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Sul da Argentina: um roteiro por El Calafate e Ushuaia

Sempre que ponho lado a lado os destinos turísticos do Brasil e da Argentina, vejo como os dois países são perfeitamente complementares. Eles não têm praias como as nossas e nós…

Sempre que ponho lado a lado os destinos turísticos do Brasil e da Argentina, vejo como os dois países são perfeitamente complementares. Eles não têm praias como as nossas e nós não temos montanhas como as deles. A Argentina tem a Patagônia, mas o Brasil tem a Amazônia. Os argentinos têm a paisagem desértica de Salta e Jujuy, enquanto temos o cerrado e as chapadas. O único ponto de convergência talvez seja a área binacional das Cataratas do Iguaçu. Mesmo assim, sempre tem quem diga que um lado é mais bonito que o outro.

E é por essas e outras que os argentinos invadem o Brasil no verão. Antes restritos ao litoral de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, agora eles aproveitam voos diretos para o Nordeste. Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte viraram destinos comuns para eles. Por outro lado, há quase uma diáspora brasileira no inverno, principalmente rumo a Bariloche. Cidade que, aliás, recebe o apelido de “Brasiloche” nas férias de julho.

Mas Bariloche, com a neve e a gastronomia, não deve ser encarada como o único destino possível de inverno em terras argentinas. O sul da Argentina tem um punhado de lugares para se conhecer. A aprazível San Martín de Los Andes e seu clima de cidade suíça no meio da América Latina. Puerto Madryn, base para avistar baleias. E a Ruta 40, que cruza a Patagônia quase inteira, pode fazer parte de uma bela road trip.

Porém, tem duas cidades que dominam minha lista de desejos na categoria “viagens pela Argentina”: El Calafate e Ushuaia. El Calafate fica na província de Santa Cruz e é a terra das geleiras (ou glaciares, como se diz em espanhol) como o famoso Perito Moreno. Ushuaia fica na província da Terra do Fogo e é a principal cidade no extremo sul do país. A brincadeira com o “fim do mundo” está em todos os lugares.

Ainda não estive em nenhuma das duas. Mas conhecer quem já esteve ajuda a mergulhar no destino e a instigar. Por isso, recorri ao Márcio Cabral de Moura. Ele é servidor público, mora no Recife e é um dos viajantes mais assíduos que conheço. Nos últimos 15 anos, ele fez 25 viagens internacionais. A maioria para o Canadá, por motivos familiares. Mas ele e a esposa Renata já andaram muito por aí: Islândia, Alemanha, Inglaterra, Ilha de Páscoa e por aí vai.

Em fevereiro de 2017 (em pleno Carnaval, veja você!), Márcio e Renata embarcaram rumo à Argentina, tendo como principais destinos justamente El Calafate e Ushuaia. Eles deram tantos bons relatos e postaram tantas fotos lindas que decidi convidar o Márcio a contribuir com o blog. Eis então mais um guest post especial do Mochileza. Espero que vocês curtam a viagem e aproveitem as dicas do Márcio!

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Márcio e sua esposa Renata. Foto: Arquivo pessoal

El Calafate

Nossa viagem para El Calafate saiu do Aeroparque, em Buenos Aires. Pegamos um voo da Aerolineas Argentinas, que, em trechos domésticos, só permite até 15 quilos de bagagem despachada e 5 quilos de bagagem de mão. O que me impressionou na viagem é que pouco tempo depois de sairmos de Buenos Aires, a paisagem virou desértica. Eu juro que não sabia que a Patagônia Argentina era o quarto maior deserto do mundo. Ah, minhas aulas de geografia…

O aeroporto de El Calafate é bem pequeno e fica a cerca de 25 km da cidade. Lembrando que estamos num deserto, e mesmo nas margens do lago (que vai de antes do aeroporto para além da cidade) não há nenhum árvore. Na realidade, praticamente não há nenhuma vegetação. A cidadezinha é bem simpática e sua avenida principal tem um trânsito intenso, o que faz com que seja demorado atravessar a Av. del Libertador.

Dicas para planejar sua viagem a El Calafate

Antes de falarmos dos passeios em El Calafate, é importante destacar algumas coisas que podem ajudar no seu planejamento:

  • Geralmente, cada excursão é oferecida por uma única empresa. Mas todas as agências revendem esses passeios com algum ágio. No primeiro passeio da nossa viagem, ele saía por 1470 pesos por pessoa na agência “oficial” e por 1520 pesos na que revende. A diferença pode parecer pequena (em fevereiro de 2017, 50 pesos correspondiam a aproximadamente 10 reais), mas é bom ficar de olho.
  • Muitos pagamentos saem mais caros no cartão de crédito. Passeios, hospedagem e traslados. Sempre prefira pagamento em dinheiro (ou “en efectivo”, como dizem os argentinos).
  • Algumas agências e lojas aceitam dólares e reais para pagamentos. Mas a cotação é desvantajosa. Na nossa viagem, no aeroporto de Ezeiza, um real valia 5,10 pesos. Em El Calafate, a média era 4,50 pesos. E encontramos uma loja que fazia câmbio a 3,50.

Trekking no Perito Moreno

El Calafate, Glaciar Perito Moreno

A caminhada na imensidão de gelo. Foto: Márcio Cabral de Moura

O glaciar Perito Moreno é o principal destino dos turistas em El Calafate. Ele fica a 75 quilômetros da cidade e, na excursão que fizemos até lá (com a agência Hielo y Aventura), fizemos uma parada no meio do caminho para fotos no lago Argentino. A parada seguinte já foi na entrada do Parque Nacional Los Glaciares. O ingresso é pago (apenas em dinheiro) e nos informaram que o preço para brasileiros é menor: 250 pesos.

No site do Parque Nacional Los Glaciares, não há uma informação sobre descontos para nacionalidades. Há, sim, tarifas especiais para argentinos, moradores da província de Santa Cruz, crianças e estudantes. No mais, a tarifa cheia (em setembro de 2017) era de 500 pesos. O que pode ter acontecido é que a agência que promoveu o passeio conseguiu barganhar um desconto com a administração do parque.

Em seguida, tiramos fotos num mirante do glaciar e entramos no barco que nos levou aos pés do Perito Moreno. A travessia dura cerca de 15 minutos e é muito bonita. Além do paredão de gelo que lembrava a muralha de Game of Thrones, também tem alguns pequenos icebergs no lago.

El Calafate, Glaciar Perito Moreno

Winter is coming. Foto: Márcio Cabral de Moura

Antes de iniciar o trekking, fomos para o ponto de apoio para podermos irmos ao banheiro e, se quiséssemos, deixar algo que estivéssemos carregando, como o almoço. Depois fomos caminhando até uma praia junto do glaciar, para tirarmos fotos e em seguida fomos botar os grampões nos pés, para podermos andar sobre o gelo.

A caminhada sobre o gelo durou cerca de 1h30 e terminou com uma degustação de chocolate e whisky (com pedras de gelo do glaciar).

Em seguida, voltamos para o ponto de apoio, onde almoçamos o que havíamos levado – no nosso caso, sanduíche de queijo e presunto. Ficamos por lá um tempinho e às 15h50, fomos para o barco, voltando para onde estava o ônibus. De lá, fomos para as passarelas, ver o Perito Moreno. Eu tinha lido que não acrescentava muito ao mini-trekking, mas acrescenta, sim. Do mini-trekking vemos a parede sul. Do mirante vemos a leste e a norte. Pena que só ficamos uma hora nas passarelas. Na realidade, menos, pois tinha o tempo de voltar pro ônibus e ir ao banheiro dentro dessa hora.

 

Ríos de Hielo

El Calafate, Lago Argentino

Lago Argentino. Foto: Márcio Cabral de Moura

Este passeio é uma navegação de 5 horas pelo braço norte do lago Argentino. Dá pra ver cinco grandes geleiras da região (Upsala, Spegazzini, Seco, Heim e Pineta) e também o fenômeno do desprendimento de gelo em uma delas.

Chegando ao porto, é preciso pagar a entrada do Parque Nacional Los Glaciares (o mesmo do Perito Moreno). São 4 ou 5 guichês que só aceitam pesos argentinos e no porto não há caixa eletrônico ou casa de câmbio. Portanto, leve dinheiro em espécie.

O barco que faz o passeio lembra a balsa que faz a travessia Rio-Niterói. Antes de zarpar, dois fotógrafos deram dicas de como tirar as fotos e depois foi anunciado pelo sistema de som a possibilidade de upgrade pro “Clube do Almirante”, por 1.650 pesos, o mesmo preço que já havíamos pago pelo passeio (fora os 350 pesos do traslado). Eu olhei pra nossos lugares separados e a multidão que teríamos que enfrentar para conseguir tirar boas fotos e decidimos fazer o upgrade, não sem antes dar uma olhada no espaço do “Clube do Almirante”.

O espaço do “Clube do Almirante” tem 16 lugares bem mais confortáveis, com duas varandas privativas, junto do comandante do barco. Além disso, tem guia exclusivo, serviço de bordo incluído, com direito a open bar, café da manhã, lanche e almoço, além de um garçom que falava português.

El Calafate, Lago Argentino

Icebergs no lago Argentino. Foto: Márcio Cabral de Moura

No passeio vimos muitos icebergs e três geleiras. Uma, bem de longe, por questões de segurança e as outras bem mais de perto. A última geleira, segundo o guia, era um paredão de gelo, com altura variando entre 80 e 130 metros, saindo do lago. Espetacular à vista, mas exceto nos momentos em que o barco estava parado, fazia muito frio na varanda, por conta do vento gelado. A empresa que faz este passeio é a Solo Patagonia.

 

El Chaltén

El Calafate

Foto: Márcio Cabral de Moura

Ficamos em dúvidas se faríamos ou não este passeio. Pelo que havíamos lido na internet, o ideal era pernoitar em El Chaltén, já que a distância a El Calafate era muito grande (mais de 200 quilômetros) e o tempo disponível para fazer alguma trilha terminava sendo muito curto. Mas como estávamos com a um dia livre e sem nenhuma programação, resolvemos arriscar um bate-volta com a agência South Road.

No caminho, depois de vermos alguns guanacos na beira da estrada, paramos em La Leona (a 95 km de El Calafate). Ainda paramos mais uma vez para tirarmos fotos da paisagem e finalmente, depois de 220 km, chegamos a El Chaltén. Mas passamos direto da mais nova cidade argentina (fundada em 1985) e fomos para o Chorrillo del Salto, uma cachoeira a 1,5 km do centro da cidade.

Depois de visitarmos essa bela cascata, fomos para um ponto de apoio da excursão onde pudemos usar o banheiro e onde nos entregaram uma sacola com o almoço (incluso nessa excursão). A sugestão é que fizéssemos a trilha para o lago Capri (4 a 5 km de ida, numa trilha de nível fácil com duração estimada de 2 horas). Cinco horas mais tarde o ônibus retornaria para El Calafate.

A trilha começa com muita subida e depois de muito tempo, chegamos no quilômetro 1. Com 1h30 de andada/subida, que não era exatamente fácil, chegamos no quilômetro 2, onde encontramos um casal de alemães retornando, que nos disse que a trilha ficava mais fácil a partir dali, mas ainda faltava uns dois quilômetros. Resolvemos comer alguma coisa e voltar, pois ou não daria tempo, ou ficaria muito corrido.Saindo da trilha 2h30 depois de iniciada e tendo feito apenas metade do trajeto (ou um pouco menos).

 

Calafate Mountain Park

El Calafate, Calafate Mountain Park

Foto: Márcio Cabral de Moura

No nosso último dia inteiro em El Calafate, tivemos uma programação light. Apenas um passeio de meio dia rumo ao Calafate Mountain Park, à tarde, feito com a agência Viva Patagonia.

A excursão é feita num ônibus/caminhão 4×4 e com vista panorâmica. A cidade de El Calafate fica entre o Lago Argentino e duas montanhas e foi justamente numa dessas montanhas que começamos a subir. Entramos por uma estância pequena (para padrões patagônicos) de “apenas” 14.000 hectares, onde subimos até 1.000 acima do nível do mar (uns 800 metros acima de El Calafate).

Lá em cima tivemos muita sorte de o céu estar limpo e de não estar ventando. Conseguimos avistar o monte Fitz Roy, a 150 km de distância e a geleira Perito Moreno a 65 km.

