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Categoria: Bélgica

Bruges: muito além de um bate-volta na Bélgica

São grandes as chances de você ter ouvido falar de Bruges por dois motivos. Um deles é o filme “Na Mira do Chefe” (tradução dada no Brasil para “In Bruges”),…

São grandes as chances de você ter ouvido falar de Bruges por dois motivos. Um deles é o filme “Na Mira do Chefe” (tradução dada no Brasil para “In Bruges”), com Colin Farrell e Brendan Gleeson, uma comédia de humor negro ambientada lá. O outro é que a cidade costuma estar na rota de viagens bate-volta a partir de Bruxelas ou de passeios de um dia para quem está se deslocando entre Paris e Amsterdam. A real é que Bruges oferece muito mais do que você imagina a partir dessas duas referências. E quanto mais tempo você dedicar a essa pérola medieval, mais rica será a sua viagem.

Bruges tem uma série de credenciais. É considerada Patrimônio Mundial pela Unesco. Além disso, ostenta desde 2002 o título de Capital Cultural da Europa. Há vários motivos para tanto reconhecimento. Entre eles, um centro histórico medieval preservado de forma única. Ou as obras de mestres das artes plásticas espalhadas pelos museus e igrejas. Ou ainda os canais que cortam a cidade e oferecem visuais românticos para onde quer que se olhe. E ainda há muitas outras razões para Bruges merecer esse status…

Foto: Toerisme Brugge – Jan D’Hondt

Para começo de conversa, é bom saber que a cidade tem duas grafias. Isso se deve ao fato de a Bélgica ser um país bilíngue. Brugge é a grafia em holandês, o idioma falado na região do Flandres (onde a cidade fica situada). Bruges é a versão em francês, a outra língua oficial da Bélgica. Como a maior parte dos outros idiomas adota a grafia francesa ao se referir à cidade, este post também vai segui-la.

Aliás, falando em línguas, é o holandês que você vai ler e ouvir mais facilmente em Bruges. Os moradores até que se comunicam em francês com os turistas. Mas se percebem que a pessoa está há bastante tempo na cidade, passam a implicar. Se você tiver dificuldade para aprender algumas frases básicas em holandês, é melhor se comunicar em inglês.

Bruges fica a 100 quilômetros de Bruxelas. Há viagens regulares de trem entre uma cidade e outra ao longo de todo o dia. Os trens saem a cada 15 minutos, em média, e o trajeto dura ao redor de uma hora. Por isso, muita gente trabalha na capital e mora em Bruges ou vice-versa. A cidade abriga 20 mil habitantes em seu centro histórico e outros 100 mil nos arredores da área medieval.

Foto: Leonardo Aquino

A avenida que fica logo em frente à estação de trem é a única via em que você verá carros andando em média ou alta velocidade por um bom tempo. Ao atravessá-la, você entra num portal rumo à Idade Média, com ruas estreitas de paralelepípedos, construções de quase 800 anos e algumas pequenas amostras do pensamento “old is cool”. É possível, por exemplo, passear de charrete pela cidade. Os cavalos são muito peludos e grandes perto dos que eu já havia visto em outros lugares. E estão por toda parte no centro histórico de Bruges. Olhe para os dois lados antes de atravessar a rua para não correr o risco de ser atropelado por um alazão.

Charrete no centro de Bruges. Foto: Toerisme Brugge – Jan D’Hondt

Mas é a pé que se entra profundamente na alma de Bruges. A cidade é uma daquelas que recompensam o viajante que se perde pelas suas ruas. É fácil se perder e ainda mais fácil se reencontrar em Bruges. E todo erro de caminho será recompensado por algum visual inesquecível. Se você não estiver fazendo um bate-volta nem viajando com horas contadas, faça longas caminhadas sem roteiro. Você não se arrependerá.

Outra forma de conhecer Bruges é nos passeios de barco pelos canais. A comparação com Veneza ou Amsterdam é inevitável, mas a cidade belga tem um charme especial pela sua longa e interessantíssima história. A Bootex é uma das empresas que fazem esses passeios (8 euros por pessoa). Confira no site: http://www.boottochten-brugge.be/en

Bruges e seus canais. Foto: Toerisme Brugge – Jan Darthet

Uma história de cristianismo e capitalismo

Bruges foi fundamental na época prévia às grandes navegações. No século 13, o porto da cidade foi um grande entreposto comercial. Muitos mercadores, armadores e agentes de câmbio circulavam por lá. Eles se reuniam para fazer transações financeiras num casarão no centro da cidade. O imóvel pertencia a uma família chamada Van Der Buerse. A grande movimentação de dinheiro criou a fama da “Bruges Burse”, ou seja, da “Bolsa de Bruges”. Foi uma das primeiras menções à expressão “bolsa de valores”. E assim, Bruges teve sua parte na invenção do capitalismo.

