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Categoria: EUA

De Miami a New Orleans: uma road trip à americana

Mais importante que o destino é a jornada. Não sei exatamente em que o inventor deste ditado popular estava pensando no momento da criação. Mas a frase serve para uma…

Mais importante que o destino é a jornada. Não sei exatamente em que o inventor deste ditado popular estava pensando no momento da criação. Mas a frase serve para uma infinidade de coisas, entre elas as viagens de carro. Muito mais que uma viagem de avião, uma road trip tem espaço quase infinito para o imponderável, no bom e no mau sentido. Assim como uma pane mecânica pode melar suas férias inteiras, a descoberta de uma nova atração no meio do caminho pode redesenhar o seu roteiro.

Aqui na região nordeste do Brasil, a road trip é um hábito muito comum. Isso porque há destinos pulverizados pelo mapa. Num raio de 400 quilômetros saindo do Recife, é possível alcançar a Paraíba inteira, o litoral sul do Rio Grande do Norte, o litoral norte de Alagoas e muito mais. Isso sem falar nas cidades do interior desses estados: Caruaru, Gravatá, Campina Grande, entre outras. Quem tiver disposição, pode escolher um destino diferente para cada feriado prolongado no ano.

No exterior, esse tipo de viagem ganha outras nuances. As paisagens podem ter relevo ou vegetação inexistentes no Brasil. As estradas, dependendo do país, são bem melhores que as nossas. Além disso, ler mapas e sinalizações é um exercício tremendo para o cérebro.

Todo este preâmbulo é para apresentar mais um post convidado aqui no blog. Desta vez quem chega por aqui é o André Orengel, advogado de Belém e um amigo com quem troco ideias sobre viagem há muitos anos. Ele já fez várias viagens de carro pelos Estados Unidos e topou escrever sobre a road trip mais recente que fez: de Miami a New Orleans. Convido vocês a embarcar pela viagem do André!

André Orengel numa das paradas de sua road trip

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Os americanos adoram longas viagens de carro. Os motivos para isso passam a ser evidentes uma vez que você desbrava as estradas por lá. Primeiramente, é um tipo de viagem mais econômico para as famílias, substituindo as passagens de avião por gasolina (que é barata nos EUA). O segundo ponto é algo que o brasileiro entenderá de imediato: as estradas são ótimas, sem buracos, bem sinalizadas e com pistas amplas. E, em terceiro lugar, vários trajetos apresentam uma infinidade de atrações, que atendem a todos os gostos.

Neste artigo sugiro uma road trip de Miami a New Orleans, em sete dias. O roteiro é baseado em viagens feitas por mim nos últimos dois anos. Entre as atrações, estão paisagens paradisíacas, praias, pântanos, cidades históricas, museus dos mais variados e muito mais. Mas a rota não é totalmente fechada. Você pode adicionar pelo menos três dias para conhecer as vibrantes cidades de New Orleans e Miami (ao final). Além disso, há ainda a possibilidade de esticar um pouco para aproveitar os sempre divertidos parques temáticos de Orlando.

O mapa da sua road trip

A Chegada

Se você chegar aos Estados Unidos pelo Aeroporto Internacional de Miami, você pode alugar seu carro lá mesmo. Veja aqui uma lista com as locadoras disponíveis. Mas não comece sua road trip logo de cara. Aproveite o dia de chegada para descansar, hospedando-se em algum hotel localizado na cidade de Homestead, ao sul de Miami. Isso porque o seu primeiro destino é o arquipélago mais ao sul ligado aos Estados Unidos continental: as Florida Keys. Se você curte hambúrguer, pare no caminho no Shake Shack de Coral Gables (1450 South Dixie Highway, 33146) e delicie o famoso Shack Stack.

 

1o Dia – Florida Keys

Inicie sua road trip com uma parada no Robert Is Here (19200 SW 344th St, Homestead, FL 33034), uma enorme fazenda com venda de frutas, para comprar smoothies e lanches para a viagem. Depois, siga em direção à Key West, a última ilha habitada das Florida Keys, localizada a cerca de 145km de Cuba. O caminho é por uma estrada que tem 42 pontes (a maior com mais de 11km de extensão). Para encher os olhos, há belas paisagens do Oceano Atlântico de um lado e do Golfo do México do outro.

Sua segunda parada será na ilha de Key Largo, no John Pennekamp Coral Reef State Park (102601 Overseas Hwy, 33037). É o primeiro parque marinho dos Estados Unidos e o melhor lugar para mergulhar ou fazer snorkel na região. Se você curte esportes aquáticos, aproveite a oportunidade e marque um tour com antecedência. Caso não embarque em um passeio aquático, entre no centro de visitantes para aprender sobre o ecossistema dos corais da região.

A seguir, pare no Robbie’s Marina (77522 Overseas Hwy, Islamorada, FL 33036). Mais do que apenas um píer, este local conta com uma feirinha de artesanato típico das Keys. Além disso, você pode comprar um balde de comida para alimentar tarpons. São enormes peixes que se aglomeram no trapiche e até saltam da água para abocanhar os lanchinhos oferecidos pelos turistas.

Robbie's Marina, Florida, USA

As lembrancinhas que você pode comprar na Robbie’s Marina. Foto: André Orengel

Uma sugestão para almoçar é o Sparky’s Landing (400 Sadowski Causeway Key Colony Beach, FL 33051). O restaurante tem uma linda vista, ambiente descontraído e ótima comida. Funciona direto das 11h às 22h.

Hora da praia

Depois do almoço, relaxe em uma das praias mais bonitas da Florida Keys. Com uma pequena faixa de areia, a Bahia Honda Beach conta com uma vista da história ponte ferroviária Henry Flagler, instalações para piquenique e uma loja de conveniência com lanchonete.

Road trip, Bahia Honda Beach, Florida, USA

A Bahia Honda Beach. Foto: André Orengel

Despeça-se da praia antes das 16h, pois ainda há cerca de 1h30 de viagem até você alcançar Key West. Chegando na ilha, sugiro que vá diretamente ao hotel para fazer o seu check-in e descansar da road trip. Saia do hotel por volta das 19h e vá à mais famosa rua da cidade: a movimentada Duval Street, com diversos bares, restaurantes, sorveterias, lojas de souvenir, galerias entre outros. Para jantar, uma boa opção é o Nine One Five (915 Duval St), que serve excelente e criativa comida contemporânea (o “absurdly addictive aspargus” e o “Wild Salmon” são deliciosos).

Para encerrar o dia, aprenda um pouco sobre os mistérios que envolvem esta ilha no Key West’s Ghosts and Mysteries Tour (das 21h às 21h30). O passeio conta várias histórias macabras sobre mortes e assombrações ocorridas na cidade. Faça a sua reserva com antecedência pelo site da empresa.

 

2o Dia – Museus em Key West

 Comece o dia com o tradicional brunch no disputado Blue Heaven (729 Thomas St, Key West, FL 33040). Saboreie panquecas, omeletes, banana bread, torradas e outras delícias constantes de seu extenso cardápio. A alimentação tem que ser reforçada, porque não almoçar faz parte do plano.

Após, vá para a Ernest Hemingway’s Home (907 Whitehead St, Key West, FL 33040), uma das mais populares atrações turísticas da ilha. Lá, você vai conhecer várias histórias pessoais deste importante personagem da cultura americana em um instrutivo tour por uma de suas residências. Entre elas, a do “último penny”, entregue pelo escritor para a sua segunda esposa (Pauline Pfeiffer) em uma discussão sobre a construção de uma caríssima piscina.

Road trip, Ernest Hemingway Home, Key West, USA

Um dos cômodos da casa de Ernest Hemingway. Foto: André Orengel

Ao sair, continue pela  Whitehead St. (no sentido decrescente da numeração), o nome dado à rodovia US1 neste trecho. Esta estrada é datada da década de 1920 e, com 3.846 km de extensão, cruza a costa leste dos EUA de sul a norte, ligando a cidade de Key West (Flórida) a Fort Kent (Maine), na fronteira com o Canadá. É o suficiente para fazer dela a estrada mais extensa dos EUA nesta direção. Você então passará pelo marco zero desta icônica rota, marcando o seu início (de um lado da rua) e o seu fim (do outro).

Marco zero da rodovia US1. Foto: André Orengel

Um pouco mais de história

Passando duas ruas do marco zero, dobre na Caroline St. e se dirija à Truman Little White House, assim chamada em razão das frequentes visitas do ex-presidente Harry S. Truman (1945-1953) ao local. Atualmente, a casa se trata de um museu que conta, por meio de um tour guiado, a interessante história do imóvel enquanto foi utilizado por Truman e outros presidentes americanos.

Truman Little White House. Foto: André Orengel

Depois de conhecer a casa, retorne à Whitehead St. e continue andando no mesmo sentido, até chegar à Audubon House & Tropical Gardens. Entre nesta casa construída pelo Capitão John Huling Geiger nos anos 1840 no intuito de servir de residência de sua família (que viveu no local por mais de um século). A visita revela como a vida em Key West já foi um dia, expondo em seu interior a história da casa em si e de seus moradores. Este museu também conta com um aposento dedicado ao naturalista John James Audubon, que supostamente haveria visitado a casa quando em Key West realizando os desenhos e estudos exibidos em seu célebre As Aves da América.

