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Categoria: Brasil

Maceió: dicas da cidade em um roteiro de quatro dias

Vou confessar um pecado: foram necessários seis anos morando no Recife para ir a Maceió pela primeira vez. É pecado sim porque não há uma desculpa que não soe esfarrapada….

Vou confessar um pecado: foram necessários seis anos morando no Recife para ir a Maceió pela primeira vez. É pecado sim porque não há uma desculpa que não soe esfarrapada. As duas cidades são próximas: em 3h30 de estrada você sai de uma e chega à outra. Amigos pernambucanos sempre elogiaram a beleza da orla da cidade e das praias do litoral alagoano. Meus pais, quando vieram me visitar, já deram pelo menos duas escapadas até Alagoas e voltaram maravilhados. Falta de aviso é que não foi…

Maceió sozinha tem 40 quilômetros de litoral. Seis deles urbanizados, com calçadão, ciclovia, barracas e bares de praia. Nenhuma capital nordestina tem piscinas naturais tão próximas: a apenas dois quilômetros da costa. Além disso, a cidade oferece esportes de aventura (caiaque e stand up paddle, por exemplo), artesanato e uma ótima gastronomia. A capital alagoana é bem servida de restaurantes de cozinha regional e internacional, sempre com frutos do mar fresquinhos.

A orla da Pajuçara é fechada aos domingos e feriados. Foto: Leonardo Aquino

Para quem quer dar uma variada na paisagem, é só pegar uma estrada para viagens curtas. Num raio de algumas dezenas de quilômetros a partir de Maceió, há um farto cardápio de praias. Umas mais desertas, outras mais movimentadas, algumas com infraestrutura de resort, outras mais rústicas. Todas com o mar naquela paleta de cores dos sonhos: entre o azul e o verde, para ninguém sentir inveja do Caribe.

A ida a Maceió acabou sendo emblemática para mim por uma razão pessoal. Foi a primeira vez que minha esposa Janaína e eu viajamos com nossa filha Olívia. Ela tinha apenas dois meses quando fomos e isso acabou sendo determinante na elaboração do roteiro. Por exemplo, deixamos de fazer os passeios nas piscinas naturais por receio de andar com uma bebê num barco. E nas praias, procuramos pontos de apoio que fossem mais amigáveis para crianças.

Fim de tarde na Pajuçara. Foto: Leonardo Aquino

Passamos quatro dias lá no feriadão de 12 de outubro de 2017 e resolvi compartilhar com vocês nosso itinerário. Não é um guia definitivo de Maceió, mas o relato da nossa experiência na cidade. As dicas podem ser aproveitadas por famílias com filhos pequenos ou turistas em busca de uma viagem mais low profile. Espero que vocês curtam!

Como chegar a Maceió

De avião

Há voos diretos para Maceió saindo de Recife, Salvador, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas e Belo Horizonte. Se você vier de avião, desembarcará no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares. Ele fica a 25 quilômetros da orla da Pajuçara, o epicentro turístico da cidade. Se é nessa região que você vai ficar hospedado, a corrida de táxi vai sair entre R$ 75 e R$ 88. Dá para fazer uma simulação da viagem no site http://www.citytaxi.com.br.

Para economizar, dá para chamar um Uber, que custa entre R$ 40 e R$ 55. Há ainda os ônibus da empresa Veleiro (http://www.viacaoveleiro.com.br), que saem da frente do aeroporto. Mas os moradores dizem que a linha Aeroporto/Ponta Verde costuma ser visada por assaltantes. Melhor evitar.

De carro

Saindo do Recife, como foi o nosso caso, há dois caminhos. Um é pela BR-101, num percurso de aproximadamente 260 quilômetros. A estrada é toda duplicada no trecho pernambucano. Quando se entra em Alagoas, há alguns trechos de uma pista só. Mas as obras de duplicação estão em andamento, o que congestiona o trânsito em alguns momentos.

O segundo caminho é a chamada rota litorânea: PE-060 no trecho pernambucano e AL-101 no trecho alagoano. A distância é mais ou menos a mesma da rota pela BR-101. Mas o trajeto quase todo é feito em estrada de pista única. Além disso, há muitos trechos em áreas urbanas. Porém, para quem quer fazer um pinga-pinga em várias praias, é a melhor opção. No caminho, estão Porto de Galinhas, Carneiros, Tamandaré, Maragogi, Japaratinga e muitas outras.

Para quem vem do outro lado do Nordeste, como Aracaju e Salvador, o caminho principal é a BR-101. Mas não sei como está a estrada neste trecho.

Onde ficar

A maioria dos hotéis de Maceió está na Pajuçara. É o principal bairro da orla urbana, com muitos restaurantes, a feirinha de artesanato e equipamentos na praia (como quadras esportivas). Mas a oferta de hospedagem é proporcional à quantidade de gente e de carros circulando. Aos domingos e feriados, a avenida litorânea é fechada num trecho que vai até Ponta Verde (o bairro imediatamente ao norte de Pajuçara). A orla acaba virando uma grande rua de lazer, o que pode ser uma delícia e um tormento, dependendo do ponto de vista.

Quanto mais para cima você anda no mapa, menos muvuca. Escolhemos nos hospedar num dos últimos bairros da orla urbana da cidade, a Jatiúca. Alugamos um Airbnb num condomínio à beira-mar, num trecho ainda movimentado do bairro. Você pode usar como referência a avenida Antônio Gomes de Barros, que é perpendicular à orla. Ela é em estilo boulevard, com um canteiro central largo (mas não muito bem cuidado). Nela, há uma quantidade enorme de restaurantes, bares e lojas de rua. É uma ótima pedida para passeios pós-praia.

 

Primeiro dia

Almoço na Bodega do Sertão

Chegamos a Maceió por volta do meio-dia e, depois de deixar a bagagem no apartamento, fomos atrás do almoço. Escolhemos um local bem próximo ao condomínio: a Bodega do Sertão. É um restaurante típico nordestino que costuma ser visitado por celebridades. Há um painel com fotos de várias delas, principalmente atores globais. O serviço é em buffet por quilo e o atendimento é muito bom. Dá para experimentar baião de dois, carne de sol, carneiro, e outras delícias regionais.

Se você estiver na cidade em um domingo, pode tomar café na Bodega do Sertão. É o único dia em que o restaurante abre de manhã. Sem pressa, dá para se empanturrar com as guloseimas nordestinas. Bolo, tapioca, cuscuz, macaxeira e muito mais!

Pontal da Barra e Feirinha de Artesanato da Pajuçara

Maceió, bordado filé

O famoso filé alagoano. Foto: Leonardo Aquino

Em seguida, fomos até um local onde se compra o artesanato alagoano mais tradicional. O Pontal da Barra, também conhecido como “bairro das rendeiras”, é o melhor lugar para comprar o filé. Não, não é o corte de carne. E sim um estilo de bordado bem característico.

Segundo o Instituto de Bordado Filé, o estilo é construído a partir de uma rede que serve de suporte para a execução do bordado. O trabalho propriamente dito tem duas etapas: a construção da rede e o preenchimento de pontos sobre a rede.

É um estilo bem colorido, que está principalmente em peças de mesa e de vestuário. No Pontal da Barra, você vai poder encontrar uma variedade tremenda de exemplares. As lojas e ateliês das rendeiras estão concentradas na rua Alípio Barbosa da Silva. Além do filé, dá para encontrar tecelagem, cerâmica e muitos outros tipos de artesanato. Muitas lojas aceitam cartões de crédito e débito, mas levar dinheiro em espécie é bom para pechinchar. Há um caixa eletrônico da rede Banco 24 Horas numa das galerias.

Maceió, Pontal da Barra

A rua das rendeiras no Pontal da Barra. Foto: Leonardo Aquino

Depois de sair do Pontal da Barra, tentamos ir à Feirinha de Artesanato da Pajuçara. Mas o movimento estava muito grande na região (era feriado) e não conseguimos nem lugar para estacionar o carro. Pelo que deu para ver de fora, não há nada muito diferente do que se encontra em outras feiras de capitais nordestinas. Cachaça, castanha, renda, tecelagem, referências a forró e cangaço, etc. Se você é do Nordeste, certamente não vai ver nenhuma grande novidade.

Daslagoas Brew Pub

A casa da cerveja alagoana. Foto: Leonardo Aquino

À noite, decidimos dar uma explorada na avenida Antônio Gomes de Barros, próxima ao apartamento. Encontramos uma cervejaria que chamou a atenção pelo nome: Daslagoas Brew Pub. É um bar que produz a própria cerveja, com cinco rótulos. Todos têm alguma referência à cultura nordestina: Quilombos, Aluá, Jangadeiros, Virgulino e Guerreiros. Às terças, quartas e quintas, no happy hour, você toma dois chopps iguais e ganha o terceiro. Experimentamos a Guerreiros, que é uma Blonde Ale bem gostosa. A Daslagoas também vende outras cervejas locais, com preços muito bons. Vale demais a visita!

Maceió, Das Lagoas Brew Pub

Foto: Leonardo Aquino

Segundo dia

Praia de Garça Torta e Milk Beach Pub

Praia de Garça Torta. Foto: Leonardo Aquino

Era nosso primeiro dia de praia, então resolvemos acordar cedo para aproveitar algum tempo de sol mais brando. Principalmente por causa da Olívia, nossa bebê de dois meses. A ideia inicial era ir ao Hibiscus, um day use que fica na praia de Ipioca, 24 quilômetros ao norte de Maceió. O local é muito bem recomendado pela infra-estrutura, com gazebos, redes, espaço infantil, piscinas e até spa.

Quando chegamos à entrada do Hibiscus, fomos informados que o day use (R$ 35 por pessoa, sem consumação incluída) só poderia ser pago em espécie. Estávamos apenas com os cartões e tivemos que voltar à estrada para tirar dinheiro. Na volta, já havia uma placa na guarita: LOTADO. E não eram nem 10 da manhã. Acabamos desistindo do Hibiscus. Além do preço alto e da grande concorrência para entrar, achamos que era diferente do perfil que procurávamos.

Maceió, Milk Beach Pub, Praia de Garça Torta

Milk Beach Pub. Foto: Leonardo Aquino

Fomos então para uma praia um pouco mais próxima de Maceió, a de Garça Torta. Ficamos em outro bar de praia bem recomendado, o Milk Beach Pub. Quando chegamos, não havia quase ninguém e nos sentimos muito mais à vontade. Guarda-sol, rede e uma trilha sonora ótima, que foi de Secos e Molhados a Rolling Stones. O nome é uma homenagem a Harvey Milk, ativista LGBT americano que foi interpretado no cinema por Sean Penn.

Maceió, Milk Beach Pub, Praia de Garça Torta

Sombra, rede, barulho do mar… Precisa de algo mais? Foto: Leonardo Aquino

O cardápio tem petiscos de praia e frutos do mar a preços bem OK. A praia de Garça Torta, que fica nos fundos do Milk, tem o mar agitado. Além das ondas que quebram em cima da beira, há algumas pedras logo em frente ao acesso do bar. Mas dá para tomar banho andando um pouco para a esquerda.

