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Categoria: Argentina

Sul da Argentina: um roteiro por El Calafate e Ushuaia

Sempre que ponho lado a lado os destinos turísticos do Brasil e da Argentina, vejo como os dois países são perfeitamente complementares. Eles não têm praias como as nossas e nós…

Sempre que ponho lado a lado os destinos turísticos do Brasil e da Argentina, vejo como os dois países são perfeitamente complementares. Eles não têm praias como as nossas e nós não temos montanhas como as deles. A Argentina tem a Patagônia, mas o Brasil tem a Amazônia. Os argentinos têm a paisagem desértica de Salta e Jujuy, enquanto temos o cerrado e as chapadas. O único ponto de convergência talvez seja a área binacional das Cataratas do Iguaçu. Mesmo assim, sempre tem quem diga que um lado é mais bonito que o outro.

E é por essas e outras que os argentinos invadem o Brasil no verão. Antes restritos ao litoral de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, agora eles aproveitam voos diretos para o Nordeste. Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte viraram destinos comuns para eles. Por outro lado, há quase uma diáspora brasileira no inverno, principalmente rumo a Bariloche. Cidade que, aliás, recebe o apelido de “Brasiloche” nas férias de julho.

Mas Bariloche, com a neve e a gastronomia, não deve ser encarada como o único destino possível de inverno em terras argentinas. O sul da Argentina tem um punhado de lugares para se conhecer. A aprazível San Martín de Los Andes e seu clima de cidade suíça no meio da América Latina. Puerto Madryn, base para avistar baleias. E a Ruta 40, que cruza a Patagônia quase inteira, pode fazer parte de uma bela road trip.

Porém, tem duas cidades que dominam minha lista de desejos na categoria “viagens pela Argentina”: El Calafate e Ushuaia. El Calafate fica na província de Santa Cruz e é a terra das geleiras (ou glaciares, como se diz em espanhol) como o famoso Perito Moreno. Ushuaia fica na província da Terra do Fogo e é a principal cidade no extremo sul do país. A brincadeira com o “fim do mundo” está em todos os lugares.

Ainda não estive em nenhuma das duas. Mas conhecer quem já esteve ajuda a mergulhar no destino e a instigar. Por isso, recorri ao Márcio Cabral de Moura. Ele é servidor público, mora no Recife e é um dos viajantes mais assíduos que conheço. Nos últimos 15 anos, ele fez 25 viagens internacionais. A maioria para o Canadá, por motivos familiares. Mas ele e a esposa Renata já andaram muito por aí: Islândia, Alemanha, Inglaterra, Ilha de Páscoa e por aí vai.

Em fevereiro de 2017 (em pleno Carnaval, veja você!), Márcio e Renata embarcaram rumo à Argentina, tendo como principais destinos justamente El Calafate e Ushuaia. Eles deram tantos bons relatos e postaram tantas fotos lindas que decidi convidar o Márcio a contribuir com o blog. Eis então mais um guest post especial do Mochileza. Espero que vocês curtam a viagem e aproveitem as dicas do Márcio!

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Márcio e sua esposa Renata. Foto: Arquivo pessoal

El Calafate

Nossa viagem para El Calafate saiu do Aeroparque, em Buenos Aires. Pegamos um voo da Aerolineas Argentinas, que, em trechos domésticos, só permite até 15 quilos de bagagem despachada e 5 quilos de bagagem de mão. O que me impressionou na viagem é que pouco tempo depois de sairmos de Buenos Aires, a paisagem virou desértica. Eu juro que não sabia que a Patagônia Argentina era o quarto maior deserto do mundo. Ah, minhas aulas de geografia…

O aeroporto de El Calafate é bem pequeno e fica a cerca de 25 km da cidade. Lembrando que estamos num deserto, e mesmo nas margens do lago (que vai de antes do aeroporto para além da cidade) não há nenhum árvore. Na realidade, praticamente não há nenhuma vegetação. A cidadezinha é bem simpática e sua avenida principal tem um trânsito intenso, o que faz com que seja demorado atravessar a Av. del Libertador.

Dicas para planejar sua viagem a El Calafate

Antes de falarmos dos passeios em El Calafate, é importante destacar algumas coisas que podem ajudar no seu planejamento:

  • Geralmente, cada excursão é oferecida por uma única empresa. Mas todas as agências revendem esses passeios com algum ágio. No primeiro passeio da nossa viagem, ele saía por 1470 pesos por pessoa na agência “oficial” e por 1520 pesos na que revende. A diferença pode parecer pequena (em fevereiro de 2017, 50 pesos correspondiam a aproximadamente 10 reais), mas é bom ficar de olho.
  • Muitos pagamentos saem mais caros no cartão de crédito. Passeios, hospedagem e traslados. Sempre prefira pagamento em dinheiro (ou “en efectivo”, como dizem os argentinos).
  • Algumas agências e lojas aceitam dólares e reais para pagamentos. Mas a cotação é desvantajosa. Na nossa viagem, no aeroporto de Ezeiza, um real valia 5,10 pesos. Em El Calafate, a média era 4,50 pesos. E encontramos uma loja que fazia câmbio a 3,50.

Trekking no Perito Moreno

El Calafate, Glaciar Perito Moreno

A caminhada na imensidão de gelo. Foto: Márcio Cabral de Moura

O glaciar Perito Moreno é o principal destino dos turistas em El Calafate. Ele fica a 75 quilômetros da cidade e, na excursão que fizemos até lá (com a agência Hielo y Aventura), fizemos uma parada no meio do caminho para fotos no lago Argentino. A parada seguinte já foi na entrada do Parque Nacional Los Glaciares. O ingresso é pago (apenas em dinheiro) e nos informaram que o preço para brasileiros é menor: 250 pesos.

No site do Parque Nacional Los Glaciares, não há uma informação sobre descontos para nacionalidades. Há, sim, tarifas especiais para argentinos, moradores da província de Santa Cruz, crianças e estudantes. No mais, a tarifa cheia (em setembro de 2017) era de 500 pesos. O que pode ter acontecido é que a agência que promoveu o passeio conseguiu barganhar um desconto com a administração do parque.

