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Categoria: Grécia

Ilhas gregas: seis dias em Creta, Santorini e Mykonos

A Grécia ainda está rendendo por aqui! O André Orengel, que já tinha feito o post com o roteiro de três dias por Atenas, tá de volta com outras dicas…

A Grécia ainda está rendendo por aqui! O André Orengel, que já tinha feito o post com o roteiro de três dias por Atenas, tá de volta com outras dicas sensacionais. Ele passou seis dias com a esposa em algumas das ilhas gregas mais desejadas pelos turistas: Creta, Santorini e Mykonos. Assim como na Grécia continental, tem História (com H maiúsculo) por todos os lados. Mas as ilhas também foram brindadas com a generosidade da natureza e suas paisagens inigualáveis.

Seis dias em três ilhas não é o ideal se você gosta de curtir a viagem sem pressa. Mas muitas vezes é o que cabe no cronograma dos turistas que só têm 30 dias de férias por ano. Seja para cumprir à risca ou para servir como referência para um roteiro mais longo, as dicas do André estão imperdíveis! Acompanhe!

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Ilhas gregas, Santorini, Oia, sunset

O pôr do sol cinematográfico de Santorini. Foto: André Orengel

Você já viu o tamanho da Grécia no mapa múndi? Ela tem pouco menos de 132 mil quilômetros quadrados, o que faz o território grego ser menor que o do Amapá (que tem 142 mil). No entanto, se o assunto for a extensão costeira, o jogo vira, meus amigos. Aquele pedacinho da Europa mediterrânea tem 13.676 quilômetros de costa. É quase o dobro do Brasil (que tem 7.491)!

O segredo da Grécia para ter um litoral tão extenso num território tão pequeno está nas ilhas gregas. São cerca de 6 mil!!! Delas, pelo menos 200 são habitadas e 60 têm algum interesse turístico. Haja férias para conseguir conhecer todas!

Ilhas gregas, Mykonos island, Greece

Mar é o que não falta na Grécia! Essa é a ilha de Mykonos. Foto: André Orengel

Com tantas possibilidades, fazer um roteiro pelas ilhas gregas é uma missão. Existem atrações para todos os gostos: praias paradisíacas, baladas, atividades ao ar livre, cidades bucólicas, história, entre outros.

Minha esposa e eu gostamos muito de história e escolhemos a Grécia como destino de férias para conhecer as ruínas das civilizações antigas. Por isso, nosso roteiro foi montado em cima de três ilhas gregas:

Creta: pelas ruínas minoicas de Cnossos (você encontrará também a grafia Knossos);

Santorini: pelas ruinas cicládicas/minoicas de Acrotíri;

Mykonos, pelas ruinas gregas de Delos.

Essas ilhas, no entanto, não se resumem às ruínas. Elas também nos contam a história de sua ocupação por romanos, venezianos, bizantinos e otomanos. Além disso, oferecem belas paisagens, cantos pitorescos e excelente cozinha.

Neste post, vou contar então como conheci Creta, Santorini e Mykonos em seis dias. Com isso, espero poder ajudar com as suas explorações das ilhas gregas. Vamos ao passo a passo!

Como ir e vir entre as ilhas gregas

Começamos nossa viagem pela ilha de Creta, chegando por meio do aeroporto de Heraclião (você também pode encontrar as grafias Heraklion ou Iraklio). Depois, fomos de barco para Santorini. Em seguida, também de barco para Mykonos e para Atenas no retorno à Grécia continental.

A Aegean Airlines tem vários voos diretos conectando Atenas a Heraclião, que é a capital de Creta e a quarta maior cidade da Grécia. O transporte entre as ilhas gregas é igualmente fácil, feito em balsas catamarãs modernas, bem confortáveis e rápidas. Utilizamos os ótimos serviços da Sea Jets. Compramos as passagens online e imprimimos todas elas na Paleologos Travel, localizada na 25th August St., nº 5, em Heraclião.

O embarque e desembarque são razoavelmente organizados e tudo acontece em cerca de 15 minutos. Por isso, você deve estar no porto com uns 30 minutos de antecedência. A antecipação é fundamental para se situar, não perder seu barco ou evitar de entrar no barco errado (isso aconteceu com uma família em uma das balsas que pegamos).

Primeiro Dia – Creta

Museu Arqueológico de Heraclião

Compre o ingresso combinado, que inclui a entrada no museu e no sítio arqueológico de Cnossos. Lá você verá uma ótima coleção de arte minoica, encontrados principalmente em Cnossos. Além disso, há uma enorme maquete da cidade-palácio de Cnossos e vários textos explicando a história da região e os costumes do povo minoico.