Além da história do comércio, Bruges também tem uma grande importância no catolicismo. A cidade recebeu uma relíquia sagrada: o Santo Sangue. Diz a lenda que uma gota do sangue de Jesus foi trazida da Terra Santa no século 12 e ficou abrigada em Bruges desde então. Hoje ela está num frasco de cristal dentro da Heilig-Bloedbasiliek (a Basílica do Santo Sangue) e de lá só sai na Procissão do Santo Sangue, no dia da Ascensão do Senhor. A festa é católica, mas é também um feriado celebrado à mesa, com muita comida e bebida.

Basílica do Santo Sangue. Foto: Toerisme Brugge – Jan D’Hondt

Gastronomia

Falou em comida e bebida? Bruges não vai te decepcionar neste sentido. A cidade está repleta de restaurantes que servem as especialidades belgas. A principal é o “moules frites”, um prato de mexilhões cozidos ao vinho, acompanhados de batatas fritas.

Foto: Leonardo Aquino

Já falamos do altíssimo nível das batatas fritas na Bélgica, né? Pois, além de tudo, Bruges tem um museu dedicado a elas, o Frietmuseum (conheça no site http://www.frietmuseum.be). Outra especialidade belga também tem um museu especial em Bruges: o chocolate é o astro do Choco Story (site – http://choco-story-brugge.be)

Em relação à bebida, os bares de Bruges estão muito bem servidos das deliciosas cervejas belgas. Um deles virou ponto turístico. O 2Be possui uma parede com mais de mil garrafas de cervejas locais. Quem aprecia a bebida, pode entrar e escolher entre 16 torneiras de chope e uma infindável variedade de rótulos engarrafados. Quem não curte, pode pelo menos tirar a foto no paredão. Confira outras informações no site – http://www.2-be.biz/en/2BeBar.php

Foto: Divulgação 2Be Bruges

Quando estivemos em Bruges, em fevereiro de 2017, tivemos o privilégio da ótima companhia de um baita guia local. O Edvan Coutinho é um jornalista com quem trabalhei em duas emissoras de TV em Belém. Ele mora em Bruges desde 2007 e, além de ser um dos caras mais cultos que conheço, está concluindo um curso de formação para guia oficial da cidade. Portanto, as dicas que ele nos passou não são quaisquer dicas.

Aí vão algumas sugestões para você montar o seu roteiro em Bruges, baseadas nas informações que o Edvan nos passou e também no que vimos pela cidade:

Beginjhof

No século 13, este convento abrigava mulheres emancipadas que, apesar de não serem freiras, dedicavam a vida à religião e eram celibatárias. Hoje, o local é a residência de freiras da Ordem de São Benedito. Os turistas podem percorrer o pátio e o jardim e entrar em uma das casas que é aberta para visitação. O ingresso para adultos custa 2 euros.

Begijnhof. Foto: Toerisme Brugge – Jan D’Hondt

Sint-Janshospital

No século 13, ele funcionava como hospital. Hoje é um dos principais museus da cidade. O destaque é o acervo de obras de Hans Memling, um dos grandes nomes da pintura na região de Flandres nos séculos 14 e 15. Os pintores dessa geração são chamados de flamengos primitivos, mas o termo causa polêmica. “Prefiro o termo ‘flamengo renascentista, pois o primitivo é pejorativo. Foi empregado pelos italianos que morriam de inveja dos mestres de Flandres”, explica Edvan Coutinho.

O museu funciona de terça a domingo, das 9h30 às 17h. Os ingressos para adultos custam 8 euros. Outras informações no site – www.museabrugge.be – ou na página do Facebook – https://www.facebook.com/MuseaBrugge

Interior do Sint-Janshospital. Foto: Toerisme Brugge – Jan D’Hondt

Onze-Lieve Vrouwekerk

É a Igreja de Nossa Senhora, que fica em frente ao Sint-Janhospital. Ela possui a maior torre de tijolos da Europa, com 115,5 metros. A famosa escultura Madonna de Bruges, de Michelangelo, está lá, assim como inúmeras pinturas e sepulcros do século 13. A entrada na igreja é grátis. A do museu custa 6 euros. De segunda a sábado, o horário de funcionamento é das 9h30 às 17h. Aos domingos, das 13h30 às 17h.

