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Categoria: Ilhas Canárias

Ilhas Canárias: um roteiro completo de viagem

A viagem de férias pelas Ilhas Canárias foi responsável por grande parte da motivação para criar este blog. E ela foi destrinchada quase que passo a passo em  10 posts…

A viagem de férias pelas Ilhas Canárias foi responsável por grande parte da motivação para criar este blog. E ela foi destrinchada quase que passo a passo em  10 posts desde a inauguração do Mochileza. Começamos beeeeem do princípio, com os motivos que nos levaram a escolher o arquipélago espanhol. Passamos por informações sobre a logística e chegamos até as dicas de passeios e lugares para visitar em cada ilha.

Para facilitar a vida do leitor de primeira viagem (alô você! Seja bem-vindo!) ou dos velhos amigos que já conheciam o blog, resolvi criar este post. É uma espécie de agregador de todo o conteúdo que produzi sobre as Ilhas Canárias nestas férias de abril de 2016. Espero que possa inspirá-los e ajudá-los a planejar uma viagem por lá!

As varandas típicas da arquitetura canária. Esta aqui, em Tenerife

As varandas típicas da arquitetura canária. Esta aqui, em Tenerife

1. O princípio de tudo

Como foi o processo de decisão do destino da viagem? Tá tudo no post Escolhendo o Destino: Por que Ilhas Canárias e Marrocos? Além dos motivos, neste artigo eu também dou umas dicas de como planejar o destino da sua próxima viagem. Que fatores levar em conta para definir um roteiro? Malha aérea, voos diretos, qualidade das companhias, promoções e etc. Pode servir para você seguir um roteiro igual ao nosso ou qualquer outro.

2. Quais ilhas conhecer?

O arquipélago canário tem sete ilhas. E nem todas são exatamente parecidas. É preciso conhecer as atrações particulares que cada uma das Ilhas Canárias tem. Gosta de esportes de aventura? Talvez você vá preferir Fuerteventura. Curte cultura, arquitetura, sustentabilidade e vinhos? Então Lanzarote é a sua pedida. Tá a fim de ver museus? Os de Gran Canária são ótimos. Tem programa para qualquer perfil de viajante!

No post Planejando a Viagem Pelas Canárias (2): Escolhendo As Ilhas, fiz um perfil de cada uma das ilhas e expliquei o que levei em conta para embasar nossa escolha e como fizemos a divisão dos dias de viagem em cada uma delas.

Centro de Las Palmas de Gran Canária

Centro de Las Palmas de Gran Canária

3. Gran Canária

A maior entre as Ilhas Canárias, também conhecida como “continente em miniatura”, foi nossa primeira parada. E também nos trouxe uma afeição muito grande com a cidade de Las Palmas, aonde certamente queremos voltar um dia.

Comecei a falar sobre esta ilha no post Gran Canária: Como Chegar e se Deslocar pela Ilha. Nele, explico como funciona a logística de transporte por Gran Canária, tanto para quem vai usar os meios públicos quanto para quem quer alugar carro.

O segundo post foi Gran Canária: Dicas de Restaurantes, Passeios e Atrações. Lá, enumerei os lugares que visitamos e curtimos. São dicas que, como diria Seu Creysson, “eu agarântio!”. Dicas testadas e aprovadas para ir na certa.

As berinjelas fritas ao mel do Allende, um dos restaurantes mais legais que conhecemos em Las Palmas

Tapas do Allende, um dos restaurantes mais legais que conhecemos em Las Palmas

4. Lanzarote

Para nós, foi a ilha mais fascinante. A combinação da natureza com a mão do homem tem um quê de mágica em Lanzarote. É muita coisa bonita e interessante num pedaço tão pequeno de terra. É outro lugar aonde certamente voltaremos um dia.

A primeira postagem sobre esta ilha foi Chegando a Lanzarote: Desembarque, Hospedagem e Deslocamento. Nele, explico a logística de transporte, as opções de cidades e balneários para se hospedar e como são os deslocamentos dentro de Lanzarote.

Roteiro dia por dia – Natureza

Depois, fiz uma espécie de guia dia por dia. O primeiro foi Lanzarote Dia 1: Vinhos Vulcânicos e Orla. Nele, conto como foi nosso primeiro dia por lá. Visitamos a vinícola La Gería, onde se cultiva vinhos em terras vulcânicas. E também conhecemos a linda orla de Puerto Del Carmen.

Em seguida, veio Lanzarote Dia 2: Os Vulcões do Parque Nacional de Timanfaya. Aqui falo sobre o local mais visitado por turistas na ilha. É um parque repleto de vulcões, com paisagens praticamente lunares. Além disso, neste mesmo dia, conhecemos outros lugares belíssimos. Entre eles, a praia de El Golfo, que já foi locação num filme de Pedro Almodóvar!

Roteiro dia por dia – Arquitetura e cultura

Na sequência, teve Lanzarote Dia 3: As Obras de César Manrique. Neste post, eu apresento o gênio César Manrique: arquiteto, pintor, escultor e defensor do desenvolvimento sustentável. Foi um artista que fez de Lanzarote uma obra permanente. Ao longo de toda a ilha, há obras impressionantes de Manrique. Fomos a algumas delas: Jardim de Cactus, Mirador Del Rio, Jameo de Aguas e Cueva de los Verdes, além da fundação que funciona na casa onde Manrique viveu.

Para finalizar, José Saramago em Lanzarote: Uma Casa Feita de Livros. O artigo é totalmente dedicado à visita que fizemos à casa onde o escritor português viveu por quase duas décadas. A residência ainda está do jeito que era quando Saramago era vivo. Os cômodos arrumados, as prateleiras com os livros e objetos preferidos, as paredes decoradas com as obras de arte que ele escolheu… A visita à biblioteca do escritor também é emocionante.

Como esquecer a paisagem de Lanzarote?

Como esquecer a paisagem de Lanzarote?

5. Tenerife

Foi a última ilha que visitamos. Passamos pouco tempo por lá. Por isso, só rendeu uma postagem: Tenerife – Sugestões para 48 Horas na Ilha. Lá, eu tento dar uma geral sobre Tenerife, explicar porque ficamos tão pouco tempo por lá, mas procuro também inspirar para uma viagem mais longa. A ilha tem um atrativo natural único (o vulcão Teide, um dos mais altos da Europa) e pelo menos duas cidades que valem a visita: Santa Cruz de Tenerife e San Cristóbal de La Laguna.