Depois descemos um pouco, passando por outra estância, esta sim, grande (90 mil hectares, uma das dez maiores da Argentina), até o Mountain Park, que é administrado por um grupo de Andorra. O espaço funciona como parque de Mountain Bike no verão e estação de esqui no inverno.

El Calafate, Calafate Mountain Park

Calafate Mountain Park. Foto: Márcio Cabral de Moura

Fizemos uma pequena caminhada por lá e depois fizemos um lanche, que estava incluso no passeio, mas não sabíamos. Na volta, ainda vimos uma formação geológica única da região, o sombreiro mexicano.

 

Ushuaia

 

Lagos Escondido e Fagnano

Ushuaia, Lago Fagnano

Lago Fagnano. Foto: Márcio Cabral de Moura

O voo de El Calafate até Ushuaia (pronuncia-se USSuaia) dura 1h20. Na chegada, estava ventando muito e não descemos num finger. O funcionário do aeroporto que estava ao pé da escada estava dançando, para se aquecer.

A primeira excursão que fizemos por lá foi um passeio de 4×4 para os lagos Escondido e Fagnano, com a empresa Baqueanos.

A primeira parada foi num criadouro de Huskies, onde aproveitamos para poder ir ao banheiro e andar na tundra que forma o solo dos vales em Ushuaia. Voltamos à estrada e começamos a subir os Andes, no único trecho em que é Argentina dos dois lados. No passo Garibaldi, saímos da estrada asfaltada e pegamos a antiga estrada, hoje uma trilha. Paramos para ver os lagos do alto e depois seguimos a pé por uns 150 metros, até uma pequena cachoeira.

Essa é a famosa tundra. Foto: Márcio Cabral de Moura

De volta ao carro, descemos a trilha e, em seguida, pegamos uma estrada regional de barro, para logo depois entrarmos numa trilha dentro de uma propriedade privada, Lá, paramos para ver a devastação nos bosques que os castores provocam.

Voltando ao carro, fomos até a beira do lago Fagnano, onde a guia entrou com o carro dentro d’água depois de uma descida, fingindo ser sem querer. Uma das nossas companheiras de passeio chegou a ficar preocupada, pois não sabia nadar.

Estava ventando muito e o lago é impressionante. Apesar de não ser muito largo, ele tem cerca de 100 quilômetros de comprimento. E como forma um corredor de vento, tem ondas de tamanho até razoável. Chegando no refúgio, havia uma fogueira do lado de fora, junto da churrasqueira e dentro do refúgio um fogão de lenha aceso para esquentar o ambiente (e a água do chá/café pós-refeição).

 

Passeio de helicóptero por Ushuaia

Ushuaia, vista aérea

A Terra do Fogo vista do alto. Foto: Márcio Cabral de Moura

Essa excursão estava marcada para o meio-dia. Portanto, deu para dormir até um pouco mais tarde. Um carro de aluguel nos leva até o antigo aeroporto de Ushuaia, dentro de uma base militar. Fomos muito bem recebidos na agência Heliushuaia. Depois vimos um filminho com instruções de segurança em português e em seguida fomos conduzidos para a pista, para entrarmos no helicóptero.

Era um helicóptero pequeno, com capacidade para três passageiros. O passeio durou 15 minutos e foi fantástico. Depois de sobrevoarmos o canal de Beagle e a cidade de Ushuaia (com informações turísticas repassadas pelo piloto), sobrevoamos os Andes e passamos em cima de uma glaciar e uma lagoa lá em cima. Depois passamos por cima da lagoa esmeralda e voltamos pra cidade.

No aeroporto, recebemos um certificado de voo no fim do mundo e depois um carro de aluguel nos deixou no hotel. O custo total foi de US$ 180 por pessoa.

 

Valle Hermoso

Ushuaia, Valle Hermoso

Castores pegos no flagra. Foto: Márcio Cabral de Moura

No mesmo dia do passeio de helicópteros, tivemos outra programação: o avistamento de castores no Valle Hermoso. Já era final de tarde quando chegamos numa casa de madeira, onde fomos recebidos pelos dono e por Kiwi (um cachorro). Entramos na casa e fomos instruídos a deixar nossas coisas e trocar nossos sapatos por botas de borracha. Recebemos uma capa de chuva e saímos da casa seguindo o guia.

Caminhamos por encharcados e turva (a tundra do sul) até a primeira castoreira, onde pudemos observar três castores. Depois do um tempo, continuamos a caminhada até uma segunda castoreira, onde avistamos dois castores. Só que depois de uns cinco minutos, um dos castores nos viu, bateu com a cauda na água e foi se refugiar em sua casa. O outro, que estava comendo, meio que se escondeu, mas não voltou pra casa.

Ushuaia, Valle Hermoso

Parece imagem de desenho animado. Foto: Márcio Cabral de Moura

Em seguida fomos andando até a terceira castoreira, onde tinham feito a maior represa. Havia duas casas, mas não avistamos nenhum castor. Ficamos um tempo, tomando vinho quente com especiarias e falando de política e depois retornamos pra casa-sede. Chegamos no hotel quase meia-noite, tendo que acordar cedo no dia seguinte.

 

Caminhada com pinguins

Ushuaia, pinguins

Foto: Márcio Cabral de Moura

Este passeio sai cedo. Tínhamos que chegar ao porto às 8h30 para partida às 9h. Antes de embarcar, era preciso fazer check-in e pagar a taxa portuária de 20 pesos por pessoa. Nosso passeio era pela Piratour, a única agência que faz a caminhada com os pinguins. Todas as outras fazem a observação de dentro de seus barcos. Isso porque a Piratour é a dona da ilha onde os pinguins fazem seus ninhos.

O barco da Piratour é pequeno (capacidade para umas 40 pessoas), com lugares sentados no “térreo” e um deck aberto (sem teto) de observação.

Primeiro passamos na ilha dos pássaros, depois na ilha dos leões-marinhos e depois na ilha do farol (onde tinha leões-marinhos e pássaros). Em seguida, passamos por Puerto Williams, vilarejo chileno de 2.000 habitantes que fica mais ao sul que Ushuaia e finalmente paramos na Estância Herberton. Lá o grupo foi dividido em dois, de acordo com o cartão de embarque (que era um crachá de embarque). O grupo verde (o nosso) ia para a ilha ver os pinguins enquanto o grupo laranja ia almoçar (no restaurante deles, mas não incluso no passeio). Depois invertia.

Ushuaia, pinguins

Os pinguins de Papua, de pés amarelos. Foto: Márcio Cabral de Moura

Pegamos uma lancha (com cobertura) e fomos para a ilha dos pinguins. Dá pra ir de tênis, pois não chegamos a pisar na água. Na ilha, vários pinguins na praia, onde temos que manter uma distância de pelo menos 2 metros. Depois subimos uma escada para o interior da ilha e tivemos que ficar na região demarcada (onde eventualmente os pinguins entram). Nessa parte, temos que respeitar o pinguim como se ele fosse um ciclista: 1,5 m de distância. São centenas de pinguins (todos da espécie pinguim de Magalhães), além de gansos sul-americanos e alguns outros pássaros.

Saindo dessa região, caminhamos pela praia, onde vimos mais pinguins de Magalhães. Seguindo pela praia, finalmente avistamos os pinguins de Papua, que são maiores e têm pés amarelos.

Ushuaia, pinguins

Mais pinguins de Papua. Foto: Márcio Cabral de Moura

Depois de uns 40 a 50 minutos na ilha, voltamos pra lancha (ela veio até nós, para ser mais preciso) e fomos almoçar. Em seguida, fomos para um museu de fósseis marinhos que fica a uns 300 metros do restaurante. Fizemos uma visita guiada e em seguida fomos pro ônibus (a volta é de ônibus).

 

Museo Maritimo y del Presidio

No nosso último dia em Ushuaia, fomos ao museu que fica na antiga penitenciária da cidade (a entrada custa 250 pesos pra residentes em países do Mercosul).

Na realidade é um complexo de museus. Não há nada muito diferente do que poderíamos encontrar numa página de Internet, mas valeu a visita num dia chuvoso.

Os nativos da região morreram quando passaram a ser obrigados a usar roupas. E até mil oitocentos e pouco não se conhecia o canal de Beagle, que tem esse nome por conta do navio que em sua segunda viagem pra essas bandas teve a bordo Charles Darwin. E os pinguins mais ao norte que existem são encontrados nas Ilhas Galápagos.

*** Como escrevemos lá em cima no post, esta viagem foi feita em fevereiro de 2017. Portanto, os preços relatados no texto estão sujeitos a atualização.

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Munique: novo voo direto aproxima Alemanha e Brasil

A Oktoberfest original está mais perto dos brasileiros! Assim como a Allianz Arena, os jogos do multicampeão Bayern, o Castelo de Neuschwanstein e outros passeios na região da Baviera, na…

A Oktoberfest original está mais perto dos brasileiros! Assim como a Allianz Arena, os jogos do multicampeão Bayern, o Castelo de Neuschwanstein e outros passeios na região da Baviera, na Alemanha. Isso porque a cidade de Munique é o destino de uma rota sem escalas saindo do Brasil. A partir de 7 de novembro de 2017, a Condor opera um voo direto entre Recife e Munique. É apenas um voo semanal, sempre às terças-feiras. Mas já é o suficiente para facilitar a chegada a um dos principais destinos turísticos alemães.

O voo partindo do Recife passa a ser o único voo direto para Munique saindo do Brasil. Até outubro de 2016, havia um voo a partir de São Paulo, feito pela Lufthansa. Mas a companhia suspendeu a rota, alegando a crise econômica brasileira como motivo. As ligações entre Brasil e Alemanha acabaram se restringindo a Frankfurt, que tem um dos principais aeroportos da Europa. Latam e Lufthansa faziam essa rota saindo de São Paulo e Rio de Janeiro. A Condor chegou depois e incluiu o Nordeste na parada, com voos a partir do Recife, Salvador e Fortaleza.

A rota Recife-Munique é feita em aeronaves Boeing 767/300, com três classes: business, comfort e econômica. O voo tem um horário bom para quem consegue dormir na viagem. Sai às 18h50 do Recife e chega às 8h50 locais em Munique no dia seguinte, totalizando 10 horas de voo.

Voei de Condor em duas oportunidades, sempre na rota Recife-Frankfurt. Em 2015, os aviões eram iguais a estes que fazem o novo voo para Munique. Confortáveis, com bom serviço de bordo, mas muita coisa paga por fora. Desde a reserva do assento até uma versão premium do sistema de entretenimento, tudo tem seu preço. Já em 2017, o avião era menor. O espaço entre as poltronas era mais apertado, não havia nem classe comfort nem sistema de entretenimento.

Uma vantagem da Condor é que a franquia de bagagem ainda não sofreu influência da mudança das regras no Brasil. Mesmo na classe econômica, os passageiros têm direito a despachar dois volumes de até 32 kg sem custo adicional. A bagagem de mão permitida é de 6 kg na classe econômica, 10 kg na comfort e 12 kg na business.

Outra questão importante: a Condor tem um escritório no Brasil, mas os problemas mais cascudos precisam ser encaminhados para a matriz na Alemanha. No post sobre os 7 erros que cometi em viagens, descrevi uma situação que vivi na viagem de 2017. O prazo dado pela companhia para responder a casos encaminhados à matriz era de 72 horas úteis. Portanto, ao escolher voar pela Condor, tente minimizar os riscos de mudança em cima da hora da viagem.

Mas o que fazer em Munique?

Munique - parque olímpico

Parque Olímpico de Munique. Foto: designerpoint / Pixabay

Para responder a esta pergunta, entrei em contato com a Márcia Oliveira. Ela é carioca e mora em Munique desde 2015 e promove passeios guiados para brasileiros na cidade e na região da Baviera (da qual Munique é capital). Ela também publica dicas sensacionais no blog Vou Pra Alemanha, que divide com outras duas brasileiras. Para a Márcia, tudo o que você encontra em Munique e na Baviera é muito parecido com a imagem que se costuma ter da Alemanha.

Márcia Oliveira, do blog Vou Pra Alemanha

“Quando você pensa na Alemanha, é muito provável que venham à sua mente os Alpes, as vaquinhas, os pastos verdinhos, lagos cor de esmeralda. Ou ainda casinhas com flores nas varandas, lindos castelos, pessoas bebendo cerveja e se divertindo. Tudo isso pode ser encontrado na Baviera. Em comparação com o resto da Alemanha, a Baviera é a região que mais preserva as tradições, onde você pode experimentá-las e vivenciá-las de forma mais genuína”, conta Márcia.

