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roteiros e viagens de mochila sem sufoco

Categoria: Mochileiros

O que os ímãs de geladeira contam sobre as suas viagens

Costumamos aprender que aproveitar uma viagem é curtir o momento. É ajustar a sintonia fina dos sentidos para absorver cores, aromas e cheiros. É criar uma associação de lembranças relacionadas…

Costumamos aprender que aproveitar uma viagem é curtir o momento. É ajustar a sintonia fina dos sentidos para absorver cores, aromas e cheiros. É criar uma associação de lembranças relacionadas a um instante. Mas, se a duração da sua viagem parece curta demais para a sua vontade de viver a experiência, as lembrancinhas sempre estarão lá para ajudar. Peças de artesanato, objetos típicos, seja o que for. São coisinhas que podem estar carregadas de memória afetiva. E, dentro deste universo, não tem nada mais prático que os ímãs de geladeira.

Arrisco dizer que os ímãs de geladeira são o souvenir ideal de uma viagem. Os principais motivos:

1) Eles ocupam pouco espaço, seja na mala despachada ou na bagagem de mão.

2) Costumam custar pouco. Ainda que sejam os mais caros que você encontre (como os ímãs oficiais dos museus), são mais baratos que uma camiseta.

3) São duráveis. As camisetas desbotam, rasgam, passam a não servir mais em você. O artesanato, dependendo do material, pode quebrar. Enquanto isso, os ímãs estão lá, firmes e fortes.

Por essas e outras, já faz um tempo que larguei a implicância que tinha com os ímãs de geladeira. No começo eu costumava comprar camisas de futebol como lembrança de viagens. Até que percebi que elas consumiam um bom pedaço do meu orçamento e comecei a achar um pouco ridículo usá-las por aí. Depois, passei para as peças de artesanato. Mas elas se tornaram menos viáveis quando troquei a mala pelo mochilão.

Os ímãs acabaram ganhando importância nas minhas memórias viajantes quando vim morar sozinho no Recife. A geladeira passou a ser só minha, um quadro em branco para preencher com as minhas recordações, sem dividi-las com ninguém. Quando casei com a Janaína, ela aceitou meu currículo pregresso de viagens na geladeira que virou nossa. Além disso, passou a compartilhar comigo a curadoria dos ímãs das viagens que começamos a fazer juntos.

Assim, toda vez que vou à cozinha, mesmo que seja apenas para pegar um copo d’água, dou de cara com este painel de histórias. E são tantas! Aventuras solitárias, férias a dois, viagens para perto, para longe… Um dia vai faltar geladeira para a quantidade de lugares que a Janaína e eu ainda pretendemos conhecer!

Fiz esse preâmbulo para introduzir as histórias de alguns dos meus ímãs de geladeira favoritos. Uns deles são pequenas obras de arte. Outros não têm um acabamento tão delicado assim. Mas todos carregam um monte de lembranças.

O mais antigo – Argentina

ímãs de geladeira, argentina

Este é o único remanescente da minha primeira viagem ao exterior: Uruguai, Argentina e Chile em 2007. Tem o que parece ser uma pintura a mão de um dos cartões postais de Buenos Aires que mais me interessavam naquele ano: La Bombonera. Esse ímã ficava na geladeira da casa dos meus pais, em Belém. Foi um dos poucos que eu trouxe de lá na mudança para o Recife. Já está com as cores um pouco desbotadas, como se estivesse me dando um recado. Será que é hora de visitar a Argentina de novo?

O mais bonito – Madrid

ímãs de geladeira, madrid

Eu nunca conheci Madrid de fato. A capital espanhola era apenas o local da nossa conexão na viagem para as Ilhas Canárias, em 2016. Mas um atraso na saída de Gran Canária fez com que perdêssemos o voo de volta para o Brasil. Acabamos ficando um dia a mais em Madrid. Só que a Janaína tinha torcido o pé no Marrocos e ainda sentia muita dor. Juntando isso com o nosso cansaço, terminamos não saindo do hotel. O ímã foi comprado no aeroporto de Barajas e acho que ele tem uma riqueza de detalhes incomparável. Pelo menos na minha geladeira.

Os segundos colocados em beleza – Montevidéu

Estes aqui ficam um focinho atrás do ímã de Madrid. Eles têm traços típicos de um artesanato que, no Uruguai, é feito em cerâmica. Mas, neste caso, são feitos em um material mais leve e que não quebra. Um deles tem o desenho de um farol. O outro parece representar o cotidiano da área portuária da cidade. Comprei na Ciudad Vieja de Montevidéu quando fui por lá em setembro de 2014.

Os ímãs da viagem mais marcante – Lanzarote

Se fosse escolher o lugar mais bonito que já conheci, responderia Lanzarote sem pensar duas vezes. A ilha, que faz parte do arquipélago das Canárias, foi um dos destinos da viagem de lua de mel que a Janaína e eu fizemos em 2016. Os ímãs que temos de lá são bem simples. Um deles é impresso no próprio adesivo magnético e mostra a paisagem das vinícolas aos pés dos vulcões. O outro tem um acabamento um pouco melhor e foi comprado na casa onde José Saramago viveu. Olhar para eles é como viver novamente nossos dias por lá.

Os mais criativos – Londres

Estes aqui não mostram paisagens, fachadas ou traços típicos do artesanato local. E sim releituras divertidas da cultura pop. Foram comprados no Camden Market, a feirinha mais descolada de Londres. Referências a Pulp Fiction e Star Wars são meio caminho andado para me ganhar.

Para relembrar a “Cortina de Ferro” – Berlim

Sou fascinado por histórias do tempo da Guerra Fria, em que o mundo tinha um bloco de países influenciado pelas ideias socialistas/comunistas. Por isso, um dos lugares que fiz questão de visitar em Berlim foi o DDR Museum. Numa tradução livre, é o museu da Alemanha Oriental. Tem um acervo riquíssimo de objetos do cotidiano, propaganda e peças audiovisuais. Um dos ímãs que comprei lá representa o Sputnik, o satélite soviético. O outro é a famosa placa do Checkpoint Charlie, um dos pontos de passagem entre a Berlim Ocidental e a Oriental nos tempos do Muro.

 

Faixa bônus – ímãs convidados

Resolvi compartilhar essa pensata com outros blogueiros de viagem. Cinco deles toparam o convite para participar e contaram as histórias dos ímãs de geladeira favoritos deles!

Grand Palace, Bangkok – Renata Andreoti – Wanderlust Memorabilia

Colecionar imãs dos lugares visitados é algo que o Bruno já fazia antes de estarmos juntos, e adotamos como hábito em nossas viagens também. Escolher um só é muito difícil, já que todos eles nos trazem boas memórias. Mas este imã da foto me traz alguns sentimentos a mais: a Tailândia sempre foi um país que queria muito conhecer. Poder ir pra lá foi a realização de um sonho e o Grand Palace é um lugar mágico! Todas as cores, a energia do lugar, os mantras sendo entoados… A gente fica hipnotizado com tanto detalhe, tanta cor e tanto brilho. Além de tudo isso, essa também foi nossa viagem de lua-de-mel.

