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Roteiros e viagens de mochila sem sufoco

Categoria: Brasil

O que fazer em Pipa: praias, gastronomia e muito mais

Você já leu aqui no Mochileza como planejar a sua viagem a Pipa. Como chegar, quando ir e outras informações fundamentais antes de embarcar. Agora é hora de conhecer a…

Você já leu aqui no Mochileza como planejar a sua viagem a Pipa. Como chegar, quando ir e outras informações fundamentais antes de embarcar. Agora é hora de conhecer a região e saber quais as principais praias e atrações.

Quando chegar ao Rio Grande do Norte, tem uma coisa curiosa que você vai descobrir: não existe uma Praia de Pipa propriamente dita. O nome internacionalmente conhecido é o do vilarejo pertencente ao município de Tibau do Sul, a 85 quilômetros de Natal.

Este trecho do litoral potiguar tem cerca de 20 quilômetros de atrações. Além das praias, Pipa tem trilhas, falésias e santuários ecológicos. É muita coisa para ver e fazer! Dá para ir várias vezes sem enjoar. Confira os principais atrativos e programe os detalhes da sua viagem!

Praia do Centro

É a praia de mais fácil acesso em Pipa. Como o nome denuncia, ela fica no centro do vilarejo, bem junto da rua principal (a avenida Baía dos Golfinhos). Dá para chegar de carro também, já que há estacionamentos próximos.

Na Praia do Centro, o mar não tem ondas e a água forma piscinas naturais na maré baixa. Há muitos restaurantes à beira-mar, com mesas e cadeiras na areia. Por isso e pela facilidade do acesso, a praia costuma ficar lotada em feriados prolongados.

 

Praia do Amor

Foto: Leonardo Aquino

 

Se você gosta de um pouco mais de privacidade, a Praia do Amor é onde Pipa começa a falar a sua língua. O acesso é mais complicado. É preciso descer pelas escadarias em alguns trechos das falésias. Outra opção é uma caminhada de cerca de 10 minutos a partir da Praia do Centro. Por isso, não é muito indicada para pessoas com dificuldade de locomoção ou que viajam com crianças de colo.

O mar é um pouco mais agitado e forma ondas que fazem da Praia do Amor um bom point para os surfistas. Há algumas barracas que servem petiscos e bebidas. Mas a areia não está tão tomada pelos barraqueiros quanto na Praia do Centro.

 

Baía dos Golfinhos

É onde Pipa encontra Cancún, guardadas as devidas proporções. Não é que seja possível tirar fotos dando um beijo nos golfinhos como no balneário mexicano, mas eles nadam bem perto da orla. Como a água é calminha, é um ótimo lugar para um banho de mar.

O acesso é a pé, a partir da Praia do Centro. A caminhada é de cerca de 15 minutos. Mas atenção: fique de olho na tabela das marés. Só dá para chegar à Baía dos Golfinhos quando a maré estiver seca ou secando.

 

Praia do Madeiro

Foto: Leonardo Aquino

 

É uma das praias mais badaladas da região, ainda que o acesso não seja tão fácil. Fica a 4 quilômetros do centro de Pipa e ainda tem uma recepção nada convidativa. É preciso descer uma escadaria de 170 degraus a partir do Bar do Jegue. Ou seja: bem complicada para quem tem dificuldades de locomoção ou é portador de deficiência.

Praia de Pipa, Praia do Madeiro

Acesso à Praia do Madeiro, em Pipa. Vai encarar? Foto: Leonardo Aquino

 

A infraestrutura é uma das melhores de Pipa, com várias barracas e restaurantes. Há até um hotel com um acesso particular à praia (o Village Natureza). O mar é calmo, mas tem ondas num tamanho suficiente para surfar. Há inclusive instrutores que dão aulas de surfe na Praia do Madeiro para quem quiser ser Gabriel Medina por um dia.

 

Praia da Cacimbinha

Mirante da Cacimbinha. Foto: Leonardo Aquino

 

É o ponto onde você vai tirar uma das fotos mais bonitas da sua viagem à Praia da Pipa. Na estrada, à beira da falésia, o Mirante da Cacimbinha tem uma vista apaixonante. Do outro lado da estrada, há dunas de pequeno porte. Chegar até a praia propriamente dita é que são elas. É preciso descer pela falésia. O hotel Pipa Privilege tem uma escadaria que também dá acesso.

A Praia da Cacimbinha não é muito amigável para o banho de mar. Mas para quem pratica esportes de aventura, é altamente convidativa. Por causa dos ventos e das ondas, é muito procurada por adeptos do kitesurf. No topo da falésia, perto da estrada, também é possível fazer voos de parapente.

 

Tibau do Sul (Praia do Giz e Lagoa Guaraíras)

Barracas na Praia do Giz. Foto: Leonardo Aquino

 

O município-sede de Pipa também tem seus atrativos, seja de água doce ou de água salgada. Na Lagoa Guaraíras, são feitos passeios de barco em que os golfinhos são vistos de perto e onde se contempla o pôr-do-sol mais bonito da região (pelo menos é o que se costuma dizer). Também é de lá que sai uma balsa até Natal. O ponto de embarque e desembarque do outro lado é a praia de Barra do Tabatinga, em Nísia Floresta.

Praia do Giz. Foto: Leonardo Aquino

 

A água da lagoa encontra com a do mar na Praia do Giz. É uma ótima praia para ir com crianças, já que vários laguinhos são formados quando a maré seca. Além disso, de todas as praias da região, é a que tem a melhor acessibilidade. A partir do momento em que você desce do carro ou da van, é tudo plano. O local também é bem servido de barracas de praia e restaurantes.

 

Outras praias

A região também tem a Praia das Minas (deserta e de acesso difícil), a de Sibaúma (acesso fácil e preços mais em conta), Barra do Cunhaú e Baía Formosa.

 

Gastronomia

A avenida Baía dos Golfinhos e suas transversais concentram muitos restaurantes. É um ótimo passeio noturno em Pipa. Foto: Leonardo Aquino

 

Pipa concentra em suas ruas estreitas e ladeiras íngremes uma variedade gastronômica que deixaria muitas cidades com inveja. Num raio de menos de um quilômetro, estão concentrados restaurantes de culinária italiana, espanhola, japonesa, argentina, tailandesa e muito mais. Isso sem contar, claro, na comida de praia: peixe e frutos do mar. Juro a você: em Pipa, gosto mais da gastronomia do que das praias. Pode me julgar!

Em geral os preços são de médios para caros. Você vai encontrar os maiores ágios em restaurantes com um perfil mais genérico ou praiano. Na nossa última viagem a Pipa, em março de 2018, chegamos a ver um que cobrava mais de 100 reais por um strogonoff para duas pessoas. Um absurdo!

O curioso é que alguns dos restaurantes mais sofisticados cobram preços mais justos. Não que sejam pratos exatamente baratos. Mas são estabelecimentos que passam tranquilamente no teste da pergunta: essa refeição custaria o mesmo preço numa cidade não-turística?

Sendo assim, aqui vão as nossas principais dicas de onde comer em Pipa.

Dall’Italiano

Foto: Leonardo Aquino

 

Uma cantina italiana puro sangue em pleno litoral do Nordeste brasileiro. Os ingredientes são rigorosamente escolhidos e vindos diretamente da Itália. As pizzas (são cerca de 70 sabores) são no padrão original, tanto no tamanho quanto na espessura da massa. E a variedade das massas também é bem ampla, com a presença de algumas massas difíceis de encontrar por aí, como o bigoli negro.

O Dall’Italiano fica na rua principal de Pipa, a avenida Baía dos Golfinhos. Quase sempre está lotado. Portanto, não vai ser surpreendente se você precisar encarar uma fila de espera. Abre apenas para o jantar.

 

Aprecíe

Foto: Leonardo Aquino

 

Cozinha contemporânea e cardápio de bistrô. É a forma mais resumida de definir o Aprecíe. Ele tem referências de nouvelle cuisine e das gastronomias oriental e mediterrânea. O restaurante é um dos mais jovens de Pipa. Foi criado em 2015 pelo chef potiguar Ricardo Rudney, que já tinha experiência de montar o cardápio de outros restaurantes e pousadas em Pipa.

Os preços são justos para um restaurante dessa categoria. A maioria dos pratos principais fica entre 40 e 50 reais (valores de março de 2018). O espaço é pequeno, com capacidade para cerca de 30 pessoas. Em dias mais concorridos, é melhor chegar cedo ou reservar.

 

Nativos Bar

Foto: Leonardo Aquino

 

Um lugar classudo e sofisticado especializado em drinks. Não só os clássicos como caipirinhas, mojitos e daiquiris. Mas também coquetéis autorais e outros com combinações tão improváveis quanto deliciosas. Foi lá que aprendi que dá pra fazer caipirosca de melancia ou de banana – e o resultado é incrível! O ambiente também é muito bonito e agradável. Há algumas mesas que têm almofadas no lugar das cadeiras, para quem quiser se esparramar confortavelmente.

Foto: Leonardo Aquino

 

Mas é preciso dar alguns alertas. O Nativos não aceita cartões, nem de crédito nem de débito. E o bar também não tem cozinha. No cardápio, há alguns petiscos estilo finger food. Ou seja, é melhor ir até lá no aquecimento da sua noite ou no “after”. O Nativos não tem site nem página no Facebook. Fica na avenida Baía dos Golfinhos, 748.

