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Roteiros e viagens de mochila sem sufoco

Bangkok: roteiro de 6 dias pela campeã mundial do turismo

Praias paradisíacas, templos suntuosos, muita história, temperos exóticos e excelente infraestrutura turística. Cada um desses itens já é um pretexto suficiente para você decidir o seu próximo destino de férias….

Praias paradisíacas, templos suntuosos, muita história, temperos exóticos e excelente infraestrutura turística. Cada um desses itens já é um pretexto suficiente para você decidir o seu próximo destino de férias. Mas que tal encontrar tudo isso num lugar só? Se a combinação é atraente para você, considere incluir Bangkok nos seus próximos roteiros.

A Tailândia é o país onde turistas mais gastam dinheiro em toda a Ásia (52 bilhões de dólares), segundo dados de 2016. É também o segundo país asiático em número de visitantes recebidos, com 32 milhões. Isso é cinco vezes mais do que o Brasil. Neste quesito, só fica atrás da China, que, territorialmente, é 18 vezes maior. Além disso, Bangkok é a cidade que mais recebeu turistas em todo o mundo, com mais de 19 milhões de visitantes.

Minha esposa e eu resolvemos fazer parte da estatística em 2014, quando passamos alguns dias em Bangkok, Chiang Mai e Phuket. Ainda conseguimos encaixar um “pulo” em Siem Reap (Camboja), para conhecer o fantástico sítio arqueológico de Angkor Wat.

Ao planejar os dias na Tailândia, buscamos ao máximo fazer os passeios por meio de empresas de turismo bem cotadas na internet. Isso porque tínhamos várias dúvidas. Como se locomover em Bangkok? Como nos comunicar com os tailandeses? Quais seriam lugares seguros e perigosos para andar? O que já posso adiantar a você é que não dá pra imaginar um passeio pelos arredores da cidade sem recorrer a agências que organizam esses tours. Por outro lado, dentro da cidade é muito mais fácil se virar por conta própria.

A viagem para Bangkok é muito longa. Para se ter uma ideia, partindo de Belém, levamos mais de 66 horas para chegar no nosso hotel. O que compensa todo o desgaste é a convicção de que, quanto mais nos afastamos dos nossos lares, mais nos deparamos com pessoas, culturas e lugares instigantes. Por toda essa distância, e para melhor aproveitar essa impressionante cidade, sugiro aqui um roteiro de seis dias, com base nas experiências que tivemos por lá.

 

Onde ficar

Para começar, apesar de não recomendar ficar no hotel no qual nos hospedamos, sugiro sim a região da avenida Sukhumvit. Além da localização central é nessa área que estão os principais shoppings da cidade: Siam Paragon, Central World, Central Embassy e Terminal 21. Eles servem de bons pontos de apoio e referência. Nesta região também há boas opções de restaurantes e vários hotéis, de diversas faixas de preços, como Sheraton, Marriott e Novotel. O metrô de superfície sobre a avenida Sukhumvit facilita muito a locomoção na área. Escolha um hotel próximo de uma de suas paradas.

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Uma dica que gosto de dar para pessoas que viajam para países que não usam nosso alfabeto é estocar alguns cartões contendo o endereço do seu seu hotel, no idioma local. Coloque-os na carteira, na mochila, bolsos, bolsas etc. Eles ajudam bastante na hora de explicar para o motorista do taxi, uber ou tuk-tuk onde fica o seu hotel.

Aquecendo as turbinas

Casa de Jim Thompson

Depois de uma viagem exaustiva acho sempre bom começar os trabalhos com um dia mais tranquilo. Com esse espírito, a primeira parada da viagem foi o museu da Casa de Jim Thompson. O cara foi um empresário americano que desempenhou um papel crucial no ressurgimento da indústria mundial da seda nas décadas de 50 e 60. O tour guiado pela casa (obrigatório) é excelente. Aproveitamos também o gift shop para comprar souvenirs feitos da seda local, com estamparias exclusivas, com a assinatura da marca Jim Thompson.

Jim Thompson's House, Bangkok

Jim Thompson’s House, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

Siam Paragon – O paraíso dos paladares

Saímos da casa/museu por volta das 13h e caminhamos até o ótimo shopping Siam Paragon. Apesar de ser conhecido pela sua exuberante coleção de lojas, a maior preciosidade desse lugar é a sua praça de alimentação. Trata-se um verdadeiro paraíso alimentar, com a vantagem de contar com sombra e ar-condicionado.

Uma vez lá, aproveitamos para passear pelo seu primeiro andar, conferindo os menus dos seus restaurantes antes de escolher onde almoçar. Logo na primeira refeição, aprendemos uma lição importante: a comida tailandesa é apimentada demais. Extremamente mesmo. Por isso, passamos a escolher somente as opções do menu “não apimentado” (ainda bem picantes) em todas as nossas refeições.

Comida tailandesa, Siam Paragon, Bangkok

Comida tailandesa, Siam Paragon, Bangkok. Foto: André Orengel.

Erawan Shrine

Após o almoço, e a sobremesa, saímos do shopping pelas passarelas do segundo andar. Caminhamos no sentido oeste, até encontrar um dos mais populares templos da cidade: o Erawan Shrine, na esquina da Ratchadamri com a Rama 1. Fica bem ao lado do prédio do hotel Hyatt. Está abrigado neste templo uma imagem de Phra Phrom, o representante tailandês do deus hindu da criação Brahma.

Erawan Shrine, Bangkok

Erawan Shrine, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

 

Reza a lenda que o pequeno templo foi construído ali, em 1956, para afastar uma maldição lançada sobre a construção do antigo hotel Erawan. Tudo porque as suas obras foram iniciadas em uma data não auspiciosa. O mau agouro, dizem, provocou uma série de infortúnios, como acidentes, atrasos, perda de carregamentos de materiais de construção, entre outros. Com a conclusão do templo, a influência negativa foi definitivamente afastada,  tornando-o famoso e adorado pelos tailandeses.

Além das centenas de incensos acesos pelos fieis, é interessante ver que eles também contratam dançarinas profissionais. A sua função é executar performances de danças tradicionais para aumentar as chances das preces serem atendidas.

Erawan Shrine, Bangkok

Erawan Shrine, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

 

Infelizmente, em agosto de 2015, o local foi alvo de um atentado terrorista que matou 20 pessoas e feriu outras dez. Poucos dias depois o templo foi restaurado e reaberto para a visitação pública.

 

Lumphini Park

Continuando o passeio andamos pela lateral do Hyatt, na Avenida Ratchadamri, até chegar no animado Lumphini Park. Nessa hora, por volta do pôr do sol, o parque está cheio de gente praticando exercícios e perambulando sem pressa por suas ruas.

Lumphini Park, Bangkok

Lumphini Park, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

 

O jantar foi no Sirocco, na cobertura do State Tower (1055, Silom Road). Você vai reconhecer esse lugar do filme Se Beber Não Case 2. A vista, o serviço e a comida são realmente de primeiríssima qualidade. Reserve com antecedência.

Ko Ratanakosin – o berço da cidade

O Grande Palácio de Bangkok

Iniciamos o segundo dia indo diretamente para a região de Ko Ratanakosin. Aqui fica o complexo do Grande Palácio de Bangkok, que, entre outros, abriga o templo do mítico Buda de Esmeralda. É a atração turística mais procurada da cidade, então é bom chegar logo cedo. Ele fica aberto todos os dias das 08h30 às 15h30, e a entrada custa 500 baht. Assim, não caia no comum golpe dos espertalhões que dizem estar o local fechado para lhe levar para outro lugar e, com isso, ganhar uma gorda comissão.

Grande Palácio, Bangkok

Grande Palácio, Bangkok. Foto: André Orengel.

 

Outra coisa importante para se ter em mente é que, como ali contém um dos lugares mais sagrados de toda a Tailândia, há um estrito código de vestuário a ser seguido. Em síntese, ombros, joelhos e pés devem estar sempre cobertos, em respeito à santidade do espaço. Por isso, nada de bermudas, sandálias ou camisetas sem manga, tanto para homens como para mulheres. Há a possibilidade de comprar calças na porta do complexo bem como pegar calças emprestadas ao lado da entrada. Eu preferi levar a minha mesmo.

Grande Palácio, Bangkok

Grande Palácio, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

 

Não deixe que a superlotação do lugar lhe impeça de conhecê-lo com calma, pois ele é repleto de detalhes e decorações muito bonitos. Vale a pena investir no áudio guia disponível na bilheteria para ter mais informações sobre o que há por lá.

O complexo foi construído no século XVIII às margens do rio Chao Phraya a mando de Rama I. Já serviu de residência para os reis da Tailândia, de lar para uma numerosa corte e de administração central do país, representando mais de 200 anos de história real e experimentação arquitetônica. O enorme lugar conta com mais de 100 prédios, na sua maioria construídos no estilo Bangkok antigo (Ratanankosin).

Grande Palácio, Bangkok

Grande Palácio, Bangkok. Foto: André Orengel.

Wat Phra Kaew

Abrigado em uma capela ricamente decorada e protegida por um par de gigantes míticos, a imagem do Buda de Esmeralda é a principal razão para se ir ao templo de Wat Phra Kaew. A notoriedade dessa estátua de 66 cm, feita provavelmente de jade verde escura (e não esmeralda), cresceu por volta do século XIV, quando a camada de gesso que a protegia foi danificada, exibindo a sua brilhante coloração.

No meio do século XVI, ela acabou sendo levada do Reino de Lana (ao norte da Tailândia) para Luang Prabang (então capital do reino de Lan Xang, hoje, Laos) por Setthathirath. A oportunidade para isso ocorreu quando, depois de ser rei de Lana (por um breve período), assumiu o trono de Lan Xang, levando a imagem com a sua mudança. Ela só foi recuperada dois séculos depois, pelo general tailandês Chao Phraya Chakri, que invadiu a cidade de Vietiane. Após a mudança da capital de Thonburi a Bangkok, foi erguido o magnífico Wat Phra Kaew, para assim proteger e honrar o Buda de Esmeralda.