A torre da Onze-Lieve Vrouwekerk. Foto: Toerisme Brugge – Jan D’Hondt

Rozenhoedkaai

É o ponto de onde se tem uma das vistas mais bonitas da cidade. À beira de um canal, dá para ver a torre da Prefeitura e a Belfort (sobre a qual falaremos adiante). Sua foto perfeita de Bruges tem grandes chances de ser tirada aqui.

A vista do Rozenhoedkaai. Foto: Toerisme Brugge – Jan D’Hondt

Markt

É a praça principal de Bruges, rodeada por prédios de épocas diferentes, do século 13 ao 19. É o principal ponto de referência da cidade, onde estão também muitos bares e restaurantes.

Markt. Foto: Leonardo Aquino

Belfort

É a construção de maior destaque na região do Markt. Possui uma torre de 83 metros de altura cuja construção começou no século 13 e só terminou no século 15. O topo da torre está aberto à visitação. Mas esteja disposto: são 366 degraus para subir. Nada de elevador! Quem tiver pulmão para essa subida vai ser recompensado por uma linda vista panorâmica da cidade. A torre está aberta diariamente, das 9h30 às 18h. Os ingressos custam 10 euros.

A imponência da Belfort. Foto: Toerisme Brugge – Jan D’Hondt

Concertgebouw Brugge

É a principal sala de concertos da cidade. Foi inaugurada em 2002 e tem o projeto assinado por dois arquitetos belgas, Paul Robbrecht e Hilde Daem. Foi uma construção polêmica, já que uma parte dos moradores achava que o design do prédio destoava do padrão medieval da cidade. Apesar disso, o Concertgebouw se consolidou como uma das melhores salas de espetáculos da Europa, com uma acústica impecável e uma movimentada temporada de concertos. Para conferir a agenda e comprar ingressos, acesse o site: https://www.concertgebouw.be

Foto: Divulgação

 

Bar Des Amis

Ambiente despojado, atendentes descolados, cervejas locais, drinks clássicos e autorais. Não duvido ser o único lugar onde você pode tomar uma caipirinha em Bruges. É um ótimo local para um happy hour a qualquer momento do dia. Informações na página do Facebook – https://www.facebook.com/bardesamisbrugge/

Bar Des Amis. Foto: Leonardo Aquino

Café Vlissinghe

Você não encontrará nenhum lugar mais histórico para tomar uma cerveja. O Vlissinghe está orgulhosamente aberto desde 1515. Ou seja, é um bar mais antigo que muitas cidades brasileiras. Não se acanhe com a longa mesa no salão principal. Ela pode ser compartilhada por turmas diferentes. E experimente a cerveja da casa! O bar fecha às segundas e terças. De quarta a sábado, ele abre das 11h às 22h. Aos domingos, das 11 às 19h.

Café Vlissinghe. Foto: Leonardo Aquino

 

Por último, mas não menos importante…

P.S. 1: Caso você queira fazer um tour em português, o Edvan Coutinho é o único guia oficial brasileiro em Bruges. O e-mail dele é [email protected]. Se quiser agendar um passeio pela cidade, escreva para ele com pelo menos uma semana de antecedência.

P.S. 2: Para outras dicas ainda mais “insider”, acesse a página de Bruges no sensacional guia Use It: http://www.bruges.use-it.travel/

P.S. 3: O filme “Na Mira do Chefe”, sobre o qual falamos no começo do post, está disponível no Netflix (ou pelo menos estava quando este artigo foi publicado). É a história de dois matadores de aluguel que receberam um “castigo” do principal contratante deles: passar duas semanas em Bruges enquanto esperam ordens. Raymond (Colin Farrell) detesta a cidade. Já Ken (Brendan Gleeson) se integra ao dia-a-dia e descobre aos poucos a beleza de Bruges.

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Bruxelas: roteiro de dois dias na cidade – parte 2

O nosso primeiro dia em Bruxelas foi contado neste post. Andamos bastante pelo centro, ao redor da Grand Place e já experimentamos algumas cervejas e o famoso moules frites (mexilhão…

O nosso primeiro dia em Bruxelas foi contado neste post. Andamos bastante pelo centro, ao redor da Grand Place e já experimentamos algumas cervejas e o famoso moules frites (mexilhão com batatas fritas), típico da cozinha belga. O segundo dia foi muito mais movimentado, com ainda mais andanças e cervejas!

OBS: Os preços relatados neste texto são referentes a fevereiro de 2017. Em relação a ingressos de museus, eles correspondem à tarifa individual para adultos. Para saber sobre outros tipos de tarifas, acesse os sites dos museus listados ao longo do post.

