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Roteiros e viagens de mochila sem sufoco

São Petersburgo: muito além da Copa do Mundo de 2018

São Petersburgo, a cidade responsável por exportar o estrogonofe para o mundo, foi também a capital do Império Russo de 1732 a 1918. Em 2018, será a segunda cidade a…

São Petersburgo, a cidade responsável por exportar o estrogonofe para o mundo, foi também a capital do Império Russo de 1732 a 1918. Em 2018, será a segunda cidade a receber mais partidas da Copa do Mundo. São sete jogos no total, desde a primeira fase até a decisão do terceiro lugar. Por lá, seleções como o Brasil e a Argentina já têm passagem garantida.

Pode até não ser o centro administrativo e financeiro da Rússia. Mas quando o assunto é arte, nenhuma cidade russa brilha mais do que São Petersburgo. O local fica especialmente animado durante o Festival Noites Brancas. O evento foi criado em 1993 para celebrar a época do ano em que o sol mal se põe. De lá para cá, cresceu demais. Passou de duas para oito semanas de duração. E o número de visitantes ultrapassou um milhão na edição mais recente.

 

Neste outro post concentrado em Moscou, falei sobre a época do ano em que estive na Rússia. Compartilhei algumas impressões gerais sobre o país, as dificuldades de comunicação que enfrentei e, entre outras coisas, prometi uma sugestão de itinerário para três dias em São Petersburgo. Como promessa é dívida, então vamos lá.

 

Primeiro Dia – Palácios ao Sul

Por causa dos horários de funcionamento dos lugares que queríamos conhecer, escolhemos, em nosso primeiro dia, sair da cidade e visitar dois palácios que ficam ao sul. Eles ficam a pouco mais de 30km de São Petersburgo e distam 6km entre si: o Pavlovsk e o Palácio da Catarina I (em Tsarskoe Selo).

Fica aqui uma dica para os marinheiros de primeira viagem. Sempre verifique o endereço e o horário de funcionamento de todas as atrações que quer visitar, com antecedência e de preferência no site oficial do lugar. Isto para evitar dar de cara com uma porta fechada porque a atração mudou de endereço ou não funciona naquele dia/horário.

Pavlovsk

Há alguma discussão na internet sobre qual dos dois palácios visitar primeiro. Nós decidimos começar pelo mais distante. Para chegar lá, pegamos o trem que parte da estação Vitebsky (витебск). Depois de uns 35 minutos, descemos na parada que leva o mesmo nome do palácio (Павловск). Ao sair da estação, acompanhamos o fluxo dos turistas e entramos em um amplo parque em estilo inglês. Fomos seguindo a sinalização até chegar ao Pavlovsk. Incrivelmente, não havia qualquer informação em outro idioma que não fosse o russo. A solução foi colar em uma família que tinha contratado uma guia que falava em inglês. A convite da família, é claro.

Pavlovsk. São Petersburgo.

Pavlovsk, localizado há aproximados 30km ao sul de São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

Em estilo neoclássico, o palácio foi construído a mando de Catarina II entre 1781 e 1786, para o seu filho Paulo (Pavel em russo, por isso o nome: Pavlovsk) e sua segunda esposa Maria Fyodorovna. A tarefa foi inicialmente confiada ao arquiteto escocês Charles Cameron, que caiu nas graças da imperatriz pelo trabalho realizado em Tsarskoe Selo. O projeto modesto e a tendência à simplicidade, no entanto, não agradaram a Paulo e sua mulher. Por isso, deram a Vicenzo Brenna (assistente de Cameron) a missão de dar um ar de imponência e realeza ao prédio. O serviço de Brenna foi muito apreciado pelo futuro imperador e sua esposa. Tanto que o arquiteto voltou a trabalhar para o casal na remodelação do palácio em Gatchina e no Castelo Mikhailovsky, em São Petersburgo.

O design de interior ficou a cargo da própria Maria Fyodorovna, que encheu o Pavlovsk com obras de arte locais e importadas dos quatro cantos da Europa. A coleção de mobiliário em exposição no palácio é impressionante e, por si só, justifica a visita.

O palácio que visitamos é uma réplica do original. Este, após servir de residência real por mais de cem anos (1786-1917), foi reduzido a cinzas duas semanas após o fim da 2ª Guerra Mundial. Foi o resultado do vacilo de um soldado soviético que jogou um cigarro em uma mina alemã (quanta ironia!).

 

Palácio de Catarina I

Em seguida, pegamos o ônibus da linha 370, perto da entrada do Pavlovsk pela Rua Sadovaya Ulitsa, e descemos próximo ao Palácio de Catarina I. Esse palácio fica na cidade de Tsarskoe Selo (também conhecida por Pushkin), localizada uma parada antes da que descemos para ir ao Pavlovsk. Anotei também que poderíamos pegar os ônibus das linhas K286 e K513, dependendo da hora que terminássemos o passeio no primeiro palácio.

Ao chegar nessa grandiosa residência dos Czares russos, ficamos maravilhados com a sua grandiosidade, superando o Pavlovsk neste quesito. Mais de 100kg de ouro foram utilizados só para enfeitar a fachada. Outra coisa que nos chamou a atenção foi a imensa fila para comprar os ingressos. Ficamos umas três horas nela, e quase nem entramos, pois a bilheteria só estava aberta até as 17h. A fila era muito desorganizada, sendo constantemente furada por grupos de russos. Imagina na Copa!

 

Catherine's Palace. Tsarkoe Selo. São Petersburgo.

Fila em frente ao Palácio Cataria I, em Tsarskoe Selo. Foto: André Orengel.

 

Porém, tudo vale a pena quando se entra no museu.

O palácio foi construído inicialmente como uma casa de veraneio pela esposa do imperador Pedro o Grande, a Catarina I. Posteriormente, foi remodelado pela filha do, Elizabeth, com a ajuda do arquiteto Bartolomeo Rastrelli (que também assina o projeto do Palácio de Inverno, onde se encontra a principal coleção do museu Hermitage).

Infelizmente, um dos estragos impostos pelas tropas alemãs durante a Segunda Guerra Mundial foi o completo saqueamento do Museu. O que vemos hoje é uma belíssima reconstrução do original. Todas as salas são estonteantes, destacando-se a sala de âmbar (réplica), toda adornada com painéis sólidos desta preciosidade. Ao todo, eles pesam cerca de 450kg. A decoração original desta sala foi um presente de Frederico Guilherme I da Prússia, que a removeu de sua própria residência, o Palácio Charlottenburg em Berlim, para dar a Pedro o Grande.

Catherine's Palace. Tsarskoe Selo. São Petersburgo.

Palácio Catarina I, em Tsarskoe Selo. Foto: André Orengel.

Retornando para São Petersburgo

Para voltar, regressamos à parada em que descemos anteriormente e pegamos o mesmo ônibus de nº 370, que nos levou à estação de Tsarskoye Selo. De lá, pegamos o trem para São Petersburgo.

Pedro, Paulo, Maria, Elizabete, Catarina I e II; são muitos nomes e personagens em uma longa e instigante história de guerras, traições, ambições, poder e absurda riqueza. Para aprender mais sobre a vida dos Czares da Dinastia Romanov antes de pisar em solo russo, recomendo o excelente documentário da BBC Empire of the Tsars: Romanov Russia with Lucy Worsley, disponível na Netflix.

 

Segundo Dia – O Centro Histórico

Começamos o dia seguinte com o Free Walking Tour conduzido pela Anglo Tourismo. O esquema você já conhece: um guia lhe acompanha por um passeio pela cidade, contando a história e curiosidades de seus principais pontos turísticos. Ao final, você decide quanto quer pagar pelos serviços prestados, a título de gorjeta. A excursão dura cerca de três horas, começando as 10h30 em frente ao Diner (Столовая) na Nab. Reki Fontanki, nº 27.

Os destaques do passeio são: o Palácio Vorontsov, a Catedral de Nossa Senhora de Kazan, a Catedral de São Isaac, o Cavaleiro de Bronze, o Hermitage e a Igreja da Ressurreição do Salvador sobre o Sangue Derramado (ô nomezinho estranho!). Isso sem falar das várias histórias sobre a vida de Catarina II e de Pedro o Grande, a Revolução de Outubro, a Segunda Guerra Mundial e a vida moderna em São Petersburgo.

Church of the Savior on Spilled Blood. São Petersburgo.

Igreja da Ressurreição do Salvador sobre o Sangue Derramado, em São Petersburgo. Foto: André Orengel.

O Palácio de Inverno e o Museu Hermitage

Finalizado o tour, almoçamos e entramos no impressionante Palácio de Inverno, que hoje abriga a principal coleção do museu Hermitage. Antes disso, o prédio foi a residência oficial dos Czares, quase ininterruptamente, desde sua construção até a queda da monarquia russa.

Palácio de Inverno. Winter Palace. Hermitage. São Petersburgo.