Penitenciária de Alcatraz, São Francisco – Diana Guerra, Contramapa

Quando comecei a detalhar a minha road trip aos Estados Unidos, a prisão de Alcatraz em São Francisco entrou logo no roteiro. E, apesar das expectativas elevadas, a visita não desiludiu. Localizada numa ilha ao largo da costa, a prisão de segurança máxima tornou-se famosa por ter recebido os infames Al Capone e Robert Stroud. Hoje, Alcatraz é uma das atrações mais visitadas de São Francisco e com razão. Podemos percorrer a antiga prisão e conhecer a história daquele local que manteve alguns dos criminosos mais perigosos do mundo. Eu não podia deixar de trazer uma lembrança deste espaço, trazendo uma das regras de Alcatraz e que é, de certo modo, um dos lemas da minha vida. “Tens direito a alimentação, roupa, um local onde dormir e cuidados médicos. Tudo o que demais consigas, é um privilégio.”

Uma coleção inteira – Michela Borges Nunes, Mapa na Mão

Por que fico animada para falar sobre este assunto? Simplesmente porque eu coleciono ímãs de geladeira! Tenho quase 200 e sou apaixonada por eles. Os ímãs eternizam uma das coisas que mais amo fazer – viajar. Eles contam histórias bem ali, na parede da minha sala. Alguns ficam na geladeira, mas a maioria em quadros que eu mesma projetei e fiz para protegê-los e expô-los.

De qual mais gosto? Pergunta muito difícil. Gosto de todos. Todos me lembram momentos, lugares, viagens, experiências. Alguns me emocionam mais, outros menos, mas não deixo de sentir um grande apreço por todos os objetos da minha coleção. De cada lugar que conheci, de cada viagem que fiz até hoje, restou um pedacinho em minha casa em forma de ímã de geladeira. Queres conhecer toda esta história, leia sobre a minha coleção de ímãs!

Chiang Mai, Tailândia – Flávio Borges, Viajando na Janela

 

Sempre que a Geisi e eu viajamos, fazemos questão de trazer um ímã para nossa geladeira! Se não trazemos um, parece que ficou faltando alguma coisa. Dos ímãs que já temos o que eu mais curto é o que trouxemos de Chiang Mai, uma cidade da Tailândia! Este imã é muito especial porque ele traz uma família de elefantes na natureza. E de todas as experiências em viagens que já fizemos, a que mais nos marcou foi exatamente visitar uma ONG que cuida e resgata de elefantes e outros animais que são abandonados ou que são explorados pelo turismo inconsequente. O trabalho que esta ONG realiza é muito bonito e de extrema importância para a preservação de uma espécie que infelizmente se encontra na lista de animais ameaçados de extinção. Ver este imã com a família de elefantinhos livres me faz recordar de tudo o que vivenciamos naquele dia!

São Petersburgo, Rússia – Paula Medina, Achados pelo Mundo

Adoro comprar lembrancinhas dos lugares que visito. Já colecionei mini estátuas, quadrinhos para parede, copinhos de shot.. mas hoje a minha coleção é de ímãs de geladeira! E falando nisso, o ímã que eu mais gosto é o de São Petersburgo! Além de muito lindo, foi nessa viagem que peguei o maior frio da minha vida e a primeira vez que fui para a Rússia! E não preciso nem dizer que me apaixonei por lá?! Sempre que olho esse ímã, lembro do frio intenso, da dificuldade de entender as placas, as pessoas… Mas a melhor lembrança é da minha guerra de neve e do bonequinho de neve que fiz em plena primavera russa!!

 

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Caudalosa América: a América do Sul a bordo de um carro

A América do Sul é um continente ao mesmo tempo familiar e estranho para nós, brasileiros. Estamos no mesmo território, mas falamos um idioma diferente do espanhol predominante. Além disso,…

A América do Sul é um continente ao mesmo tempo familiar e estranho para nós, brasileiros. Estamos no mesmo território, mas falamos um idioma diferente do espanhol predominante. Além disso, temos colonizações, origens e referências distintas de nossos vizinhos. Para completar, os principais destinos turísticos dos brasileiros em terras sul-americanas poucas vezes fogem de algumas capitais e uma ou outra estação de esqui.

O casal Arthur Chacon e Sophia Reis, de São Paulo, resolveu criar uma experiência pessoal para contrariar este estranho distanciamento. Eles decidiram pegar a estrada e viajar o continente inteiro num Land Rover. A expedição, que deve durar perto de um ano e meio, ganhou o nome de Caudalosa América. O casal tem compartilhado fotos e vídeos nas redes sociais, contando relatos inspiradores e apresentando lugares tão lindos quanto desconhecidos.

Foto: Sophia Reis

Arthur é historiador e faz pesquisas nas áreas de música e cultura popular brasileira. Sophia é jornalista, já trabalhou na TV Bandeirantes, na MTV e no canal por assinatura Multishow. Ela é filha do músico Nando Reis, ex-baixista dos Titãs e hoje em bem sucedida carreira solo.

A aventura dos dois com um financiamento coletivo na internet. Por meio de uma campanha de crowdfunding, Arthur e Sophia arrecadaram o dinheiro para transformar o Land Rover inteiro. Investiram na mecânica do carro para diminuir o risco de panes e fizeram várias adaptações funcionais. Um tanque de 40 litros para água abastece duas torneiras e um filtro. Uma bateria extra fornece energia para uma mini-geladeira e para tomadas que carregam celulares e computadores. Para completar, o casal equipou uma pequena cozinha com presentes de casamento.

“Além do conforto, isso gera economia. São raríssimas as vezes em que a gente compra água ou come em restaurante. Todos os serviços que uma casa oferece a gente conseguiu compactar dentro do nosso carro”, explica Arthur.

Foto: Arthur Chacon

Arthur e Sophia caíram na estrada de fato em fevereiro de 2016. Saíram de São Paulo rumo ao Rio Grande do Sul, por onde cruzaram a primeira fronteira. De lá, passaram pelo Uruguai, Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Equador e Colômbia. Um ano depois de iniciada a aventura, o casal já está de volta ao Brasil. Já passaram pelo Acre e por Rondônia e ainda devem andar um bocado pela região Norte.

A viagem tem um roteiro maleável. A princípio, ela deveria ter como destino final o Alasca. Mas, por conta dos altos custos, o casal decidiu ficar apenas do lado de cá do continente. “Era preciso atravessar com o carro da Colômbia para o Panamá e é uma das travessias mais caras do mundo. São cerca de 80km de distância e ia custar 1000 dólares. Então a gente desistiu. Não tinha como gastar essa grana. Achamos mais interessante investir numa continuação pela América do Sul”, conta Arthur.

O casal no bairro Candelaria, em Bogotá. Foto: Sophia Reis

A imersão no continente permitiu a eles desbravar facetas pouco conhecidas. A aventura passou por lugares turísticos (como Bogotá e Machu Picchu), mas também por vilarejos e pequenas cidades aparentemente sem apelo algum. “A gente não se orienta muito por guias de viagem. Nosso roteiro é baseado nos encontros que a viagem proporciona. O que faz a gente ficar no lugar é a experiência que a gente tem nele”, relembra Arthur. Assim, Arthur e Sophia conheceram festas religiosas, se hospedaram em escolas e até trabalharam numa agência de turismo para continuar bancando a viagem.