Buda de Esmeralda, Wat Phra Kaew, Bangkok

Wat Phra Kaew, Bangkok. Foto: André Orengel.

 

Mal dá para ver a estatueta do pé do altar que a exibe, de tão pequena que ela é. A decoração ao seu redor, no entanto, é de deixar qualquer um de queixo caído. Um outro fato curioso sobre esta imagem é que a sua roupa é trocada pelo rei, três vezes ao ano, de acordo com a estação (quente, fria e chuvosa), em uma pomposa cerimônia.

Não deixe de apreciar os murais que adornam na parede interna deste complexo, que representam a versão tailandesa do épico indiano Ramáiana. Inicialmente pintados durante o reinado de Rama I, eles foram belamente restaurados recentemente.

Grande Palácio, Wat Phra Kaew, Bangkok

Murais do Wat Phra Kaew, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

Mercado de Amuletos

Finalizada a visita ao Complexo do Palácio Real, fomos ao Mercado de Amuletos, ao norte, junto ao rio Chao Phraya. Lá, ziguezagueamos os estreitos corredores apreciando as curiosidades vendidas e compramos uma pequena estatueta do Buda, na posição Varada Mudra, de recordação.

Mercado de Amuletos, Bangkok

Mercado de Amuletos, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

 

Saindo do mercado, acompanhamos o curso do rio no sentido sul, passando entre o muro do Palácio Real e a água. Seguimos pela rua Maha Rat e dobrando na viela que leva ao restaurante The Deck. As ruas não são bem sinalizadas, portanto acompanhe o percurso pelo mapa abaixo. A comida é bem gostosa, o preço é camarada e a vista do rio e do templo Wat Arun são maravilhosas.

Wat Pho

Depois do almoço, é hora de visitar o templo de Wat Pho, ali pertinho. É aqui que estão a maior estátua do Buda reclinado, a maior coleção de imagens do Buda e o primeiro centro de educação pública de toda a Tailândia. Tirando o prédio onde se encontra a maior imagem do templo, conseguimos encontrar alguns cantos pacíficos na ampla área do complexo. Foi ótimo, poder apreciar e se conectar com a história e religiosidade do lugar com maior serenidade.

Wat Pho, Bangkok

Wat Pho, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

 

A estátua do Buda reclinado, com 46 metros de comprimento e 15 metros de altura, quase não cabe em seu abrigo. A posição deitada ilustra a elevação de Buda ao nirvana. Observe a ornamentação das solas dos pés da estátua, exibindo as 108 características auspiciosas da personalidade do Buda.

Buda Reclinado, Wat Pho, Bangkok

Buda Reclinado, Wat Pho, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

Sola do Pé do Buda Reclinado, Wat Pho, Tailândia. Foto: Manuela Corral

As imagens do Buda reverenciadas nos quadro santuários dispostos no complexo segundo os pontos cardeais, também são muito bonitas e merecem ser visitadas. Admire, ainda, as 394 estátuas alinhadas nas galerias que conectam esses templos. Vale mencionar que, neste complexo, também fica localizada a matriz do ensino e preservação da medicina tradicional tailandesa, o que inclui a massagem tailandesa.

Wat Pho, Bangkok

Wat Pho, Bangkok. Foto: André Orengel.

Museu de Sião

Terminamos de visitar o Wat Pho por volta das 16h. Isso nos garantiu tempo suficiente para conhecer as galerias do muito bom Museu de Sião (como era chamada a Tailândia até 1939). Ele costuma funcionar até as 18h. A exibição permanente, com recursos bem interativos, enfatiza a história cultural do povo tailandês.

Para comer algo diferente da comida tailandesa, se você é fã da culinária alemã, recomendo o Bei Otto, localizado na Sukhumvit Soi 20. Fomos lá duas vezes e gostamos bastante de tudo que provamos.

 

Ayutthaya

No seguinte dia da viagem resolvemos contratar um tour que nos levasse ao sítio arqueológico de Ayutthaya. Considerado patrimônio cultural da humanidade pela Unesco, o local foi a capital do reino de Sião entre 1350 e 1767. Neste ano a cidade foi amplamente saqueada e destruída pela Birmânia, nação com a qual estavam em guerra desde o início do século XVI. As ruínas e a história do lugar são fascinantes.

Ayuthaya, Tailândia

Ayuthaya, Tailândia. Foto: André Orengel.

 

A excursão também passa pelo Bang Pa-In Royal Palace. É um complexo com um conjunto interessante de construções, às vezes utilizado pela família real tailandesa, especialmente no verão. Outras paradas foram alguns templos importantes da região e uma enorme estátua do Buda reclinado.

Buda Reclinado, Ayuthaya, Tailândia

Ayuthaya, Tailândia. Foto: Manuela Corral.

 

O almoço foi servido em um passeio de barco pelo rio Chao Phraya, no pitoresco caminho de volta para Bangkok. Para o jantar, escolhemos um dos restaurantes do shopping Central World, na avenida Sukhumvit.

 

Tuk-tuk para cá, tuk-tuk para lá

No quarto dia de viagem tratamos de dar um giro pela cidade de tuk-tuk, conhecendo dois de seus templos e finalizando com uma relaxante massagem no Mandarim Oriental.

Wat Arun

Começamos pelo Wat Arun. Após o declínio de Ayutthaya, o rei Thaksin transferiu a capital do reino de Sião para a cidade de Thonburi, na margem esquerda do rio Chao Phraya. Foi nessa época que se assumiu o controle do templo existente nesse local (Wat Jaeng) e se estabeleceu lá o palácio real e um santuário para abrigar o Buda de Esmeralda. Nesta ocasião, o templo foi renomeado para Wat Arun, em homenagem à deusa indiana da alvorada (Aruna).

Wat Arun, Bangkok

Wat Arun, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

 

Foi só depois da transferência da capital do reino de Sião para Bangkok que foi construída a torre central do templo de Wat Arun, no estilo khmer, com 82 metros de altura. O interessante é perceber que a ornamentação do templo é feita com porcelana chinesa quebrada, despejada nos portos da cidade. Ela servia de lastro aos navios que vinham da China para levar arroz produzido no interior do reino de Sião.

Chao Phraya, Wat Arun, Bangkok

Vista do Wat Arun, Bangkok. Foto: André Orengel.

Wat Suthat

Depois de explorar o primeiro templo do dia, subimos em um tuk-tuk e seguimos ao Old Town Cafe (130/11-12 Fueang Nakhon Road). É uma ótima opção para um rápido almoço e para se refrescar com um café gelado. De lá, andamos alguns quarteirões até o Wat Suthat. Na frente da entrada do templo, em uma pracinha, tem uma enorme e curiosa trave vermelha. Ela é chamada de Sao Ching-Cha (Balanço Gigante) e era usada em um festival brama em homenagem à deusa Shiva. Os participantes tinham que se embalar nela, na tentativa de pegar um saco de ouro colocado no alto de uma vara de bambu. A brincadeira era extremamente perigosa, levando várias pessoas à morte. Por isso, foi proibida durante o reinado de Rama VII.

O Wat Sutthat é a matriz dos sacerdotes bramas no país e um dos templos mais tranquilos que visitamos por lá. É nesse lugar também que estão enterradas as cinzas do rei Rama VIII. Aprecie a linda decoração deste templo, principalmente o enorme Buda de bronze originário de Sukhothai (o primeiro reino tailandês – sécs. XIII-XV), os murais que contam a história das vidas pregressas do Buda (dos mais bonitos do país).

Buda, Wat Suthat, Bangkok

Wat Suthat, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

Um fim de tarde revitalizante

Finalizada a visita, pegamos mais um tuk-tuk, agora com destino ao Mandarim Oriental. É um perfeito exemplar desta que é uma das cadeias de hotéis mais luxuosas do mundo. Desde o saguão você já começa a relaxar. Isso por conta da perfeita combinação de música ambiente, ar condicionado, linda decoração e chá. Para chegar a sua famosa casa de massagem, cruzamos o rio em uma embarcação do próprio hotel, que mais parece nos transportar para uma outra dimensão. Para não ter erro, fizemos a reserva pelo site e deixamos os tipos de sala e massagem disponíveis já selecionados. Chegando lá foi só relaxar, aproveitar e sair pessoas renovadas.

Para jantar com uma vista estonteante da cidade, recomendo o Vertigo (21/100 South Sathon Road Sathon | Banyan Tree). A apresentação e o sabor da comida servida são de tirar o chapéu. Para compensar, o preço é bem salgado.

Moon Bar, Vertigo, Bangkok

Vertigo, Bangkok. Foto: André Orengel.

Damnoen Saduk e o Museu Nacional

Um mercado flutuante

No quinto dia de viagem também decidimos sair da cidade. Dessa vez fizemos um tour de meio dia para o mercado flutuante de Damnoen Saduk. A experiência foi bem interessante e recomendamos para todos. Ainda compramos duas máscaras de madeira para guardar o nosso lar contra maus espíritos.

Mercado Flutuante de Damnoen Saduak, Tailândia

Mercado Flutuante de Damnoen Saduak, Tailândia. Foto: André Orengel.

 

O lado negativo do passeio foi a visita a um lugar onde se poderia montar em elefantes. Nos sentimos muito mal pelos animais, que carregam estruturas pesadas de ferro nas suas costas para levar o condutor e mais turistas ao redor de um circuito no interior da propriedade. A crueldade é evidente. Se lhe levarem a um lugar como esses, sugiro ficar dentro do veículo e protestar com o agente de viagens.

Na Tailândia existem alguns santuários para elefantes encontrados em situações desfavoráveis, como em fazendas e circos. Lá os bichos são recuperados e parecem melhor tratados. Além disso, a forma estabelecida para os turistas interagirem com os animais não parece maltratá-los. Fomos em um desses próximo à cidade de Chiang Mai, no norte do país, e gostamos muito do lugar. O nome de lá é Baan Chang Elephant Park.