Patio Interno do Palácio de Inverno (Museu Hermitage), São Petersburgo. Foto: André Orengel.

Construído com o objetivo de definitivamente inserir São Petersburgo no rol das mais magníficas capitais europeias de seu tempo, este pomposo palácio em tom pistache esbanja a extravagância e a ornamentação típicas da versão russa barroco europeu.

É difícil de acreditar, mas o acervo do Hermitage conta com mais de 3 milhões de obras de arte. Para se ter uma ideia, se você demorar um minuto para apreciar cada uma delas, somente após uns onze anos você estará liberado para voltar para a sua casa. Obviamente, nem todas as peças estão expostas. Os enormes salões do Palácio de Inverno exibem as principais obras desta que é uma mais importantes coleções de arte do mundo.

Throne Room. Palácio de Inverno. Winter Palace. Hermitage. São Petersburgo.

Sala do Trono, no interior do Palácio de Inverno (Museu Hermitage), São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

Dentre as obras em apresentação que vimos, algumas merecem atenção especial. O Gold Treasure Room, o Relógio do Pavão Dourado e os trabalhos de Leonardo da Vinci, Raphael, Michelangelo, Caravaggio, Peter Paul Rubens, Pierre-Auguste Renoir, Claude Monet e Henri Matisse.

Golden Peacock Clock. Hermitage. São Petersburgo.

O Relógio do Pavão Dourado, no museu Hermitage, São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

Encerramos o dia com um passeio e jantar às margens do rio Neva.

 

Terceiro Dia – Peterhof e Noites Brancas

No último dia em São Petersburgo visitamos o Peterhof (Petrodvorets). Aqui, constatamos que palácio suntuoso é o que mais há na cidade.

O que mais destaca o Peterhof dos demais é o conjunto de mais de 170 fontes e canais. É uma magnífica composição aquática, desenhada, em parte, por Pedro o Grande. Não há nada igual no planeta. As dezenas de estátuas douradas que cospem água em todas as direções são realmente extraordinárias. O estandarte da decoração é a apoteótica representação de Sansão batalhando com um leão. Ela foi feita para para celebrar a vitória russa contra os suecos em 1709.

 

Peterhof. Petrodvorets. São Petersburgo.

Destaque para a estátua no centro do lago artificial, que representa Sansão batalhando com um leão. Peterhof, em São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

Para chegar neste palácio, fomos de metrô até a estação Avtovo. De lá, pegamos o ônibus de número 210, que passa bem na frente do Palácio. Voltamos pelo mesmo caminho. O traslado levou quase 1h30, cada perna.

 

O Mariinsky

Para fechar com chave de ouro a visita à cidade, assistimos a um dos mais disputados espetáculos do festival Noites Brancas: o balé de “Romeo e Julieta”, apresentado no fabuloso Mariinsky.

Esse teatro é enorme e, sem dúvida, um dos mais bonitos que já estive. Com certeza vale a pena incluir o Mariinsky em qualquer visita a cidade. Mesmo que só para conhecer a sua estrutura.

Mariinsky. São Petersburgo.

Mariinsky, em São Petersburgo. Foto: André Orengel.

 

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Seis festivais de verão para curtir na Bélgica

Assim como gastronomia e cinema, o Mochileza é um site entusiasta de música. Sempre procuramos referências musicais em nossas viagens (como o roteiro de David Bowie em Berlim) ou shows…

Assim como gastronomia e cinema, o Mochileza é um site entusiasta de música. Sempre procuramos referências musicais em nossas viagens (como o roteiro de David Bowie em Berlim) ou shows para assistir no caminho. E quem gosta de música sabe que o verão europeu é fértil em grandes eventos. São festivais de leste a oeste no continente, para todos os estilos e orçamentos.

Os frequentadores assíduos de festivais têm destinos tradicionais, como Inglaterra e Alemanha. Também há os destinos que viraram os novos queridinhos dos viajantes, como Espanha e Portugal. Mas tem um país que consegue reunir eventos em grande quantidade e também em variedade de atrações: a Bélgica.

Apesar do território minúsculo, a concentração de festivais na Bélgica é gigantesca. Se você já pensou em passar um verão por lá comendo chocolate e tomando cerveja, pode pensar em agregar um festival de música ao seu roteiro. E, para ajudar você no planejamento, recorremos a um grande amigo do Mochileza. O Edvan Coutinho é um jornalista com quem trabalhei em Belém e mora em Bruges, na Bélgica, desde 2007. É um dos caras mais bem informados que conheço e dono de uma vasta cultura musical. Ele preparou um guest post com uma curadoria dos principais festivais do verão belga. Espero que vocês curtam!

Ah, o Edvan também trabalha como guia oficial de turismo em Bruges. É o único guia brasileiro na cidade. Para uma experiência mais rica de informação, recomendo DEMAIS um city tour com ele! Se você se interessar, escreva com alguma antecedência para o Edvan: [email protected]

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Edvan Coutinho e as típicas batatas belgas. Foto: Arquivo Pessoal

 

A onda de frio neste inverno – talvez a mais severa dos últimos dez anos – faz os europeus sonharem com os sons não apenas dos pássaros em dias quentes. Mas também das guitarras, teclados e soundsystems nas centenas de festivais de verão em todo o continente. Sim, a Europa é o melhor destino se você adora um show, seja ele um megaevento ou uma performance mais intimista. E quando se fala em festival de verão, a Bélgica é a meca dos amantes de todos os estilos musicais.

A localização estratégica deste pequeno país (menor que o arquipélago do Marajó), entre o Reino Unido, a França, a Alemanha e a Holanda, facilita o deslocamento de bandas e artistas em turnê pelo continente. Entre os mais de 300 festivais que acontecem anualmente em solo belga, escolhemos seis, que podem ser chamados o crème de la crème. Eles abarcam desde a world music até os beats eletrônicos mais modernos. Um deles, o Moods Festival, é parcialmente gratuito. São festivais em Bruxelas, Wechter, Boom, Hasselt e Bruges – tudo para combinar música e viagem.

Couleur Café: o mundo no palco

Foto: Vanessa Rasschaert / Divulgação

 

Este festival é o coup de coeur (favorito do coração) para os que estão abertos aos sons do mundo. A world music ganha aqui um sentido literal.  No line-up deste ano tem a incrível dupla malinesa Amadou & Mariam, os brasileiros do Metà Metà, com a mistura afro-jazz-bossa-swing brasileiro, as irmãs cubanas Ibeyi, o veterano norte-americano George Clinton (papa do funk legítimo), ao lado das senhoras do Clypso Rose, de Trinidad e Tobago, e do vizinho caribenho delas, Ziggy Marley (precisa descrever o que ele toca?). Ainda há novidades como os rappers suíços Makala, Di-Meh e Slimka, além do funky vodu dos togoleses do Togo All Star.

O Couleur Café existe desde 1990 e já rodou por várias locações em Bruxelas. Porém, há uns dois anos, conseguiu acertar na escolha do cenário. Ele é realizado na área do Atomium, um dos símbolos da capital belga e da Europa, a escultura gigante em formato de um átomo. A vantagem desse festival é que você está dentro da cidade e há transporte público a todo momento para voltar para o seu hotel ou albergue.

O Atomium é o cenário do Couleur Café. Foto: Luc Cheffert / Divulgação

 

Para quem não quer perder um minuto do clima de festival, ou quiser tirar uma soneca entre uma e outra atração, há um acampamento bem estruturado, como em todos grandes festivais.

Couleur Café Festival

Quando: de 29 de junho a 1° de julho de 2018
Onde: na praça do Atomium, em Bruxelas
Preços: desde 85 euros para os 3 dias ou entre 37 e 42 euros para um dia apenas (ver condições e taxas extras no website do festival)
Mais informações: https://www.couleurcafe.be (em inglês, francês e neerlandês/flamengo)

 

Rock Werchter: grandes nomes, mas também indie

Foto: Divulgação

 

Este festival está sempre na lista dos melhores do mundo. Ele faz parceria com os festivais ingleses, como o Glastonbury, e holandeses, como Lowlands. E assim o line-up é mais do que estrelado, porém bem diversificado também. Eles sempre apostam em promessas, como fizeram com o London Grammar, o trio inglês que desde que passou por lá há uns cinco anos.

Este ano vão pisar nos palcos do Rock Werchter: Arctic Monkeys, Franz Ferdinand, Gorillaz, Snow Patrol, Jack White, Alice in Chains, Nick Cave & The Bad Seeds, Queens of Stone Ages, David Byrne, Pearl Jam, e o já citado London Grammar, só para nomear alguns. O festival sempre prestigia a prata da casa e assim os belgas sempre estão em destaque. Este ano vão estar, entre as atrações locais, o grupo Arsenal – que tem um queda por música brasileira –  e power trio Triggerfinger (já ouviram a versão deles para “I Follow Rivers”?).

O preço do ingresso pode parecer salgado, mas o line-up justifica, além do que o transporte público de qualquer cidade na Bélgica até a porta do festival está incluído no preço.

