Post atualizado em 03/09/2017

A liberação da cobrança de bagagem despachada em voos no Brasil entrou em prática provocando rebuliço entre os passageiros. A principal queixa diz respeito ao preço das passagens, que não teve grandes quedas após a mudança feita pela ANAC (clique aqui para ler nosso post a respeito).

Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), a novidade faz com que os passageiros paguem apenas pelo que usam, e não por vários serviços que estão embutidos no preço. E a extinção da franquia de bagagem deve flexibilizar as opções de tarifas, seguindo o que já acontece em companhias pelo mundo afora.

“O histórico do setor aéreo mostra que, quando há o aumento de competição, o valor dos bilhetes recua, como aconteceu com a desregulamentação das tarifas aéreas, que reduziram o preço das passagens em cerca de 50% desde 2002”, disse o presidente da ABEAR, Eduardo Sanovicz, em uma nota publicada no site da Associação.

Porém, a realidade não correspondeu ao discurso dos empresários. À exceção da Avianca, todas as companhias brasileiras já estão com novas regras que incluem a cobrança da bagagem. As empresas criaram novos perfis de tarifa sem franquia de bagagem, mas a diferença de preço proporciona uma economia insignificante. Leia nosso post com o resumo do cenário nacional.

Para comparar o cenário brasileiro com o internacional, pesquisei a política de cobrança de bagagem em 10 grandes companhias aéreas estrangeiras. Sete delas são tradicionais (inclusive operam no Brasil) e três fazem parte das chamadas low cost, que possuem tarifas mais baixas e cobram não só pela bagagem, mas também por serviços como reserva de assento.

Além disso, fiz uma comparação de preços de passagens. Como as companhias têm rotas diferentes, escolhi voos diretos, entre 2 e 3 horas de duração, domésticos ou continentais (no caso das companhias europeias). Usei como referência o mês de março de 2017, cerca de 90 dias após a data da pesquisa (15/12/2016).

Para calcular os preços em reais, usamos as cotações do site xe.com apuradas no dia 15/12/2016:

1 US$ = R$ 3,36

1 € = R$ 3,50

1 £ = R$ 4,18

A variação é muito grande, tanto nas franquias quanto nos preços das passagens. Confira:

TAP

Com informações adicionadas em 03/09/2017

A companhia portuguesa foi a primeira empresa estrangeira a mudar as regras nos voos saindo no Brasil. No dia 1 de agosto de 2017, a TAP começou a vender passagens com a chamada tarifa discount para os voos intercontinentais. Antes, o perfil só era aplicado nos voos dentro do continente europeu e com destino ao norte da África.

A tarifa discount funciona assim: ela dá direito a levar apenas a bagagem de mão (limite de até 8 quilos). Para despachar uma peça de até 23 quilos, o passageiro paga 45 euros por volume, se solicitar o serviço no momento da compra. Se deixar para fazê-lo no check-in no aeroporto, o preço sobe para 80 euros. Se o despacho for feito no portão de embarque (costuma ser difícil acontecer, mas acontece), o valor dispara para 175 euros.

O novo perfil (pelo menos para os brasileiros) também deixa de fora várias outras comodidades. Reservar o assento? Pague 25 euros. Alterações ou reembolso no caso de cancelamento? Esqueça. E você ainda pontua apenas 10% das milhas do voo.

Na ponta do lápis

Fui fazer uma pesquisa para ver compreender com os números. Pesquisei um voo de Recife a Lisboa em março de 2018, com ida no dia 8 e volta no dia 22. As tarifas foram as seguintes:

Discount: R$ 3.395,23 (sem bagagem despachada, sem direito a alteração ou reembolso, sem reserva de assento e 10% das milhas)
Basic: R$ 3.551,90 (uma peça de 23 quilos despachada, alteração e reembolso permitidos, sem reserva de assento, 50% das milhas)
Classic: R$ 3.771,23 (duas peças de 23 quilos despachadas, alteração e reembolso permitidos, reserva de assento grátis, 100% das milhas)

Ou seja, entre a tarifa que não lhe dá direito a quase nada e a que dá direito ao pacote completo de antes, a diferença é de R$ 376. É o equivalente a 100 euros no câmbio de 03/09/2017. E, no caso desta passagem pesquisada, representa um desconto de apenas 10% em cima da tarifa cheia.

