Belém está na moda e não é de hoje. Há pelo menos dez anos, a cidade anda pedindo passagem para o restante do Brasil, puxada pela música e pela gastronomia. Artistas nascidos na capital paraense emplacam temas de novela da Globo, fazem turnês nacionais e são tietados por ídolos mundiais em shows no exterior. Na cozinha, além do fato de a região amazônica ter ingredientes sem igual, Belém ainda tem visto surgir uma geração de jovens chefs. Eles releem as tradições e fazem com que os antigos segredos equatoriais da mesa virem tendências contemporâneas.

Por mais que você tenha visto um show de um músico de Belém por aí ou experimentado alguma comida paraense na sua cidade, eu lhe digo. Nada se compara a mergulhar na cidade. O mais curioso é que andar por Belém é quase mergulhar mesmo, graças à umidade do ar que frequentemente ultrapassa os 90%.

Foi em Belém que nasci em 1983, me formei jornalista em 2003 e de onde saí em 2011 para viver no Recife. Desde então, costumo ir pelo menos uma vez por ano à cidade. Graças a isso e à minha bem informada rede de amigos, estou sempre por dentro do que há de interessante surgindo na cidade. Novidades que nem sempre se tornam tão badaladas quanto Gaby Amarantos ou os irmãos Castanho. Ou segredos de bairro bem guardados pelos moradores. Seja qual for a origem, essas indicações merecem ser conhecidas e compartilhadas.

Pensando nisso, resolvi fazer esta compilação de dicas de Belém que estão fora do circuito tradicional. Quem vai à cidade já tem alguns lugares certos de visitar: Estação das Docas, Ver-o-Peso, Mangal das Garças, entre outros. Mas a riqueza da cidade se mostra justamente quando a gente decide ir além. Esse guia pode servir tanto para visitantes de primeira viagem quanto para belenenses que, por um ou outro motivo, não mergulharam tanto assim na cidade onde moram.

E caso tenha alguma atualização faltando sobre os lugares, gritem! Mandem bronca aí nos comentários!

 

Para aquela farra no meio de semana como se não houvesse trabalho amanhã: LAMBATERIA

Félix Robatto, a mente (ou a barba) por trás da Lambateria. Foto: Divulgação

Félix Robatto, a mente (ou a barba) por trás da Lambateria. Foto: Igor Chá

Félix Robatto é um cara que sabe como fazer as pessoas mexerem os quadris. Guitarrista talentoso, é como se tivesse um pouco de Carlos Santana, outra parte de David Gilmour e outra de Mestre Vieira. Tudo isso com uma barba comprida à la ZZ Top. Ele se tornou conhecido com a banda La Pupuña em 2005, dando uma roupagem mais pop à guitarrada amazônica. Agora está em carreira solo não só na música, mas também na produção de eventos.

Lambateria é a festa que Félix organiza todas as quintas-feiras e sempre tem shows de música paraense para remexer. Os convidados vão de grupos tradicionais de carimbó a expoentes da geração século 21 de Belém, como Lia Sophia e Felipe Cordeiro. Ah, e o próprio Félix também toca em todas as festas, com seu repertório que faz um crossover de referências amazônicas, latinas e de surf music. Vá dançar e se divertir sem culpa, como se o dia seguinte fosse feriado.

Uma quinta-feira qualquer na Lambateria. Foto: Divulgação

Uma quinta-feira qualquer na Lambateria. Foto: Igor Chá

Endereço: bar Fiteiro, na Av. Visconde de Souza Franco, 555. Os ingressos antecipados custam a partir de 15 reais. Na hora, custam 25.

Facebookhttp://www.facebook.com/lambateria

 

Para petiscos criativos com a cara de Belém: QUITANDA BOLONHA 

Foto: Facebook/Quitanda Bolonha

Foto: Facebook/Quitanda Bolonha

Antes de falar da Quitanda, é preciso explicar o local onde ela fica. O Mercado de Carne Francisco Bolonha, em frente ao Ver-o-Peso, é uma joia escondida. A fachada está encoberta por poluição visual e não há nada que remeta ao que tem dentro: um belo exemplar da “era do ferro” da arquitetura na Amazônia. Os pavilhões onde ficam os boxes, uma escada caracol no centro e as coberturas: tudo de ferro. As linhas são inspiradas no art nouveau e certamente há gente nascida em Belém que nunca as conferiu de perto. Eu mesmo só fui conhecer o mercado em 2015.