Rock Werchter

Quando: de  6 a 8 de julho de 2018
Onde: Werchter (a 30 km de Bruxelas e a 15 km de Leuven, outra grande cidade belgo-flamenga)
Preços: desde 102 euros, para um dia,  até 238 euros para os três dias (ver condições e taxas extras no website do festival)
Mais informações: www.rockwerchter.be (em inglês, francês e neerlandês/flamengo)

 

Cactus Festival: familiar e hype

Foto: Edvan Coutinho

 

O mais charmoso festival belga. O mais familiar dos festivais. O melhor pequeno festival da Europa. O Cactus tem muitos títulos e todos eles se justificam. A começar por ser o festival da cidade que é uma marca de beleza: Bruges, que atrai 6 milhões de turistas por ano, com seus canais que valem o apelido de Veneza do Norte e o traçado medieval das ruas que valeu o título de Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco.

O Cactus Festival acontece há mais de 35 anos praticamente no centro da cidade. O público é limitado em menos de 10 mil pessoas num espaço amplo e verde do parque Minnewater, com infraestrutura e conforto nota 10. O festival tem um clima tão relaxante que atrai famílias inteiras, dos avôs aos netos. Tem espaço para deixar as crianças brincarem, há até redes para descansar e os stands de comida são uma atração à parte pela alta qualidade.

Foto: Edvan Coutinho

 

No que se refere ao palco único, as atrações são sempre de altíssimo nível e fora do mainstream. O que não quer dizer falta de qualidade.  Nos anos 90, passaram por lá Marisa Monte e Chico Science & Nação Zumbi. Mais recentemente, tocaram Massive Attack, Macy Gray, Benjamin Clementine, Kaiser Chiefs, Marianne Faithfull e Patti Smith. Este ano estão em cartaz Buffalo Tom, com seu indie rock made in USA, a britânica Emeli Sandé, a camaleônica anglo-francesa Charlotte Gainsbourg e os cultuados escoceses do Mogwai. O festival de Bruges é conhecido por lançar tendências. Assim, muitos artistas novos acabam voltando à Bélgica em festivais maiores depois de serem “descobertos” no Cactus.

Cactus Festival

Quando: de  13 a 15 de julho de 2018
Onde: Bruges (a 90 km de Bruxelas)
Preços: desde 49 euros, para um dia,  até 110 euros para os três dias (ver condições e taxas extras no website do festival)
Mais informações:  www.cactusfestival.be (em inglês, francês e neerlandês/flamengo)

 

Tomorrowland: o povo do amanhã

Foto: Divulgação

 

Com toda a justiça, o Tomorrowland é o mais prestigiado festival de música eletrônica do mundo.  O evento virou uma marca de valor incalculável e chegou ao Brasil em duas edições em 2015 e 2016, depois de ter também feito uma edição nos Estados Unidos. Se você pensa em vir, prepare-se para vir somente em 2019, pois os ingressos deste ano, assim como sempre acontece, foram vendidos em menos de três horas.

O Tomorrowland, desde 2005, botou a Bélgica no centro do mundo da música dançante do século XXI e é um evento que chega a ser uma experiência mística – dizem amigos habitués do festival. Para os conhecedores dos loops e beats, as atrações deste ano são de peso: Tiësto, Vini Vici, Axwel, Bonzai All Stars, Carl Cox, Alesso, Dimitri Vega & Like Mike, Fatboy Slim, Lost Frequences e Steve Angello.

Foto: Divulgação

 

O acampamento do Tomorrowland é uma atração à parte. O festival tem até mesmo uma vila de luxuosos apartamentos com jacuzzi e todo o luxo que seu bolso puder pagar.

Ano passado, o festival teve cerca de 400 mil espectadores, um número recorde porque passou a ser realizado em dois finais de semana, o que se repete este ano.

Detalhe: se não puder esperar o verão de 2019, o Tomorrowland anunciou um festival de inverno em março de 2019, na cidade de Ales-Huez, na França.

Tomorrowland

Quando: de 20 a 22 e de 27 a 29 de julho de 2018
Onde: Boom (entre Bruxelas e Antuérpia)
Preços: desde 94 euros um dia apenas até 281 euros para ficar no alojamento de luxo (o website do festival informa que todos estão sold out)
Mais informações: (em inglês, francês e neerlandês/flamengo)

 

Pukkelpop: oito palcos com mega-atrações

Foto: Divulgação

 

Um dos grandes festivais da Europa faz 33 anos em 2018. O Pukkelpop sabe combinar grandes nomes com artistas ainda em ascensão, pois tem espaços adequados para megaespetáculos, tendas para pocket shows e dance hall. De Björk ao Iron Maiden, de The Prodigy ao Portishead, a lista de artistas das edições anteriores não deixa dúvidas do peso desse festival, o único que conseguiu comprar toda a área onde anualmente se instala na província flamenga do Limburg.

Foto: Divulgação

 

Este ano, a única atração anunciada e confirmada é ninguém menos que Kendrick Lamar, o papa do rap/hip hop/jazz norte-americano contemporâneo. Fala-se que o Arcade Fire e The War on Drugs estão acertando a agenda para poderem vir.

Pukkelpop

Quando: de 15 a 18 de agosto de 2018
Onde:  Kiewit-Hasselt (a 70 km de Bruxelas)
Preços: ainda não anunciados (ver condições e taxas extras no website do festival)
Mais informações:  https://www.pukkelpop.be  (em inglês, francês e neerlandês/flamengo)

 

Moods Festival: o festival intimista de Bruges que cabe no seu orçamento de mochileiro

 

Foto: Divulgação

 

Este festival é no meio do verão e se passa em dois dos mais impressionantes cenários da cidade de Bruges: a praça da prefeitura (de Burg) e o hall interior do Belfort. O Moods é um festival organizado pela prefeitura da cidade e opta pela diversidade de atrações em dois momentos. O primeiro é numa quinta-feira à noite, um show intimista, com ingresso pago a menos de 20 euros, no pátio interno do Halletoren (a torre do Belfort, momunento gótico construído entre os séculos XII e XV).  E às sextas e sábados à noite, um show maior, gratuito, tendo como fundo de palco a Stadshuis, a prefeitura construída no começo do século XV.

O Moods tem uma atmosfera pequena e tão agradável que, mesmo em caso de chuva, o público não arreda pé. Em cartaz este ano, o nome mais conhecido é o Nouvelle Vague, a banda francesa de new bossa. E ainda: a mistura cubano-jamaicana do show Havana Meets Kingston,  a banda norte-americana Joan As Police Woman (com a cantora Joan Wasser que trabalhou com Rufus Wainwright, Nick Cave e Antony & The Johnsons), a banda pop-rock flamenga Het Zesde Metaal e o acordeonista bósnio-suíço Mario Batkovic, um virtuoso que é uma espécie de Philip Glass do acordeon.

Moods festival

Quando: de 27 de julho a 9 de agosto de 2018
Onde:  Bruges, centro da cidade
Preços:  16 euros + taxas (ver condições) para os shows no pátio do Belfort e gratuito nos show da paraça da prefeitura, o Burg
Mais informações:  http://www.moodsbrugge.be  (em inglês e neerlandês/flamengo)

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Cais do Sertão: um museu high tech sobre a alma nordestina

Não é de hoje que o Recife tem talento para surpreender quando o assunto é museu. O Instituto Ricardo Brennand, inaugurado em 2002, tem um acervo de artes plásticas e…

Não é de hoje que o Recife tem talento para surpreender quando o assunto é museu. O Instituto Ricardo Brennand, inaugurado em 2002, tem um acervo de artes plásticas e armas brancas em dois castelos medievais em pleno Nordeste brasileiro. Mas, em abril de 2014, ele ganhou um companheiro à altura: o Cais do Sertão. Com uma grande dose de interatividade e tecnologia, o novo museu mergulha fundo na alma regional e já é uma das principais atrações da capital pernambucana.

Cais do Sertão, Recife

Foto: Leonardo Aquino

 

A importância do Cais do Sertão no turismo do Recife começa na localização. Ele fica num antigo armazém da área portuária da cidade, que passa por um processo de revitalização semelhante ao vivido por Belém. O museu está a uma breve caminhada de locais como o Marco Zero, a Rua do Bom Jesus e o Cais da Alfândega. Portanto, é muito fácil inclui-lo num roteiro a pé pela região do Recife Antigo.

Foto: Leonardo Aquino

 

Inaugurado em abril de 2014, o Cais do Sertão pode ser definido como um museu social, cultural e antropológico. O acervo monta um mosaico sobre a identidade regional nordestina em diversos aspectos: religiosidade, música, costumes e rotina, entre outros. É um portal para um Nordeste que às vezes é desconhecido até mesmo pelos moradores da região, especialmente os de zonas urbanas.

