– quando você tem um voucher promocional. As companhias frequentemente dão esses vouchers para os clientes de seus programas de fidelidade. Eles podem ser de bônus (você paga o valor cheio das milhas, mas ganha até 120% a mais) ou de descontos (que costumam ser de até 50%).

Na hora em que pensar na possibilidade de comprar milhas, não deixe de levar em conta o seu objetivo (do qual falamos no item 1). Também não dê um passo maior que a perna, financeiramente falando.

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E você? Tem alguma dica para acrescentar? Conte a sua experiência com as milhas aí nos comentários!