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Categoria: França

Lyon: uma cidade que vai te ganhar pelo estômago

Direto ao ponto: come-se MUITO bem em Lyon. A cidade é uma referência internacional na gastronomia, graças aos seus chefs renomados e restaurantes repletos de estrelas Michelin. Não é preciso…

Direto ao ponto: come-se MUITO bem em Lyon. A cidade é uma referência internacional na gastronomia, graças aos seus chefs renomados e restaurantes repletos de estrelas Michelin. Não é preciso muito esforço para encontrar uma boa refeição na cidade. Em Vieux Lyon e na região da Presqu’Île, dá para você escolher o lugar onde vai almoçar/jantar na base do uni-duni-tê. E com pouquíssimas chances de errar.

A tradição da cozinha vem do século 19, com a origem das Mères Lyonnaises. Eram mulheres que trabalhavam como cozinheiras nas casas de famílias burguesas. Elas se propunham a preparar pratos com ingredientes baratos e típicos da região. No período entre guerras, que coincidiu com a Grande Depressão de 1929, as Mères Lyonnaises viraram empreendedoras. Abriram seus restaurantes e começaram a construir a reputação da gastronomia da cidade.

Com a simplicidades das Mères, nasceu outra tradição: a dos bouchons. Este nome é dado aos restaurantes típicos de Lyon, que precisam atender a algumas características. Toalhas de mesa xadrez, decoração pitoresca, ambiente quase residencial, bom atendimento e pratos típicos. Apenas 22 restaurantes são reconhecidos como autênticos bouchons lyonnais por uma associação ligada ao ente turístico da cidade. A lista completa está aqui: http://lesbouchonslyonnais.org/

A logomarca que você vai encontrar nos bouchons legítimos


Mas há muitos bons restaurantes em Lyon, ainda que não tenham o selo oficial dos bouchons. Vou listar alguns onde comemos na nossa viagem em fevereiro de 2016.

Bouchon des Cordeliers

Obedece às tradições dos bouchons, mas não tem o selo oficial. Sofisticado e acolhedor, tem um cardápio repleto de especialidades lyonnaises. O restaurante oferece dois menus com entrada + prato principal + queijo ou sobremesa. O menu des canuts custa € 26,50 e dá direito a escolher qualquer item do cardápio. O menu des gones custa € 19,50 e tem opções mais limitadas.

Foto: Divulgação

De entrada, a Janaína escolheu o Saumon Gravelax, que é uma espécie de carpaccio de salmão curado com creme de cebolinha e presunto de parma. Eu fui na Salade Lyonnaise, que além das folhas, tinha cubos de carne de porco frita! Se você procura uma salada fitness, pule esse prato!

A salada lyonnaise do Bouchon des Cordeliers

Saumon Gravelax do Bouchon des Cordeliers. Foto: Leonardo Aquino

Pratos principais: a Janaína foi de salmão outra vez. Um salmão assado com risoto de lula feito de arroz negro. Espetacular! Foi a melhor refeição da viagem. Minha escolha foi mais sem graça: uma carne grelhada com molho de vinho do Porto. Muito boa, mas não tão deliciosa quanto o salmão.

O salmão com risoto de arroz negro, o prato campeão! Foto: Leonardo Aquino

Foto: Leonardo Aquino

De sobremesa, a Janaína foi de uma torta de pralinê com sorvete de creme. E eu, de crème brûlée. Nenhum dos dois foi inesquecível. Mas já estávamos bem satisfeitos com boa comida.

É bom fazer reserva para ir ao Bouchon des Cordeliers. Além de todos os contatos, o site do restaurante também tem o cardápio completo: http://www.bouchondescordeliers.com/

 

Les Halles de Lyon Paul Bocuse

É o mercado gastronômico da cidade. É batizado em homenagem a Paul Bocuse, o chef mais renomado de Lyon, que também é dono de várias brasseries na cidade. Pelos corredores de Les Halles, você vai encontrar um pouco de tudo. Queijos, vinhos, chocolates, carnes, peixes, frutos do mar… Tudo fresquinho e arrumado como se fossem vitrines de boutiques de shopping. Dá vontade de ter dois estômagos e recursos ilimitados para experimentar o máximo de coisas.

Foto: Leonardo Aquino

Há também vários restaurantes típicos. Para almoçar ou jantar, sempre há boas opções. Mas é bom consultar antes porque nem todos os locais têm o mesmo horário de funcionamento. O site do mercado é http://www.halles-de-lyon-paulbocuse.com/

Paul Bocuse homenageado num dos “murs paintés” de Lyon. Foto: Leonardo Aquino

Chez Les Gones

É um dos bouchons localizados em Les Halles de Lyon. Ele tem um balcão no piso térreo e um salão bem mais espaçoso no terraço. Também não possui o selo oficial dos bouchons, mas tem ótimos pratos típicos. Possui três tipos de menu. O Menu Bistrot (€ 19) tem entrada + prato principal ou queijo ou sobremesa. O Menu Des Gones (€ 23) tem entrada + prato principal + queijo ou sobremesa. O mais completo é o Menu Des Halles (€ 26,50), com entrada + prato principal + queijo + sobremesa.

Foto: Divulgação – Les Halles de Lyon

Só fiz o registro dos nossos pratos principais. A Janaína escolheu um tartare de carne. Muito bem servido e bem temperado! Eu fui numa das especialidades lyonnaises: a quenelle, uma espécie de bolinho de carne ou peixe. A carne ou peixe é processada e ligada com clara de ovo, nata, ovos ou manteiga e farinha. O sabor é o de uma massa recheada, como um ravióli. Mas com temperos bem típicos da França.