Logo na entrada, somos convidados a assistir à exibição do curta-metragem “Um Dia no Sertão”, mostrando a rotina de moradores de comunidades na zona rural de Serra Talhada (município a 414 quilômetros do Recife), desde o raiar do sol até as festas que vão madrugada adentro. O filme é projetado numa tela gigante e curva, o que permite uma imersão com uma riqueza gigante de imagens e sons.

Cais do Sertão, Recife

A projeção do filme “Um Dia no Sertão”. Foto: Leonardo Aquino

 

Passado o filme, o museu propriamente dito se escancara aos visitantes. O detalhe mais fascinante é revelado para quem olha em direção ao chão. Um riacho corta o piso térreo do Cais do Sertão emulando o rio São Francisco, com água corrente e peixes. Às margens dessa representação do Velho Chico, estão os sete territórios temáticos do museu: Ocupar, Viver, Trabalhar, Cantar, Criar, Crer e Migrar.

A representação do Rio San Francisco. Foto: Leonardo Aquino

 

À primeira vista, se destacam outras réplicas: roupas de cangaceiros, um painel com ferramentas de vaqueiros e uma casinha sertaneja. Nos cômodos representados ali, estão as paredes de barro e os objetos típicos como imagens de santos, máquinas de costura e quadros religiosos.

Detalhe da casa sertaneja. Foto: Leonardo Aquino

 

Um dos locais mais fotografados do Cais do Serão é o Túnel do Capeta. É um caminho cercado de câmeras e telas exibindo as imagens capturadas por essas câmeras, dando um efeito de túnel espelhado. Nas caixas de som, uma voz sussurra as inúmeras formas que o nordestino tem para chamar o diabo, representando a crença do povo sertanejo numa entidade maligna que se opõe a Deus.

Cais do Sertão, Recife

Túnel do Capeta. Foto: Leonardo Aquino

 

A música tem uma importância tremenda no museu. No piso térreo, totens interativos contam a história dos ritmos musicais, com destaque para a vida e obra de Luiz Gonzaga. O Rei do Baião cantou como poucos a quintessência da alma nordestina. A alegria, a religiosidade, as agruras da seca, a malícia, a migração em busca de uma vida melhor. No museu, dá para ouvir as músicas em gravações originais e também ver vários depoimentos e entrevistas do Gonzagão.

Cais do Sertão, Recife

Foto: Leonardo Aquino

 

O andar superior tem ainda mais interatividade. O principal destaque é o Karaokê Sertanejo. Mas não se trata de um espaço para cantar Luan Santana ou Maiara e Maraísa. E sim, cabines privadas para soltar a voz em clássicos do cancioneiro nordestino como “Asa Branca” e “Xote das Meninas”. Também há as cabines do Baião de Todos, em que você pode ouvir as músicas e isolar instrumentos e vocais para ouvi-los em detalhes.

Cais do Sertão, Recife

Karaokê Sertanejo. Foto: Leonardo Aquino

Baião de Todos. Foto: Leonardo Aquino

 

Todo este acervo faz parte da exposição permanente “O Mundo do Sertão”, abrigada no Módulo 1 do museu. O Módulo 2 ainda está em construção e vai abrigar espaços de exposições temporárias, auditório e outros espaços.

Cais do Sertão, Recife

Foto: Leonardo Aquino

 

O Cais do Sertão é um programaço para fazer no Recife, seja qual for a idade do turista. Só tivemos uma dificuldade na nossa visita, em outubro de 2017. Como fomos com nossa filha Olívia (então com dois meses de idade) e estávamos com carrinho, precisávamos de um elevador para subir ao andar superior e não havia nenhum. Apesar disso, o site do museu afirma que o espaço oferece programas e serviços de acessibilidade.

 

Cais do Sertão – Serviço

Horários de funcionamento

De terça a sexta, das 9h às 17h. Sábado e domingo, das 13h às 17h. Última entrada às 16h30. Fechado às segundas-feiras.

Dias em que o museu está fechado

24, 25 e 31 de dezembro, 1º de janeiro, de sexta a terça-feira no Carnaval, dias de eleições.

Ingressos

R$ 10 (inteira), R$ 5 (meia) e entrada gratuita às terças-feiras.

Endereço

Rua Alfredo Lisboa, s/n, Recife-PE.

Telefone

(81) 4042.0484

E-mail

[email protected]

Site

www.caisdosertao.org.br

Facebook

www.facebook.com/CaisdoSertao

Instagram

@caisdosertao

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Moscou: a hora de conhecer a capital da Copa do Mundo

Estivemos na Rússia há alguns anos, no auge do verão europeu, quando só fica escuro em Moscou por algumas horas e nem anoitece em São Petersburgo. É nessa época, inclusive,…

Estivemos na Rússia há alguns anos, no auge do verão europeu, quando só fica escuro em Moscou por algumas horas e nem anoitece em São Petersburgo. É nessa época, inclusive, que ocorre o festival das “Noites Brancas”, em São Petersburgo, com uma grande programação cultural que vira a madrugada. Além disso, os horários de funcionamento dos estabelecimentos ficam meio malucos. Imagine lojas abertas das 10 da manhã à meia-noite! A vantagem é que nos dá tempo de fazer de tudo: de programas cult a delírios de consumo. Só não sobra muito tempo para dormir.

Seven Sisters, Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa, em Moscou

Vista a partir do Rio Moscou do prédio do Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa, em Moscou. Foto: André Orengel.

 

O esplendor dos prédios públicos, palácios e museus impressionam o turista desavisado, de forma a rivalizar com a opulência das principais capitais da Europa Ocidental. Somando isso à riqueza da cultura russa, a viagem seria perfeita se não fosse pelos camaradas russos. É claro que existem exceções, conhecemos pessoas maravilhosas e simpáticas durante a viagem. Mas, via de regra, a Rússia é, talvez, o pior país em termos de receptividade de turistas estrangeiros dos quais já visitamos. O idioma não ajuda. São poucas as pessoas que conseguem se comunicar em inglês, até mesmo nos hotéis e museus. Pedir informações na rua? Nem pensar. As informações escritas, como placas indicativas, são escassas também, até mesmo em pontos turísticos. Algumas coisas não são nem escritas no nosso alfabeto.

É por isso, imagino, que se você quer conhecer esse lugar incrível, meu amigo, a hora é agora. Isso porque com a Copa do Mundo de 2018 no país, é bem seguro presumir que a língua inglesa será mais falada nos hotéis e pontos turísticos. Também é de se esperar que haverá mais informações em inglês espalhadas pela cidade. Assim, se você já tinha alguma vontade de conhecer a terra da vodca, aproveite essa oportunidade de ouro.

Passamos, ao todo, nove dias no país, contando o dia da chegada e partida, dividindo igualmente o tempo entre cada cidade. Com base em nossas experiências, sugiro aqui um itinerário para Moscou e outro para São Petersburgo (que será tema de um post à parte). Vamos ao passo a passo.

PRIMEIRO DIA

Voamos de São Paulo para Moscou pela Turkish Air Lines, com conexão em Istambul, chegando ao nosso destino às 3 da manhã. Fomos ao hotel, fizemos o check-in e dormimos até por volta das 11, para recarregar ao menos metade das baterias. Com muitas horas ainda no dia, fomos de metrô até a estação Polyanka e andamos ao restaurante Kvartira 44 (ul Malaya Yakimanka 24/8). O lugar é meio escondido, mas a comida é bem gostosa e a ambientação é aconchegante, inspirada em um apartamento da era soviética (o nome do lugar significa, literalmente, Apartamento 44).

Kvartira 44, em Moscou

Kvartira 44, em Moscou. Foto: André Orengel.

Galeria Tretyakov

De lá, caminhamos até a Galeria Tretyakov, fundada a partir da coleção particular dos irmãos industrialistas Pavel e Sergei Tretyakov. O primeiro, inclusive, foi um importante patrono dos tais Peredvizhniki (Itinerantes): pintores do século XIX dissidentes da Academia de Artes conservadora que tinham uma pegada mais nacionalista e de crítica social, atualmente muito celebrados na Rússia. A coleção é bem extensa e alberga, provavelmente, o principal acervo de pinturas russas do mundo.

Ficamos no museu até por volta das 5 da tarde. Ao sair, andamos na direção do rio e viramos à esquerda, no sentido do Art Muzeon Sculpture Park, onde é exibida uma inusitada coletânea de estátuas soviéticas ao lado de esculturas contemporâneas. Seguindo no mesmo sentido, adentramos no Parque Gorky, para um agradável passeio.

Navegando pelo Rio Moscou

Catedral do Cristo Salvador, em Moscou

Vista a partir do Rio Moscou da Catedral do Cristo Salvador, em Moscou. Foto: André Orengel.

 

Fizemos hora por lá até irmos a um cais da onde sai o passeio de barco da empresa Moscow River Boat Tours. Existem várias opções de passeios saindo de diferentes lugares do rio. O que fizemos durou cerca de uma hora e passava por boa parte dos principais monumentos e prédios moscovitas. Foi bem legal ver a cidade a partir do rio, garantindo alguns ângulos diferentes para as fotos.