Caminhada pela Jatiúca

No fim da tarde, resolvemos dar uma caminhada pela orla da Jatiúca. Há uma ciclovia e as calçadas são bem pavimentadas. Tanto que conseguimos andar confortavelmente com a Olívia no carrinho de bebê. A região tem muitos bares de praia como a Barraca Buenos Aires e o Lagosta do Chef. Saindo da orla e indo em direção à cidade, estão alguns dos restaurantes mais badalados de Maceió, como o italiano Maria Antonieta e o peruano Wanchako.

Acabamos indo em uma opção mais econômica para jantar, a creperia Operant. A especialidade da casa são os crepes com massa crocante. Mas a casa também tem boas saladas e ótimos sucos.

 

Terceiro dia

Praia de Guaxuma

Maceió, Praia de Guaxuma

Praia de Guaxuma. Foto: Leonardo Aquino

Fomos à primeira praia ao norte de Maceió. Guaxuma fica cerca de 10 quilômetros distante da Pajuçara, mas já dá para sentir muita diferença da orla urbana. Menos gente, menos carros e mais espaço na areia. O mar é agitado como o de Garça Torta, mas sem pedras.

Maceió, Praia de Guaxuma

Barraca Bar Brasil, em Guaxuma. Foto: Leonardo Aquino

Ficamos na Barraca Bar Brasil, uma das mais conhecidas de Guaxuma. Ela tem uma infraestrutura bem simples, mas suficiente para não passar perrengue. O diferencial é uma área de lazer para crianças, com alguns brinquedos no estilo parquinho. Os preços, em geral, são mais baixos que os de Garça Torta. Experimentamos o filé de siri, servido com farofa. Custou 35 reais e foi um bom petisco pré-almoço. O ponto negativo é que, diferente do Milk Beach Pub, o Bar Brasil é todo aberto e oferece menos privacidade.

Almoço no Akuaba

Depois da praia, fomos para uma das experiências que mais esperávamos em Maceió: o almoço no Akuaba. É um dos restaurantes mais badalados da capital alagoana, com suas receitas de inspiração africanas e baianas.

O acarajé do Akuaba. Foto: Leonardo Aquino

De saída, lhes digo: lá, experimentei o melhor acarajé da minha vida. Massa sequinha e fofinha, recheios deliciosos e um tamanho generoso. Se você não estiver sozinho na mesa, melhor dividir. Comer um inteiro pode tirar um precioso espaço do seu estômago.

Maceió, restaurante Akuaba

A Moqueca Meu Príncipe do Akuaba. Foto: Leonardo Aquino

No prato principal, pedimos a Moqueca Meu Príncipe. Ela leva camarão, mexilhão e polvo e é temperada com gengibre e biri-biri, uma fruta que também é conhecida como limão de caiena. Serve duas pessoas, assim como quase todo o cardápio. Além de moquecas, o Akuaba tem muitas opções de frutos do mar, inclusive ostras frescas.

O almoço saiu a R$ 87 por pessoa, incluindo entrada, prato principal, drink e sobremesa. O preço é bem justo para o tamanho das porções e para a qualidade da comida.

 

Último dia

Japaratinga

Foto: Leonardo Aquino

Para chegar ao Recife com o dia claro, saímos de Maceió ainda de manhã. A ideia era parar em alguma praia na rota ecológica para almoçar. Ficamos na dúvida entre Maragogi e Japaratinga. Maragogi é o principal destino da região, graças às piscinas naturais e à boa gastronomia. Só que a cidade foi invadida por resorts e costuma ficar entupida de turistas. Japaratinga está ali coladinha e tem as mesmas atrações naturais. A oferta de restaurantes não é igual à da vizinha badalada, mas a quantidade é suficiente para lhe deixar na dúvida na hora do almoço.

Como queríamos tranquilidade por causa da bebê, fomos a Japaratinga. A entrada da vila tem aquela imagem típica das cidades de interior: a pracinha, a igreja e os pequenos comércios. Andando algumas centenas de metros, você chega à orla e dá de cara com o mar azul esverdeado.

Praia de Japaratinga

Foto: Leonardo Aquino

Indo para a direita na orla (ou na direção sul no mapa), você vai encontrar uma grande oferta de restaurantes pé na areia. Escolhemos o Camboa pela área externa amigável: grama bem cuidadinha, espaço para estacionar, mesas e sombrinhas na beira da praia, proximidade do mar. O banho por lá é ótimo: ondas fracas e água com temperatura bem fresquinha.

O único porém foi o custo-benefício do almoço. Pagamos 84 reais num peixe grelhado bem simplório, com arroz e purê. Mas, em se tratando de valores, não espere encontrar algo muito diferente na região. Os preços são bem inflacionados.

No quesito economia, Japaratinga leva vantagem sobre Maragogi no valor do passeio das piscinas naturais. Pela pesquisa que fiz, o preço em Maragogi é em média 50% mais caro. Outra dica importante: se você gosta de sol e sossego, vale curtir a rota ecológica sem pressa. O ideal é programar de três a quatro dias.

 

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Círio de Nazaré: um guia para quem vai acompanhar pela primeira vez

Para quem nasce em Belém do Pará, é impossível desenvolver uma relação de indiferença com o Círio de Nazaré. A cidade é tão invadida por Nossa Senhora em outubro quanto…

Para quem nasce em Belém do Pará, é impossível desenvolver uma relação de indiferença com o Círio de Nazaré. A cidade é tão invadida por Nossa Senhora em outubro quanto por Papai Noel em dezembro. A publicidade local ganha peças especiais para a época. Os parentes que moram longe desembarcam quase todos na mesma semana. Quem é de rezar tem uma quinzena inteira para dedicar à devoção. Quem não é de rezar tem uma grande dose de confraternização, comida e algumas festas. Ou então se limita a reclamar do trânsito, que realmente fica insuportável.

É o maior evento de Belém, que leva mais de um milhão de pessoas às ruas da cidade, entre moradores e visitantes. E no meio dessa multidão, tem gente de vários perfis. De turistas que gastam uma nota para ver o Círio da varanda de um hotel cinco estrelas até peregrinos de cidades vizinhas que vêm a pé. Tem gente que vem de longe para expressar sua fé. E tem gente que vai contemplar a fé alheia. Os promesseiros do Círio de Nazaré atraem tantos olhares e suspiros quando a própria padroeira dos paraenses.

Minha relação com o Círio de Nazaré começou como a de quase qualquer belenense. Quando eu era muito pequeno, meus pais não costumavam me levar para a procissão por causa do sufoco e da aglomeração. Quando eu tinha 10, 11 anos, comecei a acompanha-los. Aos 19, já na faculdade de jornalismo, o Círio virou sinônimo de trabalho para mim. E muito! Jornalista que folga no Círio é tão raro quanto a neve em Belém.

Trabalhar no Círio de Nazaré distanciou um pouco a minha visão do lado espiritual da coisa. Mas ajudou a compreender questões mais práticas e objetivas do evento. Talvez tenha mesclado a minha vivência de nativo com um olhar de visitante. E acho que é uma mistura interessante para falar do Círio num blog de viagens.

Decidi escrever este post não com o objetivo de ser a principal fonte de informações históricas sobre o Círio. E sim pensando no viajante que pretende acompanhar a festividade pela primeira vez. Sei que chegar a Belém na segunda semana de outubro sem referência nenhuma deve deixar os romeiros estreantes meio baratinados. Espero que este artigo possa ajudar a facilitar a vida (e o planejamento da viagem) dessas pessoas!

 

Um pouco de história

Círio de Nazaré, Basílica Santuário

A Basílica Santuário de Nazaré. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

A devoção a Nossa Senhora de Nazaré no Pará tem origem numa lenda do início do século 18. Um pescador chamado Plácido encontrou uma imagem da santa às margens de um igarapé, palavra amazônica para riacho. Ele levou a imagem para casa. Mas, no dia seguinte, ela sumiu e reapareceu no mesmo local onde havia sido encontrada. A história se repetiu outras duas vezes até Plácido entender a mensagem: a santa queria permanecer naquele lugar.

O igarapé Murutucu, onde a imagem foi encontrada, acabou recebendo uma pequena capela para sediar a adoração a Nossa Senhora. A primeira procissão foi realizada em 1793. De lá para cá, o número de fiéis se multiplicou exponencialmente. A romaria se transformou em uma das maiores do mundo e a capelinha à beira do riacho virou a hoje imponente Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré.

Para conhecer um pouco mais sobre a história do Círio de Nazaré, acesse o site oficial do evento.

Quando acontece o Círio de Nazaré?

Círio de Nazaré, promesseira

Sempre há promesseiros que fazem o percurso do Círio de joelhos. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

Os primeiros Círios foram realizados em dezembro. Mas, desde 1901, a procissão ganhou a data fixa que tem até hoje: o segundo domingo de outubro. Essa não foi a única mudança em mais de 200 anos de história. Nas primeiras edições, a romaria saía à tarde. Hoje, a saída é às 6 da manhã. As alterações provavelmente foram para fugir do clima chuvoso de Belém, já que dezembro é um mês mais úmido e as chuvas são tradicionalmente vespertinas.

Há muito tempo o Círio de Nazaré não é apenas a procissão do domingo. Ao longo do século 20, foram criadas várias outras romarias para engordar a programação. A santinha viaja por terra e água para alcançar mais fiéis e percorre 140 quilômetros em doze procissões somadas. No total, entre eventos e romarias, a festa da padroeira dos paraenses dura vinte dias.

Para facilitar o seu planejamento, vamos organizar os eventos pelas datas em que são realizados. Usamos o calendário de 2017 como base, mas o post será editado nos anos seguintes com as datas atualizadas.

Antes do fim de semana do Círio

Círio de Nazaré, abertura oficial

Abertura do Círio de Nazaré. Foto: Mácio Ferreira (Agência Pará)

Na terça-feira que antecede a grande procissão, é realizada a abertura oficial do Círio. Em 2017, ela cai no dia 3 de outubro. É uma missa solene na Basílica Santuário, com a presença da diretoria da festa, da arquidiocese de Belém e de autoridades da cidade. Começa às 18h.

Mas o primeiro evento cercado de expectativa dos fiéis acontece na quinta-feira (em 2017, 5 de outubro): a missa de apresentação do manto, também na Basílica Santuário. A cada ano, o manto que cobre a imagem de Nossa Senhora em todas as romarias é diferente. A confecção é mantida sob sigilo absoluto pela diretoria da festa até o dia do evento, que começa às 18h. Não são eventos para pautar a data da sua chegada. Só se você já estiver na cidade e for muito devoto.