 

Quando ir a Munique?

Segundo Márcia Oliveira, a cidade tem atrativos o ano inteiro. Mas a melhor época para ir vai depender muito do que você quer ver e fazer. “Se quiser fugir do período mais frio, evite janeiro. Por outro lado, se quiser ver bastante neve, venha em janeiro. O inverno aqui é rigoroso, mas nada que impeça passeios pela cidade e arredores. Basta que você esteja bem agasalhado”, explica.

A época mais fria vai de janeiro a abril. Na virada de abril para maio, a temperatura começa a subir e as tulipas coloridas florescem. É a primavera chegando. De junho a setembro, é o verão: dias quentes, noites frescas. Em setembro é dada a largada da Oktoberfest (da qual falaremos um pouco mais adiante) e as temperaturas começam a cair até dezembro. Em novembro, as feiras de Natal chegam para deixar a cidade com outra atmosfera.

Também pedi à Márcia que enumerasse os cinco lugares preferidos dela em Munique. Confira as dicas dela!

 

Olympiaberg

Munique, Olympiaberg

Olympiaberg. Foto: Vou Pra Alemanha

O que diz a Márcia: “É um pequeno monte no Parque Olímpico de Munique, onde é possível ter uma visão geral da cidade. Também é meu lugar preferido para ver o pôr-do-sol”.

Esta é apenas uma das inúmeras atrações do Parque Olímpico, que segue em plena atividade desde os Jogos de 1972. De lá para cá, vários eventos esportivos foram realizados aqui, assim como shows e exposições. Além disso, é um dos principais espaços de lazer para os moradores. A Olympiaberg, por exemplo, tem entrada gratuita.

Site: http://www.olympiapark.de

 

Jardim Inglês (Englischer Garten)

Munique, Englischer Garten

Englischer Garten no Verão. Foto: Munchen.de

O que diz a Márcia: “Um dos maiores parques urbanos do mundo. Ele está sempre lindo, em qualquer estação”.

Além das paisagens naturais (beira de rio, beira de lago, áreas verdes, etc), o Englischer Garten tem uma porção de restaurantes típicos, a tradicional Torre Chinesa e um biergarten para tomar cervejas locais. Além disso, há um trecho de rio com correnteza onde se pratica surfe! Dá uma olhada no vídeo feito pelo blog Vou Pra Alemanha!

Site: http://www.muenchen.de/sehenswuerdigkeiten/orte/120242.html

 

Deutsches Museum

Munique, Deutsches Museum

Foto: Deutsches Museum / Divulgação

O que diz a Márcia: “maior museu de tecnologia do mundo”.

O Museu Alemão é enorme. Tem uma área de 45 mil metros quadrados e um acervo de 17 mil peças. Entre as áreas do conhecimento exploradas no museu, estão a mineração, a aeronáutica, a química, a engenharia e muito mais.

Site: www.deutsches-museum.de

 

Palácio Residenz

Munique, Palácio Residenz

A ala Antiquarium no Palácio Residenz. Foto: blizniak / Pixabay

O que diz a Márcia: “é um museu que serviu de residência aos governantes da Baviera por mais de 600 anos”.

É o maior palácio urbano da Alemanha, composto por dez pátios e 130 salas. Abriga também um museu de decoração de interiores, uma sala de concertos, a Casa do Tesouro Real e um teatro. O Jardim da Corte, outra atração do complexo, tem entrada gratuita. Confira informações sobre ingressos nos espaços pagos e sobre os horários de funcionamento.

 

Viktualienmarkt

Munique

Foto: Munchen.de

O que diz a Márcia: “é um mercado gourmet que fica bem no centro histórico de Munique, onde há inclusive um biergarten”

É um mercado com mais de 200 anos de história e é marcante pelo tamanho e diversidade. São 22 mil metros quadrados e 140 lojas com itens que vão de flores a temperos, de plantas a carne, passando por peixe, charcutaria e muito mais.

Horário de funcionamento: segundas a sextas, das 10h às 18h. Sábados, das 10h às 15h. Fechado aos domingos. A fonte é o site da prefeitura de Munique.

 

 

Faixas bônus

Outros programas imperdíveis em Munique e arredores.

 

Oktoberfest

Munique, Oktoberfest

Foto: Divulgação Oktoberfest

O maior evento turístico de Munique e, quiçá, de toda a Alemanha. É uma tradição de quase 200 anos, que inclui roupas folclóricas, músicas típicas e canecas de litro abastecidas de cerveja de forma intermitente. A festa começa em setembro e dura 16 dias.

O site da Oktoberfest é completíssimo com informações sobre o evento.

E o site Um Só Lugar preparou um guia prático da festa, cheio de curiosidades para quem pretende curtir in loco.

 

Allianz Arena

Foto: Lee Min Jon / Pixabay

Nem parece que o moderníssimo estádio do Bayern de Munique já tem mais de 10 anos de existência. Inaugurado em 2005, foi palco de seis jogos da Copa do Mundo em 2006 e da final da Champions League em 2012. As visitas à arena contemplam não apenas as principais dependências do estádio, como também o FC Bayern Erlebniswelt: o maior museu de um clube de futebol alemão.

Para informações sobre agenda de eventos, horário de funcionamento e preços das visitas, entre no site da Allianz Arena.

 

BMW Welt

Munique, BMW Welt

Foto: Divulgação / BMW Welt

É um complexo que reúne a fábrica, edifícios administrativos e o museu da montadora alemã. O lugar impressiona não só aos fãs de carros, mas a quem admira a arquitetura moderna. O design do complexo é de cair o queixo. Além de carros e motos em exposição, o BMW Welt tem loja oficial da marca, além de restaurante, lanchonete e muito mais.

Para informações sobre horários de funcionamento e preços de ingressos, acesse o site do BMW Welt.

 

Legoland

Foto: Legoland / Divulgação

Essa dica é para quem curte parques temáticos e está disposto a pegar uma estrada. A Lego (sim, a fábrica dos brinquedinhos de montar) tem nove parques em todo o mundo. Um deles está em Günzburg, a 130 quilômetros de Munique. A filial alemã é feita com 56 milhões de peças de Lego. E uma das partes mais legais é a Mini Land, com réplicas de pontos turísticos da Alemanha montadas com os famosos bloquinhos.

Para informações bem completinhas, acesse o site da Legoland Deutschland.

 

Outros passeios

Munique, Castelo de Neuchwastein

Castelo de Neuchwanstein. Foto: Vou Pra Alemanha

Há muitos outros lugares legais para ver em Munique e nos arredores. Como o Castelo de Neuchwanstein, o campo de concentração de Dachau e as cidades de Innsbruck e Salzburgo, na Áustria. A Márcia Oliveira, do blog Vou Pra Alemanha, organiza passeios para todos esses destinos e para vários roteiros dentro de Munique. Os depoimentos das pessoas que já fizeram excursões com ela são muito legais! Não deixe de conferir a lista completa dos tours organizados por ela antes de organizar sua viagem para a Alemanha!

 

2 comentários em Munique: novo voo direto aproxima Alemanha e Brasil

Círio de Nazaré: um guia para quem vai acompanhar pela primeira vez

Para quem nasce em Belém do Pará, é impossível desenvolver uma relação de indiferença com o Círio de Nazaré. A cidade é tão invadida por Nossa Senhora em outubro quanto…

Para quem nasce em Belém do Pará, é impossível desenvolver uma relação de indiferença com o Círio de Nazaré. A cidade é tão invadida por Nossa Senhora em outubro quanto por Papai Noel em dezembro. A publicidade local ganha peças especiais para a época. Os parentes que moram longe desembarcam quase todos na mesma semana. Quem é de rezar tem uma quinzena inteira para dedicar à devoção. Quem não é de rezar tem uma grande dose de confraternização, comida e algumas festas. Ou então se limita a reclamar do trânsito, que realmente fica insuportável.

É o maior evento de Belém, que leva mais de um milhão de pessoas às ruas da cidade, entre moradores e visitantes. E no meio dessa multidão, tem gente de vários perfis. De turistas que gastam uma nota para ver o Círio da varanda de um hotel cinco estrelas até peregrinos de cidades vizinhas que vêm a pé. Tem gente que vem de longe para expressar sua fé. E tem gente que vai contemplar a fé alheia. Os promesseiros do Círio de Nazaré atraem tantos olhares e suspiros quando a própria padroeira dos paraenses.

Minha relação com o Círio de Nazaré começou como a de quase qualquer belenense. Quando eu era muito pequeno, meus pais não costumavam me levar para a procissão por causa do sufoco e da aglomeração. Quando eu tinha 10, 11 anos, comecei a acompanha-los. Aos 19, já na faculdade de jornalismo, o Círio virou sinônimo de trabalho para mim. E muito! Jornalista que folga no Círio é tão raro quanto a neve em Belém.

Trabalhar no Círio de Nazaré distanciou um pouco a minha visão do lado espiritual da coisa. Mas ajudou a compreender questões mais práticas e objetivas do evento. Talvez tenha mesclado a minha vivência de nativo com um olhar de visitante. E acho que é uma mistura interessante para falar do Círio num blog de viagens.

Decidi escrever este post não com o objetivo de ser a principal fonte de informações históricas sobre o Círio. E sim pensando no viajante que pretende acompanhar a festividade pela primeira vez. Sei que chegar a Belém na segunda semana de outubro sem referência nenhuma deve deixar os romeiros estreantes meio baratinados. Espero que este artigo possa ajudar a facilitar a vida (e o planejamento da viagem) dessas pessoas!

 

Um pouco de história

Círio de Nazaré, Basílica Santuário

A Basílica Santuário de Nazaré. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

A devoção a Nossa Senhora de Nazaré no Pará tem origem numa lenda do início do século 18. Um pescador chamado Plácido encontrou uma imagem da santa às margens de um igarapé, palavra amazônica para riacho. Ele levou a imagem para casa. Mas, no dia seguinte, ela sumiu e reapareceu no mesmo local onde havia sido encontrada. A história se repetiu outras duas vezes até Plácido entender a mensagem: a santa queria permanecer naquele lugar.

O igarapé Murutucu, onde a imagem foi encontrada, acabou recebendo uma pequena capela para sediar a adoração a Nossa Senhora. A primeira procissão foi realizada em 1793. De lá para cá, o número de fiéis se multiplicou exponencialmente. A romaria se transformou em uma das maiores do mundo e a capelinha à beira do riacho virou a hoje imponente Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré.

Para conhecer um pouco mais sobre a história do Círio de Nazaré, acesse o site oficial do evento.

Quando acontece o Círio de Nazaré?

Círio de Nazaré, promesseira

Sempre há promesseiros que fazem o percurso do Círio de joelhos. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

Os primeiros Círios foram realizados em dezembro. Mas, desde 1901, a procissão ganhou a data fixa que tem até hoje: o segundo domingo de outubro. Essa não foi a única mudança em mais de 200 anos de história. Nas primeiras edições, a romaria saía à tarde. Hoje, a saída é às 6 da manhã. As alterações provavelmente foram para fugir do clima chuvoso de Belém, já que dezembro é um mês mais úmido e as chuvas são tradicionalmente vespertinas.

Há muito tempo o Círio de Nazaré não é apenas a procissão do domingo. Ao longo do século 20, foram criadas várias outras romarias para engordar a programação. A santinha viaja por terra e água para alcançar mais fiéis e percorre 140 quilômetros em doze procissões somadas. No total, entre eventos e romarias, a festa da padroeira dos paraenses dura vinte dias.

Para facilitar o seu planejamento, vamos organizar os eventos pelas datas em que são realizados. Usamos o calendário de 2017 como base, mas o post será editado nos anos seguintes com as datas atualizadas.

Antes do fim de semana do Círio

Círio de Nazaré, abertura oficial

Abertura do Círio de Nazaré. Foto: Mácio Ferreira (Agência Pará)

Na terça-feira que antecede a grande procissão, é realizada a abertura oficial do Círio. Em 2017, ela cai no dia 3 de outubro. É uma missa solene na Basílica Santuário, com a presença da diretoria da festa, da arquidiocese de Belém e de autoridades da cidade. Começa às 18h.