À direita, a famosa quennelle. Foto: Leonardo Aquino

O tartare de carne do Chez Les Gones. Foto: Leonardo Aquino

L’Un de Sens

Esse está mais para bistrô do que para bouchon. Ambiente sofisticado e atenção simples. Apenas dois funcionários (um na cozinha e outro no salão) e um menu bem enxuto. A opção de menu do dia é trazida num quadro escrito a giz pelo funcionário do salão. E há um ambiente bem interessante: a adega subterrânea, com jeito de caverna, onde você também pode sentar.

A cave do L’Un de Sens. Foto: Divulgação

Escolhi um prato que talvez seja mais nacional que regional: o magret de canard (peito de pato) assado, com uma redução de framboesa. Estava delicioso! A Janaína escolheu o prato do dia: um atum com molho de mariscos e legumes ao vapor. Disse que não estava tão bom assim. Não teve a mesma sorte…

O magret de canard do L’Un de Sens. Foto: Leonardo Aquino

Foto: Leonardo Aquino

Para ver o cardápio e outras informações sobre o L’Un De Sens, veja a página do restaurante no Facebook: https://www.facebook.com/Lundessens69/

 

Nord Sud Brasseries

Não chegamos a ir em nenhuma deles, mas vale o registro da dica. São os restaurantes mais “populares” do chef Paul Bocuse em Lyon. “Brasserie” é o nome dado a restaurantes com ambiente mais descontraídos (para os padrões franceses, claro). Os principais de Bocuse levam os nomes dos pontos cardeais, dependendo de onde ficam no mapa da cidade: Nord, Sud, Est e Ouest. Além disso, há outras quatro unidades, uma delas dentro do estádio do Olympique Lyonnais!

Brasserie des Lumières, dentro do estádio do Olympique Lyonnais! Foto: Divulgação


Cada uma das Brasseries Nord Sud tem seu cardápio específico dedicado a uma região da França. E todos têm cardápios de inverno e de verão. Então ir em épocas diferentes pode significar experiências completamente distintas. Todos os restaurantes oferecem menus fechados: € 23,10 para dois pratos e € 26,50 para três. O Juninho Pernambucano, quando deu suas dicas sobre Lyon, indicou a Brasserie L’Ouest, onde costumava ir quando morava na cidade.

Brasserie L’Ouest, a favorita de Juninho Pernambucano. Foto: Divulgação

Os endereços, cardápios e contatos para reservas de todas as brasseries do grupo estão no site: http://www.nordsudbrasseries.com/

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O que fazer em Lyon: atrações e passeios

Lyon é daquelas cidades que fazem você se sentir em casa com poucos dias de estadia. E mesmo não sendo tão grande quanto as capitais europeias, oferece um monte de…

Lyon é daquelas cidades que fazem você se sentir em casa com poucos dias de estadia. E mesmo não sendo tão grande quanto as capitais europeias, oferece um monte de atrações de todos os tipos. Passeios gratuitos, museus impressionantes e uma vida ao ar livre. Além, é claro, de uma gastronomia de primeira que vai merecer um post à parte.

Janaína e eu ficamos apenas três dias em Lyon na nossa viagem de fevereiro de 2017. Não conseguimos ir a algumas das grandes atrações (como o Musée des Confluences ou a Fête des Lumières, realizada sempre em dezembro). Mas tivemos dias intensos, em que deu tempo de vivenciar boas amostras da cidade. Enumero aqui alguns dos melhores lugares que visitamos.

 

Place Bellecour

Foto: Leonardo Aquino

É o principal ponto de encontro da cidade. Dentro da área dela, ficam alguns ícones da cidade: as estátuas do rei Luís XIV e do escritor lyonnais Antoine de Saint-Éxupery ao lado do seu Pequeno Príncipe, além de uma roda gigante. Ao redor da praça, estão cafés, restaurantes e várias ruas de comércio, além do escritório de turismo de Lyon.

Saindo da Bellecour para as direções leste e oeste, você encontra os dois rios que cortam a cidade: o Rhône e o Saône. Perto da praça, há vários pontos com belas vistas da cidade às margens desses rios.

Vista do rio Saône a poucos metros da Place Bellecour. Foto: Leonardo Aquino

Vieux Lyon

Foto: Leonardo Aquino

É o bairro mais antigo da cidade, situado no 5º arrondissement. Ele tem um traçado medieval, com ruas estreitas e construções muito bem preservadas. Não à toa, a região é considerada Patrimônio Mundial pela Unesco. O epicentro de Vieux Lyon é a catedral de Saint-Jean Baptiste. Ao redor dela, as ruelas são labirintos. Mas se perder por lá não é tão mau negócio assim: há vários bares, restaurantes, museus e belas vistas da cidade.

Em Vieux Lyon, uma particularidade arquitetônica é a presença dos traboules. Esse nome é dado a passagens que levam de uma rua a outra cruzando imóveis por dentro. Por mais que os traboules façam parte de casas particulares, eles são abertos ao público.

Foto: Leonardo Aquino

Um dos lugares mais legais de se visitar é o Musée de Miniatures et du Cinéma. Já falamos sobre ele no post sobre os museus dedicados ao cinema na Europa. Ele tem no acervo peças que levam a uma viagem pelos efeitos especiais: maquetes, figurinos, armas e muito mais. Além disso, tem dois andares dedicados às miniaturas de cenas do cotidiano.

Musée de Miniatures et du Cinéma. Foto: Leonardo Aquino

Colina da Fourvière

Foto: Leonardo Aquino

Com 120 metros de altura, é um dos lugares mais representativos da história de Lyon, principalmente no que se refere a fé. A primeira capela no alto da colina foi construída na Idade Média e destruída durante as Guerras Religiosas da França no século 16. Ao longo dos séculos seguintes, a colina foi destino de procissões por diversos motivos. Os lyonnaises subiam a Fourvière para pedir proteção contra pestes, epidemias e guerras.