Batendo perna pelo centro histórico

Ilhas gregas, Morosini fountain

Fonte Morosini, no centro histórico de Heraclião. Foto: André Orengel

Com fome? A sugestão para o almoço é o disputado Central Park. Depois, siga até a Fonte Morosini. Ornada com leões e motivos clássicos, ela foi inaugurada no dia de São Marcos (patrono de Veneza) em 1628 para fornecer água potável aos habitantes da cidade. Observe o seu formato octogonal e imagine cerca de 40 pessoas enchendo os seus baldes com água ao mesmo tempo.

Ilhas gregas, Agios Titos

Igreja de Agios Titos, em Heraclião. Foto: André Orengel

Retorne pela mesma rua para apreciar a arquitetura, também veneziana, da Loggia, construída em 1620. Hoje, ela abriga a Prefeitura de Heraclião. Atrás deste prédio, encontra-se a igreja de Agios Titos. O templo original foi construída provavelmente em 961 D. C. pelo imperador bizantino Nicephorus Phokas, após reconquistar a ilha de Creta dos árabes.

Mais museu

Depois desse curto passeio pelo centro da cidade, aprenda muito mais sobre o passado dessa ilha no Museu Histórico de Creta. Tente chegar até as 15h, pois o espaço fecha às 17h (no verão, que vai de abril a outubro).

Ilhas gregas, Koules fortress, Castello a Mare

A Fortaleza de Koules, ou Castello a Mare. Foto: André Orengel

Para finalizar, visite o Forte Veneziano Castello a Mare (também conhecido como Fortaleza de Koules) localizado no belo porto velho da cidade. Ao sair, aprecie o pôr-do-sol do restaurante Paralia Seaside.

Segundo Dia – Creta

Ilhas gregas, Crete island

Pegando a estrada em Creta. Foto: André Orengel

No segundo dia, decidimos fazer uma road trip. Alugamos um carro e o serviço foi muito prático. O veículo nos foi entregue no próprio hotel às 08 da manhã. A devolução foi no dia seguinte, no porto de partida para a próxima ilha, às 08 da manhã também.

A controversa Cnossos

Ilhas gregas, Knossos archeological site

Sítio arqueológico de Cnossos. Foto: André Orengel

O primeiro lugar a ir é o parcialmente reconstruído sítio arqueológico de Cnossos, localizado 5 quilômetros ao sul de Heraclião. Cnossos é considerada por muitos historiadores como a primeira cidade-palácio do mundo ocidental e o centro administrativo da civilização minoica. Este foi o lugar mais lotado que visitamos na Grécia. Portanto, chegue bem cedo para se antecipar à multidão e achar um lugar no estacionamento gratuito.

Impressiona observar como a cidade era construída em vários níveis. Conta a lenda que, em sua fundação, o arquiteto Dédalo, a mando do notório rei Minos, construiu um grande labirinto para aprisionar a criatura mítica do Minotauro. Se na superfície já é difícil não se perder, devia ser impossível mesmo achar a saída desse labirinto. O sítio arqueológico é bem sinalizado e também dispõe de várias placas informativas. Há explicações sobre os traços arquitetônicos, a história, a utilidade, a redescoberta e a muito controversa reconstrução dos vários ambientes desta cidade.

O Mosteiro de Arcadi

Ilhas gregas, Arcadi Monastery

Mosteiro de Arcadi. Foto: André Orengel

A parada seguinte é o Mosteiro de Arcadi, situado 23 quilômetros a sudeste da cidade de Retimno e a 81 quilômetros de Cnossos. Aproveite a estrada que leva ao mosteiro para desfrutar da vista litorânea e da paisagem do interior desta que é maior das ilhas gregas. Diversas são as razões para conhecer este mosteiro ainda em atividade: a arquitetura da fachada e interior, a sua história medieval e moderna e a ótima coleção de arte sacra.

O Arcadi, infelizmente, tornou-se famoso internacionalmente por uma terrível tragédia, ocorrida no local durante a revolta cretense contra a ocupação turca (1866-1869). Tropas otomanas entraram em combate com 943 gregos refugiados no mosteiro. Os gregos acabaram preferindo o sacrifício à rendição e fizeram explodir o estoque de pólvora. Esta triste história é contada em detalhes no mosteiro, que indica o local da explosão.