 

Real de 14

Depois que for à Praia da Pipa pela primeira vez, vai perceber que uma caminhada na vila não é a mesma sem um sorvete da Real de 14. A sorveteria foi criada por argentinos e hoje é administrada por portugueses. A mudança na gestão não mexeu na qualidade dos sorvetes: cremosos, deliciosos e de sabores muito variados.

São mais de 50 opções, das tradicionais às criações próprias. As frutas regionais têm lugar cativo nos freezers. Há também sorvetes inspirados em bebidas alcoólicas (whisky e caipirinha), misturas tropicais (coco com gengibre, por exemplo) e os funcionais (feitos com biomassa de banana). Todos produzidos ali mesmo, em Pipa. A Real de 14 também tem uma loja em Natal, em Ponta Negra.

 

Terra Nostra / Padaria Central

Gastronomia, Praia da Pipa

Carpaccio de polvo no Terra Nostra, um dos bons restaurantes de Pipa. Foto: Leonardo Aquino

 

Os italianos estão em peso em Pipa e o Terra Nostra é outra boa opção. Não apenas pelas massas e pizzas, mas também pelos pães e doces da Padaria Central, que funciona no mesmo ponto. No restaurante, um prato que sempre comemos é o carpaccio de polvo. Na padaria, as especialidades são os croissants e strudels.

Outros lugares bem recomendados

É preciso ir à Praia da Pipa dezenas de vezes para experimentar tudo o que a gastronomia de lá tem a oferecer. Portanto, sempre tem algum lugar que falta conhecer. No nosso caso, a principal ausência da lista é o Tapas. Um dos restaurantes mais famosos da vila, o Tapas estava fechado nos últimos dias em que tentamos ir lá. Sua cozinha de inspiração espanhola e contemporânea é sempre muito elogiada. Outros lugares que estão na nossa mira para as próximas viagens são as churrascarias Tchê André e El Farolito e o tailandês Wattana.

Passeios

A variedade é gigantesca! Buggys, quadriciclos, kitesurf, parapente, circuito de arvorismo, catamarãs, mergulhos… A agência Pipa Aventura, que fica na avenida Baía dos Golfinhos, organiza muitos desses passeios e é a empresa mais bem recomendada. Outras indicações podem ser encontradas no Guia Pipa, que é distribuído em todos os hotéis e tem sua versão online no site www.pipa.tur.br.

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Cais do Sertão: um museu high tech sobre a alma nordestina

Não é de hoje que o Recife tem talento para surpreender quando o assunto é museu. O Instituto Ricardo Brennand, inaugurado em 2002, tem um acervo de artes plásticas e…

Não é de hoje que o Recife tem talento para surpreender quando o assunto é museu. O Instituto Ricardo Brennand, inaugurado em 2002, tem um acervo de artes plásticas e armas brancas em dois castelos medievais em pleno Nordeste brasileiro. Mas, em abril de 2014, ele ganhou um companheiro à altura: o Cais do Sertão. Com uma grande dose de interatividade e tecnologia, o novo museu mergulha fundo na alma regional e já é uma das principais atrações da capital pernambucana.

Cais do Sertão, Recife

Foto: Leonardo Aquino

 

A importância do Cais do Sertão no turismo do Recife começa na localização. Ele fica num antigo armazém da área portuária da cidade, que passa por um processo de revitalização semelhante ao vivido por Belém. O museu está a uma breve caminhada de locais como o Marco Zero, a Rua do Bom Jesus e o Cais da Alfândega. Portanto, é muito fácil inclui-lo num roteiro a pé pela região do Recife Antigo.

Foto: Leonardo Aquino

 

Inaugurado em abril de 2014, o Cais do Sertão pode ser definido como um museu social, cultural e antropológico. O acervo monta um mosaico sobre a identidade regional nordestina em diversos aspectos: religiosidade, música, costumes e rotina, entre outros. É um portal para um Nordeste que às vezes é desconhecido até mesmo pelos moradores da região, especialmente os de zonas urbanas.

Logo na entrada, somos convidados a assistir à exibição do curta-metragem “Um Dia no Sertão”, mostrando a rotina de moradores de comunidades na zona rural de Serra Talhada (município a 414 quilômetros do Recife), desde o raiar do sol até as festas que vão madrugada adentro. O filme é projetado numa tela gigante e curva, o que permite uma imersão com uma riqueza gigante de imagens e sons.

Cais do Sertão, Recife

A projeção do filme “Um Dia no Sertão”. Foto: Leonardo Aquino

 

Passado o filme, o museu propriamente dito se escancara aos visitantes. O detalhe mais fascinante é revelado para quem olha em direção ao chão. Um riacho corta o piso térreo do Cais do Sertão emulando o rio São Francisco, com água corrente e peixes. Às margens dessa representação do Velho Chico, estão os sete territórios temáticos do museu: Ocupar, Viver, Trabalhar, Cantar, Criar, Crer e Migrar.

A representação do Rio San Francisco. Foto: Leonardo Aquino

 

À primeira vista, se destacam outras réplicas: roupas de cangaceiros, um painel com ferramentas de vaqueiros e uma casinha sertaneja. Nos cômodos representados ali, estão as paredes de barro e os objetos típicos como imagens de santos, máquinas de costura e quadros religiosos.

Detalhe da casa sertaneja. Foto: Leonardo Aquino

 

Um dos locais mais fotografados do Cais do Serão é o Túnel do Capeta. É um caminho cercado de câmeras e telas exibindo as imagens capturadas por essas câmeras, dando um efeito de túnel espelhado. Nas caixas de som, uma voz sussurra as inúmeras formas que o nordestino tem para chamar o diabo, representando a crença do povo sertanejo numa entidade maligna que se opõe a Deus.

Cais do Sertão, Recife

Túnel do Capeta. Foto: Leonardo Aquino

 

A música tem uma importância tremenda no museu. No piso térreo, totens interativos contam a história dos ritmos musicais, com destaque para a vida e obra de Luiz Gonzaga. O Rei do Baião cantou como poucos a quintessência da alma nordestina. A alegria, a religiosidade, as agruras da seca, a malícia, a migração em busca de uma vida melhor. No museu, dá para ouvir as músicas em gravações originais e também ver vários depoimentos e entrevistas do Gonzagão.

Cais do Sertão, Recife

Foto: Leonardo Aquino

 

O andar superior tem ainda mais interatividade. O principal destaque é o Karaokê Sertanejo. Mas não se trata de um espaço para cantar Luan Santana ou Maiara e Maraísa. E sim, cabines privadas para soltar a voz em clássicos do cancioneiro nordestino como “Asa Branca” e “Xote das Meninas”. Também há as cabines do Baião de Todos, em que você pode ouvir as músicas e isolar instrumentos e vocais para ouvi-los em detalhes.

Cais do Sertão, Recife

Karaokê Sertanejo. Foto: Leonardo Aquino

Baião de Todos. Foto: Leonardo Aquino

 

Todo este acervo faz parte da exposição permanente “O Mundo do Sertão”, abrigada no Módulo 1 do museu. O Módulo 2 ainda está em construção e vai abrigar espaços de exposições temporárias, auditório e outros espaços.

Cais do Sertão, Recife

Foto: Leonardo Aquino

 

O Cais do Sertão é um programaço para fazer no Recife, seja qual for a idade do turista. Só tivemos uma dificuldade na nossa visita, em outubro de 2017. Como fomos com nossa filha Olívia (então com dois meses de idade) e estávamos com carrinho, precisávamos de um elevador para subir ao andar superior e não havia nenhum. Apesar disso, o site do museu afirma que o espaço oferece programas e serviços de acessibilidade.

 

Cais do Sertão – Serviço

Horários de funcionamento

De terça a sexta, das 9h às 17h. Sábado e domingo, das 13h às 17h. Última entrada às 16h30. Fechado às segundas-feiras.

Dias em que o museu está fechado

24, 25 e 31 de dezembro, 1º de janeiro, de sexta a terça-feira no Carnaval, dias de eleições.

Ingressos

R$ 10 (inteira), R$ 5 (meia) e entrada gratuita às terças-feiras.

Endereço

Rua Alfredo Lisboa, s/n, Recife-PE.

Telefone

(81) 4042.0484

E-mail

[email protected]

Site

www.caisdosertao.org.br

Facebook

www.facebook.com/CaisdoSertao

Instagram

@caisdosertao

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Praia de Pipa: um guia para planejar sua viagem

A Praia de Pipa talvez seja a grande prova da generosidade que a natureza teve com o litoral do Rio Grande do Norte. Ela não tem só o branco da…

A Praia de Pipa talvez seja a grande prova da generosidade que a natureza teve com o litoral do Rio Grande do Norte. Ela não tem só o branco da areia das dunas e o azul esverdeado do mar (ou verde azulado, dependendo do ponto de vista). A paisagem dela é marcada por outra cor: o laranja vivo das falésias que formam paredões perto da orla. É como se fosse possível juntar uma ilha do Caribe com uma chapada do interior do Brasil. E aí é preciso procurar outro adjetivo. “Paradisíaco” não é suficiente para descrever.

Praia do Amor - Praia da Pipa

Praia do Amor, em Pipa. Foto: Leonardo Aquino

 

Mas o pacote não fica só nisso. Pipa tem a presença ilustre dos golfinhos (que dão nome a uma baía na região) e de um bom pedaço de mata atlântica preservada. Tem uma lagoa que oferece banho de água doce, tem picos de surfe e trilhas para caminhada. É santuário ecológico, point de verão e destino de aventura ao mesmo tempo.