Um dos encontros mais marcantes aconteceu no Uruguai. O casal conheceu o ex-presidente e hoje senador uruguaio José Mujica. Pepe, como é conhecido, já era uma figura admirada pelos dois viajantes antes mesmo da expedição Caudalosa América começar. Mas ainda assim conseguiu surpreender aos dois. “Ele tem um conhecimento muito grande sobre a história sul-americana, além de uma visão muito integrada sobre tudo. Ele deu uma série de exemplos para dizer que a solução para o continente é a integração econômica, social, turística e isso passa pela educação. A luta dele hoje passa muito pela educação e isso nos chamou muito a atenção”, conta Arthur.

Após a entrevista com Pepe Mujica. Foto: Sophia Reis

Inclusive foi Pepe Mujica quem batizou a companheira de viagem do casal: uma gata que foi resgatada ainda no Sul do Brasil. “Nós tínhamos acabado de descobrir que era fêmea quando fomos entrevistá-lo e ela ainda não tinha nome. Pedimos a ele que desse o nome, ele olho nos olhos dela e falou: Catalina”, conta Arthur. Catalina segue como passageira VIP do Land Rover e estrela algumas fotos nas redes sociais do Caudalosa América.

Catalina, super bem instalada no Land Rover. Foto: Sophia Reis

 

E os lugares favoritos?

A cratera no vulcão Quilotoa, no Equador, virou um lago. Foto: Sophia Reis

Arthur e Sophia estiveram em alguns dos lugares mais bonitos do continente sul-americano. O deserto do Atacama, no Chile. A praia de Cabo Polonio, no Uruguai. As ruínas incas de Machu Picchu, no Peru. Mas as três paisagens mais marcantes para os aventureiros da Caudalosa América são outras.

Em primeiro lugar, o Vale Sagrado, no Peru. A região, que já foi habitada pelos incas, possui vários monumentos arqueológicos e povoados indígenas. “Ele tem uma fertilidade, uma riqueza de água, de plantação, de animais. Além disso, ele é um polo cultural muito forte com a tecelagem”, explica Arthur. O vale compreende diversas cidades às margens do rio Urubamba, ao norte de Cusco.

Vale Sagrado, no Peru. Foto: Sophia Reis

A segunda paisagem mais marcante citada pelo casal da Caudalosa América é o vulcão Chimborazo, no Equador. “Ele tem uma magnitude absurda. A gente deu muita sorte porque ele não estava encoberto por nuvens. A gente passou uma noite aos pés do Chimborazo, ele é de tirar o fôlego”, conta. O vulcão tem 6.268 metros de altitude e fica a cerca de 180 quilômetros ao sul da capital Quito.

Vulcão Chimborazo, no Equador. Foto: Sophia Reis

Completando o pódio, o Salar de Uyuni, na Bolívia. É a maior planície de sal do mundo, com mais de 10 mil quilômetros quadrados. Um lugar para contemplar a imensidão do continente e desejar conhecer cada cantinho dele.

Salar de Uyuni. Foto: Sophia Reis

 

E os perrengues?

Foto: Arthur Chacon

Uma viagem tão longa de carro não consegue escapar de imprevistos. Para Arthur e Sophia, o pior deles aconteceu na Ruta 40, uma famosa estrada argentina que percorre o país de norte a sul. O casal dirigia próximo ao Abra Del Acay, um ponto na província de Salta onde a rodovia atinge sua maior altitude: 4.895 metros acima do nível do mar. “Já era de noite, fazia muito frio, a gente estava congelando e o carro forçou muito”, relembra Arthur. O catalisador, que é uma peça que fica dentro do escapamento do veículo entupiu. O calor do motor e a pressão fizeram com que um pequeno incêndio ocorresse.

“A gente estava dirigindo à noite e, de repente, olhou para trás e viu um fogo saindo do carro”, conta Arthur, totalmente refeito do susto. A solução foi entrar em contato via Whatsapp com um mecânico amigo que virou o anjo do momento mais difícil da viagem. “Ele falou que era preciso soltar um parafuso. A gente soltou um errado primeiro, depois soltou o certo. Fomos até a cidade de Salta rodando sem poder passar de 40 km/h. E a cada meia hora, parávamos para ver se o carro não estava incendiando de novo”, relembra. “Mas de momentos como este você sai mega fortalecido. De perrengue em perrengue, você toma confiança para seguir viagem”, completa.

 

E os próximos passos?

Cruzando a fronteira da Bolívia com o Acre. Foto: Sophia Reis

De volta ao Brasil, a Caudalosa América pretende manter o espírito da viagem. Conhecer tradições e cenas urbanas, história e pautas incandescentes, personagens e circuitos alternativos. A Região Norte, por onde esse retorno começou, tem proporcionado vivências surpreendentes aos dois. O casal chegou ao Norte pelo Acre e, enquanto deu a entrevista para o Mochileza, estava prestes a embarcar numa balsa para sair de Rondônia rumo ao Amazonas.

“A Região Norte era um lugar que a gente pesquisou pouco e não tinha muita expectativa. Rio Branco surpreendeu muito a gente pela organização e pela relação muito próxima com a própria cultura. Porto Velho, onde a gente está agora, não só nos surpreendeu como nos absorveu por uma semana. Primeiro pela hospitalidade das pessoas. Também chamou a atenção também a juventude empenhada em gerar um impacto cultural e político muito interessante”, conta Arthur.

Depois do Amazonas, o casal da Caudalosa América pretende rumar para o Pará (onde pretendem passar o carnaval) e seguir por Maranhão, Piauí, Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. A aventura deve terminar em junho de 2017, com um projeto que ainda está amadurecendo.

“A gente quer coletar todos os registros. Entrevistas, vídeos, textos, coisas postadas na internet e fotos. A ideia é elaborar um livro. A gente ainda não sabe o formato que ele vai ter. Mas certamente a gente vai transmitir de forma muito passional toda a nossa aventura chamada Caudalosa América”, adianta Arthur.

Quer conhecer mais o Caudalosa América? Eles vão passar pela sua região? Quer dar alguma dica bacana para o Arthur e para a Sophia? O site deles é http://www.caudalosaamerica.com/ (onde estão todos os links para redes sociais) e o e-mail é [email protected]

 

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A volta ao mundo em 12 meses de lua de mel

Dar uma volta ao mundo provavelmente está ou já esteve entre os sonhos de todo viajante. Ter uma companhia especial para o resto da vida também. Juntar as duas coisas…

Dar uma volta ao mundo provavelmente está ou já esteve entre os sonhos de todo viajante. Ter uma companhia especial para o resto da vida também. Juntar as duas coisas é uma dupla realização que talvez pareça distante demais para alguns. Sempre vai haver um pretexto para desistir: falta de dinheiro, de tempo ou de coragem para largar tudo e sair pelo mundão afora.