No embalo veneziano em Retimno

Ilhas gregas, Retimno

Porto velho de Retimno. Foto: André Orengel

Em seguida, uma boa pedida é visitar a cidade de Retimno. Estacione o carro nas proximidades do porto antigo e procure um local do seu agrado para almoçar. São inúmeras as opções, mas os preços são altos. Depois do almoço, passeie por esta charmosa cidade, com tanta herança da ocupação veneziana.

Alguns dos lugares pelos quais você deve passar são:

– a Loggia que servia como principal ponto de encontro para a discussão de questões políticas e econômicas dos nobres que habitavam a cidade no século 16. Hoje ela abriga uma loja de réplicas de achados arqueológicos;

Ilhas gregas, Rimondi fountain

Fonte Rimondi. Foto: André Orengel

– a fonte Rimondi que abastecia esta parte da cidade veneziana com água potável;

Ilhas gregas, mesquita de Neratzes

Mesquita de Neratzes. Foto: André Orengel

– a mesquita de Neratzes, com seu enorme e lindo minarete construído em 1890, que já foi uma igreja e hoje é um conservatório;

– a Fortezza, o forte que servia de proteção à cidade. O curioso é que este forte jamais fora considerado um esplendor da segurança. Muito pelo contrário. Existem tantas falhas no projeto que alguns historiadores acham que ele sequer fora construído para defender a cidade de uma invasão turca. E sim para abrigar as tropas e administração veneziana. Contemple o pôr do sol do alto dos muros desta fortaleza e, ao anoitecer, retorne à Heraclião.

Terceiro Dia – Santorini

Ilhas gregas, Santorini, Thera

Vila de Fira, na ilha de Santorini. Foto: André Orengel

A balsa da Sea Jets sai do porto de Heraclião às 08h40 da manhã e chega em seu destino às 10h35. Anteriormente chamada de Strongili (a redonda) em razão de seu formato, Santorini teve a sua forma alterada para sempre por uma colossal erupção.  Foi por volta de 1613 a. C., quando o miolo da ilha foi afundado na caldeira de um gigantesco vulcão. Como resultado, foram formados enormes e lindos penhascos em sua face leste. As vistas da caldeira são realmente deslumbrantes. Principalmente, a partir das cidades de Fira e Oia.

Alugar um carro é importante para conhecer bem a ilha de Santorini. Você pode procurar uma locadora logo quando desembarcar. Dá para negociar bons preços para retirar e devolver o veículo no próprio porto. Para você ter um parâmetro de preços, alugamos um Nissan Versa por 65€ por dois dias.

Para o restante do dia, tenho duas opções de itinerários: um mais puxado e outro mais tranquilo.

Quero relaxar

Se você quiser curtir sem pressa, deixe as malas no hotel e almoce tranquilo. Minha sugestão é hospedar-se na vila de Fira e almoçar no Pelican Kipos, que tem um ambiente relaxado e uma comida ótima. Depois do almoço, uma boa opção é conhecer a cidade de Oia (falaremos dela mais adiante).

Não vim para brincar

Ilhas gregas, Santorini, ancient Thira

Ruínas da antiga Fira. Foto: André Orengel

Na opção para os fortes, dirija diretamente do porto para as ruínas da Fira antiga (a grafia Thera também será encontrada). Já na subida, você vai agradecer por estar de carro. Mas você não entra com ele no sítio arqueológico. O estacionamento é próximo à bilheteria. Compre, aqui também, um ticket combo. Passada a bilheteria, é preciso subir muitos degraus para chegar às ruinas. O trajeto é cansativo, mas a vista e o sítio arqueológico compensam o esforço.

Oia

Ilhas gregas, Santorini, Oia

Cenário de cartão postal em Oia. Foto: André Orengel

Terminado o tour, dirija até a cidade de Oia, na pontinha da ilha. Almoce e, em seguida, passeie pela vila enquanto ainda não chegaram as hordas de turistas para assistir à famosa vista do pôr do sol. Aproveite para visitar a igreja de Panagia Platsani e apreciar as lindas vistas da caldeira.

Reserve uma mesa com alguma antecedência no disputado Kastro para desfrutar da melhor vista do pôr do sol de Oia com tranquilidade e acompanhado de boa comida e bebida.