Se antes a subida era feita a pé, hoje em dia não é preciso fazer tanto esforço. Um funicular leva passageiros até o topo numa viagem de menos de 2 minutos. A estação do bondinho fica junto à estação Vieux Lyon do metrô, na parte de baixo da colina. É preciso ter um bilhete do transporte público.

O bondinho que sobe a colina. Foto: Divulgação TCL

Hoje a colina tem como principal cartão postal a Basilique de Notre Dame de Fourvière. A igreja, que tem o status de basílica desde 1897, é mais do que um espaço de peregrinação. Também recebe concertos e conferências e tem uma torre com uma vista incrível de Lyon. A entrada na igreja é grátis. Mas para uma visita completa e guiada (incluindo a subida à torre), a tarifa é € 10. Para outras informações, acesse o site: http://www.fourviere.org/basilique/visites-guidees/visites-insolites-individuels/

Foto: Leonardo Aquino

Foto: Leonardo Aquino

Mesmo sem pagar pela visita guiada, é possível ter uma vista panorâmica da cidade. Ao lado da Basílica, há um mirante com o rio Saône e Lyon inteira aos pés.

A vista incomparável de Lyon do alto da colina da Fourvière. Foto: Leonardo Aquino

Musée Gallo-Romain

Outro lugar que você deve conhecer na Fourvière é o Musée Gallo-Romain. O museu possui uma coleção arqueológica do século 16 em diante: estátuas, moedas, cerâmicas e muito mais. Mas é na área externa que fica a atração mais estonteante: o Theâtre Antique de Fourvière. É um anfiteatro romano datado dos primeiros séculos depois de Cristo. Absurdamente bem preservado, ele tem capacidade para 10 mil pessoas. No verão, recebe a temporada de shows Les Nuits de Fourvière. Entre os artistas que se apresentaram nos últimos anos, estão nomes que vão de Elton John a The XX, de Radiohead a Patti Smith, de Sigur Rós a Burt Bacharach.

Theâtre Antique de Fourvière. Foto: Leonardo Aquino

Parc de la Tête D’Or

Foto: Leonardo Aquino

É onde o povo de Lyon espairece. Pistas bem calçadas recebem corredores e ciclistas. Áreas verdes viram locais de piqueniques. Entre as outras atrações, estão o jardim botânico, orquidários, zoológico e um velódromo. Além disso, o parque recebe eventos como espetáculos culturais e exposições.

 

Institut Lumière

Foto: Leonardo Aquino

Lyon tem uma parcela fundamental de responsabilidade na gênese do cinema. É a cidade onde nasceram os irmãos Louis e Auguste Lumière, os inventores do cinematógrafo. A casa onde a família Lumière viveu hoje abriga o Instituto que conta um pouco do início dessa história: os primeiros equipamentos, os primeiros filmes e os investimentos que os irmãos fizeram para popularizar a criação deles. Falamos do Institut Lumière no post sobre os museus de cinema.

 

 

Parc Olympique Lyonnais

Foto: Leonardo Aquino

O futebol também é um motivo de orgulho da cidade graças ao Olympique Lyonnais. O clube, que até bem pouco tempo atrás era uma equipe de meio de tabela na liga francesa, ganhou sete campeonatos nacionais seguidos entre 2002 e 2008. O heptacampeonato tem uma grande participação de brasileiros: Cris, Cláudio Caçapa, Fred e Michel Bastos, por exemplo. Mas nenhum é tão ídolo quanto Juninho Pernambucano, considerado o melhor jogador da história do clube.

Juninho é um dos ex-jogadores homenageados na esplanada do estádio. Foto: Leonardo Aquino

A época de grandes conquistas do Lyon foi vivida no estádio Gerland. Mas hoje o clube tem casa nova: o Stade des Lumières, parte integrante do Parc Olympique Lyonnais. A arena foi inaugurada em 2016, coincidindo com a Eurocopa realizada na França. Com capacidade para 59.286 pessoas, ela fica situada fora da cidade, no município de Décines-Charpieu. Em dias de jogos, há um esquema de transporte público que deixa o visitante numa estação de tram a poucos metros da esplanada do estádio.

Foto: Leonardo Aquino

Para acompanhar a agenda de eventos (jogos e shows), acesse o site do clube: http://www.olweb.fr/fr/club/agenda-316.html. Há visitas guiadas ao estádio, que vão de € 9 a € 100. Outras informações aqui: http://www.parc-ol.com/visite-stade/

 

Rue de la République

Foto: Leonardo Aquino

Para quem tiver um espaço na agenda em Lyon para compras, este é o lugar. É uma rua que tem uma parte de sua extensão fechada para carros. Ela reúne algumas das principais lojas que você encontraria em vários shoppings pelo mundo afora, como Levi’s, H&M, Fnac, Sephora…

Procurando bem, você acha alguns tesouros. A Janaína recomenda a Yves Rocher, que em Lyon tem preços muito mais baixos que os praticados no Brasil. Já eu curti muito uma loja chamada Nature et Découvertes, que tem artigos para viagem e de design. Outra dica: as ruas transversais à République também têm lojas bem legais.

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Lyon: como chegar e se deslocar pela cidade

Sou um cara fácil para se apaixonar por cidades. Basta não me tratarem mal por pelo menos 24 horas, ter dois ou três pratos típicos para descobrir e um par…

Sou um cara fácil para se apaixonar por cidades. Basta não me tratarem mal por pelo menos 24 horas, ter dois ou três pratos típicos para descobrir e um par de lugares para dar uma boa caminhada. Já é o suficiente para o mapa-múndi do meu coração ganhar uma nova capital. Mas com Lyon a paixão foi especial. A cidade me ofereceu um pacote de coisas que me deixaram um sentimento de pertencimento. Sabe quando você volta de um lugar desejando morar lá? Foi o que aconteceu comigo.