 

Parc de Bruxelles e Palais Royal de Bruxelles

Começamos o segundo dia pegando o metrô até a estação Parc para conhecer o Parc de Bruxelles. Como era inverno, o parque não estava nos seus melhores dias. Árvores sem folhas, paisagem sem cor, trilhas com pouquíssima gente. Serviu apenas para dar o check em um lugar da cidade.

Em frente ao parque, está uma das pérolas arquitetônicas da cidade: o Palais Royal de Bruxelles. Apesar de ser uma construção dos anos 1700, o palácio só ganhou a cara de hoje no século 20, quando foi construída a fachada em estilo neoclássico. Os jardins foram ampliados, assim como a rua em frente ao palácio. Ele não funciona como residência oficial da monarquia belga, e sim como gabinete do rei e local de audiências. Anexo ao palácio, está o museu Belvue (http://belvue.be, 7 euros), cuja coleção conta a história e a essência da Bélgica. Os objetos vão desde uma litografia do artista surrealista René Magritte até uma bola de futebol autografada pelos jogadores da seleção belga.

O Palácio Real de Bruxelas e seu belo jardim

Museus e mais museus

Por falar em museus, a Place Royale (que você alcança se dobrar a primeira esquina à esquerda do Palais Royal), está cheia deles. O Coudenberg (https://coudenberg.brussels, 7 euros o ingresso para adulto) tem temática medieval. Os Museus Reais de Belas Artes (https://www.fine-arts-museum.be/en/museums) compreendem um conjunto de seis museus segmentados: Fin-de-Siècle, Old Masters, Modern, Magritte, Meunier e Wiertz.  Os dois últimos têm entrada gratuita. O ingresso para cada uma das outras salas custa 8 euros, mas é possível comprar um combo com direito aos quatro museus por 13 euros.

Mas tem um museu na região da Place Royale que se destaca desde a fachada: o Museu de Instrumentos Musicais (http://www.mim.be, 8 euros). Ele fica num edifício do final do século 19, que a princípio abrigava uma grande loja chamada Old England. A fachada é em ferro e tem estilo neoclássico. A coleção do museu (que começou a ser reunida em 1877) só foi parar no edifício no ano 2000. São 7 mil instrumentos de várias partes do mundo, de várias épocas e estilos. Um dos andares, por exemplo, é dedicado a coleções mecânicas, elétricas e eletrônicas.

Fachada do Museu de Instrumentos Musicais

Centre Belge de la Bande Dessinée

Saindo de lá pelo Jardim do Mont des Arts (um dos pontos de encontros de Bruxelas), seguimos caminhando na direção norte. Passamos novamente pela estação Bruxelles Central, pela Catedral da cidade e chegamos ao Centre Belge de la Bande Dessinée (https://www.cbbd.be, 10 euros). É um museu dedicado às histórias em quadrinhos produzidas no país. Entre as principais criações dos cartunistas e desenhistas belgas, estão o Tintim e os Smurfs, que merecem alas especiais no museu. Há também uma sala de leitura e uma lojinha muito bem servida.

Centre Belge de la Bande Dessinée

Pegamos um ônibus até a avenida à beira do canal na parte noroeste da cidade para almoçar no Café Walvis. É um bar tradicional de Bruxelas, com pé direito alto e que funciona durante quase o dia inteiro. De dia, dá para tomar algumas cervejas locais ou comer um dos plats du jour por 10 euros. À noite, sempre há música ao vivo, com apresentações de folk, rock e (quase sempre) eletrônica.

Atomium

Depois do almoço, decidimos encarar nosso percurso mais longo na passagem por Bruxelas. Uma combinação de tram + metrô (descendo na estação Heysel) para conhecer o Atomium (http://atomium.be, 12 euros). É um dos cartões postais da cidade, daqueles que viram ímã e chaveirinho. A versão gigante de um cristal elementar de ferro tem 102 metros de altura e nove esferas com 18 metros de diâmetro.

Você já deve ter visto esse gigante por aí

O Atomium foi desenhado para a Feira Mundial de Bruxelas de 1958 e simboliza, supostamente, o desejo de paz entre as nações e a fé no progresso técnico e científico. Três das nove esferas funcionam como espaço para exposições. Mas tem quem nem se interesse pela subida. A todo momento tem gente nas redondezas tentando tirar fotos com aquele efeito de ~perspectiva divertida~ com o Atomium no fundo.