Quarto Dia – Santorini

Museu Pré-histórico de Fira

Ilhas gregas, Thira prehistorical museum

Museu Pré-Histórico de Fira. Foto: André Orengel

Você pode começar o dia conhecendo a belíssima coleção de achados arqueológicos do Museu Pré-histórico de Fira. Ele expõe as magníficas obras originárias das escavações do sítio arqueológico de Akrotiri. Apesar de pequeno, o museu é cheio de interessantes informações sobre os usos dos artefatos exibidos, bem como sobre a constituição geológica da ilha e os costumes da civilização Cíclade que ali habitava.

Vinícola Santo Wines

Ilhas gregas, Santorini, Santo Wines

A vista da vinícola Santo Wines. Foto: André Orengel

Depois, sugiro o tour guiado pela vinícola Santo Wines para aprender sobre o cultivo de uvas e a produção de vinho de Santorini. Fizemos o pacote mais barato disponível (o Simple Tour nº 1). Por 15€, ele também incluía a degustação de três taças de vinho. Almoce no local para deleitar-se com a linda vista e ótima comida do restaurante. Na lojinha, a especialidade é o vinho branco de uvas Assyrtiko.

Akrotíri

Ilhas gregas, Santorini, Akrotiri archeological site

Sítio arqueológico de Akrotíri. Foto: André Orengel

O sítio arqueológico de Akrotíri tem duas peculiaridades: ainda está em escavação e é completamente coberto. Ah, se todas as ruinas tivessem esta sombra… Descoberto em 1867, o sítio só começou a ser escavado para valer cem anos depois, sob a coordenação de Spyridon Marinatos. Afrescos, cerâmica, móveis, avançados sistemas de drenagem e edifícios de três andares foram descobertos no sítio em ótimo estado de conservação. Isto porque, similarmente às ruínas de Pompéia, na Itália, a cidade se encontrava enterrada (e protegida) em baixo de muitas toneladas de cinza vulcânica, derivadas daquela monstruosa erupção ocorrida nos idos de 1600 a. C. que eu falei lá em cima.

Mais penhascos e vistas

Ilhas gregas, Santorini, Thira

Outra vista que você pode ter em Fira. Foto: André Orengel

Finalizada a exploração da área, retorne a Fira para passear por suas ruas, especialmente aquelas que dão vista à cratera, para lindas fotos. Na hora do pôr do sol, jante no ótimo Character (a reserva garante os melhores assentos da casa). O carpaccio e a pizza estavam deliciosos.

Quinto Dia – Mykonos

Ilhas gregas, Mykonos

Mykonos. Foto: André Orengel

A balsa que leva a Mykonos provavelmente sairá do mesmo local que você desembarcou quando chegou a Santorini, às 10h45, chegando às 13h05. Ao desembarcar, vire à esquerda e siga reto até encontrar a parada do ônibus que lhe levará à Fabrika, na vila de Hora (se você, como eu, estiver hospedado aqui). Da parada, caminhe até o seu hotel. Ficamos no ótimo Poseidon, que fica bem perto dali. Após fazer o check-in, almoce no delicioso D’Angelo. De lá, caminhe até alguns dos exemplares mais famosos dos moinhos de Mykonos.

Depois disso, perca-se pelas ruelas de Hora. Você se sentirá em um labirinto, pois é quase impossível se guiar sem um mapa. Tudo isso era proposital. Os venezianos construíram as ruas desta vila assim por dois motivos:

1) para não criar corredores de vento, e, assim, manter as casas aquecidas nos meses de inverno;

2) Para confundir eventuais piratas que buscassem saquear a cidade.

Para jantar, escolha o Katerina’s Restaurant, com linda vista do pôr do sol e dos moinhos.

Sexto Dia – Mykonos

Delos

Ilhas gregas, Delos archeological site

Sítio arqueológico de Delos. Foto: André Orengel

Para o último dia de roteiro, você pode desfrutar de uma das ótimas e mundialmente conhecidas praias da ilha. Outra opção é fazer o que fiz: um passeio guiado ao sítio arqueológico de Delos. Ele fica em uma ilha hoje inabitada (os únicos moradores são os trabalhadores das escavações e manutenção do sítio). A ilha é perto de Mykonos e acessível de barco. A saída do porto antigo de Mykonos é as 9h da manhã com duas opções de retorno: as 13h30 e as 15h.

Como o lugar é imenso, você provavelmente preferirá retornar na segunda opção de horário. Leve um lanche/almoço, pois a comida vendida na lanchonete do local é caríssima. Não deixe de visitar o museu, com artefatos e estátuas encontradas no local, dentre os quais, destacam-se os originais leões de Delos. Muito protetor solar, chapéu e óculos escuros são praticamente obrigatórios para o passeio, já que a área é totalmente descampada.