Como se não fosse bom o suficiente, ainda há a gastronomia. Até os anos 80, a Praia de Pipa era meio colônia de pescadores, meio acampamento hippie. Os dias de acesso difícil ficaram no passado. Assim, os visitantes passaram a vir de cada vez mais longe e alguns se instalaram de vez. Acabaram trazendo para a pequena vila no nordeste brasileiro uma enorme diversidade de estilos nas suas cozinhas. Ir a Pipa não é só pegar sol e tomar banho de mar, mas também comer muito bem.

Gastronomia, Praia da Pipa

Carpaccio de polvo no Terra Nostra, um dos bons restaurantes de Pipa. Foto: Leonardo Aquino

 

Por essas e outras, Pipa se tornou meu destino preferido para feriados prolongados e viagens de fim de semana. Mais do que isso: povoa também meus sonhos de aposentadoria. Quem não adoraria passar o resto da vida num lugar como este?

Este post vai ajudar você a planejar sua primeira viagem à Praia de Pipa. Como chegar, onde ficar, o que fazer, onde comer e muito mais. Vamos nessa?

Ponta do Pirambu, Tibau do Sul, Praia da Pipa

Praia do Giz, em Tibau do Sul. Foto: Leonardo Aquino

Como chegar à Praia de Pipa

Pipa pertence ao município de Tibau do Sul, a 85 quilômetros de Natal. São pouco mais de 11 mil habitantes, que vivem quase totalmente do turismo. Uma caminhada pelas ruas da vila pode dar a impressão de que há mais pousadas e restaurantes do que residências.

A forma de chegar à Praia de Pipa vai depender muito da sua origem e do seu meio de transporte.

Um clique que é a cara de Pipa: praia + falésias no Mirante de Cacimbinhas. Foto: Leonardo Aquino

De carro

A partir de Natal, a viagem é pela BR-101 no sentido sul até a cidade de Goianinha, onde você deve entrar na RN-003. A BR é duplicada neste trecho. A RN não. Dependendo de onde você estiver hospedado em Natal, a distância fica abaixo de 80 quilômetros.

A partir de João Pessoa ou Recife, a viagem também é pela BR-101, mas indo no sentido norte. A pista é toda duplicada no trajeto até Goianinha. Saindo de João Pessoa, a distância é de 152 quilômetros. Do Recife, são 256 quilômetros.

De táxi

A partir do aeroporto de Natal, a corrida sai por volta de 200 reais. Do aeroporto de João Pessoa, ela fica um pouco mais cara: em torno de 300.

De ônibus

Saindo da rodoviária de Natal, há ônibus saindo rumo a Pipa a partir das 6 da manhã. De segunda a sexta, são dez saídas diárias com no máximo 2h10 de intervalo entre uma e outra. A última saída é às 18h10. Aos sábados são oito saídas. Aos domingos e feriados, três. Portanto, se você quiser ir de ônibus num fim de semana, programe-se para não ficar sem passagem.

Existe também uma linha alternativa de ônibus saindo de um ponto em frente ao Natal Shopping. São três saídas diárias tanto em dias úteis quanto em fins de semana.

Para pesquisar mais detalhadamente os horários dos ônibus, acesse http://busca.pipa.tur.br

Vans

Uma oferta mais frequente de transporte é a de vans saindo de Goianinha rumo a Pipa. Elas costumam circular das 5 da manhã à 0h30, com intervalos de aproximadamente 10 minutos. Mas tenha essa opção em vista apenas em caso de emergência, já que você precisaria pegar um ônibus de Natal a Goianinha antes.

Transfers

Para quem chega de avião e não quer dirigir, esta é a melhor opção. Há várias empresas que prestam este serviço, como a VIP Pipa Transfer, a Pipa Aventura e a Pipa Locadora. O preço fica em torno de 80 reais por pessoa o trecho. Hotéis e pousadas também oferecem transfers. Alguns deles sem custo para o hóspede. Vale perguntar na hora de fazer a reserva.

A pergunta que você pode fazer agora: vale a pena alugar carro?

Para conhecer praias como a do Madeiro, é melhor estar de carro. Foto: Leonardo Aquino

 

A resposta vai depender do que você pretende fazer na viagem. Caso fique apenas na vila de Pipa e esteja hospedado perto da praia, você dificilmente vai precisar tirar o carro da garagem. Nesse caso, não vale a pena. Mas se você pensa em circular pelas outras praias da região, o carro vai lhe dar mais liberdade e flexibilidade. Só não deixe de tomar o cuidado que você tomaria numa grande cidade: se beber, não dirija. Fiscalizações de trânsito são comuns, especialmente em alta temporada.

No entanto, o carro não é fundamental para circular. Pipa é bem servida de táxis que podem lhe levar às outras praias mais distantes da vila. Além disso, há muitas agências que promovem excursões pela região.

Quando ir à Praia de Pipa?

Praia da Pipa

Mesmo sem sol aberto, dá pra relaxar em Pipa. Foto: Leonardo Aquino

 

Não se iluda achando que o Nordeste é uma região de um tempo só, ensolarado o ano inteiro. São cerca de 300 dias de sol por ano, mas há um período chuvoso: entre abril e junho. Nestes três meses, são grandes as chances de São Pedro melar a sua praia. Por outro lado, as hospedagens costumam ficar mais baratas neste intervalo. Portanto, leve tudo isso em consideração ao planejar uma ida à Praia da Pipa em feriados como Semana Santa, Corpus Christi e Dia do Trabalhador.

Para ir sem erro, meteorologicamente falando, vá no verão: de dezembro a março. Mas saiba que é a alta temporada na região e isso pode refletir em preços mais altos. O mesmo vale para julho, por causa das férias escolares. De agosto a novembro, é uma espécie de temporada intermediária ideal. Sem a muvuca dos meses mais concorridos e com sol. A famosa situação ganha-ganha.

Outro fator importante para levar em consideração: alguns feriados prolongados costumam ter grandes shows. Isso significa vila lotada, barulho e praia suja. Se você não gosta da badalação, procure saber se há alguma programação desse tipo antes de fazer a sua reserva.

 

Onde ficar em Pipa?

Para tomar essa decisão, é preciso saber de antemão alguma coisa sobre a região.

O epicentro da vida em Pipa está na avenida Baía dos Golfinhos, que também é chamada de Vila. É a rua que concentra o comércio, os serviços, a gastronomia e a vida noturna de Pipa. Há vários hotéis, pousadas e flats na avenida. Alguns deles com acesso direto à praia. Ficar aqui vai lhe facilitar a vida, especialmente nos passeios noturnos. Mas, em alta temporada, a poluição sonora é alta e pode incomodar um bocado.

O relevo de Pipa é bastante acidentado. Há muitas ladeiras perto da orla. Portanto, você encontrará algumas ofertas de hospedagem localizadas no centro de Pipa, mas com uma subida de brinde na volta do seu passeio. Se você vai viajar com pessoas com dificuldade de locomoção, é melhor evitar.

Indo para o norte, existe a possibilidade de ficar entre Pipa e Tibau do Sul, inclusive hotéis requintados como o Pipa Privilege e o Madeiro Beach. São opções mais caras e que vão lhe deixar distante da vida noturna. Se você pode pagar um pouco mais caro e pretende passar o dia descansando, pode ser a sua escolha.

O mesmo vale para os hotéis e pousadas na região do Chapadão, rumando ao sul. Alguns deles oferecem acesso direto à praia, têm estrutura robusta e serviços de spa. É para quem quer pagar para não se incomodar.

Um bom custo-benefício é a hospedagem em Tibau do Sul. A cidade tem hotéis confortáveis e mais baratos que os do centro ou os grandes resorts.

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Pipa para pessoas com necessidades especiais

Praia de Pipa, Praia do Madeiro

Acesso à Praia do Madeiro, em Pipa. Vai encarar? Foto: Leonardo Aquino

A geografia de Pipa não é muito amigável para idosos, cadeirantes, pessoas com crianças de colo ou dificuldades de locomoção. Além das ladeiras que estão no caminho de muitos hotéis, os acessos às praias também são difíceis. Para chegar à praia do Amor, por exemplo, é preciso descer no meio de uma falésia. O acesso à praia do Madeiro é por uma escadaria íngreme e escorregadia. E por aí vai.

As praias mais acessíveis são as de Tibau do Sul e a do Centro. A primeira tem um acesso totalmente plano a partir de um estacionamento perto da Lagoa Guaraíras. A segunda, de descidas suaves na avenida Baía dos Golfinhos ou de alguns hotéis e restaurantes. Portanto, se você viaja com alguém que tenha necessidades especiais, são os lugares mais indicados para ficar e curtir.

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Maceió: dicas da cidade em um roteiro de quatro dias

Vou confessar um pecado: foram necessários seis anos morando no Recife para ir a Maceió pela primeira vez. É pecado sim porque não há uma desculpa que não soe esfarrapada….