Apresentação do manto de Nossa Senhora. Foto: Divulgação / Fundação Nazaré

 

Sexta-feira, 06/10/2017

Círio de Nazaré, Traslado

As ruas movimentadas no dia do Traslado. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

Traslado

A antevéspera do Círio de Nazaré é o dia da primeira das doze romarias, o Traslado. Ela sai às 7 da manhã e é a mais longa de todas. O percurso tem 52 quilômetros e vai da Basílica Santuário, em Belém, até a Igreja de Matriz de Ananindeua, município vizinho à capital paraense. A imagem de Nossa Senhora é colocada sobre um carro da Polícia Rodoviária Federal. O roteiro passa por vários bairros de Belém, Ananindeua e Marituba (outra cidade da região metropolitana). No caminho, o comboio faz algumas paradas para homenagens em frente a prédios de órgãos públicos e hospitais.

 

Auto do Círio

À noite, o centro histórico de Belém é ocupado por um dos eventos mais tradicionais da programação extraoficial da festividade. O Auto do Círio é um cortejo organizado há mais de duas décadas pela UFPA, por meio da Escola de Teatro e Dança. Pelas ruas da Cidade Velha, artistas profissionais e amadores encenam um espetáculo que celebra a cultura e a história de Belém e do Círio.

Círio de Nazaré, Auto do Círio

Auto do Círio. Foto: Cristino Martins – Agência Pará

 

Festival Lambateria

Você pode aproveitar a ida à Cidade Velha para curtir uma noite de música paraense no Festival Lambateria. A Lambateria é uma festa (da qual já falamos no post sobre dicas de Belém) em que toca guitarrada, carimbó, tecnobrega e outros ritmos tradicionais e modernos da Amazônia. A escalação do festival está imperdível e tem como principais atrações Dona Onete, Pinduca, Combo Cordeiro e Félix Robatto. Outras informações você pode encontrar na página do evento no Facebook.

 

 

O que vale a pena?

O Traslado não vale a pena. Como a romaria é conduzida por um carro e há várias interdições no trânsito no caminho, é praticamente impossível seguir o comboio. Mas, se você quer colocar esta romaria no currículo, o melhor é ver a saída nos arredores da Basílica ou escolher um ponto de passagem. Minha sugestão: o Hospital Ophir Loyola, na avenida Magalhães Barata. Não é longe do centro de Belém e é uma parada tradicional da procissão.

Já o Auto do Círio vale demais. Tanto pela manifestação artística quanto para conhecer o bairro mais antigo de Belém. O Auto do Círio geralmente tem “estações” em frente a alguns dos lugares mais bonitos da Cidade Velha, como a Catedral e a Igreja de Santo Alexandre.

Sábado, 07/10/2017

Círio de Nazaré, Romaria Rodoviária

Fiéis à espera da Romaria Rodoviária. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

O dia mais importante da programação do Círio de Nazaré é o domingo. Mas o mais movimentado é o sábado. São quatro romarias, começando nas primeiras horas da manhã e terminando já no início da madrugada de domingo.

Romaria Rodoviária

O dia começa com a Romaria Rodoviária, que sai às 5h30 da Igreja Matriz de Ananindeua, onde a imagem de Nossa Senhora pernoitou na véspera. Esta romaria é realizada desde 1989 no sábado anterior e foi criada para atender a um pedido do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga. São 24 quilômetros de percurso pelas rodovias BR-316 e Augusto Montenegro até o trapiche de Icoaraci, onde começa o segundo evento do dia.

Romaria Fluvial

A Romaria Rodoviária termina onde a Romaria Fluvial começa. Depois de uma missa no trapiche, a imagem embarca numa corveta da Marinha. A saída costuma ser por volta de 9 da manhã. É um dos eventos mais bonitos de toda a festividade. A padroeira é seguida por embarcações de diversos tamanhos e padrões, desde lanchas turísticas até barcos simples de madeira. A romaria tem um percurso de 10 milhas náuticas (o equivalente a 18,5 quilômetros) e costuma durar 2h30. A chegada é na escadinha do Cais do Porto, no centro de Belém.

Círio de Nazaré, Romaria Fluvial

Romaria Fluvial. Foto: Carlos Sodré – Agência Pará

Moto Romaria

No final da Romaria Fluvial, a festa se divide em duas. A imagem de Nossa Senhora segue para a terceira procissão do dia: a Moto Romaria. Milhares de motociclistas acompanham a santa num trajeto de 2,5 quilômetros até o Colégio Gentil Bittencourt, na avenida Magalhães Barata. Geralmente, esta romaria dura em torno de uma hora.

Moto Romaria. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

Arrastão do Círio

Quem não está de moto pode participar de outra programação que começa bem perto, em frente à Praça dos Estivadores: o Arrastão do Círio. É um evento organizado pelo Instituto Arraial do Pavulagem, um dos principais difusores da cultura popular no Pará. É um cortejo embalado por tambores, danças e cantos em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré.

Círio de Nazaré, Arrastão do Pavulagem

Arrastão do Círio. Foto: Dah Passos – Instituto Arraial do Pavulagem

Trasladação

No final da tarde, começa a segunda procissão mais importante da programação do Círio de Nazaré: a Trasladação. Ela tem um trajeto quase igual à da grande romaria do domingo, mas no sentido contrário. Sai do Colégio Gentil Bittencourt em direção à Catedral Metropolitana. Como é uma caminhada noturna, geralmente é embelezada pelas velas que muitos fiéis levam. A iluminação da berlinda que leva a santa também é um dos pontos altos. O percurso tem 3,7 quilômetros, mas a duração é menos previsível. Costuma terminar por volta da meia-noite.

Círio de Nazaré, Trasladação

Trasladação. Foto: Thiago Gomes – Agência Pará

Festa da Chiquita

Pensa que acabou? A noite do sábado para o domingo tem um evento que costuma fazer os católicos mais tradicionalistas torcerem o nariz. A Festa da Chiquita é um evento organizado pela comunidade LGBT de Belém e é realizada no Bar do Parque, em frente ao Theatro da Paz. Assim que a Trasladação passa em frente ao bar, a festa começa e costuma entrar pela madrugada. Nos últimos anos, a Festa da Chiquita sempre foi uma incógnita até a última hora. Sem o apoio da diretoria do Círio e das últimas gestões da prefeitura, ela foi marginalizada. Até o fechamento deste texto, não havia uma confirmação sobre a realização em 2017.

A Festa da Chiquita foi tema de um documentário lançado há alguns anos. O nome do filme é “As Filhas da Chiquita” e está disponível na íntegra no Vimeo. Aqui, um trechinho para você ter uma noção do que rola no Bar do Parque depois que a santa passa.

O que vale a pena num dia tão movimentado?

Eu recomendo fortemente a Romaria Fluvial. Ela é muito simbólica dentro da programação, dado o significado dos rios para a região amazônica. Algumas agências de turismo preparam embarcações para acompanhar a romaria. O barco da Valeverde Turismo é um dos mais tradicionais. Oferece bebidas quentes e água, tem venda de lanche a bordo, música ao vivo e show folclórico.

Se o passeio de barco não tiver tirado toda a sua energia, passe algumas horas no Arrastão do Pavulagem. É uma lindíssima manifestação artística, além de ser um ponto de encontro de gente descolada.

A Trasladação também vale muito a pena. Se você quiser acompanhar caminhando, chegue ao Colégio Gentil Bittencourt pelo menos uma hora antes da procissão. Veja a saída da santa e siga andando na frente da romaria até onde seu fôlego permitir. Se quiser ver tudo sentadinho, o melhor custo/benefício é comprar um ingresso para as arquibancadas montadas na avenida Presidente Vargas. Para a Trasladação, o preço é R$ 35. A venda é pela internet.

A Festa da Chiquita é divertida, mas tem uma aglomeração que permite pequenos furtos. Se você for conservador a ponto de se incomodar com a celebração da diversidade num evento católico, melhor não ir. Mas se você estiver no espírito, não perca. Só tenha as mesmas preocupações que você teria num evento de carnaval de rua. Ah, e não perca a hora para o dia seguinte!

 

Domingo, 08/10/2017

Círio de Nazaré, berlinda

Foto: Thiago Gomes – Agência Pará

É o grande dia da festividade. O Círio de Nazaré propriamente dito. A movimentação começa ainda de madrugada, antes mesmo do sol nascer. Os promesseiros que querem acompanhar a procissão na corda (vamos falar dela mais adiante) passam a madrugada no Boulevard Castilhos França. Mas o início do dia para valer é às 5h, com a missa na Catedral Metropolitana. A missa termina e o Círio começa. A berlinda que leva a imagem da padroeira sai da Praça Frei Caetano Brandão, em frente à Catedral, e começa um percurso de 3,6 quilômetros.

Em frente à Praça do Pescador, no Boulevard Castilhos França, acontece um dos momentos mais emocionantes do Círio de Nazaré. É quando a corda, um dos símbolos mais especiais da festa, é atrelada à berlinda. A corda tem 800 metros de comprimento, dividido em dois pedaços de 400. Cada centímetro é disputado à exaustão pelos promesseiros, que se espremem para pedir ou agradecer alguma realização atribuída à fé na padroeira.

Círio de Nazaré, corda

No meio dos promesseiros da corda, nem se vê a corda. Foto: Alessandra Serrão – Agência Pará

Na frente da corda e da berlinda, vão outros elementos importantes na simbologia do Círio de Nazaré. Treze carros de promessas começam o percurso um pouco mais adiante, na avenida Presidente Vargas. Alguns deles recebem os ex-votos, que são objetos representando os pedidos ou as graças alcançadas. Os mais comuns: velas, partes do corpo esculpidas em cera (para pedidos relacionados a saúde), tijolos e miniaturas de barcos e casas. Outros carros levam crianças vestidas de anjos, geralmente pagando promessas feitas pelos pais.

Foto: Thiago Gomes – Agência Pará

Tem gente que acompanha o Círio caminhando. Tem gente que fica à espera da passagem da procissão em algum ponto do percurso. Edifícios, hotéis, arquibancadas são locais em que se tem conforto e segurança. Quem prefere não pagar (ou não pode), fica na rua mesmo. Não é a melhor escolha para quem tem mais idade ou alguma dificuldade de locomoção.

Quanto tempo dura?

A duração da romaria é uma controvérsia entre os fiéis. Já houve um Círio de Nazaré que durou dez horas. Foi o de 2004, que chegou ao ponto final (a Praça Santuário) às 16h. E já houve outros que chegaram antes do meio-dia. Tem quem prefira que o Círio seja mais rápido, para que as famílias possam aproveitar o tradicional almoço e o restante do domingo. Tem quem ache que uma procissão mais longa é um sacrifício que vale a pena, para não se ver a santinha passando “a jato” diante dos olhos.

Dicas para acompanhar

Círio de Nazaré

A Praça do Relógio, em frente à chamada “pedra do peixe” no Ver-o-Peso. Foto: Mácio Ferreira – Agência Pará

O esquema que aprendi com meus pais para acompanhar o Círio a pé é o seguinte. Chegar por volta de 5h30 da manhã à Praça do Relógio, que fica nos primeiros metros do percurso. De lá, ver a passagem da berlinda e então cortar caminho por dentro do bairro do Comércio. Assim, chega-se à avenida Presidente Vargas bem à frente da procissão, sem muito sufoco. Meus pais costumam fazer o atalho pela rua João Alfredo ou Treze de Maio. Mas qualquer rua da região estará muito movimentada no domingo do Círio.