Em seguida, tiramos fotos num mirante do glaciar e entramos no barco que nos levou aos pés do Perito Moreno. A travessia dura cerca de 15 minutos e é muito bonita. Além do paredão de gelo que lembrava a muralha de Game of Thrones, também tem alguns pequenos icebergs no lago.

El Calafate, Glaciar Perito Moreno

Winter is coming. Foto: Márcio Cabral de Moura

Antes de iniciar o trekking, fomos para o ponto de apoio para podermos irmos ao banheiro e, se quiséssemos, deixar algo que estivéssemos carregando, como o almoço. Depois fomos caminhando até uma praia junto do glaciar, para tirarmos fotos e em seguida fomos botar os grampões nos pés, para podermos andar sobre o gelo.

A caminhada sobre o gelo durou cerca de 1h30 e terminou com uma degustação de chocolate e whisky (com pedras de gelo do glaciar).

Em seguida, voltamos para o ponto de apoio, onde almoçamos o que havíamos levado – no nosso caso, sanduíche de queijo e presunto. Ficamos por lá um tempinho e às 15h50, fomos para o barco, voltando para onde estava o ônibus. De lá, fomos para as passarelas, ver o Perito Moreno. Eu tinha lido que não acrescentava muito ao mini-trekking, mas acrescenta, sim. Do mini-trekking vemos a parede sul. Do mirante vemos a leste e a norte. Pena que só ficamos uma hora nas passarelas. Na realidade, menos, pois tinha o tempo de voltar pro ônibus e ir ao banheiro dentro dessa hora.

 

Ríos de Hielo

El Calafate, Lago Argentino

Lago Argentino. Foto: Márcio Cabral de Moura

Este passeio é uma navegação de 5 horas pelo braço norte do lago Argentino. Dá pra ver cinco grandes geleiras da região (Upsala, Spegazzini, Seco, Heim e Pineta) e também o fenômeno do desprendimento de gelo em uma delas.

Chegando ao porto, é preciso pagar a entrada do Parque Nacional Los Glaciares (o mesmo do Perito Moreno). São 4 ou 5 guichês que só aceitam pesos argentinos e no porto não há caixa eletrônico ou casa de câmbio. Portanto, leve dinheiro em espécie.

O barco que faz o passeio lembra a balsa que faz a travessia Rio-Niterói. Antes de zarpar, dois fotógrafos deram dicas de como tirar as fotos e depois foi anunciado pelo sistema de som a possibilidade de upgrade pro “Clube do Almirante”, por 1.650 pesos, o mesmo preço que já havíamos pago pelo passeio (fora os 350 pesos do traslado). Eu olhei pra nossos lugares separados e a multidão que teríamos que enfrentar para conseguir tirar boas fotos e decidimos fazer o upgrade, não sem antes dar uma olhada no espaço do “Clube do Almirante”.

O espaço do “Clube do Almirante” tem 16 lugares bem mais confortáveis, com duas varandas privativas, junto do comandante do barco. Além disso, tem guia exclusivo, serviço de bordo incluído, com direito a open bar, café da manhã, lanche e almoço, além de um garçom que falava português.

El Calafate, Lago Argentino

Icebergs no lago Argentino. Foto: Márcio Cabral de Moura

No passeio vimos muitos icebergs e três geleiras. Uma, bem de longe, por questões de segurança e as outras bem mais de perto. A última geleira, segundo o guia, era um paredão de gelo, com altura variando entre 80 e 130 metros, saindo do lago. Espetacular à vista, mas exceto nos momentos em que o barco estava parado, fazia muito frio na varanda, por conta do vento gelado. A empresa que faz este passeio é a Solo Patagonia.

 

El Chaltén

El Calafate

Foto: Márcio Cabral de Moura

Ficamos em dúvidas se faríamos ou não este passeio. Pelo que havíamos lido na internet, o ideal era pernoitar em El Chaltén, já que a distância a El Calafate era muito grande (mais de 200 quilômetros) e o tempo disponível para fazer alguma trilha terminava sendo muito curto. Mas como estávamos com a um dia livre e sem nenhuma programação, resolvemos arriscar um bate-volta com a agência South Road.

No caminho, depois de vermos alguns guanacos na beira da estrada, paramos em La Leona (a 95 km de El Calafate). Ainda paramos mais uma vez para tirarmos fotos da paisagem e finalmente, depois de 220 km, chegamos a El Chaltén. Mas passamos direto da mais nova cidade argentina (fundada em 1985) e fomos para o Chorrillo del Salto, uma cachoeira a 1,5 km do centro da cidade.

Depois de visitarmos essa bela cascata, fomos para um ponto de apoio da excursão onde pudemos usar o banheiro e onde nos entregaram uma sacola com o almoço (incluso nessa excursão). A sugestão é que fizéssemos a trilha para o lago Capri (4 a 5 km de ida, numa trilha de nível fácil com duração estimada de 2 horas). Cinco horas mais tarde o ônibus retornaria para El Calafate.

A trilha começa com muita subida e depois de muito tempo, chegamos no quilômetro 1. Com 1h30 de andada/subida, que não era exatamente fácil, chegamos no quilômetro 2, onde encontramos um casal de alemães retornando, que nos disse que a trilha ficava mais fácil a partir dali, mas ainda faltava uns dois quilômetros. Resolvemos comer alguma coisa e voltar, pois ou não daria tempo, ou ficaria muito corrido.Saindo da trilha 2h30 depois de iniciada e tendo feito apenas metade do trajeto (ou um pouco menos).

 

Calafate Mountain Park

El Calafate, Calafate Mountain Park

Foto: Márcio Cabral de Moura

No nosso último dia inteiro em El Calafate, tivemos uma programação light. Apenas um passeio de meio dia rumo ao Calafate Mountain Park, à tarde, feito com a agência Viva Patagonia.