Neste ponto, quando estive em Key West, interrompi o passeio para retornar ao hotel e trocar de roupa para jantar no celebrado Latitudes, localizado na Sunset Key. Mas não recomendo este restaurante. Apesar de localizado em uma ilha lindíssima e do serviço impecável, não achei que a comida valesse a pena o preço que cobram. Assim, aproveite o resto do “horário útil” dos museus e visite uma das atrações localizadas nas proximidades. Estão lá o Museum of Art & History at the Custom House (diariamente, das 9h30 às 16h30), Nancy Forrester’s Secret Garden (diariamente, das 10h às 15h) ou a Casa Antigua (diariamente, das 10h às 18h).

Arte de rua e gastronomia

Se os museus estiverem fechados (ou se você não se interessar por eles), aproveite para caminhar pelas redondezas da Mallory Square. A praça costuma estar cheia de músicos, mágicos, malabaristas entre outros artistas de rua, turistas e locais, aguardando para assistir ao pôr do sol, um ritual obrigatório para todos os que visitam a cidade.

road trip, Mallory Square, Key West, USA

Fim de tarde na Mallory Square. Foto: André Orengel

Por fim, retorne à Duval Street e escolha um dos seus restaurantes ou bares para um merecido jantar. Não deixe de provar a key lime pie, servida pela maioria dos estabelecimentos da cidade, que, como o nome diz, é uma torta de limão feita com um tipo desta fruta originária do arquipélago.

 

3º Dia – Everglades

Acorde cedo e tome um bom café da manhã ao sair do hotel. Você vai sair das ilhas e voltar ao continente. Sua primeira parada do dia será no Everglades National Park, após cerca de 3 horas de viagem, para conectar-se mais com a natureza do sul da Flórida.

O parque nacional foi criado para proteger o frágil ecossistema formado por uma ampla rede de florestas e pântanos que abriga diversas espécies de fauna. Entre elas, estão a pantera da Flórida, o peixe-boi e o crocodilo americano, todos ameaçados de extinção. Entre no parque pelo acesso localizado em Homestead (State Road 9336) e pare no centro de visitantes para aprender mais sobre a fauna e a flora do parque. Pegue também um mapa da área e escolha as trilhas que irá percorrer. O site do parque é bem informativo e o ajudará a planejar a sua visita nos mínimos detalhes.

Everglades National Park, Florida, USA, Road trip

Foto: André Orengel

Ao sair do parque, se a fome permitir, tome o rumo de Naples pela US41. Nesta estrada, existem vários estabelecimentos que oferecem passeios de airboat pela Everglades Wildlife Management Area. Fizemos este passeio na Coopertown Airboats (22700 Southwest 8th Street, Miami, FL 33194. Funciona das 9h às 17h50). No dia em que fomos, estava chovendo bastante, o que acrescentou emoção às manobras e diminuiu as chances de encontrar jacarés. Conseguimos encontrar um atravessando o canal, o que foi bem legal. Leve uma capa de chuva caso a previsão do tempo indique a menor chance de chover. Aproveite a parada para almoçar um delicioso hambúrguer na lanchonete do local. A parte triste é que eles mantém alguns animais enjaulados. Por isso não acho o passeio excelente.

Naples

Após o passeio, continue viagem para Naples. Chegando na cidade, vá para a Fifth Avenue South, estacione o carro e caminhe por esta agradável avenida, que tem palmeiras, lojas, sorveterias, galerias, bares e restaurantes. Escolha um para jantar e, depois de comer, vá para o seu hotel.

 

4o Dia – Ringling e Museu Dali

Algo que, para mim, marca uma road trip é a necessidade de acordar cedo por alguns motivos. Primeiro, porque eu considero bem melhor dirigir durante o dia. Em segundo lugar, porque as atrações costumam abrir cedo e fechar cedo, então, para estar onde se quer chegar, há de se começar a dirigir com o sol raiando.

Assim, pegue o carro cedo e rume norte pela I75. Sua primeira parada do dia será no John and Mable Ringling Museum of Art, em Sarasota (5401 Bay Shore Rd, 34243, aberto de 10h às 17h), a cerca de 2hrs de Naples. Quando estivemos lá, chegamos por volta das 11h e acabamos tendo que enfrentar algo em torno de uma hora de fila para comprar os nossos ingressos. Além disso, não conseguimos mais vagas para o tour pela Ca’ d’Zan (residência de inverno de John e Mable, fundadores do museu). Ou seja: reafirmo a necessidade de acordar cedo.

Ca d'Zan, Ringling Museum, Florida, USA

Fachada da Ca d’Zan no Ringling Museum. Foto: André Orengel

Este museu, localizado em um terreno com uma bela vista para o Golfo do México (vimos vários golfinhos saltando da água), é formado por diferentes pavilhões interligados por lindos jardins. Não deixe de conferir os pavilhões dedicados ao circo e à coleção de arte, com destaque à ala japonesa.

A maior coleção de Dalí fora da Europa

Você pode almoçar no local ou comer algo mais barato pela estrada. De todas as formas, sugiro que já esteja dirigindo e devidamente alimentado no máximo às 14h (caso o dia não seja uma quinta-feira). Você estará a mais ou menos uma hora de distância de seu próximo destino: o Museu Dali (One Dali Blvd, St. Petersburg, FL 33701, aberto diariamente das 10h às 17h e às quintas-feiras até às 20h).

Curiosamente, a maior compilação de obras de arte de Salvador Dalí fora do continente europeu está localizada neste museu, em São Petersburgo, Flórida. São mais de 2.100 peças. A fachada do prédio, com uma bolha de vidro que abraça uma caixa de concreto cinza, é uma atração em si. No entanto, entre primeiro no museu e reserve as fotos para a saída (caso o dia não seja uma quinta-feira).

Fachada do Museu Dalí na Flórida. Foto: André Orengel

Ao começar a sua visita, não deixe de solicitar um audioguia na base das escadas. Ele contém informações interessantes sobre as obras em exposição e sobre a  história do museu. Quando estivemos lá, havia uma exposição temporária muito legal que mostrava a relação entre o Walt Disney e o Dali, o que realmente mudou a nossa visão sobre toda a obra cinematográfica da Disney.

Caso não esteja muito cansado, você pode aproveitar as últimas horas do dia para realizar algumas compras no Ellenton Premium Outlets (5461 Factory Shops Blvd Ellenton, FL 34222-4100), localizado a 30 minutos do Museu Dali. Outra opção é encerrar o dia jantando no 400 Beach Seafood and Tap House (400 Beach Dr NE, São Petersburgo, FL).

 

5º Dia – Busch Gardens

Dedique o seu quinto dia inteiramente ao Busch Gardens, em Tampa. Ele é um excelente parque de diversões que conta com algumas das melhores montanhas russas da Flórida, além de diversas outras atrações. O destaque é a grande variedade de animais (mais de 300 espécies) constantes de seu zoológico.

Neste ponto da viagem, duas opções se descortinam a sua frente. 1) você pode seguir viagem para mais dois dias de estrada até chegar a New Orleans. Ou 2) estender a viagem a Orlando, para curtir os parques temáticos da Disney, Universal e Sea World, para depois seguir até New Orleans.

Caso escolha a primeira opção, aproveite que o parque costuma fechar cedo e ganhe alguns quilômetros passando a noite, por exemplo, no Hampton Inn Brooksville Dade, a 65km do Busch Gardens. Se você for na segunda opção, dirija para o seu hotel em Orlando. Se couber no seu orçamento, fique em um dos resorts dentro da Disney World. Faz toda a diferença, especialmente se você estiver com crianças.

 

6o Dia – Tallahassee e Panama City Beach

Dirija do seu hotel até Tallahassee, a capital do Estado da Flórida. Você deverá chegar pela hora do almoço, então vá direto para o Kool Beanz Cafe (921 Thomasville Road, Tallahassee, Florida 32303).

Em seguida, visite o novo Capitol Building (400 S Monroe St, Tallahassee, FL 32399, aberto de segunda a sexta das 8h às 17h). Ele fica em um arranha-céu construído em 1977 para substituir o antigo Capitol de 1845, situado bem em frente. O antigo Capitol (aberto das 9h às 16h30) conta com oito ambientes dedicados a contar a história política da Flórida, com mobiliários da virada do século 20, valendo a pena visitá-lo.

Capitol Building, Tallahassee, Florida, USA

Fachada do Capitol Building em Tallahassee. Foto: André Orengel

Do outro lado da Apalachee Parkway, fica o Union Bank Museum. Ele está instalado no prédio de banco mais antigo da Flórida, que já sediou o Freedman’s Savings and Trust Company, especializado no atendimento de escravos emancipados. O museu hoje expõe uma pequena mas interessante coleção de artefatos e documentos que refletem a história e cultura negra do sul dos EUA.

