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Categoria: Uruguai

Uruguai de bike: Montevidéu, Punta del Este e Punta del Diablo

Usar a bicicleta como meio de transporte para conhecer uma grande cidade já não é mais privilégio das capitais europeias como Amsterdam e Berlim. Nos últimos anos, as metrópoles latino-americanas…

Usar a bicicleta como meio de transporte para conhecer uma grande cidade já não é mais privilégio das capitais europeias como Amsterdam e Berlim. Nos últimos anos, as metrópoles latino-americanas também têm colocado em prática planos para incentivar o uso das bikes no dia-a-dia. Os turistas que circulam por aí acabam aproveitando por tabela essa mudança de pensamento.

Montevidéu, a aprazível capital uruguaia, está seguindo a tendência com louvor. Antes mesmo das bicicletas entrarem para a ordem do dia no quesito mobilidade, a cidade já tinha um bom lugar para elas circularem: as ramblas, como são chamados os calçadões ao longo do Rio da Prata. São 22 quilômetros urbanizados, com ciclovias seguras e bem conservadas.

As ramblas são as ciclovias naturais de Montevidéu

As ramblas são as ciclovias naturais de Montevidéu

Nas minhas férias de setembro de 2014, eu estava no auge da minha febre de bicicleta. Passei dez dias no Uruguai e incluí as bikes em quase todos os meus roteiros. Pelo que pesquisei, pouca coisa mudou de lá para cá. E se mudou, foi para melhor: há mais ciclofaixas e o sistema de empréstimo de bicicletas se consolidou em Montevidéu.

Além de Montevidéu, também andei por dois destinos no litoral do país: Punta del Este e Punta del Diablo. São balneários razoavelmente próximos da capital (140 e 300km, respectivamente) e que têm ótimos roteiros para conhecer sobre duas rodas. Caso a bicicleta seja a sua paixão, aproveite as dicas que vou te passar e embarque comigo!

Montevidéu

Orla de Pocitos, em Montevidéu

Orla de Pocitos, em Montevidéu

A capital uruguaia vive uma situação semelhante à de São Paulo neste assunto. O prefeito Daniel Martinez trata o uso da bicicleta como prioridade nos planos de mobilidade da cidade. E até vai para o trabalho de bike pelo menos uma vez por mês. Mas enfrenta resistência de uma parte da população e até relata insultos que ouve na rua por causa das medidas pró-ciclistas.

O que Montevidéu já tem: 34,5 quilômetros em que se pode circular de bicicleta, entre ciclofaixas, ciclovias e ramblas. Há também as “ciclocalles”, que é como os uruguaios chamam as ruas de velocidade controlada (até 30 km/h). Nelas, podem circular bikes e automóveis.

Além disso, a cidade possui o Movete, nome do sistema de empréstimo automático de bicicletas. É semelhante aos que existem nas capitais brasileiras, patrocinados por bancos como o Itaú. São 134 bikes disponíveis em 8 estações na Ciudad Vieja, um dos principais destinos dos turistas.

Uma estação do Movete na Ciudad Vieja

Uma estação de bicicletas do Movete na Ciudad Vieja

Quando estive lá em setembro de 2014, recorri a outro serviço: há empresas que alugam bicicletas para turistas, com entrega e retirada nos hotéis. O próprio hotel onde eu estava hospedado indicou a Orange Bike, que tem ótima reputação no Trip Advisor. Além do delivery, a empresa presta assistência técnica: em caso de defeito, promete a troca ou o conserto da bicicleta em até meia hora.

Roteiro de bicicleta pelas ramblas

Pois bem: meu ponto de partida do passeio foi a Rambla Gran Bretaña, próximo à Plaza República Argentina e a quatro quadras da Avenida 18 de Julio, a principal do centro de Montevidéu. Pedalei no sentido Carrasco (cidade vizinha onde fica o aeroporto internacional) e, pelo caminho, passei por algumas das praias da cidade, como Pocitos e Punta Carretas.

Só andando de bike pude ver ângulos de Montevidéu como este

Só andando de bike pude ver ângulos de Montevidéu como este

Eu já conhecia Montevidéu. Foi minha quarta viagem à capital uruguaia. Mas conhece-la de bike proporcionou novos pontos de vista. Vi lugares bem populares no caminho, como o Parque Rodó e o letreiro com o nome da cidade. Mas também deu pra parar em outros que são meio distantes para ir a pé e fora da rota dos carros, como o Farol de Punta Carretas.

O Farol de Punta Carretas

O Farol de Punta Carretas

Além das ramblas, ciclovias e ciclofaixas, outros lugares legais para você andar de bike são os parques e praças. Os parques Battle e Roosevelt e a praça Seregni, por exemplo.

Se você for daqueles que adora planejar tudo antes de viajar, tenho uns links legais pra te passar:

– a prefeitura de Montevidéu tem um mapa interativo com informação útil para os ciclistas. A localização das ciclovias, das “ciclocalles” e também de bicicletários e de oficinas mecânicas.

– o site do Movete informa tudo sobre o empréstimo automático de bicicletas. Se você usar até 30 minutos, o serviço é gratuito. Para consultar tarifas, formas de inscrição e localização das estações, é só acessar.

– a Orange Bike é uma empresa que presta um ótimo serviço de aluguel de bicicletas, inclusive levando e buscando no hotel. Uma locação de 24 horas custa 20 dólares. Para outras tarifas e contatos, vá ao site.

 

Punta del Este

1708

O local mais badalado do Uruguai no verão é uma delícia fora de temporada, ainda que tenha um aspecto meio fantasma durante alguns dias. Há lojas, restaurantes e museus que só abrem em dezembro e janeiro. Outros só funcionam aos fins de semana na baixa estação. Se você fizer como eu e visitar Punta del Este fora da muvuca (fui em setembro de 2014), vai ter o caminho livre. Vai dar para rodar bastante de bicicleta sem a concorrência pesada dos carros.