Nos arredores do Atomium

Além do gigante metálico, as redondezas da estação Heysel têm outras atrações de Bruxelas. Uma delas é o ADAM, sigla em inglês para Museu de Arte e Design do Atomium (http://www.adamuseum.be, 10 euros ou 17 euros num combo de ingressos com o Atomium). Também dá para conhecer o parque temático Mini Europe (http://www.minieurope.com, 15,30 euros), que tem versões diminutas de vários pontos turísticos do continente. Da Torre Eiffel à Abadia de Westminster. Quem gosta de futebol também pode visitar o estádio Rei Balduíno (http://www.prosportevent.be/, 6 euros), que tem uma tragédia em sua história. Em 1985, durante a final da Liga dos Campeões da Europa, torcedores do Liverpool e do Juventus entraram em confronto. A briga resultou na morte de 39 pessoas. O estádio foi reformado, rebatizado e passou muito tempo recebendo apenas competições de atletismo.

Brasserie Cantillon

Da região norte da cidade, fizemos o caminho de volta (metrô + tram) para fazer um passeio que me deixava um pouco ansioso. Iríamos visitar uma fábrica artesanal de cerveja. Escolhemos a Cantillon (https://www.cantillon.be, 7 euros) porque era a mais interessante que ficava dentro da cidade. Ela é especializada em cervejas de fermentação natural, do tipo lambic, gueuze e kriek.

A visita é de fato à fábrica, e não a parques temáticos montados pelas grandes cervejarias globais como a Heineken e a Guinness. Você conhece o processo passo a passo, com os funcionários em suas jornadas normais de trabalho. Ao fim da visita, o ingresso dá direito à degustação de dois tipos de cerveja. Se você está acostumado a tomar apenas as nossas “cervejas de supermercado”, nem vai reconhecer a lambic como cerveja. Ela tem uma acidez semelhante à do vinho. Particularmente, não gostei. Mas achei a visita bem interessante.

Assim como o vinho, as cervejas da Cantillon são envelhecidas em barris

Não tem cor, nem cheiro nem gosto de cerveja. Mas é cerveja

Já falei em cerveja?

Para terminar a jornada, guardamos a noite para dar uma volta na região da Bourse, onde estão concentrados muitos bares. Você pode escolher quase que aleatoriamente: dificilmente vai errar. Fomos no queridinho dos turistas, o Delirium Café (http://www.deliriumcafe.be/). Na porta, a quantidade de gente fumando já dava o aviso: o lugar lota sempre. E assim estava. Nossa sorte é que tem um ambiente menos badalado no andar de cima (o Hoppy Loft), onde pudemos sentar numa boa.

O Delirium é o bar oficial de uma das cervejas belgas mais conhecidas mundialmente. Você já deve tê-la visto por aí, com o seu elefantinho rosa no rótulo. Mas o bar não vende apenas as cervejas da marca. São cerca de 2 mil rótulos, entre garrafas e barris. Você vive duas vezes e não consegue experimentar tudo. Se um bar lotado não for problema para você, não deixe de ir. Mas se você preferir algo mais tranquilo, a região da Bourse vai ter outras opções não só de cerveja, como de batatas fritas e waffles ao longo de todo o dia.

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Bruxelas: roteiro de dois dias na cidade – parte 1

Bruxelas é um destino que costuma gerar opiniões bem opostas em seus visitantes. É difícil achar alguém que seja indiferente: a gente sempre ouve falar de gente que amou ou…

Bruxelas é um destino que costuma gerar opiniões bem opostas em seus visitantes. É difícil achar alguém que seja indiferente: a gente sempre ouve falar de gente que amou ou odiou. Tenho amigos que chamam a capital belga de “melhor cidade do mundo” e outros que só faltam protocolar em cartório a promessa de nunca voltar lá. Essas divergências sempre me deixaram curioso para tirar minhas próprias conclusões. E também foram um dos motivos que nos levaram a incluir a capital belga no nosso roteiro de viagem, além do chocolate, da cerveja e de outras razões explicadas neste post.

Na maioria dos blogs que consultei antes de viajar, Bruxelas aparece como um destino de transição. Sempre há sugestões de roteiros curtos vindas de pessoas que visitaram a cidade no meio de períodos mais longos entre Paris e Amsterdam. Um dos motivos para isso é o fato de Bruxelas ser pequena perto de outras capitais europeias. Também há de se convir que há menos atrações “must go” que em suas vizinhas mais requisitadas. Por outro lado, esse perfil é um prato cheio para quem gosta de descobrir a cidade (e seus segredos) por conta própria.

Uma coisa que me chamou a atenção em Bruxelas foi a boemia. Os bares estão sempre movimentados mesmo em noites frias, especialmente na região da Bourse. Como a Bélgica tem mais de mil variedades de cerveja, Bruxelas está sempre convidando seus visitantes a fazer um pub crawl: beber uma aqui e outra acolá é uma das formas de mergulhar no espírito da cidade.