Corda

Se você quiser encarar a corda, vá com a preparação de uma corrida de longa distância. O aperto é grande e o calor, insuportável. Chegue cedo, no máximo às 3 da manhã, ao Boulevard Castilhos França. Vá de chinelos, sabendo que vai precisar descartá-los. É proibido acompanhar a corda calçado. Deixe em casa também acessórios que possam machucar, como anéis, relógios e brincos. Alguns promesseiros da corda levam acompanhantes para dar alguma assistência em caso de necessidade. Muita gente desmaia no percurso. Mas há uma grande quantidade de voluntários da Cruz Vermelha trabalhando no atendimento médico ao longo da procissão.

Segurança

É uma festa religiosa, mas os descuidistas não tiram folga. Portanto, cuidado com objetos de valor. Deixe a carteira em casa. Leve dinheiro trocado e um documento apenas.

Arquibancadas

Para quem preferir comodidade, as arquibancadas oficiais na avenida Presidente Vargas custam R$ 70 e estão à venda neste site.

Hotéis

Se seu orçamento estiver bem mais folgado, hospede-se em um hotel no percurso do Círio de Nazaré. Dois dos mais tradicionais de Belém estão no caminho. O Princesa Louçã (antigo Hilton) na avenida Presidente Vargas e o Grand Mercure (antigo Crowne Plaza) na avenida Nazaré. Eles geralmente fecham pacotes com muita antecedência para o Círio, mesmo cobrando os olhos da cara.

Transporte público

Funciona normalmente e ganha reforço durante o fim de semana do Círio, inclusive de madrugada. Os ônibus que passam perto do percurso geralmente circulam com uma placa “Círio de Nazaré” no vidro dianteiro.

 

Almoço do Círio

Círio de Nazaré, maniçoba

A famosa maniçoba. Foto: Cristino Martins – Agência Pará

Muitos restaurantes fecham no domingo do Círio de Nazaré. É o caso de alguns dos mais tradicionais e conceituados da cidade. O Remanso do Bosque, do badalado chef Thiago Castanho, fecha no domingo, mas abre normalmente para almoço e jantar na segunda-feira. O Lá Em Casa, com mais de 40 anos de tradição, também fecha, assim como todos os outros restaurantes da Estação das Docas. Mas abre no sábado desde cedo, aproveitando a chegada da Romaria Fluvial, inclusive servindo café da manhã.

O Avenida é uma das melhores pedidas. Não só pela tradição, mas pela localização. Ele fica a poucos metros da Praça Santuário. A procissão do Círio passa bem em frente. Para 2017, as reservas abriram em 1º de setembro. E, dependendo do dia em que você ler este post, é possível que não haja mais vagas.

O restaurante do Hotel Mercure (sobre o qual já falamos alguns parágrafos acima) tem um pacote para não-hóspedes. Tem almoço com água, refrigerante e sobremesa inclusos. A programação também tem uma missa no hotel. O valor é um pouco salgado: R$ 350 por pessoa. Mas, se você tiver esse dinheiro sobrando, a comodidade e a localização compensam. As reservas podem ser feitas pelo telefone (91) 3202.2100.

Fora do circuito da procissão, existem boas opções. O Manjar das Garças fica dentro do parque Mangal das Garças. O Spazzio Verdi fica a um quarteirão da Praça Santuário e pode ser uma solução próxima. E o Avuado, que já indicamos no post com as dicas de Belém, também abrirá normalmente. É um bom lugar para comer peixes de rio e frutos do mar.

O prato mais típico nesta celebração é a maniçoba, que, numa tentativa simplória de explicar, é uma espécie de feijoada amazônica. É um cozido de partes menos nobres do porco. Mas, no lugar do feijão, entra a maniva, que é a folha da mandioca brava. Ela precisa passar uma semana fervendo para perder uma toxina natural que possui. Visualmente, o prato não é bonito, mas é muito saboroso.

 

Depois da grande procissão

Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

Quando a romaria do domingo termina, a programação do Círio de Nazaré arrefece um pouco. Todas as manhãs, às 5h30, fiéis celebram o Terço da Alvorada no entorno da Basílica Santuário. Eles se revezam em orações e conduzem uma réplica da imagem da padroeira. À noite, também na área próxima à Basílica, há duas pedidas. O Círio Musical, programação de shows católicos gratuitos na Praça Santuário; e o Arraial de Nazaré, no parque de diversões ao lado da Praça.

Últimas romarias

Mas lembra que eu falei que eram doze romarias? Até agora, falei apenas de seis. No sábado seguinte ao Círio (em 2017, 14 de outubro), são realizadas duas. A primeira é a Cicloromaria, dedicada aos ciclistas. A segunda é a Romaria da Juventude, organizada pelos jovens das paróquias e comunidades da Arquidiocese de Belém.

O dia seguinte (em 2017, 15 de outubro), tem a Romaria das Crianças, com um percurso na medida para que as famílias com filhos pequenos possam celebrar sem sufoco.

No último sábado da festividade (em 2017, 21 de outubro), tem a Romaria dos Corredores. São 7 quilômetros em que a imagem de Nossa Senhora é conduzida numa velocidade para ser acompanhada numa corrida leve.

No domingo seguinte (em 2017, 22 de outubro), tem a Procissão da Festa. É uma romaria dedicada aos membros da diretoria da festa e às comunidades da paróquia de Nazaré. Pra fechar o calendário, tem ainda a missa de encerramento às 19h30 na Basílica Santuário e o Espetáculo Pirotécnico. Este é um momento bastante aguardado e pode ser visto de longe, de vários bairros de Belém. Ele começa às 21h na Praça Santuário.

O que vale a pena acompanhar?

Se sua estadia em Belém para o Círio for mais longa, vale você arrumar uma bicicleta e seguir a Cicloromaria. Ela sai às 8h da Praça Santuário. Tem um percurso de 14 quilômetros por alguns bairros do centro de Belém, até voltar ao local de partida Se você viaja com filhos pequenos, a Romaria das Crianças também é uma boa pedida. A saída e a chegada são na Praça Santuário. O Espetáculo Pirotécnico é bonito, mas a movimentação na Praça Santuário é muito grande. Além disso, é muito comum o relato de pequenos furtos na multidão. Pense duas vezes antes de decidir acompanhar tão de perto.

O que mais fazer em Belém?

Foto: Facebook/Estação das Docas

Estação das Docas. Foto: OS Pará 2000

Além dos passeios clássicos que você já deve ter visto por aí, a gente tem algumas indicações mais “outsiders”. Falamos sobre elas neste post com o guia de Belém que os guias não contam. Mas para não dizer que ignoramos as tradições, sugerimos também a Estação das Docas, sua vista e seus sabores imperdíveis!

O Círio de Nazaré é uma boa época para comprar artesanato em Belém. Duas feiras são tradicionais nesta época. A Feira do Artesanato do Círio, organizada pelo Sebrae na Praça Waldemar Henrique; e a Feira do Miriti, realizada pela cooperativa dos artesãos de Abaetetuba (cidade a 121 quilômetros de Belém), na Praça Dom Pedro II. A primeira é mais completa, com mais tipos e estilos de artesanato. A segunda é focada no miriti, uma palmeira cujo tronco é conhecido como “isopor amazônico”. Abaetetuba é o principal pólo de produção de arte em miriti. São feitas esculturas de todo tipo. Mas o carro-chefe são os brinquedos de miriti, que fazem parte das tradições do Círio.

Mapa do Círio de Nazaré

Aqui você vai encontrar todos os locais citados no texto para que você tenha em conta as distâncias de Belém.

 

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Cinco coisas para fazer na Estação das Docas em Belém

Quem vai a Belém costuma receber duas dicas de passeios. Os moradores da cidade sempre sugerem um fim de tarde na “Estação”, com beira de rio e pôr do sol….

Quem vai a Belém costuma receber duas dicas de passeios. Os moradores da cidade sempre sugerem um fim de tarde na “Estação”, com beira de rio e pôr do sol. Os turistas que já andaram por lá indicam um happy hour nas “Docas”, com chopinho de qualidade e petiscos regionais. O melhor de tudo é que as duas dicas apontam para o mesmo destino: a Estação das Docas.

Costumo desconfiar de dicas “obrigatórias”, mas esta compensa. Na Estação das Docas, é possível ter uma espécie de “menu degustação do Pará” ao longo de 32 mil metros quadrados. Gastronomia, natureza, cultura… tem tudo lá. E o local está acessível a todos os bolsos. Há desde shows gratuitos até restaurantes refinados.

Inaugurada em 2000, a Estação das Docas teve o projeto inspirado no Puerto Madero de Buenos Aires. Ela fica numa região portuária de Belém que estava desativada no final do século passado. Três galpões foram revitalizados e transformados em uma janela para a Baía do Guajará. Além disso, foram instalados restaurantes, bares, lojas, palcos para as mais diversas manifestações artísticas e um auditório que também funciona como cinema e teatro.

Foto: OS Pará 2000

A ideia foi tão bem sucedida que se transformou na principal atração turística de Belém. A circulação de pessoas ultrapassa a marca de 1 milhão por ano, entre turistas e moradores da cidade. O projeto também ajudou a inspirar iniciativas semelhantes em outras cidades brasileiras, como os Armazéns do Porto, no Recife.

Mas, afinal, o que é tão imperdível assim na Estação das Docas? Resolvi criar essa lista com cinco coisas que sempre faço quando vou a Belém. Espero que as dicas sejam inspiradoras!

 

1) Tomar cerveja na Amazon Beer

Foto: Divulgação

Bem antes das cervejas artesanais virarem uma moda hypada, a Amazon Beer foi uma visionária. É um dos poucos estabelecimentos que está na Estação das Docas desde a inauguração. E trouxe para Belém a cultura de tomar um chope diferente daqueles que você encontra em todo canto.

A Amazon Beer produz oito tipos de cerveja, sendo seis delas com algum ingrediente regional na sua composição. A stout, por exemplo, é feita com açaí. A witbier, com taperebá (fruta que você talvez conheça como cajá na sua região). A red ale, com priprioca, uma raiz amazônica costumeiramente usada na indústria de cosméticos. Todas elas estão disponíveis em torneira e em garrafa (para tomar no bar ou levar para casa).

Unha de caranguejo for the win. Foto: Leonardo Aquino

Para acompanhar seu chopinho regional, a Amazon Beer tem um vasto cardápio de petiscos. Os campeões são a linguiça de metro e os pastéis de tacacá. Mas anote aí a dica esperta do Mochileza: unha de caranguejo. É um misto de bolinho e coxinha, recheado com carne desfiada e temperada de caranguejo. A da Amazon Beer é uma das melhores de Belém. Pode ir sem erro.