Mercado de Nuestra Señora de África, uma das melhores atrações de Tenerife

Mercado de Nuestra Señora de África, uma das melhores atrações de Tenerife

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Tenerife: sugestões para menos de 48 horas na ilha

Quem vem lendo o blog desde o começo já acompanhou grande parte da saga das férias que Janaína e eu passamos nas Ilhas Canárias. Já escrevi sobre Gran Canária e…

Quem vem lendo o blog desde o começo já acompanhou grande parte da saga das férias que Janaína e eu passamos nas Ilhas Canárias. Já escrevi sobre Gran Canária e já relatei roteiros de cada um dos quatro dias que passamos em Lanzarote (aqui, aqui, aqui e aqui). Agora só falta completar o álbum da viagem com a terceira e última ilha que conhecemos: Tenerife.

Tenerife tem dois grandes atrativos que você encontra em qualquer guia das Ilhas Canárias. Um é o carnaval, que dizem ser o mais animado da Espanha. O outro é o Teide, um vulcão que é o ponto mais alto do território espanhol e o terceiro maior da Europa. Infelizmente não conhecemos nenhum dos dois. Perdemos o carnaval por ter viajado em abril de 2016. E o Teide acabou sendo uma desistência de última hora. Tínhamos até reservado a visita, mas preferimos deixar de lado depois do estresse que foi nossa chegada à ilha.

Juro para vocês: nunca sofri tanto numa viagem de avião como sofri na ida para Tenerife. Pegamos o avião em Lanzarote no final da tarde e o voo deveria ser curto: pouco mais de uma hora. Tenerife tem dois aeroportos: o Norte e o Sul. Comprei nossa passagem para o Norte pela proximidade dele em relação ao nosso local de hospedagem (Puerto La Cruz) e pelo horário, que era mais conveniente para aproveitarmos o último dia em Lanzarote. Mas pense num arrependimento…

Estávamos sorrindo sem imaginar como seria o fim do voo...

Estávamos sorrindo sem imaginar como seria o fim do voo…

Estávamos já em vias de desembarcar, naquela sensação do avião descendo quando tomamos o primeiro susto. Uma arremetida. Foi a primeira vez que testemunhei este procedimento de retomar a subida num momento de aterrissagem. O piloto avisou pelo sistema de som: a visibilidade era baixa. Tudo bem. Respira fundo e deixa o susto passar. Mas o avião arremeteu pela segunda vez. E pela terceira vez. Já estava achando que era o final da nossa viagem – e das nossas vidas.

Eis que o comandante avisa: o pouso seria transferido do aeroporto Tenerife Norte para o Tenerife Sul. Aí as comissárias de bordo começaram a distribuir um panfleto com informações sobre o outro aeroporto. Matei a charada na hora: essas transferências eram comuns em Tenerife.

Quem confirmou isso foi uma brasileira que estava numa fileira ao lado e nos ouviu conversando sobre o susto tremendo. É uma médica que mora em Tenerife mas tem consultórios em Lanzarote e faz esta viagem com frequência. Ela nos contou que o aeroporto Tenerife Norte tem até uma anedota. Quando foi planejado, os engenheiros marcaram um X no mapa. Entenderam que o X era o ponto para construir o aeroporto. Mas na verdade, era onde ele não devia ser construído.

Ou seja, a primeira dica que dou a você no planejamento de uma viagem a Tenerife é: evite pelo bem da sua própria vida um voo que pousa no aeroporto Norte. A não ser que você queira correr o risco de experimentar como é arremeter três vezes.

Passado o susto, pegamos o carro na Cicar (locadora que já tínhamos escolhido nas outras ilhas) e tomamos a estrada. Foi uma viagem longa para os padrões das Ilhas Canárias: 89 quilômetros. Mas muito tranquila, graças ao ótimo estado de conservação das estradas.

Centro de Santa Cruz de Tenerife

Centro de Puerto La Cruz

No total, passamos menos de 48 horas na ilha. Confesso a vocês: foi pouquíssimo tempo reservado. A ideia inicial era ir até Tenerife apenas para conhecer o Teide. Como desistimos, ficou um pouco corrido para conhecer outras atrações da ilha, como as praias, as cidades e os centros históricos. Talvez o mais correto teria sido tirar Tenerife do roteiro. Por isso, anote aí outra dica: programe pelo menos três dias numa ida a Tenerife. Quatro, se for ao Teide.

Ainda que tenham sido dias apressados, não nos arrependemos da nossa passagem pela ilha. Seguem aí algumas sugestões de lugares para conhecer em Tenerife.

 

Puerto la Cruz

O Lago Martianez, lugar maneiraço pra conhecer em Puerto La Cruz

O Lago Martianez, lugar maneiraço pra conhecer em Puerto La Cruz

É o principal balneário do litoral norte da ilha. Só não é mais concorrido e badalado que Los Cristianos, no litoral sul. Pelo que lemos no Lonely Planet e pelo que vimos numa pesquisa no Airbnb, a hospedagem em Puerto la Cruz é bem mais econômica que no ~concorrente~ do sul.

A grande atração do balneário é o Loro Parque, um zoológico que está entre os mais visitados da Europa. Você verá publicidade dele por toda parte, além de locais que vendem souvenirs e ingressos mesmo sem estar próximos ao parque. Apesar de ter ficado num apartamento bem perto, não fomos ao Loro Parque. Não gostamos tanto assim de zoológicos, mas reconhecemos que pode ser uma ótima pedida para uma viagem com crianças.

Em Puerto La Cruz, o lugar que mais curtimos foi o Lago Martianez. Se você leu um dos posts sobre Lanzarote, deve lembrar de César Manrique, o artista plástico e arquiteto que praticamente fez da ilha uma obra dele. Pois bem, o Lago Martianez também é um projeto de César Manrique. É um complexo de piscinas abastecidas com a água do mar (depois de um tratamento apropriado) e ornamentado com um belíssimo paisagismo. Quem conheceu Lanzarote vai reconhecer o estilo de Manrique nas formas do lago.

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O ambiente me lembrou um pouco os episódios da saga do Chaves em Acapulco, mas o lugar é realmente muito bonito. Mas programe bem a sua visita porque ele fecha relativamente cedo, às 17 horas. Ao sair de lá, ainda dá para aproveitar o calçadão de Puerto La Cruz, que tem várias lojas, bancas de artesanato e bons restaurantes.

 

La Orotava

Centro histórico de La Orotava

Centro histórico de La Orotava

Esta é uma cidadezinha histórica que fica muito perto de Puerto La Cruz: menos de 10 quilômetros. Além do mais, caso você se hospede no litoral norte e vá rumo ao Teide, La Orotava fica no meio do caminho. Aliás, bem no começo do caminho.