Vou confessar um pecado: foram necessários seis anos morando no Recife para ir a Maceió pela primeira vez. É pecado sim porque não há uma desculpa que não soe esfarrapada. As duas cidades são próximas: em 3h30 de estrada você sai de uma e chega à outra. Amigos pernambucanos sempre elogiaram a beleza da orla da cidade e das praias do litoral alagoano. Meus pais, quando vieram me visitar, já deram pelo menos duas escapadas até Alagoas e voltaram maravilhados. Falta de aviso é que não foi…

Maceió sozinha tem 40 quilômetros de litoral. Seis deles urbanizados, com calçadão, ciclovia, barracas e bares de praia. Nenhuma capital nordestina tem piscinas naturais tão próximas: a apenas dois quilômetros da costa. Além disso, a cidade oferece esportes de aventura (caiaque e stand up paddle, por exemplo), artesanato e uma ótima gastronomia. A capital alagoana é bem servida de restaurantes de cozinha regional e internacional, sempre com frutos do mar fresquinhos.

A orla da Pajuçara é fechada aos domingos e feriados. Foto: Leonardo Aquino

Para quem quer dar uma variada na paisagem, é só pegar uma estrada para viagens curtas. Num raio de algumas dezenas de quilômetros a partir de Maceió, há um farto cardápio de praias. Umas mais desertas, outras mais movimentadas, algumas com infraestrutura de resort, outras mais rústicas. Todas com o mar naquela paleta de cores dos sonhos: entre o azul e o verde, para ninguém sentir inveja do Caribe.

A ida a Maceió acabou sendo emblemática para mim por uma razão pessoal. Foi a primeira vez que minha esposa Janaína e eu viajamos com nossa filha Olívia. Ela tinha apenas dois meses quando fomos e isso acabou sendo determinante na elaboração do roteiro. Por exemplo, deixamos de fazer os passeios nas piscinas naturais por receio de andar com uma bebê num barco. E nas praias, procuramos pontos de apoio que fossem mais amigáveis para crianças.

Fim de tarde na Pajuçara. Foto: Leonardo Aquino

Passamos quatro dias lá no feriadão de 12 de outubro de 2017 e resolvi compartilhar com vocês nosso itinerário. Não é um guia definitivo de Maceió, mas o relato da nossa experiência na cidade. As dicas podem ser aproveitadas por famílias com filhos pequenos ou turistas em busca de uma viagem mais low profile. Espero que vocês curtam!

Como chegar a Maceió

De avião

Há voos diretos para Maceió saindo de Recife, Salvador, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas e Belo Horizonte. Se você vier de avião, desembarcará no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares. Ele fica a 25 quilômetros da orla da Pajuçara, o epicentro turístico da cidade. Se é nessa região que você vai ficar hospedado, a corrida de táxi vai sair entre R$ 75 e R$ 88. Dá para fazer uma simulação da viagem no site http://www.citytaxi.com.br.

Para economizar, dá para chamar um Uber, que custa entre R$ 40 e R$ 55. Há ainda os ônibus da empresa Veleiro (http://www.viacaoveleiro.com.br), que saem da frente do aeroporto. Mas os moradores dizem que a linha Aeroporto/Ponta Verde costuma ser visada por assaltantes. Melhor evitar.

De carro

Saindo do Recife, como foi o nosso caso, há dois caminhos. Um é pela BR-101, num percurso de aproximadamente 260 quilômetros. A estrada é toda duplicada no trecho pernambucano. Quando se entra em Alagoas, há alguns trechos de uma pista só. Mas as obras de duplicação estão em andamento, o que congestiona o trânsito em alguns momentos.

O segundo caminho é a chamada rota litorânea: PE-060 no trecho pernambucano e AL-101 no trecho alagoano. A distância é mais ou menos a mesma da rota pela BR-101. Mas o trajeto quase todo é feito em estrada de pista única. Além disso, há muitos trechos em áreas urbanas. Porém, para quem quer fazer um pinga-pinga em várias praias, é a melhor opção. No caminho, estão Porto de Galinhas, Carneiros, Tamandaré, Maragogi, Japaratinga e muitas outras.

Para quem vem do outro lado do Nordeste, como Aracaju e Salvador, o caminho principal é a BR-101. Mas não sei como está a estrada neste trecho.

Onde ficar

A maioria dos hotéis de Maceió está na Pajuçara. É o principal bairro da orla urbana, com muitos restaurantes, a feirinha de artesanato e equipamentos na praia (como quadras esportivas). Mas a oferta de hospedagem é proporcional à quantidade de gente e de carros circulando. Aos domingos e feriados, a avenida litorânea é fechada num trecho que vai até Ponta Verde (o bairro imediatamente ao norte de Pajuçara). A orla acaba virando uma grande rua de lazer, o que pode ser uma delícia e um tormento, dependendo do ponto de vista.

Quanto mais para cima você anda no mapa, menos muvuca. Escolhemos nos hospedar num dos últimos bairros da orla urbana da cidade, a Jatiúca. Alugamos um Airbnb num condomínio à beira-mar, num trecho ainda movimentado do bairro. Você pode usar como referência a avenida Antônio Gomes de Barros, que é perpendicular à orla. Ela é em estilo boulevard, com um canteiro central largo (mas não muito bem cuidado). Nela, há uma quantidade enorme de restaurantes, bares e lojas de rua. É uma ótima pedida para passeios pós-praia.

 

Primeiro dia

Almoço na Bodega do Sertão

Chegamos a Maceió por volta do meio-dia e, depois de deixar a bagagem no apartamento, fomos atrás do almoço. Escolhemos um local bem próximo ao condomínio: a Bodega do Sertão. É um restaurante típico nordestino que costuma ser visitado por celebridades. Há um painel com fotos de várias delas, principalmente atores globais. O serviço é em buffet por quilo e o atendimento é muito bom. Dá para experimentar baião de dois, carne de sol, carneiro, e outras delícias regionais.

Se você estiver na cidade em um domingo, pode tomar café na Bodega do Sertão. É o único dia em que o restaurante abre de manhã. Sem pressa, dá para se empanturrar com as guloseimas nordestinas. Bolo, tapioca, cuscuz, macaxeira e muito mais!

Pontal da Barra e Feirinha de Artesanato da Pajuçara

Maceió, bordado filé

O famoso filé alagoano. Foto: Leonardo Aquino

Em seguida, fomos até um local onde se compra o artesanato alagoano mais tradicional. O Pontal da Barra, também conhecido como “bairro das rendeiras”, é o melhor lugar para comprar o filé. Não, não é o corte de carne. E sim um estilo de bordado bem característico.

Segundo o Instituto de Bordado Filé, o estilo é construído a partir de uma rede que serve de suporte para a execução do bordado. O trabalho propriamente dito tem duas etapas: a construção da rede e o preenchimento de pontos sobre a rede.

É um estilo bem colorido, que está principalmente em peças de mesa e de vestuário. No Pontal da Barra, você vai poder encontrar uma variedade tremenda de exemplares. As lojas e ateliês das rendeiras estão concentradas na rua Alípio Barbosa da Silva. Além do filé, dá para encontrar tecelagem, cerâmica e muitos outros tipos de artesanato. Muitas lojas aceitam cartões de crédito e débito, mas levar dinheiro em espécie é bom para pechinchar. Há um caixa eletrônico da rede Banco 24 Horas numa das galerias.

Maceió, Pontal da Barra

A rua das rendeiras no Pontal da Barra. Foto: Leonardo Aquino

Depois de sair do Pontal da Barra, tentamos ir à Feirinha de Artesanato da Pajuçara. Mas o movimento estava muito grande na região (era feriado) e não conseguimos nem lugar para estacionar o carro. Pelo que deu para ver de fora, não há nada muito diferente do que se encontra em outras feiras de capitais nordestinas. Cachaça, castanha, renda, tecelagem, referências a forró e cangaço, etc. Se você é do Nordeste, certamente não vai ver nenhuma grande novidade.

Daslagoas Brew Pub

A casa da cerveja alagoana. Foto: Leonardo Aquino

À noite, decidimos dar uma explorada na avenida Antônio Gomes de Barros, próxima ao apartamento. Encontramos uma cervejaria que chamou a atenção pelo nome: Daslagoas Brew Pub. É um bar que produz a própria cerveja, com cinco rótulos. Todos têm alguma referência à cultura nordestina: Quilombos, Aluá, Jangadeiros, Virgulino e Guerreiros. Às terças, quartas e quintas, no happy hour, você toma dois chopps iguais e ganha o terceiro. Experimentamos a Guerreiros, que é uma Blonde Ale bem gostosa. A Daslagoas também vende outras cervejas locais, com preços muito bons. Vale demais a visita!

Maceió, Das Lagoas Brew Pub

Foto: Leonardo Aquino

Segundo dia

Praia de Garça Torta e Milk Beach Pub

Praia de Garça Torta. Foto: Leonardo Aquino

Era nosso primeiro dia de praia, então resolvemos acordar cedo para aproveitar algum tempo de sol mais brando. Principalmente por causa da Olívia, nossa bebê de dois meses. A ideia inicial era ir ao Hibiscus, um day use que fica na praia de Ipioca, 24 quilômetros ao norte de Maceió. O local é muito bem recomendado pela infra-estrutura, com gazebos, redes, espaço infantil, piscinas e até spa.

Quando chegamos à entrada do Hibiscus, fomos informados que o day use (R$ 35 por pessoa, sem consumação incluída) só poderia ser pago em espécie. Estávamos apenas com os cartões e tivemos que voltar à estrada para tirar dinheiro. Na volta, já havia uma placa na guarita: LOTADO. E não eram nem 10 da manhã. Acabamos desistindo do Hibiscus. Além do preço alto e da grande concorrência para entrar, achamos que era diferente do perfil que procurávamos.

