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Categoria: Marrocos

Aula de culinária no Marrocos: conhecendo o país pela cozinha

Você pode discordar de mim, mas acho que o melhor jeito de conhecer um país é a gastronomia. Saber como um povo come tem mil coisas embutidas. A história, a…

Você pode discordar de mim, mas acho que o melhor jeito de conhecer um país é a gastronomia. Saber como um povo come tem mil coisas embutidas. A história, a colonização, os fluxos migratórios, a miscigenação, a natureza, os costumes e muito mais. Portanto, quando Janaína e eu fizemos nossa viagem de férias em abril de 2016, não tivemos dúvida. Uma aula de culinária no Marrocos deveria estar no roteiro.

Como já expliquei neste post anterior, tivemos apenas quatro dias no Marrocos. Portanto, o tempo era bem apertado para visitar mais de uma cidade. Escolhemos Fez, que é apontada por muitos guias (inclusive o Lonely Planet) como a capital cultural do país. Além disso, seguimos a recomendação de amigos que já estiveram por lá.

Antes de você planejar uma ida a Fez, é fundamental dizer: a malha aérea da cidade é muito restrita. Pelo que contei no aeroporto, são cerca de 15 voos por dia. Muito menos do que Casablanca, o principal hub do país. Portanto, chegar até lá pode demorar um bocado. Nós, por exemplo, saímos de Tenerife e ficamos cerca de 5 horas aguardando conexão em Casablanca até embarcar para Fez. Portanto, minha dica é: tenha paciência porque vale a pena.

Pois bem, somos apaixonados por comer, a Janaína adora cozinhar e sempre fomos instigados com a comida marroquina. Portanto, procurar uma aula de culinária no Marrocos fez parte do princípio do planejamento da viagem para lá.

Em Fez, as aulas mais bem recomendadas são as do Café Clock. Pelo site você já consegue ver que é um lugar apaixonante. Além de Fez, ele tem uma filial em Marrakech. Ambas são uma boa mistura das tradições marroquinas com uma roupagem contemporânea. O Clock oferece três tipos de aula de um dia: culinária marroquina tradicional, panificação e doceria. Mas o que nos afastou de lá foi o preço: 600 dirham por pessoa. O equivalente a 55 euros.

O simpático terraço do Café Clock de Fez

O simpático terraço do Café Clock de Fez

Fuçando um pouco mais (obrigado por existirem, Google e Trip Advisor!), chegamos a uma agência chamada Fez Guide. É uma agência local que faz city tours, organiza excursões para o deserto e também passeios temáticos: cidades históricas, fotografia e artesanato por exemplo. O curso de um dia por esta agência custou 36 euros por pessoa. Ou seja, uma economia de 38 euros para nós dois, praticamente pela mesma aula de culinária no Marrocos.

Não sei se a aula do Café Clock é melhor, mas a que tivemos pelo Fez Guide foi excelente. E o programa é basicamente o mesmo. O Abdul, instrutor do curso, foi nos buscar no riad onde estávamos hospedados. Como a pousada ficava dentro da medina (o bairro antigo de Fez), a aula já começou praticamente no instante em que colocamos o pé fora da porta. Caminhamos pelos souks (como os mercados são chamados por lá) e fomos escolher os ingredientes.

Os souks marroquinos

Os souks marroquinos

Paramos em várias barraquinhas que o Abdul já conhecia e então compramos: berinjelas, tomates, cebolas, carne e temperos. Os temperos no Marrocos são coisa de maluco: você anda pelas vielas da medina e já sente aquele aroma delicioso de especiarias. Já a carne tem um detalhe meio bizarro. A carne de camelo é bastante consumida no país e muitas barracas a vendem com um atrativo um pouco asqueroso: a cabeça do camelo pendurada.

Isso aqui realmente não foi legal

Isso aqui realmente não foi legal

Mas a carne que compramos foi bovina mesmo (até onde sabemos, hehehe).

Quando terminamos as compras, fomos para um riad diferente do nosso. Lá, fomos recebidos muito gentilmente pela dona, uma tailandesa que virou uma espécie de co-anfitriã da nossa aula de culinária no Marrocos. Ela cedeu a cozinha ao Abdul para que nos mostrasse o passo a passo de duas receitas bem tradicionais: a salada marroquina e o tajine de carne.