Mas sempre há histórias para nos mostrar que os sonhos não estão necessariamente tão longe assim. É o caso da Thaís Gonçalves e do Rafael Lamounier. Eles casaram em agosto de 2016 e decidiram colocar em prática o sonho deles: curtir doze meses de lua de mel dando uma volta ao mundo. Para inspirar muita gente (e também deixar geral babando com as fotos) casal está usando a internet para contar o passo a passo da viagem. Desde o planejamento até os roteiros em cada país visitado, está tudo lá no site Noivos na Estrada.

Thaís e Rafael no Cerro la Cruz, em Antígua (Guatemala). Foto: Noivos na Estrada

Thaís e Rafael no Cerro la Cruz, em Antígua (Guatemala). Foto: Noivos na Estrada

O planejamento da volta ao mundo

Thaís é advogada e tem 30 anos. Rafael é arquiteto e tem 31. Eles já moravam juntos em Belo Horizonte num apartamento recém-reformado, quando Rafael propôs a ideia da volta ao mundo na lua de mel. Isso foi no final de 2014. A princípio, Thaís via a proposta como algo surreal, mas acabou embarcando na ideia.

Anunciar a decisão para família e amigos foi uma etapa importante do processo, que exigiu até uma certa preparação. “Muita gente ficou surpresa e nos perguntou como faríamos com nossos trabalhos, o apartamento, como teríamos dinheiro. Mas a gente só começou a contar para as pessoas depois que o planejamento já estava bem adiantado e já tínhamos as respostas para essas perguntas”, relembra Thaís.

Até que o planejamento estivesse adiantado o suficiente, levou um bocado de tempo. Enquanto davam início à contenção de gastos para a poupança da viagem, Thaís e Rafael debruçavam sobre guias, mapas, computadores e planilhas para decidir o roteiro. O processo inteiro durou um ano e acredite: eles organizaram a viagem paralelamente com a festa de casamento.

Os noivos antes de cair na estrada. Foto: Rafael Cardias (Disse Sim)

Os noivos antes de cair na estrada. Foto: Rafael Cardias (Disse Sim)

Escolhendo o roteiro

“Definir o roteiro foi uma das coisas mais difíceis que já fizemos. Foi muito mais complicado que decidir cair na estrada. Ainda é um dos nossos maiores desafios porque, vira e mexe, a gente muda alguma coisa. Inclui um lugar, tira outro, altera a quantidade de dias. Nem sempre é um consenso fácil, às vezes temos longas conversas, mas não rolou nenhuma briga”, conta Thaís.

A definição do roteiro foi um trabalho metódico. O casal começou pesquisando em blogs e guias aquelas listas do tipo “lugares para conhecer antes de morrer”. Dividiram esses lugares em categorias e depois colocaram num mapa. Para afunilar, consultaram o site Price Of Travel para checar quais as cidades listadas estavam na lista das mais baratas do mundo para viajar. E essa é uma forma bem resumida de contar como eles enfim chegaram ao mapa da volta ao mundo.

No mapa, todos os lugares por onde os Noivos na Estrada vão passar

No mapa, todos os lugares por onde os Noivos na Estrada vão passar

Thaís e Rafael concentraram a viagem em três regiões: América Central, Sudeste Asiático e Leste Europeu. A primeira perna da jornada começou logo após o casamento: três meses entre Bogotá e a Cidade do México, recheados com passagens por países como Costa Rica, Panamá e Guatemala, entre outros. Em seguida, o casal passará cinco meses entre Bangkok (Tailândia) e Mumbai (Índia) e, para encerrar, quatro meses pela Europa Oriental.

No Museo Del Oro, em Bogotá (Colômbia). Foto: Noivos na Estrada

No Museo Del Oro, em Bogotá (Colômbia). Foto: Noivos na Estrada

Economizar é preciso

Como é uma viagem assumidamente low-cost, o controle de cada centavo que sai do bolso (seja em que moeda for) é fundamental. “A gente pensa muito antes de gastar com qualquer coisa, por menor que seja, para tentar ficar dentro do orçamento. Decidir se um certo passeio, uma hospedagem melhor por algumas noites ou uma comida mais cara merecem um rombo no orçamento é mais difícil do que pode parecer”, relata Thaís.

E dentro dessa reeducação de viajante, outro capítulo importante é a disciplina para segurar a onda na hora em que dá vontade de comprar souvenirs. “O Rafa não é uma pessoa muito consumista e já tinha experiências com mochilões, então para ele é mais fácil. Para mim, às vezes é uma tortura passar por aquelas feirinhas lindas de artesanato e não poder comprar nada! Antes eu fazia coleção de copinhos de shot, mas dessa vez nossa única lembrança de cada país é uma bandeirinha que vamos costurar nas mochilas”, conta.

Thaís e Rafael passaram o Día de Los Muertos no México. Foto: Noivos na Estrada

Thaís e Rafael passaram o Día de Los Muertos no México. Foto: Noivos na Estrada

Mas uma longa viagem de volta ao mundo tem uma fatura de preço incalculável: a saudade. Enquanto realizam o próprio sonho, Rafael e Thaís estão perdendo momentos especiais na vida de pessoas amadas. Eles estão acompanhando apenas de longe os nascimentos de bebês na família e casamentos de amigos que têm acontecido. Por último, mas não menos importante, o casal tem perdido a temporada do Atlético Mineiro. Ambos são atleticanos e só conseguem monitorar os resultados dos jogos.

Nas ruínas maias da cidade de Tikal (Guatemala). Foto: Noivos na Estrada

Nas ruínas maias da cidade de Tikal (Guatemala). Foto: Noivos na Estrada

Compartilhando a volta ao mundo na internet

Por outro lado, Thaís e Rafael têm se empenhado bastante para compartilhar a volta ao mundo com amigos, parentes e até com gente que nem os conhecia antes. O site Noivos na Estrada é bonito e completíssimo, com informações importantes para o planejamento e a execução da viagem. Dicas sobre vistos, logística, roteiro, câmbio e muito mais são dadas com muita clareza. O casal também instalou no site um plugin que mostra, em tempo real e com a ajuda de um GPS, em que parte do planeta eles estão no momento do acesso. Além disso, os perfis nas redes sociais (Facebook, Instagram, Pinterest e You Tube) são atualizados constantemente.

Segundo Thaís, a ideia de fazer com que a viagem tivesse essa presença digital surgiu bem antes de ela começar. Quando estavam reformando o apartamento onde moram em Belo Horizonte, a advogada criou um perfil no Instagram para compartilhar o dia a dia da obra. Depois de pegar gosto pela troca de experiências e inspirações, trouxe esse hábito para a volta ao mundo. Mas fazer tudo isso em plena estrada (ainda que no sentido figurado de estrada) tem seus contratempos.

“Manter tudo atualizado é bem mais difícil do que imaginávamos e ainda estamos tentando encontrar um equilíbrio entre os momentos de lazer e de trabalho. Quando ficamos em um destino por mais tempo, é mais fácil decidir ficar ‘em casa’ um dia inteiro ou mais para trabalhar. Mas quando se está só por dois ou três dias num lugar, o coração aperta e às vezes o trabalho acaba ficando atrasado”, lamenta Thaís.