A cidade é um ótimo ponto para apreciar a arquitetura canária. As mansões típicas das Ilhas têm varandas em madeira e um estilo facilmente reconhecível. O centro histórico de La Orotava, repleto de ruas estreitas, tem uma casa desse tipo que é um ótimo lugar para conhecer: a Casa de Los Balcones.

Esta é uma mansão do século 17, que teve a construção concluída em 1632. Ela tem três andares e no último deles está a tradicional varanda canária, que circunda toda a edificação neste pavimento. Os detalhes em madeira são lindíssimos, o que nos leva a crer que os carpinteiros de quase 400 anos atrás eram artistas brilhantes. A madeira em que estas varandas são feitas, o pinho canário, é uma das mais resistentes. Por isso, o trabalho sobrevive aos séculos.

Vista interna da Casa de Los Balcones

Vista interna da Casa de Los Balcones

A entrada na Casa de Los Balcones é grátis. Mas para subir a um museu localizado no segundo andar, o visitante deve pagar 4 euros. Na área gratuita, está o pátio (onde se pode notar outros detalhes da arquitetura canária) e uma loja de artesanato típico.

 

Santa Cruz de Tenerife

Porto de Santa Cruz de Tenerife

Porto de Santa Cruz de Tenerife

É a capital da ilha de Tenerife e uma das maiores cidades do arquipélago canário, com pouco mais de 200 mil habitantes. Assim como Las Palmas de Gran Canaria, Santa Cruz distrai e faz você esquecer que está longe do continente. Tem de tudo: grande comércio, museus interessantes, vida noturna e até um pouco de trânsito. Mas sempre tem algo charmoso que só uma ilha pode trazer.

Mercado de Nuestra Señora de África

Mercado de Nuestra Señora de África

Nossa primeira parada em Santa Cruz foi o Mercado Municipal Nuestra Señora de África. Janaína e eu somos alucinados por mercados. Ainda mais quando eles têm atrativos que vão muito além das compras em si. Ele foi inaugurado em 1944 e tem estilo neocolonial. O arco na fachada e a torre com o relógio na parte interna são os principais cartões postais, assim como as duas estátuas na entrada principal.

Não dá para deixar de citar como atração a variedade dos produtos oferecidos. Você encontra frutos do mar, temperos, ervas, carne, artesanato, flores, embutidos e muito mais. Ainda dá para almoçar, fazer um lanche ou simplesmente tomar um trago e esperar o dia passar. Mas não o dia inteiro, já que o mercado fecha às 17 horas.

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Outro programa interessante em Santa Cruz de Tenerife é o Museo de la Naturaleza y el Hombre, que fica a uma curta caminhada do mercado. É um dos principais museus de história natural da Espanha e tem em sua exposição permanente, por exemplo, os fósseis mais importantes já encontrados nas Canárias. Uma dica: aos sábados a entrada é gratuita entre 16 e 20 horas.

 

San Cristóbal de La Laguna 

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É um dos principais destinos turísticos da ilha, mas não pela natureza. Foi fundada em 1496 e, desde 1999, é considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco, graças ao modelo de cidade colonial não amuralhada. Os elementos estão todos lá: ruas de paralelepípedos, construções que retratam estilos arquitetônicos de diferentes épocas e um cuidado carinhoso com todo este patrimônio.

Um passeio a pé pelo centro histórico de La Laguna é um deleite para quem se liga em história e arquitetura. Sempre há uma fachada cheia de detalhes, uma igreja com uma torre que se destaca no meio de uma região não-verticalizada, um casarão que nos comunica algo.

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Mas nossas duas dicas mais específicas são relacionadas à gastronomia. A primeira é a doceria La Princesa, que fica no centro histórico, próxima à Plaza de la Concepción. Ela é um negócio familiar, que foi inaugurado em 1927 e mantém grande parte do maquinário original. Por isso, ao lado de outras duas concorrentes, está incluída numa lista de estabelecimentos distinguidos como Patrimônio Industrial da cidade. A história já é muito boa, mas os doces são ainda melhores. Custam entre 1 e 2 euros, na maioria. É um ótimo lugar para tomar um café e adoçar a vida.

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A segunda dica é da cervejaria Benditas Cañas. “Caña” é a palavra que os espanhóis usam para se referir ao chopp, à cerveja tirada na pressão. A Benditas Cañas tem cerca de 15 torneiras com rótulos nacionais e estrangeiros. O preço das importadas não é tão competitivo, mas há cervejas locais a partir de 1 euro em alguns dias da semana. Além disso, o bar tem ótimos petiscos e está sempre mostrando algum evento esportivo na TV.

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Outros posts sobre as Ilhas Canárias

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José Saramago em Lanzarote: uma casa feita de livros

“Lanzarote não é minha terra, mas é terra minha”. Com essa frase, José Saramago definia sua relação com a mais fascinante das Ilhas Canárias. O escritor português, vencedor do Nobel…

Lanzarote não é minha terra, mas é terra minha”. Com essa frase, José Saramago definia sua relação com a mais fascinante das Ilhas Canárias. O escritor português, vencedor do Nobel de Literatura em 1998, viveu em Lanzarote por quase duas décadas, entre 1992 e 2010. A casa onde passou seus últimos 18 anos está aberta para visitação e é uma das atrações turísticas imperdíveis da ilha.

A Casa (assim mesmo em português, apesar de estarmos na Espanha) foi nossa programação no último dia em Lanzarote. Ela fica em Tías, a 5 quilômetros de Puerto del Carmen, onde estávamos hospedados. Pertíssimo. Chegamos 15 minutos antes das 10 da manhã, horário de abertura para os visitantes. O primeiro detalhe que me chamou a atenção foi a campainha, que ainda tem o nome de Saramago e o de Pilar Del Río, viúva do escritor.

Imagina ter esses vizinhos...

Imagina ter esses vizinhos…

Sem outros visitantes no mesmo horário, nosso tour foi efetivamente particular. O guia, que conhecia bastante da história e da política brasileira, estendeu a conversa e tornou o passeio ainda mais cheio de informação.

A casa, na verdade, tem duas casas. Uma era habitada por José e Pilar. A outra, por uma irmã de Pilar e o marido. As duas famílias pensaram juntas o projeto arquitetônico e eram muito unidas. O resultado está acessível a quem quer que visite a casa hoje: um lar repleto de memórias e afeto, que conta a história da vida de Saramago em objetos, fotos e obras de arte.