Janaína e Abdul na cozinha do riad

Janaína e Abdul na cozinha do riad

A salada marroquina é um troço fora de série. Ela tem o aspecto semelhante ao de um molho de tomate e é comida com pão. Ela tem dois segredos. O primeiro é que o tomate é ralado, e não picado. Assim, a pele fica toda do lado de fora e apenas a polpa é cozida. O segundo é a forma de pré-cozimento da berinjela. Ela é levada inteira diretamente à boca do fogão. Assim fica mais fácil de descascá-la depois e ela ainda fica com um gostinho meio queimado, meio defumado.

Salada marroquina on the way

Salada marroquina on the way

O tajine é uma espécie de cozido à marroquina. A diferença principal está na panela, que informalmente batizamos de tajineira. Ela é feita de cerâmica e tem uma tampa alta e pontuda. Se for para escolher uma equivalente brasileira, eu apontaria a panela em que se faz moquecas de peixe. Pois bem: levamos à panela a carne, cebolas cortadas e os temperos, especialmente o açafrão. Por isso, a comida fica com um aspecto levemente amarelado.

Tajine de carne fervendo na tajineira

Tajine de carne fervendo na tajineira e a salada marroquina do lado de cá

Já parecia bom o suficiente, mas ainda havia o toque final: o molho agridoce do tajine. À parte da tajineira, aprendemos a fazer uma calda de ameixa. Leva-se ao fogo ameixas secas, um pouco de água, manteiga e açúcar. Essa calda é misturada na carne depois do cozimento. Não sei vocês, mas eu sou alucinado por esses molhos doces. E confiem em mim: o sabor da ameixa com o açafrão é um troço espetacular.

O banquete completo

O banquete completo

Nossa aula de culinária no Marrocos terminou com o resultado prático sendo saboreado por nós. No restaurante do riad, pudemos dizer que preparamos nossa própria comida. A experiência foi diferente de tudo o que já tínhamos vivido em termos de gastronomia. Não só por se tratar de uma cozinha exótica, mas por ter participado passo a passo desde o começo.

Já repetimos a receita uma vez na volta ao Brasil e garanto a vocês: a Janaína lembra de tudo direitinho. Eu, por outro lado, acho que escrevo melhor do que cozinho…

Abdul, nosso professor marroquino de culinária

Abdul, nosso professor marroquino de culinária

Nossa co-anfitriã tailandesa, cujo nome cometi o vacilo de não perguntar

Nossa co-anfitriã tailandesa, cujo nome cometi o vacilo de não perguntar

Serviço

O site da Fez Guide é bem completinho. Mostra todos os passeios disponíveis e todos os contatos. Não sei como são os city tours deles, mas recomendamos fortemente a aula de culinária. Talvez tenha sido o momento em que nos sentimos totalmente livres dos perrengues (que já relatei neste outro post). Também contratamos deles o serviço de transfer do aeroporto, que custou 11 euros (mais barato que um táxi).

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5 perrengues para evitar numa viagem ao Marrocos

Antes que digam que este é um post para falar mal do Marrocos, já quero adiantar que não se trata disso. Em quatro dias que passei por lá com a…

Antes que digam que este é um post para falar mal do Marrocos, já quero adiantar que não se trata disso. Em quatro dias que passei por lá com a Janaína em abril de 2016, fiquei absolutamente encantado. Um país cujo território cabe dentro da Bahia consegue ter uma convivência harmoniosa de várias referências: árabes, judaicas, andaluzes, seja na religião, na arquitetura, na gastronomia… É tudo muito diferente do que estamos acostumados a ver no Brasil, com uma história bem mais antiga que a nossa e mais vasta do que qualquer guia de turismo pode contar.

Mas, como em qualquer destino turístico, o Marrocos está cheio de armadilhas para os viajantes. E essas diferenças de histórias e origens fazem com que os costumes locais sejam quase sempre um mistério para nós, brasileiros ou ocidentais em geral. Por isso, não acho que o país seja o melhor lugar para uma estreia em viagens para o exterior ou para quem mal sabe onde fica Marrocos. E mesmo os viajantes mais experientes podem cair em alguma pegadinha ou se aborrecer com algumas situações que podem ser inevitáveis, mas não imprevisíveis.