Maceió, Milk Beach Pub, Praia de Garça Torta

Milk Beach Pub. Foto: Leonardo Aquino

Fomos então para uma praia um pouco mais próxima de Maceió, a de Garça Torta. Ficamos em outro bar de praia bem recomendado, o Milk Beach Pub. Quando chegamos, não havia quase ninguém e nos sentimos muito mais à vontade. Guarda-sol, rede e uma trilha sonora ótima, que foi de Secos e Molhados a Rolling Stones. O nome é uma homenagem a Harvey Milk, ativista LGBT americano que foi interpretado no cinema por Sean Penn.

Maceió, Milk Beach Pub, Praia de Garça Torta

Sombra, rede, barulho do mar… Precisa de algo mais? Foto: Leonardo Aquino

O cardápio tem petiscos de praia e frutos do mar a preços bem OK. A praia de Garça Torta, que fica nos fundos do Milk, tem o mar agitado. Além das ondas que quebram em cima da beira, há algumas pedras logo em frente ao acesso do bar. Mas dá para tomar banho andando um pouco para a esquerda.

Caminhada pela Jatiúca

No fim da tarde, resolvemos dar uma caminhada pela orla da Jatiúca. Há uma ciclovia e as calçadas são bem pavimentadas. Tanto que conseguimos andar confortavelmente com a Olívia no carrinho de bebê. A região tem muitos bares de praia como a Barraca Buenos Aires e o Lagosta do Chef. Saindo da orla e indo em direção à cidade, estão alguns dos restaurantes mais badalados de Maceió, como o italiano Maria Antonieta e o peruano Wanchako.

Acabamos indo em uma opção mais econômica para jantar, a creperia Operant. A especialidade da casa são os crepes com massa crocante. Mas a casa também tem boas saladas e ótimos sucos.

 

Terceiro dia

Praia de Guaxuma

Maceió, Praia de Guaxuma

Praia de Guaxuma. Foto: Leonardo Aquino

Fomos à primeira praia ao norte de Maceió. Guaxuma fica cerca de 10 quilômetros distante da Pajuçara, mas já dá para sentir muita diferença da orla urbana. Menos gente, menos carros e mais espaço na areia. O mar é agitado como o de Garça Torta, mas sem pedras.

Maceió, Praia de Guaxuma

Barraca Bar Brasil, em Guaxuma. Foto: Leonardo Aquino

Ficamos na Barraca Bar Brasil, uma das mais conhecidas de Guaxuma. Ela tem uma infraestrutura bem simples, mas suficiente para não passar perrengue. O diferencial é uma área de lazer para crianças, com alguns brinquedos no estilo parquinho. Os preços, em geral, são mais baixos que os de Garça Torta. Experimentamos o filé de siri, servido com farofa. Custou 35 reais e foi um bom petisco pré-almoço. O ponto negativo é que, diferente do Milk Beach Pub, o Bar Brasil é todo aberto e oferece menos privacidade.

Almoço no Akuaba

Depois da praia, fomos para uma das experiências que mais esperávamos em Maceió: o almoço no Akuaba. É um dos restaurantes mais badalados da capital alagoana, com suas receitas de inspiração africanas e baianas.

O acarajé do Akuaba. Foto: Leonardo Aquino

De saída, lhes digo: lá, experimentei o melhor acarajé da minha vida. Massa sequinha e fofinha, recheios deliciosos e um tamanho generoso. Se você não estiver sozinho na mesa, melhor dividir. Comer um inteiro pode tirar um precioso espaço do seu estômago.

Maceió, restaurante Akuaba

A Moqueca Meu Príncipe do Akuaba. Foto: Leonardo Aquino

No prato principal, pedimos a Moqueca Meu Príncipe. Ela leva camarão, mexilhão e polvo e é temperada com gengibre e biri-biri, uma fruta que também é conhecida como limão de caiena. Serve duas pessoas, assim como quase todo o cardápio. Além de moquecas, o Akuaba tem muitas opções de frutos do mar, inclusive ostras frescas.

O almoço saiu a R$ 87 por pessoa, incluindo entrada, prato principal, drink e sobremesa. O preço é bem justo para o tamanho das porções e para a qualidade da comida.

 

Último dia

Japaratinga

Foto: Leonardo Aquino

Para chegar ao Recife com o dia claro, saímos de Maceió ainda de manhã. A ideia era parar em alguma praia na rota ecológica para almoçar. Ficamos na dúvida entre Maragogi e Japaratinga. Maragogi é o principal destino da região, graças às piscinas naturais e à boa gastronomia. Só que a cidade foi invadida por resorts e costuma ficar entupida de turistas. Japaratinga está ali coladinha e tem as mesmas atrações naturais. A oferta de restaurantes não é igual à da vizinha badalada, mas a quantidade é suficiente para lhe deixar na dúvida na hora do almoço.

Como queríamos tranquilidade por causa da bebê, fomos a Japaratinga. A entrada da vila tem aquela imagem típica das cidades de interior: a pracinha, a igreja e os pequenos comércios. Andando algumas centenas de metros, você chega à orla e dá de cara com o mar azul esverdeado.

Praia de Japaratinga

Foto: Leonardo Aquino

Indo para a direita na orla (ou na direção sul no mapa), você vai encontrar uma grande oferta de restaurantes pé na areia. Escolhemos o Camboa pela área externa amigável: grama bem cuidadinha, espaço para estacionar, mesas e sombrinhas na beira da praia, proximidade do mar. O banho por lá é ótimo: ondas fracas e água com temperatura bem fresquinha.

O único porém foi o custo-benefício do almoço. Pagamos 84 reais num peixe grelhado bem simplório, com arroz e purê. Mas, em se tratando de valores, não espere encontrar algo muito diferente na região. Os preços são bem inflacionados.

No quesito economia, Japaratinga leva vantagem sobre Maragogi no valor do passeio das piscinas naturais. Pela pesquisa que fiz, o preço em Maragogi é em média 50% mais caro. Outra dica importante: se você gosta de sol e sossego, vale curtir a rota ecológica sem pressa. O ideal é programar de três a quatro dias.

 

1 comentário em Maceió: dicas da cidade em um roteiro de quatro dias

Círio de Nazaré: um guia para quem vai acompanhar pela primeira vez

Para quem nasce em Belém do Pará, é impossível desenvolver uma relação de indiferença com o Círio de Nazaré. A cidade é tão invadida por Nossa Senhora em outubro quanto…

Para quem nasce em Belém do Pará, é impossível desenvolver uma relação de indiferença com o Círio de Nazaré. A cidade é tão invadida por Nossa Senhora em outubro quanto por Papai Noel em dezembro. A publicidade local ganha peças especiais para a época. Os parentes que moram longe desembarcam quase todos na mesma semana. Quem é de rezar tem uma quinzena inteira para dedicar à devoção. Quem não é de rezar tem uma grande dose de confraternização, comida e algumas festas. Ou então se limita a reclamar do trânsito, que realmente fica insuportável.

É o maior evento de Belém, que leva mais de um milhão de pessoas às ruas da cidade, entre moradores e visitantes. E no meio dessa multidão, tem gente de vários perfis. De turistas que gastam uma nota para ver o Círio da varanda de um hotel cinco estrelas até peregrinos de cidades vizinhas que vêm a pé. Tem gente que vem de longe para expressar sua fé. E tem gente que vai contemplar a fé alheia. Os promesseiros do Círio de Nazaré atraem tantos olhares e suspiros quando a própria padroeira dos paraenses.

Minha relação com o Círio de Nazaré começou como a de quase qualquer belenense. Quando eu era muito pequeno, meus pais não costumavam me levar para a procissão por causa do sufoco e da aglomeração. Quando eu tinha 10, 11 anos, comecei a acompanha-los. Aos 19, já na faculdade de jornalismo, o Círio virou sinônimo de trabalho para mim. E muito! Jornalista que folga no Círio é tão raro quanto a neve em Belém.

Trabalhar no Círio de Nazaré distanciou um pouco a minha visão do lado espiritual da coisa. Mas ajudou a compreender questões mais práticas e objetivas do evento. Talvez tenha mesclado a minha vivência de nativo com um olhar de visitante. E acho que é uma mistura interessante para falar do Círio num blog de viagens.

Decidi escrever este post não com o objetivo de ser a principal fonte de informações históricas sobre o Círio. E sim pensando no viajante que pretende acompanhar a festividade pela primeira vez. Sei que chegar a Belém na segunda semana de outubro sem referência nenhuma deve deixar os romeiros estreantes meio baratinados. Espero que este artigo possa ajudar a facilitar a vida (e o planejamento da viagem) dessas pessoas!

 

Um pouco de história

Círio de Nazaré, Basílica Santuário

A Basílica Santuário de Nazaré. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

A devoção a Nossa Senhora de Nazaré no Pará tem origem numa lenda do início do século 18. Um pescador chamado Plácido encontrou uma imagem da santa às margens de um igarapé, palavra amazônica para riacho. Ele levou a imagem para casa. Mas, no dia seguinte, ela sumiu e reapareceu no mesmo local onde havia sido encontrada. A história se repetiu outras duas vezes até Plácido entender a mensagem: a santa queria permanecer naquele lugar.

