Sempre que ponho lado a lado os destinos turísticos do Brasil e da Argentina, vejo como os dois países são perfeitamente complementares. Eles não têm praias como as nossas e nós não temos montanhas como as deles. A Argentina tem a Patagônia, mas o Brasil tem a Amazônia. Os argentinos têm a paisagem desértica de Salta e Jujuy, enquanto temos o cerrado e as chapadas. O único ponto de convergência talvez seja a área binacional das Cataratas do Iguaçu. Mesmo assim, sempre tem quem diga que um lado é mais bonito que o outro.

E é por essas e outras que os argentinos invadem o Brasil no verão. Antes restritos ao litoral de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, agora eles aproveitam voos diretos para o Nordeste. Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte viraram destinos comuns para eles. Por outro lado, há quase uma diáspora brasileira no inverno, principalmente rumo a Bariloche. Cidade que, aliás, recebe o apelido de “Brasiloche” nas férias de julho.

Mas Bariloche, com a neve e a gastronomia, não deve ser encarada como o único destino possível de inverno em terras argentinas. O sul da Argentina tem um punhado de lugares para se conhecer. A aprazível San Martín de Los Andes e seu clima de cidade suíça no meio da América Latina. Puerto Madryn, base para avistar baleias. E a Ruta 40, que cruza a Patagônia quase inteira, pode fazer parte de uma bela road trip.

Porém, tem duas cidades que dominam minha lista de desejos na categoria “viagens pela Argentina”: El Calafate e Ushuaia. El Calafate fica na província de Santa Cruz e é a terra das geleiras (ou glaciares, como se diz em espanhol) como o famoso Perito Moreno. Ushuaia fica na província da Terra do Fogo e é a principal cidade no extremo sul do país. A brincadeira com o “fim do mundo” está em todos os lugares.

Ainda não estive em nenhuma das duas. Mas conhecer quem já esteve ajuda a mergulhar no destino e a instigar. Por isso, recorri ao Márcio Cabral de Moura. Ele é servidor público, mora no Recife e é um dos viajantes mais assíduos que conheço. Nos últimos 15 anos, ele fez 25 viagens internacionais. A maioria para o Canadá, por motivos familiares. Mas ele e a esposa Renata já andaram muito por aí: Islândia, Alemanha, Inglaterra, Ilha de Páscoa e por aí vai.

Em fevereiro de 2017 (em pleno Carnaval, veja você!), Márcio e Renata embarcaram rumo à Argentina, tendo como principais destinos justamente El Calafate e Ushuaia. Eles deram tantos bons relatos e postaram tantas fotos lindas que decidi convidar o Márcio a contribuir com o blog. Eis então mais um guest post especial do Mochileza. Espero que vocês curtam a viagem e aproveitem as dicas do Márcio!

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Márcio e sua esposa Renata. Foto: Arquivo pessoal

El Calafate

Nossa viagem para El Calafate saiu do Aeroparque, em Buenos Aires. Pegamos um voo da Aerolineas Argentinas, que, em trechos domésticos, só permite até 15 quilos de bagagem despachada e 5 quilos de bagagem de mão. O que me impressionou na viagem é que pouco tempo depois de sairmos de Buenos Aires, a paisagem virou desértica. Eu juro que não sabia que a Patagônia Argentina era o quarto maior deserto do mundo. Ah, minhas aulas de geografia…

O aeroporto de El Calafate é bem pequeno e fica a cerca de 25 km da cidade. Lembrando que estamos num deserto, e mesmo nas margens do lago (que vai de antes do aeroporto para além da cidade) não há nenhum árvore. Na realidade, praticamente não há nenhuma vegetação. A cidadezinha é bem simpática e sua avenida principal tem um trânsito intenso, o que faz com que seja demorado atravessar a Av. del Libertador.