Galeria e escritório

O primeiro ambiente que visitamos foi a galeria, uma sala que abriga parte da coleção artística de Saramago. Entre pinturas, retratos e desenhos, há uma gravura de César Manrique (falamos dele neste outro post), o artista mais emblemático de Lanzarote. Numa dessas inacreditáveis coincidências da vida, Manrique e Saramago nunca se encontraram. Alguns dias antes do encontro agendado com o escritor, Manrique morreu num acidente de trânsito.

A mesa de trabalho de Saramago, como ele costumava deixar

A mesa de trabalho de Saramago, como ele costumava deixar

Em seguida, conhecemos o escritório onde Saramago trabalhou ao longo dos 18 anos que viveu em Lanzarote. As primeiras linhas de Ensaio Sobre A Cegueira foram escritas aqui.  A mesa simples de pinho tem as pernas mordidas pelos três cachorros que criava em casa (um deles se chamava Camões). Sobre ela, o último computador que usou. O ambiente está cercado de referências. Os discos e filmes favoritos. Retratos de escritores que o influenciaram, como Kafka, Proust e Tolstoi. Além disso, algumas obras de arte e fotos pessoais, como as que registram a cerimônia de entrega do Prêmio Nobel de Literatura.

 

O escritório

O escritório

Falando no Nobel, uma das obras que orna a parede do escritório tem uma relação direta com a premiação. É um desenho de um homem abraçado a uma árvore. Foi um presente de um professor de matemática espanhol, que estava ficando cego. Ele retratava o avô de Saramago, Jerônimo. Acabou sendo a inspiração para a abertura do discurso do português na cerimônia em que recebeu o Nobel: “o homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever”.

No canto superior esquerdo, dá pra ver o desenho inspirado no avô de Saramago

No canto superior esquerdo, dá pra ver o desenho que retrata o avô de Saramago

A sala de estar e o amor entre Saramago e Pilar Del Río

Da sala de estar da casa, Saramago podia ver o mar de Lanzarote, ao qual chamava de “a melhor obra da ilha”. Nas paredes deste cômodo, há várias obras de arte inspiradas em livros escritos pelo português, como Memorial do Convento, A Jangada de Pedra e O Ano da Morte de Ricardo Reis. Além disso, um belo detalhe: os relógios que estão nesta sala e nos outros ambientes da casa estão todos marcando a mesma hora. Quatro da tarde. Saramago queria deixar registrada a hora em que conheceu sua esposa, Pilar.

Aliás, a história de amor dos dois rende grande parte da conversa da visita guiada à casa. Quando se conheceram, Saramago já era um escritor consagrado e Pilar, uma jornalista de TV, 28 mais jovem, que queria entrevistá-lo. A paixão foi instantânea e Pilar se tornou a grande musa e companheira de Saramago, pessoal e profissionalmente. Para mergulhar um pouco mais nesta linda história, procure o documentário José e Pilar, que é apontado como um dos melhores filmes portugueses dos últimos anos. Está à venda na lojinha da Casa.

O quarto e a cozinha

Passamos também pelo quarto onde Saramago dormia. A entrada é limitada, mas é possível prestar atenção em alguns detalhes, como os óculos deixados na cabeceira da cama. Foi neste quarto que Saramago morreu em 18 de junho de 2010. Tinha uma consulta médica marcada para esta data, mas a morte o levou antes, de forma natural e tranquila.

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A cozinha talvez seja o cômodo mais emblemático da casa. Era onde Saramago costumava receber amigos de todas as partes do mundo e de várias origens: artistas, políticos, juízes, entre outros. Sentaram à mesa com o escritor português nomes que vão de Pedro Almodóvar a Susan Sontag, passando por Bernardo Bertolucci, Mário Soares e José Luís Rodriguez Zapatero. O Brasil também esteve lá: Sebastião Salgado e Chico Buarque gastaram vários dedos de prosa enquanto falavam de trabalho. Os três assinaram um livro chamado Terra, com fotos de Salgado e textos de Saramago e Chico.

Um hábito que o escritor tinha ao receber as visitas e que continua sendo estendido aos turistas que passam pela casa é o café português. A máquina continua ali e funcionando, brindando os visitantes com o sabor e o aroma que Saramago tanto amava.

O jardim nos fundos da casa era um lugar ao qual Saramago dedicava algumas horas de ócio. De lá, podia contemplar o mar de Lanzarote e curtir a sombra das árvores. Algumas delas mereciam carinho especial: as oliveiras portuguesas que vinham de Azinhaga, a cidade natal de Saramago. Árvores que faziam Saramago se lembrar de casa e que tinham um valor sentimental imensurável.

O jardim, com a parte de trás da casa ao fundo

O jardim, com a parte de trás da casa ao fundo

O lugar favorito de Saramago no jardim continua intacto

O lugar favorito de Saramago no jardim continua intacto

A biblioteca

O final da visita talvez seja o momento mais fascinante: a biblioteca de Saramago. O escritor costumava dizer que, nas prateleiras, ele não colecionava livros, e sim pessoas. Segundo ele, cada exemplar continha o autor e sua sensibilidade. Folhear os livros era uma forma de dizer aos escritores que eles não estão esquecidos. À parte disso, há as dedicatórias. E Saramago tinha algumas de respeito. Jorge Amado, Jorge Luís Borges, Mario Vargas Llosa e outros tantos contemporâneos e igualmente relevantes para a literatura do século 20.

A biblioteca

A biblioteca

A organização dos livros é peculiar. Os de literatura estão agrupados pelos países de origem. Os de filosofia, ensaios e memórias, pelos temas. E uma das prateleiras é organizada de uma forma sugerida por Pilar, que Saramago respeitou quase a contragosto. Os livros escritos por mulheres estão todos juntos, independentemente do tema. Segundo Pilar, muitas destas escritoras não eram consideradas ou respeitadas pelo simples fato de serem mulheres. Por isso, não mereciam dividir a estante com os homens.

Ao fundo, um retrato de Saramago e Pilar, feito pelo pintor tcheco Jiri Dokoupil

Ao fundo, um retrato de Saramago e Pilar, feito pelo pintor tcheco Jiri Dokoupil

A visita à casa de Saramago foi o desfecho perfeito para nossa estadia de quatro dias em Lanzarote. Uma imersão intensa sobre a vida e a obra de um homem que levou a literatura em língua portuguesa a um patamar que nunca tinha alcançado. Um artista que tinha uma visão cética e racional sobre o mundo, mas não por isso despida de sensibilidade. Ao nosso alcance, uma riquíssima coleção de memórias de inspiração, amor e sabedoria.

