O nosso primeiro dia em Bruxelas foi contado neste post. Andamos bastante pelo centro, ao redor da Grand Place e já experimentamos algumas cervejas e o famoso moules frites (mexilhão com batatas fritas), típico da cozinha belga. O segundo dia foi muito mais movimentado, com ainda mais andanças e cervejas!

OBS: Os preços relatados neste texto são referentes a fevereiro de 2017. Em relação a ingressos de museus, eles correspondem à tarifa individual para adultos. Para saber sobre outros tipos de tarifas, acesse os sites dos museus listados ao longo do post.

 

Parc de Bruxelles e Palais Royal de Bruxelles

Começamos o segundo dia pegando o metrô até a estação Parc para conhecer o Parc de Bruxelles. Como era inverno, o parque não estava nos seus melhores dias. Árvores sem folhas, paisagem sem cor, trilhas com pouquíssima gente. Serviu apenas para dar o check em um lugar da cidade.

Em frente ao parque, está uma das pérolas arquitetônicas da cidade: o Palais Royal de Bruxelles. Apesar de ser uma construção dos anos 1700, o palácio só ganhou a cara de hoje no século 20, quando foi construída a fachada em estilo neoclássico. Os jardins foram ampliados, assim como a rua em frente ao palácio. Ele não funciona como residência oficial da monarquia belga, e sim como gabinete do rei e local de audiências. Anexo ao palácio, está o museu Belvue (http://belvue.be, 7 euros), cuja coleção conta a história e a essência da Bélgica. Os objetos vão desde uma litografia do artista surrealista René Magritte até uma bola de futebol autografada pelos jogadores da seleção belga.

O Palácio Real de Bruxelas e seu belo jardim

Museus e mais museus

Por falar em museus, a Place Royale (que você alcança se dobrar a primeira esquina à esquerda do Palais Royal), está cheia deles. O Coudenberg (https://coudenberg.brussels, 7 euros o ingresso para adulto) tem temática medieval. Os Museus Reais de Belas Artes (https://www.fine-arts-museum.be/en/museums) compreendem um conjunto de seis museus segmentados: Fin-de-Siècle, Old Masters, Modern, Magritte, Meunier e Wiertz.  Os dois últimos têm entrada gratuita. O ingresso para cada uma das outras salas custa 8 euros, mas é possível comprar um combo com direito aos quatro museus por 13 euros.

Mas tem um museu na região da Place Royale que se destaca desde a fachada: o Museu de Instrumentos Musicais (http://www.mim.be, 8 euros). Ele fica num edifício do final do século 19, que a princípio abrigava uma grande loja chamada Old England. A fachada é em ferro e tem estilo neoclássico. A coleção do museu (que começou a ser reunida em 1877) só foi parar no edifício no ano 2000. São 7 mil instrumentos de várias partes do mundo, de várias épocas e estilos. Um dos andares, por exemplo, é dedicado a coleções mecânicas, elétricas e eletrônicas.

Fachada do Museu de Instrumentos Musicais

Centre Belge de la Bande Dessinée

Saindo de lá pelo Jardim do Mont des Arts (um dos pontos de encontros de Bruxelas), seguimos caminhando na direção norte. Passamos novamente pela estação Bruxelles Central, pela Catedral da cidade e chegamos ao Centre Belge de la Bande Dessinée (https://www.cbbd.be, 10 euros). É um museu dedicado às histórias em quadrinhos produzidas no país. Entre as principais criações dos cartunistas e desenhistas belgas, estão o Tintim e os Smurfs, que merecem alas especiais no museu. Há também uma sala de leitura e uma lojinha muito bem servida.

Centre Belge de la Bande Dessinée

Pegamos um ônibus até a avenida à beira do canal na parte noroeste da cidade para almoçar no Café Walvis. É um bar tradicional de Bruxelas, com pé direito alto e que funciona durante quase o dia inteiro. De dia, dá para tomar algumas cervejas locais ou comer um dos plats du jour por 10 euros. À noite, sempre há música ao vivo, com apresentações de folk, rock e (quase sempre) eletrônica.