Minha avaliação: a tarifa discount não vale a pena. O desconto é muito pequeno frente à quantidade de comodidades não coberta pelo novo perfil. Já comentei aqui no blog sobre o perigo que é viajar sem ter direito a remarcação ou cancelamento (no post sobre os 7 erros que cometi em viagens). Suas tão sonhadas férias não merecem correr esse risco.

 

American Airlines

Em voos domésticos e com origem ou destino no Canadá, México, Caribe e América Central, o preço da primeira bagagem despachada é o mesmo: US$ 25 (R$ 84,24). A cada volume extra, o preço aumenta. A segunda mala custa US$ 40 (R$ 134,78) e a terceira, US$ 150 (R$ 505,44).

Para voos intercontinentais, a American oferece a primeira bagagem gratuita em alguns destinos. Cuba (apenas origem), Haiti (origem e destino), América do Sul, Europa, China, Japão, Coreia do Sul e Austrália são algumas das regiões contempladas com este benefício.

Dependendo da categoria no programa de fidelidade Aadvantage, o passageiro pode ter direito a até três volumes gratuitos.

Na pesquisa das tarifas, busquei um voo entre Nova York (La Guardia) e Chicago (O´Hare), com ida no dia 15/03/17 e volta no dia 22/03/17. O site da American já mostra o valor em reais. Este voo saiu por R$ 683 sem bagagem. Ou seja, bastante caro.

Página com todas as tarifas extras da Americanhttps://www.aa.com.br/i18n/customer-service/support/optional-service-fees.jsp

Página com a política de bagagem da Americanhttps://www.aa.com.br/i18n/travel-info/baggage/checked-baggage-policy.jsp#cost

 

Delta

A política de cobrança de bagagem da Delta é bem parecida com a da American. O primeiro volume dentro dos Estados Unidos custa US$ 25 (R$ 84,24). O valor é o mesmo para América Central, Caribe, Bermuda, México, República Dominicana, Guiana e Haiti.

Voos intercontinentais possuem franquia gratuita. Os passageiros têm direito a uma mala de 23kg voando para Europa, Norte da África, Israel, Taiti, Oriente Médio, Índia. A franquia é de duas malas de 23kg em caso de viagens com origem ou destino na América do Sul, China, Japão, Hong Kong, Cingapura, Taiwan, Tailândia, Austrália, Nova Zelândia, Filipinas ou Sul da África.

Assim como na American, clientes com “patente” maior no programa de fidelidade têm direito a mais bagagem sem ônus: dois volumes de 32kg, como podemos ver na tabela abaixo.

Um voo da Delta entre Nova York (La Guardia) e Chicago (O’ Hare) com ida em 15/03/17 e volta no dia 22/03/17 custa US$ 126,20 (R$ 425,24), sem bagagem. Um pouco mais barato que a American, mas não exatamente barato.

Página com a política completa da Delta para cobrança de bagagem: http://pt.delta.com/content/www/en_US/traveling-with-us/baggage/before-your-trip/checked.html?icid=Policy_Ck_Baggage_Ongoing

 

 Jet Blue

Diferente das duas gigantes, a Jet Blue é uma low cost. A companhia possui três tipos de tarifa. Em voos domésticos, a Blue é para quem viaja apenas com bagagem de mão. A Blue Plus inclui uma mala despachada e a Blue Flex, duas.

Para quem quer despachar mala, o primeiro volume custa US$ 20 (R$ 67,38). O segundo, US$ 35 (R$ 117,91). O terceiro, US$ 100 (R$ 336,89).

A companhia oferece uma franquia diferenciada para 14 destinos no México, Caribe, América Central e do Sul. Nestes casos, a tarifa mais barata (a Blue) inclui um volume despachado.

O site da Jet Blue possui um buscador de ofertas. O preço mais baixo para o trecho dos Estados Unidos que procurei (de Nova York a Chicago) foi em janeiro: ida e volta por US$ 108 (R$ 363,90), sem bagagem. Em março, mês que tinha tomado como base a princípio, a tarifa é mais que o dobro: US$ 226 (R$ 761,51). Ou seja: é melhor se programar e pesquisar.