A excursão é feita num ônibus/caminhão 4×4 e com vista panorâmica. A cidade de El Calafate fica entre o Lago Argentino e duas montanhas e foi justamente numa dessas montanhas que começamos a subir. Entramos por uma estância pequena (para padrões patagônicos) de “apenas” 14.000 hectares, onde subimos até 1.000 acima do nível do mar (uns 800 metros acima de El Calafate).

Lá em cima tivemos muita sorte de o céu estar limpo e de não estar ventando. Conseguimos avistar o monte Fitz Roy, a 150 km de distância e a geleira Perito Moreno a 65 km.

Depois descemos um pouco, passando por outra estância, esta sim, grande (90 mil hectares, uma das dez maiores da Argentina), até o Mountain Park, que é administrado por um grupo de Andorra. O espaço funciona como parque de Mountain Bike no verão e estação de esqui no inverno.

El Calafate, Calafate Mountain Park

Calafate Mountain Park. Foto: Márcio Cabral de Moura

Fizemos uma pequena caminhada por lá e depois fizemos um lanche, que estava incluso no passeio, mas não sabíamos. Na volta, ainda vimos uma formação geológica única da região, o sombreiro mexicano.

 

Ushuaia

 

Lagos Escondido e Fagnano

Ushuaia, Lago Fagnano

Lago Fagnano. Foto: Márcio Cabral de Moura

O voo de El Calafate até Ushuaia (pronuncia-se USSuaia) dura 1h20. Na chegada, estava ventando muito e não descemos num finger. O funcionário do aeroporto que estava ao pé da escada estava dançando, para se aquecer.

A primeira excursão que fizemos por lá foi um passeio de 4×4 para os lagos Escondido e Fagnano, com a empresa Baqueanos.

A primeira parada foi num criadouro de Huskies, onde aproveitamos para poder ir ao banheiro e andar na tundra que forma o solo dos vales em Ushuaia. Voltamos à estrada e começamos a subir os Andes, no único trecho em que é Argentina dos dois lados. No passo Garibaldi, saímos da estrada asfaltada e pegamos a antiga estrada, hoje uma trilha. Paramos para ver os lagos do alto e depois seguimos a pé por uns 150 metros, até uma pequena cachoeira.

Essa é a famosa tundra. Foto: Márcio Cabral de Moura

De volta ao carro, descemos a trilha e, em seguida, pegamos uma estrada regional de barro, para logo depois entrarmos numa trilha dentro de uma propriedade privada, Lá, paramos para ver a devastação nos bosques que os castores provocam.

Voltando ao carro, fomos até a beira do lago Fagnano, onde a guia entrou com o carro dentro d’água depois de uma descida, fingindo ser sem querer. Uma das nossas companheiras de passeio chegou a ficar preocupada, pois não sabia nadar.

Estava ventando muito e o lago é impressionante. Apesar de não ser muito largo, ele tem cerca de 100 quilômetros de comprimento. E como forma um corredor de vento, tem ondas de tamanho até razoável. Chegando no refúgio, havia uma fogueira do lado de fora, junto da churrasqueira e dentro do refúgio um fogão de lenha aceso para esquentar o ambiente (e a água do chá/café pós-refeição).

 

Passeio de helicóptero por Ushuaia

Ushuaia, vista aérea

A Terra do Fogo vista do alto. Foto: Márcio Cabral de Moura

Essa excursão estava marcada para o meio-dia. Portanto, deu para dormir até um pouco mais tarde. Um carro de aluguel nos leva até o antigo aeroporto de Ushuaia, dentro de uma base militar. Fomos muito bem recebidos na agência Heliushuaia. Depois vimos um filminho com instruções de segurança em português e em seguida fomos conduzidos para a pista, para entrarmos no helicóptero.

Era um helicóptero pequeno, com capacidade para três passageiros. O passeio durou 15 minutos e foi fantástico. Depois de sobrevoarmos o canal de Beagle e a cidade de Ushuaia (com informações turísticas repassadas pelo piloto), sobrevoamos os Andes e passamos em cima de uma glaciar e uma lagoa lá em cima. Depois passamos por cima da lagoa esmeralda e voltamos pra cidade.

No aeroporto, recebemos um certificado de voo no fim do mundo e depois um carro de aluguel nos deixou no hotel. O custo total foi de US$ 180 por pessoa.

 

Valle Hermoso

Ushuaia, Valle Hermoso

Castores pegos no flagra. Foto: Márcio Cabral de Moura

No mesmo dia do passeio de helicópteros, tivemos outra programação: o avistamento de castores no Valle Hermoso. Já era final de tarde quando chegamos numa casa de madeira, onde fomos recebidos pelos dono e por Kiwi (um cachorro). Entramos na casa e fomos instruídos a deixar nossas coisas e trocar nossos sapatos por botas de borracha. Recebemos uma capa de chuva e saímos da casa seguindo o guia.

Caminhamos por encharcados e turva (a tundra do sul) até a primeira castoreira, onde pudemos observar três castores. Depois do um tempo, continuamos a caminhada até uma segunda castoreira, onde avistamos dois castores. Só que depois de uns cinco minutos, um dos castores nos viu, bateu com a cauda na água e foi se refugiar em sua casa. O outro, que estava comendo, meio que se escondeu, mas não voltou pra casa.

Ushuaia, Valle Hermoso

Parece imagem de desenho animado. Foto: Márcio Cabral de Moura

Em seguida fomos andando até a terceira castoreira, onde tinham feito a maior represa. Havia duas casas, mas não avistamos nenhum castor. Ficamos um tempo, tomando vinho quente com especiarias e falando de política e depois retornamos pra casa-sede. Chegamos no hotel quase meia-noite, tendo que acordar cedo no dia seguinte.