As lições da viagem

Ainda que Thaís relate que o tempo nem sempre seja suficiente, o projeto Noivos na Estrada é imperdível e inspirador. Para a advogada, a lição que eles têm aprendido com a experiência é a mesma que querem passar para quem tem acompanhado a jornada pela internet. “Viajar não é – ou não precisa ser – caro. Se você tiver muito dinheiro e quiser gastar na viagem, muito bom. Mas se a grana estiver curta, é super possível viajar com pouco. Exige mais planejamento, mais pesquisa e uma compreensão do estilo de viagem, mas não deixa de ser incrível”, conta.

Foto: Noivos na Estrada

Foto: Noivos na Estrada

Conheça mais os Noivos na Estrada

Site: http://www.noivosnaestrada.com.br/

Facebook: https://www.facebook.com/noivosnaestrada/

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Como Felipe viajou o Egito inteiro fazendo intercâmbio social

Pensar em viagem de intercâmbio geralmente leva a algumas ideias bem formatadas. O pacote padrão inclui morar na casa de uma família, estudar o idioma numa escola destinada a estrangeiros…

Pensar em viagem de intercâmbio geralmente leva a algumas ideias bem formatadas. O pacote padrão inclui morar na casa de uma família, estudar o idioma numa escola destinada a estrangeiros e se divertir no tempo que sobra. Mas o que fazer quando você quer extrair um pouco mais dessa experiência? Que tal conhecer um lado do mundo que não costuma ser vivenciado nos intercâmbios tradicionais? Talvez seja interessante para você conhecer o intercâmbio social.

O intercâmbio social é uma tendência recente e crescente. É baseado em trabalho voluntário, mas um pouco diferente da experiência da mochileira Luna que contamos neste post. Assim como nos intercâmbios tradicionais, existe uma agência que intermedia a viagem, que oferece assistência no país de destino e que organiza os projetos em forma de pacotes. Mas, em vez do estudo do idioma, o foco é outro tipo de imersão: o apoio para o cumprimento das metas globais de desenvolvimento sustentável em países subdesenvolvidos.

O que é intercâmbio social?

A gente vai destrinchar para você o que é intercâmbio social com base na experiência do Felipe Balota. Ele tem 28 anos, é engenheiro de alimentos numa multinacional, mora em Campinas e passou quatro semanas no Egito em agosto de 2016. Felipe participou do programa Cidadão Global da AIESEC, uma organização sem fins lucrativos que tem como objetivo a formação de lideranças jovens ao redor do mundo. O projeto no Egito foi a terceira experiência desse tipo que Felipe viveu.

“Trabalhei na Eslovênia em 2014, dando aulas de cultura brasileira para alunos de terceira a nona série. E em 2015 participei de um projeto de empreendedorismo social na Indonésia numa espécie de ‘jogo de empresas’ entre escolas públicas. Escolhi o Egito desta vez porque queria fazer o intercâmbio social num continente diferente, queria fugir do eixo cultural-educacional e também procurava um projeto que me deixasse mais solto para explorar a cidade”, explica.

Foto: Felipe Balota (arquivo pessoal)

Foto: Felipe Balota (arquivo pessoal)

Zerando o Egito

Felipe participou do Explore Egypt, um projeto de turismo para ajudar o Egito a atingir uma das metas globais da ONU: melhorar os índices de emprego e crescimento econômico. O turismo é uma das principais atividades que sustentam a economia egípcia. Mas, segundo Felipe, tem sido comprometido por conflitos como os que levaram à Primavera Árabe de 2011: as tensões religiosas e uma ditadura que só foi derrubada depois de 30 anos.

“A ideia do projeto era tentar recuperar o turismo, viajando pelas 12 cidades mais turísticas do país e mostrando isso para o mundo. No edital do projeto, era citado um blog para mantermos depoimentos, fotos e vídeos. Assim, tentaríamos dar um impulso no interesse pelo Egito”, conta Felipe.

Mas aí você pode se perguntar: em quatro semanas deu para conhecer todo o país?

Zerei o Egito”, responde Felipe, brincando. Ele passou pelas seguintes cidades: Cairo, Gizé, Damieta, Porto Said, Ras El-Bar, Sharm el-Sheikh, Dahab, Sinai do Sul, Alexandria, Luxor, Aswan, 6 de Outubro, Mansura e Porto Sokhna.

Ufa!

Foto: Felipe Balota (arquivo pessoal)

Foto: Felipe Balota (arquivo pessoal)

Nem tudo são flores…

Felipe aponta que, por mais que tenha sido uma viagem extensa, o projeto não saiu tão bem quanto o esperado. “Foi bonito na teoria, mas nem tanto na prática. A unidade da AIESEC que me recebeu no Egito era bem desorganizada. Não existiu blog e as viagens foram muito mal planejadas”, relata.

Por outro lado, Felipe reforçou a impressão que já tinha das outras viagens que fez nos anos anteriores. “Para mim, o intercâmbio social é o melhor jeito possível de viajar. A intensidade é diferente e o propósito final não é financeiro. Então você enriquece em outros aspectos. Quando você trabalha, mesmo que voluntariamente, você mergulha na cultura, convive com várias gerações e consegue voltar para casa com um olhar mais crítico”, explica.

Não faltou matéria-prima para que Felipe aprimorasse essa sintonia no olhar de viajante durante o intercâmbio social. O Egito é um dos maiores países islâmicos do continente africano. São mais de 70 milhões de muçulmanos, o equivalente a 85% da população. As quatro semanas por lá foram suficientes para ter noção da interferência religiosa nos cidadãos. “Eles são conformados com a situação econômica e social do país. Para qualquer questionamento, a resposta é igual: o Egito é assim mesmo, não tem o que fazer. A parte mais triste é que os jovens não se esforçam para tentar fazer diferente em nenhum aspecto”, conta.

Foto: Felipe Balota (arquivo pessoal)

Foto: Felipe Balota (arquivo pessoal)

Ficou interessado em fazer um intercâmbio social semelhante ao do Felipe no Egito? Então passe no site do programa Cidadão Global da AIESEC. Há oportunidades na América Latina, Ásia, África, Leste Europeu e no Mundo Árabe. Pelo site, também é possível descobrir se há um escritório da AIESEC na sua cidade: http://aiesec.org.br/estudantes/cidadao-global/

Top 5 passeios no Egito – por Felipe Balota

O intercâmbio do Felipe teve trabalho, mas também teve passeios. Afinal de contas, o cara diz que zerou o Egito! Então a gente propôs a ele que enumerasse os cinco programas mais legais que fez por lá. Assim, você pode pautar a sua viagem mesmo que não seja num intercâmbio social. Saque as dicas:

 

1. Monte Sinai

Foto: Felipe Balota (arquivo pessoal)

Foto: Felipe Balota (arquivo pessoal)

Segundo a Bíblia, é o local onde Moisés cunhou a tábua dos Dez Mandamentos seguindo a orientação de Deus. Mas também foi local de passagem de profetas das outras duas grandes religiões monoteístas atuais: judaísmo e islamismo. O monte fica na Península de Sinai, a única parte do território egípcio que fica na Ásia e é banhada pelo Mar Mediterrâneo ao norte e pelo Mar Vermelho ao sul.