Dicas para planejar sua viagem a El Calafate

Antes de falarmos dos passeios em El Calafate, é importante destacar algumas coisas que podem ajudar no seu planejamento:

  • Geralmente, cada excursão é oferecida por uma única empresa. Mas todas as agências revendem esses passeios com algum ágio. No primeiro passeio da nossa viagem, ele saía por 1470 pesos por pessoa na agência “oficial” e por 1520 pesos na que revende. A diferença pode parecer pequena (em fevereiro de 2017, 50 pesos correspondiam a aproximadamente 10 reais), mas é bom ficar de olho.
  • Muitos pagamentos saem mais caros no cartão de crédito. Passeios, hospedagem e traslados. Sempre prefira pagamento em dinheiro (ou “en efectivo”, como dizem os argentinos).
  • Algumas agências e lojas aceitam dólares e reais para pagamentos. Mas a cotação é desvantajosa. Na nossa viagem, no aeroporto de Ezeiza, um real valia 5,10 pesos. Em El Calafate, a média era 4,50 pesos. E encontramos uma loja que fazia câmbio a 3,50.

Trekking no Perito Moreno

El Calafate, Glaciar Perito Moreno

A caminhada na imensidão de gelo. Foto: Márcio Cabral de Moura

O glaciar Perito Moreno é o principal destino dos turistas em El Calafate. Ele fica a 75 quilômetros da cidade e, na excursão que fizemos até lá (com a agência Hielo y Aventura), fizemos uma parada no meio do caminho para fotos no lago Argentino. A parada seguinte já foi na entrada do Parque Nacional Los Glaciares. O ingresso é pago (apenas em dinheiro) e nos informaram que o preço para brasileiros é menor: 250 pesos.

No site do Parque Nacional Los Glaciares, não há uma informação sobre descontos para nacionalidades. Há, sim, tarifas especiais para argentinos, moradores da província de Santa Cruz, crianças e estudantes. No mais, a tarifa cheia (em setembro de 2017) era de 500 pesos. O que pode ter acontecido é que a agência que promoveu o passeio conseguiu barganhar um desconto com a administração do parque.

Em seguida, tiramos fotos num mirante do glaciar e entramos no barco que nos levou aos pés do Perito Moreno. A travessia dura cerca de 15 minutos e é muito bonita. Além do paredão de gelo que lembrava a muralha de Game of Thrones, também tem alguns pequenos icebergs no lago.

El Calafate, Glaciar Perito Moreno

Winter is coming. Foto: Márcio Cabral de Moura

Antes de iniciar o trekking, fomos para o ponto de apoio para podermos irmos ao banheiro e, se quiséssemos, deixar algo que estivéssemos carregando, como o almoço. Depois fomos caminhando até uma praia junto do glaciar, para tirarmos fotos e em seguida fomos botar os grampões nos pés, para podermos andar sobre o gelo.

A caminhada sobre o gelo durou cerca de 1h30 e terminou com uma degustação de chocolate e whisky (com pedras de gelo do glaciar).

Em seguida, voltamos para o ponto de apoio, onde almoçamos o que havíamos levado – no nosso caso, sanduíche de queijo e presunto. Ficamos por lá um tempinho e às 15h50, fomos para o barco, voltando para onde estava o ônibus. De lá, fomos para as passarelas, ver o Perito Moreno. Eu tinha lido que não acrescentava muito ao mini-trekking, mas acrescenta, sim. Do mini-trekking vemos a parede sul. Do mirante vemos a leste e a norte. Pena que só ficamos uma hora nas passarelas. Na realidade, menos, pois tinha o tempo de voltar pro ônibus e ir ao banheiro dentro dessa hora.

 

Ríos de Hielo

El Calafate, Lago Argentino

Lago Argentino. Foto: Márcio Cabral de Moura

Este passeio é uma navegação de 5 horas pelo braço norte do lago Argentino. Dá pra ver cinco grandes geleiras da região (Upsala, Spegazzini, Seco, Heim e Pineta) e também o fenômeno do desprendimento de gelo em uma delas.

Chegando ao porto, é preciso pagar a entrada do Parque Nacional Los Glaciares (o mesmo do Perito Moreno). São 4 ou 5 guichês que só aceitam pesos argentinos e no porto não há caixa eletrônico ou casa de câmbio. Portanto, leve dinheiro em espécie.