Pois bem: a Quitanda Bolonha é um gastrobar que ocupa dois boxes do mercado. O cardápio é de petiscos de boteco inventivos, criados com ingredientes regionais. Todos eles são batizados em homenagem a algumas expressões do vocabulário de Belém. Os camarões empanados na tapioca com redução de tucupi e jambu ganharam o nome “Di Rocha!”. A costelinha de leitão da Ilha de Marajó com dip de taperebá e pirão de tapioca se chama “Eu Choro!”.

Para completar, tem chopp da Amazon Beer (cervejaria local) e shows de carimbó, chorinho e música paraense em geral.

Endereço: Boulevard Castilhos França, s/n. Mercado de Carne Francisco Bolonha, em frente ao Ver-o-Peso.

Horário de funcionamento: terça, das 10 às 17h. De quarta a sábado, das 10 às 22h30. Domingo, das 10 às 17h. Fechado segunda.

Facebookhttps://www.facebook.com/quitanda.bolonha/

 

 

Para garimpar LPs importados e ver pocket shows: DISCOSAOLEO 

Foto: Facebook/Discosaoleo

Foto: Facebook/Discosaoleo

Belém também tem loja de discos – e das boas! Leo Bitar é um colecionador de LPs que em 2014 resolveu transformar o hobby em negócio. No porão da casa dele, no bairro da Campina, montou a Discosaoleo, um ambiente aconchegante, confortável e com um acervo incrível.

Foto: Facebook/Discosaoleo

Foto: Facebook/Discosaoleo

Sério mesmo: a loja pode não ter uma quantidade numerosa de discos, mas a qualidade deles é impressionante. Fruto da curadoria do próprio Leo, um cara apaixonado por música como poucos que conheci na vida. A especialidade é MPB e rock internacional. Tem edições raras, importadas, box sets, compactos e muito mais. A Discosaoleo também é um selo que já lançou em vinil artistas paraenses como Molho Negro e Ana Clara, assim como o recente EP “Música e Maresia” da cantora carioca Dulce Quental.

Além de vender discos, a loja eventualmente recebe pocket shows, aquelas apresentações intimistas em que bandas e músicos ficam bem juntinhos do público. A programação muitas vezes está atrelada a um projeto bem interessante chamado Circular (confira o site). É bom ficar de olho na agenda.

Em alguns pocket shows, a Discosaoleo vira inferninho. Foto: Facebook/Discosaoleo

Em alguns pocket shows, a Discosaoleo vira inferninho. Foto: Facebook/Discosaoleo

Endereço: Rua Campos Sales, 628. Telefone: (91) 3083-1758

Horário de funcionamento: de quarta a domingo, das 10 às 17h. Fechado segunda e terça.

Facebookhttps://www.facebook.com/discosaoleo/

 

Para os dependentes de glicose se esbaldarem – BRIGADERIE

Creme de cupuaçu com crumble de castanha do pará. Foto: Instagram/Brigaderie

Creme de cupuaçu com crumble de castanha do pará. Foto: Instagram/Brigaderie

Belém não tem Starbucks – ainda bem. Mas tem docerias como a Brigaderie, que podem te servir um ótimo café com um arsenal de doces incríveis para acompanhar. Grande parte do cardápio tem ingredientes regionais na base. Os churros, por exemplo, são de tapioca. Os macarons, de castanha-do-pará. E os recheios dos bombons, de bacuri, cupuaçu e outras frutas regionais.

Churros de tapioca com doce de leite

Churros de tapioca com doce de leite

A Brigaderie abre para café da manhã aos fins de semana. Aí, além dos doces, entram em campo os pães de produção própria. Tudo isso num ambiente bonito e acolhedor, inclusive para você arejar um pouco do home office ou fazer uma reunião de negócios de um jeito bem engordativo – mas com cada caloria valendo demais a pena. Além da loja, a Brigaderie também faz doces e bolos sob encomendas para eventos.

Endereço: Av. Serzedelo Corrêa, 715. Telefone: (91) 3223.5729

Horário de funcionamento: segunda de 14 às 20h30. Terça a sexta de 12 às 21h30. Sábado e domingo de 8 às 21h30.