Finalizamos o dia jantando em um dos restaurantes localizados no Red October Chocolate Factory, uma antiga fábrica convertida em centro artístico e gastronômico localizado em umas das extremidades da “Ilha Dourada” do Rio Moscou (dá para ver esse enorme complexo do passeio de barco).

Red October Chocolate Factory, em Moscou

Vista do Rio Moscou do Red October Chocolate Factory, em Moscou. Foto: André Orengel.

SEGUNDO DIA

Caminhando

Começamos o próximo dia da viagem com o passeio organizado pelo Free Walking Tour. O esquema você já conhece: um guia lhe conduz juntamente com um grupo pela cidade, contando a história e curiosidades de seus principais pontos turísticos e, ao final, você decide quanto quer pagar pelo tour. A excursão dura em torno de duas horas e meia, começando as 10h45 em frente ao monumento dedicado ao a Cyril e Methodius, no centro da praça Slavyanskaya.

Catedral de São Basílio, em Moscou

Catedral de São Basílio, em Moscou. Foto: André Orengel.

 

Quando estivemos lá o tour passava por Kitay-Gorod, a Rua Varvarka, a Catedral de São Basílio, a Praça Vermelha, o GUM, o Mausoléu do Lenin, a Catedral de Kazan, a Praça Manezhnaya e o Hotel Moscou (eternizado pelo rótulo da vodca Stolichnaya), a Tumba do Soldado Desconhecido, o Jardim de Alexander e terminava na Catedral do Cristo Salvador (o maior templo da igreja ortodoxa do mundo).

Uma hora dessas a fome já está matando. No nosso caso, almoçamos uns sanduíches pela rua mesmo, se a sua fome for maior, aproveite que a celebrada Pinzeria by Bontempi fica por perto e deguste de sua famosa comida italiana.

Catedral do Cristo Salvador, em Moscou

Catedral do Cristo Salvador, em Moscou. Foto: André Orengel.

Museu Histórico do Estado e/ou Museu Estatal Pushkin de Belas Artes

Pela parte da tarde, dependendo do seu ritmo, dá para conhecer dois dos melhores museus da cidade: o Museu Estatal Pushkin de Belas Artes e/ou o Museu Histórico do Estado (sexta e sábado fecha as 21:00). No nosso caso, acabamos optando por entrar só no Museu Histórico do Estado, que gostamos bastante, para também dedicar algumas horas para umas comprinhas na Rua Tverskaya.

Torre Spasskaya do Kremlin, em Moscou

Torre Spasskaya do Kremlin, em Moscou. Foto: André Orengel.

Café Pushkin

No jantar, comemos uma deliciosa refeição tipicamente russa no excelente Café Pushkin. Esse é imperdível! A decoração é uma atração à parte, com ambientes muito bem decorados, que imitam uma farmácia antiga, uma sala de estar com lareira, uma biblioteca ou um terraço de verão de uma mansão aristocrata.

 

TERCEIRO DIA

Kremlin

Dedicamos o nosso terceiro dia quase que exclusivamente para o Kremlin de Moscou, o mais famoso dos complexos fortificados que levam este nome, incluindo as catedrais da Assunção, do Arcanjo Gabriel e da Anunciação, a Igreja da Deposição das Vestes, O Campanário do Ivan III, uma muralha com as suas famosas torres, além da residência oficial do Presidente da Federação Russa. A coleção do Palácio do Arsenal, foi, sem dúvida, o auge do passeio. Ela está entre as mais impressionantes do mundo, exibindo, entre outras coisas, armas históricas, peças de joalharia, insígnias reais (incluindo o famoso Gorro dos Monarcas), peças exclusivas de artesanato em ouro e prata datadas dos séculos XIII/XIX, além de vários dos famosos Ovos de Páscoa da Casa Fabergé.

Catedral da Assunção, em Moscou

Catedral da Assunção, em Moscou. Foto: André Orengel.

 

No intervalo para o almoço, saímos do Kremlin e comemos, ali próximo, no restaurante Stolovaya 57, que fica no 3º andar do GUM, e garantimos mais uma oportunidade de bater fotos da Praça Vermelha e dos prédios que a rodeiam, especialmente da superfotogênica Catedral de São Basílio.

GUM em Moscou

GUM, em Moscou. Foto: André Orengel.

 

O Kremlin fecha as suas portas às 5 da tarde, o que nos deu tempo de voltar ao hotel para trocar de roupa e chegar no Bolshoi às 18h30 e assistir a uma apresentação de seu belíssimo balé. Fique de olho na programação e estruture o seu itinerário para não perder a chance de testemunhar esse espetáculo.

 

QUARTO DIA

O Metrô de Moscou

Como o nosso voo para São Petersburgo só partia às 8 da noite, aproveitamos ainda a manhã para um último passeio pela cidade. Primeiro, fizemos um tour por algumas das estações de metrô de Moscou. São uma mistura de sistema de transporte, com museu de arte e aula de história, por onde passam milhões de pessoas diariamente. Faça esse passeio preferencialmente no domingo, para não enfrentar o corre-corre da semana.

Mapa criado por CityDex International, NY, EUA. Editado por André Orengel.

 

Começamos pela (1) Komsomolskaya, que se destaca pelos mosaicos no teto exibindo heróis militares russos.

Seguimos no sentido anti-horário pela linha Koltsevaya e descemos na estação (2) Prospekt Mira, para apreciar a decoração em porcelana com cenas campestres que capitaneiam as colunas.

Continuando no mesmo sentido e paramos na estação (3) Novoslobodskaya, adornada com 32 vitrais no estilo art nouveau.

A próxima parada na linha circular foi a estação (4) Belorusskaya, cujos mosaicos do teto e padrões do piso celebram o país vizinho a oeste.

Depois, trocamos de linha e seguimos pela Zamoskvoretskaya até a estação (5) Mayakovskaya, com bela decoração no estilo art deco.

Pulamos uma estação e descemos na (6) Teatralnaya, que guarda uma temática teatral e expõe afrescos representando sete das republicas soviéticas, por meio de roupas e instrumentos musicais típicos.

Andamos até a estação (7) Ploshchad Revolyutsii, uma das mais impressionantes, por ser, praticamente, um museu de esculturas subterrâneo.

Após, fomos para a estação (8) Arbatskaya, que chama a atenção por sua atmosfera barroca.

A estação (9) Kievskaya, por sua vez, com seus vegetais gigantes e outros ícones da existência idílica ucraniana, comemora os 300 anos de cooperação entre os dois países.

Terminamos o passeio na novíssima estação (10) Park Pobedy, a mais profunda das estações e, por isso, tem a mais comprida escada rolante do mundo (levamos mais de 2m40s de um ponto ao outro; parecia que nunca íamos chegar).

metro de Moscou

Todas as fotos: André Orengel.

Para finalizar: três opções

Para depois do tour, separamos as seguinte opções:

1) Museu Cosmonauta: tem uma coleção supostamente bacana de parafernália espacial, incluindo o motor do primeiro foguete soviético, e um acervo de cartazes de propaganda que evoca a era da corrida espacial.

2) Convento Novodevichy: considerado patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO, é, provavelmente, o convento mais conhecido da Rússia. Construído em estilo Barroco, fazia parte de uma cadeia de monastérios que integravam o sistema de defesa de Moscou, sendo hoje um importante marco histórico e um dos grandes feitos russos, exibidos em sua arquitetura e coleção de obras de arte.

3) Feirinha de Artesanato de Izmailovo: Nossa escolha. Queríamos muito trazer uma matrioska para integrar a nossa coleção de relíquias de viagem. Para isso, não valem compras em aeroporto, tem que ir à feira. Nessa, encontramos dezenas de tipos diferentes da boneca, o que deu um trabalhão para escolher a que íamos trazer. Além disso, a feira tem todo o tipo de bugiganga russa, incluindo vários apetrechos soviéticos.

Matrioska comprada na Feirinha de Artesanato de Izmailovo, em Moscou. Foto: André Orengel

 

Por fim, fomos ao aeroporto usando o metrô mesmo. Deu tudo certo. No caminho, enquanto lembrava dos dias em Moscou, percebemos que poderíamos facilmente ficar mais uns 2 ou 3 dias. Sobrou muita coisa interessante ainda para conhecer.

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3 comentários em Moscou: a hora de conhecer a capital da Copa do Mundo

Praia de Pipa: um guia para planejar sua viagem

A Praia de Pipa talvez seja a grande prova da generosidade que a natureza teve com o litoral do Rio Grande do Norte. Ela não tem só o branco da…

A Praia de Pipa talvez seja a grande prova da generosidade que a natureza teve com o litoral do Rio Grande do Norte. Ela não tem só o branco da areia das dunas e o azul esverdeado do mar (ou verde azulado, dependendo do ponto de vista). A paisagem dela é marcada por outra cor: o laranja vivo das falésias que formam paredões perto da orla. É como se fosse possível juntar uma ilha do Caribe com uma chapada do interior do Brasil. E aí é preciso procurar outro adjetivo. “Paradisíaco” não é suficiente para descrever.