 

Caminhada com pinguins

Ushuaia, pinguins

Foto: Márcio Cabral de Moura

Este passeio sai cedo. Tínhamos que chegar ao porto às 8h30 para partida às 9h. Antes de embarcar, era preciso fazer check-in e pagar a taxa portuária de 20 pesos por pessoa. Nosso passeio era pela Piratour, a única agência que faz a caminhada com os pinguins. Todas as outras fazem a observação de dentro de seus barcos. Isso porque a Piratour é a dona da ilha onde os pinguins fazem seus ninhos.

O barco da Piratour é pequeno (capacidade para umas 40 pessoas), com lugares sentados no “térreo” e um deck aberto (sem teto) de observação.

Primeiro passamos na ilha dos pássaros, depois na ilha dos leões-marinhos e depois na ilha do farol (onde tinha leões-marinhos e pássaros). Em seguida, passamos por Puerto Williams, vilarejo chileno de 2.000 habitantes que fica mais ao sul que Ushuaia e finalmente paramos na Estância Herberton. Lá o grupo foi dividido em dois, de acordo com o cartão de embarque (que era um crachá de embarque). O grupo verde (o nosso) ia para a ilha ver os pinguins enquanto o grupo laranja ia almoçar (no restaurante deles, mas não incluso no passeio). Depois invertia.

Ushuaia, pinguins

Os pinguins de Papua, de pés amarelos. Foto: Márcio Cabral de Moura

Pegamos uma lancha (com cobertura) e fomos para a ilha dos pinguins. Dá pra ir de tênis, pois não chegamos a pisar na água. Na ilha, vários pinguins na praia, onde temos que manter uma distância de pelo menos 2 metros. Depois subimos uma escada para o interior da ilha e tivemos que ficar na região demarcada (onde eventualmente os pinguins entram). Nessa parte, temos que respeitar o pinguim como se ele fosse um ciclista: 1,5 m de distância. São centenas de pinguins (todos da espécie pinguim de Magalhães), além de gansos sul-americanos e alguns outros pássaros.

Saindo dessa região, caminhamos pela praia, onde vimos mais pinguins de Magalhães. Seguindo pela praia, finalmente avistamos os pinguins de Papua, que são maiores e têm pés amarelos.

Ushuaia, pinguins

Mais pinguins de Papua. Foto: Márcio Cabral de Moura

Depois de uns 40 a 50 minutos na ilha, voltamos pra lancha (ela veio até nós, para ser mais preciso) e fomos almoçar. Em seguida, fomos para um museu de fósseis marinhos que fica a uns 300 metros do restaurante. Fizemos uma visita guiada e em seguida fomos pro ônibus (a volta é de ônibus).

 

Museo Maritimo y del Presidio

No nosso último dia em Ushuaia, fomos ao museu que fica na antiga penitenciária da cidade (a entrada custa 250 pesos pra residentes em países do Mercosul).

Na realidade é um complexo de museus. Não há nada muito diferente do que poderíamos encontrar numa página de Internet, mas valeu a visita num dia chuvoso.

Os nativos da região morreram quando passaram a ser obrigados a usar roupas. E até mil oitocentos e pouco não se conhecia o canal de Beagle, que tem esse nome por conta do navio que em sua segunda viagem pra essas bandas teve a bordo Charles Darwin. E os pinguins mais ao norte que existem são encontrados nas Ilhas Galápagos.

*** Como escrevemos lá em cima no post, esta viagem foi feita em fevereiro de 2017. Portanto, os preços relatados no texto estão sujeitos a atualização.

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La Plata: a capital desconhecida da arquitetura

Buenos Aires? Gostamos. Mas já deixamos bem claro aqui no site que a repetição dos passeios clássicos pela cidade não merece nosso troféu joinha. Dá para ir muito além do…

Buenos Aires? Gostamos. Mas já deixamos bem claro aqui no site que a repetição dos passeios clássicos pela cidade não merece nosso troféu joinha. Dá para ir muito além do combo Caminito + show de Tango + compras na Calle Florida + jantar no Puerto Madero. E nas infinitas possibilidades que a capital argentina proporciona, tem a de um bate-volta interessantíssimo: La Plata.

Vai parecer estranho: a capital da província de Buenos Aires não é Buenos Aires. E sim La Plata. É que Bs As tem o status de distrito federal autônomo (assim como Brasília por aqui) desde que se transformou em capital do país em 1880. O governador na época, Dardo Rocha, decidiu construir uma nova sede administrativa para a província, a 60 quilômetros de Buenos Aires. E então convidou o engenheiro Pedro Benoit para desenhar a nova cidade.

O fato de La Plata ser uma cidade planejada é uma atração por si só. Seus quarteirões são quadrados perfeitos e alguns deles são cortados por grandes avenidas diagonais que conectam as principais praças. As ruas são identificadas por números e isso confunde um bocado o turista de primeira viagem. Mas se eu não me perdi na época em que não existia internet móvel, não é hoje que você vai se perder por lá.

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Fui a La Plata duas vezes. A primeira em abril de 2008 e a segunda em novembro de 2010. Em ambas as viagens, percebi o quanto a arquitetura é a principal atração da cidade. La Plata se comunica com seus moradores e visitantes por meio de suas linhas, projetos e fachadas.

Catedral de La Plata

E o centro exato do mapa é o principal cartão postal da cidade planejada. A imponente Catedral de La Plata faz você se sentir rapidamente no interior da Alemanha. É a primeira igreja de estilo neogótico construída na América do Sul e é inspirada na catedrais de Colônia (Alemanha) e Amiens (França). Tem duas torres enormes, com 112 metros de altura.

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Um projeto tão imponente quanto este não foi erguido da noite para o dia. A construção começou em 1884 e teve uma inauguração oficial em 1932, data que marcou os 50 anos de fundação de La Plata. Mas as torres só foram concluídas em 1999, fazendo com que a Catedral completasse 115 anos de trabalho em progresso até ganhar suas formas atuais.