O Museu Nacional de Bangkok

Depois do passeio pedimos para nos deixarem no Museu Nacional, que é considerado o maior museu do seu tipo no sudeste asiático. Almoçamos no restaurante do próprio museu. A comida é incrivelmente barata, mas não é tão saborosa. A vasta coleção de esculturas religiosas do museu é impressionante. Comece pela sua ala histórica, onde estão expostos, entre outros artefatos de inestimável valor, o mais antigo registro escrito em idioma tailandês e o trono do rei Taksin. A capela Buddhaisawan guarda uma das imagens do Buda mais reverenciadas da Tailândia, a Phra Phut Sihing.

Museu Nacional, Bangkok

Museu Nacional, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

Mais templos e tuk-tuks

Guardamos mais dois templos para o último dia em Bangkok: o Wat Traimit e o Wat Benchamabophit. Visitamos os dois num tour guiado. Mas, como disse lá em cima, achamos o tour absolutamente desnecessário. Preferia ter ido de táxi, Uber ou tuk-tuk, para economizar alguns dólares, fazer as coisas no nosso tempo e evitar as lojinhas comissionadas.

Wat Traimit

O Wat Traimit fica localizado no bairro chinês da cidade, ao final da rua Yaowarat. Este é o templo onde se venera a impressionante estátua de 3 metros de altura e 5,5 toneladas de puro ouro. Isso mesmo, puro ouro! Ela foi descoberta há uns 40 anos quando caiu de um guindaste e rompeu a sua proteção de gesso. “Ah, é por isso que essa imagem é incrivelmente pesada!”, deve ser o que todos pensaram.

Em estilo Sukhothai, a reluzente estátua data, provavelmente, do século XV. O santuário que abriga a famosa imagem do Buda de Ouro está no topo de uma nova estrutura de quatro andares. Os andares inferiores exibem a história da estátua dourada e da herança chinesa em Bangkok.

Buda de Ouro, Wat Traimit, Bangkok

Buda de Ouro, Wat Traimit, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

Wat Benchamabophit

O Wat Benchamabophit fica no interior de um belo parque. É um primoroso exemplo da arquitetura moderna dos templos budistas tailandeses. Ele foi construído no final do século XIX, no reinado do Rama V (suas cinzas estão enterradas no templo). A característica mais marcante deste santuário é o uso de mármore de Carrara branco em quase todo o seu revestimento. Isso lhe rendeu a alcunha de templo de mármore. No pátio atrás do prédio principal são exibidas 53 imagens do Buda, expondo os diferentes estilos utilizados para representá-lo na Tailândia e em outros países budistas.

Wat Benchamabophit, Bangkok

Wat Benchamabophit, Bangkok. Foto: Manuela Corral.

Já ouviu falar em pet café?

A parte da tarde foi separada para conhecer o Parque de Dusit. Só que, na época em estivemos lá, o parque estava fechado por conta de uma série de protestos. Optamos então por passar a tarde nos shoppings da Sukhumvit.

Você já foi em algum café, onde, além de degustar das bebidas e comidas, você pode interagir com animais de estimação? Não estou falando do cachorro ou gato vira-latas que frequentam o bar da esquina. Mas de uma porção de bichinhos domésticos sedentos por carinho dos visitantes do café. Eu certamente gostaria de ir em um desses. A Monica Vieira, minha queridíssima cunhada, é praticamente uma especialista no assunto. Já foi em quatro desses só em Bangkok e recomenda todos! São o Little Zoo Café, o Dog in Town, o True Love @ Neverland e o Rabbito Café.

Para nos despedirmos da cidade, jantamos novamente no The Deck, e assim pudemos apreciar a sua vista do Wat Arun mais uma vez.

Wat Arun Bangkok

Vista do Wat Arun, a partir do The Deck, Bangkok. Foto: André Orengel.

 

3 comentários em Bangkok: roteiro de 6 dias pela campeã mundial do turismo

O que fazer em Pipa: praias, gastronomia e muito mais

Você já leu aqui no Mochileza como planejar a sua viagem a Pipa. Como chegar, quando ir e outras informações fundamentais antes de embarcar. Agora é hora de conhecer a…

Você já leu aqui no Mochileza como planejar a sua viagem a Pipa. Como chegar, quando ir e outras informações fundamentais antes de embarcar. Agora é hora de conhecer a região e saber quais as principais praias e atrações.

Quando chegar ao Rio Grande do Norte, tem uma coisa curiosa que você vai descobrir: não existe uma Praia de Pipa propriamente dita. O nome internacionalmente conhecido é o do vilarejo pertencente ao município de Tibau do Sul, a 85 quilômetros de Natal.

Este trecho do litoral potiguar tem cerca de 20 quilômetros de atrações. Além das praias, Pipa tem trilhas, falésias e santuários ecológicos. É muita coisa para ver e fazer! Dá para ir várias vezes sem enjoar. Confira os principais atrativos e programe os detalhes da sua viagem!

Praia do Centro

É a praia de mais fácil acesso em Pipa. Como o nome denuncia, ela fica no centro do vilarejo, bem junto da rua principal (a avenida Baía dos Golfinhos). Dá para chegar de carro também, já que há estacionamentos próximos.

Na Praia do Centro, o mar não tem ondas e a água forma piscinas naturais na maré baixa. Há muitos restaurantes à beira-mar, com mesas e cadeiras na areia. Por isso e pela facilidade do acesso, a praia costuma ficar lotada em feriados prolongados.

 

Praia do Amor

Foto: Leonardo Aquino

 

Se você gosta de um pouco mais de privacidade, a Praia do Amor é onde Pipa começa a falar a sua língua. O acesso é mais complicado. É preciso descer pelas escadarias em alguns trechos das falésias. Outra opção é uma caminhada de cerca de 10 minutos a partir da Praia do Centro. Por isso, não é muito indicada para pessoas com dificuldade de locomoção ou que viajam com crianças de colo.

O mar é um pouco mais agitado e forma ondas que fazem da Praia do Amor um bom point para os surfistas. Há algumas barracas que servem petiscos e bebidas. Mas a areia não está tão tomada pelos barraqueiros quanto na Praia do Centro.

 

Baía dos Golfinhos

É onde Pipa encontra Cancún, guardadas as devidas proporções. Não é que seja possível tirar fotos dando um beijo nos golfinhos como no balneário mexicano, mas eles nadam bem perto da orla. Como a água é calminha, é um ótimo lugar para um banho de mar.

O acesso é a pé, a partir da Praia do Centro. A caminhada é de cerca de 15 minutos. Mas atenção: fique de olho na tabela das marés. Só dá para chegar à Baía dos Golfinhos quando a maré estiver seca ou secando.

 

Praia do Madeiro

Foto: Leonardo Aquino

 

É uma das praias mais badaladas da região, ainda que o acesso não seja tão fácil. Fica a 4 quilômetros do centro de Pipa e ainda tem uma recepção nada convidativa. É preciso descer uma escadaria de 170 degraus a partir do Bar do Jegue. Ou seja: bem complicada para quem tem dificuldades de locomoção ou é portador de deficiência.

Praia de Pipa, Praia do Madeiro

Acesso à Praia do Madeiro, em Pipa. Vai encarar? Foto: Leonardo Aquino

 

A infraestrutura é uma das melhores de Pipa, com várias barracas e restaurantes. Há até um hotel com um acesso particular à praia (o Village Natureza). O mar é calmo, mas tem ondas num tamanho suficiente para surfar. Há inclusive instrutores que dão aulas de surfe na Praia do Madeiro para quem quiser ser Gabriel Medina por um dia.

 

Praia da Cacimbinha

Mirante da Cacimbinha. Foto: Leonardo Aquino

 

É o ponto onde você vai tirar uma das fotos mais bonitas da sua viagem à Praia da Pipa. Na estrada, à beira da falésia, o Mirante da Cacimbinha tem uma vista apaixonante. Do outro lado da estrada, há dunas de pequeno porte. Chegar até a praia propriamente dita é que são elas. É preciso descer pela falésia. O hotel Pipa Privilege tem uma escadaria que também dá acesso.

A Praia da Cacimbinha não é muito amigável para o banho de mar. Mas para quem pratica esportes de aventura, é altamente convidativa. Por causa dos ventos e das ondas, é muito procurada por adeptos do kitesurf. No topo da falésia, perto da estrada, também é possível fazer voos de parapente.

 

Tibau do Sul (Praia do Giz e Lagoa Guaraíras)

Barracas na Praia do Giz. Foto: Leonardo Aquino

 

O município-sede de Pipa também tem seus atrativos, seja de água doce ou de água salgada. Na Lagoa Guaraíras, são feitos passeios de barco em que os golfinhos são vistos de perto e onde se contempla o pôr-do-sol mais bonito da região (pelo menos é o que se costuma dizer). Também é de lá que sai uma balsa até Natal. O ponto de embarque e desembarque do outro lado é a praia de Barra do Tabatinga, em Nísia Floresta.

Praia do Giz. Foto: Leonardo Aquino

 

A água da lagoa encontra com a do mar na Praia do Giz. É uma ótima praia para ir com crianças, já que vários laguinhos são formados quando a maré seca. Além disso, de todas as praias da região, é a que tem a melhor acessibilidade. A partir do momento em que você desce do carro ou da van, é tudo plano. O local também é bem servido de barracas de praia e restaurantes.

 

Outras praias

A região também tem a Praia das Minas (deserta e de acesso difícil), a de Sibaúma (acesso fácil e preços mais em conta), Barra do Cunhaú e Baía Formosa.