Aliás, falando em cerveja, os belgas têm um costume que gostam de propagar aos forasteiros: primeiro comer, depois beber. É o que eles chamam de “tapisser l’estomac” (“forrar o estômago” em francês) ou “ne fond leggen” (“colocar a base”, em holandês). Entre as opções favoritas dos locais para esses trabalhos prévios, estão os caracóis (karakol), purê de batata com linguiça (stoemp-saucisse) e as espetaculares batatas fritas belgas.

Por sinal, as batatas merecem um parágrafo só para elas. Sério: dificilmente você vai encontrar fritas mais saborosas que as belgas. Depois de comê-las, você vai achar injusta a tradução “french fries” na língua inglesa. O segredo das fritas belgas é a metodologia do preparo. Antes de irem para a fritura, elas são assadas duas vezes em temperaturas diferentes em gordura animal. Na rua, elas são servidas em cones. Nos restaurantes, elas acompanham diversas refeições, entre elas o clássico belga moules frites (mexilhões com fritas).

Eu sei que você deve estar pensando que não combina. Mas vá por mim: experimente

A Janaína e eu passamos dois dias em Bruxelas, o que foi pouco tempo. Compartilho com vocês o nosso roteiro para ajuda-los, caso você também seja um visitante de passagem pela cidade.

OBS: todos os preços indicados neste post foram pesquisados em fevereiro de 2017. Em relação aos museus, eles correspondem ao valor do ingresso individual para adulto. Para preços detalhados, acesse os sites listados ao longo do post.

 

Dia 1

 

 

Depois de desembarcar no aeroporto, pegamos o trem no próprio terminal (como foi ensinado neste post) e descemos na estação Bruxelles Central. Como o próprio nome faz deduzir, ela fica bem perto do centro da cidade. Vimos no mapa que a distância até o apartamento onde nos hospedamos não era grande. Então encaramos uma caminhada de cerca de 20 minutos até lá.

Grand Place

No meio do caminho, fica o epicentro de Bruxelas: a Grand Place. O Lonely Planet diz que é a praça é um dos maiores conjuntos urbanos da Europa. Isso me deixou com muita expectativa, imaginando que eu teria o queixo caído à primeira vista. Talvez por esperar demais, eu tenha ficado com a sensação de que deve haver praças ainda mais bonitas nesse mundão.

De qualquer forma, em algum momento de sua visita a Bruxelas você deve passar pela Grand Place. Seja para usá-la como ponto de encontro ou para ir a alguma das atrações ao redor, que não são poucas! Primeiramente, as belíssimas fachadas dos prédios que circundam a praça. O que chama mais atenção é o da prefeitura (que em francês se chama Hôtel de Ville), datado do século 15. É possível fazer visitas guiadas em francês, holandês e inglês. O ingresso para adultos custa 5 euros e você confere mais informações aqui: http://www.bruxelles.be/artdet.cfm/5871

Interior da Hôtel de Ville de Bruxelas

Museus e comida

Ainda na Grand Place, dá para visitar o Museu da Cidade de Bruxelas (http://www.brusselscitymuseum.brussels, 8 euros), o Museu da Cerveja (http://www.belgianbrewers.be, 5 euros) e o Museu do Chocolate (http://choco-story-brussels.be, 6 euros). Além disso, há alguns bares, restaurantes e lojas de souvenir. Ah, e a praça também está cheia de descuidistas, sempre de olho em bolsos e bolsas abertos.

Depois da caminhada de reconhecimento, nosso almoço foi um pouco tardio. Praticamente um “almojanta”. Na dúvida entre vários locais ao redor da Grand Place, acabamos parando no The Purple Rose. Ele é um bar de tapas/pub que tem festinhas à noite e comida e drinks ao longo do dia. O que nos atraiu foi uma espécie de menu degustação de comida belga. Porções petisco de almôndegas, carbonade (um guisado de carne no molho de cerveja) e moules frites. Esse trio custou 15 euros, fora as cervejinhas belgas que tomamos para acompanhar.

Na Bélgica, faça como os belgas…

Mais tarde, veio a necessidade de tomar outra cervejinha. Estando na Bélgica, é bom fazer como os belgas… Segui uma dica que encontrei em algum blog durante a pesquisa para a viagem e paramos num bar de nome quase impronunciável para nós: Poechenellekelder. O lugar se define como o paraíso da cerveja belga. São 150 rótulos, entre cervejas em garrafa e em barril. É um casarão antigo, com uma decoração cheia de elementos aleatórios: bonecos, armas, placas, poemas pintados e instrumentos musicais. Fomos um pouco mal atendidos, mas vai que você tem mais sorte por lá. O site do bar (http://www.poechenellekelder.be/) tem uma página que permite fazer uma visita virtual a quatro ambientes.