Mas o primeiro evento cercado de expectativa dos fiéis acontece na quinta-feira (em 2017, 5 de outubro): a missa de apresentação do manto, também na Basílica Santuário. A cada ano, o manto que cobre a imagem de Nossa Senhora em todas as romarias é diferente. A confecção é mantida sob sigilo absoluto pela diretoria da festa até o dia do evento, que começa às 18h. Não são eventos para pautar a data da sua chegada. Só se você já estiver na cidade e for muito devoto.

Apresentação do manto de Nossa Senhora. Foto: Divulgação / Fundação Nazaré

 

Sexta-feira, 06/10/2017

Círio de Nazaré, Traslado

As ruas movimentadas no dia do Traslado. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

Traslado

A antevéspera do Círio de Nazaré é o dia da primeira das doze romarias, o Traslado. Ela sai às 7 da manhã e é a mais longa de todas. O percurso tem 52 quilômetros e vai da Basílica Santuário, em Belém, até a Igreja de Matriz de Ananindeua, município vizinho à capital paraense. A imagem de Nossa Senhora é colocada sobre um carro da Polícia Rodoviária Federal. O roteiro passa por vários bairros de Belém, Ananindeua e Marituba (outra cidade da região metropolitana). No caminho, o comboio faz algumas paradas para homenagens em frente a prédios de órgãos públicos e hospitais.

 

Auto do Círio

À noite, o centro histórico de Belém é ocupado por um dos eventos mais tradicionais da programação extraoficial da festividade. O Auto do Círio é um cortejo organizado há mais de duas décadas pela UFPA, por meio da Escola de Teatro e Dança. Pelas ruas da Cidade Velha, artistas profissionais e amadores encenam um espetáculo que celebra a cultura e a história de Belém e do Círio.

Círio de Nazaré, Auto do Círio

Auto do Círio. Foto: Cristino Martins – Agência Pará

 

Festival Lambateria

Você pode aproveitar a ida à Cidade Velha para curtir uma noite de música paraense no Festival Lambateria. A Lambateria é uma festa (da qual já falamos no post sobre dicas de Belém) em que toca guitarrada, carimbó, tecnobrega e outros ritmos tradicionais e modernos da Amazônia. A escalação do festival está imperdível e tem como principais atrações Dona Onete, Pinduca, Combo Cordeiro e Félix Robatto. Outras informações você pode encontrar na página do evento no Facebook.

 

 

O que vale a pena?

O Traslado não vale a pena. Como a romaria é conduzida por um carro e há várias interdições no trânsito no caminho, é praticamente impossível seguir o comboio. Mas, se você quer colocar esta romaria no currículo, o melhor é ver a saída nos arredores da Basílica ou escolher um ponto de passagem. Minha sugestão: o Hospital Ophir Loyola, na avenida Magalhães Barata. Não é longe do centro de Belém e é uma parada tradicional da procissão.

Já o Auto do Círio vale demais. Tanto pela manifestação artística quanto para conhecer o bairro mais antigo de Belém. O Auto do Círio geralmente tem “estações” em frente a alguns dos lugares mais bonitos da Cidade Velha, como a Catedral e a Igreja de Santo Alexandre.

Sábado, 07/10/2017

Círio de Nazaré, Romaria Rodoviária

Fiéis à espera da Romaria Rodoviária. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

O dia mais importante da programação do Círio de Nazaré é o domingo. Mas o mais movimentado é o sábado. São quatro romarias, começando nas primeiras horas da manhã e terminando já no início da madrugada de domingo.

Romaria Rodoviária

O dia começa com a Romaria Rodoviária, que sai às 5h30 da Igreja Matriz de Ananindeua, onde a imagem de Nossa Senhora pernoitou na véspera. Esta romaria é realizada desde 1989 no sábado anterior e foi criada para atender a um pedido do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga. São 24 quilômetros de percurso pelas rodovias BR-316 e Augusto Montenegro até o trapiche de Icoaraci, onde começa o segundo evento do dia.

Romaria Fluvial

A Romaria Rodoviária termina onde a Romaria Fluvial começa. Depois de uma missa no trapiche, a imagem embarca numa corveta da Marinha. A saída costuma ser por volta de 9 da manhã. É um dos eventos mais bonitos de toda a festividade. A padroeira é seguida por embarcações de diversos tamanhos e padrões, desde lanchas turísticas até barcos simples de madeira. A romaria tem um percurso de 10 milhas náuticas (o equivalente a 18,5 quilômetros) e costuma durar 2h30. A chegada é na escadinha do Cais do Porto, no centro de Belém.

Círio de Nazaré, Romaria Fluvial

Romaria Fluvial. Foto: Carlos Sodré – Agência Pará

Moto Romaria

No final da Romaria Fluvial, a festa se divide em duas. A imagem de Nossa Senhora segue para a terceira procissão do dia: a Moto Romaria. Milhares de motociclistas acompanham a santa num trajeto de 2,5 quilômetros até o Colégio Gentil Bittencourt, na avenida Magalhães Barata. Geralmente, esta romaria dura em torno de uma hora.

Moto Romaria. Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

Arrastão do Círio

Quem não está de moto pode participar de outra programação que começa bem perto, em frente à Praça dos Estivadores: o Arrastão do Círio. É um evento organizado pelo Instituto Arraial do Pavulagem, um dos principais difusores da cultura popular no Pará. É um cortejo embalado por tambores, danças e cantos em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré.

Círio de Nazaré, Arrastão do Pavulagem

Arrastão do Círio. Foto: Dah Passos – Instituto Arraial do Pavulagem

Trasladação

No final da tarde, começa a segunda procissão mais importante da programação do Círio de Nazaré: a Trasladação. Ela tem um trajeto quase igual à da grande romaria do domingo, mas no sentido contrário. Sai do Colégio Gentil Bittencourt em direção à Catedral Metropolitana. Como é uma caminhada noturna, geralmente é embelezada pelas velas que muitos fiéis levam. A iluminação da berlinda que leva a santa também é um dos pontos altos. O percurso tem 3,7 quilômetros, mas a duração é menos previsível. Costuma terminar por volta da meia-noite.

Círio de Nazaré, Trasladação

Trasladação. Foto: Thiago Gomes – Agência Pará

Festa da Chiquita

Pensa que acabou? A noite do sábado para o domingo tem um evento que costuma fazer os católicos mais tradicionalistas torcerem o nariz. A Festa da Chiquita é um evento organizado pela comunidade LGBT de Belém e é realizada no Bar do Parque, em frente ao Theatro da Paz. Assim que a Trasladação passa em frente ao bar, a festa começa e costuma entrar pela madrugada. Nos últimos anos, a Festa da Chiquita sempre foi uma incógnita até a última hora. Sem o apoio da diretoria do Círio e das últimas gestões da prefeitura, ela foi marginalizada. Até o fechamento deste texto, não havia uma confirmação sobre a realização em 2017.

A Festa da Chiquita foi tema de um documentário lançado há alguns anos. O nome do filme é “As Filhas da Chiquita” e está disponível na íntegra no Vimeo. Aqui, um trechinho para você ter uma noção do que rola no Bar do Parque depois que a santa passa.

O que vale a pena num dia tão movimentado?

Eu recomendo fortemente a Romaria Fluvial. Ela é muito simbólica dentro da programação, dado o significado dos rios para a região amazônica. Algumas agências de turismo preparam embarcações para acompanhar a romaria. O barco da Valeverde Turismo é um dos mais tradicionais. Oferece bebidas quentes e água, tem venda de lanche a bordo, música ao vivo e show folclórico.

Se o passeio de barco não tiver tirado toda a sua energia, passe algumas horas no Arrastão do Pavulagem. É uma lindíssima manifestação artística, além de ser um ponto de encontro de gente descolada.

A Trasladação também vale muito a pena. Se você quiser acompanhar caminhando, chegue ao Colégio Gentil Bittencourt pelo menos uma hora antes da procissão. Veja a saída da santa e siga andando na frente da romaria até onde seu fôlego permitir. Se quiser ver tudo sentadinho, o melhor custo/benefício é comprar um ingresso para as arquibancadas montadas na avenida Presidente Vargas. Para a Trasladação, o preço é R$ 35. A venda é pela internet.

A Festa da Chiquita é divertida, mas tem uma aglomeração que permite pequenos furtos. Se você for conservador a ponto de se incomodar com a celebração da diversidade num evento católico, melhor não ir. Mas se você estiver no espírito, não perca. Só tenha as mesmas preocupações que você teria num evento de carnaval de rua. Ah, e não perca a hora para o dia seguinte!

 

Domingo, 08/10/2017

Círio de Nazaré, berlinda

Foto: Thiago Gomes – Agência Pará

É o grande dia da festividade. O Círio de Nazaré propriamente dito. A movimentação começa ainda de madrugada, antes mesmo do sol nascer. Os promesseiros que querem acompanhar a procissão na corda (vamos falar dela mais adiante) passam a madrugada no Boulevard Castilhos França. Mas o início do dia para valer é às 5h, com a missa na Catedral Metropolitana. A missa termina e o Círio começa. A berlinda que leva a imagem da padroeira sai da Praça Frei Caetano Brandão, em frente à Catedral, e começa um percurso de 3,6 quilômetros.

Em frente à Praça do Pescador, no Boulevard Castilhos França, acontece um dos momentos mais emocionantes do Círio de Nazaré. É quando a corda, um dos símbolos mais especiais da festa, é atrelada à berlinda. A corda tem 800 metros de comprimento, dividido em dois pedaços de 400. Cada centímetro é disputado à exaustão pelos promesseiros, que se espremem para pedir ou agradecer alguma realização atribuída à fé na padroeira.

Círio de Nazaré, corda

No meio dos promesseiros da corda, nem se vê a corda. Foto: Alessandra Serrão – Agência Pará

Na frente da corda e da berlinda, vão outros elementos importantes na simbologia do Círio de Nazaré. Treze carros de promessas começam o percurso um pouco mais adiante, na avenida Presidente Vargas. Alguns deles recebem os ex-votos, que são objetos representando os pedidos ou as graças alcançadas. Os mais comuns: velas, partes do corpo esculpidas em cera (para pedidos relacionados a saúde), tijolos e miniaturas de barcos e casas. Outros carros levam crianças vestidas de anjos, geralmente pagando promessas feitas pelos pais.

Foto: Thiago Gomes – Agência Pará

Tem gente que acompanha o Círio caminhando. Tem gente que fica à espera da passagem da procissão em algum ponto do percurso. Edifícios, hotéis, arquibancadas são locais em que se tem conforto e segurança. Quem prefere não pagar (ou não pode), fica na rua mesmo. Não é a melhor escolha para quem tem mais idade ou alguma dificuldade de locomoção.

Quanto tempo dura?

A duração da romaria é uma controvérsia entre os fiéis. Já houve um Círio de Nazaré que durou dez horas. Foi o de 2004, que chegou ao ponto final (a Praça Santuário) às 16h. E já houve outros que chegaram antes do meio-dia. Tem quem prefira que o Círio seja mais rápido, para que as famílias possam aproveitar o tradicional almoço e o restante do domingo. Tem quem ache que uma procissão mais longa é um sacrifício que vale a pena, para não se ver a santinha passando “a jato” diante dos olhos.

Dicas para acompanhar

Círio de Nazaré

A Praça do Relógio, em frente à chamada “pedra do peixe” no Ver-o-Peso. Foto: Mácio Ferreira – Agência Pará

O esquema que aprendi com meus pais para acompanhar o Círio a pé é o seguinte. Chegar por volta de 5h30 da manhã à Praça do Relógio, que fica nos primeiros metros do percurso. De lá, ver a passagem da berlinda e então cortar caminho por dentro do bairro do Comércio. Assim, chega-se à avenida Presidente Vargas bem à frente da procissão, sem muito sufoco. Meus pais costumam fazer o atalho pela rua João Alfredo ou Treze de Maio. Mas qualquer rua da região estará muito movimentada no domingo do Círio.