Dicas práticas

É um programa imperdível em Lanzarote, mas ao mesmo tempo fácil de perder. Isso porque o horário de funcionamento da casa é bem restrito: das 10h às 14h30. O último ingresso é às 13h30. E atenção: a casa é fechada aos domingos. Portanto, se for a Lanzarote, não deixe de se programar minuciosamente para este passeio.

Outras informações no site http://acasajosesaramago.com/pt-pt/

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Lanzarote dia 3: as obras de César Manrique

Se você acha que a relação entre Niemeyer e Brasília é a maior simbiose entre criador e criatura que se pode ver na arquitetura é porque não conhece Lanzarote. Ou nunca…

Se você acha que a relação entre Niemeyer e Brasília é a maior simbiose entre criador e criatura que se pode ver na arquitetura é porque não conhece Lanzarote. Ou nunca ouviu falar em César Manrique. Manrique teve uma visão única da relação entre natureza e homem para tornar alguns espaços de Lanzarote ainda mais interessantes. Além disso, ajudou a pensar num futuro sustentável para o turismo na região. Acabou colocando a assinatura dele em cada belo detalhe da ilha. E acredite: são muitos!

Na viagem que Janaína e eu fizemos às Ilhas Canárias em abril de 2016 (aqui você confere todos os posts a respeito deste roteiro), dedicamos um dia em Lanzarote apenas para conhecer o legado de César Manrique. Entre as criações dele que se tornaram atrações da ilha, estão centros turísticos, mirantes, obras de paisagismo, a casa onde ele viveu e o atelier onde trabalhava.

Anote aí: Jardín de Cactus, Mirador del Río, Jameos Del Agua, Cueva de los Verdes, Casa Museo del Campesino, Fundación César Manrique e Museo César Manrique.  Ainda que Lanzarote seja pequena (cerca de 850 quilômetros quadrados), não conseguimos dar conta de ver todos num dia só. Acabamos deixando de fora o Museo del Campesino e o Museo César Manrique. Volto a falar sobre cada um mais adiante. Afinal, antes é preciso conhecer o homenageado deste roteiro…

César Manrique em uma paisagem bem típica de Lanzarote

César Manrique em uma paisagem bem típica de Lanzarote

Quem é César Manrique?

César Manrique nasceu em Lanzarote em 1919, mas fez seus estudos em Madri. Era polivalente: arquiteto, pintor, escultor e, ainda por cima, foi pioneiro no debate sobre o desenvolvimento sustentável da região. Não queria que a ilha fosse degradada pelo crescimento da indústria do turismo nem que a natureza única de Lanzarote se perdesse em modelos engessados de progresso. Acabou transformando a ilha em sua grande obra, onde deixou um legado de arte e ideias.

Até os carros das locadoras das Ilhas Canárias têm a arte de Manrique

Até os carros das locadoras das Ilhas Canárias têm a arte de Manrique

Ao longo de sua vida, Manrique projetou centros turísticos que se tornaram cartões postais de Lanzarote. E ainda escreveu um ousado manifesto pela sustentabilidade da ilha (a íntegra para você ler aqui) que, entre outras coisas, sugeria a proibição de construção de novos leitos turísticos por dez anos. Além disso, se você notar que todos os imóveis de Lanzarote são brancos e padronizados, saiba que esta foi mais uma medida sugerida por Manrique.

O artista morreu em 1992, depois de ser atropelado quase em frente à casa onde morou por vinte anos. Mais de duas décadas depois, o pensamento de Manrique continua pautando as políticas públicas de Lanzarote e ajuda a tornar a ilha cada vez mais atraente.

A entrada da Fundação

A entrada da Fundação

No ambiente externo, cores e paisagismo

No ambiente externo, cores e paisagismo

Fundación César Manrique

Nossa jornada começou na Fundaçión César Manrique, que funciona na casa onde o artista viveu e perto do local do acidente que lhe tirou a vida. Ouvimos alguém na cidade dizer que a fundação era uma “casa de artista” em estado puro: um projeto arquitetônico incomum, uma coleção numerosa de obras de arte e algumas extravagâncias que resultavam num lugar bastante inspirador.

Só que o mais incomum é a história do local onde a casa foi construída. Ela foi erguida numa área bastante afetada pelas erupções vulcânicas do século 18. O piso inferior, por exemplo, aproveita cinco bolhas vulcânicas naturais que se comunicam por meio de túneis escavados na lava. Só olhando de perto para acreditar. O piso superior une a arquitetura tradicional de Lanzarote com elementos mais modernos de iluminação, ventilação e decoração. Além disso, há os jardins e as piscinas, com visuais que alternam entre os cactos desérticos e as palmeiras tropicais.

Um ambiente construído em uma das bolhas vulcânicas. Aqui, dizem os guias, rolavam altas festinhas

Um ambiente construído em uma das bolhas vulcânicas. Aqui, dizem os guias, rolavam altas festinhas

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Esta outra bolha foi dedicada ao paisagismo

Jardín de Cactus

A segunda parada do dia foi no Jardín de Cactus de Lanzarote. Entre os centros turísticos criados por Manrique, este foi o último a ser construído. Tem 5 mil metros quadrados de extensão e uma coleção de cactos que ultrapassa as mil espécies e os 7 mil e 200 exemplares. Eles vêm de toda parte do mundo e estão sempre ganhando companhia, com a plantação periódica de novos espécimes.

Se você já achou essa foto alucinante, acredite: ao vivo é ainda melhor

Se você já achou essa foto alucinante, acredite: ao vivo é ainda melhor

Os cactos estão dispostos num caminho meio labiríntico, que sobe até um moinho que já existia antes da criação do Jardim e foi restaurado para fazer parte do projeto. De junto do moinho, a vista é impressionante: dá para ver a variedade da coleção botânica e o relevo de Lanzarote, com algumas montanhas e vulcões no horizonte. É como se a mão do homem jogasse no mesmo time que a natureza, e não no adversário.

Welcome to the desert

Welcome to the desert

O Jardín de Cactus tem um café onde dá para fazer um lanche e também uma lojinha de souvenirs. Lá você pode comprar mudinhas de cactos ou sementes para plantar em casa.

