Toda vez que alguém começa a planejar uma viagem, existe uma pergunta que marca presença. Qual a melhor forma de levar dinheiro? Tem papel moeda, tem cartão pré-pago e ainda as possibilidades de saque da conta corrente ou do limite do cartão de crédito. Mas nem sempre é fácil a gente saber qual a opção de câmbio mais adequada para o nosso perfil ou para o nosso destino. Por isso, a dúvida não é exclusividade dos turistas de primeira viagem. Viajantes mais experientes também batem cabeça com esse tema.

Esta é uma decisão que exige atenção às letras miúdas e energia para fazer algumas contas. Isso porque o mercado do câmbio sofreu algumas mudanças nos últimos anos, em virtude da febre dos gastos dos brasileiros no exterior. Alíquotas de impostos mudaram, opções que eram infinitamente mais vantajosas perderam competitividade e as moedas estrangeiras flutuaram muito.

Se você nunca viajou para o exterior, a primeira coisa que deve saber sobre câmbio é a diferença entre a cotação comercial e a cotação turismo. A cotação comercial é aquela divulgada nos jornais. Ela vale para transações de importação e exportação de mercadorias, além de movimentações financeiras no exterior. A cotação turismo é a cobrada em casas de câmbio, sempre é mais cara que a comercial e vale para todas as modalidades: câmbio em espécie, cartão pré-pago e cartão de crédito.

Outra informação importante é que existe um tributo que incide sobre qualquer transação de câmbio: o IOF, imposto sobre operações financeiras. As alíquotas mudaram muito de 2011 para cá e podem ser fundamentais na sua decisão.

Tentei reunir algumas informações e dicas para ajudar você a decidir como proceder com câmbio na sua próxima viagem. Espero que sejam úteis!

 

Câmbio em espécie

É a forma mais tradicional de levar dinheiro numa viagem. Você troca a sua moeda pela moeda do seu destino, seja numa casa de câmbio ou num banco. Nas casas de câmbio, as operações são simples. Você precisa apenas levar um documento para fazer um cadastro e, em poucos minutos, sua transação está feita. Nos bancos, perde-se um pouco mais de tempo porque se costuma entrar na mesma fila para todos os outros serviços.

Vantagens

A principal vantagem dessa modalidade é o IOF. Nenhuma outra operação de câmbio tem uma alíquota mais baixa: 1,1%. E olha que esse percentual era menor até bem pouco tempo atrás. Antes de maio de 2016, quando houve a mudança mais recente, a alíquota era de 0,38%. Para você ter uma noção prática: para cada R$ 1.000 comprados em moeda estrangeira, o brasileiro pagava R$ 3,80 de IOF. Hoje, paga R$ 11.

Mas fique ligado: as casas de câmbio costumam informar suas cotações com o IOF já embutido. Os bancos não. Vou dar um exemplo pessoal. Minha esposa e eu estávamos pesquisando a melhor taxa para comprar euros para as nossas próximas férias. Na casa de câmbio onde costumo comprar, a cotação era de R$ 3,52. No Banco do Brasil, onde minha esposa é correntista, o preço era de R$ 3,47. Na hora de comprar, nos foi informado que nenhuma taxa havia incidido. Com os impostos, a cotação ficou em R$ 3,55.

No app do BB, dá pra consultar a cotação do dia

Por outro lado, trocar dinheiro nos bancos têm um grande conveniente: se você for correntista, pode debitar o valor da sua conta corrente. Assim, não precisa carregar uma grande quantidade de dinheiro por aí. Ligue para o seu banco para saber como ele procede em operações de câmbio. Eles ainda podem cobrar o custo da operação. No Banco do Brasil, por exemplo, ela custou R$ 80.

Desvantagens

A maior desvantagem do câmbio em espécie é a menor segurança. Se você for roubado na viagem, perdeu o dinheiro em definitivo. Se esquecer as cédulas no cofre do hotel, idem.