Ilhas gregas, Delos lions, Mykonos

Os leões de Delos. Foto: André Orengel

Reza a lenda que foi aqui que nasceram os deuses gêmeos Apolo e Artêmis. Isto fez do lugar um dos três principais destinos de peregrinação da Grécia antiga. Não só de religião vivia a ilha. No período helenístico e nos primeiros séculos da ocupação romana, ela era um importante entreposto comercial. Muitos de seus habitantes eram ricos transportadores, banqueiros e comerciantes, originários da Europa, Ásia e África. O mercado de escravos chegou a vender até 10 mil pessoas por dia.

Ao retornar a Mykonos, aproveitamos para passear mais pelas ruas de Hora, tomar um sorvetinho e se despedir das maravilhosas ilhas gregas.

 

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Atenas: o que fazer em três dias na cidade

Mais um texto convidado no Mochileza! O André Orengel, que já havia assinado o post sobre a road trip de Miami a New Orleans, está de volta por aqui. Ele…

Mais um texto convidado no Mochileza! O André Orengel, que já havia assinado o post sobre a road trip de Miami a New Orleans, está de volta por aqui. Ele e a esposa estiveram na Grécia em setembro de 2017 e me deixaram babando com as fotos. Não precisou nem pedir: o André já chegou com o artigo pronto! Um roteiro de três dias por Atenas, para ver o que há de mais importante na capital grega. Se liga nas dicas!

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Para quem curte história e arte, a Grécia é o lugar a ser visitado. Não é à toa que o país é conhecido como o berço da civilização ocidental. Muito da nossa cultura, da nossa forma de pensar e da nossa organização enquanto sociedade teve origem na Grécia pré-histórica e antiga. Por isso, uma visita à capital Atenas revela muito do nosso próprio passado e da origem do que somos atualmente.

Os gregos mantêm com muito orgulho suas tradições, costumes e o idioma. Não deve ser trabalho fácil, afinal foram quase 2 mil anos de dominação estrangeira, seja ela romana, bizantina ou otomana. O mais fascinante é conferir como se reaproveitam espaços e construções que resistem por tantos séculos nessa cidade habitada continuamente por pelo menos 5 mil anos.

Foto: André Orengel

Estar em Atenas, para mim, foi respirar história o tempo todo. O aeroporto, por exemplo, tem um museu que expõe os achados arqueológicos do local, assim como as estações de metrô. Já a Acrópole, erguida 200 metros acima da cidade, é tão sedutora que a buscamos sempre que dobramos uma esquina para vê-la por outro ângulo.

André Orengel. Foto: Arquivo Pessoal

Por tudo isso e mais, Atenas oferece assunto para muitas viagens ou para um mês inteiro de exploração. Mas, sabe como é, o trabalhador assalariado só tem 30 dias de férias por ano. Assim, a gente acaba passando bem menos tempo que o desejado (e o necessário) para conhecer a fundo nossos destinos de viagem.

Para ajudar o viajante a incluir Atenas numa viagem por outros lugares, montei um roteiro hiperapertertado (o prefixo hiper, aliás, tem origem grega). A ideia é explorar a cidade em três dias inteiros, focando nos principais sítios arqueológicos e museus. Creio que ele pode servir de base para você planejar a sua própria viagem. Vamos ao passo-a-passo:

Chegando a Atenas

Você, como eu, provavelmente desembarcará no aeroporto Eleftherios Venizelos (ATH) pela área destinada às chegadas e partidas dos países da zona Schengen. Se este for o seu caso, sugiro que compre logo um SIM Card para o seu celular na Public Conect. Quando estive lá, paguei 18€ por 15Gb de internet e mais 200 minutos de ligação para telefones na União Europeia.

Para ir do aeroporto ao centro de Atenas, que fica a cerca de 20km, você pode pegar um táxi (38€, das 5h às 23h59, ou 54€, das 0h às 4h59).

Há ainda duas boas opções de transporte público:

– o ônibus (linha X-95), leva cerca de 80 minutos do aeroporto à praça Syntagma, no centro da cidade. Ele custa 6€, funciona 24 horas todos os dias. A frequência varia conforme a época do ano.

– o metrô, com o mesmo trajeto, demora cerca de 40 minutos. Ele funciona das 06h30 às 23h30 e sai de meia em meia hora.

Preferi o metrô e aproveitei para comprar o ticket de turista que inclui ida e volta para o aeroporto e mais três dias de transporte público em metrô e ônibus. O preço é 22€.