 

Gastronomia

A avenida Baía dos Golfinhos e suas transversais concentram muitos restaurantes. É um ótimo passeio noturno em Pipa. Foto: Leonardo Aquino

 

Pipa concentra em suas ruas estreitas e ladeiras íngremes uma variedade gastronômica que deixaria muitas cidades com inveja. Num raio de menos de um quilômetro, estão concentrados restaurantes de culinária italiana, espanhola, japonesa, argentina, tailandesa e muito mais. Isso sem contar, claro, na comida de praia: peixe e frutos do mar. Juro a você: em Pipa, gosto mais da gastronomia do que das praias. Pode me julgar!

Em geral os preços são de médios para caros. Você vai encontrar os maiores ágios em restaurantes com um perfil mais genérico ou praiano. Na nossa última viagem a Pipa, em março de 2018, chegamos a ver um que cobrava mais de 100 reais por um strogonoff para duas pessoas. Um absurdo!

O curioso é que alguns dos restaurantes mais sofisticados cobram preços mais justos. Não que sejam pratos exatamente baratos. Mas são estabelecimentos que passam tranquilamente no teste da pergunta: essa refeição custaria o mesmo preço numa cidade não-turística?

Sendo assim, aqui vão as nossas principais dicas de onde comer em Pipa.

Dall’Italiano

Foto: Leonardo Aquino

 

Uma cantina italiana puro sangue em pleno litoral do Nordeste brasileiro. Os ingredientes são rigorosamente escolhidos e vindos diretamente da Itália. As pizzas (são cerca de 70 sabores) são no padrão original, tanto no tamanho quanto na espessura da massa. E a variedade das massas também é bem ampla, com a presença de algumas massas difíceis de encontrar por aí, como o bigoli negro.

O Dall’Italiano fica na rua principal de Pipa, a avenida Baía dos Golfinhos. Quase sempre está lotado. Portanto, não vai ser surpreendente se você precisar encarar uma fila de espera. Abre apenas para o jantar.

 

Aprecíe

Foto: Leonardo Aquino

 

Cozinha contemporânea e cardápio de bistrô. É a forma mais resumida de definir o Aprecíe. Ele tem referências de nouvelle cuisine e das gastronomias oriental e mediterrânea. O restaurante é um dos mais jovens de Pipa. Foi criado em 2015 pelo chef potiguar Ricardo Rudney, que já tinha experiência de montar o cardápio de outros restaurantes e pousadas em Pipa.

Os preços são justos para um restaurante dessa categoria. A maioria dos pratos principais fica entre 40 e 50 reais (valores de março de 2018). O espaço é pequeno, com capacidade para cerca de 30 pessoas. Em dias mais concorridos, é melhor chegar cedo ou reservar.

 

Nativos Bar

Foto: Leonardo Aquino

 

Um lugar classudo e sofisticado especializado em drinks. Não só os clássicos como caipirinhas, mojitos e daiquiris. Mas também coquetéis autorais e outros com combinações tão improváveis quanto deliciosas. Foi lá que aprendi que dá pra fazer caipirosca de melancia ou de banana – e o resultado é incrível! O ambiente também é muito bonito e agradável. Há algumas mesas que têm almofadas no lugar das cadeiras, para quem quiser se esparramar confortavelmente.

Foto: Leonardo Aquino

 

Mas é preciso dar alguns alertas. O Nativos não aceita cartões, nem de crédito nem de débito. E o bar também não tem cozinha. No cardápio, há alguns petiscos estilo finger food. Ou seja, é melhor ir até lá no aquecimento da sua noite ou no “after”. O Nativos não tem site nem página no Facebook. Fica na avenida Baía dos Golfinhos, 748.

 

Real de 14

Depois que for à Praia da Pipa pela primeira vez, vai perceber que uma caminhada na vila não é a mesma sem um sorvete da Real de 14. A sorveteria foi criada por argentinos e hoje é administrada por portugueses. A mudança na gestão não mexeu na qualidade dos sorvetes: cremosos, deliciosos e de sabores muito variados.

São mais de 50 opções, das tradicionais às criações próprias. As frutas regionais têm lugar cativo nos freezers. Há também sorvetes inspirados em bebidas alcoólicas (whisky e caipirinha), misturas tropicais (coco com gengibre, por exemplo) e os funcionais (feitos com biomassa de banana). Todos produzidos ali mesmo, em Pipa. A Real de 14 também tem uma loja em Natal, em Ponta Negra.

 

Terra Nostra / Padaria Central

Gastronomia, Praia da Pipa

Carpaccio de polvo no Terra Nostra, um dos bons restaurantes de Pipa. Foto: Leonardo Aquino

 

Os italianos estão em peso em Pipa e o Terra Nostra é outra boa opção. Não apenas pelas massas e pizzas, mas também pelos pães e doces da Padaria Central, que funciona no mesmo ponto. No restaurante, um prato que sempre comemos é o carpaccio de polvo. Na padaria, as especialidades são os croissants e strudels.

Outros lugares bem recomendados

É preciso ir à Praia da Pipa dezenas de vezes para experimentar tudo o que a gastronomia de lá tem a oferecer. Portanto, sempre tem algum lugar que falta conhecer. No nosso caso, a principal ausência da lista é o Tapas. Um dos restaurantes mais famosos da vila, o Tapas estava fechado nos últimos dias em que tentamos ir lá. Sua cozinha de inspiração espanhola e contemporânea é sempre muito elogiada. Outros lugares que estão na nossa mira para as próximas viagens são as churrascarias Tchê André e El Farolito e o tailandês Wattana.

Passeios

A variedade é gigantesca! Buggys, quadriciclos, kitesurf, parapente, circuito de arvorismo, catamarãs, mergulhos… A agência Pipa Aventura, que fica na avenida Baía dos Golfinhos, organiza muitos desses passeios e é a empresa mais bem recomendada. Outras indicações podem ser encontradas no Guia Pipa, que é distribuído em todos os hotéis e tem sua versão online no site www.pipa.tur.br.

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São Petersburgo: muito além da Copa do Mundo de 2018

São Petersburgo, a cidade responsável por exportar o estrogonofe para o mundo, foi também a capital do Império Russo de 1732 a 1918. Em 2018, será a segunda cidade a…

São Petersburgo, a cidade responsável por exportar o estrogonofe para o mundo, foi também a capital do Império Russo de 1732 a 1918. Em 2018, será a segunda cidade a receber mais partidas da Copa do Mundo. São sete jogos no total, desde a primeira fase até a decisão do terceiro lugar. Por lá, seleções como o Brasil e a Argentina já têm passagem garantida.

Pode até não ser o centro administrativo e financeiro da Rússia. Mas quando o assunto é arte, nenhuma cidade russa brilha mais do que São Petersburgo. O local fica especialmente animado durante o Festival Noites Brancas. O evento foi criado em 1993 para celebrar a época do ano em que o sol mal se põe. De lá para cá, cresceu demais. Passou de duas para oito semanas de duração. E o número de visitantes ultrapassou um milhão na edição mais recente.

 

Neste outro post concentrado em Moscou, falei sobre a época do ano em que estive na Rússia. Compartilhei algumas impressões gerais sobre o país, as dificuldades de comunicação que enfrentei e, entre outras coisas, prometi uma sugestão de itinerário para três dias em São Petersburgo. Como promessa é dívida, então vamos lá.

 

Primeiro Dia – Palácios ao Sul

Por causa dos horários de funcionamento dos lugares que queríamos conhecer, escolhemos, em nosso primeiro dia, sair da cidade e visitar dois palácios que ficam ao sul. Eles ficam a pouco mais de 30km de São Petersburgo e distam 6km entre si: o Pavlovsk e o Palácio da Catarina I (em Tsarskoe Selo).

Fica aqui uma dica para os marinheiros de primeira viagem. Sempre verifique o endereço e o horário de funcionamento de todas as atrações que quer visitar, com antecedência e de preferência no site oficial do lugar. Isto para evitar dar de cara com uma porta fechada porque a atração mudou de endereço ou não funciona naquele dia/horário.

Pavlovsk

Há alguma discussão na internet sobre qual dos dois palácios visitar primeiro. Nós decidimos começar pelo mais distante. Para chegar lá, pegamos o trem que parte da estação Vitebsky (витебск). Depois de uns 35 minutos, descemos na parada que leva o mesmo nome do palácio (Павловск). Ao sair da estação, acompanhamos o fluxo dos turistas e entramos em um amplo parque em estilo inglês. Fomos seguindo a sinalização até chegar ao Pavlovsk. Incrivelmente, não havia qualquer informação em outro idioma que não fosse o russo. A solução foi colar em uma família que tinha contratado uma guia que falava em inglês. A convite da família, é claro.

Pavlovsk. São Petersburgo.

Pavlovsk, localizado há aproximados 30km ao sul de São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

Em estilo neoclássico, o palácio foi construído a mando de Catarina II entre 1781 e 1786, para o seu filho Paulo (Pavel em russo, por isso o nome: Pavlovsk) e sua segunda esposa Maria Fyodorovna. A tarefa foi inicialmente confiada ao arquiteto escocês Charles Cameron, que caiu nas graças da imperatriz pelo trabalho realizado em Tsarskoe Selo. O projeto modesto e a tendência à simplicidade, no entanto, não agradaram a Paulo e sua mulher. Por isso, deram a Vicenzo Brenna (assistente de Cameron) a missão de dar um ar de imponência e realeza ao prédio. O serviço de Brenna foi muito apreciado pelo futuro imperador e sua esposa. Tanto que o arquiteto voltou a trabalhar para o casal na remodelação do palácio em Gatchina e no Castelo Mikhailovsky, em São Petersburgo.

O design de interior ficou a cargo da própria Maria Fyodorovna, que encheu o Pavlovsk com obras de arte locais e importadas dos quatro cantos da Europa. A coleção de mobiliário em exposição no palácio é impressionante e, por si só, justifica a visita.

O palácio que visitamos é uma réplica do original. Este, após servir de residência real por mais de cem anos (1786-1917), foi reduzido a cinzas duas semanas após o fim da 2ª Guerra Mundial. Foi o resultado do vacilo de um soldado soviético que jogou um cigarro em uma mina alemã (quanta ironia!).

