Um país mundialmente renomado pela qualidade de suas cervejas e seus chocolates parece um bom lugar para se conhecer, não? Além desses saborosos cartões de visita, a Bélgica ainda tem uma localização que ajuda qualquer roteiro. Encravada entre a Holanda, a França e a Alemanha, ligada a Londres pelo famoso trem Eurostar e com dois aeroportos bem servidos de conexões. Assim, passar pela Bélgica nunca é fora de mão numa viagem pela Europa ocidental.

Levando tudo isso em consideração, a Janaína e eu incluímos Bruxelas e Bruges na rota da nossa viagem de fevereiro de 2017. Seria o nosso primeiro destino num roteiro de duas semanas. Planejamos três dias na Bélgica: dois em Bruxelas e um em Bruges, numa viagem bate-volta na véspera de embarcar para Paris. Passamos pouco tempo por lá, mas conseguimos experimentar um bocado de cervejas, comer os moules frites (o prato típico de lá), se encantar com alguns lugares e se decepcionar com outros.

Vou dividir os relatos sobre a Bélgica em três partes. Nesta primeira, vou falar sobre informações práticas de localização, transporte e comunicação. No segundo post, vou dar dicas de Bruxelas. No terceiro, de Bruges. Todos os preços relatados nos posts são referentes ao período da nossa viagem: fevereiro de 2017.

 

Chegando à Bélgica

Aeroporto de Zaventem. Foto: Brussels Airport Media Library

A capital belga tem dois aeroportos. O de Charleroi (também conhecido como Bruxelles-Sud) é menor e atende a apenas sete empresas aéreas (a maioria low cost, como Ryanair e Wizz). Se você vier do Brasil, é bem provável que o desembarque seja no aeroporto de Zaventem (também conhecido como Bruxelles-National). Ele fica a 16 km do centro da cidade e recebe os voos mais distantes e as principais companhias internacionais.

O grande aeroporto de Bruxelas é facilmente acessível por trem. A estação fica no piso -1 do terminal (ou seja, o subsolo). De lá, é possível pegar trens não apenas para a capital, como também para outras cidades belgas e até holandesas. Do aeroporto até a estação Bruxelles Central, obviamente a mais cêntrica da capital, a passagem custa 8,80 euros e a viagem dura 17 minutos. São três trens por hora. O primeiro do dia sai às 4h44 e o último às 23h28.

A cidade é muito bem servida de transporte público. Ônibus, metrô e tram levam para qualquer parte com conforto e pontualidade.  Nos pontos de ônibus e tram, há placas que indicam as linhas que passam por eles e o tempo restante até que o próximo carro chegue.

Foto: STIB

A passagem unitária do transporte (para qualquer um dos modais) custa 2,10 euros. Para turistas, o que há de mais vantajoso são os passes por dias determinados. Eles custam 7,50 euros para 24 horas, 14 euros para 48 horas e 18 euros para 72 horas. Os bilhetes podem ser usados sem limites neste período em ônibus, trams e metrôs. O jeito mais fácil de comprar é em máquinas de autoatendimento que estão em vários pontos da cidade, especialmente estações de metrô. Dá para comprar em dinheiro e no cartão de crédito.

Você confere a lista completa de tarifas da STIB neste link.

Máquinas como esta estão em todas as estações de metrô de Bruxelas. Nelas, você pode comprar todo tipo de passe de transporte

Os bilhetes são iguais a este

Apps que ajudam

Para planejar suas viagens no transporte público em Bruxelas, a tecnologia ajuda bastante. Essas são as principais ferramentas:

Google Maps: quando você está em Bruxelas e solicita uma rota entre dois pontos, o app da Google já manda com as informações do transporte público. Uma mão na roda para quem tem pouca memória disponível para baixar novos aplicativos.

Citymapper: sugerimos esta ferramenta no post com dicas de apps para viajar. Além de toda a informação do transporte público online, o Citymapper permite que se baixe mapas offline e ainda informa sobre estações de bicicletas compartilhadas. Para usar a plataforma web ou acessar os links para baixar o app, acesse o site do Citymapper.

STIB mobile: STIB é a autarquia que administra o transporte público em Bruxelas. O aplicativo dela está disponível para iOS e Android e possui um bom planejador de viagens com informação em tempo real. Para usar na web, o link é http://www.stib-mivb.be/tripplanner/?l=en

Baixe a app da STIB para iOS e para Android.

 

Indo de Bruxelas a Bruges

Foto: Pixabay

Bruxelas tem três estações de trem. A Bruxelles-Midi (Brussel-Zuid, em holandês) é a principal. Dela saem os trens de grande velocidade para Londres e Paris, por exemplo, além de outros destinos fora do país. A Bruxelles-Central (Brussel-Centraal, em holandês) fica bem no centro da cidade e perto do Palácio Real, da Grand Place e da Catedral. A Bruxelles-Nord (ou Brussel-Noord, em holandês) fica numa área menos turística. Nas três você pode pegar o trem para Bruges.

Para ajudar a se situar, é só gravar o nome delas pela posição no mapa. Midi/Zuid = sul. Nord/Noord = norte. Central/Centraal = centro.

Como estávamos hospedados a poucos metros da Grand Place, pegamos o trem para Bruges na estação Central. Apesar da companhia belga de trens (a Belgian Rail) permitir a compra de bilhetes pela internet, decidimos comprar na hora. Assim, não nos amarrávamos a uma hora certa para acordar e à pressa para chegar à estação. As passagens são vendidas em máquinas de autoatendimento, com pagamento em dinheiro ou cartão de crédito. Em fevereiro de 2017, a tarifa cheia custava 14,70 euros.

A viagem é bem curta: em torno de 1h10. São de três a quatro trens saindo por hora em cada sentido. Ou seja, dificilmente você vai passar mais de 20 minutos esperando por um trem na estação. Mas é bom ficar de olho nos horários. De Bruxelas (estação Central) para Bruges, o primeiro trem sai às 5h25 e o último às 23:16. De Bruges para Bruxelas, o primeiro trem sai às 4h08 (tem muita gente que mora no interior e trabalha na capital) e o último, às 23h22.

Comunicação

A Bélgica é um país dividido no que diz respeito a línguas. A região leste (Valônia) fala francês. No oeste (Flandres), o idioma oficial é o holandês. Bruxelas, por ser a capital e por ficar meio que no centro das duas regiões, é uma cidade bilíngue. Tanto que você vai ver avisos em francês e holandês em locais públicos, apesar de o francês ser mais falado.

Em Bruges, a coisa é um pouco diferente: é holandês para todo lado. Francês, só em lugares muito turísticos como museus e restaurantes ao redor do Markt, a praça central da cidade. Se você não fala holandês, é melhor se comunicar em inglês. Existe uma tolerância ao francês quando o interlocutor é um turista. Mas quando o nativo de Bruges percebe que aquela pessoa já não está mais a passeio na cidade, falar francês pode soar mal.

Uma das coisas que mais me marcaram no que diz respeito a línguas foi o dia em que pegamos o trem para Bruges. Na saída, na estação Bruxelles-Central, todos os avisos nos painéis são bilíngues: francês e holandês. A partir da parada em Gent (que já está na região de Flandres), o francês fica para trás. Os avisos são unicamente em holandês. É como se fosse cruzada uma fronteira linguística.

Para ficar conectado o tempo todo, comprei um SIM card da Orange, uma das principais operadoras da Europa. Fiz a compra numa loja da Orange perto da Grand Place. Custou 15 euros com franquia de 1 GB de dados (o que, para mim, foi suficiente para dez dias de uso na Bélgica e na França).