Janaína e eu passamos três dias em Lyon em fevereiro de 2017. Para ela, essa viagem tinha uma carga muito grande de memória afetiva. É que ela havia morado lá por um ano em 2006 para uma etapa do doutorado. Era a primeira vez que ela retornava depois disso. Para mim, era uma situação ganha-ganha: conhecer um lugar com um significado especial para a minha esposa e ainda adicionar uma cidade à minha coleção de viajante.

Janaína e eu na Place Bellecour, em Lyon

A vontade de conhecer Lyon aumentou quando entrevistei o Juninho Pernambucano sobre a cidade, para um post aqui do blog. Tudo o que ele falou confirmou o que a Janaína já tinha me dito: um lugar agradável, bom de viver, com uma gastronomia única e sem a muvuca de grandes destinos turísticos. Além disso, a cidade fica a poucas horas de trem de outros destinos que tínhamos pensado para as nossas férias, como Paris e Lyon.

Vou tentar fazer um breve guia de Lyon neste post e em outros dois: locomoção, atrações, gastronomia e etc. A ideia é facilitar a vida de quem já decidiu passar pela cidade ou seduzir quem ainda não cogitou conhecê-la. Espero que as dicas sirvam para todos!

 

Chegando a Lyon

Aeroporto de Lyon / Saint-Éxupery. Foto: Divulgação

As duas principais formas de chegar a Lyon são o avião e o trem. Se você voar até a cidade, vai desembarcar no Aeroporto de Saint-Exupéry, cujo nome homenageia o autor de “O Pequeno Príncipe”. O aeroporto fica um pouco afastado da cidade, a cerca de 30 km do centro. Caso você queira economizar o dinheiro do táxi, existe uma forma rápida, barata e segura para sair de lá: o trem Rhônexpress. A viagem até a estação Part-Dieu, no centro da cidade, leva cerca de 30 minutos.

Os primeiros trens saem às 4h25 da madrugada e os últimos, à meia-noite. Das 6h às 21h, eles saem a cada 15 minutos. Os bilhetes podem ser adquiridos na hora, mas a compra antecipada pela internet dá descontos. Adultos acima de 25 anos pagam € 14,70 na compra online (o preço no guichê é € 15,70). Quem tem entre 12 e 24 anos paga € 13,20. E crianças de até 12 anos não pagam.

Existem preços promocionais para compra de bilhetes de ida e volta. E para quem quer ir ao aeroporto, há também outras duas saídas: as estações Vaulx-en-Velin e Meyzieu. As informações completas você confere no site https://www.rhonexpress.fr

Chegando de trem

Mas como estamos falando de uma grande cidade europeia, são enormes as chances de você chegar a Lyon de trem. E se você vem de outro país ou mesmo de uma outra grande cidade francesa, é 99% certo que você desembarcará na estação Part-Dieu. Ela é uma espécie de confluência dos principais meios de transporte na cidade. Ela tem uma estação de trens intermunicipais e interestaduais, uma estação de metrô e várias paradas do tram (o bondinho elétrico).

Gare de Lyon – Part-Dieu. Foto: Divulgação

Chegamos a Lyon vindos de Paris, numa viagem de trem que leva pouco mais de 2 horas. De Lyon, fomos para Turim, que fica no meio do caminho até Milão. A viagem levou 3h50. Para comprar passagens de trem pela Europa, recomendo o site Rail Europe, que tem versão em português e funciona como um agregador das principais companhias ferroviárias do continente.

 

Transporte público

Tram de Lyon. Foto: Divulgação TCL

É um dos pontos fortes de Lyon. A cidade não é tão extensa como Paris e o mapa do transporte público não é tão povoado quanto o de Londres. Mesmo assim, você pode ir para praticamente qualquer lugar de metrô, tram ou ônibus. E todos são confortáveis e pontuais.

O primeiro passo para andar por aí em Lyon é procurar as máquinas de autoatendimento da TCL (Transports em Commun Lyonnais), a autarquia oficial do transporte público. Os bilhetes vendidos nas máquinas self-service servem para todos os modais: metrô, ônibus e tram. Elas têm opções de vários idiomas na tela (mas nada de português não) e vendem no cartão de crédito.

Máquinas como esta vendem os bilhetes do transporte. Foto: Leonardo Aquino

O bilhete unitário custa € 1,80. Mas o melhor custo-benefício está nos bilhetes diários de uso ilimitado. Eles custam € 5,60 para 24 horas, € 11 para 48h e € 15 para 72h. São bilhetes pequenos, como os unitários do metrô de São Paulo. Guarde com cuidado, longe do seu celular e de outros aparelhos que possam desmagnetizá-lo.

As máquinas estão disponíveis em todas as estações de metrô e em algumas de ônibus e tram. O site da TCL possui planejador de viagens, mapa das linhas e as tarifas completas: http://www.tcl.fr

 

 

Onde se hospedar

A região da Rue de la République, no 1º arrondissement, é um ótimo lugar para se hospedar. Foto: Leonardo Aquino

Assim como Paris, Lyon também é dividida em arrondissements (distritos, numa tradução livre). Quanto menor o número, mais perto ele é do centro da cidade. Há alguns bairros mais distantes que são bonitos e tranquilos, mas para uma primeira visita à cidade, não deixe de procurar a localização mais cêntrica. No 1º arrondissement, a região da prefeitura (Hôtel de Ville) é muito bem servida de atrações e transporte. No 2º, conhecido como Presqu’île (Quase Ilha, numa tradução livre), você também terá muita coisa para fazer e ver, além da facilidade de locomoção.

Janaína e eu nos hospedamos em um apartamento do Airbnb na Rue du Garêt, 1º arrondissement, a poucos metros da estação Hôtel de Ville do metrô e muito perto de vários pontos de ônibus. Além de ser uma rua cheia de bares, restaurantes e bouchons (que você vai conhecer melhor no post sobre gastronomia), fica a uma quadra da Rue de la République, um dos principais centros comerciais da cidade.