Para chegar ao Monte Sinai, o ponto de partida mais comum é a cidade de Taba, na fronteira do Egito com Israel. A partir de lá, são 182 km de estrada. E é apenas o começo… Para subir os quase 2300 metros de altitude, há uma escada com 4 mil degraus. A caminhada dura cerca de três horas. Muita gente enfrenta o frio para fazer essa peregrinação durante a madrugada e chegar ao topo antes dos primeiros raios da manhã. “É o nascer do sol mais incrível que já vi na vida”, relata Felipe.

 

2. Pirâmides de Gizé

Foto: Felipe Balota (arquivo pessoal)

Foto: Felipe Balota (arquivo pessoal)

Com mais de 4500 anos desde que foram erguidas, as pirâmides do Egito representam a única maravilha do mundo antigo que continua de pé. O imaginário clássico do imenso deserto ao redor das pirâmides está ficando cada vez mais distante da realidade. Isso porque a urbanização cresceu demais ao redor delas. Além do mais, o movimento de ônibus, excursões, turistas e vendedores ambulantes fazem com que o passeio tenha um nível alto no grau de irritabilidade. Mesmo assim, dar de cara com as gigantes milenares de pedra é inesquecível. “Cartão postal clássico e imperdível. Fiquei sem palavras”, conta Felipe.

3. Cruzeiro pelo Rio Nilo

Foto: Felipe Balota (arquivo pessoal)

Foto: Felipe Balota (arquivo pessoal)

O segundo maior do mundo está presente em vários capítulos dos livros de História, inspirou obras da literatura, da música e do cinema. Hoje, pode ser conhecido pelos turistas em alto estilo. Navios de vários padrões e preços percorrem grande parte dos quase 7 mil quilômetros de extensão do Nilo. A bordo, têm alojamentos, bares, restaurantes, terraços com piscina e conforto proporcional ao preço que se paga.

Felipe Balota, nosso personagem do post, fez um cruzeiro de três dias entre as cidades de Luxor e Aswan. Vejam o relato dele:

“Durante a travessia, você vai parar em uns 8 templos, cada um com sua particularidade, todos sensacionais! É indispensável a presença de um guia local que fale inglês pra que você aproveite a experiência ao máximo. Na lista de paradas você encontra o Vale dos Reis, local escolhido por algumas dinastias de faraós como local para construírem suas tumbas. Lá já foram encontradas 63, a última em 2005”.

 

4. Buraco Azul em Dahab

Foto: Felipe Balota (arquivo pessoal)

Foto: Felipe Balota (arquivo pessoal)

Quem acha que o Egito só tem pirâmides, camelos e faraós vai ter uma surpresa em tanto se conhecer Dahab. A cidade fica na península do Sinai e é um destino muito turístico, bem servido de opções para viajantes de todos os bolsos. É uma vila à beira mar e um dos carros-chefes é a prática de esportes aquáticos de aventura, como windsurf e kitesurf. “A cidade lembra muito Paraty e Trindade”, explica Felipe.

Mas a maior pedida é o Buraco Azul, que fica alguns quilômetros ao norte do centro da vila. Buracos azuis são formados em áreas costeiras que ficavam acima do nível do mar há alguns milhares de anos. O de Dahab tem 130 metros de profundidade e, dizem, é um dos mais perigosos do mundo. Mesmo assim, há passeios de mergulho por lá para iniciantes e iniciados. Leve sua câmera à prova d’água.

 

5. Biblioteca de Alexandria

Foto: Felipe Balota (arquivo pessoal)

Foto: Felipe Balota (arquivo pessoal)

A biblioteca que está de pé hoje às margens do Mar Mediterrâneo não é a mesma que surgiu nos primeiros séculos do calendário cristão. No entanto, impressiona pelo tamanho (capacidade para armazenar 8 milhões de livros) e pela modernidade do projeto, inaugurado em 2002. A biblioteca original tinha o objetivo de difundir o conhecimento produzido pelos gregos para o Oriente. Hoje, funciona junto à Universidade de Alexandria e recebe mais de um milhão e meio de visitantes por anos. “A cidade de Alexandria também não deixa a desejar, bem moderna e tem outros pontos turísticos pra se visitar”, acrescenta Felipe.

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Volta ao mundo pelos países que não existem

A volta ao mundo pode não ser o suficiente para algumas almas viajantes. Veja o caso de Guilherme Canever. O engenheiro florestal fazia uma viagem ao redor do planeta em…

A volta ao mundo pode não ser o suficiente para algumas almas viajantes. Veja o caso de Guilherme Canever. O engenheiro florestal fazia uma viagem ao redor do planeta em 2009 quando conheceu a Somalilândia, um país que não está nos atlas ou nos almanaques. A partir daí, teve o estalo: quantos outros países e regiões vivem sob a mesma condição? Autonomia política, moeda própria, exército nacional, visto específico para a entrada, mas sem o reconhecimento da comunidade internacional. Nascia ali a ideia de um projeto que o acompanhou nos anos seguintes e virou um livro lançado em agosto de 2016.

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“Uma Viagem Pelos Países Que Não Existem” (editora Pulp, 192 páginas) traz uma pauta surpreendente em vários aspectos. O principal é apresentar dez regiões não reconhecidas como países pelas Nações Unidas. São regiões autônomas, territórios disputados por mais de uma nação e repúblicas que têm um futuro duvidoso sobre uma possível anexação a outro país. Portanto, não “existem” oficialmente, dependendo do referencial que você consulta.

Entre essas regiões, além da Somalilândia, estão nomes familiares como Taiwan, Kosovo e Palestina, que, por exemplo, tiveram delegações nos Jogos Olímpicos do Rio 2016. Mas há também outros menos conhecidos como Transnístria, Abecásia e Ossétia do Sul. Outra grande surpresa é que vários desses “não-países” possuem belezas naturais, patrimônio arquitetônico e sítios arqueológicos que poderiam ser grandes atrações turísticas, mas acabam sendo tesouros escondidos da rota comum de viajantes.

O palácio presidencial da República da Transístria. Foto: Guilherme Canever

O palácio presidencial da República da Transístria. Foto: Guilherme Canever

Entrada de um jardim botânico na Abecásia. Foto: Guilherme Canever

Entrada de um jardim botânico na Abecásia. Foto: Guilherme Canever

Trocar dinheiro na Somalilândia não parece ser algo assim muito formal. Foto: Guilherme Canever

Trocar dinheiro na Somalilândia não parece ser algo assim muito formal. Foto: Guilherme Canever

As viagens relatadas no livro foram realizadas em várias etapas entre 2009 e 2014. Guilherme fez uma imersão não só nas paisagens desses países, como também em aspectos culturais, sociais, políticos e diplomáticos. “Muitos países são completamente diferentes entre si. Todos eles conseguiram independência através de guerras. Então na maioria deles ainda existe uma forte presença militar”, conta Guilherme. “Os que são reconhecidos por poucos países sofrem com a falta de ajuda externa e investimentos. É um jogo geopolítico, e a aliança com algum país pode significar a sanção de outro”, completa.