Atomium

Depois do almoço, decidimos encarar nosso percurso mais longo na passagem por Bruxelas. Uma combinação de tram + metrô (descendo na estação Heysel) para conhecer o Atomium (http://atomium.be, 12 euros). É um dos cartões postais da cidade, daqueles que viram ímã e chaveirinho. A versão gigante de um cristal elementar de ferro tem 102 metros de altura e nove esferas com 18 metros de diâmetro.

Você já deve ter visto esse gigante por aí

O Atomium foi desenhado para a Feira Mundial de Bruxelas de 1958 e simboliza, supostamente, o desejo de paz entre as nações e a fé no progresso técnico e científico. Três das nove esferas funcionam como espaço para exposições. Mas tem quem nem se interesse pela subida. A todo momento tem gente nas redondezas tentando tirar fotos com aquele efeito de ~perspectiva divertida~ com o Atomium no fundo.

Nos arredores do Atomium

Além do gigante metálico, as redondezas da estação Heysel têm outras atrações de Bruxelas. Uma delas é o ADAM, sigla em inglês para Museu de Arte e Design do Atomium (http://www.adamuseum.be, 10 euros ou 17 euros num combo de ingressos com o Atomium). Também dá para conhecer o parque temático Mini Europe (http://www.minieurope.com, 15,30 euros), que tem versões diminutas de vários pontos turísticos do continente. Da Torre Eiffel à Abadia de Westminster. Quem gosta de futebol também pode visitar o estádio Rei Balduíno (http://www.prosportevent.be/, 6 euros), que tem uma tragédia em sua história. Em 1985, durante a final da Liga dos Campeões da Europa, torcedores do Liverpool e do Juventus entraram em confronto. A briga resultou na morte de 39 pessoas. O estádio foi reformado, rebatizado e passou muito tempo recebendo apenas competições de atletismo.

Brasserie Cantillon

Da região norte da cidade, fizemos o caminho de volta (metrô + tram) para fazer um passeio que me deixava um pouco ansioso. Iríamos visitar uma fábrica artesanal de cerveja. Escolhemos a Cantillon (https://www.cantillon.be, 7 euros) porque era a mais interessante que ficava dentro da cidade. Ela é especializada em cervejas de fermentação natural, do tipo lambic, gueuze e kriek.

A visita é de fato à fábrica, e não a parques temáticos montados pelas grandes cervejarias globais como a Heineken e a Guinness. Você conhece o processo passo a passo, com os funcionários em suas jornadas normais de trabalho. Ao fim da visita, o ingresso dá direito à degustação de dois tipos de cerveja. Se você está acostumado a tomar apenas as nossas “cervejas de supermercado”, nem vai reconhecer a lambic como cerveja. Ela tem uma acidez semelhante à do vinho. Particularmente, não gostei. Mas achei a visita bem interessante.

Assim como o vinho, as cervejas da Cantillon são envelhecidas em barris

Não tem cor, nem cheiro nem gosto de cerveja. Mas é cerveja

Já falei em cerveja?

Para terminar a jornada, guardamos a noite para dar uma volta na região da Bourse, onde estão concentrados muitos bares. Você pode escolher quase que aleatoriamente: dificilmente vai errar. Fomos no queridinho dos turistas, o Delirium Café (http://www.deliriumcafe.be/). Na porta, a quantidade de gente fumando já dava o aviso: o lugar lota sempre. E assim estava. Nossa sorte é que tem um ambiente menos badalado no andar de cima (o Hoppy Loft), onde pudemos sentar numa boa.

O Delirium é o bar oficial de uma das cervejas belgas mais conhecidas mundialmente. Você já deve tê-la visto por aí, com o seu elefantinho rosa no rótulo. Mas o bar não vende apenas as cervejas da marca. São cerca de 2 mil rótulos, entre garrafas e barris. Você vive duas vezes e não consegue experimentar tudo. Se um bar lotado não for problema para você, não deixe de ir. Mas se você preferir algo mais tranquilo, a região da Bourse vai ter outras opções não só de cerveja, como de batatas fritas e waffles ao longo de todo o dia.