Praia do Amor - Praia da Pipa

Praia do Amor, em Pipa. Foto: Leonardo Aquino

 

Mas o pacote não fica só nisso. Pipa tem a presença ilustre dos golfinhos (que dão nome a uma baía na região) e de um bom pedaço de mata atlântica preservada. Tem uma lagoa que oferece banho de água doce, tem picos de surfe e trilhas para caminhada. É santuário ecológico, point de verão e destino de aventura ao mesmo tempo.

Como se não fosse bom o suficiente, ainda há a gastronomia. Até os anos 80, a Praia de Pipa era meio colônia de pescadores, meio acampamento hippie. Os dias de acesso difícil ficaram no passado. Assim, os visitantes passaram a vir de cada vez mais longe e alguns se instalaram de vez. Acabaram trazendo para a pequena vila no nordeste brasileiro uma enorme diversidade de estilos nas suas cozinhas. Ir a Pipa não é só pegar sol e tomar banho de mar, mas também comer muito bem.

Gastronomia, Praia da Pipa

Carpaccio de polvo no Terra Nostra, um dos bons restaurantes de Pipa. Foto: Leonardo Aquino

 

Por essas e outras, Pipa se tornou meu destino preferido para feriados prolongados e viagens de fim de semana. Mais do que isso: povoa também meus sonhos de aposentadoria. Quem não adoraria passar o resto da vida num lugar como este?

Este post vai ajudar você a planejar sua primeira viagem à Praia de Pipa. Como chegar, onde ficar, o que fazer, onde comer e muito mais. Vamos nessa?

Ponta do Pirambu, Tibau do Sul, Praia da Pipa

Praia do Giz, em Tibau do Sul. Foto: Leonardo Aquino

Como chegar à Praia de Pipa

Pipa pertence ao município de Tibau do Sul, a 85 quilômetros de Natal. São pouco mais de 11 mil habitantes, que vivem quase totalmente do turismo. Uma caminhada pelas ruas da vila pode dar a impressão de que há mais pousadas e restaurantes do que residências.

A forma de chegar à Praia de Pipa vai depender muito da sua origem e do seu meio de transporte.

Um clique que é a cara de Pipa: praia + falésias no Mirante de Cacimbinhas. Foto: Leonardo Aquino

De carro

A partir de Natal, a viagem é pela BR-101 no sentido sul até a cidade de Goianinha, onde você deve entrar na RN-003. A BR é duplicada neste trecho. A RN não. Dependendo de onde você estiver hospedado em Natal, a distância fica abaixo de 80 quilômetros.

A partir de João Pessoa ou Recife, a viagem também é pela BR-101, mas indo no sentido norte. A pista é toda duplicada no trajeto até Goianinha. Saindo de João Pessoa, a distância é de 152 quilômetros. Do Recife, são 256 quilômetros.

De táxi

A partir do aeroporto de Natal, a corrida sai por volta de 200 reais. Do aeroporto de João Pessoa, ela fica um pouco mais cara: em torno de 300.

De ônibus

Saindo da rodoviária de Natal, há ônibus saindo rumo a Pipa a partir das 6 da manhã. De segunda a sexta, são dez saídas diárias com no máximo 2h10 de intervalo entre uma e outra. A última saída é às 18h10. Aos sábados são oito saídas. Aos domingos e feriados, três. Portanto, se você quiser ir de ônibus num fim de semana, programe-se para não ficar sem passagem.

Existe também uma linha alternativa de ônibus saindo de um ponto em frente ao Natal Shopping. São três saídas diárias tanto em dias úteis quanto em fins de semana.

Para pesquisar mais detalhadamente os horários dos ônibus, acesse http://busca.pipa.tur.br

Vans

Uma oferta mais frequente de transporte é a de vans saindo de Goianinha rumo a Pipa. Elas costumam circular das 5 da manhã à 0h30, com intervalos de aproximadamente 10 minutos. Mas tenha essa opção em vista apenas em caso de emergência, já que você precisaria pegar um ônibus de Natal a Goianinha antes.

Transfers

Para quem chega de avião e não quer dirigir, esta é a melhor opção. Há várias empresas que prestam este serviço, como a VIP Pipa Transfer, a Pipa Aventura e a Pipa Locadora. O preço fica em torno de 80 reais por pessoa o trecho. Hotéis e pousadas também oferecem transfers. Alguns deles sem custo para o hóspede. Vale perguntar na hora de fazer a reserva.

A pergunta que você pode fazer agora: vale a pena alugar carro?

Para conhecer praias como a do Madeiro, é melhor estar de carro. Foto: Leonardo Aquino

 

A resposta vai depender do que você pretende fazer na viagem. Caso fique apenas na vila de Pipa e esteja hospedado perto da praia, você dificilmente vai precisar tirar o carro da garagem. Nesse caso, não vale a pena. Mas se você pensa em circular pelas outras praias da região, o carro vai lhe dar mais liberdade e flexibilidade. Só não deixe de tomar o cuidado que você tomaria numa grande cidade: se beber, não dirija. Fiscalizações de trânsito são comuns, especialmente em alta temporada.

No entanto, o carro não é fundamental para circular. Pipa é bem servida de táxis que podem lhe levar às outras praias mais distantes da vila. Além disso, há muitas agências que promovem excursões pela região.

Quando ir à Praia de Pipa?

Praia da Pipa

Mesmo sem sol aberto, dá pra relaxar em Pipa. Foto: Leonardo Aquino

 

Não se iluda achando que o Nordeste é uma região de um tempo só, ensolarado o ano inteiro. São cerca de 300 dias de sol por ano, mas há um período chuvoso: entre abril e junho. Nestes três meses, são grandes as chances de São Pedro melar a sua praia. Por outro lado, as hospedagens costumam ficar mais baratas neste intervalo. Portanto, leve tudo isso em consideração ao planejar uma ida à Praia da Pipa em feriados como Semana Santa, Corpus Christi e Dia do Trabalhador.

Para ir sem erro, meteorologicamente falando, vá no verão: de dezembro a março. Mas saiba que é a alta temporada na região e isso pode refletir em preços mais altos. O mesmo vale para julho, por causa das férias escolares. De agosto a novembro, é uma espécie de temporada intermediária ideal. Sem a muvuca dos meses mais concorridos e com sol. A famosa situação ganha-ganha.

Outro fator importante para levar em consideração: alguns feriados prolongados costumam ter grandes shows. Isso significa vila lotada, barulho e praia suja. Se você não gosta da badalação, procure saber se há alguma programação desse tipo antes de fazer a sua reserva.

 

Onde ficar em Pipa?

Para tomar essa decisão, é preciso saber de antemão alguma coisa sobre a região.

O epicentro da vida em Pipa está na avenida Baía dos Golfinhos, que também é chamada de Vila. É a rua que concentra o comércio, os serviços, a gastronomia e a vida noturna de Pipa. Há vários hotéis, pousadas e flats na avenida. Alguns deles com acesso direto à praia. Ficar aqui vai lhe facilitar a vida, especialmente nos passeios noturnos. Mas, em alta temporada, a poluição sonora é alta e pode incomodar um bocado.

O relevo de Pipa é bastante acidentado. Há muitas ladeiras perto da orla. Portanto, você encontrará algumas ofertas de hospedagem localizadas no centro de Pipa, mas com uma subida de brinde na volta do seu passeio. Se você vai viajar com pessoas com dificuldade de locomoção, é melhor evitar.

Indo para o norte, existe a possibilidade de ficar entre Pipa e Tibau do Sul, inclusive hotéis requintados como o Pipa Privilege e o Madeiro Beach. São opções mais caras e que vão lhe deixar distante da vida noturna. Se você pode pagar um pouco mais caro e pretende passar o dia descansando, pode ser a sua escolha.

O mesmo vale para os hotéis e pousadas na região do Chapadão, rumando ao sul. Alguns deles oferecem acesso direto à praia, têm estrutura robusta e serviços de spa. É para quem quer pagar para não se incomodar.

Um bom custo-benefício é a hospedagem em Tibau do Sul. A cidade tem hotéis confortáveis e mais baratos que os do centro ou os grandes resorts.

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Pipa para pessoas com necessidades especiais

Praia de Pipa, Praia do Madeiro

Acesso à Praia do Madeiro, em Pipa. Vai encarar? Foto: Leonardo Aquino

A geografia de Pipa não é muito amigável para idosos, cadeirantes, pessoas com crianças de colo ou dificuldades de locomoção. Além das ladeiras que estão no caminho de muitos hotéis, os acessos às praias também são difíceis. Para chegar à praia do Amor, por exemplo, é preciso descer no meio de uma falésia. O acesso à praia do Madeiro é por uma escadaria íngreme e escorregadia. E por aí vai.