O igarapé Murutucu, onde a imagem foi encontrada, acabou recebendo uma pequena capela para sediar a adoração a Nossa Senhora. A primeira procissão foi realizada em 1793. De lá para cá, o número de fiéis se multiplicou exponencialmente. A romaria se transformou em uma das maiores do mundo e a capelinha à beira do riacho virou a hoje imponente Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré.

Para conhecer um pouco mais sobre a história do Círio de Nazaré, acesse o site oficial do evento.

Quando acontece o Círio de Nazaré?

Círio de Nazaré, promesseira

Sempre há promesseiros que fazem o percurso do Círio de joelhos. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

Os primeiros Círios foram realizados em dezembro. Mas, desde 1901, a procissão ganhou a data fixa que tem até hoje: o segundo domingo de outubro. Essa não foi a única mudança em mais de 200 anos de história. Nas primeiras edições, a romaria saía à tarde. Hoje, a saída é às 6 da manhã. As alterações provavelmente foram para fugir do clima chuvoso de Belém, já que dezembro é um mês mais úmido e as chuvas são tradicionalmente vespertinas.

Há muito tempo o Círio de Nazaré não é apenas a procissão do domingo. Ao longo do século 20, foram criadas várias outras romarias para engordar a programação. A santinha viaja por terra e água para alcançar mais fiéis e percorre 140 quilômetros em doze procissões somadas. No total, entre eventos e romarias, a festa da padroeira dos paraenses dura vinte dias.

Para facilitar o seu planejamento, vamos organizar os eventos pelas datas em que são realizados. Usamos o calendário de 2017 como base, mas o post será editado nos anos seguintes com as datas atualizadas.

Antes do fim de semana do Círio

Círio de Nazaré, abertura oficial

Abertura do Círio de Nazaré. Foto: Mácio Ferreira (Agência Pará)

Na terça-feira que antecede a grande procissão, é realizada a abertura oficial do Círio. Em 2017, ela cai no dia 3 de outubro. É uma missa solene na Basílica Santuário, com a presença da diretoria da festa, da arquidiocese de Belém e de autoridades da cidade. Começa às 18h.

Mas o primeiro evento cercado de expectativa dos fiéis acontece na quinta-feira (em 2017, 5 de outubro): a missa de apresentação do manto, também na Basílica Santuário. A cada ano, o manto que cobre a imagem de Nossa Senhora em todas as romarias é diferente. A confecção é mantida sob sigilo absoluto pela diretoria da festa até o dia do evento, que começa às 18h. Não são eventos para pautar a data da sua chegada. Só se você já estiver na cidade e for muito devoto.

Apresentação do manto de Nossa Senhora. Foto: Divulgação / Fundação Nazaré

 

Sexta-feira, 06/10/2017

Círio de Nazaré, Traslado

As ruas movimentadas no dia do Traslado. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

Traslado

A antevéspera do Círio de Nazaré é o dia da primeira das doze romarias, o Traslado. Ela sai às 7 da manhã e é a mais longa de todas. O percurso tem 52 quilômetros e vai da Basílica Santuário, em Belém, até a Igreja de Matriz de Ananindeua, município vizinho à capital paraense. A imagem de Nossa Senhora é colocada sobre um carro da Polícia Rodoviária Federal. O roteiro passa por vários bairros de Belém, Ananindeua e Marituba (outra cidade da região metropolitana). No caminho, o comboio faz algumas paradas para homenagens em frente a prédios de órgãos públicos e hospitais.

 

Auto do Círio

À noite, o centro histórico de Belém é ocupado por um dos eventos mais tradicionais da programação extraoficial da festividade. O Auto do Círio é um cortejo organizado há mais de duas décadas pela UFPA, por meio da Escola de Teatro e Dança. Pelas ruas da Cidade Velha, artistas profissionais e amadores encenam um espetáculo que celebra a cultura e a história de Belém e do Círio.

Círio de Nazaré, Auto do Círio

Auto do Círio. Foto: Cristino Martins – Agência Pará

 

Festival Lambateria

Você pode aproveitar a ida à Cidade Velha para curtir uma noite de música paraense no Festival Lambateria. A Lambateria é uma festa (da qual já falamos no post sobre dicas de Belém) em que toca guitarrada, carimbó, tecnobrega e outros ritmos tradicionais e modernos da Amazônia. A escalação do festival está imperdível e tem como principais atrações Dona Onete, Pinduca, Combo Cordeiro e Félix Robatto. Outras informações você pode encontrar na página do evento no Facebook.

 

 

O que vale a pena?

O Traslado não vale a pena. Como a romaria é conduzida por um carro e há várias interdições no trânsito no caminho, é praticamente impossível seguir o comboio. Mas, se você quer colocar esta romaria no currículo, o melhor é ver a saída nos arredores da Basílica ou escolher um ponto de passagem. Minha sugestão: o Hospital Ophir Loyola, na avenida Magalhães Barata. Não é longe do centro de Belém e é uma parada tradicional da procissão.

Já o Auto do Círio vale demais. Tanto pela manifestação artística quanto para conhecer o bairro mais antigo de Belém. O Auto do Círio geralmente tem “estações” em frente a alguns dos lugares mais bonitos da Cidade Velha, como a Catedral e a Igreja de Santo Alexandre.

Sábado, 07/10/2017

Círio de Nazaré, Romaria Rodoviária

Fiéis à espera da Romaria Rodoviária. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

O dia mais importante da programação do Círio de Nazaré é o domingo. Mas o mais movimentado é o sábado. São quatro romarias, começando nas primeiras horas da manhã e terminando já no início da madrugada de domingo.

Romaria Rodoviária

O dia começa com a Romaria Rodoviária, que sai às 5h30 da Igreja Matriz de Ananindeua, onde a imagem de Nossa Senhora pernoitou na véspera. Esta romaria é realizada desde 1989 no sábado anterior e foi criada para atender a um pedido do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga. São 24 quilômetros de percurso pelas rodovias BR-316 e Augusto Montenegro até o trapiche de Icoaraci, onde começa o segundo evento do dia.

Romaria Fluvial

A Romaria Rodoviária termina onde a Romaria Fluvial começa. Depois de uma missa no trapiche, a imagem embarca numa corveta da Marinha. A saída costuma ser por volta de 9 da manhã. É um dos eventos mais bonitos de toda a festividade. A padroeira é seguida por embarcações de diversos tamanhos e padrões, desde lanchas turísticas até barcos simples de madeira. A romaria tem um percurso de 10 milhas náuticas (o equivalente a 18,5 quilômetros) e costuma durar 2h30. A chegada é na escadinha do Cais do Porto, no centro de Belém.

Círio de Nazaré, Romaria Fluvial

Romaria Fluvial. Foto: Carlos Sodré – Agência Pará

Moto Romaria

No final da Romaria Fluvial, a festa se divide em duas. A imagem de Nossa Senhora segue para a terceira procissão do dia: a Moto Romaria. Milhares de motociclistas acompanham a santa num trajeto de 2,5 quilômetros até o Colégio Gentil Bittencourt, na avenida Magalhães Barata. Geralmente, esta romaria dura em torno de uma hora.

Moto Romaria. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

Arrastão do Círio

Quem não está de moto pode participar de outra programação que começa bem perto, em frente à Praça dos Estivadores: o Arrastão do Círio. É um evento organizado pelo Instituto Arraial do Pavulagem, um dos principais difusores da cultura popular no Pará. É um cortejo embalado por tambores, danças e cantos em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré.

Círio de Nazaré, Arrastão do Pavulagem

Arrastão do Círio. Foto: Dah Passos – Instituto Arraial do Pavulagem

Trasladação

No final da tarde, começa a segunda procissão mais importante da programação do Círio de Nazaré: a Trasladação. Ela tem um trajeto quase igual à da grande romaria do domingo, mas no sentido contrário. Sai do Colégio Gentil Bittencourt em direção à Catedral Metropolitana. Como é uma caminhada noturna, geralmente é embelezada pelas velas que muitos fiéis levam. A iluminação da berlinda que leva a santa também é um dos pontos altos. O percurso tem 3,7 quilômetros, mas a duração é menos previsível. Costuma terminar por volta da meia-noite.

Círio de Nazaré, Trasladação

Trasladação. Foto: Thiago Gomes – Agência Pará

Festa da Chiquita

Pensa que acabou? A noite do sábado para o domingo tem um evento que costuma fazer os católicos mais tradicionalistas torcerem o nariz. A Festa da Chiquita é um evento organizado pela comunidade LGBT de Belém e é realizada no Bar do Parque, em frente ao Theatro da Paz. Assim que a Trasladação passa em frente ao bar, a festa começa e costuma entrar pela madrugada. Nos últimos anos, a Festa da Chiquita sempre foi uma incógnita até a última hora. Sem o apoio da diretoria do Círio e das últimas gestões da prefeitura, ela foi marginalizada. Até o fechamento deste texto, não havia uma confirmação sobre a realização em 2017.

A Festa da Chiquita foi tema de um documentário lançado há alguns anos. O nome do filme é “As Filhas da Chiquita” e está disponível na íntegra no Vimeo. Aqui, um trechinho para você ter uma noção do que rola no Bar do Parque depois que a santa passa.

O que vale a pena num dia tão movimentado?

Eu recomendo fortemente a Romaria Fluvial. Ela é muito simbólica dentro da programação, dado o significado dos rios para a região amazônica. Algumas agências de turismo preparam embarcações para acompanhar a romaria. O barco da Valeverde Turismo é um dos mais tradicionais. Oferece bebidas quentes e água, tem venda de lanche a bordo, música ao vivo e show folclórico.

