Se você ainda não usou o Airbnb numa viagem de férias, certamente conhece alguém que usou. Pode ser um amigo que abandonou os hotéis e adotou definitivamente o serviço. Ou algum parente que teve uma péssima experiência logo na primeira reserva e preferiu voltar a pagar Bancorbrás. O mais difícil hoje em dia é encontrar uma pessoa que nunca tenha ouvido falar no Airbnb.

O fato é que desde 2008, quando o serviço foi lançado, a procura por uma hospedagem ou por um aluguel de curta duração se transformou. Hoje o Airbnb tem anúncios de 34 mil cidades em 191 países. De lofts em bairros modernos a casas em árvores. De apartamentos em condomínios-resort até aposentos em castelos. Lá você encontra todos esses perfis de acomodações e mais alguns.

Casa em árvore em Atlanta (EUA): tá anunciada no Airbnb. Foto: Divulgação/Airbnb

Casa em árvore em Atlanta (EUA): tá anunciada no Airbnb. Foto: Divulgação/Airbnb

Se você ainda não está ligado nessa febre, é simples entender como o Airbnb funciona. Pessoas comuns, como eu e você, anunciam quartos nos imóveis onde vivem ou os imóveis inteiros. O sistema de reserva é semelhante ao dos hotéis. Você escolhe data de entrada e saída e informa o número de hóspedes. Ao chegar, é preciso seguir as regras estipuladas pelo anfitrião, que podem ser mais estritas que as de um hotel.

A moda demorou um pouco a pegar no Brasil e teve o grande boom durante a Olimpíada Rio 2016. O Airbnb foi parceiro oficial de hospedagem nos Jogos e ajudou a dissipar a demanda por leitos na cidade. Para ajudar a difundir o serviço por aqui, foi instituído até formas de pagamento “à brasileira”: boleto bancário e parcelamento em até três vezes sem juros no cartão de crédito.

Tive minha primeira experiência com o Airbnb em junho de 2015, numa viagem à Europa. E desde então, adotei o serviço como primeira opção de hospedagem, seja em viagens curtas ou mais longas. De lá para cá, fui hóspede em onze cidades de sete países. E a média geral das experiências é excelente.

Pensando nisso, resolvi fazer um miniguia para quem ainda não aderiu ao Airbnb, seja por desconhecimento ou desconfiança. Reuni as principais dúvidas e as possíveis roubadas mais comuns e dou as dicas para evitá-las. Espero que ajude você no planejamento da sua viagem! 😀

 

1. Você não precisa dividir o apartamento com um estranho (mas pode, se quiser)

A gentileza é obrigatória, a convivência é opcional. Foto: Divulgação / Airbnb

A gentileza é obrigatória, a convivência é opcional. Foto: Divulgação / Airbnb

Quando se fala em se hospedar no apartamento de alguém pelo Airbnb, é muito comum ouvir a pergunta: “mas eu vou ficar na casa da pessoa com a pessoa dentro?”.

A resposta é “sim” só se você quiser.

O Airbnb tem a opção de alugar uma casa inteira ou apenas um quarto. Se quiser mais privacidade, vá na primeira opção. Se quiser pagar menos, corra para a segunda. Conviver com o seu anfitrião (ou com outros hóspedes, se a casa tiver mais quartos disponíveis) pode ser bastante construtivo. Você tem contato com gente local, pega dicas da cidade e ainda corre o bom risco de fazer amigos. Caso você prefira não ter essa convivência, sem bronca. Afinal de contas, a relação de prestação de serviço não inclui essa social.

Já vivi experiência de nem encontrar pessoalmente o anfitrião. Há aqueles que preferem deixar a chave na portaria do prédio e pedir para que você faça o mesmo no check-out. Então, ser antissocial não deve ser motivo para rechaçar o Airbnb.