*** todos os preços citados neste post foram apurados em fevereiro de 2017. Para consultar se ainda são os mesmos, recomendamos que você consulte os sites listados ao longo do artigo.

 

Vamos continuar falando de Lyon em outros dois posts:

O que fazer em Lyon, com dicas de passeios e atrações da cidade

Lyon: uma cidade que vai te ganhar pelo estômago, com as dicas gastronômicas

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Quatro museus para os fãs de cinema na Europa

Quem acompanha o Mochileza sabe que este blog é um grande fã de cinema. Já recomendamos uma lista de filmes para inspirar viagens e sempre procuramos referências cinematográficas nos nossos…

Quem acompanha o Mochileza sabe que este blog é um grande fã de cinema. Já recomendamos uma lista de filmes para inspirar viagens e sempre procuramos referências cinematográficas nos nossos roteiros (como a de “Abraços Partidos”, de Almodóvar, em Lanzarote, na Espanha). Dessa vez, resolvemos fazer uma compilação de destinos para quem quer se aprofundar ainda mais: museus dedicados ao cinema.

A Europa foi berço de vários movimentos cinematográficos em diversas épocas. O expressionismo alemão nos anos 1920. A nouvelle vague francesa nos anos 1960. O Dogma 95 na Dinamarca no fim do século 20. Não à toa, grande parte das coleções representativas para a história do cinema estão no velho continente. E, para a sorte dos amantes da sétima arte, muitos desses acervos estão abertos ao público.

Na viagem que fizemos à Europa em fevereiro de 2017, tivemos a oportunidade de conhecer quatro destes museus. Três na França (um em Paris e dois em Lyon) e um na Itália (em Turim). Cada um tem atrativos e perfis diferentes. Mas quem vibra com um bom filme vai se sentir contemplado por todos. Esperamos que você se inspire com nossas dicas!

Cinémathèque Française (Paris)

Foto: Divulgação

Paris é uma cidade intimamente ligada ao cinema. Foi o berço de cineastas lendários, de movimentos cinematográficos e cenário de filmes ao longo de várias décadas. Não é à toa que uma das coleções mais importantes da sétima arte em todo o mundo esteja na cidade. A Cinemateca Francesa merece uma série de visitas, tanto para apreciar o acervo quanto para acompanhar a movimentada programação.

O carro-chefe da Cinemateca é a biblioteca. São 23.500 trabalhos, 12 mil filmes em DVD, blu-ray e VHS, 23 mil cartazes e 14.500 desenhos. Isso sem falar nas fotografias, artigos de jornais, resenhas e materiais publicitários. Todo o acervo pode ser consultado online (basta acessar a ferramenta Ciné Ressources).

Foto: Divulgação

A coleção do museu não é tão extensa, mas é apaixonante. São 600 objetos expostos, entre peças de figurino, cenografia, esboços e máquinas da pré-história do cinema. Lanternas mágicas e outros avôs do cinematógrafo originais dos anos 1700 dividem espaço com itens mais recentes. Lá estão réplicas do robô do filme “Metrópolis”, de Fritz Lang, e desenhos do mestre russo Sergei Eisenstein. Isso sem falar nas exposições temporárias. Quando visitamos o museu, em fevereiro de 2017, estava em cartaz uma exposição sobre o cinema japonês.

Foto: Leonardo Aquino

Além disso, as salas da Cinemateca sempre recebem mostras temáticas. Retrospectivas de atores e diretores, filmes de um determinado país ou de uma determinada época estão entre as atrações. A programação está sempre disponível online ou em livretos distribuídos gratuitamente na recepção (que servem como ótimos souvenirs).

Para terminar, a Cinemateca ainda tem uma lojinha incrível. São centenas de filmes (alguns bem raros), livros e itens colecionáveis. Apenas tome cuidado para não levar DVDs ou blu-rays que não rodem na região do seu aparelho.

Serviço

A Cinemateca abre a semana inteira, mas é fechada às terças-feiras. Os ingressos custam 3,50 euros (biblioteca), 5 euros (museu) e 6,50 euros (cinema). Para aqueles que vão passar um longo tempo em Paris e pretendem fazer várias visitas, há passes mensais. Informações completas no site: http://www.cinematheque.fr

 

Institute Lumière (Lyon)

Foto: Leonardo Aquino

O cinema como o conhecemos hoje surgiu em Lyon. Foi lá que nasceram os irmãos Auguste e Louis Lumière, inventores do cinematógrafo e responsáveis pela primeira exibição pública de filmes com ingressos pagos, em 1895. A casa onde eles passaram grande parte da vida recebe hoje o Institut Lumière, que fomenta a sétima arte e coloca em exibição objetos que ajudam a contar o início da história do cinema.

O local onde o instituto está situado se chama “Rua do Primeiro Filme”, em homenagem à invenção dos irmãos. A casa, muito bem conservada, tem na sua coleção permanente inúmeros objetos. Protótipos de cinematógrafos, lanternas mágicas e muitas outras máquinas que ajudaram a desenvolver o cinema enquanto arte.

Foto: Leonardo Aquino

O acervo também mostra que os Lumière, além de artistas, tinham um tino comercial. Durante muito tempo, eles patentearam e venderam equipamentos como câmeras e filmes. Além disso, os irmãos treinavam operadores de câmera para viajar pelo mundo e registrar imagens que hoje se tornaram históricas. África, Ásia e América eram alguns dos destinos dos cinegrafistas em épocas que viagens entre continentes só podiam ser feitas de navio.

O Institut Lumière também possui várias salas de cinema em Lyon. Elas exibem mostras temáticas, retrospectivas e filmes fora do circuito comercial. Na sede do instituto, há uma loja onde é possível comprar souvenirs dessas mostras (como cartazes e livros).