Se o passeio de barco não tiver tirado toda a sua energia, passe algumas horas no Arrastão do Pavulagem. É uma lindíssima manifestação artística, além de ser um ponto de encontro de gente descolada.

A Trasladação também vale muito a pena. Se você quiser acompanhar caminhando, chegue ao Colégio Gentil Bittencourt pelo menos uma hora antes da procissão. Veja a saída da santa e siga andando na frente da romaria até onde seu fôlego permitir. Se quiser ver tudo sentadinho, o melhor custo/benefício é comprar um ingresso para as arquibancadas montadas na avenida Presidente Vargas. Para a Trasladação, o preço é R$ 35. A venda é pela internet.

A Festa da Chiquita é divertida, mas tem uma aglomeração que permite pequenos furtos. Se você for conservador a ponto de se incomodar com a celebração da diversidade num evento católico, melhor não ir. Mas se você estiver no espírito, não perca. Só tenha as mesmas preocupações que você teria num evento de carnaval de rua. Ah, e não perca a hora para o dia seguinte!

 

Domingo, 08/10/2017

Círio de Nazaré, berlinda

Foto: Thiago Gomes – Agência Pará

É o grande dia da festividade. O Círio de Nazaré propriamente dito. A movimentação começa ainda de madrugada, antes mesmo do sol nascer. Os promesseiros que querem acompanhar a procissão na corda (vamos falar dela mais adiante) passam a madrugada no Boulevard Castilhos França. Mas o início do dia para valer é às 5h, com a missa na Catedral Metropolitana. A missa termina e o Círio começa. A berlinda que leva a imagem da padroeira sai da Praça Frei Caetano Brandão, em frente à Catedral, e começa um percurso de 3,6 quilômetros.

Em frente à Praça do Pescador, no Boulevard Castilhos França, acontece um dos momentos mais emocionantes do Círio de Nazaré. É quando a corda, um dos símbolos mais especiais da festa, é atrelada à berlinda. A corda tem 800 metros de comprimento, dividido em dois pedaços de 400. Cada centímetro é disputado à exaustão pelos promesseiros, que se espremem para pedir ou agradecer alguma realização atribuída à fé na padroeira.

Círio de Nazaré, corda

No meio dos promesseiros da corda, nem se vê a corda. Foto: Alessandra Serrão – Agência Pará

Na frente da corda e da berlinda, vão outros elementos importantes na simbologia do Círio de Nazaré. Treze carros de promessas começam o percurso um pouco mais adiante, na avenida Presidente Vargas. Alguns deles recebem os ex-votos, que são objetos representando os pedidos ou as graças alcançadas. Os mais comuns: velas, partes do corpo esculpidas em cera (para pedidos relacionados a saúde), tijolos e miniaturas de barcos e casas. Outros carros levam crianças vestidas de anjos, geralmente pagando promessas feitas pelos pais.

Foto: Thiago Gomes – Agência Pará

Tem gente que acompanha o Círio caminhando. Tem gente que fica à espera da passagem da procissão em algum ponto do percurso. Edifícios, hotéis, arquibancadas são locais em que se tem conforto e segurança. Quem prefere não pagar (ou não pode), fica na rua mesmo. Não é a melhor escolha para quem tem mais idade ou alguma dificuldade de locomoção.

Quanto tempo dura?

A duração da romaria é uma controvérsia entre os fiéis. Já houve um Círio de Nazaré que durou dez horas. Foi o de 2004, que chegou ao ponto final (a Praça Santuário) às 16h. E já houve outros que chegaram antes do meio-dia. Tem quem prefira que o Círio seja mais rápido, para que as famílias possam aproveitar o tradicional almoço e o restante do domingo. Tem quem ache que uma procissão mais longa é um sacrifício que vale a pena, para não se ver a santinha passando “a jato” diante dos olhos.

Dicas para acompanhar

Círio de Nazaré

A Praça do Relógio, em frente à chamada “pedra do peixe” no Ver-o-Peso. Foto: Mácio Ferreira – Agência Pará

O esquema que aprendi com meus pais para acompanhar o Círio a pé é o seguinte. Chegar por volta de 5h30 da manhã à Praça do Relógio, que fica nos primeiros metros do percurso. De lá, ver a passagem da berlinda e então cortar caminho por dentro do bairro do Comércio. Assim, chega-se à avenida Presidente Vargas bem à frente da procissão, sem muito sufoco. Meus pais costumam fazer o atalho pela rua João Alfredo ou Treze de Maio. Mas qualquer rua da região estará muito movimentada no domingo do Círio.

Corda

Se você quiser encarar a corda, vá com a preparação de uma corrida de longa distância. O aperto é grande e o calor, insuportável. Chegue cedo, no máximo às 3 da manhã, ao Boulevard Castilhos França. Vá de chinelos, sabendo que vai precisar descartá-los. É proibido acompanhar a corda calçado. Deixe em casa também acessórios que possam machucar, como anéis, relógios e brincos. Alguns promesseiros da corda levam acompanhantes para dar alguma assistência em caso de necessidade. Muita gente desmaia no percurso. Mas há uma grande quantidade de voluntários da Cruz Vermelha trabalhando no atendimento médico ao longo da procissão.

Segurança

É uma festa religiosa, mas os descuidistas não tiram folga. Portanto, cuidado com objetos de valor. Deixe a carteira em casa. Leve dinheiro trocado e um documento apenas.

Arquibancadas

Para quem preferir comodidade, as arquibancadas oficiais na avenida Presidente Vargas custam R$ 70 e estão à venda neste site.

Hotéis

Se seu orçamento estiver bem mais folgado, hospede-se em um hotel no percurso do Círio de Nazaré. Dois dos mais tradicionais de Belém estão no caminho. O Princesa Louçã (antigo Hilton) na avenida Presidente Vargas e o Grand Mercure (antigo Crowne Plaza) na avenida Nazaré. Eles geralmente fecham pacotes com muita antecedência para o Círio, mesmo cobrando os olhos da cara.

Transporte público

Funciona normalmente e ganha reforço durante o fim de semana do Círio, inclusive de madrugada. Os ônibus que passam perto do percurso geralmente circulam com uma placa “Círio de Nazaré” no vidro dianteiro.

 

Almoço do Círio

Círio de Nazaré, maniçoba

A famosa maniçoba. Foto: Cristino Martins – Agência Pará

Muitos restaurantes fecham no domingo do Círio de Nazaré. É o caso de alguns dos mais tradicionais e conceituados da cidade. O Remanso do Bosque, do badalado chef Thiago Castanho, fecha no domingo, mas abre normalmente para almoço e jantar na segunda-feira. O Lá Em Casa, com mais de 40 anos de tradição, também fecha, assim como todos os outros restaurantes da Estação das Docas. Mas abre no sábado desde cedo, aproveitando a chegada da Romaria Fluvial, inclusive servindo café da manhã.

O Avenida é uma das melhores pedidas. Não só pela tradição, mas pela localização. Ele fica a poucos metros da Praça Santuário. A procissão do Círio passa bem em frente. Para 2017, as reservas abriram em 1º de setembro. E, dependendo do dia em que você ler este post, é possível que não haja mais vagas.

O restaurante do Hotel Mercure (sobre o qual já falamos alguns parágrafos acima) tem um pacote para não-hóspedes. Tem almoço com água, refrigerante e sobremesa inclusos. A programação também tem uma missa no hotel. O valor é um pouco salgado: R$ 350 por pessoa. Mas, se você tiver esse dinheiro sobrando, a comodidade e a localização compensam. As reservas podem ser feitas pelo telefone (91) 3202.2100.

Fora do circuito da procissão, existem boas opções. O Manjar das Garças fica dentro do parque Mangal das Garças. O Spazzio Verdi fica a um quarteirão da Praça Santuário e pode ser uma solução próxima. E o Avuado, que já indicamos no post com as dicas de Belém, também abrirá normalmente. É um bom lugar para comer peixes de rio e frutos do mar.

O prato mais típico nesta celebração é a maniçoba, que, numa tentativa simplória de explicar, é uma espécie de feijoada amazônica. É um cozido de partes menos nobres do porco. Mas, no lugar do feijão, entra a maniva, que é a folha da mandioca brava. Ela precisa passar uma semana fervendo para perder uma toxina natural que possui. Visualmente, o prato não é bonito, mas é muito saboroso.

 

Depois da grande procissão

Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

Quando a romaria do domingo termina, a programação do Círio de Nazaré arrefece um pouco. Todas as manhãs, às 5h30, fiéis celebram o Terço da Alvorada no entorno da Basílica Santuário. Eles se revezam em orações e conduzem uma réplica da imagem da padroeira. À noite, também na área próxima à Basílica, há duas pedidas. O Círio Musical, programação de shows católicos gratuitos na Praça Santuário; e o Arraial de Nazaré, no parque de diversões ao lado da Praça.

Últimas romarias

Mas lembra que eu falei que eram doze romarias? Até agora, falei apenas de seis. No sábado seguinte ao Círio (em 2017, 14 de outubro), são realizadas duas. A primeira é a Cicloromaria, dedicada aos ciclistas. A segunda é a Romaria da Juventude, organizada pelos jovens das paróquias e comunidades da Arquidiocese de Belém.

O dia seguinte (em 2017, 15 de outubro), tem a Romaria das Crianças, com um percurso na medida para que as famílias com filhos pequenos possam celebrar sem sufoco.