Ministério das Relações Exteriores da República de Nagorno Karabakh. Foto: Guilherme Kanever

Ministério das Relações Exteriores da República de Nagorno Karabakh. Foto: Guilherme Kanever

Bases militares são comuns no Saara Ocidental. Foto: Guilherme Canever

Bases militares são comuns no Saara Ocidental. Foto: Guilherme Canever

Essas alianças diplomáticas fazem a diferença na hora de cruzar a fronteira. Em regiões amplamente reconhecidas por Estados membros da ONU, como Kosovo e Palestina, brasileiros não precisam de visto de entrada. Mas há casos bem diferentes, como o da Abecásia, uma república que pertence à Geórgia e é reconhecida como independente por apenas 7 Estados (sendo 3 não membros da ONU). Para entrar na Abecásia, é necessário solicitar uma autorização por e-mail.

Em meio a tantas andanças, deu pra ver de tudo. Na Transnístria, por exemplo, Guilherme conheceu uma espécie de pedaço da União Soviética que sobreviveu: estátua de Lênin em praça pública, o símbolo da foice e martelo por todas as partes e memoriais de guerra. Na Somalilândia, pinturas rupestres com mais de 5 mil anos descobertas apenas em 2003. E no Chipre do Norte, vários sítios arqueológicos, monastérios e outros belos exemplares arquitetônicos.

Pinturas rupestres na Somalilândia. Foto: Guilherme Canever

Pinturas rupestres na Somalilândia. Foto: Guilherme Canever

Monastério no Chipre do Norte. Foto: Guilherme Canever

Monastério no Chipre do Norte. Foto: Guilherme Canever

Além das lembranças que podem ser registradas em fotos, Guilherme levou outras mais abstratas, porém não menos memoráveis. “Eu sempre tive um sentimento de libertação dos povos. Lembro da minha revolta com os chineses quando visitei o Tibete em 2005, por exemplo. Continuo sendo um grande defensor das culturas, mas virei um crítico ferrenho das fronteiras. Não adianta elas mudarem de lugar ou serem criadas. Nunca uma região será homogênea, e nem deveria ser”, explica.

Os dez países (ou “não-países”) que inspiraram o livro

Transístria (pertencia à Moldávia, ex-república soviética)

Kosovo (região historicamente disputada por sérvios e albaneses)

Abecásia (ex-território da Geórgia que busca reconhecimento)

Chipre do Norte (região disputada por turcos e gregos e reconhecida como independente apenas pela Turquia)

Nagorno-Karabakh (região historicamente disputada por Armênia e Azerbaijão)

Somalilândia (região da Somália que teve colonização inglesa e onde não há guerra civil)

Palestina (eterna questão do Oriente Médio, que motiva guerras entre árabes e judeus)

Saara Ocidental (teve colonização espanhola, mas foi invadido pelo Marrocos)

Ossétia do Sul (outra região que fica dentro do território da Geórgia)

Taiwan (reconhecido como independente da China por apenas 21 Estados membros da ONU)

Além deles, “Viagem Pelos Países Que Não Existem” fala sobre regiões autônomas que já foram ou buscam ser independentes, como o Tibete, a Caxemira e o Curdistão.

O livro faz contextualizações históricas sobre os “não-países”, explica como é a relação diplomática do Brasil com cada um deles e traz dicas para quem quiser conhecer os atrativos turísticos desses lugares cercados de conflitos e que vivem sem esse reconhecimento oficial.

Dicas de uma volta ao mundo que podem servir para você

Antes de decidir desbravar lugares que sequer são reconhecidos como países pela comunidade internacional, Guilherme Canever já era um viajante inveterado. No blog dele, o Saí Por Aí, tem um mapa em que estão marcados todos os países que visitou. E, sério, se fosse o tabuleiro de um jogo de War, o cara já teria dominado a maioria absoluta dos territórios. Sendo assim, ele tem várias dicas que podem servir para você planejar uma viagem longa ao redor do planeta ou até mesmo para as suas férias mais “normais”.

Essa é a mochila do Guilherme. O cara rodou por aí, hein?

Essa é a mochila do Guilherme. O cara rodou por aí, hein?

Bagagem não pode ser muita

“Eu viajo leve, minha mochila dificilmente pesa mais do que 7 quilos. Poucas roupas, equipamento fotográfico, um pequeno kit de primeiros socorros. Levo uma lanterna também. Dependendo da região, um lençol de baixo para garantir uma noite bem dormida caso o hotel seja meio sujinho. Mas o que você realmente precisa para viajar é teu passaporte e dinheiro. O resto são detalhes”.

O mínimo de gentileza na comunicação já ajuda muito

“Levar um bom tradutor ou dicionário é essencial. É preciso ter no mínimo as principais palavras na língua do país que vai visitar. ‘Por favor’, ‘obrigado’ e ‘com licença’ abrem muitas portas. Já viajei para muitos lugares onde não falava o idioma local. Mas é interessante que, com o tempo, você pode ter longas conversas através de mímicas e tentativas. Claro que fica em um nível mais superficial, mas não deixa de ser divertido. Quando duas pessoas estão dispostas a se comunicar, a conversa sai”.

Fotografias às vezes podem te colocar em roubadas

“Todo mundo sabe que não se deve tirar fotos perto das fronteiras. Eu arrisquei e fui interrogado. Foi uma situação que consegui contornar, mas sabia do risco. Já tive problemas em tirar fotos no centro da cidade também. Regiões mais sensíveis são assim. Na Transnístria levei só uma máquina pequena e a GoPro. Hoje me arrependo, pois perdi fotos incríveis com melhor resolução. Se você vai para uma região que teve conflito há não muito tempo, precisa saber o que está fazendo”.

Cada viagem é um aprendizado para a próxima

“A cautela, o planejamento, a comunicação e até o reconhecimento dos teus instintos são muito testados nos locais mais difíceis de se viajar. Isso transforma outras viagens bem mais simples. Problemas que antes pareciam grandes se tornam irrisórios”.

Outras aventuras

Para conhecer os relatos de outros viajantes como o Guilherme, é só navegar pela categoria Mochileiros.

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Mochilão voluntário: o jeito que Luna escolheu para viajar por aí

Você já desistiu de planejar uma longa viagem por achar que não tinha dinheiro suficiente? Não vai ser surpresa se sua resposta tiver sido “sim”. Afinal de contas, passar perrengues…

Você já desistiu de planejar uma longa viagem por achar que não tinha dinheiro suficiente? Não vai ser surpresa se sua resposta tiver sido “sim”. Afinal de contas, passar perrengues por falta de grana é um terror. Mas será que você tomaria a mesma decisão se soubesse que sua força de trabalho poderia ajudar nas suas despesas? Trocar labuta por hospedagem e, de quebra, conhecer pessoas do mundo inteiro e mergulhar sem pressa numa cidade ou numa região. É a ideia do mochilão voluntário. Uma combinação bem consistente para fazer você mudar de ideia, não?

Mochilão voluntário. Esta é uma boa definição para a prática que tem se difundido e se juntado a outras que compõem o chamado turismo colaborativo. Em vez de uma relação de consumo, a viagem passa a focar mais nas experiências. E, aqui entre nós, isso é o que mais importa. Entre os meios de difusão desse turismo colaborativo estão redes sociais como Couchsurfing e Trip Advisor e serviços como o Airbnb.