 

Palácio de Catarina I

Em seguida, pegamos o ônibus da linha 370, perto da entrada do Pavlovsk pela Rua Sadovaya Ulitsa, e descemos próximo ao Palácio de Catarina I. Esse palácio fica na cidade de Tsarskoe Selo (também conhecida por Pushkin), localizada uma parada antes da que descemos para ir ao Pavlovsk. Anotei também que poderíamos pegar os ônibus das linhas K286 e K513, dependendo da hora que terminássemos o passeio no primeiro palácio.

Ao chegar nessa grandiosa residência dos Czares russos, ficamos maravilhados com a sua grandiosidade, superando o Pavlovsk neste quesito. Mais de 100kg de ouro foram utilizados só para enfeitar a fachada. Outra coisa que nos chamou a atenção foi a imensa fila para comprar os ingressos. Ficamos umas três horas nela, e quase nem entramos, pois a bilheteria só estava aberta até as 17h. A fila era muito desorganizada, sendo constantemente furada por grupos de russos. Imagina na Copa!

 

Catherine's Palace. Tsarkoe Selo. São Petersburgo.

Fila em frente ao Palácio Cataria I, em Tsarskoe Selo. Foto: André Orengel.

 

Porém, tudo vale a pena quando se entra no museu.

O palácio foi construído inicialmente como uma casa de veraneio pela esposa do imperador Pedro o Grande, a Catarina I. Posteriormente, foi remodelado pela filha do, Elizabeth, com a ajuda do arquiteto Bartolomeo Rastrelli (que também assina o projeto do Palácio de Inverno, onde se encontra a principal coleção do museu Hermitage).

Infelizmente, um dos estragos impostos pelas tropas alemãs durante a Segunda Guerra Mundial foi o completo saqueamento do Museu. O que vemos hoje é uma belíssima reconstrução do original. Todas as salas são estonteantes, destacando-se a sala de âmbar (réplica), toda adornada com painéis sólidos desta preciosidade. Ao todo, eles pesam cerca de 450kg. A decoração original desta sala foi um presente de Frederico Guilherme I da Prússia, que a removeu de sua própria residência, o Palácio Charlottenburg em Berlim, para dar a Pedro o Grande.

Catherine's Palace. Tsarskoe Selo. São Petersburgo.

Palácio Catarina I, em Tsarskoe Selo. Foto: André Orengel.

Retornando para São Petersburgo

Para voltar, regressamos à parada em que descemos anteriormente e pegamos o mesmo ônibus de nº 370, que nos levou à estação de Tsarskoye Selo. De lá, pegamos o trem para São Petersburgo.

Pedro, Paulo, Maria, Elizabete, Catarina I e II; são muitos nomes e personagens em uma longa e instigante história de guerras, traições, ambições, poder e absurda riqueza. Para aprender mais sobre a vida dos Czares da Dinastia Romanov antes de pisar em solo russo, recomendo o excelente documentário da BBC Empire of the Tsars: Romanov Russia with Lucy Worsley, disponível na Netflix.

 

Segundo Dia – O Centro Histórico

Começamos o dia seguinte com o Free Walking Tour conduzido pela Anglo Tourismo. O esquema você já conhece: um guia lhe acompanha por um passeio pela cidade, contando a história e curiosidades de seus principais pontos turísticos. Ao final, você decide quanto quer pagar pelos serviços prestados, a título de gorjeta. A excursão dura cerca de três horas, começando as 10h30 em frente ao Diner (Столовая) na Nab. Reki Fontanki, nº 27.

Os destaques do passeio são: o Palácio Vorontsov, a Catedral de Nossa Senhora de Kazan, a Catedral de São Isaac, o Cavaleiro de Bronze, o Hermitage e a Igreja da Ressurreição do Salvador sobre o Sangue Derramado (ô nomezinho estranho!). Isso sem falar das várias histórias sobre a vida de Catarina II e de Pedro o Grande, a Revolução de Outubro, a Segunda Guerra Mundial e a vida moderna em São Petersburgo.

Church of the Savior on Spilled Blood. São Petersburgo.

Igreja da Ressurreição do Salvador sobre o Sangue Derramado, em São Petersburgo. Foto: André Orengel.

O Palácio de Inverno e o Museu Hermitage

Finalizado o tour, almoçamos e entramos no impressionante Palácio de Inverno, que hoje abriga a principal coleção do museu Hermitage. Antes disso, o prédio foi a residência oficial dos Czares, quase ininterruptamente, desde sua construção até a queda da monarquia russa.

Palácio de Inverno. Winter Palace. Hermitage. São Petersburgo.

Patio Interno do Palácio de Inverno (Museu Hermitage), São Petersburgo. Foto: André Orengel.

Construído com o objetivo de definitivamente inserir São Petersburgo no rol das mais magníficas capitais europeias de seu tempo, este pomposo palácio em tom pistache esbanja a extravagância e a ornamentação típicas da versão russa barroco europeu.

É difícil de acreditar, mas o acervo do Hermitage conta com mais de 3 milhões de obras de arte. Para se ter uma ideia, se você demorar um minuto para apreciar cada uma delas, somente após uns onze anos você estará liberado para voltar para a sua casa. Obviamente, nem todas as peças estão expostas. Os enormes salões do Palácio de Inverno exibem as principais obras desta que é uma mais importantes coleções de arte do mundo.

Throne Room. Palácio de Inverno. Winter Palace. Hermitage. São Petersburgo.

Sala do Trono, no interior do Palácio de Inverno (Museu Hermitage), São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

Dentre as obras em apresentação que vimos, algumas merecem atenção especial. O Gold Treasure Room, o Relógio do Pavão Dourado e os trabalhos de Leonardo da Vinci, Raphael, Michelangelo, Caravaggio, Peter Paul Rubens, Pierre-Auguste Renoir, Claude Monet e Henri Matisse.

Golden Peacock Clock. Hermitage. São Petersburgo.

O Relógio do Pavão Dourado, no museu Hermitage, São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

Encerramos o dia com um passeio e jantar às margens do rio Neva.

 

Terceiro Dia – Peterhof e Noites Brancas

No último dia em São Petersburgo visitamos o Peterhof (Petrodvorets). Aqui, constatamos que palácio suntuoso é o que mais há na cidade.

O que mais destaca o Peterhof dos demais é o conjunto de mais de 170 fontes e canais. É uma magnífica composição aquática, desenhada, em parte, por Pedro o Grande. Não há nada igual no planeta. As dezenas de estátuas douradas que cospem água em todas as direções são realmente extraordinárias. O estandarte da decoração é a apoteótica representação de Sansão batalhando com um leão. Ela foi feita para para celebrar a vitória russa contra os suecos em 1709.

 

Peterhof. Petrodvorets. São Petersburgo.

Destaque para a estátua no centro do lago artificial, que representa Sansão batalhando com um leão. Peterhof, em São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

Para chegar neste palácio, fomos de metrô até a estação Avtovo. De lá, pegamos o ônibus de número 210, que passa bem na frente do Palácio. Voltamos pelo mesmo caminho. O traslado levou quase 1h30, cada perna.

 

O Mariinsky

Para fechar com chave de ouro a visita à cidade, assistimos a um dos mais disputados espetáculos do festival Noites Brancas: o balé de “Romeo e Julieta”, apresentado no fabuloso Mariinsky.

Esse teatro é enorme e, sem dúvida, um dos mais bonitos que já estive. Com certeza vale a pena incluir o Mariinsky em qualquer visita a cidade. Mesmo que só para conhecer a sua estrutura.

Mariinsky. São Petersburgo.

Mariinsky, em São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

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Seis festivais de verão para curtir na Bélgica

Assim como gastronomia e cinema, o Mochileza é um site entusiasta de música. Sempre procuramos referências musicais em nossas viagens (como o roteiro de David Bowie em Berlim) ou shows…

Assim como gastronomia e cinema, o Mochileza é um site entusiasta de música. Sempre procuramos referências musicais em nossas viagens (como o roteiro de David Bowie em Berlim) ou shows para assistir no caminho. E quem gosta de música sabe que o verão europeu é fértil em grandes eventos. São festivais de leste a oeste no continente, para todos os estilos e orçamentos.

Os frequentadores assíduos de festivais têm destinos tradicionais, como Inglaterra e Alemanha. Também há os destinos que viraram os novos queridinhos dos viajantes, como Espanha e Portugal. Mas tem um país que consegue reunir eventos em grande quantidade e também em variedade de atrações: a Bélgica.

Apesar do território minúsculo, a concentração de festivais na Bélgica é gigantesca. Se você já pensou em passar um verão por lá comendo chocolate e tomando cerveja, pode pensar em agregar um festival de música ao seu roteiro. E, para ajudar você no planejamento, recorremos a um grande amigo do Mochileza. O Edvan Coutinho é um jornalista com quem trabalhei em Belém e mora em Bruges, na Bélgica, desde 2007. É um dos caras mais bem informados que conheço e dono de uma vasta cultura musical. Ele preparou um guest post com uma curadoria dos principais festivais do verão belga. Espero que vocês curtam!

Ah, o Edvan também trabalha como guia oficial de turismo em Bruges. É o único guia brasileiro na cidade. Para uma experiência mais rica de informação, recomendo DEMAIS um city tour com ele! Se você se interessar, escreva com alguma antecedência para o Edvan: [email protected]

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Edvan Coutinho e as típicas batatas belgas. Foto: Arquivo Pessoal

 

A onda de frio neste inverno – talvez a mais severa dos últimos dez anos – faz os europeus sonharem com os sons não apenas dos pássaros em dias quentes. Mas também das guitarras, teclados e soundsystems nas centenas de festivais de verão em todo o continente. Sim, a Europa é o melhor destino se você adora um show, seja ele um megaevento ou uma performance mais intimista. E quando se fala em festival de verão, a Bélgica é a meca dos amantes de todos os estilos musicais.