Se você gosta de antiguidades, brechós e arte moderna, dê uma passeada pelo Railroad Square Art Park (602 Mc Donnell Dr, Tallahassee, FL 32310), que tem tudo isso e mais.

Não perca a noção do tempo, pois você ainda precisa dirigir mais 171km até o próximo destino, e o objetivo é chegar lá antes do pôr do sol. Assim, retorne à estrada e dirija até o Schooners (5121 Gulf Drive, Panama City Beach, FL 32408), um bar/restaurante/beach club que fica na beira da praia de Panama City. O lugar é muito disputado, e entendemos o porquê. Ele tem uma localização privilegiada, com um vento que não cessa, um ar bem animado e uma comida deliciosa (experimente o shrimp and grits).

 

7º Dia – Praias e história militar

No último dia desta road trip você sairá da Flórida e passará pelos estados do Alabama e Mississipi até chegar em New Orleans, na Louisiana. Para celebrar, você poderá escolher duas entre as três opções a seguir.

Primeiramente, se você gosta de praia, esta é a oportunidade de conhecer uma das regiões praianas mais movimentadas do sul dos Estados Unidos. Caso curta um ambiente mais agitado, escolha um dos pontos ao longo da Front Beach Road, que começa em Panama City Beach e se estende ao oeste. Se você prefere praias mais tranquilas e isoladas, vá para Grayton Beach ou à Gulf Island National Seashore.

Another Broken Egg, Road Trip, USA

O seu café da manhã no último dia da road trip: Another Broken Egg. Foto: André Orengel

De uma forma ou de outra, comece o dia com um saboroso brunch no Another Broken Egg, que conta com vários pontos espalhados pelo sul dos EUA. Fomos no localizado próximo de Grayton Beach (51 Uptown Grayton Cir, Santa Rosa Beach, FL 32459). Depois de dar uma olhada na praia de Grayton, prossiga até Pensacola. Procure dirigir o mais perto possível do litoral, para desfrutar da vista do mar e do clima descontraído.

National Naval Aviation Museum

National Naval Aviation Museum

Foto: André Orengel

Em Pensacola, cidade historicamente ligada às Forças Armadas Americanas, está localizado o National Naval Aviation Museum (1750 Radford Blvd., NAS Pensacola, FL 32508, aberto das 9h às 17h). Trata-se da maior coleção de aviões em exposição em todos os EUA (mais de 150 exemplares). São todos originais, ou seja, já voaram algum dia (com exceção de uma réplica que fica do lado de fora da entrada do museu). É realmente imperdível para quem está na região. Facilmente se passa o dia inteiro nesse museu lendo a história de cada uma dessas aeronaves. Mas fique de olho no relógio, porque a próxima atração é igualmente impressionante: o USS Alabama.

USS Alabama

Foto: André Orengel

Continue viagem rumo a oeste, cruzando a divisa entre os estados da Flórida e do Alabama até alcançar o USS Alabama Battleship Memorial Park. Aqui está ancorado o enorme navio de 45 mil toneladas que chegou a abrigar uma tripulação de 2500 corajosos americanos durante a Segunda Guerra Mundial. Esta embarcação conduziu a esquadra à baia de Tóquio, na data de 05/09/1945, encerrando com isso a campanha norte-americana no Pacífico. O tour leva a quase todos os cômodos do navio, explicando os propósitos e a rotina dos marinheiros durante a guerra.

road trip - mississippi

Foto: André Orengel

Terminada a visita, cruze a divisa entre os estados do Alabama e do Mississipi e jante no Slap Ya Mommas (1830 Beach Blvd. Biloxi, MS 39531) para uma autêntica comida sulista. Por fim, siga para o seu hotel em New Orleans, cruzando mais uma divisa e finalizando a sua road trip.

Em New Orleans, com Uber, taxi e ótimo transporte público, você não precisará do carro. Entretanto, antes de devolvê-lo à locadora, sugiro que faça outro passeio. Um bate-e-volta às plantations localizadas à beira do rio Mississipi entre New Orleans e Baton Rouge. Visitei a Houmas House Plantation and Gardens (que tem um ótimo restaurante) e a Oak Alley Plantation. Gostei muito de ambas as visitas e recomendo fortemente as duas. Acesse o site de cada uma para coordenar os seus horários.

O mapa completo

Para acessar o mapa da viagem no Google Maps no seu navegador, é só clicar no link: https://www.google.com/maps/d/viewer?mid=1NPAffAaKi37_ub-Y-HVWYojru4k&hl=pt-BR&ll=27.69473878694306%2C-85.608482&z=6

Para quem quiser seguir viagem

Já falamos de New Orleans aqui no blog, com uma sugestão de roteiro de três dias na cidade. Se você quiser esticar sua viagem pela capital do jazz, é só colar nas nossas dicas!

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Vistas panorâmicas inesquecíveis em cinco grandes cidades

Quem resiste à ideia de tirar por conta própria uma foto digna de cartão postal? Daquelas que conseguem enquadrar grande parte de uma região? Ver alguns pontos turísticos lá do…

Quem resiste à ideia de tirar por conta própria uma foto digna de cartão postal? Daquelas que conseguem enquadrar grande parte de uma região? Ver alguns pontos turísticos lá do alto também é sedutor, assim como simplesmente admirar as luzes noturnas de uma cidade. Tudo isso só é possível graças aos lugares que proporcionam vistas panorâmicas.

Podem ser gigantes de concreto ou monumentos lendários. Se a intenção é estar algumas dezenas (ou centenas) de metros a cima do chão, ambos podem contemplar e cada um tem suas vantagens. Os monumentos são cheios de história e significados. Os arranhas-céus compensam com tecnologia e conforto para proporcionar a melhor experiência possível.

Nas viagens que fiz nos últimos anos, sempre procurei pontos com vistas panorâmicas. E encontrei exemplares que correspondem a esses dois perfis. Listo aqui os cinco mais interessantes que conheci, seja pela imponência de seus edifícios ou pela simbologia que eles carregam. Quando você for aos Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha ou Itália, anote essas dicas!

 

Top Of The Rock (Nova York) – 260 metros de altura

Empire State Building visto a partir do Top Of The Rock. Foto: Leonardo Aquino

Quem vai a Nova York procurando um arranha-céu para subir tem pelo menos duas opções icônicas. O Empire State Building é um clássico, eternizado por imagens como a cena do gorila escalando o prédio no filme “King Kong”. O Rockefeller Center foi imortalizado na foto “Lunch Atop A Skyscraper” (creditada a Charles C. Ebbets), que entrou no imaginário pop e em peças de decoração que vão de quadros a ímãs de geladeira.

Quem não conhece essa imagem? Foto: Charlie C. Ebbets

Quando estive por lá, em setembro de 2013, escolhi visitar o Rockefeller Center e seu deck de observação chamado Top Of The Rock. Para mim, o critério de desempate foi a loja oficial da NBC, situada no térreo do edifício. Lá pode se comprar merchandising de vários programas da emissora, de “Saturday Night Live” a “The Voice”, passando por seriados como “The Office” e “Friends”.

Mas voltemos ao arranha-céu. As atrações do Top Of The Rock começam antes mesmo da subida. A obra “Joie Chandelier” foi criada pela grife Swarovski para o edifício e tem 14 mil cristais. O mezanino tem uma exposição permanente dedicada à construção do Rockefeller Center e ao magnata John D. Rockefeller. E uma trucagem de chroma-key faz com que você possa reproduzir a clássica foto dos operários, estando na pele deles.

Foto: Leonardo Aquino

A subida é em elevadores ultrarrápidos, chamados de Sky Shuttle. Os 260 metros de altura são alcançados em menos de um minuto. O deck de observação tem três andares. No 67º e no 69º andar, a vista é cercada por vidros temperados. No 70º andar, não há obstrução nenhuma. É o melhor lugar para fotos. Entre os cliques preferidos dos visitantes, está o que emoldura o topo do Empire State, situado a pouco mais de 1 km de distância.

Foto: Leonardo Aquino

Dicas práticas

Assim como a maioria dos arranha-céus com vista panorâmica, o Top Of The Rock oferece a opção de ingresso com hora marcada. É uma forma de zerar o risco de pegar filas. Basta comprar online e escolher o horário certo. Há também o ingresso VIP, que tem elevador privativo e horários flexíveis, e o “Sun And Stars”, que permite duas entradas com o intervalo de 24 horas.

Top Of The Rock Observation Deck

Aberto todos os dias, das 8h à meia-noite
Última subida às 23h15
Ingressos: US$ 34 (adulto), US$ 32 (idosos a partir de 62 anos) e US$ 28 (crianças de 6 a 12 anos). Para o acesso VIP, o preço é US$ 65. Para o “Sun And Stars”, o preço é de US$ 15 adicionados ao valor do ingresso escolhido.
Para chegar de metrô: estação 47-50 Streets / Rockefeller Center (linhas B, D, F e M)
Site: https://www.topoftherocknyc.com/

 

The Skydeck (Chicago) – 443 metros de altura

Foto: Leonardo Aquino

O Skydeck fica no 103º andar da Willis Tower (que já foi chamada de Sears Tower), o segundo edifício mais alto do hemisfério ocidental. Assim como os arranha-céus de Nova York, já teve seu grande momento na cultura pop. No filme “Curtindo a Vida Adoidado”, Ferris Bueller e seus amigos fazem um grande tour por Chicago e, em determinado momento, chegam ao Skydeck e observam a cidade lá do alto. Reviver a cena do filme foi um dos motivos que me levou a ir até lá em setembro de 2013.