Em um milharal de Memphis (EUA). Foto: Luna Markman/Arquivo pessoal

Em um milharal de Memphis (EUA). Foto: Luna Markman/Arquivo pessoal

A jornalista pernambucana Luna Markman fez duas viagens quase toda pautada em trabalho voluntário, entre 2015 e 2017. Quando conversou com o Mochileza, em setembro de 2016, estava trabalhando num hostel em Moscou. Já era a segunda etapa de um longo mochilão que começou nos Estados Unidos em maio de 2015 e só foi interrompido pelo carnaval de Olinda (“é de lei”, conta). Luna ainda passou pela Índia e pelo sudeste asiático antes de voltar a Pernambuco.

Em um jantar russo organizado no hostel de Moscou. Foto: Luna Markman/Arquivo pessoal

Em um jantar russo organizado no hostel de Moscou. Foto: Luna Markman/Arquivo pessoal

Como a jornada começou

A viagem de Luna começou quando decidiu sair de um emprego como repórter num portal de notícias no Recife. Foram seis anos trabalhando e juntando o máximo de dinheiro possível até que surgiu um gatilho para o mochilão: o convite para um trabalho remunerado de três meses nos parques da Disney, na Flórida. As economias engordaram e Luna pôde fazer a primeira parte da viagem: México, Belize, Guatemala, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Equador, Peru, Bolívia, Chile, Argentina e Uruguai. Tudo isso ao longo de cinco meses.

A segunda parte do mochilão foi puxada pelo voluntariado. Luna saiu de Pernambuco rumo à França, onde trabalhou por dois meses numa pousada. “Sou bem flexível: já trabalhei arrumando quartos num camping e catando ervas daninhas numa fazenda de oliva, por exemplo. Faço o voluntariado por três motivos: quando quero ficar mais tempo em algum lugar para conhecer melhor, quando quero ficar mais tempo num país que tem o custo de vida mais alto ou quando quero me fixar num lugar para descansar. Meu descanso é trabalhando, diferente de todo mundo normal”, brinca.

Em uma praia do litoral francês. Foto: Luna Markman/Arquivo pessoal

Em uma praia do litoral francês. Foto: Luna Markman/Arquivo pessoal

Depois que deixou a França, Luna já passou por Itália, Suíça, Reino Unido, Irlanda, Espanha e Croácia até chegar à Rússia, onde fez outra parada dedicada ao trabalho voluntário. Cuidou das redes sociais e da organização de eventos de um hostel em Moscou. “Cada lugar oferece benefícios em troca do seu trabalho, como acomodação, refeição, dias livres e lavanderia, por exemplo. Além da economia que você faz, ainda pode ter uma vivência real no país escolhido e até sentir um impacto positivo na vida de outras pessoas”, explica Luna.

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Cachoeira na Croácia. Foto: Luna Markman/Arquivo pessoal

Nas Higlands, Escócia. Foto: Luna Markman/Arquivo pessoal

Nas Higlands, Escócia. Foto: Luna Markman/Arquivo pessoal

Como encontrar trabalho voluntário para o meu mochilão?

Entre as principais plataformas para encontrar destinos para trocar trabalho por hospedagem, Luna recomenda as seguintes:

Worldpackers: foi criada por dois amigos brasileiros, Riq Lima e Eric Faria. Viajantes e hosts fazem perfis como numa rede social. Depois que o viajante postula a vaga disponível, é preciso que “dê match”, ou seja, que o host aceite o voluntário baseado no perfil dele. Entre as categorias de trabalho disponíveis, estão: fotografia, impacto social, mídias sociais, culinária e ensino de idiomas, entre outras. Há vagas em 98 países.

Workaway: a dinâmica é a mesma do Worldpackers, mas com um alcance maior. São 24 mil hosts ativos com vagas em 155 países.

Volunteer HQ: tem uma curadoria de oportunidades mais específica. O foco são projetos de saúde, impacto social, conservação do meio ambiente, desenvolvimento de comunidades e atenção a crianças e idosos.

WWOOF: sigla em inglês para “world wide oportunities in organic farms”, ou seja, oportunidades ao redor do mundo em fazendas de orgânicos.

 

Dicas da Luna que podem servir para a sua viagem

Por mais que você não esteja interessado em trabalhar no meio de uma viagem, a Luna tem altas dicas que podem servir para você. Afinal de contas, ela já rodou um bocado e tem o passaporte bastante carimbado. Então anota aí:

Luna a caminho de São Petersburgo, na Rússia, com sua bagagem-padrão

Luna a caminho de São Petersburgo, na Rússia, com sua bagagem-padrão

Até para um roteiro sem muitos planos, é preciso planejar

“Eu tenho apenas a ideia dos países que eu quero conhecer e tento seguir um roteiro lógico, tipo sempre ir em uma direção. Faço o máximo para não planejar com muita antecedência para poder mudar de plano sem muita perda financeira (cancelar um voo ou hospedagem, por exemplo). Geralmente, eu sei o que vou fazer nos próximos 30 dias. Por um lado, pode ser ruim porque às vezes não há mais passagem barata para um determinado lugar. No entanto, você pode encontrar uma promoção que te leva para outro destino. Assim eu acho mais legal: não ficamos presos a um roteiro e abrimos espaço para boas surpresas”.

Abra a mente para o Couchsurfing

“Conheci o Couchsurfing nesta viagem, alguém me deu a dica. Pensei: ‘ir para a casa de um estranho? Por que não?”. Pode ser constrangedor no começo, mas depois você vai saber como se comportar em cada caso. Até agora, só tive hosts incríveis, que me ensinaram muito sobre suas cidades, me mimaram com jantares típicos, me levaram para passear. Alguns serão amigos para a vida, com certeza!”.

Economizar é prolongar a viagem

“Viaje de ônibus (aproveitando as lindas vistas ou lendo um bom livro) ou em companhias aéreas low cost. Neste caso, use sempre uma mochila pequena (de até 50 centímetros) e outra bolsa pequenina para não pagar os caríssimos check-ins de bagagem. Procure a Cruz Vermelha para comprar roupas de frio baratas e doe as suas roupas gastas para abrir espaço na mala. Coma em padaria, em restaurante local, aprenda a cozinhar. Veja em quais dias o museu é de graça. E quando for fazer um tour, pergunte o preço em pelo menos três agências para não ser enganado. Ah, e diga que é brasileiro! Sempre ajuda!”

Itens indispensáveis na bagagem

“Sempre ando com uma canga: ela protege do frio da Rússia, do sol do México, do vento do Saara. É cobertor em ônibus frio e lençol em sofá sujinho. Te dá espaço na areia da praia e na grama do parque. Tenha também cadeado, lenço umedecido e ziplocs. Além disso, um casaco de chuva e um par de tênis para caminhadas pesadas, tipo North Face”.

Dica bônus: a carteira internacional de jornalista dá direito a entrada grátis em alguns museus. Foto: Luna Markman/Arquivo pessoal

Dica bônus: a carteira internacional de jornalista dá direito a entrada grátis em alguns museus. Foto: Luna Markman/Arquivo pessoal

Para acompanhar o mochilão da Luna no Instagram é só segui-la: @lunamarkman

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