As praias mais acessíveis são as de Tibau do Sul e a do Centro. A primeira tem um acesso totalmente plano a partir de um estacionamento perto da Lagoa Guaraíras. A segunda, de descidas suaves na avenida Baía dos Golfinhos ou de alguns hotéis e restaurantes. Portanto, se você viaja com alguém que tenha necessidades especiais, são os lugares mais indicados para ficar e curtir.

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Cuba: dicas e roteiro de três dias em Havana

Se você já ouviu a frase “vai para Cuba!” numa discussão sobre política, não a leve mais como um insulto. Melhor tomá-la como uma recomendação – e das boas. A…

Se você já ouviu a frase “vai para Cuba!” numa discussão sobre política, não a leve mais como um insulto. Melhor tomá-la como uma recomendação – e das boas. A ilha caribenha é uma das vedetes dos viajantes nos últimos anos. Em 2016, o país recebeu turistas como nunca: foram 4 milhões de visitantes, 13% a mais que no ano anterior. E o que mais há em Cuba é motivo para visitar o país: história, cultura, música e praias são só alguns deles.

Conhecer Cuba não precisa ser uma decisão ligada a uma orientação/opinião política. Mas, antes de decidir embarcar, é preciso estar ciente de alguns fatos:

1) apesar de crescente, a indústria do turismo (ainda) não é tão consolidada quanto em países historicamente mais visitados;

2) as consequências do isolamento político e econômico de Cuba estarão visíveis por toda parte. A versão turística do país não é a mesma que os nativos vivem;

3) Cuba é um país pobre, porém caro. Não pense nesta viagem como uma viagem para gastar pouco.

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Ruas de Habana Vieja. Foto: André Orengel

 

Essas são algumas reflexões que tirei dos relatos da viagem que o André Orengel, colaborador habitual do Mochileza, fez por lá. Ele e a esposa estiveram em Cuba em dezembro de 2016. Por aqui, ele deixa algumas dicas para planejar a viagem (visto, dinheiro, hospedagem, etc) e uma sugestão de roteiro de três dias pela capital Havana. Partiu Cuba?

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Plaza de la Revolución, em Havana. Foto: André Orengel

 

Cuba, muito mais do que os seus vizinhos caribenhos, tem uma presença marcante em nosso imaginário. Pode ser pela rivalidade esportiva com o Brasil, pela revolução comunista liderada por Fidel Castro e Che Guevara ou ainda pela influência cultural de seus ritmos e sabores. A verdade é que sempre tivemos uma curiosidade imensa de conhecer este país e seu povo. Assim, minha esposa e eu aproveitamos um recesso de final de ano para explorar um pedacinho dessa ilha. Passamos alguns dias em Havana e mais dois dias em Varadero. Conto aqui como foi que fiz essa viagem e sugiro um itinerário com base em nossas experiências:

Entrando em Cuba

Os brasileiros precisam de um Visto de Turista (tarjeta turística) para entrar em Cuba. Ele serve para uma única entrada e tem validade de 30 dias. Não deixe que isso lhe desmotive, pois é bem fácil de o conseguir.

No nosso caso, pegamos um voo da Copa Airlines, via Manaus, e no próprio check-in fizemos a tarjeta. É preciso pagar uma taxa de US$ 20 e apresentar passaporte com validade mínima de seis meses. Quem viajar de Avianca ou Latam, pode solicitar o visto no portão de embarque do segundo voo, em Bogotá ou Lima.

A tarjeta turística também pode ser emitida pela Embaixada em Brasília e nos consulados de São Paulo, Salvador e Manaus. O site da Embaixada explica como se pode solicitar o visto pelos correios, mas esta me parece a menos prática das opções disponíveis.

Além da tarjeta, é obrigatório que você leve um seguro-viagem e tenha se vacinado contra febre amarela com até 10 dias antes da viagem.

Dinheiro

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Cédulas de CUCs, os pesos convertíveis. Foto: Pixabay

 

A viagem para Cuba saiu mais cara do que inicialmente imaginávamos, então sugiro que viaje com uma folguinha. A moeda utilizada pelos turistas é o CUC (Peso Conversível Cubano), diferente da moeda utilizada pelos cubanos, que é o CUP (Peso Cubano). Não leve dólares e nem conte com o seu cartão de crédito. Isso porque há uma “taxa” (multa) de 10% que você tem que pagar sempre que trocar dólares por CUC. Essa cobrança também é feita no uso do cartão de crédito, além dos 6,38% de IOF. Por isso, leve preferencialmente euros.

Ao sair do aeroporto de Havana você provavelmente verá uma enorme fila na frente da casa de câmbio. Respire fundo e a encare, pois na cidade a cotação e fila não serão muito diferentes.

Hospedagem

Pelo que pudemos apurar, existem, basicamente, duas opções de hospedagem: hotel e casa de família. Na nossa estadia, ficamos em três hotéis. Em Havana: NH Capri La Habana e Meliá Habana. Em Varadero: Meliá Las Américas. Todos  tinham dois pontos em comum: um bom e outro ruim. Pelo lado positivo, os buffets de café da manhã eram imensos, os mais variados que já vi. Pelo lado negativo, o fedor de mofo era insuportável. Os que sofrem com alergia devem reforçar o estoque de remédios para a viagem.

Em Havana, o Capri fica mais próximo do centro histórico, em uma região onde também estão localizados outros hotéis históricos, como o Tryp Habana Libre e o Hotel Nacional. Para ir ao centro histórico, usávamos os táxis que ficavam na porta do hotel e negociávamos o preço antes de entrar no carro. A corrida custava algo em torno de 8 CUCs.

Já o Meliá Habana fica um pouco mais afastado, próximo à praia e em uma área arborizada onde estão localizadas as embaixadas de vários países. É um ótimo lugar para uma corridinha matinal. O hotel disponibiliza transporte gratuito em horários pré-fixados para o centro da cidade, o que representa uma ótima economia com deslocamento.

Por falar em transporte, você não precisa se preocupar com o traslado de Havana para Varadero e vice-versa se você ficar em hotel. O próprio concierge pode resolver isso com uns dias de antecedência.

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Clima

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Ruas de Havana. Foto: André Orengel

 

Logo no táxi do aeroporto ao hotel, fomos surpreendidos por um outdoor que dizia: “Embargo: o maior genocídio da história”. Ao longo da viagem, encontramos diversas outras propagandas antiamericanas e que enalteciam a revolução comunista. Apesar disso, o clima da cidade estava muito longe de ser tenebroso. Pelo contrário, nos deparamos com um lugar festivo, fotogênico, cheio de música, com ótimas opções para comer, beber e se divertir. Para completar, o povo é alegre e muito receptivo, e vê no turismo um dos principais mecanismos para a superação das dificuldades impostas pela falência do bloco soviético.

Por falar em embargo, ele impôs uma situação bem peculiar e marcante à cidade, dando-nos a impressão que a mesma parou no tempo em algum lugar na década de 60. Muitos dos veículos que trafegam pelas ruas parecem ser dessa época e boa parte dos prédios se encontra em completa ruína. Salvam-se os hotéis, museus, edifícios públicos e uma zona da Cidade Velha reformada. Esta que, por sinal, é considerada patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO por tão bem refletir o apogeu da colonização espanhola na ilha.

 

Primeiro dia em Havana

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Castillo de los Tres Reyes del Morro. Foto: André Orengel

Começamos a viagem visitando o Castillo de los Tres Reyes del Morro, uma bela fortificação espanhola que nos remonta ao período das grandes navegações e pirataria no mar do Caribe. Para incrementar as defesas deste que era um dos portos mais movimentados das Américas entre os séculos 16 e 18, os espanhóis construíram também a enorme Fortaleza San Carlos de la Cabaña. Andamos até lá após visitar o primeiro, para aprender ainda mais sobre a história militar da cidade. Vale muito a pena.

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Fortaleza de San Carlos de la Cabaña. Foto: André Orengel

La Bodeguita – Curtindo Cuba como Hemingway

Depois, fomos de taxi à Praça da Catedral. Como a hora do almoço se aproximava, comemos no concorrido La Bodeguita del Medio, ali próximo. O bar/restaurante tornou-se famoso por sua ilustre clientela, que inclui Salvador Allende, Pablo Neruda, Errol Flynn e Ernest Hemingway. As paredes são todas riscadas, e nós aproveitamos para deixar a nossa marca, como Hemingway, que escreveu: “My mojito in La Bodeguita, My daiquiri in El Floridita“. Com uma recomendação dessas, como não tomar um mojito?