Nenhum outro deck de observação nos Estados Unidos é tão alto quando o Skydeck. Além disso, a visibilidade é impressionante. Ela chega a 80 quilômetros e, num dia claro, permite que o visitante consiga enxergar quatro estados americanos: Illinois, Indiana, Wisconsin e Michigan.

A incrível visibilidade do Skydeck. Foto: Leonardo Aquino

O mais legal da visita ao Skydeck são as caixas de vidro que deixam Chicago inteira aos pés do visitante. Não indico essa parte do deck de observação a quem tem labirintite. A visão é realmente impressionante.

Cuidado com a vertigem! Foto: Leonardo Aquino

Dicas práticas

Uma dica imperdível: programe sua visita para o horário do pôr do sol. Você vai ver a cidade com três luminosidades diferentes: dia, anoitecer e noite. Se o tempo favorecer, você vai tirar algumas das fotos mais incríveis da sua viagem a Chicago. O próprio site do Skydeck aconselha o visitante a averiguar o calendário do pôr do sol antes de ir. Dá pra checar neste site: http://www.sunrisesunset.com/USA/Illinois.asp

O Skydeck fica na famosa Willis Tower. Foto: Leonardo Aquino

O Skydeck não trabalha com ingressos com horários fechados. Mas tem a modalidade Day/Night, que permite duas entradas no mesmo dia. Há também os bilhetes VIP que dão acesso direto aos elevadores, sem filas.

A Willis Tower soberana no céu de Chicago. Foto: Leonardo Aquino

The Skydeck

Aberto todos os dias do ano. De março a setembro, das 9 às 22h. De outubro a fevereiro, das 10 às 20h.
Última subida 30 minutos antes do horário de fechamento.
Ingressos: US$ 23 (adultos) e US$ 15 (crianças até 12 anos). O ingresso Day/Night custa US$ 33. O Fastpass (acesso VIP) custa US$ 49
Para chegar de metrô: estação Quincy (linhas Pink, Brown, Orange e Purple)
Site: http://theskydeck.com

 

The View From The Shard (Londres) – 244 metros de altura

Tower Bridge vista do alto do Shard. De tirar o fôlego! Foto: Leonardo Aquino

Quem vai a Londres costuma escolher a London Eye como o programa para ter uma vista panorâmica da cidade. No entanto, as grandes filas e o tempo limitado do passeio acabam fazendo com que a experiência não seja a ideal. Por isso, o melhor a se fazer para uma contemplação sem pressa do skyline da capital inglesa é o View From The Shard, um mirante no 72º andar do edifício mais alto entre os países da União Europeia. Estive lá em junho de 2015.

Além de proporcionar uma visibilidade espetacular (de 64 km em 360 graus), o View From The Shard tem sido palco de vários eventos: de aulas de ioga a festas privê, sempre com uma vista panorâmica inigualável. Já imaginou? Além disso, o local tem sido um habituê para pedidos de casamento. Não estranhe se você testemunhar um quando visitar o mirante.

Foto: Leonardo Aquino

É possível ver alguns dos principais pontos de Londres a partir do View From The Shard. O Big Ben, a London Eye, os estádios Olímpico e de Wembley e a Tower Bridge, da qual costumam sair algumas das fotos mais bonitas tiradas lá do alto. Num dia bom, tudo está ao alcance dos olhos, seja com a ajuda do zoom da câmera ou dos telescópios digitais que identificam e dão informação sobre os prédios enquadrados.

Foto: Leonardo Aquino

Nos três andares do mirante, há um bar e uma lojinha de souvenirs onde você pode comprar fotos oficiais e lembranças como um Banco Imobiliário temático do Shard. Além disso, uma modalidade de ingresso (mais cara, obviamente) inclui uma taça de champagne para brindar com Londres inteira sob a vista de quem bebe.

Foto: Leonardo Aquino

Dicas práticas

Assim como nos outros arranha-céus, o ideal é você programar sua visita para pouco antes do pôr do sol. No View From The Shard, é preciso marcar o horário no momento da compra do ingresso. O mirante também oferece o ingresso “Day And Night” para duas entradas no mesmo dia. Dica importante: comprando antecipadamente pela internet, você economiza 5 libras por ingresso.

The View From The Shard

Aberto todos os dias. No verão (do final de março até o final de outubro), funciona de 10 às 22h, com a última entrada às 21h. No inverno, de 10 às 19h (de domingo a quarta) e de 10 às 22h (de quinta a sábado).
Ingressos: £25,95 (inteira a partir de 16 anos), £20,95 (estudantes identificados), £19,95 (crianças de 4 a 15 anos). Preços válidos para compra antecipada pela internet.
Para chegar de metrô: estação London Bridge (linhas Jubilee e Northern)
Site: https://www.theviewfromtheshard.com

 

Siegessäule (Berlim) – 67 metros de altura

Foto: Leonardo Aquino

Vistas panorâmicas não se limitam aos arranhas-céus e gigantes de concreto. Podem estar também em monumentos emblemáticos de algumas cidades. É o exemplo da Siegessäule, a Coluna da Vitória em Berlim.

Foto: Leonardo Aquino

Conhecer a Siegessäule sempre foi um sonho para mim. Quando visitei Berlim em junho de 2015, este monumento foi minha primeira parada. Sempre o achei lindo e impressionante desde quando o vi nos filmes “Asas do Desejo” e “Tão Longe, Tão Perto” e no clipe de “Stay”, do U2. Quando você desce do metrô e caminha em direção ao centro do Tiergarten, vai vendo aquele anjo dourado no topo da coluna crescer aos poucos. É de tirar o fôlego.

A Siegessäule foi construída entre 1864 e 1873 e celebra vitórias da Prússia e da Alemanha em guerras no período. Além disso, sobreviveu incólume à Segunda Guerra Mundial. No topo da coluna, a escultura de bronze com 8,3 metros de altura representa a deusa da vitória (Victoria na mitologia romana e Nike na mitologia grega).

Foto: Leonardo Aquino

Para subir até o mirante, é preciso estar disposto e não ter limitações nos movimentos. A subida é feita numa escada caracol, com 285 degraus. Se você não perdeu o fôlego com a beleza do monumento, perderá nesse exercício vertical. Ou ainda com a visão panorâmica de Berlim lá do alto.

Foto: Leonardo Aquino

Uma coisa que me surpreendeu na vista da Siegessäule foi a quantidade de verde que há em Berlim. Ainda que o monumento esteja no meio de um parque, a arborização da cidade é impressionante. Pena que a contemplação lá do alto não é muito confortável. O espaço é bem pequeno e apertado.

Berlim vista do mirante da Siegessäule. Foto: Leonardo Aquino

Siegessäule

Aberta todos os dias do ano. De abril a outubro, das 9h30 às 18h30 (segunda a sexta) e das 9h30 às 19h (sábados e domingos). De novembro a março, das 10 às 17h (segunda a sexta) e das 10 às 17h30 (sábados e domingos).
Ingressos: € 3
Como chegar de metrô: estações Tiergarten ou Bellevue (S-Bahn, linhas S5 e S7) e estação Hansaplatz (U-Bahn, linha U9)
Site: http://www.visitberlin.de/en/spot/siegessaeule

 

Mole Antonelliana (Turim) – 85 metros de altura

Foto: Leonardo Aquino

A Mole Antonelliana é um dos símbolos arquitetônicos da cidade de Turim. Você vai encontrá-la em camisetas, ímãs de geladeira, canecas e todos os tipos de souvenir que imaginar. Ela vale a visita tanto pela história que carrega quanto pela visão panorâmica da cidade italiana.

A construção da Mole começou em 1863 e tinha o objetivo de abrigar uma sinagoga. Mas o prédio foi comprado pela Municipalidade de Turim em 1878. A ideia era transformar a torre num monumento à unidade nacional. Depois da mudança de planos, o prédio foi inaugurado em 1889. Nos mais de 100 anos de história, a Mole sobreviveu a terremotos e tornados. Hoje está retratada na moeda de dois centavos de euro.

O elevador panorâmico é uma das atrações da torre. Ele leva os visitantes até a cúpula que fica a 85 metros do chão. Lá do alto, é possível ver grande parte da cidade de Turim, inclusive a colina onde fica a Basílica de Superga, um pouco afastada do centro.

Vista noturna de Turim do alto da Mole Antonelliana. Foto: Leonardo Aquino

Dicas práticas

Quando visitamos a Mole, em fevereiro de 2017, fizemos a subida à noite. Assim, não deu pra ter a experiência das luminosidades diferentes. Enfrentamos uma fila um pouco demorada para subir. A torre tem apenas um elevador com capacidade para 11 pessoas. Além disso, o espaço no mirante não é muito grande. Portanto, num dia movimentado, a espera pode ser ainda maior.