Primeiro Dia

Atenas - Acrópole

Detalhe da Acrópole de Atenas. Foto: André Orengel

Começamos o dia com o descontraído e informativo tour da Athens Free Tours. Ele começa às 10h, dura cerca de 2h30, tem opções em inglês e espanhol e é gratuito. Ao final é de bom grado deixar uma gorjeta. O percurso a pé passa pelos principais pontos turísticos e bairros da cidade com explicações gerais sobre eles, mas sem entrar nos sítios arqueológicos.

O passeio que fiz (acho que o trajeto varia de guia para guia) encerrou próximo à entrada da Ágora Antiga. Aproveitamos então para comprar nesta bilheteria o ticket combo, que, por 30€, inclui várias atrações da cidade.

Com o ticket em mãos, subimos a encosta norte em direção à Acrópole. Essa é a parte do trajeto que realmente testa a vontade do sujeito de estar ali, principalmente se o fizer ao meio-dia durante o verão. Vencida a subida e antes de adentrar no sítio arqueológico, escalamos a Colina de Areópago para uma vista panorâmica da cidade e da própria Acrópole.

Atenas - Acrópole

Vista da Acrópole a partir do Monte de Areópago. Foto: André Orengel

Trata-se de um enorme monólito de mármore onde, conta a lenda, Ares foi julgado e absolvido pelo conselho dos deuses pelo homicídio de Halirrothios, filho de Poseidon. Por isso (ou não), o lugar fora utilizado na Antiguidade como corte para o julgamento dos crimes de homicídio, corrupção e traição pelo Conselho de Areópago. Os cristãos se lembrarão deste nome porque, segundo a Bíblia (Atos dos Apóstolos 17.16-34), Paulo proferiu neste lugar o famoso discurso sobre o deus desconhecido.

A Acrópole

Os primeiros templos da Acrópole (acro = alto + polis = cidade) foram construídos na era Micênica, em reverência à deusa Atena. Eles foram completamente destruídos pelos persas na véspera da batalha de Salamina (480 A.C.). Com a vitória grega, o gestor Péricles deu início a um ambicioso programa de reconstrução da cidade que transformou a Acrópole em um fabuloso complexo de adoração, principalmente da deusa Atena, coroada pelo Parthenon, que marcou o apogeu das realizações da Grécia clássica. Em nossos tempos, a Acrópole se tornou um dos principais sítios arqueológicos da Antiguidade ocidental.

Atenas - Parthenon

O famoso Parthenon, na Acrópole de Atenas. Foto: André Orengel

De lá para cá, a Acrópole sofreu com desastres naturais, guerras e pilhagens. Assim, o que vemos atualmente são apenas ruínas que nos concedem uma vaga noção do que o lugar já foi um dia. O maior golpe ao local fora desferido em 1687 pelos Venezianos, durante um bombardeio contra os Otomanos. O principal prédio do complexo (utilizado à época como depósito de pólvora) foi explodido e causou grandes danos aos demais.

Ao passar pelas catracas, vire à direita para apreciar o Odeão de Herodes Áticos, construído em 161 d.C. pelo aristocrático romano que o nomeia. Completamente reconstruído entre 1950 e 1961, ele é utilizado durante os festivais teatrais de verão para encenações de tragédias e comédias clássicas.

Atenas - Odeão de Herodes Áticos

Odeão de Herodes Áticos. Foto: André Orengel

Do lado oposto ao tetro, acima das folhas das oliveiras que adornam o caminho, você terá uma boa visão do templo de Atena Nike. Sim, o nome é o mesmo da famosa marca de material esportivo. Nike é a deusa da vitória que coroou Atena após esta haver derrotado Poseidon na batalha pela adoração dos habitantes da cidade a partir de então chamada de Atenas.

Templo de Atena Nike. Foto: André Orengel

Siga o caminho indicado e suba até a Propylaia, a monumental entrada da Acrópole, construída por Mnésicles entre os anos de 437 e 432 a.C. Passeie pelo sitio arqueológico parando nas placas distribuídas à frente das principais ruínas para ler as explicações sobre a história do lugar e seus traços arquitetônicos mais marcantes.

Depois da visita à Acrópole

Após a exploração, que provavelmente durará em torno de duas horas, desça pela encosta sul do monte, passando pelo Teatro de Dionísio, o templo de Asclépio e a Stoa de Eumenes, e siga em direção à rua Makrigianni, para almoçar em um de seus restaurantes. Comemos no Arcádia (Makrigianni, 27) e adoramos a comida e o atendimento. Recarregadas as baterias, aproveite o restante da tarde para apreciar a excelente coleção de esculturas do Museu da Acrópole, localizado ali próximo.