Eu, particularmente, gosto de levar grande parte do dinheiro da viagem em espécie. Quando saio, guardo numa pequena pasta dentro da mala trancada. Tenho a prática de anotar todos os gastos para compreender melhor o custo diário da viagem. Sei que essa parece uma medida meio antiquada, mas tem funcionado para mim… hehehe

Uma cadernetinha dessas pode ser a melhor amiga do seu orçamento de viagem

Câmbio no Brasil ou no exterior?

Dentro dessa modalidade, sempre surge outra dúvida. Trocar o dinheiro no Brasil ou no exterior? Em geral, prefiro trocar no Brasil, principalmente se o destino tem moeda forte (dólar, euro e libra, por exemplo). Trocar no exterior só é vantagem se você for para um país de moeda menos valorizada que o real e costuma receber um grande fluxo de brasileiros. No Uruguai e na Argentina, por exemplo, eu sempre aconselho a levar reais, que são facilmente aceitos nas casas de câmbio e até em alguns comércios.

Se você vai para um país de moeda mais fraca mas com pouco fluxo de turistas brasileiros, o ideal é fazer uma pesquisa extra. Você precisa saber qual moeda estrangeira é mais aceita e mais valorizada no seu destino. Quando a Janaína e eu viajamos para o Marrocos, por exemplo, levamos euros porque sabíamos que era a cotação mais forte por lá.

Dicas importantes

Mas a dica de ouro para qualquer situação de necessidade de trocar dinheiro em espécie continua valendo. Não troque dinheiro nos aeroportos. Primeiro porque as cotações são sempre mais altas que nos centros das cidades. E segundo porque as casas de câmbio nos terminais costumam cobrar comissões. Se você não tiver levado a moeda do destino e não tiver como fugir do câmbio no aeroporto, troque a menor quantidade necessária apenas para sair de lá.

Antes de fechar negócio, consulte uma ferramenta muito útil. O site Melhor Câmbio. Ele pesquisa os preços das principais casas de câmbio da sua cidade (tanto em espécie quanto no cartão pré-pago).

 

 

Cartão pré-pago

No início dos anos 2000, ele era o queridinho dos viajantes por conta de várias vantagens. Levar um cartão magnético é muito mais fácil do que carregar um bolo de notas. Além disso, as cotações eram bem competitivas em relação às do câmbio em espécie por causa da baixa incidência de impostos.

Tudo mudou quando o governo brasileiro elevou a alíquota do IOF para os cartões pré-pagos em dezembro de 2013. O índice era igual ao do câmbio em espécie (0,38%) e disparou para o mesmo patamar do cartão de crédito (6,38%). A medida afetou também o saque em moeda estrangeira no exterior e a compra de traveller checks (os cheques de viagem).

Com essas mudanças, o custo de levar dinheiro em cartão pré-pago e o de levar dinheiro em espécie ficaram bem equivalentes. No Banco do Brasil, por exemplo, a cotação do euro estava dois centavos mais barata que a da compra de moeda em espécie: R$ 3,45 contra R$ 3,47. No entanto, com a incidência do IOF, o valor subia para R$ 3,67. (pesquisa feita em 2 de fevereiro de 2017)

Ainda há outros gastos embutidos na opção pelo cartão pré-pago. Algumas casas de câmbio e bancos cobram pela emissão do cartão. No Banco do Brasil, por exemplo, o custo da operação é de R$ 50. Além disso, cobra-se tarifas para quase tudo. Um saque, por exemplo, custa 2,50 na moeda em que o cartão foi carregado (dólar ou euro, em geral).

Vantagem

A vantagem do cartão pré-pago é que ele pode ser usado em compras no débito sem custo nenhum. Dependendo do fornecedor do cartão, você pode acompanhar o saldo por site ou aplicativo. Também pode solicitar o envio de informações de saldo por SMS (pagando uma tarifa por isso, claro).