Jameos Del Agua

Em seguida, fomos aos Jameos del Agua, que foi o primeiro dos centros turísticos idealizados por Manrique a ser inaugurado. Ele foi construído numa gruta aberta por um túnel vulcânico após as erupções do século 18. Esse túnel tem algumas aberturas (os tais “jameos” do nome) por onde se acessa o caminho. Dentro da gruta, há um lago natural onde estão alguns exemplares de uma espécie de caranguejo albino que só existem lá. A altura da gruta, a iluminação natural que penetra nela e a perfeição da harmonia entre homem e natureza impressionam.

O caranguejo raro é o mascote dos Jameos del Agua

O caranguejo raro é o mascote dos Jameos del Agua

A gruta acessível pelo principal "jameo"

A gruta acessível pelo principal “jameo”

Um lugar para atiçar o gênio fotógrafo que existe em cada um de nós

Um lugar para atiçar o gênio fotógrafo que existe em cada um de nós

Além do lago, o centro turístico possui uma espécie de anfiteatro para receber apresentações musicais, um café, um lago artificial e um paisagismo de palmeiras na área externa. Fora do turismo, os Jameos del Agua abrigam a Casa de los Volcanes, um projeto de estudo de sismologia e geodinâmica realizado por várias instituições e universidades. Para pesquisar os vulcões, poucos lugares são tão apropriados como uma ilha repleta deles.

Cueva de los Verdes

Bem perto dos Jameos, está outro centro que tem origens bem semelhantes. A Cueva de los Verdes também surgiu a partir de um túnel vulcânico. Esse túnel interliga os dois centros, mas essa ligação não está acessível aos visitantes. Na Cueva de los Verdes, esse túnel (que chega a ter 50 metros de altura em alguns trechos) formou três galerias subterrâneas, que proporcionam que se veja um mesmo ponto de várias perspectivas.

É preciso andar em fila e em grupos espaçados dentro da Cueva de los Verdes

É preciso andar em fila e em grupos espaçados dentro da Cueva de los Verdes

O visual dentro da caverna é impressionante

O visual dentro da caverna é impressionante

A intervenção humana na Cueva foi muito mais sutil que nos Jameos. Por isso, ao caminhar pelas galerias, você só verá os paredões de rocha talhados pela lava há trezentos anos. Mas no final de um dos caminhos, há um local interessantíssimo. Um auditório natural, que na verdade é uma caverna com o formato de uma concha acústica, onde é montado um palco para concertos de música clássica. Os guias dizem que a acústica é impecável e que ver um espetáculo desse tipo ali é imperdível. Como não tinha nada na agenda nos dias que ficamos em Lanzarote, ficamos só na imaginação.

Imagine ver um concerto aqui...

Imagine ver um concerto aqui…

Mirador del Río

O passeio pelas obras de César Manrique terminou no centro que nos trouxe uma das vistas mais lindas da viagem. O Mirador del Río fica no extremo norte da ilha, a 48 quilômetros de Puerto del Carmen, onde estávamos hospedados. Como este foi o último ponto de parada do dia, o cansaço já estava batendo forte. Mas a recompensa veio com louvor.

Tá bom pra você?

Tá bom pra você?

É contemplar e nada mais

É contemplar e nada mais

O mirante fica numa falésia a 400 metros de altitude e proporciona uma vista espetacular: de frente para a ilha de La Graciosa (que também faz parte do arquipélago das Canárias) e outras duas ilhotas. Quero apostar desde já com você: é impossível não tentar tirar todo tipo de foto panorâmica com este cenário.

Minha panorâmica definitiva do Mirador del Río

Minha panorâmica definitiva do Mirador del Río

O edifício do mirante foi construído entre dois acidentes geológicos e dentro dele há corredores que serpenteiam até chegar à cafeteria de onde já se tem uma ótima visão panorâmica. Mas, a partir deste pavimento, há mais dois acessíveis por uma escada caracol e que têm o horizonte completamente livre para contemplação. Um belo final pra um belo dia.

Obviamente odiamos a vista #sqn

Obviamente odiamos a vista #sqn

Dicas práticas para visitar os centros

Cada um dos centros turísticos tem um tempo sugerido de visitação de 45 minutos a 1 hora. Os preços dos ingressos variam de 4,50 a 9 euros. Mas a dica para economizar é a seguinte: a maior parte deles está dentro de um pacote de ingressos casados (Mirador del Río, Cueva de los Verdes, Jameos del Agua, Jardín de Cactus e o parque das Montanhas de Fogo, que mostramos neste outro post). Você pode comprar combos de entradas que ajudam a economizar alguns trocados. É possível adquirir esses combos nas bilheterias de qualquer um dos centros.

A Fundación César Manrique não faz parte deste combo, mas dá para comprar um ingresso casadinho com uma atração que não visitamos: o Museo César Manrique, construído no atelier onde o artista trabalhava. Em qualquer um dos dois locais você pode adquirir essa promoção.

Outra dica importante: não dá para fazer grandes refeições em nenhum dos centros turísticos. Onde dá para comer melhor é no Jardín de Cactus, que tem uma cafeteria com algumas tapas. Já na Cueva de los Verdes, por outro lado, não tem nada para comer. Nos outros, apenas lanchonetes e cafés. Caso queira comer melhor, uma indicação é parar na vila de Punta Mujeres (que fica bem perto dos Jameos del Agua) e procurar um restaurante por lá. Aproveite para dar uma voltinha pela bela orla antes de seguir seu roteiro.

Um vistaço na orla de Punta Mujeres

Um vistaço na orla de Punta Mujeres

Links úteis

Mais informações sobre os centros turísticos de Lanzarote neste link.

Este outro traz informações em português sobre César Manrique e algumas de suas obras.

E este aqui é o da Fundación, em que você pode se informar sobre a Fundação e o Museu que levam o nome do artista.

Outros posts sobre Lanzarote

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Lanzarote dia 2: os vulcões do Parque Nacional de Timanfaya

Na pesquisa que fiz para preparar o roteiro da viagem às Ilhas Canárias e Marrocos, li várias descrições de Lanzarote que comparavam a paisagem da ilha à da lua. Tudo…

Na pesquisa que fiz para preparar o roteiro da viagem às Ilhas Canárias e Marrocos, li várias descrições de Lanzarote que comparavam a paisagem da ilha à da lua. Tudo por causa das centenas de cones vulcânicos que ocupam o pequeno território (cerca de 850 quilômetros quadrados) e do clima seco e do visual desértico. Não demorou muito tempo para que Janaína e eu comprovássemos tudo isso. Bastou apenas uma visita à principal atração turística de Lanzarote: o Parque Nacional de Timanfaya.

