Não é de hoje que o Recife tem talento para surpreender quando o assunto é museu. O Instituto Ricardo Brennand, inaugurado em 2002, tem um acervo de artes plásticas e armas brancas em dois castelos medievais em pleno Nordeste brasileiro. Mas, em abril de 2014, ele ganhou um companheiro à altura: o Cais do Sertão. Com uma grande dose de interatividade e tecnologia, o novo museu mergulha fundo na alma regional e já é uma das principais atrações da capital pernambucana.

Cais do Sertão, Recife

Foto: Leonardo Aquino

 

A importância do Cais do Sertão no turismo do Recife começa na localização. Ele fica num antigo armazém da área portuária da cidade, que passa por um processo de revitalização semelhante ao vivido por Belém. O museu está a uma breve caminhada de locais como o Marco Zero, a Rua do Bom Jesus e o Cais da Alfândega. Portanto, é muito fácil inclui-lo num roteiro a pé pela região do Recife Antigo.

Foto: Leonardo Aquino

 

Inaugurado em abril de 2014, o Cais do Sertão pode ser definido como um museu social, cultural e antropológico. O acervo monta um mosaico sobre a identidade regional nordestina em diversos aspectos: religiosidade, música, costumes e rotina, entre outros. É um portal para um Nordeste que às vezes é desconhecido até mesmo pelos moradores da região, especialmente os de zonas urbanas.

Logo na entrada, somos convidados a assistir à exibição do curta-metragem “Um Dia no Sertão”, mostrando a rotina de moradores de comunidades na zona rural de Serra Talhada (município a 414 quilômetros do Recife), desde o raiar do sol até as festas que vão madrugada adentro. O filme é projetado numa tela gigante e curva, o que permite uma imersão com uma riqueza gigante de imagens e sons.

Cais do Sertão, Recife

A projeção do filme “Um Dia no Sertão”. Foto: Leonardo Aquino

 

Passado o filme, o museu propriamente dito se escancara aos visitantes. O detalhe mais fascinante é revelado para quem olha em direção ao chão. Um riacho corta o piso térreo do Cais do Sertão emulando o rio São Francisco, com água corrente e peixes. Às margens dessa representação do Velho Chico, estão os sete territórios temáticos do museu: Ocupar, Viver, Trabalhar, Cantar, Criar, Crer e Migrar.

A representação do Rio San Francisco. Foto: Leonardo Aquino

 

À primeira vista, se destacam outras réplicas: roupas de cangaceiros, um painel com ferramentas de vaqueiros e uma casinha sertaneja. Nos cômodos representados ali, estão as paredes de barro e os objetos típicos como imagens de santos, máquinas de costura e quadros religiosos.

Detalhe da casa sertaneja. Foto: Leonardo Aquino

 

Um dos locais mais fotografados do Cais do Serão é o Túnel do Capeta. É um caminho cercado de câmeras e telas exibindo as imagens capturadas por essas câmeras, dando um efeito de túnel espelhado. Nas caixas de som, uma voz sussurra as inúmeras formas que o nordestino tem para chamar o diabo, representando a crença do povo sertanejo numa entidade maligna que se opõe a Deus.

Cais do Sertão, Recife

Túnel do Capeta. Foto: Leonardo Aquino

 

A música tem uma importância tremenda no museu. No piso térreo, totens interativos contam a história dos ritmos musicais, com destaque para a vida e obra de Luiz Gonzaga. O Rei do Baião cantou como poucos a quintessência da alma nordestina. A alegria, a religiosidade, as agruras da seca, a malícia, a migração em busca de uma vida melhor. No museu, dá para ouvir as músicas em gravações originais e também ver vários depoimentos e entrevistas do Gonzagão.

Cais do Sertão, Recife

Foto: Leonardo Aquino

 

O andar superior tem ainda mais interatividade. O principal destaque é o Karaokê Sertanejo. Mas não se trata de um espaço para cantar Luan Santana ou Maiara e Maraísa. E sim, cabines privadas para soltar a voz em clássicos do cancioneiro nordestino como “Asa Branca” e “Xote das Meninas”. Também há as cabines do Baião de Todos, em que você pode ouvir as músicas e isolar instrumentos e vocais para ouvi-los em detalhes.

Cais do Sertão, Recife

Karaokê Sertanejo. Foto: Leonardo Aquino

Baião de Todos. Foto: Leonardo Aquino

 

Todo este acervo faz parte da exposição permanente “O Mundo do Sertão”, abrigada no Módulo 1 do museu. O Módulo 2 ainda está em construção e vai abrigar espaços de exposições temporárias, auditório e outros espaços.

Cais do Sertão, Recife

Foto: Leonardo Aquino

 

O Cais do Sertão é um programaço para fazer no Recife, seja qual for a idade do turista. Só tivemos uma dificuldade na nossa visita, em outubro de 2017. Como fomos com nossa filha Olívia (então com dois meses de idade) e estávamos com carrinho, precisávamos de um elevador para subir ao andar superior e não havia nenhum. Apesar disso, o site do museu afirma que o espaço oferece programas e serviços de acessibilidade.

 

Cais do Sertão – Serviço

Horários de funcionamento

De terça a sexta, das 9h às 17h. Sábado e domingo, das 13h às 17h. Última entrada às 16h30. Fechado às segundas-feiras.

Dias em que o museu está fechado

24, 25 e 31 de dezembro, 1º de janeiro, de sexta a terça-feira no Carnaval, dias de eleições.

Ingressos

R$ 10 (inteira), R$ 5 (meia) e entrada gratuita às terças-feiras.

Endereço

Rua Alfredo Lisboa, s/n, Recife-PE.

Telefone

(81) 4042.0484

E-mail

[email protected]

Site

www.caisdosertao.org.br

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@caisdosertao