Uma coisa que descobri sobre Punta del Este foi que os uruguaios não moram lá, nem mesmo os que trabalham na indústria do turismo. Os locais moram em Maldonado capital, cidade vizinha. Então você dificilmente vai conseguir fugir de preços altos. Mas há muito o que ver, mesmo se você não tenha um orçamento folgado.

Roteiros por Punta

A parte turística de Punta é chamada de península, obviamente pelo formato do balneário no mapa. E percorrê-la de bicicleta é muito tranquilo. A extensão é pequena, as ruas são muito bem cuidadas e, assim como em Montevidéu, há ciclovias em grande parte do calçadão.

Playa Brava, em Punta del Este

Playa Brava

Playa de los Ingleses

Playa de los Ingleses

De bike você vai chegar fácil e rapidamente a um dos cartões postais de Punta: o monumento dos dedos. Além disso, pode passar pelas praias e pela área portuária, onde estão concentrados alguns dos melhores (e mais caros) restaurantes e onde você, caso tenha a mesma sorte que eu, pode dar de cara com alguns leões marinhos tirando uma soneca.

Parece estátua, mas ele tá só se espreguiçando

Parece estátua, mas ele tá só se espreguiçando

Um lugar fora do meu roteiro em Punta que acabei descobrindo por acaso nas pedaladas foi o bairro Beverly Hills. A vizinhança faz jus ao nome e é cheia de belas casas, no estilo condomínio fechado. Para quem curte um turismo “Arquitetura e Construção”, é um roteiro legal. Além disso, Beverly Hills também tem o Museo Ralli, que possui uma das coleções mais importantes de obras de artistas plásticos latino-americanos. Caso queira conhecê-lo, confira antes os horários de visitação, já que eles variam muito de acordo com a época do ano.

Um exemplar do estilo de casa que se encontra em Beverly Hills

Um exemplar do estilo de casa que se encontra em Beverly Hills

Não lembro qual foi a empresa onde aluguei bicicleta em Punta del Este, mas você certamente não terá dificuldade para encontrar uma. Há muitas nas principais ruas da península. Caso você queira planejar antes, faça contato com a Bicitrend, uma empresa muito bem cotada no Trip Advisor. Além de alugar as bicicletas tradicionais, eles também têm bikes elétricas.

 

Punta del Diablo

Um céu de fim de inverno no litoral uruguaio

Um céu de fim de inverno no litoral uruguaio

Outro balneário muito procurado no Uruguai, Punta del Diablo tem uma vibe diferente de sua quase xará Del Este. É uma praia mais inóspita, com menos infraestrutura e mais contato com a natureza. Se você procurar algo mais tranquilo e “off-line”, seu lugar é aqui. Mas se você fizer questão daquela dose de urbanidade à beira-mar, talvez seja melhor repensar a estadia.

Passei apenas dois dias em Punta del Diablo, também em setembro de 2014. A vila também estava bem vazia, assim como Punta del Este. No entanto, isso não foi exatamente ruim. Péssimo foi descobrir que a rua da pousada onde me hospedei não tinha iluminação pública. Como eu cheguei ao balneário de ônibus, sair à noite era impossível.

À luz do dia, consegui conhecer a praia principal (Playa de la Viuda), dentro do que a temperatura de cerca de 14 graus permitia. Mesmo com o frio, deu para curtir a bela paleta de cores do fim de tarde no litoral uruguaio.

A bicicleta acabou salvando a viagem. No dia seguinte à minha chegada, aluguei uma na própria pousada por 10 dólares a diária e decidi pegar a estrada. Já havia pesquisado um roteiro bem possível para fazer sobre duas rodas: sair do povoado rumo ao Parque Nacional de Santa Teresa.

Você pedala mais um pouco e chega no Brasil - sério

Você pedala mais um pouco e sua bicicleta te leva ao Brasil – sério

Pegando a estrada

A entrada do parque fica a cerca de 9 quilômetros de Punta Del Diablo. A distância é pequena, mas é preciso pedalar pelo acostamento. Não é a ciclovia mais adequada, mas também não tive problemas com carros ou caminhões. O movimento na Ruta 9 (a estrada que liga uma localidade à outra) não estava muito grande.

O parque tem uma extensão de 3 mil hectares e cerca de 2 milhões de árvores, que não são apenas da flora local. Há inúmeros caminhos por dentro dele, que levam a fazendas, áreas de acampamento e até a praias! São cinco no total.

O Parque Nacional de Santa Teresa

O Parque Nacional de Santa Teresa

Uma das praias que você pode acessar pelo parque

Uma das praias que você pode acessar pelo parque

Mas o maior atrativo é a Fortaleza de Santa Teresa, um forte construído no século 18 para proteger a região. Ele tem o formato bem peculiar de um pentágono irregular e hoje abriga uma espécie de museu. Nele, pode se ver itens como o paiol, a enfermaria e os alojamentos da época em que os militares ocupavam o local.

2000

2033

Devo ter pedalado uns 40 quilômetros nessa jornada, o que talvez seja pouco pra quem está acostumado a trilhas mais longas e irregulares. Mas recomendo demais o passeio: você cumpre com louvor a cota diária de atividade física. Além disso, ainda conhece uma região nova com outro olhar e outro tempo. Caso queira encarar um pouco mais de chão, a fronteira do Brasil com o Uruguai fica a 33 quilômetros da Fortaleza, tanto no município gaúcho de Chuí quanto o uruguaio Barra del Chuy.

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