Corda

Se você quiser encarar a corda, vá com a preparação de uma corrida de longa distância. O aperto é grande e o calor, insuportável. Chegue cedo, no máximo às 3 da manhã, ao Boulevard Castilhos França. Vá de chinelos, sabendo que vai precisar descartá-los. É proibido acompanhar a corda calçado. Deixe em casa também acessórios que possam machucar, como anéis, relógios e brincos. Alguns promesseiros da corda levam acompanhantes para dar alguma assistência em caso de necessidade. Muita gente desmaia no percurso. Mas há uma grande quantidade de voluntários da Cruz Vermelha trabalhando no atendimento médico ao longo da procissão.

Segurança

É uma festa religiosa, mas os descuidistas não tiram folga. Portanto, cuidado com objetos de valor. Deixe a carteira em casa. Leve dinheiro trocado e um documento apenas.

Arquibancadas

Para quem preferir comodidade, as arquibancadas oficiais na avenida Presidente Vargas custam R$ 70 e estão à venda neste site.

Hotéis

Se seu orçamento estiver bem mais folgado, hospede-se em um hotel no percurso do Círio de Nazaré. Dois dos mais tradicionais de Belém estão no caminho. O Princesa Louçã (antigo Hilton) na avenida Presidente Vargas e o Grand Mercure (antigo Crowne Plaza) na avenida Nazaré. Eles geralmente fecham pacotes com muita antecedência para o Círio, mesmo cobrando os olhos da cara.

Transporte público

Funciona normalmente e ganha reforço durante o fim de semana do Círio, inclusive de madrugada. Os ônibus que passam perto do percurso geralmente circulam com uma placa “Círio de Nazaré” no vidro dianteiro.

 

Almoço do Círio

Círio de Nazaré, maniçoba

A famosa maniçoba. Foto: Cristino Martins – Agência Pará

Muitos restaurantes fecham no domingo do Círio de Nazaré. É o caso de alguns dos mais tradicionais e conceituados da cidade. O Remanso do Bosque, do badalado chef Thiago Castanho, fecha no domingo, mas abre normalmente para almoço e jantar na segunda-feira. O Lá Em Casa, com mais de 40 anos de tradição, também fecha, assim como todos os outros restaurantes da Estação das Docas. Mas abre no sábado desde cedo, aproveitando a chegada da Romaria Fluvial, inclusive servindo café da manhã.

O Avenida é uma das melhores pedidas. Não só pela tradição, mas pela localização. Ele fica a poucos metros da Praça Santuário. A procissão do Círio passa bem em frente. Para 2017, as reservas abriram em 1º de setembro. E, dependendo do dia em que você ler este post, é possível que não haja mais vagas.

O restaurante do Hotel Mercure (sobre o qual já falamos alguns parágrafos acima) tem um pacote para não-hóspedes. Tem almoço com água, refrigerante e sobremesa inclusos. A programação também tem uma missa no hotel. O valor é um pouco salgado: R$ 350 por pessoa. Mas, se você tiver esse dinheiro sobrando, a comodidade e a localização compensam. As reservas podem ser feitas pelo telefone (91) 3202.2100.

Fora do circuito da procissão, existem boas opções. O Manjar das Garças fica dentro do parque Mangal das Garças. O Spazzio Verdi fica a um quarteirão da Praça Santuário e pode ser uma solução próxima. E o Avuado, que já indicamos no post com as dicas de Belém, também abrirá normalmente. É um bom lugar para comer peixes de rio e frutos do mar.

O prato mais típico nesta celebração é a maniçoba, que, numa tentativa simplória de explicar, é uma espécie de feijoada amazônica. É um cozido de partes menos nobres do porco. Mas, no lugar do feijão, entra a maniva, que é a folha da mandioca brava. Ela precisa passar uma semana fervendo para perder uma toxina natural que possui. Visualmente, o prato não é bonito, mas é muito saboroso.

 

Depois da grande procissão

Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará

Quando a romaria do domingo termina, a programação do Círio de Nazaré arrefece um pouco. Todas as manhãs, às 5h30, fiéis celebram o Terço da Alvorada no entorno da Basílica Santuário. Eles se revezam em orações e conduzem uma réplica da imagem da padroeira. À noite, também na área próxima à Basílica, há duas pedidas. O Círio Musical, programação de shows católicos gratuitos na Praça Santuário; e o Arraial de Nazaré, no parque de diversões ao lado da Praça.

Últimas romarias

Mas lembra que eu falei que eram doze romarias? Até agora, falei apenas de seis. No sábado seguinte ao Círio (em 2017, 14 de outubro), são realizadas duas. A primeira é a Cicloromaria, dedicada aos ciclistas. A segunda é a Romaria da Juventude, organizada pelos jovens das paróquias e comunidades da Arquidiocese de Belém.

O dia seguinte (em 2017, 15 de outubro), tem a Romaria das Crianças, com um percurso na medida para que as famílias com filhos pequenos possam celebrar sem sufoco.

No último sábado da festividade (em 2017, 21 de outubro), tem a Romaria dos Corredores. São 7 quilômetros em que a imagem de Nossa Senhora é conduzida numa velocidade para ser acompanhada numa corrida leve.

No domingo seguinte (em 2017, 22 de outubro), tem a Procissão da Festa. É uma romaria dedicada aos membros da diretoria da festa e às comunidades da paróquia de Nazaré. Pra fechar o calendário, tem ainda a missa de encerramento às 19h30 na Basílica Santuário e o Espetáculo Pirotécnico. Este é um momento bastante aguardado e pode ser visto de longe, de vários bairros de Belém. Ele começa às 21h na Praça Santuário.

O que vale a pena acompanhar?

Se sua estadia em Belém para o Círio for mais longa, vale você arrumar uma bicicleta e seguir a Cicloromaria. Ela sai às 8h da Praça Santuário. Tem um percurso de 14 quilômetros por alguns bairros do centro de Belém, até voltar ao local de partida Se você viaja com filhos pequenos, a Romaria das Crianças também é uma boa pedida. A saída e a chegada são na Praça Santuário. O Espetáculo Pirotécnico é bonito, mas a movimentação na Praça Santuário é muito grande. Além disso, é muito comum o relato de pequenos furtos na multidão. Pense duas vezes antes de decidir acompanhar tão de perto.

O que mais fazer em Belém?

Foto: Facebook/Estação das Docas

Estação das Docas. Foto: OS Pará 2000

Além dos passeios clássicos que você já deve ter visto por aí, a gente tem algumas indicações mais “outsiders”. Falamos sobre elas neste post com o guia de Belém que os guias não contam. Mas para não dizer que ignoramos as tradições, sugerimos também a Estação das Docas, sua vista e seus sabores imperdíveis!

O Círio de Nazaré é uma boa época para comprar artesanato em Belém. Duas feiras são tradicionais nesta época. A Feira do Artesanato do Círio, organizada pelo Sebrae na Praça Waldemar Henrique; e a Feira do Miriti, realizada pela cooperativa dos artesãos de Abaetetuba (cidade a 121 quilômetros de Belém), na Praça Dom Pedro II. A primeira é mais completa, com mais tipos e estilos de artesanato. A segunda é focada no miriti, uma palmeira cujo tronco é conhecido como “isopor amazônico”. Abaetetuba é o principal pólo de produção de arte em miriti. São feitas esculturas de todo tipo. Mas o carro-chefe são os brinquedos de miriti, que fazem parte das tradições do Círio.

Mapa do Círio de Nazaré

Aqui você vai encontrar todos os locais citados no texto para que você tenha em conta as distâncias de Belém.

 

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7 lugares “secretos” para conhecer em Madrid

Quando coloquei o Mochileza no ar, pensei num grande propósito. A ideia era sempre buscar experiências pouco comuns para compartilhar com os leitores. Lugares que só os moradores conhecem, passeios…

Quando coloquei o Mochileza no ar, pensei num grande propósito. A ideia era sempre buscar experiências pouco comuns para compartilhar com os leitores. Lugares que só os moradores conhecem, passeios pouco divulgados e experiências de imersão nas cidades, por exemplo. Se fosse para escrever sobre o que todo mundo já fala ou já sabe, não havia a necessidade de mais um blog de viagem existir.

O problema é que, para o trabalhador que tem apenas 30 dias de férias por ano, fica bem difícil conhecer os destinos tão profundamente assim. Não com uma consistência suficiente para dizer: “rodei a cidade inteira e não encontrei um lugar tão pitoresco quanto este”.

Ainda bem que a internet aproxima as pessoas e conheci a Larissa Andrade, dos blogs Be My Beer e Esto es Madrid, Madrid. Ela é jornalista e beer sommelier e mora na capital espanhola desde 2011. Com a bagagem que tem, ela compartilha informações e experiências sobre viver em Madrid e sobre o mercado cervejeiro na Europa.

Pois bem: convidei a Larissa para colaborar com o Mochileza e revelar os seus lugares “secretos” preferidos em Madrid. Aqueles que não costumam estar nos guias, que o turista viciado em sightseeing não vê e que podem valer grandes momentos na sua viagem. É mais um guest post especial por aqui! Espero que vocês curtam!

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Larissa Andrade, nossa anfitriã em Madrid. Foto: Arquivo pessoal

Madrid é uma cidade de contrastes: apesar de ser a segunda maior capital europeia, atrás apenas de Londres, às vezes parece ser um pouco provinciana. Apesar de ter uma área moderna, é cheia de história. E apesar de acolher moradores de várias partes do mundo, está cheia de madrilenhos que não abrem mão de seus costumes e tradições. Neste post, vamos falar de 7 lugares “secretos” de Madrid onde está tudo junto e misturado. 

Na verdade, alguns deles são bem conhecidos pelos locais, mas os considero fundamentais para entender um pouco a alma madrilenha.

Mercado de Vallehermoso

Madrid, Mercado de Vallehermoso

Foto: Larissa Andrade

Há algum tempo, os mercados municipais de Madrid vêm ganhando uma cara nova. As bancas tradicionais de frutas, verduras e carne se misturam a restaurantes asiáticos e lojas de embutidos.

Fora do centro turístico, o Mercado de Vallehermoso é um desses mercados. Nele, você vai encontrar postos onde pode fazer a compra da semana. Na mesma viagem, dá para aproveitar e tomar uma boa cerveja artesanal no Prost Chamberí ou na cervejaria Drakkar, provar a comida tailandesa do Tuk Tuk ou tentar a sorte e conseguir uma mesa para almoçar no disputado Kitchen 154, especializado em comida picante.

Endereço: Calle Vallehermoso, 36 (metrô Quevedo)

Horário de funcionamento: de segunda à sábado, das 9h às 23h. Aos domingos, das 11h às 18h.

 

Restaurante Can Punyetes

Madrid, Can Punyetes

Foto: Facebook/Can Punyetes

Bem ali no centro de Madrid está escondido um restaurante catalão delicioso, onde você pode provar os calçots (uma espécie de cebola típica da região) com salsa romesco, butifarra (linguiça) e terminar com a clássica crema catalana. Eles não aceitam reservas. Por isso, o ideal é chegar cedo e colocar o nome na lista de espera. Não espere nada glamouroso, porque o restaurante é simples e antigo, mas o ambiente é bem original. 

Há dois endereços, mas o meu favorito é o da Calle de los Señores de Luzon, 5 – (metrô Sol ou Ópera)

Horário de funcionamento: segundas a quintas, das 13h às 17h e das 20h à 0h. Sextas e sábados, o horário do jantar se estende até 1h. Aos domingos, só abre para o almoço, das 13h às 17h.

 

Noches de Bolero na Bodegas Lo Máximo

Madrid, Bodegas Lo Máximo

Foto: Larissa Andrade

Um dos bares mais queridinhos do bairro de Lavapiés se torna ainda mais especial nas noites de quarta-feira. É quando a Piluka, que trabalha lá, deixa o balcão do bar e sobe no pequeno palco para cantar boleros. Não pode conversar (ou você corre o risco de levar bronca), mas eu garanto que vale a pena! Você só paga o que consumir e eu te garanto que vai ser impossível não se emocionar. A apresentação começa por volta das 20 horas. 

Endereço: Calle de San Carlos, 6 (metrô Lavapiés ou Antón Martín)

Horário de funcionamento: segundas a quintas, das 19h30 às 2h. Sextas a domingos, das 12h30 às 2h.

 

Bar Casa Zoilo

Madrid, Casa Zoilo

Foto: Facebook/Casa Zoilo

O madrilenho ama um bar. E se ele for desse bem simples, com cara de bairro, em que todo mundo já se conhece e a cerveja sempre vem acompanhada de uma tapa generosa, melhor ainda. O Casa Zoilo, também no bairro de Lavapiés, é assim. Tem um estilo classe trabalhadora, os garçons são ótimos, eles têm opções vegetarianas e você encontra tanto cervejas artesanais quanto industriais.