A localização estratégica deste pequeno país (menor que o arquipélago do Marajó), entre o Reino Unido, a França, a Alemanha e a Holanda, facilita o deslocamento de bandas e artistas em turnê pelo continente. Entre os mais de 300 festivais que acontecem anualmente em solo belga, escolhemos seis, que podem ser chamados o crème de la crème. Eles abarcam desde a world music até os beats eletrônicos mais modernos. Um deles, o Moods Festival, é parcialmente gratuito. São festivais em Bruxelas, Wechter, Boom, Hasselt e Bruges – tudo para combinar música e viagem.

Couleur Café: o mundo no palco

Foto: Vanessa Rasschaert / Divulgação

 

Este festival é o coup de coeur (favorito do coração) para os que estão abertos aos sons do mundo. A world music ganha aqui um sentido literal.  No line-up deste ano tem a incrível dupla malinesa Amadou & Mariam, os brasileiros do Metà Metà, com a mistura afro-jazz-bossa-swing brasileiro, as irmãs cubanas Ibeyi, o veterano norte-americano George Clinton (papa do funk legítimo), ao lado das senhoras do Clypso Rose, de Trinidad e Tobago, e do vizinho caribenho delas, Ziggy Marley (precisa descrever o que ele toca?). Ainda há novidades como os rappers suíços Makala, Di-Meh e Slimka, além do funky vodu dos togoleses do Togo All Star.

O Couleur Café existe desde 1990 e já rodou por várias locações em Bruxelas. Porém, há uns dois anos, conseguiu acertar na escolha do cenário. Ele é realizado na área do Atomium, um dos símbolos da capital belga e da Europa, a escultura gigante em formato de um átomo. A vantagem desse festival é que você está dentro da cidade e há transporte público a todo momento para voltar para o seu hotel ou albergue.

O Atomium é o cenário do Couleur Café. Foto: Luc Cheffert / Divulgação

 

Para quem não quer perder um minuto do clima de festival, ou quiser tirar uma soneca entre uma e outra atração, há um acampamento bem estruturado, como em todos grandes festivais.

Couleur Café Festival

Quando: de 29 de junho a 1° de julho de 2018
Onde: na praça do Atomium, em Bruxelas
Preços: desde 85 euros para os 3 dias ou entre 37 e 42 euros para um dia apenas (ver condições e taxas extras no website do festival)
Mais informações: https://www.couleurcafe.be (em inglês, francês e neerlandês/flamengo)

 

Rock Werchter: grandes nomes, mas também indie

Foto: Divulgação

 

Este festival está sempre na lista dos melhores do mundo. Ele faz parceria com os festivais ingleses, como o Glastonbury, e holandeses, como Lowlands. E assim o line-up é mais do que estrelado, porém bem diversificado também. Eles sempre apostam em promessas, como fizeram com o London Grammar, o trio inglês que desde que passou por lá há uns cinco anos.

Este ano vão pisar nos palcos do Rock Werchter: Arctic Monkeys, Franz Ferdinand, Gorillaz, Snow Patrol, Jack White, Alice in Chains, Nick Cave & The Bad Seeds, Queens of Stone Ages, David Byrne, Pearl Jam, e o já citado London Grammar, só para nomear alguns. O festival sempre prestigia a prata da casa e assim os belgas sempre estão em destaque. Este ano vão estar, entre as atrações locais, o grupo Arsenal – que tem um queda por música brasileira –  e power trio Triggerfinger (já ouviram a versão deles para “I Follow Rivers”?).

O preço do ingresso pode parecer salgado, mas o line-up justifica, além do que o transporte público de qualquer cidade na Bélgica até a porta do festival está incluído no preço.

Rock Werchter

Quando: de  6 a 8 de julho de 2018
Onde: Werchter (a 30 km de Bruxelas e a 15 km de Leuven, outra grande cidade belgo-flamenga)
Preços: desde 102 euros, para um dia,  até 238 euros para os três dias (ver condições e taxas extras no website do festival)
Mais informações: www.rockwerchter.be (em inglês, francês e neerlandês/flamengo)

 

Cactus Festival: familiar e hype

Foto: Edvan Coutinho

 

O mais charmoso festival belga. O mais familiar dos festivais. O melhor pequeno festival da Europa. O Cactus tem muitos títulos e todos eles se justificam. A começar por ser o festival da cidade que é uma marca de beleza: Bruges, que atrai 6 milhões de turistas por ano, com seus canais que valem o apelido de Veneza do Norte e o traçado medieval das ruas que valeu o título de Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco.

O Cactus Festival acontece há mais de 35 anos praticamente no centro da cidade. O público é limitado em menos de 10 mil pessoas num espaço amplo e verde do parque Minnewater, com infraestrutura e conforto nota 10. O festival tem um clima tão relaxante que atrai famílias inteiras, dos avôs aos netos. Tem espaço para deixar as crianças brincarem, há até redes para descansar e os stands de comida são uma atração à parte pela alta qualidade.

Foto: Edvan Coutinho

 

No que se refere ao palco único, as atrações são sempre de altíssimo nível e fora do mainstream. O que não quer dizer falta de qualidade.  Nos anos 90, passaram por lá Marisa Monte e Chico Science & Nação Zumbi. Mais recentemente, tocaram Massive Attack, Macy Gray, Benjamin Clementine, Kaiser Chiefs, Marianne Faithfull e Patti Smith. Este ano estão em cartaz Buffalo Tom, com seu indie rock made in USA, a britânica Emeli Sandé, a camaleônica anglo-francesa Charlotte Gainsbourg e os cultuados escoceses do Mogwai. O festival de Bruges é conhecido por lançar tendências. Assim, muitos artistas novos acabam voltando à Bélgica em festivais maiores depois de serem “descobertos” no Cactus.

Cactus Festival

Quando: de  13 a 15 de julho de 2018
Onde: Bruges (a 90 km de Bruxelas)
Preços: desde 49 euros, para um dia,  até 110 euros para os três dias (ver condições e taxas extras no website do festival)
Mais informações:  www.cactusfestival.be (em inglês, francês e neerlandês/flamengo)

 

Tomorrowland: o povo do amanhã

Foto: Divulgação

 

Com toda a justiça, o Tomorrowland é o mais prestigiado festival de música eletrônica do mundo.  O evento virou uma marca de valor incalculável e chegou ao Brasil em duas edições em 2015 e 2016, depois de ter também feito uma edição nos Estados Unidos. Se você pensa em vir, prepare-se para vir somente em 2019, pois os ingressos deste ano, assim como sempre acontece, foram vendidos em menos de três horas.

O Tomorrowland, desde 2005, botou a Bélgica no centro do mundo da música dançante do século XXI e é um evento que chega a ser uma experiência mística – dizem amigos habitués do festival. Para os conhecedores dos loops e beats, as atrações deste ano são de peso: Tiësto, Vini Vici, Axwel, Bonzai All Stars, Carl Cox, Alesso, Dimitri Vega & Like Mike, Fatboy Slim, Lost Frequences e Steve Angello.

Foto: Divulgação

 

O acampamento do Tomorrowland é uma atração à parte. O festival tem até mesmo uma vila de luxuosos apartamentos com jacuzzi e todo o luxo que seu bolso puder pagar.

Ano passado, o festival teve cerca de 400 mil espectadores, um número recorde porque passou a ser realizado em dois finais de semana, o que se repete este ano.

Detalhe: se não puder esperar o verão de 2019, o Tomorrowland anunciou um festival de inverno em março de 2019, na cidade de Ales-Huez, na França.

Tomorrowland

Quando: de 20 a 22 e de 27 a 29 de julho de 2018
Onde: Boom (entre Bruxelas e Antuérpia)
Preços: desde 94 euros um dia apenas até 281 euros para ficar no alojamento de luxo (o website do festival informa que todos estão sold out)
Mais informações: (em inglês, francês e neerlandês/flamengo)

 

Pukkelpop: oito palcos com mega-atrações

Foto: Divulgação

 

Um dos grandes festivais da Europa faz 33 anos em 2018. O Pukkelpop sabe combinar grandes nomes com artistas ainda em ascensão, pois tem espaços adequados para megaespetáculos, tendas para pocket shows e dance hall. De Björk ao Iron Maiden, de The Prodigy ao Portishead, a lista de artistas das edições anteriores não deixa dúvidas do peso desse festival, o único que conseguiu comprar toda a área onde anualmente se instala na província flamenga do Limburg.

Foto: Divulgação

 

Este ano, a única atração anunciada e confirmada é ninguém menos que Kendrick Lamar, o papa do rap/hip hop/jazz norte-americano contemporâneo. Fala-se que o Arcade Fire e The War on Drugs estão acertando a agenda para poderem vir.

Pukkelpop

Quando: de 15 a 18 de agosto de 2018
Onde:  Kiewit-Hasselt (a 70 km de Bruxelas)
Preços: ainda não anunciados (ver condições e taxas extras no website do festival)
Mais informações:  https://www.pukkelpop.be  (em inglês, francês e neerlandês/flamengo)

 

Moods Festival: o festival intimista de Bruges que cabe no seu orçamento de mochileiro

 

Foto: Divulgação

 

Este festival é no meio do verão e se passa em dois dos mais impressionantes cenários da cidade de Bruges: a praça da prefeitura (de Burg) e o hall interior do Belfort. O Moods é um festival organizado pela prefeitura da cidade e opta pela diversidade de atrações em dois momentos. O primeiro é numa quinta-feira à noite, um show intimista, com ingresso pago a menos de 20 euros, no pátio interno do Halletoren (a torre do Belfort, momunento gótico construído entre os séculos XII e XV).  E às sextas e sábados à noite, um show maior, gratuito, tendo como fundo de palco a Stadshuis, a prefeitura construída no começo do século XV.