O barco que faz o passeio lembra a balsa que faz a travessia Rio-Niterói. Antes de zarpar, dois fotógrafos deram dicas de como tirar as fotos e depois foi anunciado pelo sistema de som a possibilidade de upgrade pro “Clube do Almirante”, por 1.650 pesos, o mesmo preço que já havíamos pago pelo passeio (fora os 350 pesos do traslado). Eu olhei pra nossos lugares separados e a multidão que teríamos que enfrentar para conseguir tirar boas fotos e decidimos fazer o upgrade, não sem antes dar uma olhada no espaço do “Clube do Almirante”.

O espaço do “Clube do Almirante” tem 16 lugares bem mais confortáveis, com duas varandas privativas, junto do comandante do barco. Além disso, tem guia exclusivo, serviço de bordo incluído, com direito a open bar, café da manhã, lanche e almoço, além de um garçom que falava português.

El Calafate, Lago Argentino

Icebergs no lago Argentino. Foto: Márcio Cabral de Moura

No passeio vimos muitos icebergs e três geleiras. Uma, bem de longe, por questões de segurança e as outras bem mais de perto. A última geleira, segundo o guia, era um paredão de gelo, com altura variando entre 80 e 130 metros, saindo do lago. Espetacular à vista, mas exceto nos momentos em que o barco estava parado, fazia muito frio na varanda, por conta do vento gelado. A empresa que faz este passeio é a Solo Patagonia.

 

El Chaltén

El Calafate

Foto: Márcio Cabral de Moura

Ficamos em dúvidas se faríamos ou não este passeio. Pelo que havíamos lido na internet, o ideal era pernoitar em El Chaltén, já que a distância a El Calafate era muito grande (mais de 200 quilômetros) e o tempo disponível para fazer alguma trilha terminava sendo muito curto. Mas como estávamos com a um dia livre e sem nenhuma programação, resolvemos arriscar um bate-volta com a agência South Road.

No caminho, depois de vermos alguns guanacos na beira da estrada, paramos em La Leona (a 95 km de El Calafate). Ainda paramos mais uma vez para tirarmos fotos da paisagem e finalmente, depois de 220 km, chegamos a El Chaltén. Mas passamos direto da mais nova cidade argentina (fundada em 1985) e fomos para o Chorrillo del Salto, uma cachoeira a 1,5 km do centro da cidade.

Depois de visitarmos essa bela cascata, fomos para um ponto de apoio da excursão onde pudemos usar o banheiro e onde nos entregaram uma sacola com o almoço (incluso nessa excursão). A sugestão é que fizéssemos a trilha para o lago Capri (4 a 5 km de ida, numa trilha de nível fácil com duração estimada de 2 horas). Cinco horas mais tarde o ônibus retornaria para El Calafate.

A trilha começa com muita subida e depois de muito tempo, chegamos no quilômetro 1. Com 1h30 de andada/subida, que não era exatamente fácil, chegamos no quilômetro 2, onde encontramos um casal de alemães retornando, que nos disse que a trilha ficava mais fácil a partir dali, mas ainda faltava uns dois quilômetros. Resolvemos comer alguma coisa e voltar, pois ou não daria tempo, ou ficaria muito corrido.Saindo da trilha 2h30 depois de iniciada e tendo feito apenas metade do trajeto (ou um pouco menos).

 

Calafate Mountain Park

El Calafate, Calafate Mountain Park

Foto: Márcio Cabral de Moura

No nosso último dia inteiro em El Calafate, tivemos uma programação light. Apenas um passeio de meio dia rumo ao Calafate Mountain Park, à tarde, feito com a agência Viva Patagonia.

A excursão é feita num ônibus/caminhão 4×4 e com vista panorâmica. A cidade de El Calafate fica entre o Lago Argentino e duas montanhas e foi justamente numa dessas montanhas que começamos a subir. Entramos por uma estância pequena (para padrões patagônicos) de “apenas” 14.000 hectares, onde subimos até 1.000 acima do nível do mar (uns 800 metros acima de El Calafate).

Lá em cima tivemos muita sorte de o céu estar limpo e de não estar ventando. Conseguimos avistar o monte Fitz Roy, a 150 km de distância e a geleira Perito Moreno a 65 km.

Depois descemos um pouco, passando por outra estância, esta sim, grande (90 mil hectares, uma das dez maiores da Argentina), até o Mountain Park, que é administrado por um grupo de Andorra. O espaço funciona como parque de Mountain Bike no verão e estação de esqui no inverno.