Endereço: Calle de la Huerta del Bayo, 4 (metrô Tirso de Molina)

Horário de funcionamento: terças a sábados, das 12h às 16h e das 20h à 0h30. Aos domingos, fecha um pouquinho mais cedo, à 0h. Fechado às segundas.

 

Matadero  + Madrid Río

Madrid, Matadero

Foto: Larissa Andrade

O Matadero, antigo matadouro de animais, é atualmente um dos principais centros culturais da cidade. Como está um pouco afastado do centro, muitos turistas não vão até lá, o que considero um erro. Além de ter uma sala de cinema linda e especializada em documentários, a cantina é uma delícia e sempre tem alguma atividade cultural rolando. Minha dica é: alugue uma das bicicletas públicas e vá até o Matadero de bicicleta pelo Madrid Río, um parque que está nas margens do rio Manzanares. Você vai ver Madrid de um jeito diferente e super bonito!

Endereço: Paseo de la Chopera, 14 – (metrô Legazpi)

Horário de funcionamento: todos os dias, das 9h às 22h

 

Museu Sorolla

Madrid, Museo Sorolla

Foto: Larissa Andrade

Madrid tem importantes museus, como o Prado e o Reina Sofía, onde você vai encontrar obras de grandes mestres, como Velázquez, Rubens, Picasso e Dalí. Mas a cidade oferece opções menores, mas muito interessantes, como a Casa Museu de Joaquín Sorolla, que foi a residência do pintor e abriga grande parte de sua obra. Vale a visita pelas duas coisas e é impossível não se impressionar com as obras do artista.

Endereço: Paseo del General Martínez Campos, 37 (metrô Gregorio Marañón ou Ruben Darío)

Horário de funcionamento: terças a sábados, das 9h30 às 20h. Domingos, das 10h às 15h. Fechado às segundas.

 

Cafeteria Santa Eulalia

Madrid, Santa Eulalia Boulangerie Patisserie

Foto: Facebook/Santa Eulalia Boulangerie Patisserie

A capital espanhola, como muitas outras cidades europeias, foi delimitada no passado por uma muralha. Na verdade, duas! Uma muçulmana, construída no século IX, e outra cristã, dos séculos XI e XII e que aproveitou partes da primeira. Infelizmente, apenas pequenas partes das muralhas são conservados e um dos lugares onde você pode vê-las é na Cafeteria Santa Eulalia, que também tem pães, croissants e doces deliciosos em um ambiente moderninho.

Foto: Larissa Andrade

Endereço: Calle Espejo, 12 (metrô Ópera)

Horário de funcionamento: terças a sábados, das 9h30 às 20h. Domingos, das 9h30 às 15h. Fechada às segundas.

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Estádio de Wembley: visita guiada ao templo do futebol inglês

Em uma cidade onde você tromba com estádios por onde anda, é difícil que apenas um se destaque sobre os demais. Sempre vai haver o maior, o mais moderno, o…

Em uma cidade onde você tromba com estádios por onde anda, é difícil que apenas um se destaque sobre os demais. Sempre vai haver o maior, o mais moderno, o mais histórico ou o do time mais popular. Dependendo do que você procura numa visita, um deles pode atendê-lo. Mas, em se tratando de Londres, não é fácil igualar a mística e a relevância do Estádio de Wembley.

O nome Wembley é tão forte no imaginário do futebol quanto Maracanã. O estádio já sediou final de Copa do Mundo, é palco fixo das decisões da Copa da Inglaterra e ainda recebeu eventos de outros esportes. Até jogo de futebol americano já passou por esta famosa grama!

Isso sem falar no fator Wembley na história da música pop. Pense nos grandes nomes do showbiz de diversas épocas. Pense nos seus artistas favoritos, nos discos que você tem na prateleira (caso ainda colecione discos). Muitos deles já fizeram shows em Wembley. De Rolling Stones a Muse. De Queen a Adele. De Elton John a Foo Fighters.

Por esses motivos, escolhi o Wembley como um dos estádios para visitar na minha viagem a Londres em junho de 2015. Falei sobre outro estádio londrino, o Craven Cottage, neste outro post.

Um pouco de história

Wembley Stadium, twin towers

A fachada do velho Wembley, com as duas torres. A foto está nos corredores do novo estádio como recordação.

Se você não acompanha futebol, precisa de um preâmbulo para conhecer alguns fatos sobre Wembley. O estádio que está de pé hoje não é o Wembley original, e sim uma versão remodelada que foi inaugurada em 2007. A primeira encarnação do estádio existiu entre 1923 e 2003 e tinha como principal marca as duas torres na fachada. Logo no jogo inaugural, a final da Copa da Inglaterra entre Bolton e West Ham, recebeu 127 mil pessoas. Durante 27 anos, este foi o maior público do futebol mundial. Acabou superado apenas pela final da Copa de 1950.

Quando foi demolido em 2003, o velho Wembley já tinha passado por remodelagens que diminuíram sua capacidade para 80 mil pessoas. Com a reconstrução, o estádio ficou maior: 90 mil lugares. Além disso, ganhou outro elemento arquitetônico de destaque. No lugar das duas torres, um imenso arco que se destaca de longe.

Wembley Stadium, Twin Towers

Substituição: saem as duas antigas torres…

Wembley Stadium

… e entra o modernoso arco. Foto: Leonardo Aquino

Outro fato interessante: Wembley pertence à Federação Inglesa de Futebol, e não a algum clube. Portanto, é a sede oficial do English Team. Dificilmente você vai ver na programação jogos que não sejam de seleções. A temporada 2017/18 é uma exceção. O Tottenham Hotspurs joga como mandante em Wembley enquanto seu novo estádio não fica pronto.

Começando a visita

Wembley Stadium

É assim que você Wembley assim que sai do metrô. Foto: Leonardo Aquino

Pois bem, vamos à visita em si. Basta sair da estação Wembley Park do metrô para avistar o gigantesco arco e os painéis de led na fachada, que informam sobre a programação de jogos e eventos. Na esplanada do estádio, uma estátua homenageia um dos maiores nomes do futebol inglês:  Bobby Moore, capitão da seleção campeã mundial em 1966.

Bobby Moore, lenda nacional na Inglaterra. Foto: Leonardo Aquino

Os ingressos podem ser comprados antecipadamente no site do estádio ou numa bilheteria dedicada às visitas guiadas. Junto com os ingressos, os visitantes recebem livretos com informações úteis para a visita. Há uma edição em português disponível.

Wembley Stadium, visitors guide

O guia em português para a visita a Wembley. Foto: Leonardo Aquino

Na recepção, as boas vindas ficam por conta de um elemento protagonista da história das Copas do Mundo. O travessão onde bateu a bola do polêmico gol de Geoff Hurst na final de 1966 entre Inglaterra x Alemanha. Depois de bater no poste, a bola quicou à frente da linha. Numa era sem tira-teima ou tecnologia da linha do gol, o árbitro validou o lance, determinante para a vitória inglesa. Qualquer vídeo hoje em dia mostra que o erro foi grotesco. Mas os ingleses, pelo jeito, celebram o travessão como um dos heróis do título.

Wembley Stadium, Crossbar Reception

O histórico travessão de 1966 é o recepcionista da visita a Wembley. Foto: Leonardo Aquino

A visita começa em uma área dedicada à memória dos Jogos Olímpicos disputados em Londres. Antes da edição mais recente, a de 2012, houve outras duas: 1908 e 1948. A segunda edição, inclusive, teve Wembley como palco principal. A principal atração desta área é a bandeira olímpica original dos Jogos de 1948.

Wembley Stadium, London Olympic Flag

Foto: Leonardo Aquino

 

Tribunas e bastidores

Wembley Stadium Tribunes

A vista das tribunas de Wembley. Foto: Leonardo Aquino

O primeiro contato com o campo em si acontece à distância, de uma das tribunas. É o momento em que os visitantes são apresentados a algumas informações e curiosidades sobre Wembley. Uma delas diz respeito à acústica impecável do estádio. Para testá-la, o guia nos desafia a gritar qualquer coisa e ouvir a beleza da reverberação do som. Aí você fica imaginando como deve ser aquele ambiente com 90 mil vozes…

Das tribunas já dá pra ter noção da imponência de Wembley, o segundo maior estádio da Europa em capacidade (menor apenas que o Camp Nou, de Barcelona). Aproveite a posição para tirar uma bela foto panorâmica do estádio.

Panorâmica tirada a partir das tribunas. Foto: Leonardo Aquino

Depois disso, os visitantes começam a mergulhar pra valer nos bastidores de Wembley. A caravana passa pela sala de imprensa, onde técnicos e jogadores dão entrevistas coletivas. Estão liberadas fotos para que você se sinta o Wayne Rooney ou o David Beckham por alguns segundos.

Wembley Stadium, Press Room

Meu time perdeu nesse dia…

Nos corredores internos, as paredes são decoradas com imagens que contam a história de Wembley (o velho e o novo). Fotos dos grandes jogos, títulos comemorados, shows marcantes e personalidades que estiveram no estádio. Cuidado para não passar muito tempo olhando para as molduras e perdendo de vista seus companheiros de passeio.

Vestiários e campo

Wembley Stadium, Dressing Room

Foto: Leonardo Aquino

A parada seguinte é nos vestiários, modernos e confortáveis como os de qualquer arena construída no século 21. Em horários de visita guiada, eles ganham uma arrumação diferente de um dia de jogo. Na minha visita, por exemplo, havia algumas camisas importantes de craques que haviam passado recentemente por lá. Messi e Cristiano Ronaldo eram os destaques. Mas também havia vários uniformes do English Team e do Team GB, a seleção da Grã-Bretanha, formada apenas para a disputa dos Jogos Olímpicos.

Wembley Stadium, Dressing Room

A rara camisa do Team GB no vestiário de Wembley. Foto: Leonardo Aquino

Em seguida, a visita reproduz o caminho dos craques. Dos vestiários para o túnel, do túnel para o campo. Aí é pura emoção, ainda que a área permitida para circulação de visitantes seja bem limitada. Fica difícil não sentir um friozinho na barriga ao imaginar todos os craques e grandes eventos que já passaram por lá. É a hora de entupir a memória da sua câmera ou celular com fotos de todo tipo.

Wembley Stadium, Pitch

Vista panorâmica a partir do gramado. Foto: Leonardo Aquino

Wembley Stadium, Pitch

No pequeno espaço permitido para a gente circular

Wembley Stadium

Curiosidade: uma parte das cadeiras atrás de um dos gols é removível. Facilita a vida em dias de grandes eventos e shows. Foto: Leonardo Aquino

Fim da visita

A brincadeira termina como em qualquer visita guiada que se preze: na lojinha. E na de Wembley, você encontra todo tipo de souvenirs da seleção da Inglaterra. Camisas de jogo atuais e retrô, cachecóis, pelúcias, ímãs de geladeira, bolas e muito mais. Apenas fique ligado que o gasto ali é em libra, amigo.

Na saída da visita, ainda há algumas últimas coisas legais para ver. Como a escultura dos três leões, símbolo da Federação Inglesa e, consequentemente, da seleção do país. Além disso, há outra homenagem aos Jogos Olímpicos. Uma espécie de pequeno memorial, com placas que enumeram os medalhistas de ouro dos Jogos de 1948.

Wembley Stadium, Three Lions

Os Três Leões icônicos do futebol inglês. Foto: Leonardo Aquino

Wembley Stadium, 1948 Olympic Champions

Homenagem aos campeões olímpicos de 1948. Foto: Leonardo Aquino

 

Planeje sua visita a Wembley

Uma ida a Wembley para uma visita guiada não é algo tão simples para fazer sem planejamento nenhum. Existem questões logísticas e financeiras envolvidas. Uma viagem perdida pode custar caro (e não é tão difícil de ocorrer).

Agenda

Antes de tudo, é preciso saber que Wembley não está aberto para visita guiadas todos os dias. Quando há jogos ou eventos, não há visitas. Portanto, o primeiro passo é checar o seu calendário de viagem com a programação de eventos de Wembley. Os dias em que os tours não serão feitos sempre estão em destaque no site do estádio: http://www.wembleystadium.com/Wembley-Tours.aspx

Nos dias sem eventos, as visitas são realizadas de hora em hora a partir das 10h. A última é às 16h.