O Moods tem uma atmosfera pequena e tão agradável que, mesmo em caso de chuva, o público não arreda pé. Em cartaz este ano, o nome mais conhecido é o Nouvelle Vague, a banda francesa de new bossa. E ainda: a mistura cubano-jamaicana do show Havana Meets Kingston,  a banda norte-americana Joan As Police Woman (com a cantora Joan Wasser que trabalhou com Rufus Wainwright, Nick Cave e Antony & The Johnsons), a banda pop-rock flamenga Het Zesde Metaal e o acordeonista bósnio-suíço Mario Batkovic, um virtuoso que é uma espécie de Philip Glass do acordeon.

Moods festival

Quando: de 27 de julho a 9 de agosto de 2018
Onde:  Bruges, centro da cidade
Preços:  16 euros + taxas (ver condições) para os shows no pátio do Belfort e gratuito nos show da paraça da prefeitura, o Burg
Mais informações:  http://www.moodsbrugge.be  (em inglês e neerlandês/flamengo)

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Cais do Sertão: um museu high tech sobre a alma nordestina

Não é de hoje que o Recife tem talento para surpreender quando o assunto é museu. O Instituto Ricardo Brennand, inaugurado em 2002, tem um acervo de artes plásticas e…

Não é de hoje que o Recife tem talento para surpreender quando o assunto é museu. O Instituto Ricardo Brennand, inaugurado em 2002, tem um acervo de artes plásticas e armas brancas em dois castelos medievais em pleno Nordeste brasileiro. Mas, em abril de 2014, ele ganhou um companheiro à altura: o Cais do Sertão. Com uma grande dose de interatividade e tecnologia, o novo museu mergulha fundo na alma regional e já é uma das principais atrações da capital pernambucana.

Cais do Sertão, Recife

Foto: Leonardo Aquino

 

A importância do Cais do Sertão no turismo do Recife começa na localização. Ele fica num antigo armazém da área portuária da cidade, que passa por um processo de revitalização semelhante ao vivido por Belém. O museu está a uma breve caminhada de locais como o Marco Zero, a Rua do Bom Jesus e o Cais da Alfândega. Portanto, é muito fácil inclui-lo num roteiro a pé pela região do Recife Antigo.

Foto: Leonardo Aquino

 

Inaugurado em abril de 2014, o Cais do Sertão pode ser definido como um museu social, cultural e antropológico. O acervo monta um mosaico sobre a identidade regional nordestina em diversos aspectos: religiosidade, música, costumes e rotina, entre outros. É um portal para um Nordeste que às vezes é desconhecido até mesmo pelos moradores da região, especialmente os de zonas urbanas.

Logo na entrada, somos convidados a assistir à exibição do curta-metragem “Um Dia no Sertão”, mostrando a rotina de moradores de comunidades na zona rural de Serra Talhada (município a 414 quilômetros do Recife), desde o raiar do sol até as festas que vão madrugada adentro. O filme é projetado numa tela gigante e curva, o que permite uma imersão com uma riqueza gigante de imagens e sons.

Cais do Sertão, Recife

A projeção do filme “Um Dia no Sertão”. Foto: Leonardo Aquino

 

Passado o filme, o museu propriamente dito se escancara aos visitantes. O detalhe mais fascinante é revelado para quem olha em direção ao chão. Um riacho corta o piso térreo do Cais do Sertão emulando o rio São Francisco, com água corrente e peixes. Às margens dessa representação do Velho Chico, estão os sete territórios temáticos do museu: Ocupar, Viver, Trabalhar, Cantar, Criar, Crer e Migrar.

A representação do Rio San Francisco. Foto: Leonardo Aquino

 

À primeira vista, se destacam outras réplicas: roupas de cangaceiros, um painel com ferramentas de vaqueiros e uma casinha sertaneja. Nos cômodos representados ali, estão as paredes de barro e os objetos típicos como imagens de santos, máquinas de costura e quadros religiosos.

Detalhe da casa sertaneja. Foto: Leonardo Aquino

 

Um dos locais mais fotografados do Cais do Serão é o Túnel do Capeta. É um caminho cercado de câmeras e telas exibindo as imagens capturadas por essas câmeras, dando um efeito de túnel espelhado. Nas caixas de som, uma voz sussurra as inúmeras formas que o nordestino tem para chamar o diabo, representando a crença do povo sertanejo numa entidade maligna que se opõe a Deus.

Cais do Sertão, Recife

Túnel do Capeta. Foto: Leonardo Aquino

 

A música tem uma importância tremenda no museu. No piso térreo, totens interativos contam a história dos ritmos musicais, com destaque para a vida e obra de Luiz Gonzaga. O Rei do Baião cantou como poucos a quintessência da alma nordestina. A alegria, a religiosidade, as agruras da seca, a malícia, a migração em busca de uma vida melhor. No museu, dá para ouvir as músicas em gravações originais e também ver vários depoimentos e entrevistas do Gonzagão.

Cais do Sertão, Recife

Foto: Leonardo Aquino

 

O andar superior tem ainda mais interatividade. O principal destaque é o Karaokê Sertanejo. Mas não se trata de um espaço para cantar Luan Santana ou Maiara e Maraísa. E sim, cabines privadas para soltar a voz em clássicos do cancioneiro nordestino como “Asa Branca” e “Xote das Meninas”. Também há as cabines do Baião de Todos, em que você pode ouvir as músicas e isolar instrumentos e vocais para ouvi-los em detalhes.

Cais do Sertão, Recife

Karaokê Sertanejo. Foto: Leonardo Aquino

Baião de Todos. Foto: Leonardo Aquino

 

Todo este acervo faz parte da exposição permanente “O Mundo do Sertão”, abrigada no Módulo 1 do museu. O Módulo 2 ainda está em construção e vai abrigar espaços de exposições temporárias, auditório e outros espaços.

Cais do Sertão, Recife

Foto: Leonardo Aquino

 

O Cais do Sertão é um programaço para fazer no Recife, seja qual for a idade do turista. Só tivemos uma dificuldade na nossa visita, em outubro de 2017. Como fomos com nossa filha Olívia (então com dois meses de idade) e estávamos com carrinho, precisávamos de um elevador para subir ao andar superior e não havia nenhum. Apesar disso, o site do museu afirma que o espaço oferece programas e serviços de acessibilidade.

 

Cais do Sertão – Serviço

Horários de funcionamento

De terça a sexta, das 9h às 17h. Sábado e domingo, das 13h às 17h. Última entrada às 16h30. Fechado às segundas-feiras.

Dias em que o museu está fechado

24, 25 e 31 de dezembro, 1º de janeiro, de sexta a terça-feira no Carnaval, dias de eleições.

Ingressos

R$ 10 (inteira), R$ 5 (meia) e entrada gratuita às terças-feiras.

Endereço

Rua Alfredo Lisboa, s/n, Recife-PE.

Telefone

(81) 4042.0484

E-mail

[email protected]

Site

www.caisdosertao.org.br

Facebook

www.facebook.com/CaisdoSertao

Instagram

@caisdosertao

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Moscou: a hora de conhecer a capital da Copa do Mundo

Estivemos na Rússia há alguns anos, no auge do verão europeu, quando só fica escuro em Moscou por algumas horas e nem anoitece em São Petersburgo. É nessa época, inclusive,…

Estivemos na Rússia há alguns anos, no auge do verão europeu, quando só fica escuro em Moscou por algumas horas e nem anoitece em São Petersburgo. É nessa época, inclusive, que ocorre o festival das “Noites Brancas”, em São Petersburgo, com uma grande programação cultural que vira a madrugada. Além disso, os horários de funcionamento dos estabelecimentos ficam meio malucos. Imagine lojas abertas das 10 da manhã à meia-noite! A vantagem é que nos dá tempo de fazer de tudo: de programas cult a delírios de consumo. Só não sobra muito tempo para dormir.

Seven Sisters, Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa, em Moscou

Vista a partir do Rio Moscou do prédio do Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa, em Moscou. Foto: André Orengel.

 

O esplendor dos prédios públicos, palácios e museus impressionam o turista desavisado, de forma a rivalizar com a opulência das principais capitais da Europa Ocidental. Somando isso à riqueza da cultura russa, a viagem seria perfeita se não fosse pelos camaradas russos. É claro que existem exceções, conhecemos pessoas maravilhosas e simpáticas durante a viagem. Mas, via de regra, a Rússia é, talvez, o pior país em termos de receptividade de turistas estrangeiros dos quais já visitamos. O idioma não ajuda. São poucas as pessoas que conseguem se comunicar em inglês, até mesmo nos hotéis e museus. Pedir informações na rua? Nem pensar. As informações escritas, como placas indicativas, são escassas também, até mesmo em pontos turísticos. Algumas coisas não são nem escritas no nosso alfabeto.

É por isso, imagino, que se você quer conhecer esse lugar incrível, meu amigo, a hora é agora. Isso porque com a Copa do Mundo de 2018 no país, é bem seguro presumir que a língua inglesa será mais falada nos hotéis e pontos turísticos. Também é de se esperar que haverá mais informações em inglês espalhadas pela cidade. Assim, se você já tinha alguma vontade de conhecer a terra da vodca, aproveite essa oportunidade de ouro.

Passamos, ao todo, nove dias no país, contando o dia da chegada e partida, dividindo igualmente o tempo entre cada cidade. Com base em nossas experiências, sugiro aqui um itinerário para Moscou e outro para São Petersburgo (que será tema de um post à parte). Vamos ao passo a passo.

PRIMEIRO DIA

Voamos de São Paulo para Moscou pela Turkish Air Lines, com conexão em Istambul, chegando ao nosso destino às 3 da manhã. Fomos ao hotel, fizemos o check-in e dormimos até por volta das 11, para recarregar ao menos metade das baterias. Com muitas horas ainda no dia, fomos de metrô até a estação Polyanka e andamos ao restaurante Kvartira 44 (ul Malaya Yakimanka 24/8). O lugar é meio escondido, mas a comida é bem gostosa e a ambientação é aconchegante, inspirada em um apartamento da era soviética (o nome do lugar significa, literalmente, Apartamento 44).