Além da cúpula e do elevador panorâmico, a Mole Antonelliana também abriga o Museo Nazionale del Cinema, do qual já falamos neste post.

Mole Antonelliana

Domingos, segundas, quartas quintas e sextas, das 9 às 20h. Sábados, das 9 às 23h. Fechada às terças. Última entrada uma hora antes do horário de encerramento.
Ingresso: € 7 (adultos) e € 5 (crianças e adolescentes de 6 a 18 anos). Grátis para crianças de até 5 anos e portadores de necessidades especiais.
Para chegar de bonde: parada Mole Antonelliana (linha 16 CS) ou parada Palazzo Nuovo (linhas 16 CS e 16 CD)
Site: http://www.museocinema.it/mole.php?l=en

2 comentários em Vistas panorâmicas inesquecíveis em cinco grandes cidades

Chicago: um dia de calor equatorial na Windy City

Uma das primeiras coisas que se aprende sobre Chicago é o apelido de “Windy City”. Aí você planeja uma visita à cidade e espera um frio de rachar os ossos…

Uma das primeiras coisas que se aprende sobre Chicago é o apelido de “Windy City”. Aí você planeja uma visita à cidade e espera um frio de rachar os ossos e ventos de cortar as vísceras. Ao chegar, você se dá conta de que veio na virada do verão para o outono e comemora poder sair de bermuda todo dia. O problema é que, por infortúnio ou desinformação, você pega um dia com 35 graus no termômetro justo quando tinha programado longos passeios a pé. E eis o momento em que até mesmo um cara nascido na Amazônia e morador do Nordeste brasileiro pede arrego.

Sim, essa história aconteceu comigo na minha primeira ida a Chicago. Foi em setembro de 2013 e juro a vocês que não esperava que a capital do estado de Illinois pudesse ser uma estufa em alguma época do ano. Qualquer lugar que você pesquise aponta que o mês mais quente do ano em Chicago é julho. Mas nenhuma fonte informa médias superiores a 30 graus. Um dia como o relatado no primeiro parágrafo foi uma surpreendente exceção numa cidade que chega a 10 graus negativos em janeiro.

Chicago 40 graus (ou quase isso)

Chicago 40 graus (ou quase isso)

E a surpresa não ficou só no termômetro. No meio da caminhada nesse dia equatorial, descobri que Chicago tem praia. A cidade fica bem no meio-oeste americano, a milhares de quilômetros de qualquer uma das costas dos Estados Unidos. Mas tem o Michigan, um dos cinco grandes lagos da América do Norte, com quase 60 mil quilômetros quadrados de superfície. Em Chicago, você enxerga o horizonte mas não enxerga a outra margem do Michigan. E encontra uma faixa de areia onde tomar um sol e curtir o “veranico” americano.

Não é Porto de Galinhas, mas dá pro gasto

Não é Porto de Galinhas, mas dá pro gasto

É a Oak Street Beach, que fica no bairro de Gold Coast. A apenas 5 quilômetros do centro financeiro de Chicago, há essa paisagem bem diferente dos arranha-céus e dos trens suspensos. A areia não é exatamente branquinha, mas dá pro gasto numa cidade acostumada com baixas temperaturas o ano inteiro. A praia é sinalizada e tem regras bem estritas. Quer fazer um churrasco? Existem áreas limitadas para isso, inclusive com local específico para jogar o carvão usado fora. Mas não pode ter cerveja para acompanhar. É que o consumo de álcool é proibido.

As regras da Oak Street Beach

As regras da Oak Street Beach

Oak Street não é a única praia de Chicago. Há outras 26, segundo o site do Chicago Park District. Inclusive se você estiver a fim de aproveitar uma delas, o site informa quais estão próprias para o banho.

Os moradores de Chicago também aproveitam os dias quentes nos parques. O mais importante deles hoje em dia é o Millenium Park, apesar do pouco tempo de vida. Ele foi inaugurado em 2004, mas deu um impulso de valorização nos endereços ao redor. A região tem um dos metros quadrados mais caros do mercado imobiliário dos Estados Unidos.

As crianças na Crown Fountain

As crianças na Crown Fountain

Quando o calor aperta, o ponto mais procurado no Millenium Park é a Crown Fountain. É uma mistura de fonte e obra de arte pós-moderna, criada pelo artista catalão Jaume Plensa. Ela possui duas torres de vidro com 15 metros de altura. Em determinadas épocas do ano, a fonte ganha seu componente tecnológico. Projeta rostos de pessoas nas torres. Dos lábios delas, jorram jatos de água para refrescar. Quando visitei o parque, não havia projeção alguma e a Crown Fountain acabou parecendo nada além de um ralador de queijo gigante.

Fonte ou ralador?

Fonte ou ralador?

A alguns metros da Crown Fountain no Millenium Park há uma obra impossível de ignorar, seja qual for o clima do dia. É a Cloud Gate, a famosa escultura prateada em forma de feijão. Aliás, em dias ensolarados ela fica ainda mais hipnotizante. Feita com placas de aço polido, ela parece um grande espelho côncavo. Quanto mais luz, mais claro é o reflexo e mais aquele grande troço de 100 toneladas pode se confundir com um céu azulzinho. Seu Instagram não será mais o mesmo depois da Cloud Gate.

A Cloud Gate num dia ensolarado

A Cloud Gate num dia ensolarado

Mas as obras de arte nas ruas de Chicago não ficam apenas no Millenium Park. O centro financeiro da cidade é um museu a céu aberto de alto nível. A região é conhecida como Loop, porque o sistema de trens suspensos da cidade foi planejado para desenhar o círculo ao redor dos endereços mais movimentados. Em meio a arranha-céus e estações de transporte público, há a assinatura de Picasso, Miró e Chagall, por exemplo.

A escultura de Pablo Picasso fica na Daley Plaza e foi instalada por lá em 1967. Tem 15 metros de altura e é constantemente chamada de apenas The Picasso. Ela causou polêmica na época da inauguração porque o centro da cidade recebia apenas estátuas de figuras históricas. De repente, tinha uma escultura impossível de decifrar. A família de Picasso diz que o artista espanhol se inspirou numa francesa chamada Lydia Corbett, que posou para a famosa obra Sylvette e tinha um pescoço longo e um rabo de cavalo comprido.

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The Picasso, como dizem os moradores de Chicago

Um conterrâneo de Picasso que também deixou sua marca na cidade foi Joan Miró. A escultura Miro´s Chicago fica a poucos metros da estação Washington do metrô. Ela tem 12 metros de altura e reúne vários materiais: aço, malha de arame, concreto, bronze e cerâmica. As formas da obra representam uma divindade da terra, uma estrela e raios de luz.

Miró's Chicago

Miró’s Chicago

A Bank One Plaza, em frente à torre do banco Chase, foi o local onde o russo-francês Marc Chagall tem sua assinatura. É dele o mosaico Four Seasons, que tem 21 metros de comprimento por 4m de altura e 3m de largura. As pastilhas que compõem a obra têm mais de 250 cores diferentes. No desenho, é possível identificar formas aleatórias como peixes, sóis, casais, uma fruta cítrica cortada no meio e paisagens da cidade.

O mural de Chagal em Chicago

O mural de Chagal em Chicago

Se você não é uma pessoa das artes visuais e sim do esporte, tem uma obra para você admirar no United Center. O ginásio fica um pouco afastado do centro da cidade (a estação de metrô mais próxima é a Illinois Medical Center). É a casa do Chicago Bulls, o famoso time de basquete. No lado de fora, a principal atração é a estátua de Michael Jordan, o maior jogador da equipe em todos os tempos.

O voo de Jordan eternizado

O voo de Jordan eternizado

Confira aqui outras dicas para curtir Chicago tanto quanto eu curti:

Chicago Riverwalk

O rio Chicago passa por uma área cêntrica da cidade e é cercado de arranha-céus. Mas a orla é um lugar que não foi totalmente engolido pela verticalização. Há ciclovias e calçadões para caminhadas, além de bancos para contemplação e para a gostosa prática do nadismo (quem nunca?). Quem quiser também pode passear no rio, seja em pequenos cruzeiros ou até mesmo em táxis aquáticos (confira o site da Chicago Water Taxi).

A convivência entre o rio e os arranha-céus

A convivência entre o rio e os arranha-céus

Skydeck

Lembram do arranha-céu do filme Curtindo a Vida Adoidado? Aquele com as paredes envidraçadas em que Ferris Bueller e sua turma ficavam pendurados? Continua sendo um dos principais cartões postais da cidade. Ele é um observatório no 103º andar da Willis Tower (edifício que durante muitos anos foi conhecido como Sears Tower). São 452 metros de altura e uma visão impressionante. Descubra a hora em que o sol se põe e tente planejar uma visita para conferir o skyline da cidade de dia e de noite. O Skydeck abre todos os dias do ano.

Não tive coragem de fazer isso no Skydeck. Mas que parece lega, parece.