Um souvenir obrigatório

Quem quer estudar o cinema mais a fundo pode encontrar lá um item precioso. O filme “Lumière! L’Aventure Commence” reúne pela primeira vez em DVD e blu-ray os primeiros filmes realizados pelos irmãos. Antes do cinema se estabelecer como arte, os Lumière filmavam cenas do cotidiano como a saída de um trem da estação e pessoas andando pelo centro de uma cidade. Os filmes foram restaurados e têm a opção de áudio com comentários.

Além do museu e da loja, o Instituto também tem uma biblioteca com uma coleção de livros, periódicos, trabalhos e filmes.

Fora do Instituto, o Muro dos Cineastas relembra os homenageados pela instituição ao longo dos anos. Foto: Leonardo Aquino

Serviço

O museu do Institut Lumière funciona de terça a domingo, das 10h às 18h30. Os ingressos para adultos custam 7 euros. A biblioteca abre de terça a sexta, das 14h às 18h30 e tem ingressos a 3 euros. Para informações sobre a programação dos cinemas e de outras realizações do Instituto, acesse o site: http://www.institut-lumiere.org

 

Musée des Miniatures et du Cinéma (Lyon)

Foto: Leonardo Aquino

Este museu é uma programação imperdível para quem viaja com crianças. Ele fica num casarão antigo em pleno Vieux Lyon, bairro histórico da cidade que é considerado Patrimônio Mundial pela Unesco. Um dos atrativos é a coleção dedicada aos efeitos especiais do cinema. Outro é o acervo de cenas recriadas em miniatura, muitas delas criadas pelo próprio idealizador do museu, o artista Dan Ohlmann.

A primeira parte da visita começa com a reprodução de um set de filmagem. O casarão que hoje abriga o museu já recebeu a locação do filme “Perfume: A História de um Assassino” (2006). Alguns dos cenários e figurinos originais estão impecavelmente preservados.

Em seguida, o museu mostra uma coleção única na Europa de 400 itens como maquetes, fantasias, máscaras e objetos de cena. Todos eles ilustram a magia dos efeitos especiais. O domo do Capitólio dos Estados Unidos, que explode em “Independence Day”, está lá. Assim como a máscara usada por Robin Williams em “Uma Babá Quase Perfeita”, fantasias de filmes como “X-Men” e “O Quarteto Fantástico” e armas futuristas e realistas.

Mrs. Doubtfire, quem esquece? Foto: Leonardo Aquino

A visita termina com a coleção de miniaturas. São 100 peças hiperrealistas que reproduzem cenas do cotidiano numa escala de 1/12. Restaurantes finos, um pavilhão de penitenciária, museus, teatros, bibliotecas e salas de aula estão entre os ambientes reproduzidos. A maioria é obra de Ohlmann, o criador do museu (que eventualmente está por lá batendo papo com os visitantes). Mas há algumas miniaturas elaboradas por artistas convidados.

Foto: Leonardo Aquino

Um aviso: esteja preparado para subir várias escadas, já que o museu tem cinco andares e fica num casarão antigo. O elevador está disponível apenas para portadores de necessidades especiais.

Serviço

O museu está aberto o ano inteiro, exceto 25 de dezembro e 1º de janeiro. De segunda a sexta, das 10h às 18h30. Sábados e domingos, das 10h às 19h. O ingresso inteiro para adultos custa 9 euros. Outras informações no site – http://www.museeminiatureetcinema.fr

 

Museo Nazionale del Cinema (Turim)

Foto: Giulio Lapone

Turim não é apenas a cidade-sede da Juventus, um dos clubes gigantes do futebol italiano. É também uma espécie de capital do cinema no país. E tem no Museu Nacional do Cinema uma atração imperdível. Primeiro, obviamente, pela coleção e pela raridade de alguns itens expostos. Por último, mas não menos importante, pela localização. O Museu fica dentro da Mole Antonelliana, uma torre que fica no centro de Turim e é o principal cartão-postal da cidade.

Mole Antonelliana: você vai vê-la muito se for a Turim. Foto: Leonardo Aquino

A coleção começou a ser formada nos anos 1940 e já esteve exposta em vários endereços. A Mole virou a casa do museu em 2000, depois de uma grande revitalização arquitetônica. São quatro andares de exposições. Entre os objetos mais raros, estão um roteiro de “Psicose” doado pelo próprio Alfred Hitchcock, um dos figurinos usados por Peter O’Toole em “Lawrence da Arábia” e storyboards de “O Império Contra-Ataca”, da saga “Star Wars”.

Passo a passo no museu

Como a Itália tem um papel fundamental na história da sétima arte, o cinema local também está bem representado. No segundo andar, várias salas são dedicadas a gêneros como animação, musicais e ficção científica, entre outros. Mas duas delas prestigiam o orgulho nacional. Uma é dedicada a “Cabíria”, uma obra-prima dos filmes mudos italianos e outra à importância da cidade de Turim no cinema do país.

Foto: Divulgação

Nos andares seguintes, os visitantes podem conferir alas sobre diversos pontos da cadeia produtiva do cinema: roteiro, figurino, direção e produção, entre outros. Há também um tributo a uma famosa produtora italiana de cinema, a Titanus. O último andar é dedicado a uma galeria de pôsteres. É possível subir ainda mais, já que a Mole Antonelliana tem um elevador até a cúpula, de onde se tem uma vista panorâmica de grande parte de Turim. É possível comprar ingressos só para o museu ou só para o elevador. Mas comprando os dois juntos, tem desconto.

Foto: Divulgação

Além das exibições permanentes e temporárias, o Museo Nazionale del Cinema de Turim realiza festivais. O mais famoso deles é o Torino Film Festival, que em 2017 terá a 35ª edição. Em épocas regulares, o museu exibe filmes num multiplex de rua bem próximo da Mole Antonelliana: o Cine Massimo.