Kvartira 44, em Moscou

Kvartira 44, em Moscou. Foto: André Orengel.

Galeria Tretyakov

De lá, caminhamos até a Galeria Tretyakov, fundada a partir da coleção particular dos irmãos industrialistas Pavel e Sergei Tretyakov. O primeiro, inclusive, foi um importante patrono dos tais Peredvizhniki (Itinerantes): pintores do século XIX dissidentes da Academia de Artes conservadora que tinham uma pegada mais nacionalista e de crítica social, atualmente muito celebrados na Rússia. A coleção é bem extensa e alberga, provavelmente, o principal acervo de pinturas russas do mundo.

Ficamos no museu até por volta das 5 da tarde. Ao sair, andamos na direção do rio e viramos à esquerda, no sentido do Art Muzeon Sculpture Park, onde é exibida uma inusitada coletânea de estátuas soviéticas ao lado de esculturas contemporâneas. Seguindo no mesmo sentido, adentramos no Parque Gorky, para um agradável passeio.

Navegando pelo Rio Moscou

Catedral do Cristo Salvador, em Moscou

Vista a partir do Rio Moscou da Catedral do Cristo Salvador, em Moscou. Foto: André Orengel.

 

Fizemos hora por lá até irmos a um cais da onde sai o passeio de barco da empresa Moscow River Boat Tours. Existem várias opções de passeios saindo de diferentes lugares do rio. O que fizemos durou cerca de uma hora e passava por boa parte dos principais monumentos e prédios moscovitas. Foi bem legal ver a cidade a partir do rio, garantindo alguns ângulos diferentes para as fotos.

Finalizamos o dia jantando em um dos restaurantes localizados no Red October Chocolate Factory, uma antiga fábrica convertida em centro artístico e gastronômico localizado em umas das extremidades da “Ilha Dourada” do Rio Moscou (dá para ver esse enorme complexo do passeio de barco).

Red October Chocolate Factory, em Moscou

Vista do Rio Moscou do Red October Chocolate Factory, em Moscou. Foto: André Orengel.

SEGUNDO DIA

Caminhando

Começamos o próximo dia da viagem com o passeio organizado pelo Free Walking Tour. O esquema você já conhece: um guia lhe conduz juntamente com um grupo pela cidade, contando a história e curiosidades de seus principais pontos turísticos e, ao final, você decide quanto quer pagar pelo tour. A excursão dura em torno de duas horas e meia, começando as 10h45 em frente ao monumento dedicado ao a Cyril e Methodius, no centro da praça Slavyanskaya.

Catedral de São Basílio, em Moscou

Catedral de São Basílio, em Moscou. Foto: André Orengel.

 

Quando estivemos lá o tour passava por Kitay-Gorod, a Rua Varvarka, a Catedral de São Basílio, a Praça Vermelha, o GUM, o Mausoléu do Lenin, a Catedral de Kazan, a Praça Manezhnaya e o Hotel Moscou (eternizado pelo rótulo da vodca Stolichnaya), a Tumba do Soldado Desconhecido, o Jardim de Alexander e terminava na Catedral do Cristo Salvador (o maior templo da igreja ortodoxa do mundo).

Uma hora dessas a fome já está matando. No nosso caso, almoçamos uns sanduíches pela rua mesmo, se a sua fome for maior, aproveite que a celebrada Pinzeria by Bontempi fica por perto e deguste de sua famosa comida italiana.

Catedral do Cristo Salvador, em Moscou

Catedral do Cristo Salvador, em Moscou. Foto: André Orengel.

Museu Histórico do Estado e/ou Museu Estatal Pushkin de Belas Artes

Pela parte da tarde, dependendo do seu ritmo, dá para conhecer dois dos melhores museus da cidade: o Museu Estatal Pushkin de Belas Artes e/ou o Museu Histórico do Estado (sexta e sábado fecha as 21:00). No nosso caso, acabamos optando por entrar só no Museu Histórico do Estado, que gostamos bastante, para também dedicar algumas horas para umas comprinhas na Rua Tverskaya.

Torre Spasskaya do Kremlin, em Moscou

Torre Spasskaya do Kremlin, em Moscou. Foto: André Orengel.

Café Pushkin

No jantar, comemos uma deliciosa refeição tipicamente russa no excelente Café Pushkin. Esse é imperdível! A decoração é uma atração à parte, com ambientes muito bem decorados, que imitam uma farmácia antiga, uma sala de estar com lareira, uma biblioteca ou um terraço de verão de uma mansão aristocrata.

 

TERCEIRO DIA

Kremlin

Dedicamos o nosso terceiro dia quase que exclusivamente para o Kremlin de Moscou, o mais famoso dos complexos fortificados que levam este nome, incluindo as catedrais da Assunção, do Arcanjo Gabriel e da Anunciação, a Igreja da Deposição das Vestes, O Campanário do Ivan III, uma muralha com as suas famosas torres, além da residência oficial do Presidente da Federação Russa. A coleção do Palácio do Arsenal, foi, sem dúvida, o auge do passeio. Ela está entre as mais impressionantes do mundo, exibindo, entre outras coisas, armas históricas, peças de joalharia, insígnias reais (incluindo o famoso Gorro dos Monarcas), peças exclusivas de artesanato em ouro e prata datadas dos séculos XIII/XIX, além de vários dos famosos Ovos de Páscoa da Casa Fabergé.

Catedral da Assunção, em Moscou

Catedral da Assunção, em Moscou. Foto: André Orengel.

 

No intervalo para o almoço, saímos do Kremlin e comemos, ali próximo, no restaurante Stolovaya 57, que fica no 3º andar do GUM, e garantimos mais uma oportunidade de bater fotos da Praça Vermelha e dos prédios que a rodeiam, especialmente da superfotogênica Catedral de São Basílio.

GUM em Moscou

GUM, em Moscou. Foto: André Orengel.

 

O Kremlin fecha as suas portas às 5 da tarde, o que nos deu tempo de voltar ao hotel para trocar de roupa e chegar no Bolshoi às 18h30 e assistir a uma apresentação de seu belíssimo balé. Fique de olho na programação e estruture o seu itinerário para não perder a chance de testemunhar esse espetáculo.

 

QUARTO DIA

O Metrô de Moscou

Como o nosso voo para São Petersburgo só partia às 8 da noite, aproveitamos ainda a manhã para um último passeio pela cidade. Primeiro, fizemos um tour por algumas das estações de metrô de Moscou. São uma mistura de sistema de transporte, com museu de arte e aula de história, por onde passam milhões de pessoas diariamente. Faça esse passeio preferencialmente no domingo, para não enfrentar o corre-corre da semana.

Mapa criado por CityDex International, NY, EUA. Editado por André Orengel.

 

Começamos pela (1) Komsomolskaya, que se destaca pelos mosaicos no teto exibindo heróis militares russos.

Seguimos no sentido anti-horário pela linha Koltsevaya e descemos na estação (2) Prospekt Mira, para apreciar a decoração em porcelana com cenas campestres que capitaneiam as colunas.

Continuando no mesmo sentido e paramos na estação (3) Novoslobodskaya, adornada com 32 vitrais no estilo art nouveau.

A próxima parada na linha circular foi a estação (4) Belorusskaya, cujos mosaicos do teto e padrões do piso celebram o país vizinho a oeste.

Depois, trocamos de linha e seguimos pela Zamoskvoretskaya até a estação (5) Mayakovskaya, com bela decoração no estilo art deco.

Pulamos uma estação e descemos na (6) Teatralnaya, que guarda uma temática teatral e expõe afrescos representando sete das republicas soviéticas, por meio de roupas e instrumentos musicais típicos.

Andamos até a estação (7) Ploshchad Revolyutsii, uma das mais impressionantes, por ser, praticamente, um museu de esculturas subterrâneo.

Após, fomos para a estação (8) Arbatskaya, que chama a atenção por sua atmosfera barroca.

A estação (9) Kievskaya, por sua vez, com seus vegetais gigantes e outros ícones da existência idílica ucraniana, comemora os 300 anos de cooperação entre os dois países.

Terminamos o passeio na novíssima estação (10) Park Pobedy, a mais profunda das estações e, por isso, tem a mais comprida escada rolante do mundo (levamos mais de 2m40s de um ponto ao outro; parecia que nunca íamos chegar).

metro de Moscou

Todas as fotos: André Orengel.

Para finalizar: três opções

Para depois do tour, separamos as seguinte opções:

1) Museu Cosmonauta: tem uma coleção supostamente bacana de parafernália espacial, incluindo o motor do primeiro foguete soviético, e um acervo de cartazes de propaganda que evoca a era da corrida espacial.

2) Convento Novodevichy: considerado patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO, é, provavelmente, o convento mais conhecido da Rússia. Construído em estilo Barroco, fazia parte de uma cadeia de monastérios que integravam o sistema de defesa de Moscou, sendo hoje um importante marco histórico e um dos grandes feitos russos, exibidos em sua arquitetura e coleção de obras de arte.

3) Feirinha de Artesanato de Izmailovo: Nossa escolha. Queríamos muito trazer uma matrioska para integrar a nossa coleção de relíquias de viagem. Para isso, não valem compras em aeroporto, tem que ir à feira. Nessa, encontramos dezenas de tipos diferentes da boneca, o que deu um trabalhão para escolher a que íamos trazer. Além disso, a feira tem todo o tipo de bugiganga russa, incluindo vários apetrechos soviéticos.

Matrioska comprada na Feirinha de Artesanato de Izmailovo, em Moscou. Foto: André Orengel

 

Por fim, fomos ao aeroporto usando o metrô mesmo. Deu tudo certo. No caminho, enquanto lembrava dos dias em Moscou, percebemos que poderíamos facilmente ficar mais uns 2 ou 3 dias. Sobrou muita coisa interessante ainda para conhecer.

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