Bruxelas é um destino que costuma gerar opiniões bem opostas em seus visitantes. É difícil achar alguém que seja indiferente: a gente sempre ouve falar de gente que amou ou odiou. Tenho amigos que chamam a capital belga de “melhor cidade do mundo” e outros que só faltam protocolar em cartório a promessa de nunca voltar lá. Essas divergências sempre me deixaram curioso para tirar minhas próprias conclusões. E também foram um dos motivos que nos levaram a incluir a capital belga no nosso roteiro de viagem, além do chocolate, da cerveja e de outras razões explicadas neste post.

Na maioria dos blogs que consultei antes de viajar, Bruxelas aparece como um destino de transição. Sempre há sugestões de roteiros curtos vindas de pessoas que visitaram a cidade no meio de períodos mais longos entre Paris e Amsterdam. Um dos motivos para isso é o fato de Bruxelas ser pequena perto de outras capitais europeias. Também há de se convir que há menos atrações “must go” que em suas vizinhas mais requisitadas. Por outro lado, esse perfil é um prato cheio para quem gosta de descobrir a cidade (e seus segredos) por conta própria.

Uma coisa que me chamou a atenção em Bruxelas foi a boemia. Os bares estão sempre movimentados mesmo em noites frias, especialmente na região da Bourse. Como a Bélgica tem mais de mil variedades de cerveja, Bruxelas está sempre convidando seus visitantes a fazer um pub crawl: beber uma aqui e outra acolá é uma das formas de mergulhar no espírito da cidade.

Aliás, falando em cerveja, os belgas têm um costume que gostam de propagar aos forasteiros: primeiro comer, depois beber. É o que eles chamam de “tapisser l’estomac” (“forrar o estômago” em francês) ou “ne fond leggen” (“colocar a base”, em holandês). Entre as opções favoritas dos locais para esses trabalhos prévios, estão os caracóis (karakol), purê de batata com linguiça (stoemp-saucisse) e as espetaculares batatas fritas belgas.

Por sinal, as batatas merecem um parágrafo só para elas. Sério: dificilmente você vai encontrar fritas mais saborosas que as belgas. Depois de comê-las, você vai achar injusta a tradução “french fries” na língua inglesa. O segredo das fritas belgas é a metodologia do preparo. Antes de irem para a fritura, elas são assadas duas vezes em temperaturas diferentes em gordura animal. Na rua, elas são servidas em cones. Nos restaurantes, elas acompanham diversas refeições, entre elas o clássico belga moules frites (mexilhões com fritas).

Eu sei que você deve estar pensando que não combina. Mas vá por mim: experimente

A Janaína e eu passamos dois dias em Bruxelas, o que foi pouco tempo. Compartilho com vocês o nosso roteiro para ajuda-los, caso você também seja um visitante de passagem pela cidade.

OBS: todos os preços indicados neste post foram pesquisados em fevereiro de 2017. Em relação aos museus, eles correspondem ao valor do ingresso individual para adulto. Para preços detalhados, acesse os sites listados ao longo do post.

 

Dia 1

 

 

Depois de desembarcar no aeroporto, pegamos o trem no próprio terminal (como foi ensinado neste post) e descemos na estação Bruxelles Central. Como o próprio nome faz deduzir, ela fica bem perto do centro da cidade. Vimos no mapa que a distância até o apartamento onde nos hospedamos não era grande. Então encaramos uma caminhada de cerca de 20 minutos até lá.

Grand Place

No meio do caminho, fica o epicentro de Bruxelas: a Grand Place. O Lonely Planet diz que é a praça é um dos maiores conjuntos urbanos da Europa. Isso me deixou com muita expectativa, imaginando que eu teria o queixo caído à primeira vista. Talvez por esperar demais, eu tenha ficado com a sensação de que deve haver praças ainda mais bonitas nesse mundão.

De qualquer forma, em algum momento de sua visita a Bruxelas você deve passar pela Grand Place. Seja para usá-la como ponto de encontro ou para ir a alguma das atrações ao redor, que não são poucas! Primeiramente, as belíssimas fachadas dos prédios que circundam a praça. O que chama mais atenção é o da prefeitura (que em francês se chama Hôtel de Ville), datado do século 15. É possível fazer visitas guiadas em francês, holandês e inglês. O ingresso para adultos custa 5 euros e você confere mais informações aqui: http://www.bruxelles.be/artdet.cfm/5871

Interior da Hôtel de Ville de Bruxelas

Museus e comida

Ainda na Grand Place, dá para visitar o Museu da Cidade de Bruxelas (http://www.brusselscitymuseum.brussels, 8 euros), o Museu da Cerveja (http://www.belgianbrewers.be, 5 euros) e o Museu do Chocolate (http://choco-story-brussels.be, 6 euros). Além disso, há alguns bares, restaurantes e lojas de souvenir. Ah, e a praça também está cheia de descuidistas, sempre de olho em bolsos e bolsas abertos.

Depois da caminhada de reconhecimento, nosso almoço foi um pouco tardio. Praticamente um “almojanta”. Na dúvida entre vários locais ao redor da Grand Place, acabamos parando no The Purple Rose. Ele é um bar de tapas/pub que tem festinhas à noite e comida e drinks ao longo do dia. O que nos atraiu foi uma espécie de menu degustação de comida belga. Porções petisco de almôndegas, carbonade (um guisado de carne no molho de cerveja) e moules frites. Esse trio custou 15 euros, fora as cervejinhas belgas que tomamos para acompanhar.

Na Bélgica, faça como os belgas…

Mais tarde, veio a necessidade de tomar outra cervejinha. Estando na Bélgica, é bom fazer como os belgas… Segui uma dica que encontrei em algum blog durante a pesquisa para a viagem e paramos num bar de nome quase impronunciável para nós: Poechenellekelder. O lugar se define como o paraíso da cerveja belga. São 150 rótulos, entre cervejas em garrafa e em barril. É um casarão antigo, com uma decoração cheia de elementos aleatórios: bonecos, armas, placas, poemas pintados e instrumentos musicais. Fomos um pouco mal atendidos, mas vai que você tem mais sorte por lá. O site do bar (http://www.poechenellekelder.be/) tem uma página que permite fazer uma visita virtual a quatro ambientes.

Foto: Divulgação

Manekken Pis

A poucos metros do Poechenellekelder, um dos cartões postais de Bruxelas: o Manekken Pis. Você já deve ter pelo menos ouvido falar da estátua do garotinho fazendo xixi. E talvez alguém tenha dito a você que ela não tem nada de mais. Se você ouviu isso, este alguém está certo. A estátua é pequena e passaria despercebida se não fossem as dezenas de turistas tirando fotos o tempo inteiro. Nem os próprios belgas sabem ao certo explicar a história do mijãozinho. Só se sabe que a imagem original foi criada no século 17, mas foi levada ao museu da Prefeitura de Bruxelas nos anos 1960 depois de ser vandalizada.

Nosso roteiro continua no próximo post: Bruxelas – parte 2!

P.S.: Se você quiser mergulhar fundo em dicas de locais, tem um site que eu recomendo bastante: o Use It. Ele tem guias bem descolados de 30 cidades europeias (e de outras 7 em desenvolvimento). São indicações de passeios fora do lugar comum, sugestões de roteiros e até dicas de como compreender melhor o comportamento dos nativos da cidade. O guia Use It de Bruxelas está disponível neste link: https://www.use-it.travel/cities/detail/brussels/