Além das torres, a fachada tem imagens religiosas que oscilam entre três e quatro metros de altura. A cada zoom na câmera, você pega um detalhe que não tinha notado. Dentro da igreja, um museu conta como foi o processo de construção secular. Outro passeio imperdível é subir aos mirantes das torres e ter uma vista panorâmica da cidade. São três visitas guiadas por dia (11h, 14h30 e 16h) de terça a sexta. Informações no site da Catedral: http://www.catedraldelaplata.com/

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Detalhe de uma das torres vista a partir do mirante da outra

Palácio Municipal

Mais um belo exemplar de arquitetura está exatamente em frente à Catedral. Separado do templo gótico apenas pela Plaza Moreno está o Palácio Municipal. Quando a cidade foi fundada, o edifício foi tema de um concurso internacional de projetos. O vencedor foi o do arquiteto alemão Uberto Stier, que deu ao palácio um estilo renascentista na fachada. Do lado de dentro, ele tem jardins, escadas de mármore e referências romanas, francesas e gregas.

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O Palácio Municipal de La Plata visto a partir do mirante da torre da Catedral

Museo de La Plata

Outra obra que é da época da fundação da cidade e segue imponente é o Museo de La Plata. É um museu de ciência e história natural que abriu suas portas em 1888. Do lado de fora, um estilo arquitetônico neoclássico, que faz do museu um monumento histórico nacional. Do lado de dentro, uma coleção de mais de 3,5 milhões de itens nas áreas de geologia, biologia, paleontologia, antropologia e arquivo histórico.

Foto: site oficial Museo de La Plata

Foto: site oficial Museo de La Plata

O museu abre o ano inteiro de terça a domingo, das 10 às 18h. Terça-feira é dia de entrada gratuita. Menores de 12 anos e aposentados não pagam entrada em dia nenhum. Mais informações no site do museu: http://www.museo.fcnym.unlp.edu.ar

Casa Curuchet

Uma obra mais contemporânea que faz de La Plata uma cidade ímpar é a Casa Curutchet. Trata-se do único projeto com a assinatura do franco-suíço Le Corbusier em toda a América Latina. Obedece aos cinco pontos da Nova Arquitetura, elaborados por ele: planta livre, fachada livre, pilotis, terraço jardim e janelas em fita.

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A casa foi encomendada pelo médico Pedro Curutchet a Le Corbusier em 1948. Em 1987, foi declarada Monumento Histórico Nacional. E hoje abriga a sede do Colégio de Arquitetos da Província de Buenos Aires. Há alguns anos, foi cenário de um dos melhores filmes latino-americanos deste início de século: “O Homem Ao Lado”, de Gastón Duprat e Mariano Cohn.

A Casa Curutchet é aberta a visitantes. Para informações, acesse o site: http://www.capba.org.ar/curutchet/casa-curutchet-presentacion.htm

República de los Niños

Mas se a conversa sobre arquitetura parece pesada demais para você, La Plata também tem opção: a República de los Niños. É o primeiro parque temático da América Latina, inaugurado em 1951. E reza a lenda que inspirou Walt Disney a criar seus mundialmente famosos parques nos Estados Unidos.

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Foto: Facebook/República de Los Niños

A República é uma cidade em miniatura, feita numa escala para ficar proporcional à altura de crianças de dez anos. Há vários ambientes temáticos, como um centro cívico, um banco municipal e áreas rurais e esportivas. Apesar de ser uma das primeiras atrações que vão lhe recomendar, ultimamente a República anda carecendo de cuidado. Em fevereiro de 2016, um trem descarrilou no parque e feriu 16 pessoas. O acidente evidenciou problemas de manutenção no parque, como conta esta reportagem do jornal argentino La Nación.

Informações sobre horários de visita você confere no site da República de Los Niños: http://www.republica.laplata.gov.ar/

Futebol em La Plata

O que também não dá para ignorar em La Plata é a tradição futebolística. Há dois grandes clubes na cidade. De pelo menos um deles você já deve ter ouvido falar: o Estudiantes, que conquistou quatro vezes a Libertadores e uma vez o Mundial de Clubes. O outro é o Gimnasia y Esgrima La Plata, que não tem o mesmo currículo vencedor. Nunca foi campeão argentino na era do profissionalismo e já andou pela segunda divisão algumas vezes.

O símbolo do Estudiantes em um muro de La Plata

O símbolo do Estudiantes em um muro de La Plata

Mas eu curti mesmo foi o lema da torcida do Gimnasia

Mas eu curti mesmo foi o lema da torcida do Gimnasia

Os dois rivais dividem o recém-reformado Estádio Único Ciudad de La Plata. Construído em 2003 e remodelado para a Copa América de 2011, a arena é a mais moderna do país. É o primeiro estádio coberto da América Latina e, além dos jogos de futebol, tem recebido também grandes shows internacionais. Rolling Stones, U2, Foo Fighters e Britney Spears foram alguns dos nomes que já se apresentaram por lá.

Foto: Secretaria Geral de Governo da Província de Buenos Aires

Foto: Secretaria Geral de Governo da Província de Buenos Aires

Como chegar em La Plata a partir de Buenos Aires???

A forma mais fácil é pegar o ônibus 129, que passa em vários pontos da Avenida 9 de Julio, a principal da capital argentina. Você vai identifica-lo pela cor: ele é todo vermelho. A passagem pode ser paga com o cartão SUBE e você desce na rodoviária de La Plata. O trajeto dura cerca de uma hora.

Para uma viagem mais pitoresca, pegue um trem na estação Constitución do metrô de Buenos Aires. A jornada dura um pouco mais: 1h30. Os trens saem a cada 30 minutos e a tabela completa de horários você confere neste site: http://www.trenroca.com.ar/horarios/constitucion-la-plata-lunes-a-viernes.php

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Rosario: a sua próxima cidade favorita na Argentina

Pensar numa viagem à Argentina é praticamente ter a certeza de que não será preciso falar uma palavrinha sequer em espanhol. Os principais destinos do país já estão tomados pelos…

Pensar numa viagem à Argentina é praticamente ter a certeza de que não será preciso falar uma palavrinha sequer em espanhol. Os principais destinos do país já estão tomados pelos brasileiros há pelo menos uma década. No centro de Buenos Aires, os vendedores ambulantes já abordam em português. Bariloche, por sua vez, já é conhecida como Brasiloche. Nessas horas, eu sempre pergunto: por que, quando se fala em viajar pela Argentina, nunca se menciona Rosario?