Foto: Divulgação

Manekken Pis

A poucos metros do Poechenellekelder, um dos cartões postais de Bruxelas: o Manekken Pis. Você já deve ter pelo menos ouvido falar da estátua do garotinho fazendo xixi. E talvez alguém tenha dito a você que ela não tem nada de mais. Se você ouviu isso, este alguém está certo. A estátua é pequena e passaria despercebida se não fossem as dezenas de turistas tirando fotos o tempo inteiro. Nem os próprios belgas sabem ao certo explicar a história do mijãozinho. Só se sabe que a imagem original foi criada no século 17, mas foi levada ao museu da Prefeitura de Bruxelas nos anos 1960 depois de ser vandalizada.

Nosso roteiro continua no próximo post: Bruxelas – parte 2!

P.S.: Se você quiser mergulhar fundo em dicas de locais, tem um site que eu recomendo bastante: o Use It. Ele tem guias bem descolados de 30 cidades europeias (e de outras 7 em desenvolvimento). São indicações de passeios fora do lugar comum, sugestões de roteiros e até dicas de como compreender melhor o comportamento dos nativos da cidade. O guia Use It de Bruxelas está disponível neste link: https://www.use-it.travel/cities/detail/brussels/

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Bélgica: chegada e deslocamentos a partir de Bruxelas

Um país mundialmente renomado pela qualidade de suas cervejas e seus chocolates parece um bom lugar para se conhecer, não? Além desses saborosos cartões de visita, a Bélgica ainda tem…

Um país mundialmente renomado pela qualidade de suas cervejas e seus chocolates parece um bom lugar para se conhecer, não? Além desses saborosos cartões de visita, a Bélgica ainda tem uma localização que ajuda qualquer roteiro. Encravada entre a Holanda, a França e a Alemanha, ligada a Londres pelo famoso trem Eurostar e com dois aeroportos bem servidos de conexões. Assim, passar pela Bélgica nunca é fora de mão numa viagem pela Europa ocidental.

Levando tudo isso em consideração, a Janaína e eu incluímos Bruxelas e Bruges na rota da nossa viagem de fevereiro de 2017. Seria o nosso primeiro destino num roteiro de duas semanas. Planejamos três dias na Bélgica: dois em Bruxelas e um em Bruges, numa viagem bate-volta na véspera de embarcar para Paris. Passamos pouco tempo por lá, mas conseguimos experimentar um bocado de cervejas, comer os moules frites (o prato típico de lá), se encantar com alguns lugares e se decepcionar com outros.

Vou dividir os relatos sobre a Bélgica em três partes. Nesta primeira, vou falar sobre informações práticas de localização, transporte e comunicação. No segundo post, vou dar dicas de Bruxelas. No terceiro, de Bruges. Todos os preços relatados nos posts são referentes ao período da nossa viagem: fevereiro de 2017.

 

Chegando à Bélgica

Aeroporto de Zaventem. Foto: Brussels Airport Media Library

A capital belga tem dois aeroportos. O de Charleroi (também conhecido como Bruxelles-Sud) é menor e atende a apenas sete empresas aéreas (a maioria low cost, como Ryanair e Wizz). Se você vier do Brasil, é bem provável que o desembarque seja no aeroporto de Zaventem (também conhecido como Bruxelles-National). Ele fica a 16 km do centro da cidade e recebe os voos mais distantes e as principais companhias internacionais.

O grande aeroporto de Bruxelas é facilmente acessível por trem. A estação fica no piso -1 do terminal (ou seja, o subsolo). De lá, é possível pegar trens não apenas para a capital, como também para outras cidades belgas e até holandesas. Do aeroporto até a estação Bruxelles Central, obviamente a mais cêntrica da capital, a passagem custa 8,80 euros e a viagem dura 17 minutos. São três trens por hora. O primeiro do dia sai às 4h44 e o último às 23h28.

A cidade é muito bem servida de transporte público. Ônibus, metrô e tram levam para qualquer parte com conforto e pontualidade.  Nos pontos de ônibus e tram, há placas que indicam as linhas que passam por eles e o tempo restante até que o próximo carro chegue.

Foto: STIB

A passagem unitária do transporte (para qualquer um dos modais) custa 2,10 euros. Para turistas, o que há de mais vantajoso são os passes por dias determinados. Eles custam 7,50 euros para 24 horas, 14 euros para 48 horas e 18 euros para 72 horas. Os bilhetes podem ser usados sem limites neste período em ônibus, trams e metrôs. O jeito mais fácil de comprar é em máquinas de autoatendimento que estão em vários pontos da cidade, especialmente estações de metrô. Dá para comprar em dinheiro e no cartão de crédito.