No último sábado da festividade (em 2017, 21 de outubro), tem a Romaria dos Corredores. São 7 quilômetros em que a imagem de Nossa Senhora é conduzida numa velocidade para ser acompanhada numa corrida leve.

No domingo seguinte (em 2017, 22 de outubro), tem a Procissão da Festa. É uma romaria dedicada aos membros da diretoria da festa e às comunidades da paróquia de Nazaré. Pra fechar o calendário, tem ainda a missa de encerramento às 19h30 na Basílica Santuário e o Espetáculo Pirotécnico. Este é um momento bastante aguardado e pode ser visto de longe, de vários bairros de Belém. Ele começa às 21h na Praça Santuário.

O que vale a pena acompanhar?

Se sua estadia em Belém para o Círio for mais longa, vale você arrumar uma bicicleta e seguir a Cicloromaria. Ela sai às 8h da Praça Santuário. Tem um percurso de 14 quilômetros por alguns bairros do centro de Belém, até voltar ao local de partida Se você viaja com filhos pequenos, a Romaria das Crianças também é uma boa pedida. A saída e a chegada são na Praça Santuário. O Espetáculo Pirotécnico é bonito, mas a movimentação na Praça Santuário é muito grande. Além disso, é muito comum o relato de pequenos furtos na multidão. Pense duas vezes antes de decidir acompanhar tão de perto.

O que mais fazer em Belém?

Foto: Facebook/Estação das Docas

Estação das Docas. Foto: OS Pará 2000

Além dos passeios clássicos que você já deve ter visto por aí, a gente tem algumas indicações mais “outsiders”. Falamos sobre elas neste post com o guia de Belém que os guias não contam. Mas para não dizer que ignoramos as tradições, sugerimos também a Estação das Docas, sua vista e seus sabores imperdíveis!

O Círio de Nazaré é uma boa época para comprar artesanato em Belém. Duas feiras são tradicionais nesta época. A Feira do Artesanato do Círio, organizada pelo Sebrae na Praça Waldemar Henrique; e a Feira do Miriti, realizada pela cooperativa dos artesãos de Abaetetuba (cidade a 121 quilômetros de Belém), na Praça Dom Pedro II. A primeira é mais completa, com mais tipos e estilos de artesanato. A segunda é focada no miriti, uma palmeira cujo tronco é conhecido como “isopor amazônico”. Abaetetuba é o principal pólo de produção de arte em miriti. São feitas esculturas de todo tipo. Mas o carro-chefe são os brinquedos de miriti, que fazem parte das tradições do Círio.

Mapa do Círio de Nazaré

Aqui você vai encontrar todos os locais citados no texto para que você tenha em conta as distâncias de Belém.

 

Nenhum comentário em Círio de Nazaré: um guia para quem vai acompanhar pela primeira vez

Cinco coisas para fazer na Estação das Docas em Belém

Quem vai a Belém costuma receber duas dicas de passeios. Os moradores da cidade sempre sugerem um fim de tarde na “Estação”, com beira de rio e pôr do sol….

Quem vai a Belém costuma receber duas dicas de passeios. Os moradores da cidade sempre sugerem um fim de tarde na “Estação”, com beira de rio e pôr do sol. Os turistas que já andaram por lá indicam um happy hour nas “Docas”, com chopinho de qualidade e petiscos regionais. O melhor de tudo é que as duas dicas apontam para o mesmo destino: a Estação das Docas.

Costumo desconfiar de dicas “obrigatórias”, mas esta compensa. Na Estação das Docas, é possível ter uma espécie de “menu degustação do Pará” ao longo de 32 mil metros quadrados. Gastronomia, natureza, cultura… tem tudo lá. E o local está acessível a todos os bolsos. Há desde shows gratuitos até restaurantes refinados.

Inaugurada em 2000, a Estação das Docas teve o projeto inspirado no Puerto Madero de Buenos Aires. Ela fica numa região portuária de Belém que estava desativada no final do século passado. Três galpões foram revitalizados e transformados em uma janela para a Baía do Guajará. Além disso, foram instalados restaurantes, bares, lojas, palcos para as mais diversas manifestações artísticas e um auditório que também funciona como cinema e teatro.

Foto: OS Pará 2000

A ideia foi tão bem sucedida que se transformou na principal atração turística de Belém. A circulação de pessoas ultrapassa a marca de 1 milhão por ano, entre turistas e moradores da cidade. O projeto também ajudou a inspirar iniciativas semelhantes em outras cidades brasileiras, como os Armazéns do Porto, no Recife.

Mas, afinal, o que é tão imperdível assim na Estação das Docas? Resolvi criar essa lista com cinco coisas que sempre faço quando vou a Belém. Espero que as dicas sejam inspiradoras!

 

1) Tomar cerveja na Amazon Beer

Foto: Divulgação

Bem antes das cervejas artesanais virarem uma moda hypada, a Amazon Beer foi uma visionária. É um dos poucos estabelecimentos que está na Estação das Docas desde a inauguração. E trouxe para Belém a cultura de tomar um chope diferente daqueles que você encontra em todo canto.

A Amazon Beer produz oito tipos de cerveja, sendo seis delas com algum ingrediente regional na sua composição. A stout, por exemplo, é feita com açaí. A witbier, com taperebá (fruta que você talvez conheça como cajá na sua região). A red ale, com priprioca, uma raiz amazônica costumeiramente usada na indústria de cosméticos. Todas elas estão disponíveis em torneira e em garrafa (para tomar no bar ou levar para casa).

Unha de caranguejo for the win. Foto: Leonardo Aquino

Para acompanhar seu chopinho regional, a Amazon Beer tem um vasto cardápio de petiscos. Os campeões são a linguiça de metro e os pastéis de tacacá. Mas anote aí a dica esperta do Mochileza: unha de caranguejo. É um misto de bolinho e coxinha, recheado com carne desfiada e temperada de caranguejo. A da Amazon Beer é uma das melhores de Belém. Pode ir sem erro.

 

2) Fechar o cardápio de sorvetes da Cairu

Foto: Facebook/Cairu

A Cairu é outro top of mind entre as dicas de quem já conheceu Belém. É a sorveteria mais tradicional da cidade e tem como carro-chefe os sorvetes de frutas regionais. Algumas delas você já deve ter experimentado por aí, como açaí e cupuaçu. De outras você dificilmente ouviu falar, como uxi, sapotilha e muruci.

Há alguns sabores autorais com os ingredientes regionais que valem muito a pena. O carimbó, por exemplo, é um sorvete de castanha do pará com doce de cupuaçi. O paraense é açaí com farinha de tapioca.

Para quem quer fazer apostas seguras, a Cairu tem os clássicos. Chocolate, creme, frutas vermelhas e muitos outros. Mas vá por mim. Faça uma roleta russa do sorvete, escolha algum sabor pelo nome e faça uma experiência inédita para o seu paladar.

 

3) Fazer compras descoladas na Ná Figueredo

Foto: Facebook/Ná Figueredo

Ná Figueredo não é apenas um estabelecimento comercial. É uma marca que se confunde com a cena musical de Belém, com a realização de eventos e o lançamento de discos há quase 30 anos. O carro-chefe são as roupas e calçados, seja as criações próprias da loja ou peças de marcas como AMP, Blunt, Converse e Vans. Também há acessórios como brincos, anéis e pulseiras.

A música é outro ponto forte das prateleiras da Ná Figueredo. São centenas de discos e DVDs de artistas nacionais e internacionais, mas com destaque para músicos paraenses. Alguns deles foram lançados pelo selo da loja, o Ná Music.

Para conferir um pouco sobre o estilo da loja, confira a página da Ná Figueredo no Facebook.

 

4) Conhecer a orla de Belém num passeio de barco

Foto: Divulgação/Valeverde Turismo

Uma famosa canção de Paulo André Barata, compositor paraense, diz: “esse rio é minha rua”. A gente só se dá conta do sentido que ela faz quando conhece Belém e seus rios tão largos a ponto de não se ver a outra margem. Passear por esses caminhos fluviais é um grande programa para se fazer na cidade. E a Estação das Docas é um ponto de partida para vários roteiros desse tipo.

Na Estação, está localizado o trapiche da empresa Valeverde Turismo, que opera os passeios fluviais mais conhecidos de Belém. Numa embarcação tipicamente amazônica, os passageiros contemplam a natureza, a orla da cidade e ainda se entretêm com apresentações de música e danças regionais a bordo.

A Valeverde oferece sete tipos de passeios fluviais. Eles duram de 1h30 a 7h e alguns deles incluem refeições a bordo. Dá para ver as luzes da cidade no entardecer ou conhecer algumas das ilhas próximas a Belém. Nos passeios mais longos, é possível ter um contato bem próximo com a vida da população ribeirinha.

Confira no site da Valeverde os perfis de cada um dos passeios realizados pela empresa.

 

5) Pegar um cinema

Um dos espaços internos da Estação das Docas é o teatro Maria Sylvia Nunes. Nele, são realizados eventos públicos e privados. Mas a sala também recebe o projeto Cine Estação. A programação de cinema foge do circuito comercial e traz títulos alternativos ou clássicos de várias épocas. É comum ver na programação mostras temáticas e filmes que emplacaram em festivais internacionais.

Para acompanhar a programação do Cine Estação, confira a página da Estação das Docas no Facebook.

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