 

2) Fechar o cardápio de sorvetes da Cairu

Foto: Facebook/Cairu

A Cairu é outro top of mind entre as dicas de quem já conheceu Belém. É a sorveteria mais tradicional da cidade e tem como carro-chefe os sorvetes de frutas regionais. Algumas delas você já deve ter experimentado por aí, como açaí e cupuaçu. De outras você dificilmente ouviu falar, como uxi, sapotilha e muruci.

Há alguns sabores autorais com os ingredientes regionais que valem muito a pena. O carimbó, por exemplo, é um sorvete de castanha do pará com doce de cupuaçi. O paraense é açaí com farinha de tapioca.

Para quem quer fazer apostas seguras, a Cairu tem os clássicos. Chocolate, creme, frutas vermelhas e muitos outros. Mas vá por mim. Faça uma roleta russa do sorvete, escolha algum sabor pelo nome e faça uma experiência inédita para o seu paladar.

 

3) Fazer compras descoladas na Ná Figueredo

Foto: Facebook/Ná Figueredo

Ná Figueredo não é apenas um estabelecimento comercial. É uma marca que se confunde com a cena musical de Belém, com a realização de eventos e o lançamento de discos há quase 30 anos. O carro-chefe são as roupas e calçados, seja as criações próprias da loja ou peças de marcas como AMP, Blunt, Converse e Vans. Também há acessórios como brincos, anéis e pulseiras.

A música é outro ponto forte das prateleiras da Ná Figueredo. São centenas de discos e DVDs de artistas nacionais e internacionais, mas com destaque para músicos paraenses. Alguns deles foram lançados pelo selo da loja, o Ná Music.

Para conferir um pouco sobre o estilo da loja, confira a página da Ná Figueredo no Facebook.

 

4) Conhecer a orla de Belém num passeio de barco

Foto: Divulgação/Valeverde Turismo

Uma famosa canção de Paulo André Barata, compositor paraense, diz: “esse rio é minha rua”. A gente só se dá conta do sentido que ela faz quando conhece Belém e seus rios tão largos a ponto de não se ver a outra margem. Passear por esses caminhos fluviais é um grande programa para se fazer na cidade. E a Estação das Docas é um ponto de partida para vários roteiros desse tipo.

Na Estação, está localizado o trapiche da empresa Valeverde Turismo, que opera os passeios fluviais mais conhecidos de Belém. Numa embarcação tipicamente amazônica, os passageiros contemplam a natureza, a orla da cidade e ainda se entretêm com apresentações de música e danças regionais a bordo.

A Valeverde oferece sete tipos de passeios fluviais. Eles duram de 1h30 a 7h e alguns deles incluem refeições a bordo. Dá para ver as luzes da cidade no entardecer ou conhecer algumas das ilhas próximas a Belém. Nos passeios mais longos, é possível ter um contato bem próximo com a vida da população ribeirinha.

Confira no site da Valeverde os perfis de cada um dos passeios realizados pela empresa.

 

5) Pegar um cinema

Um dos espaços internos da Estação das Docas é o teatro Maria Sylvia Nunes. Nele, são realizados eventos públicos e privados. Mas a sala também recebe o projeto Cine Estação. A programação de cinema foge do circuito comercial e traz títulos alternativos ou clássicos de várias épocas. É comum ver na programação mostras temáticas e filmes que emplacaram em festivais internacionais.

Para acompanhar a programação do Cine Estação, confira a página da Estação das Docas no Facebook.

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Carnaval de Olinda e Recife: um guia de sobrevivência

Eis que você comprou sua passagem para passar uma semana de fevereiro em Pernambuco. Juntou aquela turma esperta para curtir o carnaval nas ladeiras de Olinda, no Recife Antigo e…

Eis que você comprou sua passagem para passar uma semana de fevereiro em Pernambuco. Juntou aquela turma esperta para curtir o carnaval nas ladeiras de Olinda, no Recife Antigo e onde mais estiver tocando uma orquestra de frevo. Está com a viagem marcada, mas ainda não sabe exatamente o que fazer depois que desembarcar no Aeroporto dos Guararapes.

Pois bem: seus problemas acabaram!

Moro no Recife desde 2011 e, apesar de não ser um folião inveterado, conheço muita gente que conta os dias para a chegada do carnaval. São amigos que me ajudaram com muitas dicas para aproveitar melhor os dias de folia.

De cara, lhe digo: por mais que você não curta carnaval (como eu), você vai se divertir à beça em Pernambuco. O astral em Olinda é incomparável. Os palcos no Recife costumam ter shows imperdíveis. E, caso você canse da muvuca, praias como Porto de Galinhas ficam a poucos quilômetros de viagem.

As ladeiras de Olinda. Foto: Vinícius Rodrigues/Pref. de Olinda/Divulgação

Mas, antes de tudo, é preciso chegar com algum conhecimento do terreno. Saber o que esperar é fundamental para evitar perrengues e roubadas. Portanto, resolvi escrever um breve guia de sobrevivência para o carnaval baseado no que aprendi com os meus amigos carnavalescos. Alguns deles são ninjas que acumulam jornadas dobradas no trabalho ao longo do ano para poder folgar na semana do carnaval. Então, vai por mim: os caras entendem do riscado.

Vamos às dicas!

 

1. Prévias: o carnaval em Pernambuco começa cedo

Foto: André Nery/Prefeitura do Recife/Divulgação

Em Pernambuco, o sinal verde para a farra não é dado no sábado de carnaval (que, aliás, é chamado de Sábado de Zé Pereira por aqui). Já se festeja em janeiro, quando os blocos começam a fazer ensaios e prévias. Esses aperitivos contemplam todos os perfis de folião (e de orçamentos também).

As prévias costumam ser realizadas aos sábados e domingos. Em Olinda, os principais blocos fazem ensaios abertos pelas ruas do Sítio Histórico. Não se paga nada para acompanhar as orquestras de frevo e os maracatus. E você ainda curte o charme das ladeiras sem o aperto dos dias em que o calendário diz que é oficialmente carnaval.  Pitombeira dos Quatro Cantos (a melhor orquestra) e Patusco são alguns dos nomes a se procurar nesses ensaios de janeiro.

Prévias pagas

Há também uma boa quantidade de prévias pagas, como se costuma chamar aqui. São bailes fechados organizados por blocos de rua em vários bairros da região metropolitana. Às vezes essas prévias têm shows de artistas de fora e os preços dos ingressos são diretamente proporcionais ao nível de badalação das atrações.

Algumas das prévias mais tradicionais são as seguintes: Hoje a Mangueira Entra, Enquanto Isso Na Sala de Justiça, Acorda Pra Tomar Gagau e Siri Na Lata. Um baile que tem se tornado bem badalado nos últimos anos é o I Love Cafusú, que tem uma temática brega + axé e pagode 90´s.

Se o seu esquema é mais “top vip badalado celebrities”, as suas prévias são: Bloco do Seu Antônio e Carvalheira Fantasy. A primeira é organizada por um bar com o perfil jovem classe A que está sempre entupido de gente. A segunda, por uma produtora de eventos conhecida pelo alto padrão de suas festas.

Para acompanhar a agenda das prévias, acesse a página PE no Carnaval: http://www.penocarnaval.com.br/programacao. Inclusive ela tem links para as vendas de ingressos das prévias pagas.

 

2. Onde se hospedar

 

O local da sua hospedagem vai depender muito do seu nível de sangue nos olhos. Mais até que do seu orçamento. Isso porque, independentemente do padrão da acomodação, os valores sobem muito durante o carnaval. Tanto os hotéis quanto os albergues costumam fazer pacotes para o feriado inteiro, mesmo se você vai chegar depois ou sair antes da quarta-feira de cinzas. A mesma coisa vale para casas e apartamentos perto do epicentro da folia.

Olinda

Se você é daqueles que querem vir para 24 horas por dia de folia e acham que sono é desperdício, se hospede numa casa no Sítio Histórico de Olinda. É só acordar, botar o pé fora da porta e eis um carnaval inteiro passando pela sua rua. As casas costumam ser grandes (convém juntar uma turma para este investimento) e algumas delas têm até um sistema “all inclusive”. Cozinheira, faxineira e segurança à disposição, além de um freezer repleto de cerveja e água.

Essa pode ser a sua vizinhança no carnaval inteiro… Foto: Vinícius Rodrigues/Prefeitura de Olinda/Divulgação

A desvantagem desta opção é o fato de que você ficará preso a Olinda até quando se abusar do carnaval de lá. Sair do Sítio Histórico nos dias de folia é uma missão quase hercúlea. As ruas estão tomadas por multidões e o trânsito está interditado em um raio muito grande. A não ser que você realmente esteja no espírito, eu não recomendaria.

Recife

Uma peculiaridade da indústria hoteleira no Recife é que os hotéis e albergues estão muito concentrados no bairro de Boa Viagem, magnetizados pela praia. Isso tem vantagens óbvias e oceânicas. Você dificilmente terá problemas para se deslocar rumo aos polos do carnaval. Só estará um pouco longe de Olinda. E ainda estará muito cercado de armadilhas turísticas, como bares e restaurantes inflacionados.

Se a praia não é uma prioridade para você ou se você quiser uma experiência mais local, recomendo se hospedar em bairros da Zona Norte: Casa Forte, Parnamirim, Jaqueira, Aflitos, Graças e Espinheiro são alguns deles. Todos são bem servidos de tudo: comércio, gastronomia, vida noturna e transporte. Eles não costumam ter hotéis, mas a oferta de apartamentos e quartos no Airbnb é bem grande.

Se você quiser economizar, procure apartamentos nos seguintes bairros: Pina, Torre, Casa Amarela ou Boa Vista. Costumam ter preços mais baratos e têm fácil acesso tanto para Olinda quanto para o Recife Antigo.

 

3. Como se deslocar

A folia já começa no busão. Foto: Diego Gaiba/Prefeitura de Olinda/Divulgação

Existe um esquema bem montado para que os foliões possam se locomover de transporte público. Isso inclui ônibus especiais e trânsito interditado, com liberação apenas para táxis e moradores. Portanto, nem sonhe em alugar um carro.

Ônibus

Para ir até o Recife Antigo, existe o Expresso da Folia. Trata-se de um sistema de ônibus que liga alguns dos shoppings da capital até o principal polo do carnaval, sem paradas intermediárias. Em 2016, os coletivos saíram dos shoppings Riomar, Recife, Plaza, Tacaruna e Boa Vista e tinham as passagens custando 7 reais, ida e volta. Para quem está hospedado em Olinda, o Tacaruna é o shopping mais próximo. Quem fica em Boa Viagem deve ir ao Recife ou ao Riomar. O esquema do Expresso da Folia começa no sábado, dia do desfile do Galo da Madrugada.