Não tive coragem de fazer isso no Skydeck. Mas que parece legal, parece.

Milwaukee Avenue

Caminhar nesta avenida a a partir da estação de metrô Logan Square é como mergulhar em uma feira internacional. Esta região  tradicionalmente abriga imigrantes. Alguns deixaram marcas mais duradouras, como os noruegueses que construíram uma igreja que ainda celebra missas no idioma nórdico. Os mexicanos também marcam presença com seus restaurantes de tacos. Mas os poloneses são os mais numerosos. Tanto que há uma área conhecida como Polish Village (Vila Polonesa), com comércios, restaurantes típicos e letreiros em polonês.

Um doce para quem traduzir este letreiro

Um doce para quem traduzir este letreiro

Reckless Records

Já mencionei em alguns outros posts que sou vidrado em lojas de discos. E esta é uma das mais legais que conheci nas minhas viagens por aí. A Reckless tem três locais em Chicago, mas o mais legal é o da Milwaukee Avenue (estação de metrô mais próxima: Division). O acervo é gigantesco, principalmente de CDs usados em ótimo estado, que custam de 1 a 7 dólares. Confira o site.

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Turismo cervejeiro: visitas às fábricas da Budweiser, Heineken e Guinness

O perfil do consumo de cerveja está mudando, só não vê quem não quer. As prateleiras dos supermercados estão mais diversificadas, lojas especializadas estão surgindo com força nas grandes cidades,…

O perfil do consumo de cerveja está mudando, só não vê quem não quer. As prateleiras dos supermercados estão mais diversificadas, lojas especializadas estão surgindo com força nas grandes cidades, fábricas artesanais pipocam em todo o Brasil e o que era uma bebida barata e pouco nobre está ganhando uma cultura de degustação e apreciação semelhante à do vinho.

Mas o que viajar tem a ver com isso? Muita coisa, eu diria. Primeiro porque experimentar marcas locais de cerveja aonde quer que você vá é uma forma de mergulhar no destino visitado. E segundo porque as cervejarias têm aproveitado a crescente curiosidade das pessoas para se transformar em atrações turísticas.

Dá para fazer uma volta ao mundo só com as cervejas da Anheuser Busch

Dá para fazer uma volta ao mundo só com as cervejas da Anheuser Busch

Veja o exemplo de três das maiores marcas de cerveja do planeta: Budweiser, Heineken e Guinness. Além de exportar seus produtos pelo mundo afora, elas oferecem passeios guiados por suas fábricas e experiências turísticas que, para um bom apreciador da bebida, são como grandes parques temáticos. Não por acaso, figuram entre as atrações mais visitadas das cidades onde estão construídas.

Como cervejeiro entusiasta que sou, aproveitei viagens de férias nos últimos três anos para conhecer esses passeios. Os três têm perfis distintos, apesar de oferecerem conteúdos bem parecidos na essência. Em todos eles, você vai ter informações sobre o processo de fabricação da cerveja, os ingredientes utilizados, degustações, etc. Mas há peculiaridades que fazem de um ou outro mais ou menos interessante. A avaliação que vou fazer aqui é bem pessoal e o perfil que me agradou pode ser o que você vai detestar, e vice-versa. Mas espero que possa servir como guia para que você decida ir adiante na sua curiosidade ou poupar um dinheirinho para tomar uns chopes a mais.

Budweiser (St. Louis, EUA)

Hall de entrada de visitantes da Budweiser em St Louis

Hall de entrada de visitantes da Budweiser em St-Louis

Saint-Louis é um destino incomum e quase bizarro para um brasileiro de férias nos Estados Unidos. Estive lá em setembro de 2013 para assistir a um show do Wilco, uma de minhas bandas favoritas. Quando descobri que lá havia uma grande fábrica da Budweiser aberta para visitação pública, percebi que haveria mais um motivo para fazer a viagem ao estado do Missouri valer a pena.

A Budweiser tem seis fábricas com passeios turísticos em todo o território dos EUA. A de Saint-Louis é a mais tradicional, pois foi onde começou a história da marca. A cervejaria, na verdade, se chama Anheuser-Busch e surgiu no meio do século 19 depois de um grande fluxo migratório de alemães rumo à América. Lá eles foram viver de uma coisa que sabem muito bem: fazer cerveja. E em 1876, lançaram a Budweiser, que viria a ser o carro-chefe da cervejaria ao longo de toda a sua história.

Pois bem… a fábrica de Saint-Louis é uma construção histórica. Grande parte dos edifícios originais está lá, extremamente bem preservada: fachadas, chaminés e um belo relógio, por exemplo.

Detalhe da fachada da fábrica da Budweiser

Detalhe da fachada da fábrica da Budweiser

Os passeios guiados

Ela oferece cinco tipos de tours. Eles variam de 45 minutos a duas horas de duração e vão desde um curso de degustação até um passeio por todas as etapas de fabricação da cerveja. Mais detalhes sobre cada um desses passeios aqui no site da Budweiser Brewery Experience de Saint-Louis. Minha opção foi a Beermaster Tour, que me pareceu a mais completa de todas as opções.

Parte do passeio é feita neste simpático bondinho

Parte do passeio é feita neste simpático bondinho

Carroças como esta eram usadas para transportar as Buds no século 19

Carroças como esta eram usadas para transportar as Buds no século 19

Vantagens do tour da Budweiser

De cara, já lhes digo as grandes vantagens da Budweiser em relação às demais. A principal é que ela tem grupos fechados (no dia em que fui, não eram mais de 15 pessoas) e um guia por grupo. Cada visitante recebe um fone de ouvido em que pode ouvir as explicações do guia mesmo nos locais mais barulhentos do passeio. Se você quer absorver o conteúdo de forma consistente, é bem melhor assim.

A segunda vantagem é que, entre as três grandes marcas que visitei, a Budweiser de Saint-Louis é a única em que se conhece a fábrica propriamente dita. Não vamos apenas a locais arrumados para turistas como uma mistura de museu e Disneylândia. Mas também conhecemos o processo de engarrafamento e empacotamento, por exemplo.

Se você demorar mais 10 minutos, é capaz que te chamem pra ajudar a operar as máquinas

Se você demorar mais 10 minutos, é capaz que te chamem pra ajudar a operar as máquinas

Outro highlight do passeio é a degustação da cerveja direto do tanque. É realmente bem fresquinha! Ao final, os visitantes também podem beber uma cerveja das marcas da Anheuser Busch entre as que estão disponíveis numa espécie de lounge. Além disso, são dados de brinde um boné e um copo.

O leite direto da teta da vaca

O leite direto da teta da vaca

É recomendada a reserva antecipada para os tours na Budweiser de Saint-Louis. Você pode agendar e comprar os ingressos neste site.

 

Heineken (Amsterdam, Holanda)

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Sabe aquele climão das campanhas publicitárias da Heineken? Em que tudo precisa ser genial e descolado e a cerveja pode ficar em segundo plano sem problema algum? Esta foi a sensação que tive ao fazer a Heineken Experience, em junho de 2015. Ela é realizada no prédio onde funcionou a primeira fábrica da cerveja holandesa, que foi, obviamente, todo repaginado para receber turistas do mundo inteiro. O passeio é uma imersão autoguiada num parque temático, e não necessariamente uma atração para você aprender mais sobre cerveja.

Uma das poucas fotos que sobraram após uma câmera perdida poucos dias depois

Uma das poucas fotos que sobraram após uma câmera perdida poucos dias depois

OK que o básico está todo lá: a história da Heineken, explicações sobre a fabricação, os ingredientes, etc. Mas é tudo tão planejado para ser ~divertido~ que algo se perde. Exemplo: uma das etapas da fabricação da cerveja é mostrada num filme 4D em que os visitantes são “fermentados”. O local onde assistimos à projeção chacoalha e recebe jatos de ar e água para que nos sintamos “dentro” da cerveja. Acho desnecessário…

Como diria Tiririca: "VAM PÁ BALADA! VAM PÁ BALADA!"

Como diria Tiririca: “VAM PÁ BALADA! VAM PÁ BALADA!”

Há momentos legais, como uma ala dedicada às publicidades da Heineken (que são realmente muito boas) e à longeva parceria com a Champions League. Mas se você espera mais conteúdo do que clima de balada, é possível que você fique desapontado. O passeio inclui degustação de duas cervejas (ou de uma, se você escolher pela Heineken Extra Cold) e não dá direito a nenhum brinde. É preciso comprar na lojinha. Aliás, se você preferir, pode ir direto a ela sem precisar passar pelo passeio.

Dicas práticas

Não é necessário reservar, mas é possível comprar com antecedência no site da Heineken Experience. Caso você vá fazer outros passeios com ingresso pago em Amsterdam (como os museus Van Gogh e Rijskmuseum), é vantajoso comprar os bilhetes combinados ou o I Amsterdam City Card. Eles estão à venda na internet ou em vários quiosques de ingressos turísticos espalhados pela cidade.