Terminada a visita, aproveite o cair da noite para percorrer o bairro de Plaka, em direção à praça Monastiraki. O bairro, apesar de muito turístico, é uma das partes mais charmosas da cidade. Tem ruas estreitas, cantinhos, lojinhas, bares, restaurantes e a vista do Parthenon ao alto. Escolha um dos restaurantes da região para o jantar, que pode ser o excelente Lithos, na rua Aisopou, 17.

Segundo Dia

Atenas - Templo de Zeus

Templo de Zeus. Foto: André Orengel

Nosso primeiro destino no segundo dia de viagem foram as ruínas do templo do Zeus Olímpico. É o maior templo da Grécia e fica do “lado de fora” do arco de Adriano, que marcava a divisão entre a cidade antiga grega (de Teseu) e a nova cidade romana (de Adriano). Sua construção iniciou no século 6º a.C., na gestão de Peisistratos. A obra só foi concluída pelo imperador romano Adriano em 131 d. C. após várias interrupções.

Em seguida, atravesse os Jardins Nacionais e chegue à frente do Parlamento Grego. Sincronize seu tempo para chegar às 10h ou 11h, para ver a cerimônia da troca da guarda que protege a tumba do soldado desconhecido. Estivemos lá no domingo às 11h e assistimos a uma cerimônia mais pomposa (que ocorre semanalmente nesse horário), com direto à banda marcial e um pequeno desfile. Tinha uma multidão no local. Portanto, se a sua intenção é a testemunhar essa ritual estendido, chegue com ao menos 30 minutos de antecedência para conseguir um bom lugar.

Atenas - Parlamento

A cerimônia da troca da guarda em frente ao Parlamento. Foto: André Orengel

Museus de Atenas

Depois disso, abrigue-se do sol em dois dos melhores museus de Atenas, localizados ali pertinho na Avenida Leoforos Vasilissis Sofias. O Museu Benaki e o Museu de Arte Cristã e Bizantina. O primeiro exibe a coleção privada de Antonis Benakis, incluindo achados desde era Micênica até a atualidade. Já o segundo apresenta uma enorme coleção de arte cristã, desde a antiguidade até os dias atuais. Ela abrange imagens, pinturas, bíblias, entre outros. Aproveitamos para almoçar no restaurante situado no terraço do Museu Benaki, e assim otimizamos o nosso tempo.

Estádio Panatenaico

Ao terminar a visita ao Museu de Arte Cristã e Bizantina siga para o Estádio Panatenaico (fecha as 19h entre março e outubro, e às 17h entre novembro e fevereiro). No caminho, passe pela frente do Palácio Presidencial, que também conta com uma cerimônia de troca da guarda, menos concorrida que a do Parlamento.

Atenas - Estádio Panatenaico

Estádio Panatenaico. Foto: André Orengel

O Panatenaico é o único estádio do mundo construído completamente em mármore. Ele recebeu a abertura e o encerramento dos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna (1896) e também a chegada da maratona dos Jogos de 2004. Este estádio chegou a abrigar 80 mil espectadores em uma partida de final da Euroliga de Basquete entre o AEK Atenas e o Slavia Praga, em 1968. Não deixe de ouvir ao ótimo e bem completo audioguia em português, que narra esses e muitos outros fatos interessantes referentes ao estádio.

Se você ainda tiver fôlego, cronometre a visita para encerrar cerca de uma hora antes do pôr do sol. Assim, você pode assisti-lo do alto do Monte das Musas (também conhecido como Monte Philopappos), com uma ótima vista do mar Egeu, da Acrópole e da cidade. Demoramos em torno de 30 minutos para caminhar do estádio até o topo do morro, em uma subida que não exige muito do seu preparo físico.

Atenas - Monte das Musas

A Acrópole vista do Monte das Musas. Foto: André Orengel

Para encerrar o dia, jante no excelente Mani Mani (Falirou 10): comida refinada, deliciosa e com uma linda apresentação.

Terceiro Dia

Inicie o seu terceiro dia conhecendo a Ágora Antiga (grega). O coração da Atenas antiga era a Ágora. Nela, desenrolavam-se as principais atividades administrativas, comerciais, políticas e sociais. Hoje, grande parte do local está completamente em ruínas. É preciso ter muita imaginação para entender o que se passava em cada local marcado pelo mapa, mesmo lendo as placas informativas.