A cidade é a terceira mais populosa da Argentina, com cerca de 1,2 milhão de habitantes. Tem histórias interessantes, tem a bela orla do rio Paraná, tem um povo acolhedor, parques e mais parques pela cidade afora e uma cultura vibrante. Além do mais, tem voos diretos a partir do Rio de Janeiro e São Paulo. Começou a ser descoberta recentemente por estudantes brasileiros que vão fazer pós-graduação ou até mesmo a graduação por lá.

Aí é quando volto a perguntar: por que nunca se menciona Rosario?

Tive uma experiência em Rosario que foi muito além do que passear pela cidade. Morei lá por oito meses em 2010. Foi um ano que tirei para dar um respiro, curtir um período sabático, estudar espanhol e fazer uma pós-graduação. Hoje, quando me perguntam, respondo que simplesmente fui viver. E digo a vocês que a cidade foi uma ótima escolha que fiz.

Ah, a juventude...

Ah, a juventude…

Acho que o principal fator para eu ter essas boas lembranças de Rosario é o seguinte: talvez tenha sido o primeiro contato que tive com uma cidade bem vivida pelas pessoas. Ainda que não siga um modelo europeu, Rosario tem um planejamento urbanístico bem interessante. Ela possui cerca de 20 quilômetros de orla urbanizada e repleta de equipamentos: parques, museus, centros culturais, bares, restaurantes, terminais de passageiros, tudo isso com a moldura do Paraná.

Uma paisagem típica do outono rosarino

Uma paisagem típica do outono rosarino

Se você não quiser sair direto do Brasil para lá, tudo bem. Rosario não fica tão distante assim de Buenos Aires. São 300km, o que dá uma viagem de quatro horas entre os terminais de ônibus das duas cidades. Caso seja conveniente para você, a empresa Manuel Tienda León oferece um serviço de microônibus entre os aeroportos de Ezeiza e Aeroparque, na capital, até Rosario. Confira os preços nos sites e avalie. Só não deixe de ir!

Vou enumerar alguns dos bons motivos para conhecer Rosario na sua próxima viagem à Argentina. Alguns deles talvez já sejam conhecidos por você. Outros certamente não. Todos serão bem convincentes, prometo! 😉

 

Esse rio (Paraná) é minha rua

O cruzeiro pelo Paraná

O cruzeiro pelo Paraná

Roubei esse título de uma canção popular no Pará, mas que faz muito sentido em Rosario. Como falei alguns parágrafos atrás, são quilômetros e mais quilômetros de orla urbanizada. Além de estar lá para ser completado, o rio Paraná também serve como via de locomoção. Muito perto do centro da cidade, existe o terminal La Fluvial. Lá se embarca para passeios de barco que mostram não só Rosario vista “de fora” como também apresenta zonas dificilmente conhecida por quem não é local. Há pequenas ilhas onde muita gente constrói casas de fim de semana. Muitas delas estão disponíveis para aluguel por temporada.

Um fim de semana aqui não seria ruim, hein?

Um fim de semana aqui não seria ruim, hein?

Rosario também tem uma praia de rio, chamada de La Florida. Durante grande parte do ano, ela fica fechada por causa das temperaturas. O inverno por lá pode ser realmente muito frio. Mas, no verão, quando o termômetro passa fácil dos 30 graus, a areia fica repleta de rosarinos ávidos por sol. Se você não esperar um visual de praia paradisíaca, pode curtir um bocado.

A praia de La Florida

A praia de La Florida

Além disso, muitos equipamentos da cidade estão construídos ao longo do rio. O Parque España é um deles. Além do parque em si, ele tem uma grande pista para skate e patinação e um centro cultural que abriga exposições, eventos e oficinas.

Outra coisa bem legal relacionada ao rio que conheci em Rosario foram os clubes de pesca. Você paga uma entrada individual e uma taxa caso queira reservar churrasqueira e mesas. Se quiser pescar, pode assar ali mesmo os peixes que você pegou. Caso você não tenha essa manha, pode levar a carne de casa sem problema.

O píer de um dos clubes de pesca de Rosario

O píer de um dos clubes de pesca de Rosario

 

Cidade berço da bandeira argentina

Monumento à Bandeira

Monumento à Bandeira

Quem vai a Rosario sempre vê menções à cidade como “cuna de la bandera”, seja em propaganda oficial ou publicidades turísticas. Em português, esta expressão significa “berço da bandeira”. Diz a história que foi às margens do Rio Paraná que surgiu o embrião da bandeira argentina como conhecemos hoje. As cores azul celeste e branco foram usadas pela primeira vez em 1812 numa fortificação em Rosario, ideia do general Manuel Belgrano. Ela tinha apenas uma listra de cada cor. A partir daí, evoluiu muito, mas Belgrano e Rosario seguem ligados à concepção do símbolo.

Para homenagear essa história, foi inaugurado em 1957 aquele que talvez seja o principal cartão postal da cidade: o Monumento à Bandeira. Trata-se de uma torre de 70 metros que é o destaque dentro de um pátio cívico, onde também estão esculturas em mármore e bronze alusivas à história da bandeira.

O pátio cívico do Monumento num dia de jogo da Copa do Mundo de 2010

O pátio cívico do Monumento num dia de jogo da Copa do Mundo de 2010

O Monumento é palco de todo tipo de evento em Rosario. Protestos, manifestações, discursos presidenciais, atos políticos, concertos de música clássica, instalação de telões para jogos da Copa do Mundo e por aí vai. Não deixe de subir no mirante da torre para ter outra perspectiva da cidade.