Vai por mim: fuja da Heineken e corra para o moinho

Vai por mim: fuja da Heineken e corra para o moinho

Dica diferentona do Mochileza

Para uma experiência cervejeira mais TRUE em Amsterdam, recomendo uma passada pela impronunciável Brouwerij ´t IJ. Informalmente, pra ficar mais fácil, chame de cervejaria do moinho ou do avestruz. O avestruz está no rótulo da cerveja e o moinho está ao lado do bar que tem ficado bem conhecido por turistas que passam por Amsterdam. Ele vende as cervejas de fabricação própria e alguns rótulos de outras marcas e países. Para acompanhar, queijo brie ou salsichas cruas artesanais. Além de uma passadinha pelo bar, é possível conhecer a fábrica que também funciona junto ao moinho. Mas os dias e horários são limitados. Informações aqui.

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Guinness (Dublin, Irlanda)

Na Irlanda, tucanos são o símbolo da Guinness, e não de um partido político

Na Irlanda, tucanos são o símbolo da Guinness, e não de um partido político

A Guinness talvez seja uma das marcas embaixadoras da Irlanda pelo mundo afora. Não à toa, a Guinness Storehouse é a atração turística mais visitada na capital Dublin. São quase 300 anos de história e de um legado que só não é mais conhecido no Brasil porque a cerveja (uma das minhas favoritas, por sinal) é distribuída no país apenas por importadoras.

O passeio da Guinness (que fiz em junho de 2015) tem um pouco de Budweiser e um pouco de Heineken. Assim como na concorrente holandesa, o tour é num local anexo à fábrica, totalmente repaginado como museu/parque temático. Mas o conteúdo é riquíssimo e levado a sério, como na concorrente americana.

Não caia na tentação: deixe para conhecer a gift shop só depois do tour completo

Não caia na tentação: deixe para conhecer a gift shop só depois do tour completo

A Guinness Storehouse é um passeio vertical. São sete andares, da recepção até o bar panorâmico. Entre eles, os visitantes conhecem aquilo que veem em todos os outros tours equivalentes: o processo de fabricação, a importância da qualidade da água, por exemplo.

Mas a Guinness tem algumas particularidades bem interessantes. Uma ala do passeio é dedicada à relação da cerveja com a culinária. Ela é utilizada na elaboração de vários pratos típicos como o Irish Stew, uma espécie de guisado de carne com molho escuro. Outra faz um panorama pelos anúncios publicitários da marca. Dada a pouca presença dela no nosso país, esta parte tem algo de fascinante e desconhecido para os brasileiros.

Foca na cerveja aê

Foca na cerveja aê

Diploma de tirador de cerveja

Outra parte bem legal é a Guinness Academy. É uma espécie de tutorial rápido em que os visitantes aprendem o segredo para se tirar o pint perfeito. Pint é uma unidade dos sistemas de medida nos EUA e na Grã-Bretanha (equivalente a 568ml) que também batiza um copo muito usado na cultura cervejeira e que casa perfeitamente com uma Guinness. É preciso treinar mesmo até achar a inclinação adequada para não fazer com que a carbonatação deixe a sua cerveja cheia de espuma. É claro que, depois da aulinha, os alunos tomam os pints tirados por eles mesmos.

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Ainda bem que o incauto colega de passeio não vive de fotografia...

Ainda bem que o incauto colega de passeio não vive de fotografia…

O bar no terraço também é um ótimo lugar a ser visitado. Em formato circular e envidraçado, ele oferece uma excelente vista panorâmica de Dublin. Mas não tive sorte: no dia em que fui à Storehouse, o bar estava completamente lotado, sem nem um cantinho para se encostar.

Para encerrar a visita, a passada na gift shop é obrigatória. Você vai encontrar todo tipo de produto com a marca Guinness. Dos mais óbvios (chaveiros, abridores, ímãs, camisetas) até os mais inusitados (molhos para carne e cuecas).

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Dicas práticas

Não é preciso reservar antecipadamente. Mas comprando na internet (com dia e horário marcados, é bom frisar), você evita filas. Além do passeio normal, é possível comprar como “plus” a Conoisseur Experience, uma espécie de degustação premium. Caso você esteja planejando ir a outras atrações com ingressos pagos (como o zoológico, o museu de cera ou a Catedral de Saint Patrick), tem uma dica. Comprar o Dublin Pass pode ser uma forma de economizar alguns euros.

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3 dias em New Orleans – let the good times roll…

A cidade de New Orleans é o epicentro da pluralidade cultural do sul dos Estados Unidos. Negros, espanhóis, franceses, caribenhos… Todos passaram por lá ao longo da história da cidade…

A cidade de New Orleans é o epicentro da pluralidade cultural do sul dos Estados Unidos. Negros, espanhóis, franceses, caribenhos… Todos passaram por lá ao longo da história da cidade e deixaram suas marcas. É possível ver esta miscelânea na arquitetura, na música e principalmente na gastronomia. Os pratos da cozinha cajun creole misturam referências de todos esses imigrantes que passaram pelo estado da Louisiana. Ainda há o bônus de temperos e pimentas para paladares iniciados e um bocado de diversão em qualquer esquina da Bourbon Street.

Se for para definir em poucas palavras, New Orleans é uma ótima cidade para se divertir. A vida noturna é tão movimentada que se antecipa e invade a luz do dia. No fim da tarde, o movimento no French Quarter (região da cidade que concentra uma grande quantidade de bares, casas noturnas e clubes de jazz) já está movimentado de gente de todo tipo. Jovens, idosos, grupos, casais com carrinhos de bebê… Há farras convidativas para qualquer perfil.

Além de boa comida e de diversão, a cidade oferece muita história.  Seja nas lendas de assombrações, na arquitetura de pelo menos dois bairros da cidade (French Quarter e Garden District) e em museus. Um deles é dedicado à Segunda Guerra Mundial, uma atração imponente e até surpreendente para quem espera apenas solos de trompete e bons drinks.

Os bondes da Canal Street: uma das caras da cidade

Os bondes da Canal Street: uma das caras da cidade

Estive em New Orleans em setembro de 2013 por três dias. E juro para vocês: estenderia minha estadia por pelo menos mais quatro, tamanho o astral da cidade e o conteúdo que ela oferece.

Baseado nessa breve passagem, montei um pequeno roteiro que pode servir de base para você planejar sua própria viagem. Há muito mais que ficou de fora das minhas andanças. Mas o seu ponto de partida pode ser por aqui. Vamos ao passo a passo!

1º dia

O nome do aeroporto internacional de New Orleans já dá uma amostra do quanto a cidade presta tributo a seus heróis musicais: Louis Armstrong, cantor e trompetista lembrado universalmente pelo clássico “What A Wonderful World”. Ao desembarcar, uma boa notícia: tem wi-fi livre por lá. O nome da conexão é LANOIA, sigla para Louis Armstrong New Orleans International Airport.

Com essas boas-vindas, não tem como essa viagem dar errado

Com essas boas-vindas, não tem como a viagem dar errado

O jeito mais econômico de sair do aeroporto, caso você esteja viajando sozinho, é um shuttle, uma van compartilhada. É possível reservar online, mas não se preocupe com isso: existe um balcão de venda de passagens logo no desembarque. O valor é 24 dólares cada viagem e 44 dólares se você comprar a volta antecipada. As empresas já têm os nomes dos principais hotéis. Então nem é preciso se preocupar em passar o endereço certinho caso você vá se hospedar num deles.

French Quarter

Para uma primeira vez na cidade, aconselho: hospede-se no French Quarter. É fácil de sair e chegar, muito simples se localizar e ainda há muita coisa boa para se ver. O bairro foi o ponto inicial da ocupação da cidade, fundada pelos franceses em 1718.

Apesar do nome, grande parte das casas e prédios que se veem na vizinhança tem estilo espanhol. É que dois grandes incêndios no final do século XVIII destruíram muitos exemplares da arquitetura colonial que havia antes. A reconstrução ficou por conta dos espanhóis, que administraram o estado da Louisiana na época. As casas são exuberantes, com paredes espessas, varandas em ferro forjado e fachadas de tijolo.

Passear pelo Quarteirão Francês pode ser um bom começo de roteiro. Entre os belos prédios que você certamente vai fotografar, estão a St Louis Cathedral, o Cabildo e o Presbytère. Além disso, a orla do rio Mississippi está ali, pronta para uma caminhada ou para a prática do “nadismo”.

As fachadas típicas do French Quarter

As fachadas típicas do French Quarter

Onde comer

Um bom lugar para almoçar é a Crescent City Brewhouse. Experimente as cervejas da casa (há um menu de degustação) e a cozinha local. Pratos cajun creole como o gumbo (uma sopa com crustáceos e tomate) e o jambalaya (uma espécie de mistura entre paella e baião de dois). Há também os famosos sanduíches de New Orleans: os po´boys, que existem em diversas versões, com recheios que vão de almôndegas a camarão empanado. Mas na Crescent você vai experimentar uma forma realmente inusitada: po´boy de linguiça de crocodilo, que é muito consumida na região.