El Calafate, Calafate Mountain Park

Calafate Mountain Park. Foto: Márcio Cabral de Moura

Fizemos uma pequena caminhada por lá e depois fizemos um lanche, que estava incluso no passeio, mas não sabíamos. Na volta, ainda vimos uma formação geológica única da região, o sombreiro mexicano.

 

Ushuaia

 

Lagos Escondido e Fagnano

Ushuaia, Lago Fagnano

Lago Fagnano. Foto: Márcio Cabral de Moura

O voo de El Calafate até Ushuaia (pronuncia-se USSuaia) dura 1h20. Na chegada, estava ventando muito e não descemos num finger. O funcionário do aeroporto que estava ao pé da escada estava dançando, para se aquecer.

A primeira excursão que fizemos por lá foi um passeio de 4×4 para os lagos Escondido e Fagnano, com a empresa Baqueanos.

A primeira parada foi num criadouro de Huskies, onde aproveitamos para poder ir ao banheiro e andar na tundra que forma o solo dos vales em Ushuaia. Voltamos à estrada e começamos a subir os Andes, no único trecho em que é Argentina dos dois lados. No passo Garibaldi, saímos da estrada asfaltada e pegamos a antiga estrada, hoje uma trilha. Paramos para ver os lagos do alto e depois seguimos a pé por uns 150 metros, até uma pequena cachoeira.

Essa é a famosa tundra. Foto: Márcio Cabral de Moura

De volta ao carro, descemos a trilha e, em seguida, pegamos uma estrada regional de barro, para logo depois entrarmos numa trilha dentro de uma propriedade privada, Lá, paramos para ver a devastação nos bosques que os castores provocam.

Voltando ao carro, fomos até a beira do lago Fagnano, onde a guia entrou com o carro dentro d’água depois de uma descida, fingindo ser sem querer. Uma das nossas companheiras de passeio chegou a ficar preocupada, pois não sabia nadar.

Estava ventando muito e o lago é impressionante. Apesar de não ser muito largo, ele tem cerca de 100 quilômetros de comprimento. E como forma um corredor de vento, tem ondas de tamanho até razoável. Chegando no refúgio, havia uma fogueira do lado de fora, junto da churrasqueira e dentro do refúgio um fogão de lenha aceso para esquentar o ambiente (e a água do chá/café pós-refeição).

 

Passeio de helicóptero por Ushuaia

Ushuaia, vista aérea

A Terra do Fogo vista do alto. Foto: Márcio Cabral de Moura

Essa excursão estava marcada para o meio-dia. Portanto, deu para dormir até um pouco mais tarde. Um carro de aluguel nos leva até o antigo aeroporto de Ushuaia, dentro de uma base militar. Fomos muito bem recebidos na agência Heliushuaia. Depois vimos um filminho com instruções de segurança em português e em seguida fomos conduzidos para a pista, para entrarmos no helicóptero.

Era um helicóptero pequeno, com capacidade para três passageiros. O passeio durou 15 minutos e foi fantástico. Depois de sobrevoarmos o canal de Beagle e a cidade de Ushuaia (com informações turísticas repassadas pelo piloto), sobrevoamos os Andes e passamos em cima de uma glaciar e uma lagoa lá em cima. Depois passamos por cima da lagoa esmeralda e voltamos pra cidade.

No aeroporto, recebemos um certificado de voo no fim do mundo e depois um carro de aluguel nos deixou no hotel. O custo total foi de US$ 180 por pessoa.

 

Valle Hermoso

Ushuaia, Valle Hermoso

Castores pegos no flagra. Foto: Márcio Cabral de Moura

No mesmo dia do passeio de helicópteros, tivemos outra programação: o avistamento de castores no Valle Hermoso. Já era final de tarde quando chegamos numa casa de madeira, onde fomos recebidos pelos dono e por Kiwi (um cachorro). Entramos na casa e fomos instruídos a deixar nossas coisas e trocar nossos sapatos por botas de borracha. Recebemos uma capa de chuva e saímos da casa seguindo o guia.