 

2. Atenção não só para a quantidade de estrelas, mas também para a de avaliações

O número de avaliações é uma das primeiras informações que aparecem nos anúncios

O número de avaliações é uma das informações que aparecem nos anúncios

Cada anúncio do Airbnb tem uma avaliação que vai de uma a cinco estrelas. Ela é uma média dos relatos feitos por cada um dos hóspedes que aquele quarto ou casa já teve. A avaliação é obrigatória. Sabendo disso, os anfitriões sempre vão tentar caprichar para merecer suas cinco estrelas. Isso faz com que essa média seja difícil para usar como fator determinante. Dificilmente você encontra um anúncio com menos de quatro estrelas.

Assim, outro fator que você deve levar em consideração é a quantidade de avaliações. Um maior número de avaliações significa que mais gente este anfitrião recebeu. E se ele teve muitos hóspedes e conseguiu manter uma média alta, é um bom sinal, não?

 

3. Para ir sem medo de errar, procure os superhosts

airbnb-superhosts

Os selos dos superhosts em destaque. Na hora de buscar um anúncio, é possível filtrar para ver apenas os anfitriões com esse status

O Airbnb premia os melhores anfitriões com um selo de superhost em seus anúncios. Para atingir esse status, é preciso atender a vários critérios. Os superhosts concluem pelo menos dez viagens por ano em cada anúncio, têm bons índices na rapidez de resposta a mensagens, possuem pelo menos 80% de avaliações cinco estrelas e baixíssimo índice de cancelamento de reservas.

Hospedar-se com um superhost é certeza de ótima experiência. Na viagem de férias que fiz com a Janaína para as Ilhas Canárias em abril de 2016, nos hospedamos com três superhosts. Além de serem pessoas muito agradáveis e simpáticas, são extremamente profissionais na acolhida. Deixam separadas pastas e folhetos com informações, mapas e até presentinhos como artesanato e biscoitos!

 

4. Leia detalhadamente o anúncio e as avaliações recentes

Pelo jeito o Vlad não teve uma experiência muito feliz...

Pelo jeito o Vlad não teve uma experiência muito feliz…

No Airbnb, as letras miúdas podem ser mais traiçoeiras que numa hospedagem tradicional. Como não há um “código universal”, as regras são definidas pelos próprios anfitriões. Um exemplo é o horário do check-in. Se na hotelaria a entrada dos hóspedes tradicionalmente se dá em torno do meio-dia, num apartamento do Airbnb pode ser exigida pela manhã ou no meio da tarde. As variáveis que podem entrar nesse fator de risco são inúmeras: desde a proibição para receber convidados até a exigência de que se tire os sapatos ao entrar na casa.

Também é preciso atenção na leitura porque nem todos os anfitriões são anunciantes profissionais. Para cada host que deixa claras todas as regras e facilidades do apartamento, há outro que escreve um anúncio evasivo. Gostou das fotos? Destrinche o que está escrito para não ter nenhuma surpresa, como um prédio sem elevador.

Para os problemas que os hosts fazem questão de esconder, a principal fonte de informação são as avaliações dos hóspedes. Água fria no chuveiro, vazamento na pia da cozinha ou internet que não funciona são problemas possíveis. Se eles tiverem sido relatados numa avaliação recente, são grandes as chances de eles ainda existirem.

 

5. Estude o mapa da cidade antes de fazer uma reserva

Você pode localizar os anúncios direto no mapa da cidade

Você pode localizar os anúncios direto no mapa da cidade

Há cidades que têm os hotéis quase todos concentrados numa região só. É o caso do Recife, onde é difícil encontrar um local para se hospedar fora de Boa Viagem.  Descentralizar as zonas de hospedagem é um mérito gigantesco do Airbnb, mas ao mesmo tempo pode trazer o risco de roubadas. Afinal de contas, o anfitrião certamente não vai dizer que o lindo apartamento dele fica fora de mão para um turista de primeira viagem.