 

Onde nasceu Messi também surgiu uma rivalidade tremenda

O Gigante de Arroyito com torcida dividida em dia de clássico

O Gigante de Arroyito com torcida dividida em dia de clássico

Não dá para falar de Rosario sem mencionar futebol. Não só pelo fato de ser a cidade natal de Lionel Messi, mas também por causa de uma das maiores rivalidades do futebol sul-americano: Rosario Central x Newell´s Old Boys. As duas equipes se enfrentam desde 1905 e dividem a cidade em territórios por cor. De um lado, os amarelos e azuis do Central. Do outro, os rubro-negros do Newell´s.

Tive a oportunidade de assistir a um jogo entre os dois em maio de 2010. Juro a vocês que poucas vezes vi torcidas tão vibrantes em um estádio de futebol, mesmo em clássicos. Vão tentar convencê-lo a não ir ao jogo por causa de violência. Mas, caso futebol seja a sua (que nem é a minha), não deixe de conferir.

O estádio do Central, o Gigante de Arroyito, fica num bairro ao norte da cidade, um pouco afastado do centro. Voltar de lá depois do jogo pode ser uma missão bem difícil pela distância. Já o estádio do Newell´s, o Coloso del Parque, fica no Parque Independencia e não muito distante do centro, nem a pé.

 

Cultura, cultura e mais cultura por toda parte

O escritor Roberto Fontanarrosa tem uma estátua no bar El Cairo. Foto: Nicolás Pasiecznik

O escritor Roberto Fontanarrosa tem uma estátua no bar El Cairo. Foto: Nicolás Pasiecznik

A Argentina é conhecida por ser o berço de escritores que embarcaram no realismo fantástico, como Borges, Bioy Casares e Cortázar. Mas o rosarino mais famoso na literatura tem outro estilo, completamente diferente. Roberto Fontanarrosa era um escritor que fazia humor com coisas simples, ria do cotidiano. Além disso, era um chargista talentosíssimo. Menções a ele estão em toda Rosario. Desde pinturas em muros até as prateleiras das livrarias ou no famoso café El Cairo, que ele frequentava até perto de sua morte, em 2007.

Inodoro Pereyra, um dos personagens mais conhecidos de Fontanarrosa

Inodoro Pereyra, um dos personagens mais conhecidos de Fontanarrosa

Além de respirar seu escritor mais célebre, Rosario tem outras fontes de cultura. O teatro El Círculo, que fica no centro, é clássico, tradicional e abre suas portas para visitas guiadas em dias sem espetáculo. O Museu de Belas Artes fica bem pertinho do Parque Independencia. O Museu de Arte Contemporânea de Rosario, na beira do rio Paraná. Mas, se você for lá, não chame o museu pela sua sigla MACRO. E sim por “los silos”, já que ele funciona em antigos silos, locais que armazenavam grãos.

E se você for que nem eu, caçador de lojas de discos, não deixe de ir à Utopia Records. O acervo de CDs é gigantesco. O de vinis, não tanto. Há ainda DVDs, fitas K7, camisetas, revistas importadas e vendas de ingressos de shows.

 

A capital argentina do sorvete artesanal

Esse apelido existe de verdade e faz o maior sentido. Há tantas sorveterias em Rosario quanto barbearias hipster em qualquer grande capital brasileira. Com a diferença que os helados não são modinha por lá. E sim negócios que passam de geração para geração. Foi a primeira vez em que vi delivery de sorvete numa cidade. Seja no inverno ou no verão, funcionando sempre!

 

 

Nenhum comentário em Rosario: a sua próxima cidade favorita na Argentina

Buenos Aires: uma viagem fora da mesmice é possível

Conhecer Buenos Aires virou uma espécie de rito de passagem para os brasileiros nos últimos 15 anos. Desde que ficou mais fácil e barato comprar bilhetes aéreos, a capital da…

Conhecer Buenos Aires virou uma espécie de rito de passagem para os brasileiros nos últimos 15 anos. Desde que ficou mais fácil e barato comprar bilhetes aéreos, a capital da Argentina se tornou uma rota comum. É o destino da primeira viagem internacional de muita gente, desde a sua tia sessentona até jovens recém-saídos da adolescência.

Mas aí tem fato. Se você olhar nos álbuns de viagens a Buenos Aires nas redes sociais, vai encontrar muitas figurinhas repetidas. O Obelisco, o Cemitério da Recoleta, a foto com os dançarinos de tango no Caminito, o estádio do Boca Juniors, o Café Tortoni, a feira de San Telmo

Então você se pergunta: é possível ir a Buenos Aires e conhecer uma cidade diferente da mesmice? Ou ainda, caso você já não seja um estreante por lá, dá para retornar à capital argentina sem repetir passeios ou sem achar que já conheceu o suficiente?

A resposta é: sim, seus problemas acabaram! Ou melhor, sequer começaram!

E para viver tudo isso, nem precisa ser o grão-mestre do Trip Advisor, o futuro colaborador do Lonely Planet ou sequer falar outro idioma. O mundo está cheio de brasileiros que trabalham com turismo receptivo e criação de roteiros personalizados. E em Buenos Aires, um dos serviços mais legais que conheci é o da empresa Ondas Buenas.

Que tal chegar num lugar novo com um material desse feito especialmente pra você? Foto: Facebook/Ondas Buenas

Que tal chegar num lugar novo com um material desse feito especialmente pra você? Foto: Facebook/Ondas Buenas

A Ondas Buenas foi criada por Andrea Guerra, jornalista, e Sthephanie Carvalho, psicóloga. Ambas chegaram a Buenos Aires em 2014. Andrea, para tirar um ano sabático. E Sthephanie, para dar prosseguimento aos estudos em psicanálise. À medida que foram vivendo na cidade, foram se apaixonando por ela e desfazendo as malas para ficar por lá de vez. Assim, acabaram virando referência para amigos, amigos de amigos, amigos de amigos de amigos…

“Sempre nos pediam dicas de onde comer e de bairro para se hospedar. De tanto dar dicas e planejar roteiro de viagem para amigos e familiares, surgiu o Ondas Buenas”, conta Sthephanie. “Depois, surgiu a demanda de ganhar dinheiro e produzimos alguns roteiros personalizados para pessoas próximas. Elas acharam incrível a experiência”, completa.