O que as medinas têm de fascinantes também têm de traiçoeiras para o turista desavisado

O que as medinas têm de fascinantes também têm de traiçoeiras para o turista desavisado

Baseado na experiência que tivemos na viagem a Fez, enumerei alguns perrengues para os quais é imprescindível se preparar psicologicamente antes de chegar ao Marrocos. E este preparo vai influenciar diretamente na percepção que você terá sobre o país ao final da viagem. Saber o que vai encontrar por lá vai fazer a diferença entre os motivos que vão fazer do passeio inesquecível. A viagem pode se tornar memorável por causa das boas lembranças, da boa comida e das lindas paisagens. Mas também pelo assédio ostensivo, por aborrecimentos e pelas dificuldades de comunicação.

Anote aí as dicas de viagem que posso te passar:

1. Tenha paciência com o excesso de segurança nos aeroportos

Nem nos Estados Unidos pós-11 de setembro os aeroportos têm uma segurança tão ostensiva. Já há máquinas de raio-X (daquelas que estamos acostumados a ver apenas na entrada da sala de embarque) logo no acesso aos terminais. E só passa por elas quem tiver bilhete de embarque em mãos. Ou seja: esperar no saguão por um parente que volta de viagem? Não pode. A espera é do portão para fora.

Outra coisa: policiais circulam o tempo inteiro com armas em punho. E não são pistolas ou cassetetes. São fuzis ou metralhadoras. Não vi nenhuma abordagem inadequada por parte dos policiais dentro do terminal em nenhum momento, mas a imagem assusta à primeira vista.

Também juro que nunca precisei mostrar meu passaporte a tanta gente num aeroporto. Esteja você chegando ao Marrocos ou indo embora, vão lhe pedir para apresentar o documento várias vezes. Não importa se você acabou de passar pelo procedimento de imigração. Não importa se você está apenas pedindo uma informação simples.

 

2. “La, shukran”, aprenda essa expressão em árabe

Comerciantes marroquinos poderão testar o limite da sua paciência

Comerciantes marroquinos poderão testar o limite da sua paciência

“Não, obrigado”. Você vai precisar falar isso um zilhão de vezes por dia. Quanto mais turístico for o lugar do seu passeio, mais ostensiva pode ser a abordagem. Vão lhe oferecer bugigangas das quais você não precisa, passeios que você pode fazer por conta própria, comidas que você não está a fim de experimentar. Sempre misturando inglês, francês e espanhol. Responder enfaticamente em árabe é uma forma gentil de pedir para não ser importunado.

 

3. Contrate um guia, mas defina bem a relação de trabalho

Alguns passeios no Marrocos são mais bem aproveitados se você tiver um guia local. As medinas, por exemplo, são emaranhados de ruelas estreitas sem nenhuma lógica. A não ser que você seja um prodígio do senso de navegação, o risco de se perder é enorme. E não vá confiando no Google Maps. A maior parte das ruas das medinas simplesmente não está no aplicativo.

Tendo tudo isso em vista, segui a dica de um blog brasileiro. Ele indicou um guia em Fez que falava português e dava até o e-mail do cara. Dois meses antes da viagem, entrei em contato com ele, que foi muito solícito e amável. Acertamos o preço de uma diária e, inclusive estava disposto a pagar uma gorjeta a mais pela ajuda que ele deu para reservar a nossa hospedagem. Quando o encontramos pessoalmente, eu realmente acreditei que estava contratando o serviço de um “amigo”.