O site do museu tem uma espécie de visita virtual que pode servir como aperitivo: http://www.museocinema.it/vertical_dreams_en/index.php

Serviço:

O museu fecha apenas às terças-feiras. De domingo a sexta, ele funciona das 9h às 20h. Aos sábados, das 9h às 23h. O horário é o mesmo para o elevador panorâmico. O ingresso para o museu custa 10 euros (adultos). Para o elevador, o preço é 7 euros (adultos). Comprando os dois juntos, a casadinha sai por 14 euros (adultos). Outras informações no site: http://www.museocinema.it

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As dicas de Juninho Pernambucano para conhecer Lyon

Se tem um brasileiro que é reverenciado em Lyon, é Juninho Pernambucano. Quando era jogador de futebol, passou oito temporadas na cidade francesa. Ajudou a levar um clube que nunca…

Se tem um brasileiro que é reverenciado em Lyon, é Juninho Pernambucano. Quando era jogador de futebol, passou oito temporadas na cidade francesa. Ajudou a levar um clube que nunca havia sido campeão (o Olympique Lyonnais) a ganhar sete títulos nacionais consecutivos. Virou bandeira no estádio, ganhou música da torcida e conheço até gente que ganhou cortesia num restaurante de lá porque era nascido na mesma cidade de Juninho.

Isso não é pouca coisa. Primeiro pelo fato de que não são muitos os jogadores com uma carreira tão longeva e tão vitoriosa num único clube. Segundo porque Lyon não é qualquer cidade. É a terceira mais populosa da França e uma referência internacional em gastronomia. Tudo isso faz com que Juninho seja um baita personagem para conversar sobre turismo.

Juninho nasceu em Pernambuco, começou a carreira no Sport em 1993 e em 1995 se transferiu para o Vasco. No time carioca, passou cinco anos e meio. Conquistou dois títulos brasileiros e uma Libertadores antes de ser contratado pelo Lyon (como abreviamos o nome do Olympique Lyonnais no Brasil) em 2001. Recife e Rio de Janeiro. Duas cidades litorâneas, muito populosas e onde é praticamente verão o ano inteiro. Com esse histórico, morar numa cidade menor, com temperaturas bem mais rigorosas, poderia ser um desafio para qualquer um. Mas não foi para Juninho.

 

Juninho em sua despedida do Lyon em 2009. Foto: Site Oficial Olympique Lyonnais

A obrigação de se adaptar à cidade é daquele que está chegando. E eu cheguei a Lyon muito concentrado em jogar futebol. Meu único problema na chegada era que eu já tinha uma filha e a minha esposa estava grávida da segunda. Ela chegou lá com quase sete meses de gravidez. Dois meses depois, a minha segunda filha já nasceu em Lyon. Então foi mais uma questão de adaptação da família, de arrumar médico, casa, decidir o hospital em que ela ia nascer, tudo isso foi um pouco mais complicado”, conta o hoje comentarista da TV Globo.

A rotina de jogador de futebol no meio da temporada não oferece muitas folgas. Além dos treinos, são muitas viagens (mas daquelas em que não se consegue aproveitar nada). Mesmo com pouco tempo livre, Juninho conseguia curtir Lyon. “Eu gostava muito de ir para o centro de Lyon, que tem uma rua só de restaurantes. Também tem a Place Bellecour, que é um passeio super agradável. Como eu sempre recebia muita gente, sempre levava as visitas para conhecer os pontos turísticos”, relembra.

A roda gigante e a estátua de Luís XIV na Place Bellecour. Foto: prochasson frederic/Shutterstock

Segundo Juninho, Lyon também tem outro ponto positivo para os viajantes levarem em consideração. A geografia permite combinar a visita à cidade com outros destinos incríveis. “Lyon está muito próxima da Suíça, da Itália, da Espanha, da montanha, da praia. Lyon tem essa facilidade. Em duas horas você está numa bela estação de esqui. Foi lá que conheci a neve pela primeira vez, um momento muito marcante”, conta Juninho, se referindo à estação de Chamonix. Além disso, há trens rápidos para cidades como Paris, Marseille e Milão.

Se você está planejando uma ida à França em breve e considera colocar Lyon no roteiro, anote aí as dicas de Juninho! Ele é um dos melhores cicerones que você pode ter em Lyon.


Parc de la Tête D’Or


Fica ao norte da cidade e é o maior parque urbano da França, com 117 hectares. Abriga jardim botânico, zoológico e diversas atrações como pedalinhos e um carrossel do século 19. Para Juninho Pernambucano, o Parc de la Tête D’Or era o passeio preferido para se fazer com crianças em Lyon. “Ele é muito lindo, tem animais, espaço para piqueniques e muito verde. Principalmente no verão é muito bacana correr e andar de bicicleta”, conta.

Para informações e horários de cada espaço do parque, confira o site: http://www.loisirs-parcdelatetedor.com/

 

Gastronomia – as brasseries de Paul Bocuse

Foto: Twitter Brasseries Bocuse

Se Lyon é uma das cidades mais bem cotadas no mapa múndi da boa mesa, muito se deve a Paul Bocuse. Aos 90 anos de idade, ele é um dos chefs mais renomados do planeta. Foi um dos criadores da nouvelle cuisine e dá nome a um instituto que é uma das melhores escolas da gastronomia mundial. Além disso, um de seus restaurantes, o L’Auberge, que fica nos arredores de Lyon, tem um recorde imbatível. Possui três estrelas Michelin desde 1965!

Quando morou em Lyon, Juninho Pernambucano aproveitou bastante a gastronomia da cidade. “Em Lyon você pode ir para praticamente todos os lugares que você vai comer muito bem. Mas eu indicaria um restaurante do Bocuse chamado L’Ouest. É bem bacana, você vê a cozinha aberta. Não é um restaurante dos mais caros, tem outros mais chiques”, conta.