Página com a política de bagagem da Jet Blue (em inglês): http://www.jetblue.com/travel/baggage/

 

Air France

A principal companhia aérea francesa oferece quatro tipos de tarifa para viagens dentro do continente europeu e para o norte da África. A mais barata é a Basic, que inclui apenas a bagagem de mão. Para quem compra a passagem neste perfil, a primeira mala despachada custa € 35 (R$ 121,73) e a segunda, € 70 (R$ 245,93). A Air France informa que, caso o passageiro compre a bagagem despachada online, pode ter até 20% de desconto.

Em voos internacionais, a franquia padrão é de um volume de 23 kg na tarifa econômica. Há outros três tipos de tarifa que permitem no máximo três volumes de 32kg. Os associados do programa Flying Blue têm direito de um volume extra de 23kg. Nestes casos, a bagagem extra custa a partir de € 85 (R$ 298,12).


No site da Air France, é possível pesquisar os voos com preços em reais. Uma passagem entre Paris (Charles de Gaulle) e Roma, com ida em 14/03/2017 e volta em 22/03/2017, custa R$ 352,15 sem bagagem e R$ 493,91 com bagagem. Um preço OK para uma companhia grande, mas que ainda não faz frente às low cost.

Página com a política de cobrança de bagagem da Air Francehttp://www.airfrance.com.br/BR/pt/local/guidevoyageur/pratique/bagages-soute-airfrance.htm

 

Lufthansa

A companhia alemã tem franquias diferenciadas para voos no continente europeu e voos intercontinentais. Nos europeus, há a tarifa Economy Light, só com direito a bagagem de mão (de até 8kg). Nos intercontinentais, a franquia começa na Economy Class com um volume de até 23kg e vai até três volumes de 32kg na classe executiva.

Para a tarifa light, os preços de bagagem despachada são: € 15 (R$ 52,63) para pagamento online, € 30 (R$ 105,25) para o balcão de check-in e € 45 (R$ 157,88) para a porta de embarque.

Pesquisei um voo da Lufthansa entre Frankfurt (principal hub da companhia alemã) e Roma. A ida é no dia 15/03/2017 e a volta no dia 22/03/2017. O preço é de € 128 (R$ 449,09) sem bagagem e € 168 (R$ 589,43) com bagagem.

Informações sobre a política de cobrança de bagagem da Lufthansa: http://www.lufthansa.com/br/pt/Regras-franquia-de-bagagem

 

Iberia

Na companhia espanhola, a primeira categoria de voos (domésticos exceto ilhas + a maior parte dos aeroportos europeus) tem a tarifa econômica sem bagagem. Neste perfil, o primeiro volume custa € 15 (R$ 52,63) e o segundo, € 35 (R$ 122,83). Isso para o caso de compra online antecipada da bagagem despachada.

Voos intercontinentais para América Central, do Sul, Ásia, África do Sul e América do Norte têm uma classe econômica com direito a um volume de 23kg na Iberia. Volumes extras custam a partir de € 60 (R$ 210,56) para compra online antecipada.


Pesquisei um voo entre Madrid e Frankfurt, com ida no dia 15/03/2017 e volta no dia 22/03/2017. O site da companhia permite visualizar o preço em reais. O preço é de R$ 276,58 sem bagagem e R$ 382,90 com bagagem. Preços competitivos.

A política de cobrança de bagagem da Iberia está aqui: http://www.iberia.com/br/bagagem/bagagem-adicional/

 

British Airways

Entre as grandes companhias, a British é a que tem mais condicionantes para a cobrança de bagagem. As tarifas são diferentes até mesmo entre os aeroportos de Londres (Gatwick e Stansted são mais baratos que Heatrow). Para efeito de comparação, vamos usar o perfil tarifa econômica UK Domestic e Euro Traveller. Neste caso, a bagagem extra custa £ 36 (R$ 150,52) saindo de Gatwick ou Stansted e £ 60 (R$ 250,87) para as outras rotas. Isso se você comprar online. Para pagar no aeroporto, o preço sobe para £ 40 (R$ 167,25) e £ 65 (R$ 271,78), respectivamente.

Pesquisei um voo entre Londres (Heatrow) e Frankfurt. A tarifa para ida e volta é de £ 100 (R$ 418,12) sem bagagem e £ 128 (R$ 535,26) com bagagem. Neste caso, vale a pena reservar a tarifa “plus”.