Em 2016, também houve sete linhas especiais de ônibus para facilitar a vida dos foliões: Circular do Galo, Shopping Tacaruna/Olinda, Olinda/Estacionamento Legal, Shopping Recife/Olinda, Riomar/Olinda, Circular Olinda e Circular do Frevo. As passagens custavam de R$ 2,80 a R$ 20. Confira nesta reportagem do G1 Pernambuco os itinerários das linhas especiais em 2016.

Táxis

Você pode perguntar: e os táxis? Por mais que as prefeituras da região metropolitana façam um acordo de livre circulação dos veículos entre as cidades, eles sempre faltam no carnaval. Sair de um bairro para um polo geralmente é tranquilo. Voltar é que são elas. Em Olinda, por exemplo, dependendo da hora em que você decide ir embora, pegar um táxi exige uma longa caminhada. No ponto mais próximo do Sítio Histórico em que os carros podem chegar, os táxis costumam vir com passageiros. Guarde um pouco de energia e paciência para este momento.

Foto: Diego Gaiba/Prefeitura de Olinda/Divulgação

Uma coisa que me intriga para 2017 é que este será o primeiro carnaval do Uber. O aplicativo não está legalizado no Recife, apesar de ser bastante utilizado pela população. Confesso que estou curioso para saber de que forma a novidade vai contribuir com a mobilidade.

 

4. Sobrevivência in loco

A fantasia é criativa, mas não deve ser termicamente confortável… Foto: Luiz Fabiano/Prefeitura de Olinda/Divulgação

Calor

Em Olinda e no Galo da Madrugada, prepare-se para sentir calor. Muito calor. Além do sol na moleira, você vai encarar a quentura da multidão. Portanto, leve tudo isso em consideração antes de sair de casa. Não economize no protetor solar e não descuide da hidratação: beber água nunca é demais.

Roupas

Pense na estufa humana também ao bolar o seu look, seja ele uma fantasia ou não. Escolha roupas leves e, sobretudo, confortáveis. Use também um tênis velho, daqueles já ultra amaciados, que não vão apertar seus pés e nem vão te deixar neurado por voltarem imundos.

Segurança

Apesar do astral super positivo, tanto Olinda quanto o Galo da Madrugada estão cheios de descuidistas. Pequenos furtos acontecem o tempo inteiro. A melhor saída é levar dinheiro vivo, um documento vencido, a carteirinha do plano de saúde e só. Em vez de colocar tudo em algum bolso, use uma doleira, daquelas com um elástico na cintura e que ficam coladas ao corpo. Caso você precise se comunicar com alguém ao chegar, tente arrumar um celular velho, aquele “do ladrão”.

Alimentação

Outro detalhe importante é a alimentação. É preciso se cuidar para não se meter no furdunço de barriga vazia. Em Olinda, antes de subir as ladeiras, há várias barracas de comida ao redor da Praça do Carmo. No cardápio, elas geralmente têm macaxeira com charque, espetinhos e sanduíches. À medida que você vai alcançando o epicentro do carnaval no Sítio Histórico, a quantidade de barracas diminui e os preços aumentam. Há algumas lojas de souvenirs que vendem iguarias como bolo de rolo e biscoitinhos regionais.

O padrão da alimentação no carnaval olindense. Foto: Diego Gaiba/Prefeitura de Olinda/Divulgação

Uma dica ninja para a sobrevivência alimentar é levar barras de cereal no bolso (ou na doleira, caso você tenha escolhido usar uma). Assim você economiza um pouco e ainda tem a forra para o estômago disponível a qualquer momento. Se você for para algum camarote open bar, certamente não vai precisar se preocupar tanto com isso, já que eles costumam incluir buffets. Mas convenhamos que área VIP não é carnaval de verdade, né?

Banheiros

Agora vamos falar de saneamento básico. Numa festa em que se bebe o tempo todo (seja álcool ou água), os rins e bexigas vão trabalhar bastante. Nos principais polos do carnaval, há alguns banheiros químicos. Mas, junto com eles, costumam vir grandes filas. Em Olinda, algumas casas e bares abrem seus banheiros para os foliões, mas não existe xixi grátis. Os moradores cobram de 1 a 2 reais pelo uso, o que nem sempre garante limpeza. Avalie a possibilidade de levar um pouco de papel higiênico no bolso.

No Recife Antigo, um lugar que tem um banheiro sempre limpo é a Praça do Arsenal. Ela fica a poucos metros do Marco Zero (onde é montado o palco principal) e também abriga um palco alternativo de shows. Nos dias do carnaval, o banheiro funciona até as 22 horas e fica ao lado do posto de informações turísticas. A Praça do Arsenal também tem uma praça de alimentação e várias lojas de roupas, CDs e artesanato.

 

5. Como se curte o carnaval?

Foto: Marcelo Lacerda/Prefeitura do Recife/Divulgação

Se for para explicar de forma resumida, se atendo apenas às atrações principais, a coisa funciona da seguinte maneira:

– Olinda: blocos de rua, orquestras de frevo, fantasias
– Recife: Galo da Madrugada + shows em palcos espalhados por vários bairros da cidade

Recife

O carnaval do Recife é mais fácil de se programar. As atrações costumam ser divulgadas cerca de um mês antes. E a grade completa de shows, com horários, sai na semana anterior. Se você vem pela primeira vez, não deve ter noção. Mas a programação é ENORME. Além disso, ela é abrangente. No ano passado, por exemplo, foram mais de 2 mil apresentações. Além das orquestras de frevo e artistas ligados intimamente ao carnaval, houve também shows de nomes como Jorge Aragão, Emicida, O Rappa e Jota Quest. Tudo de graça.

Show de Lenine no Marco Zero no Carnaval 2016. Foto: Wagner Ramos/Prefeitura do Recife/Divulgação

O palco principal, como já falamos, é o do Marco Zero. Mas há dezenas de outros palcos pela cidade e as grandes atrações nacionais podem tocar em algum desses polos descentralizados.  Eles sempre são mais tranquilos para chegar, sair, comprar bebida, ir ao banheiro e tudo mais.

Tranquilidade no palco do Pátio de São Pedro. Foto: Léo Motta/Prefeitura do Recife/Divulgação

Olinda

Em Olinda, os blocos têm uma agenda tradicional. Os foliões mais veteranos já sabem o dia, a hora e o local de concentração dos principais blocos. Mas, ao chegar pela primeira vez, você pode se perder um pouco. O design labiríntico do Centro Histórico de Olinda e a multidão podem te atrapalhar nesse sentido.

Por isso, os ninjas do carnaval recomendam que você adote um bloco e o siga do começo ao fim do desfile. Como eles já têm um itinerário planejado previamente, você evita dar voltas desnecessárias nas ladeiras e não pega aperto no contrafluxo da multidão.

Foto: Diego Gaiba/Prefeitura de Olinda/Divulgação

Mas, caso você decida trocar de bloco no meio da farra, vá em frente. Faz parte da diversão do carnaval de Olinda.

 

6. Uma breve curadoria dos blocos

Foto: Vinícius Rodrigues/Prefeitura de Olinda/Divulgação

As dicas são do meu amigo Elton de Castro, um dos maiores ninjas do carnaval que conheço:

A cada ano surgem novos blocos em Olinda e Recife, na mesma velocidade que outros desistem de desfilar nas apertadas ruas do sítio histórico e bairro do Recife. No entanto, algumas agremiações são tradicionais e conhecê-las é quase que “obrigatório” quando se decide brincar pelas ladeiras ou no Recife. Para facilitar a vida de quem não conhece e evitar surpresas, é bom ter ideia de onde se está pisando. Então, segue um mini roteiro, por dia, dos blocos.

Sábado

Galo da Madrugada (Recife) – Considerado o maior bloco do mundo, o Galo assusta quem não o conhece. Muita gente, APERTO e trios elétricos fazem parte do cenário. Porém, se ficar na avenida Dantas Barreto você consegue tranquilidade para acompanhar o bloco sem ser arrastado.
Eu Acho é Pouco (Olinda) – O dia do Galo, para muitos, é o melhor dia de Olinda. Motivo: a cidade fica menos entupida de gente. Nesse dia, sai um dos blocos mais tradicionais do carnaval: Eu Acho é Pouco, que geralmente sai às 16h. Queridinho dos jornalistas/publicitários/artistas e por aí vai, o bloco chama a atenção pelo teor contestador e engajado. Sem duvidas, um dos mais divertidos.
Homem da meia-noite (Olinda). Como o nome sugere, ele sai às 0h do sábado para o domingo. No entanto, se você não gosta de tumulto, bate-bate e ruas intransitáveis, só olhe a saída dele. De preferência, das escadarias da igreja que fica em frente à sede do bloco.

Domingo

Mucha Lucha (Olinda) – Um dos poucos blocos que não saem do canto, a agremiação junta pessoas que se vestem de praticantes de Luta Livre. Sai às 8h. Logo na cola, tem o Enquanto Isso na Sala da Justiça, que nada mais é do que um desfile de heróis. Sejam eles conhecidos do público ou inventados. Ambos saem da praça da Sé (aconselho subir pela ladeira da misericórdia). É íngrime pra cacete, mas vale a experiência.

Foto: Diego Gaiba/Prefeitura de Olinda/Divulgação

Segunda-feira

Amantes de Glória (Recife) – O desfile geralmente inicia às 17h e sai no Recife Antigo.inicialmente, era o bloco predominantemente acompanhado por profissionais de comunicação. Atualmente, arrasta todo mundo que está pelo bairro do Recife.
Pitombeiras dos Quatro Cantos (Olinda) – Uma das melhores orquestras do carnaval sai às 10h da segunda-feira. Diferentemente do que o nome sugere, o bloco não sai dos Quatro Cantos. A sede do clube fica ao lado da praça do carmo. Quem acompanha, não se arrepende. O bloco tem uma energia sensacional.

Terça-feira

Encontro de Bonecos (Olinda) – Às 10h (não seja rígido com horários) Todos os bonecos gigantes do carnaval se encontram nas ladeiras de Olinda. Um ponto legal para ver isso é nos quatro cantos (esquina com a ladeira da misericórdia). É uma cena linda, mas tenha cuidado com os braços dos bonecos. Se vacilar, vai levar uma tapa (que dói bem).
Ceroula (Olinda) – À tarde, tem um dos blocos mais tradicionais do carnaval: o Ceroula. A orquestra é sensacional e não há quem não note a passagem. Antes era preferencialmente acompanho por homens, mas agora todo mundo se mistura.
Eu Acho é Pouco (Olinda) – Quase no mesmo horário do Ceroula (17h), o bloco do Dragão faz seu segundo desfile. Dessa vez, ele contorna a cidade alta e não entra tanto nas ladeiras. Também é o dia mais legal (para mim) do bloco. Geralmente seguido por uma quantidade menor e mais animada de pessoas.
Aqui vale um alerta, em Olinda há um simpático bloco chamado “Segura o Cu”. Não sei ao certo o dia do desfile, mas se você avistar um estandarte com um dedo médio em riste ou perceber que boa parte das pessoas agacharam do nada, faça o mesmo imediatamente. Caso contrário, você receberá alguns exames de toque sem aviso prévio. E não adianta ficar chateado, tradição é tradição.