Timanfaya tem 51 quilômetros quadrados de um cenário talhado pela natureza na forma de rochas, fogo e cinzas. Há uma impressionante amplitude de cores e formas, obras das grandes erupções vulcânicas que aconteceram na ilha: uma entre 1730 e 1736 e a outra em 1824. Os vulcões continuam lá. Ativos, porém adormecidos. Atraindo a curiosidade de mais de 1 milhão de turistas por ano.

Depois de dedicarmos o dia da chegada a Lanzarote para conhecer as vinícolas e a orla, reservamos um dia inteiro para conhecer o Timanfaya, sem saber exatamente se seria necessário todo esse tempo. O parque abre para visitação às 9 da manhã. Fomos alertados por Joán, nosso host do Airbnb, a tentar chegar próximo do horário de abertura do parque. E assim fizemos: poucos minutos antes das 9, já estávamos lá e já havia uma pequena fila de carros para entrar.

Placa de entrada das Montanhas de Fogo

Placa de entrada das Montanhas de Fogo

Nosso ponto de partida foi o Centro Cultural e Turístico das Montanhas de Fogo, que é a atração mais visitada dentro do parque de Timanfaya. Ele fica a 27km de Puerto del Carmen e a 23km de Playa Blanca, que são os balneários que costumam hospedar mais turistas. As Montanhas de Fogo são o ponto de partida para a Rota dos Vulcões, o passeio pelo meio dessas formações geológicas tão fascinantes.

A chegada ao centro de visitantes, mesmo na hora da abertura do parque, já é lotada assim

A chegada ao centro de visitantes, mesmo na hora da abertura do parque, já é lotada assim

É importante alertar que esta rota não é autoguiada. Ela é feita em ônibus do próprio parque, que saem a todo momento. No dia em que fizemos a visita, o intervalo não foi maior que 15 minutos entre uma saída e outra. O embarque é por ordem de chegada na fila que é formada em frente ao centro de visitantes.

Os ônibus são confortáveis, climatizados e não possuem um guia. As informações são passadas pelo sistema de som do veículo em quatro idiomas: espanhol, inglês, francês e alemão. A Rota dos Vulcões do Parque de Timanfaya tem 14 quilômetros, mas é feita bem lentamente e com várias paradas para fotos e contemplação. Um detalhe: ninguém desce do ônibus. Portanto, a dica óbvia é: tente pegar um lugarzinho na janela. Há bastante coisa para ver tanto do lado esquerdo quanto do direito.

Mesmo de dentro do ônibus, dá pra tirar belas fotos como esta...

Mesmo de dentro do ônibus, dá pra tirar belas fotos como esta…

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… ou esta…

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… ou ainda esta.

A viagem dura cerca de 45 minutos e volta para o mesmo centro de visitantes do início. Ao descer, é hora de conhecer algumas coisas curiosas do parque como as anomalias geotérmicas. Alguns funcionários demonstram como a água dispara em ebulição, como em um gêiser. Outra “mágica” faz a vegetação arder à medida que é introduzida a uma certa profundidade.

O centro de visitantes também abriga um restaurante que vai lhe deixar instigado para comer algo. É que alguns dos pratos do cardápio são preparados com o calor dessas anomalias geotérmicas. É como se fizessem churrascos no vulcão.

Tua batata tá assando

Tua batata tá assando

Ao final das contas, passamos cerca de três horas no parque. Quando saímos, já um pouco depois do meio dia, a fila de carros para entrar estava infinitamente maior e o estacionamento, muito mais cheio do que na hora em que chegamos. Portanto, o conselho do Joán virou o nosso conselho: tente chegar na hora da abertura do parque!

Para você se programar

O Centro de Visitantes das Montanhas de Fogo abre diariamente às 9 da manhã. O horário da última saída para a Rota dos Vulcões e do fechamento do parque varia de acordo com a estação do ano. No verão, vai até mais tarde (18h e 19h, respectivamente). Nas outras épocas, a última saída para a Rota é às 17h e o parque fecha às 17h45. O ingresso custa 9 euros, com meia entrada para crianças de até 12 anos. O serviço completo está neste site do Governo das Canárias.

Outros lugares para visitar

E a parada seguinte foi esta aqui. Que beleza, hein?

E a parada seguinte foi esta aqui. Que beleza, hein?

Aproveitamos o restante do dia para conhecer outra paisagem única de Lanzarote. El Golfo, uma praia com areia negra e mar azulzinho. O cenário lindo e inóspito virou locação de cinema. O cineasta espanhol Pedro Almodóvar gravou algumas cenas de “Abraços Partidos”, seu filme de 2009, nesta praia.

Cena de "Abraços Partidos"

Cena de “Abraços Partidos”

Janaína e eu na mesma locação

Janaína e eu na mesma locação

Muito perto da praia, está a Lagoa Verde, ou Charco de los Clicos, que também apareceu no filme de Almodóvar. Ela tem uma água verde densa, cor resultante de um tipo de alga que habita em seu interior. Entranhada entre crateras que surgiram após as erupções vulcânicas dos séculos 18 e 19, a Lagoa é mais um lugar sem igual entre tantos lugares sem igual que estão em Lanzarote.

Uma baita paleta de cores: Charco de los Clicos

Uma baita paleta de cores: Charco de los Clicos

Na hora da fome do almoço, estávamos em El Golfo. Logo ao lado da entrada do mirante da praia, há um restaurante chamado El Siroco. Meu desconfiômetro costuma me mandar fugir dos restaurantes e comércios mais próximos das atrações turísticas. Mas, depois de uma caminhada pela vila e por consultas aos cardápios, vimos que não havia nenhuma opção tão econômica quanto El Siroco. Acabamos ficando por lá mesmo.

Uma senhora paella por 20 euros!

Uma senhora paella por 20 euros!

E assim, quase por acaso, fizemos a melhor refeição de toda a viagem. Fomos na sugestão da placa do lado de fora: paella para duas pessoas por 20 euros. E era uma senhora paella! Super bem temperada, bem servida e mais do que suficiente para nós dois. Ainda ganhamos de brinde a super vista panorâmica da praia de El Golfo e o atendimento espetacular.

E de cortesia, ainda ganhamos shots de ronmiel, um licor típico das Canárias

E de cortesia, ainda ganhamos shots de ronmiel, um licor típico das Canárias

Duas sugestões para completar o dia

Echadero de Camellos

Faz parte da área do Parque Nacional de Timanfaya, mas uma foto daqui poderia passar como a de algum país desértico, especialmente na região do Saara. Alguns camelos estão ali, disponíveis para passeios de 45 minutos por trás da montanha que dá nome ao parque. Como passamos por lá muito em cima da hora da abertura do centro turístico das Montanhas de Fogo, acabamos não fazendo o passeio. Mas paramos para tirar algumas fotos.