Você confere a lista completa de tarifas da STIB neste link.

Máquinas como esta estão em todas as estações de metrô de Bruxelas. Nelas, você pode comprar todo tipo de passe de transporte

Os bilhetes são iguais a este

Apps que ajudam

Para planejar suas viagens no transporte público em Bruxelas, a tecnologia ajuda bastante. Essas são as principais ferramentas:

Google Maps: quando você está em Bruxelas e solicita uma rota entre dois pontos, o app da Google já manda com as informações do transporte público. Uma mão na roda para quem tem pouca memória disponível para baixar novos aplicativos.

Citymapper: sugerimos esta ferramenta no post com dicas de apps para viajar. Além de toda a informação do transporte público online, o Citymapper permite que se baixe mapas offline e ainda informa sobre estações de bicicletas compartilhadas. Para usar a plataforma web ou acessar os links para baixar o app, acesse o site do Citymapper.

STIB mobile: STIB é a autarquia que administra o transporte público em Bruxelas. O aplicativo dela está disponível para iOS e Android e possui um bom planejador de viagens com informação em tempo real. Para usar na web, o link é http://www.stib-mivb.be/tripplanner/?l=en

Baixe a app da STIB para iOS e para Android.

 

Indo de Bruxelas a Bruges

Foto: Pixabay

Bruxelas tem três estações de trem. A Bruxelles-Midi (Brussel-Zuid, em holandês) é a principal. Dela saem os trens de grande velocidade para Londres e Paris, por exemplo, além de outros destinos fora do país. A Bruxelles-Central (Brussel-Centraal, em holandês) fica bem no centro da cidade e perto do Palácio Real, da Grand Place e da Catedral. A Bruxelles-Nord (ou Brussel-Noord, em holandês) fica numa área menos turística. Nas três você pode pegar o trem para Bruges.

Para ajudar a se situar, é só gravar o nome delas pela posição no mapa. Midi/Zuid = sul. Nord/Noord = norte. Central/Centraal = centro.

Como estávamos hospedados a poucos metros da Grand Place, pegamos o trem para Bruges na estação Central. Apesar da companhia belga de trens (a Belgian Rail) permitir a compra de bilhetes pela internet, decidimos comprar na hora. Assim, não nos amarrávamos a uma hora certa para acordar e à pressa para chegar à estação. As passagens são vendidas em máquinas de autoatendimento, com pagamento em dinheiro ou cartão de crédito. Em fevereiro de 2017, a tarifa cheia custava 14,70 euros.

A viagem é bem curta: em torno de 1h10. São de três a quatro trens saindo por hora em cada sentido. Ou seja, dificilmente você vai passar mais de 20 minutos esperando por um trem na estação. Mas é bom ficar de olho nos horários. De Bruxelas (estação Central) para Bruges, o primeiro trem sai às 5h25 e o último às 23:16. De Bruges para Bruxelas, o primeiro trem sai às 4h08 (tem muita gente que mora no interior e trabalha na capital) e o último, às 23h22.

Comunicação

A Bélgica é um país dividido no que diz respeito a línguas. A região leste (Valônia) fala francês. No oeste (Flandres), o idioma oficial é o holandês. Bruxelas, por ser a capital e por ficar meio que no centro das duas regiões, é uma cidade bilíngue. Tanto que você vai ver avisos em francês e holandês em locais públicos, apesar de o francês ser mais falado.

Em Bruges, a coisa é um pouco diferente: é holandês para todo lado. Francês, só em lugares muito turísticos como museus e restaurantes ao redor do Markt, a praça central da cidade. Se você não fala holandês, é melhor se comunicar em inglês. Existe uma tolerância ao francês quando o interlocutor é um turista. Mas quando o nativo de Bruges percebe que aquela pessoa já não está mais a passeio na cidade, falar francês pode soar mal.

Uma das coisas que mais me marcaram no que diz respeito a línguas foi o dia em que pegamos o trem para Bruges. Na saída, na estação Bruxelles-Central, todos os avisos nos painéis são bilíngues: francês e holandês. A partir da parada em Gent (que já está na região de Flandres), o francês fica para trás. Os avisos são unicamente em holandês. É como se fosse cruzada uma fronteira linguística.

Para ficar conectado o tempo todo, comprei um SIM card da Orange, uma das principais operadoras da Europa. Fiz a compra numa loja da Orange perto da Grand Place. Custou 15 euros com franquia de 1 GB de dados (o que, para mim, foi suficiente para dez dias de uso na Bélgica e na França).

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