Loius Armstrong Park

À tarde, vá andando pela Orleans Avenue até sair do French Quarter e chegar a outro lugar que homenageia Louis Armstrong. Um dos principais parques da cidade leva o nome do músico. Há esculturas dele e de outros jazzistas da cidade. Fotos das estátuas e do icônico pórtico de entrada são imperdíveis. Além da beleza, o Louis Armstrong Park também é especial na história da cidade. Ele fica junto da Congo Square, uma praça que era a porta de entrada para negros escravizados e que foi o berço da música afroamericana na cidade.

O Louis Armstrong Park também é cheio de cor e alegria

O Louis Armstrong Park também é cheio de cor e alegria

Noite na Bourbon Street

Sua primeira noite em NOLA (sigla para New Orleans-Louisiana, que você vai ver por todo canto) não poderia ter outro destino. Certamente você passará pela Bourbon Street, a mais famosa do French Quarter. Mas a fama não se deve exatamente à música. A rua está repleta de clubes de strip tease e bares que servem drinks “para viagem”. Isso é um atrativo, já que New Orleans é um dos poucos lugares dos Estados Unidos em que não é proibido consumir bebida alcoólica na rua. Por isso, turistas desinibidos de todas as idades circulam ali.

A maioria é de jovens, e muitos vão para fazer despedidas de solteiro. Mas também se veem casais idosos, mães com crianças de colo e pessoas em cadeira de rodas. Em meio a elas, mulheres fazendo pole dance, hosts de bares oferecendo cerveja em jarras enormes e um homem fantasiado de Homer Simpson bêbado. Há música, claro. Mas a maioria dos clubes com música ao vivo tem como atrações bandas que tocam covers de pop e rock.

Um início de noite na Bourbon Street

Um início de noite na Bourbon Street

Um lugar aonde fui na Bourbon e curti bastante é o Laffite´s Blacksmith Shop. Fica um pouco afastado do epicentro festivo da rua, mas a caminhada não é tão longa. O bar, que tem uma atmosfera de taverna, chama para si o título de mais antigo dos Estados Unidos. Está em atividade desde 1772. Há um espaço com um piano de cauda que vira mesa quando tem alguém tocando. Além disso, tem uma jukebox bem eclética, com discos que vão do jazz local até Daft Punk.

2º dia

Museu Nacional da Segunda Guerra Mundial

Depois de tomar um café da manhã creole em algum restaurante perto do Mississippi (experimentei o do Jackson Brewery), pegue um bonde na Canal Street. Vá até o surpreendente Museu Nacional da Segunda Guerra Mundial. É a principal atração turística de todo o país quando se quer saber sobre a guerra. E você sabe como os americanos são apegados a este conflito… Por isso, grupos de turistas de toda a parte do país vão lá para conhecer a história ou prestar tributo aos militares mortos.

Há sempre um veterano da guerra de plantão no hall de entrada do museu para receber os visitantes. E o acervo é riquíssimo: veículos, aeronaves, armas, uniformes e painéis contando a história da guerra (na versão dos americanos, óbvio). Outra atração imperdível é o filme 4D “Beyond All Boundaries”, sobre a participação americana desde o ataque a Pearl Harbor até a vitória final.

Museu da Segunda Guerra Mundial

Museu Nacional da Segunda Guerra Mundial

Garden District

O almoço pode ser em algum restaurante ou café na Magazine Street, que também tem loja descoladas de design e roupas. Andando um pouco mais por ela, você chega até outro bairro emblemático de New Orleans. separado do French Quarter por cerca de três quilômetros e um século. O Garden District foi criado para abrigar famílias americanas ricas que administravam as plantations (sistemas de cultivo de produtos como cana de açúcar e algodão, típicos dos anos 1800). Elas não queriam morar junto com os negros no Quarteirão Francês. Eles acabaram construindo mansões de diversos estilos: francês, grego, gótico e vitoriano, entre outros. Algumas das casas são históricas.

Uma delas, no número 2301 da Saint Charles Avenue, foi a residência da escritora Anne Rice durante a infância. Outras celebridades que ainda moram no Garden District são o ator John Goodman e o jogador de futebol americano Archie Manning. Ele é um dos astros do New Orleans Saints, o time local que disputa a NFL. Há agências que organizam tours guiados que contam a história de cada uma das principais mansões. Mas é muito fácil encontrar na internet informações para passeios autoguiados.

Uma típica mansão do Garden District

Uma típica mansão do Garden District

Noite na Frenchmen Street

À noite, saia um pouco do oba-oba da Bourbon Street e vá aonde os moradores de NOLA saem para ouvir música: a Frenchmen Street. Ela fica no final do French Quarter e abriga várias casas de shows. Lá se ouvem novos talentos e bandas conhecidas da cidade. A programação não costuma se restringir ao jazz. Blues, R&B, soul e até música latina pode ser conferida por lá. Bares como o The Maison e o d.b.a não cobram ingresso, mas é de bom tom que o público contribua com uma gorjeta. Em alguns shows, os próprios artistas vão de mesa em mesa pedir o dinheirinho pra garantir a noite.

Palco da Maison, na Frenchmen Street

Palco da Maison, na Frenchmen Street

3º dia

City tour sobre o Katrina

Não costumo gostar de city tours, mas New Orleans tem uma variedade tão grande de passeios temáticos que é difícil não se render a um deles. Quando estive por lá, fiz um sobre o furacão Katrina, que devastou a cidade em 2005. Muitas cicatrizes continuam abertas, especialmente em bairros que foram quase totalmente arrasados como o Ninth Ward. Há muitas casas danificadas, lotes inteiros desocupados e poucos serviços como transporte público e escolas.

Por outro lado, os músicos Harry Connick Jr e Branford Marsalis se juntaram para bancar a construção de um bairro planejado para abrigar os músicos da cidade que perderam suas casas com o furacão. Marcado por habitações multicoloridas, o Musician´s Village virou uma atração à parte em Nova Orleans. Além disso, simbolizou o esforço para que a cidade não perdesse a tradição da música. O Musician´s Village também abriga o Ellis Marsalis Center for Music, uma espécie de híbrido entre escola e centro cultural.

O Musicians Village é um símbolo da resistência da cidade pós-Katrina

O Musicians Village é um símbolo da resistência da cidade pós-Katrina

Mais dicas gastronômicas

Para a tarde, duas sugestões. Uma delas foi opção minha no ano em que conheci NOLA: me afastar um pouco do French Quarter para comer em dois lugares indicados por um amigo que havia visitado a cidade. Um deles é o o Parkway Bakery and Tavern, especializado em po´boys, os sanduíches de que falei algumas linhas acima. Experimente o de camarão empanado!

Perto dali, há uma sorveteria italiana chamada Angelo Brocato. É um daqueles negócios familiares, que passam de geração para geração. E, como em toda gelateria, o sorvete de pistache é espetacular! Na volta ao Quarteirão Francês, é legal tirar uma horinha para conhecer o French Market, que abriga um mercado agrícola e outro de pulgas. Para quem gosta de cozinhar, é o melhor lugar para comprar temperos e condimentos e tentar emular receitas creole quando voltar para casa. Caso você esteja cansado de caminhar, há muitas casas de imigrantes orientais que oferecem massagens nos pés.

Eis um po'boy de camarão empanado

Eis um po’boy de camarão empanado

Última noite tem que ser musical

Para a despedida noturna, minha sugestão é se ligar na agenda de dois dos principais palcos musicais da cidade. Um é o da Preservation Hall, que tem uma banda residente de jazz bastante conhecida. Outro é o da House Of Blues, que não se limita a shows de música. Os sites das duas casas são repletos de informações úteis para que você programe sua visita.

A agenda semanal da House Of Blues tá sempre na fachada. É passar por lá e se programar

A agenda semanal da House Of Blues tá sempre na fachada. É passar por lá e se programar

Bônus: os lugares que não conheci em New Orleans

Como falei, fiquei apenas três dias em NOLA e não tive oportunidade de conhecer tudo o que a cidade oferece. Mas, na conversa com moradores, gente que trabalha no turismo e visitantes de outros locais, peguei algumas dicas que podem ser bem pesquisadas na internet.

Passeios guiados: são literalmente DEZENAS. Cemitérios, música, drinks, pântanos, cruzeiros no Mississippi e até tours de histórias mal assombradas e que contam a história do vudu na cidade. Uma das agências que faz todos esses principais passeios é a Grey Line e o site dela pode ser um ótimo ponto de partida. Mas em qualquer hotel você encontra folhetos de outras agências que podem trazer opções mais interessantes para o que você procura.

Mardi Gras World: é um museu dedicado ao Mardi Gras, o carnaval de New Orleans. É possível conhecer um pouco da história da festa e também ver artistas e escultores preparando as alegorias e fantasias. Veja o site!

Movie Tour: de todos os tour guiados, o que mais me deu arrependimento de não fazer foi este. New Orleans foi locação para filmes e séries de TV, de JFK a True Blood, de Easy Rider a Django Livre, passando por Ray, Entrevista com o Vampiro e O Curioso Caso de Benjamin Button. Dá pra ter uma noção do passeio neste site.

1 comentário em 3 dias em New Orleans – let the good times roll…

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