Os roteiros criados pelo Ondas Buenas são justamente para acabar com aquela angústia relatada no início deste post. Andrea e Sthephanie sempre fazem uma espécie de entrevista com os clientes para identificar o perfil e as atrações ideais para o tempo de estadia.

“O que a gente propõe é que nossos clientes conheçam Buenos Aires de uma forma mais profunda, indo além daquele roteiro basicão clássico. Nós incentivamos e damos as ferramentas para que ele percorra a cidade a pé, use ônibus e metrô, se integre à cidade explorando os bairros, ao invés de passar apenas pelos pontos turísticos”, explica Andrea.

Sthephanie (na fila da frente, com a criança no colo) e um grupo de Natal/RN que conheceu Buenos Aires com o Ondas Buenas. Foto: Facebook/Ondas Buenas

Sthephanie (na fila da frente, com a criança no colo) e um grupo de Natal/RN que conheceu Buenos Aires com o Ondas Buenas. Foto: Facebook/Ondas Buenas

Em cerca de dois anos de trabalho, as duas amigas já fizeram roteiros para gente de várias faixas etárias e de praticamente todo o Brasil. Algumas dessas pessoas chegavam zeradas de informação. Outras já tinham algum roteiro básico que precisava de uma espécie de polimento. E uns foram mais desafiadores que outros. “Teve uma professora de Direitos Humanos que queria conhecer lugares que lhe lembrassem de um teórico que estudou no seu mestrado. Além disso, ia passar mais de seis dias para desbravar cada cantinho de Buenos Aires”, relata Sthephanie.

Além dos roteiros, o serviço do Ondas Buenas também fornece o Kit Receptivo. O kit inclui coisas que são absolutamente úteis em qualquer viagem, mas nem sempre a gente lembra. Estão lá: chip local de celular, cartão de transporte público e adaptador de tomada para carregadores e eletrônicos, entre outros. Tudo para facilitar a vida de quem está prestes a desbravar a capital argentina.

Difícil algo dar errado na sua viagem com esse kit. Foto: Facebook/Ondas Buenas

Difícil algo dar errado na sua viagem com esse kit. Foto: Facebook/Ondas Buenas

Buenos Aires é uma cidade infinita que nos surpreende a cada passo. Você está caminhando e de repente se surpreende com uma cúpula belíssima. Continua a caminhada e se depara com uma linda arte de rua em meio a edifícios antigos. Segue e, no chão, tem uma homenagem a alguém que viveu pela região e morreu na repressão da ditadura. Costumamos dizer que é uma cidade para todos os gostos, os bolsos e idades”, diz Sthephanie.

E então… tá esperando o quê para fazer a SUA viagem por Buenos Aires?

 

Top 5 – dicas lado B de Buenos Aires

No site do Ondas Buenas, a Andrea e a Sthephanie listam várias sugestões “fora da caixa” para quem vai a Buenos Aires. Peguei lá as cinco que mais me chamaram a atenção. Guarde todas para a sua próxima viagem!

Parque de la Memoria

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Foto: Ondas Buenas

Inaugurado em 2001, ele homenageia as vítimas da ditadura militar na Argentina. O destaque é uma obra do artista conceitual argentino León Ferrari chamada “A los derechos humanos”. O parque fica na reserva Costanera Norte, próxima ao rio da Prata, e no meio do caminho entre o bairro de Palermo e o estádio do River Plate. A entrada é grátis e o parque abre todos os dias.

 

Feira de Mataderos

O folclore gaucho (gaucho da Argentina, não gaúcho do Rio Grande) é destaque em Mataderos

O folclore gaucho (gaucho da Argentina, não gaúcho do Rio Grande) é destaque em Mataderos

Essa aí eu também conheci e garanto: é um programa sensacional. É realizada todos os domingos desde 1986 e tem barracas de comida típica, artesanato e apresentações de música e danças folclóricas. O único ponto negativo é a distância. Quando fui a Mataderos pela última vez, lembro que a viagem de ônibus demorou cerca de uma hora e meia. Mas vá por mim: se você curte conhecer tradições, a jornada vale demais!

 

Palais de Glace

Foto: Facebook/Palais de Glace

Foto: Facebook/Palais de Glace

Além de museus mundialmente reconhecidos como o MALBA, Buenos Aires também tem seus pequenos achados para os amantes da arte. Um deles é o Palais de Glace, um centro de exposições no bairro da Recoleta. O mais legal: a entrada é gratuita todos os dias. Fecha às segundas.

 

Café Victoria

Foto: Facebook/Ondas Buenas

Foto: Ondas Buenas

Buenos Aires deve ter milhares de cafés charmosinhos e ideais para tomar um cortado com uma medialuna. Dependendo do bairro onde você se hospeda, você vai encontrar o seu favorito. Mas se quiser seguir uma indicação, pode ir no das meninas do Ondas Buenas. O Café Victoria fica ao lado do Congresso e tem muita história. Foi aberto em 1860 como mercearia. Em 1930 virou café e se tornou ponto de encontro de políticos e artistas. Chegou a ficar cerca de uma década fechada, mas reabriu.

 

Museo Del Humor

Foto: Ondas Buenas

Foto: Ondas Buenas

Mafalda é uma espécie de embaixadora da Argentina pelo mundo afora. Não à toa, a personagem de Quino ganha destaque neste museu inaugurado em junho de 2012. Reúne obras dos mestres argentinos da charge, caricatura e desenho animado. Fica em Puerto Madero e tem entrada gratuita às segundas, terças e quartas.

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