 

7. Paço Alfândega: o seu ponto de apoio no Recife Antigo

Foto: Paço Alfândega/Divulgação

Muita gente que vem de fora para Pernambuco pela primeira vez não sabe que o Recife Antigo tem um ponto de apoio espetacular para o carnaval. É o shopping Paço Alfândega, que fica muito perto do Marco Zero. Durante os dias da folia, ele funciona até as 23 horas e tem praça de alimentação e banheiros. Além disso, funciona como ótimo ponto de encontro e lugar de descanso. De bônus, ainda tem um terraço com uma das melhores vistas da cidade.

O Paço Alfândega também costuma organizar uma programação própria de carnaval na praça central do shopping, com recreação infantil, blocos e orquestras de frevo. Também recebe vários stands para venda e customização de fantasias.

Ah, e se você for teimoso e quiser ir de carro para o Recife Antigo, o estacionamento do Paço funciona 24 horas por dia durante o carnaval.

 

8. E se você se abusar do carnaval?

Piscinas naturais de Porto de Galinhas. Foto: Turismo Pernambuco/Divulgação

Pode acontecer de, após três ou quatro dias, você não aguentar mais ouvir o frevo “Vassourinhas” ou o “Hino do Elefante de Olinda”. Ou que você fique abusado do aperto nas ladeiras ou no palco do Marco Zero. O mais legal do carnaval de Recife e Olinda é que são grandes as possibilidades de você espairecer nesses casos.

Um destino óbvio é a praia de Boa Viagem, a principal da capital. Nos dias de carnaval, ela fica bem mais vazia e tranquila. Dependendo de onde você estiver hospedado, ela pode estar a uma curta caminhada. Uma referência de bom lugar para ficar nela são as redondezas do segundo jardim. Menos gente e menos barulho.

A vida noturna do Recife morre durante o carnaval. É impossível encontrar uma balada não-carnavalesca nessa época e há até alguns bares que fecham no período. Mas a capital pernambucana cidade interessantíssima e repleta de lugares legais para comer e beber. O Mochileza inclusive listou alguns deles neste post sobre dicas para curtir Recife como um morador.

Fora da cidade

Para uma experiência de fuga um pouco maior, pegue a estrada. Praias como Porto de Galinhas, Serrambi, Tamandaré e Carneiros estão a menos de duas horas de carro saindo do Recife. Para chegar a elas, o melhor é alugar um carro e seguir o GPS do seu celular.

Se não quiser dirigir, você pode fazer um passeio fretado. Você pode reserva-los em agências de turismo receptivo ou em vans que ficam ao redor da Praça de Boa Viagem.

Para uma viagem de orçamento apertado, a sugestão é o ônibus para Porto de Galinhas. Há duas linhas que fazem o trajeto saindo do aeroporto: a 191 (ônibus comum) e a 195 (com ar condicionado). As passagens custam R$ 9,40 (comum) e R$ 13,70 (com ar). Clique neste link para ver os horários no site do consórcio de transporte Grande Recife.

 

8 comentários em Carnaval de Olinda e Recife: um guia de sobrevivência

Dica de passagem barata: Recife-Belém por R$ 600 ida e volta

Já expliquei em alguns posts que nasci em Belém e moro no Recife há cinco anos. Por isso, procurar passagens nesta rota é uma das coisas que mais faço desde…

Já expliquei em alguns posts que nasci em Belém e moro no Recife há cinco anos. Por isso, procurar passagens nesta rota é uma das coisas que mais faço desde então. Numa dessas buscas, encontrei uma oferta que pode ser a grande dica de passagem barata para as suas festas de fim de ano ou férias de janeiro. Ela custa R$ 600 reais ida e volta entre Recife e Belém + as taxas!

Pelo que pude entender, a Gol criou um voo direto entre as duas capitais para os meses de dezembro e janeiro. É algo comum entre as companhias aéreas. Fazer trechos específicos durante um determinado período do ano para atender alguma grande demanda. É por isso, por exemplo, que praticamente só há voos diretos do Brasil a Bariloche em julho.

Pois bem… O voo direto entre Recife e Belém dura duas horas e meia. Ele sai do Recife às 22h e chega em Belém à 0h30. Na volta, ele sai de Belém à 1h e chega no Recife às 3h30. Um voo razoavelmente curto entre duas cidades bem legais!

 

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A rota Recife-Belém é atendida por apenas um voo direto ao longo do ano inteiro: o da Azul. Ele foi inaugurado quando a companhia decidiu criar um hub na capital pernambucana. Quando esse voo foi lançado, a Azul tinha preços bem competitivos: R$ 500, ida e volta. Mas, hoje em dia, é praticamente impossível encontrar passagem barata. Cada trecho sai por pelo menos R$ 500 na promoção. Ainda mais em meses de alta temporada.

Por isso, a oferta “quietinha” da Gol é bem interessante para quem mora numa dessas cidades e quer conhecer a outra. É possível encontrar este valor de R$ 600 ida e volta até mesmo para o Natal e o Ano Novo. Quem for a Belém, pode aproveitar as dicas do Mochileza e também conhecer a Ilha de Marajó. Quem for ao Recife, além das sugestões que já demos aqui, pode curtir as belas praias do litoral sul pernambucano, como Porto de Galinhas, Tamandaré, Carneiros e Serrambi.

Anote aí as datas em que encontrei a passagem barata de R$ 300 o trecho:

Recife-Belém

Dezembro – 14, 17, 18, 19, 20, 21, 25, 26, 27, 28 e 29

Janeiro – 01, 04, 05, 09, 10, 11, 12, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 21, 22, 23, 25, 26, 28, 29, 30

Belém-Recife

Dezembro – 15, 16, 18, 22, 26, 28, 29 e 30

Janeiro – 02, 03, 04, 05, 06, 08, 09, 10, 11, 12, 13, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 22, 23, 24, 26, 27, 29, 30 e 31

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Com as taxas de embarque, o preço final da passagem fica R$ 655,36

Veja a diferença de preços entre Gol e Azul no Natal: quase 100%

Veja a diferença de preços entre Gol e Azul no Natal: quase 100%

No Ano Novo, é a mesma coisa: a Gol tá cobrando quase a metade da Azul

No Ano Novo, é a mesma coisa: a Gol tá cobrando quase a metade da Azul

Para quem nunca foi a nenhuma das duas cidades, uma estadia de quatro a cinco dias é suficiente para ver bastante coisa. Caso você pense em emendar o passeio ao Marajó ou ao litoral sul pernambucano, coloque pelo menos mais três dias.

Boa sorte na compra da passagem e boa viagem! 😀

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Recife: dicas para curtir a cidade como um morador

Se tem uma coisa que cai por terra assim que você conhece bem o Recife é o mau e velho estereótipo. Basta um pouco de esforço e bons contatos ao…

Se tem uma coisa que cai por terra assim que você conhece bem o Recife é o mau e velho estereótipo. Basta um pouco de esforço e bons contatos ao viajante. Bem rapidinho, todas aquelas ideias pré-concebidas sobre uma cidade desaparecem.

Assim como quase todas as capitais do Nordeste, a de Pernambuco tem praia. Mas possui uma vida intensa e interessantíssima fora dela. O carnaval é um dos mais animados do Brasil. Mas quem quiser curtir a cidade fora de fevereiro vai gamar do mesmo jeito que um folião no Marco Zero. Talvez a única coisa que não vá lhe surpreender no Recife é o bairrismo de sua gente. Ai de você se não concordar que o Sport é o maior clube do Nordeste ou que a Caxangá é a maior avenida do mundo em linha reta…

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Ou seja, o Recife tem pratos cheios para os visitantes que não se limitam às indicações dos guias tradicionais. A água de coco na beira da praia está lá, mas os inferninhos alternativos também. A foto com a sombrinha de frevo no Recife Antigo sempre é uma possibilidade, mas por que não conhecer museus que muitos moradores nunca visitaram? E, em vez de comer naquele restaurante de franquia que tem em toda capital, por que não ir atrás de algum mais autêntico?

 

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Moro no Recife desde 2011, tempo suficiente para abandonar as dicas campeãs da mesmice e mapear a cidade do jeito que eu curto: um lado B que mistura lugares pouco badalados, tradições que valem a pena e boas novidades. Separei aqui algumas indicações que vão servir tanto para quem visita a cidade pela primeira vez quanto para os moradores. Espero que curtam!

Para comer caranguejo – CANECA FINA 

Caranguejo pernambucano é caranguejo COM VERDURA

Caranguejo pernambucano é caranguejo COM VERDURA

O movimento manguebeat trouxe o caranguejo para o imaginário de quem não conhece o Recife. Então é inevitável que os apreciadores do crustáceo sintam suspiros na cidade. Esses aí precisam conhecer o Caneca Fina, um restaurante que fica no bairro da Madalena, na Zona Norte da cidade, e funciona de domingo a domingo.

O ambiente é bem simples e não tem ar condicionado. Mas quem precisa de climatização quando se tem caranguejo? No Caneca, a unidade sai a partir de R$ 4,90, sem acompanhamentos. O restante do cardápio é dominado pela comida regional: tem desde arrumadinho de charque até tripinha frita, de dobradinha a sarapatel. Para acompanhar, a cerveja de lá está sempre geladíssima e com alguma promoção, tipo Devassa Puro Malte a R$ 6 ou Original a R$ 8.

Endereço: Av Visconde de Albuquerque, 807, Madalena
Telefone: (81) 3877.9001
Facebook: facebook.com/canecafina
Horário de funcionamento: segunda a quinta, das 11h30 às 23h45; sexta das 11h30 às 2h; sábado das 11h à 1h; domingo das 11h às 22h.

 

Para tomar cerveja sem medo de olhar a conta – BEERDOCK 

Foto: Facebook/Beerdock

Foto: Facebook/Beerdock

As cervejas artesanais estão na moda e toda grande cidade tem pelo menos um lugar dedicado a elas. Alguns são metidos a besta. Outros, mais simples. A maioria não entrega o que promete. E o Beerdock não se enquadra em nenhuma dessas descrições.

O bar foi inaugurado em 2015 e, mesmo com as portas recém-abertas, já se tornou o melhor lugar para tomar cervejas ~diferenciadas~ no Recife. O principal chamariz é a quantidade de torneiras: 15, um recorde na região Nordeste. Elas estão sempre abastecidas de chopes importados, nacionais e até locais (como Ekaut, Debron e Duvália). O ótimo atendimento também conta muito. O staff é extremamente atencioso e bem treinado para ajudar você a escolher entre as centenas de opções.

Os pontos negativos são dois. O primeiro é o preço. Tomar cerveja boa não é barato e, no Beerdock, se você se empolgar, gasta 100 reais estalando os dedos. O segundo é a lotação. Faz um bocado de tempo que não consigo ir lá à noite sem que o bar esteja cheio. À tarde ou no happy hour é mais fácil de conseguir um lugar sossegado.