Guias vão te mostrar vários detalhes escondidos nas medinas, como esta mesquita, mas também podem te colocar em roubadas

Guias vão te mostrar vários detalhes escondidos nas medinas, como esta mesquita, mas também podem te colocar em roubadas

Quando fomos para a medina com ele, no entanto, as coisas foram mudando aos poucos. Ele começou a dar a entender que já tinha uma programação para quatro dias conosco, sem que tivéssemos sequer cogitado isso. Quando nos levou ao curtume da cidade, não nos deu tempo de olhar a loja, dizendo que nos levaria a um lugar “menos turístico, mais barato e de boa qualidade” para que comprássemos couro. E mais: sempre falava em árabe com meio mundo de gente que encontrava pela medina. Inclusive com os donos das lojas em que nos levava. Pode parecer paranoia, mas isso nos deixou um pouco inseguros.

A desconfiança acabou se confirmando no segundo dia de passeio guiado (que marcamos meio que para nos livrar de uma possível encheção de saco). O guia nos perguntou se queríamos conhecer como se faziam os belos tapetes marroquinos. Achando que iríamos ter uma espécie de experiência “making of”, topamos. Mas acabou se tornando um dos momentos mais tensos da viagem. O dono da loja nos recebeu amigavelmente a princípio, mas poucos minutos depois estava nos coagindo a comprar pelo menos um tapete. Falava alto, nos pedia para que déssemos um preço que podíamos pagar, pediu para ver nossos cartões de crédito… A Janaína quase deixou 700 reais lá só para se livrar, mas acabei conseguindo demovê-la da ideia e sair com a fatura do cartão ilesa. Quando deixamos a loja sem nada, o guia falou algo como “é, não se pode comprar tudo”, meio ironicamente.

Com essa experiência, a dica que dou a vocês é: deixem tudo bem claro com o guia antes de o trabalho dele começar. Pesquisem bastante e tenham um roteiro o mais definido possível em mente. Se não quiserem comprar nada, sejam diretos e não deem margem para um mal entendido. É possível que eles cobrem uma diária diferente para um passeio sem compras, já que costumam receber comissão dos comerciantes. Mas fique de olho nas tabelas de preços dos guias credenciados. No hotel em que nos hospedamos, havia uma dessas tabelas afixada na recepção. Imagino que seja de praxe que essa informação seja bem acessível. É imprescindível para que você saiba o melhor preço a pagar pelo serviço.

 

4. Não confie plenamente em ninguém

Não tivemos a melhor das acolhidas em Fez. Pousamos à 1h30 da manhã, pegamos um transfer pré-agendado em direção a um estacionamento próximo ao nosso hotel, que ficava dentro da medina, onde carros não entram. O recepcionista estava nos esperando, mas não demorou para que reclamasse do horário, dizendo que eu havia dito que chegaríamos à 1h30 da tarde. Chequei toda a nossa troca de mensagens e confirmei que não tinha deixado a menor dúvida sobre o horário da chegada. Mas preferi não comprar briga.

Além disso, ele disse que faria o nosso procedimento de check-in pela manhã. Mesmo assim pediu nossos passaportes antes de subirmos para o quarto, dizendo que nos devolveria no dia seguinte. Na hora, não me dei conta do quanto isso foi arriscado, mas a Janaína chegou a dormir muito mal durante a noite por causa da preocupação. Os passaportes foram devolvidos pela manhã, mas o episódio nos deixou ressabiados pelo restante da estadia.

Mas o pensamento de “trust no one” ficou ainda mais claro quando percebi uma certa cadeia: hotéis falam mal dos guias, guias falam mal dos hotéis, comerciantes falam mal dos guias, e por aí vai. O guia que contratamos, por exemplo, não pôde entrar no nosso hotel e nos esperar na recepção. O recepcionista disse que ele era clandestino (e ele realmente não nos mostrou credencial alguma), mas chegamos a achar que ele dizia isso para nos convencer a contratar passeios oferecidos pelo próprio hotel. Apesar de nos ter indicado este hotel entre alguns outros, o guia disse que o estabelecimento “era uma máfia”. Quando saímos pela medina sem o guia, nos sentimos muito mais à vontade para comprar. E alguns comerciantes nos disseram que precisam fazer “preços turismo” para clientes acompanhados por guias, pois eles cobram comissões generosas.

Sem guias por perto, dá pra pechinchar ainda mais por belezuras como estas

Sem guias por perto, dá pra pechinchar ainda mais por belezuras como estas

Felizmente o Marrocos também tem muita gente amável e correta nesses serviços relacionados ao turismo. Mas vá com o espírito preparado para a lei do cão.