Instagramhttps://www.instagram.com/brigaderie

 

Para uma experiência autêntica de pub em plena Amazônia: BLACK DOG ENGLISH PUB 

Foto: Facebook/Black Dog

Foto: Facebook/Black Dog

Pensei muito sobre colocar ou não o Black Dog nesta lista. Não por não merecer, e sim por já não ser mais um ~segredo~ da cidade. Mas dane-se: por mais que seja uma das primeiras indicações de muita gente em Belém, o Cachorro Preto (como o chamamos informalmente) vale muito a visita.

São dezenas de cervejas artesanais, nacionais e importadas, numa carta que sempre está se renovando. As torneiras de chopp sempre têm pelo menos um rótulo “top class high level”, como Guinness, Fuller´s ou Brew Dog. Para não deixar você falir, sempre há opções mais econômicas, como os chopps da Amazon Beer.

As torneiras do Cachorro Preto. Foto: Facebook/Black Dog

As torneiras do Cachorro Preto. Foto: Facebook/Black Dog

A cozinha também tem uma rotatividade interessante no cardápio. Seja pelos pratos e petiscos que se renovam, seja pela eventual presença de chefs convidados que fazem menus especiais para um dia. É ótimo para petiscar e também para conferir shows de rock, jazz e blues que rolam quase todos os dias. O pub fica no porão de um casarão antigo no bairro do Umarizal. Portanto, o pé direito é baixo. Se você tiver perto de 2 metros de altura, ficar em pé pode ser desconfortável.

Endereço: Rua Bernal do Couto, 791. Telefone: (91) 3199.2335

Horário de funcionamento: segunda a sábado, a partir das 18h.

Sitehttp://blackdogpub.com.br/

Facebookhttps://www.facebook.com/blackdogenglishpub/

 

Para ir a um brechó e a um bistrô num lugar só: CASA DO FAUNO

Foto: HC Fotografia

Foto: HC Fotografia

A Casa do Fauno reúne vários motivos para uma visita esperta a qualquer hora do dia. Aberta desde as 9 da manhã, a casa oferece uma carta de cafés para os dependentes da cafeína ou os apreciadores gourmet. Ao meio-dia tem cardápio de almoço, com saladas, risotos e pratos de cozinha de bistrô. À noite, a música toma conta. Às quintas, o palco é da música instrumental. Às sextas, cantores e cantoras ocupam o espaço. E durante todo o horário de funcionamento, há um sebo com um acervo de 3 mil livros e um brechó de roupas e acessórios com uma cuidadosa curadoria.

O imóvel onde fica a Casa do Fauno é uma atração à parte. Um prédio do século 19, com piso de madeira e pé direito alto, totalmente repaginado para o empreendimento. E o local dos shows é tão inusitado quanto instigante: o quintal da casa. A decoração utiliza elementos da própria edificação do imóvel, como madeira de demolição e vitrais.

Foto: HC Fotografia

Foto: HC Fotografia

Endereço: Travessa Aristides Lobo, 1061. Telefones: (91) 9 9808-2322 / 9 8705-0609

Horário de funcionamento: segunda a quarta, das 09h às 19h. Quinta a sábado, das 09h à meia-noite.

Facebookhttps://www.facebook.com/casadofaunobelem/

Sitehttp://casadofauno.com/

 

Para ir com crianças – PRAÇA DO HORTO 

Foto: João Gomes/Agência Belém

Foto: João Gomes/Agência Belém

A Praça do Horto ser um segredo de Belém parece até mentira. Afinal de contas, ela é muito bem localizada, cêntrica e perto de outros lugares bem visitáveis (Praça Batista Campos, Fox Vídeo ou o excêntrico Bar do Horto). Mas talvez o abandono sofrido por muitos anos tenha deixado a praça em segundo plano. Recém-reformada e reinaugurada em janeiro de 2015, o Horto se tornou um destino perfeito para famílias que desejam tirar as crianças de casa.

A praça tem um chalé, brinquedos e quiosques de alimentação. É um bom lugar para um café da manhã num fim de semana ou um lanche da tarde com a meninada. Há atividades regulares com oficinas de educação ambiental para as crianças. Para os adultos, sempre há algum evento como grupos de meditação e até encontro de food trucks.

Foto: Nailana Thiely/Ascom UEPA

Foto: Nailana Thiely/Ascom UEPA

Endereço: Rua dos Mundurucus, s/n, na esquina da Travessa Doutor Moraes.