Desvantagem

A grande desvantagem surgiu no momento em que o IOF subiu. Assim, a praticidade do cartão pré-pago ficou cara. Também há limites máximos nos valores de saques e compras. Ou seja, se você estiver numa “shopping trip”, o cartão pode te deixar na mão em algum momento.

Para saber mais sobre as tarifas de cada serviço do cartão pré-pago, veja as tabelas do Mastercard Cash Passport e do Visa Travel Money:

 

Saque da conta corrente

Outra forma prática e simples. Durante a viagem, você faz o saque em moeda estrangeira da sua conta corrente. Nem precisa ser num caixa do mesmo banco. A conexão é por redes bancárias como Visa Plus e Cirrus e a taxa de câmbio acompanha a cotação do dólar no dia. Para ter acesso a essa facilidade, basta ligar para o seu banco antes de viajar e solicitar a liberação do serviço.

Assim como o cartão pré-pago, esta é uma modalidade que já foi muito mais vantajosa. Quando morei na Argentina, ao longo do ano de 2010, eu só sacava dinheiro direto da minha conta no Santander. Procurava os caixas que fizessem parte da rede Banelco (o equivalente à brasileira Banco 24 Horas) e pronto. Lembro que a cotação era melhor que as das casas de câmbio. Tanto que repeti a estratégia em algumas viagens que fiz nos anos seguintes (Colômbia 2011, Chile 2012 e Uruguai 2014).

No entanto, tudo piorou quando o governo subiu o IOF desta operação em dezembro de 2013. Era 0,38% e passou para 6,38%. Ou seja, se você sacasse R$ 1000 em moeda estrangeira, sua cota de impostos subiu de R$ 3,80 para R$ 63,80. Além disso, os bancos passaram a cobrar taxas pela operação. Banco do Brasil e Bradesco, bancos que consultei em fevereiro de 2017, cobravam R$ 20 por saque.

Dica importante

Alguns anos atrás, eu diria que esta era a melhor opção entre todas. Hoje só aconselho enquanto recurso de emergência se o dinheiro em espécie acabar (ou for perdido). De qualquer forma, solicite a liberação do serviço antes de viajar. Mas não descuide de duas coisas. Uma é a tarifa de cada saque. A outra é o seu saldo da conta corrente. Pegue a cotação do dia na casa de câmbio e faça uma conta aproximada para saber se você tem grana suficiente em conta para bancar o saque necessário.

 

Cartão de crédito

Durante pouco mais de dois anos, ele foi o vilão do turista brasileiro no exterior. O cartão de crédito foi o primeiro a ter o IOF disparando. Em março de 2011, a alíquota passou de 2,38% para 6,38%. Até dezembro de 2013, usar o cartão numa viagem internacional era quase proibitivo diante das outras modalidades. Até que o governo resolveu subir o IOF dos cartões pré-pagos e do saque no exterior, igualando o percentual ao do crédito.

Desvantagem

Existe uma desvantagem absoluta nessa modalidade: a flutuação do câmbio. A cotação que você vai pagar não é a do dia da compra, e sim a do fechamento da fatura. Como entre um evento e outro podem passar até 30 dias, existe o risco de haver uma disparada nesse intervalo. E aí aquela compra que você achou que tinha sido uma pechincha vira um tormento. Por outro lado, neste mesmo intervalo o câmbio pode melhorar. É um risco sempre existente.

Vantagens

A vantagem do cartão de crédito é o acúmulo de milhas. Se você vai fazer uma compra de um produto que é bem mais barato no exterior (eletrônicos, por exemplo), acho que vale a pena usar o cartão de crédito. Apesar do IOF, o preço final em reais vai ser bem competitivo e você ainda vai ter um bocado de milhas para somar.

Também acho que é uma modalidade que pode socorrer num perrengue. Nunca é demais cadastrar o aviso de viagem na operadora do seu cartão.

 

E você? Ainda tem dúvidas sobre câmbio para viagens? Tem alguma dica para acrescentar? Participe aí nos comentários!