Caminhamos por encharcados e turva (a tundra do sul) até a primeira castoreira, onde pudemos observar três castores. Depois do um tempo, continuamos a caminhada até uma segunda castoreira, onde avistamos dois castores. Só que depois de uns cinco minutos, um dos castores nos viu, bateu com a cauda na água e foi se refugiar em sua casa. O outro, que estava comendo, meio que se escondeu, mas não voltou pra casa.

Ushuaia, Valle Hermoso

Parece imagem de desenho animado. Foto: Márcio Cabral de Moura

Em seguida fomos andando até a terceira castoreira, onde tinham feito a maior represa. Havia duas casas, mas não avistamos nenhum castor. Ficamos um tempo, tomando vinho quente com especiarias e falando de política e depois retornamos pra casa-sede. Chegamos no hotel quase meia-noite, tendo que acordar cedo no dia seguinte.

 

Caminhada com pinguins

Ushuaia, pinguins

Foto: Márcio Cabral de Moura

Este passeio sai cedo. Tínhamos que chegar ao porto às 8h30 para partida às 9h. Antes de embarcar, era preciso fazer check-in e pagar a taxa portuária de 20 pesos por pessoa. Nosso passeio era pela Piratour, a única agência que faz a caminhada com os pinguins. Todas as outras fazem a observação de dentro de seus barcos. Isso porque a Piratour é a dona da ilha onde os pinguins fazem seus ninhos.

O barco da Piratour é pequeno (capacidade para umas 40 pessoas), com lugares sentados no “térreo” e um deck aberto (sem teto) de observação.

Primeiro passamos na ilha dos pássaros, depois na ilha dos leões-marinhos e depois na ilha do farol (onde tinha leões-marinhos e pássaros). Em seguida, passamos por Puerto Williams, vilarejo chileno de 2.000 habitantes que fica mais ao sul que Ushuaia e finalmente paramos na Estância Herberton. Lá o grupo foi dividido em dois, de acordo com o cartão de embarque (que era um crachá de embarque). O grupo verde (o nosso) ia para a ilha ver os pinguins enquanto o grupo laranja ia almoçar (no restaurante deles, mas não incluso no passeio). Depois invertia.

Ushuaia, pinguins

Os pinguins de Papua, de pés amarelos. Foto: Márcio Cabral de Moura

Pegamos uma lancha (com cobertura) e fomos para a ilha dos pinguins. Dá pra ir de tênis, pois não chegamos a pisar na água. Na ilha, vários pinguins na praia, onde temos que manter uma distância de pelo menos 2 metros. Depois subimos uma escada para o interior da ilha e tivemos que ficar na região demarcada (onde eventualmente os pinguins entram). Nessa parte, temos que respeitar o pinguim como se ele fosse um ciclista: 1,5 m de distância. São centenas de pinguins (todos da espécie pinguim de Magalhães), além de gansos sul-americanos e alguns outros pássaros.

Saindo dessa região, caminhamos pela praia, onde vimos mais pinguins de Magalhães. Seguindo pela praia, finalmente avistamos os pinguins de Papua, que são maiores e têm pés amarelos.

Ushuaia, pinguins

Mais pinguins de Papua. Foto: Márcio Cabral de Moura

Depois de uns 40 a 50 minutos na ilha, voltamos pra lancha (ela veio até nós, para ser mais preciso) e fomos almoçar. Em seguida, fomos para um museu de fósseis marinhos que fica a uns 300 metros do restaurante. Fizemos uma visita guiada e em seguida fomos pro ônibus (a volta é de ônibus).

 

Museo Maritimo y del Presidio

No nosso último dia em Ushuaia, fomos ao museu que fica na antiga penitenciária da cidade (a entrada custa 250 pesos pra residentes em países do Mercosul).

Na realidade é um complexo de museus. Não há nada muito diferente do que poderíamos encontrar numa página de Internet, mas valeu a visita num dia chuvoso.

Os nativos da região morreram quando passaram a ser obrigados a usar roupas. E até mil oitocentos e pouco não se conhecia o canal de Beagle, que tem esse nome por conta do navio que em sua segunda viagem pra essas bandas teve a bordo Charles Darwin. E os pinguins mais ao norte que existem são encontrados nas Ilhas Galápagos.

*** Como escrevemos lá em cima no post, esta viagem foi feita em fevereiro de 2017. Portanto, os preços relatados no texto estão sujeitos a atualização.