No Airbnb, vale a mesma lógica do mercado imobiliário de longo prazo. A proximidade do centro, a oferta de transporte público e os bairros da moda e de alto padrão influenciam diretamente no preço das diárias. Um apartamento longe do centro certamente será mais barato, mas pode cobrar a fatura no tempo que você perderá em deslocamentos. Ou ainda na falta de transporte público ou de serviços básicos perto de você.

A dica é: estude a cidade e seu mapa antes de viajar. Procure amigos que já viajaram, colegas que conhecem gente que mora no seu destino, pessoas que possam dar dicas sobre bons bairros fora do circuitão.

 

6. Nem sempre o Airbnb é sinônimo de economia

Assim como o mercado da hotelaria, o Airbnb oferece vários padrões. Há quartos equivalentes aos dormitórios de albergues, há hospedagens no estilo casa de família/bed and breakfast, há apartamentos que se equivalem a quartos de hotéis executivos e há casas comparáveis a bangalôs em resorts de luxo. Ou seja: se você quiser pagar pouco, você tem opção. Se você quiser desembolsar mais por uma dose extra de conforto, também tem possibilidade de escolha.

Porém, é bom deixar claro que nem sempre essa equivalência vai ser total no que diz respeito a preços. Ao fechar o roteiro da sua viagem, o ideal é você ter primeiramente uma ideia do tipo da acomodação que procura. Quer mais privacidade? Mais espaço para uma família grande? Quer conhecer gente nova? Tenha esse perfil escolhido como referencial.

A partir daí, use as ferramentas disponíveis na internet para pesquisar. Veja no Trivago o preço de hotéis no perfil que você imaginou e depois compare com os anúncios equivalentes no Airbnb. Em destinos muito turísticos, os preços não são muito diferentes. Em grandes cidades, a variação costuma ser maior.

 

7. Abuse da comunicação com o anfitrião antes de chegar

Foto: Divulgação / Airbnb

Foto: Divulgação / Airbnb

A boa comunicação conta pontos para os anfitriões no Airbnb. Como falamos no item 3, ser rápido nas respostas é um dos fatores que levam à condição de superhost. Portanto, solucionar as dúvidas dos hóspedes é algo que faz parte do pacote para alguém que anuncia no serviço. Então, é essencial aproveitar esse canal para deixar tudo esclarecido antes de viajar.

Faça um checklist baseado nas suas dúvidas comuns de viagem e releia o anúncio que você reservou. Tem alguma coisa que não ficou clara? Mande uma mensagem para o seu host. Combine TUDO. Informe horário de chegada, pergunte o tempo médio do deslocamento do aeroporto até o apartamento, acerte o horário do check-in, etc. E tire também dúvidas sobre as regras e facilidades. É permitido fumar na varanda? Qual a estação de metrô mais próxima? Há algum estacionamento próximo? O dever do host é deixar tudo claro para o hóspede.

 

8. Pode ser que o anfitrião não aceite a sua reserva

Fique de olho neste raio caso não queira correr o risco de ser rejeitado pelo host

Fique de olho neste raio caso não queira correr o risco de ser rejeitado

Em grande parte dos anúncios, é preciso fazer uma solicitação de hospedagem que o anfitrião pode aceitar ou não. Entre os motivos que o levam a fazer isso, o principal é a falta de referências ou comentários sobre você. Assim como os hóspedes avaliam a hospedagem, o anfitrião avalia o hóspede ao final do período de aluguel. E, da mesma forma como você vai evitar os anúncios com avaliação média ruim ou com poucos comentários, o anfitrião pode fazer o mesmo com você.

No entanto, há hosts que facilitam a vida do viajante. Eles aderiram ao modelo de reserva instantânea. Ou seja, no momento em que você clica para fechar a reserva, ela já está confirmada e o débito já é feito no seu cartão de crédito. Os anúncios que aceitam a reserva instantânea são identificados com o ícone de um raio ao lado do valor da diária.

 

E você? Já usou o Airbnb? Sua experiência foi boa ou ruim? Conta para a gente aí nos comentários! 😀