Transporte

Também tem o fator distância/transporte. Wembley fica distante do centro de Londres, na zona 4 do transporte público. Quem já foi à cidade e andou de metrô provavelmente já se familiarizou com essas zonas numeradas. E esse mesmo turista que não é mais de primeira viagem também deve saber que, num roteiro básico por Londres, anda-se principalmente nas zonas 1 e 2. Nem todos os bilhetes de transporte dão acesso a todas as zonas. E, quanto maior o número da zona por onde você vai andar, mais caro é o bilhete.

Recomendo que você se informe bem sobre o transporte público de Londres antes de ir. O site Londres Para Principiantes tem um guia bem completo sobre tarifas e o uso do Oyster Card, que vale para ônibus, metrô e trens: https://www.londresparaprincipiantes.com/guia-dos-transportes-para-2017/

Se você for de metrô, as estações mais próximas para descer são Wembley Park (linhas Jubilee e Metropolitan) ou Wembley Central (linhas Bakerloo e London Overground). As linhas de ônibus que servem o estádio são as de número 18, 83, 92 e 224.

Utilize o planejador de viagens do site do transporte público de Londres para saber a melhor forma de chegar. O Google Maps também funciona bem para esta finalidade.

Ingresso

Assim como a maior parte das atrações pagas de Londres, Wembley tem um ingresso caro: 20 libras (valor apurado em setembro de 2017). Mas este é o preço de balcão para tarifa cheia. Comprando online, os preços são menores. Para adulto, por exemplo, o ingresso comprado na internet custa 18 libras. Existem descontos para menores de 16 anos, idosos com mais de 65 anos e estudantes. A tabela completa de preços está aqui: http://www.wembleystadium.com/Wembley-Tours.aspx

Mas, para comprar online, é preciso marcar data e hora para a visita. Ou seja, leve em conta você vai ter que programar uma parte de um dia em função de Wembley.

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De Miami a New Orleans: uma road trip à americana

Mais importante que o destino é a jornada. Não sei exatamente em que o inventor deste ditado popular estava pensando no momento da criação. Mas a frase serve para uma…

Mais importante que o destino é a jornada. Não sei exatamente em que o inventor deste ditado popular estava pensando no momento da criação. Mas a frase serve para uma infinidade de coisas, entre elas as viagens de carro. Muito mais que uma viagem de avião, uma road trip tem espaço quase infinito para o imponderável, no bom e no mau sentido. Assim como uma pane mecânica pode melar suas férias inteiras, a descoberta de uma nova atração no meio do caminho pode redesenhar o seu roteiro.

Aqui na região nordeste do Brasil, a road trip é um hábito muito comum. Isso porque há destinos pulverizados pelo mapa. Num raio de 400 quilômetros saindo do Recife, é possível alcançar a Paraíba inteira, o litoral sul do Rio Grande do Norte, o litoral norte de Alagoas e muito mais. Isso sem falar nas cidades do interior desses estados: Caruaru, Gravatá, Campina Grande, entre outras. Quem tiver disposição, pode escolher um destino diferente para cada feriado prolongado no ano.

No exterior, esse tipo de viagem ganha outras nuances. As paisagens podem ter relevo ou vegetação inexistentes no Brasil. As estradas, dependendo do país, são bem melhores que as nossas. Além disso, ler mapas e sinalizações é um exercício tremendo para o cérebro.

Todo este preâmbulo é para apresentar mais um post convidado aqui no blog. Desta vez quem chega por aqui é o André Orengel, advogado de Belém e um amigo com quem troco ideias sobre viagem há muitos anos. Ele já fez várias viagens de carro pelos Estados Unidos e topou escrever sobre a road trip mais recente que fez: de Miami a New Orleans. Convido vocês a embarcar pela viagem do André!

André Orengel numa das paradas de sua road trip

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Os americanos adoram longas viagens de carro. Os motivos para isso passam a ser evidentes uma vez que você desbrava as estradas por lá. Primeiramente, é um tipo de viagem mais econômico para as famílias, substituindo as passagens de avião por gasolina (que é barata nos EUA). O segundo ponto é algo que o brasileiro entenderá de imediato: as estradas são ótimas, sem buracos, bem sinalizadas e com pistas amplas. E, em terceiro lugar, vários trajetos apresentam uma infinidade de atrações, que atendem a todos os gostos.

Neste artigo sugiro uma road trip de Miami a New Orleans, em sete dias. O roteiro é baseado em viagens feitas por mim nos últimos dois anos. Entre as atrações, estão paisagens paradisíacas, praias, pântanos, cidades históricas, museus dos mais variados e muito mais. Mas a rota não é totalmente fechada. Você pode adicionar pelo menos três dias para conhecer as vibrantes cidades de New Orleans e Miami (ao final). Além disso, há ainda a possibilidade de esticar um pouco para aproveitar os sempre divertidos parques temáticos de Orlando.

O mapa da sua road trip

A Chegada

Se você chegar aos Estados Unidos pelo Aeroporto Internacional de Miami, você pode alugar seu carro lá mesmo. Veja aqui uma lista com as locadoras disponíveis. Mas não comece sua road trip logo de cara. Aproveite o dia de chegada para descansar, hospedando-se em algum hotel localizado na cidade de Homestead, ao sul de Miami. Isso porque o seu primeiro destino é o arquipélago mais ao sul ligado aos Estados Unidos continental: as Florida Keys. Se você curte hambúrguer, pare no caminho no Shake Shack de Coral Gables (1450 South Dixie Highway, 33146) e delicie o famoso Shack Stack.

 

1o Dia – Florida Keys

Inicie sua road trip com uma parada no Robert Is Here (19200 SW 344th St, Homestead, FL 33034), uma enorme fazenda com venda de frutas, para comprar smoothies e lanches para a viagem. Depois, siga em direção à Key West, a última ilha habitada das Florida Keys, localizada a cerca de 145km de Cuba. O caminho é por uma estrada que tem 42 pontes (a maior com mais de 11km de extensão). Para encher os olhos, há belas paisagens do Oceano Atlântico de um lado e do Golfo do México do outro.

Sua segunda parada será na ilha de Key Largo, no John Pennekamp Coral Reef State Park (102601 Overseas Hwy, 33037). É o primeiro parque marinho dos Estados Unidos e o melhor lugar para mergulhar ou fazer snorkel na região. Se você curte esportes aquáticos, aproveite a oportunidade e marque um tour com antecedência. Caso não embarque em um passeio aquático, entre no centro de visitantes para aprender sobre o ecossistema dos corais da região.

A seguir, pare no Robbie’s Marina (77522 Overseas Hwy, Islamorada, FL 33036). Mais do que apenas um píer, este local conta com uma feirinha de artesanato típico das Keys. Além disso, você pode comprar um balde de comida para alimentar tarpons. São enormes peixes que se aglomeram no trapiche e até saltam da água para abocanhar os lanchinhos oferecidos pelos turistas.

Robbie's Marina, Florida, USA

As lembrancinhas que você pode comprar na Robbie’s Marina. Foto: André Orengel

Uma sugestão para almoçar é o Sparky’s Landing (400 Sadowski Causeway Key Colony Beach, FL 33051). O restaurante tem uma linda vista, ambiente descontraído e ótima comida. Funciona direto das 11h às 22h.

Hora da praia

Depois do almoço, relaxe em uma das praias mais bonitas da Florida Keys. Com uma pequena faixa de areia, a Bahia Honda Beach conta com uma vista da história ponte ferroviária Henry Flagler, instalações para piquenique e uma loja de conveniência com lanchonete.

Road trip, Bahia Honda Beach, Florida, USA

A Bahia Honda Beach. Foto: André Orengel

Despeça-se da praia antes das 16h, pois ainda há cerca de 1h30 de viagem até você alcançar Key West. Chegando na ilha, sugiro que vá diretamente ao hotel para fazer o seu check-in e descansar da road trip. Saia do hotel por volta das 19h e vá à mais famosa rua da cidade: a movimentada Duval Street, com diversos bares, restaurantes, sorveterias, lojas de souvenir, galerias entre outros. Para jantar, uma boa opção é o Nine One Five (915 Duval St), que serve excelente e criativa comida contemporânea (o “absurdly addictive aspargus” e o “Wild Salmon” são deliciosos).

Para encerrar o dia, aprenda um pouco sobre os mistérios que envolvem esta ilha no Key West’s Ghosts and Mysteries Tour (das 21h às 21h30). O passeio conta várias histórias macabras sobre mortes e assombrações ocorridas na cidade. Faça a sua reserva com antecedência pelo site da empresa.

 

2o Dia – Museus em Key West

 Comece o dia com o tradicional brunch no disputado Blue Heaven (729 Thomas St, Key West, FL 33040). Saboreie panquecas, omeletes, banana bread, torradas e outras delícias constantes de seu extenso cardápio. A alimentação tem que ser reforçada, porque não almoçar faz parte do plano.

Após, vá para a Ernest Hemingway’s Home (907 Whitehead St, Key West, FL 33040), uma das mais populares atrações turísticas da ilha. Lá, você vai conhecer várias histórias pessoais deste importante personagem da cultura americana em um instrutivo tour por uma de suas residências. Entre elas, a do “último penny”, entregue pelo escritor para a sua segunda esposa (Pauline Pfeiffer) em uma discussão sobre a construção de uma caríssima piscina.

Road trip, Ernest Hemingway Home, Key West, USA

Um dos cômodos da casa de Ernest Hemingway. Foto: André Orengel

Ao sair, continue pela  Whitehead St. (no sentido decrescente da numeração), o nome dado à rodovia US1 neste trecho. Esta estrada é datada da década de 1920 e, com 3.846 km de extensão, cruza a costa leste dos EUA de sul a norte, ligando a cidade de Key West (Flórida) a Fort Kent (Maine), na fronteira com o Canadá. É o suficiente para fazer dela a estrada mais extensa dos EUA nesta direção. Você então passará pelo marco zero desta icônica rota, marcando o seu início (de um lado da rua) e o seu fim (do outro).

Marco zero da rodovia US1. Foto: André Orengel

Um pouco mais de história

Passando duas ruas do marco zero, dobre na Caroline St. e se dirija à Truman Little White House, assim chamada em razão das frequentes visitas do ex-presidente Harry S. Truman (1945-1953) ao local. Atualmente, a casa se trata de um museu que conta, por meio de um tour guiado, a interessante história do imóvel enquanto foi utilizado por Truman e outros presidentes americanos.

Truman Little White House. Foto: André Orengel

Depois de conhecer a casa, retorne à Whitehead St. e continue andando no mesmo sentido, até chegar à Audubon House & Tropical Gardens. Entre nesta casa construída pelo Capitão John Huling Geiger nos anos 1840 no intuito de servir de residência de sua família (que viveu no local por mais de um século). A visita revela como a vida em Key West já foi um dia, expondo em seu interior a história da casa em si e de seus moradores. Este museu também conta com um aposento dedicado ao naturalista John James Audubon, que supostamente haveria visitado a casa quando em Key West realizando os desenhos e estudos exibidos em seu célebre As Aves da América.

Neste ponto, quando estive em Key West, interrompi o passeio para retornar ao hotel e trocar de roupa para jantar no celebrado Latitudes, localizado na Sunset Key. Mas não recomendo este restaurante. Apesar de localizado em uma ilha lindíssima e do serviço impecável, não achei que a comida valesse a pena o preço que cobram. Assim, aproveite o resto do “horário útil” dos museus e visite uma das atrações localizadas nas proximidades. Estão lá o Museum of Art & History at the Custom House (diariamente, das 9h30 às 16h30), Nancy Forrester’s Secret Garden (diariamente, das 10h às 15h) ou a Casa Antigua (diariamente, das 10h às 18h).

Arte de rua e gastronomia

Se os museus estiverem fechados (ou se você não se interessar por eles), aproveite para caminhar pelas redondezas da Mallory Square. A praça costuma estar cheia de músicos, mágicos, malabaristas entre outros artistas de rua, turistas e locais, aguardando para assistir ao pôr do sol, um ritual obrigatório para todos os que visitam a cidade.

road trip, Mallory Square, Key West, USA

Fim de tarde na Mallory Square. Foto: André Orengel

Por fim, retorne à Duval Street e escolha um dos seus restaurantes ou bares para um merecido jantar. Não deixe de provar a key lime pie, servida pela maioria dos estabelecimentos da cidade, que, como o nome diz, é uma torta de limão feita com um tipo desta fruta originária do arquipélago.