Horário de funcionamento: todos os dias, das 8 às 18h

 

Para experimentar sopa de caranguejo – RESTAURANTE FLOR DE LIS

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Essa dica é do Vladimir Cunha, documentarista paraense: “É um restaurante muito tradicional no bairro da Marambaia que abriu recentemente uma filial no Reduto, em frente da sede do Quem São Eles (escola de samba). O forte deles é a sopa de caranguejo e o caldo verde”, conta.

Além das sopas, o Flor de Lis também tem pratos bem fartos e bem cotados entre a clientela, como a chapa mista, as patas de caranguejo e a carne de sol. Em algumas noites também há shows de MPB.

Endereço: Rua Esperanto, 4. Bairro da Marambaia. Telefone: (91) 3352-8470

Horário de atendimento: de terça a domingo, das 18h à meia-noite.

Facebookhttps://www.facebook.com/Restaurante-Flor-de-Lis-482903021732553/

 

Para comer peixe: AVUADO

Foto: Facebook/Avuado

Foto: Facebook/Avuado

Peixe em Belém é coisa séria. Só na região amazônica, você vai encontrar o filhote, que eu acho (e muitos amigos que nem paraense são também acham) o peixe mais saboroso do mundo. Uma carne macia e textura leve que, se bem cozida, quase derrete na boca.  Você certamente já deve ter ouvido falar no Remanso, o restaurante de peixe mais famoso de Belém. Mas, se quiser dar uma fugida das indicações de sempre, corra para o Avuado.

A dica deste novo restaurante é de outro amigo, o Marcel Arêde, que é produtor cultural e diretor da Amplicriativa. “O prato principal é o peixe avuado, feito na brasa com banana da terra, macaxeira cozida, arroz, farofa e vinagrete. Você pode escolher entre filhote ou pescada amarela e os peixes sempre são frescos, pescados no dia. O prato custa 75 reais e duas pessoas comem bem. Ainda tem caldeirada, caldeirada no tucupi, moqueca de peixe e camarão e moqueca de pirarucu”, conta.

Foto: Facebook/Avuado

Foto: Facebook/Avuado

E digo uma coisa a vocês: a curadoria do Marcel para dicas de Belém é espetacular. Ele mesmo fez um guia, de tanto que as pessoas pediam sugestões a ele. Colem no cara!

Endereço: Rua Dom Romualdo de Seixas, 823.

Horário de atendimento: das 11h30 às 15h e das 18h30 às 23h

Facebookhttps://www.facebook.com/avuadorestaurante

 

Para conhecer a fotografia de Belém: KAMARA KÓ

Foto: Facebook/Kamara Kó

Foto: Facebook/Kamara Kó

Há pelo menos três décadas, o Pará forma lotes e lotes de fotógrafos talentosos. Miguel Chikaoka, Octávio Cardoso, Walda Marques e Luiz Braga são alguns que lembro de cabeça. Isso sem contar com os das gerações mais recentes, que surgem a todo tempo. Se você é de Belém e não conhecia essa turma ou se você curte fotografia e está de passagem pela cidade, um lugar para ir é a Kamara Kó.

A dica é da amiga Adelaide Oliveira, jornalista e presidente da Fundação Paraense de Radiodifusão, a Funtelpa. “A Kamara Kó é uma galeria de fotografia que reúne obras de vários artistas e fotógrafos da cidade. Fica num casarão antigo no bairro da Campina e sempre tem exposições legais. De quebra, ainda tem a Makiko Akao como curadora e proprietária, uma figura simpaticíssima. No casarão, tem um quintalzinho delícia para tomarmos um chá ou café e ouvir um pouco sobre fotografia paraense”, conta.

Foto: Facebook/Kamara Kó

Foto: Facebook/Kamara Kó

Makiko também é idealizadora do projeto Circular, do qual falamos na dica da Discosaoleo. Vale muito conhecer o projeto, além da galeria.

Endereço: Trav. Frutuoso Guimarães, 611 – Campina.  Telefones: (91) 3261-4809 / (91) 3261-4240

Horário de funcionamento: terça a sábado, das 15 às 19h. Sábado das 10 às 13h. Fechado domingo e segunda.

Facebookhttps://www.facebook.com/kamarakogaleria/?fref=ts

Sitehttp://kamarakogaleria.com.br/