 

5. Mulheres atraem olhares (e muito mais)

Uma coisa que fica muito clara numa visita ao Marrocos é que o povo de lá tem uma sexualidade bastante reprimida. A maioria das mulheres locais sai de casa com pelo menos uma parte do corpo bastante coberta. Seja um lenço na cabeça, seja uma blusa de mangas longas, seja a burka que deixa apenas os olhos descobertos. Por isso, os homens marroquinos costumam olhar para uma mulher não-islâmica como o Coiote olha para o Papa Léguas.

Quando passeamos pela medina de Fez nos três dias em que estivemos lá, a Janaína estava sempre ao meu lado. Mesmo assim, não deixou de receber olhares “incomuns” (para usarmos um eufemismo bem suave) nem de ouvir algumas cantadas incompreensíveis em árabe. Várias vezes ela se queixou, dizendo que se sentia devorada com os olhos. Talvez não seja muito diferente do que acontece numa balada em alguma grande cidade brasileira. Mas é um país com costumes e códigos diferentes dos nossos, portanto é mais prudente não reagir do jeito que se reagiria a um assédio no Brasil. O melhor a se fazer é tentar abstrair. Por mais que você não esteja usando uma roupa ~~~provocante~~~, você será significada como “novidade” para eles.

E você? Já foi ao Marrocos? Tem alguma história de perrengue para contar? Tem alguma dica para acrescentar a estas? Manda ver nos comentários!

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Escolhendo o destino: por que Ilhas Canárias e Marrocos?

Quando conversava com amigos, parentes e colegas de trabalho sobre o destino das minhas férias de 2016, ouvi pelo menos umas 471 vezes a mesma indagação: “Mas por que Ilhas…

Quando conversava com amigos, parentes e colegas de trabalho sobre o destino das minhas férias de 2016, ouvi pelo menos umas 471 vezes a mesma indagação: “Mas por que Ilhas Canárias e Marrocos? Que diferente…”

Realmente essa combinação não é a mais comum em se tratando de destino de férias de brasileiros. Quando se imagina destinos de lua de mel então… Sempre se pergunta: por que não Paris? Roma? Caribe? Por isso, achei pertinente começar este blog explicando os motivos que nos levaram a escolher nosso roteiro.

Praia de El Golfo, nas Ilhas Canárias

Essa foto ajuda a responder sua pergunta? Foto: Leonardo Aquino

Passo 1: a logística dos voos

Janaína e eu moramos no Recife, que tem algumas boas ofertas de voos internacionais diretos. Companhias como American Airlines, Copa, Condor, TAP e TAM ligam a capital pernambucana a destinos no exterior sem escalas. Alguns deles eram ótimos hubs para outros cantos. Quanto menos a gente trocasse de avião, melhor.

No começo do planejamento, fomos seduzidos por uma ideia de destino ainda mais incomum: Cabo Verde. A TACV começou em junho de 2015 uma rota semanal entre Recife e Praia, a capital do arquipélago que fica na costa ocidental da África. Apenas seis horas de voo, preços bem em conta (voos que custavam, na época, cerca de 300 dólares ida e volta) e um novo continente no currículo.

Pronto! Agora era só combinar Cabo Verde com outro país para uma “casadinha” na viagem e um carimbo extra no passaporte.

 

Passo 2: o dilema da casadinha

Fomos então para o mapa-múndi estudar quais poderiam ser destinos interessantes para combinar com a terra de Cesária Évora. E aí encontramos outro conjunto de ilhas: as Canárias, que pertencem à Espanha, mas estão mais próximas do continente africano que da Península Ibérica.

Las Palmas, nas Ilhas Canárias

Tem foto também para quem gosta de cidade. Foto: Leonardo Aquino

Nosso roteiro deveria ter quinze dias. Mas à medida que íamos pesquisando sobre as Canárias, desejávamos que fossem vinte, trinta, quarenta… Nos apaixonamos pelas fotos dos lugares, pela variedade de paisagens (praias, montanhas, vulcões, vinícolas, museus, centros históricos…) e pelos relatos que lemos (especialmente os do blog Turomaquia, de uma brasileira que vive nas Canárias).