Paul Bocuse cercado por Juninho e a esposa Renata

O L’Ouest faz parte de um grupo de restaurantes de Bocuse chamados brasseries. Eles são mais descontraídos e que servem pratos mais simples e acessíveis que os da alta gastronomia. Algumas das brasseries tem o nome de um ponto cardeal relativo à zona da cidade onde se localiza. E cada uma delas é especializada na cozinha de uma região diferente da França. A do oeste, indicada por Juninho, traz no menu a culinária das ilhas francesas.


Brasserie D’Ouest
Endereço: 1 Quai du Commerce, 69009 Lyon
Horário: de 12h15 às 14h e de 19h30 às 23h (23h30 às sextas e sábados)
Site: http://www.nordsudbrasseries.com/

 

A arquitetura de Vieux Lyon

Foto: Dennis Jarvis – Wikimedia Commons

O distrito mais antigo da cidade tem referências renascentistas e medievais em seus prédios e fachadas. O charme também está nas ruas estreitas, becos e “traboules”, as passagens entre uma rua e outra por dentro das edificações. Além disso, o bairro está numa subida. No ponto mais alto, está a colina onde fica a Basílica Notre Dame de Fourvière. Para Juninho Pernambucano, fazer este percurso tem um sabor especial.

“Quando eu voltava dos jogos com minha família, a gente subia a colina da Fourvière. Vale muito a pena subir, você vê a cidade inteira”, relembra.

 

A vista do alto da colina da Fourvière. Foto: prochasson frederic/Shutterstock

Além da vista da cidade, em Vieux Lyon há muito o que visitar. Fora a Basílica de Fourvière, há as catedrais de Saint-Jean Baptiste e Saint-Jean Tresor. Se conhecer igrejas não é a sua liga, você pode ir ao Museu da Miniatura e do Cinema. A coleção tem reproduções hiper-realistas de cenas do cotidiano em miniatura, além de objetos que revelam a magia dos efeitos especiais da sétima arte. Outra opção é perambular sem mapa e descobrir aleatoriamente os bouchons (restaurantes típicos de Lyon) do bairro.

Musée Miniature et Cinema
Endereço: 60 Rue Saint-Jean, 69005 Lyon
Site: museeminiatureetcinema.fr
Horário: 10h às 18h30 (de segunda a sexta) e 10h às 19h (sábado e domingo)

Basílica Notre Dame de Fourvière
Endereço: 8 Place de Fourvière, 69005 Lyon
Site: fourviere.org
Horários: 7h às 19h (acesso ao interior da Basílica), 7h às 21h30 (acesso aos portões da esplanada)

Cathédrale Saint-Jean Baptiste
Endereço: Place Saint-Jean, 69005 Lyon
Site: cathedrale-lyon.cef.fr

 

Gerland, o estádio que virou história

Foto: Site Oficial/Olympique Lyonnais

Perguntei a Juninho qual era o principal cartão postal de Lyon para ele. O craque não titubeou em responder: o Estádio Gerland. “É onde tive maior crescimento profissional, onde vivi grandes momentos. Fui o primeiro jogador da história do clube que teve uma música especial”, relembra orgulhoso. O Lyon se mudou em 2016 para o novíssimo Stade des Lumières, numa área mais distante do centro da cidade. Mas o legado de Gerland é quase centenário.

O estádio foi idealizado em 1910, mas só foi inaugurado em 1926 porque a Primeira Guerra Mundial atrasou a obra. Em mais de 90 anos de história, Gerland abrigou jogos da Eurocopa de 1984, da Copa do Mundo de 1998, a Copa das Confederações de 2003 e o Mundial de Rugby de 2007. De 1950 a 2016, foi a casa do Olympique Lyonnais, tendo, portanto, sido palco do momento mais vitorioso da história do clube.

Quem quiser ver os jogos do Lyon hoje, tem que se dirigir ao novo estádio, que fica dentro do Parc Olympique Lyonnais. Ele foi construído na cidade vizinha de Décines-Charpieu e foi um dos estádios mais caros da Euro 2016: 415 milhões de euros. O estádio também está aberto a visitas, que custam a partir de 9 euros.

O novo estádio de Lyon. Foto: UEFA

Stade Gerland
Endereço: 353 Avenue Jean Jaurès, 69007 Lyon

Parc Olympique Lyonnais
Endereço: 10 Avenue Simone Veil, 69150 Décines-Charpieu
Site: http://www.parc-ol.com/

O espetáculo da Fête Des Lumières

Foto: Only Lyon

Um ritual tradicional que virou um grande evento urbano. Assim pode ser definida a Fête des Lumières, ou o Festival das Luzes de Lyon. Ela é realizada anualmente no início de dezembro e fez parte da vida de Juninho Pernambucano nos anos em que viveu na França. “Todo 8 de dezembro a cidade fica toda iluminada. É inverno, está frio, mas todo mundo vai para a rua e todos iluminam suas casas”, relembra.

A tradição começou em 1852, quando uma estátua da Virgem Maria seria inaugurada na colina da Fourvière. O evento acabou cancelado por causa da cheia do rio Saône, que banha Lyon. A festa foi transferida para o dia 8 de dezembro daquele ano, mas quase foi suspensa por causa de uma tempestade. Mas, à noite, quando o tempo melhorou, os moradores foram saindo de suas casas com velas e lanternas nas mãos.

O que tinha uma origem puramente religiosa ganhou um status de evento artístico nos últimos anos. Além das luzes nas portas das casas, Lyon recebe intervenções urbanas durante a Fête Des Lumières. Os pontos turísticos da cidade viram telas para projeções digitais videográficas, videomappings e outras técnicas.

 

Site: http://www.fetedeslumieres.lyon.fr

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