Informações sobre cobrança de bagagem na British Airways: http://www.britishairways.com/pt-br/information/baggage-essentials/extra-overweight-baggage

 

Ryanair

A empresa irlandesa já nasceu low cost e é um modelo a ser sonhado pelos passageiros brasileiros. A flexibilidade nos preços e serviços é enorme e possibilita tarifas mais baratas que as de ônibus no Brasil.

As tarifas regulares da Ryanair permitem que o passageiro leve dois volumes como bagagem de mão: uma mala de cabine de 10kg e uma bolsa pequena. As aeronaves têm capacidade para até 90 malas de cabine. Se o limite for excedido, as malas são transportadas gratuitamente no porão (desde que estejam dentro dos limites de peso e medidas).

Para pagar pela bagagem despachada, você pode escolher duas tarifas: mala até 15kg (que custam de € 10 a € 40 – R$ 35,12 a R$ 140,48, dependendo da rota) e mala até 20kg (de € 15 a € 50, R$ 52,69 a R$ 175,63). Estes preços são para compra online antecipada. Para pagamento no aeroporto, o preço é mais de duas vezes maior.

Um voo da Ryanair entre Dublin e Lisboa (com ida no dia 15/03/17 e volta no dia 22/03/17) custa € 58 (R$ 203,74) sem bagagem e € 142 (R$ 498,82) na tarifa flex. Mas é preciso ficar de olho nas letras miúdas e ver o que está incluído em cada tarifa. Isso porque vários serviços são cobrados, como a reserva de assento por exemplo.

Todo o serviço de bagagem da Ryanair está nesta página: https://www.ryanair.com/pt/pt/planear-viagem/Servicos-extra-em-viagem/bagagem

 

Easyjet

A Easyjet é a outra grande companhia low cost da Europa e tem uma tabela muito clara sobre tudo que é cobrado à parte, como reservas de assento, alterações e até o uso do SAC caso você não consiga gerenciar sozinho a sua reserva online.

Assim como na Ryanair, a taxa de bagagem depende da duração do voo. Para malas de até 20 kg, ela sai entre € 16,90 e € 39 (R$ 59,38 e R$ 137,04) para reserva online, € 44 (R$ 144,61) no balcão de check-in e € 60 (R$ 210,85) no portão de embarque.

Um voo da Easyjet entre Lisboa e Paris (com ida no dia 11/03/17 e volta em 18/03/17) custa € 58,22 (R$ 204,58) sem bagagem e € 210 (R$ 737,85) na tarifa flex. Como em qualquer outra low cost, leia bem o que está embutido em cada tarifa antes de comprar.

A tabela com todos os serviços cobrados à parte pela Easyjet:  http://www.easyjet.com/pt/termos-e-condicoes/taxas

FAQ sobre bagagem, inclusive com vídeos bem didáticos: http://www.easyjet.com/pt/ajuda/preparar-para-voar/bagagem

 

O que podemos entender, resumidamente, sobre tudo isso?

– para pagar tarifas realmente baratas em voos domésticos, vai ser preciso esperar uma nova companhia low cost aportar por aqui ou torcer por mudanças gigantescas nas empresas já no mercado.

– as bagagens despachadas não terão descontos progressivos a cada novo volume. Ou seja, uma viagem de compras vai sair muito mais cara.

– as companhias certamente vão estimular ainda mais a adesão a programas de fidelidade. Quando as empresas brasileiras divulgarem suas regras de cobrança de bagagem, estude-as bem e leve em consideração suas rotas mais frequentes para tentar concentrar suas milhas num programa só.

– quem viaja leve, com pouca bagagem, vai economizar muito mais do que os “bagulheiros”.

– é melhor não arriscar a malandragem do “se colar, colou” com a bagagem. Uma mala acima do peso que precisar ser despachada na hora pode sair bem mais cara que a tarifa. Tente planejar com antecedência o peso da sua bagagem tanto na ida quanto na volta. Afinal, a compra antecipada pelo despacho da mala é mais em conta.

 

E você, o que espera das mudanças nas regras de cobrança de bagagem no Brasil? Manda ver aí nos comentários!