Endereço: Rua Desembargador Luiz Salazar, 98, Madalena (fica a poucos metros do Caneca Fina)
Telefone: (81) 3236.2423
Facebook: facebook.com/beerdockrecife
Site: http://www.beerdockrecife.com.br (a lista de cervejas nas torneiras está sempre atualizada lá)
Horário de funcionamento: terça a quinta, das 17h à 0h; sexta das 17h à 1h; sábado das 12h à 1h; domingo das 12h às 19h; fechado segunda.

 

Para curtir o clima de albergue sem se hospedar em um – RAMÓN HOSTEL BAR 

Foto: Divulgação / Ramón Hostel Bar

Foto: Divulgação / Ramón Hostel Bar

Quem já se hospedou num albergue sabe que, muitas vezes, nem é preciso sair dele para se divertir. Sempre tem gente de várias partes do mundo circulando pelo mesmo lobby, com a mente e sociabilidade abertas. Se houver um bar no meio, melhor ainda.

Mas e que tal você sentir essa atmosfera sem ser necessariamente um hóspede? Essa é a proposta do Ramón, que tem os dormitórios para os turistas e o bar aberto ao público. A decoração dá a dica: trata-se de um lugar internacional, criado por argentinos e visitado por outras tantas nacionalidades. Não é difícil ouvir um sotaque estrangeiro na mesa ao lado.

Há algumas especialidades argentinas no menu, como empanadas e choripán. Mas se tem uma coisa imperdível para comer lá são as pizzas, crocantes e deliciosas. A carta de drinks também é bem variada, com coquetéis clássicos e alguns autorais.

Endereço: Rua Olavo Bilac, 20, Boa Viagem
Telefone: (81) 3036.6930
Facebook: facebook.com/ramonhostelbar
Site: http://www.ramonhostelbar.com.br/
Horário de funcionamento: segundo a página no FB, o Ramón está “sempre aberto”. Mas, pelo que sei, o bar abre às 17h

 

Para a boemia de mercado – O BRAGANTINO 

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Beber no mercado é um hábito bastante apreciado pelos recifenses. Entre os mercados mais visitados pelos boêmios da cidade, estão o da Madalena, o da Boa Vista e o da Encruzilhada, onde fica o Bragantino. É um boteco português, como as bandeiras no salão denunciam. Lá você pode encontrar de tudo, inclusive comida portuguesa.

O Bragantino abre diariamente às 7h para o café da manhã. A essa hora do dia, o bar serve o desjejum dos nordestinos campeões: tem inhame, macaxeira, cuscuz (acompanhados de guisado, galinha ou bife), carne de sol, cabrito e rabada. No almoço, além dos pratos regionais (como galinha cabidela e chambaril), há opções especiais a cada dia. Terças e sábados tem bacalhau frito, afinal estamos falando de um boteco português.

E para não deixar as raízes lusitanas pouco cobertas, experimente o bolinho de bacalhau (que é pequeno porém muito bem recheado), a salada de bacalhau ou o pastel de nata, ora pois!

Endereço: Mercado da Encruzilhada
Telefone: (81) 99421.0926
Facebook: https://www.facebook.com/O-Bragantino-235756603131264/
Horário de funcionamento: diariamente a partir das 7h. Domingo até 13h, segunda a quinta até 16h, sexta e sábado até 17h.

 

Para conhecer um lugar que muitos moradores nem conhecem – MUSEU DO TREM 

Fachada da Estação Central Capiba. Foto: Costa Neto / Cultura PE

Fachada da Estação Central Capiba. Foto: Costa Neto / Cultura PE

Quem anda pelo centro do Recife muitas vezes passa batido por alguns lugares de rara beleza escondidos no meio da pressa. Encravado entre a Casa de Cultura e a Estação Central do Metrô, está um deles: o Museu do Trem de Pernambuco.

O equipamento está localizado onde antes havia a estação da Estrada Ferroviária Central de Pernambuco. Funcionou como museu entre 1972 e 1983 e passou mais de trinta anos fechado até ser reaberto em 2014 com o nome de Estação Central Capiba (em homenagem ao lendário compositor de frevos) e Museu do Trem de Pernambuco. A estação passou por uma grande reforma, que valorizou a belíssima arquitetura e o riquíssimo acervo.

As peças expostas reconstroem a memória das ferrovias no Estado. O visitante encontra desde apitos, bilheterias e relógios até locomotivas e vagões. Além disso, há recursos multimídia para complementar o mergulho na história. E o melhor de tudo: a entrada é gratuita.

Endereço: Rua Floriano Peixoto, s/n, São José
Telefone: (81) 3184.3197
Horário de funcionamento: terça a sexta, das 9h às 17h; sábado das 10h às 17h; domingo das 10h às 14h; fechado segunda.
Site: http://www.cultura.pe.gov.br/pagina/espacosculturais/museudotrem/

 

Para sandubas com nomes de mulheres incríveis – QUEEN´S

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A partir de 2014, o Recife mergulhou fundo na moda dos food trucks, como as principais capitais brasileiras. Mas entre vários carrinhos e trailers com mais do mesmo, o Queen´s se destaca. Primeiro pelas receitas fora do comum (e que o próprio truck define como “cozinha extravagante”). Segundo pelos nomes dos sanduíches e petiscos, que homenageiam mulheres marcantes na cultura pop. Ou seja, um food truck feminista! Deve ter quem diga que um desses só poderia surgir no Recife…

Entre as homenageadas, estão personagens do cinema, divas pop e ícones da cultura transgênero. E são baita homenagens. Veja o exemplo do sanduba Rihanna no Carnaval em Barbados: pão baguete com pernil de porco desfiado, marinado em especiarias e suco cítrico, abacaxi, queijo manteiga e cebolas chapeadas. Ou ainda o Nina Hagen, Excuse Me: um sanduíche de schnitzel (lombo de porco esmurrado e empanado) com queijo gouda, abacaxi caramelizado e maionese da casa.

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Há também receitas com falafel, filé de salmão grelhado e harumakis. E entre as outras musas que batizam os pratos, estão Kate Bush, Ellen Ripley e Furiosa (a protagonista de Mad Max: Estrada da Fúria). Dá vontade de ter mais de um estômago para pedir todo o cardápio de uma vez só.

Endereço: Estrada do Arraial, 2541 (Galeria Casa Grande), Parnamirim
Telefone: (81) 99592. 0266
Facebook: facebook.com/queens.cozinha.extravagante
Horário de funcionamento: terça a quinta, das 18h às 23h; sexta e sábado, das 18h às 23h45; domingo das 17h às 22h30; fechado segunda.

 

Para uma noite num inferninho – IRAQ

Foto: Bernardo Dantas

Foto: Bernardo Dantas

O lugar se chama Iraq e fica na Rua do Sossego. Só essa gostosa ironia já valeria a visita, mas tem muito mais história envolvendo esta casa no bairro da Boa Vista. O Iraq é um reduto clássico do underground recifense. Sempre foi um ponto de convergência de artistas e gente alternativa em geral. Já funcionou muitos anos como bar durante toda a semana. Hoje abre as portas apenas para festinhas nos fins de semana.

O clima é de inferninho. Luz baixa, intervenções artísticas nas paredes, espaço que lota fácil. Não espere a infraestrutura ou a alma asséptica de um bar da moda. Mas pode contar com bons sons (se você gosta de indie rock e música alternativa), seja com DJs ou bandas autorais. Às vezes as festas precisam de uma senha para entrar (algo como “cidade roubada”, por exemplo). Nada que uma boa rede de contatos ou uma pesquisa no Facebook não resolva.

Endereço: Rua do Sossego, 179, Boa Vista
Telefone: (81) 98536.5235
Facebook: não tem página oficial
Horário de funcionamento: impossível prever…

 

Para experimentar um sushi verdadeiro – ROBATA SUSHI WADAMON

O tirashi de salmão do Wadamon

O tirashi de salmão do Wadamon

Se você é daqueles que acha que sushi frito e cream cheese na culinária japonesa são heresias, saiba que no Recife tem um lugar que vai lhe acolher com carinho. O Robatta Sushi Wadamon (ou simplesmente Wadamon) é quase um templo da tradição da cozinha oriental.

O dono e sushiman é Miyuki Wada (conhecido pelos frequentadores como “Seu Wada”), um japonês que tem restaurantes na cidade há mais de 30 anos. Ele gosta de conversar com os clientes e, se você gostar do papo, vai ser doutrinado com os protocolos da degustação de sushi. Uma das principais lições se resume na frase: “peixe no shoyu, shoyu na língua”. E ah, segundo Seu Wada, sushi se come com as mãos. Nada de pauzinhos.

Só no Wadamon, encontra-se pratos como o tirashi, que é uma tigela com arroz oriental coberta com cebolinha e peixe levemente selado. Além disso, o restaurante tem o sunomono mais gostoso que já experimentei na vida. Mas se você não quiser experimentar algo tão roots, Seu Wada também prepara os sushis fritos para os “queijudinhos” (algo como “meninos leite com pêra” em pernambuquês). Ah, e um detalhe legal: o cardápio é bilíngue, português-japonês.

O cardápio bilíngue

O cardápio bilíngue

Endereço: Rua Oliveira Góes, 250 – Poço da Panela
Telefone: (81) 3033-3301
Facebook: não tem
Horário de funcionamento: de quinta a terça, das 12h às 15h e das 18h às 23h; fechado quarta.

 

Para conhecer um bairro especial – POÇO DA PANELA

Foto: turismonorecife.com.br / Prefeitura do Recife

Foto: turismonorecife.com.br / Prefeitura do Recife

Quando me mudei para o Recife e ouvi o nome Poço da Panela pela primeira vez, pensei que fosse o nome de um bloco de carnaval ou algo do gênero. Passa longe de ser, ainda que exista uma relação entre a vizinhança e a folia. Pelas ruas do Poço, costumam passar alguns blocos nas prévias e durante o carnaval em si. O mais conhecido se chama Os Barba.

O Poço é um bairro que fica na zona norte do Recife. Ele tem um clima meio de condomínio, meio de cidade do interior. Ele tem ruas de paralelepípedos, praças e é repleto de lindas casas. Talvez seja o único bairro residencial em áreas nobres da cidade que não foi dominado pela verticalização. É o resquício da cidade do século 19. Nessa época, o bairro era o point das casas de veraneio de muitas famílias abastadas, já que fica perto das margens do rio Capibaribe.

Mas o Poço não é legal só para quem mora nele. Há muitos lugares interessantes para conhecer, comer e se divertir. Um deles é o Fuê, um gastrobar com loja de vinhos e cervejas especiais que recebe shows de jazz e música instrumental ao ar livre (mais informações na página do Fuê no Facebook). Outro é a Chá com Chita, uma loja de produtos de design que também tem um café. Não deixe de experimentar o bolo de laranja, que é sensacional (conheça mais da Chá com Chita na página do Facebook). Tem também a tradicional Bodega do Seu Vital, point da boemia do Poço e palco de festinhas de forró.

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