Uma nova versão de "camelódromo"

Uma nova versão de “camelódromo”

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“A Mônica de moto, o Eduardo de camelo”

Arrecife

Capital de Lanzarote, maior cidade da ilha, mas sem um grande chamariz turístico. Tem uma bela orla, bons restaurantes e centros comerciais. Vale para adicionar uma cidade à sua lista ou pra tomar uma cervejinha com frutos do mar na beira da praia.

Orla de Arrecife

Orla de Arrecife

Outros posts sobre Lanzarote:

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Lanzarote dia 1: vinhos vulcânicos e orla

Chegamos a Lanzarote no meio de uma terça-feira e depois de um voo curto, num horário em que não precisamos madrugar. Ou seja: havia energia para ser gasta e muitos…

Chegamos a Lanzarote no meio de uma terça-feira e depois de um voo curto, num horário em que não precisamos madrugar. Ou seja: havia energia para ser gasta e muitos lugares para conhecer já no primeiro dia.

Decidimos começar com uma vinícola. Os vinhos de Lanzarote são famosos por serem feitos a partir de algumas cepas de uvas que só existem lá. A principal delas é a malvasia, que é cultivada em terras que receberam um “adubo” especial: cinzas vulcânicas, principalmente depois das erupções que ocorreram no século 18 e que mudaram a paisagem da ilha.

No nosso briefing, tínhamos duas vinícolas em mente. Uma era a El Grifo, que tem, além dos vinhedos, um museu dedicado ao vinho que é uma das grandes atrações da ilha. A outra era a La Gería, que tinha a vantagem de ser mais próxima e também a mais conhecida. Foi a que acabamos escolhendo, não apenas pela menor distância de onde estávamos, mas também porque o horário da visita guiada casava mais com a nossa agenda.

Entrada da bodega La Gería, antes de ser invadidas pelos americanos dos cruzeiros

Entrada da bodega La Gería, antes de ser invadidas pelos americanos dos cruzeiros

(Inclusive recomendo verificar os horários dessas visitas guiadas para quem quiser entender melhor a cultura do vinho em Lanzarote. Na El Grifo, elas saem às 11h e 15h de segunda a sexta e às 11h30 aos fins de semana. Na La Gería, às 13h. Ambas as vinícolas recomendam reserva antecipada)

Chegamos à La Gería e nos sentimos como visitantes soterrados por alunos que visitam um museu numa excursão escolar. Eram dezenas de ônibus de turismo repletos de passageiros de cruzeiros que haviam acabado de atracar na ilha. Ficamos preocupados com a qualidade da visita com tanta gente por lá. Mas acabamos descobrindo que cada grupão tinha seu guia e visitantes “avulsos” como nós tínhamos o nosso. E não éramos muitos: apenas 10, contando com a Janaína e eu.

A principal peculiaridade dos vinhos de Lanzarote é a forma de cultivo. A terra tem uma cor negra por causa das cinzas vulcânicas, que ajudam a fertilizar. Cada vinhedo fica plantado dentro de um buraco que fica a até 3 metros de profundidade. E muros com pequenas pedras empilhadas ficam ao redor. Nas maiores vinícolas, dá para enxergar esses buracos até quase o horizonte. Segundo nosso guia, a função dessa pequena engenharia é proteger as plantas do vento forte da região.

As centenas de "casinhas" para os vinhedos à moda de Lanzarote

As centenas de “casinhas” para os vinhedos à moda de Lanzarote

As muretas de pedras protegem não só parreiras, mas também outras árvores frutíferas

As muretas de pedras protegem não só parreiras, mas também outras árvores frutíferas

Por esse ângulo dá pra ver que há bastante cinzas vulcânicas sobre a primeira camada de terra

Por esse ângulo dá pra ver que há bastante cinzas vulcânicas sobre a primeira camada de terra

No fim da visita guiada (que custa 8 euros por pessoa), dá para fazer uma pequena farra na lojinha da La Gería. Há vários preços de vinhos, a partir de 7 euros. Não deixe de experimentar os do tipo malvasia vulcânica. Se você for um aficionado, traga algumas garrafas na mala, já que são vinhos dificílimos de encontrar no Brasil.

Orla de Puerto del Carmen

Depois da vinícola, o destino do nosso primeiro dia em Lanzarote foi a orla de Puerto del Carmen. Ficamos bestificados com a beleza do lugar. O que deveria ser apenas um muro de arrimo para conter a erosão virou cartão postal. As grandes pedras colocadas à beira mar receberam paisagismo e equipamentos como calçadas e bancos.

Felizes e ofuscados na orla de Puerto del Carmen

Felizes e ofuscados na orla de Puerto del Carmen

A poucos metros dali, há uma marina onde param lanchas e barcos particular de vários tamanhos. Não só iates de ricaços, como também pequenas embarcações de pescadores. E, para compor a paisagem, um paredão de casas brancas numa disposição que acompanha o relevo da região. Nunca fomos a Santorini (Grécia), mas, pelo que já vimos em fotos, foi a referência imediata.

Se você já foi a Santorini, diga aí: parece ou não parece?

Se você já foi a Santorini, diga aí: parece ou não parece?

Onde comer

A noite chegou no relógio, sem o sol se despedir. Acabamos procurando um lugar para jantar ainda com o dia claro. E encontramos ali próximo da orla, numa praça chamada Varadero, o melhor restaurante que conhecemos em Lanzarote: a Taberna de Nino. Especializado em tapas (que são aquelas pequenas porções que geralmente se comem com a mão), o Nino tem um cardápio enorme: tem combinações com frutos do mar, carne de porco, presunto ibérico, molhos agridoces… Era impossível ter certeza imediata sobre o que escolher. Precisamos voltar outra vez lá para não ficar frustrados por ter deixado algo passar. O preço médio de cada tapa fica entre 8 e 10 euros. (Ah, não deixe escapar o couvert que também é delicioso!!!)

Uma caçarola de polvo by Taberna de Nino

Uma caçarola de polvo by Taberna de Nino

Também experimentamos esta tapa com camarões empanados

Também experimentamos esta tapa com camarões empanados

No próximo post, vamos contar sobre nosso segundo dia em Lanzarote, que teve o Parque Nacional de Timanfaya e a praia de El Golfo. Paisagens únicas e inesquecíveis! Continue a viagem com a gente! 🙂

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