Atenas - Stoa de Átalos

Stoa de Átalos. Foto: André Orengel

Isto exceto pela Stoa de Átalos. Com dois pavimentos totalmente reconstruídos, ela nos transporta dois mil anos ao passado para termos um gostinho de como seria um shopping center da época. Este edifício também abriga o museu da Ágora, onde podemos ver uma maquete completa do sítio arqueológico e esculturas encontradas no local. Outra notável exceção é o Templo de Hefesto, considerado o templo grego mais bem preservado do mundo.

Atenas - Templo de Hefesto

Templo de Hefesto. Foto: André Orengel

Ágora Romana

Colada à Ágora Antiga (grega), encontra-se a chamada Ágora Romana. Lá você pode apreciar suas ruínas, notadamente a bem-preservada Torre dos Ventos. É um monumento octogonal, construído pelo astrônomo sírio Andronicus. Ele servia como relógio de água, compasso, biruta e relógio de sol. Ao entrar na Ágora, dedique um momento ao mapa que fica logo após ao pórtico de Athena Archegetis. É fundamental para entender as ruínas remanescentes.

Atenas - Ágora Romana

A Ágora Romana e a Torre dos Ventos. Foto: André Orengel

Também bem próximo daí, está localizada a Biblioteca de Adriano, a última das ruínas a ser visitada neste passeio. Datada do século 2º a. C., esta foi a maior das estrutura erguidas por Adriano na cidade.  Ela continha um pátio interno com uma piscina no centro e bordeado por 100 colunas. Assim como livros, o prédio abrigava instrumentos musicais, salas de estudo e auditórios.

Quando terminar estas visitas, almoce em um dos restaurantes da região para em seguida ir ao Museu Arqueológico Nacional. Para chegar lá, pegue o metrô na estação da praça Monastiraki, siga rumo a Kifissia e desça na estação Victória. Ande algumas quadras na direção sul e você encontrará um enorme prédio neoclássico ao final de uma pracinha gradeada.

Atenas - Museu Arqueológico Nacional

Museu Nacional Arqueológico de Atenas. Foto: André Orengel

Um “best of” do Museu Arqueológico Nacional

O Museu Arqueológico Nacional de Atenas possui a melhor coleção de arte grega pré-histórica e clássica do planeta. Dedique algumas horas para  apreciar as suas obras, sem deixar de ver os seus highlights:

– a Máscara Fúnebre de Agamemnon e as Taças Douradas de Vaphio, localizadas nas salas centrais do térreo. Estas salas são dedicadas, entre outros, às civilizações Micênicas e Cyclades;

– a estátua de bronze de Poseidon ou Zeus, encontrada no fundo do mar Egeu, na Galeria 15;

– a estátua de bronze de um cavalo montado por um jovem cavaleiro e a estátua em mármore de Afrodite, na Galeria 21;

– os afrescos de Akrotini das Crianças Lutando Boxe, da Primavera e dos Antílopes, no andar superior;

– e os seis vasos que eram presenteados aos vencedores dos jogos Panatenaicos repletos de azeite de oliva. Eles remontam à origem dos troféus, atualmente entregues aos ganhadores de competições esportivas, na Galeria 56.

Um pouco de teatro

Após a visita ao museu, voltamos ao Odeão de Herodes Áticos. Lá, vimos a apresentação da tragédia As Bacantes (The Bacchae) de Eurípedes. Ela integra o Festival de Verão de Teatro de Atenas e Epidauro. A peça é em grego, com legenda em inglês, e vale muito a pena. Se você não conseguir garantir seu ingresso, uma opção que não chegamos a conhecer é subir no monte Lykavittos de táxi ou funicular. No local, dá para apreciar a vista da cidade e do pôr do sol por uma outra perspectiva.

Para terminar o passeio por esta espetacular cidade, jante no Balcony Restaurant & Bar (Veikou, 1) e se despeça com ótima comida e uma bela vista da Acrópole iluminada.

Tem um dia a mais?

Bem, se tivéssemos mais um dia, o aproveitaríamos para conhecer os arredores da cidade. Especialmente a área do Cabo Sounion, a 70km ao sul de Atenas. Lá ficam o Templo de Poseidon e várias praias. Você pode ir para lá de ônibus, pela linha “Markopoulo, Lavrion e Sounion”, em um tour ou alugando um carro.

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