 

3º Dia – Everglades

Acorde cedo e tome um bom café da manhã ao sair do hotel. Você vai sair das ilhas e voltar ao continente. Sua primeira parada do dia será no Everglades National Park, após cerca de 3 horas de viagem, para conectar-se mais com a natureza do sul da Flórida.

O parque nacional foi criado para proteger o frágil ecossistema formado por uma ampla rede de florestas e pântanos que abriga diversas espécies de fauna. Entre elas, estão a pantera da Flórida, o peixe-boi e o crocodilo americano, todos ameaçados de extinção. Entre no parque pelo acesso localizado em Homestead (State Road 9336) e pare no centro de visitantes para aprender mais sobre a fauna e a flora do parque. Pegue também um mapa da área e escolha as trilhas que irá percorrer. O site do parque é bem informativo e o ajudará a planejar a sua visita nos mínimos detalhes.

Everglades National Park, Florida, USA, Road trip

Foto: André Orengel

Ao sair do parque, se a fome permitir, tome o rumo de Naples pela US41. Nesta estrada, existem vários estabelecimentos que oferecem passeios de airboat pela Everglades Wildlife Management Area. Fizemos este passeio na Coopertown Airboats (22700 Southwest 8th Street, Miami, FL 33194. Funciona das 9h às 17h50). No dia em que fomos, estava chovendo bastante, o que acrescentou emoção às manobras e diminuiu as chances de encontrar jacarés. Conseguimos encontrar um atravessando o canal, o que foi bem legal. Leve uma capa de chuva caso a previsão do tempo indique a menor chance de chover. Aproveite a parada para almoçar um delicioso hambúrguer na lanchonete do local. A parte triste é que eles mantém alguns animais enjaulados. Por isso não acho o passeio excelente.

Naples

Após o passeio, continue viagem para Naples. Chegando na cidade, vá para a Fifth Avenue South, estacione o carro e caminhe por esta agradável avenida, que tem palmeiras, lojas, sorveterias, galerias, bares e restaurantes. Escolha um para jantar e, depois de comer, vá para o seu hotel.

 

4o Dia – Ringling e Museu Dali

Algo que, para mim, marca uma road trip é a necessidade de acordar cedo por alguns motivos. Primeiro, porque eu considero bem melhor dirigir durante o dia. Em segundo lugar, porque as atrações costumam abrir cedo e fechar cedo, então, para estar onde se quer chegar, há de se começar a dirigir com o sol raiando.

Assim, pegue o carro cedo e rume norte pela I75. Sua primeira parada do dia será no John and Mable Ringling Museum of Art, em Sarasota (5401 Bay Shore Rd, 34243, aberto de 10h às 17h), a cerca de 2hrs de Naples. Quando estivemos lá, chegamos por volta das 11h e acabamos tendo que enfrentar algo em torno de uma hora de fila para comprar os nossos ingressos. Além disso, não conseguimos mais vagas para o tour pela Ca’ d’Zan (residência de inverno de John e Mable, fundadores do museu). Ou seja: reafirmo a necessidade de acordar cedo.

Ca d'Zan, Ringling Museum, Florida, USA

Fachada da Ca d’Zan no Ringling Museum. Foto: André Orengel

Este museu, localizado em um terreno com uma bela vista para o Golfo do México (vimos vários golfinhos saltando da água), é formado por diferentes pavilhões interligados por lindos jardins. Não deixe de conferir os pavilhões dedicados ao circo e à coleção de arte, com destaque à ala japonesa.

A maior coleção de Dalí fora da Europa

Você pode almoçar no local ou comer algo mais barato pela estrada. De todas as formas, sugiro que já esteja dirigindo e devidamente alimentado no máximo às 14h (caso o dia não seja uma quinta-feira). Você estará a mais ou menos uma hora de distância de seu próximo destino: o Museu Dali (One Dali Blvd, St. Petersburg, FL 33701, aberto diariamente das 10h às 17h e às quintas-feiras até às 20h).

Curiosamente, a maior compilação de obras de arte de Salvador Dalí fora do continente europeu está localizada neste museu, em São Petersburgo, Flórida. São mais de 2.100 peças. A fachada do prédio, com uma bolha de vidro que abraça uma caixa de concreto cinza, é uma atração em si. No entanto, entre primeiro no museu e reserve as fotos para a saída (caso o dia não seja uma quinta-feira).

Fachada do Museu Dalí na Flórida. Foto: André Orengel

Ao começar a sua visita, não deixe de solicitar um audioguia na base das escadas. Ele contém informações interessantes sobre as obras em exposição e sobre a  história do museu. Quando estivemos lá, havia uma exposição temporária muito legal que mostrava a relação entre o Walt Disney e o Dali, o que realmente mudou a nossa visão sobre toda a obra cinematográfica da Disney.

Caso não esteja muito cansado, você pode aproveitar as últimas horas do dia para realizar algumas compras no Ellenton Premium Outlets (5461 Factory Shops Blvd Ellenton, FL 34222-4100), localizado a 30 minutos do Museu Dali. Outra opção é encerrar o dia jantando no 400 Beach Seafood and Tap House (400 Beach Dr NE, São Petersburgo, FL).

 

5º Dia – Busch Gardens

Dedique o seu quinto dia inteiramente ao Busch Gardens, em Tampa. Ele é um excelente parque de diversões que conta com algumas das melhores montanhas russas da Flórida, além de diversas outras atrações. O destaque é a grande variedade de animais (mais de 300 espécies) constantes de seu zoológico.

Neste ponto da viagem, duas opções se descortinam a sua frente. 1) você pode seguir viagem para mais dois dias de estrada até chegar a New Orleans. Ou 2) estender a viagem a Orlando, para curtir os parques temáticos da Disney, Universal e Sea World, para depois seguir até New Orleans.

Caso escolha a primeira opção, aproveite que o parque costuma fechar cedo e ganhe alguns quilômetros passando a noite, por exemplo, no Hampton Inn Brooksville Dade, a 65km do Busch Gardens. Se você for na segunda opção, dirija para o seu hotel em Orlando. Se couber no seu orçamento, fique em um dos resorts dentro da Disney World. Faz toda a diferença, especialmente se você estiver com crianças.

 

6o Dia – Tallahassee e Panama City Beach

Dirija do seu hotel até Tallahassee, a capital do Estado da Flórida. Você deverá chegar pela hora do almoço, então vá direto para o Kool Beanz Cafe (921 Thomasville Road, Tallahassee, Florida 32303).

Em seguida, visite o novo Capitol Building (400 S Monroe St, Tallahassee, FL 32399, aberto de segunda a sexta das 8h às 17h). Ele fica em um arranha-céu construído em 1977 para substituir o antigo Capitol de 1845, situado bem em frente. O antigo Capitol (aberto das 9h às 16h30) conta com oito ambientes dedicados a contar a história política da Flórida, com mobiliários da virada do século 20, valendo a pena visitá-lo.

Capitol Building, Tallahassee, Florida, USA

Fachada do Capitol Building em Tallahassee. Foto: André Orengel

Do outro lado da Apalachee Parkway, fica o Union Bank Museum. Ele está instalado no prédio de banco mais antigo da Flórida, que já sediou o Freedman’s Savings and Trust Company, especializado no atendimento de escravos emancipados. O museu hoje expõe uma pequena mas interessante coleção de artefatos e documentos que refletem a história e cultura negra do sul dos EUA.

Se você gosta de antiguidades, brechós e arte moderna, dê uma passeada pelo Railroad Square Art Park (602 Mc Donnell Dr, Tallahassee, FL 32310), que tem tudo isso e mais.

Não perca a noção do tempo, pois você ainda precisa dirigir mais 171km até o próximo destino, e o objetivo é chegar lá antes do pôr do sol. Assim, retorne à estrada e dirija até o Schooners (5121 Gulf Drive, Panama City Beach, FL 32408), um bar/restaurante/beach club que fica na beira da praia de Panama City. O lugar é muito disputado, e entendemos o porquê. Ele tem uma localização privilegiada, com um vento que não cessa, um ar bem animado e uma comida deliciosa (experimente o shrimp and grits).

 

7º Dia – Praias e história militar

No último dia desta road trip você sairá da Flórida e passará pelos estados do Alabama e Mississipi até chegar em New Orleans, na Louisiana. Para celebrar, você poderá escolher duas entre as três opções a seguir.

Primeiramente, se você gosta de praia, esta é a oportunidade de conhecer uma das regiões praianas mais movimentadas do sul dos Estados Unidos. Caso curta um ambiente mais agitado, escolha um dos pontos ao longo da Front Beach Road, que começa em Panama City Beach e se estende ao oeste. Se você prefere praias mais tranquilas e isoladas, vá para Grayton Beach ou à Gulf Island National Seashore.

Another Broken Egg, Road Trip, USA

O seu café da manhã no último dia da road trip: Another Broken Egg. Foto: André Orengel

De uma forma ou de outra, comece o dia com um saboroso brunch no Another Broken Egg, que conta com vários pontos espalhados pelo sul dos EUA. Fomos no localizado próximo de Grayton Beach (51 Uptown Grayton Cir, Santa Rosa Beach, FL 32459). Depois de dar uma olhada na praia de Grayton, prossiga até Pensacola. Procure dirigir o mais perto possível do litoral, para desfrutar da vista do mar e do clima descontraído.

National Naval Aviation Museum

National Naval Aviation Museum

Foto: André Orengel

Em Pensacola, cidade historicamente ligada às Forças Armadas Americanas, está localizado o National Naval Aviation Museum (1750 Radford Blvd., NAS Pensacola, FL 32508, aberto das 9h às 17h). Trata-se da maior coleção de aviões em exposição em todos os EUA (mais de 150 exemplares). São todos originais, ou seja, já voaram algum dia (com exceção de uma réplica que fica do lado de fora da entrada do museu). É realmente imperdível para quem está na região. Facilmente se passa o dia inteiro nesse museu lendo a história de cada uma dessas aeronaves. Mas fique de olho no relógio, porque a próxima atração é igualmente impressionante: o USS Alabama.

USS Alabama

Foto: André Orengel

Continue viagem rumo a oeste, cruzando a divisa entre os estados da Flórida e do Alabama até alcançar o USS Alabama Battleship Memorial Park. Aqui está ancorado o enorme navio de 45 mil toneladas que chegou a abrigar uma tripulação de 2500 corajosos americanos durante a Segunda Guerra Mundial. Esta embarcação conduziu a esquadra à baia de Tóquio, na data de 05/09/1945, encerrando com isso a campanha norte-americana no Pacífico. O tour leva a quase todos os cômodos do navio, explicando os propósitos e a rotina dos marinheiros durante a guerra.

road trip - mississippi

Foto: André Orengel

Terminada a visita, cruze a divisa entre os estados do Alabama e do Mississipi e jante no Slap Ya Mommas (1830 Beach Blvd. Biloxi, MS 39531) para uma autêntica comida sulista. Por fim, siga para o seu hotel em New Orleans, cruzando mais uma divisa e finalizando a sua road trip.

Em New Orleans, com Uber, taxi e ótimo transporte público, você não precisará do carro. Entretanto, antes de devolvê-lo à locadora, sugiro que faça outro passeio. Um bate-e-volta às plantations localizadas à beira do rio Mississipi entre New Orleans e Baton Rouge. Visitei a Houmas House Plantation and Gardens (que tem um ótimo restaurante) e a Oak Alley Plantation. Gostei muito de ambas as visitas e recomendo fortemente as duas. Acesse o site de cada uma para coordenar os seus horários.

O mapa completo

Para acessar o mapa da viagem no Google Maps no seu navegador, é só clicar no link: https://www.google.com/maps/d/viewer?mid=1NPAffAaKi37_ub-Y-HVWYojru4k&hl=pt-BR&ll=27.69473878694306%2C-85.608482&z=6

Para quem quiser seguir viagem

Já falamos de New Orleans aqui no blog, com uma sugestão de roteiro de três dias na cidade. Se você quiser esticar sua viagem pela capital do jazz, é só colar nas nossas dicas!

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