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La Bodeguita del Medio, um dos bares favoritos de Hemingway em Havana. Foto: André Orengel

 

De estômago forrado, entramos na imponente Catedral de la Virgen María de la Concepción Inmaculada de la Habana, principal templo religioso da cidade. A praça a sua frente é rodeada por prédios interessantes, como: o Palacio de las Marquesas de Aguas Claras; a Casa Lombillo; o Palacio del Marques de Arcos; o Palacio de los Condes de Casa Bayona; e o Taller Experimental de Gráfica.

Museus e mais fortificações

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Plaza de Armas em Havana. Foto: André Orengel

 

Seguimos caminho pela rua San Ignacio, até chegarmos à movimentada rua Obispo, onde dobramos à esquerda e andamos até chegar à aprazível Plaza de Armas, que tem uma feirinha de antiguidades e vários artistas de rua. Dois museus se destacam nesta praça. O Castillo de la Real Fuerza, considerado a fortificação em pedras mais antiga das Américas, hoje é um museu marítimo, que exibe uma impressionante maquete do Santisima Trindad (a maior embarcação do século 18 e construído em Havana) e tem uma bela vista de seu terraço. O outro museu é o Palacio de los Capitanes Generales Casa de Gobierno, com um ótimo e extenso acervo sobre a história cubana e um lindo pátio interno.

Como as visitas a ambos os museus terminaram ao entardecer, aproveitamos para caminhar pela orla do Canal até o Castillo de San Salvador de la Punta, situado em um dos extremos do Malecón, de onde apreciamos o final da tarde e pegamos um taxi de volta ao hotel antes que ficasse completamente escuro.

Segundo dia em Havana

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O famoso Malecón, em Havana. Foto: André Orengel

 

Continuamos o passeio mais ou menos de onde paramos no dia anterior. Fomos de taxi à Plaza de Armas, de lá andamos até a rua Mercaderes e viramos à esquerda. Caminhamos por esta agradável via passando pela frente do Hotel Ambos Mundo, da Casa de la Obra Pía, de uma loja de perfumes chamada Habana 1791, da Plaza de Simon Bolivar, entre outros, até chegar na esquina da rua Amargura, onde, ironicamente, está localizado o Museo del Chocolate (mais lanchonete que museu). Quando vimos o tamanho da fila e sentimos o aroma no ar, sabíamos que tínhamos que entrar. E valeu a pena, pois tudo que nós comemos e bebemos nesse lugar estava delicioso, com destaque para a xícara de chocolate quente.

Plaza de San Francisco, em Havana. Foto: André Orengel

 

Após a parada, seguimos pela rua Amargura até a Plaza de San Francisco, em frente à homônima Basílica. A praça é bem movimentada e rodeada por edifícios muito bem restaurados. Procure e aprecie a Fonte com os Leões, entalhada por Giuseppe Gaggini em 1836, a escultura La Conversación, doada à Havana pela Embaixada Francesa no país e a estátua do Caballero de París, que retrata um famoso andarilho que vagava as ruas da cidade abordando as pessoas para falar sobre filosofia, religião, política entre outros assuntos polêmicos.

Um bom lugar para almoçar na região é o Cafe del Oriente, que fica bem na esquina das ruas Amargura e Ofícios.

Museu do Rum

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Foto: André Orengel

 

Depois de comer, continuamos pela rua Ofícios, passando ao lado da Basílica e por um intrigante vagão de trem mantido em excelentes condições, dobramos nesta ruela até chegar à uma ampla avenida, onde viramos à direita para chegar ao Museo del Ron – Havana Club. Compramos os ingressos no lugar e esperamos um pouco até a vez do nosso tour. O museu é ótimo e muito informativo, focado na história e o modo de preparação da bebida, com uma pequena degustação ao final. Não deixe de aproveitar a oportunidade para comprar algumas garrafas dos excelentes runs envelhecidos em barris de carvalho branco por 7 a 15 anos. Leve mais de uma garrafa para não se arrepender depois, como eu, ao saborear a última gota da que trouxe para casa.

Finalizada a visita, dobramos na rua Sol e depois à direita na Mercaderes, em direção à Plaza Vieja. Não ousamos andar pela Mercaderes no sentido oposto, pois nos pareceu sair do circuito turístico para uma zona empobrecida e, talvez, perigosa.

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Taberna de la Muralla. Foto: André Orengel

 

Demos então uma volta pela praça, que existe no local desde 1559, apreciando os seus prédios restaurados. Eu sinceramente torço para que quando você passeie por ela encontre o mesmo carrinho de sorvete de coco que eu vi lá. Em caso positivo, não deixe de provar. Fogem-me as palavras para descrever o quão bom ele é, principalmente no calor que estava fazendo. Terminado o tour pela praça, pare no Taberna de la Muralla para uma cerveja artesanal com alguns petiscos.

Música cubana

Depois de relaxar e apreciar o movimento tomando uma cervejinha, voltamos para o hotel para trocar de roupa e, pela noite, apreciar a música do Buena Vista Social Club. Compramos os ingressos com o concierge do hotel, sem a opção de alimentação, o que nos pareceu uma boa ideia, considerando que já havíamos comido no Taberna e que havíamos lido algumas críticas ruins sobre a comida do lugar.

Terceiro Dia em Havana

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Plaza de la Revolución, em Havana. Foto: André Orengel

 

Aproveitamos enquanto o sol ainda não estava torrando a pele e fomos à Plaza de la Revolución, onde fica o Memorial José Martí. Ele é composto, principalmente, por uma monumental escultura, um pequeno museu e uma torre com mais de 100 metros de altura, o ponto mais alto de Havana. Há um elevador e um mirante no topo, mas não chegamos a subir. Do lado oposto da praça, dois grandes murais chamam a atenção. Um com o rosto de Che Guevara (na fachada no Ministério do Interior) e outro com o de Camilo Cienfuegos (na fachada no Ministério da Informática e das Comunicações). É ainda nessa enorme praça que ocorrem os maiores eventos públicos da cidade, como a missa realizada pelo Papa  Francisco, em 2015, assistida por quase um milhão de pessoas.

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Hotel Tryp Habana Libre. Foto: André Orengel

 

Em seguida, fomos ao Hotel Tryp Habana Libre conhecer o seu saguão e um pouco de sua história, contada em várias placas espalhadas pelo lugar. Foi neste hotel que Fidel Castro e suas tropas se alojaram durante a Revolução Cubana, transformando-o em seu quartel general, e nele foi realizada a primeira coletiva de imprensa de Fidel.

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Hotel Nacional de Cuba. Foto: André Orengel

 

Depois caminhamos até o Hotel Nacional, chegando bem em cima da hora para o tour das 10 da manhã. O passeio guiado pelo hotel, que dura aproximadamente duas horas, é excelente. Uma das melhores histórias contadas é sobre a Conferência da Havana de 1946, quando Lucky Luciano, Meyer Lansky, Santo Trafficante, Jr., Frank Costello, entre outros dos mais notórios mafiosos americanos se reuniram para um histórico acerto de contas. A parte do tour que nos conduz por uma série de túneis e um bunker bem no jardim do hotel, construído durante a Crise dos Mísseis de Cuba de 1963, é outro ponto alto. Os restaurantes do hotel são boas opções para o almoço.

A memória da Revolução Cubana

Em seguida, pegamos um taxi até a Plaza 13 de Marzo. Atravessamos a praça e entramos no Museu da Revolução, que conta detalhes sobre a mesma, logicamente, do ponto de vista dos próprios revolucionários. Depois, seguimos no mesmo sentido e passamos pelo Memorial Granma (o barco utilizado por 82 revolucionários para ir do México à Cuba, dando início à revolução que derrubou o regime de Fulgencio Batista). A caminhada terminou no Museu Nacional de Belas Artes, que exibe um interessantíssimo acervo abrangendo obras da Baixa Idade Média ao século XX. O foco é, claro, na arte cubana.

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Vista do hotel Iberostar, em Havana. Foto: André Orengel

 

Ao sair do museu, caminhamos no sentido da rua Agramonte, ao encontro do Paseo del Prado, um agradável e bonito calçadão entre duas avenidas. Dobramos à esquerda no sentido do Centro, passando pela frente do Hotel Sevilla, do Hotel Inglaterra, do Gran Teatro de la Habana e do Capitólio. Viramos à direita ao final deste prédio para contorná-lo, porque, por trás dele, fica a Fábrica de Tabaco Partagás, onde entramos para comprar alguns souvenirs. Compras feitas, retornamos pelo outro lado do Capitólio para ir até o Iberostar Parque Central, onde degustamos uns daiquiris e aproveitamos a vista de seu terraço enquanto o sol se punha.

El Floridita – outro favorito de Hemingway

Para jantar, fomos no famoso El Floridita na avenida Bélgica, um dos favoritos de Hemingway. E aqui, para encerrar, constatei a superioridade do daquiri sobre o mojito. E você? O que prefere? O mojito do La Bodeguita del Medio ou o daiquiri do El Floridita? Vá a Havana, confira ambos in loco e conta pra gente aí nos comentários.

2 comentários em Cuba: dicas e roteiro de três dias em Havana

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