O que também contou muitos pontos: as Ilhas Canárias se gabam de ter o melhor clima do mundo. A média de temperatura fica o ano todo entre 20 e 22 graus. Céu azul, sol brilhando e clima de ar condicionado ligado. Acabamos comprovando que era tudo verdade! Além disso, havia voos diretos ligando os principais aeroportos de Cabo Verde aos das Canárias.

 

Passo 3: olho na reputação da companhia aérea

Aí resolvemos pesquisar melhor a TACV. Afinal de contas, havia alguns grandes riscos embutidos. Além de ser uma rota nova saindo aqui do Recife e de não conhecermos ninguém que havia voado por esta companhia, o voo era semanal. Ou seja, perder o avião tinha grandes riscos de implicar num grande perrengue, principalmente na volta para o Brasil.

Outras duas coisas que contaram negativamente: alguns relatos sobre atrasos rotineiros, como o que lemos no Melhores Destinos. Além disso, vimos poucos comentários sobre a TACV no Reclame Aqui. Pode significar que não há problemas, mas também que pouca gente voa por esta companhia, não? As poucas reclamações sobre a empresa por lá sequer foram respondidas.

Mas o fato decisivo para termos desistido de voar pela TACV foi uma ida ao aeroporto do Recife na hora do embarque do voo para Praia, que é o único momento da semana em que a loja da companhia aérea na cidade está aberta. Qual não foi nossa surpresa ao ver que o voo havia sido cancelado?

Bab Boujloud, em Fez (Marrocos)

Sobrou pra ti, Marrocos. Foto: Leonardo Aquino

Passo 4: um passo atrás para dar dois à frente

Voltamos para o mapa-múndi para pesquisar a nova metade da casadinha da viagem. Acabamos escolhendo o Marrocos por ser um país muito rico em história, cultura e, principalmente, gastronomia. Mas, para manter a combinação com outro país, teríamos que escolher apenas uma cidade marroquina para visitar. Consultamos alguns amigos que já haviam estado por lá e acabamos optando por Fez, a chamada capital cultural do país.

O negócio foi fechado de vez na Black Friday de 2015, quando fuçamos as promoções das companhias aéreas e encontramos um preço imbatível: de Salvador até Las Palmas de Gran Canária (com uma conexão em Madri) por pouco menos de 1600 reais. A Air Europa, que tem três voos semanais entre as capitais da Bahia e da Espanha, estava dando descontos de 20% em todas as passagens.

Entre Recife e Salvador, conseguimos outro valor sensacional: 222 reais por pessoa, ida e volta, pela Avianca. Passaríamos um dia descansando na Bahia antes e depois da grande viagem.

Farol da Barra, em Salvador

Antes da viagem principal, ainda deu para conferir o novo som de Salvador (paquerê, paquerô). Foto: Leonardo Aquino

Essas foram as primeiras compras de passagens que fizemos. Ainda faltaria posteriormente pesquisar os bilhetes para o Marrocos e entre as Ilhas Canárias, que detalharemos em outros posts.

Passo final: o checklist definitivo

Portanto, nossa dica de passo a passo para a escolha de um destino de férias:

1) Conheça a malha aérea a partir da sua cidade ou do aeroporto internacional mais próximo. Quanto menos voos você fizer até chegar ao seu destino (ou voltar dele), melhor!

2) Caso queira conhecer outro(s) país(es) combinado(s) na mesma viagem, pense na melhor logística. Há voos diretos? São voos curtos ou demorados? Há alternativas como trens? Viajar de carro é viável?

3) Pesquise MUITO as companhias aéreas pelas quais você vai voar. Índice de atrasos e cancelamentos, qualidade do serviço e a dinâmica de preços e promoções. Às vezes uma passagem muito barata tem alguma pegadinha “nas letras miúdas”, como cobrança extra para bagagem despachada.

O passo seguinte foi decidir quais ilhas visitaríamos e quantos dias ficaríamos em cada uma. Os detalhes você encontra no próximo post. Valeu!

Veja também:
Ilhas Canárias: um roteiro completo de viagem

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